Parte 4
Jade a fitou séria, querendo parecer calma e
indiferente. Mas por dentro, tremia, olhando aquele rosto belo aberto em um sorriso
. Geri estava linda, com uma blusa de algodão branca, de mangas compridas e
calça jeans desbotada, com um par de tênis . Uma roupa aparentemente simples,
mas a blusa era Ralf Laurent e a calça, Gucci, comprada nas melhores lojas da
Rodeo Drive.
Ela estendeu a mão e Jade a segurou, trêmula de emoção.
-Venha, sente-se comigo... você fica muito
bem em jeans, Jade. E acho que fica bem mais bonita sem muita pintura -
Comentou - fica bem mais jovem e simples.
Jade enrubesceu, retirando a mão da de Geri. Sentou ao lado dela no sofá de
tecido com estamparia de folhas verdes sobre fundo creme. Aquela sala era com
típica decoração mexicana, com chão de cerâmica vermelha, com vasos enormes
decorando,
junto com cerâmicas de figuras astecas e móveis de madeira rústica
envernizada.Uma decoração alegre, o que surpreendeu Jade. Geri era mesmo um
enigma.
-Não sabia que me achava bonita - Disse..
Geri ergueu as sobrancelhas, sorrindo.
-Não? Mas achava que já havia dito isso à você!
-Geri, não foram bem elogios que tenho oouvido de você. Foram mais palavras que
me ofenderam e magoaram.
Geri ficou séria e a fitou com certo remorso e culpa visível.
-Tem razão, Jade. Eu tenho muito a me deesculpar com você.
Ela respirou fundo e sorriu para Jade.
-Mas prometo que hije nossa relação vai mudar. Para mim, você não será mais uma
garota de programa, mas sim Jade, uma mulher de fibra e personalidade.
Chiquita trouxe uma bandeja com uma jarra de suco com copos e depositou numa
mesinha diante do sofá e se retirou silenciosamente. Geri pegou o jarro e
encheu os dois copos, estendendo um para Jade.
-Tome. Está nuito calor, isso a refrescará.
Jade pegou o copo, fitando-a nos olhos.
-É suco de que?
-Abacaxi, uma fruta tropical. Prove.
Jade levou o copo aos lábios e tomou um gole. Era delicioso.
Geri tomou um gole também e a encarou.
-Quer almoçar agora?
-Não, ainda é cedo para mim. Mas eu a
acompanho à mesa, se quiser.
-Não, está bem para mim, não estou com ccom fome.
Geri respirou fundo e falou, num arroubo de sinceridade:
-Bem, sei o que deve estar pensando: quee pedi que viesse aqui para ficar
falando idiotices, mas é que estou nervosa, Jade, Não sei por onde começar para
lhe pedir que perdoe minhas palavras e ações. Eu sou uma lésbica, e como você,
seria marginalizada, se não vivesse em um meio de pessoas de mente aberta como
o que vivo. E devia ter precebido que se sua profissão a torna marginalizada
pela sociedade, minha predileção sexual também me faz o mesmo. Felizmente, não
preciso esconder o que sou, na minha profissão. Porque convivo com pessoas de
mente aberta.
-Sorte sua, Geri. Não precisa temer que as pessoas descubram o que é.
-Você sente esse medo?
-Em certos ambientes, sim. Ser garota dee programa não é algo que eu possa me
orgulhar.
Geri a fitou com
entendimento.
-Somos ambas marginalizadas pela sociedaade, Jade.
-Mas não disse que é aceita como é?
-No meio em que vivo. Mas não nos meios mais conservadores da sociedade. E por
ser também marginalizada pela sociedade, jamais deveria tê-la insultado com
minhas palavras e atitudes. Depois que você se foi, entendi isso. Pode
perdoar-me? Pela segunda vez? Mas prometo que será a última vez, por que não
farei mais isso.
Jade suspirou.
-Está perdoada, Geri. Mas quero saber umma coisa.
-Pergunte.
-Você tem nojo de tocar-me? Por isso ficcou tão furiosa por eu a ter beijado?
Geri enrubesceu, baixando os olhos, visivelmente constrangida, escolhendo as
palavras:
-Jade... não sei se vai entender... não é nojo o que sinto.
