GAROTA  DE  PROGRAMA

 

Leth Cross

 

Parte 1

 

 

 


O corpo nu de Jade imobilizou-se nos últimos acordes da música You Can Leave You Hat On, música do filme Nove Semanas e Meia de Amor, e o público aplaudiu entusiasmado. O seu número de strip-tease finalizou e ela saiu do palco ansiosa para colocar sua roupa e ir jantar com Ralf, pois estava morta de fome. Se não fosse a música alta no seu show, a platéia mais próxima do palco teria ouvido seu estômago grunhindo.


O mestre de cerimônias jogou seu roupão sobre seus ombros e sorriu com malícia, o olhar percorrendo o belo rosto com expressivos olhos verdes, os cabelos louros até os ombros, e o corpo apetitoso, de seios eretos, cintura fina, barriga com músculos definidos, quadris arredondados e coxas fortes, o sexo só coberto por um tapa-sexo dourado.


-Esteve maravilhosa, Jade. Quando vai deeixar eu apreciar esse corpo sem outras pessoas olhando, só nós dois em um quarto?


Ela o fitou com desprezo. Estava cansada das cantadas dele.


-Se Ralf souber que você anda me cantanddo, não vai gostar nem um pouco! É bom parar com isso, Rick!


O sorriso dele morreu. Olhou-a com despeito e falou com raiva:


-Se julga muito boa para mim, não? Mas aaposto que quando Ralf enjoar de você, vai vir rastejar nos meus pés, mas aí posso não estar mais interessado!


Ela fulminou-o com um olhar gelado e avançou pelo corredor que a levava ao camarim. Era a stripper principal do clube noturno e tinha direito a um camarim exclusivo, ao contrário das outras.Abriu a porta e entrou. Suspirou, dirigindo-se para a penteadeira, para retirar a pesada maquiagem. Tinha também que tomar um rápido banho e esperar Ralf vir buscá-la, como fazia todas as noites, desde que trabalhava ali.

 

Tirou o roupão e se olhou no espelho, criticamente. Aos vinte e seis anos, seu corpo continuava perfeito. Sem uma grama a mais de gordura. Graças a Deus, não tinha tendência para engordar. Não era à toa que era a stripper principal. Não era alta, mas o que faltava em altura, sobrava em charme e beleza.


Muitos homens a admiravam e cantavam, mas ela não os levava à sério. Era amante de Ralf há mais de um ano e nunca o traíra com ninguém. Tinha uma dívida de gratidão com ele, e isso a mantinha fiel. Era garçonete de uma lanchonete e o que ganhava mal dava para viver, quando Ralf a conheceu e a colocou no clube para dançar. Em um mês, ela havia se tornado a dançarina principal, recebendo um ótimo salário e podendo manter um bom apartamento. Ralf era bom para ela, por que iria complicar sua vida, arriscando-se a perder tudo, por causa de uma traição? Não o amava, mas era grata e o respeitava.


Estava pronta quando bateram na porta. Ela abriu e Ralf entrou, a fitando com um sorriso.

Era um homem bonitão, alto e atlético, de cabelos e olhos castanhos. Vestia-se sempre de terno e capa, porque diziam que ele parecia Dick Tracy.


-Vamos indo, Jade? Quero apresentá-la à um amigo.


Ela beijou-o rapidamente na boca e o fitou curiosa.


-Um amigo? Quem?


-Marcelo Valpone.Ele quer conhecê-la.


Ela o fitou surpresa. Já ouvira Ralf falar com esse homem várias vezes no telefone, mas nunca prestara atenção. Eles conversavam sobre negócios e isso não a interessava.

 

-Você o conhece há muito tempo e nunca quis que eu o conhecesse - Disse, admirada - Por que mudou de idéia?


Ralf sorriu, acariciando seu rosto com a mão.


-Por que não era necessário. Mas agora éé.


-Necessário? Por quê?
<


-Você vai saber, beleza. Vamos, ele nos espera em sua casa.Nós vamos jantar lá.


