DEZ COISAS QUE ODEIO EM VOCÊ - 1

DIEDRA ROIZ  E   E KARINA DIAS

 

CAPITULO 1 - ALISSON

Era sábado à noite... A boate estava lotada.. O som e as pessoas a todo vapor... Não curto muito lugares héteros mas, como minha namorada insistiu, sendo assustadoramente chata para que eu viesse... Bom, ela queria muito acompanhar o grupinho da faculdade, eu não podia ser estraga prazeres, né? Fiz um esforço quase sobre-humano e fui. Lagoa, meia noite e quarenta e cinco...Tenho que admitir, viu? O lugar era incrível! Não deixava a desejar para nenhuma boate GLS super badalada... Nossa! Imaginem só: logo na entrada, víamos a decoração estilo medieval, dois homens com uma armadura prata nos recebiam, eles cruzavam as espadas ao alto das nossas cabeças como se estivessem nos dando um título por entrarmos ali... Depois da portaria, havia um ambiente à meia luz, amplo... A pista de dança mais à frente, centralizada... Ao redor dela, mesas decoradas com pedras, pareciam pedras de cachoeira... Encostados nas paredes, sofás de madeira alcochoados com almofadas que pareciam folhas... Havia uma escada que levava ao segundo andar, mas nós ficamos por ali mesmo... Jéssica era toda sorrisos... Nos sentamos em uma mesa próxima ao bar onde estavam os seus amigos da faculdade. Ela me apresentou a eles como uma prima. Isto não me incomodava, tendo em vista que nem os pais dela e nem os amigos sabiam a respeito da sua orientação sexual. Muitas pessoas não se assumem para a sociedade e vivem muito bem, né? No meu caso, todos os meus amigos eram homossexuais e minha família me aceitava sem preconceitos. Nós estávamos namorando há três meses, e essa era a terceira vez que eu a acompanhava em lugares héteros... Vamos ter que negociar isso... Nesse tempo todo, Jéssica nunca me acompanhou em um ambiente GLS, sempre utilizava a mesmas desculpas: "não vou me sentir bem... E se alguém me vir? Meus pais, meus amigos... Como vão encarar isso?"... Bom, gosto dela, e isso me faz ceder sempre.
Pedi uma cerveja enquanto fui apresentada a duas amigas e um amigo de Jéssica.. Era desconfortável, sabe? Não sei como minha namorada consegue dizer tantas mentiras à nosso respeito em tão curto tempo. Até um namorado que estava viajando para Londres ela disse que eu tinha, pode isso?
No decorrer da noite... As coisas foram piorando... As amigas de Jéssica começaram a comentar sobre os carinhas gostosos que havia na boate, e eu, muito sem graça, concordava com aquela plena falta de bom gosto.
Já passava das duas da manhã, e eu olhava o relógio mais de mil vezes em menos de dez minutos. Queria ir embora, mas Jéssica não dava sinais de que iria tão cedo. Fiz a linha... Pedi mais um chopp... E outro... E outro... Sorri para os amigos dela, falei do meu namorado fictício que estava com uma doença grave e havia viajado para Londres na esperança de um tratamento revolucionário... Viajei, né? O ruim da mentira é quando você se entrega a ela, a ponto de acreditar nela... Sabe que eu até chorei falando da doença do cara?
Eu precisava de ar! Depois que Jéssica se levantou e disse que iria ao banheiro, vi uma luz no fim do túnel, sabe? Esperei alguns minutos, depois fui atrás dela, para tentar convencê-la de que seria melhor irmos embora... Passei pelo bar... Me espremi entre as pessoas que estavam vendo a movimentação na pista de dança... Passei pelo imenso corredor e olhei a placa que indicava o caminho dos banheiros... Enxuguei o suor da testa... As luzes daquele corredor se alternavam em verdes e vermelhas... Por isso tive que parar... Olhar de novo... Sabe quando você não acredita no que vê? Pois é! Esfreguei as mãos nos meus olhos... No mesmo instante em que tomei um esbarrão de uma louca que passou por mim, como um furacão... Nem consegui olhar pra ela, mas, também... Não me importei com o esbarrão que me jogou para o lado e quase me fez cair encima de algumas pessoas que estavam paradas... O que doeu mesmo foi ver Jéssica encostada na parede, no maior amasso com um carinha... Foi no mínimo nojento, sabe? Deu vontade de vomitar... O que eu fiz? Um escândalo? Não! Não sou disso...
- Calma Allison – Disse no silêncio da minha mente conturbada - Calma Allison! – Repeti, respirei fundo enquanto passava as mãos pelos meus cabelos... Nervosa... Decepcionada... Dei meia volta e subi as escadas que levavam ao terraço da boate... Estava tocando uma música suave, que acalmou o meu coração momentaneamente... Aproximei-me da grade... Olhei a Lagoa lá embaixo... Era uma visão linda... Pena que o meu humor estava tão feio... Olhei instantaneamente à minha direita e vi uma mulher chorando quase silenciosamente com as mãos seguras na grade... Sei lá o que me deu mas, eu parei ao lado dela...
- Noite difícil? – Perguntei intrometida.
- Que nada! A noite está maravilhosa para quem surpreendeu o namorado aos beijos com outra.
Sorri achando graça do tom irônico dela.
- Uau! – Virei-me de frente para a mulher que tentava esconder às lágrimas – Pensei que só o meu namorado fosse canalha!
- Não... Vai dizer que... Também... Surpreendeu o seu... Com... – Virou-se de frente pra mim... Quase me perdi naquele olhar imponente... Seus olhos eram tão azuis que doíam as nossas vistas só de olhar para eles.
- Sim! – Sorri, ou melhor, tentei sorrir – Ela estava nos braços de outro – Pensei – Ele estava nos braços de outra – Disse.
- Que raiva! Eles lá com outras e nós aqui... Nos lamentando...
- Posso te oferecer uma bebida?
- Quero ir para bem longe desse lugar.
Inclinei a cabeça, como se apontasse a Lagoa lá embaixo...
- Vamos descer? – Sugeri.
- Boa idéia! – Sorriu. Ela não tinha um sorriso habitual, era um sorriso que mostrava força... Embora eu a tivesse visto com lágrimas nos olhos...
Não me despedi de Jéssica, muito menos dos amigos dela... Saímos da boate pelos fundos... Paramos num quiosque da Lagoa... Ao fundo dava pra ver o Cristo... A princípio, o nosso assunto foi os nossos "namorados" mas, depois de alguns chopes, falamos casualidades... E quando vimos, o tempo já havia passado... O Sol já nascia proporcionando um espetáculo maravilhoso aos nossos olhos, nos despedimos... Sem troca de telefones, sem ao menos termos dito os nossos nomes uma pra outra...
Fui pra casa colocar a cabeça em ordem... Segunda-feira eu iria começar no meu novo emprego, eu estava ansiosa, e temerosa... Ansiosa por ser o meu primeiro trabalho depois que terminei a faculdade de Jornalismo, e temerosa porque o meu amigo Leonardo me preveniu que nossa chefinha era nada mais, nada menos do que uma cascavel! Vou precisar de sorte...
Perdi as contas das vezes que eu rejeitei as ligações de Jéssica... Eu divido o apartamento com meu amigo Léo, que também é gay e, quem levou o meu currículo para a redação onde trabalha. Quando Jéssica esteve no nosso apê na manhã de domingo, eu pedi a ele que dissesse que eu não estava. Ela insistiu que queria me esperar para conversar, mas o meu amigo logo deu um jeito de despachá-la. Léo era muito bom nisso. Disse que estava esperando um carinha e Jéssica, que era tudo, principalmente uma piranha, menos burra, notou que iria “sobrar” naquela noite. Bom... Eu fiz isso, porque não conseguia olhar na cara dela... Queria esperar a raiva passar, para então termos a "conversa final". Confesso que ia ser difícil, eu gostava muito daquela vadia, meu Deus! Meu estado de espírito tá péssimo! Bom... O de vocês também estaria, tendo em vista que nesses três meses de namoro, me dediquei muito à ela, praticamente abri mão de todas as coisas que eu mais gostava por ela. E o que recebi em troca? Foi encontrá-la aos beijos com um "fdp" qualquer.
- Valeu Léo! – Disse parada próxima à porta da sala – Não ia conseguir falar com essa vadia agora. Preciso pôr a cabeça em ordem.
- Vai descansar amiga! – Pôs as mãos nos meus ombros – Amanhã você vai ter um encontro com a toda poderosa da revista, viu? Evite olhar muito pra ela...
- Não faço perguntas... Me limito a responder as perguntas dela, e em hipótese alguma posso elogiar o trabalho da concorrência! – Sorri da cara dele. Léo repetiu essas recomendações a semana inteira, mesmo antes de me ligarem dizendo que a vaga era minha... Pra ser sincera, nem sei se a vaga será mesmo minha, ainda tenho que passar pela "aprovação da cascavel". Léo disse que se ela não for com a minha cara, vai me despedir antes mesmo de assinar meu contrato. Tô ferrada, né?

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CAPITULO 2 -  Pamela


A segunda feira chegou rápido. E com ela minha face mais mal humorada.
Assim que entrei na revista, Arlete - minha secretária - pegou a minha pasta e veio quase correndo atrás de mim. É, eu ando rápido. Batendo no chão com força com os saltos altos. Isso cria o efeito ameaçador desejado.
Sentei atrás da minha mesa onde pilhas de papéis já me esperavam. Guardei os óculos escuros, olhei para a caixa de e-mails – o laptop já estava ligado. Arlete era eficiente – senão não continuaria trabalhando comigo - trouxe café, água, e o currículo da nova funcionária.
- Manda ela entrar.
Queria acabar logo com aquilo. Achava aquelas entrevistas – exigência da empresa - totalmente desnecessárias. Todos os novatos recém saídos da faculdade eram iguais: cansativos, chatos, nervosos, deslumbrados. Essa não devia ser diferente, claro.
Arlete abriu a porta e pediu para a moça que aguardava na sala de espera entrar... Fui totalmente pega de surpresa quando a menina entrou na sala... Ela também me olhou com uma expressão que foi... absolutamente perplexa. Ficou boquiaberta... Imediatamente voltei no tempo, meus pensamentos ficaram perdidos no silêncio que ficou entre nós.

...Sábado à noite. Boate lotada. Se o lugar era bonito? Mesmo que fosse lindo. Isso era o que menos me interessava.
Odeio boates. Detesto ter que gritar pra conseguir ser ouvida. Prefiro mil vezes uma conversa inteligente e espirituosa num bar...
Mas o Fábio adorava. E me convenceu. Afinal de contas, ele merecia, coitado. Eu andava trabalhando feito louca, quase não tinha tempo pra ele, que apesar de tudo se mantinha - como sempre tinha sido durante os já quase oito meses que a gente namorava - maravilhosamente atencioso, carinhoso, ardente e gentil.
O Fábio era um daqueles caras que curte esportes radicais. Graças a isso, tinha um corpo simplesmente incrível. Esse era um dos pontos chaves da nossa relação porque, tenho que confessar: ele era um pouco burrinho, mas... gostoso demais...
O cara não precisava ser um Einstein pra dar o que uma escorpiana como eu mais prezava: sexo, muito sexo. Bem feito e selvagem. Com um Apolo daqueles – taurino e totalmente insaciável - eu estava muito bem servida, obrigada.
Passamos no meio de inúmeras pessoas. A maioria caçando, enlouquecida. Éramos um casal no mínimo bonito. Impossível passar sem sermos devorados por aquela tribo.
Aquela altura já era impossível conseguir uma mesa. Fábio foi até o bar, e aí... Tá, confesso que dei umas olhadinhas, avaliando o material que se oferecia... Também, era como entrar num açougue: a carne estava lá, exposta e disponível. Bastava estender a mão e se servir... Picanha e Galinha... Aliás, diga-se de passagem, galinha era o que não faltava...
E depois as pessoas criticavam as prostitutas nas vitrines na "Red Line" em Amsterdã... Pura hipocrisia...
Quando Fábio voltou, com uma Margherita pra mim - não bebo cerveja – e uma cerveja pra ele – é só o que ele bebe – ficamos nos embebedando entre muitos beijos e amassos.
Então ele disse que ia ao banheiro. E eu acabei indo logo atrás. Não que eu seja ciumenta, ou de correr atrás. Pelo contrário. Mas por sorte ou azar – quem pode dizer? – também fiquei com vontade.
Qual não foi a minha surpresa, ao ver o Fábio – o meu Fábio – aos beijos com uma menina que ele estava simplesmente... encoxando na parede.
- Calma, Pamela! – pensei.
Me virei meio perdida, a vista turva pelas lágrimas – de raiva! - que sem querer escorriam. Dando um esbarrão numa idiota que devia estar drogada porque... estava no meio do corredor paralisada, com um olhar estranho e perdido. Empurrei a menina com tanta força que ela caiu por cima de outras pessoas que estavam próximas.
Nem pedi desculpas. Naquele momento, queria dizer para o mundo inteiro: exploda-se!
Subi as escadas que levavam ao terraço da boate. Uma música suave começou a tocar. E pude ouvir como meu coração batia alto. Um verdadeiro bate estaca...
Me aproximei da grade e olhei a Lagoa lá embaixo. Do Rio de Janeiro inteiro, era o lugar que eu mais gostava.
Pena que naquele momento, a beleza da vista só tornava o gosto das lágrimas que molhavam meu rosto ainda mais amargas.
Uma garota parou ao meu lado. Minha primeira vontade foi enxotar a intrometida. Mas ela me olhou de um jeito meigo que me desarmou:
- Noite difícil?
Meu humor peculiar – negro, ácido, sarcástico, como as pessoas preferiam classificar – veio rápido:
- Que nada! A noite tá maravilhosa para quem surpreendeu o namorado aos beijos com outra.
- Uau! – ela se virou para mim – Pensei que só o meu namorado fosse canalha!
Coincidência... Coincidências não existem. Na verdade tudo tem um motivo bem palpável. Apenas não percebemos logo de cara.
Mas confesso que aquilo me pegou totalmente de surpresa:
- Não... Vai dizer que... Também... Surpreendeu o seu... Com... –
Virei de frente para ela. Que me olhou de um jeito estranho, diferente... Senti um arrepio. Apesar da noite estar agradável, impossível eu estar com frio...
- Sim! – ela tentou sorrir – Ele estava nos braços de outra – Disse.
- Que raiva! Eles lá com outras, e nós aqui... Nos lamentando...
- Posso te oferecer uma bebida?
- Quero ir pra bem longe desse lugar.
- Vamos descer? – Sugeriu.
Ela inclinou a cabeça, apontando a Lagoa lá embaixo... Meu lugar preferido, lembram? Irrecusável...
- Boa idéia!
Sorri, achando engraçado, porque em qualquer outra circunstância eu teria simplesmente me livrado dela o mais rápido possível. Afinal de contas, ela tinha me surpreendido vergonhosamente com lágrimas nos olhos...
Fomos pra um quiosque da Lagoa... De onde se via o Cristo, uma das novas sete maravilhas do mundo. Braços abertos pro mundo inteiro, testemunha silenciosa de tantas decepções amorosas. Naquele momento, das nossas...
No começo conversamos sobre os namorados. Achei engraçado porque de vez em quando ela se enrolava, trocava os pronomes: ela ou dela ao invés de ele ou dele. Devia estar bêbada já...
Depois de alguns chopes, começamos realmente a conversar. Nem vi o tempo passar. Ela era muito divertida, inteligente, simpática. Surpreendentemente boa de papo pra quem parecia tão novinha, uma adolescente quase. Aparentava ter uns 20 anos, não sei se era assim tão nova, muitas vezes a aparência não combina com a verdadeira idade.
O Sol nasceu. Um espetáculo à parte. Nos despedimos. Eu estava morta de cansaço. Depois dos trinta – e eu tinha virado o Cabo da Boa Esperança há mais de cinco anos já - virar a noite não é assim tão fácil.
Não trocamos telefones nem nomes. Pra que? Com certeza a última coisa que eu precisava era reencontrar a única a presenciar aquela noite lamentável.
Quando cheguei em casa desliguei o telefone, coloquei o celular pra vibrar e avisei ao porteiro para dizer que eu não estava.
Tomei um banho quente, quase fervendo – como eu gostava. Me joguei na cama e juntou tudo: depressão, sono atrasado, vontade de não voltar a acordar... Dormi até quase cinco horas da tarde.
No celular milhares de chamadas não atendidas – todas do Fábio. E umas cinco mensagens – que apaguei sem ler. Liguei o laptop. Mais mensagens do canalha. Bloqueei, deletei ele do e-mail, orkut, MSN... Sem pena, remorso, dúvida nem nada. A partir daquele momento, da minha vida ele já não fazia parte...

