CAPITULO 14 -
PAMELA
Cheguei em casa absolutamente exausta. Estressada, pra falar a verdade. Os
embates com Ali tinham sido deliciosos, mas... estranhamente, eu estava fatigada,
como se todas as minhas energias tivessem sido sugadas.
Normalmente, depois de ter conseguido dar a última palavra, deixando Ali lá
plantada, eu estaria no mínimo, satisfeita. Porém, era exatamente o
contrário. Como se alguma coisa me incomodasse.
“Bobagem, Pamela...”
Pensei, depois de dizer:
- Não estou em casa para ninguém, Paz...
Entrei no meu quarto, tomei uma chuveirada rápida, e me atirei na cama. Nua
mesmo, como de hábito.
Tinha passado as últimas vinte e quatro horas numa verdadeira maratona
sexual... Natural o cansaço... Nada que pudesse preocupar...
Puxei o edredom, peguei o travesseiro com o qual costumava dormir abraçada...
Tinha um perfume diferente nele... Que me causou uma sensação de conforto
muito agradável... Com um suspiro, me aconcheguei mais a ele... Apenas para,
segundos depois, arregalar os olhos e me sentar, totalmente assustada. Ao
perceber que aquele perfume era, na verdade, o cheiro de Allison...
No dia seguinte, meu humor estava insuportável. Nem eu agüentava. Com certeza
era evidente, porque assim que entrei na revista, com Arlete carregando
minhas coisas - e como sempre, quase correndo para me acompanhar - um
silêncio absoluto se estabeleceu.
Bastou que eu olhasse rapidamente ao redor para constatar que todos – sem exceção
– mantinham as cabeças baixas, sem quererem me encarar. Até os que estavam ao
telefone tinham parado de falar. Todos meio que... paralisados...
Aterrorizados, na verdade... Do jeito que eu adorava.
Não era pra ninguém saber o prazer que aquilo me dava, claro. Por isso,
fingindo bufar de impaciência, irritação e raiva, falei, alto o bastante para
que todos escutassem:
- Isso aqui é uma revista ou um necrotério? Pelo amor de Deus, mexam-se!
Bando de retardados!
Quando me virei, Ali estava parada na minha frente, me observando. Com uma
expressão indecifrável. Parecia... divertida? Feliz por me ver chegar?
Impossível definir... Visível era apenas um quase sorriso no olhar...
Em questão de segundos, ao perceber que eu a fitava, ela desmanchou o olhar.
Antes de falar, com um tom inexpressivo, absolutamente profissional:
- Bom dia, dona Pamela.
Nem respondi. Não ia me dar ao trabalho. Segui em frente, depois de lançar um
olhar absolutamente gelado para Ali. Que me seguiu, repassando nossa pauta do
dia e explicando algumas coisas que tinha adiantado. Tudo com uma perfeição
que melhorou meu humor de forma inexplicável. Mas que não deixei
transparecer, óbvio!
A semana passou rápido. Durante o expediente, eu tinha Ali, minha fiel e
eficiente assistente.
Depois, o horário de trabalho terminava, e com ele toda e qualquer razão para
não permitir que meu corpo tivesse o que desejava: Allison.
Num ciclo inevitável de sedução, prazer e provocação além do imaginável. Com
nuances cada vez mais excitantes e satisfatórias de posições sexuais,
diálogos e orgasmos.
Na 6ª feira depois do almoço, chamei Ali na minha sala. Ela entrou e ficou
parada na frente da minha mesa, com aquele olhar inescrutável dela, que nunca
me permitia saber o que realmente estava pensando. Não que eu quisesse saber
ou me importasse, claro!
Ordenei, fingindo não olhar para ela, guardando algumas últimas coisas numa
das gavetas:
- Ali, depois que terminar os relatórios que te pedi, me encontre nesse
lugar.
Ali arregalou os olhos, antes de pegar o cartão que estendi pra ela, e ver
que o lugar era apenas um salão de beleza. Ela pareceu decepcionada, o que
quase me fez sorrir. Quase, porque completei, seríssima:
- E não se atrase!
Antes de pegar minha bolsa e sair batendo a porta da sala atrás de mim.
Foi muito divertido ver Ali se debatendo no salão. Era evidente que ela
odiava tudo aquilo, mas... Ali não tinha escolha, não é verdade?
