AMOR ÀS AVESSAS

by Diedra Roiz

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Capítulo 26: Imprevisível...

Até aquele momento, Dani não sabia o que era depressão. Nunca na vida tinha sentido essa falta de vontade que a deixava prostrada, sem vontade de nada.

Durante as duas semanas seguintes, se arrastou para o teatro, fazendo o espetáculo de forma automática, quase não falando com as pessoas do elenco.

Denise tentou conversar com ela algumas vezes, mas depois de Dani se recusar terminantemente, a deixou em paz.

Passava o resto do tempo trancada no quarto sem falar com ninguém, deixando o celular sempre desligado.

Sentia falta de Mel o tempo inteiro. Da presença dela e de pequenos detalhes. Coisas bobas como o fato dela sempre pegar comida do prato de Dani (apesar do prato de Mel ainda estar cheio) e do jeito como Mel a abraçava por trás,  olhava no espelho e sorria vendo as duas juntas enquanto Dani escovava os dentes...

As lembranças, assim como as lágrimas, eram muitas. Incansáveis,  intermináveis...

Ed e Gisa ficaram preocupados, a escutavam chorando no quarto, mas não conseguiam fazer nada, batiam na porta e Dani pedia para a deixarem sozinha.

Com Raq, por outro lado, não teve conversa. Esmurrou a porta de Dani, gritando:

- Não saio daqui enquanto você não abrir!

Dani entreabriu a porta, e Raq a empurrou, entrando no quarto. Foi logo dizendo:

- Esse quarto tá fedendo!

Olhou para Dani. A aparência dela não poderia ser pior. Os olhos inchados, cheios de olheiras, o cabelo sujo, ensebado mesmo...

- Você tá horrível! Acha que vai reconquistar a Mel assim?

Dani riu, e se largou na cama, dizendo:

- A Mel me odeia.

Dessa vez foi Raq quem riu:

- Odeia sim. Do mesmo jeito que você odeia ela! Pelo amor de Deus, Dani! Você pisou na bola feio, e agora vai ter que correr atrás do prejuízo, meu bem!

Dani sacudiu a cabeça negativamente:

- Não tem nada que eu possa fazer.

Raq suspirou, e olhou para cima, já sem paciência:

- Não tô te reconhecendo... Vai desistir fácil assim?

Dani olhou a amiga parada na sua frente com as duas mãos na cintura, e respondeu:

- Eu não sei correr atrás de ninguém...

A frase reticente de Dani enfureceu Raq:

- Afinal de contas qual é a sua? Você ama ou não ama essa mulher?

Dessa vez não houve hesitação nem dúvida:

- Amo. Mais do que tudo. A Mel é a mulher da minha vida.

Raq sentou do lado dela, despenteando os cabelos de Dani com a mão:

- Tá esperando o que, então? Faça por merecer! Cadê aquela Dani sedutora, irresistível, conquistadora, hein? 

Dani olhou para Raq e sorriu, começando a pensar no que fazer...

 

Mel estava arrasada, mas não se permitia pensar nisso. Não se dava tempo. Procurou se ocupar o dia inteiro, trabalhando dobrado, levando trabalho para casa, visitando os irmãos com mais freqüência, saindo com os amigos e até entrando num curso de pintura no Parque Laje.

Mas nada disso a fazia esquecer. Quando fechava a porta do apartamento e se deitava na cama sozinha, era impossível não pensar em Dani. E por mais cansativo que tivesse sido o dia, perdia o sono completamente. Depois de duas noites em claro, passou a tomar remédio para dormir regularmente.

A morena da boate ligou diversas vezes. Mel deu várias desculpas, até que ela entendeu a falta de interesse e desistiu.

Numa 4ª feira depois do trabalho, Mel foi para uma aula no Parque Laje. Entrou na sala, cumprimentou Marina, amiga da faculdade que também estava fazendo o curso, e se sentaram em frente aos cavaletes mais próximos do praticável onde ficaria o modelo vivo.

Mel estava distraída, apontando o lápis, por isso não reparou logo de cara. Quando levantou os olhos, deu de cara com Dani em cima do praticável, vestindo apenas um roupão. O professor trocou algumas palavras com ela, explicando a pose que deveria ser feita. Dani olhou Mel nos olhos e tirou o roupão.

Dani já tinha posado de modelo vivo antes. Nunca tinha tido problemas em ficar nua no palco, já tinha feito isso várias vezes. Para ela não tinha mistério, nem nenhum tipo de vergonha ou pudor. Fazia isso com uma facilidade invejável.

Por isso foi fácil se inscrever para posar nua no curso que Mel estava fazendo. Informação dada por Raq, com a promessa de que Mel jamais ficaria sabendo quem tinha contado.

Mel a olhava fixamente, e foi para ela que Dani ficou nua, com um brilho provocante nos olhos.

Mel olhou para o corpo dela e... mil recordações a fizeram sentir um arrepio na espinha. A simples presença de Dani a deixava perturbada, arrepiada, excitada... Se o professor pudesse ler os pensamentos dela naquele momento, com certeza a expulsaria da sala. Aquilo era totalmente antiético, sempre tinha desenhado todas as modelos com a indiferença necessária, mas com Dani era impossível.

Ficou alguns minutos parada, devorando Dani com os olhos, o lápis no ar, sem conseguir começar. Marina perguntou, estranhando:

- Que foi? Alguma coisa errada?

Mel negou com a cabeça. Respirou fundo. E começou o desenho. A coisa mais fácil para ela era esboçar os contornos de Dani... Cada centímetro do corpo dela estava gravado em sua mente, em sua pele, em sua alma...

Extravasou tudo o que sentia. A cada traço o desenho da mulher na sua frente ia tomando vida. Quando terminou, se espantou com o resultado. Parecia ter captado a essência de Dani. A aura carismática que dela emanava, o olhar magnético, diversos detalhes que para Mel eram um tormento...

O professor passou por elas e parou admirando o trabalho de Mel.

- Muito bom, mas muito bom mesmo! Até agora, esse foi de longe o seu melhor trabalho!

Dani já tinha perdido a noção do tempo. Era um trabalho exaustivo, ficar de 20 a 30 minutos parada, sem se mexer. Mas não naquele dia.

Durante todo o tempo, manteve os olhos em Mel. Ela a olhou durante um tempo, com um olhar quente, cheio de desejo. Aquele olhar que fazia Dani se arrepiar e se derreter inteira. De repente, começou a rabiscar o papel.

Fazia isso com vigor, parecia tomada por alguma estranha força muito parecida com a que Dani sentia no palco.

Quando Mel terminou, o professor a elogiou, atiçando a curiosidade de Dani, deixando-a louca para ver como Mel a tinha retratado.

Assim que a aula acabou, Mel pegou as coisas dela e saiu rapidamente, sem nem se despedir de Marina.

Dani vestiu o roupão, e quase correu atrás dela.

- Mel! Espera...

Mel parou, se virou e a olhou da forma mais fria do mundo, como se não a conhecesse.

Dani não se deixou abater. Sorriu sedutoramente, e pediu:

- Posso ver seu desenho?

Mel sorriu ironicamente. Arrancou a folha do bloco e praticamente jogou em cima dela:

- Fica pra você.

Já ia saindo quando Dani a fez virar de volta:

- Você não precisa do desenho... Sabe que a modelo é sua mesmo...

A provocação de Dani a pegou totalmente de surpresa. Mas nunca a deixaria notar o quanto ainda mexia com ela. Olhou Dani de cima a baixo, antes de dizer, com desprezo:

- A modelo não pertence a ninguém. É do mundo inteiro...

Dani respondeu baixinho, colando a boca no ouvido dela:  

-  Meu mundo é você...

Virou as costas e entrou no banheiro. Por uma questão de segundos, Mel ficou parada. Então num impulso, foi atrás dela.

Dani estava entrando num dos reservados para se vestir. Mel entrou, trancou a porta e a empurrou contra a divisória.

Olhando-a nos olhos, abriu o roupão dela. Dani estremeceu quando Mel percorreu seu corpo com os olhos, mordendo o lábio inferior e a olhando com desejo.

Mel encostou o corpo no de Dani, pressionando-a contra a parede. A beijou no pescoço e no queixo antes de colar a boca na dela. Dani correspondeu imediatamente, a língua faminta pela de Mel, as duas respirando com dificuldade, se tocando com saudade...

Os lábios de Mel desceram para o seio de Dani, sugando primeiro com suavidade, e depois chupando e lambendo com paixão. Dani enfiou a mãos nos cabelos dela, e beijou e mordeu a nuca de Mel com vontade, a fazendo gemer.

Sem tirar a boca do seio, Mel enfiou a mão entre as coxas de Dani, tocando o sexo dela, sorrindo de prazer ao ver o quanto ela estava molhada. Dessa vez foi Dani quem gemeu, com os dedos de Mel já se movimentando dentro dela.

Mel levantou a cabeça e sussurrou no ouvido de Dani:

- Você trepa com todo mundo...

Aumentou o ritmo, fazendo Dani revirar os olhos, arquejar e estremecer antes de responder:

- Não é verdade...Sou só sua...

- É coisa nenhuma... Você não vale o ar que respira...

Foi a resposta sarcástica dela.

Mel não deixou mais Dani falar. A calou com um beijo.

A provocou e excitou sem pressa. Sem deixar Dani encostar em nenhuma parte do corpo dela.

Usou os dedos para torturar, enfiando com força, parando quando sentia que Dani estava quase gozando... Tirava os dedos, acariciando, estimulando a um nível quase insuportável de desejo, querendo que Dani implorasse.

Mas entre os gemidos, Dani apenas sussurrava:

- Te amo muito, Mel... amo você...

Mel a beijou novamente, a língua explorando cada recanto daquela boca.  Estava dominada pela paixão, tão ofegante e excitada quanto Dani. Apesar de amar Dani loucamente, conseguiu dizer:

- Não quero mais você.

Dani hesitou, as palavras dela a acertaram em cheio. Mas a forma como Mel a beijou, ofegante, tremendo, mostrava o oposto do que tinha dito.

Mel acelerou o ritmo, se deliciando em arrancar de Dani mais e mais gemidos,  fazendo Dani  finalmente gozar, o corpo sacudido por espasmos, o sexo pulsando ao redor dos dedos dela.

Ficaram um momento abraçadas, Dani adorando sentir o perfume de Mel, a boca deliciosa dela mordiscando sua orelha...

Fazendo um esforço enorme, Mel a soltou. Se afastou, e limpou os dedos na pele dela.

Dani a puxou pela cintura, as mãos ávidas em tocarem o corpo dela também, a boca tentando beijá-la, faminta...

Mas Mel apenas se afastou e balançou a cabeça negativamente, dizendo:

-  Chega.