Ela olhou para a roupa que vestia. Uma blusa colante de lycra preta e uma saia curta cinza. Um traje inapropriado para ir a um jantar na casa de um homem importante, como sabia que Volpone era.


-Por que não me avisou sobre o jantar coom Volpone? Eu teria me vestido melhor.


-Você está ótima, beleza. Vamos, estamoss atrasados.


Saíram acompanhados do guarda-costas de Ralf, que esperava na porta do camarim. O carro estava diante do clube com motorista. Ela e Ralf entraram no banco traseiro e o guarda-costas com o motorista. O carro saiu e se dirigiu para fora do centro de Chicago.


Jade estava curiosa, mas não fez mais nenhuma pergunta. Sabia que a regra de ouro que tinha de seguir com Ralf era não fazer perguntas sobre seus negócios e amigos.

 

Chegaram em vinte minutos à uma mansão em uma rua arborizada, pontuada de casas elegantes. Pararam diante de um portão de ferro e um homem numa guarita veio até o carro e Ralf identificou-se. O homem falou em um walk-talkie e abriu o portão para o carro entrar. Seguiram por uma alameda e pararam diante da mansão. Um homem os esperava na porta e Ralf e Jade desceram do carro e entraram na mansão. Foram levados até um escritório luxuoso, onde estava Volpone sentado em uma poltrona . Ele lhes sorriu, ao vê-los entrar.


-Alô, Ralph. Alô, garota. Sentem-se... <

 

Ralf aproximou-se e trocou um abraço com o homem. Volpone se levantou e apertou a mão de Jade, olhando para seu corpo sem disfarce.


-Ela é mesmo uma bela ragazza, Ralf. Eu acho que vai ser perfeita para o que queremos.


Instintivamente, Jade não gostou daquele homem gordo e calvo, vestido com um terno caro, de olhos frios mesmo quando sorria. E nem do que ele disse. Mas sentou-se em silêncio, ao lado de Ralf.


-Eu lhe falei que era, Volpone - Disse RRalf, sorrindo satisfeito.


-O que vão querer beber? - Perguntou Vollpone, indicando o criado ao lado - Joe, sirva as bebidas que eles quiserem. Para mim, um uísque com gelo.


-Também para mim, um uísque, e para Jadee, um martini - Disse Ralf.


Volpone fitou Jade com um sorriso frio.


-É muito bonita mesmo, Jade. Gosta mesmoo do Ralf?


Jade o fitou surpresa com a pergunta pessoal. Mas respondeu:


-Sim. Estou com ele há mais de um ano - Respondeu, esforçando-se para não soar irritada.


Ele riu.

 

 -Isso não prova nada. Minha mulher viveu comigo dez anos e descobri que me traía.


-Sinto muito. Mas não sou igual à sua muulher, sr. Volpone.


Ele tornou a rir.


-Boa resposta, garota! Já vi que além dee bonita, é inteligente e de personalidade.Mas então, se gosta mesmo de Ralf, faria qualquer coisa que ele pedisse, não?


-Com excessão de roubar e matar, acho quue sim, sr. Volpone.


O criado serviu as bebidas e saiu da sala. Ralf tomou um gole do uísque e falou para Jade:


-Volpone quer que você colabore com um nnegócio. Temos um problema e você pode ajudar a resolver.


-Que problema? -Perguntou Jade, não gosttando nada disso.

 

-Deixe que eu falo, Ralf - Disse Volpone, tomando um gole de uísque, fitando Jade atentamente - Ralf disse que você é uma garota confiável. Então, vou falar do nosso problema. Mas depois de saber qual é, não poderá mais se recusar a colaborar. Posso falar?


Jade fitou Ralf, que assentiu. E ela, confiando no amante, concordou:


-Pode falar, senhor Volpone.Sei que Ralff não concordaria em fazer-me colaborar com nada que me prejudicasse .


Os olhos de Volpone se estreitaram.


