MINHA QUERIDA INIMIGA

 

 

PARTE 3

 

 

Roberta perfumou-se, escovou os longos cabelos e olhou-se no espelho criticamente. Estava bem. A saia justa negra mostrando as pernas esculturais, a blusa de malha creme modelando seu busto ereto, as sandálias de tiras finas, tudo combinava.


Pegou sua bolsa de couro negro e colocou seu tutu branco, as sapatilhas e uma tiara que usava em apresentações. Dominando sua ansiedade, saiu do quarto.
Mal havia dormido, esperando o dia amanhecer e a hora de encontrar com Bianca Lancini. Estava surpresa consigo mesma por estar assim por causa de uma mulher. O que estava acontecendo com ela? Não deixara de pensar em Bianca um momento sequer! Que sentimento estranho!


Sua mãe estava no living lendo uma revista e ergueu os olhos verdes para ela, quando entrou. Sorriu, deixando a revista de lado.


-Está tão linda, filha... vai para sua aula de música?


Roberta mentiu com certo remorso:


-Vou. E prefiro ir caminhando, sem o carrro com motorista. São somente três quarteirões e quero andar um pouco, ver as vitrines, as pessoas nas ruas...sinto falta disso.


-Eu iria com você, se não tivesse hora mmarcada com o cabeleireiro. Quer que a apanhe na volta?


-Não! Prefiro vir andando. Estou farta dde fazer esse trajeto de carro, não posso nem ver as novidades nas vitrines!


Lauren sorriu. Estava mesmo no tempo de dar a Roberta um pouco mais de liberdade.


Ela já estava com dezoito anos.


-Está bem, filha.Mas já tomou o desjejumm?


-Sim, comi uma maçã e bebi leite na copaa. Já vou indo, não quero chegar atrasada.
-Vá, meu bem. Tenha cuidado.<


Roberta beijou a mãe no rosto e se dirigiu para a porta, dizendo:


-Vou ter, mãe.Não se preocupe, sua filhaa já está bem crescida.

 

Ela saiu e pegou o elevador e desceu, nervosa. Pela primeira vez ia fazer uma coisa escondida de sua mãe. O que Bianca Lancini havia conseguido!


Em menos de meia hora estava apertando a campainha da porta do JM Studio, no décimo andar de um edifício da Park Avenue.


Momentos depois a porta abriu e Bianca a fitou com um sorriso satisfeito.


-Bom dia, Roberta! Entre, entre...


Roberta passou por ela e entrou, olhando em volta. O estúdio era moderno e luxuoso, com uma sala de recepção bem decorada em preto e branco. Olhou para Bianca, que fechava a porta com chave. Ela estava toda de negro, com blusa de malha justa, calça de veludo e botas, linda e atraente. Os cabelos soltos pareciam seda negra.


Ela se voltou e indicou um sofá de couro negro.


-Sente-se. Vamos tomar alguma coisa paraa você relaxar.


Roberta sentou no sofá, sorrindo nervosamente.


-Estou mesmo nervosa.


-Imaginei - Disse Bianca, apanhando uma garrafa de champanhe no frigobar e duas taças - Vamos brindar à sua estréia como modelo fotográfico com champanhe, você merece.


-Bianca...não ccostumo beber. Somente em festas de ano novo posso beber uma taça de champanhe, não mais.


Bianca abriu a garrafa com facilidade e encheu as duas taças, oferecendo uma à Roberta.


-Mas você vai tomar uma taça comigo, nãoo? Você precisa relaxar, está muito tensa e isso vai prejudicar as fotos.


-Está bem. Estou mesmo nervosa. Nunca esscondi nada de minha mãe. Vou aceitar uma taça, apenas.


Roberta pegou a taça e Bianca tocou com a dela a sua taça, fitando-a nos olhos e dizendo com voz sexy:


-À você. Que suuas fotos façam muito sucesso.


Beberam. O champanhe desceu deliciosamente pela garganta seca de Roberta.

 

 

-Eu entendo seu nervosismo, é natural e eu contava com ele. Toda vez que rompemos barreiras, temos medo - Disse Bianca, fitando-a nos olhos.


-Você já rompeu alguma barreira? - Perguuntou Roberta, sentindo uma irresistível atração por aquele olhar.


-Já. Algumas.


-Posso saber uma delas?


-Sim. Seguir meu instinto sexual e fazerr a escolha certa para mim.


Roberta a fitou confusa.


-Fez uma escolha seguindo seu instinto? Como assim?


Bianca sorriu.


-Você é muito ingênua, Roberta...uma criança criada em uma redoma de vidro, sem saber das coisas da vida.


Roberta enrubesceu, baixando a cabeça para fugir do olhar inquisidor de Bianca.


-Tem razão... minha mãe isolou-me da vida... mas vou mudar isso.


-Vai mesmo? Tenho minhas dúvidas...>


Roberta ergueu o rosto, fitando-a com determinação.


-Vou, sim! Não estou aqui? Eu quero ser dona de minha vida. Esse é o primeiro passo.


Bianca tornou a encher as taças. Roberta ia esboçar um protesto, mas Bianca a cortou:


-Beba. Ainda está muito tensa, precisa relaxar mais.


Roberta pegou a taça, sentindo dentro de seu íntimo de repente, que não podia recusar nenhum pedido de Bianca. Bebeu a taça avidamente, sentindo sua garganta subitamente seca.

 

 

-Eu vou fazer o que quero de minha vida! -Disse Roberta, querendo mostrar autoconfiança - Eu vou procurar uma pessoa para amar, independente do que minha mãe achar melhor para mim!


