A  Sensual  Virna

 

PARTE  9

 

 

Capítulo 14

 

 Virna estava sentada com as costas  recostadas contra a porta, os joelhos apoiando seus braços cruzados e a cabeça repousada neles. Ao ouvir Alex e Flávia chegarem, ela levantou a cabeça e empalideceu visivelmente ao ver Alex acompanhada por uma bela mulher.

 

Alex a fitou surpresa, mas recuperou-se e controlou o impulso de tomá-la entre os braços. Ao vê-la ali, fitando-a com receio, Alex sentiu o quanto ela era sua. A orgulhosa Virna Del Fosco sentada no chão, à sua espera! Nunca imaginara que ela fizesse isso! Sua amiga Flávia tinha razão. Tinha que valorizar-se, mostrar à Virna que ela não a tinha nas mãos. Mesmo que isso  não fosse verdade.

 

Olhou-a com aparente frieza. E teve vontade de fazê-la sofrer também, vingar-se dos insultos e da bofetada que ela lhe dera.

 

-O que está fazendo aqui à essa hora, Virna? – Perguntou em tom frio.

 

Virna ergueu-se agilmente e olhou para Flávia, que a fitava curiosa. Voltou a olhar para Alex e seu olhar demonstrou o quanto estava abalada ao vê-la chegar com uma mulher em casa.

 

-Estava esperando-a – Declarou, humildemente – Onde estava, Alex?Liguei para seu celular e só dava mensagem de desligado.

 

Alex ignorou a pergunta e fez as apresentações com voz seca:

 

-Virna, apresento-lhe Flávia Biancchini.

 

Virna estendeu a mão para Flávia. Alex notou que a mão dela tremia.

 

-Muito prazer, Flávia... – Disse, com voz trêmula.

 

Flávia sorriu, sacudindo a mão dela.

 

-Igualmente, Virna.

 

-Vamos entrar – Disse Alex, tirando a chave do bolso.

 

Flávia a fitou significativamente e contestou:

 

-Alex, não vou entrar. Vou para casa. Não precisa mais de minha companhia.

 

-Flávia, já é tão tarde! Não vou deixá-la ir sozinha para casa à essa hora da madrugada! – Protestou Alex.

 

-Não se preocupe, aqui passam muitos táxis. Logo pegarei um.

 

-Então, vou  esperar o táxi com você.

 

-Não precisa, já vou. Ciao!

 

E Flávia entrou  no elevador e fechou a porta, acenando sorrindo. O elevador desceu.

 

Alex olhou para Virna, que a fitava expectante. Abriu a porta do apartamento  e entraram. Fechou a porta com calma, acendeu a luz e voltou-se. Virna a fitava insegura e pálida.

 

-Como conseguiu subir até aqui?

 

-Uma moradora entrou e entrei junto com ela. Disse que havia perdido minha chave. Você ia dormir com essa moça, Alex? – Perguntou, com um fio de voz.

 

Alex a fitou friamente.

 

-Ela ia dormir aqui para fazer-me companhia, mas não precisou. O que veio fazer aqui, Virna?

 

-Eu... fiquei preocupada com você...saiu tão intempestivamente! Eu a segui logo depois. Estou aqui há mais de três horas.

 

Alex avançou pelo apartamento para o quarto, com Virna no seu encalço. Chegou lá e voltou-se, forçando um olhar indiferente. Precisava de uma prova que Virna a amava de verdade e para isso estava disposta a fazer uma encenação.

 

-Estou cansada, Virna. Não estou disposta para discussões.

 

-Não vim aqui para discutir, Alex – Declarou Virna, com voz humilde – E sim para pedir desculpas. Eu não devia ter falado aquelas coisas para você, nem tê-la agredido. É que perdi a cabeça...

 

Alex cruzou os braços, fitando-a com as sobrancelhas erguidas.

 

-Já fez tudo que queria, não é? Insultou-me, agrediu-me! Duvidou de mim! E agora acha que pode consertar tudo com uma desculpa! Quer saber de uma coisa? Você e Paola são duas neuróticas! Já estou farta dos temperamentos  de vocês! Não preciso aturar isso! – Jogou,com voz exasperada.

 

Nos belos olhos de Virna lágrimas brilharam.

 

-Alex! Não me quer mais? Quer... acabar com tudo entre nós?!

 

Alex notou o medo na voz de Virna. E prosseguiu, sentindo um prazer sádico em vê-la assim, temendo o final da relação entre elas:

 

-Bem, estive pensando. Acho que seria bom nos separarmos. A paz voltaria à sua casa. Eu também teria paz. Você ficaria com seus homens, e eu com minhas mulheres.

