MINHA QUERIDA INIMIGA
De repente, sua vida
virou um caos. Sua vida bem estruturada, pontilhada pelo sucesso, pelo amor,
tudo lhe fugiu entre as mãos como água, mostrando-lhe a fragilidade das coisas
em que acreditava e julgava importantes em sua vida. Agora, ali sozinha em seu
apartamento, pensava o que fazer da vida. Estava arrasada sentimental e
profissionalmente.
E sabia quem era a responsável por sua desgraça. Sentia tanta raiva daquela
mulher, que a mataria, se pudesse.Mas sabia que se fizesse isso, seria o
coroamento de sua infelicidade. Iria para a cadeia. E ela não valia esse ato,
aquela cadela! Tinha que vingar-se de um jeito que
pudesse saborear o sofrimento contínuo daquela mulher. E iria conseguir isso,
se planejasse bem.
Lauren Sawer a odiara desde
o primeiro minuto, quando foram apresentadas. Não sabia o motivo, não
encontrava uma explicação. Rebuscara em sua mente um motivo para tamanho ódio
que Lauren parecia sentir por ela, mas não achava
nada. Ela devia ser louca!
Haviam se conhecido na festa de fim de ano. Guilherme Sawer,
o presidente da firma, havia oferecido uma festa em seu magnífico apartamento
duplex na Quinta Avenida para a diretoria e funcionários de alto posto, e
Bianca, sendo a assessora do presidente, também havia sido convidada. Guilherme
Sawer havia se casado recentemente e aproveitava a
ocasião para festejar dois meses de casamento e apresentar sua mulher à
diretoria.
Bianca havia caprichado na roupa, comprara um vestido de Vera Wang especialmente para a ocasião, um
longo azul escuro de seda, que caía sobre seu corpo esguio e alto como
uma luva, prendera os cabelos negros em um coque elaborado, brincos de diamante
e uma maquiagem perfeita, ressaltando os olhos azuis , as altas maçãs do rosto
e os lábios carnudos.
Sabia que era bela e
atraente, mas seu orgulho residia em saber que possuía seu cargo na firma por
ser competente no que fazia. Estava há menos de meia hora no salão de festas do
apartamento, conversando com dois diretores e suas mulheres, quando Guilherme Sawer se aproximou do grupo de braço dado com sua mulher.
Bianca a fitou com admiração. Ela era uma mulher bem mais jovem que o marido,
devia ser mais ou menos de sua idade. Uma loura linda, de belos olhos verdes,
cabelos louros presos para cima, uma boca sensual, uma covinha no rosto
angular, corpo escultural em um vestido negro, que mostrava o
colo imaculado no decote sensual. Um colar de diamantes atestava sua
condição de mulher sofisticada.
Ela sorria, mas o sorriso morreu ao lhe ser apresentada.
Bianca a fitou confusa, com a mão estendida, um sorriso paralisado em seus
lábios. O que estava havendo? Por que ela a fitava com um olhar gelado, séria,
sem apertar sua mão?
-Bianca Lancini? Já ouvi falar de você - Disse ela,
com voz fria.
Guilherme Sawer riu.
-É claro, querida!É a minha assessora, aa mulher em que me apoio naquele
emaranhado de negócios! Já lhe falei dela, a minha perfeita assessora.
Ela não sorriu. Olhou para Bianca dentro dos olhos e Bianca percebeu neles uma
chama de animosidade.
-Ah, sim, já falou-me<.Bem, apresente-me as outras
pessoas, querido...
E Bianca ficou ali chocada, depois que recolheu a mão que ela não quis apertar.
Viu a loura sorrir para as outras pessoas, apertar suas mãos e trocar
cumprimentos gentis com todos, até se afastar com o marido sem lhe lançar um
simples olhar.
Bianca ficou pálida,
sentindo uma ira intensa dominá-la.Quem aquela cadela pensava que era, para
desprezá-la tão acintosamente? O que tinha contra si? Inveja? Mas ela era
linda, e tinha muito mais que ela, era a mulher de um homem rico! Ciúmes? Impossível, Guilherme Sawer era um
homem reservado e ela trabalhava para ele há mais de seis anos e sua relação
com ele era apenas profissional!
Durante o jantar, Lauren Swer
não se dirigiu à Bianca uma só vez. Ela conversava com todos com gentileza,
sorria, mas não lhe dirigia uma palavra sequer.