-O que é, então?
Ela a encarou, erguendo os olhos.
-Medo. Medo de pegar uma aids, medo de aapaixonar-me outra vez, medo de romper
uma promessa que fiz a Chelsea.
Jade a fitou magoada, pensando: aqui vamos nós novamente! Mas conteve-se e falou:
-Vamos por partes, Geri. Até entendo seuu medo de pegar aids, mas garanto a você
que não faço sexo sem segurança, não uso drogas e não tenho doença venérea.
Geri a fitou com descrença.
-Os homens aceitam essa exigência sua? ÉÉ difícil de acreditar!
-Geri, eles aceitam a exigência não paraa proteger-me, mas para se protegerem! A
Aids está aí, matando. Já se foi o tempo que numa relação sexual uma pessoa
pegava apenas uma doença venérea, que podia ser curada!Com o simples ato de se
colocar um preservativo, podemos estar nos livrando da morte. Entendo seu medo,
Geri. Se fosse somente por isso que não me toca, eu aceitaria fazer um teste de
aids e um exame de denças venéreas, para provar que sou saudável.Mas sei que
seu medo não é o único motivo que não a deixa tocar e ser tocada. O motivo é
mais complexo e só mesmo um psicólogo poderia resolver.
Geri a fitou franzindo o cenho.
-Acha que sou uma...neurótica, uma parannóica?
-Não, Geri, apenas acho que você não esttá sabendo lidar com uma perda que teve.
Geri fechou a cara.
-Aposto que madame Lilith já encheu sua cabeça sobre mim. Como sabe da perda
que tive? Ah,sei, vai dizer que leu em um lugar qualquer sobre minha vida
particular. Eu sei. Hoje, no Google, você digita um nome e aparecem vários
links falando tudo que saiu na mídia sobre essa pessoa. Eu devo estar em muitos
links. Minha vida pode ser esmiuçada em detalhes - Disse, em tom amargo.
-Eu não fui rebuscar sua vida na interneet, Geri. Apenas ouvi alguém falar sobre
o grande amor que você teve e perdeu.
Geri a fitou com dor no olhar.
-Você soube sobre Chelsea?
-Sim. Lamento sinceramente sua perda, Geeri.
Geri a fitou com um olhar desconfiado.
-Lamenta? Por que? Você não a conheceu! Não pode dizer que lamenta a morte de
alguém que nunca viu.
-Eu lamento por você, Geri. Por ver comoo essa perda a devastou e continua a
impedir que você seja feliz com alguém, novamente.
-Lamenta por mim? Você mal me conhece! PPor que lamenta?
Jade a fitou nos olhos e as palavras saíram de sua boca como se fosse inevitável
as segurar por mais tempo:
-Geri...estou apaixonada por você.
Geri ficou fitando-a em silêncio por alguns momentos. Depois, suspirou,
entrelaçando os dedos das mãos e rodeando seu joelho direito, com as pernas
cruzadas.
-Muito bem - Disse ela, cética - Disse eestar apaixonada por mim. E faria
qualquer exame para provar que é saudável e eu não ter receio de tocá-la e ser
tocada, não?
-Sim, Geri, por você, me submeteria a issso - Confirmou, deixando seu olhar por
um momento mostrar a paixão que a dominava.
Geri sorriu com ironia.
-Por que tudo isso, Jade? Isso faz partee de um plano que arquitetou para
conquistar uma mulher rica? O dinheiro que lhe pago é pouco para sua ambição?
Jade ergueu-se com lágrimas nos olhos.
-Desisto, Geri! Sabe, procure um psiquiaatra, que talvez ele possa ajudá-la!
Geri deu um pulo e a segurou pelo braço,
fitando-a arrependida.
-Desculpe-me! Eu não devia ter falado issso, perdoe-me!
-Geri, solte meu braço. Quero ir embora.. Isso é uma mania sua, insulta e pede
desculpas! Estou cheia disso!
-Calma, Jade! Você tem toda razão, sou uuma idiota neurótica! Mas, entenda! Eu
uso essa arma como defesa, quando não sei o que pensar do que me dizem! Eu...
eu tenho medo, Jade!
Jade a fitou confusa.
-Medo de que mais, além dos que já contoou-me?