E saiu altivamente do banheiro, deixando Dani mais uma vez perplexa e sem saber o que fazer.

 

 

Capítulo 27: Virando o jogo...

Mel saiu daquele banheiro quase correndo. Era muito difícil se controlar com Dani por perto. Se ficasse mais um minuto, seria capaz de esquecer de todo o resto.

Voltou para casa perturbada, com o cheiro de Dani impregnado nas mãos,  nos dedos, na pele... Acabou ultrapassando um sinal vermelho, quase batendo o carro. 

Ao entrar no prédio, o porteiro a chamou. Tinha uma encomenda para ela. Subiu ainda lembrando da voz de Dani gemendo, dizendo que a amava em seu ouvido.

Só abriu o pacote quando entrou em casa. Era uma caixa de bombons maravilhosa da Kopenhagen. Provavelmente tinha custado uma pequena fortuna. Abriu o cartão e leu:

“Doubt thou the stars are fire           (Duvide que as estrelas são chamas)

doubt that the sun doth move           (duvide que o sol se move)

doubt truth to be a liar                      (duvide da verdade)

but never doubt I love…”                (Mas nunca duvide que amo…)

(Hamlet – William Shakespeare)

 

Não pode deixar de sorrir… Dani a conhecia mesmo. Sabia que se mandasse flores provavelmente jogaria fora. Mas aos bombons Mel não tinha como resistir. Era louca por  chocolate...

Apertou a secretária e riu, porque Dani tinha deixado três mensagens. A primeira:

- Oi... Só pra dizer que tô pensando em você...

A segunda:

- Continuo pensando...

E a terceira:

- Só penso em você... Te amo!

 

No dia seguinte de manhã, quando saiu para passear com Nicole antes do trabalho, deu de cara com ela em frente à portaria. Dani abriu um enorme sorriso quando a viu:

- Oi...Bom dia!

Nicole pulou em cima dela, balançando o rabo, e fazendo a maior festa. Dani agachou e acariciou a cachorrinha. Mel não poderia estar mais surpresa:

- O que você tá fazendo aqui a essa hora?

Dani nunca, jamais acordava tão cedo. Primeiro pensou que ela estivesse virada, voltando da noite, mas ela parecia descansada, como se tivesse dormido a noite inteira. Dani levantou e falou, passando a mão nos cabelos, usando e abusando de todo o seu charme:

- Vim te ver! E também... tenho uma coisa pra falar com você.

Mel a olhou fazendo força para não sorrir. Levantou uma sobrancelha:

- Ok, você venceu. Fala, tô te ouvindo.

Dani sugeriu, com um olhar sedutor:

- Não vai me convidar pra subir?

Mel já estava rindo:

- Não abusa da sorte, Dani...

- Não gosto quando você me chama de Dani...

Dani fez uma carinha meio triste. Tão fofa, que Mel cedeu:

- Tudo bem. Daniele... Tá bom assim?

Dani sentiu um arrepio. Adorava a forma como Mel dizia seu nome. Chegou bem pertinho dela, a olhando dentro dos olhos, enquanto dizia com a voz totalmente dengosa:

- Ai, Mel... Só você fala meu nome gostoso assim... Mas eu queria mesmo era que você me chamasse de amor...

Mel estremeceu, e se afastou. Quando falou foi com uma mágoa quase doce na voz:

- Depois do que você fez? Nos seus sonhos, am...

Mel cortou a palavra no meio, lutando contra o poder hipnótico de Dani sobre ela. Tinha saído sem querer. Aquilo estava começando a ficar fora do controle. Mudou o tom de voz completamente:

- Fala logo o que veio me dizer.

Dani disfarçou a felicidade que sentia o melhor que pode. Não queria irritar Mel. Rapidamente falou:

- Lembra quando eu prometi pros seus sobrinhos que a gente ia levar eles na estréia do “Harry Potter”?

Mel a olhou desconfiada:

- Lembro. Que é que tem?

Dani fez um arzinho sapeca, levantando os ombros ao dizer:

- É hoje...

Mel rapidamente a dispensou:

- Não precisa se preocupar... Eu levo eles.

Dani insistiu, com a cara mais inocente do mundo:

- Já tá tudo lotado, não tem mais ingressos.

Mel já estava perdendo a paciência:

- E você veio aqui só pra me dizer isso?

- Na verdade, eu comprei 4 ingressos antecipados... Você não quer decepcionar os meninos, né?

Dani piscou para ela. Mel não teve como deixar de rir:

- Tá bom... Mas só por causa dos meninos...

Dani a presenteou com o mais radiante de todos os sorrisos.

 

Mel saiu do trabalho mais cedo para  pegar os sobrinhos, que ficaram loucos quando chegaram no cinema e viram Dani. O filme foi ótimo, apesar de Mel ter perdido várias partes, porque não conseguia parar de olhar para Dani, sentada no meio dos dois meninos, segurando um pacote enorme de pipoca. Os três completamente felizes e entretidos pelo filme.

De vez em quando Dani olhava para ela, sorrindo de um jeito que fazia o  coração de Mel bater mais forte.

Depois de deixarem os meninos em casa um silêncio sepulcral tomou conta do carro.

Se por um lado Dani não falou nada, aproveitou para colocar a perna estrategicamente perto da marcha. Cada vez que a mão de Mel  roçava nela, Dani suspirava. Mel fingiu não perceber nada. Ligou o som e o cd começou a tocar... Adivinhem?  “Happy Together” (The Turtles).

Dani riu, antes de dizer:

- É a nossa música!

Mel apertou o volante, tensa. Estava se tornando cada vez mais difícil controlar a vontade que tinha de agarrar Dani. Ela começou a cantar a música, olhando significativamente para Mel cada vez que repetia o refrão:

“I can’t see me loving nobody but you for all my life” (eu não consigo me ver amando ninguém a não ser você por toda a minha vida)

“When you’re with me baby the skies will be blue for all my life” (quando você está comigo o céu será azul por toda a minha vida)

Em frente à portaria de Dani, Mel encostou o carro. Dani tirou o cinto, mas não desceu. Segurou o rosto de Mel com as duas mãos, a olhando fundo nos olhos. Mel parou de respirar por um momento, pega totalmente de surpresa. Os olhos de Dani desceram para os lábios dela. Mel os umedeceu de forma sedutora. Dani a olhou de novo nos olhos, e a beijou sensualmente.

 

 

Capítulo 28: A Persistência é a Alma do Negócio...

Dani sentiu a língua de Mel invadindo sua boca, correspondendo... Um beijo intenso, apaixonado, delicioso... Mas que infelizmente durou pouco tempo.

Fazendo um esforço enorme para se controlar, Mel colocou as mãos nos ombros de Dani e a afastou. Na mesma hora em que os lábios se separaram teve vontade de puxar Dani de volta. Segurou o volante com força, como se tivesse medo que as mãos não a obedecessem. Evitou olhar para ela, sabendo que se os olhos voltassem a se encontrar, a beijaria novamente.

Dani a observou atentamente. Viu que Mel estava nervosa, e não a olhava nos olhos. Encostou a mão na dela, num carinho preocupado, sincero. Mel suspirou, e depois se esquivou, dizendo com uma voz muito, mas muito triste mesmo:

- Sai do carro, por favor...

Dani ficou em silêncio por algum tempo, e então falou:

- Eu saio... Se você disser que não me quer... Se disser que não me ama mais.

Mel a fitou, com os olhos marejados:

- Você estragou tudo.

Dani acariciou o rosto dela, enxugando as lágrimas que já escorriam:

- Não fala assim... 
Mel abaixou a cabeça, e enxugou o rosto com as mãos. Quando voltou a olhar para Dani, seus olhos estavam secos e frios novamente:
- É a verdade.
Dani sacudiu a cabeça negativamente, antes de responder:
- Me dá uma chance... 
Dani segurou a mão dela, mas Mel praticamente a arrancou, irada: 
- Chance de que? De você me fazer sofrer um pouquinho mais? Não, muito obrigado! Agora por favor, essa conversa já foi longe demais... Quero que você saia do meu carro!
O olhar de Mel fuzilava. Dani a fitou profundamente, com um brilho triste nos olhos. Na mesma hora os de Mel se amenizaram. 
Dani abriu a porta, desceu e deu a volta no carro. Parou na janela de Mel, com um sorriso obstinado:
- Não vou desistir de você... Te amo demais! 
O jeito que Dani falou e a olhou, a deixou arrepiada, com o coração dando saltos.  Mas Mel não disse nada. Apenas arrancou com o carro.
 

Quando finalmente chegou o sábado, Mel se deixou ficar deitada. Era 12 de setembro, dia do seu aniversário. Mas a mente estava em outro lugar.  

Tinha saído com Raq e Deca na véspera. Tinham ido na Choperia Brazooka, ao lado do Teatro Odisséia na Lapa, lugar que Mel adorava porque além de ter caipivodkas e caipirinhas maravilhosas de vários sabores, também tinha sanduíches enormes, inacreditáveis.

Ficaram conversando e bebendo, e quando faltavam dois minutos para a meia noite o celular de Mel apitou.

Era uma mensagem de Dani: “Parabéns, meu amor! Quero ser a primeira a te desejar feliz aniversário... Pessoalmente, é claro...”

Quando levantou os olhos Dani estava parada na sua frente. Ela estendeu um botão de rosa vermelho para Mel com um sorriso gigante nos lábios.

Mel aceitou a flor, o rosto corado, um pouco pela surpresa, em parte pelo prazer que a presença de Dani sempre causava.

Dani sentou na frente dela, ao lado de Raq, e ficou olhando fixamente para Mel.

Depois de um tempo de silêncio absoluto na mesa, Deca e Raq levantaram e se despediram dizendo que iam embora porque não queriam atrapalhar.

Quando ficaram sozinhas, Dani disse, com aquele sorriso dela lindo, sedutor, infalível:

- Seu presente vou te dar depois...

Mel já tinha tomado no mínimo umas 3 caipivodkas. Não teve como deixar de sorrir. Dani aproveitou a receptividade que teve para colocar a mão sobre a dela. Mel também não reagiu. Dani então disse:

- Trégua? Pra comemorar seu aniversário...

Mel começou a rir:

- Você é terrível... Não desiste, né?

Dani fez que não com a cabeça, com um sorriso safado. Mel riu mais ainda, antes de segurar a mão de Dani com força:

- Então dessa vez não vou resistir...

Foi quando uma menina baixinha, de cabelos curtos, parou do lado delas, dizendo:

- Dani! Que houve? Fiquei sabendo que você saiu carregada naquele dia...

Mel imediatamente a reconheceu: Eve, a amiga de Dani bar woman da Fosfobox, lembram?

Dani desconversou:

- Lembra da Mel? Hoje é aniversário dela.

