Parte I

 

Disclaimers: esta é uma história do tipo uber, uma fanfiction baseada nas personagens Xena e Gabrielle, que pertencem à Renaissance/Universal Studios. Não há aqui qualquer intenção de violar direitos autorais dessas personagens, pois esta fanfiction tem como único objetivo proporcionar diversão a quem aprecia Xena Warrior Princess e concorda que existia subtexto na série.

AVISO: ESTE TEXTO CONTÉM CENAS DE SEXO EXPLÍCITO ENTRE DUAS MULHERES. SE VOCÊ É MENOR DE 18 ANOS NÃO O LEIA!!! A AUTORA E A PESSOA QUE MANTÉM O SITE NÃO SE RESPONSABILIZAM SE VOCÊ NÃO ATENDER A ESTA PROIBIÇÃO.

***Os nomes e lugares que cito nesta fic foram resultado da pesquisa primorosa de minha beta reader Lú (especialista em Turismo). Além disso, ela me ajudou com seu amor e incentivo, a realizar esse trabalho. Esta fic é para quem, como eu e ela, acredita que não se está completa sem o amor verdadeiro, que está reservado para nós e que nos preenche sem deixar qualquer lacuna assim que a mulher que nos foi reservada entra em nossas vidas.***

***A uber Xena dessa história, Kristin, é uma bruxa do bem esperando o reencontro com sua alma gêmea de outras vidas. Para colocar esse tênue pano de fundo em forma de magia, tive a preciosa ajuda de RoseAngel, amiga mais querida e escritora talentosa.***

Ofereço esta história como um pequeno presente à querida amiga Gogóia! E junto, um beijo especial de agradecimento pelo incentivo.

A uber Gabrielle, Mariana, é gaúcha de Porto Alegre, uma pequena homenagem a todas as minhas amigas gaúchas, que tanto me incentivaram a escrever!

Obrigada, gurias! Essa paulista aqui achou tri-legal conhecer vocês!

Respeite os direitos autorais e cite a origem e autoria se for reproduzir esta fanfiction. Obrigada!

 

*******

Kristin repetiu o oráculo mais uma vez. Precisava confirmar! Sobre tecidos de seda macia e envolta em incensos, ela estava sentada em uma plataforma de pedra na Caverna Petris, lugar mágico encravado no meio de um desfiladeiro em sua fazenda nos arredores de Atenas. Ali, durante sua infância e adolescência, ela tinha feito seu aprendizado de bruxa com sua mestra e tia. Aquele lugar representava também o seu passado, pois a Deusa lhe mostrara que ali mesmo, naquela plataforma, ela e sua amada haviam passado um tempo de suas vidas, muitos séculos atrás. Toda vez que entrava na caverna ela via a imagem dela e de sua amada aconchegadas num colchão macio de peles e aquecidas por uma fogueira.

Agora a Grande Deusa-Mãe lhe dizia em predições que sua alma gêmea estava finalmente chegando e ela custava a acreditar. Muito cedo ela tinha ficado sabendo pelos oráculos que sua alma gêmea retornaria e se reencontrariam num momento difícil para ambas. Aquela que lhe fora destinada desde o princípio dos tempos não aceitaria imediatamente o amor que lhe estava reservado.

Kristin desfez seu oratório improvisado e saiu da caverna. Montou a égua que esperava pacientemente em frente à entrada do lugar e foi em direção à propriedade de sua tia. Ansiava por falar com sua mestra.

"Ela está chegando, tia!" – ela disparou ao entrar na cozinha da pensão.

"Quem está chegando, minha querida?" – a tia perguntou, mexendo distraída uma panela.

"Ela! A que me foi destinada pela Deusa-Mãe! Eu posso sentir!"

Agora prestando atenção ao que a sobrinha falava, a mulher largou o que fazia e voltou-se para a jovem.

"Acalme-se Kristin. Você também disse isso quando conheceu Eleftheria."

"Eu sei que disse, mas agora não estou me enganando. Estava em oração na Caverna de Petris e tudo se confirmou. Cheguei a refazer o oráculo para confirmar. Ela está perto! A Grande-Deusa me confirmou isso! Posso sentir a presença dela. O oráculo só não me disse como ela se apresentaria para mim. Terei de descobri-la e não sei por onde começar."

"Tudo bem, querida. Eu confio na sua intuição. O que você viu? Está me parecendo muito triste diante de uma notícia tão boa!"

"Eu vi que ela não me reconhecerá. Apenas vai sentir que me conhece. E terá muitas dificuldades em reconhecer nosso destino. Se entregará a um homem antes disso." – ela respondeu baixando o olhar entristecido.

"Oh, querida. Saiba entender o destino! Se a Deusa lhe revelou que isso terá de acontecer, então aceite e creia que isso faz parte da trajetória de sua prometida. Sem isso ela não ficará livre para amar você como está escrito que amará. Você bem sabe que é uma bruxa de alta magia e não poderá interferir nisso, não é?"

