Debaixo dos Hábitos do Amor

Soninha

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2008

 

 

Capítulo 11:

Mas a mente humana é sempre rápida para embrenhar-se nas questões que beiram a racionalidade, não perde tempo, e a minha fez jus a essa verdade.... _E agora?!? Como seria depois de tudo o que vivemos ali?!? Eu ainda era freira, e não poderia sair de qualquer jeito. Tinha certeza que encontraria barreiras, quando pedisse dispensa da vida religiosa. E agora, como fazer?!? Não vou conseguir mais ficar longe dela, meu Deus...

Mayla pareceu ler meus pensamentos, e tranqüilamente disse:

_Sei que você deve estar se perguntando como as coisas ficarão daqui pra frente, não é?!?

_Você leu meu pensamento é?!? Isso não vale...

_Não precisei ler. Aprendi a te conhecer um pouco, o suficiente pra ver que tudo isso significou muito pra você, assim como pra mim também, mas existem as regras, as normas que regem a opção de vida que você fez. Você é correta demais meu Anjo, possui uma pureza que para muitos é ingenuidade, e você se entrega por completo quando gosta. Não tome decisões precipitadas, pense primeiro, deixe que as coisas se esclareçam em seu coração, afinal é sua primeira vez.

_Sabe Mayla, também pela primeira vez em minha vida, posso dizer que sei o que é ser feliz, o que é estar feliz. Não quero perder você, não quero ficar longe de você, mas serei obrigada a manter uma certa distância, por conta da vida que assumi, pelo menos até resolver tudo, embora tenho certeza, que não conseguirei me manter distante.

_Você não tem que decidir nada agora Angélica, calma mulher!!!! Dê tempo ao tempo, pense, analise as coisas, e depois se for isso o que deseja mesmo, então sim, tome a sua decisão.

_Sei que tem que ser assim, mas só em pensar que outra pode ocupar esse lugar que agora estou, meu coração fica apertado.

Sem que permitisse, algumas lágrimas rolaram por meu rosto. Delicadamente as secou, segurou meu rosto entre as mãos, e disse:

_Ninguém vai ocupar um lugar que já tem dona. Você é a dona, e nada pode mudar isso. Acredite.

_Você promete estar ao meu lado, até que eu possa resolver tudo o que preciso?!?

_Não preciso prometer, e você nem precisa pedir isso senhorita, estou perdidamente apaixonada por você, e estarei com você sim, em todos os momentos, ainda que eu não esteja presente no hospital. Meu pensamento é pra você, se não fosse assim, jamais me arriscaria desta forma.

_Fico feliz em saber que posso contar com você.

Nos beijamos novamente, selando aquele sentimento tão lindo, mas que ainda enfrentaria muitas tribulações para sobreviver.

_Bom, preciso devolver você, senão, as coisas ficarão complicadas, não acha?!?

_E como...

Sorrindo segurou-me pela mão, erguendo-me. Nos abraçamos.

_Certo Anjo, precisamos nos preparar para irmos embora. Vou te dar uma toalha, e você vai tomar banho, senão não me responsabilizo por mim... disse me olhando de cima a baixo.

_Não acredito que você vai me deixar tomar banho sozinha! Ah, por favor, venha comigo...

_Tem certeza que quer isso?!?

_Tenho sim, meu Cheirinho!!! E como tenho...

Claro que o banho foi regado a muitas carícias, e nos amarmos mais uma vez foi inevitável, mas meu coração já se sentia triste, pois além de voltar à rotina, ao final do dia veria Mayla ir para casa, enquanto teria que me contentar em vê-la partir...

Após o banho, vesti novamente o hábito religioso, mas nada tinha o mesmo significado de antes. Agora estava irremediavelmente debaixo dos hábitos do amor, movida por ele, e aquele hábito, já não possuía mais o valor de antes.

Já no carro, pedi que ela me levasse até o local onde fazia o curso. Um local bem arborizado, eucaliptos enormes, varias flores por todo o local, e o colégio em si, normal como conhecemos.

