MINHA QUERIDA INIMIGA

 

PARTE 2

 

 

 

 

 

Bianca passou a noite olhando frequentemente para a porta de entrada da casa, mas Barbie não apareceu. No final da noite, desistiu de olhar. Ela não viria tão tarde. Devia ter tido algum impedimento. No dia seguinte iria falar com ela na lanchonete e perguntar porque não havia vindo à festa.


Já Louise, Link e Bob estavam eufóricos. Dançaram, beberam cerveja, martini e uísque, junto com a turma. O pai de Bianca havia viajado para Las Vegas e como sempre nessas ocasiões, ela aproveitava para fazer suas festinhas malucas com sua turma. Bianca procurou afogar sua decepção dançando e bebendo, como todos.


Já passava das duas da madrugada quando os últimos convidados saíram da festa. Bianca disse para Louise ir embora, pois estava com dor de cabeça e não queria dormir com ninguém. Louise a fitou com um sorriso maldoso.


-Tudo bem, vá dormir e eu vou embora parra casa. Link e Bob vão levar-me.


-ok, até amanhã, Louise.


Link sorriu, louco para sair com Louise. Mas para Bianca, falou como se estivesse com as melhores intenções:


-Pode deixar, Bianca, vou levar sua garoota direto para a casa dela. Bob também vai com a gente.


-Ótimo, um faz companhia ao outro. Boa nnoite, agora vou tomar um banho e cair na cama.

 

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Link dirigia em alta velocidade, apostando corrida com seu amigo Tab, como sempre faziam. Ao seu lado Louise, no banco de trás, Bob. Eles haviam roubado da festa uma garrafa de uísque e passavam de mão em mão, bebendo o fino uísque Glenlivet.


O Porsche vermelho ultrapassou o seu carro na reta.


-Link! - Gritou Louise, excitada- Vai deeixar esse idiota ganhar de você?


-Calma, baby!- Disse ele, pisando fundo no acelerador - Vou pegar Tab na próxima curva! Ele vai ter que reduzir e eu o ultrapasso!


-Isso, mostre que é machão! Eu só gosto de vencedores, Link! Se perder, não vou trepar com você hoje!


-Deixa comigo, Baby!


O Porsche negro deu um salto para a frente, quando Link pisou mais fundo no acelerador.

Olhou para o velocímetro. Duzentas milhas! O carro estava quase no limite de sua velocidade!


A curva chegou.Link deu um leve toque no freio, manobrou o volante rapidamente e seu carro passou à centímetros do outro, ultrapassando-o e o fechando. O Porsche vermelho embicou para o lado e atolou no barro, saindo bo asfalto.


Link riu, olhando pelo espelho retrovisor do carro.


-Ele se ferrou, Louise! - Gritou ele, riindo.


Louise gritou. Ele olhou para a frente e seus olhos se arregalaram. A última coisa que viu em sua vida foi o caminhão na frente, vindo em sentido contrário. O carro bateu de frente no caminhão, produzindo um fragor de lataria se estraçalhando. Em seguida, uma explosão.
Assim terminou a agitada noite de loucuras de Link, Louise e Bob.

 

 

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A notícia do acidente espalhou-se pela cidade logo ao amanhecer, pela rádio local. Os três jovens eram filhos de pessoas ilustres e todos os conheciam. Nas ruas se formaram grupos de pessoas comentando o acontecimento. Não se falava em outra coisa.


Bianca acordou com batidas na porta de seu quarto e levantou intrigada. Quem estava querendo acordá-la tão cedo, sabendo que ela havia ido dormir tarde?


Abriu a porta e topou com a governanta, esbaforida.


-O que houve? - Perguntou, assustada.


-Bianca! É uma notícia muito triste que tenho que dar à você!


Bianca empalideceu.


-O que foi? Aconteceu algo com meu pai?<


-Não! Foi com seus amigos Louisie, Link e Bob!


-O que houve com eles? Fale logo!


-Eles morreram durante essa madrugada!


-O quê?! Está louca? Eles estavam aqui eem casa, foram os últimos a sair!


-Bianca, eles sofreram um acidente de caarro quando iam para casa! A rádio está noticiando, agora também a tv, todo mundo está comentando!


Desesperada, Bianca foi correndo ligar a tv local. E se deparou com as imagens do acidente. Os corpos já haviam sido removidos, mas os destroços dos dois veículos ainda estavam na estrada. Do carro só sobrara metais retorcidos. Do caminhão, a cabine estava toda amassada, mas a carroceria intacta.

