DEZ COISAS QUE ODEIO EM VOCÊ -2

Diedra Roiz e Karina Dias

 

CAPITULO 14 - PAMELA

 

 


Cheguei em casa absolutamente exausta. Estressada, pra falar a verdade. Os embates com Ali tinham sido deliciosos, mas... estranhamente, eu estava fatigada, como se todas as minhas energias tivessem sido sugadas.
Normalmente, depois de ter conseguido dar a última palavra, deixando Ali lá plantada, eu estaria no mínimo, satisfeita. Porém, era exatamente o contrário. Como se alguma coisa me incomodasse.
“Bobagem, Pamela...”
Pensei, depois de dizer:
- Não estou em casa para ninguém, Paz...
Entrei no meu quarto, tomei uma chuveirada rápida, e me atirei na cama. Nua mesmo, como de hábito.
Tinha passado as últimas vinte e quatro horas numa verdadeira maratona sexual... Natural o cansaço... Nada que pudesse preocupar...
Puxei o edredom, peguei o travesseiro com o qual costumava dormir abraçada... Tinha um perfume diferente nele... Que me causou uma sensação de conforto muito agradável... Com um suspiro, me aconcheguei mais a ele... Apenas para, segundos depois, arregalar os olhos e me sentar, totalmente assustada. Ao perceber que aquele perfume era, na verdade, o cheiro de Allison...

No dia seguinte, meu humor estava insuportável. Nem eu agüentava. Com certeza era evidente, porque assim que entrei na revista, com Arlete carregando minhas coisas - e como sempre, quase correndo para me acompanhar - um silêncio absoluto se estabeleceu.
Bastou que eu olhasse rapidamente ao redor para constatar que todos – sem exceção – mantinham as cabeças baixas, sem quererem me encarar. Até os que estavam ao telefone tinham parado de falar. Todos meio que... paralisados... Aterrorizados, na verdade... Do jeito que eu adorava.
Não era pra ninguém saber o prazer que aquilo me dava, claro. Por isso, fingindo bufar de impaciência, irritação e raiva, falei, alto o bastante para que todos escutassem:
- Isso aqui é uma revista ou um necrotério? Pelo amor de Deus, mexam-se! Bando de retardados!
Quando me virei, Ali estava parada na minha frente, me observando. Com uma expressão indecifrável. Parecia... divertida? Feliz por me ver chegar? Impossível definir... Visível era apenas um quase sorriso no olhar...
Em questão de segundos, ao perceber que eu a fitava, ela desmanchou o olhar. Antes de falar, com um tom inexpressivo, absolutamente profissional:
- Bom dia, dona Pamela.
Nem respondi. Não ia me dar ao trabalho. Segui em frente, depois de lançar um olhar absolutamente gelado para Ali. Que me seguiu, repassando nossa pauta do dia e explicando algumas coisas que tinha adiantado. Tudo com uma perfeição que melhorou meu humor de forma inexplicável. Mas que não deixei transparecer, óbvio!

A semana passou rápido. Durante o expediente, eu tinha Ali, minha fiel e eficiente assistente.
Depois, o horário de trabalho terminava, e com ele toda e qualquer razão para não permitir que meu corpo tivesse o que desejava: Allison.
Num ciclo inevitável de sedução, prazer e provocação além do imaginável. Com nuances cada vez mais excitantes e satisfatórias de posições sexuais, diálogos e orgasmos.

Na 6ª feira depois do almoço, chamei Ali na minha sala. Ela entrou e ficou parada na frente da minha mesa, com aquele olhar inescrutável dela, que nunca me permitia saber o que realmente estava pensando. Não que eu quisesse saber ou me importasse, claro!
Ordenei, fingindo não olhar para ela, guardando algumas últimas coisas numa das gavetas:
- Ali, depois que terminar os relatórios que te pedi, me encontre nesse lugar.
Ali arregalou os olhos, antes de pegar o cartão que estendi pra ela, e ver que o lugar era apenas um salão de beleza. Ela pareceu decepcionada, o que quase me fez sorrir. Quase, porque completei, seríssima:
- E não se atrase!
Antes de pegar minha bolsa e sair batendo a porta da sala atrás de mim.

Foi muito divertido ver Ali se debatendo no salão. Era evidente que ela odiava tudo aquilo, mas... Ali não tinha escolha, não é verdade?
Ignorei a resistência dela completamente. Simplesmente ordenei, com uma autoridade inquestionável:
- Ali, senta! E fica calada.
Ela me olhou de um jeito... como que se preparando para sair correndo dali. Impossível não achar graça. Quase sorri. A segurei pelo braço, conduzindo até a cadeira, com uma voz bastante suave para mim:
- Confia no meu bom gosto, vai...
Ali suspirou fundo, como se tomasse coragem. E obedeceu. Com um olhar doce, mas tão apavorado e perdido que poderia causar pena... Em qualquer pessoa que não fosse eu.
Sentei na cadeira ao lado dela, explicando o que queria para mim. Ali me olhava desconfiada, tentando descobrir ao que seria submetida, mas...
Na verdade já tinha explicado para as meninas do salão exatamente o que eu queria que fizessem com ela. Nada demais. Uma escova básica e maquiagem completa. Ela permitiu, incrivelmente sem dar uma palavra. Olhando fixamente pra mim.
O resultado final foi fantástico. Nem parecia aquela Ali largada e sem graça. Estava uma assistente à minha altura, que não ficaria do meu lado causando uma absurda poluição visual. Pelo contrário, do jeito que estava, Ali era um enfeite perfeito.
Levantei uma das sobrancelhas, e umedeci os lábios, pensando o quanto seria divertido mais tarde, depois da festa, saborear o novo visual dela na minha cama...

Pelo visto, Ali não estava disposta a esperar. Tinha tentado se insinuar dentro do carro o tempo inteiro, e depois quando chegamos em meu apartamento. Olhando pra mim babando... Com cobiça, desejo e tesão quase irritantes. A despachei no quarto de hóspedes, e entrei no banho que Paz tinha preparado para mim.
Estava de olhos fechados na banheira de água fervendo, tomando total cuidado para não estragar meu cabelo nem a maquiagem, quando senti uma mão deslizando em minha pele, acariciando meus seios, enquanto uma respiração quente já muito conhecida ofegava atrás de mim.
Abri os olhos, e ainda sem me mover, disse:
- O que você pensa que está fazendo, posso saber?
Sem soltar o meu seio, fazendo com que o bico ficasse tão duro que resistir se tornava praticamente insuportável, Ali respondeu, com aquele tom safado de fora do expediente:
- Você sabe muito bem...
Usando toda a minha força de vontade, a despeito do calor que eu já sentia, e da umidade no meu sexo - incontrolável – me fiz de frígida:
- Eu não mandei você tomar banho no quarto de hóspedes, Ali?
A mão dela desceu perigosamente. Pousou entre as minhas coxas, me fazendo engolir o gemido que subiu por minha garganta. E provocou:
- Já tomei banho, dona Pamela. Sou muito eficiente em tudo o que faço... Não acha?
Os dedos dela já estavam dentro de mim. Experientes, habilidosos, ágeis... Se movendo de um jeito que tornou resistir uma impossibilidade...
Os gemidos escaparam, involuntários. Minha voz soou um pouco trêmula e baixa:
- Cuidado com o meu cabelo, Allison...
Ela riu baixinho. Sabendo muito bem o que o uso do nome dela inteiro significava. Antes de sussurrar no meu ouvido de uma forma absurdamente íntima e abusada:
- Pode deixar, Pam...
Exatamente por isso, eu não podia deixar de dar a última palavra:
- E seja rápida...
Sem conseguir imprimir na frase o tom ríspido e seco que eu desejava.

Quando chegamos na festa, ela já estava cheia. Ali caminhava atrás de mim, com um vestido preto elegante e básico e... salto alto.
Precisei usar todo o meu poder de persuasão para que ela aceitasse. Quando percebi que ordens e ameaças não iam funcionar, fui obrigada a apelar para outra forma de a dominar.
Parei na frente dela, já totalmente pronta, plenamente consciente do quanto eu estava sedutora, elegante, fatal... Aproximei minha boca do ouvido dela, e sussurrei, fazendo Ali se arrepiar:
- Obedece... Garanto que vai me dar muito mais vontade de te despir depois, Allison...
Antes de entrar na festa, virei para Ali, que tentou disfarçar a forma como me devorava, sem muito resultado. Lancei um olhar capaz de congelar uma fogueira, enquanto falava:
- Para todo mundo, isso é uma festa. Para você, é trabalho. Entendeu, Ali?
Ela concordou com a cabeça, mas incrivelmente, os olhos ainda brilhavam. Por isso completei:
- Então pare de me olhar desse jeito. Já!
Ela suspirou fundo. Como se lutasse contra si mesma. De um jeito absurdamente divertido. Como naqueles filmes de terror, onde a pessoa é possuída por algum tipo de espírito maligno... E quando voltou a me olhar, estava com os olhos absolutamente vazios. De uma forma magnífica.
- Assim é melhor.
Falei, antes de entrar, com meu lindo brinquedinho atrás.

As festas da “Gente Chique” eram notoriamente conhecidas por serem um arraso. Reunindo as pessoas mais famosas, bonitas, ricas e influentes da sociedade. Essa não ficava atrás. Um interminável desfile de seres querendo de alguma forma se aproveitar, tirar vantagem... Movidos por aquilo que é a única razão dos relacionamentos humanos: interesse, claro.
Apesar da maioria das pessoas preferir inventar nomes bonitos como amor, paixão, amizade para justificar interesse em sexo, apoio financeiro, emocional, ou moral... A troca, o escambo, a necessidade de possuir algo que o outro tem que desde o início da sociedade é a causa real das pessoas se aproximarem.
Eu ficava rindo por dentro, a cada elogio, cumprimento ou cantada que levava. Até que uma morena lindíssima parou na minha frente, com um sorriso imenso:
- Pamela... Há quanto tempo...
Ficou estampado no meu rosto que não a estava reconhecendo. Tanto que ela percebeu:
- Não se lembra de mim, não é mesmo? Sou eu, Penélope...
Penélope? Penélope? Claro! Eu nunca ia ligar a mulher interessantíssima na minha frente com a garota que tinha estudado comigo num internato na Suíça dos 12 aos 17 anos.
Com certeza, a reação das pessoas devia ser sempre a mesma, porque ela completou, com uma risada:
- É, sou eu mesma... Irreconhecível, não acha? Não existe nada, minha querida, que o dinheiro não possa comprar...
Nesse momento, não sei porque, Ali falou, talvez pensando alto:
- Não compra felicidade...
Penélope fez a mesma coisa que eu: riu... Sabendo que só uma pessoa que não tem dinheiro é capaz de dizer isso. E depois, como se Ali fosse um bichinho de rua sem raça e vira-lata:
- Que gracinha... Quem é?
Fuzilei Ali com os olhos, ao responder:
- Minha assistente... Por muito pouco tempo, se não se colocar em seu devido lugar...
Com um gesto fatigado, Penélope soltou:
- É tão difícil encontrar bons empregados...
Antes de se virar para mim, com um olhar totalmente diferente. Me avaliando de cima a baixo:
- Pamela, uau! Você está muito bem... Na época de colégio já era linda, na verdade... Mas, meu bem... Parece que o tempo fez você ficar muito mais... Como eu posso dizer?... Comestível, sabe?
Frente a um comentário desses, que não deixava dúvidas de no que a morena estava interessada, também percorri o corpo dela com os olhos, a avaliando de cima a baixo. Nada mal. Nada mal mesmo. Poderia ser bem interessante experimentar. Respondi, com um olhar lascivo, descarado:
- Você acha? Não sabia que você gostava...
A morena deu uma gargalhada. Antes de falar:
- De mulheres? Sempre! Meu amor, porque você acha que o meu pai fazia tantas doações para aquele maldito colégio? Para abafar os escândalos, claro...
- Nunca fiquei sabendo de nada...
Penélope insinuou, me despindo com os olhos:
- Porque na época, não parecia interessada...
Não consegui disfarçar o sorriso que bailou em meus lábios. Penélope obviamente também se lembrava muito bem de como eu era na época... Voraz apreciadora dos corpos dos rapazes do internato vizinho, depois de perder a virgindade aos 14 anos com o jardineiro gatíssimo do nosso colégio...
- E não estava mesmo... Na época, claro...
- Agora está?
Adorei o jeito dela. Direto, objetivo, sem rodeios. Como eu gostava. Ali me olhava como se estivesse sentindo dor. Uma dor que tive o prazer de aumentar:
- É bem provável...

No decorrer da noite, a conversa e os olhares de Penélope foram se tornando cada vez mais quentes. A festa começou a esvaziar. A morena sussurrou no meu ouvido:
- Vamos? Não agüento mais esperar...
Concordei, dizendo:
- Vamos. Para a minha casa.
E depois, rispidamente para Ali:
- Vamos, Ali.
Ali caminhou atrás de nós, sem dar uma palavra. Quando chegamos no meu carro, entreguei as chaves para ela, ordenando:
- Você dirige.
E sentei no banco de trás, onde Penélope me esperava, se mostrando total, absoluta e satisfatoriamente ousada.

Penélope beijava muito bem. E sem parar. Demonstrou uma voracidade extrema ao abrir o zíper do meu vestido, deixando meus seios à mostra. Por pouco tempo, porque logo depois os cobriu com as mãos e com os lábios. Me fazendo gemer com vontade.
As mãos dela acariciaram minhas pernas, levantaram minha saia... Os dedos entrando e saindo do meu sexo como se eu não estivesse de calcinha, com total habilidade. Pelo espelho retrovisor, podia ver o olhar de Ali. Uma mistura de tesão e raiva que me deixou absolutamente excitada.
Gozei rápido. Longa e intensamente. Me contorcendo, estremecendo, gemendo alto... Com um prazer muito maior do que o normal... Proporcionado pelos dedos de Penélope, e... pelos olhos de Ali.