Bianca a fitou com uma expressão divertida, erguendo as sobrancelhas perfeitas.


-Roberta, o amor não está à sua espera eem uma esquina da rua, nem em lugar nenhum. Ele está dentro de cada pessoa, adormecido. Em um olhar, ele desperta e se apossa de você, dominando sua razão.É imprevisível, não tem moral, razão, sexo nem cor. É muitas vezes traiçoeiro, vai tomando conta da pessoa sem que ela perceba, outras vezes, é instantâneo como um tiro penetrando em seu coração, arrasando todos os seus conceitos. Quando ele chegar, você vai concordar comigo.


Roberta a fitou pensativamente. Seria como ela disse? Será que era amor o que sentia agora, fitando aqueles olhos magníficos? E uma vontade louca de beijar aquela boca sensual?


Bianca encheu sua taça mais uma vez. Sorriu, erguendo a dela e brindou:


-Ao seu sucesso no amor, Roberta.


Roberta bebeu, querendo matar a sede que agora a consumia: beijar Bianca. Sentiu uma súbita tonteira. A bebida fazia seu efeito.


-Estou um pouco tonta... - disse, passanndo a mão pela testa.


Bianca tirou a taça de sua mão e circulou seus ombros com o seu braço.


-Quer deitar um pouco?

 

-Não... vai passar... não é nada demais...


Bianca puxou a cabeça de Roberta para seu ombro, fitando-a atentamente. Roberta não ofereceu resistência. Na verdade, estava bastante tonta, mas não queria admitir isso para Bianca. Sentiu o perfume de Bianca, o calor e maciez do corpo. A respiração quente dela em seu ouvido. Isso tudo a perturbou mais que qualquer bebida.


E então, sentiu a mão macia de Bianca alisar seu rosto, erguendo-o. Estremeceu quando a voz sussurrante dela disse em seu ouvido:


-Você é tão linda... ssua boca...atrai-me.


Ela mordiscou o lóbulo de sua orelha, enfiou a língua cariciosamente. Roberta sentiu seu sangue agitar nas veias, um arrepio percorreu seu corpo e morreu no sexo, que palpitou de excitação. Ela quis retribuir a carícia da boca que percorreu seu pescoço, mas estava sem forças para empurrá-la ou abraçá-la. Ficou ali inerte, sentindo uma forte emoção dominando-a.
A boca de Bianca pousou na sua. Os lábios quentes e macios, o sabor adocicado da champanhe consumida a excitando. Os lábios à princípio hesitantes, depois exigentes, assaltando sua boca em beijos ardentes.


Roberta gemeu de prazer. Bianca provocava nela uma forte atração, uma volúpia que a fazia desejar retribuir cada carícia, fazer o mesmo nela. Seu sexo latejava de desejo.
Como em um sonho, sentiu as mão de Bianca a despindo, acariciando seus seios virgens, descendo pelo corpo todo. Com esforço entreabriu os olhos e a viu também despida, os olhos a percorrendo com uma expressão estranha.

 

Roberta gemeu de prazer, sentindo a boca quente, a língua sem pudor percorrendo seu corpo, passando por todos os pontos, sugando, lambendo, mordiscando. Teve vontade de gritar, tal o prazer que sentia, um desejo crescente que a fazia gemer deliciada.


O corpo dela pesou sobre o seu. Sentiu-a afastar suas coxas com as mãos, os joelhos forçando.Ela falou em seu ouvido, com voz empolgada:


-Vou penetrá-la, devassá-la para a fazerr mulher! Seja minha completamente!


Dedos alisaram seu sexo e a ouviu falar satisfeita:


-Você está tão molhada, que quase não vaai sentir dor...


E Bianca dirigiu o dildo para a abertura molhada de Roberta e a penetrou numa estocada firme, invadindo-a sentindo uma intensa satisfação. Para ela, aquele corpo não era mais de Roberta. Era de Lauren, ali, submissa, recebendo sua vingança.


E o grito de dor de Roberta a fez apertar-se mais contra ela, invadindo-a ao máximo, depois começando a se mover lentamente, dizendo com voz excitada:


-Você vai sentir prazer, não adianta finngir que não...sinta...cada movimento meu comendo você...esse entra e sai...você vai gozar, vai estremecer de prazer...mesmo que me odeie...vai sempre lembrar que teve prazer comigo...puta...puta...


Roberta sentiu aquelas palavras excitá-la tremendamente, mesmo não entendendo porque ela dizia coisas que não entendia. E seu corpo foi sendo tomado pelo prazer puro, e ela começou a mover o corpo desesperada à procura do outro que a invadia.

 

Logo a dor foi substituída por um prazer que nascia de suas entranhas e Roberta ergueu os braços e abraçou Bianca, movendo os quadris no ritmo dela, gemendo pela sensação que tomava seu corpo. E como uma onda crescente, foi alcançada pelo orgasmo que a sacudiu e a levou às alturas, apertando-se contra o outro corpo numa grande emoção.


-Bianca! - Gritou, um grito de prazer meesclado com surpresa, pelo que acabara de sentir.


Bianca parou de se mover e a fitou ofegando. Ela se afastou lentamente, e Roberta sentiu aquele instrumento que Bianca usara nela sair de seu interior e um líquido morno molhar suas coxas. Sabia que era sangue, o resultado de sua virgindade perdida. Sentiu medo. O que deixara Bianca fazer com ela? E por que não havia resistido?


Bianca cortou seus perturbadores pensamentos se erguendo do sofá e retirando do corpo aquele objeto, jogando-o no chão. Ela a fitou com o rosto tenso.