Bianca passara da ira ao abatimento. Não conseguia entender aquela atitude tão
acintosa de desprezo, era uma humilhação que a chocava. O que fizera, para ela
tratá-la assim? Nem se conheciam antes dessa noite! Teria sido vítima de alguma
intriga?
Quando o jantar terminou e todos foram para o salão anexo para conversar e
ouvir música, Bianca despediu-se alegando uma forte dor de cabeça e foi embora.
Só se despediu de Sawer, que a olhou constrangido.
Ele devia ter notado o
comporta-mento da mulher.
Chegou em casa e mal conseguiu dormir, enquanto lá fora as pessoas riam,
bebiam, cantavam, soltavam fogos.
No dia seguinte,
levantou cedo e foi ver Anne. Ela tivera que passar a festa de ano novo com os
pais, mas havia marcado se encontrarem no apartamento dela no dia seguinte.
Quando chegou, ela a abraçou e beijou com calor. Separou-se e a fitou sorrindo.
-Estava louca para vê-la! - Disse, acariiciando o rosto de Bianca - Ah, como
senti sua falta! Lá na casa de meus pais estava tão chato!
Bianca sentou no sofá com ar desanimado.
-Pior que o meu final de ano, impossívell, garanto!
Anne a fitou surpresa.
-Por quê? Que houve?
Bianca contou tudo em poucas palavras. Anne a ouviu em silêncio. Quando acabou,
fez a pergunta esperada:
-Mas por que ela a tratou assim?
Bianca ergueu-se, andando pela sala à esmo, de braços
cruzados.
-Não sei. Já vasculhei minha memória, teentando lembrar se já a vi antes, mas
nada me ocorreu.
-Acha que corre o risco de perder o emprrego?
Bianca a fitou como se tivesse dito um absurdo.
-Perder meu emprego?!< Está brincando? Só porque aquela
cadela não gostou de mim? Eu sou muito competente no que faço, entendo tudo
sobre a empresa! Sou eu quem Sawer consulta para
tudo, seria difícil Sawer arranjar um assessor como
eu! Ele jamais faria isso!
--Bianca...conhece a frase que diz que ninguém é
insubstituível?
-Isso não se aplica à< mim! Sawer
já me disse diversas vezes que não saberia o que fazer se eu faltasse à
empresa! Que confia em mim inteiramente!
Anne encolheu os
ombros.
-Espero que esteja certa...
-Claro que estou! Eu quem resolvo os maiis difíceis problemas na firma, ele
deixa tudo em minhas mãos! Sawer só faz ouvir o que
acho de cada contrato, eu quem viajo atrás dos fornecedores, faço as compras
das pedras preciosas e escolho os desenhos das jóias, ele é apenas um burocrata
que assina os papéis! Vamos mudar de assunto, que esse está aborrecendo-me.
Anne levantou do sofá e abraçou Bianca, sorrindo sensualmente.
-Então, vamos comemorar o ano novo agoraa, na minha cama...
Bianca a beijou ardentemente. O desejo surgiu logo e Anne a levou para o
quarto.
Estavam juntas há dois anos. Haviam se conhecido na empresa, onde Anne era
desenhista de jóias. Bianca achara excitante a conquista, que começou quando fôra escolher os desenhos das jóias que seriam lançadas. A
troca de olhares, os toques fingindo serem ocasionais, os sorrisos.
Bianca a chamara para almoçar, uma semana depois, e no almoço acabaram abrindo
o jogo, revelando uma à outra suas preferências sexuais.
Bianca ganhava bem e era generosa com a moça. Bancava o aluguel do apartamento
de Anne, dava-lhe muitos presentes e a levava a bons
restaurantes, teatros e viagens de fim de semana em hotéis de luxo.Ter uma
relação amorosa com Bianca era muito conveniente para Anne.
No
dia seguinte Bianca chegou cedo no trabalho e atirou-se no trabalho logo que
chegou à firma, procurando esquecer aquele maldito final de ano. Uma hora
depois Sawer chegou e mandou chamá-la. Ela foi com
vários papéis nas mãos, pensando que ele queria estudar as propostas de compras
com ela, como sempre fazia. Mas logo que entrou na sala dele, percebeu que
havia algo no ar. Ele a cumprimentou sério e seco, ao
contrário de seu sorriso cordial de sempre.
-Sente-se, Bianca. Precisamos conversar..