"Sim, eu sei."

"Não fique com essa carinha triste. A Grande Deusa também lhe descreveu o caminho que terá de seguir até o coração dessa moça, não foi?"

"Sim, o oráculo me disse tudo que devo, e não devo fazer."

"Ótimo! Confie na Deusa, minha filha. Ela é uma grande mãe e não te abandonará. Você é forte e vai saber esperar a hora certa de se aproximar de sua prometida."

"Vou tentar, tia, vou tentar."

 

*******

 

Olhando pela pequena janela do avião, Mariana viu quando o azul intenso se mostrou ao fundo, sob as asas metálicas. Era o mar Egeu. Ela estava, finalmente, na Grécia.

Sentiu seu coração acelerar como que prenunciando o momento de colocar seus pés em solo grego. Uma comissária de bordo aproximou-se com um sorriso e pediu que ela atendesse o comandante, que naquele instante pedia aos passageiros que colocassem suas poltronas na vertical e afivelassem os cintos de segurança. De tão distraída, não ouvira a ordem vinda do auto-falante do avião. Parecia a adolescente que há muito tempo começou a sonhar com aquele país. Acalentava o sonho de morar e estudar na Grécia desde a adolescência e estava realizando-o naquele exato momento.

O avião pousou no Aeroporto Internacional de Atenas com quase uma hora de atraso, mas ela não estava aborrecida.

A ansiedade por pisar naquele país milenar a fez ser uma das primeiras pessoas a desembarcar. Levantou-se assim que a ordem do piloto liberou os passageiros de seus cintos de segurança e pegou sua maleta de mão. Apesar de o avião ser amplo, uma pequena fila se formou diante dela e as pessoas iam descendo as escadas devagar. Ao passar pela sorridente comissária de bordo que se despedia dos passageiros, sorriu de volta em agradecimento e sentiu o ar fresco bater em seu rosto depois de várias horas de vôo. Sentia-se renovada e feliz.

Foi recebida na sala da companhia aérea e sabia que ainda teria de passar pela alfândega. Ficou ali observando o movimento do aeroporto através das portas envidraçadas e logo os passageiros foram chamados para se apresentarem à alfândega.

Ela entrou na fila para quem tinha visto de estudante e preparou-se para esperar. Estava vestida com simplicidade, usando uma calça jeans com botas e uma camisa branca sob um confortável casaco preto que lhe batia acima dos joelhos, mas mesmo assim percebeu os olhares de vários homens enquanto esperava.

Mariana era uma mulher bonita. O cabelo louro estava cortado na altura dos ombros num corte moderno e propositalmente desfiado, fazendo-a aparentar bem menos dos que os vinte e dois anos que tinha. Os olhos intensamente verdes e expressivos eram capazes de dizer mais do que qualquer palavra. Através deles ela se mostrava de corpo e alma, sua mãe dizia sempre.

A fila andou vagarosamente e chegou sua vez. O policial da alfândega observou-a e pediu que abrisse suas malas. Verificou livros e roupas e pediu o passaporte em seguida.

"Estudante?" – ele perguntou em inglês.

"Sim, vim fazer mestrado na Universidade de Atenas." – ela sorriu e respondeu em grego perfeito.

O policial levantou as sobrancelhas, surpreso pela fluência dela e carimbou o passaporte.

"Sempre achei que as brasileiras eram todas morenas." – ele sorriu também e entregou o documento a ela.

"Existem exceções." – ela respondeu sorrindo e colocou suas malas de volta no carrinho. Agradeceu e seguiu para o saguão do aeroporto.

Quando finalmente pôde sair para procurar a pessoa que viria buscá-la, viu no saguão uma senhora morena e rechonchuda esperando-a com um cartaz que tinha o seu nome estampado. Era Carmem Petrakis, dona do casarão onde Mariana moraria; uma pensão para moças estudantes de todos os cantos do mundo.

Ela se aproximou empurrando o carrinho com as malas e apontou para o cartaz.

"Oi, sou Mariana." – ela falou em grego.

"Olá, minha querida! – a velha senhora de cabelos grisalhos e cuidadosamente penteados para trás cumprimentou-a. – Seja bem-vinda!"

"Obrigada, Sra. Petrakis. Agradeço por vir me buscar. Eu não saberia ir até sua pensão. E não gostaria de ir de táxi sem conhecer o caminho." – a moça pequena e loura disse, deixando a mulher impressionada com sua fluência no idioma.

"É um prazer receber você, criança. Sempre que posso, faço isso quando recebo uma nova hóspede. Você fala muito bem nossa língua!" – a mulher elogiou.

"Obrigada. Eu ganhei fluência dando aulas e estudando muito. Mesmo assim, aposto que vou aprender muito com a senhora." – ela retrucou.

"Bem, se você quiser aprender uns palavrões..., usamos muito por aqui." – velha senhora respondeu, rindo.