... Voltei ao momento presente... E ao contrário dela, eu sabia muito bem disfarçar meus sentimentos. Não ia dar chance pra que ela pensasse que teria algum tipo de privilégio ou tratamento diferenciado só porque tinha me visto num momento de fraqueza. Mandei ela se sentar. Obedeceu, imediatamente. A cadeira na minha frente era propositalmente daquele tipo que a pessoa afunda e fica alguns centímetros mais baixa.
Me deixou muito mais imponente, e a pobre coitada muito mais vulnerável. Disse, como se não a conhecesse – e não conhecia mesmo – olhando para o currículo na minha mão:
- Allison? Seu nome é esse?
Ela concordou. Queria o mais rápido possível, colocar a menina no seu devido lugar:
- Horrível. A menos que isso aqui fosse um conjunto musical...
Deixei a piadinha no ar. Ela não entendeu, lógico. Era proposital. Expliquei, esbanjando superioridade:
- Você poderia testar o microfone assim: som!
Allison!
Ri de pura maldade.
Vocês precisavam ver a cara que ela fez. Óbvio que não tinha gostado. Mas era esperta. Não respondeu a provocação. Continuei:
- Vamos fazer o seguinte: aqui dentro seu nome vai ser Ali. Ali... É, muito melhor. Bem menos suburbano, não acha?

 

 

 

 

 

 


CAPITULO 3 - ALISSON

 

Quando eu entrei naquela sala... Olhei aquela mulher à minha frente... Bom, meu estômago parecia revirar por dentro... Meu Deus! Era coincidência demais! Putz! A mulher... Era a mesma da Boate, no entanto... Aquele olhar de superioridade em nada lembrava a mulher que havia passado horas comigo, sentada num quiosque à beira da Lagoa... Como Léo já havia me dito, ela era perversa... Cruel... Mas, extremamente linda! O "linda" ficou por minha conta, viu? Já sentiram vontade de sair correndo de um lugar simplesmente por não saberem onde estão? Deixa eu ser mais clara: eu perdi a noção de onde estava e o que eu fui fazer ali, e o chão parecia ter saído debaixo dos meus pés por dolorosos minutos, os minutos de silêncio que ela me olhou, sem nada dizer e nenhuma expressão amigável exibir... Eu estava completamente desconcertada diante daquele olhar reprovador, e fiquei ainda mais sem saber onde enfiar a minha cara, diante das suas agressões verbais desnecessárias, afinal de contas, o que eu tinha feito de errado? Nem abri a minha boca, oras! Por que ela simplesmente não me mandava sair da sua sala? Era só dizer que a vaga não seria minha, não é? O que ela queria com aquelas provocações sem sentido?
- Olha... – Engoli em seco – Gosto de Ali. O trabalho é meu ou eu ainda tenho que ouvir mais uma das suas piadinhas? – Disse num impulso – Faz parte do processo de seleção? – Continuei movida pelo impulso que naquele momento me dava uma coragem extraordinária, só que a coragem foi embora quando aquela mulher toda me olhou praticamente revoltada com a minha ousadia, ou sinceridade, ao meu ver.
- Olha aqui menina! – Ergueu o corpo e bateu a mão na mesa, no mesmo instante em que um senhor de cabelos grisalhos entrou na sala... Fiquei olhando-o, quase fazendo um pedido a ele - Me tira daqui! – Pensei enquanto olhava a mulher exuberante e má dar a volta na mesa e gentilmente ir de encontro a ele... Eu parecia não existir para aqueles dois, até que o Senhor me olhou por um momento e sorriu pra mim... Encolhi-me na cadeira, mesmo achando aquele sorriso gentil.
- Você é nossa nova funcionária? – Estendeu-me a mão direita para um cumprimento, logo fiquei de pé e apertei sua mão.
- Senhor... – Fitei-o como quem quer descobrir o seu nome.
- Álvaro – Disse ele.
- Prazer Sr. Álvaro – Tentei respirar antes de continuar a falar, a mulher estava me olhando como quem quer voar no meu pescoço por tamanha petulância – Ainda não sei se farei parte do quadro de funcionários dessa empresa, embora eu queira muito, não sei se... Passarei dessa entrevista – Fitei-a de rabo de olho.
O homem pegou o meu currículo nas mãos... A cascavel, como Léo a chamava, estava de braços cruzados olhando os seus gestos...
- Você tem um bom currículo Allison – Disse e sorriu – A Pamela sabe enxergar um talento quando vê um. Tenho certeza que minha filha saberá avaliar você como merece.
Fiquei quase sem palavras, afinal de contas... Como um homem que aparentava ser tão gentil, pôde pôr no mundo uma mulher tão... Tão... Linda? Não! Sem noção! Nossa! Aquela tal de Pamela era sem noção! É o tipo de pessoa que se delicia ao abusar do poder... Será que na cama ela também abusa? Foi duro segurar o meu sorriso ao pensar nisso, sabia? Pior ainda foi disfarçar o meu olhar na direção das pernas dela...

Depois que o Sr. Álvaro saiu da sala, ela sequer olhou pra minha cara, apenas pegou no telefone...
- Peça ao Leonardo para vir aqui e levar a nova funcionária para conhecer as instalações da revista.
Soltei o ar que parecia preso nos meus pulmões, tamanha era a minha apreensão diante daquela mulher...
- Obrigada - Disse tentando não me aprofundar naquele olhar frio.
- Pode esperar lá fora – Disse sem desviar os olhos da tela do computador – O funcionário que virá já sabe o que tem que fazer com você – Sem comentar nada, caminhei em direção à porta... Girei a maçaneta... – Ali – Chamou-me... Virei de frente para ela, percebi que mesmo assim, aquela mulher não desviava os olhos da tela à sua frente – Nós nunca nos vimos antes desse momento, está bem?
- Mas... Essa é a primeira vez que estou vendo a senhora... – Pensei um instante – Não me lembro mesmo de nenhum outro encontro – Disse irônica.
- Muito bom! Feche a porta!

Encostei-me na porta após fechá-la, fui pega pelo braço pelo meu amigo Léo que me puxou para um canto próximo à uma enorme janela...
- Como foi?
- Horrível!
- Eu não falei? Ela é uma cascavel – Disse baixinho – Vem! Tenho que te mostrar as dependências... – Sorriu enquanto caminhávamos por um imenso corredor, cheio de portas de vidro que levavam às outras salas...
- Léo! – Balancei a cabeça negativamente enquanto tentava raciocinar a respeito do que havia acontecido. De sábado pra cá a minha vida estava cheia de surpresas, e posso garantir que todas eram péssimas...
- O que foi? – Passou as mãos pelo meu ombro – Você se acostuma com a Dona Pamela, Ali! Vem cá... - Apontou uma porta – Essa é a minha sala... Nós entramos e, como num pesadelo, eu vi Jéssica sentada na cadeira de Léo, conversando animadamente com um dos funcionários da revista que, pelo que indicava o seu crachá, era um dos editores... O mesmo desencostou da mesa quando nos viu entrando. Logo se despediu de Jéssica e cumprimentou Léo ao passar por nós... Respirei fundo... Tudo o que eu não queria era ver aquela pir... digo, aquela sem vergonha na minha frente... Não podia ficar pior, né?
- Como você entrou aqui, menina? – Se antecipou Léo.
- Eu precisava falar de qualquer jeito com você Allison! – Disse vindo em minha direção – Foi fácil entrar nessa revista, o editor que acabou de sair é amigo do meu irmão.
- Olha só, garota! – Continuei impaciente – É meu primeiro dia de trabalho... Tá sendo difícil, viu? Vê se vai embora e...
Antes que eu pudesse completar a frase, olhamos para trás e vimos uma figura imponente parada na entrada da porta... Completamente estática... Olhando para Jéssica como um inimigo de guerra deve olhar para o outro quando se encontram frente à frente num campo de batalha...
- O que essa mulherzinha está fazendo aqui na minha revista? – Seu tom de voz era grave, firme... De dar medo.
- Quem você tá chamando de mulherzinha?
- Ãhn? – Dissemos eu e Léo ao mesmo tempo.
- Mulherzinha sim! Que fica agarrada a qualquer um em boates lotadas – Disse num impulso. Depois olhou para nós um pouco desconcertada.... Arrependida...
- Do que você está falando? Eu não vim aqui para ser ofendida, vim para me entender com a minha namorada!
Putz! Coloquei as mãos na cabeça assim que Jéssica terminou a frase... Nossa! E eu que pensei que não podia ficar pior, né? A coisa tava preta, viu? Essa menina além de ter me corneado ainda queria me fazer perder o emprego que eu ainda nem tinha conseguido.
- Como... Como assim? – Pamela parecia não ter ouvido direito.
Corri e tapei a boca de Jéssica... Sim! Ela deve ter batido com a cabeça! Senti os dentinhos dela abocanharem os meus dedos... Dei um grito de dor... E a menina se virou aflita para mim...
- Allison... Agora eu sei porquê você sumiu da boate no Sábado... Meu amor... Eu... – gaguejava – Eu posso explicar! Aquele homem quem me agarrou... Juro que...
- Cala a boca, Jéssica! Eu vi vocês no maior amasso na porta do banheiro! – Não resisti... perdi o emprego? Foda-se! Eu precisava desabafar.
- Olha aqui Jéssica! Acabou, entendeu? Não quero saber quem agarrou quem! - disse e deixei a sala de Léo sem olhar para lado algum... Voltei pelo corredor... Estava quase alcançando a saída quando senti as mãos de alguém tocarem o meu braço... Inclinei meu rosto para ver quem era, e esbarrei nos olhos mais expressivos que os meus já viram na vida... Inevitavelmente olhei para as mãos dela envolta no meu braço, visivelmente vimos os pêlos do meu corpo arrepiados... Tentei desviar o meu olhar dos olhos dela, mas não consegui... Quando me dei conta, estávamos novamente... Frente à frente dentro daquela sala gélida de Pamela...
- Eu entendi direito? – Questionou ela.
- Menti no sábado pra você... Eu sou lésbica! – Fui direta como gosto de ser.
- A sua namorada estava beijando o meu namorado!
- Caraca! – Soltei sem querer – Aquele safado era o seu namorado?
- Ex-namorado! – Disse séria – Allison, não sou mulher de ser passada para trás, e muito menos de tolerar escândalos tanto na minha vida particular, quanto dentro do meu local de trabalho.
- Já sei... To despedida!
- Não... Você não sabe! – Fitou-me com aquele olhar de quem intimida qualquer um – Não vou te despedir, só não quero que você me crie problemas, entendeu?
- Entendi!
- Pode ir – Disse completamente inexpressiva.

Tranquei a porta novamente... O ar me faltava... Nem nos meus piores pesadelos imaginei passar por tamanha saia justa. Que vontade de esganar a Jéssica! E que surpresa saber que a toda poderosa foi trocada por uma suburbana... Sorri daquele pensamento... Se teve um lado bom da sacanagem da minha ex, podem apostar que foi esse.




 


 

 

Capítulo 4  - Pamela

 


Quando aquela menina fechou a porta e pude ficar sozinha com meus pensamentos, percebi a confusão em que eles estavam. Impossível ordená-los.
Minhas mãos tremiam. Me deixei cair na cadeira e tentei repassar os milhares de acontecimentos bizarros em tão pouco tempo.
Como se não bastasse a garota com currículo impecável ser a mesma com quem eu tinha dividido minha humilhação na boate, ela era namorada da biscate que estava aos amassos com o Fábio.
Aí sim comecei a finalmente processar as informações. Os erros dela, trocando os pronomes, o jeito descarado que tinha olhado para as minhas pernas e que tinha - tinha sim, de forma inegável – se arrepiado quando a segurei pelo braço.
Allison... tudo nela, a começar pelo nome, era abominável. Menos uma coisa – essa era absolutamente surpreendente, admirável, eu diria até invejável – não era qualquer pessoa que tinha a coragem e a capacidade necessárias para me olhar nos olhos como ela olhava.
Por que a tinha contratado? Não estava disposta a perder o que poderia vir a ser a melhor das minhas funcionárias. Ela prometia, isso pra mim era claro.
Mas também estava começando a perceber que havia alguma coisa nela – eu ainda não conseguia definir o que, para ser exata – que me instigava.
Não era um interesse nela como mulher, nem como pessoa. Isso pouco me importava.
Como meu pai mesmo tinha dito, eu tinha um olho clínico para talentos. E de cara eu tinha enxergado nela algo muito além do esperado. Se ela não fosse desperdiçada. Ou seja: se fosse bem treinada. Por mim, é lógico.
Uma coisa da qual eu não abria mão – na verdade eu adorava – era um bom desafio. E eu pressentia que Ali...
Nossa, realmente muito melhor Ali... Soa gostoso, quase se desmancha na boca... Doce... Melado... Como uma... bala?
Não tive como deixar de soltar uma risada...
Antes de completar meu pensamento: eu pressentia que Ali poderia ser uma diversão à parte, se as cordas certas fossem puxadas.
Chamei Arlete pelo telefone interno.
- Pois não, dona Pamela?
- Arlete, mande buscar as cartas dos leitores no depósito.
Arlete pareceu surpresa. Muito surpresa, porque chegou a perguntar:
- Todas? São caixas e caixas...
Quanto mais, melhor... Foi o que pensei, me deliciando. Disse, saboreando mais ainda:
- Todas. Empilha tudo em volta da mesa da novata. Diz que é para ela ler e selecionar as dez melhores para serem publicadas. Até o fechamento da revista na 4ª. Entendido?
Ouvi o lápis eficiente de Arlete anotando item por item. Antes de responder:
- Sim, dona Pamela. Algo mais?
- Por enquanto é só.
Tava louca pra ver a cara dela... E como ela reagiria a minha jogada. Se minha intuição estivesse certa, ela ia aproveitar pra mostrar eficiência, é claro.

Só voltei a ver Ali na 4ª feira. Na verdade, passei em frente à mesa dela no caminho pra sala de reuniões.
Ela estava sentada, examinando alguns papéis. Nem sinal das caixas. Se ela tinha feito hora extra, levado trabalho pra casa, ou enrolado, ainda não era possível saber. Pelo menos tinha se virado pra fazer exatamente o que eu tinha mandado.
Quando percebeu a minha presença, ela levantou os olhos, me olhou com aquele jeito profundo, tão direto que chegava a ser abusado, e sorriu.
Não sorri de volta. Pelo contrário, virei a cara. Ainda ia colocar essa menina em seu devido lugar!