 

O repórter falava, ao lado do acidente:


-O motorista do caminhão está no hospitaal com ferimentos, mas sem gravidade. Mas os jovens Link Damon, Louise Math e Bob Weber  não tiveram a mesma sorte. Eles morreram instantâneamente com o choque e a explosão do carro. A cidade está traumatizada com o trágico acontecimento, todos filhos de cidadãos ilustres e conhecidos por todos.


-Oh, meu Deus! -Gemeu Bianca, chocada - Não posso acreditar! Eles estavam aqui ontem tão alegres! A culpa é minha! Eu mandei Louise ir embora! Se a tivesse retido aqui, talvez nada disso teria acontecido!


A empregada a abraçou, comovida.


-Você não tem culpa nenhuma, Bianca! Ninnguém foge ao seu destino! Tinha que ser!


-Não, eu sou a culpada! Eu devia ter inssistido para eles ficarem aqui!


Bianca se desesperava cada vez mais. Não amava Louise, mas ela era uma pessoa importante em sua vida. A conhecia há vários anos e tivera com ela uma relação íntima.
Felizmente o pai de Bianca chegou e vendo como estava, chamou um médico que aplicou nela um calmante, que a fez adormecer.

 

 

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Lauren soube da notícia quando chegou no trabalho, no dia seguinte.

 

Havia chegado em casa silenciosamente, e dera graças a Deus por todos estarem dormindo. Foi direto para o banheiro e tirou as roupas com nojo. Tomou um banho de chuveiro esfregando o corpo energicamente com uma esponja, como se pudesse retirar toda a sujeira que Link e Bob haviam derramado nela. Depois enxugou-se, vestiu seu velho roupão de banho e embrullhou suas roupas e as jogou no saco de lixo. A blusa estava rasgada e a saia com manchas de sangue. Mesmo que estivessem perfeitas, jamais as usaria de novo. Elas seriam uma lembrança daquele dia trágico para ela.

Felizmente seu rosto não havia sofrido violência e não mostrava o que havia passado. Mas suas coxas e seios estavam com marcas roxas da violência a que fôra submetida e sua vagina doía. Nunca mais iria esquecer aquela noite. E o ódio que sentia só seria aplacado com uma vingança.Mesmo assim, foi trabalhar. Não podia deixar seu pai saber o que havia acontecido. Ele a expulsaria de casa.


No trabalho viu pessoas em grupos conversando com ar consternado. Passou indiferente, até ouvir alguém dizer:


-Pobre Link! Um rapaz tão novo, com um ffuturo brilhante, acabar assim!


Ela parou imediatamente e perguntou para James, o cozinheiro da lanchonete:


-O que houve com Link?

 

Ele a fitou admirado.


-Ainda não sabe?! Toda a cidade está commentando!


-Comentando o quê?

>


-Link Damon, Louise Math e Bob Weber falleceram nessa madrugada em um desastre de carro. Ele bateu de frente em um caminhão e o carro explodiu. Todos três morreram na hora. Eles tinham saído de uma festa na casa de Bianca Lancini.


Lauren ouviu em silêncio e se afastou. Então, eles haviam ido para a festa, depois de a abandonarem no bosque. E depois da festa, Link e Bob haviam dado uma carona à Louise. Por que o acidente não havia acontecido antes, quando eles estavam com Bianca no carro? Assim, a justiça divina teria sido completa! Se bem que Louise também não era nenhuma santa! Ela podia muito bem ter participado do plano sórdido, havia percebido a raiva dela por Bianca estar conversando consigo. Ela podia ter pedido à Bianca que desse uma prova que não estava interessada nela, e Bianca a atendera. Tudo era possível.

 

 Bem, de qualquer jeito, com a morte dos três, o mundo não perdera grande coisa. Agora, sua vingança iria se concentrar em Bianca. Link e Bob já haviam tido o castigo merecido! Bem feito! Agora, restava Bianca pagar pelo que havia feito à ela. Mesmo que demorasse anos, ela iria se vingar, viveria para isso. Porque o dano de Bianca sobre ela fôra o maior: Bianca havia feito ela desacreditar do amor, tornara-a uma pessoa infeliz, seu coração agora era amargo e cheio de ódio.

 

 

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NEW YORK, DIAS ATUAIS

 


Lauren sorriu com orgulho, quando sua filha executou uma pirouette perfeita, emendando com um chassè e terminando com um arabesque, se imobilizando numa pose diáfana, com uma perna esticada para trás bem alta, acompanhando a linha das costas, com o tronco inclinado para a frente.