Quando paramos na garagem, fiz Penélope fechar meu zíper, para sairmos do carro. Mas ela só parou de me agarrar quando fomos recebidas na sala do meu apartamento, por Paz.
Ali nos seguiu, o tempo inteiro calada, talvez por pura raiva. Ou talvez, por ter entendido qual era o lugar dela, afinal.
Pedi para que Paz levasse Penélope até o meu quarto, e providenciasse tudo o que ela quisesse.
Tomei uma dose de Whisky, sentindo o par de olhos cravados em minhas costas. Apesar de Ali continuar muda, sem dizer uma palavra.
Paz voltou, dizendo que Penélope não queria nada, a não ser que eu fosse para o quarto. A dispensei. Paz desejou boa noite e desapareceu em direção ao quarto de empregada.
Assim que ficamos a sós na sala, Ali perguntou, com uma frieza inédita nela:
- Também estou dispensada?
Andei em volta dela, a olhando de cima a baixo. Não tinha porque perder a oportunidade de fazer o que tinha planejado. Podia perfeitamente me livrar de Penélope assim que terminássemos e depois começar tudo novamente com Ali. Nada demais:
- Não. Vou precisar de você mais tarde.
Ali se arrepiou inteira. Mas me olhou com uma intensa e profunda raiva:
- Se pensa que vou dormir com você, está muito enganada.
A segurei pela nuca. Aproximei o meu rosto do dela. O bastante para que nossos hálitos se encontrassem. Mergulhei os olhos nos de Ali, ao dizer:
- É você quem está enganada. Vai dormir comigo. Hoje e quando eu quiser. Allison...
Ela me puxou com força. Colou a boca na minha com brutalidade. Nossos corpos grudados, as línguas se buscando, encontrando, num duelo quase.
Até precisarmos de ar.
Ali se afastou, completamente ofegante, e cuspiu as palavras:
- Você é uma cadela, Pamela...
Dei uma gargalhada. Allison sempre conseguia ser deliciosamente surpreendente... Refrescante como ar condicionado. Respondi sem hesitar:
- Sou uma cadela sim... De raça... Você nunca comeu uma igual... E é exatamente por isso que vai me esperar.
Me virei majestosamente. Cruzei o corredor com passos largos. Quando cheguei na porta do quarto, Ali me puxou pelo braço:
- Não quero esperar.
A voz de Penélope veio lá de dentro:
- Pamela, vem logo... Tô louca pra te chupar...
Impossível deixar de abrir um sorriso. De pura antecipação, desejo, tesão... Pela morena monumental que me esperava, provavelmente pelada....
Ali me olhou como se eu a tivesse esbofeteado. Ficou parada me olhando, enquanto eu dizia:
- Não vou demorar.
Antes de entrar no quarto, e fechar a porta na cara de Allison.

 

 

 

 

 

 

 

 


CAPITULO 15 - ALLISON


Durante toda a festa eu me senti humilhada, desprezada e ignorada. Quando vi a Pamela com aquela mulher no banco de trás do automóvel dela senti náuseas. Por um triz consegui conter as lágrimas de raiva que queriam rolar pela minha face. Tentei controlar aquela eclosão de sentimentos que estavam dentro de mim, mas eu só via a escuridão que refletia no meu coração completamente despedaçado. O que ela queria? Me submeter a uma sessão de tortura? Conseguiu! A toda poderosa conseguiu muito mais do que almejava, ela simplesmente me fez enxergar que todo aquele exagero de desejo era um erro, uma fraude que sabotava os meus verdadeiros sentimentos. A que ponto o ser humano chega, não é mesmo? Eu estava parada na porta do quarto dela, e dava para ouvir os gemidos de prazer que vinham lá de dentro. Respirei fundo e juntei os cacos de dignidade que ainda estavam incorporados a minha essência destruída. Retornei até a sala, joguei às chaves do carro dela em um canto do sofá e bati a porta ao sair. É isso mesmo! Eu queria estar bem longe delas, longe daquela dor que abrasava o meu peito. Depois de deixar a cobertura luxuosa em que a Pamela morava, caminhei um pouco pela beira da praia. Agora eu me sentia culpada por ter sido tão conivente com toda aquela loucura que estava acontecendo comigo. Nunca daria certo, não é? Por que será que a gente sempre ignora as evidências, hein? Por que será que eu não sou tão fria quanto ela? Acho que me apaixonei, ou melhor: não acho, tenho certeza e, admitir isso é o fim para mim.
Abri a porta do meu apartamento sorrateiramente... Com medo de acordar o Léo que há essa hora já devia estar dormindo o sono dos justos... Acendi a luz da cozinha...
- Em casa tão cedo, Ali?
- Credo! – Disse virando-me de frente para a porta onde Léo estava parado segurando nas mãos um copo com água.
- Ressaca! – Levantou o copo como se me mostrasse o líquido – O que aconteceu Allison? – Tomou um gole da água.
- Cara... Eu quero morrer, viu? – Depois do susto eu relaxei e apoiei-me na beira da mesa.
- Que isso lindinha! – Colocou o copo sobre a pia e veio a meu encontro. Abraçou-me confortavelmente – Pode desabafar, sou todo ouvidos.
Nesse momento, aconchegada nos braços do meu amigo senti uma dor incontrolável e comecei a chorar instantaneamente. Acho que chorei por uma meia hora. Eu não sabia o que dizer, e às lágrimas impediam qualquer tentativa de explicá-lo o que estava acontecendo. Saímos da cozinha e fomos até o meu quarto. Léo me ajudou a deitar na cama e ficou segurando as minhas mãos até que eu conseguisse falar. Na verdade, quando ele me olhou deitada na cama, sua testa franzida refletia claramente o que estava em seu pensamento.
- Ai amiga! Eu te falei! – Disse antes que eu relatasse o que estava me agoniando.
- Odeio quando você diz isso, Léo!
- Ela não é mulher pra você, Ali! A cascavel gosta de usar as pessoas, e você é uma presa fácil para ela.
- Era! – Corrigi-o.
- O que quer dizer com isso? – Sentou-se ao meu lado.
- Vou pedir demissão.
- O quê? – Quase não acreditou nas minhas palavras – A coisa foi tão séria assim?
- Não estou feliz trabalhando pra ela e, depois do que aconteceu essa noite, acho que é o mínimo que posso fazer por mim – Respirei fundo antes de relatar com detalhes toda humilhação que aquela víbora me submeteu. Léo boquiaberto tentava sem sucesso me consolar...
- Pior que eu nem posso dizer que você está errada – Apertou minhas mãos – Também me demitiria.
- É o melhor a fazer... Pode deitar aqui comigo? – Apontei o outro lado da cama.
- Tenho alergia, mas... – Pensou por alguns segundos. Léo adorava fazer suspense, principalmente quando sabia que a sua companhia era indispensável - Não vou morrer se eu prestar esse favorzinho a você, né amiga?
- Obrigada! – Disse enquanto aconchegava a minha cabeça no peito dele. Suspirei e logo as lágrimas voltaram a se fazer presente na minha face... Chorei a noite inteira, e boa parte dela ouvindo o ronco de Léo próximo ao ouvido.

Acordei na manhã seguinte um caco. Léo já havia se levantado e feito café. Deixou um bilhete pendurado na geladeira informando que havia ido trabalhar. No bilhete dizia:

“ A vida na revista não é fácil, tem festa na sexta mas todos temos que estar inteiros no sábado para não dar motivos para a toda poderosa nos demitir. Fica bem amiga! Estou do seu lado, seja qual for a sua decisão.... Beijos. Léo.”

Arranquei o papel da porta da geladeira, amassei e joguei no lixo da cozinha. Tomei calmamente o meu café e depois fui pro chuveiro ver se um banho lavaria também a minha tristeza, frustração e decepção. Não adiantou muito, mas ao menos eu estava cheirosa.

Bati na porta da toda poderosa com uma hora e quarenta e cinco minutos de atraso. Ela ergueu a face sobre mim quando entrei na sala. Senti raiva dela naquele instante. Lembrei-me de cada detalhe daquela noite e ainda tive que admitir que Pamela estava linda, loira, cheirosa e, com aquele ar de superioridade de sempre. Quase perguntei se a noite havia sido boa, e do jeito que ela é, seria capaz de me contar os detalhes. Preferi não arriscar, eu estava de saco cheio de tanta humilhação por parte dela. Nessas horas é melhor evitar a agonia, viu?
- Sabe que horas são?
- Hora de ir embora! – Respondi seca, estendendo a minha mão que continha um envelope branco.
- O que é isso? - Olhou o envelope, no entanto, se recusou a pegá-lo nas mãos.
- Minha carta de demissão! – Encarei-a. Pamela levantou-se lentamente da sua cadeira. Olhos fixos nos meus... Ela parecia não ter acreditado no que ouviu. Tentei analisar o seu olhar. Estariam perdidos? Sei lá, viu? Ela ficou estranha de repente. Não saberia identificar o motivo. A poderosa é uma mulher de muitas faces. O silêncio permaneceu por mais alguns minutos enquanto nos encarávamos sem sequer piscar os olhos. Mergulhei fundo no olhar azul que me desconcertava e fazia com que o meu coração gritasse dentro do meu peito.
- Não quero que se demita Allison – Disse com uma suavidade desconhecida. Estremeci inteira ao ouvir a sua voz carregada com aquele grau de doçura. Pamela Aproximou-se de mim – Olha, se é por causa de ontem à noite. Eu... Eu lamento muito, está bem?
Como assim lamenta muito? Será que eu ouvi direito? A toda poderosa disse que lamenta muito? Fiquei calada tentando absolver aquelas palavras.
- Não me olhe desse jeito – Continuou com o tom de voz calmo, quase sereno.
- Não foi por causa de ontem à noite – Fitei-a séria, com o coração em pedaços – Arrumei outro emprego – Menti.
- Onde? – Perguntou num impulso.
- No jornal... – pensei por um momento – Boa notícia.
- Aquilo é um jornaleco Allison! – Desdenhou do meu novo trabalho fictício. Ela estava voltando à boa forma.
- Ao menos eu não verei a minha chefe trepando com ninguém! – Respondi com o tom de voz irritado.
- Allison... – Pronunciou o meu nome como se me devorasse a alma – Não vou aceitar a sua demissão agora, está bem?
- Não quero mais trabalhar contigo! – Alterei o meu tom de voz – Tem que aceitar a minha demissão.
- Só me escuta... Por favor...
- Por favor? – pensei olhando-a desconfiada – Não temos mais nada para discutir dona Pamela – Disse e joguei o envelope sobre a mesa dela. Já estava abrindo a porta quando senti as mãos da poderosa tocarem o meu ombro. Virei-me de frente pra ela. Senti o seu olhar descer até os meus lábios. Me contive, eu precisava parar de ceder aos encantos daquela mulher.
- Espera... – Sussurrou. Senti o seu cheiro impregnar a minha consciência. Estávamos tão próximas que o seu hálito fresco conseguia acariciar o meu rosto... Ela falava baixo e pausadamente. Nem parecia a toda poderosa que a todos hostilizava - Temos um evento em São Paulo hoje, preciso de você. Bom... Depois dessa viagem se não quiser mesmo trabalhar comigo, eu entenderei.
- Tá brincando comigo, né?
- Não! Tenho passagens reservadas para daqui a algumas horas. Você pode ir em casa, separar algumas roupas... – Baixou os olhos como se estivesse preocupada com o que eu pensava – Não faço nem questão que você use as roupas que compramos... Fique à vontade. Use o que quiser! – Disse de um jeito que eu nunca havia visto antes. Deu um nó na minha garganta, sabe? O que fazer diante daquela Pamela toda humildezinha, educada, com o olhar indicando que não queria que eu dissesse “não”?
- Depois que retornarmos ao Rio eu quero a minha demissão, está bem? – Putz! Podem dizer! Eu sou uma besta, não é?
- Sim, claro! – Concordou sem especular enquanto passava suavemente as mãos pelos seus cabelos. Senti o meu corpo pegar fogo ao olhá-la estranhamente humana naquele instante.
Saí da sala dela e logo em seguida recebi uma ligação da Arlete me informando que um táxi estaria me esperando em duas horas na frente do prédio onde eu morava para levar-me ao aeroporto Santos Dumont. Agradeci a secretaria de Pamela e comecei a colocar algumas roupas dentro de uma bolsa de viagem. Tudo estava estranho demais, não acham? Balancei a cabeça negativamente enquanto terminava de fechar a bolsa...
- O que essa mulher quer comigo? – Pensei enquanto ligava o chuveiro – Vou participar dessa reunião em Sampa e nunca mais quero olhar na cara dela – Esse era o plano.

==============================


 

 

 

 

CAPITULO 16 - PAMELA

 


Foi divertido fazer sexo com Penélope. Ela era bonita, gostosa, ardente, sensual e sem limites, mas... Estranhamente, tinha alguma coisa da qual eu sentia falta... Que me deixava com um gostinho de insatisfação na boca...
Depois de algumas horas de puro prazer físico, ela se vestiu, a levei até a porta, e com um beijo de despedida, foi embora, sem cobranças nem promessas de outras noites. Exatamente como eu desejava, sem tirar nem pôr.
Quando fechei a porta, só tinha um único pensamento: Allison. Já estava indo em direção ao quarto de hóspedes, quando vi a chave do meu carro jogada no canto de um dos sofás.
O quarto vazio apenas serviu para confirmar o que eu já sabia: que Allison não estava lá.
Foi estranho, porque voltei para o quarto no piloto automático, quase transtornada. Me atirei na cama e senti algumas lágrimas escorrerem... As enxuguei, numa negação completa daquilo... Eu nem tinha bebido tanto, não tinha motivo para perder o controle, então... Afinal de contas, o que estava acontecendo? Se eu não me conhecesse bem, e soubesse que era impossível, diria que estava agindo como uma idiota apaixonada...
Eu nunca tinha insônia, mas... aquela noite, passei inteira acordada, tensa, sem conseguir fechar os olhos.