Eve deu dois beijinhos em Mel, dizendo:

- Parabéns! Desculpe ter interrompido, mas tava preocupada com você... Bom, tô vendo que não foi nada, né?

Piscou para as duas, se despediu e saiu. Mel nem se importou por Dani estar visivelmente sem graça:

- Saiu carregada, é?

Dani abaixou a cabeça, sem responder. Mel continuou:

- Disse que ia me esperar em casa, e saiu carregada. Bem típico de você! Carregada por quem? Pela sua diretorazinha?

Fez que ia levantar, mas Dani a segurou pelo braço com força, obrigando Mel a ficar:

- Senta aí! Dessa vez você vai me ouvir!

Os olhares se encontraram, num verdadeiro fogo cruzado. A tensão entre as duas era quase palpável, como se o pequeno espaço entre elas faiscasse:

- Naquele dia tive uma crise de asma. Você tava com a minha bombinha. Tive que ir pro hospital, e dormi no meu pai. Fui pra sua casa assim que acordei, mas você me expulsou de lá. Satisfeita?

Dessa vez foi Dani quem tentou se levantar. Mas Mel também a impediu, colocando a mão na dela e a olhando daquele jeito que nunca mais tinha olhado, e que fazia Dani ficar de quatro:

- Daniele... Espera...

Dani se sentou, com um suspiro. Mel continuou:

- Desculpa... Eu não sabia...

- Tem várias coisas que você não sabe. Até hoje não quis me escutar...

Mel ficou pensativa por um momento. Realmente, tinha ficado com tanta raiva que não tinha deixado Dani falar. Apesar de Dani ter implorado, suplicado, se humilhado, rastejado, na noite da boate.  Naquele momento, resolveu finalmente dar uma chance para Dani se explicar:

- Tem razão. Não quis te escutar. Mas agora tô disposta a ouvir tudo que tiver pra me falar.

Dani olhou para a mulher sentada à sua frente. A reação dela tinha sido totalmente inesperada. Mel a olhava entre ansiosa e tensa, mas estava ali, esperando, parecendo disposta a acreditar no que Dani falasse.

Dani a amava demais para mentir. Contou tudo, sem omitir nada. O beijo no carro, o assédio no ensaio geral, o episódio do banheiro da boate e a decisão final que tinha tomado antes de Mel aparecer.

Mel escutou o tempo todo sem interromper. Quando Dani terminou, continuou um tempo ainda calada. Depois disse:

- Não sei o que me deixa mais magoada: você não ter cortado ela,  ou não ter me contado nada...

A voz de Mel soou muito triste e cansada. Dani ainda conseguiu dizer:

- Mel, eu errei. Se pudesse voltar atrás, faria tudo diferente...

Mel sorriu, um sorriso infinitamente sofrido:

- Se eu pudesse voltar atrás, talvez não tivesse nem ido pra Itaipava...

Aquilo atingiu Dani profundamente. Os olhos dela se encheram de lágrimas. Os de Mel estavam do mesmo jeito ao dizer:

- Desculpa... Mas é que...

Então as lágrimas começaram a escorrer e nenhuma das duas conseguiu dizer mais nada. Dani pegou dois guardanapos, e entregou um para Mel.

Assoaram o nariz juntinhas, se olharam e... sempre tinham dividido esse tipo de humor, que ri das desgraças. Naquele momento não foi diferente. Ficaram ali rindo, se alguém visse não ia entender nada.

Foi Dani quem falou primeiro:

- Me dá mais uma chance... Eu te amo...

Mel não tirou a mão que Dani segurava. Pelo contrário, entrelaçou os dedos nos dela:

- Não é assim tão fácil... Eu... Eu não sei... Preciso... Quero pensar...

Dani sentiu um certo alívio. Ela não tinha dito não. E a mão de Mel segurava a dela de um modo que a fazia acreditar que no fim, a resposta seria positiva:

- Eu espero. O tempo que você precisar.

E depois, com um sorriso sedutor, e uma piscadela deliciosa, cheia de malícia:

- Mas amanhã quero ir na sua festa de aniversário...

E mais uma vez, Mel não teve como não sorrir de volta, nem de deixar de sucumbir a tanto charme:

- Se você não for nunca vou te perdoar...

Dani levou Mel até o carro, e se despediu... com um beijo no rosto, bem perto dos lábios. Com um esforço incrível, Mel se manteve firme. E voltou sozinha para casa.

 

A campainha tocou, tirando Mel do devaneio e a fazendo voltar para a manhã de sábado. Quando abriu a porta, era um entregador, com uma cesta de café da manhã, com um cartãozinho de Dani dizendo:

“Os diamantes são indestrutíveis?

  Mais é o meu amor.

  O mar é imenso?

  Meu amor é maior,

  Mais belo e sem ornamentos

  Do que um campo de flores.

  Mais tenaz que o rochedo.”

  (Adélia Prado)

Parabéns, amor!

Seu presente mesmo te dou depois...

Sempre e só sua,

Daniele”

 Capítulo 29: Dia de Compleaños...

Por volta das 5 horas da tarde, Dani invadiu o apartamento de Deca e Raq:

- Vocês precisam me ajudar!

Deca foi rápida:

- Olha só, Dani: ontem a gente até te disse onde a Mel ia estar, mas se vocês não se acertaram, a gente não pode fazer nada.

Dani se jogou no sofá, sem se importar com o que Deca tinha falado:

- Calma... Só quero a opinião de vocês sobre o meu presente.

Raq sentou ao lado de Dani, curiosa:

- O que é? Mostra logo!

Dani exibiu uma caixinha azul, aveludada. Quando abriu, deixou as duas espantadas. Eram duas alianças de ouro branco (Mel detestava dourado) com o nome delas gravado.

Raq rapidamente disse:

- Nossa, acho que ela vai adorar!

Mas Deca não foi tão otimista:

- Não sei não... Isso não é meio precipitado? Ela não te quer mais nem como namorada...

O sorriso de Dani morreu:

- Ela te disse isso?

Raq deu uma cotovelada em Deca, mas nem assim a impediu de continuar:

- Dizer não disse, mas... Na cabeça da Mel, o que você fez é imperdoável.

Os olhos de Dani se encheram de lágrimas. Ela colocou as mãos no rosto, de cabeça baixa.

Deca ficou absolutamente surpresa ao perceber que Dani estava chorando. Surpreendeu Raq dizendo:

- A Mel é louca por você, Dani. Todo mundo sabe. Você só precisa insistir, mostrar que realmente tá mudada.

Deca era a melhor amiga de Mel. A conhecia bem até demais. Dani levantou a cabeça, sentindo uma nova esperança despontar, abrindo um sorriso entre as lágrimas:

- Você acha?

Raq e Deca se entreolharam, antes de responderem juntinhas:

- Claro!

 

Mel passou o dia atendendo ligações de feliz aniversário. Almoçou em casa mesmo, pediu um prato de massa.

Quando escureceu, começou a se arrumar. Tinha acabado de sair do banho quando a campainha tocou. No fundo, mas bem lá no fundinho mesmo, tinha o desejo, quase uma esperança, de que fosse Dani. Abriu a porta e deu de cara com a mãe:

- Será que eu posso entrar?

Muda de surpresa, Mel fez que sim com a cabeça. Ficou em pé, olhando a mãe se sentar no sofá. Houve um minuto de silêncio, então ela disse, sorrindo nervosamente:

- Melzinha, senta aqui do meu lado, vamos conversar.

Mel obedeceu, estranhando. A mãe segurou as mãos dela, e disse:

- Desculpa tudo que eu te disse, filha. Mas é que... entenda... foi um choque... não é o que eu queria pra você... não é o que eu tinha imaginado... mas nem sempre a gente sabe o que é o melhor... você é minha filhinha querida... não quero brigar com você... quero te apoiar, ficar do seu lado... quero que você saiba que te amo muito, Melzinha... do jeito que você é... e... e pode levar sua amiga...

Mel não teve como deixar de achar graça. Corrigiu:

- Namorada, mamãe...

- Que seja... Pode levar sua namorada lá em casa. 

As duas se abraçaram, aos prantos. Até que a mãe de Mel disse, enxugando as lágrimas da filha:

- Chega de choro, Melzinha! Hoje é seu aniversário, você não pode ficar com a carinha inchada...

A beijou e abraçou, acariciando os cabelos da filha. Depois se levantou, dizendo:

- Bom, vou indo... Amanhã leva sua namorada pra almoçar lá em casa. Mandei fazer seu prato preferido, como sempre! Já ia esquecendo... Trouxe uma lembrancinha... Acho que você vai gostar...

Com um risinho cúmplice, entregou um embrulho para Mel antes de a beijar e sair.

Assim que trancou a porta, Mel abriu o presente. Era uma estatueta linda de... uma mulher nua. Nada sutil. Mel não se conteve, e riu. Ainda tinha muito que conversar com a mãe...

 

Dani estava ansiosa. A vontade que tinha era ir até o apartamento de Mel, mas não podia, tinha espetáculo.

Depois dos aplausos, quase correu para o camarim. Tirou a maquiagem, tomou um banho rápido, se arrumou e se perfumou inteira. Pegou um táxi, morrendo de pressa, e foi direto para o apartamento de PH no Arpoador, onde seria a festa. Foi PH quem atendeu o interfone:

- Qual é a senha?

Dani respondeu, a contragosto, odiando a senha que achava ridícula:

- Dako é bom...

PH riu horrores do outro lado:

- Ok, pode entrar!

Abriu a porta ainda dando risada. Antes de entrar, Dani perguntou:

- Cadê a Mel?

PH colocou uma latinha de cerveja na mão dela, e deu de ombros, respondendo:

- Sinto muito, queridinha, mas ela ainda não chegou...

O DJ amigo de João já tinha começado a tocar. A sala maior estava sem móveis, com luzes piscando, quase uma boate. Mas apenas algumas pessoas se animaram a dançar. Dani já estava na terceira latinha de cerveja e nada de Mel chegar.

Raq conhecia bem a amiga:

- Tá nervosa, né? Não precisa nem falar. Vem, vamos animar essa festa.

Saiu puxando Dani para o meio da sala, e começaram a dançar.

 

Mel trocou de roupas várias vezes antes de finalmente decidir o que ia usar. Era sempre assim quando estava ansiosa. Horas para ficar pronta. Acabou escolhendo um vestido vermelho que a deixava quase fatal. Levou um bom tempo se maquiando, e também ficou indecisa em que perfume colocar. Acabou se decidindo por “Sweet Temptation” da Victoria Secret. Só então ficou satisfeita e saiu de casa.

Deca estava na cozinha quando o interfone tocou. Atendeu como PH tinha pedido:

- Qual é a senha?

A voz de Mel respondeu do outro lado:

- Não faço a menor idéia... Mas não vai me deixar de fora no meu próprio aniversário, vai?