 

Virna a encarou chocada.

 

-Alex! Como pode falar essas coisas?! Eu a amo! Só quero você, ninguém mais me interessa! – Disse, com voz embargada, como se ela estivesse fazendo um esforço para não chorar.

 

Alex continuou o jogo, sentindo uma louca emoção em ver Virna transtornada por medo de perdê-la:

 

-Mentira, você não me ama!Só quer usar-me para saciar seus desejos, como faz com todos seus amantes! Você quer ficar comigo e com Lorenzo, porque ele lhe dá respeitabilidade aos olhos de seus amigos, enquanto que comigo você se envergonharia de nossa relação ser conhecida ! E eu não vou continuar aceitando essa situação! Posso ter uma mulher que me queira de verdade, que não se envergonhe de nosso amor! Que seja somente minha!

 

Virna a fitou com lágrimas rolando pelo rosto. Parecia devastada pelas suas palavras. Ela se aproximou e pegou Alex pelos ombros, sacudindo-a .

 

-Alex, você está com essa moça que saiu daqui?  Trocou-me por ela?  Não me ama mais? Então, foi tudo uma mentira?

 

Alex a fitou nos olhos, sem responder. Era emocionante ver aquela mulher belíssima chorando por causa dela. Mas queria mais.  Era tão bom vê-la assim, demonstrando que a amava com loucura! Queria ver até onde Virna chegaria. Era uma oportunidade única!

 

-Largue-me. Não quero que me toque mais. Você não ama ninguém a não ser você mesma, Virna.

 

Alex viu o desespero nos olhos de Virna. Ela soltou seus ombros, recuando um passo.

 

-Alex, eu a amo demais, adoro você! Farei o que quiser para provar isso! Por favor...diga que ainda me quer...que só está querendo vingar-se de mim...

 

-Não, não a quero mais. Você passou dos limites. Quero que vá embora!

 

-A ...Alex!... – Balbuciou ela, desesperada, com os lábios trêmulos, o olhar angustiado – Está... está falando sério?!

 

-Estou. Vá embora, Virna. Está tudo terminado entre nós – Declarou, muito séria.

 

Um soluço veio aos lábios de Virna. Ela voltou-se para a porta do quarto com o corpo tremendo, vergado como se estivesse arregando um grande peso. Caminhou lentamente para a saída, com passos incertos.

 

Alex estava paralisada pela surpresa. Esperava que Virna a insultasse, ou que insistisse mais. Mas não aquela saída mostrando uma pessoa totalmente derrotada.

 

-Meu Deus, o que estou fazendo com a mulher que amo? – Sussurrou, arrependida. Foi atrás dela apressadamente. Alcançou-a na sala, já estendendo a mão para a maçaneta da porta. Puxou-a pelo braço, fazendo-a voltar-se, e a abraçou fortemente. Virna soluçava, agarrada à ela.

 

-Meu amor, não é verdade o que falei! – Disse Alex, chovendo beijos no rosto de Virna – Eu a quero muito, eu a amo demais!

 

Ela afastou o rosto para fitá-la, os belos olhos molhados de lágrimas. Seu olhar expressava uma dor indizível.

 

-Alex! Por Dio, não me faça sofrer assim!

 

Alex enxugou as lágrimas dela com beijos cheios de ternura.

 

-Virna! Oh, Virna! Eu a amo! Amo! – Disse,com ímpeto apaixonado. Os beijos se tornaram ardentes.

 

Virna parou de chorar e se afastou mais uma vez para fitá-la ainda com receio. Perguntou com voz trêmula:

 

-E Flávia? Você está... interessada nela?

 

Alex sorriu, acariciando o rosto dela com os polegares ternamente.

 

-Flávia é uma velha amiga, sua boba...como pôde acreditar em tudo que eu disse? Não percebeu que eu estava testando-a? Queria saber se você  me amava de verdade!

 

Virna sorriu entre lágrimas, suspirando aliviada, mas reclamando:

 

-Alex, como você é vingativa e sádica! Como me torturou e humilhou!

 

Alex beijou suavemente o rosto que tinha entre as mãos. Fitou-a séria, nos olhos.

 

-Eu precisava dessa prova, Virna. Agora, acredito em seu amor. Posso sonhar com um futuro para nós.Eu achava que você não me queria de verdade, que no final iria me dar um chute e ficar com Lorenzo.

