Debaixo dos Hábitos do Amor
Soninha
2008
Capítulo 6
O dia amanheceu sereno. Fiz minha rotina passo a passo, mecanicamente confesso, pois meu pensamento estava em Mayla.
Estava no setor de trabalho, estrategicamente sentada na recepção, quando a vi entrando. Meu coração passou a bater descompassado. Ao me ver, sorriu. Foi ao meu encontro, me abraçou, e disse: _Você tinha razão Angélica, Silvia voltou pra casa mais calma, conversamos e acertamos os ponteiros.
_Que bom Mayla, fico feliz que tudo tenha corrido bem.
_Ela até me ajudou a organizar minhas coisas...
_Então vai se mudar hoje?
_Não, mudei ontem mesmo, só faltam algumas coisas que ainda preciso pegar, mas já estou no meu apartamento.
Sorri ao ver o brilho nos olhos dela.
_Te convido então para um cafezinho, para comemorarmos o bom andamento de tudo. Que tal?!?
_Combinado. Vou adiantar as coisas ali no setor, e depois volto e a gente comemora.
Já estava saindo quando olhou novamente em minha direção, e sorrindo disse: _Ah, a propósito “Bom dia” né?!? Fiquei eufórica pra te contar tudo que me esqueci...
Abri um largo sorriso em resposta... _Ótimo dia para nós, com certeza!
_Até mais Angélica.
_Até.
Assim nossos dias foram seguindo um ritmo aparentemente normal. Nosso contato aumentou consideravelmente, e sempre que era possível, nos encontrávamos para uma conversa, um café...
Minhas noites, passaram a ser sempre povoadas de sonhos, ora calmos, serenos, ora tumultuados, porém, pude perceber que, o primeiro pensamento ao abrir os olhos era direcionado à Mayla...
Quando amamos alguém intensamente, somos capazes de sentir e perceber a mínima reação emitida, ainda que a pessoa não esteja ao alcance dos nossos olhos. Pelo menos isso aconteceu comigo e Mayla.
**********
Sexta Feira da Paixão. Ano 2001.
Acordei com uma sensação estranha, um abafamento interior, o coração apreensivo, e como não foi diferente, pensei em Mayla. Durante a manhã, esses pensamentos se intensificaram de tal forma, que me senti sufocar. Uma sensação estranha... – Mayla! O que será que está acontecendo com ela?!? Não há outra explicação, hoje ela não está bem.
Naquele dia, não nos era permitido ligar para a família, nem para ninguém, fazia parte de um sacrifício que abraçávamos como oferta de amor a Deus... (nem escrever, nem telefonar, qualquer contato, só no domingo...)... consegui me segurar até 13:00 deste dia, mas depois não pude mais. Precisava saber como Mayla estava, se estava acontecendo alguma coisa, afinal meu coração estava extremamente inquieto.
Fui até minha sala no laboratório, e liguei.
_Alô!
_Oi, Mayla! É Irmã Angélica.
_Olá Angélica, aconteceu alguma coisa?!?
_Eu é quem pergunto Mayla, passei esta noite, entre sonhos e pesadelos, embora não consiga recordar o enredo, sei que você apareceu em muitos, e desde o instante em que acordei, você não sai da minha mente, é como seu eu sentisse a angustia do seu coração. Posso estar errada, mas preciso ouvir de você. _Então me diz, por favor, o que está se passando contigo?!?
Houve um silêncio do outro lado, e fiquei mais angustiada ainda quando percebi que ela estava chorando.
_Mayla, por favor, o que está acontecendo linda?!? Me diz...
_Realmente não estou bem Angélica. Sílvia ontem esteve aqui em casa, pediu para conversar, havia bebido além da conta, mas só fui ver depois que entrou no apartamento. Disse que fingiu aceitar nossa separação, mas no fundo isso não havia acontecido, e queria voltar. Foi doloroso, depois de tantos anos, vê-la ali chorando, mas ao mesmo tempo não consegui sentir por parte dela, um gesto de compreensão, carinho, sei lá, tive que fazer um esforço grande demais pra não ceder mais uma vez. Por conta do efeito da bebida, tentou me agarrar, ficou dizendo que não ia conseguir viver sem mim, que tudo havia chegado ao fim pra ela, a seguir ficou perguntando quem era a outra, que com certeza havia outro rabo de saia na minha vida, mas que eu estava enganada, porque a vagabunda com quem ando ficando não vai satisfazer meus desejos, como só ela sabe fazer. Fiquei magoada com a atitude, mas por tudo o que vivemos, me sinto idiota de ainda me preocupar com ela. Pedi que fosse embora, e que quando estivesse sóbria, se quisesse poderíamos conversar, mas naquele estado, não era possível, e por medo de que acontecesse algo, a levei em casa. Relutou bastante em entrar, mas acabou percebendo que realmente não havia conseguido me dobrar, como sempre fazia. Não consegui dormir, e estou com o coração estraçalhado, mas tenho consciência que não dá mais, não posso continuar assim...