Deca implicou, rindo:

- Isso é hora da aniversariante chegar? Que eu saiba quem chega atrasada é a noiva...

- Abre logo, engraçadinha!

Foi a resposta mal humorada. Deca abriu a porta e ficou esperando Mel no corredor. A primeira coisa que ela perguntou foi:

- A Daniele já chegou?

Deca levantou a sobrancelha, fazendo cara de brava:

- Não vai nem me deixar te cumprimentar? Parabéns, amiga! Feliz Aniversário!

Mel aceitou o abraço e os beijos um pouco sem paciência. Deca então completou:

- Ok, apressadinha... A Dani tá te esperando lá na sala. 

Mel foi direto para a sala. A primeira coisa que viu foi Dani, absurdamente sexy, linda e maravilhosa dançando. Várias amigas de Mel estavam em volta dela, praticamente babando.

Mel caminhou direto para ela, puxou Dani pela cintura, e a beijou.

 

 

Capítulo 30: Furacão de Emoções...

Dani foi pega totalmente de surpresa por aquele beijo ardente, possessivo, dominador. Quase como se Mel quisesse mostrar que Dani era dela.

Passou os braços ao redor do pescoço de Mel, com o coração acelerado, se entregando e correspondendo completamente...

A língua de Mel invadia sua boca com uma voracidade louca. Dani a segurou pela nuca, e Mel subiu uma das mãos pelas costas de Dani,  pressionando o corpo contra o dela com força. Dani gemeu contra os lábios de Mel, adorando.

Aos poucos, Mel foi se afastando, separando os lábios dos dela, até terminar o beijo.

Então se virou de costas para ela e foi saindo, deixando Dani parada no meio da sala, com uma frustração indescritível:

- Se ela pensa que pode brincar comigo tá muito enganada...

Raq segurou o braço dela, tentando fazer Dani se acalmar:

- Fica na sua, amiga. Continua dançando. Provoca também...

Dani concordou, com um sorriso safado. Provocar era uma coisa que fazia muito bem. 

Mel andou pela festa, recebendo parabéns das pessoas, sorrindo e fingindo que seus pensamentos não estavam fixos em Dani.

Ficou tentando conversar com os amigos, mas não agüentou e olhou para a pista de dança. Dani se movia de um jeito que fazia todos os olhares convergirem para ela. Mel ainda tentou segurar a vontade imensa que sentia de ir até ela, mas não conseguiu.

Dani não precisou fazer o menor esforço, sua forma de dançar era naturalmente  sedutora. Acompanhou Mel disfarçadamente com os olhos. Ela parou para falar com um grupinho que estava na sala. Não conseguia entender o comportamento dela. A beijara de forma ardente e depois agia como se o beijo que tinham trocado não fosse nada.

Então, Mel a fitou, os olhos se encontrando, os de Mel absolutamente sérios. Caminhou na direção de Dani, fazendo as pernas dela tremerem.

Nunca na vida tinha tremido daquele jeito. Como se Mel dominasse todos os seus sentidos. Ela começou a dançar na frente de Dani, linda naquele vestido vermelho, absoluta e deliberadamente provocante.

Dani chegou bem perto, segurando Mel pela cintura, acompanhando os movimentos dela, se encostando, se esfregando, se insinuando contra o corpo dela,  fazendo Mel se arrepiar inteira. 

Ficaram um tempo dançando daquele jeito, a tensão e o desejo crescendo, como se não houvesse ninguém além delas naquela sala.

Até o momento em que Mel disse baixinho no ouvido de Dani:

- Vem comigo, vem...

Virou de costas e foi saindo. Dani a seguiu. Quando no caminho alguém a cumprimentava, Dani ficava parada atrás dela, esperando.

Atravessaram um corredor que pareceu interminável. Mel abriu uma porta, fez sinal para que Dani entrasse.

Entrou logo atrás dela, e trancou a porta, sem acender a luz. O luar entrando pela janela atrás de Dani criava um efeito irreal de penumbra. 

Mel se aproximou languidamente. Acariciou o rosto de Dani, passou os dedos nos lábios dela, dizendo maliciosamente:

- Quero meu presente... Dá pra mim, dá...

Colou a boca na de Dani, com tanta fome que ficaram ofegantes.

Tirou a roupa de Dani rapidamente, e a fez deitar de bruços na cama. Deitou em cima dela ainda toda vestida, levantando os cabelos de Dani e mordendo a a nuca dela deliciosamente.

Mel continuou beijando, lambendo, dando pequenas mordidas, se deliciando com os arrepios que causava, as mãos percorrendo cada curva do corpo dela, fazendo a pele de  Dani arder.

Dani se entregou completamente às mãos e à boca de Mel, que desceram por suas costas tocando, beijando, lambendo,  arrancando milhares de gemidos e novos arrepios. As mãos dela apertaram suas nádegas, as afastaram, e a língua quente, incisiva, mergulhou no meio delas.

Dani deu um pequeno salto, surpresa, um pouco tensa no início. Mel sorriu com a reação dela, e continuou lambendo, enfiando a língua com um prazer imenso. Aos poucos, com o contato sensual, íntimo, ardente, o corpo de Dani cedeu. A mão direita de Mel tocou o sexo molhado de Dani, acariciando antes de a penetrar com os dedos. Dani gemeu mais alto, enfiando a cara para abafar o som no colchão debaixo dela...

Mel acelerou os movimentos, tirou a boca,  e trocou a língua por um dedo. Com uma lentidão torturante, a penetrou. Dani estremeceu, e gozou longa e intensamente para ela.

Não teve nem tempo de se recuperar. Antes que as respirações voltassem ao normal, Mel tirou a calcinha, se deitou em cima de Dani e começou a se esfregar nela, sussurrando, gemendo, grudando a boca no ouvido que se oferecia. Dani erguia o quadril, e se movia debaixo de Mel, a enlouquecendo,  juntando seus gemidos aos dela.

Mel não conseguiu agüentar muito tempo. Soltou um grito abafado contra o pescoço dela, estremeceu... e fez Dani gozar junto com ela.

Ficaram ali deitadas,  Dani adorando sentir o corpo de Mel relaxado sobre o dela.

Mel se deixou ficar largada em cima de Dani, adorando o cheiro, a textura da pele dela, o rosto mergulhado no pescoço quente. Lembrou que não podia ficar ali para sempre, as pessoas estavam esperando por ela.

Se levantou com pressa, de repente. Dani se virou, o simples fato de olhar para ela fazendo o coração bater feito louco novamente. Levantou e colou o corpo no de Mel, a beijando com urgência. Mas Mel se afastou, e vestiu a calcinha, dizendo:

- Agora não. Preciso voltar pra festa.

Dani começou a se vestir, evitando olhar para Mel. Estava visivelmente magoada, e Mel se arrependeu. Passou os braços ao redor do pescoço de Dani, olhando dentro dos olhos dela:

- Quero muito continuar depois...

Colou os lábios nos dela, saboreando aquela boca quente, deliciosa. Dani correspondeu com a mesma intensidade. Mas não se sentia feliz nem satisfeita. Quando as bocas se separaram, Dani falou olhando fixo para ela:

- Eu te amo!

Mel sorriu, mas abaixou a cabeça, sem nada dizer. Ainda sentia uma mágoa muito grande, que a impedia de responder.

Quando levantou a cabeça de novo, as lágrimas escorriam pelo rosto de Dani. Mel as enxugou carinhosamente:

- Não fica assim... Prometo que vamos conversar ainda hoje... Mas agora não... Depois...

Dani concordou, acenando com a cabeça, os olhos cheios de tristeza.

Mel reparou, mas ficou quieta. Esperou Dani terminar de se vestir para sair do quarto com ela. Caminharam lado a lado no corredor, mas não se tocaram, não se olharam, nada se disseram.

 

Assim que chegaram na sala se separaram. Deca puxou Mel para a frente da mesa, onde um bolo enorme de chocolate a esperava com as velinhas já acesas. Apagaram as luzes e cantaram parabéns. Dani se manteve um pouco afastada, meio que sem saber o que fazer.

Mel apagou as velas, rindo. PH acendeu as luzes e entregou uma faca para ela. Cortou o bolo,  colocou o primeiro pedaço num guardanapo e disse pra Deca:

- Corta o resto pra mim?

Se virou, e não precisou procurar para encontrar Dani. Para Mel, ela se destacava, onde quer que estivesse. Foi na direção dela, com o bolo cortado na mão. Dani a olhava, parecendo hipnotizada, sem se mover até que Mel parou na frente dela, dizendo:

- O primeiro pedaço é seu...

 

 

 

 

Capítulo 31: Reviravoltas...

Mel encostou os lábios nos de Dani rapidamente. Foi o que bastou para Dani abrir um sorriso devastador. Pegou o pedaço de bolo que Mel estendia, totalmente feliz. Deu duas mordidas no bolo e devolveu para Mel. As duas riram. Sabiam que Dani não era muito chegada a doces e que, como sempre, era Mel quem ia acabar comendo o resto.

Quando Mel colocou o último pedaço na boca, Dani a puxou, dizendo:

- Quero só mais um pouquinho...

E a beijou. Um beijo doce, delicioso, cheio de saudade, sabor de chocolate...

Mel sussurrou no ouvido dela, deixando Dani arrepiada:

- Você me deixou louca naquele quarto, sabia?...

Dani respondeu, devolvendo o arrepio:

- Não me deixou fazer nada... Louca vou te deixar mais tarde...

Raq apareceu, equilibrando duas cervejas e uma caipirinha. Deu uma das cervejas para Dani e a caipirinha para Mel. Deca logo se juntou a elas. Ficaram bebendo e conversando, Dani e Mel de mãos dadas, se olhando e se beijando de vez em quando. Dani não conseguia parar de sorrir. Mel tinha voltado a olhar, falar e agir com ela como antes.

E então, quando tudo parecia perfeito, uma ruiva bonita, super elegante, parou na frente de Mel, com um enorme sorriso:

- Mel, querida! Parabéns!

Mel devolveu o sorriso e a abraçou, dizendo:

- Renatinha?! Não acredito! Voltou quando?

A tal da Renatinha respondeu sem soltar Mel:

- Hoje. Fiquei sabendo da sua festa, e não ia deixar de vir, né? Trouxe um presentinho para você, amore...

Entregou um embrulho para Mel, que abriu. Era um porta retrato digital, daquele tipo que vai mudando as fotos, sabem qual? E Mel adorava fotografias... A ruiva brincou, íntima demais para o gosto de Dani:

- Direto do Japão, especialmente pra minha virginiana preferida...

As duas riram com uma cumplicidade que irritou Dani. Não conseguiu disfarçar o ciúme, estava com a cara fechadíssima. Raq olhou significativamente para Deca, porque conhecia muito bem a amiga. Deca  interferiu, obrigando a ruiva a se afastar de Mel:

- Oi, Rê! Quanto tempo, hein? Tá só passeando, ou voltou mesmo?