 

-Oh, Alex, não duvide de meu amor! Beije-me mais, diga que me ama também, que nunca vai deixar-me! Faça amor comigo! Preciso sentir você me amando! – Disse Virna, entre beijos ardentes.

 

Alex beijou-a com ímpeto e Virna gemeu. Alex lembrou que a boca de Virna estava ferida pelas bofetadas de Paola e separou-se, fitando-a ternamente.

 

-Desculpe-me, meu amor...sua boca está machucada e eu a forcei com meus beijos. Vou procurar ter mais cuidado.

 

Virna a fitou com desejo louco.

 

-Não, não se contenha...eu a quero bem louca...faça tudo que quiser, Alex...sou sua, toda sua...

 

Foram para o quarto entre beijos e uma despiu a outra, se admirando mutuamente. Virna deitou puxando Alex em um abraço e suas bocas se colaram em um beijo apaixonado. Alex tentou suavizar o beijo, preocupada com a boca de Virna, mas ela esmagou os lábios nos seus, gemendo, as mãos precorrendo o corpo de Alex em carícias provocativas. Alex desceu pelo corpo perfeito em beijos e chupões e assaltou o sexo com sua boca faminta, sugando, passando a ponta da língua, enfiando dedos, querendo dar o máximo prazer ao seu amor. Virna começou a mover o corpo alucinada, apertando a cabeça de Alex contra seu sexo em fogo, falando palavras ardentes que mais excitavam Alex. O êxtase  chegou absoluto, intenso, fazendo Virna gritar, contraindo-se:

 

-Aaahhhhh, Alex! Amor! Amor!

 

Alex deitou ao lado dela, suada, pensando em descansar um pouco antes de prosseguir. Mas Virna deitou sobre ela e passou a atacá-la com beijos famintos. E Virna a possuiu com a mesma loucura com que se entregou, arrancando gemidos de prazer de Alex. Olhavam-se enfeitiçadas, as mãos trocando carícias arrebatadas, os corpos se movendo unidos, à procura do prazer. Alex soltou os cabelos de Virna e os beijou, sentindo os cabelos sedosos e perfumados caindo sobre seu rosto como uma cortina de seda. Virna desceu para seus seios, beijando-os, passando a ponta da língua nos biquinhos enrigecidos, depois os sugando cariciosamente, mordiscando com cuidado, as mãos deslizando pelo seu corpo em carícias sensuais até o sexo de pêlos louros.

 

Virna ergueu o rosto e a fitou com desejo no olhar.

 

-Dê-se para mim, Alex... como nunca se deu para alguém... eu preciso sentí-la toda minha...

 

Alex a fitou com paixão, respirando entrecortadamente.

 

-Eu também sou toda sua, amor... possua-me...

 

Virna sorriu e a abraçou, se levantando e a puxando com ela para fora da cama.

 

-De pé, amore... quero possuí-la em pé... – disse, beijando o canto dos lábios de Alex, atiçando seu desejo.  Colocou Alex encostada na parede, com um pé apoiado na cama, e se ajoelhou diante dela, abrindo o sexo com os polegares e tomando-o na boca faminta.

 

Alex mordeu a mão para não gritar. Era enlouquecedor sentir aquela boca faminta e quente a sugando-a com tanto desejo, as mãos macias  segurando suas coxas com firmeza, ouvindo os sons que Virna fazia sugando-a . Olhou para baixo, vendo a cabeça de cabelos negros diante de seu sexo se movendo e sentiu o orgasmo assaltar  seu corpo, fazendo-a fechar os olhos e se contrair contra aquela boca, gemendo alto. Virna continuou, sem querer parar. Alex sentiu suas pernas bambas e puxou Virna pelos cabelos para cima, dizendo com voz trêmula:

 

-Quer me matar? Venha cá, minha deliciosa tarada...

 

Virna subiu, esfregando a boca pelo seu corpo. Os rostos se nivelaram, Virna a fitando com uma expressão sensual. Ela a abraçou apertadamente, dizendo com voz sussurrante, dando curtos beijos no rosto de Alex:

 

-Gostou do que fiz?... Foi gostoso?... Quer mais? Eu a amo, Alex... e quero que seja tão minha quanto sou sua...

 

Alex beijou-a no queixo, sorrindo.

 

-Você é uma devassa, Virna... e eu adoro mulher devassa...que faz de tudo para ter prazer... que não tem pudor de se entregar toda...

 

Virna começou a se esfregar no corpo de Alex, movendo os quadris, de olhos fechados.

