AMOR ÀS AVESSAS
by
Diedra Roiz
Capítulo 14: A lua cheia que tanto brilha não brilha tanto
quanto o seu olhar......
Rio de Janeiro. Sábado de Carnaval. Banda de Ipanema.
Precisa dizer mais alguma coisa?
Raq e Deca foram seguindo meio de lado, evitando a confusão,
e assim que a banda virou na Vieira Souto não viram mais Dani, que estava
enfiada no meio da muvuca mesmo. Antes de se perderem já tinham visto
ela beijar pelo menos cinco bocas.
Só foram se reencontrar na Farme. Foi quando o
celular de Deca tocou. Ela atendeu, fazendo um esforço enorme para escutar.
Era Mel, dizendo que tinha acabado de chegar com PH e João. Queria saber
onde elas estavam. Deca avisou, antes de desligar:
- A Dani tá aqui.
- E daí? – foi a resposta mal humorada dela.
- Ah, sei lá, pensei que pudesse te incomodar.
- Como assim? Tá maluca?
Mel falou com tanta verdade que ela mesma quase acreditou.
- Daqui a pouquinho tô aí.
Desligou o celular com uma cara que fez PH se assustar:
- Credo! Que foi?
- Ela tá lá.
Não precisava dizer quem. PH era o único
em quem Mel tinha confiado para contar a verdade.
- Quer ficar por aqui?
- Não, já disse pra Deca que a gente ia
pra lá.
Foram. No primeiro momento Mel não viu Dani. PH
e João encontraram alguns amigos e se afastaram.
Enquanto conversava com as amigas os olhos de Mel a procuravam.
Não tinha como evitar. Então a viu. Só de biquíni
e um short micro, deliciosamente suadinha, com a barriguinha perfeita de fora...
Ela estava muito... muito... Mel nem sabia como definir. O coração
disparou, as mãos ficaram geladas, e ficou parada de boca aberta sem
conseguir tirar os olhos dela, se sentindo uma perfeita idiota.
Dani estava flertando abertamente com três mulheres
ao mesmo tempo. Elas riam e a rodeavam, competindo para ver quem chamava mais
atenção. Mel pensou em sair dali antes que ela a visse, mas então
já era tarde. Os olhos de Dani passaram por ela, depois voltaram, parecendo
surpresos, e se fixaram em Mel.
Três das muitas bocas que Dani tinha beijado tinham
parado em volta dela. Cercada de mulheres bonitas, com uma latinha de cerveja
na mão, era para ela estar ótima, se não fosse... Um sentimento
esquisito de insatisfação. Tentou se concentrar no que diziam,
sem muito resultado. Correu os olhos avaliando as pessoas em volta – hábito
adquirido na noite, para ver se tinha alguma mulher mais interessante do que
aquela (ou aquelas) com quem estava – e pensou ver... os olhos voltaram rápido
e... era ela mesma. Esquecendo todo o resto, seus olhos encontraram os de Mel.
Ela estava linda demais. Parecendo recém saída
do banho, com uma camisetinha branca, um shortinho azul marinho, os cabelos
presos num rabo de cavalo... Dani sentiu uma vontade incontrolável de
soltar aqueles cabelos, enfiar a mão neles, beijar aquela boca... Largou
as três mulheres falando sozinhas e caminhou na direção
de Mel, quase como se estivesse hipnotizada.
Quando ela se aproximou, Mel sentiu as pernas tremerem.
Dani estava vindo em sua direção, com os olhos fixos nela. Se
Mel quisesse poderia ter fugido, desviado os olhos, feito qualquer coisa, mas
na verdade, tudo o que queria era ficar... com ela, é claro... E o que
aconteceu foi inevitável.
Dani parou na frente de Mel, tão próxima
que dava para sentir que ela cheirava a cerveja... a praia... e a um cheiro
gostoso de... Daniele.
Sem dizer uma palavra, Dani segurou o rosto dela com
as duas mãos e a beijou. O contato dos lábios tiveram efeito imediato
em Mel, que correspondeu sem hesitar. Ficaram ali se beijando, matando a saudade,
saciando a vontade que não conseguiam mais negar.
Deca e Raq se assustaram. Não acreditavam no que
estavam vendo. Era a coisa mais louca de todos os tempos. Ficaram ali, sem dizer
nada, não querendo atrapalhar. PH e João também quase caíram
duros. Mas também ficaram bem longe para não perturbar.
Não souberam quanto tempo ficaram ali se beijando,
se acariciando, se pegando... Muito tempo, porque a rua já estava praticamente
vazia. Deca e Raq se aproximaram muito sem graça, fazendo com que elas
descolassem os lábios, mas não que se soltassem.
- A gente leva o PH e o João.
- Tá bom...
Mel respondeu com dificuldade, porque Dani já
estava com a boca em seu pescoço. Mal viu as amigas, o primo e o namorado
irem embora. Só tinha olhos, ouvidos, boca, pele, todos os sentidos,
para Dani.
Mel sussurrou no ouvido dela:
- Eu moro aqui pertinho.
Dani se deixou puxar pela mão, foi seguindo Mel
docilmente... Em questão de minutos já estavam na portaria dela.
Se agarraram no elevador, sem nem lembrar da câmera
de vigilância, abrindo a porta e atravessando o corredor sem se desgrudarem.
Mel nem soube como conseguiu abrir a porta.
Ainda estavam aos beijos quando Nicole pulou em cima
delas. Dani fez festa na cachorrinha de lacinho rosa:
- Que fofa! Qual o nome dela?
- Nicole.
Mas naquele momento, Mel não
estava muito para conversa. Puxou Dani de volta e com a boca colada na dela,
a empurrou para o quarto.
Capítulo 15: Coisas
feitas pelo coração...
Se despiram lentamente antes de se deitarem na cama.
Dani mergulhou os lábios nos de Mel, numa série de beijos longos,
saboreando a doçura daquela boca. O jeito lânguido, entregue que
Dani a beijava só aumentava a excitação de Mel.
Dani desceu a boca pelo pescoço dela, arrancando
pequenos gemidos. As mãos de Mel passeavam por suas costas, fazendo-a
se arrepiar inteira. Então se enfiaram nos cabelos de Dani, e a puxaram
para baixo, exigindo que a boca tocasse seus seios. Dani lambeu o biquinho duro,
depois passou a sugar o seio com volúpia. Desceu as mãos pela
barriga, acariciou as coxas dela... Mel abriu as pernas, suspirando... Quando
Dani tocou o sexo dela, Mel gemeu alto. Ela estava muito molhada e Dani a penetrou
com facilidade. As bocas se colaram novamente, as respirações
entrecortadas.
Mel puxou Dani, a mão direita apertando a nuca
dela com força. Levantou um pouco a coxa pressionando-a contra o sexo
de Dani, se deliciando com os gemidos tão excitados quanto os dela. Dani se esfregava de uma forma deliciosa, deixando a
perna de Mel toda molhada. Como era gostosa aquela mulher... Colou a boca no
ouvido de Dani:
- Quero sentir você gozando...
A voz dela, rouca, ofegante, quase suplicante, foi demais
para Dani. Gozaram juntas, os suspiros e gemidos se misturando. Ficaram um tempo
abraçadas, se beijando preguiçosamente.
- Daniele...
- Que?
- Tô morrendo de fome, e você?
Mel não esperou a resposta. Num impulso, virou
e ficou em cima de Dani. Deu um beijo estalado nos lábios dela antes
de levantar da cama e sair do quarto rindo e a chamando. Dani sorriu, e seguiu atrás dela.
Dani se espantou com a cozinha de Mel. Era arrumadíssima,
quase resplandecente de tão limpa!
Mel abriu a geladeira, pegou várias coisas, e
sempre perguntando para Dani o que ela gostava ou não, fez rapidamente
dois sanduíches mais do que enormes: gigantes! Dani a olhava, totalmente
seduzida.
- Qual você prefere?
Dani não teve como deixar de sorrir. Estava encantada
com a mulher linda, deliciosa que tinha na frente. Mel estava nua, parada com
a porta da geladeira aberta, segurando uma garrafa de coca-cola numa mão
e uma caixa de suco na outra. A luz da geladeira a iluminava por trás,
criando uma aura em volta dela. Mel levantou uma sobrancelha e cortou os pensamentos
de Dani, perguntando:
- Qual é a graça?
Impulsivamente, Dani a abraçou pela cintura e
encostou os lábios nos dela:
- A graça é você... Uma graça
mesmo...
Mel deu um sorriso radiante, que fez Dani se derreter
ainda mais:
- Tão linda... Gostosa demais...
Então a boca de Dani já estava no pescoço
dela, no colo, nos seios, fazendo as pernas de Mel bambearem. Dani tirou as
coisas da mão dela, as empurrou junto com as que estavam em cima da mesa
para um canto, e sentou Mel no espaço vazio que abriu.
Mel enfiou as mãos nos cabelos de Dani e a puxou
para entre suas pernas. Dani colocou o seio de Mel na boca, chupando-o com força.
Acariciou o sexo dela, explorando, provocando, insinuando, arrancando gemidos.
Com uma lentidão torturante, desceu a boca pelo
corpo de Mel, beijando e lambendo cada pedacinho de pele antes de finalmente
chegar no ponto pulsante, latejante, suplicante... Passou a língua devagar,
sem pressa, saboreando o gosto delicioso dela...
Mel se contorcia, gemendo alto e implorando por mais.
Dani então mergulhou a boca nela com todo seu desejo, aumentando o ritmo
da língua, querendo sentir ela gozar.
Mas Mel a puxou pelos cabelos, obrigando-a a se levantar,
a fez sentar numa das cadeiras e sentou virada para ela, com Dani entre as pernas.
Beijou a orelha de Dani, provocando, lambendo, sussurrando no ouvido dela...
Beijou o pescoço, as mãos acariciando os seios, beliscando os
biquinhos, antes de tocar entre as pernas dela, arrancando um gemido. Disse
no ouvido de Dani:
- Adoro gozar junto...
E a penetrou com os dedos. Dani gemeu e... fez a vontade
dela. Mel começou a se mover nos dedos dela de uma forma tão excitante,
que deixou Dani louca. Não demorou muito, Dani a seguiu num orgasmo violento,
gemendo alto, e adorando o prazer de fazer Mel gozar.
O coração de Dani batia como o dela, incontrolavelmente.
Mel a puxou, colando os corpos totalmente, abraçando-a com os braços
e as pernas, a beijando com paixão.
Quando as pulsações começaram a
voltar ao normal, Mel disse rindo, os lábios ainda grudados nos de Dani:
- Assim você vai me matar de fome!
Comeram os sanduíches, quer dizer, Dani só
agüentou metade, enquanto Mel devorou o dela inteiro e a metade que sobrou
de Dani.
Conversaram e riram, entre carinhos e beijos. Voltaram
de mãos dadas para o quarto, e se amaram a noite inteira.
Na manhã seguinte, Dani acordou com uma alegria
imensa. Mel estava dormindo com a cabeça encostada em seu ombro, as pernas
enroscadas nas dela, mas estranhamente isso não a incomodou, pelo contrário.
Era a primeira vez que se permitia dormir e acordar com
alguém daquele jeito. Normalmente dormia afastada, gostava de espaço
para dormir, achava que essa coisa de passar a noite inteira grudada só
era bom nos filmes.
Mas ter Mel nos braços fazia seu coração
entoar uma canção feliz. Ficou quietinha olhando ela dormir. Passou
a mão nos cabelos dela, acariciou aquele rostinho lindo...
Foi então que ouviu o celular tocar. Em princípio
não atendeu, mas a pessoa insistiu duas, três, quatro vezes, fazendo
tanto barulho que Mel começou a se mexer, acordando. Com cuidado, tirou
o ombro debaixo dela, sentou na cama e pegou o celular na mesinha de cabeceira.
- Alô? Oi, pai. Agora? Onde? Tá bom, já
tô indo.
Mel se espreguiçou, depois se ajoelhou atrás
dela, abraçando-a por trás e dando um beijinho no pescoço
de Dani, causando um pequeno arrepio:
- Ah, não... Você tem mesmo que ir?...