As luzes dos spots iluminavam o palco feéricamente e Roberta estava na primeira fileira das dançarinas. Não era a dançarina principal, mas para Lauren era a melhor, a mais bela, a mais talentosa.


Olhou-a com orgulho e admiração. Roberta estava linda com o tutu branco, com um sorriso extasiado ante os aplausos entusiásticos. A cortina foi baixada, isolando-a do público.


Era uma apresentação da escola de dança que Roberta estudava, em benefício à uma obra assistencial. Não era uma apresentação profissional, e nem queria que fosse, porque achava que a vida de uma bailarina não servia para sua filha. Ela devia era casar-se com um homem rico, que lhe desse uma boa vida, isso que seria o futuro certo para ela. A vida de uma bailarina era dura, mas deixara Roberta por enquanto se dedicar ao seu desejo de aprender balet. Era bom para a postura, dava leveza aos movimentos, ela aprendia a gostar de música erudita.Uma cultura mais elaborada, preparando-a para um futuro brilhante. Roberta tinha que ser feliz!

 

Lauren levantou da cadeira e se dirigiu para os bastidores do espetáculo.Ainda faltava se apresentar outra escola, com dança folclórica, mas Lauren não queria ver.


Um segurança a interceptou, fitando-a inquisitivo.


-Vim buscar minha filha, que acabou de sse apresentar - Explicou ela.


-Quem é ela? - Perguntou ele, pegando umma lista do bolso.


-Roberta Rezzini.


Ele percorreu a lista com o dedo.


-Ah, aqui está. Pode passar.<


Ela passou por ele e chegou até a porta do camarim das bailarinas. Uma amiga de Roberta a viu e chamou a garota, que já havia trocado de roupa, mas ainda estava com a pesada maquiagem de palco. Era da mesma altura de Lauren, com os mesmos cabelos louros, mas os olhos eram azuis e o rosto de uma garota que mal havia saído da adolescência, ainda com traços bem juvenis. E o corpo tinha aquela fragilidade de uma bailarina, esguio e branco, ao contrário da mãe, que possuía um corpo mais forte, com pernas esculpidas e fortes, barriga com músculos definidos e braços com uma musculatura da malhação na academia de ginástica.


Os olhos azuis olharam para Lauren com decepção.


-Já veio buscar-me? - Perguntou.


-Sim, o carro já está na porta dos fundoos, nos esperando.

 

-Ah, mãe... as meninas depois vão sair para uma festinha na casa de uma delas... eu queria ir.


-Não, sabe que não gosto que vá a festa nehuma sem minha companhia, e estou cansada, hoje o dia foi muito corrido. E você cansou o corpo dançando, agora precisa de repouso.


Os lábios polpudos e vermelhos de Roberta fizeram beicinho.


-O, mamãe! Quando vai deixar-me divertirr como as outras moças de minha idade? Trata-me como se eu fosse uma criança! Acabei de fazer dezoito anos o mês passado!


Lauren sorriu, fitando-a afetuosamente.


-Para mim, será sempre minha garotinha.


-Mas não sou mais! Sou uma mulher!<


-Mulher! - Repetiu Lauren, com ironia - Falta muito para você ser uma mulher feita, Roberta! Mas vá acabar de trocar-se . Estou esperando-a aqui, não me faça esperar muito.


Roberta fez um ar amuado e tornou a entrar no camarim. Lauren suspirou e ficou aguardando, pensativa.


Roberta podia se aborrecer, mas não cometeria o mesmo erro que ela mesma havia cometido. Nada de sua filha ir à festas sem sua companhia. O que havia acontecido com ela jamais poderia acontecer com Roberta.

 

Lembrou de Bianca Lancini. Ela havia perdido o emprego.Mas fôra pouco, em vista do que ela lhe havia feito! Ela merecia um castigo maior!


O ódio que sentia nublou seus olhos de lágrimas. Os anos haviam passado, mas ela jamais esqueceria aquela decepção e mágoa! Bianca Lancini. Um nome como que impresso à fogo em sua mente. Levara anos para encontrá-la, mas finalmente um detetive particular a havia encontrado. E então havia planejado cada passo para tê-la nas mãos. Não havia sido por acaso que casara com o patrão dela. Era tudo parte de uma vingança. Mas queria mais! Vê-la sem nada, implorando piedade!


Roberta chegou, interrompendo seus pensamentos. Olhou-a com ar emburrado, os louros cabelos agora soltos nos ombros, o rosto sem a pesada maquilagem mostrando uma jovem linda, de rosto angelical, corpo esguio em calça comprida negra, top lilaz e jaqueta de couro também negra.


