A Sensual
Virna
PARTE 8
Capítulo
13
Virna chegou em casa e perguntou por Paola à
governanta. Giovana respondeu que ela continuava em seu quarto, mas havia
pedido um sanduíche com uma coca-cola para lanchar.
Aliviada,
Virna foi para seu quarto e trocou de roupa. Vestiu um conjunto de trainning
azul escuro de malha e tênis. Uma roupa confortável e simples, não estava com
cabeça para escolher roupas elegantes. Ela se olhou no espelho, criticamente. O
rosto estava sem pintura, mas não se importou. Queria falar com Paola o quanto
antes, para acabar com aquela tensão que sentia.
Dirigiu-se
para o quarto dela com passos decididos. Mas diante da porta, hesitou. Porém,
só por um momento. Girou a maçaneta. A porta abriu. Naturalmente, Paola julgara
que ninguém iria procurá-la ali. Virna empurrou a porta e entrou.
Paola
estava na janela do quarto, olhando para fora, com olhar perdido. Ao ouvir a
porta abrir, voltou-se com uma expressão de surpresa, para ver quem se atrevera
a entrar sem se anunciar. E ao ver Virna, sua expressão se fechou e a encarou visivelmente irritada.
-Quem
a autorizou a entrar em meu quarto sem se anunciar? – Perguntou, com voz
cortante – Saia daqui, não estou disposta a falar com ninguém, muito menos
você!
Virna
respirou fundo. O confronto prometia ser duro.
-Preciso
falar com você, Paola – Declarou com voz contida, avançando e parando há poucos
passos dela.
-Já
disse que não quero...
-Quero
falar sobre Alex – Cortou Virna.
Paola
a encarou franzindo o cenho.
-Sobre
Alex?! O quê?
-Sei
de tudo sobre vocês, Paola. Desde o primeiro dia que conheci Alex, percebi que
vocês eram amantes – Jogou Virna, bruscamente. Com Paola, tinha que agir assim.
Ela a
fitou boquiaberta, sem voz. Mas recuperou-se e perguntou admirada:
-Você
sabia de nós?! E porque nunca demostrou?
-Iria
adiantar? Percebi que você estava apaixonada, e sabia que não iria adiantar eu
demonstrar minha desaprovação.
Paola
sorriu com ironia.
-A
compreensiva Virna! Está tentando dizer que é solidária com meu sentimento? Se
eu não a conhecesse bem, iria acreditar, mas como a conheço, sei que veio aqui
apenas me encher o saco com sua reprovação!
-Não,
Paola. O que vim dizer é que você a esqueça e procure outra pessoa que a faça
feliz. Não fique se martirizando por um amor que acabou. Alex não vai voltar
para você, a decisão dela é definitiva.
Paola
a fitou surpresa.
-Por
que está me falando essas coisas? O que sabe? Alex a mandou falar comigo?
Virna
hesitou. Devia mesmo contar tudo? Paola agüentaria o golpe? Ou a estava
subestimando? E até onde ia sua própria indiferença por Paola? Não se importava
mesmo com a vida dela? Aquele abismo que havia entre elas iria se aprofundar
com sua revelação, sem dúvida. Era isso que queria?
-Fale de
uma vez! – Gritou Paola – Não estou com muita paciência!
Virna
decidiu. Tinha que ir em frente. Estava cansada de fingir e enganar. Pois iria
colocar as cartas na mesa. Lutaria contra tudo e contra todos por causa do amor
que sentia. Esse amor exigia que tomasse uma decisão em sua vida.
Respirou
fundo e continuou, com voz firme:
-Alex não
me mandou falar com você. Mas eu quero saber o que pretende fazer de sua vida,
agora que terminaram.
Os olhos
de Paola brilharam de raiva.
-Ah, ela já
contou isso à você? Vocês agora estão muito amigas, não é? E Alex mandou-a
sondar minhas atitudes futuras!
-Alex
jamais me pediria isso! Vê-se logo que você não conhece a mulher que dizia
amar! Eu quem desejo saber!
-Está
muito interessada em minha vida! E quer saber o que penso? Acho ridículo, à
essas alturas de nossa convivência! A única coisa que temos em comum é que
vivemos sob o mesmo teto. Mas isso vai acabar, quando eu receber a herança que
me cabe de meu pai.Estava pensando nisso, quando você entrou. Quero minha
independência financeira, quero ir para Roma ou Paris, um lugar bem longe
daqui!
Virna a
fitou calmamente.
-É isso
que quer? Pois farei sua vontade! Nossa convivência está insuportável e isso
não tem solução. Vou comprar um apartamento para você em Roma e matriculá-la em
uma faculdade para concluir seu curso de arquitetura. Receberá uma mesada até
atingir a maioridade e tomar posse de sua parte na herança. Falarei amanhã com
meus advogados.
