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***Pamela***
No dia seguinte, quando o expediente acabou, uma Allison absolutamente sorridente
entrou na minha sala... sem bater.
Eu estava profundamente irritada. Ela sabia, impossível não perceber. Aquele
era para mim, o começo de um pesadelo. Daqueles que a gente sabe que não tem
como conter.
Jantar com Allison na casa do meu pai... Não sei o que me apavorava mais...
Allison, ele, ou eu mesma?
Minha voz saiu tensa, mas... suave. O tom que parecia vir sem querer sempre
que eu falava com ela:
- Vamos?
Allison me seguiu sem dar uma palavra. Incrivelmente inteligente ela. Tinha,
no mínimo... bom tato. Eu realmente não estava para conversa. Liguei o som do
carro, para não dar espaço para palavras. Elas tinham se tornado
absolutamente dispensáveis a partir do momento em que eu tinha me
permitido... despencar no inacreditável...
Quando parei o carro em frente a casa do meu pai, Allison estava paralisada,
sem respirar. Da guarita, o segurança abriu o portão sem nada perguntar.
Conhecia meu carro, e a placa. Contornei o jardim que meu pai adorava. Parei
em frente à escadaria da porta principal do enorme casarão de dois andares.
Desci do carro. Allison me seguiu. Tentando
disfarçar, mas era evidente que estava impressionada:
- Puxa... Sua infância não deve ter sido nada fácil...
Aquilo me fez... rir! Olhei para ela, me olhando com aquele jeitinho implicante
e safado. Achando incrível como ela conseguia fazer meu humor melhorar...
O manobrista totalmente uniformizado se aproximou. Antigo, mais de 20 anos de
casa, como todos os empregados de meu pai.
- Boa noite, dona Pamela.
- O que tem de boa?
Respondi, atirando a chave do carro. Ele se esforçou, mas... não conseguiu
pegar no ar como fazia anos atrás.
- Você está velho, Victor. Hora do meu pai te aposentar...
Ele me olhou magoado. Exatamente como eu queria e adorava. Allison me seguiu. Pela
respiração dela eu podia sentir que estava revoltada. Antes que eu chegasse
na porta, ela me puxou pelo braço. Reprovou:
- Precisava tratar o senhor daquele jeito, Pam?
Olhei para ela perplexa... Será que Allison não entendia nada?
- É só um empregado, Allison...
Os olhos dela se fixaram profundamente nos meus. Daquele jeito que só Allison
conseguia ter coragem de me olhar. Antes de perguntar:
- E eu? Também sou só uma empregada?
Antes que eu pudesse responder, a porta se abriu:
- Boa noite, dona Pamela!
Olhei para Allison tentando fazer com que ela entendesse:
- Viu? São todos iguais...
Entrei, passando por Consuelo sem nem cumprimentar. Apenas tirei o casaco e
atirei em cima dela, que disse:
- Seu pai está no escritório...
A fuzilei com o olhar. Era por isso que eu odiava ir na casa do meu pai. A
criadagem era... abusada demais. Além do fato de me conhecerem desde criança,
ainda tinha o agravante de meu pai insistir em tratá-los quase como iguais.
Vergonha, absurdo total! Imediatamente a coloquei no lugar:
- Ninguém te perguntou nada.
Segui pelo corredor, sem olhar para trás. Allison deu boa noite para ela – eu
merecia! Cercada por idiotas que insistiam em ser simpáticos... - e depois me
seguiu quase correndo.
Parei na porta do escritório, olhei para Allison, e disse:
- Nunca, jamais volte a tratar pessoas inferiores a você como iguais.
Ao invés de olhar para mim, Allison estava... com o olhar parado,
completamente sem graça. Me virei e percebi o porque. Meu pai, parado com a
porta aberta às minhas costas. Os olhos dele brilharam, decepcionados, como
se não acreditasse. Não entendi a razão, uma vez que eu não tinha dito nada
demais. Nada que eu já não tivesse dito milhares de vezes naquele mesmo
lugar...