-Não fique zangada - disse Lauren, peganndo-a pela mão e se dirigindo para o Mercedes branco nos fundos do teatro - Faço isso para o seu bem.


Roberta a fitou com os belos olhos sombrios de tristeza.


-Mãe, todas as minhas colegas vão à festtinha, e todas elas dançaram como eu! Por que a mãe delas deixou, e você não?


-Talvez porque as mães delas não as amemm como eu amo você, Roberta. Elas não cuidam bem de suas filhas.


-Ah, eu penso às vezes que seu amor por mim me sufoca e me impede de viver!

 

Lauren a fitou magoada. Nunca dissera à filha o que lhe havia acontecido anos atrás. Não queria que Roberta soubesse que era fruto de um estupro.


-Roberta...meu zelo por você a incomoda??


Roberta a fitou nos olhos. Sacudiu a cabeça negativamente, parecendo conformada.


-Não, mãe...mas queria ser um pouco maiss livre, como as outras garotas.


Chegaram ao carro e o motorista abriu a porta para elas. Entraram e logo depois o carro deu partida. Lauren olhou para a filha, sentada ao seu lado no banco de trás.


-Você se queixa sem razão, Roberta. Não a deixei namorar o seu colega de classe, não a deixo ir ao cinema com Bruna e Kamylla? Elas são excelentes moças, então não tem problema...


-Ah, mas só namorei Rick porque você o aaprovou, mas mesmo assim, criou tanta dificuldade para eu sair com ele, que Rick desistiu... e minhas amigas foram escolhidas por você. Só deixou eu aprender balé porque é bom para meu corpo e chique. Mas a moto que eu queria, não deu-me. Nem o carro que quero.


-Mas temos o Mercedes! James leva você oonde quiser!


-É isso! ELE me leva, mas eu não dirijo ! É diferente, mãe! Gostaria de sair sem destino, ir a um lugar sem um motorista me esperando!


-Calma, filha... vou pensar sobre isso.<


Roberta a fitou cheia de esperança, sua face abriu em um sorriso.


-Vai mesmo? Vai comprar o carro que querro?


-O Bugatti vermelho? Vou pensar...Amanhãã lhe direi.


Roberta beijou-a impulsivamente no rosto, feliz.


-Oh, mamy! Vou esperar ansiosa!


Lauren sorriu, satisfeita.

 

Roberta mergulhou em seus sonhos de moça.


Ah! Queria ter seu carro, sua vida mais livre! Sair sem destino, passear por lugares que nunca tinha ido, frequentar os lugares que os jovens iam, fazer mais amigas, namorar quem quisesse! Com um carro, teria mais liberdade. Não teria sempre aquele motorista chato a esperando na saída da universidade, nem levando-a a lugares para depois contar à sua mãe com quem conversara, quanto tempo havia demorado. Os rapazes que sua mãe aprovava para namorados dela eram rapazinhos bobos, e cheios de idéias arrogantes. Não o tipo que queria namorar. Queria conhecer rapazes mais experientes e maduros, que soubessem beijar, ou tratar uma moça, não aqueles pirralhos que só falavam em futebol, onde iam passar as férias, ou o carro que tinham.


Ela queria apaixonar-se, conhecer o amor. Um amor que a arrebatasse daquela vidinha controlada e chata.

 

Olhou para a mãe. Ela era linda e tinha agora um marido rico. Havia ficado viúva de seu pai há anos atrás e ficara só, se dedicando apenas à ela, que era bem pequena.

Suspeitava que sua mãe havia se casado com Guilherme Sawer apenas por causa do dinheiro dele. Sua mãe sempre lhe parecera fria, quase assexuada. O único amor que sabia que ela sentia era o amor maternal. Via amor nos olhos de sua mãe quando a fitava. Mas amor por seus maridos, nunca vira nos olhos de sua mãe. Ela não parecia ter paixão por alguém. Talvez ela era racional demais para se entregar à uma paixão.


Não queria ser como ela. Achava essa falta de paixão em sua mãe triste.


Bem, com um carro, sua vida iria mudar. Estava saturada de viver como sua mãe achava que devia.

 

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Bianca estava há várias horas do outro lado da rua, diante do luxuoso edifício situado na Quinta avenida, dentro de seu carro. Sabia que no vigésimo andar morava Guilherme Swer com a mulher e a enteada Roberta Rezzini. Já sabia também que a moça tinha dezoito anos, praticava balé e tinha aulas em uma escola conceituada.


