FEITIÇO GREGO
A.L. Benner
Parte IV
Num sábado à tarde, Antonis passou para pega-la na pensão e foram ao cinema. E para surpresa dele, a mulher recatada que era sua namorada, que até então se esquivara de seus carinhos ousados e mais ainda de ir para a cama, beijou-o com vontade na escuridão do cinema, tocou-o e apertou seu sexo excitado por cima da calça, deixando-o em desespero por estarem num lugar público.
Quando o filme acabou, ele a levou para seu apartamento, onde Mariana já estivera várias vezes, mas fugira dos carinhos dele e inventado desculpas para ir embora logo. Ao entrarem ele trancou a porta com um trinco de segurança para que o amigo com quem dividia o apartamento não os interrompesse e levou-a devagar para seu quarto.
Eles tiraram-se as roupas de cima devagar e entre muitos beijos. Antonis realmente era um homem muito bonito, com um corpo moreno e bem talhado por exercícios físicos. E era também muito carinhoso. Tocava Mariana com suavidade e sem pressa, esperando que ela indicasse o que queria.
Ela resolveu que não diria a ele que era virgem. Sabia que poderia doer, mas agüentaria. Não queria dar explicações. Deitou-se na cama e ele veio por cima dela; estavam apenas com as roupas de baixo e ele foi tirando a calcinha dela devagar, beijando cada curva daquele corpo pequeno e coberto de pêlos dourados. Ele ficou nu também e ela sentiu em sua coxa o pênis dele duro de excitação.
Ela fechou os olhos e sem querer a lembrança do beijo entre as moças do bar arrebatou-lhe os pensamentos e ela sentiu aquela dor fina pinçar-lhe o íntimo. Estava começando a ficar molhada.
Ainda com os olhos fechados, ela percebeu quando seu namorado diminuiu as carícias por um momento e abriu a gaveta de uma mesinha ao lado da cama. Ouviu quando ele pegou uma camisinha, rasgou a embalagem e colocou-a. Ela sentiu o pênis excitado de novo e preparou-se para recebê-lo dentro de si. Tinha escolhido aquilo e não desistiria agora.
Percebendo a umidade em sua namorada, Antonis penetrou-a devagar e sentiu a resistência inicial. Recuou um pouco e tentou ver no rosto dela se estava sentindo dor. Viu no rosto dela que não havia problemas.
Ele continuou devagar, até que a resistência terminou e sentiu-se inteiro dentro dela. Percebeu que ela o agarrava e começava a se mexer pedindo mais. Arremeteu devagar de início, para depois ir mais rápido e sentiu as unhas dela em suas costas. Isso lhe tirou o último resquício de controle que ainda tinha e ele percebeu que gozaria antes dela se não se segurasse. Quando percebeu que ela gemia baixinho e gozava agarrada a ele, soltou-se e deixou que acontecesse o mesmo consigo.
Mariana continuou de olhos fechados depois de sentir o primeiro orgasmo de sua vida. Via diante de si dois olhos azuis cheios de carinho; mãos delicadas a lhe acariciar o rosto ligeiramente suado, os seios firmes encostados aos seus e sentia o seu próprio gosto nos dedos que tinham saído de seu íntimo e que agora faziam o contorno dos seus lábios. A marca daqueles dedos estava dentro dela agora. O toque, a pressão que eles fizeram, o vai-vem preciso, ritmado, perfeito, deixaram um rastro latejante e que ela jamais esqueceria. A onda de prazer ainda tomava conta de seu corpo e ela sentia a pele aquecida pelo toque feminino.
"Mariana?"
Ela ouviu ao longe uma voz masculina chamando-a.
Abriu os olhos e assustou-se com o rosto de Antonis a poucos centímetros do seu.
"Kr... onde...?"
Olhou em volta e viu a camisinha ligeiramente avermelhada de sangue sobre o lençol e percebeu que o interior de suas pernas ainda latejava. Num milésimo de segundo sua mente se deu conta de que havia sim ficado excitada e gozado ferozmente enquanto fazia amor com seu namorado, que nem sequer tinha percebido a dor dessa primeira vez, porque simplesmente, havia fantasiado que fazia amor com... Kristin Yalouris!
Ela levantou-se assustada e puxou os lençóis para se cobrir. Sentiu-se profundamente envergonhada por aquela constatação e duas lágrimas grossas correram por seu rosto transtornado enquanto procurava suas roupas para se vestir. Antonis olhava-a sem entender.
"Mariana, o que houve? Eu a machuquei? Sangrou um pouco, mas não achei que você era virgem..."
"Eu não sou virgem!" – ela se ouviu gritar para ele, por entre lágrimas.
"Mas então... você... O que houve? Fiz algo errado? Conte-me, por favor!" – o pobre não sabia o que estava acontecendo.
"Não... não foi nada. Sou eu... desculpe. Eu preciso ir embora!" – ela gaguejou e vestiu-se depressa, saindo desabalada do prédio, deixando o namorado perplexo.