Assim que cheguei na revista, no dia seguinte, meu pai entrou na minha sala. A primeira coisa que fez, depois de me beijar, foi se dirigir a Arlete:
- Arlete, para ser secretária da minha filha há tanto tempo, você deve ser realmente especial...
Arlete sorriu, e apertou a mão que meu pai estendeu com entusiasmo.
Meu pai era um homem gentil... Gentil demais, pra falar a verdade. Aquilo tudo era totalmente desnecessário... Cortei bem rápido:
- Pode voltar para a sua mesa, Arlete...
Ela pediu licença, e prontamente obedeceu. Meu pai me olhava, sorrindo. Parecendo achar graça. Me deixando ainda mais irritada:
- Já te falei mais de mil vezes... Assim você estraga todos os meus funcionários.
Ele sorriu mais ainda, antes de me corrigir:
- Nossos, Pamela. Nossos funcionários.
Soltei um suspiro, exasperada. A revista tinha sido fundada pela minha mãe. Com o dinheiro do meu pai, claro... Talvez a única coisa que ela tinha feito que prestasse, além de sumir do mapa. Sim, porque quando eu tinha dois anos, ela simplesmente nos trocou por um italiano, bem mais rico do que o meu pai.
Eu não me achava dona da revista, mas... desde que eu tinha assumido a direção, ao completar a maioridade, administrava tudo muito bem sozinha, obrigada!
Meu pai tinha os negócios dele – que não eram poucos – para cuidar. E eu, obviamente, preferia assim. Com ele confiando em mim, e principalmente, sem palpitar. Mil vezes fazer tudo do meu jeito, claro!
Não pude deixar de retrucar:
- Ah, que seja! Em questão de segundos você...
- Faço com que ela se lembre que é um ser humano? Pamela, minha querida... Às vezes eu preferia que você não fosse tão parecida com a sua mãe...
Aí sim, eu quase me desesperei. Porque detestava quando ele me comparava àquela mulher. Pra mim era um insulto. Uma ofensa grave. Porém, sabia que pra o meu pai não. Pelo jeito que ele ainda se derretia por ela. Totalmente absurdo... Novamente aquela baboseira de amor.
Bom, aquilo poderia virar – se eu deixasse – uma ladainha interminável. Olhei pra ele... Os olhos azuis já estavam cheios de lágrimas... Emocionado só de lembrar da mulher que – nossa, eu nunca ia entender aquilo... – além de ser uma vagabunda total, já tinha sumido há mais de 30 anos!
Não, eu não ia suportar:
- De novo essa história, papai?
Com um sorriso triste, nostálgico, enigmático, ele respondeu:
- Mas você é... Exatamente igual.
Controlei a vontade de gritar que aquela melação toda, por uma mulherzinha sem vergonha, me inspirava. E tentei cortar, com a ironia que me era peculiar:
- Bom, uma vez que eu absolutamente não me lembro dela, vou ter que acreditar na sua palavra...
Ele riu, antes de me beijar e me estreitar num abraço apertado. Que eu tolerei, sem me esquivar, nem relaxar. Não era muito chegada a essas manifestações de afeto constrangedoras de papai... Claro que ele estava cansado de saber, e de estar acostumado. Mas nem por isso deixava de me submeter aquilo sempre que tinha vontade...
Tentei sorrir, batendo nas costas dele de uma forma amigável... Porque afinal, não queria magoar o meu pai. Queria apenas... Me afastar. O que fiz, o mais rápido possível.
Ele repetiu, com o mesmo sorriso enigmático:
- Exatamente igual...
Antes de completar, num tom totalmente diferente, quase banal:
- Vamos almoçar mais tarde?
Concordei, sem conseguir esconder o quanto estava aliviada por aquela conversa ter terminado. Ele finalmente saiu, me deixando quase em paz. Olhei para o relógio, com uma ansiedade inexplicável. Quase, porque... Ali já deveria ter chegado à uma hora atrás...

Quarenta e cinco minutos depois, ouvi as batidas conhecidas na porta que ligava minha sala à dela. Respirei fundo, antes de dizer:
- Entra.
Ali entrou na sala. Parecia não ter dormido a noite inteira. Me olhava sem tentar esconder o desafio e raiva profundos que ardiam em seus olhos. Fingi que não estava percebendo, e agi como se nada tivesse acontecido:
- Sabe que horas são?
- Hora de ir embora.
A voz dela soou seca. De um jeito que eu nunca tinha ouvido antes. O olhar que me lançou, enquanto me estendia um envelope branco, foi absolutamente glacial também.
Me recusei a pegar aquele envelope. Perguntei, apenas para confirmar o que eu já suspeitava:
- O que é isso?
- Minha carta de demissão!
Ali me encarou... Daquele jeito que só ela conseguia fazer. Levantei da cadeira sem nem perceber. Só sei que de repente, meus olhos estavam na mesma altura dos dela. Que se mantinham firmes, fixos nos meus...
Eu estava me sentindo... Perdida? Inacreditável, mas... Por causa daquela menina, eu estava ali parada, incapaz de acreditar que ela estava se demitindo e - incrivelmente, de uma forma absurda, que eu não queria nem podia aceitar - aquilo me afetava.
No melhor estilo Scarlett O’Hara, afastei qualquer tipo de pensamento, questionamento ou dúvida: “amanhã eu penso nisso”... Porque naquele momento, precisava ser prática. E rápida. Caso contrário, ia perdê-la para sempre.
Os olhos dela continuaram fixos, mergulhados nos meus durante todo aquele tempo em que ficamos em silêncio. E foi nos olhos dela que encontrei a resposta. Minha voz soou doce, suave, carinhosa, de um jeito que eu julgava incapaz de ser:
- Não quero que se demita, Allison.
Soube que ia funcionar no momento em que ela estremeceu. Me aproximei, mas não a toquei, apesar de estar com muita vontade:
– Olha, se é por causa de ontem à noite. Eu... Eu lamento muito, está bem?
Ela continuou calada. Como se não acreditasse. Não estranhei, porque na verdade, nem eu sabia de onde vinham aquelas palavras:
- Não me olhe desse jeito.
“Como se me odiasse. Como se quisesse me abandonar...” – Pensei, mas não tive coragem de falar. Ela me olhou, muito séria. Com uma dor profunda nos olhos:
- Não foi por causa de ontem à noite. Arrumei outro emprego.
- Onde? – Perguntei num impulso.
- No jornal... Boa notícia.
- Aquilo é um jornaleco, Allison!
Não pude deixar de falar. No fundo, achava que era mentira, que a demissão dela era única e exclusivamente por causa do que tinha acontecido na noite passada. Ali confirmou o que eu pensava:
- Ao menos eu não verei a minha chefe trepando com ninguém.
A voz dela... Dizia tudo. Me deixava perceber o quanto estava com raiva, ferida, magoada... De uma forma que me incomodava, me deixava absurdamente desconfortável, porque... não importava porque... Eu queria ela de volta:
- Allison... Não vou aceitar a sua demissão agora, está bem?
- Não quero mais trabalhar contigo! – ela gritou – Tem que aceitar a minha demissão.
Allison estava... desesperada. Engraçado que nunca, nem mesmo durante o sexo, eu a tinha visto perder o controle daquele jeito. Falei doce, baixo, querendo que ela se acalmasse:
- Só me escuta... Por favor...
Allison me olhou desconfiada:
- Por favor? Não temos mais nada para discutir dona Pamela.
A ironia com que ela disse “dona Pamela” me causou um tipo desconhecido de dor. Mas não tive tempo para pensar nisso, porque depois de atirar o envelope na minha mesa, Allison já estava abrindo a porta.
Acho que corri, porque em questão de segundos, já estava com as mãos no ombro dela, que se virou de frente para mim. Meus olhos desceram instintivamente para os lábios de Allison...
- Espera... – Sussurrei.
Estávamos próximas, muito próximas. Tudo o que eu queria era que ela me beijasse. Mas Allison não se moveu. Falei pausadamente, baixo, para que ela não percebesse como minha pulsação estava acelerada:
- Temos um evento em São Paulo hoje, preciso de você. Bom... Depois dessa viagem se não quiser mesmo trabalhar comigo, eu entenderei.
- Tá brincando comigo, né?
- Não! Tenho passagens reservadas para daqui a algumas horas. Você pode ir em casa, separar algumas roupas...
Olhei para baixo, com medo que ela pudesse descobrir que nada do que eu tinha dito era verdade. E continuei, dessa vez falando mesmo o que eu pensava:
– Não faço nem questão que você use as roupas que compramos... Fique à vontade. Use o que quiser!
A resposta dela foi curta e grossa:
- Depois que retornarmos ao Rio eu quero a minha demissão, está bem? –Fiquei aliviada – feliz, para dizer a verdade – passei a mão nos cabelos, concordando:
- Sim, claro!
Assim que Allison saiu da minha sala, liguei para Arlete:
- Arlete, anote e resolva rápido: desmarque o almoço com meu pai e compre duas passagens para São Paulo...
E fui ditando, item por item, o plano que ia se traçando em minha mente, com riqueza de detalhes.

 

 

 

 

CAPITULO 17- ALLISON



Me atrasei um pouco na hora de sair de casa e só voltei a encontrar Pamela novamente dentro do avião. Ela estava olhando através da janela quando parei ao seu lado. Acomodei a minha bagagem... Pamela desviou o olhar na minha direção... Retirou os óculos escuros da face e abriu um largo sorriso. Não sorri de volta. Se ela acha que pode me ganhar com um sorriso gentil depois de tudo o que eu passei na noite de ontem, está redondamente enganada. Sentei-me ao seu lado, coloquei o cinto e esperei o aviso de decolagem. Quarenta e cinco minutos! É! Foi o tempo que durou a viagem do Rio de Janeiro até Congonhas, em São Paulo. Fomos toda a viagem completamente mudas. Ela olhava a todo instante através da janela e eu tentava me distrair folhando um livro sem nada conseguir ler. Sabe quando você tenta a todo custo se concentrar, mas apenas consegue pensar nas pernas lindas e maravilhosas de uma loira fatal que está sentada ao seu lado? Pois é! Assim mesmo, viu?
Desembarcamos...
- Vamos para o estacionamento, Ali – quebrou o silêncio – Tem um carro a nossa espera – completou.
- Tudo bem – continuei indiferente. Pamela caminhou na minha frente, nesse instante consegui admirá-la melhor, sem que ela pudesse notar que eu estava reparando em como aquela saia que ela vestia a deixava sexy. Meus pensamentos começaram a tomar proporções indesejadas pela minha razão que tentava, a todo momento, me arrastar para a realidade.