Dani se virou e a beijou apaixonadamente. Mel correspondeu
enfiando a língua na boca de Dani e apertando o corpo contra o dela.
De repente Dani se afastou, lembrando:
- Preciso ir. Minha sobrinha tá nascendo.
Levantou e começou a catar as roupas espalhadas
pelo chão. Em um segundo já estava vestida, fazendo Mel rir, porque
não fazia muita diferença...
- Acho que não vão te deixar entrar no
hospital despida desse jeito...
Depois de emprestar uma roupa para Dani, Mel também
se vestiu e disse:
- Te deixo lá.
Desde a morte da mãe, Dani sempre ficava nervosa
quando entrava em hospitais. Sabia que o risco do parto da irmã era mínimo,
mas ainda assim, sentia um medo irracional só de pensar que alguma coisa
pudesse dar errado.
Mel percebeu que Dani estava ansiosa. Podia até
jurar que as mãos dela tremiam. Parou o carro em frente à Casa
de Saúde São José, no Humaitá, e viu que ela hesitava em sair do carro. Segurou a mão
dela, Dani estava suando frio... E a olhou com uns olhinhos desprotegidos, fazendo
Mel perguntar impulsivamente:
- Quer que eu entre com você?
Para surpresa de Mel, Dani fez que sim. Com um alívio
que não era normal. Pelo menos não para ela. Mas Dani não
queria saber. Porque a mão de Mel na dela transmitia uma incrível
sensação de tranqüilidade.
Estacionaram o carro e subiram para o 4º andar sem
dizer mais nada. Quando entraram no quarto, o pai de Dani estava lá sozinho.
Dani abraçou e beijou o pai, que informou:
- Eles já foram pra sala de parto.
Reparando a presença de Mel, olhou interrogativamente
para Dani.
- Pai, essa aqui é a Mel. Mel, esse é o
meu pai.
- Muito prazer, Mel. Eu sou o Roberto. Nada de senhor,
só Roberto mesmo.
Mel sorriu, e trocou dois beijinhos com o pai de Dani.
Ele a examinava de cima a baixo. Mel não se importou. Dani ficou muito
sem graça.
Para alívio de Dani, não demorou muito
e uma enfermeira entrou trazendo a irmã numa maca. Junto também
vieram o cunhado e outra enfermeira carregando uma trouxinha que ela estava
louca para ver mais de perto. Todos se aproximaram e ficaram em volta da cama
da irmã de Dani, encantados com aquela que para eles era a bebezinha
mais linda da face da terra. Naquele momento, para Dani pareceu que segurar
a mão de Mel era a coisa mais natural do mundo.
Mel ficou inacreditavelmente feliz. Sentiu uma pontinha
de esperança. Já não queria mais negar nem esconder que
estava apaixonada. Se até o dia anterior namorar aquela mulher parecia
impossível, de repente tinha
começado a se mostrar quase ao seu alcance. Especialmente naquele momento,
com a mão calidamente unida a de Dani.
Capítulo 16: Momento de Decisão ...
Mel ficou tão entretida conversando, que quando
percebeu passava de uma hora da tarde. Domingo era o dia que almoçava
com os pais, e já estava atrasada. Pediu desculpas e se despediu carinhosamente
de todos.
A Dani que levou Mel até o elevador não
era a mesma que conhecia. Parecia carinhosa, meiga, quase tímida:
- Você foi muito... foi maravilhosa... quer dizer,
vindo comigo e tudo mais... Eu só queria dizer... obrigado!
Disse isso meio olhando para o chão, meio para
os lados, sem encarar Mel, que abriu um enorme sorriso:
- Eu gostei de ter vindo. Sua família é
ótima.
Isso fez Dani olhar para ela e sorrir de volta:
- Eles também gostaram de você.
Então o elevador chegou, e Mel ficou segurando
a porta. Escreveu alguma coisa num cartão e entregou para Dani, que nem
olhou. Não conseguia desviar os olhos dos de Mel. Foi Dani quem falou
primeiro:
- Bom, então é isso...
Mel deu um beijo rápido nos lábios dela,
antes de dizer:
- Eu adorei...
Mel entrou no elevador. Dani ficou olhando para ela enquanto
a porta se fechava... Para aqueles olhos brilhantes e aquele sorriso lindo que
a faziam sentir uma felicidade boba.
Só então olhou para o cartão que
segurava: “Mel Rodrigues – arquiteta”. Era o
cartão dela, com todos os contatos, telefone de casa, trabalho, celular,
e-mail, endereço... E atrás Mel tinha escrito (e Dani achou a
letra dela tão linda quanto ela...) : Me liga!
Nunca uma frase tão simples pareceu tão
perfeita. Dani atravessou o corredor com um sorriso teimando em brilhar em seu
rosto.
Quando Dani entrou de novo no quarto, não precisou
de muito esforço para perceber que estavam falando dela. Todos ficaram
em silêncio e a irmã a olhou com um sorrisinho malicioso.
- Eu, hein? Que foi, gente?
Foi a irmã quem falou:
- Dani, você tá apaixonada!... Que bonitinha!
Dani imediatamente ficou vermelha e negou, sem muita
convicção:
- Que absurdo! Ela é minha amiga, só isso...
Aí mesmo que a irmã não perdoou:
- Desde quando você fica de mãozinha dada
com suas amigas? E o jeito que olhava
pra ela, então?! Quase peguei um dos babadores da sua sobrinha!
O pai de Dani abraçou a filha, dizendo:
- Não liga pra sua irmã, ela só
está implicando porque ficamos surpresos. Você nunca apareceu com
uma namorada antes... Mas pode ficar tranqüila, filha, essa tá aprovadíssima!
Dani ficou quieta. Não disse nada. Estava muito
assustada. Porque gostou de deixar que pensassem que Mel e ela eram namoradas.
O almoço foi bom, apesar dos pensamentos de Mel
estarem muito distantes.
Chegou em casa por volta das 6 da tarde, tomou um banho
e ficou andando de um lado para o outro na sala.
Tinha dado o cartão num impulso, e agora tinha
medo que ela não ligasse. Queria investir no que sentia, mas em se tratando
de Dani, não sabia bem que efeito as horas aparentemente maravilhosas
que tinham passado juntas teria. Sim, porque Dani tinha deixado bem claro que
o que havia entre elas era apenas sexo, e nada mais. Mas não era assim
que se comportava.
Ou era Mel quem estava interpretando tudo errado?
Deca estava com Raq, assistindo a um filme abraçadinhas,
quando seu celular tocou. Na mesma hora o celular de Raq também tocou.
Lado a lado na cama de casal, as duas atenderam ao mesmo tempo:
- Alô?
- Oi Deca!
- Mel?
- Alô?
- Oi Raq!
- Dani?
Se olharam, espantadas, percebendo que as duas tinham
ligado ao mesmo tempo.
Deca saiu rapidamente do quarto:
- Fala, amiga.
- Ai, Deca, tô confusa, precisando conversar...
A Dani dormiu aqui em casa ontem, e...
- E...?
- Dormimos abraçadinhas...
- Abraçadinha? A Dani?
- A sobrinha dela nasceu hoje de manhã, e fui
no hospital com ela, conheci a família dela inteira...
- Ela te levou pra conhecer a família???
- Ela tava... sei lá, diferente...
- Tem certeza que tamos falando da mesma pessoa? Menina,
o que você fez? Não, por favor, me ensina! Você tem noção?
Você conseguiu o impossível!
- Ai, Deca, não é assim... Aconteceu tudo
meio que sem querer... Tô morrendo de medo... Não sei o que pensar.
Tô muito apaixonada, e ela... bem, ela é a Dani.
- Olha só, amiga, você precisa ir com calma...
Sabe como a Dani é... mas uma coisa
eu te digo, e não tô falando só pra te animar: parece que
ela também tá apaixonada por você.
- Não sei...
Deca percebeu que do outro lado da linha, Mel começou
a chorar baixinho. Então disse:
- Vamos fazer o seguinte? Te encontro no Sindicato da
Farme, daqui a uns 40 minutos.
- Raq, tô precisando falar com você.
- Nossa, que voz é essa? Aconteceu alguma coisa?
- Não sei como começar...
- É por causa da Mel, né?
- Você me conhece mesmo, né?
- Qual é o problema, linda?
- Não sei o que tá acontecendo comigo...
Ontem eu não consegui me controlar, me deu uma vontade louca de ficar
com ela, e daí... bom, você viu...
- Vi, e não entendi nada, ou melhor, entendi tudo.
- Como assim?
- Dani, meu amor, você tá apaixonada.
- Ai, Raq, tudo menos isso!
- Qual é o problema? Tá na cara que ela
também tá louquinha por você.
- Você acha?
O tom de Dani, um misto de felicidade e insegurança
fez Raq dar algumas risadas antes de dizer:
- Nossa, você tá apaixonada mesmo, hein?
- Eu tô é apavorada! Fora de mim! Não
tô me reconhecendo! Dormi abraçada com ela! Minha família
pensa que somos namoradas! Tem noção?
- Você levou a Mel pra conhecer seu pai e sua irmã?
- É, mas foi sem querer...
- Ah, sei... Sem querer...
- Raq, para de me sacanear, eu realmente não sei
o que fazer!
- Simples, amiga, faça o que tiver vontade.
- Eu não sei...
- Então descobre rápido!
Raq estava acabando de se despedir de Dani quando Deca
voltou para o quarto. As duas se olharam e começaram a rir.
- Amor, que loucura isso, hein? Elas tão completamente...
- Apaixonadas! É, eu sei... quem ia imaginar?
Dani estava deitada em seu quarto, com o cartão
de Mel em uma das mãos e o celular na outra. Não conseguia se
decidir. A vontade que tinha? Pegar o maldito celular e ligar para ela. Várias
vezes chegou a discar os números no teclado, e parou antes de terminar...
Porque essa vontade louca, estranha, totalmente irracional e sem sentido a deixava
apavorada.
Leu pela milionésima vez a frase escrita no verso:
“Me liga!”. E com um frio na barriga, tomou uma decisão.
Deca e Raq estavam sentadas com Mel no Sindicato do Chopp.
A conversa estava animada, mas toda hora Mel olhava disfarçadamente para
o celular que tinha deixado em cima da mesa.
Quando já tinha desistido de olhar, ele começou
a tocar. Atendeu tão ansiosa, que nem olhou para ver se reconhecia o
número no visor:
- Alô?
O coração veio na boca quando ouviu a voz
deliciosa do outro lado:
- Mel?
- Daniele?
Dani não gostava que a chamassem assim, mas Mel
saboreava seu nome como se fosse um doce... No começo não conseguiu
dizer nada que prestasse:
- Oi ... Tudo bem?
Mel respondeu com um sorriso na voz:
- Tudo... Que bom que você me ligou...
Dani sorriu. Se a operadora cobrasse os pulsos do seu
coração, como sairia caro aquele telefonema... Pôs um fim
nos rodeios:
- Quero te ver.
O coração de Mel quase parou de bater...
Até gaguejou para responder:
- Eu... eu tô... na Farme... no Sindicato...
Dani não a deixou completar a frase:
- Tô indo praí.
Capítulo 17: Acertando o passo...
Quando Mel desligou o telefone, tinha um sorriso de orelha
a orelha no rosto:
- Ela tá vindo.
Raq e Deca estavam para lá de surpresas. Deca
não agüentou:
- Não acredito, Mel! A Dani não só
te ligou como ainda por cima vem te encontrar aqui? Hoje é domingo de
Carnaval, sabia? Se outra pessoa me contasse eu ia dizer que isso era totalmente
impossível!
Raq como sempre, defendeu a amiga:
- Ai, amor! Você tem uma implicância com
a Dani, hein!?
- Ah, é? E por um acaso alguma vez você
já viu a Dani fazer isso?
- Não. Mas pra tudo tem uma primeira vez.... Olha
só, Mel, só posso te dizer que acho que você e a Dani são
um casal lindo!
Mel sorriu. Não sabia dizer se algum dia ela e
Dani seriam um casal. Querer ela bem que queria...