Ignorei a resistência dela completamente. Simplesmente ordenei, com uma
autoridade inquestionável:
- Ali, senta! E fica calada.
Ela me olhou de um jeito... como que se preparando para sair correndo dali.
Impossível não achar graça. Quase sorri. A segurei pelo braço, conduzindo até
a cadeira, com uma voz bastante suave para mim:
- Confia no meu bom gosto, vai...
Ali suspirou fundo, como se tomasse coragem. E obedeceu. Com um olhar doce,
mas tão apavorado e perdido que poderia causar pena... Em qualquer pessoa que
não fosse eu.
Sentei na cadeira ao lado dela, explicando o que queria para mim. Ali me
olhava desconfiada, tentando descobrir ao que seria submetida, mas...
Na verdade já tinha explicado para as meninas do salão exatamente o que eu
queria que fizessem com ela. Nada demais. Uma escova básica e maquiagem
completa. Ela permitiu, incrivelmente sem dar uma palavra. Olhando fixamente
pra mim.
O resultado final foi fantástico. Nem parecia aquela Ali largada e sem graça.
Estava uma assistente à minha altura, que não ficaria do meu lado causando
uma absurda poluição visual. Pelo contrário, do jeito que estava, Ali era um
enfeite perfeito.
Levantei uma das sobrancelhas, e umedeci os lábios, pensando o quanto seria
divertido mais tarde, depois da festa, saborear o novo visual dela na minha
cama...
Pelo visto, Ali não estava disposta a esperar. Tinha tentado se insinuar
dentro do carro o tempo inteiro, e depois quando chegamos em meu apartamento.
Olhando pra mim babando... Com cobiça, desejo e tesão quase irritantes. A
despachei no quarto de hóspedes, e entrei no banho que Paz tinha preparado
para mim.
Estava de olhos fechados na banheira de água fervendo, tomando total cuidado
para não estragar meu cabelo nem a maquiagem, quando senti uma mão deslizando
em minha pele, acariciando meus seios, enquanto uma respiração quente já
muito conhecida ofegava atrás de mim.
Abri os olhos, e ainda sem me mover, disse:
- O que você pensa que está fazendo, posso saber?
Sem soltar o meu seio, fazendo com que o bico ficasse tão duro que resistir
se tornava praticamente insuportável, Ali respondeu, com aquele tom safado de
fora do expediente:
- Você sabe muito bem...
Usando toda a minha força de vontade, a despeito do calor que eu já sentia, e
da umidade no meu sexo - incontrolável – me fiz de frígida:
- Eu não mandei você tomar banho no quarto de hóspedes, Ali?
A mão dela desceu perigosamente. Pousou entre as minhas coxas, me fazendo
engolir o gemido que subiu por minha garganta. E provocou:
- Já tomei banho, dona Pamela. Sou muito eficiente em tudo o que faço... Não
acha?
Os dedos dela já estavam dentro de mim. Experientes, habilidosos, ágeis... Se
movendo de um jeito que tornou resistir uma impossibilidade...
Os gemidos escaparam, involuntários. Minha voz soou um pouco trêmula e baixa:
- Cuidado com o meu cabelo, Allison...
Ela riu baixinho. Sabendo muito bem o que o uso do nome dela inteiro significava.
Antes de sussurrar no meu ouvido de uma forma absurdamente íntima e abusada:
- Pode deixar, Pam...
Exatamente por isso, eu não podia deixar de dar a última palavra:
- E seja rápida...
Sem conseguir imprimir na frase o tom ríspido e seco que eu desejava.
Quando chegamos na festa, ela já estava cheia. Ali caminhava atrás de mim,
com um vestido preto elegante e básico e... salto alto.
Precisei usar todo o meu poder de persuasão para que ela aceitasse. Quando
percebi que ordens e ameaças não iam funcionar, fui obrigada a apelar para
outra forma de a dominar.
Parei na frente dela, já totalmente pronta, plenamente consciente do quanto
eu estava sedutora, elegante, fatal... Aproximei minha boca do ouvido dela, e
sussurrei, fazendo Ali se arrepiar:
- Obedece... Garanto que vai me dar muito mais vontade de te despir depois,
Allison...
Antes de entrar na festa, virei para Ali, que tentou disfarçar a forma como
me devorava, sem muito resultado. Lancei um olhar capaz de congelar uma
fogueira, enquanto falava:
- Para todo mundo, isso é uma festa. Para você, é trabalho. Entendeu, Ali?