Tudo estava em seu devido lugar, na mais perfeita ordem, mas nada era mais importante que nosso olhar, e as promessas que nele estavam impressas...

_Anjo, estou muito feliz, você nem pode imaginar o quanto. Vou ficar contando os minutos, segundos, para te ver, pois já estou com saudades.

_Eu também, Cheirinho!!!! Eu também...

O beijo aconteceu, mas apenas em nossa vontade e em nosso olhar, não só o beijo, mas as carícias que queriam vir à tona...

_Anjo, sempre que vinha pra casa, colocava esta música no cd, e ficava sonhando com você aqui, do meu lado, ao alcance de minhas mãos, de meus olhos, e hoje, quero ouvi-la com você, pode ser?!?

_É tão bom saber que pensavas em mim, assim como passei a pensar em você, desde o primeiro instante em que te vi. Pelo visto, essa será a nossa música, não é?!? Então coloca para ouvirmos....

Sorriu, e fez um gesto afirmativo, e colocou o cd pra tocar.

A voz de Marisa Monte invadiu o carro, fechei os olhos e fiquei emocionada. Para mim, aquela música se tornaria a mais linda e importante, não só naquele instante, mas sempre.

 

Deixa eu dizer que te amo,

Deixa eu pensar em você (deixa eu gostar de você)

Isso me acalma, me acolhe a alma

Isso me ajuda viver.

 

Hoje contei pras paredes

Coisas do meu coração,

Passiei no tempo, caminhei nas horas

Mas do que passo a paixão,

É um espelho sem razão

Quer amor, fique aqui.

 

Meu peito agora dispara,

Vivo em constante alegria,

É o amor, que está aqui.

 

Amor, I love you!

Amor, I love you!

Amor, I love you!

Amor, I love you!

 

Não havia palavras para descrever a infinidade dos meus sentimentos naquele momento.

Nos despedimos, mas com a promessa de nos vermos mais tarde.

 

Capítulo 12:

Assim foi durante 1 ano... nos encontrávamos de vez em quando no apartamento dela, ou sempre que a saudade apertava, na minha sala, no próprio laboratório. Não conseguíamos ficar muito tempo longe uma da outra.

Certa vez, estávamos em minha sala. Mayla sentada apoiando os cotovelos sobre a mesa, e eu em uma outra cadeira, na mesma posição. Apenas nos olhávamos, descobrindo cada detalhe.

_Mayla, quanto mais olho pra ti, mais vontade tenho de olhar! Disse isso, enquanto percorria com a ponta do meu dedo, toda a extensão daquele rosto amado. Mantinha os olhos fechados, apenas sentindo o carinho. Contornei os lábios, desci até seu queixo, e o segurei. Em um movimento delicado, puxei seu rosto e com meus lábios toquei os dela, apenas sentindo a maciez, a textura, passeando minha língua em cada pedacinho dos seus lábios. Não precisei forçar para sentir seu gosto. Abriu os lábios e buscou minha língua.

Era assim sempre, bastava estarmos próximas e o desejo de acariciar, de amar, estar perto, sentir, abraçar, tomava rumos próprios.

Foi um tempo precioso, profundo, forte, que marcou minha vida, creio que para toda a eternidade.

Conhecer Mayla foi o melhor que pude experimentar na minha existência. Com ela conheci o paraíso. Pela primeira vez, entreguei meu coração sem reservas, deixando as armaduras completamente jogadas ao chão. Sem armas, pudores, maldade, apenas me entreguei ao sentimento mais lindo e profundo que pude experimentar um dia.

Desacreditava em amor à primeira vista. Pensava ser besteira, sentimentalismo barato quando alguém dizia-se apaixonado à primeira vista. Isso para mim era coisa de contos de fada, até o momento em que aconteceu comigo, e pude mudar meus preconceitos.

Um único olhar bastou para meu coração a amar de um jeito tão intenso, profundo, verdadeiro. Quando tive consciência de que era amor o que realmente sentia, não lutei, nem questionei mais, apenas deixei meu coração seguir a direção que tanto desejava.