 

-Fale, Alex... me provoque... me faça ficar louca com suas palavras...

 

O aroma do corpo de Virna era um afrodisíaco para Alex. Beijou-a no pescoço macio, passando a ponta da língua cariciosamente.

 

-Eu estou sentindo a sua excitação, Virna... você está tão molhada... adoro o cheiro de seu sexo excitado...

 

Virna abriu as coxas, para seu sexo se esfregar na coxa de Alex. Ela começou a se mover com mais vigor, soltando gemidos no ouvido de Alex.

 

-Isso, amor... adoro sentir seu corpo assim... cheio de desejo...

 

Virna começou a estremecer, seus movimentos se tornaram frenéticos. E ela se contraiu e soltou um gemido alto, jogando a cabeça para trás e apertando-se contra Alex, atingindo o êxtase.

 

Virna gozando! Que expressão sensualíssima!Como a adorava nesse momento, pensou Alex, fitando-a fascinada. Virna era linda. Aqueles olhos semi-cerrados, a boca sensual, a enfeitiçava.

 

Virna abriu os olhos e sorriu, vendo-a fitando-a estática.

 

-O que foi, amor? Por que me olha assim?

 

-Estou observando sua beleza, meu amor...

 

-Mesmo com o rosto machucado? Devo estar horrível...

 

-Você nunca ficará horrível, Virna...

 

Virna riu. Afastou-se e a olhou de cima à baixo, com admiração.

 

-Você também é uma mulher linda, Alex... eu a olho e não vejo nenhum defeito.

 

-Oh, a cegueira do amor... – Riu Alex – Acho melhor nós tomarmos um banho, estou suada e cansada... já é tão tarde...vamos?

 

-Tudo que quiser, amore...

 

Alex a pegou pela mão e foram para o banheiro.  Virna, enquanto a banheira enchia, contou à Alex que havia terminado com Lorenzo antes de sair de casa. Ele a quisera impedir de sair e ela havia gritado que não o amava e estava tudo terminado entre eles.

 

Alex sentiu uma alegria intensa em ouvir a notícia. Finalmente, Virna era somente sua!

 

Ela encheu a banheira e tomaram um delicioso banho entre beijos e abraços. Somente duas horas depois se entregaram ao sono, abraçadas.

 

 

 

 

Capítulo 15

 

 

Só acordaram depois das dez horas da manhã. A primeira coisa que Alex notou em Virna foi o rosto dela, que havia voltado ao normal, sem inchação.Tinha apenas uma pequena marca roxa no canto da boca, mas era coisa mínima.

 

Virna alegrou-se quando Alex falou como estava e correu para se olhar no espelho, completamente nua. Alex a fitou admirando o corpo enquanto ela se olhou criticamente, passando as mãos no rosto. Ela voltou para a cama sorridente e deitou ao lado de Alex.

 

-Tenho sorte de ter um metabolismo rápido. Graças à Dio já posso olhar para as pessoas sem me sentir uma bruxa. Deve ter sido a noite de amor que tive, que apressou a cura...Alex, estou tão feliz... Paola vai embora para morar em Roma e você poderá ir em minha casa sem problemas... não ficaremos mais separadas. Você quer sempre ficar comigo, amore?

 

Alex sorriu, beijando-a na ponta do nariz.

 

-Claro que sim, meu amor.

 

Os olhos de Virna brilharam. Parecia uma adolescente.

 

-Hoje vou fazer a relação dos convidados para a exposição. E por falar nisso, ainda não conheço as suas obras de arte. Não vai mostrar-me? Estou ansiosa para conhecer seu trabalho.

 

-Com prazer, meu amor. Depois que tomarmos banho e comer o desjejum, vou levá-la ao meu estúdio.

 

Virna se sentou na cama, alegremente.

 

-Então, vamos nos levantar logo!

 

Alex a puxou pelo braço, sorrindo. Abraçou-a, fazendo-a deitar novamente.

 

-Primeiro, dê-me um beijo de bom dia. Temos bastante  tempo.

 

Virna debruçou-se para ela, sorrindo com malícia.

 

-Hummm... já sei o que quer...

 

-E você não quer?

 

Virna colou o corpo ao seu, fitando-a apaixonadamente.

 

-Sempre vou querer, Alex... você me tornou insaciável...