Ela sentou diante dele sentindo uma sensação de incredulidade pelo que adivinhou
que ia acontecer.Não, não podia ser!
-O que há, Sawer?
Ele cruzou os dedos das mãos, olhando para um ponto além dela com ar
indiferente.Bianca conhecia aquele olhar.Era quando Sawer
ia falar alguma coisa que o constrangia.
-Não é nada pessoal, Bianca. Mas lamentoo dizer que não continuará trabalhando
para mim.
Bianca empalideceu. Não conseguia acreditar no que ouvira. Perguntou quase sem
voz:
-Está falando sério?
-Estou. Já mandei fazeer as suas contas.
-Sawer! O meu trabalho de repente perdeu todo o
valor? Você dizia que não poderia ficar sem minha colaboração! - Protestou, com
voz opressa.
Ele falou sem a encarar:
-Foi uma boa colaboradora, mas preciso dde alguém mais atuante.
Ela ficou vermelha de
raiva. Ergueu-se com o olhar chamejante, encarando-o.
-Alguém mais atuante! Seu cretino! Quanttas vezes eu trabalhei aqui até altas
horas da noite sem receber nada por isso, quantas vezes
sacrifiquei meus fins de semana levando trabalho para casa, ou viajando
para resolver problemas da firma! E é esse o pagamento que recebo?
Ele a encarou friamente.
-Chega, está se excedendo! Aceite o fatoo e vá embora sem ofender-me.Nossa conversa terminou, agora é com o departamento de
pessoal.
-Não terminou, não! Por que não fala a vverdade? Por que não confessa que está
despedindo-me apenas porque sua mulher não foi com minha cara? Que você é um
fraco, porque está sendo manobrado por ela, deixando ela interferir em sua
firma sem motivo? -Disse ela, entredentes.
Ele a fitou com ar inseguro.
-Está enganada. Minha mulher não tem nadda a ver com isso.
-Tem sim, não sou idiota! Aquela cadela metida a
rainha foi quem mandou você despedir-me!
-Não admito que fale assim de minha mulhher! -Gritou ele, erguendo-se -
Retire-se agora!
Sem ele esperar, ela ergueu a mão e o esbofeteou com força. Ele ficou imóvel,
fitando-a com incredulidade.
Ela afastou-se, jogando os papéis no chão e na porta, voltou-se e o fitou com
olhar gelado.
-Agora eu saio. Mas você e sua mulher aiinda vão ter o troco.
Saiu, batendo a porta.
Bianca meteu seus
objetos pessoais em uma caixa de papelão e saiu da firma de cabeça erguida,
mesmo com seu orgulho profissional em farrapos. Em casa, jogou-se na cama
chorando copiosamente. Sabia que tinha capacidade de arranjar outro emprego,
mas a decepção e humilhação por que passara a deixara arrasada. E gostava de
seu trabalho, que achava fascinante. Agora, o perdera, por causa daquela
mulher!
À noite foi à casa de Anne.Precisava desabafar com alguém seu problema. Ela a
recebeu com um olhar grave e opaco.
-Já está sabendo o que houve? - Perguntoou, entrando.
-Sim. Não se ouve falar em outra coisa nna firma. A briga de vocês foi feia,
todos ouviram você xingando a mulher de Sawer.
Bianca sentou no sofá da sala, com olhar indignado.
-Xinguei mesmo, ela mereceu! Foi ela queem mandou aquele fantoche despedir-me,
tenho certeza!
-Foi pior para você. >Sawer disse que agora só pagará
o que lhe deve na justiça. E isso significa que você vai demorar a receber suas
contas.
Bianca a fitou surpresa e furiosa.
-Aquele canalha está louco! Ele vai perdder o processo! E vou ainda acioná-lo
por perdas e danos!
-Eu acho melhor você entrar em um entenddimento com ele. Será menos desgastante.
-Nunca!
Ele humilhou-me, despediu-me sem motivo algum! Todos devem estar rindo de mim!
Mas isso não vai ficar assim!
Anne encolheu os ombros.
-Bem, você quem sabe - Disse, em tom de descaso.
Bianca a fitou com súbita desconfiança. Depois do que havia acontecido, não
confiava em ninguém daquela firma.
-Está contra mim, ao lado dele?
Anne desviou o olhar.
-Não tenho nada com a briga de vocês.
-Não aceitaria ser minha testemunha conttra ele, se eu precisasse?