Mayla se tornou tão essencial para mim, que aprendi a reconhecer seus passos em meio aos muitos passos que adentravam o hospital. O perfume que lhe era peculiar, meu olfato o distinguia em qualquer lugar. O alarme de seu carro era o que mais fazia meu peito doer, pois sabia que estava indo pra casa e sem mim. Embora ela não soubesse, havia se tornado para mim um livro aberto, nada passava despercebido ao meu olhar.

Tinha certeza que era eterno... pelo menos, era o que eu pensava e desejava.

 

Capítulo 13:

1 ano e meio depois...

Naquela manhã ela não apareceu no trabalho. Fiquei preocupada, pois isso era algo raro de acontecer. Mas tudo se esclareceu rapidamente.

_Irmã Angélica, Mayla pediu se a senhora pode descer na secretaria um minuto.

_Claro Aline, diz que já estou indo.

Meu coração ficou pequeno, apertado. Tentei controlar minha ansiedade, e desci.

_Oi Angélica!

_Bom dia, Mayla. O que houve pra você estar de muleta?!? Perguntei preocupada.

_Estava fazendo caminhada, pisei em falso, e tive uma entorse que vai me deixar uns dias de molho.

Puxa vida, como foi difícil vê-la precisando de cuidados, e eles não seriam ministrados por mim.

_Você vai ficar no seu apartamento mesmo?!? Quem vai te ajudar Mayla?!?

_Vou ficar um tempo no meu apartamento. Minha irmã ficou de me ajudar. Fica tranqüila. Só vim pra te dizer o que aconteceu, pois sei que iria se preocupar.

_Obrigada por pensar em mim.

_Agora tenho que ir Angélica, pois meu sobrinho já deve estar chegando, e vai me levar pra casa.

_Tudo bem. Mas se cuida direitinho ta bom?!?

_Pode deixar, me cuidarei sim.

Dei um abraço apertado, e sussurrei em seu ouvido: _Vou sentir saudades... _Eu também. Respondeu.

Ela saiu e voltei para minha sala. Meu coração estava doendo, e o resto que se danasse, eu iria ficar com ela, até que o sobrinho dela aparecesse. Desci as escadas, e fui ao local onde ela deveria estar, mas já não estava mais.

Perguntei por ela ao recepcionista.

_Oi Fernando, bom dia. Você viu a Mayla por aqui?!? Sabe onde ela está?!?

_Bom dia Irmã. Eu a vi sim, mas ela acabou de sair.

_Que bom, então o sobrinho dela não demorou como ela pensava.

_Sobrinho?!?... Não, não foi o sobrinho dela não, foi uma mulher que a buscou.

Fernando fez a discrição da mulher que a havia buscado. Não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Silvia?!? mas como?!?

A única pergunta que não quis calar, por mais que tentasse: _ Porque ela mentiu, dizendo ser o sobrinho que a buscaria?!? Porque escondeu isso de mim?!? Tudo bem, eu iria ficar com ciúmes, como de fato estou, mas seria menos doloroso, do que saber a verdade por outra pessoa.

_Certo Fernando. Que bom, assim ela não ficou esperando tanto tempo. Obrigada pela informação.

Ele sorriu como se tivesse realizado o melhor de suas habilidades naquela recepção. Não o culpei por nada, nem por ser tão curioso, mas graças a isso, pelo menos, percebi que algo já não estava mais como antes, afinal nunca mentira para mim.

À noite liguei, disse que tinha ido até a portaria onde ela estaria, mas quando cheguei já não estava mais, e confirmou que o sobrinho havia se adiantado, por isso não a encontrei.

Tristeza, decepção, não sei dizer ao certo. Não entendia porque estava mentindo para mim daquela forma. Preferi não dizer que já sabia quem de fato a havia buscado, em outro momento, outro dia, quem sabe, teríamos a chance de esclarecer as coisas.