- Pensei que você tivesse mudado, Pamela. Mas parece que eu estava enganado.
- Nossa, pai... Mudar para que? Me acho perfeita, sabe?
Passei por ele, e me sentei num dos sofás. Meu pai me ignorou completamente.
Toda a atenção dele estava voltada para Allison. Com um sorriso muito mais do
que simpático, carinhoso até demais, estendeu a mão para ela, dizendo:
- Boa noite, Allison. Seja bem vinda. É um prazer recebê-la em minha casa.
Você não sabe ainda, mas é muito importante para a minha filha...
Prendi o gemido que subiu por minha garganta nos lábios. Se olhar matasse, meu
pai cairia morto ali mesmo, porque o meu naquele momento foi uma bomba H...
- Pai!
Ele riu. E continuou a me envergonhar:
- Desculpe a minha filha... Como você já sabe, infelizmente doçura e
suavidade não são o forte dela, mas... Você não deve se acostumar. Ela
precisa e pode mudar.
Minha cabeça se moveu de um lado para o outro, negando inconscientemente
aquela situação totalmente surreal. Que continuou:
- Pode contar comigo se precisar.
No decorrer da noite, a situação só fez piorar. Meu pai parecia encantado por
Allison. Ouvia atentamente tudo o que ela dizia.
Nem se importou quando ela se atrapalhou com os talheres, sem saber qual
usar. Expliquei:
- Eles estão em ordem, Allison. É só você usar os de fora, cada vez que
trocarem o prato. E os copos...
Meu pai nem me deixou terminar:
- Não se preocupe, Allison. No fundo nada disso importa, sabe?
Encorajada, Allison ainda completou:
- Eu também acho. Mas... Algumas pessoas dão importância demais a
formalidades...
Os dois me olharam. E depois riram, com cumplicidade. Quando pensei que não
pudesse piorar, percebi que estava enganada:
- O que você pensa sobre a “Gente Chique”, Allison?
Completamente à vontade, Allison começou a falar. Fez várias críticas... Eu
estava... sem saber até quando conseguiria agüentar. Meu pai escutava,
concordando. Parecendo bastante impressionado. Quando Allison começou a dar
idéias, propor mudanças, foi demais. Tentei cortar, mas...
- Quieta, Pamela. Quero ouvir o que Allison tem para me dizer.
Entrei no carro com Allison ao meu lado. Nem com o final daquela experiência
terrível consegui me sentir aliviada. Não estava acostumada a ser a vítima,
normalmente era eu quem torturava...
A alegria evidente de Allison – ela só faltava cantar do meu lado! - só
servia para aumentar ainda mais a minha raiva. Mas apesar de tudo – me
maldizendo por dentro – eu queria, desejava, precisava ter Allison na minha
cama a noite inteira... Por isso engoli a irritação, e fiquei calada.
- Gostei muito do seu pai. E adorei o jantar.
A pouca, quase inexistente paciência que eu tinha foi para o espaço:
- É mesmo? Eu me senti um fantasma... Vocês dois praticamente me ignoraram a
noite inteira... Se adoraram, não é mesmo?
Allison me olhou boquiaberta. Sem acreditar. Meu tom de voz revelava muito
mais do que eu gostaria, muito mais do que eu me permitiria em condições
normais. Mas naquele momento, eu já não conseguia fingir a indiferença de
praxe...
- Pam, você está... enciumada?
Dei uma risada. Tentando ser convincente em negar, mas... Allison me beijou
no rosto, acariciou meus cabelos, quase explodindo de felicidade. Resisti a
princípio, tentando me soltar. Mas ela insistiu, me beijando mais e mais:
- Pois fique sabendo que meu sogrão e eu temos uma coisa em comum...
Sogrão? Mais do que sorrindo, eu estava rindo. Allison era... instigante era
pouco, ela era... de um jeito que eu nunca tinha visto igual. Parei no sinal
vermelho. Olhei para ela de uma forma que fez com que os olhos castanhos
cintilassem. Perguntei:
- O que?