Mariana riu também, já gostando da mulher. Sua simpatia pela Sra. Petrakis foi imediata e vice-versa. Já haviam conversado por telefone, mas fora apenas por alguns minutos, para acertar detalhes de sua estada na pensão. Recebera a indicação daquele lugar para ficar de uma colega de faculdade que estivera em Atenas por dois meses fazendo um curso.

Elas foram saindo do aeroporto em direção ao estacionamento. A velha anfitriã tinha um carro grande o suficiente para acomodar todas as malas de Mariana; que colocou a bagagem na parte traseira do veículo e sentou-se ao lado da motorista.

Feliz por ter uma hóspede que a entendia perfeitamente, a Sra. Petrakis desatou a falar. Fez questão de levar Mariana para um pequeno passeio por Atenas antes de seguirem em direção à região de Dafni, ao sul da cidade, onde ficava o imenso casarão que servia de pensão. Ela contou uma breve história de sua vida e Mariana ficou sabendo que sua anfitriã crescera numa fazenda bem ao lado de sua propriedade, onde mantinha a pensão.

"Eu e meu irmão crescemos na fazenda, mas depois que eu me casei, fui morar em Corinto por muitos anos. Depois que meus filhos foram para a faculdade, comprei um casarão que fica nos limites da fazenda e transformei em pensão. A propriedade praticamente começa onde a cidade termina. Hoje é minha sobrinha quem cuida da fazenda para meu irmão, já que ele comprou outra propriedade mais ao sul." – a velha senhora tagarelava sem parar.

Mariana se divertia com a narrativa dela. Queria ouvir avidamente as histórias do povo grego, mesmo as mais particulares. Observava a Sra. Petrakis dirigindo e gesticulando ao mesmo tempo enquanto o vento lhe esvoaçava os cabelos grisalhos e fartos. "É uma mulher admirável", pensou Mariana.

"Antes de irmos para a pensão, vou levá-la para um pequeno passeio pela cidade. Você terá oportunidade de conhecer tudo isso de perto, meu bem, mas gosto de levar minhas hóspedes para esse passeio. Assim ficam mais familiarizadas com a cidade onde vão viver."

"Eu agradeço muito!" – Mariana ficou encantada com a gentileza dela.

Entraram pela Rua Atena e sua guia chamou-lhe a atenção:

"Olhe, querida, nossa linda Acrópole no final da rua."

Mariana desviou os olhos dos cafés e construções que estavam à sua direita e vislumbrou uma das mais belas obras humanas bem ao longe, no final da rua, encravada sobre a mais conhecida colina grega. Estavam distantes, mas o fascínio que o Parthenon lhe proporcionou foi emocionante.

"É lindo!" – ela exclamou.

A Sra. Petrakis sorriu e continuou a dirigir. Deixou que sua nova hóspede se deliciasse com as obras-primas de seus antepassados. Levou-a até a Praça Sintagma, passou pelo Parque Nacional e pelo Museu Bizantino, depois Rua Aeolus, onde as lojas e cafés brilhavam sob o sol e atraíam turistas do mundo inteiro.

Mariana não se cansava de olhar para as muitas ruínas que desfilavam pela janela do carro. Sentia o vento batendo em seus cabelos e ficou imaginando todas as visitas detalhadas que faria àqueles lugares fantásticos.

Sua viagem fora planejada nos mínimos detalhes. Há muito ela sonhava conhecer e morar naquele lugar. Seu primeiro contato com a fascinante cultura grega foi através dos livros de história de seu pai, onde conheceu a Mitologia Grega e seus heróis; as paisagens e histórias daquele povo que a fascinava.

Na verdade não sabia definir ao certo por que se atraía tanto pela Grécia e tinha dirigido toda sua vida para ir continuar seus estudos nesse país. Só sabia que o país, a língua e tudo que se referia a eles a puxavam como um ímã. Agora estava ali, perscrutando com o olhar, os muitos monumentos daquela cidade linda.

Lembrava-se de pedir para seu pai lhe contar as aventuras de Ulisses e Aquiles todas as noites antes de dormir. Ela havia deixado Porto Alegre e o Brasil para trás. Amava seu país, sua maravilhosa terra gaúcha, mas sua paixão pela Grécia a fez direcionar sua vida toda para aquele objetivo.

Morar na Grécia foi um sonho que demorou a se concretizar. Seus pais não queriam que ela viajasse sem antes se formar e ter dinheiro suficiente para se manter no país, mas a jovem persistente tinha vencido a resistência deles. Fez sua faculdade à noite, trabalhou de dia e guardou todo o dinheiro que conseguiu. E mesmo não tendo o suficiente para se sustentar durante os dois anos de mestrado que pretendia fazer, ela convenceu seus pais de que se o dinheiro não desse, ela poderia trabalhar.

Sua família era simples; seu pai era professor de História e sua mãe era pedagoga, função na qual dirigiu uma escola estadual por mais de trinta anos. Foi nessa mesma escola que o jovem professor de História conheceu a assistente de diretoria e se apaixonaram. E Mariana nasceu dois anos depois do casamento. Ficou sendo a única filha, pois Seu Dirceu e Dona Isabel não puderam se arriscar numa segunda gravidez, já que o parto foi difícil e o médico recomendou que ela não engravidasse novamente.