A reunião foi enfadonha, como sempre. Realmente, o que a “Gente Chique” precisava era de novos talentos. Não aquele bando de abobalhados, apavorados, tremendo e arregalando os olhos a cada movimento meu.
Menos Ali. Ela me observava atentamente. Quase sem piscar. De boca aberta, parecia não acreditar.
Perguntei pelas cartas. O editor tentou responder, mas o cortei:
- Quero que a Ali responda.
- Ãh?
Foi só o que ela conseguiu dizer no começo. Pega totalmente de surpresa, lógico. Já devia ter sido instruída para não abrir a boca na reunião. E de fato, seria o certo, mas... eu queria testá-la.
Passado o susto, ela foi excelente. Eu diria até brilhante. Soube explicar muito bem o porque das escolhas que tinha feito – todas absolutamente acertadas, aliás – e leu os trechos que tinha selecionado.
Por dentro, aprovei. Mas o que falei - como se ela tivesse sido medíocre, menos do que razoável - sem nenhum entusiasmo na voz foi:
- Ok. Porém, não vamos usar.
Não disse mais nada. Se ela esperava elogios, ou ficou desapontada pelo esforço sem sentido, disfarçou maravilhosamente bem. Agradeceu pela oportunidade, com um sorriso. É, a menina aprendia rápido...
Depois de mais meia hora de chateação, já ia encerrar a reunião quando de repente, Ali levantou a mão.
Todos a olharam assustados. Com os olhos arregalados. Foi com muita dificuldade que consegui controlar o sorriso que lutava para surgir em meus lábios. Como sempre, me contive, e com uma expressão de completo desagrado, perguntei:
- O que é, Ali?
Meu tom de voz – que fez os outros estremecerem - não pareceu nem de longe a ameaçar. Me olhando nos olhos – é, ela era mesmo muito abusada! – e com uma voz espantosamente firme, Ali falou:
- Tenho uma sugestão.
Realmente ela prometia... Minha vontade era soltar uma gargalhada. Ao invés disso fuzilei a menina com os olhos. E disse:
- Sugestão?
Não era uma pergunta. Era uma constatação do absurdo da situação. Mas Ali - Inacreditável!- me respondeu:
- Eu pensei que...
Aí sim, deixei escapar um riso debochado. E soltei:
- Pensar? Por enquanto, aqui dentro, você não pensa. É uma ameba, um ser invertebrado. Obedece sem questionar e não fala, apenas responde o que for perguntado. Entendido?
Dessa vez consegui fazer Ali tremer. Não de medo, mas de raiva. A voz saiu com esforço, mas bastante educada:
- Sim, dona Pamela.
Ela não me olhou nos olhos. Talvez se olhasse não conseguisse se manter tão controlada. Ponto pra ela, novamente.
- Ótimo. Então podemos finalmente, encerrar.
Levantei da cadeira e saí daquela sala com uma felicidade inexplicável.

Na semana seguinte mandei Arlete chamar Ali em minha sala. Se Arlete achou esquisito – e era – não disse nada. Talvez estivesse pensando que eu ia demitir a menina. Quem sabe?
Quando ela entrou – depois de ser anunciada – ficou parada perto da porta, como se quisesse ir embora.
- Sente-se.
Foi uma ordem. Que Ali imediatamente obedeceu. Nem esperei ela se acomodar – ou melhor: tentar, porque aquela era a cadeira que eu adorava. Que fazia a pessoa afundar e ficar toda torta e encolhida. Nunca me cansava daquilo, era simplesmente... divertidíssimo!... Fui logo dizendo:
- Resolvi te dar uma chance. Dê uma olhada.
Empurrei alguns papéis – na verdade um contrato - na direção dela. Ali leu atentamente. Parecia sem palavras. Tentei analisar a reação dela, mas não consegui. Perguntei:
- E então? O que acha?
Ela ainda demorou um pouco a responder. Parecia não estar entendendo direito:
- Você... a senhora, quer dizer... tá me oferecendo o cargo do Léo?
- Exatamente.
- Por que?
Os olhos dela mergulharam nos meus. Com uma estranha, doce intimidade. Que fez o tom da minha voz se tornar quase suave:
- Você é melhor do que ele, Ali.
Sem quebrar o contato hipnótico dos olhos, ela insistiu:
- E o que acontece com o Léo, se eu aceitar?
- É demitido, claro.
Ali passou a mão no rosto. Não como se estivesse num impasse. Como se não acreditasse. Sacudiu a cabeça negativamente, claramente me reprovando. E riu, antes de responder:
- Não posso aceitar.
- Por quê?
- Tenho ética. Nunca passaria uma rasteira dessas em alguém.
A atitude por si só já era louvável. O salário era mais do que o dobro do que ela ganhava. Fora outros benefícios e... ter um cargo estável na revista. Era uma grande oportunidade. Irrecusável se... não se tratasse de Ali.
Não pude deixar de abrir um sorriso. Ela me olhou sem entender nada.
Só eu entendia. Que ela tinha passado no último teste, e estava aprovada, porque... além de talentosa e inteligente, a menina era confiável.
Abri uma de minhas gavetas. Puxei de dentro dela um outro contrato. Disse, indicando os papéis que ela ainda segurava:
- Pode jogar isso fora.
Ali prontamente obedeceu. Entreguei o novo contrato pra ela, que passou os olhos pelas páginas e... aí sim, ficou completamente sem palavras. Por alguns minutos apenas:
- Você... desculpe: a senhora... quer que eu seja sua assistente?
- Minha aprendiz, na verdade. O salário é o triplo do seu. E também o trabalho. Preciso de dedicação total.
Ali me olhou. Dessa vez como se eu estivesse pedindo que ela me vendesse a alma. Quase isso, na verdade. Mas era irrecusável. E Ali aceitou.
- Ótimo. Você tem até amanhã para mudar suas coisas para a sala ao lado.
Apontei a porta interna que ligava as duas salas.
- Pode ir.
Ela fez que sim com a cabeça, pensativa. Me analisando, na verdade. Depois se levantou, e saiu.
Me deixando com uma sensação estranha, quase uma ansiedade.



 

 

 


CAPITULO 5 - ALISSON


- Cruz credo! – Foi o que disse ao sair da sala daquela mulher. Fiquei parada ainda no corredor por alguns minutos. Eu estava tentando puxar o ar que parecia ter ficado preso nos meus pulmões, tive a impressão de que perto de Pamela eu não conseguia respirar. Passei as mãos pelos cabelos, joguei-os para trás... Sabe quando você sente uma vontade imensa de gritar? Pois é! Daria tudo para ter um travesseiro à mão para sufocar os meus gritos... Comecei a caminhar com a mão encostada na parede até passar pela sala de Léo, que estava parado na porta...

- O que houve criatura? – Puxou-me pelo braço... Entrei na sua sala, ele puxou a cadeira e praticamente me jogou nela – Você está pálida amor, desembucha, o que a poderosa fez com você?

- Cara! Eu tô de saco cheio dessa mulher! Ela é... Ela é... – Fiquei pensativa por uns instantes, como se as palavras tivessem fugido da minha cabeça – Ela é gostosa! – Pensei – Uma víbora! – Disse.

- Isso estou careca de saber – Puxou outra cadeira – Foi pior do que na reunião?

- Hoje ela tava usando um perfume mais sensual – Disse num impulso, acho que esqueci que o Léo estava me ouvindo – Eu detesto essa mulher, sabia? Ela é metida, olha pra gente com aquele ar de superioridade... – Levantei-me da cadeira completamente contrariada – ... Trata seus funcionários com a mesma cortesia que trataria um cão de rua! – Fitei Léo que olhava-me atento – Será que ela não percebe que precisa de nós? Imagina se aquela patricinha metida conseguiria levar sozinha a revista nas costas?

- Você só quer comer a poderosa ou está apaixonada?

- O quê? – Parei de falar... Coloquei as duas mãos na mesa dele... – Que absurdo! Tá aí uma mulher que não mexe em nada comigo, beleza?

- Sei... Diz isso pros seus olhos, tá? – Deu a volta na mesa e me conduziu até a porta – Vai trabalhar gatinha!

- Não quero sair com ela! Muito menos estou apaixonada!

Léo cruzou os braços e virou a cabeça para o lado, sinalizando onde ficava a minha sala...

Balancei a cabeça negativamente enquanto me dirigia para a sala no finalzinho do corredor... Abri a porta... Entrei...

- Não! – Pensei enquanto levava a ponta do lápis até a minha boca – Não posso estar desejando essa... Essa... – Respirei fundo – Deusa! – Mordi a ponta do lápis, logo comecei a cuspir o grafite que se desmanchou na minha boca – Droga! – Resmunguei enquanto passava a mão para limpar a sujeira – viu? Fica pensando naquela energia negativa! – Sorri achando graça dos meus pensamentos, Arlete entrou na minha sala e ficou parada na porta me olhando.

- Sorrindo depois de sair da sala negra?

- Ãh? – Desviei o olhar do desconhecido e fitei a secretária da toda poderosa.

- Seu ramal está ocupado, e a poderosa chefona quer você de novo na sala dela... – Sorriu irônica – Ela vai testar os seus nervos até a última gota – Disse quase num sussurro – A D. Pamela gosta de ver até onde os funcionários resistem. Se você resistir, irá ter uma carreira brilhante aqui dentro, mas se você ceder às provocações dela... Perderá o emprego, entendeu?

- Uau! – Disse parada na frente dela – Esses conselhos são para dizer que você gosta de mim?

- Digamos que eu fui com a sua cara!

- Pede um cafezinho – Sorri pra ela – É por minha conta.

- Engraçadinha, o café servido aqui é de graça!

- Que bom, tenho andado dura, viu? – Acenei pra Arlete enquanto retornava ao matadouro, digo, à sala de tortura... Não, não! Ao covil da toda poderosa - O que será que ela quer agora, hein? – Pensei pelo caminho – Será que ela esqueceu de xingar os meus pais? – Sorri no mesmo instante que abri a porta, ou seja, deu tempo da chefona perceber o meu sorriso.

- Ganhou na loteria? – Disse ela.

- Melhor, fui chamada novamente na sua sala – Ironizei, ela ergueu uma sobrancelha, olhou-me friamente com aqueles olhos azuis que pareciam hipnotizar a gente, quer dizer, bobagem dizer que pareciam... Eles literalmente hipnotizavam... Percebi que a piada não foi de bom tom, quer dizer, bem recebida por ela. Que humor negro, né?

- Infelizmente tive que te chamar de volta – Passou atrás da sua mesa... Percorreu a sala até um armário de madeira que ficava do lado direito da parede. A mobília daquela sala era impecável. Pelo que Léo me disse, cada móvel havia vindo de uma parte diferente da Europa, o armário em questão era de Portugal... Aquela cadeira ridícula que engolia a gente foi um presente de um patrocinador italiano... – Quanta ostentação para uma sala de trabalho – Pensei enquanto aspirava o cheiro do perfume dela, sabe aquele perfume marcante que deixa rastro? Era assim o cheiro dela... Quando a malvada descia do elevador, todos na redação sabiam que ela havia chegado pelo simples fato do perfume dela se propagar como rastilho de pólvora pelos quatro cantos daquela empresa. Pamela fez suspense, abriu o armário e ficou mexendo em alguns papéis... Olhei-a de costas, foi inevitável não admirar aquelas formas bem feitas que a mulher exibia... Senti minha calcinha molhar na hora... Que sofrimento ficar ali parada, completamente excitada só por vê-la pegando uns papéis no armário... Balancei a gola da camisa para refrescar o calor do meu corpo... Que azar! Pamela virou-se lentamente e me olhou como se soubesse exatamente o que eu estava sentido...

- Pronto! Perdi o meu emprego – Pensei colocando as mãos dentro do bolso da minha calça.

- Aqui está! – Veio caminhando suavemente na minha direção, sorriu maliciosamente pra mim... Fitei seus lábios que ela umedeceu com a ponta da língua... Tive que tirar as mãos dos bolsos, pois ela largou praticamente uma pilha de revistas nas minhas mãos – Quero um relatório de cada uma dessas concorrentes americanas...

Sorri achando fácil o trabalho...

- Pode deixar... – Encarei-a quase dizendo “tanto drama pra tão pouco?”

- Quero amanhã, na primeira hora! – Sorriu e saiu andando de volta até a sua mesa... Não consegui absorver as palavras dela, apenas fiquei olhando-a rebolar enquanto caminhava... O telefone da poderosa tocou e ela fez um gesto para que eu saísse da sua sala.

Voltei para a minha humilde salinha de móveis baratos e nacionais completamente desnorteada... Sabe o que deu vontade de fazer? Ir pro banheiro me tocar pensando nela! Caraca! Eu devo estar enlouquecendo mesmo, sabia? Coloquei a pilha de revistas encima da minha mesa...

- Tenho que parar de pensar indecências! – Pensei... Folheei algumas revistas... O melhor da moda... – Dizia uma – As 50 celebridades mais sexy de 2007 – Li em outra... Numa terceira encontrei... – Lista dos mais feios, melhores e piores capas de discos – Balancei a cabeça negativamente... – Ela quer um relatório de quase vinte revistas pra amanhã? – Essa mulher é doida! – Sussurrei, e... Comecei imediatamente a fazer os relatórios que a poderosa pediu, não fui almoçar, dispensei os intervalos do café... Pedi ao Léo que só me chamasse se fosse algo de vida ou morte, desliguei o celular... Quase esqueci de respirar, viu? Era medida para estender o meu horário de trabalho... Um copo de água! Passei o dia inteiro com um copo de água... O tempo passou e eu nem percebi, quando olhei através da janela, o Sol já havia dado lugar ao negro da noite... Olhei na direção do corredor e as luzes já estavam sendo apagadas pelo vigia noturno.

- Meu Deus! – Estiquei minhas mãos para o alto, espreguicei-me... Meu corpo estava moído, mas eu tinha concluído mais da metade dos relatórios... Eu sabia que estar de olho na concorrência era importante, mas não achava justo o prazo que a Pamela estipulara pra mim. Ela foi cruel, né? – Sorri achando graça da forma que eu pensei nela, imagina dizer que uma mulher é cruel e lembrar das curvas do corpo dela? Fechei os olhos e me dei conta de que eu precisava urgentemente de uma mulher... Levantei-me de sobressalto, apanhei as revistas que faltavam ser analisadas, joguei-as de qualquer jeito na minha bolsa... Saí pelo corredor escuro... Apalpando a parede para não esbarrar em nada... Alcancei o elevador e liguei para o Léo...

- Tá onde bicha?

- Num barzinho perto do trabalho, e você? Não te vi o dia inteiro, fez algum trabalho externo?

- Estive trancada na minha sala o dia todo cabeção! Tô saindo agora do prédio.

- Então vem pra cá! Estou em Ipanema, na Farme de Amoedo com o Vini. O chope tá gelado e a música tá boa! Sugestivo não acha?

- Tudo o que eu preciso, sabia? Tá em qual bar?

- Estamos no Bofetada, não demora!

- Tô indo pra aí!

Desliguei o telefone assim que atravessei a rua... Dei sinal para um táxi que passava e em poucos minutos cheguei ao bar onde Léo estava com o namorado...Foi fácil encontrá-los, o bar é pequeno e eles estavam sentados em uma mesa de madeira perto da rua mesmo... Nos cumprimentamos, eu pedi um chopp, logo belisquei as batatas fritas que estavam na mesa, eu estava morrendo de fome. Não comi nada o dia todo, lembram?