********
Enquanto isso, na pensão da Sra. Petrakis, ela e sua sobrinha conversavam numa saleta especial que a Sra. Petrakis tinha junto ao seu quarto. Era o seu lugar de orações e Kristin gostava de ficar ali quando se sentia aflita e precisava conversar com a tia.
"Calma, Kristin. Ela precisa passar por isso!"
"Eu sei, tia. Mas só de imaginá-la com..."
"Não imagine. Eu sei que você pode sentir tudo que se passa com ela, mas se não for assim ela não conseguirá encontrar-se e por conseqüência abrir-se para o amor de vocês duas."
Kristin enxugou uma lágrima que teimava em lhe escorrer pelo rosto.
"É difícil suportar."
"Eu sei querida. Você demorou tanto para encontrá-la. Chegou mesmo a enganar-se achando que era Eleftheria, mas mesmo isso já estava previsto. Isso aconteceu porque você ainda era muito imatura em sua magia e estava no destino que Eleftheria viria primeiro. Agora que amadureceu, que tem certeza sobre Mariana, está sentindo pressa, mas precisa acalmar-se. A Grande Deusa tem seus próprios caminhos. Lembra-se bem quando lhe ensinei sobre isso, não é?"
"Sim, lembro."
"Então saiba entender. Ela será sua. Aliás, ela é sua. Mas precisa atravessar essa passagem para chegar até você pronta, como deve ser. Não é bom que vocês se encontrem de novo agora. Isso só deverá acontecer mais tarde. Eu tentarei levá-la à fazenda hoje à noite. Vá, ela está chegando."
Ao chegar à pensão, Mariana deu graças por não ter ninguém à vista. Subiu correndo para seu quarto e ficou trancada até quase a hora do jantar. Chorou até não agüentar mais. Sua cabeça rodava como se tivesse bebido, como se tivesse acabado de descer de uma montanha-russa.
Diante do espelho, via um rosto inchado pelo choro e não se conformava com o que havia acontecido.
"Porque sou assim?", perguntou para a imagem à sua frente. Não conseguia entender-se desde que chegara à Grécia. Vinha tendo pensamentos estranhos sobre gente que não conhecia. Tinha começado um namoro sem gostar do rapaz. Entregara-se a ele sem vontade e no último instante fantasiara que estava fazendo amor com uma mulher para se sentir excitada e chegar ao orgasmo!
"O que há de errado comigo?" – perguntou de novo para o espelho, ficando mais uma vez sem resposta.
Ouviu uma batida na porta e tratou de lavar o rosto rapidamente para que não percebessem seu estado emocional.
"Oi, você não vai jantar? – perguntou Bete quando ela abriu a porta. – Nooossa, o que te aconteceu, Mariana?"
"Ah, nada. É que eu estou com uma enxaqueca horrível." – ela tentou disfarçar.
"Vem comer um pouco, então. Vai melhorar, você vai ver."
"Ok, já vou descer."
Ela fechou a porta e viu que a amiga não tinha se convencido totalmente de sua dor de cabeça. Na verdade estava arrasada. Queria ficar no seu quarto para o resto da vida e não ver ninguém. Queria, principalmente, entender o que se passava. Foi ao banheiro e lavou o rosto. Estava pegando a toalha para se enxugar quando pensou ter ouvido um barulho de cascos de cavalo do lado de fora. Indo até a janela, viu Kristin afastar-se a cavalo e seu coração descompassou-se daquela mesma maneira que da primeira vez que vira a bela grega.
"Deus, estou enlouquecendo!" – ela balbuciou ao fechar a janela sentindo o pesar de não poder estar perto da morena.
No refeitório não havia quase ninguém por ser sábado. Apenas Clara e Bete a esperavam, mas depois de jantarem, sairiam para uma boate com um grupo de amigos.
"Vem com a gente, Mari. Ligue para o Antonis e ele vem te pegar."
"Não, Clara. Não quero sair. E eu e o Antonis terminamos." – ela respondeu, olhando desanimada para a comida que estava no prato.
"Como, terminaram?!" – as irmãs perguntaram em uníssono.
"Terminamos. Apenas isso. E, por favor, não quero falar sobre isso, está bem?" – ela pediu, cabisbaixa.
"É... claro, Mari, tudo bem. Não vamos te forçar a dizer, se não quiser." – Clara disse, olhando para a irmã como que pedindo uma ajuda.
"É, amiga. Pode contar com a gente." – Bete arrematou.
"Obrigada."
"Bom, é... acho que vamos indo, então, não é, Bete?" – Clara emendou, sentindo que estava na hora de deixarem a amiga sozinha.
"Vamos, mas se precisar da gente é só ligar, certo?"
"Pode deixar, gente. Sei que posso contar com vocês. Obrigada."
"Tchau, então." – as meninas se despediram.
"Tchau."