 

Beijaram-se ardentemente.  Se amaram com paixão e somente uma hora depois tomaram um banho de ducha, se vestiram e tomaram um café da manhã  com frutas, bolinhos de queijo e leite. E vestidas apenas com roupões de banho, foram para o estúdio. Alex abriu a porta e Virna entrou, olhando em volta  com curiosidade. Havia apenas três quadros numa parede, de paisagens. Os quadros que iriam para a exposição já estavam numa oficina especializada, sendo emoldurados.

 

-Esses não vão para a exposição – Exclareceu Alex – São os primeiros quadros que pintei, há muitos anos. São de valor estimativo.

 

-Ah... bem que havia percebido uma certa imaturidade neles – Disse Virna, sorrindo aliviada.

 

Alex aproximou-se dos quadros que havia pintado de Paola, que estavam encostados na parede e cobertos. Descobriu todos e olhou para Virna, esperando a reação dela.

 

-Esses são recentes.

 

Virna os olhou impressionada.

 

-Alex, esses são maravilhosos! Eles parecem possuir vida! Você tem talento!

 

Alex a fitou com um sorriso divertido.

 

-Não reconheceu a modelo?

 

Virna a fitou confusa.

 

-A modelo? Eu a conheço?

 

Se aproximou dos quadros, reparando com mais cuidado no rosto retratado. E teve uma surpresa.

 

-Paola? Paola é a modelo?

 

Alex havia se preparado para uma cena de ciúme, mas Virna a surpreendeu. Ela sorriu, apreciando os quadros com olhar crítico.

 

-Você conseguiu captar a essência de Paola, Alex. Realmente, isso exige sensibilidade e talento. E a parte técnica também está perfeita, esse jogo de luz sobre os corpos está sensacional. Estou orgulhosa de seu trabalho. Vai colocá-los na exposição?

 

-Sim, pretendo me desfazer deles.Vou vendê-los porque não faz sentido eu conservá-los comigo depois que terminei com Paola.

 

-Qual é  título deles? Percebo que formam uma triologia, expressando uma mesma idéia.

 

-Você é perceptiva. Tem razão. O título será As Três Faces da Inocência. Era como eu via Paola, e procurei mostrar essa idéia nos quadros. Mas minha imagem de Paola mudou. Mas os quadros expressam inocência, então...

 

-Não precisa se justificar. Eu entendo. Um artista não deve ser impedido de expressar o que sente – Disse com certa ironia – Mas, e se me pintasse, que título daria ao quadro?

 

Alex respondeu sem hesitar, fitando-a apaixonadamente:

 

-O rosto da paixão.Ou simplesmente, Beleza.

 

Virna riu. Abraçou-a, os olhos mergulhando nos seus, em um olhar sedutor.

 

-Queria que me pintasse também. Não é justo somente Paola ter o privilégio de ser retratada por você.

 

Alex espalmou as mãos  no rosto de Virna, acariciando-o .

 

-Quer então posar para mim? Agora? Será o quadro que pintarei com a minha maior emoção. Você é linda e valorizará minha arte. Aposto que será o quadro mais admirado da exposição.

 

-Aceito com o maior prazer do mundo, meu amor...

 

Alex beijou-a suavemente. Era impossível ficar olhando para aquele rosto de perto sem beijá-lo. Virna retribuiu, mas logo se afastou para olhá-la ansiosa.

 

-Como quer retratar-me?

 

-Bem, minha fase atual é pintar nus artísticos. Então, vou pintá-la nua. Tire a roupa e se recoste naquele sofá ali . Vou colocar uma tela no cavalete  e estudaremos uma pose que você deverá ficar.

 

E os preparativos começaram. Alex colocou a tela no cavalete e preparou as tintas na paleta, sentindo uma doce emoção na expectativa de pintar a mulher amada. Fez Virna deitar-se em diversas poses, até se decidir que era melhor ela apenas se reclinar no encosto com a cabeça levemente inclinada para trás. Iria retratá-la apenas do busto para cima, porque queria dar ênfase ao rosto.

 

Virna soltou os cabelos e fez a pose pedida por Alex, os cabelos caindo em cascatas negras pelos ombros perfeitos.

 

E a tarefa começou. Alex olhava para Virna e desenhava seus traços com precisão, empolgada. Em menos de uma hora, a desenhou. Começou então a cobrir o esboço com as tintas. Virna tinha uma tonalidade de pele ideal para ser retratada. A luz incidia naquela pele acetinada e ela brilhava. O contraste dos cabelos negríssimos, com reflexos azulados, produzia um efeito maravilhoso. Externou a sua observação e Virna sorriu sensualmente.