Chegamos ao estacionamento... Colocamos nossa bagagem no porta malas....
- Pode entrar – disse ela apontando o lado do carona.
Abri a porta do carro e acomodei-me... Ela entrou... Não deu a partida... Ficou com as mãos no volante enquanto eu não conseguia deixar de olhar na direção dela... Pamela fitou os meus olhos como se me olhasse pela primeira vez. Ela queria me confundir? Conseguiu porque naquele instante tudo o que eu menos pensava era no que ela havia feito comigo na noite anterior.
- Tá esperando alguma coisa? – Encarei-a ao fazer essa pergunta.
- Estou esperando a sua boca – Essa foi a resposta daquela mulher completamente dominadora e sexy!
Cadê a minha razão? Não sei mesmo onde a perdi naquele momento. O impulso e o desejo que me contaminavam foram responsáveis pelas minhas mãos que a puxaram pela nuca e grudaram os meus lábios nos dela com tamanha fome que fazia doer no meio das minhas pernas. Senti sede daqueles lábios... Senti fome daquela pele... Com as mãos livres fui desabotoando sua blusa... Ora puxava um botão, ora deslizava as mãos pelas suas coxas... Subindo a sua saia para sentir o calor da sua pele sem o contato com o tecido... Pamela gemeu nos meus lábios... Aquele gemido me excitou a ponto de eu abaixar-me, indo de encontro aos seus seios... Afastei a sua blusa já desabotoada, abri imediatamente o seu sutiã e recebi os seus seios com a boca... A língua... Devorando-os com desejo... Tesão...Uma luxúria desmedida... Subi a saia de Pamela com desmedida ansiedade e, logo avistei a sua calcinha branca... Transparente na frente e com dois lacinhos bem fininhos ao lado... Não consegui desamarrá-los, na verdade eu achei perda de tempo tentar desamarrá-los... Inclinei-me de encontro ao seu sexo que latejava aos meus olhos, ao meu tato... Afastei a sua calcinha para o lado e a chupei com vontade... Senti as suas mãos empurrarem a minha cabeça de encontro ao seu sexo molhado... Pamela afastou as pernas para que eu mergulhasse dentro dela... Suguei... Devorei... Saciei a minha vontade de sentir aquele gosto... Suas coxas trêmulas e sua carne fervente responderam aos meus toques... Ela gozou demoradamente e eu vibrei tanto quanto ela, num orgasmo intenso e completamente imprevisível... Levantei a cabeça lentamente tentando raciocinar, ou respirar... Nem sei se dá para fazer as duas coisas diante de uma cena tão imprevista como essa... Nossa! Nós estávamos no estacionamento do Aeroporto. Fitei aqueles olhos azuis e sedutores... Ela parecia saciada... Num impulso suguei seus lábios... Aprisionei sua língua sentindo o gosto da sua saliva e fazendo-a provar do seu próprio gosto... Não dissemos mais nenhuma palavra... Depois que conseguimos controlar as nossas respirações e desgrudar as nossas bocas... Pamela apontou o banco de trás do carro... Olhei um pouco desacreditada, sabe? Fitei o local indicado, depois tornei a olhá-la... Incrivelmente Pamela não parava de sorrir pra mim. Achei estranho mas eu não queria entrar em detalhes, na verdade, eu não queria acreditar que aquele sorriso seria mais uma de suas armadilhas, mas se fosse... Eu já estava aprisionada nela, e o que é pior! Estava gostando muito dessa armadilha.
- É pra você, Ali – Disse enquanto ajeitava a saia no corpo.
- Pam... Eu... Eu... – Apanhei nas mãos o bouquet de rosas vermelhas... Sabe quando você não sabe o que dizer? Quando se estende um nó na sua garganta? Assim mesmo! – Nunca recebi flores na minha vida – Disse completamente sem... Sem... Reação? Nossa! Minha cara devia estar muito esquisita naquele momento.
Pamela continuou sorrindo, mas desta vez ela ligou o carro e nós saímos do estacionamento. Sabe que eu nunca tinha ido a São Paulo? Pois é! Achei a cidade linda. Pamela parecia conhecer aquela cidade como a palma da sua mão. Por onde passávamos me dizia o nome do local, e contava um pouco das estórias que havia passado por ali. Nem parecia aquela chefona autoritária e inflexível que eu havia conhecido na revista. Meu Deus! A mulher sabia sorrir, e o seu sorriso parecia que faria explodir o meu peito de tanta felicidade por estar naquela cidade com ela.
- Onde será a reunião? – tentei deixar um pouco de lado o fato de estar impressionada com o comportamento "estranho" da chefona.
- Que reunião, Ali?
- Você disse que seria o meu último trabalho, lembra?
- Não seja ansiosa – Disse enquanto dobrava uma rua e entrava em um prédio, no Morumbi. Desisti de imaginar quais eram as intenções dela com essa viagem. Subimos até o décimo primeiro andar... Ela abriu a porta... Pediu que eu entrasse...Entrei, e...
– Quero que esse dia seja maravilhoso – Sussurrou enquanto me encurralava na parede sem que eu quisesse resistir a ela – Quero estar aqui com você, Allison . Longe de tudo... Longe de todos... – Beijou o meu pescoço...
Não resisti, ou melhor: eu não quis resistir... Agarrei-a pela cintura, deslizando a minha pele na de Pamela... Eu sentia tanta sede dela, que minha visão ficava turva de desejo... Fomos andando pela casa... Esbarrando nos objetos e achando graça de todo aquele tesão que nos envolvia, fazendo com que cada toque fosse sensível o suficiente para nos fazer delirar do mais saboroso prazer... Chegamos ao quarto... Atirei-a na cama enquanto nossas mãos nos despiam com pressa. Pamela estava tão entregue aos meus carinhos que me senti dona do corpo dela naquele momento. Deitei-me sobre aquela mulher completamente nua. Nosso suor já escorria pela nossa pele... Minha língua percorria o seu pescoço... A sua nuca, desviava o caminho sussurrando palavras desconexas perto do seu ouvido... Mordi a sua orelha... Minha respiração ofegava perto do seu pescoço fazendo os pêlos do seu corpo se arrepiarem... Pamela abriu as pernas para receber o meu sexo molhado e inquieto de desejo... Gemi no ouvido dela, sentindo-a rebolar deliciosamente embaixo de mim.
- Quero que você me coma, Allison – Sussurrou entre gemidos e beijos no meu pescoço.
- Você me enlouquece, sabia?
- Eu sei. Agora me come! – Disse segurando o meu rosto com as duas mãos e obrigando-me a olhar profundamente nos seus olhos – Mete em mim, agora!
Nem preciso dizer que ela acabou com qualquer resistência da minha parte, não é?



 

CAPITULO 18 - PAMELA

 


Nem o atraso de Ali conseguiu diminuir minha total segurança. Eu sempre conseguia o que queria. Daquela vez não seria diferente. Tinha planejado tudo de uma forma infalível. Eu queria Ali. E estava disposta a fazer qualquer coisa para tornar impossível para ela resistir a mim.
Ali entrou no avião de cara fechada, e propositalmente vestida de um jeito que deixava claro que queria me desafiar. Nunca a tinha visto tão largada... Calça jeans velha, desbotada, uma camiseta preta coladinha no corpo e tênis all star também pretos... O cabelo castanho estava solto - a escova feita na véspera tinha saído, deixando ele cair totalmente ondulado até os ombros – e os olhos brilhavam, me fitando daquele jeito profundo de sempre, numa provocação sem palavras.
Achei graça porque se o objetivo dela era me irritar, não tinha conseguido. Pelo contrário... Aquilo me incitava ainda mais... Retirei os óculos escuros e abri um largo sorriso. Que ela não correspondeu. Sentou do meu lado, virando a cara. Linda... Deliciosa... Irresistível... Um desafio altamente tentador.... Passei a língua sobre os lábios, pensando mil formas de me saciar com ela... Cruzei e descruzei as pernas, e os olhos de Allison seguiram o movimento, estimulando ainda mais minha vontade dela...
Viajamos em silêncio. Ela fingindo ler um livro. Sabia que Ali não estava lendo porque o folheou freneticamente durante 45 minutos... Além disso, a tensão do corpo dela era perceptível. De vez em quando me olhava disfarçadamente. Eu desviava o olhar, e olhava pela janela, escondendo o sorriso de satisfação irreprimível em meus lábios. Aquela viagem realmente prometia...
Quando desembarcamos, fui andando na frente, rebolando de propósito, sorrindo para ela o tempo todo sedutoramente. A tentativa de resistência dela me deixando insuportavelmente excitada. Na verdade, nunca tinha desejado tanto aquela menina...
Entramos no carro, e eu não estava disposta a esperar. Mais do que isso: sabia que aquele era um momento decisivo. O termômetro para saber o quanto Allison seria ou não difícil...
E a reação dela foi muito, mas muito melhor do que eu esperava... A menina parecia desesperada. Me agarrou com loucura, me devorou como se a noite da véspera não tivesse acontecido. Me fez gemer, me entregar e gozar na boca e nos dedos dela com uma voracidade indescritível.
E depois se derreteu toda com as flores... O sorriso que ela me deu fez meu coração disparar... Por quê? Estranho... Mas nada demais... Eu apenas... Estava com tesão... Queria... mais...
Saí com o carro. Com um sorriso tímido, Allison me confessou que nunca tinha estado em São Paulo, e que estava achando a cidade linda.
Eu, por outro lado, tinha morado 5 anos ali. Conhecia a cidade como a palma da minha mão.
Incrivelmente, senti vontade de explicar, contar coisas sobre cada local onde passávamos.
Incrivelmente, eu não conseguia parar de sorrir.
Incrivelmente, estava realmente me sentindo... feliz?
Pensaria nisso mais tarde, porque naquele momento, o que importava era que Allison estava sinceramente deslumbrada. E o sorriso dela parecia iluminar todo o carro...
- Onde será a reunião?
A expressão dela foi engraçada. Misto de desconfiança e vontade que aquele momento não terminasse. Me fiz de desentendida:
- Que reunião, Ali?
- Você disse que seria o meu último trabalho.
Acariciei a mão de Allison, e respondi, sem conseguir deixar de pensar que eu nunca tinha sorrido tantas vezes em tão pouco tempo antes:
- Não seja ansiosa...
Já tínhamos chegado na rua do meu apartamento no Morumbi. Estacionamos, e subimos até o décimo primeiro andar.
Abri a porta, e como Allison hesitasse, pedi para ela entrar. Quando passou por mim, olhei o corpo dela de cima a baixo. Umedeci os lábios. Não agüentei: a encurralei na parede. Comprimindo o corpo dela com o meu. Allison não resistiu. Pelo contrário. Amoleceu o corpo delicioso em meus braços, e gemeu, enquanto eu dizia:
– Quero que esse dia seja maravilhoso. Quero estar aqui com você, Allison. Longe de tudo... Longe de todos...
Mergulhei a boca no pescoço que se ofereceu inteiro, enquanto Allison suspirava, e me puxava pela cintura com força, apressada.
Fui guiando, ou melhor, empurrando Allison para o quarto. Esbarrando nas coisas, ofegando sob as mãos precisas, que me percorriam inteira, da forma abusada que eu adorava. Allison me jogou na cama com um empurrão, e se atirou sobre mim. Nos despimos com uma urgência insana, fremente, inadiável...
Me entreguei aos lábios, língua, mãos que me exploravam, queria que ela soubesse que naquele momento, meu corpo era completa e inteiramente dela. Para que usasse e abusasse. Allison não se fez de rogada. Me acariciou, se esfregou, rebolou entre as minhas pernas, gemendo no meu ouvido... Até se tornar absolutamente insuportável esperar. Sussurrei, gemendo também:
- Quero que você me coma, Allison.
- Você me enlouquece, sabia?
Minha primeira resposta foi um sorriso satisfeito. A segunda foi olhar profundamente nos olhos dela, o rosto de Allison entre as minhas mãos, o corpo dela ardendo em cima do meu, uma estranha emoção me dominando, me obrigando a quebrar a doçura inaceitável do momento dizendo:
- Eu sei. Agora me come! Mete em mim, agora!
Allison estremeceu, e voltou a dar aquele sorriso profundamente safado dela. Aquele que fazia meu corpo vibrar. O tipo de sensação com a qual eu sabia lidar. Desceu as mãos lentamente pela minha pele, até o ponto que procurava, e obedeceu, sem hesitar. Me fazendo gritar, gemer e pedir por mais...