A família nunca foi rica e Mariana teve de batalhar para conseguir fazer faculdade de Tradução. Ela começou a aprender grego bem cedo, apenas com algumas dicas do pai e quase que sozinha, e sua faculdade não poderia ter sido outra. Começou a dar aulas e a traduzir alguns textos antes mesmo de se formar e todo dinheiro que conseguia economizar era guardado com o único objetivo de ir morar na Grécia.

Foi assim que aos vinte e dois anos, a bela, jovem e loura tradutora desembarcou pela primeira e definitiva vez em solo grego. Havia batalhado durante um ano e meio para tentar conseguir contatos na Universidade de Atenas e um orientador que a aceitasse para fazer um mestrado. Sua intenção era lecionar depois, naquela mesma universidade ou em universidades menores; templos históricos da civilização que a fascinava.

 

O carro rodou por mais quarenta minutos e começaram a sair da cidade, indo na direção do bairro residencial onde as casas eram encravadas em propriedades enormes e ficavam escondidas em meio a jardins antigos e bem cuidados. Ela ia se orientando pelas placas que indicavam a região de Dafni, já que teria de aprender a andar sozinha pela cidade.

Sua anfitriã entrou por um portão antigo que estava aberto entre dois muros cobertos de hera. Andou por uma alameda ladeada de árvores e arbustos floridos; canteiros bem cuidados e um gramado tão verde que convidava a tirar os sapatos e caminhar pela grama macia.

"Esses jardins são lindos, Sra. Petrakis!" - Mariana ficou admirada.

"Obrigada, querida. É meu marido quem cuida. Na verdade estamos quase no campo. Esta propriedade é bastante grande e estamos na divisa das primeiras fazendas produtoras de vinho e azeite, aqui, ao sul de Atenas. Até temos a nossa pequena plantação, mas é apenas para produzir algumas azeitonas. Estamos em época de florada." – a velha mulher comentou enquanto manobrava o carro em direção a um barracão que servia de garagem, atrás do casarão.

Mariana desceu do carro e ficou admirando aquele lugar. Tudo enchia seus olhos. Tudo que ela olhava lhe dizia que seu sonho estava realizado: estava na Grécia! Era ali que iria morar e trabalhar. Era ali que iria viver!

O Sr. Petrakis apareceu e levou as muitas malas para o quarto onde Mariana ficaria. Ele era o que Mariana sempre imaginou como um típico senhor grego: alto e forte, moreno e aquele nariz inconfundível; o corpo maciço e saudável; os traços demonstrando o quanto fora bonito na juventude e, claro, a boina na cabeça. Ele cumprimentou-a com um aperto de mão que quase esmagou seus dedos.

"Seja bem-vinda, Srta. Bernini."

"Obrigada. Pode me chamar de Mariana." – ela retrucou sorrindo.

Ele retribuiu o sorriso e entrou na casa carregando as duas primeiras malas.

"Venha, Mariana. Vou lhe mostrar seu quarto." – a Sra. Petrakis chamou.

A mulher mais velha subiu na frente e Mariana ficou impressionada com a agilidade dela. O povo grego tinha fama de ser forte e Mariana constatava que essa fama era absolutamente verdadeira.

O quarto que fora reservado para a jovem era pequeno, mas aconchegante. A cama estava feita e ela pôde sentir o cheiro de lençóis imaculadamente limpos e recém colocados sobre a cama. No armário, a Sra. Petrakis indicou novos jogos de cama que ela poderia trocar quando quisesse e o banheiro privativo de que Mariana fizera questão. Sua hospedagem ficaria um pouco mais cara por causa disso, já que a pensão dispunha de quartos onde a hóspede usava os banheiros coletivos do corredor, mas ela preferia pagar mais para ter esse pequeno conforto. Sua privacidade valia qualquer sacrifício.

Sua anfitriã a deixou à vontade para se acostumar ao novo quarto e desceu. Mas já era pouco mais de uma da tarde e Mariana sentiu fome. Não comera quase nada no vôo, pois não era muito fã de comida de avião e costumava enjoar. Olhando para toda sua bagagem esperando para ser arrumada, ela suspirou profundamente e pensou num bom sanduíche e na cama macia que parecia convidá-la a dormir. Também estava cansada e um pouco confusa com a diferença de fusos horários.

Descendo as escadas em busca do refeitório, ela encontrou uma das meninas que seria sua colega de moradia. Era uma americana gordinha, ruiva e devia ter uns dezoito ou dezenove anos.

"Oi, eu sou Mariana. Sou nova aqui. Pode dizer-me onde fica o refeitório?" – ela perguntou à moça.

"Seja bem-vinda! Eu sou Jenny. O refeitório fica no fim desse corredor, à esquerda. Até mais." – ela lhe indicou o caminho para o refeitório e foi em direção à porta da rua.