Em decorrência do repouso absoluto que precisou fazer, Mayla acabou desenvolvendo uma trombose. O tratamento prescrito pelo médico era à base de uma injeção intradérmica, e os cuidados deveriam ser redobrados, pois com o uso de anticoagulante ela estaria mais exposta...

Neste período estava fazendo aulas de música em alguns dias da semana. Aproveitando essa possibilidade, decidi falar com Mayla e quem sabe, lhe faria uma visita.

Ansiava pelo termino da aula naquele dia, pois queria ligar logo e resolver. Era uma boa oportunidade.

O telefone tocou algumas vezes, até que atendeu formalmente, e quando disse que iria até sua casa para vê-la, se recusou veementemente e pediu que não fizesse isso.

À noite liguei novamente, e perguntei quem estava aplicando as injeções, e a resposta é essa mesma que creio eu, você está pensando agora: _ A Silvia se ofereceu para aplicar, e aceitei.

_Ah ta, que bom que ela tem cuidado de você. Disse isso, mas meu coração estava demasiadamente triste.

Apesar de tudo estar aparentemente evidente para você que lê esta história, para mim não estava tão claro, porque eu não me permitia enxergar dessa forma. Sempre encontrava um meio para desculpar as atitudes dela, o distanciamento, enfim, sentia que algo estava errado, mas não tinha coragem de admitir, já que a dor que se instalara em meu peito era extrema.

Não conseguia entender todas as nuances do amor, pois era a primeira vez que ele havia transposto todos os liames da minha vida. Chegou sem pedir licença, não mandou um aviso, apenas invadiu, tomou posse, e comandou tudo.

Não quis saber se havia minhas limitações como ser humano, ou mesmo se existia regras que precisavam ser obedecidas. Ignorou os meus conflitos existenciais... como uma avalanche, se apossou de todos os meus sentidos.

Também não deixou um aviso, onde pudesse pelo menos tentar preservar meu coração, caso algum dia, sofresse a perda de tudo o que havia germinado, florescido em minha vida. Esse amor que tornou possível o conhecimento da felicidade real, palpável...

Não me ensinou o quanto seria terrível uma perda, diante de um sentimento tão avassalador. E quando menos esperei, do paraíso desci ao inferno. Conheci os dois lados da moeda.

Creio que essa experiência fez com que pudesse conhecer meus limites, até onde poderia suportar, quer amando ou perdendo.

Só agimos quando estamos no auge, seja em qualquer plano. Assim foi comigo.

 

Capítulo 14:

Mayla retornou ao trabalho, mas passou a fugir dos momentos em que poderíamos estar a sós. Sempre encontrava um jeito de estar acompanhada por alguém. Se afastou, sem dizer nada, sem se importar se aquela atitude estaria doendo em mim, ou não.

Não foi fácil romper as barreiras que me prendiam ao mundo religioso ao qual fui criada e educada, e no qual estava inserida de forma tão atuante. Vivi um dilema com a questão da moralidade religiosa, que pune veementemente o relacionamento homossexual. Quantas vezes me senti perdida. Amava uma mulher, mas tudo o que aprendi ao longo da vida, era que um amor assim ia contra os ensinamentos de Deus.

Havia comunicado à Mayla, minha decisão de desligamento da vida religiosa, e me disse que pensasse bem, para que depois não me arrependesse.

_Mayla, vou sair do convento. Isso já está claro pra mim.

_Você é quem sabe, Angélica, afinal a vida é sua. Se é o que quer então, vá em frente.

_Olha, não quero que pense que estou tomando essa decisão e que se depois vier o arrependimento, como você disse, que não virá, fica tranqüila, em momento algum responsabilizarei você por essa decisão, se é isso que lhe incomoda.

_Tudo bem, só você pode saber o que lhe fará bem.

Mais uma decepção. Esperava que pelo menos oferecesse o mínimo apoio, mas esquivou-se mais uma vez.