Deca e Raq se despediram, dizendo que não queriam
atrapalhar, e saíram. Logo depois Dani chegou. Abriu um sorriso enorme
assim que viu Mel.
Dani estava um pouco nervosa, aliás um pouco não,
bastante nervosa. Era até engraçado, logo ela, ficar com as mãos
geladas por causa de uma mulher. Parou na frente de Mel, ainda na calçada
do lado de fora, e disse:
- Oi...
- Oi... Tá calor, né?
Na mesma hora Mel pensou que não tinha no mundo
coisa mais idiota, nem mais bandeirosa de nervosismo do que falar sobre o tempo...
Dani riu, parecendo saber exatamente o que ela estava
pensando, e respondeu, rindo com aquele arzinho safado de sempre:
- Agora então... Mais quente ainda...
Mel sorriu. Em qualquer outra situação,
acharia aquela frase o fim da picada, mas... Naquele momento, estava achando
tudo lindo...
Achando tudo lindo, até Dani ser interceptada
por uma moreninha de cabelos curtinhos - sorridente demais para o gosto de Mel
- assim que entrou no restaurante:
- Dani!... Baby, você sumiu...
Dani não fazia a menor idéia de quem era
a menina. Queria mesmo era se livrar dela o mais rápido possível.
Ainda mais quando viu a reação de Mel. A moreninha entregou um
papelzinho com os telefones dela, dizendo:
- Me liga pra gente repetir...
De onde estava sentada, Mel acompanhou toda a cena. Respirou
fundo, contou até dez, mas ainda assim, continuou irritadíssima.
Quando Dani sentou na frente dela, Mel estava de cara
fechada. Os olhos fuzilaram o papelzinho
que Dani ainda segurava:
- As mulheres sempre te dão o telefone?
Dani não se irritou, nem ficou surpresa. Parecia
estar num momento iluminado, porque até entendeu a raiva dela. Amassou
e jogou o papelzinho dentro do cinzeiro. Depois abriu o mais sedutor de todos
os sorrisos, dizendo:
- O único que guardei foi o seu...
Mel até deu um sorrisinho. Mas estava começando
a perceber que algumas coisas iam ser muito difíceis. Naquele momento,
por mais fofa que tivesse sido a resposta de Dani, continuava se corroendo de
ciúmes!
Dani respirou fundo. Nunca na vida tinha tido tanta certeza
do que queria. Se não fosse assim, teria levantado e saído, porque
detestava qualquer tipo de cobrança. Mas isso era antes, quando não
queria pertencer a ninguém. Quando não sentia o que sentia por
Mel:
- Olha só... Vamos deixar tudo bem claro. Eu já
fiz muita putaria... Tudo que você já ouviu falar de mim, e mais
um pouco, é verdade... Só que eu nunca tinha me interessado por
ninguém, nunca tinha tido vontade de namorar ninguém... E com
você eu tenho... de verdade... quero muito... tentar com você.
Tudo bem, não foi a declaração mais
romântica e apaixonada, mas vindo de Dani, Mel ficou até emocionada...
Mel segurou a mão dela por cima da mesa, e a olhou
fundo nos olhos. E Dani entendeu. É engraçado como tem horas assim,
onde as palavras são absolutamente irrelevantes, e o melhor é
nada dizer.
Ficaram um tempo caladas, apenas se olhando e sorrindo
de mãos dadas. Foi Mel quem finalmente quebrou o silêncio:
- Daniele...
A voz de Mel estava deliciosamente sedutora:
- Tô louca pra te levar pra minha casa e te beijar
inteira...
Dani riu, adorando a idéia. A resposta foi imediata:
- Tá esperando o que?
Não deram a menor atenção para Nicole.
Assim que Mel fechou a porta começaram a se beijar e se despir, as roupas
deixando um rastro no chão a caminho do quarto.
Mel empurrou Dani, praticamente a jogando na cama, e
se deitou em cima dela. Esfregou o corpo no de Dani, beijando-a com sofreguidão.
As mãos de Dani estavam nas costas dela, arranhando sensualmente, e depois
puxando-a com força para sentir melhor os seios rígidos roçando
nos dela.
Mel suspirou, e jogou a cabeça para trás,
para dar maior acesso à língua que passeava em seu pescoço.
A boca faminta desceu para os seios dela, e Mel gemeu deliciosamente. Os sexos
se friccionavam, Mel rebolava no meio das pernas de Dani, deixando-a cada vez
mais molhada. Poderiam gozar fácil, mas queriam aproveitar, prolongar
o momento...
Mel desceu a boca nos seios dela. Dani gemeu, arqueando
o corpo para ela. A língua brincou, circulando o biquinho duro, antes
dos lábios se fecharem sobre ele. Durante um tempo torturante Mel lambeu
e chupou aquele seio, se deleitando sem pressa. Depois foi descendo lenta, lentamente,
até o meio das pernas de Dani. Arrancou um gemido mais alto quando encostou
a boca no sexo dela. Mel a chupou de leve, depois lambeu com vontade, tocando-a
com a pontinha dos dedos e então penetrando devagar. Dani a puxou pelos
cabelos, fazendo-a olhar para ela:
- Quero te fazer gozar também... Vira pra cá...
Não precisou falar duas vezes. Mel virou o corpo,
se posicionando em cima dela. Dani a segurou pelas nádegas e enfiou a
língua no sexo dela. Mel gemeu, e continuou a chupar Dani com vontade.
As bocas famintas as faziam pulsar juntas, os dedos entrando e saindo ao mesmo
tempo, os gemidos e sussurros aumentando unidos, conforme se saboreavam, se
devoravam demoradamente. Quando o orgasmo veio, provocou uma corrente elétrica
perfeita, que circulava nos dois corpos as fazendo estremecer intensamente.
As línguas ainda continuaram se movimentando por um tempo, desejosas
pelo gosto daquele gozo perfeito.
Então Mel se largou na cama, e ficou deitada ao
lado de Dani, com um sorriso satisfeito nos lábios. Dani abriu um enorme
sorriso. Aquela era a sua posição preferida. Com Mel tinha gostado
ainda mais.
Se deitou em cima de Mel, que a recebeu com um beijo
longo, demorado, transbordando sensualidade.
Imediatamente, Dani sentiu o desejo aflorar de novo. Escorregou as pernas entre
as dela, abrindo-as. Mel correspondeu, subindo a mão para os seios de
Dani.
Dani desceu a boca sobre o pescoço dela, chupando
com vontade aquela pele deliciosa que parecia se derreter para ela. Mel apenas
gemia... E dizia coisas sussurradas, fazendo Dani sentir a umidade entre as
pernas aumentar.
Admirou os seios dela – tão lindos! – antes de
colocar um deles na boca. Dani sugou o seio com voracidade, acariciando o outro
com a mão, estimulando o biquinho duro a níveis mais altos de
desejo, fazendo Mel arquear o corpo, ofegante, querendo mais. Dani deslizou
a mão pela barriga dela, descendo para o ventre, chegando nas coxas...
A tocou entre as pernas, ela estava encharcada... Acariciou o sexo inchado com
movimentos suaves. Mel deu um gemido mais alto, fazendo Dani acelerar o ritmo
dos dedos, e descer a boca pelo mesmo caminho que tinha percorrido com as mãos.
As coxas de Mel estavam deliciosamente quentes, e Dani se demorou muito tempo
por ali, beijando, lambendo, chupando e fazendo Mel empurrar a cabeça
dela em direção a seu sexo, pedindo:
- Põe essa boca em mim, vai...
Dani riu, e aproveitou para continuar a tortura. Passou
a língua demoradamente no ponto rígido, intumescido que se oferecia
para ela.
Mel puxava os cabelos dela, quase desesperada, já
não conseguindo respirar direito, e então finalmente, a boca de
Dani mergulhou faminta, lambendo com força, chupando de uma forma tão
intensa que Mel pensou que ia gozar rapidamente.
Mas Dani não deixou. Quando a sentia estremecer
mais forte parava, depois voltava a chupar com uma lentidão enlouquecedora.
Fez isso várias vezes. Mel só gemia, totalmente rendida nas mãos
de Dani, se deixando levar a um nível de prazer quase insuportável.
Quando Dani sentiu
que Mel estava começando a gozar, a penetrou fundo com os dedos, se deliciando
com o prazer dela.
Mel continuou um tempo de olhos fechados, a respiração
alterada... Então puxou Dani, fazendo-a se deitar sobre ela. A beijou
com sofreguidão, ronronando como uma gatinha satisfeita...
Então a girou, trocando rapidamente de posição
com ela... Querendo devorar Dani,
desceu a boca direto para o sexo dela, passando a língua e sugando com
urgência. Dani gemeu, se contorceu, estremeceu, e se entregou totalmente
àquela língua que a saboreava afoita, com pressa. A fome que Mel
sentia por ela parecia insaciável. Só parou quando Dani finalmente
pediu arrego, depois de gozar na boca e nos dedos dela várias e repetidas
vezes.
Capítulo 18: No início tudo são
flores...
E foi assim a noite toda e o resto do Carnaval, as duas
se entregando completamente à paixão recém descoberta,
se amando pelo apartamento de Mel inteiro.
No começo Mel ficava tensa cada vez que o celular
de Dani tocava ou recebia mensagens – e não foram poucas vezes – mas
depois relaxou, afinal de contas, ela não estava respondendo mesmo...
Estava absurdamente feliz. Dani correspondia cada frase, cada gesto, cada beijo
da mesma forma apaixonada. Mas ainda assim, sabia que era melhor ir devagar.
Sufocou várias vezes as palavras que sem querer queriam saltar de sua
boca. Não sabia como Dani poderia reagir, era muito cedo. Ainda precisava
de tempo para poder dizer “eu amo você” sem medo.
Para Dani tudo era novidade. Nunca tinha ficado com a
mesma mulher tanto tempo. Também nunca tinha sentido aquele desejo que
não se esgotava, só ficava
cada vez ficava mais intenso. Achava Mel a mulher mais linda, doce, carinhosa,
meiga, gostosa e incansável do mundo inteiro... Estava tão apaixonada,
que por várias vezes quase soltou um “eu te amo” sem querer. Era uma
frase que nunca tinha dito para ninguém.Uma frase que não se permitiu
dizer.
Na 5ª feira de manhã, se separaram com dificuldade.
Mas Mel não tinha como deixar de ir para o trabalho, tinha uma reunião
importante com um novo cliente.
Deixou Dani em casa, parou o carro na frente da portaria
dela, e se despediram com um beijo longo, ardente, que fez o porteiro quase
cair da cadeira.
Dani entrou em casa flutuando de tão contente.
Ed e Gisa estranharam, ela estava visivelmente diferente. Ed ficou tão
curioso que soltou:
- A farra foi boa, hein? Desde domingo que você
não aparece! Quantas você pegou?
Dani se jogou no sofá, pensando em Mel... Tão
linda, tão única, tão sua... O coração batia
mais forte só de lembrar dos olhos, do gosto, do cheiro, do corpo, daquela
mulher incrível inteira... Soltou um suspiro audível... e disse
com um sorriso imenso no rosto:
- Na verdade, uma...
Ed e Gisa se entreolharam, totalmente surpresos, só
então compreendendo:
- Gisa, me belisca! Não acredito no que os meus
olhos tão vendo! Dani Quadros apaixonada! É o fim do mundo, gente!
Mel passou o dia inteirinho trocando torpedos com Dani.
Cada vez que o celular apitava, o rosto se iluminava e o coração
dava pulos no peito. Algumas mensagens de Dani eram provocantes e ardentes,
outras doces e meigas. Nem preciso dizer que Mel se derretia com todas e cada
uma delas.
Quando faltavam 10 minutos para ir embora enviou:
“Tô saindo do trabalho agora, louca pra te ver.”
E obteve a seguinte resposta:
“Só ver? Pensei que quisesse mais...”
Mel riu tão alto que a secretária do lado
de fora da sala olhou para ela. Escreveu:
“Tá convidando?”
Dani foi direta:
“Não, tô intimando: vem dormir aqui!”