 

-Vou tentar captar a sensualidade desse sorriso – Disse Alex, empolgada – É exatamente essa expressão que quero retratar.

 

O tempo passou sem Alex perceber, imersa em sua tarefa. Quando terminou, já se haviam passado cinco horas.

 

-Virna, terminei! Venha ver e diga o que achou – Disse Alex, excitada, pousando a paleta e o pincel sobre a mesa auxiliar.

 

Virna se ergueu e se espreguiçou.

 

-Per la Madonna, estou toda dormente... como uma modelo consegue ficar tanto tempo na mesma posição?

 

Alex riu, embaraçada.

 

-Desculpe-me, Virna. Normalmente, uma modelo posa em várias seções de pintura por mais ou menos uma hora. Mas eu quis pintar o quadro em uma só vez, retratar você em um dia único, sem interromper minha emoção. E a cansei...

 

-Tutto bene, Alex... deixe-me ver, estou curiosa.

 

Alex se afastou para o lado e Virna se colocou diante do quadro.E se viu naquele quadro. Seu rosto ligeiramente inclinado para trás, visto de frente, os olhos semi-cerrados, os lábios em um meio sorriso, os cabelos negros com reflexos azulados emoldurando o rosto com uma expressão de desejo. Os ombros, os seios, tudo transpirava vida e perfeição, e Virna viu-se refletida nele em toda plenitude de sua beleza. Olhou para Alex, maravilhada.

 

-Alex! Está... deslumbrante! Perfeito! O seu talento está impresso aí, não há dúvidas que você é uma grande artista! Você vai fazer um grande sucesso! 

 

-Procurei fazer o melhor que minha arte permite – Disse Alex, emocionada – Esse quadro ficará em um lugar de destaque na exposição e será invendável. Porque quero presenteá-lo à você.

 

-Oh, amore! Que presente maravilhoso!

 

Virna a abraçou e a beijou emocionada. Afastou-se e a fitou amorosamente, os belos olhos cintilando.

 

-Obrigada, amore. É o mais significativo presente que já recebi em minha vida. E a melhor homenagem que recebi.

 

Alex tirou o avental  que protegia sua roupa e lavou os pincéis e paleta, guardando tudo o armário. Depois,  cobriu o quadro com um lençol e olhou para seu relógio.

 

-Quase cinco horas da tarde. Vamos almoçar? Acredito que esteja faminta como eu.

 

Virna sorriu, pegando sua mão e entrelaçando os dedos nos seus.

 

-Confesso que também estou faminta.Gastamos muita energia nos amando.

 

Alex sorriu para ela, fitando seu corpo com malícia.

 

-Então, vamos comer, mas primeiro, se vista, senão vamos acabar é fazendo outra coisa.

 

Virna riu e foi pegar o roupão sobre o sofá, vestindo-o . Foram para a cozinha e Alex apanhou na geladeira  uma lazanha que sua cozinheira havia feito no dia anterior, esquentando-a no microondas. Virna fez uma salada e ajudou Alex a arrumar tudo na mesa da sala de jantar. Alex   abriu uma garrafa de vinho chianti,  Virna serviu os pratos e se sentaram para comer.

 

-Ao nosso amor, Virna – Brindou Alex, com a taça de vinho.

 

-Ao nosso amor, Alex – Respondeu Virna, erguendo sua taça.

 

Alex fitou Virna com curiosidade.

 

-O que aconteceu ontem, quando chegou em  sua casa? Você contou-me apenas que terminou com Lorenzo, porque ele não a queria deixar sair. Mas, e a sua conversa com Paola?

 

Virna a fitou gravemente.

 

-Como você pode imaginar, foi péssimo.

 

Virna contou todo seu diálogo com Paola, a agressão e a sua saída do quarto. Alex a fitou com carinho, estendendo a mão e apertando a de Virna.

 

-Pobre amor, ele a agrediu justamente no rosto, para marcá-la. Paola foi muito estúpida com você. Arrependo-me de ter ido falar com ela, mas confesso que fiz isso porque estava morrendo de raiva e ciúmes por vê-la nos braços de Lorenzo. Foi uma vingança idiota minha.

 

Virna pegou sua mão e a beijou carinhosamente, fitando-a nos olhos.

 

-Não posso reprovar você, porque agi pior, Alex. Eu fiz uma coisa que sempre reprovei nos outros. Nunca havia sentido ciúmes de ninguém e não soube lidar com esse sentimento. E a insultei e agredi. Mas prometo que nunca mais vou fazer isso, Alex. Eu a amo e não quero ser outra chata na sua vida, agora sei que tenho que controlar-me. É que a cena de você abraçada à Paola foi demais para mim, pensei que estavam reatando o romance – Disse ela, humildemente.