Quantas vezes eu gozei naquela boca, naquelas mãos? E ela nas minhas? Não sei... Tantas que perdi a conta. Mas ainda assim, não queríamos parar.
Allison me virou de costas, esfregando o sexo em minhas nádegas.
Mordendo minha nuca, as mãos se enfiando entre as minhas pernas, os dedos me preenchendo com aquela perfeição que ela tinha e que era inexplicável.
Gozei para ela mais uma vez, sentindo os gemidos dela aumentarem, enquanto Allison me acompanhava, explodindo junto comigo. Depois ela se largou em cima de mim, o coração palpitando contra as minhas costas, completa e deliciosamente rendida, satisfeita, fraca...
- Allison?
- Ãh?
- Cansou?
Já?
Meu tom foi de pura e profunda provocação. Tanto que ela riu. Como resposta, rolou, me puxando, invertendo as posições.
Escorreguei as pernas entre as dela, abrindo-as. Esfreguei meu sexo no dela, arrancando um primeiro gemido. Colei minha boca na de Allison, e enquanto a beijava, coloquei a mão debaixo do travesseiro, encontrando o que eu procurava.
Antes que ela pudesse protestar, já estava com as mãos algemadas à cabeceira da cama. Me olhando com os olhos muito arregalados, tentando inutilmente aparentar calma:
- Pam, me solta...
Olhei profundamente nos olhos dela, sorrindo:
- Porque? Você não confia em mim?
- Pra falar a verdade...
Beijei o pescoço dela, não a deixando falar mais nada. Passeei a língua pela pele sensível, fazendo Allison estremecer. Delícia de mulher... Ardente, insaciável, surpreendente... Sexo com ela era muito melhor e mais divertido do que com a previsível Penélope, diga-se de passagem...
Falei, sem desgrudar os lábios da pele dela:
- Alguma vez eu fiz algo que você não gostasse?
Antes que ela pudesse responder, mordisquei a orelha dela, e sussurrei:
- Na cama, Allison...
A resposta Allison deu com aquele sorriso safado que eu adorava:
- É... na cama nunca...
Colei minha boca na dela com vontade. Allison entreabriu os lábios e correspondeu à altura. Quando me afastei, tentou me seguir, num gesto evidente de que não queria que eu parasse. Provoquei:
- Espera... Tem mais...
Abri a gaveta da mesinha de cabeceira, peguei o que procurava, e mostrei para ela, com um sorriso. Pela expressão dela, sabia que Allison ia resistir. Mas ela não tinha muita escolha, não é mesmo? Estava indefesa, presa, eu podia me deleitar, fazer o que quisesse, sem nada para impedir.
Não tive como disfarçar, minha voz soou rouca de tesão enquanto a vendava:
- Relaxa, Allison... Você vai gostar...
A beijei novamente na boca. Só parei para que pudéssemos respirar. Peguei um dos morangos que estavam dentro da cesta em cima da mesinha de cabeceira e mordi um pedaço. Colei a boca na dela novamente, o morango deslizando entre nossas línguas, num beijo mordida que mastigava, o suco adocicado criando um efeito afrodisíaco, especialmente para Allison.
Esfreguei a outra metade da fruta nos bicos dos seios dela, depois os lambi, a língua saboreando com calma. Allison apenas gemia, suspirava, se contorcia... Nas minhas mãos, totalmente à mercê da minha vontade... Sussurrei no ouvido dela:
- Delícia... Vou te chupar inteira...
Repeti o gesto várias vezes, em diversas e diferentes partes do corpo de Allison – eu queria torturar – fazendo com que ela pedisse, implorasse...
Abri as pernas dela com as mãos. Dei uma lambida de leve, e me afastei. Allison protestou:
- Ai, Pam... Deixa de ser má... Anda logo, vai...
Passei um pedaço de morango no sexo dela, Allison voltou a gemer.
- Acha que eu sou má?
Quando ela respondeu, foi com dificuldade, como se fosse sufocar:
- Acho...
- Mas você gosta... Adora, não é verdade?
- É...
Foi a resposta sussurrada. Dei uma risada. Antes de dizer:
- Você ainda não viu nada...
Voltei a passar o morango de leve no sexo dela, deixando minha respiração fazer com que Allison percebesse o quanto a minha boca estava perto. Depois encostei a língua de leve... Repeti a seqüência de gestos várias vezes, até ela se contorcer, puxando as algemas, desesperada. Enquanto com um prazer enorme, eu provocava:
- O que você quer? É só dizer que eu faço... Pede, Allison...
Um novo gemido. Ela moveu os quadris para frente, tive que recuar para que meus lábios não a tocassem... O gesto confirmando o que a voz implorava:
- Me chupa... Quero gozar na sua boca...
- Pede...
Ela nem hesitou:
- Pam, por favor...
Mergulhei minha língua entre as pernas dela com vontade. Os gemidos aumentaram. Saboreei, me deliciando com o descontrole que estava conseguindo causar. Não seria difícil fazer com que ela gozasse, mas... Me afastei novamente. Sob novos protestos de Allison. Dei uma última lambida, antes de dizer:
- Ainda não... Quero brincar mais...
Voltei a percorrer o corpo dela inteiro com as mãos, a língua, os lábios... Me deliciando com os gemidos, suspiros, palavras sussurradas que ela deixava escapar. Allison se contorcia, e eu aproveitava, os morangos uma provocação, um estímulo a mais... Ela implorava, suplicava, aos poucos se rendendo, exatamente como eu queria e gostava.
E então, finalmente, a senti se entregar totalmente. Deixando, aceitando que a conduzisse, controlasse, dominasse... A sensação foi incrível. Quase mágica. O doce poder de a fazer delirar, enquanto a tocava com os dedos, a penetrava, a língua mergulhando junto, primeiro devagar, e depois, aos poucos, a fazendo pulsar mais e mais rápido. Allison gemia e movia os quadris no ritmo que eu ditava. Explodindo num gozo longo e intenso, gritando meu nome no final.
Deitei em cima dela, a beijando com voracidade. Sem dar tempo para que ela se recuperasse. Encaixei a coxa dela entre minhas pernas, me esfregando para mostrar:
- Sente como eu tô molhada...
- Gostosa...
Ela respondeu, levantando a perna, facilitando o contato. Se movendo também, me fazendo gemer baixinho no ouvido dela, enquanto a livrava da venda:
- Quero que você me veja gozar, Allison...
A resposta foi um gemido. E um olhar profundo, que me arrepiou inteira. Acelerei meus movimentos, sentindo Allison me acompanhar se contorcendo debaixo de mim. Nossas bocas voltaram a se encontrar, abafando os gemidos enquanto gozávamos juntas.
Deixei meu corpo cair sobre o dela, nossas pulsações aceleradas, as respirações alteradas... Me aninhei no corpo de Allison, adorando sentir a pele suada dela na minha. Fechei os olhos, e teria cochilado se ela não tivesse me chamado:
- Pam?
- O que? - perguntei sonolenta, sem me mover um milímetro.
- Dá pra você me soltar?
Não tive como não deixar de rir. Tinha esquecido completamente que ela continuava algemada. Me sentei em cima de Allison, dizendo:
- Não sei... Deixa eu pensar... Será que devo?
A cara que ela fez... hilária! Que logo se tornou séria, e ainda mais engraçada. Afinal de contas, seriedade era a coisa que menos combinava com a situação em que ela se encontrava: nua, com as mãos para cima, algemada na cabeceira da cama. Eu ri novamente, e ela disse, dessa vez de um jeito malandro, bem humorado:
- Meus pulsos estão doendo, minhas mãos estão dormentes, meus dedos quase gangrenando... Sério, Pam... Você não quer que nada de mal aconteça com partes tão importantes, não é mesmo?
Piscou para mim, pura malícia no olhar. Respondi:
- Claro que não...
Importantes mesmo, porque uma coisa que ela fazia com maestria era usar aqueles dedos e aquelas mãos. Na verdade, já estava sentindo falta deles no meu corpo. Completei:
- Vou te soltar, com uma condição: vai continuar me obedecendo.
Ela sorriu, e concordou, com um arzinho debochado:
- Ok, dona Pamela...
A soltei. Allison esfregou os pulsos, com cara de sofrimento, fazendo charme. Conseguiu o efeito desejado, mas fingi que não. Saí de cima dela, ordenando:
- Pro chuveiro. Já!
Ela me seguiu até o banheiro. Me alcançou quando abri a água. Entramos juntas debaixo da ducha quente. As mãos de Allison já mostrando a habilidade e agilidade de sempre. Tentei me soltar, dizendo:
- Precisamos tomar banho rápido, porque... tenho planos para hoje à noite.
Allison não desgrudou a boca do meu pescoço, para falar:
- Planos, é? Posso saber quais?
- Jantar... e depois...
Ela me encostou na parede de azulejos gelada. A boca descendo... Me arrepiei inteira. Gemi. Fiquei ofegante. E não consegui terminar a frase. Allison tirou meu seio da boca um momento, para perguntar:
- E depois?...
E voltou ao que estava fazendo. Chupando, sugando, lambendo... Fazendo minhas pernas bambearem. Quando finalmente consegui sussurrar no ouvido dela, minha voz tremulava:
- Quero sair com você, Allison... Ir num lugar onde possa te beijar em público...
Allison estremeceu. E gemeu alto. Não sei se por causa das minhas palavras, ou pela forma que a puxei contra mim, enfiando meus dedos na nuca e nas costas dela com força.
Nossas bocas se encontraram, sedentas uma da outra. Quando se separaram, ela já descia os lábios pelo meu pescoço, e as mãos mergulhavam entre as minhas pernas, espalhando um calor insano, que exigia ser aproveitado naquele momento. Ela disse, provocando:
- Prometo ser rápida...
Respondi entre gemidos, no delicioso ritmo do vai e vem dos dedos dela:
- Não precisa... Temos tempo... Vamos aproveitar...

 

 

 

 

 

 

 

CAPITULO 19 - ALLISON

 Minha cabeça girava... Meu corpo tremia... Suava... Minha voz não saia... A principio eu fiquei horrorizada com os meus pulsos aprisionados naquela cama. Sim, porque eu não estava com qualquer mulher! Estava com a Pamela. E só Deus sabe do que ela seria capaz. Me rendi, mesmo temendo morrer de prazer nos braços dela. Quando Pamela começou a morder o meu corpo... Passear com as mãos pela minha pele... Derramar o suco dos morangos nos meus seios... Coxas... Sexo... Pensei seriamente que era o fim do mundo, mas não! Era apenas o fim da linha pra mim... Abri a guarda completamente desnorteada de prazer... Me deixei ser levada pela angustia de não poder tocar nela com as minhas mãos, e pelo agravante de estar vendada.... Me senti indefesa... Eu não sabia onde, nem quando ela iria me tocar, mas eu estava completamente excitada. Saber que ela podia me tocar sem que eu pudesse reagir me excitou a ponto de eu sentir escorrer o meu líquido pelas minhas coxas. Gemi pra ela... Sussurrei no seu ouvido quando Pamela deitava encima de mim, e eu sentia os seus cabelos tocarem o meu rosto... Tentei acariciá-la com o meu corpo que se contorcia cada vez mais sentindo os toques de Pamela. Sem contar que... Quando ela arrancou as vendas dos meus olhos... Os azuis dos dela pareciam duas bolas de fogo. Foi prazeroso demais imaginar que a cada toque... Beijo... Eles me fitavam triunfantes... Como se ela me dissesse a todo momento que havia ganhado a minha alma... Não resisti... Não quis resistir... Sua língua me persuadiu assustadoramente, e eu gozei várias... Várias... Várias... Vezes para ela. O quarto expelia o cheiro de luxúria que ela incitava no meu corpo. Depois desse momento, eu sabia que não havia mais absolvição para mim. Eu era escrava do desejo que aquela mulher me despertava. Pamela tinha o domínio, ou seja: podia fazer o que quisesse de mim. Ela me prendeu da pior maneira que alguém pode nos prender e, eu não saberia deixar de viver longe dos seus toques... Beijos... Cheiro... Longe do seu sexo.


Caramba!!! Parecia um sonho o que eu estava vivendo com aquela mulher. Depois de uma tarde inteira do mais delicioso sexo, eu estava vestindo um roupão de banho enquanto admirava Pamela embaixo do chuveiro... Enxuguei meus cabelos sem desviar o olhar do box um só minuto. Meus olhos percorriam o vidro enfumaçado... Em meio às gotas de água quente que batiam no box, podia visualizar as curvas perfeitas e excitantes do corpo dela. Neste instante era impossível deixar de sentir nos meus lábios o gosto do sexo delicioso de Pamela... O gosto de sua boca... De sua pele... O calor que emanava daquele corpo que me cobria de desejo... Ela abriu o box... Fitou-me com aquele azul profundo de seus olhos....
- Pega a toalha pra mim? – sussurrou com sensualidade. Pamela emanava charme tanto quanto falava, quanto quando olhava... Ou andava... Ou mandava em nós, reles mortas.. Ou... Ah! Vocês entenderam!
- Dá última vez que você me pediu isso eu te devorei todinha, lembra? – Aproximei-me dela... Puxei-a pela cintura e senti o corpo molhado de Pamela aconchegar-se ao meu.... Ela afastou-me no momento em que eu beijava o seu pescoço e seus pêlos se arrepiaram...
- Temos uma reserva em um restaurante... – piscou pra mim – Sossega, Allison – disse suavemente. A mulher me matava de tesão. Ela nem precisava se esforçar, oras!
- Ok, ok! – suspirei vendo-a de costas – Vou me vestir antes que não resista a essa... Bundinha linda! – sussurrei no se ouvido. Pamela sorriu e me olhou como se reprovasse minha última frase. Beijei-a na nuca antes de voltar ao quarto. Olhei os lençóis bagunçados... A algema ainda presa em uma das pontas da cama... A cesta de morangos revirada ao lado do criado mudo... Apanhei um dos travesseiros que estavam no chão do quarto... Cheirei a fronha que exalava o cheiro dos cabelos dela... Respirei fundo....
- Passaria a minha vida toda em seus braços – disse num suspiro, mais para mim, do que para as paredes que me cercavam.
Pamela ficou parada na porta do quarto enxugando os cabelos enquanto me observava... Acho que ela não ouviu o que eu disse.
- Por que tá me olhando? – perguntei curiosa.
- Você está linda com essa roupa – disse referindo-se às roupas que ela mesma havia escolhido para eu vestir.

Resolvi baixar a guarda um pouco, sabe? Afinal de contas, ela iria me levar para jantar, sabe Deus onde! E depois ainda queria ir a um lugar onde pudesse me beijar na frente dos outros. No mais profundo do meu orgulho ferido, eu sabia que ceder como ela estava cedendo era doloroso para uma mulher como ela, e por que eu não podia ceder também, não é?
- Não quero que você se sinta desconfortável com a minha companhia – admiti tímida.


Ela caminhou lentamente em minha direção... Senti o seu hálito tocar suavemente o meu rosto... Fechei os olhos e degustei dos seus lábios que roçaram lentamente nos meus... Afastei o seu roupão, logo deslizei minhas mãos pela sua pele macia, e com cheiro de hidratante francês. Putz! A mulher exalava perfume francês pelos poros! Acariciei com a ponta dos dedos os bicos rosados dos seus seios... Pamela mais sedutora do que nunca... Conteve as minhas mãos e encerrou o nosso beijo exibindo nos lábios um sorriso malicioso e extremamente sensual.
- Guarda essa energia para mais tarde – sussurrou enquanto virava-se de costas pra mim, e deixava o roupão deslizar pelo seu corpo até tocar o chão. Olhei-a nua... Completamente nua... Meu corpo em brasas travava uma luta desleal com a minha razão...
- Preciso de um copo de água – disse ao sair do quarto. Pamela sorriu. Ela sabia o quanto me deixava perturbada com a sua nudez.

Tentei descobriu o nome do restaurante que nós iríamos durante todo o percurso... Pamela é tão teimosa. Acreditam que ela não me deu nem uma pista? Isso me afligiu, sabia? Imagina como deve ser esse tal lugar? Putz! Melhor não pensar nisso, não é?
Alguns minutos depois que saímos de casa. Estacionamos de frente a um restaurante no bairro do Jardins, ou melhor: não estacionamos, descemos do carro para o manobrista estacionar. Respirei fundo. Sabia que eu teria de enfrentar um daqueles lugares cheios de frescura que ela gostava de ir. Até aí nada demais, não é? Nada que um garfo e uma faca não resolvam. Errado! Olhei a entrada e, dizia: "Shintori"... Comecei a ter dor de cabeça imediatamente... Pamela me sorriu como se dissesse: "não esquenta". Subimos uma escadinha... Paramos na recepção. Uma moça linda, muito educada e elegantíssima veio nos receber. Na verdade, ela veio receber Pamela, porque eu fiquei completamente extasiada com uma armadura japonesa, ou armadura samurai. Ela estava exposta dentro de uma vitrine envidraçada... Toquei o vidro de leve com a ponta dos dedos... Era lindo, sabe? Só então comecei a reparar o lugar. Completamente aconchegante... Tapetes vermelhos por toda parte, mantendo uma harmonia escandalosa com as paredes cheias de detalhes em madeira. Símbolos, cortinas, e a vestimenta dos funcionários... Tudo lembrava o Japão! A moça nos acompanhou até o salão onde Pamela havia reservado uma mesa, ou melhor: não era uma mesa, pelo menos na minha concepção não era, oras! Haviam seis salões diferentes dentro daquele restaurante. Nossa mesa, que eu jamais me convencerei que é uma mesa, ficava no Salão Teppan Yaki. Tinha vista para um lindo jardim japonês. A música era suave e por isso nos fazia relaxar. Os chefes preparavam o jantar à nossa frente, em enormes chapas. Envolta dessas chapas ficavam os balcões que utilizávamos como mesas. Acho que nem comi durante o jantar. Primeiro que comer com hashi, ou seja: aqueles pauzinhos japoneses, é um saco, sabe? Putz! A Pamela teve que pedir para colocarem uma borrachinha na ponta daqueles desgraçados. Segundo porque o chef parecia fazer truques de mágica e malabarismos com os alimentos, e isso dispersou inteiramente a minha atenção, ou eu comia ou olhava-o cozinhar... Sabe que deu até vontade de aplaudi-lo? Pamela sorria para mim, como se não fosse importante o meu constrangimento ou simplesmente o fato de eu ter ficado deslumbrada com o lugar. Para ela tudo era tudo muito natural, mas para mim, tudo era completamente desconfortável, exceto o fato de estar ao lado da mulher que havia roubado pra sempre a minha paz. Eu não sabia o que Pamela pensava, muito menos o que uma mulher tão cruel como aquela podia sentir por outra pessoa, mas eu queria encarar este desafio. Simplesmente porque estar longe dela me fazia sofrer muito mais do que aturar as suas tiranias todos os dias, dentro e fora daquela revista. Acham que eu sou masoquista, não é? Sinto que todos os corações perdidamente apaixonados são.
O jantar terminou com um saldo positivo: conversamos a maior parte do tempo, vale ressaltar que não houve nenhum tipo de agressão verbal ou visual. Pamela sorriu e ajudou-me diante da falta de jeito com a gororoba do povo dos olhinhos puxados. Tá certo que eu preferia mil vezes um hambúrguer do MC Donald`s, mas isso não vem ao caso. Voltemos ao saldo positivo. Percebi que no olhar dela havia mais do que aquela Pamela mandona e autoritária podia imaginar que houvesse. Havia um leve tom de contentamento.