-Muito bem. O caso é que estamos tendo ddificuldades em nosso negócio com um homem...Brian Salvatori. Ele é um juiz que está nos dando muita dor de cabeça...então, queremos que se aproxime dele e o atraia até um motel. Você o levará para a cama e fará cenas de sexo com ele e filmaremos com uma câmera escondida. Ele adora sexo masoquista, gosta de apanhar de chicote, ser amarrado e pisoteado. Seu trabalho será esse. Será bem recompensada e sumirá de circulação por uns tempos, quando o escândalo estourar.


Jade olhou para Ralf tentando desesperadamente ocultar sua decepção.Ele havia concordado em usá-la para um negócio sujo! Ele, que Jade achava um homem decente e bom! Que decepção! E o pior é que agora não podia recuar. Sabia bem o que aconteceria à ela, se recusasse.


-E então, garota, concorda?-Perguntou Voolpone, com os olhos estreitados.


-Cla...claro, senhor Volpone - Disse, gaaguejando.


Ele sorriu friamente, satisfeito.


-Ótimo, garota! Ralf a orientará nos dettalhes. Agora, vamos jantar.

 

Aquele foi o pior jantar da vida de Jade. Estava profundamente decepcionada com Ralf, estava com raiva e nojo dos dois homens, por acharem que faria uma coisa desse tipo. Sim, era uma stripper, mas não enganava ninguém nem fazia coisas ilegais. Ralf devia achar que ela era uma vadia, para fazer o que Volpone queria. E durante o jantar, decidiu: Não faria uma coisa que era errada,  só porque dois patifes haviam decidido usá-la.

 

Nunca estaria em paz com a sua consciência, se fizesse o que queriam. E a única alternativa agora era fugir. Sair da cidade e não deixar rastros. Por que se ficasse, sabia bem o que o mafioso iria fazer com ela. Iria aparecer na parte policial dos jornais, morta.


No final do jantar, foram para o apartamento dela no Soho. Ralf a olhava com um sorriso satisfeito.


-Não vai se arrepender, beleza. Volpone vai ser generoso. Ele prometeu pagar pelo seu serviço cinco mil dólares. É claro que vamos dividir, afinal vou lhe dar as instruções.


-Tudo bem, Ralf. Farei o que querem - soorriu, disfarçando o que sentia.


Ele parou diante do edifício dela e falou:


-Infelizmente, hoje não posso ficar, bonneca. Tenho um servicinho para fazer. Amanhã eu a pego no clube e iremos planejar como vamos fazer para você se aproximar do juiz.


Ela olhou para aquele homem atraente, de sorriso cativante, vestido de terno caro. Parecia um executivo. Mas agora sabia que não passava de um capanga de Marcelo Volpone. Ela o beijou rapidamente e desceu do carro, entrando no prédio depois de acenar, como sempre fazia.

 

Ela chegou ao apartamento e pegou algumas roupas, enfiou em uma mala, pegou as suas economias, que não eram muitas, no fundo de uma gaveta, trocou suas roupas por calça jeans e uma blusa de malha negra, sapatos de salto mais baixos.

 

 E teve uma idéia. Teria que fazer sua fuga parecer ter sido um ato de violência, como se tivesse sido forçada a ir. Deixou então várias gavetas abertas, com roupas espalhadas pelo tapete, foi na sala e jogou seus cds e livros no chão, colocou uma cadeira virada e foi à cozinha e retirou sacos de alimentos do armário e jogou no piso, os talheres espalhados pela pia e chão. Bem, isso daria a idéia de alguém tendo penetrado na casa para assaltar ou raptá-la.

 

Ela saiu pelos fundos, deixando a porta apenas encostada. Desceu pelas escadas e na portaria que tinha apenas porteiro eletrônico, abriu e saiu para a escuridão da madrugada.
Duas horas depois, estava viajando para Los Angeles, uma cidade grande, que ela poderia viver sem ser encontrada, se perder na multidão. E ter que recomeçar a vida por causa de um patife como Ralf.