-Vou tomar um banho - Disse, com voz tennsa.


-Fique um pouco comigo, Bianca... - Pediiu Roberta, confusa com suas emoções.


-Depois - Respondeu Bianca, se retirandoo.

 

 Roberta ouviu uma porta fechar-se e logo um ruído de água. Suspirou. Ergueu-se do sofá e sentiu outra vez um líquido morno descendo por suas coxas. Não precisava olhar para saber que era sangue. Bianca a havia desvirginado com um pênis artificial! Não sabia o que pensar. Nunca havia imaginado que iria perder sua virgindade de uma forma tão inusitada, com uma mulher! Sem nenhuma preparação, em um sofá, tonta por beber.

 

Teve um pensamento de revolta. Bianca não pedira seu consentimento. Aproveitara-se de sua indisposição. Não havia sido uma entrega consentida, havia sido um assalto ao seu corpo indefeso. Ela devia ter planejado tudo! O pretexto das fotos, a bebida, aquele objeto sexual! Mas, por que aquilo tudo? Com que finalidade Bianca fizera aquilo?


Sentiu vergonha, em lembrar que havia sentido prazer com aquele ato estranho. Como seu corpo vibrara, até atingir o orgasmo. Mas também sentiu raiva de Bianca. Queria que sua primeira vez fosse totalmente diferente, com ela totalmente consciente, uma escolha sua do momento, do lugar e estando apaixonada. Não assim, com sua virgindade sendo tomada sem amor.


Bianca voltou do banheiro já totalmente vestida e a fitou com o cenho franzido.


-Precisa tomar um banho, Roberta. Há sanngue em suas coxas.


Aquela frase a feriu. Então, era assim? Ela a desvirginara e agora a tratava com aquela brutal indiferença?!


Seus olhos se encheram de lágrimas de raiva. Catou suas roupas no chão e passou por ela sem uma palavra, trancando-se no banheiro, batendo a porta com força. Tomou um banho rápido, louca para sair dali, contendo sua decepção e raiva. Felizmente seu sexo parou de sangrar e ela se vestiu apressada e voltou à sala. Bianca limpava o sangue do sofá com uma toalha molhada e a fitou com um olhar crítico.

 

Bianca se ergueu e jogou a toalha dentro do balde que usava, comentando:


-Consegui limpar bem o sofá, não deixei nenhuma mancha.


Roberta cruzou os braços, fitando-a com raiva contida.


-E a mancha que ficou em mim? Conseguiráá apagá-la?


Bianca a fitou surpresa.


-Que mancha?! <não estou vendo...


-A mancha que ficou em mim. Ser violada por uma mulher que agora não demonstra a menor sensibilidade pelo que me fez!


Bianca enrubesceu e baixou a cabeça. Mas logo tornou a erguê-la e a fitar com cinismo.


-De que se queixa? Você gostou do que fiiz. Não sou uma idiota, para não perceber.


-Posso ter sido levada pelo desejo, tenhho sangue nas veias e não água. Mas não estava preparada para isso. Você usou de um pretexto para atrair-me até aqui e se aproveitar de mim. Por que fez isso comigo?


Bianca a encarou perturbada. Não esperava aquela pergunta.


-Porque tive vontade. Você fez-me ficar atraída por você... - Mentiu.


-E por ficar atraída, armou esse circo? Inventar que queria tirar fotos minhas para uma exposição? Você sempre faz isso com quem se sente atraída? De quantas mulheres você já tirou a virgindade?


O tom de Roberta era acusador, cheio de raiva e mágoa.


Bianca enrubesceu mais ainda e a fitou com ar ofendido.


-Não costumo fazer isso! Nunca antes dessvirginei uma mulher!


-Então, por que fez isso comigo? O que aa motivou a agir assim? Atração, apenas?

 

-Ah, não sei! Você faz muitas perguntas! - Disse Bianca, defensivamente.


Roberta a fitou com os olhos cheios de lágrimas.


-Bianca...não mme faça pensar que é uma pessoa fria e calculista... que fez isso sem o menor sentimento além de atração...


Bianca a encarou e então, a vileza de sua vingança a atingiu. Ali estava aquela garota ingênua a fitando esperando um pouco de amor, de carinho, de consideração. E ela estava completamente vazia desses sentimentos, porque a vingança havia submergido tudo de bom e nobre em seu caráter, para torná-la uma pessoa sem escrúpulos, fria, calculista, imoral. Roberta estava sendo também uma vítima, como ela havia sido de Lauren. Mas o mal estava feito. Não havia recuo possível.


Numa onda de remorso, abraçou Roberta e a beijou carinhosamente na testa, dizendo baixinho:


-Você está enganada, Roberta... eu acho você uma moça muito especial...


Roberta a fitou, afastando-se um pouco, com o olhar implorando:


-Não me despreze, Bianca... eu não suportaria... diga que gosta de mim... que isso que aconteceu não foi apenas por desejo...


-Olha, estou muito confusa, Roberta. Porr favor, vá para sua casa. Eu preciso pensar nisso que aconteceu. Amanhã venha fazer as fotos. Hoje estou sem inspiração, as coisas aconteceram tão rápido!-Disse Bianca, se afastando de Roberta.


-Está bem... não vai agora sair comigo?


-Não, tenho que arrumar as coisas aqui.... agora, por favor.


-Ok, não preciisa ficar nervosa...então, virei amanhã. A mesma hora.


-Tudo bem, agora vá...
>


Roberta sorriu para ela e saiu. Bianca se recostou na porta, passando as mãos pelos cabelos.