- Veio do deserto gatinha? – Perguntou Vini ao me ver beber o chopp de uma só vez e levantar o braço para pedir outro.

- Vim do inferno amigo! – Gargalhamos.

- A cascavel tá esfolando ela.

- Foi gentil ao dizer esfolar, sabia Léo? – Peguei o chopp da bandeja do garçom e virei –o também de uma só vez...

Ao terceiro copo de chopp que eu iria beber da mesma forma, Léo conteve o meu gesto...

- Pega leve, amanhã você levanta cedo, esqueceu?

- Ela tá me provocando, sabia? – Bati na mesa... Balancei a cabeça negativamente, e senti que meu cérebro não estava funcionando muito bem... À minha volta tudo rodava, não sei se foi por não ter comido nem bebido nada o dia inteiro, ou pelo simples fato de eu estar estressada por ter ido duas vezes na sala da Poderosa hoje... – Ela quer que eu faça tudo e nem me dá um prazo justo! – Fitei os dois à minha frente, completamente concentrados no que eu estava dizendo – Quer saber? Eu quero fuder!

Vini colocou a mão na boca, Léo começou a rir...

- Amiga, você está muito estressada! – Léo chegou mais perto de mim, quase cochichando no meu ouvido – Olha que morena gostosa ali do lado te dando mole!

Olhei, não pra morena que ele falou, mas pra loira vestida com um terninho verde que estava ao lado dela... Devia ter acabado de sair do trabalho... Pisquei os olhos duas vezes, e tive a nítida impressão de que era Pamela sorrindo pra mim... Num surto desesperado que deixou os meus amigos sem saber o que eu faria, levantei-me cambaleando... Nem pensei, apenas agi... Aproximei-me da mesa quase ao lado da que nós estávamos... Aproximei meus lábios do ouvido da mulher...

- Estou te esperando no banheiro, se você não for... Aceito isso como um não... – Disse e saí. Passei pelos meninos e pisquei para eles. Léo fez gestos dizendo que não era aquela que estava me dando mole, e eu continuei andando em direção ao banheiro... Três minutos depois vi a porta se abrindo e a mulher de terno verde entrou... Não esperei para saber o nome dela, eu já estava cega de desejo... Puxei-a pela cintura enquanto buscava os seus lábios com os meus... Apoiei-a na porta para impedir a entrada de outras pessoas enquanto minhas mãos deslizavam por baixo da sua saia... Meus lábios passaram rapidamente da sua boca para o seu pescoço... Beijando-o... Mordendo-o... Arrancando gemidos daquela mulher deliciosa que estava diante de mim... Alcancei sua calcinha e meus dedos ultrapassaram suas laterais...

- Tô louca pra te comer Pamela – Sussurrei no seu ouvido enquanto meu corpo latente de tesão grudava no dela... Enfiei meus dedos... Penetrei-a com força, elevei a sua perna direita na altura da minha cintura para facilitar aquele contato, o pano da saia dela ameaçou rasgar com aquele movimento brusco, a mulher se debateu nos meus braços, arranhando os meus ombros...Ela gozou com os meus dedos dentro dela... Abri os olhos e busquei seus lábios para beijar... Suguei-os no mesmo instante em que procurei o azul daqueles olhos... Não encontrei... Não era Pamela... A mulher dos olhos negros sorria pra mim, e eu não conseguia sorrir de volta... Soltei a sua perna que deslizou lentamente pelo lado do meu corpo...

- Nossa menina! Sua namorada Pamela deve ser muito gostosa pra você comê-la assim – Disse, piscou pra mim e entregou o número do seu telefone escrito num guardanapo que ela prendia na mão direita... – Espero que me ligue - Ajeitou a roupa no corpo e saiu... Fiquei ainda ali... Encostada na pia... Completamente atordoada...




 

 

 

CAPITULO 6 - PAMELA

 


Depois de entregar as revistas para Ali, liguei para Val. Minha melhor e única amiga de verdade. Companheira fiel de inúmeras festas, pegações e farras, desde a época do Pré-Vestibular. Val era exatamente como eu: fazia tudo o que tinha vontade, sem culpas nem falsas moralidades:
- Pam?
- Oi, Val... Tô precisando de você...
- Fala, gata...
A risada escandalosa de Val soou do outro lado. Aprovando cada palavra que eu falava. Se divertindo com a maquiavélica idéia que eu tinha tido pra me vingar do Fábio. Quando terminei, ela disse:
- Amiga, eu sabia que você não ia deixar barato! Tô dentro, claro!

Cheguei com Val na boate com quase uma hora de atraso. Os dois idiotas que eram os melhores amigos do Fábio estavam nos esperando, sentados numa mesa no canto, sem conseguir disfarçar a ansiedade.
Cumprimentei cada um com dois beijinhos bem perto da boca, tocando o cantinho dos lábios. Sentindo que provocava o efeito desejado: ambos se arrepiaram.
Olhei para Val. Minha amiga parecia animada. Não seria nenhum sacrifício, porque os dois eram muito, mas muito gatos. Um loiro surfista e um moreno campeão de Jiu Jitsu. Ambos absolutamente sarados.
- Qual você quer?
Perguntei no ouvido de Val. Com um sorriso safado, ela avaliou o material. Antes de se decidir:
- Fico com o loiro.
Sentei então ao lado do moreno. Coloquei a mão na coxa dele, que estremeceu, e ficou com um volume muito maior nas calças. Tadinho, ainda tentou disfarçar:
- Quer conversar sobre o que?
- Meu querido, falar pra que? Tempo é dinheiro, sabe?
Respondi antes de me atirar sobre ele, num amasso deliciosamente indiscreto e despudorado. Do nosso lado, Val e o loiro nos imitavam.
Não demorou muito tempo pra que estivéssemos entrando no Motel. Os quatro. Os meninos eram meio pudicos, porque... preferiram pedir dois quartos.
O moreno era incrível. Um excelente pedaço de carne. Pena que se cansava muito rápido. Enquanto ele descansava um pouco, liguei pra Val:
- E aí, amiga? Que tal?
A voz dela ainda estava ofegante:
- Nada mal. Aprovado.
O próximo passo ela já conhecia muito bem. Ideal pra dar um troco bem dado no Fábio. Uma brincadeirinha que fazíamos sempre, desde os tempos de Faculdade:
- Vamos trocar?
- Já!
Vesti meu vestido, e abri a porta. O moreno não entendeu nada:
- Aonde você vai?
- Surpresa, gato... Mas não se preocupa, você vai adorar...
Cruzei com Val no corredor. Ela não disse nada. Apenas soltou a risada escandalosa que era a sua marca registrada...
O loiro se assustou quando entrei no quarto. Mas a animação dele foi visível – e de um tamanho bem razoável, diga-se de passagem - quando me livrei do vestido e me sentei em cima dele nua, triunfante, esbanjando sedução e charme. Não que precisasse, não é mesmo? Mas eu preferia ser misericordiosa, e deixar o carinha logo de quatro...
Ele era bem mais resistente e interessante do que o moreno. Tinha muito mais jogo de cintura, pra falar a verdade...
Estávamos longe de terminar, quando meu celular tocou. Era Val. Atendi sem sair de cima do loirinho:
- Amiga, tenho que ir... O Alexandre acabou de me ligar...
Alexandre era o namorado da Val. Demorei apenas um segundo para responder, com um sorriso permissivo nos lábios:
- Tudo bem. Manda o moreno pra cá...
Alguns minutos depois, o moreno já estava se encaixando atrás de mim, maravilhosamente excitado.
Saí do motel com o dia amanhecendo. Deixando os dois dormindo, exaustos. Assim que entrei no carro, peguei o celular e liguei pro Fábio:
- Fábio?
A voz dele perdeu toda a sonolência. Como se ele tivesse se sentado na cama de um salto:
- Pamela? Faz dias que tento falar com você... Pam, você sabe que eu te amo... Me perdoa, vai...
Não deixei ele falar mais nada:
- Liguei só para te dizer que acabei de transar com o Léo e com o Ricardo.
- O que?
Ele parecia surpreso, perdido, perplexo mesmo... Dei uma risada triunfante, antes de completar:
- Seus amigos são bem melhores que você na cama, sabe?
- Você tá brincando, né?
- Ah, Fábio, você sabe muito bem que eu não brinco em serviço. Bom, é isso... Tenha um bom dia!
- Pam, espera...
- Passar bem, meu caro...
Desliguei com um sorriso imenso no rosto, totalmente contente, satisfeita e... vingada.

Quando cheguei na “Gente Chique”, um pouco mais tarde, Arlete me avisou que Ali já estava instalada na sala. Tinha chegado mais cedo. Na verdade, isso já não importava. No novo cargo dela uma coisa que não existia era horário. Estar de prontidão o tempo inteiro e atender assim que eu chamasse, era o indispensável.
Sentei na minha cadeira e chamei Ali pelo telefone interno. Em questão de segundos, ela já estava em pé na minha frente. Rápida, mas:
- Volta pra sua sala. E entra de novo.
Ela ficou surpresa, claro:
- Ãh?
Respondi séria, irritada, tudo menos simpática:
- Pra que da próxima vez você não se esqueça de bater e só entrar quando eu mandar.
Ali obedeceu. Parecendo estar... quase explodindo de raiva. Quando entrou de novo, no entanto, já estava completamente controlada. Com um sorriso no rosto... ou quase.
Olhei para ela de cima a baixo. Calça jeans... uma blusinha... Tênis... Sem maquiagem...
- Sua aparência é simplesmente... lamentável!
Exagerei de propósito mesmo. Não era tão grave. A menina era até bonitinha, mas... simples demais. E pra ser minha assistente precisava ser, no mínimo, um arraso. Principalmente naquele dia, que tínhamos uma missão especial.
- Vamos dar um jeito nisso. E rápido.
Mandei Arlete marcar um horário no salão de beleza que eu freqüentava – um dos melhores, e obviamente mais caros, da cidade – pra Ali.
A menina me olhava – querendo talvez protestar, quem sabe? – mas não dei tempo pra que ela falasse uma palavra:
- Vamos. Temos pouco tempo e muito pra ajeitar...
Peguei a bolsa, levantei e fui saindo da sala. Sem olhar pra trás. Ela me alcançou no elevador. Ficou parada ao meu lado, sem dizer uma palavra.
Descemos na garagem, e caminhei com uma Ali muda atrás de mim até chegarmos no meu carro. Entrei, botei o cinto. Ela continuou do lado de fora, parada, estática. Abaixei o vidro, e disse, sem paciência:
- Ali, entra no carro.
- De jeito nenhum.
Foi a resposta dela... Absolutamente inacreditável.

 

 

 


CAPITULO 7 - ALLISON

Passei a noite inteira terminando aqueles relatórios que Pamela pediu. Isso, depois que cheguei em casa completamente afrontada pelos acontecimentos no banheiro do bar... Caramba! Como eu pude agir por impulso daquela maneira? Tá certo que essa não foi a primeira vez que eu comi uma estranha no banheiro de um bar, mas o que está me intrigando, ou melhor: me deixando completamente frustrada, é ter idealizado estar com a sem noção da dona Pamela. Isso só podia ser castigo, sabe? Como assim pensar naquela cascavel depois dela ter me matado de tanto trabalhar? A mulher só queria me ferrar, oras! Saí da janela onde eu olhava os carros passarem na estrada lá embaixo. Tomei um banho gelado. Nem sei quanto tempo fiquei debaixo daquela água gelada, mas ao sair senti que eu estava sóbria e enfim terminei os relatórios que a megera pediu... Fui dormir às quatro e meia da manhã... Acordei às seis e quarenta e cinco com o despertador berrando nos meus ouvidos. Vontade de quebrá-lo? É! Eu quebrei. Arremessei o indivíduo na parede e tive um prejuízo daqueles porque o desgraçado ainda bateu na minha tevê que era relíquia, foi presente da minha avó, que já está no andar de cima. PQP! Fiquei sem tevê e sem despertador. Aquela cobra da Pamela só me causa prejuízo! Nem Jéssica que havia me traído era tão detestável aos meus olhos, mas a Poderosa... Nossa! Me tirava... O sono? É, isso mesmo!

Cheguei cedo à redação, fiz minha mudança para a sala semi-chic que fazia fronteira com a sala da poderosa... Empilhei na mesa da dona Pamela todas as revistas e relatórios que ela havia pedido... Eficiente, né? Que nada! Eu queria era esfregar na cara dela o quanto não me importo com as suas tiranias.
Enfim a poderosa chegou, linda! Loira! Perfumada! Sedutora! E completamente doida e arrogante! Não preciso nem dizer que meus nervos voltaram a estar à flor da pele, né? Acreditam que ela nem olhou para as revistas, o relatório ou até mesmo pra minha cara? Me fez voltar até a minha sala, bater na porta dela e entrar novamente... Isso é no mínimo o fim da picada, não acham?
- Os relatórios... Não vai ler? – Perguntei notando que ela sequer olhou pra sua mesa.
- Não tenho pressa, posso ver isso na outra semana.
Fuzilei-a com os olhos, mas antes que eu pudesse agarrá-la pelo pescoço e estrangulá-la até a morte, a poderosa começou a olhar as minhas roupas e me esculachar da cabeça aos pés... Sabe quando você acha algo tão surreal que perde todo o poder de reação? Pois é! Quando eu acordei do meu momento de torpor, já estava parada no estacionamento da revista ao lado do seu carro importado.
- Por que você não quer entrar no carro? – Ela desceu do mesmo e deu a volta até chegar onde eu estava. Sua face exibia uma reprovação absurda só porque eu não quis entrar no carro dela..
- Mas que mulher mimada!- Pensei - O que tem a minha roupa? – Disse abrindo os braços para que ela me examinasse novamente. A mulher aproximou-se de mim, baixou os meus braços e olhou-me com aquela superioridade indiscutível. Senti um arrepio enorme subindo pelas minhas costas só de sentir aquelas mãos macias tocando os meus braços.
- Faça-me o favor Ali! Não posso aparecer com uma assistente vestida nesses trajes em um jantar importante com um dos nossos mais fortes patrocinadores! – Disse irritada.
- Acho que você errou na escolha da sua assistente, viu? – Provoquei-a com o olhar.
- Quem acha alguma coisa aqui sou eu, está bem? – Fixou aqueles olhos azuis sobre mim... Estremeci na hora... Engoli em seco também – Mexa-se! Temos muito o que fazer!
- Não vou usar salto alto, está bem? – Concluí emburrada. A mulher olhou-me com ar de riso.
- Que seja! Agora entra no carro porque tempo pra mim é dinheiro.
- Sim senhora! – Disse por entre os dentes, ela olhou para trás mas não disse nada. Fechei a cara durante todo o caminho, portanto, não trocamos uma palavrinha sequer.

O dia inteiro! Acreditam nisso? Passamos o dia todo nos dividindo entre o cabeleireiro e as melhores lojas de grifes famosas... Em quê ela queria me transformar? Num brinquedinho em que manda e desmanda quando bem quiser? Eu estava furiosa, podem apostar! Por que me submeti a isso? Porque preciso do emprego, oras! E... Também... Bom... Passamos o dia inteiro juntas e, mesmo diante daquele humor negro que ela tem, confesso que estar com Pamela foi divertido, quer dizer... Divertido uma ova! Foi um saco, viu? A mulher reclama de tudo! E como se não bastasse ter que aturar o seu mau humor, almoçamos em um restaurante cheio de frescura e ela ainda queria que eu soubesse com qual colher tenho que comer a sobremesa, pode isso?