 

 

LOS ANGELES, QUINZE DIAS DEPOIS

A Sunset Boulevard é uma rua de Los Angeles que está sempre em ebulição, com figuras humanas das mais diversas. Ali convivem as prostitutas, os garotos de programa, os aspirantes à fama que chegam na cidade cheios de ilusões, os ricos e famosos à procura de aventura, e outros tipos noturnos, a maioria esperando conhecer alguém famoso que os descubra para a fama, ou que apenas lhe paguem o suficiente por algumas horas de sexo, para matarem a fome e continuarem a sobreviver naquela cidade de muita ilusão e pouca sorte.

 

Altas horas da noite, as limousines e carros de luxo circulam ao longo dela, com passageiros lançando olhares especulativos para as pessoas nas calçadas, avaliando quem comprariam para satisfazer seus desejos secretos.


A feira de sexo chega ao auge nessas horas tardias, com os bares e clubes noturnos regurgitando de gente ávida por prazer, sem medirem as consequências futuras. Viver o mais intensamente possível, era a palavra de ordem.


Jade estava numa das esquinas da famosa rua. Era sua primeira noite ali, depois de duas semanas tentando arranjar trabalho como dançarina. O dinheiro que havia trazido havia acabado, estava dormindo em uma espelunca que alugara e o dono do quarto cheio de baratas já estava desconfiado que ela não tinha mais dinheiro para pagar e a ameaçara de despejo. Estava sem comer nada desde a manhã, quando apenas tomara um café com um donut e a fome a levara ali, como última chance de arranjar um dinheiro para matar a fome. Nunca havia chegado antes ao ponto de se prostituir. Mas agora, premida pela fome, faria isso para sobreviver.

 

Jade tinha idéia do que teria de passar, mas o desespero era maior que qualquer escrúpulo ou nojo. A fome não a deixava se dar ao luxo de recusar essa alternativa.
Um Mercedes prateado aproximou-se vagarosamente. Jade o olhou atenta, um carro passando lentamente indicava o que o passageiro queria. E como se tivesse muita prática, ficou olhando com um sorriso automático no rosto, numa pose provocante, com as mãos na cintura.


O carro parou no meio fio e a janela traseira foi aberta. Era o sinal para Jade aproximar-se, havia visto as outras mulheres fazerem isso muitas vezes. E ela o fez, aproximou-se e se debruçou na janela, apoiando o braço no carro.Uma mulher loura a fitou com um olhar avaliador.


-Hummm... tem um bom rosto, bom corpo.... quer ganhar cinquenta dólares?


Jade fitou a mulher surpresa. Nunca havia recebido uma proposta sexual de uma mulher, mas não era ingênua.Sabia o que se passava no mundo. Assim, apenas perguntou:


-Só com você, e por quanto tempo?


-Uma hora, somente comigo. Aceita?<


Jade fitou a mulher, ainda indecisa.Nunca havia ido para a cama com uma mulher. Ela devia ter uns quarenta anos, era magra e elegante, em um vestido negro. Talvez transar com uma mulher não fosse tão mal assim.


-Vai querer, ou não? - Perguntou a mulheer, impaciente -Não posso esperar muito! Há dezenas de mulheres por aí loucas para uma oferta como essa!


-Está bem, aceito - Disse Jade, com medoo de perder a chance de poder jantar essa noite.


A porta do carro se abriu e ela entrou, afundando no macio couro do assento.O carro arrancou e ela olhou para a mulher, que a fitava com um olhar especulativo.

 

Olhou também para a mulher, curiosa. Não era bonita nem feia, tinha traços comuns, olhos castanhos inquisitivos, sobrancelhas finas, uma boca de lábios finos pintados numa cor discreta. Os cabelos louros eram curtíssimos, espigados, mas os brincos suavizavam o corte masculino. As unhas das mãos eram bem manicuradas e pintadas de vermelho.

 

 Ela terminou a inspeção e sorriu para Jade.


-É uma bela mulher, garota. Como se chamma?


-Jade - Respondeu, tensa.


-Também tem um belo nome. Nunca a vi porr aqui antes. É nova na cidade?


-Sim. Cheguei há quinze dias atrás.


-Já esteve com uma mulher, Jade?


Jade ficou vermelha.