-Maldição! - Resmungou.

 

 

 

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Bianca havia concretizado a parte inicial do plano. Conseguira levar Roberta ao estúdio que alugara por uma semana, a embriagara e a havia possuído. E tudo havia sido gravado em sua câmera de filmagem, posicionada em um lugar estratégico, que abrangia a visão de todo o sofá. A câmera havia filmado tudo . Agora, tinha o que queria, para ferir Lauren. Só faltava enviar aquela filmagem para ela numa fita, e Lauren veria sua filha querida sendo desvirginada pela mulher que ela odiava! Ela iria morrer de ódio e não poderia fazer nada, porque Roberta não era menor de idade e o sexo havia sido consensual, Roberta a havia abraçado e sem sombra de dúvida, atingira o êxtase em seus braços.


Mas agora, não sentia a satisfação que imaginara sentir, pelo que havia feito. Não havia esperado sentir remorso e vergonha por essa sua vingança. Não havia contado com o fato de Roberta ser uma mocinha ingênua e doce. Havia pensado erradamente que ela era como a mãe, esnobe, fria e calculista.


E ela havia se aproveitado da ingenuidade da garota! Sem ela ter nenhuma culpa pelos atos da mãe! Maldição, por que não pensara nisso antes? Onde iria parar, com sua vingança ? Por que não havia escolhido outro meio de se vingar de Lauren Sawer? Simplesmente, havia escolhido o meio mais fácil e óbvio, a filha dela. Mas o pior, porque havia envolvido uma inocente em sua vingança.


-Merda!- Xingou, irritada consigo mesma.. Foi até onde estava a câmera e a retirou da prateleira, disfarçada entre caixas de filmes e materiais fotográficos. Desligou a pequena câmera, pegou-a e colocou numa mochila que havia trazido, apagou as luzes do estúdio e saiu. Na portaria, deixou a chave do estúdio em um envelope lacrado com o porteiro, endereçada ao fotógrafo que alugara o estúdio, conforme combinado anteriormente. E foi embora, sabendo que nunca mais voltaria ali.

 

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Roberta chegou em casa e refugiou-se em seu quarto. Não queria ver ninguém, queria ficar só para pensar no que havia acontecido com ela.


Tirou o tênis e deitou em sua cama, abraçando seu travesseiro, deitando de bruços.
Agora, era uma mulher feita. Perdera sua virgindade nos braços de uma mulher! Ah, Bianca! Aqueles olhos magnéticos, aquela voz sexy, aquele sorriso luminoso, tudo a havia feito se deixar envolver pelas carícias dela e ser possuída totalmente, sentindo um prazer que nunca havia esperado sentir com uma mulher! Ela era uma lésbica? Até conhecer Bianca, nunca se sentira atraída por uma mulher. Achava suas colegas bonitas, mas sem interesse. Como se deixara envolver por Bianca? Será que estava apaixonada por ela?


-Será que ela gosta de mim? -Disse alto,, externando sua dúvida.


-Agora deu para falar sozinha?


Aquela frase foi como um estrondo em seus ouvidos. Voltou o rosto assustado para a porta, e viu que sua mãe a olhava pela porta entreaberta, com curiosidade.


-Oh! Que susto! - Disse, sentando na cama- Não
ouvi a porta ser aberta!


Lauren deu dois passos para dentro do quarto, cruzando os braços e a fitando intrigada, com o cenho franzido.


-O que houve? Está tão estranha!


-Eu?! Estranha?? - Roberta riu forçadamente.


-Sim, você! Estava falando sozinha, com essa cara de quem está nas nuvens!

 

Roberta enrubesceu, olhando para a mãe, tentando soar natural:


-Eu, com cara de quem está nas nuvens?!
Estava apenas pensando nos meus estudos!


Lauren semicerrou os olhos, fitando-a com suspeita.


-Roberta, eu a conheço muito bem, para ppoder ver uma mudança em sua expressão. Você está com uma cara de quem está... apaixonada !


-Eu, apaixonada?! - Riu Roberta, forçadamente - Está brincando, mãe! Sabe que atualmente nem tenho namorado!


-Humf! Espero que não esteja me escondendo alguma coisa que fez...


-Mamãe! Que neura! Não estou escondendo nada!


-Espero que sim. Filha, amanhã tenho umaa surpresa para você. Acorde cedo e vá esperar-me na sala de estar.


-Surpresa? O que é?


Lauren sorriu.


-Se eu disser, deixará de ser surpresa.<


-Ah, está bem. Agora, vou tomar um banhoo e aprontar-me para o jantar, ok?


E dizendo isso, Roberta saiu do quarto e foi para o banheiro da suíte.


Lauren estreitou os olhos, pensativa. Roberta estava mesmo estranha. Nem insistira em saber sobre a surpresa, como sempre fazia. Pois iria descobrir o motivo daquela mudança.

 

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Durante o jantar, observou Roberta atentamente. Ela estava com um ar distante, quase não comia, apesar de ser seu prato predileto, às vezes sorria e enrubescia, como se estivesse lembrando de algo muito bom. O que estaria lembrando? Não tinha mais dúvidas que Roberta estava escondendo algo dela, e com certeza era alguém por quem se apaixonara. E por que não lhe contara nada? Devia ser alguém que não aprovaria, Roberta nunca escondera nada dela.


Sentiu uma profunda tristeza. Roberta estava começando a se fechar em um mundo exclusivo dela, excluindo-a.Estava perdendo o amor da única pessoa que amava no mundo, para um homem que talvez nem a merecesse.