... Chegamos ao restaurante para o jantar com o patrocinador no horário marcado, nem um minuto a mais, nem um minuto a menos... Já havia uma reserva feita e um homem com sotaque francês nos esperava acompanhado de uma mulher que parecia muda, tendo em vista que apenas balançava a cabeça e sorria para o marido quando ele se dava conta de que ela estava ao seu lado. Sim! O cara de pau jogava charme o tempo inteiro para a poderosa, e isso não devia ter me incomodado não é? Mas incomodou, viu? Não pensem que era por ciúmes dela, tá? E sim, dó da pobre mulher que fazia companhia ao indiscreto.
As horas pareciam não passar... Meus pés estavam doendo porque o sapato que a poderosa escolheu parecia menor do que os meus pés... Aquela roupa, acho que era cara demais para ficar em contato com a minha pele, juro que a blusa estava fazendo coçar as minhas costas, às vezes eu até me encostava na cadeira e mexia pra lá e pra cá, aliviava, sabe? Mas não resolvia e eu estava a ponto de me jogar no chão e rolar por aquele salão imenso até conseguir me coçar o suficiente para não gritar nos ouvidos do patrocinador francês. O jantar terminou e, eu não precisei gritar, nem rolar pelo chão.
- Graças à Deus! – Pensei, enquanto desligava a agenda eletrônica na qual eu havia marcado... Desmarcado... Marcado de novo... Desmarcado... Inúmeros futuros encontros da poderosa com o endinheirado patrocinador francês... Pelo que pude compreender, a poderosa está abrindo uma filial da revista na França, e como ela é esperta e sedutora está se calçando de bons relacionamentos para que sua revista chegue até o povo do perfume estourando as vendas.
Assim que entrei no carro dela, tirei os sapatos... Abri a minha blusa, quer dizer: alguns botões... Respirei aliviada...
- Você está doida menina? – Disse quase aos gritos. Depois dizem que só pobres fazem escândalos.
- Por quê?
- Quem mandou você ir tirando a roupa desse jeito? – Encarou-me brava, depois seu olhar inconseqüentemente desceu até os meus ombros nus... Quase sorri, mas no segundo olhar achei que ela apenas estava espantada com a minha falta de compostura... de qualquer forma eu sorri dessa vez, pois a cara que ela fez foi hilária.
- A noite foi ótima! – Disse pegando a minha bolsa no banco de trás... Ela impediu o meu gesto...
- Minhas assistentes têm hora pra chegar, mas não têm hora pra sair – Ficamos em silêncio nos olhando por alguns segundos.
- Eu tô cansada, sabia? Morta de vontade de deitar na minha cama e apagar! – Balancei a cabeça negativamente – E... Eu tô com fome, porque aquela gororoba que chamam de comida tava horrível!
- Fala baixo! – Disse quase suavemente – Você vai pra minha casa porque precisamos terminar o cronograma das próximas reuniões com o Sr. Pierre! – Ligou o carro e arrancou, nem preciso dizer que eu fiquei sem ação novamente, né? – Você terá direito a um banho para relaxar e a minha empregada fará um sanduíche para você não dizer que te deixei com fome.
- Adianta dizer que eu quero ir pra minha casa?
Pamela fitou-me de rabo de olho, continuou dirigindo...
- Você dorme na minha casa – Era a sua última palavra, conseqüentemente também foi a minha. Fiquei quieta durante todo o percurso... Eu estava sentindo raiva de mim mesma, sabe? Em toda a minha vida nunca fui pau mandado, mas essa mulher... Ela tem um poder sobre mim, que me faz perder a noção de quem sou! Mas vou mudar isso, ah vou!


 

 

 

 

 

CAPITULO 8 - PAMELA


Depois do jantar, já estava bastante tarde. E ainda tínhamos um cronograma de reuniões para terminar. Como Ali morava longe – onde Judas perdeu as botas, ou onde o vento faz a curva, diria o ditado - arg! - popular – falei, quase uma ordem, pra ser mais exata:
- Você dorme na minha casa.
Assim que chegamos, Paz – a empregada, que na verdade se chamava Pasqualina, mas eu não era obrigada a conviver com um nome horroroso desses, não é verdade? – abriu a porta, com um boa noite simpático.

- Paz, essa é a Ali, minha assistente. Depois que preparar meu banho arruma um dos quartos de hóspedes pra ela.

- Sim, senhora.

E sumiu no corredor que levava aos quartos. Ali disse que queria ir ao banheiro. Indiquei o mais próximo da sala. E acrescentei:

- Se quiser tomar um banho a Paz providencia pra você.

Mas ela recusou. Com um olhar indecifrável... E saiu caminhando rapidamente em direção ao banheiro.
- Seu banho tá pronto, dona Pamela.
Mandei Paz fazer um chá. Pra mim e pra Ali. E que dissesse pra menina ir me encontrar no meu banheiro.
Chá era uma coisa que eu adorava. Tinha dos mais diversos e variados sabores e nacionalidades. Naquele dia especificamente, pedi um turco, maravilhoso, que sempre me relaxava.
Entrei no meu quarto, peguei a máscara que guardava no frigobar, e fui tirando a roupa a caminho da banheira. Mergulhei na água quase fervendo – do jeito que eu gostava – coloquei a máscara gelada no rosto, e com um suspiro de prazer, me deixei ficar lá deitada.

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  ALLISON

Tomei um banho rápido afinal de contas, a poderosa ainda queria trabalhar... Molhei os cabelos e praticamente arranquei toda a maquiagem do meu rosto com certa rispidez... Saí do banheiro vestida com as minhas roupas... Agora sim era eu mesma, sabe?

...Estava perdida olhando as telas que ocupavam boa parte do corredor, quando tomei um susto ao ler o que estava escrito em uma delas: Portinari! Será que era cópia? Que pensamento besta, claro que não! Pamela seria incapaz de ter ou usar algo que não fosse extremamente original... Nesse instante cruzei com Paz no corredor, ela estava indo em direção ao quarto de Pamela, segurava nas mãos uma bandeja com um bule de porcelana e duas xícaras de chá.

- Srta Ali, a Dona Pamela pediu que fosse encontrá-la no seu quarto.

Notei que a mulher à minha frente exibia um sotaque porto-riquenho. Sei porque já tive um tio que era casado com uma porto-riquenha, e sua pele morena e seus cabelos muito negros não deixavam dúvidas quanto a sua nacionalidade.

Quando a mulher falou que a Pamela me esperava no quarto, fiquei arrepiada da cabeça aos pés... Quase muda, se não fosse a mulher à minha frente repetir o recado por achar que eu não havia compreendido.

- Eu vou... – Disse completamente pensativa. Paz fez um movimento de que iria me acompanhar, no entanto, eu apanhei a bandeja das suas mãos...

- Eu levo... Já que tenho que ir lá...

- A D. Pamela pode não gostar, srta.

- Não esquenta... Com ela eu me entendo – Disse tentando esboçar um sorriso.

- Se insiste... – Fez um cumprimento de cabeça e já ia se retirando quando eu a chamei – Paz... – Ela virou-se novamente na minha direção – Seu nome é Paz? Só Paz? – Olha que pergunta idiota!

- Não – Sorriu – Me chamo Pasqualina, mas a D. Pamela adora encurtar o nome das pessoas.

- Ah sim...

- Posso lhe ajudar em algo mais?

- Não...

- Então... Se me dá licença... – Virou-se novamente...

- Paz! – Chamei-a novamente... Completamente sem graça, sabe?

- Sim... – Disse paciente.

- As... As... Outras... Digo, antes de mim... As assistentes da D. Pamela, vinham aqui? – Disse encabulada – Entravam no quarto dela?

- Que a D. Pamela não nos ouça – Baixou o tom de voz – As assistentes dela sempre trabalham muito... Nunca dormiram aqui, mas vinham com freqüência para terminarem um trabalho ou outro.

- Obrigada... Pela informação – Acenei com a cabeça... Vi-a dobrar o corredor. Bom, ao menos eu sabia que ela não estava me provocando ao pedir que eu fosse ao seu quarto, né? – Se controla Allison! É trabalho! Só trabalho! – Pensei enquanto entrava no quarto da poderosa...

- Uau! – Disse ao me confrontar com aquele ambiente que parecia ter saído de uma revista... Andei mais um pouco... Ela não estava no quarto... Estava no banho... Suei frio... Tropecei em um tapete branco felpudo que ficava próximo à banheira onde aquela mulher... Nua! Putz! Completamente nua estava submersa... Minhas mãos tremeram, as xícaras se encostaram... Quase deixei o chá derramar...

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PAMELA

Não sei dizer quanto tempo fiquei de olhos fechados naquela banheira. Não tinha dormido a noite inteira, me divertindo com os amigos do Fábio... Estava exausta... Acabei cochilando, com um sorriso satisfeito nos lábios.
Fui acordada por um barulho estranho. Como se alguém tivesse tropeçado ou engasgado. Tirei a máscara do rosto e vi Ali, com uma bandeja nas mãos, me olhando, paralisada.

- Vai ficar aí parada? Bota meu chá aqui do meu lado, pega o seu e senta.
Apontei a beirada da banheira. Ela hesitou? Por segundos apenas. Logo depois já estava sentada do meu lado. Pegou um bloquinho e uma caneta, pronta pra anotar. Esperta ela. Eficiente demais.
Ali evitava me olhar. A espuma já tinha praticamente se dissipado. Dava pra ver perfeitamente meu corpo nu dentro da água.
No que me dizia respeito, se ela era lésbica, minhoca ou um rato, pouco importava. Minha assistente não podia ter esse tipo de besteira. Precisava aprender a ser fria e impessoal. Era pra isso que eu a pagava e treinava.
- Não vai tomar seu chá?
Perguntei. Ela foi obrigada a me olhar. Era óbvio que fazia um esforço imenso pra manter os olhos nos meus, mas... Mesmo sem querer, os olhos corriam para debaixo da água, incontroláveis.
Ali percebeu que eu a fitava. Com um sorriso irônico nos lábios. A voz soou um pouco trêmula, fraca, quando finalmente respondeu:
- Não gosto de chá...
E voltou a olhar para o bloquinho nas mãos dela. Com uma voz – não sei porque, mas juro que foi quase suave - acabei dizendo:
- Não é um chá qualquer. Tem um sabor... impossível de explicar... Para saber você precisa... provar...
Mantive os olhos fixos em Ali. Mesmo de costas, ela pareceu sentir, porque, de onde eu estava pude ver perfeitamente ela estremecer, como se um arrepio a atravessasse.
A menina largou a caneta e o bloco, pegou a xícara de chá e sorveu o líquido devagar.
- E então? O que achou?
Queria ver a expressão dela, mas... Ali se manteve de costas, impenetrável. Respondeu com um tom de voz estrangulado, muito diferente do normal:
- É... é muito bom.
E voltou a beber, saboreando o chá. Um sorriso de satisfação bailou em meus lábios... Não ia ser tão difícil, afinal. A menina tinha bom gosto, com certeza. No mínimo um bom paladar. E era muito, mas muito fácil mesmo se acostumar com coisas boas e caras...
Peguei minha xícara, bebi com prazer, lentamente, até acabar. Ali também tomou a xícara inteira. De costas pra mim o tempo todo.
Fui direta, seca, fria como sempre ao falar:
- Isto é um problema para você?
Nem assim ela se virou. Respondeu ainda de costas, com a voz muito abafada:
- O que?
Meu tom de voz foi muito mais suave:
- Eu estar despida te incomoda, Ali?
Quando ela finalmente se virou, os olhos estavam em brasas. Por um momento olharam dentro dos meus para em seguida descerem, como se quisessem me devorar.


 

 

 

 

 


CAPITULO 9 - ALLISON

Eu parecia um bichinho acuado, tinha medo de olhar pra ela e deixar transparecer a loucura do desejo que me corroia a carne... O cheiro de sais de banho que envolvia o corpo dela... A pele molhada de Pamela... As coxas que estavam sobre a água... Eu tinha vontade de sair correndo daquele lugar, estava preste a cometer uma loucura e agarrar aquela mulher à força, sorver até a última gota dos beijos dela... Apossar-me daquele corpo que perpetuava os meus sonhos há dias... Não ouvi nem uma palavra do que ela disse, ouvi apenas a última pergunta:
- O fato de estar despida te incomoda, Ali?
Virei-me imediatamente de frente pra ela... Lentamente Pamela foi saindo da água, ao mesmo tempo que eu me levantei da beira da banheira... Parecia câmera lenta... Nossos olhos fixos um no outro... Nossas bocas secas... Ela umedeceu os seus lábios, eu senti meu sexo reagir ao gesto dela...
- Pega aquele roupão pra mim – Disse apontando em uma direção que eu nem sei qual porque simplesmente não consegui tirar os olhos do corpo dela... Meus olhos desceram pelos seus seios... Alcançaram a sua barriga... Seu sexo visível me fez gemer de desejo, suas coxas me arrepiaram de prazer simplesmente por olhá-las, e seu corpo molhado me fez arder por dentro...
- Ali... – Tirou um pé da banheira... Continuei fitando-a... Ela tirou o outro... Percebi as gotas de água escorrendo pelo seu corpo... Minha pele queimou mais... Não resisti e antes que Pamela pudesse dizer qualquer outra coisa... Antes de pensar na possibilidade de jogar meu emprego pela janela... Sem conseguir pensar em mais nada puxei-a de encontro ao meu corpo... Aspirei o cheiro que emanava dela... Minha roupa sendo molhada pelo contado do seu corpo...
- Nem... Pense... Nis... – Se debateu com as mãos pressionadas no meu ombro, enquanto as minhas envolviam a sua cintura... Aproximei meus lábios dos dela, e a beijei com toda a vontade que estava acumulada dentro de mim... Não sei se gemi, mas senti o meu sexo vibrar de desejo... Inconscientemente, e lentamente fui empurrando-a para trás... De encontro à parede... Quando as costas de Pamela bateram no azulejo gelado, as mãos daquela mulher do beijo estimulante já estavam envolta do meu pescoço... Minhas mãos deslizavam pelos seus seios... Minha coxa se perdia no meio das dela... Pamela tentou desgrudar os lábios dos meus... Eu também senti falta de ar, só então o beijo cessou... Nos olhamos por alguns segundos... Aqueles azuis dos olhos dela me queimavam por dentro... Inebriava... Provocava... Excitava... Capturei seu pescoço e a vi tremer quando o mordi... lambi e suguei... Descendo pelo seu ombro... Pressionando-a de encontro à parede e colando o meu corpo ainda mais ao dela... Pamela bagunçava os meus cabelos enquanto eu explorava a sua pele... Descia a língua e os lábios pelos seus seios rígidos... Chupei-os com fome... Quem mandou ela não me dar o sanduíche prometido? Agora eu queria comer o corpo dela! Lambi os bicos, ora num... Ora noutro... Pamela abriu um pouco mais as pernas... Minhas mãos percorreram as suas coxas e meus dedos tocaram o seu sexo encharcado... Continuei me perdendo nos seus seios enquanto ela ordenava que eu a fizesse gozar... Adorei a sua ordem e introduzi meus dedos dentro dela... Ouvi o seu grito... Caí de joelhos no chão enquanto jogava a sua perna direita sobre os meus ombros e enfiava-me debaixo dela... Minha língua dividia espaço com os meus dedos que a tocavam fundo e rápido... Senti o seu gosto... Saboreei... Degustei do seu clitóris rígido... Entregue... Sua pele fervia... Seu corpo se entregava.... Ela rebolava me enlouquecendo de tesão... Aumentei as estocadas... Aumentei o contato da minha língua no seu sexo... Percebi que ela iria gozar... Tirei meus dedos com rapidez... Parei de chupá-la... Escalei o seu corpo lentamente... Suavemente trilhando a sua pele com a minha língua que deslizava sobre ela... Pamela bateu forte no meu ombro, insatisfeita puxou-me pelos cabelos até que nossos olhos se encontrassem novamente... Agarrei-a pela cintura... Não a deixei falar...Puxei-a para mim, tirando as suas costas da parede... Seus olhos estavam furiosos... Sua respiração ofegava tanto quanto a minha... Capturei a sua boca... Beijei-a com paixão... Desejo... Empurrei-a com o meu corpo de volta ao quarto dela... Minhas mãos apalpando com vigor as suas costas... As suas nádegas...
- Por que não me fez... Gozar? – Sussurrou nos meus lábios.
- Quero você aqui! – Apontei a cama... Empurrei-a... Ela caiu com as costas no colchão... Subi na cama também... Fiquei de joelhos e me despi lentamente... Pamela fitou cada detalhe do meu corpo com curiosidade... Percebi que ela nunca transou antes com uma mulher... Deitei-me sobre ela... Gemi no seu ouvido ao sentir meu sexo em contato com o dela... Pamela gemeu no meu... Arranhou as minhas costas quando me enfiei no meio das suas pernas e rebolei esfregando o meu sexo no dela... Senti-a entregue novamente... – Vira... – Sussurrei no seu ouvido, dando espaço para que ela girasse o corpo... – Quero você de quatro pra mim – Completei com a boca aguando para vê-la naquela posição... Pamela não tinha pudor, ela sorriu maliciosamente e virou-se no mesmo instante... Ergueu as nádegas e me ofereceu o seu sexo encharcado... Apoiou-se nos cotovelos e inclinou a cabeça para trás para ver o que eu faria... Estremeci... Ela era tudo o que eu queria de uma mulher... Afastei suas coxas, seu sexo visto daquela posição ficava ainda mais gostoso... Enfiei a língua e a chupei desesperadamente... deliciosa começou a rebolar pra mim, e gemer... Aumentei o atrito da minha língua com o seu sexo, depois alternei afastando as suas nádegas com as minhas mãos e mergulhando a minha língua dentro daquela bundinha gostosa... Pamela gostou, aumentou o movimento dos quadris e os gritos de prazer... Penetrei-a com meus dedos enquanto minha língua mergulhava dentro dela... Não resisti e gozei enquanto via e sentia o corpo daquela mulher deliciosa estremecer num orgasmo demorado... Bebi o seu gozo completamente satisfeita enquanto sentia a minha pele em chamas pelo prazer desconhecido que me foi proporcionado... Tentei estabelecer a minha respiração... Mas nada ainda havia terminado... Aquele olhar azul e safado me excitava cada vez mais...