Mel ficou um pouco chocada com a bagunça que era
o apartamento de Dani, mas obviamente, não falou nada. Os amigos de Dani
foram simpáticos, mas na verdade, só teve o tempo de uma cerveja
para conversar com eles, porque Dani tinha pressa em levá-la para o quarto.
Ela pediu para que Mel esperasse na porta, entrou, e
depois de um tempo voltou dizendo que ela podia entrar.
A primeira coisa que Mel sentiu foi um aroma suave de
incenso. As luzes estavam apagadas, e Dani tinha espalhado velas em posições
estratégicas do quarto. Mel não
esperava por essa. Ficou totalmente encantada, sem saber o que dizer, e acabou
deixando escapar sem querer:
- Você é uma caixinha de surpresas...
Dani já estava atrás dela, a abraçando
pela cintura, e parou de beijar o pescoço de Mel por um momento:
- Não gostou?
Mel riu da insegurança na voz dela. Se virou para
Dani, passou os braços ao redor do pescoço dela e a olhou com
o mais lindo de todos os sorrisos:
- Eu adorei!
As bocas se colaram, famintas. Dani abriu os botões
da blusa de Mel, beijando cada pedaço de pele que ficava descoberto.
Tocou os seios dela antes de desabotoar e tirar o sutiã. A língua
explorou com agilidade um dos seios, fazendo Mel gemer. Tirou as calças
dela, a mão a tocando por cima da calcinha, e sentiu Mel amolecer...
A deitou na cama, e deitou entre as pernas dela, o joelho pressionando o sexo
de Mel. Começou a passar os lábios e a língua pelo pescoço
dela, saboreando a pele deliciosamente quente.
Mel tirou a camiseta de Dani para as mãos famintas
poderem acariciar os seios, apertando os bicos delicadamente, se deliciando
com os gemidos que causava.
Voltaram a se beijar, as línguas se devorando
mutuamente. Dani desceu a mão pelo corpo de Mel, fazendo-a se arrepiar. Tocou o sexo dela por cima da calcinha, acariciando o
tecido molhado, e depois enfiando os dedos pelos lados, antes de a despir. Deixou
escapar um gemido quando sentiu o quanto ela estava úmida, pulsante,
ardente em seus dedos.
Mel gemeu quando sentiu os dedos de Dani dentro dela.
Mexeu os quadris, rebolando para ela, dizendo palavras provocantes no ouvido
dela, fazendo Dani a penetrar com força.
Dani adorava aquele jeito entregue, apaixonado de Mel.
Durante o dia todo tinha sentido falta dela. Acelerou o ritmo dos dedos, a fazendo
gemer mais. Mel revirou os olhos e estremeceu. Dani sentiu que ela estava gozando,
colou a boca no ouvido dela e sussurrou, o coração acelerado no
peito:
- Eu amo você!...
Na mesma hora, Mel explodiu de prazer, gemendo alto,
quase gritando, tremendo intensa e demoradamente. Aos poucos relaxou o corpo,
ainda ofegante, e beijou Dani com paixão. Impossível descrever
a emoção que sentia naquele momento. Pensava que iria esperar
muito tempo, mas agora que Dani surpreendentemente tinha dito, podia dizer sem
medo:
- Também te amo!
Dani abriu um sorriso absolutamente deslumbrante. Mel
passou a mão pelos cabelos dela, a segurou pela nuca, unindo novamente
os lábios aos dela, e a ajudou a tirar o resto das roupas. Puxou Dani
de volta para o meio de suas pernas, fazendo os sexos pulsarem um contra o outro.
Dessa vez, se amaram sem pressa, com uma entrega sem
reservas. Gozaram juntas, como Mel gostava, os olhos dela irradiando um amor
tão grande que fizeram os de Dani se encherem de lágrimas.
Ficou deitada em cima de Mel, o rosto nos cabelos dela,
sentindo aquele perfume maravilhoso que era o cheiro dela.... Sem fôlego,
sem defesas, totalmente dela, porque Mel não a tinha tocado apenas fisicamente...
Nunca tinha sentido nada parecido. Estava emocionada, tinha no peito uma felicidade
tão grande que não cabia dentro dela. Não tentou conter
o choro, deixou as lágrimas escorrerem em silêncio.
Mel apenas a abraçou, beijando Dani no rosto,
a acariciando carinhosamente, os olhos também se enchendo de lágrimas
ao entender que tinha rompido a última barreira dela.
Se começasse a chorar seria uma choradeira, então
ao invés disso brincou:
- Foi tão ruim assim?
Dani passou do choro para o riso. Mel tinha realmente
o incrível poder de a fazer feliz. A olhou bem nos olhos, fazendo Mel
estremecer com a intensidade daquele olhar:
- Te amo muito, sabia? Te amo demais!
Mel não conseguia parar de sorrir. Beijou Dani
várias vezes antes de dizer:
- Não mais do que eu amo você!...
No começo foi inevitável que as pessoas
estranhassem. Ed foi o primeiro a dizer:
- Nossa, é uma coisa meio “Eduardo e Mônica”,
sabe? Vocês duas não parecem ter nada a ver...
Mas no final todos se acostumaram. PH e João viviam
dizendo que elas se completavam.
Mel e Dani não tinham tempo para pensar nisso,
ocupadas demais em aproveitar todos os momentos possíveis.
E se antes Dani achava o namoro de Deca e Raq grudento,
acabou indo pelo mesmo caminho. Não suportava dormir longe de Mel, e
vice-versa, assim alternavam uma noite em cada apartamento.
Também tiveram algumas surpresas: Mel adorou descobrir
que Dani cozinhava maravilhosamente bem e adorava escrever bilhetinhos carinhosos.
Dani também não imaginava que Mel desenhasse
como ninguém. Fez vários desenhos de Dani, tão perfeitos
que foi difícil escolher um para pendurar na cortiça de fotos
que Dani tinha no quarto.
Entre idas ao teatro (Dani sempre tinha um amigo no elenco
e conseguia convites), sessões de cinema, algumas festas muito loucas
do pessoal que Dani conhecia, praias, boates, barzinhos, e restaurantes, muitos
restaurantes: churrascarias, rodízios de crepes, de massas, de pizzas,
de comida japonesa e até de petiscos (Mel era a rainha dos rodízios,
e Dani não entendia para onde ia tanta comida...) os 3 primeiros meses
de namoro passaram rapidamente sem problemas. Infelizmente, a perfeição
é apenas uma abstração inexistente...
Capítulo
19: uma pedra no meio do caminho...
O dia começou como todos os outros. Mel acordou,
depois do café tomou um banho rápido e se vestiu. Enquanto escovava
os dentes ficou olhando para Dani ainda adormecida, nua debaixo do lençol.
Ela estava deitada de bruços, com um sorriso adorável nos lábios.
Mel suspirou... Era uma dificuldade enorme que tinha todas as manhãs:
levantar da cama quentinha deixando Daniele.
Deitou em cima de Dani, pressionando o corpo contra o dela, a beijando no pescoço...
Dani deu um gemido gostoso, ainda sem acordar. Mel a beijou na boca e ela correspondeu
preguiçosamente, sem abrir os olhos. Balançou a cabeça
concordando quando Mel disse:
- Amor, já tô indo... Vou morrer de saudade...
Mel a beijou mais uma vez, e usando toda a sua força
de vontade, saiu sem olhar para trás, porque todas as manhãs em
que tinha caído na besteira de olhar tinha acabado voltando para a cama,
chegando terrivelmente atrasada no trabalho.
Dani acordou bem mais tarde. Se espreguiçou e rolou para o lado de Mel
da cama, enfiando o rosto no travesseiro que ainda estava com o delicioso perfume
dela. Deu um suspiro e levantou, desejando que fosse sábado ou domingo,
quando podiam ficar juntas na cama até tarde.
Foi até a cozinha, onde Mel tinha deixado o café
da manhã pronto para ela na mesa, junto com um bilhetinho que dizia:
“Bom dia, meu amor! Queria estar aí com você...”, como sempre fazia.
Mel era assim, romântica, meiga, carinhosa, absolutamente
linda e adorável...
Quando terminou, lavou e guardou as coisas cuidadosamente, mesmo sabendo que
quando chegasse Mel ia arrumar tudo de novo do jeito dela. Da mesma forma, fez
a cama, apesar de ter certeza de que Mel ia refazer também. Não
que Mel reclamasse, pelo contrário, nunca tinha dito nada. Mas ficava
claro que o que para Dani estava muito bem arrumado não chegava nem perto
da organização perfeita de Mel. Tudo bem, isso às vezes
irritava Dani um pouco, mas não o bastante para que ela precisasse falar.
Levou Nicole para passear rapidinho. Ia fazer um teste
para um comercial do Jornal Extra, com um cachê para lá de tentador.
Tomou um banho demorado, passando o texto em voz alta. Se arrumou toda, se maquiando
cuidadosamente.
Mandou um torpedo para Mel, dizendo:
“Amor, já tô saindo, torce por mim!”
Quando saiu, trancando a porta com a chave que Mel tinha
feito para ela, recebeu a resposta, como sempre perfeita:
“Se depender da minha torcida, já é seu!”
Encontrou várias pessoas conhecidas no teste. Fez o melhor possível,
e saiu com a impressão de que foi muito bem. Estava enviando um torpedo
para Mel contando como tinha sido, quando uma loirinha empolgadíssima
parou na sua frente:
- Dani Quadros! Não acredito! Não te veejo desde os tempos da Uni-Rio!
Você não mudou nada, hein? Continua o mesmo pedaço de mau
caminho!
Se abraçaram, trocando dois beijinhos. Bel tinha sido da turma de Dani.
Nunca tinham se falado muito, até o 4o período, quando Bel a convidou
para fazer a cena final de interpretação com ela. A cena que tinha
escolhido era a primeira de “Álbum de Família” de Nelson Rodrigues.
Bel fazendo Teresa e Dani como Glória. O que Dani não sabia era
que Bel estava cheia de más intenções.
Para quem não conhece a cena, transcrevo o texto como Nelson originalmente
escreveu:
(Palco menor: cena mostra ângulo de um dormitório de
colégio. Cama de grades. Deitadas, lado a lado - Glória e Teresa,
ambas em finíssimas camisolas, muito transparentes. São meninas
que aparentam 15 anos. Há entre as duas um ambiente de idílio.)
TERESA – Você jura?
GLÓRIA – Juro.
TERESA – Por Deus?
GLÓRIA – Claro!
(Nota importante: é importante que se observe um desequilíbrio
entre as duas: o sentimento de Teresa é mais ativo, mais absorvente ;
ao passo que Glória, embora admitindo o idílio, resiste mais ao
êxtase)
TERESA – Então, quero ver. Mas, depressa, que a irmã pode vir.
GLÓRIA (erguendo a cabeça) – Juro que...
TERESA (retificando) – Juro por Deus...
GLÓRIA – Juro por Deus...
TERESA – ... que não me casarei nunca...
GLÓRIA – ... que não me casarei nunca...
TERESA – ... que serei fiel a você até à morte.
GLÓRIA – ... que serei fiel a você até à morte.
(Pausa. As duas se olham. Teresa encosta o nariz no rosto de Glória,
amassa o nariz no rosto de Glória.)
TERESA – E que nem namora.
GLÓRIA – E que nem namoro.
TERESA (apaixonada) – Também juro por Deus que não me casarei
nunca, que só amarei você, e que nenhum homem me beijará.
GLÓRIA (menos trágica) – Só quero ver.
TERESA (trêmula) – Segura minha mão assim. (olhando-a profundamente)
Se você morrer um dia, nem sei!
GLÓRIA – Não fala bobagem!
TERESA – Mas não quero que você morra, nunca! Só depois
de mim. (com uma nova expressão, embelezada) Ou então, ao mesmo
tempo, juntas. Eu e você enterradas no mesmo caixão.
GLÓRIA – Você gostaria?
TERESA (no seu transporte) – Seria tão bom, mas tão bom!
GLÓRIA (prática) – Mas no mesmo caixão não dá
– nem deixam!
TERESA (sempre apaixonada) – Me beija!
(Glória beija na face, com certa frivolidade.)
TERESA – Na boca!
(Beijam-se na boca. Teresa de uma forma absoluta.)