_Eu tinha certeza que você não estava bem, não sei explicar como, mas eu senti.
Conversamos mais um pouco, até que senti que ela estava mais calma, mais serena.
_Mayla, queria ficar mais tempo aqui contigo, mas preciso ir linda. Tenho que ajudar as irmãs na celebração de hoje, se der, mais tarde, volto a ligar, está bem?!?
_Está bem Angélica, mas antes que vá, preciso te pedir um favor.
_Pois então peça, se eu puder, farei com prazer.
_Gostaria de conversar com você Angélica, em particular, e fora do hospital, pois aí, somos constantemente vigiadas. Seria possível?!?
_Vou ver o que posso fazer Mayla, vou pensar em uma forma, e mais tarde te digo, ok.
_Certo Angélica. Vou aguardar ansiosa, sua resposta. E obrigada por ter ligado, por ter se preocupado comigo.
_Não tens que agradecer nada Mayla... já disse que gosto muito de você, e me preocupo contigo.
_Sei que você gosta de mim Angélica, e se preocupa comigo, assim como tantas outras irmãs, mas só você ligou. Essa é a diferença.
_Ok, você venceu, aceito sua gratidão.
_Assim está melhor.
_Certo, senhorita, então até mais tarde, e se cuida, ok.
_Pode deixar, me cuidarei.
_Beijo. bye bye.
_Outro. tchau.
Senti um alivio no coração, e aquela opressão se esvaiu. Consegui participar da celebração do dia, e após esse momento, tivemos um tempo livre.
Lembrei-me do pedido de Mayla. Como fazer para que conversássemos fora do hospital?!? Onde nos encontraríamos?!?
Ao mesmo tempo em que estava feliz com o convite, ficava insegura, não podia permitir que ela descobrisse sobre tudo o que estava acontecendo comigo, em relação a ela.
Será que ela poderia tentar alguma coisa?!? E se tentasse, como iria reagir?!? Ah, sim, diria que sinto muito, mas não compartilho da mesma opção que a sua, é isso, diria a verdade e a colocaria no lugar dela.
************
Capítulo 7:
Como fui designada para gerenciar o laboratório do hospital, e por ter caído de pára-quedas naquele setor, sem saber absolutamente nada sobre a rotina, solicitei um curso intensivo, para que pudesse executar melhor o meu trabalho. E esse curso era pela manhã, e fora do hospital. Como sempre fui aplicada, não faltava, e minhas notas eram boas, decidi faltar um dia do curso, e para todos os efeitos estaria no curso, mas combinaria com Mayla, e a gente se encontraria, pronto! Estava decidido. Essa era a melhor opção.
Por volta das 20:00, decidi ir até meu setor de trabalho, dar uma olhada e checar se estavam precisando de algo, já que havia ficado um bom tempo sem aparecer por lá. Aproveitaria para ligar para Mayla..
De repente o telefone toca. Imaginei que pudesse ser alguém querendo informações sobre algum paciente. Pensei em não atender, mas uma força maior me impeliu e não consegui resistir. Atendi.
_Alô!
_Irmã Angélica?!?
_Mas que surpresa boa Mayla! Vim até o laboratório, e já estava me preparando para te ligar quando o telefone tocou.
_Pois é Angélica, estava aqui pensando em você, em tudo o que conversamos. Confesso que fiquei com saudade, e resolvi arriscar.
_Puxa vida, parece que hoje, entramos numa sintonia fora do comum, você não acha?!?
_É, pensei isso realmente, e é bom, não é?!? Pelo menos para mim tem sido muito bom.
_Com certeza. Mas não me diga que ligou só pra matar saudade? Fico contente em saber disso, mas tem algo mais aí, não é?!?