"Até mais."

Mariana encontrou a Sra. Petrakis ajudando a servir o almoço para umas trinta moças, sentadas em mesas com quatro lugares cada uma e distribuídas no salão do refeitório. Era possível perceber que todo o casarão fora adaptado para se transformar na pensão. Seus ambientes amplos eram perfeitos para isso. O refeitório deveria ter sido algum salão de jogos ou coisa parecida, pois era amplo e arejado por janelas altas pintadas de azul. Do lado de fora era possível se ver parte do jardim e do pomar.

"Ah, Mariana, querida, venha almoçar! Meninas, por favor, um minutinho. Quero apresentar-lhes uma nova moradora. Esta é Mariana."

"Olá." - ela cumprimentou em inglês.

Todas cumprimentaram e a receberam com sorrisos e acenos de cabeça. Ali estavam jovens de muitos lugares do mundo, Mariana pensou, pois a quantidade de rostos diferentes era enorme. E pelo que percebeu, a "língua oficial" ali na pensão era o inglês, afinal nem todas tinham desenvoltura suficiente para falar grego o tempo todo. Uma jovem morena que estava numa mesa próxima a elas levantou-se e com um sotaque característico de quem fala alguma língua latina, convidou-a para almoçar com ela e a outra moça que a acompanhava. Logo depois Mariana soube que as duas eram irmãs e realmente eram oriundas de um país de língua latina.

"Sente-se conosco para o almoço. Eu sou Elisabete Monteríos e esta é minha irmã, Clara." – ela apresentou-as, falando em inglês.

"É um prazer conhecer vocês. Obrigada pelo convite." - Mariana agradeceu e sentou-se.

"Nós somos de Madri. Você é de onde?" – Clara quis saber.

"Sou brasileira. De Porto Alegre." - Mariana respondeu enquanto tentava adivinhar qual seria o prato servido no almoço. Estava realmente com fome agora.

"Oh, que ótimo! Temos vários amigos brasileiros em Madri!" – Elizabete ficou exultante com o fato e começou a contar sobre seus amigos.

Mariana comeu "salta khoriátiki" (salada mediterrânea a base de tomates, pepinos, cebola e azeitonas negras, acompanhada com um queijo de ovelha chamado féta) e "kotópoulo" (frango assado recheado de arroz, queijo e passas). Saboreou o almoço com vontade; seu apetite tinha voltado após chegar à pensão. Só continuava se sentindo confusa por causa do fuso horário, mas sabia que isso ia passar.

Logo ficou amiga das irmãs espanholas e também de várias moças com quem conversou depois.

A chegada dela causou certa curiosidade nas estudantes e algumas vieram conversar e dar as boas vindas depois que terminaram o almoço. A única coisa que a incomodava quando fazia novas amizades eram as inevitáveis perguntas sobre namorados. Apesar dos seus vinte e dois anos, ela pouco havia se relacionado. Apenas no segundo ano da faculdade é que havia namorado dois rapazes, mas os relacionamentos não tinham ido além de algumas carícias ousadas e ela não tivera vontade de ir para a cama com eles. Ela evitava até mesmo pensar nisso, pois se achava diferente de suas amigas. Não porque se preocupava em ser virgem ainda, pois isso não lhe importava, mas porque se sentia diferente. Não se sentia excitada quando seus namorados a tocavam. O que sentia, na verdade, era apenas curiosidade.

Todas namoravam e contavam suas aventuras amorosas para ela, mas Mariana não sentia o mesmo que as amigas. Ficava pensando que quando estava com seus namorados, mesmo em momentos mais íntimos, em que eles a acariciavam e pediam algo mais, ela se retraía e não sentia nada; nada daquilo que as amigas tanto falavam.

E com as amigas espanholas parecia que não seria diferente: tagarelavam mais do que a boca permitia e foram logo perguntando dos brasileiros, querendo confirmar a fama que tinham de bons namoradores.

Mas depois do almoço ela só pensava em dormir. O cansaço da viagem começava a aparecer.

"Me dêem licença, por favor. Acho que vou dormir um pouco. A viagem me cansou muito." – ela se levantou e passou os olhos pelo lugar em busca da Sra. Petrakis.

Ia pedir a ela que a chamasse no final da tarde quando viu um furacão em forma de mulher entrar pela porta lateral do refeitório.

Mariana não entendeu o que sentiu, mas ficou impressionada com o que viu. Com "tudo" o que viu: uma verdadeira deusa grega, com mais de 1,80m, usando uma calça de camurça cor de palha, botas de montaria até o joelho, uma camisa branca aberta no colo, os cabelos longos e negros caindo pelas costas e um chapéu do mesmo material da calça cobrindo os olhos intensamente azuis. O rosto extraordinariamente bonito era ornado por um par de sobrancelhas negras e a boca mais atraente que Mariana já vira. Trazia um pequeno chicote de montaria nas mãos e estava visivelmente com pressa.