-Não.Será a primeira vez. Não tenho nenhhuma prática...nesse tipo de sexo.


-Oh, não se preocupe...eu tomarei todas as iniciativas...


-Para onde estamos indo?


-Tenho uma garçonière na Wilshire. Lá fiicaremos à vontade.


Jade calou-se. Não tinha muito que a dizer à uma estranha, mesmo que fosse fazer sexo com ela. Sentia-se degradada e deprimida, mas precisava ganhar dinheiro. A sua fome a lembrava disso.


Minutos depois o carro parou diante de um edifício e o motorista acionou o controle remoto, abrindo o portão de ferro. O carro entrou e desceu uma rampa para a garagem no subsolo. Parou em uma vaga e o motorista abriu a porta para a mulher descer. Jade a seguiu, descendo também do carro.


-Boome, dentro de uma hora me ligue, parra saber se ela já estará pronta para sair.


O motorista assentiu e elas se dirigiram para os elevadores.


Jade estava nervosa. Olhou para a mulher caminhando ao seu lado. Pelo menos, não era um tipo asqueroso, mas não sentia nenhuma atração por ela, como poderia ter sexo com aquela mulher?

 

Pegaram o elevador. A mulher ficou olhando sua agenda eletrônica até que o elevador parou e desceram na cobertura. A mulher caminhou para uma porta de mogno, dizendo:


-Essa cobertura tem entrada exclusiva.Quuem trabalha para mim tem a chave.


Abriu a porta e entrou, puxando Jade pela mão.


Jade viu-se em um bem decorado hall de entrada, que dava acesso a um salão enorme, com quadros de nus artísticos, estátuas de ninfas e móveis de mogno. Em dois sofás formando um L, cinco mulheres com vestidos de noite, jovens e bonitas, estavam conversando e bebendo. Ao verem elas chegarem, uma delas comentou, com ar divertido:


-Uma novata, madame Lilith?


A mulher olhou para a dona da pergunta com um sorriso.


-Vamos ver...primeiro, vou testá-la.


Elas riram e madame Lilith voltou-se para Jade, que olhava tudo com curiosidade.


-Quer tomar uma taça de vinho?


Jade a fitou constrangida.


-Estou com o estômago vazio. Não posso bbeber nada alcoólico. Mas aceito um refrigerante.


Madame Lilith a fitou com um olhar de entendimento. Não era a primeira vez que pegava na rua uma mulher faminta. Se dirigiu para uma mulher discretamente no canto do salão e falou em tom de comando:


-Maria, traga aos meus aposentos um janttar para uma pessoa e uma garrafa de vinho.


A mulher assentiu e se retirou do salão por uma porta lateral. Madame Lilith fez um gesto para Jade.


-Siga-me.

 

Seguiram por um corredor com várias portas e a mulher abriu a última. Jade a seguiu e entrou em um quarto luxuoso. Atrás da grande cama de ferro batido, forrada com peles, havia um painel em alto relevo com cenas de mulheres nuas praticando sexo de várias formas. Um grande espelho no teto refletia toda a cama. Havia também uma mesa redonda para duas pessoas, forrada com uma toalha de linho.


Madame Lilith olhou para Jade, que fitava tudo impressionada com o luxo e erotismo do ambiente. Ali a decoração não escondia a finalidade do quarto.


-Aqui recebo minhas companheiras de prazzer - Disse Lilith, sentando-se em um sofá forrado de veludo e cruzando as pernas, fitando Jade atenta.


Jade se sentiu embaraçada com aquele olhar que a percorria.


-Só recebe mulheres aqui? - Perguntou, ccuriosa.


-Somente mulheres, querida...não aprecioo os homens, em termos sexuais.


-E aquelas mulheres no salão? São suas aamantes?


Lilith sorriu com uma ponta de ironia no olhar.


-Está curiosa, não? Mas quem tem que ressponder perguntas aqui é você!


-Responder perguntas? Pensei que tinha vvindo aqui para ter sexo com você e ganhar cinquenta dólares. Para que fazer perguntas?