- Voltei de vez. O Japão é ótimo, mas não agüentava mais ficar longe do que  deixei aqui...

E olhou significativamente para Mel, que imediatamente desconversou, apresentando:

- Rê, essa é a Raq, namorada da Deca.

Rê e Raq trocaram dois beijinhos, e então Mel disse:

- Renata, Daniele. Daniele, Renata.

As duas não se aproximaram, apenas se cumprimentaram com um aceno de cabeça. Dani não conseguiu nem sorrir. O que mais doía era o jeito como Mel a tinha apresentado, como se ela não significasse nada.

Mel pareceu perceber, porque imediatamente pegou a mão de Dani e entrelaçou os dedos nos dela. Renatinha acompanhou o movimento com os olhos, com uma expressão esquisita. Depois deu uma desculpa e se afastou.

Continuaram como se nada tivesse acontecido. Pelo menos, Dani tentou. Mas assim que Mel foi ao banheiro teve que perguntar:

- Quem é essa ruiva, afinal?

Deca suspirou, antes de dizer:

- É a ex da Mel. Elas namoraram uns 3 anos, mas a Rê foi transferida pro Japão e elas terminaram.

Na verdade, Mel e Renata tinham um namoro que todas as pessoas consideravam perfeito. Eram muito parecidas no gosto e no jeito. Uma relação apaixonada e sem estresses durante 3 anos inteiros. Até que Rê recebeu uma promoção que a obrigava a se mudar para o Japão. Era uma oportunidade de trabalho única, irrecusável. Fez de tudo para convencer Mel a ir com ela. Mas Mel não queria largar tudo, achava que Rê é que deveria ficar. Esse impasse durou o mês inteiro que Renata levou para se mudar. Ainda insistiu para continuarem, alegando que poderiam se falar por e-mail, skype, telefone, etc e tal. Mas Mel não acreditava em namoro à distância, por isso preferiu terminar.

No começo sofreu muito, mas muito mesmo. Durante os dois anos seguintes não se envolveu com mais ninguém. A sensação que tinha era de que relação não estava terminada, e sim em suspenso. Até passar o Ano Novo em Itaipava e Dani fazer Renata se desvanecer completamente de sua mente.

Dani ouviu o que Deca disse calada. Sua intuição dizia que de alguma forma, a tal ruiva era uma ameaça. E o que mais a preocupava: sua intuição raramente se enganava.

 

Mel estava saindo do banheiro quando deu de cara com Renatinha a esperando no corredor:

- Posso falar com você?

A presença de Renata, os olhos profundamente fixos nos dela, traziam várias recordações que a perturbavam. Mas Mel concordou, tentando amenizar com uma brincadeira:

- Puxa, quanta formalidade! Vou ver na minha agenda...

A ruiva não facilitou. Disse na lata mesmo:

- Aquela é a sua namorada?

Mel hesitou. Na verdade essa era a grande questão, não era? Mas de certa forma, mesmo sem saber o momento exato em que tinha acontecido, na cabeça de Mel estava resolvido:

- É sim.

Renata a olhou com uma intensidade que fez Mel estremecer:

- Me esqueceu tão rápido assim?

Mel ficou chocada, quase abalada com a pergunta. Tinha esperado muito tempo por Renata. Se fosse meses atrás, se jogaria nos braços dela. Mas aquele era o momento das duas provarem a cruel ironia do destino:

- Esperei quase 2 anos por você...

Renata tinha a voz muito triste quando disse:

- O que você queria que eu fizesse? Que largasse meu emprego e voltasse correndo? Você não atendia meus telefonemas, não respondia meus e-mails...

Mel também tinha a voz embargada de tristeza:

- Eu queria te esquecer.

A ruiva a olhou com os olhos esperançosos, quase suplicantes:

- E conseguiu?

Mel olhou para ela. Não conseguia definir o que sentia. Tentou fazer a resposta não parecer agressiva:

- Desculpa, Rê, mas... Aconteceu. As coisas são assim.

Apesar da resposta de Mel, Renata sentia que ainda tinha uma chance. Via isso nos olhos dela. Uma chance que não ia perder. Conhecia Mel muito bem. Sabia que ela não era nem nunca seria o tipo de pessoa que trai, ou fica com mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Por isso pediu:

- Posso te ligar? Como amiga?

- Como amiga, sim.

Renata concordou, satisfeita. Tinha certeza que pouco a pouco, devagar e com paciência, poderia reconquistar Mel.

 

Depois que todos os convidados foram embora, Deca e Raq se despediram. Perguntaram se Dani precisava de carona, arrancando um protesto revoltado de Mel:

- Como assim? Ela vai comigo!

Dani sorriu, o coração dançando de alegria. Mel não tinha mais desgrudado dela a noite inteira. Falou baixinho no ouvido dela:

- Vou mesmo... Pra onde você quiser...

Mel sussurrou de volta, com uma voz provocante ao extremo:

- É? E também vai me deixar fazer tudo que eu quiser?

Dani lembrou de como Mel a tinha feito se entregar completamente naquele quartinho um pouco mais cedo, e enrubesceu de puro prazer:

- Eu sempre deixo...

Mel acompanhou o pensamento dela e respondeu, piscando maliciosamente:

- Aquilo foi só o começo...

As bocas se encontraram com urgência. Dani puxou Mel pela cintura, colando o corpo no dela. Mel a enlaçou pelo pescoço, suspirando contra os lábios de Dani.

Quando Dani desceu a boca pelo pescoço de Mel, a fazendo gemer, Mel se afastou um pouco, apenas o bastante para dizer:

- Vamos?

Dani concordou. As luzes da sala já estavam acesas. O chão estava imundo, com coisas que as pessoas tinham derrubado. Mel ficou preocupada, e foi falar com o primo. PH respondeu:

- Melzinha, não esquenta. A faxineira vem na 2ª feira. Tá tranqüilo.

Mel não se conformou. Detestava sujeira:

- Só 2ª feira? Ah, não... Vamos pelo menos passar um pano nesse chão...

E dizendo isso, foi direto para a cozinha, de onde voltou com uma vassoura e um pano de chão prontos para entrar em ação. PH arrancou tudo da mão dela:

- Nada disso! Tem graça, a aniversariante fazendo faxina? Dani, leva essa doidinha daqui!

Dani obedeceu com prazer. Se despediu de PH e João e saiu levando Mel, um pedaço gigante de bolo que PH entregou para elas e a sacola de presentes.

Mel foi reclamando, achando um absurdo deixar o apartamento de PH daquele jeito. Só parou de protestar dentro do carro, quando Dani a calou com um beijo.

Mel correspondeu intensamente. Já estava com as mãos debaixo da blusa de Dani quando se lembrou que a rua de PH era muito iluminada e cheia de porteiros. Se afastou, ofegante, fazendo um esforço enorme para controlar o desejo:

- Vamos sair daqui antes que prendam a gente por atentado ao pudor...

Dani riu, se ajeitou no banco, e colocou o cinto de segurança. Mel fez o mesmo. Ligou o carro e perguntou:

-Pra onde?

A resposta de Dani foi direta:

-Pra onde você quiser, lembra? Mas que seja rápido, por favor...

Mel seguiu em direção a Ipanema:

- Minha casa é o lugar mais perto...

Dani abriu um enorme sorriso... Mel nunca mais a tinha deixado entrar no apartamento dela, e pensava que ainda ia demorar um tempo. Era um bom começo.

Mel achou o sorriso de Dani lindo, e perguntou, só para implicar:

- Tá rindo de que, posso saber?

- De nada... Tô feliz de estar com você...

Mel pegou a mão de Dani, e passou a marcha com os dedos entrelaçados nos dela:

- Eu também...

 

Mel parou o carro na garagem do prédio. Trancou as portas e olhou para Dani maliciosamente, a devorando com os olhos. Dani se surpreendeu quando entendeu as intenções dela:

- Aqui? Tá louca?

Mel já tinha deitado o banco, e sentado em cima de Dani, apesar dos protestos dela. Sussurrou no ouvido de Dani:

- Onde eu quiser, lembra?

Dani ainda conseguiu dizer:

- E se chegar alguém?

Mel respondeu com um tom de voz irresistível:

- É um risco que vamos ter que correr...

 

 

Capítulo 31: Dizendo sim...

Dani abriu um novo sorriso. Uma das coisas que mais gostava em Mel era isso. Por trás daquela aparência de certinha, ela era totalmente impulsiva, fascinante, surpreendente, imprevisível.

E então não teve mais conversa, porque Mel já a estava beijando com paixão, fazendo Dani esquecer de todo o resto.

As línguas se encontraram vorazmente. Mel desceu a boca pela pele ardente do pescoço de Dani, que se arrepiou e gemeu. Dani baixou as alças do vestido de Mel, e acariciou os seios dela, os dedos se deliciando em provocar os biquinhos duros e perfeitos a um nível mais alto de excitação. Colou a boca num dos seios, arrancando um gemido. Desceu as mãos pelo corpo dela, levantou o vestido. Passou os dedos pelo elástico da calcinha, e a tirou. Subiu as mãos pelas coxas dela, e soltou um gemido abafado quando tocou o sexo de Mel.

Mel também gemeu, e mordiscou a orelha de Dani, que se arrepiou inteira. Dani sussurrou baixinho no ouvido dela:

- Senti tanta falta de você...

A voz de Mel também estava ofegante e trêmula quando respondeu:

- Eu também...

Dani a acariciou e penetrou lentamente com os dedos. Voltou a colocar um dos seios dela na boca, lambendo e chupando o bico com sofreguidão.

Mel começou a mover os quadris para ela. Manteve a boca colada no ouvido de Dani, gemendo sensualmente, a excitando ao extremo, e a fazendo gemer também. Dani acelerou os movimentos, a preenchendo mais profundamente:

- Goza pra mim, amor...

Os gemidos aumentaram de intensidade, o corpo de Mel se contorceu, ela jogou a cabeça para trás e gozou maravilhosamente nos dedos de Dani. 

Mel não deu tempo para Dani contar até três. Começou a beijar, chupar, lamber o pescoço dela apaixonadamente. As mãos levantaram a blusa de Dani. Umedeceu os lábios, a admirando por um momento, antes de descer a boca sobre um dos seios.

Passou de um seio para o outro, colando a boca faminta com uma ânsia que a fez gemer. As mãos abriram e tiraram as calças de Dani. Mel desceu a boca pelo corpo dela, saboreando cada pedacinho de pele descoberta. Dani tentava a empurrar para baixo com pressa, mas a língua de Mel continuou a provar, explorar e provocar demoradamente, a enlouquecendo.