A presença daquela mulher fez com que algo estacasse dentro do coração de Mariana. Sentiu seus olhos serem sugados para ela. Não conseguiu raciocinar ou impor qualquer resistência. Naqueles segundos que se seguiram sem que Mariana notasse o mundo à sua volta, a bela estranha entrou na cozinha para sair em seguida, acompanhada da Sra. Petrakis. Ambas falavam uma espécie de dialeto grego que Mariana não conseguia entender direito. Foram poucas as palavras que ela pôde decifrar. Ao ouvir as duas conversando ela saiu daquele encanto e entendeu apenas quando a Sra. Petrakis pediu à moça que não viesse visitá-la sempre com tanta pressa.

A bela morena agora sorria e olhava a Sra. Petrakis com carinho. Era linda, encantadora, Mariana pensava sem conseguir tirar os olhos dela. Aquela mulher emanava algo misterioso, uma força atrativa que a jovem lourinha desconhecia.

Clara e Bete falaram alguma coisa que Mariana não entendeu e ela foi obrigada a desviar seus olhos da mulher do outro lado do refeitório. Nisso ela viu pela porta, outra moça do lado de fora, no quintal. Ela também era morena e muito bonita, mas não tanto quanto a primeira; montava um cavalo castanho e parecia esperar a que conversava com a Sra. Petrakis.

As irmãs espanholas levantaram-se e o movimento de cadeiras momentaneamente tirou Mariana daquela espécie de transe. Elas saíram pelo corredor em direção às escadas e as irmãs foram conversando animadamente com ela, mas Mariana ainda não tinha saído completamente daquele encanto. Sua mente parecia ter gravado a imagem daquela mulher com os mínimos detalhes. Em seus pensamentos, ela via um filme da cena que assistira. Mas os detalhes pareciam saltar aos olhos; via cada movimento que aquela moça fizera como que em câmera lenta; cada contorno do rosto perfeito, cada nuance do brilho dos cabelos soltos, cada músculo que se movia sob a roupa justa. E os olhos; a cor azul e magnífica dos olhos! A estranha não olhara para ela, mas Mariana tinha visto perfeitamente a cor daqueles olhos. Eram magnéticos. E uma sensação de já conhecer aquela mulher se instalou nela com uma certeza fora de propósito.

"Céus, como é linda!" – ela pensou, sem querer. Parecia a Mariana que seu sono tinha passado subitamente. Sentiu uma vontade enorme de descobrir quem era aquela estranha tão linda, mas de repente parou, estranhando tal vontade.

"Que coisa! Nunca fui de bisbilhotar os outros. Ainda mais estranhos! Ah, deixa prá lá. Preciso é descansar e procurar seu orientador amanhã", pensou.

Tinha se despedido das novas amigas e já subia a escada quando se lembrou que não havia pedido à Sra. Petrakis que a acordasse no final da tarde. Resolveu voltar até o refeitório e viu quando a moça alta e morena beijou o rosto da Sra. Petrakis e ia saindo pela porta do quintal.

Nesse instante seus olhos se encontraram. Mariana sentiu como se bebesse algo extremamente gelado, que lhe congelava as entranhas. Seu coração veio à boca e ela não conseguiu dar mais do que alguns passos. Ficou parada no meio do refeitório, sentindo o olhar daquela mulher sobre si. Sentiu-se preenchida por algo insanamente novo.

Ela continuou parada numa espécie de hipnose enquanto a morena sabiamente desviava o olhar e saia pela porta que dava para os fundos da pensão, levando nos lábios bem feitos um ligeiro sorriso, como quem havia finalmente encontrado o que procurava. Mas ela não teria pressa de tomar para si, pois sabia previamente que tudo aquilo lhe pertencia. Seu coração lhe deu a certeza esperada, mas ela não poderia nem queria ferir ninguém. Tudo deveria acontecer em seu devido tempo.

Sua certeza precisava ser comunicada à sua mestra.

 

"Tia, acabo de vê-la." – ela disse ao parar na soleira da porta.

"Como?" – a Sra. Petrakis perguntou sem entender nada.

"É ela, tia. É uma de suas hóspedes e está parada no meio do refeitório! Meu coração não se enganaria, diante do que estou sentindo agora! O oráculo não disse como nem quando eu a encontraria, mas também não disse que seria tão rápido!" – ela murmurou, enquanto seu coração disparava, fora de controle.

A sra. Petrakis voltou-se e viu Mariana dando meia volta e indo em direção ao corredor.

"Grande Deusa! Como não meu dei conta? Essa menina acabou de chegar!"

Kristin sorriu para a tia. As duas bruxas elevaram seus pensamentos à Deusa, em agradecimento.

 

O barulho de cascos de cavalos se afastando da pensão tirou Mariana daquele entorpecimento e ela respirou de novo como se tivesse emergindo de um mergulho profundo em águas desconhecidas. A Sra. Petrakis, falante como sempre, veio em sua direção e a fez voltar à realidade mais rapidamente, mas sua cabeça fervilhava com o que sentira. Ela saíra da cozinha e estava agora na sala de convivência.