Lilith sorriu e bateu no sofá.


-Sente-se ao meu lado. Dependendo de suaas respostas, você poderá trabalhar para mim ou não.


-Trabalhar para você?! - Perguntou Jade,, pasma.

 

-Sim. Você é bonita de rosto e corpo. Pode ser uma de minhas meninas.

 

Lilith acendeu um cigarro e deu uma profunda tragada.Felizmente, era cigarro mentolado, que não tinha um odor muito desagradável.


-Jade, há quanto tempo está se prostituiindo? Fazia isso também de onde veio?


-Não. Eu era dançarina de strip-tease. VVim para Los Angeles e meu dinheiro acabou. Hoje estou estreando em esse modo de ganhar dinheiro. Mas, por que pergunta?


-Ah...uma stripper...tem mesmo um corpo muito bonito. Só que em Los Angeles, a concorrência é feroz, a cidade é cheia de lindas mulheres sonhando com o estrelato, enquanto se prostituem, fazem filmes pornô ou são stripper em clubes noturnos.


-Eu sei... senti isso na pele. Cada vagaa que tentei, haviam mais de vinte mulheres concorrendo.


Bateram na porta. Lilith gritou para entrar e a empregada entrou empurrando um carrinho. Colocou-o perto da mesa e saiu silenciosamente, à um gesto seco da mão de Lilith.Ela  se ergueu e se dirigiu para uma porta. Com a mão na maçaneta, falou displicentemente:


-Pode servir-se do jantar enquanto tomo um banho.


Jade a fitou com timidez. Aquela mulher a intimidava.Talvez fosse devido à aquele luxo que a cercava.


-Não vai comer também?


-Não. Fique à vontade - respondeu, sainddo e fechando a porta.

 

Jade ficou só. Olhou em volta e voltou-se para as bandejas, faminta. Levantou as tampas de aço inox e viu, com água na boca, um grande filé e batatas coradas. Pegou um prato e se serviu do filé e batatas. Colocou o prato na mesa e sentou-se na cadeira, começando a comer com apetite. Comeu até a comida o prato acabar, então cruzou os talheres e esperou Madame Lilith voltar. Não se atreveu a beber o vinho.


Minutos depois, madame Lilith voltou, vestindo um robe lilás. Estava usando um perfume forte, mas agradável.


-Vejo que já comeu. Agora, vai acompanhaar-me em uma taça de vinho.


Serviu duas taças com habilidade e estendeu uma para Jade.


-À você, querida - Disse, em um brinde.<


Jade tomou um longo gole. A bebida ligeiramente gelada desceu deliciosamente por sua garganta. Era um vinho delicioso.


Madame Lilith sorriu, tomando um pequeno gole.


-Esse vinho é um bordeaux Moet Chandon, safra 76 - Disse ela - É um vinho para ser degustado lentamente, não ser bebido como fez.


Jade ficou vermelha de vergonha pela gafe. Madame Lilith sorriu e pousou a taça dela  na mesa.  Depois  tirou sua taça da mão, também colocando-a na mesa.

 

-Agora você vai me mostrar se mereceu esse jantar...

 

Ela puxou Jade com as mãos, e seu rosto desceu, capturando a boca de Jade em um beijo voraz. Jade tentou retribuir com o mesmo desejo, mas não sentia nada. A mulher tinha uma boca macia, o hálito do cigarro mentolado não era ruim, mas ela não sentia o menor desejo por ela. Retribuiu mecanicamente, pensando que teria de dar prazer à essa estranha, pela qual não sentia nada! Oh, agora entendia que a chamada "vida fácil" era na verdade dura. Mas tinha que continuar. Como uma atriz, tinha que desempenhar um papel. Ou faria isso, ou morria de fome.


Jade começou a retribuir o beijo e gemeu, fingindo se excitar.


Madame Lilith desgrudou a boca e a fitou excitada.


-Não precisa fazer nada... apenas se enttregue...vou fazer tudo, vou mostrar à você como amar uma mulher.