Revoltou-se. Dedicara-se à Roberta desde que ela nascera, sempre a colocara em primeiro lugar. Por causa dela, havia desafiado sua família e saíra de casa, havia se sacrificado sempre para dar à ela o melhor. e agora, ela havia conhecido um sujeito qualquer que a envolvera e a afastava dela! Mas iria descobrir quem era esse sujeito e ver se ele merecia o amor de sua amada filha.


Para Lauren, o amor era uma fraqueza que tornava as pessoas vulneráveis e só trazia desilusão na maioria das vezes. Tivera uma dura lição em sua adolescência porque se apaixonara. E tinha medo que sua filha também sofresse por amar alguém que não a merecesse. Queria preservá-la de sofrimentos amorosos, e não iria falhar.

 

Olhou para Sawer, tão tranqüilo comendo. Ele acreditava piamente que ela o amava, o idiota! Tudo porque ela era exímia numa cama, na arte de dar prazer. Ela deixava qualquer homem louco de desejo, era só ela querer. E sua representação de mulher apaixonada convencia qualquer um.   Aprendera isso quando ganhava sua vida como prostituta. Aquela era uma fase de sua vida que lembrava com desgosto. Três anos sendo um objeto em diversas mãos, engolindo seu nojo e orgulho, submetendo-se a atos que a faziam sentir-se apenas como um pedaço de carne exposta aos abutres.

 

Tudo para sobreviver e sustentar Roberta, que era um bebê. Felizmente havia conhecido um homem que se apaixonara por ela e a tirara daquela vida. Casara-se com ela, dando-lhe um nome respeitável e um lar. E o mais importante, adotara Roberta como filha legítima.Francesco Rezinni. Nunca o esqueceria. Não o amava, mas tinha por ele um grande carinho e respeito até ele morrer.

 

Tornou a fitar o marido atual. Ele nem sequer desconfiava de seu passado. Haviam se conhecido em um hotel de luxo. E tudo fôra premeditado por ela. Sabia que ele iria se hospedar naquele hotel durante uma convenção de joalheiros. Já sabia que ele era divorciado, e que era o patrão de Bianca Lancini. E havia se hospedado no hotel, fingindo ser coincidência sempre estar nos mesmos lugares que ele, jogara o seu charme e o conquistara em pouco tempo. Tudo por um objetivo: Bianca Lancini. Calculara tudo, seguira os passos de Bianca durante anos, até finalmente poder executar sua vingança. Mas não estava ainda satisfeita. Ela merecia sofrer mais! Perder o emprego fôra pouco!

 

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Novo dia amanheceu. Roberta tomou o seu banho, vestiu-se e foi ao encontro de sua mãe, que já tomava o café da manhã com o marido, pronto para sair para o trabalho. Beijou a mãe no rosto e deu bom dia ao padrasto, sentando-se à mesa, com uma expressão de contentamento que fez Lauren a fitar intrigada.


-Nunca a vi com essa cara tão feliz, Robberta - Comentou Lauren, sorrindo para a filha - O que houve? À que se deve essa alegria toda?


Roberta sorriu, servindo-se de suco e torradas .


-À você, mãe, qque disse que vai fazer-me uma surpresa hoje.


-Hummm... continuo
achando que você está  apaixonada!  Não  quer  contar-me  quem  é  o felizardo? - Perguntou Lauren, em tom de brincadeira.


Renata a fitou com um sorriso dissimulado.


-Não é nada disso, mãe! Não posso ficar feliz?


-Claro que pode, minha filha...


Sawer ergueu-se, passando o guardanapo na boca. Beijou Lauren na testa, rapidamente.


-Invejo vocês! Ficam aí conversando sobrre amor, enquanto eu tenho de ir trabalhar e resolver vários problemas. Bianca está me fazendo falta.


Roberta ergueu os olhos fitando o padastro assustada. Ele falara o nome Bianca?Felizmente sua mãe fitava Sawer, com certa irritação.


-Ainda não colocou alguém no lugar dela??Bianca Lancini não é insubstituível!


-Eu coloquei Clayton no lugar dela, mas estou decepcionado. Ele comprou pedras por um

 valor altíssimo, pedras que quando forem lapidadas vão ter um valor que não  compensa  o investimento. E não é a primeira vez que ele faz um mal negócio. Estou arrependido de ter despedido Bianca, ela era a melhor assessora que tive.

 

-Ora, aposto que breve você encontrará um assessor bem melhor que ela!


Ele a fitou com descrença.


-Tenho minhas dúvidas.Eu não devia era tter cedido aos seus pedidos e ter misturado coisas pessoais com trabalho.


Lauren o fitou com frieza.


-Eu não o obriguei a >despedí-la. Apenas pedi.


-É, mas encheu minha paciência, dizendo--me como ela era antipática e a havia tratado mal anos atrás, até que cedi. E veja o resultado. Bem, já vou.


Ele saiu em passadas apressadas. Roberta estava muda, fitando a mãe, que parecia irritada, com um olhar distante.


Oh, meu Deus! - Pensou Roberta, abismada - Será a mesma Bianca que havia conhecido, de quem falavam? É claro que era! Bianca falara coisas sobre sua mãe como se a conhecesse! E o nome e sobrenome eram iguais, não acreditava que havia duas Biancas Lancini na cidade com o mesmo nome!


-Mamãe... você pediu à Sawer para despedir Bianca Lancini? -Perguntou, em um fio de voz.


Lauren a fitou com um olhar que nunca vira nela. Um olhar frio, duro.


-Pedi! E não me arrependo!


