Minha Querida
Inimiga
Parte 8
No dia seguinte, chegaram à
Manhattan bem cedo. Era a primeira vez que dormiam juntas a noite toda e Bianca
estava preocupada. Sawer iria com certeza ter uma briga com Lauren. Ela
desejava ardentemente que Lauren o deixasse e fosse morar com ela, mas queria
que eles se separassem sem brigas, por causa de Roberta. Ela já devia estar
muito traumatizada com os seus problemas, para aguentar conviver com disputas
judiciais entre Lauren e o marido.
Lauren tentava se mostrar calma, mas Bianca sabia que ela estava com receio da
reação de Sawer. Ela olhava para o relógio de tempo em tempo, com ar
preocupado.
Separaram-se à uma quadra do apartamento de Lauren. E
Bianca seguiu para o trabalho em um táxi. O trânsito estava congestionado e o
trajeto demorou mais de meia hora em paradas enervantes.
Bianca chegou de mau humor e foi para sua
sala. Havia contratos para resolver, compras de diamantes e escolher os
desenhos para a nova coleção que a Dresser Diamond iria lançar.
O desenhista de jóias e o lapidador entraram em sua sala, para discutirem quais
pedras seriam usadas na nova coleção. Nesse momento, o telefone tocou e ela
atendeu. A voz de Lauren chegou transtornada:
-Bianca! Estou desesperada! Recebi um teelefonema de Paris há poucos minutos!
Roberta tentou suicidar-se!
Bianca gelou com a notícia.
-Meu Deus!...-disse, quase sem voz - Commo isso aconteceu?
Os homens se afastaram discretamente para a porta, conversando baixinho.
-Não sei os detalhes ainda! A minha amigga
Ana Barton,, que hospeda Roberta, disse-me apenas que ela foi encontrada
no banheiro com os pulsos cortados! Levaram ela para o
hospital! Oh, meu Deus! Minha filhinha!
-Calma, Lauren! Tem de ficar calma! Saweer está com você? -Perguntou baixinho.
-Não, ele estava no trabalho, e está vinndo para casa. Bianca, eu tenho que ir
para Paris, hoje mesmo! Minha filha precisa de mim!
-Eu entendo... deve ir mesmo. Posso ajuddá-la em alguma coisa? Quer que a leve
ao aeroporto?
-Não, Sawer vai comigo.Ele já está proviidenciando a passagem. Bianca, vou trazer minha filha de volta. Ela deve estar bem
infeliz lá, para fazer isso.
-Concordo...ela precisa ficar ao seu laddo. Quanto tempo você vai ficar lá?
-Não sei, amor. Avisarei quando voltar.<
-Está bem. Cuide-se, Lauren. E não esqueça que
eu a amo muito.
-Não esquecerei. Até a volta, Bianca.
Lauren desligou e Bianca passou a mão no rosto, pensativa. Pobre Roberta!
Quando saiu do trabalho, pensou nos dias de
solidão que iria enfrentar, sem Lauren.Seria horrível! A
essa hora, ela devia estar voando para a França. Tomou um banho para relaxar e
depois colocou uma lasanha congelada no microondas.
Começou a comer quando o telefone tocou. Pegou-o e atendeu.
-Alô.
-Bianca Lancini?
Não reconheceu a voz. Quem seria?
-Ela mesma. Com quem falo?
-Bianca! Até que enfim a encontrei! Sou eu, Claire!
-Claire?
-Claire Anderson, sua colega de faculdadde!Esqueceu de mim, sua malandra?
Bianca lembrou logo. Como pudera esquecer dela? Claire era sua melhor amiga na
faculdade! As duas eram inseparáveis, estudavam na mesma turma e tinham a mesma
preferência sexual. Muitas vezes disputavam a mesma mulher, mas Bianca vencia
sempre. Mas Claire não se aborrecia com isso. Tinha um excelente humor. Não a
via há mais de sete anos, quando ela se mudara para outra cidade quando havia
conseguido um emprego de tradutora numa embaixada.
-Claire! - Disse, verdadeiramente alegree - Que surpresa maravilhosa! Não me
diga que está em Nova Iorque!
-Estou, amiga!Cheguei há dois dias e tennho tentado contatar você!
-Claire, você caiu do céu! Estou tão depprimida, com um sério problema! Você vai
elevar o meu ânimo!Onde está hospedada?
-No Pierre, sabe onde é?
-Sei, sim! Está em que apartamento?
-No 620.Quando virá aqui ver-me? Tenho tanta coisa
para contar à você!
-Posso ir aí agora! Tem algum programa mmarcado?
-Nenhum, garota! Estou só, nessa cidade enorme! Venha para cá!
-Ok! Vou vestir-me e já estou indo para aí!
-Tudo bem, estou aguarrdando!
Bianca desligou e foi se vestir, pois estava apenas com o roupão de banho.
Estava feliz com reencontro, Claire seria a salvação da sua solidão. Vestiu calça de lã negra, blusa de malha creme e botas de
salto alto.Colocou um casaco de couro negro e saiu.