Ainda sentia o coração disparado e as mãos tremiam de leve. Teve de se conter ao se aproximar da senhora grega, pois seu desejo era perguntar quem era a moça, mas apenas pediu para ser acordada na hora que queria. Foi para seu quarto, que a esperava como se fosse um refúgio seguro, que a protegeria daqueles pensamentos sem explicação.

"Meu Deus! O que está acontecendo comigo?!" – ela se perguntava, sentada na cama.

Olhou para as mãos trêmulas e lembrou-se do olhar penetrante daquela mulher.

"Parece que levei um choque ou coisa parecida!" – ela falou para si mesma, torcendo as mãos para ver se paravam de tremer.

Ela ainda ficou um pouco ali, parada e pensando na mulher que a encarara como se a conhecesse por dentro, como se fosse parte de sua vida.

"Não devo estar bem por causa da mudança de fusos- horários. É, deve ser isso mesmo. Vou tomar uma banho e dormir que ganho mais!"

 

Ela tomou um banho rápido como se isso fosse impedir que pensasse no que acontecera no refeitório, mas de pouco adiantou. Vestindo um pijama que tirou de uma das malas, já estava indo dormir com os cabelos molhados mesmo, apesar de saber que sua mãe lhe repreenderia se soubesse. Sentou-se na cama para secar os cabelos e de novo seus pensamentos a levaram à estranha de olhos azuis.

"Ela conhece os Petrakis. – pensou. Senão não teria entrado na cozinha com aquela familiaridade toda."

Observou-se no espelho em frente à cama e estranhou a insistência daqueles pensamentos. Era mais do que óbvio que aquela era uma mulher de deixar qualquer um admirado, mas Mariana não compreendia tanta admiração.

"Por que?", pensou.

Estava sozinha naquele país estranho e sabia que poderia se sentir solitária e até um pouco perdida no início, mesmo estando realizando seu projeto de vida. Pensou em Eduardo, seu último namorado. Ele fora apaixonado por ela. Tinha até mesmo falado que iria para a Grécia com ela, quando se formassem. Rindo da lembrança, Mariana tirou a toalha dos cabelos e olhou-se mais uma vez no espelho. Definitivamente não se entendia.

 

Ela penteou os cabelos louros e lembrou que ainda não tinha ligado para casa e avisado que chegara bem. Pegando o telefone sobre um aparador, discou a longa seqüência de números da chamada internacional e depois de alguns toques, ouviu a voz de sua mãe do outro lado da linha.

"Oi, mãe!"

"Oi, filha! Como foi a viagem? Tu demoraste a ligar. Eu e teu pai já estávamos preocupados! Como é a casa onde tu vais morar? Te receberam bem?" – Dona Isabel queria saber tudo de uma vez.

"Eu cheguei bem, sim, mãe. A Sra. Petrakis é muito simpática e já estou instalada, não se preocupe." – ela respondeu, feliz por falar com sua mãe.

"Ah, que bom! Eu fico mais sossegada assim. E como é tudo por aí?" – Dona Isabel perguntou.

"Ah, é tudo lindo e maravilhoso! A Sra. Petrakis fez um pequeno passeio comigo assim que cheguei. Atenas é linda, mamãe! Assim que tiver um tempo, vou fazer um passeio mais detalhado e conto para vocês." – a jovem contou.

"E como é a pensão? É confortável? A comida é boa?"

Mariana riu da preocupação da mãe. Ela sempre fora assim.

"É tudo ótimo, mamãe. Estou muito bem."

"Ah, muito bom. Agora fale com teu pai. Um beijo, querida." – ela passou o telefone para Seu Dirceu.

"Olá, filha! Como está? Já estamos com saudade de ti!"

"Oi, pai. Estou ótima! Já dei uma volta pela cidade e amanhã vou até a Universidade de Atenas para falar com meu orientador. Estou ansiosa para começar."

"Isso é bom, minha querida, muito bom! E não fique sem dinheiro, ouviu? É só ligar que mandamos dinheiro para ti." – Seu Dirceu falou.

"Pai, não se preocupe! Tenho dinheiro para pelo menos seis meses de mordomia. Se eu economizar, para mais de um ano." – ela retrucou.

"Eu sei, mas não quero que sejas desprevenida. Quero que te cuides. Ligue de novo assim que tiver mais novidades! Tua mãe está mandando um beijo!"

"Diga que mandei outro! Um beijo para ti também, papai!" – e desligou.

Ela deitou-se e ficou pensando nos pais. Sentia muita saudade de casa. Seus tios e avós haviam questionado sua decisão de deixá-los sozinhos em Porto Alegre, pois era a única filha, mas mesmo assim ambos a incentivaram a correr atrás de seu sonho. "Aqueles dois! Sempre preocupados comigo!", pensou.