-Mamãe, que maldade! Por que fez isso?


Os olhos de Lauren emitiram faíscas.


-Maldade?! O quue fiz foi apenas um pequeno troco ao que ela me fez, anos atrás!

 

-O que ela lhe fez?


Lauren repetiu a mentira que contara à Sawer. Não podia contar a verdade. A verdade

revelaria coisas suas que não queria que Roberta soubesse. Revelaria sua paixão louca, sua ingenuidade, sua amarga desilusão por um amor proibido que mudara para ódio.


-Ela é da mesma cidade que eu nasci. Esttudamos no mesmo colégio. Era minha inimiga.


-Inimiga? Por quê?

>


Lauren a fitou. As palavras saíram hesitantes:


-Ela... queria tomar meu namorado... como não conseguiu, passou a falar mal de mim...inventou mentiras à meu respeito, difamando-me. E meu namorado me deixou.
Roberta a fitou incrédula. Bianca não parecia uma mulher que não conseguisse ter alguém

 que desejasse, se ela era a Bianca de quem falavam.


-Ela fez isso mesmo com você?!


Lauren a fitou alarmada.


-Por que essa dúvida em sua voz? Meu Deuus, Roberta! Você fala como se a conhecesse! Diga-me, não esconda nada! Onde a conheceu? Você nunca foi à empresa de Sawer, não pode ter sido lá!


Roberta riu forçadamente, disfarçando suas emoções.


-Calma, eu não a conheço! Por que escondderia isso de você? É que achei essa história tão estranha! E estou apenas decepcionada em saber que prejudicou uma pessoa, mãe. Mas se teve fortes motivos para isso, não vou condená-la.


-Ela não presta, Roberta! Eu a odeio! Nãão está me mentindo? Não a conhece mesmo?
-Não, nunca a vi. Como ela é, fisicamentte?
-Por que quer saber?
-Curiosidade. Deve ser uma mulher feia, para não poder conquistar quem desejava.
-Não, isso que a torna perigosa. Ela é uuma mulher bonita e atraente, uma morena alta de olhos azuis.

 

 

A descrição confirmou que Lauren falava da mesma Bianca que havia conhecido. Roberta à custo manteve a expressão calma. Bianca e sua mãe, inimigas! Sua mãe a odiava! E Bianca? Odiaria sua mãe também? Ela sabia que sua mãe havia sido a causa de sua demissão? Deus! E se Bianca havia se aproximado dela apenas com o desejo de vingar-se de sua mãe, através dela? Não! Não podia acreditar! Bianca não era assim tão fria, dissimulada e calculista!
Essa suspeita a fez ficar angustiada. Só se tranqüilizaria quando falasse com Bianca e ela desmentisse aquela suspeita.


-Por que está tão calada, Roberta? - Perrguntou Lauren, com voz cheia de suspeita.


A voz de Lauren fez Roberta sair de sua abstração torturante. Forçou um sorriso.


-Estava pensando em tudo que contou-me. Essa tal Bianca deve ser uma maluca!


Como pensou, sua mãe suspirou aliviada com suas palavras.


-Eu a considero uma neurótica. Mas vamoss falar de coisas agradáveis. Venha comigo até a garagem do edifício. Tenho uma surpresa para você.


Roberta a acompanhou sem protestar. Já imaginava o que era a surpresa. Mas estava se sentindo péssima, louca para falar com Bianca e saber a verdade. Se tudo não passara de uma vingança premeditada.


Lauren mostrou o Bugatti vermelho reluzindo na garagem, com um enorme laço vermelho o envolvendo. Roberta sorriu, abraçou a mãe, fingindo alegria. Juntas desataram o laço e saíram para uma volta. Lauren dirigindo, porque Roberta ainda não havia recebido sua carteira de motorista.

 

Quando Roberta saiu dizendo que iria à aula de música, Lauren a seguiu. Roberta havia dispensado o motorista e havia ido andando até a Park Avenue . Ela dirigiu-se para um edifício e entrou. Lauren esperou um breve instante e a seguiu, passando pela porta giratória. O saguão do edifício era enorme e bem movimentado, com vários elevadores. Foi fácil passar despercebida com o hall cheio de gente passando.Viu Roberta numa fila e entrar no elevador quando ele chegou. Frustrada, Lauren percebeu que não podia saber para qual andar ela se dirigira, por que o painel mostrou o elevador parar em seis andares. Não tivera muito sucesso, mas pelo menos já sabia para que edifício ela havia ido e que ela estava mesmo mentindo, dizendo que ia para a aula de música.


Estava decepcionada com a filha pela mentira e por ela estar escondendo coisas dela. Estava claro agora que ela estava fazendo algo que reprovaria. Não merecia isso. Sempre havia sido uma mãe super dedicada, e o que Roberta fazia? Mentia, fazia coisas escondida!


Saiu do edifício e ficou em um ponto estratégico, onde Roberta não a veria ao sair. Queria ver se ela sairia acompanhada.



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Roberta chegou diante da porta do estúdio com o coração aos saltos. Apertou a campainha. Ninguém veio atender.Insistiu, descansando o dedo na campainha. Nada.


Recostou-se na parede, trêmula. Por que ela não atendia? Ah...ela ainda não havia chegado! Devia ser isso. Mas uma hora depois, ela já roía as unhas em desespero. Onde estava Bianca, que não chegava?Será que havia acontecido um imprevisto? Um acidente?Imaginou-a ferida e estremeceu.


Esperou mais meia hora e desistiu.Desceu para o andar térreo e teve uma idéia. Deixaria um recado na portaria para Bianca, com seu telefone.