Chegou ao hotel dentro de meia hora e anunciou-se na recepção. O recepcionista
ligou para o apartamento e Claire deu consentimento para Bianca subir.
Quando chegou ao andar, Claire a esperava no corredor e se abraçaram
efusivamente. Depois se afastaram e se fitaram sorrindo.
Claire quase não mudara nesses sete anos. O mesmo corpo esguio e alto, os
mesmos olhos verdes escuros, o mesmo sorriso luminoso. Os cabelos é que estavam
mais curtos, cortados em camadas. Ela continuava a ser uma mulher atraente e
simpática. Vestia-se com sóbria elegância, blusa de crochê branca e calça de
veludo negro.
-Claire, você não mudou quase nada...esttá muito bem! - Disse Bianca, olhando-a
da cabeça aos pés.
-Eu me trato, querida! Mas você também eestá ótima! Parece que tomou o elixir da
juventude! Mas venha, entre!
Claire a levou até uma sala de estar
confortável e indicou o sofá, perguntando:
-Quer uma bebida? No frigobar tem cervejja, martini e champanhe.
-Não, acho melhor sairmos para jantar.Poode ser no restaurante do hotel.
-Ah, se vamos sair, prefiro ir a um restaurante fora
do hotel, quero andar um pouco.
-Ok, vou levá-la à um restaurante excelente que
conheço.
Foram no Caravelle. Claire contou durante o trajeto que havia sido transferida
para New York, onde ia chefiar um departamento. Havia acabado uma relação de
cinco anos com uma mulher que havia destruído seu amor com seu temperamento
esquizofrênico.
-Estou como uma árvore seca, Bianca. Semm amor, só trabalhando como nunca -
Disse Claire, se instalando na mesa do restaurante - E você? O que tem feito
esses anos todos?
Bianca a fitou séria.
-Estou em um caso complicado, Claire.Voccê vai ser a única pessoa com quem vou
desabafar, porque é a única pessoa que confio.
Claire fitou-a com malícia, sorrindo.
-Hummm! Mais complicado que o daquela muulher casada com seu professor de
geologia, na universidade, que você arranjou?
-Não brinque! Muito pior, Claire!
Claire ficou séria, vendo a expressão grave de Bianca.
-Conte-me, sou toda ouuvidos.
Bianca contou, rapidamente. Claire ficou olhando-a com ar consternado. Quando
acabou, ela suspirou e tomou um gole do vinho que o garçom havia servido.
-Realmente, que complicação! Mãe e filha,
apaixonadas por você! E agora, a garota tentou suicidar-se!Será que foi por sua
causa? Puxa, eu também estaria com a cabeça quente! E
você não gosta nem um pouco da tal Roberta?
Biaca falou com preocupação:
-Eu sinto apenas um carinho muito grandee por ela, e remorso pelo que fiz.
Roberta é uma garota ingênua, pura, criada em uma redoma que não a preparou
para o mundo.Quero que ela seja feliz, que encontre alguém que a ame como
merece. Mas quem eu amo é a Lauren, ela é maravilhosa. Não quero perdê-la.
-É mesmo complicado...gostaria de poder ajudá-la, Bianca. Mas não vejo como.
-Você pode, Claire! Faça-me companhia neesses dias que estou sozinha. Por que
não sai do hotel e vai para meu apartamento? Depois poderá arranjar um
apartamento com calma.
-Não vou atrapalhar? E quando Lauren cheegar?
-Não vai atrapalhar nada, o apartamento tem dois quartos.Por favor, fique lá
comigo, estou muito deprimida em ficar lá sozinha, cheia de problemas. Você
levantará o meu ânimo.
Claire a fitou decidida.
-Está bem. Mas devo sair de lá muito breeve, quero ter meu apartamento. A
embaixada está ajudando-me na despesa de aluguel, por causa da transferência.
Bianca sorriu agradecida para a amiga.
-Obrigada, Claire.Você é mesmo a melhor amiga que tenho!Quando acabarmos o
jantar, vamos ao hotel pegar sua bagagem.
-Tudo bem. Sabe que eu não deixaria de aatender um pedido seu. Considero-a quase
uma irmã.
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Lauren entrou no quarto do hospital ansiosa e
deparou com Roberta adormecida, com um tubo de soro ligado ao braço direito por
um cateter.Aproximou-se lentamente, olhando-a cheia de remorso.Ela havia
enviado Roberta para Paris, sozinha. Confiara demais na amiga Ana Barton. E ali
estava o resultado.
Já havia conversado com Ana Barton. Ela havia lhe contado o motivo aparente do
ato de Roberta, entre lágrimas:
Roberta havia feito amizade com um rapaz na aula de balé e Ana havia achado ele
um bom rapaz. Havia deixado Roberta sair com ele para uma festa no colégio. Mas
Roberta só havia chegado no dia seguinte, com um comportamento estranho. Ela
havia pressionado Roberta com perguntas e Roberta havia confessado que não
estivera numa festa no colégio, mas sim em um clube, com Antoine e um casal.