Ela abriu um sorriso incrível. Antes de responder:
- Nosso amor por você.
Os fios invisíveis voltaram... A olhei como eu nunca pensei ser capaz...
Segurei o rosto dela entre as mãos e mergulhei os lábios nos de Allison com
um suspiro apaixonado...
Entrei no apartamento agarrada em Allison, sem nem me importar se Paz estava
ou não acordada. Aproveitei o momento em que paramos para respirar para a
puxar pela mão até a cobertura. Me apoiei no parapeito, apreciando a vista.
Allison me olhou, depois me abraçou por trás, o corpo grudado no meu enquanto
sussurrava em meu ouvido:
- Isso me lembra a primeira vez que te vi. A única diferença é que naquele
dia você estava chorando.
Dei uma gargalhada, e me virei para ela, dizendo:
- Chorar é para perdedores, Allison. Eu sou uma vencedora. Jamais esqueça disso.
Os olhos castanhos mergulharam nos meus. Pareciam... cheios de pena...
- Deve ser duro pra você.
Devolvi o olhar, sem entender:
- O quê?
Ela respondeu sem hesitar. De uma forma amorosa e suave:
- Se fazer de insensível o tempo inteiro.
A conversa estava ficando séria demais, de um jeito que eu absolutamente não
podia permitir:
- Allison, minha querida, sofrer para que? Pura perda de tempo... Já que a
vida não passa de um aglomerado de momentos, que eles sejam todos de total e
profundo prazer... A começar por esse...
Colei a boca na dela com paixão. A conduzi para trás, até que as pernas dela
encostassem numa das espreguiçadeiras. A empurrei com força, fazendo com que
ela caísse sentada. Allison me olhou surpresa, numa expectativa silenciosa,
no olhar um brilho intenso...
Abaixei as alças do vestido, deixando que ele escorregasse por meu corpo
abaixo. O conjunto de sutiã e calcinha pretos minúsculos e transparentes que
eu usava obtendo o efeito desejado... As mãos de Allison avançaram, mas eu as
impedi, com um gesto. Me aproximei, fiquei entre as pernas dela. Disse:
- Eu mando e você obedece.
Ela concordou, claro. Ordenei:
- Toca nos meus seios.
Com um sorriso safado, Allison fez o que eu mandei. Acariciou da forma
deliciosa de sempre. Os dedos escorregando por baixo do tecido, tocando os
bicos, deixando-os completamente intumescidos.
- Tira meu sutiã e chupa.
As mãos dela me livraram da peça de roupa habilmente. Deixei escapar um
gemido quando a boca de Allison desceu vorazmente, fazendo com que manter o controle
se tornasse muito, mas muito difícil mesmo.
- Quero sentir suas mãos...
Allison não se fez de rogada. Me tocou inteira, sem parar de lamber, chupar,
beijar meus seios... Eu gemia, me derretia sob as carícias experientes...
Quando os dedos me acariciaram entre as pernas, afastaram a calcinha e
alcançaram meu sexo, minhas pernas estremeceram.
E eu sabia perfeitamente que era mais do que aquilo, além do tesão, do
sexo... aquela menina me tocava... por dentro... O simples pensamento causou
uma dorzinha de prazer... Eu já não ordenava, pedia:
- Me faz gozar na sua boca...
Allison me virou, me fez trocar de lugar com ela, ajoelhou na minha frente.
As mãos passearam pelo meu corpo, provocando arrepios. A boca mergulhou na
minha, depois desceu devorando cada milímetro do meu corpo dizendo:
- Você me enlouquece... Nada mais justo que... eu fazer o mesmo com você...
Começou a me chupar ainda por cima da calcinha. Me deixando derretida,
enlouquecida, para e por ela... Senti os dedos de Allison driblando a lateral
da peça íntima, entrando dentro de mim... Meus quadris acompanharam o
movimento instintivamente. Eu já não controlava o que dizia:
- Gostosa... delícia de mulher... vou gozar... só pra você... continua
assim...