Ela concordou com a cabeça, mas incrivelmente, os olhos ainda brilhavam. Por
isso completei:
- Então pare de me olhar desse jeito. Já!
Ela suspirou fundo. Como se lutasse contra si mesma. De um jeito absurdamente
divertido. Como naqueles filmes de terror, onde a pessoa é possuída por algum
tipo de espírito maligno... E quando voltou a me olhar, estava com os olhos
absolutamente vazios. De uma forma magnífica.
- Assim é melhor.
Falei, antes de entrar, com meu lindo brinquedinho atrás.
As festas da “Gente Chique” eram notoriamente conhecidas por serem um arraso.
Reunindo as pessoas mais famosas, bonitas, ricas e influentes da sociedade.
Essa não ficava atrás. Um interminável desfile de seres querendo de alguma
forma se aproveitar, tirar vantagem... Movidos por aquilo que é a única razão
dos relacionamentos humanos: interesse, claro.
Apesar da maioria das pessoas preferir inventar nomes bonitos como amor,
paixão, amizade para justificar interesse em sexo, apoio financeiro,
emocional, ou moral... A troca, o escambo, a necessidade de possuir algo que
o outro tem que desde o início da sociedade é a causa real das pessoas se
aproximarem.
Eu ficava rindo por dentro, a cada elogio, cumprimento ou cantada que levava.
Até que uma morena lindíssima parou na minha frente, com um sorriso imenso:
- Pamela... Há quanto tempo...
Ficou estampado no meu rosto que não a estava reconhecendo. Tanto que ela
percebeu:
- Não se lembra de mim, não é mesmo? Sou eu, Penélope...
Penélope? Penélope? Claro! Eu nunca ia ligar a mulher interessantíssima na
minha frente com a garota que tinha estudado comigo num internato na Suíça
dos 12 aos 17 anos.
Com certeza, a reação das pessoas devia ser sempre a mesma, porque ela
completou, com uma risada:
- É, sou eu mesma... Irreconhecível, não acha? Não existe nada, minha
querida, que o dinheiro não possa comprar...
Nesse momento, não sei porque, Ali falou, talvez pensando alto:
- Não compra felicidade...
Penélope fez a mesma coisa que eu: riu... Sabendo que só uma pessoa que não
tem dinheiro é capaz de dizer isso. E depois, como se Ali fosse um bichinho
de rua sem raça e vira-lata:
- Que gracinha... Quem é?
Fuzilei Ali com os olhos, ao responder:
- Minha assistente... Por muito pouco tempo, se não se colocar em seu devido
lugar...
Com um gesto fatigado, Penélope soltou:
- É tão difícil encontrar bons empregados...
Antes de se virar para mim, com um olhar totalmente diferente. Me avaliando
de cima a baixo:
- Pamela, uau! Você está muito bem... Na época de colégio já era linda, na
verdade... Mas, meu bem... Parece que o tempo fez você ficar muito mais...
Como eu posso dizer?... Comestível, sabe?
Frente a um comentário desses, que não deixava dúvidas de no que a morena
estava interessada, também percorri o corpo dela com os olhos, a avaliando de
cima a baixo. Nada mal. Nada mal mesmo. Poderia ser bem interessante
experimentar. Respondi, com um olhar lascivo, descarado:
- Você acha? Não sabia que você gostava...
A morena deu uma gargalhada. Antes de falar:
- De mulheres? Sempre! Meu amor, porque você acha que o meu pai fazia tantas
doações para aquele maldito colégio? Para abafar os escândalos, claro...
- Nunca fiquei sabendo de nada...
Penélope insinuou, me despindo com os olhos:
- Porque na época, não parecia interessada...
Não consegui disfarçar o sorriso que bailou em meus lábios. Penélope
obviamente também se lembrava muito bem de como eu era na época... Voraz
apreciadora dos corpos dos rapazes do internato vizinho, depois de perder a
virgindade aos 14 anos com o jardineiro gatíssimo do nosso colégio...
- E não estava mesmo... Na época, claro...
- Agora está?
Adorei o jeito dela. Direto, objetivo, sem rodeios. Como eu gostava. Ali me
olhava como se estivesse sentindo dor. Uma dor que tive o prazer de aumentar:
- É bem provável...