_Tenho que confessar. Depois que conversamos, quase fui à capela do hospital participar da celebração, só para te ver, e agradecer pessoalmente o que tem feito por mim.
_E porque não veio Mayla?!? Eu teria ficado muito feliz, sabia?!?
_Eu sei que sim, e não seria diferente pra mim, mas acabei desistindo. Então, estava aqui pensando, se você irá aceitar conversar comigo, como lhe pedi, e decidi ligar, quem sabe eu teria sorte de falar com você.
_E se não fosse eu a atender o telefone, heim?!? O que faria?!?
Ela sorriu do outro lado e disse: _Se não fosse você a atender, eu simplesmente desligaria, ou então pediria informação de algum paciente dos setores...
_De qualquer forma iria se sair bem né senhorita?!?
_É, não posso mentir. E então?!? Conseguiu pensar no meu pedido?!?
_Humm, sei, isso significa que ligou só pra saber minha resposta, não é?!? Certo, senhorita curiosa, esse seu lado, eu ainda não conhecia sabia?!?
_Pois é, mas isso não é sempre não.
_Ta bom, vou acreditar...
_E então, Angélica?!? Diz, estou ansiosa...
_Sim, Mayla, pensei. Vamos conversar sim. Só que precisa ser no período da manhã, quando estou no curso. Daria pra você?!?
_De manhã ta ótimo. Na segunda, aviso Irmã Aurora que preciso me ausentar um dia na semana, pela manhã, já que tenho algumas horas extras na casa.
_Então, combinado. Olha, na terça, seria melhor pra mim, está bem.
_Perfeito Angélica. Está combinado então. Na segunda feira, acertamos o local onde nos encontraremos.
_Certo Mayla, mas preciso te pedir: tudo isso tem que ser feito com muito cuidado e sigilo, se a superiora souber disso, pode complicar pra nós duas, entende?!?
_Eu compreendo Angélica, mas fica tranqüila, vai dar tudo certo. Prometo não te expor a nenhum perigo.
_Não falo só por mim Mayla, mas sei que as conseqüências seriam piores pra você, e isso me deixa apreensiva.
_Mas não fique. Vai dar tudo certo. Confie em mim.
_Certo, eu confio.
Nos despedimos. Depois de desligar o telefone, ainda olhando para ele em minhas mãos, acabei sorrindo daquela loucura toda. _Meu Deus, se a superiora sonha algo assim, serei expulsa do convento, com certeza!
Mas não conseguia conter a alegria do meu coração. Era um risco, e valeria a pena, afinal, iria ajudar alguém que me era cara... isso era justo, não era?!?
Na segunda feira, combinamos o dia do encontro. Nunca infringira uma regra sequer, e estava prestes a sair daquela rotina tão séria para a qual fui formada. Pela primeira vez, estava indo contra todos os conceitos de obediência que determinavam a índole de uma religiosa. Embora não soubesse explicar, era tudo o que mais queria, com ou sem obediência, estar com Mayla.
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Capítulo 8:
Mais uma semana havia se iniciado, e aparentemente normal para todos, mas não para mim. Sentia as pulsações do meu coração. Sorria imaginando que o bumbo de uma escola de samba, naquele momento, perderia feio para esse coração desassossegado.
Dia do Primeiro Encontro...
Antes que o sino tocasse, acordei. Difícil dizer o horário certo em que o sono venceu meus pensamentos...
Nada estava bem, afinal a ansiedade que sentia não contribuía para a minha normalidade existencial, que até então, permeava minha vida.
Depois de cumprir devidamente, todos os compromissos religiosos (Oração da manhã, meditação, adoração), fui para o refeitório às pressas, tomei café, embora não sentisse a mínima vontade para tal. Corri para o banheiro, tomei um banho, enquanto pensava:
_Angélica, que isso menina! Você vai apenas conversar com Mayla.... Eu sei, eu sei... mas quero estar bem oras, é só isso... Mas então me explica o porque de toda essa preparação minuciosa, se nada vai acontecer?!?.... mas é claro que nada vai acontecer, porque se ela tentar algo contra mim, direi umas verdades pra ela, e pronto... é isso... será assim...
Depois de tanto refletir e retrucar com meus próprios pensamentos, ponderar, decidir sobre como iria agir, continuei com a preparação detalhada que havia iniciado. Banho, perfume, hábito impecável, as peças intimas então, bem como a combinação, meticulosamente escolhidas. Depois alcancei a mochila do curso, e saí.