O porteiro atendeu solícito a bela garota.


-O que posso fazer por você, senhorita?<


-Pode me arrumar papel e caneta? Quero ddeixar um recado para Bianca Lancini, que tem um estúdio no décimo andar.


Ele a fitou intrigado.


-Moça, trabalho aqui há vários anos e seei que o único estúdio no décimo andar é do sr. Newmann. Ele o alugou para uma mulher por uma semana. Deve ser essa tal de Bianca, mas ontem ela entregou a chave do estúdio aqui na portaria. Ela disse que já terminou o serviço e não vai mais usar o estúdio. Já pagou adiantado o aluguel e não vai voltar.
Roberta empalideceu. Mal pôde perguntar, em um fio de voz:


-Sabe o endereço dela, ou telefone?>


-Não. Ela tratou tudo direto com o sr.
Newmann. E ele está em Londres, só volta dentro de um mês.


-Obrigada...


Roberta saiu dali em passos lentos, contendo-se para não chorar. Ela a havia enganado!

Bianca  não  pretendia  mais  vê-la,  havia  mentido,  não  deixara   nenhum   meio   de comunicação!Então, ela havia mesmo a usado para fazer uma vingança contra sua mãe!
Saiu do edifício e parou na calçada, sentindo as lágrimas descerem pelo rosto. As pessoas a olhavam curiosas, mas ela não conseguia conter-se.


Lauren, que estava escondida atrás do tronco de uma árvore, não resistiu ao ver a filha chorando com ar perdido. O que havia acontecido? Correu ao encontro dela e a abraçou aflita.


-Roberta! O que houve? Por que está chorrando? Quem a fez ficar assim?


Roberta fitou a mãe assustada, mas logo que viu a preocupação nos olhos dela, se refugiou nos braços de Lauren, chorando desesperada.


-Oh, mãe! Você tinha razão! Bianca Lancini
não presta! - Soluçou.


Lauren a olhou chocada.


-Bianca Lancini?! O que ela fez? É ela quem a está fazendo chorar?!


Roberta a encarou entre lágrimas.


-Sim, ela enganou-me! Ela só queria vinggar-se de você, através de mim!


Desesperada com a declaração da filha, Lauren a pegou pelos ombros, sacudindo-a.


-Roberta! Como a conheceu? O que ela fezz com você? Fale, por Deus!


Várias pessoas passavam e as olhavam, curiosas. Lauren conteve-se à custo e puxou Roberta pela mão até um jardim com bancos e a fez sentar em um deles, fitando-a ansiosa, com medo do que ia ouvir.

 

-Fale, Roberta! Onde conheceu Bianca Lancini? Há quanto tempo? E o que ela fez?


Roberta falou entre soluços, baixando a cabeça:


-Ela...ela foi até a minha academia de balé dois dias atrás...e aproximou-se de mim, tirando uma foto minha...Quando reclamei, ela disse que precisava de uma pessoa como eu para fazer um trabalho fotográfico para uma exposição...e depois levou-me à uma lanchonete...


Lauren conteve-se para não dar um grito de ódio. Aquela maldita fôra capaz de querer usar sua filha para uma vingança contra ela! Ficou olhando para Roberta, sentindo o coração se oprimir de angústia. Roberta continuou:


-Ela convidou-me para ir ao estúdio delaa tirar fotos para a exposição. Seriam fotos com eu fazendo poses de balé, vestida como dançarina clássica. Que me pagaria bem. Eu concordei e marcamos para ontem.


-Roberta! E você foi?!!


Roberta baixou a cabeça.


-Eu...eu fui....Bianca impressionou-me com sua personalidade forte, estimulou-me a ser independente, a fazer minhas próprias escolhas...e eu quis mostrar à ela que podia fazer coisas sem consultar você.


Lauren adivinhou o resto. Quase sem voz, perguntou:


-Roberta, Bianca Lanccini seduziu você, não foi? Vocês mantiveram relações sexuais, não?

 

Roberta assentiu, sem fitá-la. Havia parado de chorar e o rosto estava abatido pela tristeza.
Lauren com esforço continha sua ira, tinha de ocultá-la, para Roberta responder. E prosseguiu no interrogatório:


-Foi lá no estúdio, não foi? Como ela aggiu? Pegou você à força? Ou enganou-a com promessas e frases de amor?


Roberta não respondeu, de cabeça baixa. Impaciente, Lauren a sacudiu pelos ombros.


-Como ela conseguiu? Fale!!!


Roberta ergueu o rosto e a encarou com os olhos angustiados.


-Ela não me forçou. Ela apenas deu-me chhampanhe, eu fiquei tonta depois de duas taças e ela...começou a beijar-me. Ela não me enganou com frases de amor e promessas! Mas fez pior, sumiu! Porque não quer ver-me mais!Ela não me quer, não me ama! Só queria usar-me!


Lauren ficou fitando-a imóvel, chocada. O ódio parecia ácido em seu coração, queimando, sufocando. Maldita Bianca Lancini! Sua filha querida, a coisa mais preciosa em sua vida, sofrendo pela mulher que ela odiava! Bianca fizera uma vingança suja! Mas ela iria pagar!
Conteve-se aparentando uma calma que estava longe de sentir. Tinha de mostrar-se forte, para tranqüilizar a filha. Se ela soubesse como estava arrasada e furiosa, iria sofrer mais ainda.


-Vamos para casa, Roberta. E esqueça esssa mulher. Ela não vale nada, e só traz infelicidade às pessoas das quais se aproxima.