TERESA (agradecida) – Nunca nos beijamos na boca – é a primeira vez.
GLÓRIA – (Como se experimentasse o gosto do beijo) Interessante!
TERESA – (um pouco inquieta) Gostou, mas muito?
GLÓRIA – Na boca é diferente, não é?
TERESA – Você vai se esquecer de mim!
GLÓRIA – (Frívola) Boba!
TERESA – (Arrebatada) Você nunca encontrará alguém que te
ame como eu – duvido!
GLÓRIA – Então, não sei?
TERESA – (sempre com a iniciativa) Me beija outra vez...
(Depois do beijo longo)
GLÓRIA – (sem saber se gostou ou não) Teus lábios são
frios, quer dizer – molhados.
TERESA – (feliz) Lógico. É a saliva...
(Apaga-se a pequena cena do dormitório.)
Durante os ensaios, quando chegava na hora do segundo beijo, Bel enfiava a língua
na boca e Dani com vontade. Fazendo o maior esforço para ser profissional,
Dani ficava na dela, fingindo não perceber. Foi uma semana inteira de
tortura. Na apresentação para a banca, Dani correspondeu, colando
a língua na dela com a mesma intensidade. O beijo durou mais de 2 minutos
(tempo absurdamente longo para uma cena tão pequena). Os outros alunos
assobiaram, aplaudiram, a nota delas caiu para 9 por causa do tempo excedido,
e as duas acabaram passando o próximo tempo de aula inteiro trepando
no banheiro do 3o. andar. Depois disso ficaram amigas – por conta de Dani, é
claro – apesar de Bel querer muito repetir.
Bel disparou, só parando quando ria:
- Você foi a primeira mulher que eu beiijei na boca, sabia? Claro que depois
eu não parei mais... Que cena foi aquela nossa, hein? Se não foi
a melhor que eu já fiz, com certeza foi a mais gostosa... Caramba, mas
que coincidência, Dani! Tava mesmo pensando em você... Hoje tem
um teste para uma montagem de “Senhora dos Afogados”, você tem que fazer!
A peça tem patrocínio, vai pagar até os ensaios. Acho que
tem tudo a ver com você, né, “menina de Nelson” ?
Dani tinha conseguido esse apelido depois de fazer 2 práticas de montagem
(matérias em que os alunos participam de espetáculos montados
pelos alunos de direção da escola) interpretando personagens “Rodrigueanas”:
Glorinha de “Perdoa-me por te traíres” e Moema de “Senhora dos Afogados”.
O convite era irrecusável. Além do dinheiro, era uma de suas peças
favoritas. Anotou o endereço e o horário do teste. Tinha que apresentar
uma cena de expressão corporal e uma cena com texto. Voltou para casa
e passou o resto da tarde se preparando. Mel ficou toda contente, deu a maior
força quando soube. Com o incentivo dela, Dani fez tudo sem nenhum esforço.
Chegou para o teste no Teatro do Jockey pontualmente. Não estava muito
cheio, sinal de que tinha sido pouco divulgado. Qualquer outra pessoa acharia
bem melhor, pois assim teria menos concorrência, mas para Dani era indiferente.
Era muito boa no que fazia, e tinha plena consciência disso.
Estava entregando currículo e foto para o rapaz simpático encarregado
disso, quando Bel veio correndo para perto dela:
- Que bom que você veio! Peguei uma sennha para você...
Dani agradeceu, e foi se trocar no banheiro. Vestiu uma roupa de malha preta.
Quando acabou de aquecer corpo e voz, chamaram o número dela.
Dani entrou e se posicionou no meio do palco. Os refletores a impediam de ver
a dona da voz que perguntou seu nome. Respondeu, já sentindo o friozinho
na barriga que adorava. Sabia muito bem parecer totalmente calma e controlada
para quem olhava. Além disso, usava como ninguém a adrenalina
para aumentar a energia que precisava no palco.
Fez a cena com toda a verdade e intensidade que tinha. Saiu com a certeza de
que tinha arrasado. Assim que trocou de roupa e saiu do banheiro, ouviu o rapaz
que distribuía as senhas dizendo que a diretora ia conversar com algumas
pessoas que ela tinha pré-selecionado. Ou seja, quem não fosse
chamado estava fora. Ele disse apenas 5 nomes, entre eles os de Dani e Bel.
Quando Bel voltou lá de dentro, tinha um sorriso safado no rosto:
- Nossa! Acho que to apaixonada! Que muulher é essa, meu Deus?!
E então já era a vez de Dani. Dessa vez a diretora estava sentada
numa das cadeiras da primeira fileira da platéia, fazendo anotações
num papel. Sem levantar a cabeça, pediu para que Dani sentasse na cadeira
em frente à ela.
Dani a observou atentamente. Cabelos castanhos escuros lisos cortados na altura
das orelhas, calça jeans, blusa preta, as pernas cruzadas em posição
de lótus em cima da cadeira... Nada demais. Mas Bel sempre tinha sido
meio exagerada mesmo.
Foi então que a mulher levantou a cabeça e a fitou, com os olhos
azuis num tom quase violeta a olhando tão profundamente que Dani estremeceu.
A mulher sorriu, parecendo acostumada com a reação das pessoas
a seu olhar, e disse:
- Você é exatamente o que eu tava procuurando
Vendo a expressão surpresa de Dani, continuou:
- Seu teste não deixou dúvidas: você é minha Moema.
O papel é seu, parabéns!
Dani tinha conseguido o papel principal. Mas não estava nada satisfeita.
Se sentia insegura e confusa, porque desde que tinha começado a namorar
Mel, não tinha mais sentido atração por nenhuma outra mulher.
Como nunca tinha se apaixonado antes, pensava que era assim mesmo, mas agora
estava preocupada. Porque tudo na mulher na sua frente a deixava excitada: a
voz, o jeito de olhar, os gestos... Estava se controlando para não a
devorar com os olhos.
Sabia que era um perigo, porque em primeiro lugar ela era a diretora do espetáculo.
Ou seja, qualquer tipo de envolvimento era encrenca na certa. Em segundo e mais
importante que tudo, porque havia Mel. A amava, era loucamente apaixonada por
ela. Tinha certeza.
Como podia então achar a outra tão interessante?
Percebeu que tinha parado de ouvir o que a mulher dizia.
Se esforçou para voltar a se concentrar:
- Bom, Dani, então bem vinda a bordo! O Fábio
vai te passar todas as informações que você precisa. Começamos
2a feira. Tenho certeza que vamos fazer um ótimo trabalho juntas!
Estendeu a mão para Dani, que a apertou de leve.
A outra segurou a mão dela com firmeza, o contato com a pele dela causando
uma espécie de choque em Dani.
A mulher olhou fixamente para ela, e Dani não conseguiu definir o significado
daquele olhar. Apenas disse:
- Então até 2a feira...
Só então lembrou que ainda não sabia
o nome dela. Como se lesse pensamentos, ela disse:
- Denise.
Dani tirou a mão que ainda estava na dela, se
despediu, e saiu dali o mais depressa possível.
Capítulo 20: A Tempestade se anuncia...
Aparentemente as coisas estavam correndo bem. Além
dos ensaios, Dani gravou o comercial do Jornal Extra. Mel adorou, ficou toda
orgulhosa da namorada. Deixava a televisão ligada só para poder
ver o maior número de vezes. Até porque, já não
estavam mais se vendo tanto como antes. Pelo menos não quando estavam
acordadas. Os horários não batiam.
Quando Mel chegava do trabalho, Dani estava saindo para
o ensaio. Quando Dani voltava do ensaio, por volta de 2h da
manhã, já estava dormindo. E quando saía de manhã,
era Dani quem estava dormindo.
Sobrava o final de semana, quando nenhuma das duas trabalhava,
mas Dani já tinha avisado que nas duas últimas semanas antes da
estréia nem isso...
Mel ficava um pouco chateada, mas seriam apenas 3 meses,
e Dani estava tão feliz... Compensava procurando fazer parte, ajudando
no que podia.
Não era esforço nenhum. Tudo que dizia
respeito a Dani a interessava e muito.
Além disso, durante a semana Dani ia todos os
dias depois do ensaio para o apartamento de Mel, para poderem dormir juntas.
Nas 6as feiras Mel a buscava no final do ensaio, e passavam o final de semana
no apartamento que ela dividia com os amigos. Era praticamente um casamento,
e Mel começou a pensar seriamente em conversar com Dani sobre isso assim
que a peça estreasse.
Começou a não ir aos almoços de
família, não queria se separar de Dani no domingo.
Os pais reclamaram tanto, que acabou resolvendo levar Dani junto. Era uma decisão
inédita. Nunca tinha levado nenhuma de suas namoradas na casa dos pais.
Mas Dani era diferente, queria compartilhar com ela toda a sua vida...
Em princípio ela não quis ir, alegando que a mãe de Mel ia perceber assim que as visse
juntas, mas Mel insistiu tanto que acabou concordando.
No começo Dani ficou muito sem graça. A
mãe de Mel não tirava os olhos dela, exatamente como tinha previsto.
Se deu muito bem com o pai, os irmãos e as cunhadas de Mel, como sempre esbanjando charme e simpatia.
Mas o que aqueceu o coração de Mel foi
o carinho e a atenção que ela deu às crianças, fazendo
os sobrinhos ficarem apaixonadas por ela. Mel não conseguia disfarçar,
olhava abobada para Dani.
O pequenininho não saía por nada do colo
dela, enquanto os outros dois a rodeavam, conversando sobre o último
livro de “Harry Potter”. Dani parecia adorar e saber tudo sobre o assunto. Os
meninos, que eram fanáticos pelo bruxinho, estavam empolgadíssimos.
A mãe de Mel chamou a filha no escritório,
com cara de poucos amigos. Fechou a porta e disse:
- O que você tem com essa moça, Melissa?
Mel ficou lívida. Demorou um tempo para responder:
- Como assim, mamãe?
A mãe a olhou friamente, antes de dizer:
- Você acha que consegue me enganar? Não
que você tenha tentado... A forma como você olha pra ela... Poderia
pelo menos disfarçar! Assim que bati os olhos em vocês duas eu
percebi.
Mel ainda tentou negar:
- Ela é minha amiga.
Mas a mãe foi direta:
- Não adianta negar, tá na cara. O que
eu fiz de errado, me diz? Minha única filha, meu Deus! Eu não
aceito isso, tá ouvindo? Muito menos dentro da minha casa! Quero essa
menina fora daqui agora. Tá entendido?
As lágrimas escorriam dos olhos de Mel, quando
ela disse:
- Que absurdo, mamãe! Que coisa mais ridícula!
Fique sabendo que "essa menina" é a mulher que eu amo. Expulsar
ela da sua casa é a mesma coisa que me expulsar também. Se ela
não pode ficar, eu também não venho mais aqui.
Saiu uma fera do escritório. Entrou como um furacão
na sala. Pegou Dani pela mão, dizendo:
- Vamos embora.
Dani levantou, confusa, foi sendo puxada por Mel, com
as crianças atrás, e os adultos olhando sem entender nada. Saíram
sem se despedir de ninguém. Mel sequer olhou para trás. Quando
entraram no carro ela desabou. Abraçou Dani, contando o que tinha acontecido,
chorando sem parar.
Dani ficou acariciando os cabelos dela, a abraçando,
ouvindo tudo quietinha. Um tristeza imensa a invadia. Não queria ver
Mel sofrendo, brigando com a mãe por causa dela... Só o que conseguiu
dizer foi:
- Eu sinto muito, amor. Não queria que isso tivesse
acontecido.
Tentou convencê-la a fazer as pazes com a mãe,
mas Mel era terrivelmente cabeça dura.
Disse que só voltaria a falar com a mãe se ela pedisse desculpas.
E com isso, encerrou o assunto.
A vida de Dani estava uma correria. Se Mel não
fosse tão compreensiva, com certeza o namoro já teria ido por
água a baixo. Mesmo com elas tendo menos tempo juntas, Mel a ajudava
a decorar o texto e ouvia pacientemente Dani falar sobre o espetáculo
e a personagem que fazia.