Em dez dias, traçara o seu plano. E iria seguí-lo sem o menor remorso. Já cuidara de tudo. Todos os detalhes. Só faltava fisgar o peixe. E o peixe era Roberta Rezzini.
Sorriu ferozmente quando viu o Mercedes prateado sair pela rampa de acesso à rua. Ligou seu carro e foi atrás.


O Mercedes avançou em direção a Midtown, o centro de New York. Bianca sabia para onde a filha de Lauren ia. Já estava seguindo-a há três dias, estudando a melhor oportunidade de abordá-la. E aprendeu que só teria essa chance se a abordasse dentro da escola de dança, porque não vira Roberta Rezzini uma vez sequer saindo da rotina de ser conduzida à escola e ser apanhada no final da aula. Já a vira de longe três vezes e parecia ser uma bela moça, mas meio parecida com a mãe, o que era um ponto a menos para ela. Odiava tudo que parecesse com Lauren Sawer.


Em quinze minutos, o carro parou diante da escola de dança, Roberta desceu e o carro se afastou lentamente. Bianca prosseguiu até um edifício-garagem, estacionou o carro e voltou para diante da escola, que ficava no primeiro pavimento do edifício. Ela atravessou a rua e entrou no prédio.

 

Roberta caminhou até o vestiário e tirou casaco de lã cinza, expondo o colant negro de balé e as meias-calça brancas que moldavam suas pernas. Sentou no banco e colocou as tornozeleiras de lã e as sapatilhas brancas.


Um clarão a assustou e ergueu o rosto.


Uma mulher alta, vestida com blusão de couro negro até os joelhos, mas aberto deixando mostrar o corpo bem feito coberto por blusa e calça colante de malha negra, acabara de tirar uma foto sua com uma pequena máquina digital. E ela ia tirar outra, mas Roberta estendeu a mão, tentando evitar a foto, aborrecida.


-Ei! Pare! Não quero tirar fotos! - Prottestou.


A mulher baixou a máquina e sorriu. Tinha um sorriso luminoso, de dentes branquíssimos e perfeitos.


-Não gostou? Sinto muito, mas não pude rresistir - Disse , com voz que Roberta achou sexy.


Roberta a fitou curiosa. Era uma mulher linda, alta, cabelos negros e atordoantes olhos azuis, belos e magnéticos. Sua postura imponente dava a idéia que ela era uma mulher cheia de personalidade e auto-confiança.


-Quem é você? E porque tirou uma foto miinha?


A desconhecida aproximou-se calmamente sorrindo. Parou diante dela, numa pose relaxada, com a máquina fotográfica numa mão e a outra na cintura.

 

-Sou Bianca Lancini, fotógrafa profissional. Vi você calçando as sapatilhas e não resisti para tirar uma bela foto. Desculpe se a assustei.


Roberta sorriu, cativada pelo sorriso da bela mulher.


-Está desculpada, mas acho que escolheu a garota errada. Não sou fotogênica e detesto ser fotografada.


-Não concordo. É justamente o tipo que eeu procuro para uma série de fotos que estou fazendo para uma exposição sobre balé.


-Eu? Porque eu? O vestiário está cheio dde garotas mais bonitas que eu.


-Novamente não concordo. É a mais linda de todas.


Roberta enrubesceu. Muitas pessoas já lhe haviam dito que era bonita, mas não com aquele tom caloroso. A estranha a fitava de uma forma que nunca alguém a fitara. Olhou-a, fascinada por aquela mulher misteriosa e bela. Ela era tudo que gostaria de ser: bela, atraente e confiante. Uma mulher experiente, cheia de personalidade, com um ar de quem sabe o que quer e luta por isso. Ela tinha um charme envolvente.


Se fitaram nos olhos em silêncio até Bianca dizer suavemente:


-Não fique encabulada de ser linda. É umma qualidade que deve ser orgulhosa. Ouça, eu vou fotografar o seu ensaio, você me permite? Depois quero conversar com você .


-Conversar comigo? Sobre o quê?


-Depois lhe direi. E então? Posso fotogrrafar?


-Está bem.

 

A aula começou. Roberta via Bianca Lancini lá no canto da sala, manejando a máquina à cada movimento seu.


-Pliè! Gritou a professora.


Roberta estava nervosa. E o motivo era aquela mulher que a fitava de um jeito que a perturbava. E fitava-a também disfarçadamente, contemplando a figura impressionante que ela era. Ela quem deveria ser fotografada! Era linda e sexy, uma mulher de um tipo diferente, não sabia se por causa das roupas ou a atitude dela.