Mariana ficou remexendo em seu prato e pensando em tudo que acontecera naquele dia. Ouviu alguém descer as escadarias e viu quando a Sra. Petrakis pousou os olhos bondosos sobre ela e olhou-a com interesse. A velha senhora veio até a mesa e sentou-se ao seu lado sem cerimônias. Ela não sabia, mas a mulher já estava ciente do que lhe acontecia e sabia exatamente o que lhe dizer para ampará-la em suas dores.
"O que houve, querida? Está muito abatida." – ela observou atentamente o rosto de Mariana.
"Não foi nada. Só... só uma briga com meu namorado. Nada de mais."
"Humm, sei. Mas se não teve nada de mais, então não deve ficar assim. Você é jovem demais para abater-se dessa forma por causa de amor." – ela sentenciou com sabedoria.
"Ou a falta dele." – Mariana respondeu, como se falasse para si mesma.
"Falta?"
"Ah, me desculpe. Eu já estou aborrecendo-a com meus problemas."
"Você não me aborrece, minha criança. Você está longe de sua casa e de sua família; isso nos afeta mais do que queremos admitir. Estou acostumada a ver minhas hóspedes fazendo de conta que estão bem, mas trabalho com isso há tempo suficiente para saber o que se passa. Eu não quero vê-la sofrendo. Ainda mais se for por causa de alguém que não a ama como você merece." – a mulher respondeu.
"Sou eu que não o amo." – Mariana acabou confessando. Estava se sentindo sozinha e precisava desabafar com alguém.
"Ora, minha querida! Está se sentindo culpada porque o rapaz gosta de você e você não corresponde e quis terminar o namoro, é isso?"
"É." – ela respondeu, sentindo que não conseguiria contar o resto da história.
"Pois a vida está cheia disso, filha! E não se preocupe, pois ele logo arranja alguém que lhe dê o que ele quer! Ouça uma coisa: nunca fique com alguém que você não ama só porque esse alguém ama você. Tenho certeza de que se um dia você amar e não for correspondida, não vai querer que essa pessoa fique com você por obrigação, vai?"
"De maneira alguma." – ela respondeu com veemência.
"Então é isso! Agora melhore esse rostinho lindo que você tem e fique bem. Eu e Zervos vamos até a fazenda de minha sobrinha. É aniversário dela e sempre fazemos uma pequena festa surpresa. Na verdade não chega a ser surpresa, mas gostamos de aparecer mesmo assim. Todo ano eu faço isso e ela fica brava comigo, mas eu já disse que ela é muito arredia e precisa curtir mais a vida enquanto há tempo. Venha conosco e aproveite para desanuviar seus pensamentos. Vamos nos divertir, eu garanto."
Mariana sentiu um frio percorrer-lhe as entranhas ao ouvir a menção àquela mulher que tanto a perturbava e que era o motivo de tudo aquilo.
"Ah, não, Sra. Petrakis. Eu mal conheci sua sobrinha naquele dia em que acompanhei seu marido na revisão da cerca. Não me sentiria à vontade para chegar na sua festa sem ser convidada."
"Como sem ser convidada? Eu a estou convidando!" – a mulher retrucou, quase ofendida.
"Não é isso. É que..."
"Não tem mais "que". Tenho certeza que ela não se importará."
Mariana não sabia o que pensar direito. Toda a angústia pela qual estava passando tinha um nome e esse nome era Kristin Yalouris. Percebia que estava ansiosa por aceitar o convite da Sra. Petrakis e ir conhecer mais de perto o motivo de sua perturbação. Aquela mulher tinha uma aura de atração que a envolvia e parecia que em tudo que dizia respeito a ela, Mariana não sabia dizer não.
"Tudo bem, eu vou. A que horas devo me aprontar?"
"Assim é que se fala, menina! Eu e Zervos vamos nos arrumar agora. Acho que daqui a meia hora podemos sair. Vamos de jipe. E leve um casaco mais quente, pois na fazenda faz um pouco de frio. Você já tomou retsina? (vinho aromatizado com resina de pinheiro)."
"Apenas uma vez no Brasil e outra aqui, num bar que fui." – ela respondeu.
"Então se prepare, pois hoje você vai ver como os gregos bebem! Vai experimentar krasi (vinho especial, misturado com água) também!" – a Sra. Petrakis levantou-se rindo e foi chamar o marido para se aprontarem.
Mariana foi para seu quarto e tomou um banho. A fantasia que a fizera gozar nos braços de Antonis não lhe saía da cabeça. Só de pensar, conseguia sentir de novo a sensação de ter os dedos de Kristin dentro dela. Agora que podia pensar direito, conseguia reconhecer que se não fosse isso não teria conseguido ficar com o namorado. Foi Kristin que ela sentiu em meio às suas pernas, foi nela que pensou, foi a ela que desejou, foi por ela que se excitou e ficou molhada a ponto de não sentir muita dor quando foi penetrada; foi ela que sentiu dentro de si quando uma onda de prazer invadir-lhe a alma.
Decidiu que não choraria mais, nem se acharia a pior das mulheres; descobriria o que aquela mulher estava fazendo com ela a todo custo. Jogou um casaco nas costas e desceu as escadas.
Continua Parte V...
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