Não foi difícil Ana imaginar o resto, quando Roberta ingenuamente citou o nome
de Martine, dizendo que ela era uma dançarina famosa. Ana Barton não era uma
mulher ingênua, ela conhecia a fama de Martine, a dançarina bissexual que
adorava fazer uma orgiazinha à quatro, gostando de
garotas novas.Ela havia proibido Roberta sair sozinha, e então Roberta havia se
trancado no quarto chorando desesperadamente.
Horas depois, ela foi encontrada no banheiro, com os pulsos cortados. Foi uma
sorte o irmão de Ana ser enfermeiro e estar em casa, para fazer o primeiro
atendimento correto até chegar a ambulância que levou
Roberta para o hospital.
-Oh, Roberta... - Disse Lauren baixinho,, com lágrimas nos olhos- O que você
fez!
Lauren alisou os cabelos da filha,
carinhosamente. Ela estava pálida, com uma expressão abatida, os pulsos
enfaixados e os braços presos com correia na cama.
-Isso é necessário - Disse uma voz atráss dela - é para ela não tentar se
machucar novamente.
Lauren olhou para a mulher pequena e magra, de seus cinquenta anos, de olhar
preocupado. Ela se apresentou, estendendo a mão.
-Sou a psicóloga Jeanne March, gostaria de falar com você. É a mãe de Roberta,
não?
-Sim - Disse Lauren, apertando a mão da mulher. Felizmente, seu francês era
razoável, havia aprendido com Ana Barton quando dividiam um quarto, anos atrás.
-Poderia vir à minha sala para uma pequeena conversa?Roberta vai demorar um
pouco a acordar, com o efeito dos remédios que tomou.
-Tudo bem.
-Siga-me então, por favor.
A psicóloga a conduziu até uma sala tranquila, com uma mesa, cadeiras e um
sofá. Ela sentou atrás da mesa e indicou uma das cadeiras para Lauren.
-Eu estava presente quando Roberta Rezziini chegou acompanhada por Ana Barton,
que estava muito nervosa - contou a psicóloga - e eu atendi Ana Barton, que contou-me a provável motivação do ato extremo da garota.
-Ela contou-me também - Disse Lauren, immaginando o que a psicóloga queria com
ela.
-Mas eu ouvi Roberta também, quando ela recuperou os sentidos.
Lauren fitou a psicóloga com ansiedade.
-E o que ela falou? Por que ela tentou ssuicidar-se?
-O meu código de ética não me permite contar a conversa que tive com sua filha, mas me permite falar
sobre o diagnóstico que fiz da situação. E é meu dever orientar a senhora como lidar com sua filha.
Lauren não gostou de ouvir uma estranha falar em orientar ela como tratar sua
filha, mas sabia também que precisava dessa orientação, pois estava perplexa
com os acontecimentos. Assim, encarou a mulher e falou:
-Ela contou que teve uma decepção recenttemente, com uma mulher?
A psicóloga a encarou tranquilamente.
-Sim. E devo dizer que sua filha está soofrendo muito. Mas, não por causa dessa
mulher que a decepcionou na América, mas sim pela dançarina que conheceu aqui,
em Paris.
Lauren a fitou confusa e surpresa.
-Como pode isso?! Há menos de quinze diaas, ela estava chorando por Bianca, que
a seduziu e a abandonou!
A psicóloga sorriu levemente.
-Assim são os jovens nas primeiras paixõões, madame. As primeiras paixões são
intensas e arrebatadoras, uma decepção amorosa pode levar uma jovem a cometer
um ato de loucura. Mas a paixão é intensa como uma fogueira de palha, que
queima voraz, mas pode se apagar de repente, reduzindo essa paixão a cinzas. E
essa jovem em pouco tempo pode substituir uma paixão por outra em um tempo
incrivelmente curto.
-E Roberta fez isso? Substituiu sua paixxão por Bianca por essa dançarina?
-Sim. Ela está desesperada porque foi immpedida de ver essa mulher. Por isso,
fez esse ato extremo.
Lauren colocou as mãos no rosto, entre pasma
e irada.
-Isso é uma loucura! Roberta não deve esstar boa da cabeça! Como ela pode ter
esquecido Bianca tão rápido e já estar sofrendo por outra mulher? Eu não
consegui isso! Eu sofri durante anos por uma paixão de minha adolescência!
A psicóloga a fitou sorrindo.
-Por que então você não teve por essa peessoa apenas uma paixão. Foi amor
verdadeiro. Uma paixão, como eu já disse, queima como uma fogueira e vira
cinzas em pouco tempo, à qualquer decepção, nessa
idade. Já o amor verdadeiro, ele persiste mesmo na adversidade, passa por todas
as provas e continua forte.
-Oh! Espero então que essa nova paixão dde Roberta passe logo!Por que ela nunca
mais vai ver essa dançarina! Vou levá-la de volta para o Brasil assim que tiver
alta! Como devo tratar ela, doutora?
-Roberta precisa apenas de compreensão ee amor. Ela está passando por uma fase
difícil e nessa hora apoio e compreensão vão ajudar muito ela
superar isso. Evite recriminá-la. Trate-a com carinho, paciência, não a proíba
de falar nessa mulher.Por que ela falar faz parte da cura, falar é uma catarse
para os sentimentos .