 

 

 

 

CAPITULO 10 - PAMELA

 


Fiquei total e absolutamente... sem palavras.
Quando disse que pressentia que Ali poderia ser uma diversão à parte, não era isso que eu tinha em mente, mas... Bom, eu adorava explorar novas possibilidades, especialmente se fossem tão deliciosas quanto essa.
Se eu estava arrependida? Jamais! Não sou mulher de me arrepender de nada! Absurdo fazer uma coisa e depois lamentar... Sempre achei que a gente deve é lamentar as coisas que deixamos de fazer...
Aliás, diga-se de passagem, aquele era exatamente o caso, porque se eu soubesse que sexo com mulheres poderia ser assim, já teria experimentado.
Na verdade estava me achando uma idiota completa por nunca ter sequer cogitado... Se tinha uma coisa que eu detestava era perder tempo... E pensar que todas as vezes que tinha feito sexo a três, sempre tinha sido com dois homens... Ah, que pecado! Não sabia o que estava perdendo...
Foi quando percebi que Ali já estava praticamente toda vestida, com um jeito que chegava a ser engraçado.
Fiz a cara mais séria possível e a voz mais furiosa que consegui – naquelas circunstâncias, convenhamos que não era nada fácil... – para falar:
- Vou te demitir...
Ela me olhou, com um arzinho de desafio... um pouco de raiva... não, revolta pra dizer a verdade. E respondeu me olhando nos olhos:
- Você que sabe.
Quase soltei uma gargalhada. Ali era assim, sempre absurdamente abusada... Parecia não ter medo de nada. Realmente, aquela menina me instigava. Ela tinha um delicioso... uhm... potencial... O sorriso que surgiu em meus lábios foi inevitável.
Com um prazer enorme, indescritível, inenarrável, ordenei, só então terminando a frase:
- Se você não tirar a roupa e voltar para essa cama agora, Ali!

Ali me olhou, como se não acreditasse. Continuei:
- Vai ficar parada aí me olhando? É só isso que você sabe fazer? Espero que não, porque... não tô nem perto de estar satisfeita...
Em questão de segundos, ela já estava de novo inteiramente nua em cima de mim. Me segurou pelos cabelos, roçou os lábios em meu ouvido, me deixando toda arrepiada... Então sussurrou, com uma voz rouca, baixa, sufocada:
- Vou fazer você me pedir pra parar...
Soltei uma risada. Nem preciso dizer que adorei... A menina se achava... E eu estava louca pra ver se aquela propaganda toda era verdade... Pelo que eu tinha visto antes, provavelmente sim...
Percorri o pescoço dela com os lábios. Ali estremeceu com o contato. Mordi a nuca dela, arrancando um gemido baixo. Provoquei:
- Você vai tentar...
O efeito foi imediato. Ali colou a boca na minha, enfiando a língua com a mesma voracidade de antes, fazendo com que se tornasse muito difícil, quase impossível respirar... As mãos dela percorreram meu corpo inteiro. Ardentes, sedentas, arrancando gemidos inevitáveis...
Com certeza, seria uma batalha. Tão excitante, deliciosa e selvagem quanto Ali...
Eu ia domá-la, custasse o que custasse. No trabalho, claro... Porque na cama, não queria que ela mudasse nada...
A forma como ela lambeu, sugou e chupou meus seios me fez arquejar, ofegar... Demonstrando a mesma habilidade com as mãos que tinha com a boca, a língua e os lábios, acariciou meu sexo, deixando-o ainda mais molhado. Mandei que ela enfiasse os dedos, e Ali prontamente obedeceu. Gemi no ouvido dela:
- Não para, Ali...
Na mesma hora ela parou de me tocar. Sussurrou no meu ouvido:
- Meu nome não é Ali... Quer que eu te coma? Então diz meu nome de verdade...
E como eu hesitasse:
- Fala!
Durante alguns segundos, duelamos com o olhar. Umedeci os lábios. Nem assim os olhos dela se desviaram.
- Allison...
Saboreei o nome dela sensualmente, de propósito. Allison soltou um gemido, se arrepiou inteira, mas não ficou satisfeita:
- O que você quer? Pede...
A forma que ela falou... Me deixou profunda e absolutamente excitada. Aquela menina realmente era tudo o que eu queria numa... adversária... Naquele momento não me render à sedução devastadora era impensável. Sussurrei no ouvido dela com uma voz quase derretida de tão doce, como se pedisse, implorasse:
- Me come, Allison...
Colei meus lábios nos dela. Allison entreabriu os lábios... Invadi aquela boca que estava como a minha: sedenta.. Explorei com a língua provocando, incitando, ardendo por mais...
Os dedos dela já estavam novamente dentro de mim... A boca provando, saboreando meus seios... Alternando um e outro... Causando uma ebulição insana, incrível, impossível de controlar... Ela percebeu. Levantou a cabeça, me olhou nos olhos. Disse, com um sorriso absurdamente safado e uma voz que me arrepiou inteira:
- Quero ver você gozar na minha mão, Pamela... Goza agora, vai...
Foi difícil, mas tive que me controlar... Não ia deixar que aquela menina me dominasse... Por mais que eu estivesse gostando, não podia deixar ela esquecer quem mandava.
Sem deixar que ela parasse os movimentos, a empurrei, trocando de posição com ela. Passando a ter o controle da situação. Mordisquei a orelha dela... Allison estremeceu... Sussurrei no ouvido dela, gemendo entre as palavras:
- Agora vou gozar...
A beijei intensa e profundamente, gemendo contra os lábios dela, enquanto meu corpo estremecia, e eu não conseguia mais pensar... Apenas sentia a boca, a língua, a pele dela... quentes, ardentes... a respiração entrecortada... mais ainda quando me movi nos dedos dela cada vez mais rápido, gemendo alto, sacudida por espasmos violentos, incontáveis, incontroláveis...
Com um último gemido, continuei a beijá-la... Ali ameaçou parar os movimentos precisos – nunca tinha sentido mãos com maior habilidade - que ainda me atordoavam, mas impedi:
- Continua... Não para...
Apesar de ainda não estar totalmente recuperada, eu queria, desejava, precisava de mais. Continuei me movendo sobre ela.
Percorri o corpo de Allison com uma das mãos. Descobrindo a pele macia, suave, aprendendo os pontos que pareciam fazer com que ela se contorcesse mais.
Os gemidos dela me enlouqueciam... Provei os seios com a boca... Acariciei as coxas, subi até encontrar o ponto que desejava.
O sexo encharcado, inchado, um verdadeiro incêndio... Meus dedos escorregaram para dentro dela com facilidade...
Allison gemeu alto... Mordeu os lábios...
Aprofundei o contato, com mais força, mais intensidade, mais vontade...
Doce... e ácida... A forma como ela correspondeu, puxando meus cabelos com força. Mordi o bico dos seios dela de leve, arrancando um gemido abafado...
Ela rebolou nos meus dedos, parecia estar pedindo mais...
Uma sensação indescritível, fantástica percorreu meu corpo inteiro... Como uma corrente elétrica, um choque intenso...
Meu corpo voltou a estremecer... Senti que ela me acompanhava, apertando as minhas costas com força, mais ainda quando mordi o lábio inferior dela antes de falar:
- Vou gozar com você, Allison...

 

 

 

 

 

 

 

CAPITULO 11 - ALLISON

Eu não sabia se respirava ou se gozava... As mãos de Pamela me tiraram a total e completa racionalidade. Putz! A mulher era insaciável, e eu estava deveras enlouquecida por toda aquela intensidade de prazer que Pamela buscava em cada toque, beijo, ou frase de baixo calão que dizia no meu ouvido. Nossa! Que delicia ouvi-la pedir para que eu a comesse... Sem pudor... Sem reservas... Caramba! Acho que nem se eu vivesse mil anos treparia novamente com uma mulher tão gostosa, que me fez sentir as sensações mais diferentes no ato do prazer.
Exausta, Pamela deitou-se ao meu lado, sonolenta de prazer... Sua pele suada, as marcas dos meus dedos visíveis por todo o seu corpo... Pensei em me levantar, vestir a minha roupa e ir embora antes que ela mandasse, no entanto, fiquei na mesma posição, com meu corpo tencionado pelo receio de ter que me levantar daquela cama e ir embora, ou para outro quarto daquela casa... Nesse instante senti as mãos e as pernas de Pamela serem jogadas sobre o meu corpo, a mulher divina que acabara de me enlouquecer do mais luxuoso prazer me abraçava com carinho, e ainda com delicadeza aconchegava os seus lábios perto do meu pescoço...
- Eu tô suada, Pam...
- Quero mesmo sentir a sua pele suada grudada na minha até amanhecer o dia – Disse ela ao me interromper.
Respirei fundo e só não me virei de frente pra ela para beijá-la e recomeçar toda aquela deliciosa safadeza novamente porque a mulher me deixou um caco, viu? Fechei os olhos adormeci instantaneamente...

Acordei com o meu telefone tocando não sei onde... Abri os olhos assustada, olhei a minha volta... Percebi que eu estava em um local estranho... Bem diferente do meu quarto. Coloquei as mãos na cabeça como se tivesse despertando de um sonho. Procurei Pamela pelo quarto, nada! E o telefone não parava de tocar e eu não tinha a mínima idéia de onde o desgraçado estava... Me joguei no chão e olhei embaixo da cama... Nada! Parei... Coloquei as duas mãos na cintura e como se me concentrasse olhei lentamente ao meu redor, tentei prestar atenção na direção do ruído que ele fazia ao tocar e praticamente me atirei perto da porta do banheiro, onde estava jogada a minha calça jeans... Vistoriei os bolsos e encontrei o meu objeto inteligente de comunicação em um deles...
- Alô! – Disse com a respiração ofegante.
- Ali! Você está atrasada há mais de uma hora! – Disse do outro lado da linha, confesso que assustei-me...
Olhei ao meu redor novamente, sabe quando você tem medo, ou melhor: pavor por estar em um determinado lugar?
- Pamela? – Perguntei incrédula.
- Não! O coelhinho da Páscoa! – Disse sarcástica – Olha aqui, menina! Você tem meia hora para chegar aqui na revista, está bem?
- Eu tô... Eu tô... Na sua... – Gaguejei, me sentindo ridícula, afinal de contas ela sabia perfeitamente onde eu estava.
- Não me interessa onde você está! – Interrompeu as minhas palavras rispidamente – Quero você aqui em meia hora!
- Mas...
- E saiba que vou descontar do seu salário cada segundo desse seu atraso – Disse e desligou na minha cara.

Fiquei parada, como uma perfeita idiota segurando o telefone próximo ao meu ouvido... A mulher era o cão, meu Deus! Nós acabamos de ter uma noite inesquecível, bom... Ao menos foi inesquecível pra mim, e a toda poderosa me trata pior do que um cão de rua? Quem ela pensa que é? A última rosquinha do pacote? Respirei fundo... Olhei a hora no celular...
- Meia hora! – Pensei enquanto entrava debaixo do chuveiro e praticamente só derramava água pelo meu corpo... Vesti-me às pressas... Calcei o tênis pelo caminho... Alcancei a porta de saída, mas a Paz me chamou.
- A dona Pamela pediu para que eu preparasse um café da manhã para a senhora.
- Que fdp! – Pensei – Ela é tão engraçadinha, me deu meia hora para chegar na revista, estou morrendo de fome, mas terei que deixar esse café da manhã para um outro dia Paz – Disse – Nem sei se terá outro dia – Pensei.
- Que pena, a dona Pamela não tem jeito mesmo – Sorriu pelo cantinho da boca, fiquei me perguntando o que ela quis dizer com: “a dona Pamela não tem jeito mesmo”. Dei tchau para a mulher simpática que me ofereceu café da manhã e saí. Esperei o elevador impaciente, desci até o primeiro andar batendo o pé em sinal de ansiedade por aquela demora toda... Quando a porta do elevador abriu, saí correndo em direção a rua, acenei para um táxi e pedi que ele não dirigisse, e sim que voasse até o meu trabalho...