Geri baixou os olhos.
-Medo de me envolver sentimentalmente coom alguém e voltar a ferir-me. E você...
com sua profissão... como quer que eu acredite piamente no que diz? Outras
mulheres também tentaram conquistar-me, Jade, depois da morte de Chelsea!
Mulheres ricas, famosas, mas eu fiz a mesma coisa, eu as ofendi e elas se
afastaram. Meu medo as afastou. Elas não entenderam que eu tenho muito medo de
um novo envolvimento.
No olhar de Geri podia se ver a sinceridade das palavras dela. Jade então
entendeu. Ela estava perdida em um turbilhão de sentimentos contraditórios, de
querer ser amada, mas ter medo de sofrer, medo de estar sendo infiel a Chelsea,
medo de enterrar o passado e ir em frente, em busca da felicidade perdida.
Sua raiva se esvaiu, mas ainda a fitou e disse magoada:
-Por que não procura um psiquiatra? Ele vai entendê-la melhor que eu. Você
precisa de ajuda, mas não de mim.
Foi Geri quem a fitou agora magoada.
-Desculpe-me...sabia que não ia entenderr...pode ir embora, se quiser.
-Não quero magoá-la, Geri. Mas por favorr, não duvide do que eu sinto. E não me
ofenda mais.
Geri sorriu tristemente, tomando-a pela mão. Jade sentiu como se uma corrente
elétrica a tivesse atravessado.
-Venha...vamos almoçar. Depois falaremoss mais.
A comida estava deliciosa, o vinho era da
melhor qualidade. Mas Jade e Geri comeram pouco, ambas tensas pelo que viria.
Jade finalmente cruzou os talheres e olhou para Geri, que passou um gardanapo
delicadamente nos cantos da boca e a fitou com seriedade. Não haviam trocado
uma palavra desde que se sentaram para comer. As duas estavam com receio de
puxarem conversa e irritarem uma à outra.
-Jade... você largaria a vida que leva, se
pudesse?
Jade a fitou surpresa.
-Por que essa pergunta?
-Responda. É importante, para o que estou
pensando em lhe propor.
-Claro que sim, Geri...já disse a você que
meu objetivo é esse.
Ela a fitou cismativa.
-Posso arranjar um emprego para você. Tenho
uma amiga que possui uma agência de modelos. Você é bonita, tem um rosto de boa
garota, uma bela postura, charme... só precisa ser um pouco treinada. O que
acha?
Jade a fitou disfarçando a decepção. Estava
já pensando que Geri iria dizer que havia resolvido ficar com ela, se deixasse sua
vida de garota de programa. Vã ilusão!
-Geri, além de não ter altura para ser uma
modelo, não tenho nenhuma experiência nisso, é algo que nunca passou pela minha
cabeça!
Geri sorriu com ironia.
-Mas aposto que também nunca pensou em ser
garota de programa, mas está sendo!
Jade enrubesceu, sentindo as palavras.
-Ok, pegou-me nessa...mas, está falando
sério?
-Estou. Acho que devo isso à você. Está sendo
muito paciente com minhas...neuroses.
-Ela tem alguma experiência?
-Não. Mas acho isso um ponto positivo. ÉÉ um rosto novo na praça e o meu olho
profissional vê nela grandes possibilidades de sucesso. Eu vou fazer o book
dela e tenho certeza que você vai gostar.
-Você, fazer o book de uma novata?! Já vvi que essa garota deve ser mesmo
especial! Tudo bem, prepare o book dela e a mande procurar-me aqui.
Geri sorriu, satisfeita.
-Sabia que ia se interessar, Lori. Devo aprontar o book em cinco dias. E ela
irá até você.
-Uma pergunta: Ela está de romance com vvocê?
-Não. É apenas uma garota que quero ajuddar.
-Ah, tudo bem. Agora, dê-me o nome dela,, para eu anotar a entrevista em minha
agenda particular.
Geri olhou para Jade.
-Como é seu nome completo?
-Jade Norton - Respondeu Jade, timidamennte.
Geri repetiu o nome.
-A entrevista está marcada para dia 12, às onze da manhã - Disse Lori - Avise à
ela.