-Está bem, doutora, vou fazer o que diz.. Porque quero o melhor para minha
filha.
A psicóloga se ergueu e estendeu a mão.
-Muito bem, agindo assim, acredito que aajudará Roberta a superar essa paixão.
Felicidades, madame.
-Obrigada, doutora. Quando ela vai acorddar? Posso passar a noite em companhia
dela no quarto?
-Ela só irá acordar amanhã, pela manhã. Seria mais razoável a madame ir para o
hotel descansar da viagem e vir amanhã cedo.
-Está bem. Realmente, estou exausta da vviagem. E a mudança de fuso horário não
ajuda. Vou seguir seu conselho.
Lauren foi para o hotel, tomou um banho
relaxante e foi se deitar. Na França ainda eram 20 horas, mas o relógio
biológico de Lauren já marcava cinco horas a mais, então ela estava exausta.
Mal deitou, adormeceu.
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Milhares de kilômetros dali, em New York, Bianca e sua amiga Claire
conversavam, sentadas na sala, enquanto bebiam vinho e ouviam música. Claire
estava sentada numa confortável poltrona de couro negro e Bianca estava
recostada no sofá, sentada no tapete e apoiando-se em almofadas.
-Bianca, ainda estou abismada com sua naarração de quando você conheceu Lauren e
o que aconteceu naquele tempo! Parece um romance policial!
Bianca bebeu um gole do delicioso vinho branco alemão e fitou a taça pensativa,
apoiando o queixo no joelho erguido.
-É, foi um drama digno de um filme de suuspense...Lauren pensou que havia sido
eu mesma quem estava no carro com Link e Brad, e passou a odiar-me com todas
suas forças, por anos. Mas eu não sabia, porque havia saído da cidade e só
tornei a vê-la menos de um mês atrás.
-E como foi o reencontro?Você contou-me tudo sem detalhes. Quero detalhes,
amiga!
Bianca sorriu.
-O reencontro foi catastrófico. Pelo mennos, para mim. Foi na festa de fim de
ano promovida pela firma em que eu trabalhava, já lhe contei.
Claire a fitou cheia de curiosidade.
-Mas conte-me os detalhes! Ela xingou voocê, esbofeteou-a, criou uma confusão?
Bianca sorriu levemente, os olhos azuis perdidos no
espaço.
-Nada disso, Lauren é uma mulher de classse! Ela simplesmente pousou os olhos em
mim e foi fria como gelo.Sabe, aquele olhar que reduz uma pessoa à um verme, aquela voz que parece gelar o inferno? Ela fez
isso comigo,quando o marido dela nos apresentou. Ela tratou-me como se eu fosse
uma leprosa, nem aceitou apertar a mão que estendi. Claire, nunca senti-me tão humilhada!
-Caramba! E aí, o que você fez?
-Nada, que podia fazer? Saí dali logo quue pude, vim para casa arrasada. Mas ela
fez pior. Ela fez o marido despedir-me. Quando voltei a trabalhar, Sawer
chamou-me em sua sala e disse que ele não precisava mais dos meus serviços!
Assim sem mais nem menos um pé no traseiro!
-Oh, Deus! Ela contou >à ele a história da noite do
estupro incriminando você?
-Não, ela inventou outra história. Mas oo efeito foi o mesmo, perdi meu emprego.
Eu fiquei furiosa, Claire. Tive uma briga com Sawer e o esbofeteei. E saí dali
jurando vingar-me de Lauren.
Claire a fitou com os olhos arregalados.
-Você chegou a fazer essa vingança?
-Sim... e o instrumento de de minha vinggança...foi a
filha dela - Disse Bianca, envergonhada e com remorso.
Os olhos de Claire se arregalaram.
-Oh, não! Não me diga que você seduziu uuma menor de idade!Pensei que ela era
mais velha!Mais ou menos com uns vinte anos!
Bianca ergueu os olhos, encarando a amiga.
-Ei, não sou louca! Ela é bem jovem,
-Quase uma adolescente! Bianca, enlouqueeceu?
-Ei, hoje em dia a maioria das garotas nnessa idade sabem até mais de sexo que
uma mulher de quarenta!-Protestou Bianca.
-E a filha de Lauren era como uma dessass garotas?
Bianca desviou o olhar, envergonhada.
-Não...era foi criada por Lauren em uma redoma de superproteção, que fez
Roberta ficar fora do seu tempo. Uma garota extremamente ingênua e sem defesas
contra as armadilhas da vida.
-Por Deus! E você mesmo assim levou à frrente sua vingança?!
Sem levantar os olhos, Bianca confirmou:
-Sim... eu não acreditei logo que ela erra assim, au achei que ela estava
fingindo ingenuidade. E prossegui com meu plano.
-Você já havia planejado tudo quando se aproximou dela?
Bianca assentiu e contou tudo. Desde
quando aproximou-se de Roberta, até quando teve
relações com ela e depois sumiu da vida dela.