E como em um sonho ou pesadelo, Jade foi despida pela mulher , que ofegava. Toda nua, a mulher a fez levantar e deitar na cama. Fitando-a com desejo, a mulher despiu o robe, mostrando o corpo esguio, de seios pequenos. Mas o que mais impressionou Jade foi o falo artificial que ela usava, preso por correias de couro.


Ela viu seu olhar e sorriu.


-Vou possuí-la como um homem, querida - Disse Madame Lilith, se ajoelhando na cama e se inclinando para ela. Abriu as pernas de Jade com as mãos e se deitou sobre ela, beijando-a com furor. Jade teve vontade de empurrá-la, mas dominou-se. Precisava do dinheiro. Fechou os olhos e preparou-se para o pior.


A mulher desceu as mãos pelo seu corpo alisando, apertando, os dedos tentando excitá-la, massageando seu sexo, e então, pegaram o dildo e o dirigiu para sua vagina, penetrando-a de um golpe, empurrando-se com força.


Jade trincou os dentes, sentindo dor, pois estava seca, sem a umidade necessária para uma penetração. Mas madame Lilith não estava preocupada com isso. Ela começou a mover-se, apoiando-se nas mãos.

 

Jade pensou rápido. Era melhor fingir prazer e acabar logo com isso. Começou a se mover gemendo, e a mulher aumentou a velocidade das estocadas, falando excitada:


-Isso...mexa-se bem... gostosa...me aperrte ... sua puta! Puta!


Ela continuou frenética, empurrando-se e xingando Jade, até que se sacudiu em um gozo intenso, gritando palavrões que fariam um marinheiro enrubescer.


Ela caiu sobre Jade, respirando em arquejos, suada. Depois rolou para o lado, o dildo saindo de dentro de Jade com um ruído.


Jade continuou de olhos fechados, sentindo raiva de si mesma por se submeter à essa mulher . Madame Lilith era como muitos homens, egoísta e sem sensibilidade, só pensando em seu prazer, usando uma mulher como um objeto.


Sentiu a mão dela em seu rosto e abriu os olhos. Ela a fitava sorrindo. Ela se sentou na cama e acendeu um cigarro, dizendo:


-Está aprovada, querida. Sabe fazer o quue se espera de você.


Jade também se sentou, notando que a mulher já havia retirado o dildo do corpo.


-Já posso vestir-me?


O sorriso dela morreu. Falou com voz dura:


-Não! Espere eu mandar você fazer isso!OOuça, estou pagando e você tem que merecer cada dólar! Seja dócil e procure agradar-me. Nunca demonstre que está ansiosa para acabar o ato sexual e ir embora! Assim, ninguém a chamará para uma segunda vez. Aprenda a cativar o cliente!


Jade conteve a vontade de mandá-la socar o dinheiro no rabo.Sorriu, procurando se mostrar afável.


-Desculpe-me, não estou ansiosa para tuddo acabar. Só queria ir ao banheiro tomar um banho.


-Ah, agora deu uma boa desculpa! Pode irr.

 

Jade não esperou segunda ordem. Ergueu-se e entrou pela mesma porta que Madame Lilith usara. Viu-se em um luxuoso banheiro em mármore branco, com uma enorme Jacuzzi, um box com ducha e uma bancada cheia de produtos, como perfumes, sais de banho, xampus, etc.


Jade escolheu a ducha e tomou um banho refrescante, usando um maravilhoso sabonete líquido que estava numa prateleira de vidro próxima. Enxugou-se numa toalha felpuda e ia voltar ao quarto, enrolada nela. Então, olhando casualmente no espelho, viu que era de vidro espelhado, que do lado em que estava podia ver o quarto inteiro. Madame Lilith a deixara no quarto sozinha, mas dali podia ver tudo que fazia na sua ausência. Ela a vigiara dali!


Voltou ao quarto irritada com a descoberta. Madame Lilith já estava completamente vestida e a olhou com um sorriso divertido.


-Já descobriu meu ponto de observação, ppela sua cara...


Jade a fitou com frieza.