-Ok, Lori. Obrigada pela oportunidade quue está dando à Jade. Fico devendo à
você uma retribuição.
-Não agradeça, se a garota for boa, vou ganhar dinheiro agenciando-a. Até a
próxima, Geri, agora tenho que ir à uma reunião.
Geri desligou e voltou-se para Jade, sorrindo.
-Pronto! Agora, é só fazer o book e vocêê procurá-la! Tenho certeza que
conseguirá a aprovação de Lori. Tem uma agenda aí com você?
Jade sorriu.
-Claro, é onde anoto meus compromissos ddiários.
Abriu a bolsa e tirou o seu Ipod.
-Fale o nome completo dela e endereço.
-Lorraine Meltson. Endereço: Park Avenuee, 337, décimo andar.
-Não tem número de sala?
-Não. A agência dela ocupa todo o andar.. Lá ela produz comerciais para tv e tem
um estúdio completo de gravação, com todos os recursos. Ela comanda uma equipe
de cinquenta pessoas.
-Oh... é uma grande agência, então...
Jade anotou a entrevista e quando acabou, recebeu um cartão de Geri com o
endereço do seu estúdio. Olhou-a desiludida. Geri a estava tratando apenas como
uma conhecida, sem nenhum interesse amoroso. Mesmo tendo recebido sua
declaração de amor! Ela não a desejava!
Saiu dali triste, mesmo com a expectativa de mudar de vida.
A recepcionista da agência Focus a fitou com
indiferença, quando deu seu nome, e mandou-a aguardar junto com as outras
moças. Jade fitou as cinco moças que aguardavam ser chamadas, sentadas nos dois
sofás de couro vermelho, e sua auto-confiança ficou abalada. Elas eram todas
lindas e sofisticadas! Perto delas, Jade se sentiu como uma colegial ingênua e
sem charme.
As moças a olharam de cima à baixo com sorrizinhos irônicos, o que não ajudou
nada à sua auto-estima. Jade sentou no sofá e pensou se realmente teria uma
chance, quando Lorraine Metson a visse.
Havia ido ali sem contar nada à madame Lilith, como também quando havia ido
fotografar com Geri. Se não conseguisse nada com isso, seu emprego estava
garantido com madame Lilith.
As fotos com Geri haviam sido feitas em um clima totalmente profissional. Agora
entendia porque ela era considerada uma das melhores fotógrafas, requisitada
por muitas pessoas famosas. Geri em seu trabalho se transformava numa pessoa
sensível e persuasiva, que sabia arrancar das modelos a expressão certa, as
poses de acordo com o que a modelo tinha que transmitir nas roupas e maquiagem.
Ela colocava uma música adequada para cada emoção que queria que o rosto retratado
mostrasse, criando um clima que se refletia em cada foto.
E o resultado, quando viu o book, a surpreendeu. Aquela mulher linda e
misteriosa era la? Aquela femme fatale, aquela loura de sorriso ingênuo, aquela
loura de rosto angelical? Aquela garota moderna e descontraída, em roupas
esportivas?
Nas fotos ela estava genial, mas pessoalmente, conseguiria impressionar
Lorraine Meltson?
Lori a fitou com curiosidade.
-Como conheceu Geri, Jade? Estou curiosaa porque ela atualmente só sai de casa à
negócio. E é difícil ela fazer novas amizades.
Jade hesitou. Devia falar a verdade? Lori era amiga de Geri e conhecia a vida
íntima dela, mas aceitaria dar uma chance à uma garota de programa?
Lori percebeu sua hesitação e disse com convicção:
-Não quero devassar sua vida, mas tem duuas coisas que não admito em minhas
garotas: mentira e desonestidade. Se for honesta comigo, terá um importante
ponto a seu favor. Eu fiz uma pergunta simples, e espero que me responda.
Jade a encarou e decidiu dizer a verdade. Se Lori a aceitasse como era, não
teria nada a temer depois. A pior opção seria mentir e depois ficar com medo
dela descobrir a verdade.
-Lori - começou - Vou contar a verdade ddo meu conhecimento com Geri porque você
é amiga dela e deve conhecer a vida dela bem. Mas antes, peço que me prometa
que nada do que eu disser vai sair daqui.
Lori a fitou séria e gravemente.