Por isso Dani fazia questão de dormir todos os
dias no apartamento dela. Quando chegava do ensaio, cansada, mas ligada demais
para conseguir dormir, encontrava Mel deitada na cama, uma delícia...
Tomava um banho rápido e tentava acordá-la
com beijos e carícias. Nem sempre conseguia. Isso a deixava um pouco
frustrada, mas procurava compensar tudo nos sábados se domingos.
Mel não tinha voltado a falar com a mãe,
isso a preocupava muitíssimo. Dani mais do que ninguém sabia a
falta que uma mãe fazia. Foram nas casas dos irmãos de Mel algumas
vezes, eles nada comentaram. Se sabiam alguma coisa fingiam que não,
e tratavam Dani muito bem, mas apenas como amiga da irmã.
Os ensaios estavam sendo maravilhosos, a não ser
por um pequeno detalhe chamado Denise. A mulher a deixava perturbada. Não
que ela desse alguma atenção diferenciada para Dani. Mas com certeza,
a olhava de um jeito que chegava a deixar Dani inacreditavelmente inibida.
Sonhou com ela várias vezes, sonhos quentes, eróticos,
inconfessáveis. Depois acordava, sempre com Mel a abraçando e
se sentia culpada. Mas não tinha como controlar o inconsciente, tinha?
Denise sempre fazia exercícios de improvisação
onde interferia chegando perto dos atores e falando com eles no ouvido. Cada
vez que aquela boca chegava perto da orelha de Dani, ela ficava completamente
tensa. Mas não passava disso.
E assim os 3 meses se passaram, e a semana da estréia
chegou. O resto do elenco saiu para beber, por isso Dani estava sozinha no ponto
de ônibus quando um Celta Verde parou na frente dela. A janela se abriu
e Denise a olhou lá de dentro com aqueles olhos azuis absurdos:
- To indo pra Ipanema, quer uma carona?
Dani pensou em recusar, mas estava cansada, já
era tarde, ela estava indo exatamente para o mesmo lugar que ela, então
acabou aceitando.
Foram conversando sobre o espetáculo, Denise elogiando
Dani e dando alguns toques, nada de sério, apenas detalhes. Ela era minuciosa
ao extremo, exatamente o tipo de direção que Dani adorava.
Quando chegaram na esquina de Mel, Dani agradeceu, tirou
o cinto, e já ia abrindo a porta quando sentiu uma mão segurar
seu braço. Se virou para Denise, que a olhou dentro dos olhos. Dani estremeceu.
Os olhos azuis passaram para sua boca, dizendo:
- Tenho resistido com todas as minhas forças...
Mas cada dia tem sido mais difícil... Você é um tesão,
menina...
A boca de Denise foi se aproximando da de Dani. Apesar
da atração forte, irresistível que aquela mulher exercia
sobre ela, Dani queria fugir. Recuou, grudou as costas na porta, mas não
adiantou. Denise avançou e colou a boca com violência na dela.
Foi um beijo sem delicadeza nenhuma, bruto, quase rude, extravasando meses de
desejo reprimido. Ficaram alguns minutos assim, ofegantes, as línguas
se devorando, as mãos avidamente se percorrendo por cima das roupas,
as peles parecendo queimar de tão quentes.
Quando a mão de Denise tocou um dos seios de Dani,
ela rapidamente voltou à si. Pensou em Mel, dormindo sozinha, esperando
por ela, e foi o que bastou para que empurrasse a outra bruscamente, dizendo:
- Eu não posso...
Mas as duas sabiam que não tinha dito que não
queria. Saiu quase correndo, sem se despedir. Entrou no apartamento com o coração
ainda acelerado. Demorou alguns minutos para se recompor e entrar no quarto.
Mel estava deitada, adormecida, com um dos braços debaixo do travesseiro,
os lábios entreabertos, tão linda... Estava começando a
achar que não a merecia.
Tomou um banho frio demorado, sem conseguir evitar lembrar
do beijo no carro, a sensação daqueles lábios quentes e
macios, as mãos da outra despertando nela um desejo impossível...
Se xingando mentalmente, sentou ao lado de Mel na cama.
Deitou atrás dela, se deliciando
com o perfume doce da namorada, colando o corpo no
de Mel. Ela soltou um som de satisfação bem baixinho.
Dani sentiu uma umidade gostosa entre as pernas e imediatamente
se esqueceu de Denise.
Beijou o pescoço de Mel, a mão subindo,
acariciando os quadris, a barriga. Tocou um dos seios, apertou com suavidade
o biquinho que imediatamente endureceu.
Mel suspirou, ainda dormindo... Dani desceu os dedos
até o meio das pernas dela, e habilmente
acariciou o ponto que se tornou pulsante, intumescido, molhado em suas mãos.
Mel já estava acordada... Deixou escapar um gemido, se virou para Dani,
e colou a boca apaixonadamente na dela.
Capítulo
21: A vida é feita de difíceis escolhas...
Dani não teve como deixar de comparar os dois
beijos. Eram totalmente diferentes em intensidade, gosto, jeito...
Mel achou Dani estranha, mas pensou que fosse nervosismo
de estréia. Interrompeu o beijo, perguntando:
- Que foi?
Dani se assustou com a pergunta. Arregalou os olhos,
abriu e fechou a boca várias vezes, como se fosse falar, mas nada disse.
Mel riu, e completou:
- Calma, amor... Tá tensa com a estréia,
né?
As mãos de Mel já estavam nos seios dela,
acariciando lentamente, fazendo Dani gemer:
- Pode deixar que eu sei como relaxar você...
Desceu a boca sobre o pescoço de Dani, beijou
a parte mais sensível, causando arrepios. Mordeu a nuca dela, o joelho
se enfiando entre as pernas, as abrindo.
Dani acariciou as costas dela com as mãos. Depois
colocou um seio na boca, o chupou com força, arrancando vários
gemidos. Depois passou para o outro seio, lambendo, sugando o biquinho, o fazendo
ficar cada vez mais rígido.
Mel movia os quadris sensualmente, esfregando o sexo
molhado no de Dani.
Dani sentia Mel quase gozando, mas estava completamente
travada, não ia conseguir gozar junto com ela. Sem tirar a boca do seio,
desceu a mão pela barriga dela, até o ventre, acariciou o sexo
dela, enfiando os dedos, tirando, acariciando novamente... Mel gemia alto, rebolando
na mão dela, cada vez mais rápido. Dani acompanhou o ritmo dela,
até Mel estremecer e depois desabar em cima dela.
Mel não sabia o porque, mas Dani estava estranhamente
tensa, quase em outra sintonia. Suspirou fundo. Estava disposta a reverter aquela
situação. Olhou Dani nos olhos, e a beijou demoradamente. Desceu
a boca pelo pescoço dela, saboreou os seios com uma lentidão desesperadora.
Tocou, beijou, lambeu e chupou cada pedacinho do corpo de Dani sem pressa, arrancando
gemidos, suspiros e palavras desconexas.
A fez ficar bem entregue antes de mergulhar a boca no
sexo dela, passando a língua com vontade, fazendo-a gritar alto e explodir
em tremores e espasmos. Depois deitou ao lado dela, e logo Dani adormeceu, inteiramente
mole, relaxada e rendida em seus braços.
Quando Dani acordou no dia seguinte, estava se sentindo
muito culpada. O cheiro de Mel estava no lençol, no travesseiro, em sua
pele, em seus dedos... Tinha uma mulher maravilhosa, perfeita.
Mas não conseguia se sentir tranqüila, porque
a lembrança do beijo trocado com Denise ainda a atormentava. Passou o
dia inteiro nervosa, sem conseguir fazer nada direito, morrendo de medo de encontrar
com a outra no ensaio.
Mel mandou vários torpedos fofos, preocupada com
a namorada. Isso só aumentou o remorso que Dani sentia.
Chegou no teatro um pouco atrasada. Trocou de roupa rapidamente
no camarim, sem olhar nem falar com ninguém. Bel estranhou:
- Dani, você tá bem?
- Essa estréia tá me deixando louca.
- Relaxa, linda! Você tá arrebentando!
O assistente de direção avisou que Denise
estava querendo todos no palco. Dani ficou agradecida pelos refletores em cima
deles. Mal conseguia distinguir Denise, sentada no fundo da arquibancada, cercada
pela ficha técnica inteira.
Era o ensaio geral, último antes da estréia,
e ela estava fazendo as últimas críticas, mudanças e observações.
O elenco estava muito entrosado, e tudo correu perfeitamente
bem. Quando acabou, Dani estava aliviada, louca para sair dali. Já ia
trocar de roupa quando Denise disse:
- Quero passar o final mais uma vez. Quem não
estiver na cena pode ir.
Dani ficou paralisada. O final era só ela.
Sem poder fazer nada, viu todas as pessoas saírem.
Até o assistente ela dispensou. Ficaram as duas sozinhas.
Denise desceu a arquibancada inteira, e se sentou no
meio da primeira fila, olhando Dani fixamente. Dani perguntou, com uma raiva
evidente na voz:
- De onde?
- Da última fala de Misael.
Dani fez a cena. Quando acabou, Denise apenas disse:
- De novo!
Dani fez toda a cena novamente.
- Outra vez!
Foi só o que Denise falou. Dani repetiu, respirando
fundo para afastar o ódio que estava sentindo. Quando acabou e Denise
a mandou fazer mais uma vez, perdeu a paciência:
- Vou ficar repetindo a noite inteira?
Denise respondeu com um sorriso provocante:
- Se eu quiser, sim.
Dani a olhou de cara fechada:
- Não vai me dizer o que quer que eu corrija?
Denise se levantou, se aproximou de Dani, a olhou dos
pés à cabeça, depois a fitou bem dentro dos olhos, e disse:
- Nada. A cena tá perfeita. Te mandei ficar por
isso...
Colou a boca na de Dani, os braços já em
volta da cintura dela. Dani foi pega de surpresa, e quando percebeu, a língua
da outra já estava enroscada na sua, as mãos dela levantando o
vestido do figurino, percorrendo suas coxas, a fazendo perder o pouco de vontade
própria que tinha. Pensou em Mel, tentando se controlar, fazendo um esforço
enorme para resistir... Sem forças para lutar, a sentiu enfiar os dedos
pela lateral de sua calcinha. Quando Denise tocou o sexo de Dani, ela começou
a respirar com dificuldade. Não de tesão, como Denise queria,
mas por causa da asma.
Dani empurrou Denise, correu para o camarim, pegou a
bombinha na bolsa e a aspirou 3 vezes. Nunca uma crise asmática a tinha
deixado tão feliz. Sentou numa das cadeiras, quase rindo, e esperou a
respiração voltar ao normal.
Denise apareceu na porta:
- Tudo bem com você?
Dani não a olhou, apenas balançou a cabeça
dizendo que sim.
- Quer uma carona?
- Não.
Respondeu na mesma hora. A outra ainda insistiu:
- Deixa de besteira... Vamos...
- Já disse que não.
Denise deu de ombros:
- Como quiser, então...
E saiu. Dani respirou aliviada. Tinha tido muita, mas
muita sorte mesmo. Jurou para si mesma que aquilo não ia se repetir.
Nem que tivesse que sair da peça.
Nesse exato momento, viu uma luzinha piscando na lateral
da bolsa. Tinha deixado o celular no silencioso, e alguém estava ligando.
Atendeu o mais rápido que pode, porque era Mel:
- Amor, onde você tá?
Estranhou ela ligar aquela hora, normalmente já
estaria dormindo:
- No teatro ainda.
Mel parecia muito preocupada:
- Tá tudo bem?
Por alguns instantes, Dani cogitou a possibilidade dela
saber o que tinha acontecido. Sabia que era impossível, mas gaguejou
quando respondeu:
- Tu... tudo... porque?
- Não sei... tô com uma sensação
esquisita, não tô conseguindo dormir... Tá tudo bem mesmo?
Sua voz tá tão estranha...
Dani apertou a bombinha 3 vezes de puro nervosismo. Mel
imediatamente perguntou:
- Que barulho é esse? Tá usando a bombinha,
amor?
Dani teve que dizer:
- Tô sim, mas...