-Não posso fazer isso. Perderia o meu emmprego - Disse Anne, friamente - Meu
emprego é muito bom, ganho bem...
Bianca se ergueu, fitando-a enojada.
-Nunca lhe pediria isso. Mas foi bom sabber o que você faria se eu precisasse.
Você não me ama, nunca me amou.Só gostava de desfrutar o que eu podia lhe
proporcionar, mas agora a fonte secou, não é?
Ela a fitou com ar ofendido.
-Oh! É isso que pensa de mim?
-Sim! Está tudo muito claro, Anne.Mas fiique sossegada, não vou fazer você
perder o seu precioso emprego. Seja feliz e me esqueça!
Ela se dirigiu para a porta. Anne não a chamou para ficar. Ela saiu e bateu a
porta atrás de si.
Bianca não foi logo
para casa.Andou por vários lugares, dirigindo à esmo,
com a mente em ebulição. Duas decepções. Uma com Sawer,
outra com Anne. Sua vida profissional e sentimental haviam
explodido como uma bolha de sabão.E tudo isso causado por aquela maldita
mulher. Sentia a raiva queimando dentro dela, como um vulcão antes da erupção.
Sentia uma ira surda que só seria aplacada com uma vingança. Tinha que se
vingar da mulher de Sawer. Não com uma
ação legal, que não a atingiria, e sim somente o marido. Tinha que ser
algo que a atingisse profundamente, algo bem mais pessoal. Tinha que estudar os
pontos fracos da mulher, o que ela mais amava, para dar um golpe certeiro. E
iria começar a pesquisar isso o quanto antes.
Lauren, mais conhecida pelo apelido de Barbie, aos 15 anos vivia a emoção do primeiro amor. Mas ao
contrário da maioria das garotas de sua idade, que conversavam com as outras
sob o objeto de seus desejos, ela se calava com vergonha do que sentia. Não
podia revelar seu amor a ninguém, porque era um amor proibido e condenado pela sociedade:
amava uma garota.
O pior é que a quem amava nem sabia de seu amor. Tantas coisas as separavam! O
nível social, os amigos, suas vidas. Mas mesmo assim, seu coração pulsava mais
forte e o seu olhar ficava enlevado quando via a garota que considerava a mais
linda do mundo: Bianca Lancini. Só tinham em comum o
fato de terem a mesma idade e estudarem no mesmo colégio.
Bianca era de família rica, ela era de família pobre. Bianca era extrovertida,
cheia de amigas, e ela era tímida e sem amigas. Bianca fazia sucesso no colégio
como a melhor aluna, além de ser a melhor levantadora do time de vôlei, Lauren não se destacava em nada. Então, Bianca era o seu
ídolo e a amava e admirava em segredo.
Nesse ano, nas férias escolares, Lauren estava
trabalhando no clube local, para ganhar algum dinheiro. E todas
as tardes tinha o prazer de ver Bianca chegar para lanchar na lanchonete
do clube, depois de nadar na piscina com amigas. Ela estava sempre acompanhada
de Louise, uma garota muito bonita e antipática, com um ar presunçoso.
Lauren olhava para o corpo lindo de Bianca disfarçadamente.
Ela era esguia e alta para sua idade, mas tinha ombros largos, braços fortes
sem deixar de serem femininos, coxas e pernas
esculpidas e um abdômen bem definido. Os seios pequenos e firmes, o biquíni
branco contrastando com a pele bronzeada de sol e uma blusa branca de algodão,
de corte masculino, jogada por cima do biquíni.
Atrás do balcão, Lauren a olhava fascinada. Teve
inveja de Sandy, que era encarregada de servir os
fregueses. Ela só vendia doces e salgados atrás do balcão e tinha de
contentar-se em olhá-la de longe.
Bianca sentou numa mesa com Louise e Sandy foi
atendê-las e voltou com os pedidos.Gritou para Joe, o
cozinheiro:
-Dois hambúrgueres e duas cocas!
O olhar de Bianca cincunvagueou pelo local e seus
olhos bateram nos da garota que a fitava fixamente. De longe, a garota na
sombra, só deu para ver que era loura.Ficou curiosa. Ela as olhava tão
fixamente! Se fosse bonita, valia à pena conferir e
fazer amizade. Ergueu-se e falou com naturalidade:
-Espere aqui, Louise. Vou lá no balcão eescolher um doce.
Louise a fitou franzindo o cenho.