Eu já estremecia. Allison, percebendo o quanto meu gozo estava perto se
afastou. Quase gritei:
- Não!
A puxando pelos cabelos desesperadamente. Com um sorriso safado, sedutor, ela
disse:
- Sim... Agora quem manda sou eu...
Tirou minha calcinha devagar, me olhando nos olhos sugestivamente. Deitou em
cima de mim, encaixando minha coxa entre as pernas dela. Começou a se
esfregar, molhando toda a minha perna. Acompanhei o movimento dela, ansiando
por um contato mais pleno.
- O que você quer, Pam? Fala... Adoro ouvir...
Ofegante, entre suspiros e gemidos, implorei:
- Me come, Allison... Quero você...
Rapidamente, ela me satisfez. Os dedos voltaram a me tocar, deslizaram para
dentro de mim outra vez. Ela grudou a boca no meu ouvido, repetindo:
- Assim, meu amor... Dá gostoso pra mim, Pam...
Eu já estava quase gozando novamente... Mas Allison interrompeu mais uma vez.
Ficou imóvel em cima de mim, ignorando meus protestos completamente:
- Ainda não. Temos a noite inteira...
Gemi alto. Mordi o pescoço dela com força. Allison gemeu, e depois riu,
dizendo:
- Calma... Paciência...
E foi tortura. Um delicioso e alucinante tormento. Com Allison entre as
minhas pernas, rebolando, me levando a picos cada vez mais altos de prazer.
Acelerando, me enlouquecendo, e parando, não me deixando gozar, depois
começando tudo novamente... Eu a apertava com força, a puxando mais e mais
para mim. As mãos arranhando as costas dela, se enfiando na nuca, nos
cabelos. Meus lábios roçando no ouvido de Allison, sussurrando palavras às
vezes doces, às vezes excitantes, e então suplicando para que me fizesse
gozar, quase em desespero...
O auto controle dela era inacreditável... Eu já não sabia onde estava... A
única coisa que importava era a maravilhosa sensação de a ter em meus braços,
pertencer à ela, poder me entregar totalmente... Os toques, o gosto, o cheiro
me fazendo perder toda e qualquer forma de controle, razão, barreira...
Eu me contorcia, tentando evitar que as palavras insensatas que surgiam
escapassem dos meus lábios... Impossível. No auge da paixão, falei:
- Allison... Quero gozar com você... Vem, amor, vem...
O gemido que ela deixou escapar, a forma como estremeceu... Deixou claro que
tinha se descontrolado, que estava como eu... Nossos movimentos se tornaram
totalmente passionais. Nos buscando, nos fundindo, entrando juntas numa
explosiva e ardente forma de esquecimento... Nada mais importava. Nada mesmo.
Apenas a energia surpreendente daquele orgasmo deliciosamente violento e
intenso, que nos tornava uma só naquele momento.
Allison se moveu em cima de mim preguiçosamente. Antes de capturar meus
lábios num beijo ardente. Virei para que ficássemos deitadas de lado, frente
a frente. Quando o beijo terminou, ela ficou me olhando de um jeito...
percustador... uma grande interrogação nos olhos castanhos...
Aquilo me assustou, mesmo sem que eu soubesse exatamente porque. A resposta
rapidamente veio:
- Pam?
Não me deixei enganar pelo tom inocente. Perguntei, deixando claro a minha
total impaciência:
- O quê?
Allison sorriu. Um sorriso doce, muito doce... Antes de dizer:
- Foi a primeira vez que você me chamou de amor... Eu adorei.
Sentei, ajeitando os cabelos. Tentando fingir indiferença. Minha voz não
conseguindo disfarçar a confusão em que estavam meus sentimentos:
- Eu... estou toda suada, vou dar um mergulho. Você vem?
Me afastei rapidamente. Cheguei na beira da piscina e a olhei
disfarçadamente. Allison me fitava, largada na espreguiçadeira, com os braços
cruzados atrás da cabeça, absolutamente satisfeita. Mergulhei na água gelada,
tentando esfriar as sensações que me dominavam... Inutilmente.
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