No decorrer da noite, a conversa e os olhares de Penélope foram se tornando
cada vez mais quentes. A festa começou a esvaziar. A morena sussurrou no meu
ouvido:
- Vamos? Não agüento mais esperar...
Concordei, dizendo:
- Vamos. Para a minha casa.
E depois, rispidamente para Ali:
- Vamos, Ali.
Ali caminhou atrás de nós, sem dar uma palavra. Quando chegamos no meu carro,
entreguei as chaves para ela, ordenando:
- Você dirige.
E sentei no banco de trás, onde Penélope me esperava, se mostrando total,
absoluta e satisfatoriamente ousada.
Penélope beijava muito bem. E sem parar. Demonstrou uma voracidade extrema ao
abrir o zíper do meu vestido, deixando meus seios à mostra. Por pouco tempo,
porque logo depois os cobriu com as mãos e com os lábios. Me fazendo gemer
com vontade.
As mãos dela acariciaram minhas pernas, levantaram minha saia... Os dedos
entrando e saindo do meu sexo como se eu não estivesse de calcinha, com total
habilidade. Pelo espelho retrovisor, podia ver o olhar de Ali. Uma mistura de
tesão e raiva que me deixou absolutamente excitada.
Gozei rápido. Longa e intensamente. Me contorcendo, estremecendo, gemendo
alto... Com um prazer muito maior do que o normal... Proporcionado pelos
dedos de Penélope, e... pelos olhos de Ali.
Quando paramos na garagem, fiz Penélope fechar meu zíper, para sairmos do
carro. Mas ela só parou de me agarrar quando fomos recebidas na sala do meu
apartamento, por Paz.
Ali nos seguiu, o tempo inteiro calada, talvez por pura raiva. Ou talvez, por
ter entendido qual era o lugar dela, afinal.
Pedi para que Paz levasse Penélope até o meu quarto, e providenciasse tudo o
que ela quisesse.
Tomei uma dose de Whisky, sentindo o par de olhos cravados em minhas costas.
Apesar de Ali continuar muda, sem dizer uma palavra.
Paz voltou, dizendo que Penélope não queria nada, a não ser que eu fosse para
o quarto. A dispensei. Paz desejou boa noite e desapareceu em direção ao
quarto de empregada.
Assim que ficamos a sós na sala, Ali perguntou, com uma frieza inédita nela:
- Também estou dispensada?
Andei em volta dela, a olhando de cima a baixo. Não tinha porque perder a
oportunidade de fazer o que tinha planejado. Podia perfeitamente me livrar de
Penélope assim que terminássemos e depois começar tudo novamente com Ali.
Nada demais:
- Não. Vou precisar de você mais tarde.
Ali se arrepiou inteira. Mas me olhou com uma intensa e profunda raiva:
- Se pensa que vou dormir com você, está muito enganada.
A segurei pela nuca. Aproximei o meu rosto do dela. O bastante para que
nossos hálitos se encontrassem. Mergulhei os olhos nos de Ali, ao dizer:
- É você quem está enganada. Vai dormir comigo. Hoje e quando eu quiser.
Allison...
Ela me puxou com força. Colou a boca na minha com brutalidade. Nossos corpos
grudados, as línguas se buscando, encontrando, num duelo quase.
Até precisarmos de ar.
Ali se afastou, completamente ofegante, e cuspiu as palavras:
- Você é uma cadela, Pamela...
Dei uma gargalhada. Allison sempre conseguia ser deliciosamente surpreendente...
Refrescante como ar condicionado. Respondi sem hesitar:
- Sou uma cadela sim... De raça... Você nunca comeu uma igual... E é
exatamente por isso que vai me esperar.
Me virei majestosamente. Cruzei o corredor com passos largos. Quando cheguei
na porta do quarto, Ali me puxou pelo braço:
- Não quero esperar.
A voz de Penélope veio lá de dentro:
- Pamela, vem logo... Tô louca pra te chupar...
Impossível deixar de abrir um sorriso. De pura antecipação, desejo, tesão...
Pela morena monumental que me esperava, provavelmente pelada....
Ali me olhou como se eu a tivesse esbofeteado. Ficou parada me olhando,
enquanto eu dizia:
- Não vou demorar.
Antes de entrar no quarto, e fechar a porta na cara de Allison.
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