-Descobri, sim.Por aquele espelho, você pode vigiar a pessoa sem ela saber, aqui no seu quarto. Se essa pessoa mexer em suas coisas, ou tentar roubar algo, será flagrada.


-Dedução inteligente. Sim, vigiei você. Queria ver se é uma pessoa honesta, ou uma ladrazinha barata. Você passou no teste, foi irrepreensível.


Jade ergueu as sobrancelhas.


-Teste para quê?


-Um teste que prova que não é uma ladra,, que não mexe nas coisas alheias. E principalmente, é dócil numa relação sexual, mesmo que não a agrade.

 

Jade ficou olhando-a em silêncio, imaginando onde ela queria chegar.Madame Lilith sorriu de seu ar confuso e sentou no sofá, servindo-se de uma taça de vinho. Tomou um gole e falou, fitando Jade com ar sério:


-Eu tenho clientes muito ricos, que pagaam muito bem por uma noite de sexo com minhas garotas, Jade. E você pode ser uma delas. Acha que fiz sexo com você porque fiquei louca para comer você? Enganou-se. Eu quis ver como se comportaria numa cama com uma mulher, mesmo ela a possuindo de modo rude. Você não me empurrou, não pediu para eu parar, deixou eu ir até o fim, mesmo eu a xingando e sendo rude. É uma mulher assim que vence nessa profissão, Jade. Uma mulher que sabe aguentar firme o que o cliente faz com ela, mesmo que não goste. E você se comportou maravilhosamente, querida.


Jade a fitou incrédula.


-Então, xingou-me e foi rude de propósitto, para testar-me?


-Sim, e você passou na prova. Mas ainda preciso saber se aceita trabalhar para mim.


-Não tenho nada mais interessante em vissta. Aceito.


-Bem, deixa eu explicar à você como minhha agência funciona.Os meus clientes fazem os contatos por telefone, pedindo um determinado tipo de mulher. As minhas garotas ficam aqui neste apartamento durante a noite, prontas para irem aos encontros solicitados. Eu ganho sessenta por cento do faturamento das garotas nos encontros. Mas ofereço casa e comida no primeiro mês às novatas, além de ajuda nas roupas, tratamento dos cabelos e maquiagem. Ensino etiqueta às novatas, porque as minhas garotas são para alta clientela e devem poder frequentar qualquer ambiente.

 

Madame Lilith continuou:


-Os meus clientes exigem mulheres com trraquejo social e de excelente aparência e higiene. Muitos as levam para festas como escort, principalmente atores de cinema que são gays e precisam disfarçar, na companhia de garotas, sua tendência sexual.


Jade já ouvira falar nessa indústria do sexo, mas era a primeira vez que se via diante de uma de suas representantes. Madame Lilith não passava de uma cafetina de luxo, mas não tinha outra opção. Tinha de aceitar a oferta, até conseguir algo melhor.


-Vou ter então casa e comida grátis, traabalhando para você, durante um mês? E quarenta por cento do que eu conseguir com os clientes?


-Bem, durante um mês ganhará apenas quarrenta por cento do que conseguir com os clientes, porque terei de vestir você com roupas adequadas, maquiagem, tratamento do cabelo, além de casa e comida. No segundo mês, você já terá juntado dinheiro para alugar um apartamento e se virar sozinha. Receberá então a metade do que apurar. Está de acordo?


-Sim. Quando posso vir para cá? Estou emm vias de ser despejada de onde moro.


-Pode vir para cá amanhã. Vou começar o quanto antes a prepará-la para o trabalho.Em uma semana, estará pronta.Agora, quero que responda a duas perguntas: usa drogas ? Já esteve presa?


-Negativo para as duas perguntas.


-Muito bem, porque não trabalho com gentte que me cause problemas com a polícia. Se está mentindo, vou descobrir, porque tenho um amigo na polícia que irá verificar se tem ficha lá.


-Não estou mentindo, pode verificar.


Madame Lilith sorriu.


-Então, bem-vinda como minha mais nova ggarota, Jade!

 

 

Continuará na Parte 2

 

 

 

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