-Chassè! - Gritou sua professora aproximmando-se dela - Olhou-a com ar reprovador.


-É melhor você sair da aula, Roberta! Nãão está prestando atenção e sua tia está perturbando a aula, tirando fotos.


Roberta olhou para Bianca surpresa.


-Minha tia?!


A professora a fitou com surpresa e indignação.


-Ela não é sua tia?! Ela disse-me que tiinha vindo fotografar sua aula, que é irmã de sua mãe e ela pediu para tirar fotos suas para um album. Se é mentira dela, vou chamar a segurança, estranhos não podem entrar aqui.


Roberta encarou a professora com decisão.


-Ela é minha tia, sim. E vou sair, já quue acha que estou perturbando a aula.


Aproximou-se de Bianca e disse rápido:


-Temos que sair. Espere-me na recepção, enquanto pego minhas coisas.


Bianca sorriu.


-Tudo bem.

 

Roberta foi ao vestiário e trocou as sapatilhas pelo tênis, colocou o casaco de lã sobre sua roupa de balé e pegou sua mochila, saindo. Normalmente tomava banho na academia de dança, mas hoje não havia chegado a suar, o que dispensava o banho.


Bianca Lancini a esperava na recepção, em pé de braços cruzados, recostada na parede. Sorriu ao vê-la chegar, se aproximando.


-Pode ir comigo tomar um lanche, enquantto conversamos? Tenho uma proposta para você - Perguntou Bianca.


-Não gosto de lanchonetes - Disse Robertta, saindo com ela - Não como aquelas comidas gordurosas, nem tomo refrigerantes.


Bianca ergueu as sobrancelhas, admirada.


-Uma jovem que não aprecia hamburguer, bbatatas fritas e coca-cola?! Você veio de algum planeta alienígena?


Roberta enrubesceu, mas falou séria:


-Minha mãe criou-me assim, aprendi que eessas coisas não são boas para a saúde.


Começaram a caminhar para a saída. Bianca a fitou com um sorriso irônico.


-Vejo que sua mãe a controla como uma crriancinha. Não pensou ainda em descobrir o que gosta ou não por si própria? Mas podemos ir à uma casa de sucos.


Roberta ficou envergonhada com o comentário dela. Bianca tinha razão, ela agora era uma adulta e sua mãe não podia ficar ditando para ela do que gostar de comer.


-Não, vamos à lanchonete mesmo. Tem razãão. Eu mesma tenho que descobrir o que gosto.Tem um MacDonald no shopping, vamos lá.
-Assim é que se fala!
>

 

Entraram na lanchonete e Bianca foi à caixa, fez os pedidos, pagou e esperou a atendente preparar seus pedidos. Ao seu lado, Roberta a olhava disfarçadamente, admirando a beleza daquela mulher imponente e bela.Ela parecia uma modelo, com sua altura, maçãs do rosto altas, e uma postura perfeita. Ela tinha uma beleza exótica.


A atendente entregou as bandejas e cada uma pegou a sua e foram sentar em um canto.Bianca olhou para Roberta com um sorriso divertido.


-Pronto. Vai provar uma comida não muitoo saudável, mas que faz sucesso entre os jovens, crianças e adultos: Cheeseburguer, batata frita e coca-cola.


Roberta pegou o sanduíche e imitou Bianca, que colocou bastante catchup no dela. Deu uma mordida e sentiu o sabor dessa comida pela primeira vez. Era gostoso!


-Hummmm... -Fez, lambendo os lábios com o catchup.


Bianca sorriu, fitando-a mastigando seu sanduíche. Tomou um gole da coca-cola e falou, depois de engolir:


-E então, gostou?


Roberta tomou um gole da bebida e assentiu.


-Gostei... o sanduíche é gostoso, e a cooca-cola é um pouco ácida, mas gostei...


-Viu, agora você faz realmente parte da nova geração fast food - Riu Bianca.


-Hum. Quantos anos tem, Bianca?


-Tenho trinta e dois anos.

 

-Tem a idade de minha mãe! Que coincidência!


O sorriso de Bianca morreu.


-Sim, mas não tenho mais nada em comum ccom sua mãe!


O tom soou duro e Roaberta a fitou surpresa.


-Conhece minha mãe?


Bianca voltou a sorrir forçadamente, aborrecida com seu deslize. Não podia cometer erros!


-Não, não a conheço.