Claire a ouviu em silêncio.Só quando acabou, falou o que achava:
-Bianca, não gosto de julgar as pessoas.. Mas nesse caso, sem dúvida você foi a
vilã. A garota não tinha nada a ver com o que a mãe lhe fez!
Bianca finalmente a encarou. Tinha uma
expressão triste.
-Eu sei... eu estava cega pelo desejo dee vingança. E não acreditei na inocência
de Roberta. E a possuí e desvirginei. Mas logo depois eu vi que havia errado em
meu julgamento dela. E arrependi-me, mas já era tarde. O mal estava feito.
-E Lauren? Ela soube do que havia aconteecido?
-Sim. E ela veio procurar-me aqui. Cheiaa de ódio e revolta, com uma arma.
-Com uma arma?! E o que houve?
Bianca contou. O ódio de Lauren ao entrar no apartamento, a luta corporal em
que desarmou a loura, a confissão de Lauren sobre a causa do seu ódio,
revelando o conhecimento delas na adolescência e a noite em que foi estuprada.
-Aí então, eu entendi o ódio de Lauren ppor mim. Ela pensava que eu era a
idealizadora e participante de seu estupro. E então, eu pude esclarecer tudo e
ela descobriu que eu não tinha nenhuma culpa.Ah, Claire... eu vi ali diante de
mim uma mulher que havia sofrido muito, uma guerreira que lutou contra as
adversidades para criar sua filha e se sustentar, e comecei a admirá-la... e me
apaixonar. Ela foi embora, mas voltou quando soube que Roberta procurou-me
novamente. Eu esclareci que não tinha mais nada com Roberta, nem queria ter. E
acabamos nos beijando.
-Oh! Que romântico! Mas como Roberta ficcou, quando soube que vocês estavam
juntas?
-Ela ainda não sabe. E estou com medo daa reação dela quando souber.
Claire respirou fundo.
-Não queria estar em sua pele, minha amiiga. Quando Roberta souber de vocês, a
reação dela vai ser violenta.
-Eu sei. Mas eu amo, Lauren, Claire. Elaa é a mulher de minha vida. Eu passo por
qualquer coisa para ter ela para mim.
-Oh! Queria amar alguém assim, como vocêê ama Lauren! Mas nunca tive essa sorte.
-Por que não, Claire?
-Eu já tive inúmeras mulheres, Bianca. MMas nunca nenhuma me prendeu. Só conheci
mulheres que querem uma noite se sexo louco, e nada mais. Acho que só conheci
mulheres desse tipo porque todas eu conheci em viagens
minhas, sem estar fixa em uma cidade. Eu à noite ia para bares gays e arranjava
essas mulheres lá.
-Ah, está explicado! Claire, como pode eencontrar alguém para um relacionamento
sério, pegando mulheres em bares, quando viajava? Tem que fixar-se
em um lugar e fazer conhecimentos duradouros.
-Eu sei. é por isso que aceitei a mudançça de cargo e cidade. Agora, não vou
mais viajar em stafs de embaixadores. Vou ter uma função fixa em New York,
apenas recebendo visitantes diplomáticos de outros países, para servir como
tradutora. Agora, vou morar em um lugar fixo e poder desenvolver uma vida
normal. E espero que você ajude-me a conhecer pessoas, fazer amizades.
-Bem, não tenho muitas amizades, mas vouu fazer o que posso - Sorriu Bianca.
-Sendo sua amiga e de Lauren, já vou senntir-me feliz, Bianca.
-Conte com isso, Claire.
Lauren chegou ao hospital e se dirigiu para o
quarto de Roberta. Entrou e logo viu a enfermeira desligando o soro do braço da
filha, que parecia ainda adormecida.
A enfermeira a olhou chegar e sorriu.
-É a mãe da mocinha, não?
-Sim, como ela está?
-O médico deu alta para ela, madame. Podderá levá-la assim que ela acordar.
Lauren a fitou surpresa.
-Ela já foi liberada? Então, já está bemm?
-Vou avisar ao doutor Dassin que madame chegou, ele virá aqui.
Ela saiu e Lauren se aproximou da cama, alisando os cabelos da filha. As
pálpebras de Roberta tremeram e ela abriu os olhos, olhando-a confusa.
-Mamãe? Está aqui mesmo...ou estou sonhaando? - Perguntou, com voz trêmula.
Lauren se debruçou e beijou a filha na testa. Afastou-se depois, fitando-a
ternamente.
-Estou, minha filha. Vim buscá-la.
Roberta
a fitou com os olhos se enchendo de lágrimas.
-Mãe...perdoe-me, pelo que fiz...
-Eu não vim aqui para acusar você de nadda, filha. Só quero entender o que a
levou a fazer isso contra sua vida. Nada merece que você tire sua vida,
Roberta.
-Eu estava muito triste, mãe... estava aachando que eu não consigo ter alguém
para amar...
-Roberta, você apenas escolheu para amarr as pessoas erradas. Você ainda vai
encontrar quem a ame e a valorize. Você tem tanto tempo para isso! Apenas
começou a viver.