Saímos do restaurante depois das dez e quarenta da noite... Em direção a uma boate GLS na região oeste de Sampa. A boate era um casarão, com dois bares, uma pista, deque na entrada e um jardim nos fundos. Os DJs tocavam, disco, flashback e muito pop, hits "trash" a house e electro. Pamela não quis nem uma bebida, me arrastou para um canto perto da pista de dança... Apertou-me na parede enfiando a sua coxa no meio das minhas pernas e beijando os meus lábios o suficiente para me embriagar de desejo. Coloquei minhas mãos por baixo da sua blusa e acariciei os seus seios enquanto correspondia aos beijos quentes e famintos que seus lábios depositavam nos meus... Ficamos nos tocando naquele cantinho por longos minutos, só instigando o desejo que emanava dos nossos corpos.
- Essa noite está cheia de surpresas, né? – Sussurrei perto do seu ouvido, enquanto mordia e lambia o seu pescoço.
- Você ainda não viu nada – disse e puxou-me em direção a uma escadaria. Fui atrás dela sem hesitar. Eu estava tomada pelo desejo que corroia toda a minha razão, lembram? Pois é! E o mais complicado disso tudo é ter que admitir que Pamela era muito mais do que a mulher que me fazia gozar fervorosamente, ela era também, dona das minhas melhores e maiores emoções, tanto na cama, quanto fora dela. Ao final das escadas estava a cabine do Dj... Pamela bateu na porta de vidro e um homem a atendeu... Era o Dj da noite. A mulher falou alguma coisa no ouvido dele e então o cara mexeu rapidamente no equipamento de som e saiu, nos deixando sozinhas.
- O que... O que... – Tentei perguntar, mas ela foi mais rápida do que o meu pensamento e agarrou-me pela nuca empurrando-me de encontro a parede de vidro esverdeado...
- Temos vinte minutos e eu quero gozar ao som dessa música enlouquecedora e mais, vendo as pessoas lá embaixo – apontou a pista de dança no instante em que colocou as mãos dentro das minhas calças... Perdi completamente o senso. Troquei de posição com ela... Agora eram as costas de Pamela que batiam no vidro... Elevei a sua blusa até o seu sutiã ficar à mostra... Desabotoei-o e recebi os seus seios rijos na minha boca que já os esperava faminta de desejo. Pamela bagunçava os meus cabelos enquanto eu sugava desesperadamente os bicos dos seus seios. Ela gemia... Se contorcia... Dizia palavras de baixo calão para me instigar... Subi os lábios até o seu pescoço enquanto as minhas mãos desabotoavam a sua calça... As mãos dela também passeavam pela minha... Pamela tocava as minhas nádegas, apertava... Puxava para junto de si, querendo com esse gesto aumentar o contato delicioso que os nossos sexos estavam tendo naquele momento... As pessoas lá embaixo, desligadas... Completamente desligadas ao que estava acontecendo naquela cabine... Elas só queriam dançar, e nós também dançávamos no ritmo delicioso do prazer... Num gesto brusco eu desci a calça de Pamela, no minuto seguinte ajoelhei-me a sua frente e conduzi a sua perna direita para que apoiasse no meu ombro esquerdo. Afastei a sua calcinha preta e minúscula... Senti a sua excitação com a pontinha da língua... O corpo de Pamela estremeceu inteiro... Não resisti e mergulhei meus lábios.. Língua e dedos dentro dela... Entrei nela com urgência... A devorei com os meus lábios e língua completamente tomados pelo desespero... O seu liquido saboroso descia pelo canto da minha boca... Escorria pelas minhas mãos... As mãos de Pamela apertavam os meus cabelos impulsionando a minha cabeça como se quisesse que eu entrasse ainda mais dentro dela... A mulher estava completamente incendiada de desejo e rebolava na minha boca, esfregando o seu sexo por todo o meu rosto... Aumentando as estocadas dos meus dedos dentro dela... Desconsideramos as batidas na porta... Os gritos de prazer de Pamela ecoavam sufocados por todo aquele pequeno metro quadrado... Os meus gritos foram sufocados pelo seu sexo encharcado que embargava a minha voz... Gozamos ao mesmo tempo... O Dj estava parado atrás de nós completamente extasiado...
- Preciso mudar a... Faixa... – Foi só o que o coitado conseguiu dizer.
Levantei-me ao mesmo tempo em que subi a calça de Pamela e obstruí com o meu corpo a visão dele. Ela sorrindo maliciosamente e vestiu a sua blusa...
- Não vai colocar o sutiã? – perguntei.
- Deixa de presente pro rapaz – disse e puxou-me pelas mãos. Balancei a cabeça negativamente e sorri.
- Ela não tem jeito – Pensei – Coitado, Pam!– disse.
Voltamos para o apartamento dela e fizemos amor a madrugada inteira....
Acordei com o Sol batendo na janela do quarto... Abri os olhos e procurei Pamela pela cama... Ela não estava... Caminhei pelo apartamento completamente sonolenta... Esbarrando nas coisas, como se fosse cair a qualquer momento... Encontrei Pamela sentada a mesa, tomando um café enquanto lia a Folha de São Paulo. Ela ergueu a face para me olhar... Inexpressiva – pensei.
- Voltaremos para o Rio em uma hora... Você está atrasada! – disse fria... completamente fria... Desviou o olhar e voltou a encarar o jornal.
- Sim, senhora... – respondi seca, percebendo pela sua expressão apática que a carruagem já havia virado abóbora novamente, e o que eu tinha que fazer? Me acostumar com a situação, não é? Sim! Vocês acham que eu iria pedir demissão depois desses dias ao lado dela? O que será que vem depois dessa viagem, hein?...


 

 

 

 

 

CAPITULO 20 - PAMELA

 


Definitivamente, eu já tinha passado por muitos momentos de loucura em minha vida, mas nunca como aquele.
Depois de gozar pela última, vez, atordoada pelas estranhas sensações que aquela menina me fazia sentir, me deixei abraçar e beijar por ela...
Allison adormeceu em meus braços. Com a cabeça no meu ombro, suspirando de prazer. E eu? Eu a abracei!
Incoerente, insano, sem sentido. O que era aquilo afinal?
Certo, eu queria Allison de volta, nada demais. Tinha conseguido rápido e fácil. Sem esforço nenhum. No momento em que ela se entregou completamente, algemada e vendada, minha vitória tinha ficado clara. Então como explicar o resto?
Olhei para o rosto de Allison. Dormindo ela parecia quase desprotegida... Deliciosa e... linda... Eu estava achando aquela mulher bonita... Sentia uma necessidade estranha dela, quase um vício...
Inacreditável...
Sem nem pensar que poderia acordá-la, me libertei dos braços que me apertavam, grudentos, assustadores quase.
Ela rolou para o lado, resmungando, sem despertar. Me sentei na cama. Minha cabeça estava doendo. Como se eu estivesse usando uma parte do cérebro que nunca tivesse usado.
Suspirei fundo, sentindo o mundo inteiro rodar. Meus pés tocaram o chão, mas eu não senti. Quando dei por mim já estava no banheiro, de frente ao espelho da pia. E foi então que fiquei realmente apavorada.
Meus olhos refletidos estavam... exatamente iguais aos do meu pai. E isso era absurdo, completamente inaceitável.
Passar a vida como ele, me lamentando, chafurdando num sentimento ridículo, desprezível. Não era nem de longe o que eu queria.
Mas eu estava como se estivesse em outra dimensão, num mundo incompreensível, onde não conseguia ser racional. Nem meus pensamentos eu controlava mais. Eles iam e vinham, sem que eu pudesse impedir.
A simples lembrança de Allison, cheirando a fronha do travesseiro, suspirando e dizendo:
- Passaria a minha vida toda nos teus braços.
Me causava uma ardência no peito que quase me levava às lágrimas.
Era isso o amor? Uma demência seguida de azia? Uma letargia misturada a uma estranha palpitação, e a perda total da razão? Cega, muda, surda, tetraplégica... Estar apaixonada era assim então?
Não, eu não sabia, e não queria aceitar. Aquilo era um câncer, me queimando por dentro... A tal ponto que tinha ficado sentada ao lado de Allison no restaurante japonês, achando lindo o fato absurdo dela não conseguir comer com o hashi...
E depois na boate... Ao invés de chamar o DJ para se juntar a nós, e trepar a três como eu tanto gostava... Não... Mais do que isso: tinha ignorado todas as cantadas que recebi – que não tinham sido poucas - como se Allison me bastasse...
Era o fim do mundo... Pelo menos do meu mundo... De tudo o que eu conhecia, prezava e adorava.
Insuportável... Inaceitável... A derrota total...
Não, definitivamente, aquilo não podia estar acontecendo comigo... Eu estava... infectada... Isso! Como uma doença, uma bactéria, um vírus... Uma praga! Uma praga que precisava ser extirpada...
Sufocando, envenenada... E como todo e qualquer tipo de veneno, com certeza tinha um antídoto. Fosse o que fosse, eu precisava... me curar.

Dúvidas. Insegurança. Medo. Nunca tinha sentido aquilo. Minha vida, meu mundo sempre tinha sido tão simples.
Quantas vezes andei do quarto para a sala, da sala para o quarto aquela noite? Não sei...
A cabeça latejava. Trabalhando febrilmente, sem chegar a uma conclusão. Na verdade cada célula do meu corpo pulsava, ansiava por voltar a deitar naquela cama, e apenas colar em Allison...
Como quem corta os pulsos e fica olhando o sangue jorrar... Nunca! Se eu desistisse de lutar, e me entregasse aquilo, jamais poderia andar de cabeça erguida novamente.
Precisava ser firme. Não era algo que eu pudesse ignorar ou fingir que não existia. Tinha que encarar, desafiar de frente o inimigo. E o inimigo não era Allison, era a minha estúpida e inconveniente fraqueza...
Não tive como deixar de rir da enorme ironia. Destino? Não acreditava em destino, nem em coisas pré determinadas. Acreditava em escolhas erradas. Capazes de em questão de segundos, destruir uma vida. Como por exemplo, escolher cultivar aquele pequeno fungo, início de parasita que era o que eu sentia por Allison. O tipo de escolha que eu nunca, jamais me permitiria.
Tomei banho, vesti minha roupa mais sóbria. Mudei as passagens. Do dia seguinte de manhã para o vôo mais próximo.
Fiquei sentada na sala, tomando o café que a diarista que Arlete tinha contratado preparou. Fingindo ler a folha de São Paulo que ela trouxe.
Na verdade, estava apenas – a constatação me angustiava - esperando por Allison.
Quando ela finalmente acordou, e entrou na sala, meu coração disparou. Linda! Com os cabelos sensualmente desarrumados, vestindo apenas um roupão, os lábios deliciosos que com simples beijos conseguiam me incendiar de paixão...
Mas eu nunca, jamais permitiria que ela sequer desconfiasse do que eu pensava ou sentia. A olhei com a maior frieza possível:
- Voltaremos para o Rio em uma hora... Você está atrasada!
Desviei o olhar e voltei a encarar o jornal. As letras se embaralhando na minha frente. A impressão que eu tinha era que não conseguiria respirar. Uma falta de ar e uma escuridão fugidias teimando em me acompanhar...
Sabia muito bem o que tinha que fazer. Apesar de não ser fácil, não podia me dar ao luxo de mudar minha decisão.
Eu era e sempre tinha sido uma mulher inatingível. E estava determinada a me manter assim. Passaria por cima de mim mesma se fosse esse o preço para recuperar a razão.
O desconhecido poder que um único olhar da mulher parada no meio da sala tinha era a única coisa que me impedia.