-Você sempre diz que não gosta desses
-Engano seu. Às vezes, tenho vontade de saborear um.
Lauren tremeu quando viu Bianca aproximar-se.
Ficou olhando-a imóvel, sem ação. Deus, ela vinha comprar alguma coisa com ela!
Bianca parou na frente dela, olhando-a com um ligeiro sorriso nos lábios
vermelhos, mesmo sem nenhuma pintura. Os olhos azuis estavam risonhos e Lauren sentiu um arrepio. Como era linda!
-Oi...os donuts estão
fresquinhos?-Perguntou Bianca, fitando-a com um olhar avaliador.
Era incrível o que sentia, apenas com a proximidade dela. Lauren
tremia e não conseguiu responder.
Bianca recostou no balcão, olhando-a nos olhos com um sorriso. Que dentes
brancos e perfeitos, era um sorriso belíssimo!
-Não vai me responder?
Lauren engoliu em seco e falou, com um fio de voz:
-Os...donuts... acabaram de sair do forno há dez minutos.
-Ótimo! Então, quero um, por favor. Quannto é?
-Um dólar e meio.
Lauren moveu-se sentindo-se
como que envolvida em uma nuvem dourada. Aqueles olhos azuis
cravados nela a fazia ter arrepios de frio e calor. Pegou um guardanapo
com uma mão trêmula e o pegador de doces com a outra .
Abriu o vidro da vitrine e pegou um donut. Com o seu
tremor, o doce caiu no chão. Nervosa, ela olhou para Bianca, que sorriu:
-Ooops! Calma,, não fique nervosa. Não tenho pressa.
Lauren pegou outro donut, colocou
no guardanapo e entregou a Bianca, com a mão trêmula. Seus dedos se tocaram e Lauren enrubesceu.
Bianca deu à ela duas notas de um dólar e mordeu o
bolinho, com prazer evidente.
-Hummm, que goostoso!
Lauren ficou imóvel, fitando-a, sem conseguir parar
de olhá-la. Bianca a fitou com um sorriso agora malicioso, ela havia percebido
sua perturbação.
-Porque está tão nervosa, garota? É novaa na função?
Lauren conseguiu sorrir, respondendo:
-Não, estou trabalhando aqui desde o iníício das férias escolares.
-Você estuda onde?
Barbie a encarou sorrindo.
-No mesmo colégio seu.
Bianca ergueu as sobrancelhas perfeitas, em um ar admirado.
-É mesmo? Que estranho, nunca a vi lá!
-É porque você nunca me notou - Disse, ssem pensar.
Bianca a encarou sorrindo com charme.
-Que falta minha! Mas vou corrigir isso.... como se
chama?
-Pode me chamar de Baarbie...todo
mundo me chama assim.
-Barbie...
Barbie a fitou muda de emoção. Ela a achava linda!
O doce diálogo foi
interrompido pela chegada de Louise, que fitou Bianca com a fisionomia fechada.
-Bianca, estou cansada de esperar na mesa! As bebidas
já estão quentes e você aí, conversando!
Bianca a fitou calmamente, franzindo o cenho.
-Estou conversando com Barbie. Sabia que ela é de
nosso colégio?
Louise olhou para Bianca com frieza.
-Sabia, já a vi por lá. Vamos para a messa? - Disse, puxando-a pela mão.
Bianca voltou-se para Lauren, já acompanhando Louise.
-Sábado vou dar uma festinha lá em casa à noite, está convidada. Começará às
oito da noite, sabe o endereço?
Lauren assentiu, muda de emoção. Quem não conhecia a
casa dos Lancini? Era a mais bonita da rua
Washington, uma das ruas mais elegantes da cidade.
Bianca e Louise se afastaram e Bianca acenou para ela.
E Lauren ficou ali imersa numa felicidade que a fazia
ter vontade de cantar e sair dançando pelo bar. Bianca falara com ela! Dissera
que era linda! A convidara para ir à sua festa!
Mas na mesa, Louise começou a discutir com Bianca. Estava furiosa. Ia para a
cama com Bianca com freqüência e se considerava dona da garota. E o seu
instinto de mulher farejara o perigo: Bianca estava interessada em Barbie!
-Você não me engana,
Bianca!- Disse, asperamente - Eu vi! Você estava cantando aquela garota
ridícula!
Bianca a fitou com frieza, tomando um gole da coca-cola.