Mel foi descendo os lábios, beijando e lambendo, se insinuando, até chegar entre as pernas dela. Chupou e sugou lentamente, sem tirar a calcinha, deixando Dani num estado de puro desespero.

Mel adorava segurar até o último momento, prolongando a satisfação de sentir Dani completamente. Sorriu de antecipação enquanto afastava a peça íntima para o lado e mergulhava a boca, suspirando de prazer. Dani gemeu deliciosamente.

A língua de Mel se movia de um jeito tão ágil, que com uma rapidez e uma facilidade assustadoras  fez Dani se contorcer e gemer alto, próxima de gozar.

Os gemidos de Dani fizeram Mel a devorar com loucura, até sentir o corpo dela ser sacudido por espasmos. Dani segurou os cabelos de Mel, e com um gemido longo, quase gritado, gozou demoradamente para ela.

Mel ainda ficou um tempo saboreando o gosto de Dani antes de voltar a se deitar por cima dela. Ficaram se beijando languidamente. Dani passou a mão nos cabelos de Mel. Olhou nos olhos dela, com uma expressão surpreendentemente meiga:

- Ainda não te dei seu presente...

Mel abriu um sorriso safado, e a beijou levemente nos lábios, antes de dizer:

- Tem certeza?

Mel se sentou no banco do motorista novamente, vestindo a calcinha enquanto Dani se vestia também. Levantou o banco e abriu as janelas para os vidros desembaçarem um pouco. Dani pegou um pacotinho na bolsa, e olhou para Mel com um misto de ansiedade, insegurança e medo.

Mel estranhou. Acariciou o rosto dela, dizendo:

- Quanto mistério...

Apesar da brincadeira, Dani entregou o presente ainda com um sorriso estranhamente tenso:

- Espero que goste...

Mel respondeu maliciosamente:

- Amor, eu gosto de tudo que você me dá...

- Espera... Não abre ainda...

Dani pegou o MP3 na bolsa, colocou um fone no ouvido de Mel e outro no dela. Mel prestou atenção na música que começou a tocar: “My Love” (Justin Timberlake). Dani começou a traduzir parte da música baixinho no ouvido de Mel que estava sem o fone:

“Se eu te escrevesse uma sinfonia

Para dizer o quanto você significa pra mim – o que você faria?

Se eu dissesse que você é linda
Você seria minha namorada? – me diz, seria?
Estive pelo mundo todo
Mas nunca vi outra mulher como você
Esse anel representa meu coração
Mas tem uma coisa que preciso de você – diga que sim...”

Dani continuou, enquanto Mel abria o papel de presente com cuidado para não rasgar:

 
 “Porque eu nos vejo de mãos dadas

Caminhando na praia com os dedos na areia

Eu nos vejo no campo, sentadas na grama, lado a lado

Você pode ser o meu amor

Seja a minha mulher

Você me surpreende

Não precisamos fazer nenhuma loucura

Tudo o que eu quero é que você seja o meu amor

Então, não rejeite o meu amor

Tudo o que quero é que você seja o meu amor

Nenhuma outra mulher pode tomar o seu lugar, meu amor

Se eu te escrevesse um bilhete de amor
E te fizesse sorrir com cada palavra escrita – o que você faria?

Você ia querer mudar de cena
E ser a minha outra metade – me diz, você seria?
De que adianta esperar mais?
Porque eu nunca tive tanta certeza – é você
Esse anel representa meu coração
E tudo pelo que você tem esperado – apenas diga que aceita...”


Quando Mel terminou de desembrulhar o pacote e abriu a caixa, ficou totalmente desconcertada. Dani ficou olhando para ela, esperando uma resposta. Mas Mel ficou parada, pensativa, sem dizer nada.

A mudez de Mel deixou Dani preocupada. Desligou a música, se livrou do MP3 e esperou ela falar, quase morrendo de ansiedade.

As duas alianças de ouro branco, absolutamente lindas, com o nome delas gravado eram exatamente do jeito que Mel sempre tinha sonhado.

Seria perfeito, se não fosse pelo fato de Mel achar que Dani tinha comprado aquelas alianças pelo motivo errado:

- Não precisa fazer isso só pra me reconquistar...

Dani respondeu sem hesitação nenhuma:

- Você é a mulher da minha vida, Mel. Te amo muito, te amo demais.

Mel se derreteu. Impossível conter o enorme sorriso que nasceu dentro do seu peito e veio subindo até encontrar o sorriso de Dani. Mas depois ficou séria novamente, e disse, a olhando fixamente:

- Eu... não sei...

Os olhos de Dani se enevoaram. Sentiu um frio por dentro quando perguntou:

- Não sabe o que sente por mim?

Mel quase não acreditou na dúvida de Dani. Mas quando a olhou, viu o quanto o medo dela era sério. Então respondeu com um daqueles sorrisos que dava   exclusivamente para Dani:

- Claro que sei... Te amo muito também... Minha única dúvida é se é isso mesmo que você quer...

Dani deixou escapar um suspiro de alívio. Seu rosto se iluminou novamente:

- O que eu quero é passar o resto da minha vida com você.

Trocaram um beijo carinhoso, profundo, terno... Mel segurou o rosto de Dani com as duas mãos, e a olhou com firmeza ao dizer:

- Daniele... Você tem certeza?

Dani devolveu o olhar dela com a mesma seriedade:

- Que mais preciso fazer pra você aceitar?

- Nada. Minha resposta é sim...

Dani puxou Mel gentilmente pela nuca. Grudou os lábios nos dela, como que selando com o beijo doce, apaixonado, sem pressa, aquilo que tinham dito.

Os lábios de Mel se abriram sob os dela, se oferecendo. Dani saboreou aquela boca com cuidado, lentamente, como se fosse a primeira vez, fazendo Mel estremecer. Então aprofundou o beijo, invadindo a boca de Mel com a língua, sempre com delicadeza, querendo demonstrar todo o amor que sentia por ela. Mel correspondeu no mesmo ritmo sensual, voluptuoso, ardente...

Quando o beijo terminou, Dani pegou a aliança de Mel e colocou no dedo dela, a olhando profundamente. Mel se arrepiou inteira, com plena consciência do significado daquele gesto. E com os olhos voluntariamente presos nos dela, colocou a outra aliança no dedo de Dani.

 

 

 Capítulo 32: Com todos os Sentidos...

Assim que chegaram no apartamento dela, Mel puxou Dani pela mão e entrou no banheiro. Ligou o gás, abriu o chuveiro e tirou a roupa. Beijou Dani nos lábios com um sorriso quase matreiro:

- Vai ficar parada aí me olhando?

Dani se livrou das roupas rapidamente e entrou no chuveiro atrás dela.

Mel já a esperava com o sabonete nas mãos. Passou as mãos pela pele de Dani, fazendo espuma, o cheiro perfumado se misturando ao das peles fazendo a excitação crescer, os corpos já desejosos um do outro novamente.

Dani colou a boca na de Mel, e tirou o sabonete das mãos dela. Então a virou de costas.

Mel apoiou as mãos na parede de azulejos na frente dela. As mãos de Dani passearam por suas costas, desceram para as nádegas, pernas... A virou de volta, e Mel gemeu baixinho quando Dani começou a ensaboar toda a parte da frente do corpo dela, começando pelo pescoço, passando pelo colo, barriga, seios... A puxou para debaixo do chuveiro, a beijando com intensidade enquanto a água enxaguava o sabão dos corpos delas.

Encostou Mel na parede de azulejos, comprimiu o corpo contra o dela. Os lábios se encontraram num beijo ardente.

Dani se ajoelhou, as mãos acariciando, abrindo nas coxas dela... Facilitando para a boca que mergulhou entre as pernas de Mel.

A língua de Dani lambeu, percorrendo o sexo intumescido com vontade, se deliciando com ela. Mel gemia alto, puxando os cabelos de Dani. Quando a sentiu estremecer, aumentou o ritmo, e com um prazer indescritível a sentiu gozar.

Continuou saboreando, passando a língua devagar, carinhosamente. Mel voltou a gemer, mas as pernas trêmulas dela mal a sustentavam. Dani percebeu, então levantou, e antes que Mel terminasse de protestar, a levou para fora do chuveiro, a sentando em cima da imensa pia de mármore.

Mel puxou Dani, a encaixou entre as pernas. A beijou, enfiando a língua na boca de Dani com voracidade. As mãos apertaram as costas dela com força, comprimindo os corpos e arrancando gemidos de ambas.

Mas Dani queria continuar o que estava fazendo, e desceu a boca pelo corpo dela com pressa, voltando a devorar Mel novamente.

Mel encostou os ombros no espelho atrás dela, e segurou Dani pelos cabelos, e só de vê-la ali ajoelhada, a boca colada nela, quase morreu de prazer. Quando os dedos de Dani finalmente entraram nela, sentiu o corpo todo estremecer.

Dani estava incansável, insaciável, com um desejo inesgotável dela, e fez Mel gozar várias e várias vezes.

Depois, com as pernas dela ao redor da cintura, e as bocas sem se desgrudar um momento, Dani carregou Mel até a cama, apenas para começar tudo novamente.

 

No dia seguinte, como de hábito, Mel foi a primeira a acordar. Dani estava deitada atrás dela, com o corpo colado, o braço passado por cima de Mel num abraço apertado e exigente.

Mel se espreguiçou e Dani resmungou, virando para o outro lado. Mel acompanhou o movimento dela, a abraçando por trás, afastando os cabelos dela e a beijando na nuca. Dani suspirou e sorriu.

Mel passou a mão pelo corpo de Dani, acariciando a barriga, subindo pelo estômago e parando num dos seios, que imediatamente reagiu, endurecendo com o contato da mão. O dedo de Mel circulou o mamilo preguiçosamente, fazendo Dani soltar um pequeno gemido, ainda adormecida.

Colou a boca no seio, e desceu a mão pelas coxas de Dani, que se abriram instintivamente para ela. A tocou entre as pernas, causando nas duas o mesmo arrepio. O sexo dela estava molhado, pulsante, entregue... Só então Dani abriu os olhos. Gemeu preguiçosamente:

- Amor, assim você me...

Mas Mel já a estava penetrando com os dedos, faminta, e não a deixou completar a frase. Dani gemeu mais ainda, se entregando completamente, a enlouquecendo, sussurrando com a voz rouca, pedindo para que Mel não parasse, a chamando de gostosa, dizendo que era uma delícia o que ela estava fazendo...

Mel comprimiu o sexo contra as nádegas dela, gemendo alto no ouvido de Dani, movendo os dedos rápido, com força, cada vez mais profundamente dentro dela. Dani estremeceu e com uma exigência irresistível na voz pediu:

- Goza comigo... Vem...

Sem nenhum esforço, Mel obedeceu. Gozaram juntas, entre tremores, suspiros e gemidos.