-Então, como sabe que não tem mais nada em comum com ela?


-Bem...ela deve ser uma pessoa que é bemm conservadora e autoritária, já que você disse que ela a ensinou a não gostar de coisas simples como hamburguer e coca-cola, que toda garota gosta.


-Não disse que ela me controla. Apenas mme referia à comida e bebida.


-O que mostra o quanto ela a domina.


Roberta baixou os olhos, sem agüentar a sustentar aquele olhar inquiridor e magnético. Depois os ergueu e disse com decisão:


-Tem razão... minha mãe me controla muitto.


-E não se sente mal com isso?>


Roberta a fitou pensativa.


-Sinto-me. Mas não sei como reagir à issso.

 

-É porque você está condicionada a obedecê-la. Não quer mudar isso?


Roberta a fitou intrigada. Mal conhecia aquela mulher! Ela havia surgido de repente e misteriosamente em seu caminho, mentira para a professora dizendo ser sua tia, e agora dava palpite em como sua mãe a tratava! Por que admitia isso? Não tinha resposta.


-Fale-me um pouco sobre você, Bianca.


-Já falei. sou fotógrafa.


-Pergunto sobre sua vida pessoal.


-Ah! Quer conhecer-me melhor, não? Ok. SSou solteira, moro em frente ao Central Park, gosto de música, de dançar, de teatro e bons restaurantes. Gosto de Armani e meu perfume predileto é Eternity, de Kalvin Klein.


Roberta riu.


-Falou tudo, menos as coisas importantess!


-Não? Então, o que quer saber? - Pergunttou, sorrindo.


-É casada, tem filhos?
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-Não, sou solteira e desimpedida e não ttenho filhos. Mas agora, quero lhe fazer um convite.


-Qual?


-Quero tirar uma série de fotos suas fazzendo poses de bailarina. É para a exposição que farei.

 

-Mais fotos? E como seria?


-Serão uma continuidade das que tirei naa academia, só que agora em um estúdio, com iluminação apropriada e você pronta como se fosse fazer uma apresentação, maquiada, os cabelos presos, tutu, sapatilhas e tudo mais. Eu pagarei bem sua seção de fotos. Quinhentos dólares por duas horas de trabalho.


-Não sei... acho que minha mãe não vai ppermitir.


-Ela não precisa saber. E as fotos só seerão divulgadas na Itália, onde é a exposição.
Roberta a fitou pensativa. Para uma estranha, ela lhe pedia muito. Fazer algo escondido de sua mãe. Mas a sensação de finalmente fazer algo por sua própria decisão a atiçou. Bianca tinha razão. Sua mãe mandava demais nela, era tempo de mudar isso. E também tinha o ímpar sentimento que não podia negar nada à aquela bela mulher. Mas ainda hesitou. Podia confiar em Bianca?


Bianca pareceu ler seu pensamento:


-Está em dúvida, mal me conhece...eu enttendo, mas assim nunca será uma pessoa independente. Quer continuar até quando sob as asas de sua mãe, sem fazer o que deseja?


Essas palavras a decidiram. Olhou para Bianca sabendo que estava tomando sua primeira decisão importante sozinha.


-Quando quer tirar as fotos?<


Bianca sorriu vitoriosa, um sorriso luminoso que fez seus olhos brilharem.


-Amanhã à tarde. Preciso arrumar a decorração do cenário e um maquiador.

 

 

-Está bem. Direi à minha mãe que vou à aula de música, mas faltarei e virei ao seu encontro. Onde é o estúdio, eu só posso ir às nove da manhã, a hora de minha aula de música.


-É na Park Avenue - Disse Bianca, entreggando à Roberta um cartão com o endereço

 

- Essa hora está ótima. E você não vai se arrepender, será bem paga.


-Não vou por causa do dinheiro - Disse RRoberta, guardando o cartão na mochila - Mas porque quero fazer algo que escolhi fazer.


-Muito bem!Está mostrando que tem personnalidade. Pensei que não tivesse.


Roberta enrubesceu. E se deu conta que era muito importante a opinião de Bianca Lancini. Ela era uma mulher adulta, experiente. E lhe dizia coisas que precisava ouvir.


Acabou de comer o hamburguer, tomou o resto de coca-cola e ergueu-se.


-Tenho que ir. A minha aula de balé já ddeve ter terminado e o motorista deve estar à minha espera.


Bianca ergueu-se também, fitando-a nos olhos.


-Por que não dispensa o motorista?Eu podderia levá-la até sua casa. Meu carro está aí perto.