-Você está louca!Será que não posso fazeer uma amizade, que acha logo que estou
querendo trair você?! Ora, Louise, ridícula é você, e
não ela!
-Eu conheço você bem, Bianca! Não pode vver uma garota, é uma sem-vergonha,
metida a conquistadora! Mas comigo vai ser diferente! Essa pobretona, que se
veste com roupas doadas pela igreja, não vai me colocar pra trás!
-Ouça bem, Louise, Baarbie irá à festa e será bem
tratada por todos! - Disse Bianca, secamente - E se você a tratar mal, vai se
ver comigo! E agora, chega dessa discussão idiota!
Louise calou-se, mas sua mente começou a arquitetar um plano. Iria afastar
aquela garota do seu caminho antes que ela pudesse tomar o seu lugar. E não
seria difícil conseguir isso.
Olhou para Bianca e sorriu inocentemente.
-Está bem, doçura...voocê venceu. Não quero brigar com
você por causa daquela pobretona. Sei que você tem bom gosto e não vai
trocar-me por ela.
Bianca sorriu para ela.
-Agora sim, está sendo razoável, Louise..
Lancharam, pagaram e foram embora.
Bianca jamais
admitiria para Louise, mas estava mesmo bastante interessada em Barbie(Lauren).
Ela era uma garota linda! Um pouco magra e mal vestida naquele uniforme
horrível da lanchonete, mas que rosto angelical... Adoraria conquistá-la. Já estava enjoada de Louise.Ela era burra, egoísta, presunçosa e mau humorada. Só a prendia pelo sexo. Nisso, era boa,
parecia uma cadela no cio, estava sempre disposta a transar e fazia de tudo
numa cama. No princípio, Bianca ficara entusiasmada com a fogosa garota, mas
depois de um ano, já esgotara todo seu desejo. Queria conhecer o amor com
outras garotas. Ainda estava na fase das descobertas do sexo e pensava em fazer
uma lista de conquistas. Cada garota seria uma deliciosa novidade, cada uma
devia ter um
jeito de amar e queria conhecer várias. E deveria ser muito bom conquistar Barbie. Na festa, iria conhecê-la melhor.
IIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
No dia da festa, Lauren colocou a sua melhor roupa. Uma saia branca e uma
blusa preta, com decote em V, que comprara com o dinheiro que recebera da
lanchonete no fim da semana.
Seu pai a fitou com desaprovação. Ele era um homem de princípios rígidos, extremamente religioso, achando que tudo que era
moderno era obra de satanás. Vivia enchendo os ouvidos da família com
reprimendas e avisos contra "a luxúria e a falta de vergonha " das pessoas que não eram de sua igreja. A mãe não se
atrevia a contradizê-lo e Barbie, no meio de cinco
irmãos, era a única que o desafiava. Contra a vontade dele, estudava e
trabalhava no clube nas férias escolares.
-Onde vai, com essa roupa pouco decorosa? - Perguntou
ele, fitando-a da cabeça aos pés.
Lauren o encarou firme.
-À festa que Bianca LLancini convidou-me para ir, na
casa dela.
-Bianca Lancini? Filha de Marco Lancini?
-Ela mesma.
-Boa coisa ela não deve ser! Sabia que oo pai dela é viciado em jogo? Está
dilapidando a herança que recebeu do pai! É um inútil, nunca trabalhou! A
mulher morreu cedo, dizem que de desgosto! A filha deve ter puxado os defeitos
do pai!
-Bianca é a melhor aluna do colégio! - PProtestou Lauren
- Ela tira as maiores notas e ainda é a melhor levantadora do time de volei!
-E
daí? Mais cedo ou mais tarde, os defeitos virão à tona! Porque, como diz a
bíblia, uma má árvore não pode dar bons frutos!
Lauren revirou os olhos com ar de enfado. Lá vinha
ele de novo com suas citações!
-Ok, pai, não vou discutir com você. Já estou
atrasada, tenho que ir.
Ele sacudiu o dedo em riste na cara dela.
-Ouça o que digo! Você não me obedece e está indo para um lugar que satanás
adora estar, tentando as pessoas a praticarem o pecado, a libidinagem: uma
festa! Mas coloque isso na cabeça: se alguma coisa acontecer a você nessa
festa, não a admitirei mais nessa casa!Porque uma maçã podre apodrece um cesto!
Lauren trincou os dentes para não responder com uma
ofensa. Seu pai era irritante!