Antes que Dani pudesse falar qualquer outra coisa, disse:
- Vou te buscar. Me espera aí.
E desligou. Dani abaixou a cabeça, e deixou escapar
um gemido. Não merecia a mulher que tinha.
Capítulo 22: O sabor acre-doce da estréia...
Imaginem como Dani acordou no dia seguinte... Com uma
ressaca moral horrível... Mel não só a tinha buscado no
teatro, como também a enchera de cuidados e mimos. Tinha dormido com
a cabeça apoiada no peito dela, com as batidas do coração
de Mel batendo em seu ouvido...
Era o dia da estréia, mas a ansiedade de Dani
não era por causa disso.
Passou o texto mentalmente na cabeça várias
vezes. Chegou no teatro duas horas antes, fez um aquecimento corporal intenso,
e quando voltou ao camarim para se maquiar, Bel veio correndo em sua direção,
quase gritando:
- Adivinha? Você recebeu flores...
Tinha um magnífico buquê de flores de cores
vivas junto com as coisas dela. Dani abriu e leu o cartão sorrindo:
“Muita merda pra vc, meu amor!
da sua maior fã, que te ama muito, muito, muito...e
muito!”
E a assinatura de Mel, com a caligrafia impecável
dela.
Dani tinha contado sobre a superstição
que todas as pessoas de teatro tem: desejar boa sorte dava azar. Por isso se
deseja merda. Gracinha como sempre, Mel tinha lembrado. As flores eram lindas,
e Dani amou, é claro.
Se maquiou e vestiu com uma alegria enorme no coração.
Quando já estava pronta, ligou para ela:
- Oi amor! Amei as flores, são lindas! Claro que
você é muito mais...
Quase a podia ver sorrindo só pelo tom de voz:
- Não, você é mais...
As duas riram, felizes. Dani perguntou:
- Já chegou?
- Já. Tá todo mundo aqui: a Deca, a Raq,
a Gisa, o Ed, o João e o PH. Tamos esperando a porta abrir.
O assistente chamou o elenco para o palco.
- Amor, tenho que ir...
- Arrasa, tá? Te amo! Beijo...
- Te amo! Beijo...
Desligou, guardou o celular e correu para o palco. Todos
já estavam lá. Denise pediu que formassem uma roda, de mãos
dadas, deu algumas últimas instruções, incentivou a todos,
muito parecido com o que faz um técnico. Depois de gritarem “Merda”,
todos saíram do palco e Denise ordenou:
- Pode abrir!
Não dá para descrever esse momento em que
o burburinho do público entrando chega no ouvido dos atores, confirmando
que em questão de minutos vão entrar em cena. Por mais experiência
que se tenha, é um friozinho inevitável. O primeiro sinal tocou,
e o segundo um pouco depois. A gravação de agradecimento aos patrocinadores
entrou...
Na coxia, Dani fez um último aquecimento vocal,
e estava totalmente concentrada quando o terceiro sinal soou.
O espetáculo começou com um B.O. (black-out).
Apenas uma música de fundo baixinha que aos poucos foi aumentando conforme
a luz ia surgindo e mostrando os atores no meio do cenário.
No centro do palco estava Dani. Os olhos de Mel não
conseguiam se desgrudar dela. No começo pensou que era porque era a mulher
que amava, mas aos poucos foi percebendo o silêncio absoluto que se fazia
cada vez que ela entrava em cena.
Ela era muito mais do que boa, era incrível...
Deixava a platéia hipnotizada, dominada com cada gesto, cada palavra.
Apesar da personagem não ser nem de longe uma mocinha, nem estabelecer
nenhum tipo de empatia, tinha o público em suas mãos.
Não que Mel tivesse alguma dúvida sobre
o talento de Dani antes disso, mas ainda não a tinha visto atuar. Se
fosse possível, se apaixonaria de novo por ela naquele instante.
O final do espetáculo era Dani sozinha em cena,
mas o palco parecia totalmente preenchido. Depois de uma interpretação
intensa, emocionante, a luz foi caindo, novo B.O, e as palmas explodiram.
Dani se juntou ao resto do elenco, que formou um paredão
no fundo do palco antes da luz voltar a acender. O agradecimento também
era ensaiado, e Dani era a última a ir para frente.
O público estava todo aplaudindo de pé,
outra emoção indescritível... Impossível não
abrir um sorriso, o coração batendo forte no peito, o corpo totalmente
quente, suado, a energia pulsando, muito parecido com o que se sente depois
de sexo bem feito.
Procurou Mel com os olhos. Ela estava com os olhos brilhantes,
fixos em Dani, sorrindo daquele jeitinho dela que fazia Dani achar que a vida
fazia sentido. Dani jogou um beijo para ela, fazendo crescer o sorriso.
Avançou, sentindo que os aplausos aumentavam e
se curvou agradecendo. Depois o elenco todo se juntou a ela, deram as mãos
e agradeceram juntos antes de sair.
Denise foi ao camarim, elogiando a todos. Dani nem olhou
para ela. Estavam todos combinando sair para comemorar a estréia, mas
Dani não tinha a menor intenção de levar Mel para um lugar
onde Denise estivesse. Tirou a maquiagem e trocou de roupa rapidamente, pegou
a bolsa, o buquê de flores, e saiu quase correndo. Quando chegou no foyer,
não parou para falar com ninguém no caminho, foi direto para Mel.
Ela estava conversando na rodinha formada pelos amigos. Dani tocou suavemente
no ombro dela. Mel se virou e se atirou nos braços dela, a abraçando
com força, dizendo:
- Você tava maravilhosa! Adorei!
E depois baixinho no ouvido dela:
- Ai, amor, você
é um tesão em cena!
Dani brincou:
- Tá apaixonada pela Moema, é?
- Fala baixo, porque minha namorada é muito ciumenta!
Elas riram e se abraçaram novamente.
Dani olhou para a sua direita e gelou, porque até
então não tinha percebido Denise parada ao lado de Mel, que disse:
- Amor, a sua diretora tava aqui convidando a gente pra
comemorar a estréia, parece que o elenco vai todo pro Pizza Park do Humaitá.
Denise completou:
- Nosso apoiador. E a atriz principal não pode
deixar de ir.
Dani ia dar uma desculpa, quando Mel passou a sua frente:
- Nós vamos, né amor?
E Dani não teve opção senão
responder a contra gosto:
- Claro...
Na pizzaria foi tudo tranqüilo. A mesa era grande
demais, e Dani se sentou no meio dos amigos, bem longe de Denise. Estava feliz,
foi muito elogiada e todos tinham gostado muito do espetáculo. Ficou
de mãos dadas com Mel o tempo inteiro. Estava louca para chegar em casa,
a jogar na cama, a devorar inteira... Mel a olhava com um sorrisinho provocante,
safado, a fazendo saber que estava pensando a mesma coisa que ela.
Foi quando Bel chegou perto delas dizendo:
- A galera decidiu ir na Fosfobox dançar um pouco.
Dani não queria abusar da sorte. Rapidamente respondeu:
- Não, tô cansada, e amanhã tem peça.
Vamos pra casa, né, amor?
Antes que Mel pudesse responder, Ed interferiu:
- Meninas, hoje é 6ª feira e faz séculos
que vocês não saem com a gente!
Gisa apoiou:
- Mel, dá uma força pra gente, vai...
Mel então sugeriu, por livre e espontânea
pressão:
- Só um pouquinho, amor... Não vamos ficar
muito tempo.
Dani não queria ir de jeito nenhum. Com um aperto no peito, quase um mau pressentimento, concordou. Só porque Mel tinha pedido.
Capítulo 23: Causa e efeito...
Deca e Raq decidiram não ir. Dani e Mel se despediram,
e foram para Copacabana levando Ed, Gisa, PH e João.
A boate estava cheia. Dani foi direto no bar falar com
Eve, ex-namorada de uma amiga da Uni-Rio, e sem dúvida, a melhor bar
woman da cidade. Apresentou Mel, e ficaram namorando por ali mesmo.
Para alívio de Dani, o pessoal da peça
se espalhou, ficando fora de vista. Ainda assim ela fez o máximo de esforço
para não ir ao banheiro, sabidamente um lugar perigoso com Denise por
perto.
Mas teve uma hora que não agüentou. Gisa
tinha sumido, Mel não quis ir com ela, preferiu dançar um pouco
com o primo. Não tendo outro jeito, foi ao banheiro sozinha.
Quando saiu do reservado, Denise estava na porta. A empurrou
para dentro e encostou Dani na parede, comprimindo o corpo no dela. O beijo
foi inevitável.
Dani resistiu bravamente, uma luta travada dentro dela.
Nunca tinha tentado se controlar assim. Jamais tinha deixado de seguir seus
desejos e instintos. Mas também nunca tinha amado ninguém antes.
E apesar da língua que invadia sua boca, e da atração insana
que sentia por aquela mulher, conseguiu se afastar e dizer não.
Denise ficou surpresa com a firmeza de Dani. A olhou
interrogativamente. Dani apenas disse:
- Eu não quero.
Quando saiu do reservado, gelou. Deu de cara com Mel
na frente dela:
- Mudei de idéia, amor. Devia ter vindo com você,
né?
Sabe aqueles momentos onde uma única ação
pode mudar tudo? O momento era aquele. Mas Dani ficou paralisada, sem ação,
e não conseguiu reagir a tempo de evitar que Mel a puxasse pela mão
para entrarem juntas no reservado, dando de cara com Denise.
Mel olhou de uma para a outra. Denise apenas abaixou
a cabeça. Dani a olhou com desespero, medo, uma verdadeira confissão
de culpa...
Mel passou por ela, sem nada dizer, mas Dani a impediu
de sair do banheiro. Mel se soltou, dizendo:
- Eu devia te matar de pancada! Mas quer saber? Nem isso
você merece!
E saiu do banheiro. Dani foi atrás correndo:
- Espera, Mel... Me deixa explicar...
Mel se virou para ela. Dani nunca tinha visto olhos mais
frios em toda a sua vida:
- Não, deixa eu explicar pra você: acabou.
Entendeu?
Dani tentou pegar as mãos dela, mas Mel não
deixou:
- Presta atenção no que eu vou te dizer,
Dani Quadros. Isso que você faz, qualquer uma pode fazer. Sexo é
a coisa mais fácil de se conseguir, meu amor. O que a gente tinha, o
que eu te dei, era especial. Mas você não deu valor, jogou fora
como se fosse lixo. Aliás, tudo que você toca vira lixo.
Dani estava desesperada. As lágrimas escorriam
dos olhos dela, uma dor profunda a fazia quase gritar:
- Eu te amo, Mel! Você sabe disso... Por favor,
me perdoa... Eu amo muito você!...
Mel olhou Dani nos olhos, com uma raiva imensa:
- Você não me conhece mesmo... Acha que
é só dizer que me ama, pedir desculpas e fica tudo bem?
Dani não sabia o que fazer. Não conseguia
parar de chorar, não conseguia pensar direito, estava perdendo para sempre
a mulher que amava... Abraçou Mel, beijou o pescoço dela, o rosto,
a boca...
Mel se manteve dura, rígida, sem corresponder.
Apenas desviou o rosto e afastou Dani com uma indiferença assustadora:
- Acho que você ainda não entendeu.
- Mel, não faz isso... Por favor... Você...
você não é assim...
Mel sorriu. Um sorriso nada doce. Cheio de ironia e desprezo:
- Vou te dizer como eu sou, meu amor: quando eu quero
ser boa, sou ótima. Mas quando quero ser má, sou melhor ainda!
Deu as costas, indo em direção à
pista de dança. Entrou no meio das pessoas dançando, se juntou
a PH e João movida pela raiva, dizendo:
- Tô na pista!
Dani ficou ali parada sozinha,
olhando, totalmente sem ação. Parecia que estava vendo Mel pela
primeira vez na vida. Ela era linda dançando... Provocante, sensual,
excitante... O coração de Dani doía só de cogitar
que a tinha perdido para sempre...
Viu quando ela foi para o bar, pegou uma bebida e uma
morena com um enorme sorriso se encostou ao lado dela.