A viagem de volta foi toda em silêncio. Nenhuma palavra minha nem de Ali. Evitei olhar para ela. Pouco me importava o que Ali pensava, contanto que não soubesse que eu sentia.
Esperei que ela pegasse nossas malas. Me mantendo um pouco afastada. Já com a proteção dos óculos escuros, confortavelmente impenetráveis.
Ela se aproximou, empurrando o carrinho, me olhando fixamente quase. Mandei que confirmasse o táxi. Felizmente minha voz era treinada. Mantinha o tom frio sem que eu me esforçasse.
Entramos no táxi que já nos esperava lá fora. Continuamos em silêncio até a minha casa. Enquanto o motorista e o porteiro carregavam minha bagagem, Ali desceu do carro atrás de mim.
- Está dispensada. Pode ir para casa. Aproveita o táxi. Pague com o cheque da empresa, e até 2ª feira, Ali.
Me virei para sair, mas Ali me segurou pelo braço. Voltamos a ficar frente a frente. Allison me olhou profundamente. Como se tentasse me analisar. Felizmente, isso não era possível. Com um sorriso indecifrável, ela disse:
- Acho que você, quer dizer, a senhora esqueceu um pequeno detalhe: eu me demiti.
Surpreendente. Imprevisível. Allison.
Levantei os óculos, e tentei manter o olhar gelado. Mas minha voz soou traiçoeiramente suave:
- Pensei que tivesse mudado de idéia.
Ela me lançou um daqueles olhares absolutamente desafiadores que tanto me instigavam:
- Pois pensou errado.
Continuei aparentemente impassível. Por dentro, meu corpo era um frenético e incoerente palpitar. Com um sorriso indiferente, retruquei:
- Faça como quiser, Ali.
Me afastei rapidamente. Incrível, mas naquele momento toda a minha enorme capacidade de me manter fria e distanciada tinha me abandonado. Pela primeira vez na vida, eu me deparava com algo que não conseguia controlar. Algo que só me deixava uma única escolha - a mais vergonhosa possível: fugir.
Fiquei esperando o elevador cujo botão o porteiro já tinha apertado. Ali veio atrás de mim, quase correndo. Parou na minha frente, e me encarou.
Obstinada. Desafiadora. Abusada. Foi a expressão dela ao falar:
- Você pode se fazer de fria, Pam. Pode tentar fingir que o que aconteceu em São Paulo não significou nada. Mas quer saber? Eu não vou deixar.
Num gesto rápido, antes que eu pudesse me esquivar, me puxou de encontro ao corpo dela. Uma das mãos em minha nuca, enquanto a outra me enlaçava pela cintura. Colou os lábios nos meus, e me beijou apaixonadamente, despertando toda a loucura acumulada dentro de mim.
E naquele momento assustador, não consegui mais me conter, nem resistir. Muito menos negar minha necessidade dela ou me privar do que eu realmente queria. Passei os braços ao redor do corpo de Allison e simplesmente correspondi.

 

 

 

 

CAPITULO 21 - ALLISON

 

 


Sorri ao sentir que o corpo de Pamela correspondia aos meus carinhos. A poderosa naquele instante não me assustava tanto. O sentimento, seja ele qual for tem o poder de modificar as pessoas. Por que seria diferente com ela? Aqueles olhos azuis completamente vulneráveis me fitavam como se o chão faltasse embaixo dos seus pés... Saciei a minha vontade incontrolável de beijar aquela boca deliciosa...
- Quer saber? - fixei mais o olhar - Esqueça a minha demissão - disse segura - Estarei na minha sala, segunda-feira na primeira hora - soltei-a e, sem dizer mais nenhuma palavra retornei até o táxi que estava a minha espera. Depois do que vi nos olhos dela, eu não queria, e nem podia desistir dessa batalha.
O fim de semana chegou... Aproveitei que Léo havia ido viajar com o namorado e fiquei em casa revivendo aqueles momentos maravilhosos que passei ao lado de uma Pamela ainda mais sedutora. Sim porque, quando ela baixou a guarda, na minha concepção conseguiu ficar ainda mais sexy. A poderosa com o olhar confuso e perdido no mar de sentimentos que a deixavam vulnerável era indescritível. Eu estava no céu, não é? Pois bem... Fiquei nesse estado de graça por todo a fim de semana... Na segunda-feira cheguei cedo na revista. Cumprimentei todos os funcionário com um sorriso fluorescente na face.
Deixei uma pasta na minha mesa e caminhei em direção a sala de Pamela. Sabe aquela vontade gritante de desejar bom dia a alguém? Depois do que vi nos lhos dela, eu queria desejar um bom dia sonoro e cheio de beijos todas as manhãs. Até a última da minha vida! Abri a porta sorrateiramente... Continuei com a mão na maçaneta observando a cena... Já perceberam como o momento de decepção passa aos nossos olhos como se estivéssemos dentro de um filme, e nada daquilo estivesse acontecendo realmente? Meu sorriso se pulverizou da minha face como pó... A morena da festa, a tal de Penélope estava sentada na mesa de Pamela, com as pernas cruzadas.. Minha chefe parada na frente dela... As mãos apoiada nas coxas da morena, e as mãos da morena atrás da nuca de Pamela. Os olhos fixos uma na outra denunciava que iriam se beijar, e eu não conseguia, e nem podia permanecer mais ali. Tentei retornar a minha sala, mas ao tentar sair da cena do crime, mas meu pé bateu na porta e fez barulho.
- Ali! – disse Pamela, tirando as mãos da perna da morena e olhando na minha direção. Penélope ajeitou-se. Abaixou o vestido imediatamente.
- Des...culpe dona Pamela – disse com nó na garganta.
- Pam, vou esperar a sua ligação – disse Penélope enquanto beijava a face inexpressiva de Pamela – Vou esperar ansiosa – completou enquanto caminhava até a porta de saída. Pamela não respondeu a ela.
Continuei ali, parada... Imóvel... Consumida por uma raiva inexplicável. Como eu pude me enganar tanto com aquela mulher? Pamela não tinha limites. Não existia sentimentos cabíveis naquele coração. Ela apenas se entregava aos momentos de prazer. Era cruel a ponto de iludir as pessoas para dominá-las... Foi o que ela fez comigo. Me levou para São Paulo. Me proporcionou um prazer absurdo, e tudo isso para não perder o seu brinquedinho... Para continuar exercendo sobre mim o seu poder. Claro! Ela não aceitou o meu pedido de demissão. Pamela me queria sob seu domínio, assim como queria Penélope e todos os homens que se jogavam aos pés dela.
- Ali...
- Desculpa não ter batido na porta – firmei o olhar severo sobre ela.
- Eu...
- Não precisa me dar nenhuma explicação. Afinal de contas... – sorri debochada – a empregadinha aqui sou eu.
- Você não devia mesmo ter entrado na minha sala sem ter batido – deu a volta na sua mesa... mexeu em alguns papeis... Aproximei-me dela...
- Eu sei o meu lugar! – ergui a sua face para que os seus olhos azuis indecifráveis naquele momento fitasse os meus cheios e ira... – entendo que é apenas sexo... – Aproximei-me ainda mais dela... Nesse instante eu podia sentir a respiração dela bater no meu rosto. Pamela sustentou olhar.... Suspirou quando envolvi minhas mãos na sua cintura...
- Ainda bem que você não está criando perspectivas, Allison – sussurrou enquanto me encarava com aquele olhar frio... Sem sentimentos...
- Você só quer diversão, não é? – meus olhos vermelhos pelas lágrimas que eu tentava não deixar escorrer pela minha face...
- Nunca te prometi nada – envolveu as mãos no meu pescoço... – Existe um abismo entre nós... – concluiu num fio de voz. Seus olhos continuavam frios... Retirei as mãos dela do meu pescoço e afastei-me dela afrontada... Irritei-me profundamente. Eu a amava... Eu a odiava!
- Mas que merda Pamela! Eu posso citar dez coisa que eu odeio em você, sabia? – cuspi as palavras movida por uma revolta que cegava a minha razão.
- Tenta – disse provocante, com aquela voz rouca e sedutora... Umedeceu os lábios sensualmente com a pontinha da língua, enquanto jogava os cabelos para trás e sentava na beira da sua mesa...
- Você é... – aproximei-me um pouco mais de onde ela estava – Metida... Mandona... Esnobe... – dei mais alguns passos... – Cruel... Desumana... sarcástica.... – senti o meu corpo colar no de Pamela... Num gesto brusco passei a mão por todos os objetos e papeis que estavam atrás dela na mesa, jogando-os no chão... Fitei os seus olhos enquanto aproximava os nossos lábios... Deslizei minhas mãos pelos seus braços, segurei firme os seus pulsos e elevei-os acima da sua cabeça... Pamela inclinou o corpo paras traz, e eu cobri lentamente o corpo dela com o meu tenso de desejo e raiva... Seus braços presos pelos pulsos... Ela estava indefesa, ou dona da situação... Eu não sei! Só sei que seus olhos azuis me diziam que ela estava entregue ao desejo que borbulhava deles como chamas incandescentes – Odeio o seu cheiro que me embriaga... Odeio o seu corpo que me excita.... Odeio o seu sexo que fica encharcado quando eu te toco...
- Falta um – sussurrou com os seus lábios presos nos meus... Mordi de leve o lábio inferior dela...
- Odeio a sua língua que me devora até a alma... – terminei de falar e selei meus lábios nos delas sedenta de paixão... Pamela afastou as pernas para receber o meu sexo que latejava clamando pelo contato com o dela. Movimentei o quadril em busca do gozo que eu sabia que não ia demorar. Devorei o seu pescoço... Soltei minha mão direita que prendia o seu pulso... Deslizei pela lateral do seu corpo... Avancei até as laterais da sua calcinha... Afastei... Entrei dentro dela com os meus dedos a fazendo gemer e se movimentar cada vez mais forte embaixo de mim... A penetrei com força... Bem fundo... Vi o tesão brotar cada vez mais intenso dos teus olhos azuis que encaravam os meus... Ela gozou... Fiquei ainda com meus dedos dentro dela por alguns minutos... Nos olhamos sem nada dizer... Soltei-lhe o outro pulso... Lentamente sai de cima dela... Ajeitei minha blusa...
- Estarei na sala ao lado... Dona Pamela – disse irônica – se precisar de mim, avisa, tá? – sai deixando-a estagnada no mesmo lugar.

 

 

 

CAPITULO 22 - PAMELA

 


Naquele momento, quando Allison me beijou, fui derrotada. Absolutamente derrotada por essa coisa inexplicável, e para mim inaceitável, chamada... arg... me sinto uma idiota completa por ser obrigada a confessar: amor.
Todas as células do meu corpo corresponderam à ela, como se tivessem vida própria. Então, o beijo terminou, e foi ainda pior, porque pude ver claramente nos olhos dela uma felicidade irritante, nojenta, que só podia significar uma única coisa: que Allison tinha percebido o quanto aquilo tudo me tocou.
Por sorte, ela não continuou. Pegou o táxi, dizendo que nos veríamos na 2ª feira. Deixando evidente que a desvantagem tinha passado a ser minha...
Ainda assim, senti um certo alívio. Por ela não ter pedido demissão, e porque... o que seria de mim se ela tivesse subido? Se tivesse insistido em passar a noite comigo? Não conseguiria resistir, eu já não respondia por mim...
Fui recebida por Paz. Pela expressão assustada, surpresa dela, pude perceber que de alguma forma, eu estava demonstrando o desespero que sentia.
Era só o que me faltava... Ser motivo de pena da empregada... Era realmente o fim da linha...
Eu só não queria morrer porque jamais me entregaria à auto piedade. Francamente? Uma única fraqueza já estava de bom tamanho! Não, eu não ia agüentar...
“Calma, Pamela...”
Repetia para mim mesma mentalmente. Me servi de uma dose dupla de Whisky. Pura. Cowboy. Sem gelo nem nada que atrapalhasse. Eu precisava daquilo: o primeiro gole de bebida descendo queimando garganta abaixo, parecendo trazer a minha razão de volta.
Abri as portas de vidro, saí para a cobertura. O vento batendo em meu rosto, refrescando um pouco o que eu sentia...
Me aproximei do parapeito e fiquei olhando para a Lagoa lá em baixo. Minha vista preferida do Rio de Janeiro... E agora estragada porque me fazia lembrar de Allison... Daquela noite fatídica em que tínhamos nos visto pela primeira vez naquela maldita boate... Culpa do miserável do Fábio!
Suspirei fundo. Colocando o derrotismo de lado. Eu não era mulher de ficar chorando pelo leite derramado... Precisava agir. Fazer algo. O que? Eu não sabia ainda. Qualquer coisa que me tirasse de vez daquela armadilha repulsiva. Não podia admitir que Ali tomasse as rédeas da situação. Precisava evitar que ela voltasse a me tocar daquele jeito. Como se achasse que fôssemos, ou pudéssemos algum dia ser namoradas, ou algo mais... Tinha que fazer a menina entender que aquilo era impossível.
O resultado disso? Foi uma noite mal dormida. E um telefonema para Penélope no dia seguinte.