 

Alex a fitou ternamente.

 

-Isso tudo é passado. Vamos de hoje em diante confiar uma na outra, e nada abalará nosso amor. Confiança é a base de um bom relacionamento. Vamos nos unir contra qualquer pessoa que tente nos separar. Agora, conte-me o que aconteceu quando eu saí, com detalhes.

 

-Bene, você saiu correndo e eu a chamei. Você não parou e eu tentei ir atrás de você. Então Lorenzo me segurou pelo braço e disse que eu estava louca em trocá-lo por uma mulher, ainda mais pela amante de minha filha. Eu gritei para ele não se meter em minha vida, porque estava tudo acabado entre eu e ele. Lorenzo me soltou, dizendo que tinha pena de mim, porque eu iria me arrepender e ele não iria me perdoar depois. Eu simplesmente me desvencilhei dele e saí atrás de você, sob os gritos de Paola me xingando. Peguei meu carro e vim atrás de você, desesperada .

 

Alex sorriu.

 

-Há males que vêm para o bem. Só mesmo eu tendo ido falar com Paola despertou em você uma reação que a levou a terminar com Lorenzo. E agora você é toda minha.

 

-Inteiramente, amore...e espero que você também seja somente minha, porque não quero sentir mais o que senti vendo-a chegar com sua amiga Flávia. Eu gelei, Alex. Pensei que você já havia arranjado outra mulher para substituir-me.E quando você me disse aquelas coisas, pareceu que o chão se abria aos meus pés.Oh Alex, eu a amo tanto, não posso mais ficar sem você!

 

Alex a fitou muda de emoção pelas palavras de Virna.Como o amor a havia transformado! Ela não era mais aquela mulher orgulhosa e fria, ali estava apenas uma mulher apaixonada, confessando seus sentimentos com humildade e cheia de amor.

 

Ergueu-se e a abraçou carinhosamente. Virna a fitou nos olhos, abraçando-a pela cintura e apertando a cabeça contra seu corpo.

 

-Eu agora chego a me desconhecer, Alex. Você me tornou uma nova mulher. Nunca antes havia pensado em ser de alguém para sempre, amar e temer perder a pessoa que amo. E sentir ciúme, é algo totalmente incrível, para mim!

 

Alex ficou fitando-a fascinada e Virna riu.

 

-Bene, é melhor acabarmos a refeição, ou vamos acabar novamente na cama.

 

-E isso seria uma coisa ruim? – Sorriu Alex.

 

-Alex, preciso fazer a lista de convidados. Jà a adiei demais.

 

-Oh... está bem.

 

Após o almoço se sentaram na sala de estar e Virna elaborou a sua lista de convidados. Alex ficou impressionada com as pessoas importantes que Virna conhecia. Comentou isso e Virna sorriu e falou com aquele jeito sensual, tão dela:

 

-São amigos mesmo, que fiz ao longo de minha vida, e não ex-amantes.Graças a Deus  tenho bons conhecimentos e vou usar isso em seu benefício, Alex.

 

-Obrigada, Virna...se eu tiver sucesso em minha exposição, grande parte dele deverei à você.

 

Virna riu e a abraçou, fitando-a bem de perto nos olhos.

 

-O que você ficará devendo-me será uma dívida de muito amor e carinho, sempre. E disso não vou abrir mão de cobrar.

 

-Será a dívida mais fácil de pagar, meu amor.

 

Virna a fitou apaixonadamente, pressionando seus quadris contra seu corpo.

 

-Então, venha para o quarto... vai começar a pagar-me antecipadamente...

 

E seus lábios se encontraram em um beijo profundo.

 

 

))))))((((((

 

 

Os dias passaram rápidos, com elas envolvidas nos preparativos da exposição e com o seu amor crescente.

 

Paola havia seguido para Roma, onde ficaria em um flat até que seu apartamento ficasse pronto. Virna já havia conseguido a transferência dela para uma universidade de Roma e parecia que Paola agora iria recomeçar sua nova vida bem.

 

Virna não se poupara para ajudar Alex na vernissage. Com seu dinamismo e conhecimento do metier, remetera convites, dera inúmeros telefonemas para os amigos, reforçando o convite, dera sujestões na decoração da galeria, escolhera um excelente bufet para o coquetel , as bebidas e as flores.