Para melhorar ainda mais meu nervosismo, o Bispo que atuava como capelão do hospital, estava indo para o centro da cidade, e ao me ver no ponto, ofereceu carona, que claro, educadamente, tive que aceitar.
_Vixi, agora sim, a vaca vai pro brejo... já pensou se ele inventa de me levar até o local onde estudo?!? To perdida!!!! Como vou fazer pra avisar Mayla, se isso acontecer?!? Ai meus céus!!!!!... o trajeto era percorrido, enquanto todos estes questionamentos borbulhavam em minha mente. Fervorosamente implorava ao meu “anjinho da guarda” que não permitisse....
Voltei à realidade, quando ouvi a voz do Bispo... _Irmã Angélica, onde a senhora gostaria de ficar?!?
Ufa!!!! Pelo menos isso!!!!
Deixou-me no lugar que pedi, para alivio do meu coração. “Brigadim meu anjinho!!!!”.
Apressadamente me dirigi ao local onde havia combinado com Mayla, e não passou nem dois minutos, ela estacionou o carro ao meu lado.
_Bom dia, Mayla!!!
_Bom dia, Angélica!
Abriu a porta para mim, entrei, nos cumprimentamos com um beijo no rosto, coloquei o cinto de segurança, já embriagada pelo perfume que ela estava usando, que loucura!
_Tudo bem contigo Angélica?!?
_Sim, está tudo bem.
_Então vamos indo?!?
_Vamos sim. Onde você prefere que a gente vá Mayla?!?
_Olha, pensei em te levar ao meu apartamento, assim você o conhece, e pode dar uma opinião sobre algumas idéias que tive, o que me diz?!? E lá poderemos conversar sem receio algum.
_Acho boa idéia, e assim, não ficamos expostas não é mesmo?!?
_Com certeza.
Mayla sorriu, e se concentrou no trânsito. Ao contrário da calma que ela demonstrava, eu estava extremamente tensa. Aquele perfume impregnando meus sentidos, o contato dos lábios dela em meu rosto ainda queimando, a presença tão próxima, conseguia tirar todo meu controle, mas, com alguns anos de treinamento intenso para domar minhas emoções, consegui contê-las... bom, pelo menos naquele momento acreditava que sim.
Parou em uma padaria, comprou pão-de-queijo, suco, pães, para que pudéssemos tomar um cafezinho...
Chegando ao prédio onde morava, tudo parecia calmo. Só meu pobre coração é que estava a mil por hora. Abriu o portão da garagem, entrou. Gentilmente abriu a porta do carro para que eu pudesse sair, e me conduziu ao elevador. Chegamos ao seu apartamento que estava localizado no 5º andar...
Pude ver a felicidade estampada no rosto dela, enquanto apresentava aquele imóvel adquirido com esforço e muita luta.
Como estava ainda montando, faltavam alguns moveis, como por exemplo, mesa e cadeiras. Falou das idéias que tinha, e quis saber minha opinião. Conversamos um tempo sobre isso.
_Então, Angélica?!? Gostou do meu cantinho?!?
_Amei, e vai ficar ainda mais lindo, depois que você concretizar suas idéias.
_Espero que sim. Bom, agora que você já conheceu o meu refúgio, que tal fazermos um lanchinho?!?
_É uma boa idéia. Enquanto a gente vai lanchando, aproveitamos para conversar, ok.
_Certo.
Antes de ir preparar o lanche, Mayla estendeu um colchonete no espaço que estava vazio, e possuía claridade suficiente, pediu que a aguardasse.
Sentei, e fiquei olhando o céu azul, com algumas nuvens. Um dia, verdadeiramente lindo.
De repente, chega com uma bandeja improvisada, coloca no chão, e nos servimos ali mesmo.
Terminado o lanche, levamos as coisas para a cozinha, e retornamos, a fim de conversarmos, já que esse era o principal motivo pelo qual estávamos ali, e que estava me deixando hiper curiosa.
Sentamos lado a lado. E mais uma vez, aquele perfume entrando por minhas narinas, a proximidade, enfim, meu coração voltou novamente a bater descompassado.
Respirei, tentando controlar a emoção que sentia, olhei-a e perguntei:
_Diz Mayla, o que você quer falar comigo?!?
Capítulo 9:
Ela apenas olhou em meus olhos, de forma tão profunda, que fiquei hipnotizada. Aquele olhar que tanto me encantava, que desejei ter fitando meu olhar, estava ali agora. E foi esta a minha queda.