Mel olhou para a morena sorridente e abusivamente bonita
e sorriu.
Dani quase morreu. Não conseguia ouvir o que elas
conversavam, nem precisava, pelos olhares que trocavam...
A morena se inclinou, falou alguma coisa no ouvido de
Mel, que riu... Depois entregou um papelzinho para ela, inclinou o rosto bem
perto de Mel, os lábios quase se tocando...
Dani não conseguiu se conter. Se aproximou das
duas, parou na frente de Mel, que continuou como se ela não existisse.
A morena recuou, e olhou para Mel interrogativamente. Mel balançou a
cabeça como quem diz: “Não liga não”, pegou a morena pela
mão e foi voltando para a pista. As duas começaram a dançar
juntas, os corpos se encostando, de forma cada vez mais insinuante...
Dani não conseguia desviar os olhos... Viu quando
os braços de Mel envolveram o pescoço da outra, que a segurou
pela cintura. Devagar, em câmera lenta sob o ponto de vista torturante
de Dani, as bocas se encostaram...
Ficar olhando Mel aos beijos com outra a fez sentir uma
onda de calor abrasiva, incontrolável. Dani nunca tinha sentido aquilo
na vida, um ciúme que a deixava cega, irracional.
Foi até elas, puxou Mel pelo braço, e a
arrancou dos braços da morena. A agarrou
à força, enfiando a língua naquela boca antes tão
receptiva, mas que agora tentava se livrar da dela.
Mel se debatia nos braços de Dani, a esmurrava,
tentando empurrá-la, mas Dani não a soltava. Conhecia Mel muito
bem ... Começou a sentir o corpo dela amolecer com seus toques...
Por mais que Mel desejasse Dani, não ia se render.
Não depois do que ela tinha feito. Mordeu o lábio inferior dela
com força, chegando a sentir um gostinho de sangue, mas nem assim Dani
a soltou.
Foram interrompidas por um dos seguranças da casa,
que pediu para que Dani o acompanhasse. Antes de sair, disse para Mel:
- Te espero na sua casa.
Mel olhou significativamente para a morena, respondendo:
- Não vou pra casa hoje.
O segurança pegou Dani pelo braço, e a
expulsou. Ficou um tempo na porta da boate, ligou para Mel, mas ela não
atendeu. Então mandou vários torpedos para ela, implorando, se
humilhando, rastejando mesmo. Não ligava. A única coisa que importava
era ter Mel de volta. Mas não obteve uma resposta sequer.
Só quando finalmente resolveu atravessar a rua
viu o celta verde parado na sua frente. A janela se abriu, e Denise sorriu para
ela, dizendo:
- Entra. Quero conversar com você.
Capítulo 24: Contratempos...
Dani a ignorou, e começou a andar. Denise saiu
do carro e a segurou pelo braço:
- Vai me fazer correr atrás de você pela
cidade inteira?
Assim que Dani saiu, Mel decidiu ir embora. Mas não
para casa. Muito menos com a morena. Mel não era chegada a sexo casual,
lembram?
Não queria encontrar com Dani, então resolveu
ir para a casa do primo. Ofereceu uma carona para a morena, que aceitou, claro.
Saiu da boate ao lado dela, seguida de PH e João.
Viu Dani a uns poucos metros de distância, com Denise. Quando Dani a viu,
correu atrás dela, sem se importar com o resto das pessoas:
- Mel, por favor... eu preciso conversar com você...
Mel não respondeu, sequer diminuiu o passo. Dani
se colocou na frente dela, chorando, mas Mel não a olhava.
- Mel, eu te amo... Me desculpa... Por favor... Eu não
quero te perder...
PH e João se afastaram, constrangidos. A morena
não arredou do lado de Mel. Dani implorou, suplicou, aos prantos, desprovida
de qualquer tipo de orgulho, amor próprio, dignidade ou qualquer outra
coisa que não fosse um profundo desespero. Mel apenas disse:
- Pensasse nisso antes, meu bem.
Dani continuou, soluçando:
- Me perdoa... Mel, você... você é
tudo pra mim... Eu...eu não vivo sem você...
Se Mel não tivesse visto Dani com Denise depois
de tudo que tinha acontecido, teria se comovido. Mas sentia um ódio profundo
naquele momento, que a fez dizer:
- Então você é muito mais burra do
que eu pensei.
Mel passou por Dani, entrou no carro, e foi embora, com
a morena ao lado dela no banco da frente...
Dani sentiu um vazio, uma dor por dentro, como se uma
febre gelada ardesse em seu ventre, abdômen e peito... Chorou convulsivamente, o corpo sacudido por soluços.
Rapidamente os pulmões reagiram se fechando e a deixando sem ar. Caiu
ajoelhada na calçada, mas não estava se importando, pelo contrário,
desejou ardentemente apenas poder parar de respirar.
Denise se aproximou, se abaixou ao lado dela, a preocupação
evidente na voz:
- Cadê sua bombinha?
Dani apenas tentava puxar o ar, sem responder. Denise
a sacudiu, quase gritando:
- Fala, Dani! Onde tá?
Pegou a bolsa de Dani, abriu, procurou, sem conseguir
encontrar. A bombinha estava com Mel. Mas Dani não conseguia falar. Denise
a levantou, ajudou a caminhar até o carro, com muita dificuldade a colocou
no banco de trás, e correu para o hospital mais próximo.
Mel deixou a morena em casa, e depois de muita insistência,
acabou dando seu cartão para ela. Quando chegou no prédio do primo,
mudou de idéia:
- Vou pra casa.
PH apenas concordou com a cabeça:
- Fica bem, Melzinha. Qualquer coisa me liga!
Voltou para casa com a cabeça a mil. Entrou no
apartamento, e se decepcionou, porque Dani não estava lá. Cada
cantinho a fazia lembrar dela. Só então se permitiu desabar. Depois
que começou, não conseguiu mais parar de chorar. Ficou acordada
a noite inteira, e cada vez que ouvia o som do elevador subindo tinha a esperança
de que fosse ela. Mas Dani não apareceu.
Dani foi atendida rapidamente. A pedido dela, Denise
ligou para o pai de Dani. Ele chegou esbaforido, de chinelos, estranhando a
ausência de Mel. Não tinha ido ver o espetáculo porque detestava
aquele frissom de estréia.
Depois de medicada e de ter feito nebulização,
Dani já estava se sentindo um pouco melhor. O único problema era
a fraqueza. Mal conseguia manter os olhos abertos, precisava descansar. Foi
para a casa do pai, onde apagou, dormiu a noite inteira.
O dia seguinte era sábado e Mel ficou sozinha
em casa, as recordações a corroendo. Normalmente preparava um
café caprichado e levava para Dani na cama. Dani reclamava, querendo
dormir mais, e depois se espreguiçava fazendo o lençol escorregar
de propósito. Mel então colocava a bandeja na mesinha de cabeceira,
pulava em cima dela e faziam amor a manhã inteira.
Além de estar com o rosto inchado de tanto chorar,
Mel não tinha fome nem sono nenhum. Depois de um banho quente demorado,
tomou um remédio para dormir. Se deitou na cama, e abraçada com
o travesseiro de Dani, finalmente adormeceu.
Dani acordou na casa do pai. Não conseguia esconder
a tristeza. Ele apenas perguntou:
- Dani, cadê a Mel?
- Ela... eu...
Não conseguiu responder. Os soluços subiram
por sua garganta, incontrolavelmente. O pai apenas a abraçou, dizendo:
- Calma, filha. Pra tudo tem jeito.
Mas Dani estava começando a achar que não.
Ligou para Mel várias vezes, no telefone de casa e no celular, mas ela
não atendeu.
Foi direto para a casa dela. Nicole a recebeu na porta,
toda feliz. Mel estava deitada na cama com uma camisola curtinha, abraçada
num travesseiro, dormindo profundamente. A vontade de Dani era tirar a roupa,
se deitar ao lado dela, a despertar com as mãos, com a língua,
com a boca... Se ajoelhou no chão na frente dela. Tirou uma mecha de
cabelos dourados que caía em seu rosto, e a beijou levemente nos lábios.
Mel suspirou, ainda dormindo...
Dani ficou olhando para ela, tão linda, seu amor. A beijou de novo, dessa vez apaixonadamente. Mel correspondeu,
e Dani aprofundou o beijo, enfiando a língua entre os lábios dela.
Mel gemeu, naquele estado semi-adormecido. Aos poucos
foi tomando consciência de que o beijo era real, não estava mais
sonhando. Como se tomasse um choque, a empurrou. Dani caiu sentada no chão
e a fitou. Os olhos de Mel estavam tão sérios, que Dani recuou.
Capítulo 25: Provando o vazio...
Mel levantou da cama, fuzilando Dani com os olhos:
- O que você pensa que tá fazendo?
E sem dar tempo de Dani dizer ou fazer qualquer coisa,
caminhou até o armário e o abriu.
Foi tirando todas as roupas de Dani que estavam lá
dentro, as jogando com força em cima dela:
- Aproveita e leva tudo com você.
Para Dani aquilo foi a gota d’água. Perdeu completamente
a cabeça. Ficou de pé quase num salto, chutando as roupas no chão
em volta dela antes de se aproximar de Mel.
Mel continuou parada, ofegante, os olhos brilhando de
raiva. Por um momento elas se fitaram, a poucos centímetros de distância,
se desafiando. Exatamente como antes.
Se moveram com uma sincronia perfeita, exatamente ao
mesmo tempo, uma em direção à outra, se agarrando com loucura,
colando os lábios num beijo irracional, faminto, cheio de desespero.
Dani se entregou ao beijo, uma pontinha de esperança
aparecendo... Tocando Mel com todo seu amor, paixão, desejo. Sentindo
que ela estava se entregando, correspondendo...
Mel se odiou por estar cedendo, não podia se deixar
levar pelo que sentia por Dani, queria arrancar aquilo de dentro dela. Lembrou
de Denise dentro do banheiro... Imaginou quantas vezes as duas não tinham
ficado juntas, em tudo que Dani deveria ter feito com ela...
As mãos de Mel deixaram de acariciar, passaram
a tocar com fúria. Dani tentou fugir do beijo que se tornou agressivo,
brutal, punitivo, da língua que se enfiava em sua boca com violência.
Não queria daquele jeito, mas Mel a segurou com força, a obrigando
a suportar até o fim. Quando terminou a empurrou para longe, dizendo:
- Pega as suas roupas e sai daqui.
Se sentindo perdida, Dani juntou as roupas no chão,
as lágrimas escorrendo incontrolavelmente.
Aquela desconhecida não era a sua Mel. A mulher
que amava tinha desaparecido, talvez para sempre.
Sem olhar novamente para ela, colocou tudo numa sacola,
e já estava saindo quando ouviu:
- Quero a minha chave de volta.
Tirou a chave do chaveiro, com o coração
rasgando dentro do peito...
Lembrou do dia em que ganhou aquela chave. Mel tinha
colocado na mão dela, com um sorriso deslumbrantemente lindo, sussurrando
gostoso no ouvido de Dani:
- Pra você se sentir em casa, amor...
Devolveu a chave com uma dor tão grande nos olhos
que Mel até sentiu pena. Sentiu pena, mas se controlou, porque a raiva
que sentia por ter sido traída era muito maior.
Dani saiu, e Mel fechou a porta. Dani ficou parada no
corredor, em frente à porta fechada, sem conseguir se mover.
A impressão que tinha era que uma névoa
cinzenta encobria sua visão, sugando sua energia vital, a deixando apática,
totalmente vencida.
Só depois de algum tempo conseguiu caminhar como
um autômato até o elevador, sair do prédio, e vagar pela
rua sem destino.
Do lado de dentro, Mel apoiou as mãos na porta,
encostando a testa na madeira, respirando com dificuldade, um choro silencioso
sacudindo seu corpo inteiro.
Não soube dizer quanto tempo ficou ali, deixando
as lágrimas descerem livremente. A angústia se tornou tão
grande que esqueceu tudo que não fosse a vontade que sentia de Dani.
Num impulso, chegou a abrir a porta. Mas era tarde demais.
O corredor já estava completamente vazio.