Cheguei na revista uns cinco minutos depois de ter entrado no táxi... Ótimo motorista, diga-se de passagem. Entrei no elevador, e logo que desci dei de cara com Léo, que vinha na direção contrária.
- Allison! – Disse ele passando as mãos pelos meus ombros – Onde esteve? Não voltou pra casa depois do jantar com o investidor... Na cama de quem você passou a noite, amiga? Não me diga que foi com a Jéssica?
- Caramba! Pára de fazer perguntas – Disse apressada enquanto abria a porta de vidro que separava o escritório da revista do hall dos elevadores – Estou atrasada, não está vendo?
- Claro! E pra te assustar ainda mais, a megera está uma fera te esperando para uma reunião.
- Ela não é... – Calei-me, eu não gostei nem um pouco de ouvir Léo chamando a toda poderosa de megera, embora ela estivesse bem perto dessa colocação – Acha que eu tô apresentável? – Perguntei parando na frente da sala do meu amigo.
- Deixa eu ver... – Olhou-me de cima a baixo - Você tá com as roupas de ontem, o cabelo bagunçado e com a fisionomia cansada, de quem trepou a noite inteira – Riu assim que terminou de falar.
- Filho da mãe! Ajudou muito, sabia?
- Tá preocupada com o que a super chefe vai achar de você, porque?
- Esquece... – Disse e caminhei pelo corredor na direção da sala dela... Léo me puxou pelo braço... Ele estava boquiaberto... Sabe quando o sujeito faz aquela cara de: “não me diga isso?”
- Dormiu com ela? – Perguntou baixinho como quem está com medo de ser ouvido.
- Tá louco?! – Foi só o que consegui dizer antes de apressar os passos para sair correndo de perto dele. Abri a porta... Mas antes que Pamela falasse qualquer coisa eu tornei a fechar a porta... Bati e, depois entrei...
- Cheguei! – Disse com nó na garganta. Fitei-a da cabeça aos pés...
Quase pedi licença para buscar um babador em algum lugar. Nossa! A mulher estava deliciosa, usava uma roupa completamente perturbadora, sua saia deixava as curvas do seu corpo tão nítidas quanto a blusa exibia o decote generoso fazendo a nossa humilde imaginação percorrer caminhos obscuros à procura de sexo. Pamela notou o meu olhar de cobiça, e os seus olhos azuis fuzilaram os meus com o mais delicioso convite para perder a razão.
- Fecha a porta – Mandou. Obedeci imediatamente – Tem trabalho pra você aqui –Disse entre os dentes enquanto apoiava-se na sua mesa. Aproximei-me dela completamente tomada pela chama de desejo que corrompia o meu corpo quando eu sentia o cheiro daquela mulher.
- Senta – sussurrei enquanto segurava a sua cintura com as duas mãos e impulsionava o corpo dela para que suas nádegas tocassem a superfície da mesa. Ergui lentamente o pano da sua saia até a coxa ficar descoberta, afastei as suas coxas posicionando-me no meio delas... Pamela me olhava com sensualidade, e em nenhum momento eu ousei perder aquele contato visual que me rasgava a alma de prazer... Segurei sua nuca com uma das mãos, a outra se perdia na sua coxa nua... Puxei-a para um beijo... Grudamos as nossas bocas uma na outra com urgência, gemendo de desejo uma da outra, senti os seus seios em atrito com os meus assim que as mãos de Pamela tocaram as minhas costas, aumentando o atrito dos nossos corpos... Senti a sua língua invadir a minha boca... Meu sexo latejava pedindo pelo dela, me esfreguei no seu corpo... Deslizei minha mão que estava solta pelo meio das suas pernas, senti a sua umidade por cima da calcinha, afastei as laterais e introduzi por completo os meus dedos dentro dela, Pamela abafou o grito num beijo ardente que depositou nos meus lábios... Mordeu... Sugou a minha língua enquanto era penetrada com vontade, fazendo os meus dedos se perderem dentro dela.... Suas unhas cravaram nos meus ombros... As batidas do seu coração se intensificaram junto com as minhas... Seu gozo escorreu pela minha mão direita enquanto o seu corpo se debatia agarrado ao meu... A respiração falhada... Tentando se restabelecer tanto quanto a minha...
- Gostosa – Sussurrei no seu ouvido.
- Mais respeito comigo – Afastou-se sutilmente do meu abraço... Fitou o meio das suas pernas, meus dedos ainda estavam dentro dela... Pamela olhou dentro dos meus olhos... – Tira!
Lentamente retirei meus dedos de dentro dela... Sustentei o olhar que me encarava com um leve sorriso nos meus lábios... Retirei lentamente os dedos do sexo dela... Elevei minha mão molhada de encontro ao seu rosto... Passei meus dedos úmidos de gozo levemente nos lábios da toda poderosa... Vi uma expressão de desejo no fundo dos seus olhos, no entanto, ela virou o rosto se esquivando do seu gosto.
- Temos uma reunião – Disse voltando a me encarar – Vá lavar essa mão!
- Não precisa lavar... – Sorri desafiadoramente e elevei meus dedos até os meus lábios, lambi-os numa calmaria que impressionou até a mim. Ela engoliu em seco aquela provocação... Saiu do meu contato visual, deu a volta na mesa, logo ajeitou a sua roupa no corpo.
- É melhor você ir pra sua sala, menina! – Mexeu em uns papeis na mesa sem olhar na minha direção – Saiba que pra mim o que aconteceu ontem e hoje não tem nenhum significado, portanto, coloque-se no seu lugar porque eu posso perder a paciência a qualquer momento.
- Uau! Acho que nunca tomei um fora tão chique! – Sorri debochada enquanto saia da sala... Alcancei a porta e a ouvi me chamar...
- Me poupe das suas piadas, está bem?
- Está! – Disse séria enquanto olhava na direção dela.
Fechei a porta e desabei na minha cadeira... O que ela queria de mim? Humilhar o seu mais novo brinquedinho? Essa mulher tá pensando que eu vou comê-la sempre que ela tiver vontade e depois baixar as orelhas, colocar o rabinho entre as pernas e ir embora quando ela se cansar?
- Acabou! – Bati na mesa, e olhei para a porta que Léo acabava de ultrapassar.
- Nervosa?
- Não! – Fitei-o furiosa.
- Vim... Entregar essa pauta que vai ser utilizada na reunião.
- Tudo bem... Deixa aqui em cima que já vou olhar – Fitei a superfície da mesa.
- Chopinho com a galera depois do expediente? – Perguntou inseguro.
- Feito! – Respondi de imediato.
- Às nove, não se atrase. Estaremos no Bofetada na farme – Disse e saiu da sala.
Era tudo o que eu queria. Um bar GLS com muita mulher gostosa para eu... Levar pro banheiro e confundir com a Pamela novamente... Bati na mesa a minha frente...
- Ela quer me enlouquecer! – Pensei passando as mãos pelo meu rosto e sentindo o cheiro delicioso do sexo daquela mulher impregnado nos meus dedos.

 

 

 

 

CAPITULO 12 - PAMELA

 


Ainda fiquei alguns segundos olhando para a porta que se fechou atrás dela. Era incrível, mas Ali estava começando a me irritar.
O que aquela menina estava pensando? Que existia algo entre nós, por um acaso? Impensável perder o controle da situação. Pelo menos pra mim, lógico.
Era exatamente isso que eu mais odiava nas pessoas... porque precisavam sempre ser tão... tão... pessoais?
Afinal de contas, qual era a dificuldade em se entender o que era uma boa trepada? Que era só isso, e mais nada?
Ao invés de aproveitar, preferiam rastejar na confusão grudenta, desesperada e asquerosa que chamavam de sentimentos... Preferiam... Misturar tudo... E estragar completamente. Absurdo! Insuportável!
Moralismos à parte, existe coisa melhor do que sexo de verdade? Sem culpas, sem envolvimento, só tesão e mais nada?
Tudo bem... Se a menina ainda não sabia disso, eu podia ensinar.
Chamei Ali pelo telefone interno. Ela bateu na porta, e entrou depois que eu permiti. Pelo menos nisso, ela já estava bem treinada.
O olhar que ela me lançou... Quase babando... Desejo e tesão evidentes, insanos... Uma cobiça excitante, deliciosa e... inaceitável. Era exatamente o que ela precisava aprender a controlar.
- Sentiu minha falta? – foi o que Ali disse. Inacreditável! – Quer um pouco mais?
Realmente, essa menina era absurdamente abusada. Eu não ia deixar barato, claro! Minha voz soou totalmente fria, seca, metálica. Com total desprezo de minha parte:
- Me poupe dos seus comentários baixos.
Ali arregalou os olhos. Com certeza, não esperava que fosse essa a minha reação. Aproveitei para continuar:
- Você não é paga para me comer, e sim para trabalhar. Se não entender isso rápido, vou ser obrigada a te dispensar. Entendido?
A resposta veio entre dentes. Obviamente, Ali tentava se controlar:
- Sim.
Com um sorriso irônico, corrigi:
- Sim, senhora.
Me olhando nos olhos – daquele jeito que eu estava começando a gostar - a voz baixa de pura raiva, ela disse:
- Sim, senhora.
Levantei da cadeira, me aproximei devagar. Andei ao redor dela, a olhando de cima a baixo. Tão próxima que pude ver como os pelinhos do pescoço dela se arrepiaram.
- É inadmissível que a minha assistente ande por aí assim, em andrajos. Com a roupa de ontem, toda amassada.
- Você... Quer dizer: a senhora sabe muito bem...
Não a deixei continuar. Exagerei. Minha intenção era rebaixar, humilhar, derrubar aquele arzinho auto-confiante dela de uma só vez:
- É indesculpável. Parece uma indigente. Uma sem-teto, uma coitada.
Ali prendeu a respiração. Enquanto eu a observava, balançando a cabeça negativamente, a desaprovando. Encostada na mesa, no mesmo lugar onde antes ela tinha me colocado sentada, me fazendo gozar deliciosamente em seus dedos...
Não sei se Ali estava pensando a mesma coisa que eu, porque... ela simplesmente não me encarava.
Andei até o armário. Sentindo os olhos dela me acompanharem.
Quando voltei a me virar, eles me atingiram. Cheios de tesão e desejo novamente. Como se pudessem, com um simples olhar, me devorar.
Será possível que ela ainda não tinha entendido nada? Impossível conter a minha raiva:
- Ali... Você está proibida de me olhar desse jeito.
Foi a mesma coisa que não ter dito nada. Ali se aproximou. Insinuante, sedutora, insistente demais. A voz sussurrante, doce, íntima. Fazendo com que – absolutamente contra minha vontade – eu me arrepiasse:
- Tô proibida de te desejar?
A boca tentou se aproximar da minha, mas a impedi, empurrando Ali pelos ombros, mantendo-a afastada de mim pela distância dos meus braços. A olhei bem nos olhos. Melhor dizendo: a fulminei com o olhar. E respondi:
- Não. Está proibida de demonstrar.
Não consegui deixar de completar:
- Durante o horário de trabalho.
Ali sorriu. Um sorriso cafajeste, canalha, vulgar. Com uma satisfação indescritível no olhar. Tão intensa que na mesma hora senti em minha calcinha uma umidade indesejável.
Como se nada tivesse acontecido, cortei a energia sensual que já nos envolvia bem rápido:
- Toma. Pega isso.
Disse, estendendo pra ela as chaves do meu carro. Ali me olhou sem entender nada.
- As roupas que compramos para você ontem estão no porta-malas. Pega uma, troca de roupa e traz de volta as chaves. Rápido!
Ali pegou as chaves da minha mão, fazendo questão de fazer com que as peles se encostassem. Ficou me olhando com um sorriso safado. E eu... fechei a cara:
- Anda, Ali! Eu disse rápido!
O sorriso dela aumentou significativamente. Então, Ali se virou, e saiu lentamente da sala. Numa provocação clara.
Deixei escapar um suspiro... e logo depois, uma risada incontrolável...

O dia passou sem outros incidentes. Pra mim, é claro.
Ali devolveu as chaves sem dizer uma palavra. A mandei retornar para a própria sala.
A reunião - como sempre - foi enfadonha, monótona, interminável. As amebas que eu tinha como funcionários sem acrescentarem nada. Não fediam nem cheiravam.
Ali foi extremamente eficiente. Não falou sem ser perguntada. Não tentou dar sugestões. Apresentou os relatórios que eu tinha pedido com clareza, competência, criatividade. Realmente admirável.
Em nenhum momento me olhou de um jeito que não fosse absolutamente profissional. Nem quando mandei que ela me servisse café. Muito menos quando a fiz voltar com o café cheio de açúcar – a fuzilando com o olhar – e servir outro com adoçante. Nem mesmo quando a obriguei a abrir a porta para mim e carregar a minha pasta. Parecia estar ficando... quase domada.

Quando o expediente acabou, dispensei Arlete e... chamei Ali em minha sala. Sentada na minha cadeira, sorrindo de antecipação, respondi às batidas em minha porta:
- Pode entrar...
Ali entrou e ficou perto da porta. Aparentemente, louca pra ir embora.
- Vai ficar aí parada?
A resposta dela foi seca. Curta e grossa, na verdade:
- Se não for pedir muito, vo... a senhora poderia ser rápida?
Perguntei, com um sorriso sarcástico:
- Tem algum compromisso? Porque... sabe muito bem que você não tem hora para sair. Minha assistente só vai embora quando eu deixar. Sabe disso, não sabe?
Ali se aproximou mais da mesa, me olhando inexpressivamente. Adoraria saber o que ela estava pensando, mas ela parecia disposta a não deixar.
- Sim, senhora.
Foi a resposta dela. Falei com um sorriso quase simpático:
- Muito bem. Por hoje, seu trabalho terminou. Está dispensada.
- Muito obrigada.
A raiva na voz dela era palpável. Ali se virou rapidamente. Em questão de segundos, já estava na frente da porta, com a mão na maçaneta.
Impedi rapidamente que ela saísse. Com uma voz sedutora, exigente, aveludada:
- Espera... Preciso de você, Allison...
Allison estremeceu. Continuou alguns segundos com a mão na porta, paralisada. Para então se virar lentamente. Quase sem respirar.
Parecendo absoluta e maravilhosamente comestível. Fazendo o tesão que eu sentia aumentar a um ponto incompreensível.
Não via a hora de voltar a degustar a onda de prazer indescritível que Allison conseguia me proporcionar.
Soltei os cabelos. O efeito foi imediato. Os olhos de Allison voltaram a me devorar. Mais ainda quando percebeu que o que eu tinha acabado de atirar em cima dela era... minha calcinha. Absolutamente molhada...
Ela aspirou o tecido fino, com aquele sorrisinho vulgar que tanto me excitava. Em questão de segundos, já estava ajoelhada entre as minhas pernas, as mãos em minhas coxas, depois de abrirem minha blusa arrancando metade dos botões com brutalidade...
Correspondi completamente. Enfiando a mão nos cabelos dela, apertando a nuca de Allison, a beijando com loucura. Provando com a língua aquela boca que como a minha, parecia incansável.
Ela lambeu, sugou, chupou meus seios deliciosamente... Com vontade... Sedenta, faminta, voraz...
Mas o que mais me excitava era a forma como Allison movia os dedos dentro de mim. Me penetrando quase com raiva. Me fazendo gemer alto.
Me entreguei... Sem pudores, culpas, nem nada... Apenas a necessidade pelo corpo dela que sentia... Querendo a língua, os lábios, as mãos que me faziam... Vibrar com maestria... Sussurrar todas as coisas inconfessáveis que eu pensava... E que Allison parecia adorar porque... suspirava e gemia, sem parar.
Grudei minha boca no pescoço dela. Allison estava toda suada, do jeito que eu gostava. A apertei contra mim com força, enquanto nossos lábios voltavam a se colar.
A língua dela parecia querer descobrir, conhecer, decorar cada milímetro da minha. E abafou parcialmente os gemidos que soltei enquanto meu corpo todo estremecia, e eu gozava intensamente nos dedos de Allison.