Ouvi Mayla apenas dizer: _Você tem certeza que ainda não sabe, Angélica?!?
Aquele perfume, aqueles olhos me dominaram os sentidos. Só conseguia sentir o calor da aproximação, a respiração que me deixou paralisada, vidrada naqueles lábios, não consegui fazer nenhum movimento. Quando retomei a consciência, estávamos mergulhadas num beijo apaixonado. Paramos para respirar, e nossos olhares se encontraram, e vi expressos nos olhos de Mayla todo desejo que a abrasava. Não resisti mais, não lutei, apenas me entreguei.
Onde foi parar a convicção de dizer poucas e boas, caso tentasse alguma coisa comigo?!? Bom, até hoje estou tentando encontrá-la, ou seja, foi pro espaço.
Seus lábios tomaram posse dos meus, enquanto sua mão acariciava minhas costas por cima do habito que usava. Segurei-a pela nuca, entrelaçando meus dedos em seu cabelo puxando-a de encontro a mim, como se pudéssemos nos fundir através daquele beijo, e a ouvi gemer baixinho.
Ficou de pé, segurou minhas mãos e me ergueu. Frente a frente. Olhos nos olhos. Fez carinho em meu rosto. A necessidade de nos sentirmos se tornou mais viva.
Percorreu a extensão do meu véu, até tocar o laço que o prendia. _Posso?!?
Minha voz abandonou-me, apenas a olhei intensamente, louca com o desejo de beijá-la novamente, e em um gesto afirmativo a senti desfazer o laço. Aos poucos tirou meu véu, ao mesmo tempo em que acariciou meus cabelos, beijou-me delicadamente os lábios.
Senti as mãos percorrerem a extensão lateral do meu corpo, e erguer aos poucos o hábito que trajava... suspirei ao sentir a suavidade daquelas mãos ao tocar meu bumbum... não segurei o gemido que veio rouco, sussurrado. Pressionei sua boca contra a minha, entrelacei meus dedos em seus cabelos, fazendo movimentos em sua nuca, o que a fez gemer.
Virou-me de costas, para então localizar o meio que lhe permitiria a retirada daquele hábito. Desabotoou o colchete, fazendo carinhos em minhas costas, beijando-me a nuca, arrepiando-me por inteira. Minha boca precisava daqueles lábios nos meus. Virei de frente para ela, intensifiquei o beijo. Beijou-me demoradamente.
Paramos o beijo pela busca do ar, nos olhamos intensamente. Acariciou meu rosto, e foi atrevidamente descendo, tocando meus seios por cima da roupa, apertou minha cintura, e quando menos esperava, foi se abaixando até tocar a barra do meu hábito. A vi segurá-lo, não desgrudávamos os olhos uma da outra. Foi erguendo meu hábito, até ficar novamente de pé, frente a frente, aguardando o sinal de que para mim estaria tudo bem.
Ergui meus braços, a fim de facilitar a retirada, em seguida lá se foi a combinação... deixou-me apenas com minhas peças íntimas. Olhou-me, e disse:
_Você é linda, sabia?!? Agora me explica porque você está de meia-calça?!? Se me recordo, você disse que não gostava de usá-las, apenas as meias ¾?!?
Meu rosto ficou ruborizado, mas manteve aquele olhar de admiração sobre mim, e isso me incentivou a dizer a verdade...
_Pensei que ela pudesse me proteger...
_Proteger?!? Como assim?!? Ou melhor, de quem?!?.... ah, não... não acredito...
_Mas pode acreditar... pensei que pudesse me proteger de você...
Mayla sorriu, e me apertou em seus braços... _Então, a senhorita já sentia algo por mim também é?!? E agora, ainda quer se proteger de mim?!?
Olhando aquele rosto que sempre desejei tocar, fixei em sua boca, e sorrindo lhe disse:
_Ainda que eu quisesse, não conseguiria me proteger de você, confesso que estou enfeitiçada, desde o primeiro instante que meus olhos te viram Mayla, e você ainda nem pensava que eu pudesse existir. Travei uma batalha comigo mesma, na tentativa de fugir do que sentia. Não conseguia pensar e admitir o que estava acontecendo comigo, e tudo é mais complicado, porque sou freira, e tenho muitas regras a seguir, tem esse lance de “dar testemunho” de vida... mas a verdade é que, te amei no instante em que te vi de pé, aguardando a entrevista no Departamento de Pessoal.