-Prometo, pode falar. Gosto muito de Gerri e jamais iria comentar a vida dela ou
de uma amiga dela com allguém.
Jade contou então como havia conhecido Geri, qual era o tipo de vida que agora
levava, e sua vontade de mudar o modo de ganhar a vida. Só omitiu os detalhes
de como Geri se comportava com uma mulher, seu sentimento por ela e suas
discussões.
Lori a ouviu atenta, sem nenhum comentário.
Quando Jade calou-se, ela falou com voz suave:
-Agradeço a confiança. Você foi honesta e gosto disso. Se não tivesse contado a
verdade, eu logo descobriria o que faz. Mas não sou preconceituosa, para
condenar o que faz para sobreviver. Duas perguntas importantes: Já esteve
presa? Usa drogas?
-Não para as duas respostas.
Lori suspirou aliviada.
-Vou confiar no que diz. Não trabalho coom pessoas que fazem coisas ilegais
porque isso se reflete na imagem delas. E uma boa imagem é essencial no
trabalho de uma modelo. Bem, você está há pouco tempo nessa atividade de garota
de programa, e quer sair disso. Para ser uma modelo dessa agência, terá de sair
imediatamente do meio em que vive. Novo trabalho, nova moradia, novas amizades.
Eu estou fazendo essa concessão porque Geri a recomendou, e acho que Geri não
exagerou, vejo em você boas chances de ser uma modelo fotográfica, ou para
fazer campanhas de produtos na tv e revistas. Você tem realmente um rosto
angelical e isso vende produtos.
Jade a fitou animada e agradecida.
-Farei tudo que for preciso para ter esssa oportunidade, Lori.
Lori sorriu maliciosamente.
-Olha que posso cobrar essas palavras, JJade...bem, vou agora ver seu book.
Lori pegou o book e o abriu. A primeira foto de Jade a impressionou. Ela estava
deslumbrante! Com um vestido negro sem alças, descendo até os pés, recostada
numa porta, olhando para a câmera com um sorriso sensual, oa cabelos
esvoaçantes.
Lori sabia bem que muitas mulheres lindas
perdiam seu encanto e beleza numa foto. E outras nem tão lindas numa foto
ficavam fantásticas. Isso se chamava fotogenia, a
principal qualidade exigida de uma modelo fotográfica. E Jade tinha essa
qualidade, além de ser uma bonita mulher pessoalmente.
Olhou as outras fotos sem demonstrar no rosto o que achava. mas agora já tinha
certeza que Jade tinha chances de ter uma bela carreira pela frente. Jade era
uma camaleoa: numa foto, era uma mulher extremamente sensual. Na outra, era uma
garota romântica, com olhar sonhador, em um vestido de festa. E em outra, uma
garota moderna, descontraída, em jeans e camiseta. Viu as quinze fotos sem
pressa e depois fechou o book, fitando Jade, que a olhava expectante. Sorriu
para ela.
-Com essas fotos já está aprovada como mmodelo fotográfico, Jade. Agora vai
fazer um teste para ver se pode ser aproveitada em comerciais para tv. Você vai
ler um script e depois encená-lo.
Lori pegou o interfone e apertou um botão. Alguém atendeu e ela ordenou:
-Weber, vou enviar uma nova modelo para você fazer um teste . Faça o da Levis.
Depois que ela fizer, traga a gravação para eu ver.
Desligou e fitou Jade, que a fitava com os olhos brilhando de excitação.
-Falei com o diretor de comerciais. Ele vai orientá-la como fazer o teste.
Depois venha com ele de volta.
-Obrigada, Lori...muito obrigada!
Lori sorriu para ela, piscando o olho.
-Não agradeça, tudo é mérito seu. Vai teer que trabalhar duro para ser uma boa
modelo e vou exigir muito de você.
-Tudo bem, não me importo de trabalhar dduro, porque valerá à pena!
A porta da sala abriu e entrou um homem alto e magro, de cabelos louros longos
amarrados em um rabo de cavalo. Ele fitou Jade atento.
-É ela que vai fazer o teste, Lori?
>
-Sim. Depois que ela acabar, venha falarr comigo.
Ele sorriu e fez um sinal para Jade segui-lo.