 

Alex  via ela atarefada com tudo isso e a fitava com gratidão. Virna a estava aliviando de decidir coisas que não entendia nem tinha paciência. Só entendia sua arte, os preparativos para uma exposição não entendia nada. Virna estava junto dela todas as horas do dia, numa dedicação total. Ela havia levado roupas para o apartamento de Alex e praticamente estavam morando juntas.Os dias transcorriam agitados e as noites quentes, com muito sexo. As duas estavam mais magras pelas noites de orgia sexual, mas cada vez se desejavam mais.

 

E o dia da vernissage chegou. Às seis da tarde, elas chegaram à galeria Da Vinci e inspecionaram tudo. E tudo estava impecável, desde a decoração com corbeilles de flores, a disposição e iluminação dos quadros, o bufet e o serviço com vinte garçons para atenderem os convidados.

 

Os quadros de Paola e Virna eram os destaques entre os outros, no centro do salão.

 

Virna estava belíssima em um vestido negro decotado, mostrando seu colo de pele acetinada, enfeitado por um colar de ouro branco e esmeralda. Alex, com um terninho preto justo no corpo, mostrando suas curvas femininas, e uma echarpe vermelha de seda dando um toque exótico. Por insistência de Virna, também havia se maquiado e o efeito era arrebatador.

 

Às oito, os convidados começaram a chegar. Alex os recebia na entrada, acompanhada de Virna, que fazia as apresentações. Em pouco tempo o salão ficou lotado, mostrando que todos haviam comparecido.

 

Alex estava tonta de tanto apertar mãos e ser cumprimentada por pessoas que só conhecia nas revistas e tv.

 

A imprensa chegou e tirou fotos de Alex com Virna ao lado do quadro dela. O crítico de arte Marcelo Dotti veio ao seu encontro e falou entusiasmado:

 

-Alexandra, sou muito severo em meus julgamentos, mas sei reconhecer um talento num piscar de olhos. E devo dizer que você ultrapassou as minhas expectativas . A triologia As Três Faces da Inocência e o quadro O Rosto do Desejo estão soberbos, a vida emana deles! Meus parabéns! Estou feliz em poder ser sincero, sem ter que mentir para agradar à minha amiga Virna.

 

Alex agradeceu, aliviada e feliz. Agora, podia dizer que passara no teste! Dotti tinha o poder de demolir ou elevar um artista com sua crítica respeitada.

 

O quadro de Virna se tornou a sensação da noite. Várias pessoas a identificaram nele e os fotógrafos pediam que ficasse ao lado dele para fotografarem. Muitas pessoas queriam comprá-lo, e Alex teve de ficar repetindo que  ele não estava à venda. As ofertas se voltaram então para os quadros de Paola, que foram vendidos para um colecionador.

 

Quando a galeria fechou as portas, às dez da noite, Alex e Virna saíram com amigos dela para jantar e comemorar o sucesso da vernissage. Somente à uma da madrugada voltaram para casa, exaustas mas felizes. Subiram no elevador e Virna a fitou sorrindo, abraçando-a.

 

-Agora, nossa comemoração particular...tenho que tomar cuidado. Você já era perigosa sem fama, imagine agora, que ficará famosa...

 

Alex a fitou fascinada.

 

-Podem aparecer centenas de mulheres interessadas, mas não adianta. Você é a mais bela de todas e eu a amo.

 

-Pois vai provar-me isso... a noite toda...

 

Beijaram-se apaixonadamente. O elevador chegou e elas saíram, interrompendo o beijo. Alex abriu a porta e tateou o interruptor de luz, com Virna grudada em suas costas, abraçando-a pela cintura e mordiscando sua orelha. Ela fechou a porta com o pé e Alex girou nos braços ela, ficando de frente para Virna e a abraçando também. Seus corpos se espremeram em um beijo ardente, suas línguas se sugando.

 

-Ora, ora! Mas que cena de amor barata!

 

Alex e Virna se separaram com o susto, ao ouvirem aquela voz carregada de deboche. Se voltaram e ficaram imóveis pelo choque, ao verem Paola sair de trás da cortina que vedava a janela, seguida por Karina. Paola e Karina, juntas! E Karina com uma arma na mão!

 

Karina fitou Alex com um sorriso feroz.

 

-Um dia é da caça, outro do caçador, Alex! E o meu dia chegou!

 

 

Continua na parte10

   

Feedback para: [email protected]

 

 

Home     Leth    Uber

 

Hosted by www.Geocities.ws

1