Paola a
fitou com rancor.
-Está
louca para se livrar de mim, não é? Não precisa negar, é evidente! Mas eu também estou louca para me livrar de
sua presença, sabe por quê? Porque eu não a considero minha mãe! Por fora você
pode ter beleza, mas por dentro é uma bruxa! Você não sabe o que é ser mãe !
Virna
sentiu o sangue subir à sua cabeça, com o insulto. E jogou, sem medir suas
palavras:
-Realmente,
não sei o que é ser mãe, porque nunca tive um filho! Você não é minha filha!
Paola a
fitou surpresa.
-O que
disse?!
-O que
ouviu. Eu não sou sua mãe! Sua mãe era uma criada de nossa casa, com quem seu
pai me traiu.
Paola a
fitou imóvel, sem poder acreditar no que ouvia. E reagiu agressivamente, quando
se recuperou da surpresa.
-O que
está inventando, sua mentirosa, para justificar sua falta de amor maternal? –
Gritou.
Virna a
encarou firme nos olhos, de braços cruzados.
-É mais
fácil você pensar que sou uma mãe desnaturada, um monstro, não é? Mas já está na hora de saber a verdade. E entender
porque somos tão diferentes, porque não temos amor de mãe e filha.
-Isso é
uma ridícula mentira para eu me sentir inferior à você! – gritou Paola, de
punhos fechados.
-Acha?
Podemos fazer um exame de DNA. Pense, Paola...o que tem parecido comigo? Um
defeito, um gosto, uma qualidade? Uma semelhança física? Não temos nada! E isso
tem uma explicação! Não sou sua mãe!
-Muito
bem! Então, por que sou registrada como sua filha? Por que aceitou se passar
como minha mãe?
-É uma
longa estória. Se tiver paciência de ouví-la, eu a contarei.
-Por que
somente agora resolveu contar-me isso? Pois não quero ouvir nada! Saia daqui!
-
-Não,
ainda tenho algo a lhe dizer. Foi para isso que vim aqui.
-Então,
fale logo! Estou cheia de olhar para sua cara!
-Paola, você
ainda tem esperança de voltar com Alex?
Paola a
encarou com desprezo.
-Não vou
responder à essa pergunta! A última pessoa a quem eu contaria meus sentimentos
é você! Nunca agiu como uma verdadeira mãe, e agora vem contar-me uma mentira
para justificar seu desamor! E agora, é amiga de Alex! Uma amizade que me
cheira muito mal! Alex mudou depois que a conheceu! Você conseguiu estragar
nosso relacionamento, sua bruxa!
Virna a
fitou com raiva, perdendo a paciência.
-Eu quem estraguei?!
Você quem estragou tudo, antes mesmo de eu conhecer Alex! A relação de vocês já
estava apodrecida pelo seu ciúme e possessividade! Não se faça de vítima, você
quem acabou de dar o golpe final na relação de vocês, trepando com Antonio no
terraço! Assuma o que fez!
Paola
empalideceu, fitando-a aturdida.
-Alex lhe
contou isso também?! O que há, afinal,
entre vocês? Você virou confidente dela ou...
Paola
hesitou em lançar a suspeita. Ali, de pé diante de Virna, teve medo de lançar
sua suspeita, por medo da resposta.
Mas Virna
embarcou na oportunidade que Paola lhe deu. A encarou e disse com voz firme e
clara:
-Pode
completar. É verdade. Eu e Alex somos amantes.
Paola
ficou olhando-a sem ação. Pálida, os lábios, o corpo inteiro tremendo. Virna viu
aquele rosto passar do espanto para a indignação, e finalmente para o ódio. Os
olhos dela luziram como tochas, o rosto ficou rubro de ira. Ficaram se fitando
em silêncio, uma com expressão furiosa, outra com altivez e desafio.
Paola
ergueu a mão como se fosse esbofeteá-la, mas tornou a baixá-la, dizendo com voz
cortante:
-Você é
tão baixa, que nem merece uma bofetada minha... você e Alex, duas putas! –
Jogou, com voz cheia de ódio, as lágrimas descendo incontidas pelas faces –
Ambas se merecem! Duas putas nojentas!
Virna a
encarou desafiante.
-Entendo
sua ira, mas sou baixa porque me apaixonei? O amor não escolhe a quem amar,
Paola! Simplesmente acontece! Eu não premeditei gostar de Alex, nem ela à mim.
E você não a perdeu, porque nunca a teve de verdade.
Paola deu
um passo para ela, ameaçadora. Virna a encarou sem recuar.