Aquele dia, porém, decidi romper todos os limites que ainda me envolviam. Decidi tomar as iniciativas e dizer o quanto a amava, que se quisesse viveríamos juntas, enfrentaria minha família, enfim, me expor a ela de todas as formas. Estava com uma saudade tão grande!!! Então a procurei em sua sala, na expectativa de fazer uma surpresa. Estava sozinha, sentada na cadeira, escrevendo algo. Pedi licença e entrei.

Aproximei-me e dei um selinho discreto, embora minha vontade e fome, era de um beijo intenso, profundo...

_Vim só para te ver, e saber como está.

_Estou bem, um pouco cansada Angélica, mas bem.

Dei a volta em sua mesa, depois de fechar a porta, e passei a massagear os ombros dela. No mesmo instante que tive a impressão de relaxamento, disse bruscamente e indelicadamente:

_Pare, Angélica, você está me machucando.

Se levantou, e foi em direção ao banheiro, que ficava dentro da sala. Engolindo a vontade de chorar, e mesmo com o coração ferido, fiz uma nova tentativa. Fui ao encontro dela mais uma vez.

_Desculpa Mayla, não quis te machucar, não foi esta minha intenção... –acariciei o rosto, segurei-o entre minhas mãos, e busquei os lábios dela, e para minha surpresa e tristeza extrema, desviou o rosto, dizendo:

_Cuidado Angélica, alguém pode entrar aqui. As moças da faxina devem chegar a qualquer momento. Saiu do meu contato, voltando a sentar na cadeira.

Fiquei pasma dentro do banheiro. Segurando firme a borda da pia, para conter as lágrimas que queriam irromper em meus olhos, respirei fundo e fui me sentar novamente, frente a ela.

_Mayla, sei que não tenho direito de cobrar nada de você, nem quero fazer isso. Mas estou percebendo que, de algum tempo pra cá, você mudou muito comigo. Juro que tentei encontrar mil justificativas para tal atitude, mas não consigo mais explicar. Hoje por exemplo, recusou meus beijos e carinhos, foge de mim, e eu não sei o que estou fazendo de errado.

_Você não fez nada de errado Angélica. Só estou cheia de problemas, só isso.

_Aprendi a conhecer você Mayla, mais do que você imagina. E sei que essa explicação não tem fundamento algum. Mas eu queria que você fosse sincera comigo, como acho que sempre fui com você. Só preciso saber o que está realmente acontecendo pra você me tratar da forma como vem tratando ultimamente. Não queira mentir pra mim, pois não vai funcionar, você bem sabe, só me fará sofrer muito mais. Não sei como te explicar, mas posso sentir o que você sente. Sei bem quando você está bem e mais ainda quando não está.

Mayla abaixou os olhos, como se tentasse fugir desse momento, e ainda arriscou... _Em que você acha que mudei Angélica?!?

Não acreditei no que estava dizendo, mas ainda assim, decidi colocar as cartas na mesa.

_Bom, você mentiu pra mim, no dia em que esteve aqui para me dizer que estaria de licença. Disse que seu sobrinho é quem viria te buscar, e na verdade não foi ele. Quando te liguei, para saber se estava tudo bem, você reafirmou que havia sido ele quem tinha lhe buscado. Só não quis dizer nada, em respeito à sua situação. Pensa que não vejo como sempre foge de estar comigo, procura ir à minha sala acompanhada por alguém, recusa meus beijos, meus carinhos, mal fala comigo, e na maioria das vezes em que fala, é de forma distante, quando não, agressiva. Acha que precisa mais alguma coisa, pra ter certeza de que algo não está bem?!?

_Não falei que foi a Silvia quem me buscou porque sabia que você não ia gostar... mas...

_Mayla, por favor, não sou criança. Posso até ter cara, a inocência e ingenuidade de uma criança, mas não sou. Já vivi um pouco nesta vida, e sobrevivi. Hoje quero apenas a verdade e nada mais. Acho que mereço isso. Se algo do que vivemos foi importante pra você, por favor, seja sincera comigo, não me torture mais, por favor!

Ela não me olhou... _Está bem. Olha, eu não te amo mais como você imagina. Quero seguir outro caminho...

 

Continua...

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Parte 4

 

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