Roberta fitou a mãe com receio. A calma aparente de Lauren não a convencia. Arrependeu-se de seu desabafo. Apesar de tudo, não queria que sua mãe fizesse uma loucura.


-Mãe...prometa que não vai fazer nada...Bianca não me obrigou a nada, eu quis também...


-Cale-se, por Deus! Não quero ouvir maiss nada! Vamos embora!


Roberta acompanhou a mãe de cabeça baixa, sentindo uma profunda tristeza.

 

Bianca olhou pela centésima vez para o relógio de pulso, sentada na sala de seu apartamento. Sentia o coração oprimir-se a cada minuto que passava. Roberta já devia ter desistido do encontro malogrado.Já devia ter descoberto que o estúdio não era seu, que apenas o alugara e já havia entregado a chave. Já devia estar sabendo que havia sido enganada, que ela não pretendia vê-la mais. E já devia estar sofrendo sua primeira decepção amorosa e começando a odiá-la.


Agora, mãe e filha a odiavam. Mas pelo menos, sabia o motivo do ódio de Roberta.
Estava triste e deprimida. Sentia-se uma canalha por ter usado uma garota como Roberta para seu plano de vingança.


Maldição! Deveria estar saboreando a sua vingança! Já deveria ter enviado a fita de vídeo para Lauren, para ela ver a filha dela em altos prazers com a mulher que odiava, vendo a filha única ser deflorada por um pênis artificial, usado pela mulher que mandara despedir!


Mas não tinha coragem de fazer isso também. A fita já estava embrulhada em um envelope pardo, endereçada à Lauren. Mas hesitava em enviá-la. Seria uma vergonha e humilhação enormes para Roberta, ser vista pela mãe naquela situação. Já estava sofrendo de ter sido enganada e usada, como poderia agüentar esse outro golpe?Talvez Lauren fosse xingar a garota, humilhá-la, ou até bater nela. De Lauren Sawer esperava o pior.


Olhou para a fita na mesinha e pegou-a. Olhou-a longamente e ergueu-se decidida. Jogou-a com força no chão e pisou nela com força, com o salto da bota, até vê-la toda quebrada. Para completar, puxou o acetato até formar um bolo amarfanhado.


Respirou fundo, como se tirasse um peso dos ombros. Já fizera muito mal à Roberta. Mais um, seria muita crueldade.

 

Será que Roberta contaria à Lauren o que acontecera? Era muito provável. Roberta era muito inexperiente e não conseguiria ocultar sua decepção. Bastaria Lauren perceber seu estado e pressioná-la com perguntas, que ela revelaria tudo.


Bem, de qualquer modo, Lauren saberia. E sua vingança a atingiria, Lauren teria de engolir aquilo sem poder fazer nada. Roberta era maior de dezoito anos e o sexo havia sido consensual.


Oh, mas não pensara que sua vingança tivesse um sabor tão amargo! Que se sentiria assim, uma canalha insensível e fria.


Saiu e andou pelas ruas sem destino, com as mãos enfiadas nos bolsos do casaco de couro. O dia estava frio, com a aproximação do outono. Foi caminhando lentamente, com a cabeça baixa, pensando em sua vida, como estava só e infeliz. E tudo por culpa de Lauren Sawer!
Mais uma vê pensou: por que ela a odiava? O que motivara aquele ódio, se nunca a havia visto antes? Era um mistério difícil de entender. O melhor era voltar para casa e tentar se distrair com algo. Ler um bom livro, debaixo das cobertas, fazer um chocolate quente...e esquecer da louca da Lauren Sawer. Tinha que concentrar-se em arranjar um novo emprego, isso que era o mais importante.

 

Roberta e Lauren haviam chegado em casa e Lauren a fizera deitar-se, dando-lhe um comprimido de calmante. Ficara do lado dela, alisando os cabelos louros da filha, até ela adormecer com duas lágrimas nos olhos.


Então, levantou-se e foi até seu quarto. Pegou sua agenda e a folheou. Lá estava o endereço de Bianca Lancini. Copiara do notebook do marido há muito tempo, sem que ele soubesse. Agora, iria servir para o que pretendia.


Vestiu uma capa de chuva branca por cima de sua roupa e foi até uma gaveta do seu closet. Tirou uma pequena pistola, uma Beretta 22. Colocou-a no bolso interno da capa e seu olhar endureceu.


-Agora nós, Bianca Laancini - Disse, entredentes.


Desceu no elevador e tomou um táxi.Deu o endereço do prédio, com voz tensa. Ia ao encontro de sua inimiga!


O que iria fazer? Matá-la? Não, isso não! Não iria para a cadeia pelo resto da vida por causa daquela desgraçada! E Bianca tinha de viver, para sofrer as vicissitudes da vida.O que iria fazer era destruir aquela beleza má! Dominá-la com a arma, amarrá-la e aplicar nela a maior surra que ela levara na vida! E deformar aquele rosto com golpes, para ela nunca mais poder conquistar alguém!Xingá-la com os piores nomes, gritar no rosto dela como era desprezível!
Ela havia destruído a inocência de sua filha! Deus, havia falhado em sua proteção! Tivera tantos cuidados com Roberta, reprimira tanto sua liberdade para protegê-la, e o pior havia acontecido! Agora reconhecia seu erro, a trancara em uma redoma de amor e proteção, e isso a tornara vulnerável e desarmada para a vida. Sua ingenuidade fôra um fator decisivo para Bianca conseguir seduzi-la e a atrair para uma armadilha. Mas agora iria acertar as contas

com aquela miserável!

 

 

Parte 4

 

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