-Será, mãe? Será que terei essa felicidade um dia? Eu mesma
me pergunto: O que eu tenho, que não consigo que ninguém goste de mim?!
Primeiro, foi Bianca, que só quis usar-me...agora, foi Martine! -Disse Roberta,
com voz revoltada.
-Por que tentou suicidar-se, Roberta? A psicóloga e Ana Barton disseram-me que
foi porque você foi proibida de continuar a ver essa dançarina. Mas quero saber
de você.
Roberta baixou os olhos.
-Eu menti para elas. Fiquei com vergonhaa de dizer a verdade, que Martine não me
quis. Eu tentei matar-me porque me acho uma pessoa que não consegue ser amada
por ninguém. Eu sou uma nulidade, uma merda!
-Roberta! Você é uma moça linda! Uma moça sensível,
inteligente, encantadora! Apenas não encontrou a pessoa certa! O que
essa dançarina disse à você, que a deixou tão
insegura? Eu vou procurá-la e...
Roberta ergueu o rosto, fitando-a com reprovação.
-Não quero que a procure! Para quê? Nenhhuma ameaça vai fazer ela amar-me!
Simplesmente ela não me ama! Quando Madame Barton disse que não iria deixar-me
mais sair sozinha, eu liguei para ela e disse o que havia acontecido, que eu
estava desesperada em não poder vê-la mais, e sabe o que ela disse? Que era
problema meu, que não tinha nada sério comigo! Que eu procurasse outra para
fazer sexo, porque ela não ia ficar com uma garota boba como eu!
As últimas palavras Roberta disse chorando. Lauren a
abraçou, falando ternamente:
-Esqueça essa mulher, Roberta. Ela não mmerece uma lágrima sequer sua. Você vai
encontrar quem a ame muito, você vai ver.
Roberta abraçou a mãe como se fosse uma tábua de salvação.
-Eu quero ir para bem longe daqui, mãe! Quero voltar para o meu país!
-Eu vim para buscá-la, Roberta. Fique trranquila, hoje mesmo vou comprar as
passagens de volta.
Depois de Roberta sair do hospital, Lauren a levou para o
hotel, onde Ana Barton as esperava. Quando Roberta a viu começou a chorar. E
Ana Barton a fitou suplicante, dizendo:
-Perdoe-me, Roberta, eu não queria que vvocê sofresse!... Eu pensei que a estava
protegendo, afastando-a daquela dançarina!
Roberta a fitou com tristeza e aproximou-se, abraçando a mulher.
-Eu sei, Madame Barton... não estou com raiva de você. Na verdade, você estava
certa... Martine não presta!Eu não tentei suicidar-me pelo que você disse-me,
mas sim por causa de Martine,que usou-me e descartou!
Elas choraram abraçadas. Quando se acalmaram, Roberta foi tomar um banho,
ajudada por Lauren, já que não podia molhar as bandagens dos pulsos. Quando ela
acabou, Roberta vestiu uma camisola, comeu uma refeição leve e foi deitar,
adormecendo logo. O médico havia previsto isso. Durante uns dias, Roberta iria
dormir muito, pois o corpo estava renovando as plaquetas do sangue e se
fortificando.
Lauren então pediu à madame Barton para ficar com Roberta até ela voltar. Ela
precisava sair para tratar de um negócio e dentro de duas horas estaria de
volta. Madame Barton concordou e ela saiu.
-Agora nós, Martine... - sussurrou ela, apertando na mão o endereço da
dançarina, que copiou da agenda de Roberta.
O taxi conduziu Lauren à Rive
Gouache, ao sul do rio Seine, uma região frequentada por estudantes,
intelectuais e artistas, perto do Boulevard Saint Michel. O endereço de Martine
era um edifício antigo, mas elegante, de cinco andares.
Ela pagou e desceu do carro, vendo que o edifício não tinha porteiro. Viu o
porteiro eletrônico e apertou o número cinco, o número do apartamento de
Martine.
Logo depois uma voz de homem atendeu:
-Alô. Quem é?
-Quero falar com Martine.
-Mademoiselle, o nome, s'il vous plait?<
-Sou Lauren, a mãe de Roberta.
-Um momento, madame.
Lauren esperou uns minutos até ouvir uma voz de mulher com evidente nervosismo:
-O que deseja comigo, madame?
-Você é Martine?
-Oui. O que deseja?
-Conversar com você.
-Não tenho nada a falar com você, madamee.
-Bem, o que prefere? Conversar comigo aggora, ou eu ir fazer um escândalo no seu
show?
Depois de momentos em silêncio, Lauren ouviu a resposta:
-Pode subir.
E a porta automática abriu, para ela entrar no edifício.
Lauren subiu no elevador com os nervos tensos. Sabia que iria passar por
momentos difíceis com a daçarina. Mas não abria mão de falar umas verdades à
mulher que havia feito sua filha cometer um desatino.
O elevador parou e Lauren desceu no andar. Ela observou que os apartamentos
eram um por andar, e ela se viu no hall de entrada luxuoso. Um homem veio
recebê-la com um um rosto inexpressivo, dizendo e fazendo um gesto indicando a
entrada para uma sala:
-Acompanhe-me, madame.