_Puxa, Angélica, porque não me disse isso antes?!?
_Não podia Mayla, você estava comprometida, lembra?!? E o que eu poderia oferecer a você, se estou no convento?!?
_E porque você aceitou conversar comigo?!?
_Porque queria estar perto de você, saber um pouco mais da sua vida, como você vive, fora dos muros do hospital, sei lá, queria só estar perto, saber como seria se todas as tardes quando lhe vejo ir pra casa eu pudesse te acompanhar, sentir você só minha, mas no fundo queria que tudo acontecesse assim, como está acontecendo agora.
Olhou-me com aquele olhar de desejo expresso, e disse: _Então, vamos resolver esse problema...
Enlaçou-me pela cintura, puxou meu corpo pra junto do seu, e sussurrou enquanto seus lábios se fundiam aos meus... _Também me apaixonei por você Angélica, desde o primeiro instante que te vi, tive medo de que você me rejeitasse, ia ser difícil conviver com você, sem poder te tocar, te beijar, já estava enlouquecendo, sabia?!?
O beijo ficou mais ardente, e agora, já sentia o calor do corpo dela junto ao meu, pele com pele, e acanhadamente minhas mãos percorriam seu corpo. O desejo se fez tão avassalador, que a segurei pelo quadril e puxei-a de encontro ao meu corpo. Precisava dela para conseguir respirar... para ser feliz... pois era o que estava sentindo naquele momento, FELICIDADE.
Senti quando desabotoou meu sutiã e o vi sendo jogado para o lado. Prendi a respiração quando aquelas mãos percorreram o caminho até meus seios, e o afagaram... não contive, e supliquei: _Por favor Mayla, preciso de você... não sei o que fazer... você é a primeira a me tocar assim, de forma tão íntima... nunca estive com ninguém antes....
Capítulo 10:
Ela se colocou sobre mim, e fitou meus olhos... _Você é virgem Angélica?!?
_Sou sim...
Vi o brilho de seu olhar, e o desejo expresso nele, fitou-me carinhosamente e disse:
_Fica tranqüila querida, não farei nada que você não queira, está bem?!? Prometo que serei muito carinhosa contigo...
Concordei com um aceno de cabeça. Beijou-me novamente, e aos poucos foi percorrendo meu pescoço, fazendo minha pele arrepiar. Beijou-me os ombros, o colo e chegou aos meus seios. O carinho exposto em cada toque, encantava-me mais e mais. Tantas emoções juntas, não conseguia definir tudo o que sentia, mas era bom... como era bom.
Dedicou-se a realizar maravilhas em meus seios, tudo o que consegui fazer foi apenas segurar sua cabeça, fazendo-lhe carinhos, enquanto gemia sob aquela doce tortura, mas ela queria mais, muito mais. Foi percorrendo meu abdômen, enquanto meu corpo sentia no caminho deixado por seus lábios, o fogo a me queimar a pele.
Que sensação indescritível, inenarrável, sentir aqueles lábios macios roçando em minha virilha, distribuindo beijos por onde tocava. Ver aquela mulher linda, que conseguiu romper todas as barreiras que me impus ao longo da vida, ali, entre minhas pernas, me amando e fazendo com que descobrisse um mundo totalmente novo, mas que preenchia todo o meu interior, foi a melhor sensação que havia experimentado ao longo da minha curta existência...
Perdida naquelas sensações de prazer, desejo e tesão, ouvi seu gemido misturado aos meus, quando tomou meu sexo em sua boca, sugando com vontade, como se dependesse dele naquele instante para sobreviver. Não pude mais me conter, segurei ainda mais forte seus cabelos e juntas ditamos o nosso ritmo. Gozei deliciosamente. Pela primeira vez em minha vida descobria qual era a sensação após um gozo. Puxei seu corpo sobre o meu, e nossos lábios se encontraram, e senti a excitação de Mayla escorrendo sobre minha coxa. Queria vê-la também gozando, mas não sabia como fazer. Enquanto nos beijávamos ela se encaixou em minha coxa, e iniciou uma dança sensual. Gemia tão gostoso, enquanto sugava minha língua... não tive coragem de pedir que me ensinasse a amá-la, pois vi em seus olhos que também estava quase gozando.