Penélope passou na minha casa, tomamos um drinque, e depois saímos pela noite, querendo uma transa a três, duas caçadoras agindo juntas.
Fomos para uma boate GLS. Rindo dos incontáveis olhares de cobiça que tentavam entrar despudoradamente por dentro de nossos vestidos. Aquilo me excitava. Muitíssimo. Uma das coisas que eu mais gostava era ser desejada. E Penélope também. Isso estava claro. Éramos... muito parecidas. Resultado da educação das freiras Suíças? Quem sabe...
- Vamos deixar a mulherada louca?
Ela sussurrou no meu ouvido. Sem esperar resposta, me empurrou para a parede mais próxima. As mãos me percorrendo inteira, arrancando gemidos. Por cima do ombro dela, eu podia ver as pessoas olhando. Algumas disfarçadamente. Outras na cara dura. Um espetáculo daqueles, quase uma injeção de libido... Impossível ignorar.
Gemi mais ainda. Ordenei:
- Me come!
E fui prontamente atendida. Penélope fez o que eu queria. Na frente de todos. Enquanto eu a segurava pelos cabelos, exigindo:
- Mais fundo.. Com força...
E mordia o lábio inferior dela até sentir um gosto de sangue na boca... Penélope gemeu, depois sussurrou palavras sujas no meu ouvido... Me chamando de vadia para baixo, me excitando mais ainda. Aumentando a velocidade dos dedos, a profundidade, o ritmo...
Tomada por uma ânsia louca e um gosto amargo desconhecidos, eu repetia, enquanto meu corpo todo estremecia:
- Mais forte... Vai... Assim...
Explodi nos dedos dela com um gemido alto. Penélope me beijou, e falou no meu ouvido:
- Você é obscenamente gostosa, Pamela...
Voltou a colar a boca na minha, enquanto tirava os dedos de dentro de mim. Correspondi, beijando de olhos abertos, já com um ponto fixo.
- Escolheu? - perguntou, a voz absolutamente lasciva.
Meus olhos insistiam em buscar uma menina de cabelos castanhos ondulados, vestindo um jeans e uma blusinha... Muito parecida com...
Consegui me controlar. Tinha um alvo muito melhor, algo que seria... incrível... Senti um arrepio... Só de imaginar o contraste delicioso que eu e Penélope faríamos na cama com...
- A ruiva.
Penélope se virou, olhou, fixa e ostensivamente para a nossa vítima:
- Muito bem escolhido...
A mulher não estava sozinha. Bonita daquele jeito, jamais estaria. Estava acompanhada de uma loira que parecia ser bastante possessiva. Isso só tornava ainda mais interessante o desafio.
Observei melhor. As duas estavam sentadas numa mesa com um casal de amigas e os restos mortais de um bolo. A deixa perfeita, eu diria.
Me aproximei puxando Penélope pela mão. Olhando a ruiva profundamente nos olhos, pedi:
- Me dá um pedacinho?
De um jeito absolutamente sedutor. Impresso no final da frase, como se eu tivesse dito, pairava um “de você”... Que não precisava ser um gênio para entender...
A ruiva até se assustou. Ia responder, mas foi uma das amigas – de cabelos pretos muito lisos e... só então reparei na barriga que indicava uma gravidez um tanto quanto avançada – quem disse:
- Bota um pedaço num guardanapo pra ela, amor.
A mulher de cabelos dourados que a outra tinha chamado de amor me serviu. Depois voltou a se sentar ao lado da outra, passar as mãos na barriga dela carinhosamente, as duas se olhando nos olhos e sorrindo antes de colarem os lábios num beijo intenso...
Estendi a mão para a ruiva, dizendo:
- Obrigado. Pamela. É um imenso prazer.
Segurei a mão que a ruiva estendeu por muito mais tempo e de forma muito mais intensa do que o necessário. A voz dela saiu trêmula quando respondeu:
- Renata.
A loira ao lado dela estendeu a mão, interrompendo o flerte descarado:
- Fabiana. Namorada da Renata. Essas são Dani e Mel.
Dani e Mel desgrudaram as bocas um instante, apenas para me cumprimentarem com um aceno de mão, e voltaram a se beijar novamente.
“Casalzinho meloso” – pensei ao ver o jeitinho grudento horroroso da grávida com a... esposa? Elas usavam alianças de ouro branco...
“Patético... Absurdamente ridículo...”
Eu estava perdendo tempo divagando... Voltei a concentrar toda a minha energia em meu objetivo:
- De quem é o aniversário?
- Meu...
Foi a resposta sem graça da ruiva. Não poderia ser melhor.
“Vamos te dar um presente que você não vai esquecer” – pensei, sem conseguir conter um sorriso. Mas o que disse foi:
- Você faz aniversário e quem ganha o presente sou eu...
- Ãh?
A ruiva perguntou, fazendo cara de quem não entendeu. Expliquei umedecendo os lábios:
- Conhecer você é um presente, meu bem...
- Dos deuses! – Penélope completou. Antes de se apresentar: - Prazer, linda! Penélope.
Foi nesse momento que um outro casal chegou. Aparentemente vindas do banheiro:
- Demoramos?
- A fila tava um horror...
Imediatamente foram apresentadas: Raq e Deca. Raq abraçou Deca por trás, e sussurrou algo no ouvido dela. As duas riram juntas, e se beijaram com urgência.
O que era aquilo afinal? Um concurso para escolher o casal de lésbicas mais derretido e sem cérebro do mundo?
Felizmente, as duas do banheiro disseram que iam embora, se olhando maliciosamente. De um jeito que deixava evidente o que elas tinham tanta pressa em resolver.
O casal grávido também parou de se beijar. A de cabelos dourados – como era mesmo o nome dela? Mia? - dizendo:
- Tá cansadinha, né, amor? Vamos também?
A de cabelos pretos imediatamente concordou. Olhando para a outra como se não existisse nenhuma outra mulher no mundo inteiro...
Pensei que fosse vomitar... Mas finalmente, as quatro se despediram e foram embora. E sob o olhar reprovador da loira, a ruiva nos convidou para sentar. O que prontamente aceitamos, óbvio.
Sentei do lado dela, muito próxima, colada quase. Ficamos conversando, mas a loira não dava trégua. Até que Penélope, muito espertamente, derrubou a taça de “Kir Royale” que tinha pedido inteira em cima dela. A obrigando a se levantar e ir ao banheiro. Com uma Penélope super prestativa, pedindo mil desculpas, atrás dela.
Olhei bem dentro dos olhos da ruiva. Ela tremeu. Sorri, satisfeita com a reação. Pousei minha mão no joelho dela, fazendo com que... Roberta? Era esse o nome dela? Se arrepiasse inteira. Então falei:
- Vou ser direta: tô louca por você.
A ruiva suspirou fundo. Depois, inacreditavelmente, tirou minha mão da perna dela e... se afastou, dizendo:
- Sinto muito, mas... amo minha namorada. Não vou ficar com você.
Aquilo me atingiu com a força de um tiro de escopeta. E me fez agir diferente de sempre. Não insisti.
Penélope já voltava com a loira do banheiro. A ruiva se levantou, beijou a namorada apaixonadamente, a pegou pela mão e saíram juntas, me deixando sem saber o que pensar nem o que fazer.
Sem entender nada, Penélope se sentou ao meu lado na mesa:
- Que houve?
Respondi simplesmente:
- Ela não topou.
Sacudindo a cabeça como quem não acredita, Penélope falou:
- Como assim? Ela tá louca?
Um sorriso triste se formou involuntariamente em minha boca. Não resisti, e disse:
- Acho que sim. Louca de amor.
- Coitada! Que horror! – Penélope comentou.
As palavras saíram da minha boca sem querer. Como se eu pensasse alto, um tipo de pensamento que para mim nunca tinha existido:
- Será que... o amor existe? Será possível que... duas pessoas possam mesmo ser felizes juntas?
Penélope riu. E debochou:
- Meu Deus, Pamela... O que é isso? Será que você bebeu demais? Filosofia barata não combina contigo... Essa coisa de amor é tão infantil...
Antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa, mais um casal parou bem em frente a nossa mesa.
Levantei os olhos e me deparei com... uma morena de parar o trânsito. Olhos verdes, cabelos lisos e negros abaixo dos ombros, e levemente ondulados nas pontas. Abraçada com uma menina de olhar incrivelmente abusado... Um olhar que me lembrava...
A abusadinha me olhou bem na cara. E perguntou:
- Conheço você de algum lugar... Você é a dona daquela revista famosa, a "Gente Chique", não é mesmo? Tenho uma amiga que trabalha pra você.
- Ah, é?
Foi só o que pude responder, levantando a sobrancelha e fingindo indiferença. No fundo, absolutamente surpresa. E me sentindo... vulnerável... além de todos os meus limites.
A morena sussurrou, alto o bastante para que eu ouvisse:
- Duda, vamos... Deixa ela em paz.
A outra sorriu. Olhou para a morena e os olhos dela brilharam.
O que era aquilo? O dia de pagar todos os meus pecados? Um desfile de lésbicas apaixonadas que vinham esfregar a felicidade nojenta delas justo em mim? Só podia ser brincadeira...
A garota continuou, com um sorriso indecifrável:
- Mas a senhora não deve nem esbarrar com a Allison pelos corredores. É poderosa demais, não é verdade?
- Aquela sua assistente... a tal de Ali... é dessa que ela tá falando?
Penélope tinha que falar? Não poderia simplesmente ficar calada?
Ainda fui obrigada a ouvir, enquanto as duas grudentinhas se afastavam:
- O que foi isso, Duda? Não entendi nada...
- Só pra ver se essa jararaca se toca, Gaby. O Léo me disse que ela tá acabando com a Allison...

O resto da noite para mim passou como se uma estranha névoa embaçasse meus olhos. Como se as coisas acontecessem a minha volta e não fossem reais. Pior ainda; como se o controle não estivesse mais em minhas mãos.
Continuei sentada naquela mesa. Pateticamente fragilizada e perdida. Se Penélope percebeu, não disse nada. Mas parecia insistentemente decidida a me animar. Seduziu uma menina... aquela de cabelos castanhos ondulados, vestindo um jeans e uma blusinha... Muito parecida com...
Era tão visível assim? Não, eu precisava... lutar...
Penélope e a menina me beijaram. Primeiro uma de cada vez, e depois as duas juntas. Correspondi, me deixei beijar, acariciar, sem muita iniciativa, para falar a verdade, mas... Me esforçando. Me forçando quase.
Fomos para um motel. Uma coisa estranha me impedia, era quase como se eu... fosse sufocar. Disfarcei, dizendo que queria só olhar... Me sentei no sofá em frente a cama, enquanto as duas se devoravam. Minha cabeça, meus olhos, minha alma em outro lugar... Pensando, lembrando, desejando... Allison.

No dia seguinte, as duas se vestiram. Eu continuava sentada no sofá, absolutamente apática.
Penélope me olhou com... pena? Acariciou meu rosto como se eu tivesse uma doença grave. Insistiu em ir comigo para a revista, depois que passei em casa para me trocar.
Concordei, porque... não queria ficar sozinha – era ridículo, mas verdade – e seria uma ótima forma de manter Ali afastada.
Entramos direto na minha sala. Ainda era cedo, mas Arlete, como sempre, já me esperava.
Penélope sentou na minha mesa, com as pernas cruzadas. Levantou os óculos escuros, e disse na minha cara:
- Pamela, minha querida, você está apaixonada. E pela empregada. Isso é grave.
Tentei negar:
- Que absurdo! Não é verdade...
Ela riu. Como se eu tivesse contando uma piada. E contestou:
- Tá na cara... Inegável.
Deixei escapar um suspiro. Quase de dor. Penélope me olhou penalizada. Com uma voz muito doce, quase suave, me chamou:
- Vem cá.
Me aproximei, até ficar parada na frente dela. Apoiei as mãos nas coxas morenas, num gesto automático. Sem nenhum tipo de conotação sexual. Todo o meu desejo parecia ter desaparecido... Ou quem sabe... Não, eu não queria confessar o que eu já sabia que era verdade... Meu desejo tinha se concentrado inteiramente em Allison...
Como se pudesse ler pensamentos, Penélope colocou as mãos atrás da minha nuca. Me acariciou, novamente com aquele olhar penalizado.
Naquele momento, um barulho me fez olhar para a porta que ligava minha sala à de...
- Ali! – eu disse.
Agindo por impulso, tirei as mãos da perna da morena, como se aquilo fosse errado...
Penélope se ajeitou, abaixando o vestido imediatamente também. Estranhamente solidária num momento tão... constrangedor.
- Des...culpe dona Pamela.
A voz de Allison soou engasgada.
- Pam, vou esperar a sua ligação – disse Penélope, me beijando no rosto – Vou esperar ansiosa – e depois sussurrou baixinho para que só eu pudesse ouvir: - pela sua recuperação...
E saiu. Sem que eu respondesse.
Allison continuava ali, parada... Imóvel...
- Ali...
- Desculpa não ter batido na porta – ela me olhou com raiva.
- Eu...
- Não precisa me dar nenhuma explicação. Afinal de contas... – sorriu debochada – a empregadinha aqui sou eu.
- Você não devia mesmo ter entrado na minha sala sem ter batido – dei a volta na minha mesa... mexi em alguns papeis... Precisando disfarçar, evitar que Allison me olhasse nos olhos e visse o quanto eu precisava dela. O quanto eu gostaria que... Que o que? Que nada, porque... aquilo nunca poderia dar certo.
Ela se aproximou de mim, ergueu minha face e disse, com a respiração em meu rosto, fazendo com que resistir se tornasse torturante:
- Eu sei o meu lugar! Entendo que é apenas sexo...
Sustentei o olhar dela.... Com uma performance digna de um Oscar. Mas um suspiro delator escapou da minha garganta quando as mãos dela envolveram minha cintura...
- Ainda bem que você não está criando perspectivas, Allison...
Sussurrei, quase sem forças. Sem saber se meu olhar estava me denunciando. Sabendo apenas que precisava manter meus olhos vazios...
- Você só quer diversão, não é?
A enlacei pelo pescoço. Minha voz quase não saiu:
- Nunca te prometi nada. Existe um abismo entre nós...
Apesar do tremor na minha voz, e do calor da minha pele contra a dela – eu tinha certeza de que ela também sentia – Allison tirou minhas mãos dela.
- Mas que merda Pamela! Eu posso citar dez coisas que eu odeio em você, sabia?
- Tenta...
E a partir daquele momento, perdi completamente a razão. Ela enumerou as dez coisas... Se eram boas ou ruins? Eu já não sabia. Tinha esquecido todo e qualquer tipo de medida de valor... Estava... perdida, completamente rendida àquelas mãos, àqueles dedos, àquela boca...
Me entreguei inteira, sem pudores, permitindo que durante aqueles breves momentos minha febre pudesse ter um pouco de sossego, saboreando, matando meu desejo dela...
Allison me fez gozar maravilhosamente. E eu desejei apenas poder fazer aquilo para sempre, sem medo...
Para sempre? Eu estava enlouquecendo. Aquela mulher tinha sobre mim um perigoso poder. Capaz de me dominar, me destruir de uma só vez.
Eu a amava... Eu a odiava... Eu já não sabia se entre esses dois sentimentos existia alguma diferença... Eles pulsavam juntos, profundos, absolutamente intensos.
Nos olhamos sem nada dizer...
Allison me soltou. Lentamente saiu de cima de mim. A voz dela era pura ironia quando disse:
- Estarei na sala ao lado... Dona Pamela. Se precisar de mim, avisa, tá?
Saiu me deixando estagnada no mesmo lugar. Com uma ausência, um tormento, um vazio. Um amargo sabor de algo que se esvaía. O definhar lento da minha vida antes dela. Totalmente contra a minha vontade. Uma nova e desconhecida existência que - eu tinha certeza - viria repleta de um longo e deselegante mal estar.

 

Parte 3

 

 

Home   Original

 

Hosted by www.Geocities.ws

1