Ela acompanhou o homem, que devia ser o mordomo. Ele a conduziu à uma sala de estar luxuosa, decorada com móveis estilo Luiz
XV e peças de arte . Em um sofá de veludo negro, uma mulher e um homem louro se
sentavam. Ela com um robe de seda negra, ele de robe azul escuro.
Lauren parou indecisa e a mulher sorriu, erguendo-se .
-Aproxime-se, Lauren. Espero que não reppare nos nossos
trajes, acabamos de acordar.
Lauren aproximou-se escondendo seu embaraço e fitou a mulher avaliadoramente.
Uma mulher atraente, mas sem classe. Tinha um sorriso vulgar e um olhar
abertamente avaliador em seu rosto e corpo.
-Então, é a mãe de Roberta, não? Sou Marrtine e esse é Patrick. A que devo sua
visita?
-Podemos conversar à/span> sós? - Perguntou Lauren,
friamente.
Martine olhou para o louro, que fitava Lauren com um sorriso
malicioso, os olhos percorrendo seu corpo.
-Deixe-nos a sós, Patrick.
-Tem certeza, Martine? - Perguntou ele.<
-Sim. Pode ir.
-Se precisar de mim, grite! - Disse ele,, se afastando e saindo por uma porta.
Martine olhou para Lauren, acendendo um cigarro e dando uma
tragada.
-Bem, o que quer comigo?
Lauren a fitou com os olhos frios como gelo.
-Roberta tentou suicídio cortando os pullsos, há dois dias -Jogou, em tom
acusador - E sabe quem a motivou a fazer isso? Você!
A notícia, se afetou Martine, ela disfarçou bem. Ela apenas ergueu as
sobrancelhas e encarou Lauren em silêncio.
Os olhos de Lauren se estreitaram e faiscaram, se enchendo de ira.
-Não tem nada a dizer?! Está acostumada a fazer mocinhas ingênuas cometerem
essa loucura por você?
Martine desviou o olhar, falando com voz baixa:
-Eu lamento. Mas não sou responsável pello ato de sua filha.
Lauren deu um passo para ela, olhando-a bem próxima, com raiva luzindo nos
olhos.
-Quer se eximir da culpa? Ela fez isso ppor sua causa! Você a usou e a
descartou! Minha filha está sofrendo, está arrasada!
Martine a encarou com indiferença.
-O que quer que eu faça? Não sou um homeem para casar com ela!
Lauren não se controlou mais. Ergueu a mão e esbofeteou a
mulher duas vezes, fazendo-a cair no sofá. Ela a fitou tonta e suspresa, sem
ação. Lauren colocou o dedo índice diante do rosto dela, dizendo entre dentes:
-Ouça, sua vadia! Você fez muito mal parra minha filha! E se não se importa com
o que aconteceu com ela, você merece uma boa surra e muito mais! Só não
prossigo porque não quero estragar minha vida acabando com uma merda como você!
Martine ergueu o rosto e a fitou nos olhos. Ela chorava!
-Eu não quis Roberta para o bem dela! - Disse Martine, com os olhos faiscantes
de lágrimas e indignação, entredentes - Se eu prosseguisse com ela, Roberta
iria se degradar, como eu!
Lauren a fitou confusa.
-O que está dizendo?! Que quer dizer comm isso?
-Sim, foi o melhor que fiz para ela, reppudiar o amor que ofereceu-me!
Roberta despertou em mim um sentimento que eu não tinha mais por ninguém:
compaixão!Nela, eu me vi quando tinha dezoito anos!Eu era assim como ela, ingênua, amorosa, cheia de sonhos! Eu fui usada e
iludida por uma mulher mais velha, quando tinha a idade dela. Essa mulher
desvirginou-me, me fez fugir com ela para Madri, onde descobri que era cafetina
de um bordel! E ela colocou-me para trabalhar como puta, até que fugi dali com
um homem apaixonado por mim. E com ele, aprendi a dança flamenga e me tornei
dançarina.
Lauren a fitou ainda sem entender.
-O que Roberta tem a ver com isso que paassou?
-Tudo!A vida fez-me transformar e endureecer, Lauren!Eu fui usada também,
aprendi que nada é de graça, é tudo uma troca. E passei de mão em mão, sofri
muito, até criar minha couraça de proteção. E quando vi Roberta, eu percebi que
ali estava uma mocinha ingênua como eu, sem couraça, vulnerável às ciladas da
vida. Não podia protegê-la muito, o que pude fazer foi resguardá-la de
participar de uma orgia com Patrick e seu amigo Antoine também, que havia nos
assegurado que sua amiga havia concordado com a orgia à
quatro.
-Orgia essa que você estava acostumada aa fazer, pelo que percebi! - Acusou
Lauren - E ia usar Roberta!Não se faça de santa!
Martine a encarou com olhar magoado.
-Não escondo o que sou. Patrick oficialmmente é meu empresário, mas ele não
precisa ganhar dinheiro comigo. Ele é de uma família de milionários ingleses.