Continuaram abraçadas, Mel a segurando por trás, Dani largada contra o corpo dela. Mel tirou os dedos de dentro dela, mas continuou acariciando Dani sem pressa. Dani imediatamente reagiu, voltando a gemer. Então Mel já estava em cima dela, a boca no pescoço de Dani, descendo, descendo, a deixando sem fôlego novamente. Dani gaguejou:

- Ai, Mel...hoje você acordou tão...

- Faminta pela minha mulher...

Foi a resposta de Mel, antes de mergulhar a boca com voracidade no sexo que  se oferecia para ela totalmente sem reservas.

 

Dani estava deitada em cima de Mel, o corpo completamente relaxado em cima dela. Tinham acabado de gozar. Uma entre as muitas vezes naquela manhã.

Mel acariciava as costas de Dani suavemente. De repente lembrou:

- Amor, que horas são?

Dani levantou a cabeça, olhou o relógio na cabeceira e respondeu:

- Meio dia, porque?

Mel se agitou debaixo dela:

- Levanta rápido! Temos um almoço de família...

Dani levantou, sem entender nada. Mel a empurrou para o chuveiro, explicando tudo enquanto tomavam banho. Dani ficou feliz por Mel ter feito as pazes com a mãe. E achou graça no desespero dela por estarem atrasadas.

Ainda tentou seduzi-la com beijos e carícias. Mas Mel protestou, fugiu, e juntando todas as forças que tinha resistiu, porque... Se não queria a mãe falando em seu ouvido, precisavam ser pontualíssimas...

 

Parada ao lado de Mel, em frente à porta do apartamento de onde tinha sido expulsa da última vez, Dani ficou tensa. Mel segurou a mão dela com força, dizendo:

- Calma, amor. Relaxa...

Dani se tranqüilizou, mas não completamente. Ainda perguntou:

- Tem certeza de que era pra eu ter vindo?

Mel sorriu, e tocou a campainha, respondendo:

- Você foi especialmente convidada.

A mãe de Mel abriu a porta, com um enorme sorriso. Abraçou e beijou Mel , dizendo:

- Melzinha, fiquei preocupada... Você nunca se atrasa...

- Que exagero, mamãe! Desde quando dez minutinhos é atraso?

Mas a mãe de Mel já tinha se virado para Dani. A beijou e abraçou também, e depois passou o braço ao redor da cintura de Dani e a conduziu para a sala, enquanto falava:

- Espero que você esqueça o que aconteceu, Daniele... Você é muito bem-vinda, viu? Por favor, sinta-se em casa...

Dani estava completamente sem jeito, quase desconcertada. Mel seguiu atrás delas, com uma felicidade imensa.

Para desespero de Dani, quando chegaram na sala, família de Mel em peso estava lá. Os sobrinhos de Mel correram para ela, a beijando, a abraçando, desejando feliz aniversário. Depois abraçaram e beijaram Dani, e saíram correndo, brincando com os priminhos no meio da sala.

Dani foi apresentada para os avós de Mel como “a amiga”. Depois cumprimentou vários tios, tias e primos. Todos a olhavam com uma enorme e evidente curiosidade.

Para alívio de Dani, PH apareceu e não saiu mais do seu lado. Porque Mel já tinha sido puxada para um canto pelos dois irmãos, que implicavam com ela, levantando Mel do chão enquanto a abraçaram, como de hábito.

Dani ficou observando Mel tentando se livrar dos irmãos, apenas para dar de cara com o pai, que a fez sentar no colo dele, apertando as bochechas dela, a chamando de princesinha, e deixando Mel visivelmente envergonhada.

Dani tentou conter o riso. Sem resultado...

 

 

Capítulo 33: Novas condições...

PH também riu, e depois disse:

- Vocês duas, hein? Quem diria... Totalmente casadinhas, né?

Dani o fitou com um olhar interrogativo. PH riu e explicou:

- Ué, tá na cara, com vocês usando alianças e tudo mais... Dani, não quero ser chato, mas tem uma coisa que preciso te dizer: minha prima é louca por você, então faça ela feliz, tá? A Mel merece, é uma pessoa muito especial.

PH estava muito sério e compenetrado. Dani colocou a mão no ombro dele, e respondeu com um enorme sorriso:

- Se depender de mim ela vai ser a mulher mais feliz do mundo inteiro...

Dani pensou ter visto PH enxugar uma lágrima no canto do olho disfarçadamente. Mas então ele já tinha voltado ao tom brincalhão de sempre:

- Nunca pensei que um dia a Mel fosse sair do armário... O mérito é todo seu, queridinha... Aliás, você já reparou que é a sensação da festa? Tava todo mundo morrendo de curiosidade de te conhecer, a notícia se espalhou rápido... Também, imagina só: a Mel é a única menina no meio de um bando de primos. Eu ser gay tudo bem, sempre fui a ovelha negra da família... Mas a Mel sempre foi a menina de ouro, a perfeita, a certinha... Foi uma bomba! Você não imagina...

Dani não teve como deixar de rir. Mel se aproximou deles, perguntando:

- Posso saber do que vocês dois tão rindo tanto?

Dani não teve como deixar de implicar:

- De como você fica bonitinha no colinho do papai...

PH e Dani riram novamente. Mel nem respondeu, apenas beliscou o braço de Dani de leve e fez uma careta para eles.

 

O almoço transcorreu sem surpresas nem problemas. Depois de um tempo a mãe de Mel chamou todos para a mesa onde estava um gigantesco bolo (de chocolate, é lógico...) para cantarem “Parabéns”.

Mel puxou Dani pela mão, para que ficasse do lado dela. Não satisfeita, ainda deu o primeiro pedaço de bolo para ela, dizendo baixinho no ouvido de Dani:

- Você fica linda envergonhada...

Deixando Dani ainda mais vermelha e sem graça.

Por volta das seis horas se despediram e saíram, porque Dani tinha espetáculo às oito. Mel a deixou na porta do teatro. Já ia embora, quando o celular de Dani tocou:

- Oi, papai. Até que enfim! Pensei que não vinha mais me ver! Seu nome tá na porta. Tá bom... Tá bom... Ela tá aqui comigo. Não sei. Tá, pode deixar. Beijo...

Desligou o telefone, dizendo:

- Meu pai te mandou um beijo. Ah, e pediu pra te perguntar se você não quer  ficar e ver a peça com ele...

A última coisa que Mel queria era dar de cara com a tal Denise. Por outro lado, já que a temporada só terminava no final de outubro, talvez fosse até bom encarar logo a diretora saidinha e colocá-la no seu devido lugar. Além disso, o olhar que Dani lançou foi tão pedinte, que não conseguiu dizer não:

- Tá, eu fico. Vou estacionar e espero seu pai aqui na porta...

- Vou falar pra ele.

Dani a beijou com ardor, sem se importar com o baleiro parado bem em frente. Depois saiu do carro e parou do lado da janela de Mel:

- Que bom que você vai ficar...

Dani era carinhosa, apaixonada, meiga, quase frágil às vezes. Mel agora sabia que a aparente frieza de antes era apenas uma tentativa de defesa. Imediatamente respondeu, abrindo um sorriso imenso:

- Adoro te ver em cena...

Dani ficou um tempo parada, segurando a mão de Mel, a olhando, se achando a mulher mais sortuda do mundo por estar com ela depois de tudo. Mel apertou a mão de Dani, dizendo:

- Ei... Melhor você entrar, né? Tá atrasada, amor...

- Já vou...

Compartilharam um último sorriso. Dani a beijou de leve nos lábios. Mel ainda falou:

- Merda pra você...

Dani se afastou, e entrou no teatro com uma felicidade imensa. A mesma que Mel sentia ao estacionar o carro.

 

Nos dias que se seguiram, Dani se mudou para o apartamento de Mel. Praticamente não tiveram problemas de adaptação, porque as duas estavam mais do que dispostas a fazer concessões.

Mel deu um jeito de encontrar espaço para a “bagunça organizada” de Dani sem desespero. Enrolou e prendeu pacientemente todos os fios do computador dela para que não ficassem embolados e caídos no chão como ficavam na antiga casa dela. Esvaziou algumas gavetas para Dani guardar as pilhas de papéis que tinha. Arrumou um espaço para a estante de livros dela na sala. Decidiu ignorar completamente que as roupas de Dani ficavam todas emboladas, nem abria a parte dela do armário. E ampliou e enquadrou vários retratos de Dani, transformando as paredes do corredor numa verdadeira exposição de fotos dela e das diversas personagens que já tinha feito.... 

Por outro lado, Dani se esforçava para não comprometer a arrumação da casa. Limpava tudo que sujava, aturava a faxineira duas vezes por semana sem reclamar, e nunca, jamais mudava as coisas de lugar. E fez com que Mel parasse de só comer sanduíches ou comida congelada quando estava em casa. Afinal de contas, Dani adorava cozinhar. Volta e meia ligava para Mel perguntando:

- Amor, onde tem farinha de trigo?

Ou outra coisa qualquer que não estava conseguindo encontrar. Mel sempre respondia onde estava sem pestanejar.

Quem conhecia Dani de verdade até estranhava. A irmã soltou, assim que foi obrigada a tirar os sapatos para entrar:

- Nossa! Nunca vi um chão tão limpo antes! Nem parece que você mora aqui...

Já Ed começou a ficar irritado quando Dani, depois de dar um grito quando ele colocou a lata de cerveja direto na mesa sem um porta copos, ficou limpando com um paninho cada gotinha que pingava da lata suada:

- Dá pra você relaxar?

Mas Dani não ligava. Estava realmente feliz. O casamento seria perfeito, se não fosse a única coisinha aparentemente sem importância que a incomodava: os telefonemas constantes de Renata.

Volta e meia Dani era obrigada a ouvir os recados irritantemente simpáticos da outra na secretária. Mel nunca retornava, e sempre contava para Dani quando falava com a ex no celular. Mas nem assim o ciúme passava. A tal Renatinha realmente conseguia fazer Dani se sentir ameaçada.

 

 

Na última 5ª feira de novembro, Mel chegou muito séria e calada do trabalho. Dani estava na cozinha em frente à pia, passando o texto para um teste que ia fazer para um comercial, enquanto esperava o café ficar pronto na cafeteira.

Mel a abraçou por trás, beijando o pescoço dela. Dani se virou, passou os braços ao redor do pescoço de Mel, e a beijou nos lábios. Mel a abraçou, encostou o rosto no dela e disse:

- Amor, preciso conversar com você.

- Fala, amor...

Dani estava com um mau pressentimento, que logo foi confirmado:

- A Renata foi hoje lá no escritório. Ela comprou um duplex na Barra, e contratou a gente pra fazer todas as reformas necessárias...

A voz de Dani já não estava boa quando disse:

- Tá, e daí?