-Está bem, ouvi o que disse! Mas não vouu fazer nada demais!E até as dez horas
já estarei de volta!Tchau, já vou!
Saiu e bateu a porta. Caminhou pela rua com passos apressados,
ansiosa para chegar à festa. Teria de andar seis quarteirões, além de
atravessar um trecho escuro de um bosque . Mas isso
não a desanimava.
Os faróis de um carro vindo atrás a fez voltar-se para
olhar. Ela afastou-se para o lado para ele passar, mas o carro parou em seu
lado. O ocupante buzinou.
Lauren olhou, curiosa. Quem seria? Naquela rua de
casas pobres e rua mal iluminada, era difícil passar um carro, ainda mais do
tipo daquele, novo e caro.
O ocupante desceu do carro e sorriu para ela.
-Barbie! Sou eeu, Link!
Ela
parou e o olhou atenta. Reconheceu-o. Era Link Webber,
um colega de seu colégio. Ele andava muito na turma de Bianca.
-Link! Que faz aqui? - Perguntou surpressa.
-Bianca me pediu para buscá-la. Ela sabee que você mora longe da casa dela e me
pediu, porque eu iria passar perto daqui.
Lauren sorriu, encantada. Bianca havia se preocupado
com ela! Sorriu para ele.
-Puxa, não esperava essa gentileza! Obriigada, Link!
-Entre, estamos atrasados, a festa já deeve ter começado - Disse ele, abrindo a
porta do passageiro para ela. Lauren entrou e ele deu
a volta, entrando no carro e dando partida. Ela então sentiu algo pontudo encostar em seu pescoço. Tentou se voltar, mas uma voz disse
ameaçadoramente:
-Fique quieta, ou corto o seu lindo
Lauren ficou imóvel, aterrorizada. Mal pôde olhar
para Link, com o canto dos olhos. Ele sorria e acelerou o carro.
-Link! Que significa isso? - Perguntou, tremendo de medo.
-Significa que vamos fazer uma festinha particular, Barbie!
- Disse ele, rindo - Você não está loucaa para dar à Bianca? Pois ela, eu e meu
amigo vamos comer você até cansar!
-Bianca!É você quem está aí atrás, mesmoo? - Perguntou Lauren,
desesperada - Por que vai fazer isso comigo?
-Cale
a boca! - Disse uma voz feminina, atrás dela- Você é
uma puta, Barbie! E com putas, eu gosto de dar uma
lição!
-Bianca, por Deus, não faça isso comigo!! - Disse Lauren
com voz trêmula, quase chorando - Eu gosto tanto de você! Não precisa ter-me à
força!
Link deu uma risada.
-Oh, que bela declaração de amor! Mas voocê precisa é provar um macho, Barbie! Depois de nossa diversão, você vai poder dizer de
quem gostou mais. Ahahahaha!!!
Alguém atrás colocou nela um saco de pano negro na cabeça e ela não podia mais
ver nada. Ela estava em estado de choque, profundamente decepcionada e
amedrontada pelo que sabia que ia acontecer.Então, a garota que amava era uma
tarada, que ia participar de um estupro com os colegas? Deus, não era possível!
Aquilo era um pesadelo, não podia estar acontecendo!
O carro penetrou no bosque e parou entre umas árvores. Lauren
foi retirada do carro segura por mãos fortes, enquanto outras rasgaram sua
blusa pelo decote, expondo seus seios. Ela foi deitada no chão e arrancaram sua
saia e calcinha, sem atender seus apelos desesperados que a deixassem ir
embora.
-Vamos amarrá-la,
Bianca - Disse a voz de Link.
-Não precisa. Eu a domino com a faca - ddisse outra voz feminina - Vá, Link,
comece isso logo!
Lauren começou a implorar que a deixassem ir embora.
Não adiantou. Link deitou sobre ela e a penetrou sem o menor cuidado.
Lauren ficou ali à mercê dos três sem saber quanto
tempo. Ela perdeu a noção da realidade, talvez uma forma de proteção
psicológica contra o ato degradante e cruel a que era submetida, só tomando
conhecimento das vozes, que soavam excitadas e com crueldade.
- A cadela era virgem! Quem diria! - Sooou a voz de Link.
-Ora, Link! Essas garotas são muito espeertas! - disse outra voz masculina- Elas fazem de tudo com um homem, mas não deixam
eles botar na vagina! Fazem sexo oral e anal, depois arrumam um trouxa e dizem
que são virgens! Não se deixe enganar! Agora sou eu! Depois é você, Bianca.