-Vamos, lourinha. Não temos tempo a perdder.
Jade olhou para Lori, que sorriu para ela.
-Vá, Jade. Depois voltaremos a nos falarr.
Jade seguiu Weber até uma sala de gravação. Ele a fez sentar numa cadeira e lhe
estendeu duas folhas de papel com um texto.
-Você vai decorar essse texto e depois vvai gravá-lo. Esse será seu teste, se
sair-se bem, vai ser aprovada para fazer comerciais também.Tem meia hora para
decorar.
Jade se sentou e leu o texto. Era um comercial de champu e ela achou fácil.
Meia hora depois ela foi chamada para gravar a cena. Ela respirou fundo para
acalmar seu nervosismo. E então, em um assomo de coragem, começou a gravação da
cena, orientada pelo diretor.
Quinze gravações depois, Weber finalmente se
deu por satisfeito e mandou o assistente editar a gravação e mandou Jade
esperar na sala de espera de Lori.
Jade estava nervosíssima pela repetição das gravações. Ela não sabia que isso
era comum na gravação de um comercial, então pensou que repetiam por culpa sua,
que não estava fazendo a cena corretamente.
Quando foi chamada à sala de Lori novamente, entrou tremendo de
nervosismo.
Lori estava sentada na beira de sua mesa, fitando-a de braços cruzados. Weber
estava sentado em uma poltrona e se ergueu, olhando-a sorrindo.
-Oi, lourinha... já fiz minha parte e jáá dei minha opinião à Lori, sobre você.
Agora, é com ela.
E dizendo isso, ele passou por ela e saiu, fechando a porta. Jade fitou Lori
com um olhar suplicante.
-Por favor, Lori, não me deixe mais nessse suspense, por favor! Fui aprovada?
-Jade, sua gravação do comercial foi muiito boa, está aprovada! Vai assinar um
contrato de exclusividade com minha agência e breve terá trabalho para fazer.
Aconselho-a a sair da casa de madame Lilith o quanto antes. Não pode continuar
naquele bordel, sendo uma contratada minha.
Jade a fitou apreensiva.
-Não possuo muito dinheiro para alugar uum apartamento ou ir para um hotel por
mais que dois dias, Lori. Não pode esperar eu ganhar algum dinheiro
trabalhando?
-Absolutamente, não. Se não tem dinheiroo suficiente, eu lhe empresto dois mil
dólares para pagar um quarto de hotel por uns quinze dias, está bem assim?
Jade fitou Lori cheia de gratidão.
-Eu aceito a ajuda, Lori, e fico profunddamente grata. Vou pagar a você logo que
começar a ganhar algum dinheiro. Tenho mil dólares guardados, basta
emprestar-me a metade do que falou.
-Jade, isso é um adiantamento do que vaii ganhar. Uma garota de comercial ganha
muito bem. Não se preocupe, estou fazendo um investimento em você, que vai
fazer-me ganhar muito dinheiro também. Sabe que tenho um percentual de tudo que
ganhar, Jade.
-Eu sei, madame Lilith também cobra issoo de todas suas...
Lori ergueu a mão, interrompendo-a.
-Hey, não me compare com madame Lilith! Eu a conheço! Ela é uma exploradora de
mulheres, e ganha dinheiro sujo! O meu negócio é legal, pago impostos, não
exploro as garotas, elas ganham o valor justo pelo seu trabalho, que não tem
nada a ver com sexo. Eu sou uma empresária respeitada, não uma cafetina que
explora mulheres!
-Oh!...Claro, não a estava comparando coom ela... desculpe-me... - Disse Jade,
confundida.
-Bem, Jade, isso esclarecido, vamos em ffrente. Leia o contrato e assine.
Preencha a ficha de informações pessoais e deixe o número de seu telefone e
e-mail para contato. Esse é o dado mais importante, para você poder ser
localizada logo para um trabalho.
-Eu não tenho computador, só posso deixaar meu número do celular.
-Providencie um notebook o quanto antes.. Uma garota moderna e nessa profissão,
tem que ter e-mail ou não existe!
Jade saiu da agência eufórica. Estava livre
de madame Lilith, de uma atividade da qual se envergonhava, para ganhar a vida!