Com gestos acanhados, tímidos, acariciei suas costas, descendo até seu quadril. Tentei me colocar de forma a proporcionar maior contato com seu sexo. Não demorou, senti seu corpo estremecer, invadido por um gozo também intenso. Deixou-se cair sobre meu corpo, suada, com a respiração ofegante. A abracei ternamente, admirando aquela mulher linda, que fascinou meu ser inteiro, e que naquele instante proporcionou a melhor experiência da minha vida.
Depois de tomarmos fôlego, me sentei de costas para a parede, e Mayla sentou no meu colo. Fiz carinho em seu rosto, seus ombros, suas costas, descendo por suas coxas. Admirei aquele corpo nu à minha frente, que se entregava, se arrepiava inteiro a cada toque, e durante estes trajetos, senti a respiração dela mudar. Aproveitei o momento para dizer:
_Você é tão linda sabia?!? Sempre tive vontade de tocar seu rosto, de parar para te olhar, sem medo de que fugisse de mim, ou que me rejeitasse, e agora estou aqui, com você, olhando não só esse rosto lindo, como também todo seu corpo, cada pedacinho.
Sorriu, beijou meus lábios e disse:
_Desde que te vi, desejei esse beijo, sonhava ter você assim comigo, ao alcance de minhas mãos, dos meus braços...
_E a senhorita pode me dizer, de onde surgiu essa coragem de investir assim em mim, em nós?!?
_Eu não tinha certeza Angélica, se você sentia a mesma coisa por mim, mas quando percebi que poderia proceder minhas suspeitas, então passei a criar formas de te tocar sutilmente, ou jogar alguma indireta, e quando conversamos sobre a Silvia, e você disse que já sabia sobre minha opção sexual, então não tive duvidas, te queria tanto, tanto, que precisava arriscar.
Percebi a emoção em sua voz. Trouxe seu rosto para pertinho do meu, e a beijei com ardor e sussurrei em sua boca: _Obrigada por ter arriscado...
Nos beijamos, agora ternamente, sem pressa, apenas sentindo o prazer de estarmos ali, uma nos braços da outra.
Minhas mãos tomaram direção própria, e passeavam sutilmente naquele corpo tão amado, desejado, ainda que de forma desajeitada, pois era minha primeira vez, e com uma mulher.
Mayla desprendeu-se do meu beijo, encarou-me com olhos de puro desejo, e disse:
_Você mexe comigo Angélica, de tal forma, que tenho a sensação que vou enlouquecer... há muito tempo não me sentia assim... veja o que você é capaz de fazer comigo...
Segurou minha mão e a levou até seu sexo, molhado de desejo. Ao vê-la assim, revelando tamanho desejo, soltei um gemido e com a mão livre trouxe-a para um beijo apaixonado.
No instante em que paramos para recuperar o fôlego, sussurrou em meu ouvido: _Sente Angélica?!? Veja como você me deixa sempre que estou perto de você, ou penso em você... é assim que fico... molhada de desejo, cheia de tesão por você.
Passei a tocá-la com desejo também. Busquei seus lábios uma vez mais, enquanto minha mão mergulhava naquele universo encantado, capaz de levá-la ao paraíso em poucos instantes.
Percorri cada espaço de seu sexo, sentindo-a suspirar pesadamente a cada caminho percorrido... ao tocar o clitóris, ela pendeu a cabeça para trás e gemeu alto... fiquei maravilhada com aquela visão esplendorosa.... parei ali, naquele pontinho de prazer que a estava levando realmente à loucura...
_Assim Anjo.... ahhhhh... que delícia.... não pára....
Abraçou-se a meu corpo, ao sentir que estava sendo penetrada. Ouvi seu sussurro em meu ouvido... _Te quero Anjo, te quero...
Meu corpo não me obedecia mais, sentia meu clitóris dolorido de tanta excitação de ver minha linda mulher, a ponto de gozar mais uma vez pra mim. Em um movimento rápido, conseguiu espaço entre nós e passou a me tocar, e sussurrou em meu ouvido... _Vem Anjo, vem comigo.... quero sentir você....
Quando tocou meu clitóris, não resisti, apertei-a contra meu corpo como se fosse possível nos fundirmos naquele momento... _Você me deixa louca Mayla...
E o gozo veio intenso, prazeroso, liberando todo aquele sentimento guardado por meses a fio.
Permanecemos abraçadas por um bom tempo, suadas, exaustas.
Continua...
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