A beijei demoradamente. Suspirando alto. Saboreando sem pressa a boca de Allison... Ela gemeu quando dei uma leve mordida nos lábios dela, antes de me afastar.
Ali tirou os dedos de dentro de mim. Com suavidade. Olhei para ela, bastante irritada:
- Quem mandou você tirar?
Com um suspiro absolutamente enervado, numa espécie de desabafo, Ali se levantou, num salto. E disse:
- Tirei porque cansei. Chega! Não agüento mais.
Caminhou até a porta. Uma fera. Pisando duro, quase bufando. Mas eu fui muito mais rápida. A alcancei facilmente, aproveitando a vantagem da minha reação ser totalmente inesperada. A virei para mim, e a empurrei contra a porta. O baque, a surpresa, e o tesão a fazendo perder o ar.
Colei minha boca na dela. Allison ofegava contra os meus lábios. Mas em nenhum momento tentou se afastar. Pelo contrário. Me agarrou furiosamente. Chupou meu pescoço de um jeito que provavelmente ia deixar marcas...
Arranquei a blusa que ela usava. Toquei os seios dela... Allison gemeu, como se quisesse mais. Desci minha boca pela pele ardente, que me queimava os lábios. Lambi os seios lentamente, quase uma tortura, antes de colocar um deles na boca... Os gemidos cada vez mais altos me mostravam que era o jeito certo de a dominar...
As mãos de Allison me livraram da blusa, da saia... Com uma urgência que beirava a selvageria, maravilhosamente incontrolável. Me puxou pelos cabelos, me obrigando a parar o que estava fazendo para colar os lábios novamente nos dela...
Desabotoei a calça de Allison e enfiei a mão, encontrando o que desejava: o sexo que se ofereceu pulsante, inchado, molhado... Totalmente à minha mercê.
A penetrei, meus dedos entrando e saindo de dentro dela com vontade. As batidas do coração de Allison entrando num intenso descompasso, enquanto o corpo dela se contorcia contra o meu...
Acelerei os movimentos. O ritmo da pulsação dela, os sussurros e gemidos me guiavam... Minha respiração completamente alterada, o sangue se incendiando quando a senti gozar demoradamente em meus dedos...
Ficamos em silêncio. Novamente sem palavras. Para que? Elas tinham se tornado absolutamente desnecessárias.
Allison me puxou pela nuca, e mergulhou a boca na minha. Num beijo duro, rude, brutal. Deliciosamente passional.
Nossas línguas voltaram a se enroscar. Enquanto nos deitávamos no tapete persa, insaciáveis.
Ela desceu a língua, as mãos, os lábios pelo meu corpo inteiro, fazendo eu me contorcer com total e absoluta habilidade. Até chegar entre as minhas pernas, percorrendo meu sexo com a boca de uma forma tão intensa que eu poderia facilmente gozar rápido.
Tive que juntar toda a minha força de vontade naquele momento para puxar Allison pelos cabelos e a fazer parar:
- Não é assim que eu quero gozar...
Primeiro ela me olhou sem entender nada. Mas logo se recompôs, me perguntando, com uma malícia gostosa, despudorada na voz, de quem sabe o que faz:
- Como você quer, Pam?
A empurrei, e ela caiu deitada. Sussurrei, a voz rouca de tanto desejo:
- Vou te mostrar...
Me posicionei em cima dela, já sabendo que aquele seria um 69 fenomenal...

 

 

 

 

 

 

 

CAPITULO 13 - ALLISON

 
Eu estava sem ar. Meu cérebro só conseguia mandar ao meu corpo a informação de que eu queria gozar. Pamela me empurrou completamente selvagem. Bati com as costas no tapete persa que decorava a sala dela e recebi o seu sexo vindo de encontro à minha boca. Ela se oferecia deliciosamente pra mim, ao mesmo tempo em que me fazia delirar com a sua língua faminta me devorando inteira. Afastei ainda mais as suas pernas e suguei o seu sexo molhado com a intensidade que meu tesão por ela pedia. Sôfrego... Desesperado... Apaixonado... Minhas mãos puxavam-na pelas nádegas para sentir ainda mais o atrito do seu sexo em contato com a minha língua, que o devorava com mais intensidade, e pelos meus lábios que a chupavam com desespero desmedido. Pamela me enfeitiçava rebolando e gemendo sobre o meu corpo enquanto enfiava a sua língua ágil dentro de mim. Nossa pele suada e nossos gemidos intensos não deixavam dúvidas quanto ao gozo que estava próximo... Foi inevitável. Ela gozou na minha boca e eu gozei pra ela, também nos seus lábios... O corpo trêmulo pelo orgasmo intenso e saboroso que acabava de ser dividido... Nossa respiração ofegante foi dando espaço a uma respiração quase contida... Ainda estávamos na mesma posição, num sessenta e nove delicioso. Eu podia sentir os fios dos seus cabelos loiros tocando a minha coxa... Seus lábios quentes ainda no meu sexo... Sua língua passeando por dentro de mim. Os meus lábios ainda beijando-a, sugando até a última gota do seu gozo derramado que escorria pela minha boca e tocava o tapete.
Meus pensamentos estavam a mil por hora quando senti Pamela se mexer sobre mim e se levantar devagar... Apoiei o peso do meu corpo nos cotovelos e fiquei olhando-a caminhar pela sala calmamente enquanto apanhava suas roupas e as vestia.
- Você não tinha um compromisso? – Disse sem olhar na minha direção.
Olhei o relógio no meu pulso...
- Perdi a hora – Dei um salto e me levantei. Aproximei-me da sua mesa, agora, ela estava vestida, sentada na sua cadeira como se nada tivesse acontecido entre nós. Sim, porque eu parecia não existir naquele momento. Pamela mexia em uma das suas gavetas que ficava na parte interna da mesa sem ao menos olhar pra minha cara. Encostei-me na mesa à frente dela... Rapidamente Pamela tirou as mãos da gaveta, parou de mexer nos papéis que estavam dentro dela e ergueu aqueles lindos e penetrantes olhos azuis em minha direção. Senti seu olhar queimar a minha pele... Eu ainda estava nua diante dela, e o jeito que a mulher explorou visualmente o meu corpo me fez ter a impressão de que deixei escapar um gemido.
- Vista-se Ali! – Seu tom de voz era sério, porém extremamente sensual. Ela falava olhando pros meus olhos, encarando-me como se me desafiasse a desobedecê-la. Acho que a poderosa gostava das minhas desobediências. Era um jogo pra ela, e me colocar rédeas era o objetivo final.
- Gosto de ficar sem roupas diante de você – Sussurrei. A face dela estava erguida, seus olhos fitavam os meus, logo inclinei-me para alcançar os seus lábios. Tentei tocar a sua boca com a minha, mas Pamela virou lentamente o rosto deixando os meus lábios encostarem no seu pescoço... Sorri por entre os dentes e mordi suavemente a sua pele. Pamela levantou-se da cadeira em que estava sentada... Enquanto se punha de pé, fez questão de deslizar o seu corpo quente no meu... A minha face deu lugar imediatamente a uma expressão de tesão incontrolável. Puxei Pamela pela cintura e fugi do seu olhar para continuar devorando o seu pescoço. Ora passando a língua, ora sugando a sua pele com desejo. A mulher afastou-se um pouco de mim, depois inclinou a cabeça para trás a fim de fugir do contato dos meus lábios na sua pele. Busquei o seu olhar por alguns instantes, encontrei o seu sorriso malicioso me dizendo que suas intenções eram as melhores possíveis. Antes de qualquer palavra, senti a mão da mulher perfeita à minha frente deslizar sedutoramente pelo meio das minhas pernas, logo os seus dedos entraram em mim com fervor me deixando alucinada de desejo, obrigando-me a apertá-la em meus braços e gemer no seu ouvido sussurrando palavras descaradas que conseguiam explicar a loucura daquele momento. Abri mais as pernas para senti-la toda dentro de mim, e gozei demoradamente nos seus dedos. Puxei o ar... Segurei seu queixo com uma das mãos e puxei-o para provar o gosto da sua boca. Pamela me beijou com loucura, sugou a minha língua, gemeu nos meus lábios... Acariciou os meus seios e depois me empurrou de encontro a sua mesa. A mulher me olhou como se tivesse vencido o jogo. Tentei interpretar aquele silêncio que nos envolveu, mas antes que eu pudesse chegar a qualquer conclusão, ela deu a volta na mesa, apanhou a sua bolsa...
- Apague a luz da minha sala quando você sair – Disse antes de bater a porta.
Fiquei parada olhando “pro nada” como quem não acredita no que acabou de acontecer.
- Ponto pra ela! – Pensei enquanto balançava a cabeça negativamente – Vai ter volta Srta Sedução – Sorri achando graça do meu pensamento. Elevei as minhas mãos até a altura do meu nariz – Seu cheiro é delicioso – Continuei pensando enquanto vestia-me para deixar aquela sala. Apaguei a luz como me foi ordenado e saí. Ainda ouvi o ruído que a porta fez atrás de mim.
Em quarenta e cinco minutos eu já estava em casa, completamente esgotada. Entrei no meu quarto e arranquei minhas roupas deixando-as jogadas em qualquer canto... Deixei também o meu corpo cair na cama e adormeci.... Exausta de tanto prazer compartilhado com aquela mulherzinha esnobe e prepotente. Eu devia estar no mínimo louca para deixar uma mulher me fazer de gato e sapato desta maneira, né?

Acordei na manhã seguinte com Léo me sacudindo feito um louco... As luzes do meu quarto acesas... E as minhas roupas nas mãos dele.
- O que foi cara? – Abri os olhos tentando não xingá-lo pela claridade que fazia doer as minhas vistas.
- Sua furona! E.... – Parou brevemente de falar... Elevou a minha blusa até o seu nariz... – Mentirosa! – Disse enfim. Logo apanhou a minha calça que estava jogada também num canto do quarto. Começou a revistar os bolsos...
- Que palhaçada é essa, Léo? Tá parecendo uma mulherzinha enciumada querendo descobrir a traição do marido, oras!
- É isso mesmo! – Afirmou bravo.
- É? – Fitei-o sem saber o que pensar – Não entendi, viu? – Cocei a cabeça.... – Desde quando virou hétero?
- Estou com ciúmes da sua mentira Allison! – Sentou-se ao meu lado na cama. Esticou a mão que segurava a minha blusa – Tá com cheiro de mulher! – Disse indignado.
Puxei as roupas das mãos dele...
- Enlouqueceu, é? Como assim ciúmes das “mentiras”? Tá falando do quê? – Fitei-o sem conseguir entender onde Léo queria chegar - Sabe que eu gosto de mulher, portanto, jamais teria cheiro de homem nas minhas roupas!
- Allison, desde quando está dormindo com a poderosa? – Perguntou direto e sério. Desde quando Léo tinha aquela cara de irmão mais velho, hein?
- Ãh?
- Cheira isso aqui! – Puxou a blusa das minhas mãos e quase esfregou-a no meu nariz – Esse cheiro é dela! E não adianta dizer que é de outra mulher porque se a poderosa desconfiasse que outra mulher na face da terra usa o mesmo perfume que ela, já teria mandado matar a coitada – Colocou as mãos na cabeça – Desde quando? Diz criatura! – estava impaciente.
- Não sei... Do que... Você está falando Léo! – Levantei-me de sobressalto... Tentei desconversar – Viu minha camiseta preta?
- Hoje é domingo, estamos de folga!
- Esque...ci... – Disse sem graça fechando a gaveta que eu havia aberto para pegar uma roupa para ir trabalhar.
- Isso é sério Ali... – Aproximou-se de mim – Sou seu amigo, te coloquei naquela merda de revista pra trabalhar, não quero me sentir responsável pelo sofrimento óbvio que aquela inescrupulosa irá te submeter.
- Cara... Ela... Ela... – Baixei a guarda, sabia que nada do que eu dissesse convenceria o Léo do contrário.
- Ela é gostosa, eu sei! – Continuou tagarelando sem parar.
- Sabe? Como? – Arregalei os olhos já pensando maldade, sabe?
- Deixa de ser ridícula! – Respondeu como se tivesse lido os meus pensamentos - Dá pra imaginar só de olhar as curvas dela. Se eu fosse mulher ia querer ser exatamente igual à dona Pamela.
- Isso resolveria o meu problema... – Fitei-o de rabo de olho com um risinho contido – Você sendo meu amigo seria bem mais fácil, né?
- Então admite que andou se perdendo na cama daquela mulher? – Sorriu quase assustado.
- No tapete persa do escritório – Ergui os braços sobre a minha face para me proteger. Sim! Já sabia que ele arremessaria o travesseiro em mim.
- Sua cachorra! – Arremessou o travesseiro, Viram? Em seguida colocou as mãos na boca – Me conta! Como foi?
- Caraca! Um minuto atrás você tava me falando que não queria ser responsável pelo sofrimento óbvio que aquela cascavel irá me submeter, e agora quer detalhes?
- Eu disse inescrupulosa... E... Já que você caiu na besteira de trepar com ela eu me sinto no direito de saber como foi, né?
- Nossa! – Respirei fundo antes de continuar falando - Tô ficando doida com essa mulher, sabia? Ela é... Dominadora... Gostosa... Louca! – Deslizei as mãos pelos meus cabelos quase desesperada ao falar nela.
- Nossa Ali! Não tô nem acreditando que você comeu aquela mulher!
- Putz! – Sentei-me ao lado dele na cama – O pior de tudo, digo, da nossa convivência na revista é o fato dela querer me mudar, sabe?
- Ali, você é a assistente da poderosa! O que queria? Andar toda largada ao lado dela?
- Eu não cursei jornalismo pra isso Léo! – Respirei fundo – Trabalhar em uma revista como a “Gente Chique” não estava nos meus planos, ser assistente da poderosa menos ainda! O que eu queria mesmo é ser colunista em um jornal de notícias menos superficiais do que uma revista que só se importa com a vida de gente famosa, em saber como e o que eles vestem.
- Relaxa Allison! Você está tendo uma chance única na sua vida. É só o primeiro trabalho. E você já está se dando bem com a toda poderosa! – Sorriu copiosamente.
- Hum... Senti um tom de malícia na sua última frase... Como assim se dando bem com a poderosa? – Apertei um travesseiro entre os braços – É só sexo, e nem eu, muito menos ela quer que passe disso – Fiquei pensando nas minhas próprias palavras, como doeu admitir que era apenas sexo o que me ligava a toda poderosa. Mas também, seria muita pretensão achar que uma mulher como aquela iria querer algo sério comigo, não é?
- Não pensa muito não Ali!
- Ãh?
- Você tem é que pensar numa roupinha bem legal pra não fazer feio na festa de lançamento da revista desse mês, tá?
- Que festa?
- Como assim que festa? – Colocou as mãos na minha testa – Estouramos as vendas! Estamos no topo do topo e a Gente Chique sempre promove uma big festa pra comemorar, oras!
- Ai meu Deus! – Deixei o meu corpo cair para trás – Detesto essas festas cheias de frescuras!
- Deveria ter desistido do jornalismo antes de prestar o vestibular, sabia?
Fitei-o de rabo de olho...
- Devia ter desistido dessa idéia de trabalhar contigo, isso sim! Minha vida tá uma “zona” e a culpa é sua seu desgraçado!
- Ah, tá! Té parece que fui eu quem dormiu com a chefona.
- Quando será essa festa?
- Sexta que vem.
- Putz!


 

PARTE 2

 

 

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