Geria agora a respeitaria, não a olharia como uma mulher inferior, de vida
reprovável!
Ligou para ela, entusiasmada. geri atendeu no terceiro toque.
-Alô.
-Geri, sou eu, Jade! Consegui ser aceitaa na agência de Lori, ela aprovou-me!
A voz de Geri chegou calma e fria:
-Eu sabia que você ia conseguir. Parabénns.
A euforia de Jade evaporou-se. Geri não se mostrava nem um pouco alegre com a
notícia! Magoada, falou hesitante:
-Não está feliz por mim?Afinal... foi coom suas fotos e o seu conhecimento que
consegui isso. Estou muito grata a você, Geri....
-Eu apenas dei um empurrão na sua sorte.. Mas o resto foi mérito só seu. E agora
estamos quites. Eu paguei à você os insultos que lhe fiz, você vai ter uma nova
vida e não lhe devo nada mais, ok?
Jade sentiu como se tivesse recebido um balde de água gelada no corpo. As
palavras frias de Geri feriam seu coração bobo.
-Por que está sendo tão fria comigo, Gerri
-Não estou sendo fria, mas realista. Já fiz o que podia por você. O que quer
mais de mim?
Jade desligou o telefone, tomada por intensa raiva.
-Você vai se arrepender de tratar-me asssim, Geri... - Disse, entredentes - Você
ainda vai rastejar nos meus pés, eu juro!
Geri desligou o telefone com um ar de culpa.
Sabia que havia magoado Jade profundamente, mas havia sido preciso fazer
aquilo. Jade estava invadindo sua vida demais, se não cortasse logo aquela
relação, iria acabar se envolvendo com ela e não queria isso, não queria
envolver-se com mais ninguém!
Depois que havia perdido Chelsea, havia tomado a decisão de não se envolver com
mais ninguém. O amor delas havia sido tão lindo, tão perfeito! E acabara
tragicamente, quase a fazendo enlouquecer de dor. E um medo irracional,
neurótico, se instalara em sua mente. O medo de amar novamente e tornar a
perder a pessoa amada. Não aguentaria passar por outro sofrimento igual ao que
tivera. E para preservar-se disso, instintivamente bloqueava seus sentimentos
com uma fixação à um amor do passado, alimentando-se de lembranças. Sua vida
profissional continuava, mas sua vida sentimental estava estacionada em um
quarto cheio de lembranças de Chelsea.
E Jade representava uma ameaça à essa devoção à Chelsea, ao seu culto ao amor perdido.
Tinha que evitá-la.
Pensou no rosto de Jade, no seu corpo curvilíneo, se despindo no strip-tease.
Ela era linda. Quando a vira, a havia desejado intensamente. Havia sido duro
não agarrá-la, quando a vira dançandonua, e não beijá-la com todo o desejo que
sentira. Havia se dominado à custo.por que se cedesse ao seu desejo, poderia se
apaixonar. A regra que seguia era de não tocar na mulher, o que a resguardava
de uma paixão. E isso sempre dera certo.
Então, por que lembrava de Jade nas suas
noites solitárias, levando-a a se masturbar pensando nela dançando? Por que se
emocionava com o sorriso e o olhar dela? Por que desejava que Jade fosse feliz,
se entre elas tudo naõ passava de visitas profissionais de uma garota de
programa?
Jade havia declarado que estava apaixonada por ela, mas não havia acreditado.
Ela queria conquistá-la por causa do seu dinheiro, para levar uma boa vida. Só
Chelsea merecera seu amor. Ela sim, a amara de verdade.
Foi até o espelho do quarto e se olhou, passando a mão no rosto. Ainda era uma
mulher atraente. Ainda podia despertar paixão em alguém.
Interrompeu seus pensamentos com raiva de si própria e foi para o quarto com as
lembranças de Chelsea. Trancou-se lá dentro e falou baixinho:
-Chelsea... não quero traí-la... perdoe--me por estar atraída por aquela
mulher... ajude-me... ajude-me a ser forte e resistir, fiel à sua memória, ao
seu amor...
Fechou os olhos, lembrando de como havia conhecido Chelsea. Lembrava ainda tudo
com detalhes, como se tudo havia acontecido ontem. Lembrava cada palavra, cada
olhar.
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