Esperando o sono voltar, ficou observando o céu tão azul que ela teve de fechar as cortinas para diminuir a claridade. "Eu sempre soube que aqui o mar é muito azul, mas isso deve se aplicar a tudo; inclusive àqueles olhos maravilhosos." – pensou, antes de pegar no sono apenas porque estava muito cansada da viagem.

 

No início da noite Mariana foi acordada por um leve bater na porta de seu quarto. Quando ouviu que ela tinha acordado, a Sra. Petrakis avisou do outro lado da porta que eram 19h30 e que o jantar estaria servido dali a meia hora.

Mariana espreguiçou-se e sentiu em ter de deixar a cama macia e quente. Seu organismo demoraria a se acostumar com o fuso-horário. Ela vestiu-se e desceu as escadarias, encontrando diversas moças que chegavam de suas aulas e iam para o refeitório.

De novo sentou-se com as espanholas e ficou sabendo que Elizabete estava estudando grego e Clara, História da Arte. Bete, como queria ser chamada, ficou radiante ao saber que Mariana também faria grego e já começou a indicar alguns livros para a amiga.

Como tinha almoçado e logo ido dormir, Mariana não teve muita fome, mas acabou comendo um pouco de dólmades (carne picada com arroz envolvida em folhas de uva ou couve), que a Sra. Petrakis fez questão que ela comesse.

"Estou acostumada, menina. Vocês chegam de avião e demoram a se adaptar ao horário diferente. Isso vai lhe fazer bem para o estômago e deixa-la forte, pode ter certeza." – explicou a mulher em sua doce autoridade de mãe substituta.

Mariana não contrariou sua anfitriã e comeu devagar, acompanhando suas novas amigas, que comiam e falavam ao mesmo tempo.

Sem querer ela se viu perguntando mentalmente se a moça de olhos de deusa não apareceria de novo no refeitório. De novo achou esquisito pensar tanto nela, mas tentou não dar importância a isso; mesmo por que, as espanholas não deixavam tempo para que ela pensasse em algo que não fosse conversar.

"Como falam!", pensou enquanto ouvia as irmãs falando sem parar.

Ainda cansada, ela terminou sua refeição e foi dormir cedo. Precisava recuperar-se da viagem e queria estar apresentável no dia seguinte, quando encontraria seu orientador e começaria a jornada de dois anos de mestrado. Antes de fechar os olhos de sono, pensou também em arranjar um trabalho, já que sabia de antemão que seu dinheiro não daria para pagar as despesas de dois anos inteiros. Mas para isso teria de saber quais seriam seus horários na universidade para depois procurar algo que se encaixasse neles, afinal, seu mestrado era prioridade.

 

Na manhã seguinte Mariana acordou bem antes do horário e pulou da cama. Estava ansiosa demais para ficar enrolando, já que não tinha mais sono. Tomou um banho e vestiu-se. Olhou para as malas ainda por desfazer e deixou a arrumação para quando voltasse. Precisava descobrir como chegar até a Universidade de Atenas. Enquanto descia as escadarias, de novo seu pensamento foi invadido pela estranha grega, mas ela procurou afastar aquelas sensações, empurrando-as para o fundo da mente.

Ao chegar ao refeitório, encontrou-o quase vazio já que havia madrugado. Suas amigas não estavam ali ainda e vendo o casal Petrakis, foi ao encontrou deles.

"Bom dia!" – ela cumprimentou.

"Bom dia!" – os dois responderam quase juntos e o Sr. Petrakis já foi saindo para os fundos do casarão.

Mas antes que ele saísse, Mariana adiantou-se:

"Ah, Sr. Petrakis, pode me dizer como chego à Universidade de Atenas?"

"Claro, filha! Você terá de pegar um ônibus até o metrô e depois chegar até lá, mas é bem rápido. Amanhã você não precisará acordar tão cedo. Vou anotar num papel para você." – ele respondeu.

"Sente-se, querida; e sirva-se." – a senhora falou.

"Obrigada."

Mariana foi até o pequeno buffet de café da manhã que a mulher acabara de arrumar e pegou um koulouri (rosca de pão com sementes de gergelim) e um copo de leite. Sentou-se numa mesa próxima à saída da cozinha e ficou conversando com a dona da casa enquanto comia. Novamente aquela curiosidade a fez pensar em perguntar quem era a visitante da tarde anterior, mas achou que seria muito abuso de sua parte. Mal havia chegado e já queria saber de quem não lhe dizia respeito.

O Sr. Petrakis voltou logo depois com um papel onde tinha anotado o nome das linhas de ônibus e metrô que teria de pegar e ela foi para seu quarto novamente, depois de agradecê-lo pelo favor. Estava ansiosa e queria chegar cedo à universidade. Até poderia conhecer um pouco do lugar antes de falar com seu professor. Colocou suas coisas numa bolsa de couro a tiracolo e saiu do quarto.

Continua na Parte II...

Feedback para A. L. Benner: [email protected]

27/09/2006

 

Uber   Home

 

Hosted by www.Geocities.ws

1