Mel sabia que não ia ser fácil. Disse com uma indiferença pensada:

- Ela quer que eu seja a responsável.

Dani se soltou, passou por Mel, ficando de costas para ela, passou a mão no rosto, e suspirou com raiva. Mel a virou e abraçou novamente:

- Amor, que que tem? É uma cliente como outra qualquer...

Dani riu ironicamente:

- Você sabe muito bem que não é... Não quero essa mulher perto de você.

- Você tá sendo irracional, sabia? Não tem nada a ver... A Renata é minha amiga.

- Não sei...

Dessa vez foi Mel quem se afastou, perdendo totalmente o resto de paciência que tinha:

- Não sabe? Como assim? Você tá querendo dizer o que? Que não confia em mim?

- Não é isso... É que se vocês ficarem muito tempo juntas, talvez...

Aquilo para Mel foi o fim. Não era possível que Dani a conhecesse tão pouco... Não era mulher de ficar ouvindo calada. Não quando estava se sentindo profundamente ofendida:

- Talvez? Talvez o que, Daniele? Se você não me conhece ainda, fique sabendo que não sou igual a você.

Dessa vez foi Dani quem se ofendeu:

- O que você quer dizer?

Mel disparou sem pestanejar, a raiva a conduzindo:

- Exatamente isso que você ouviu. Se você acha que posso te trair é porque é o que você faria. Aliás, faria não, né? Já fez...

Dani foi pega de surpresa. Não esperava que Mel jogasse isso assim, na cara. Conseguiu balbuciar, totalmente perplexa:

- Pensei que você tinha...

- Perdoado, mas não esquecido. E quer saber? Vou fazer essa reforma sim. Quem sabe assim você finalmente aprende a confiar em mim.

E saiu da cozinha enfurecida. Dani ficou parada pensando. No fundo sabia que Mel tinha razão. Mas razão não tinha nada a ver com o que sentia. Razão não controlava o que dizia seu coração.

 

 

Capítulo 34: Antes da Tempestade...

Mel estava sentada na cama, com o laptop no colo, tentando se concentrar no trabalho, quando o celular tocou, recebendo uma mensagem: “Me desculpa, amor...”

Dani estava parada na porta, com aquele olharzinho dela irresistível. Mel sorriu, e desligou o laptop. Quando viu, Dani já estava na cama ao lado dela:

- Mel...

Mel fechou o laptop, guardou na pasta e se virou para ela:

- Daniele...

Dani acariciou o rosto dela, fazendo Mel fechar os olhos e deixar escapar um suspiro. Ficou olhando com um sorriso bobo para o rosto lindo, emoldurado pelos cabelos dourados...

Mel voltou a abrir os olhos. Os olhos de Dani brilhavam, irradiando o sorriso que pairava nos lábios dela. Mel sorriu de volta, sem nem perceber. Dani segurou as mãos dela, antes de dizer:

- Não queria brigar com você... Fiquei com ciúmes...

Mel entrelaçou os dedos nos dela:

- Eu sei...

Dani continuou, a voz muito suave e doce:

- Desculpa as coisas que falei...

- Só se você desculpar o que eu disse também...

As duas riram, um riso cúmplice, delicado, amoroso. As bocas se aproximaram lentamente. Os lábios se tocaram, se roçaram com suavidade. Depois o beijo se tornou mais exigente e profundo. Mel soltou um novo suspiro ao sentir a língua de Dani de encontro à dela. Delicado, terno, lânguido, foi o delicioso gosto daquele beijo.

Dani puxou Mel para o colo, aspirando o perfume dos cabelos dela. Encostou a boca no pescoço, sentindo Mel se arrepiar e depois oferecer a pele para ela. Saboreou sem pressa os pontos sensíveis, com pequenas lambidas e mordidas, fazendo Mel deixar escapar alguns gemidos.

Mel percorreu as costas de Dani com as mãos, passou a unha acompanhando a espinha dela, arranhando de leve, causando pequenos tremores. Depois enfiou os dedos nos cabelos pretos, pressionando a nuca de Dani, a conduzindo para colar novamente os lábios nos dela. Dessa vez um beijo abrasador, desmedido, extremamente passional e ardente.

Dani tirou a blusa de Mel, passando a mão nos ombros, no colo, nas costas dela, antes de tocar os seios, se deleitando com cada pedacinho dela. Desceu a boca com uma lentidão quase agonizante.

Quando os lábios quentes finalmente tocaram o seio, Mel gemeu, e arqueou o corpo para facilitar o contato intenso.

Dani passou a língua lentamente em redor do biquinho duro, e só depois colocou a boca sobre ele, sugando, chupando e mordendo de leve, deixando Mel inteiramente entregue.

Mel se deleitou em causar diversos arrepios quando colou a boca na orelha de Dani, mordiscando, enfiando a língua, sussurrando palavras provocantes, explícitas, instigantes.

Dani a deitou na cama e se livraram do resto das roupas, tomadas por uma súbita urgência. Mel puxou Dani, louca para senti-la em cima dela.

Se beijaram com toda a paixão que o contato sensual dos corpos inteiramente despidos, pele contra a pele, incitava.

As pernas de Mel se abriram para Dani. Os sexos se encostaram totalmente,  se estimulando, se deleitando, se querendo.

Dani sentiu as mãos de Mel apertando suas costas, depois desceram e seguraram suas nádegas com força, a comprimindo mais e mais contra ela.

Mel acompanhava os movimentos com o mesmo prazer extremo, gemendo cada vez mais gostoso debaixo dela. A segurou pela nuca e disse junto ao ouvido de Dani:

- Assim, amor... Vem... Quero gozar com você...

Dani gemeu, e se arrepiou inteira. Sentiu o corpo de Mel começar a ser sacudido por pequenos tremores. Acelerou os movimentos, aumentando os gemidos de ambas, e a acompanhou num orgasmo arrebatado, impetuoso, intenso.

 

Mel suspirou, o corpo de Dani largado em cima dela, os rostos colados, as respirações ofegantes, os corações no mesmo descompasso, juntinhos. Sem se mover um milímetro, Dani disse:

- Nossa! Acho que precisamos brigar mais vezes...

- Não mesmo!

Foi a resposta de Mel,  já fazendo cócegas em Dani, que rolou para o lado, tentando fugir. Mel a imobilizou, rindo, a prendendo com o corpo, sem parar  o ataque de cosquinhas, dizendo:

- Quer brigar, é? Isso é pra você aprender!

Dani nada pode fazer além de se contorcer e chorar de tanto rir. Mel a fez implorar mil vezes para que parasse, e só a soltou depois que a obrigou a pedir arrego.

E então as mãos de Mel se tornaram apaixonadas, incitantes, ardentes. Dani suspirou, e de bom grado, se rendeu novamente.

 

- Será possível que só me chamam pra fazer a vilã? Primeiro Moema e agora essa Karin...

Dani atirou o texto no sofá, revoltadíssima. Tinha sido convidada para trabalhar numa montagem de “As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant” de Rainer Werner Fassbinder. O espetáculo não tinha patrocínio. Mas já tinha algumas vendas fechadas para fora do Rio.

Na peça, Petra von Kant é uma estilista de sucesso que tem como única pessoa próxima sua secretária e um dia, se apaixona por uma jovem aspirante à modelo (a tal Karin) que vai morar em sua casa e a usa até não precisar mais.

Mel nunca tinha lido a peça, mas já tinha visto e gostado muito do filme, por isso incentivou:

- Porque fazer vilã é mais difícil, meu amor... Só que você é ótima, e consegue fazer maravilhosamente bem.

Dani não ficou muito convencida:

- Não sei não... Essa Karin é horrível, até eu tô morrendo de raiva dela!

Mel passou os braços ao redor do pescoço de Dani, e a beijou de leve nos lábios, antes de dizer:

- Sei... Tá achando um desafio muito grande pra você?

Dani riu. Sabia muito bem que Mel a estava desafiando apenas para convencê-la a fazer o papel:

- Ok. Você quer que eu aceite, né?

- Amor, quem tem que querer é você.

Foi a resposta dela, com aquele sorriso calmo, tranqüilo, que sempre fazia Dani parar e pensar duas vezes.

Dani sorriu, deu um beijo estalado em Mel... E acabou aceitando o papel.

 

É verdade que quando Mel começou a trabalhar no projeto do apartamento de Renata, Dani ficou tensa. Mas evitou demonstrar.

Mel sempre a deixava a par de tudo. Dani foi a primeira a ver os esboços que tinha feito. Da mesma maneira, Mel avisou:

- Amanhã vou no apartamento da Renata.

Dani sentiu uma dorzinha no estômago, mas apenas assentiu com a cabeça. Mel percebia que o simples fato de mencionar o nome de Renata deixava Dani  tensa, mas nunca disse nada a respeito. Achou que evitar qualquer tipo de  discussão era mais prudente.

 

Dani passou a manhã inteira com um aperto no peito. Mel tinha mandado vários torpedos e mensagens meigas, mas não adiantava, estava completamente tomada por um ciúme irracional e doentio.

Nem conseguiu almoçar. Sentou na sala, tentando decorar o texto, sem resultado. Olhou para o relógio várias vezes.

Quando finalmente chegou o horário que Dani sabia que Mel tinha marcado com Renata, o coração começou a dar saltos dentro do peito.

Pegou o telefone diversas vezes, querendo falar com ela, ter certeza de que nada estava acontecendo. Mas acabou sempre desistindo no meio. No fundo estava morrendo de medo de descobrir algo.

Correu os olhos pelo texto, sem conseguir enxergar uma só palavra. A mente formava imagens que aos poucos foram aprofundando seu desespero, porque a melhor delas era Mel e Renata juntas, aos beijos...

Foi então que não agüentou mais. Pegou o telefone, discou o número do celular de Mel e esperou o que pareceu séculos para ela atender.

 

Renata recebeu Mel na porta com um grande sorriso. Trocaram dois beijinhos no rosto. Mel mostrou alguns esboços, que foram imediatamente aprovados.

Renata andou com Mel por todo o apartamento.

Mel ia fazendo anotações, tirando algumas medidas, daquele jeito compenetrado e perfeccionista que Renata adorava e a fazia ter mil recordações. Apesar disso, a conversa continuou estritamente profissional. Em nenhum momento Renata se insinuou ou coisa parecida.

Sabia que Mel estava casada, e a conhecia bem demais para não ser louca de tentar nada. Já tinha perdido qualquer tipo de esperança quando chegaram no banheiro da suíte.

Mel colocou a bolsa e a pasta no chão, entrou no chuveiro e começou a tirar medidas. Foi quando o celular dela tocou. Mel tirou o lápis da boca, segurando a trena e a prancheta com a outra, e pediu:

- Rê, atende pra mim, por favor?

 

Continua na Parte 4

 

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