-Ah, só quero ver vocês! Eu não como ressto!
Meia hora depois, estava tudo acabado. Lauren sentiu
uma mão feminina apertar o seu seio.A voz feminina falou com ironia:
-Até outro dia, Barbiie. Não adianta contar para
ninguém, que será sua palavra contra a minha. Sou filha de um homem importante,
e você é uma ninguém. Mas se ainda quiser sair comigo, pode procurar-me. Já
sabe como gosto. Não se mova até o carro ir embora, ou vai se arrepender.
Lauren ouviu as portas do carro baterem, ele
ser ligado e se afastar. Ela então como que despertou do pesadelo. Abriu os
olhos, sentou no chão com dificuldade e começou a chorar, mas dessa vez, de
ódio.
O seu amor por Bianca se tornara um ódio intenso que agora dominava cada fibra
de seu corpo. Arrancou o capuz da cabeça e se ergueu tropecamente,
sentindo um líquido morno escorrer de dentro dela pelas coxas e uma dor aguda.
Mas pior que aquela dor física, era a dor da humilhação, da degradação moral de
que fôra vítima. O seu amor fôra
jogado na lama, escarneado e ridicularizado por uma
garota que agora só merecia o seu ódio.
Mas iria vingar-se, nem que demorasse anos. Não descansaria, não mediria
esforços para ter sua vingança de Bianca. Não agora, pois como dissera Bianca,
era sua palavra contra a dela. Ela não era ninguém, Bianca era filha de um
homem conhecido e bem relacionado. O pai de Link era juiz do condado!Sua
vingança teria de esperar. Mas um dia se realizaria. Viveria para isso.
Enquanto
isso, Link chegou à casa de Bianca. Ele parou diante da entrada e olhou para a
moça ao seu lado. O plano havia sido todo dela. Havia
concordado porque era louco por ela, mesmo sabendo que Louise também gostava de
mulher.
-Louise... acha> que Barbie
vai abrir a boca?
Ela o fitou com um sorriso cheio de ironia.
-Claro que não, seu medroso! Ela sabe quue ninguém acreditará nela, pensarão que
ela está querendo ganhar dinheiro fácil, é a palavra dela contra a de Bianca!
-Mas será que ela engoliu que você era aa Bianca?
Louise sorriu triunfante.
-Pode apostar! Imitei a voz de Bianca, ee elas mal trocaram umas palavras , Barbie não podia
perceber a diferença da voz.
-Mas se ela for tirar satisfações com Biianca?
-Duvido. Ela está tão decepcionada, que nunca mais vai olhar para Bianca! Eu
entendo as mulheres mais que vocês, homens! Aquela idiota deve estar morrendo
de medo e vai sumir do mapa!
Bob, o amigo de Link, deu uma risadinha.
- Você é diabólica, Louise! Como teve a idéia de planejar isso tudo?
-Sou inteligente, querido.
-Não está com pena dela?
-Eu?! Não brinqque!Quem mandou ela jogar charme para
cima de Bianca?Bem feito!
Link fez uma careta.
-Não sei onde estou com a cabeça, para aaceitar que você ande com Bianca e
comigo! Você tinha que acabar tudo com aquela lésbica nojenta!
Louise o fitou com superioridade.
-Meu amor, gosto dos dois sexos. Sou asssim e ninguém vai mudar-me. Mas você não
tem porque reclamar. Eu não faço tudo que gosta numa cama? Não o deixo louco de
prazer? Qual outra garota aceitaria transar com dois rapazes ao mesmo tempo,
como eu faço com você e Bob?
Link a fitou excitado.
-Sim, mas fizemos o que nos pediu. Agoraa queremos nossa recompensa.
-Depois da festa, vamos fazer nossa festtinha, os três. Mas agora, quero ver a
cara de Bianca, quando ver que a lourinha sonsa não chegou. Vamos!
Bianca estava na porta de entrada da casa e os olhou ansiosa.
-Não viram Barbie aí pelo caminho?
Louise sorriu inocentemente.
-Barbie? Não, não vimos ninguém. Link apanhou-me em
casa e viemos. Sabe que moro apenas cinco quadras longe daqui, Bianca.
-Oh...ela deve ter desistido de vir, então... - Disse
Bianca, decepcionada.
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