Roberta a fitou constrangida e enrubescida.


-Eu...não quero que o motorista a veja. Ele conta tudo que faço para minha mãe, é como um cão de guarda!Mas minha mãe só me deixa sair com esse chato!


Bianca ergueu as sobrancelhas, fitando-a com um sorriso.


-Não vai dizer à sua mãe que me conheceuu?


-Não. Ela iria fazer-me um monte de pergguntas e iria insistir para conhecê-la.
Bianca parou um pouco antes da saída e pegou sua mão, olhando-a nos olhos.


-Então vou aguardá-la amanhã. Não falte,, que me decepcionará muito. É melhor nos despedirmos aqui. Até amanhã, Roberta.


Roberta sentiu um arrepio com o toque das mãos de Bianca.Retirou a mão, nervosa.


-Até amanhã, Bianca.


E ela saiu, deixando Bianca a olhando com um olhar estranho. Voltou-se, acenou e foi embora.

 

Roberta foi para casa pensativa, pensando no conhecimento que fizera. Ela era tão misteriosa, tão dominadora, tão...linda! Ela conseguira arrancar de si tudo que queria. Era impressionante como ela a convencera com uma facilidade que ninguém antes conseguira. Não... não eram apenas as palavras...era aquele olhar que magnetizava, dominava suas vontades. Que coisa estranha! Se Bianca fosse um homem, não teria dúvidas de que estava se apaixonando. Mas era uma mulher. Então, por que tinha aquele poder de dominá-la? O que era isso que sentia? Procurou analizar. E a resposta à sua mente confusa foi que estava fascinada pela personalidade e beleza daquela mulher.



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Bianca chegou em casa, pegou uma cerveja na geladeira e foi para o living e sentou na confortável poltrona de couro, olhando para a janela que mostrava um dia com névoa na cidade.


Roberta Rezzini a impressionara pela simplicidade e ingenuidade, além da beleza. Era pouco parecida com a mãe, fisicamente, e na personalidade.Não era nem um pouco esnobe, como pensara. Era sim uma garota meiga e com uma ingenuidade fora do comum, nos dias de hoje. Lauren Sawer devia tê-la criado em uma redoma, sem que soubesse das maldades que o ser humano é capaz. E isso era ruim para a garota, tornara-a vulnerável e despreparada para a vida. Seria justo usá-la para sua vingança?


Ora, não iria voltar atrás de seu plano por causa de um belo palminho de rosto! Ela era filha de Lauren Sawer! Com certeza, com o tempo, ela se tornaria igual à mãe!

 

 

Como ela poderia escapar da influência nefasta de uma mulher com uma personalidade odiosa, como a mãe? Pois mesmo com uma ponta de remorso, iria levar seu plano adiante. O sofrimento de Lauren Sawer compensaria tudo. Queria vingança do que ela lhe fizera e não abriria mão disso.


Já havia alugado o estúdio por uma semana, de um amigo fotógrafo que havia viajado para Londres para uma temporada de dois meses. Aida bem que tinha bons conhecimentos e sabia fotomanejar uma câmera profissional bem, o que aprendera em seu trabalho de fotografar jóias e pedras preciosas. O plano estava indo bem e seria realizado até o fim!


Olhou em volta, a sala luxuosa. Aquilo tudo havia conseguido com o seu trabalho, e agora corria o risco de perder tudo. Se não arranjasse logo um emprego, não poderia continuar pagando a hipoteca do apartamento e o perderia.


Jamais voltaria para Massachusetts, odiava aquele lugar! Tivera uma infância e adolescência feliz, mas ali havia perdido seu pai, que dera um tiro na cabeça quando de um dia para o outro se viu falido por suas dívidas de jogo. Isso apenas um mês depois da morte de seus amigos Louise e Link.

 

 E sua vida mudara completamente. Havia ido morar com sua avó, uma mulher puritana e autoritária. Ela havia se formado em Geologia pela universidade de New York e começara a trabalhar, saindo da casa da avó e indo morar sozinha. E assim foi vivendo, melhorando de emprego até trabalhar para a Sawer Jewels, primeiramente lapidando pedras, depois subindo na empresa por sua competência e dinamismo.


Pensou em Anne. Ela não havia telefonado nem uma vez. Era uma covarde, que tinha medo de perder o emprego. Uma mulher medíocre e dissimulada. Sentia nojo só em pensar que havia andado com uma mulher como ela. Anne fôra mais uma, entre tantas, que passara em sua vida.

 

 

Continua na parte 3

 

 

 

 

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