Ele quem realmente me sustenta. Patrick e eu temos um relacionamento aberto.
Nós ambos somos bissexuais e gostamos de sexo a quatro.Nos damos bem assim. E
disse isso para Roberta, quando tivemos uma noite de amor. Ela concordou em participar
do esquema, para continuar comigo. Eu recusei. E recusei porque não acho que
seria uma boa parceira para ela. Roberta ainda não chegou ao meu estágio de
desengano do ser humano, ela ainda pode amar e ser
amada.
Lauren entendeu. Martine era uma mulher que a vida havia endurecido devido à muitas decepções. Suas histórias eram quase iguais, mas
Martine já não conseguia amar mais ninguém, e ela havia tido a sorte de
reencontrar Bianca. Olhou-a agora sem desprezo ou acusação.
-Entendo. Bem, Martine...o mal já está ffeito. Mas minha filha vai voltar para
seu país e vai esquecer tudo isso. Adeus.
-Diga... diga à Roberta que desejo que eela seja feliz, que encontre quem a ame
como merece.
-Direi. Adeus.
E ela saiu dali com um grande alívio de não ter se tornado uma mulher como
Martine, mesmo tendo um passado semelhante. Bianca havia resgatado seu coração.
Lauren voltou para o hotel e encontrou Roberta sentada no
sofá da sala, vendo um jogo de voley feminino na tv, juntamente com Ana Barton.
Ela sorriu, vendo que sua filha já estava se interessando pelas coisas da vida.
Era surpreendente a força de Roberta para superar seus desenganos. Ela havia
fraquejado em um momento, tentando se matar, mas a sua volta por cima era
rápida.
Ela a fitou com curiosidade.
-Onde foi, mãe?
-Dar uma volta, como disse à Ana -
Respondeu Lauren, achando melhor não contar a visita
que fizera à Martine.
-Agora que chegou, vou embora, Lauren -
Disse Ana Barton, se erguendo - Deixei a casa nas mãos de Nicole, mas ela não
sabe administrar tudo sem uma orientação.
Lauren abraçou a amiga, se despedindo.
Ela se despediu também de Roberta e se foi.
Lauren sentou no sofá, fitando a filha.
-Já almoçou, filha?
-Não, mas Ana obrigou-me a tomar um
desjejum reforçado.
-Ela é uma pessoa maravilhosa. E quer
muito bem à você.
-Eu sei. Mãe... estava pensando...tem
tido notícias de Bianca?
Lauren enrubesceu e desviou o olhar da
filha, sentindo-se como uma criminosa escondendo o crime.
-Não... desde que ela saiu da firma,
não sei notícias dela...
O olhar de Roberta ficou triste.
-Outra que usou-me
e esqueceu-me... fui apenas um objeto nas mãos dela.
Lauren a fitou hesitante.Devia deixar
Roberta pensar tão mal de Bianca? Não queria que ela a odiasse.Resolveu contar
uma meia verdade:
-Ela...ligou-me uma vez, perguntando
por você. Para saber se estava bem.
Roberta a fitou surpresa e vivamente
interessada.
-Verdade? Quando? O
que ela disse?
Lauren arrependeu-se do comentário, vendo o interesse de
Roberta. Ela estava se enchendo de esperanças! Pensara que a notícia iria
apenas confortar Roberta, mas ela estava demonstrando que ainda não havia
esquecido de Bianca!
-Uns dias atrás...ela perguntou como voccê estava...se estava
indo bem . Respondi que sim. Ela disse-me que tem um carinho muito grande por
você, por saber que é uma boa menina, e desligou.
-Só isso? - Perguntou Roberta, com voz ddecepcionada.
-Só. O que queria mais, Roberta? Ela já deve estar com alguém. Deve ter ligado
porque arrependeu-se do que lhe fez.
-É, Bianca é uma mulher muito linda e ennvolvente, para ficar sozinha...deve ter
facilidade para arranjar mulheres que caiam em sua conversa, como eu...
Lauren sentiu o ciúme dominá-la. Será? Será que Bianca poderia estar naquele
momento com outra? Ah, não! Ela a amava! Bianca não iria traí-la com outra!
Dominou os perturbadores pensamentos. Olhou para a
filha e pensou que tinha de deixar de pensar em Bianca agora e cuidar de
Roberta, que precisava de seu apoio. Inclinou-se e a beijou no rosto
carinhosamente.
-Esqueça essa mulher, Roberta. Pense em você, no seu futuro. Você vai voltar
para sua casa e ter uma nova vida. Prometo que não vou mais ficar vigiando seus
passos, poderá sair com suas amigas, dirigir seu carro. Eu reconheço que estava
errada. Eu a criei de um jeito que a tornou despreparada para a vida, mas está
em tempo corrigir isso.
Roberta a fitou surpresa e sentindo um raio de alegria inundar seu coração.
-Oh, mamãe! Está falando sério?
-Sim. Você vai ter sua liberdade, finalmmente.
Roberta se jogou em seus braços, abraçando-a, sorridente.
-Oh, mamãe! Que bom! Obrigada, obrigada!!
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