-Quando
começou essa relação nojenta? Depois que eu traí Alex? Duvido! Notei as
mudanças dela há muito tempo! Aquele encontro no restaurante não foi casual,
não sou idiota! Foi planejado! NÃO FOI? NÃO FOI? – Gritou.
Virna
baixou os olhos. Não podia negar isso.
-Fale,
miserável! Confesse!
Virna a
encarou. Em seu olhar surgiu uma piedade que mais enfureceu Paola.
-Não vou negar.
Já estávamos juntas. Mas a culpa é toda minha. Eu quem procurei Alex e a seduzi
em sua casa.
Paola
descontrolou-se. Avançou para Virna e a esbofeteou várias vezes, fazendo-a
cambalear e quase cair no chão. Ela não reagiu, como se não tivesse força moral
para isso. Um filete de sangue escorreu pelo canto de sua boca. Ela fechou os
olhos, sentindo uma dor aguda no rosto, pelas pancadas.
Paola
parou, ofegante. Sua mão estava doendo, o único motivo que a fez parar. A falta
de reação de Virna a irritava ainda mais.
-Agora me
convenci que você não é minha mãe! Mas sim minha inimiga! Não vejo a hora de
sair dessa casa! E saiba que vocês vão me pagar por essa traição suja! E agora,
saia daqui! Sua presença me enoja!
Virna
passou a mão sob o nariz. Ele estava começando a inchar, sangue escorria das
narinas, devido às bofetadas. Ela falou com certa dificuldade, com os lábios
feridos:
-Eu não
revidei à essa agressão... porque achei
que você tinha esse direito. Mas agora estamos quites!... Se houver outra agressão,
ela será revidada! E devo dizer que Alex tem o direito de ficar com quem
desejar... não é e nunca foi propriedade sua! Vê se arruma outra pessoa e a esquece!
-SAIA
DAQUI! SAIA DAQUI! – Gritou Paola, histericamente.
-Com
prazer, garota idiota! – Disse Virna, se retirando. Paola bateu a porta atrás
dela com violência.
Virna foi
direto para o banheiro. Olhou-se no espelho sobre o lavatório e gemeu. Seu
rosto estava horrível! O nariz inchado, escorrendo sangue, contusões vermelhas
no rosto, que prometiam ficar roxas. O preço que pagara por sua traição à
Paola. Se isso fosse tudo, seria um preço pequeno a pagar pelo amor de Alex.
Lavou o
rosto com água fria, pegou uma toalha de rosto, a molhou e colocou sobre o
nariz. A água fria fez o sangramento parar, mas a inchação continuava. Lavou a
boca. Passou a língua pelo interior e sentiu os cortes internos que as
bofetadas causaram, pressionando as bochechas contra os dentes. Maldita Paola!
Tinha que
colocar gelo nos hematomas para não ficarem roxos.Chamou Giovana pelo
interfone. Ela veio e a fitou assustada.
-Madonna
mia! O que aconteceu, signora?
-Caí no
banheiro e bati o rosto no chão – Mentiu Virna – Traga-me gelo e uma toalha,
depressa!
-Si, vou
buscar agora, signora!
Virna fez as
compressas no rosto. Não adiantou muito. Evitou que ficasse roxo, mas a
inchação já havia acontecido. O nariz, normalmente perfeito, estava inchado,
assim como o lado direito do rosto, onde apanhara mais. Oh, Alex iria achá-la
feia, quando a visse! A sua vaidade estava fazendo-a sofrer mais que a dor.
O seu
telefone tocou. Ela atendeu-o logo, pensando ser Alex.
-Alô...
-Virna?
Sou eu, Lorenzo. Estou ainda aqui em
Firenze.
Virna
suspirou, decepcionada.
-Lorenzo...
não disse que hoje estaria em Torino, em uma reunião de negócios?
-Sim, cara
mia, mas não fui. Fiquei arrependido de nosso desentedimento. Você tem o
direito de não estar com vontade de dormir comigo sempre que eu quiser...
reconheço que agi como uma criança mimada à sua negativa.Posso ir aí agora?
-Oh,
Lorenzo...acabei de ter uma discussão com Paola e estou muito aborrecida.Vou
deitar-me cedo. Venha amanhã. Eu também preciso falar com você.
-Mas eu
preciso vê-la hoje, caríssima...adiei minha viagem para isso. É sobre Paola. Antonio contou-me coisas
que acho que você precisa saber logo.
Virna
preocupou-se. Será que Paola havia contado à Antonio sua relação com Alex?
Precisava apurar isso.
-Oh...tudo
bem, Lorenzo. Então, venha dentro de uma hora. Tenho que ligar para meu
advogado agora, para resolver um assunto urgente.
-Estarei
aí em uma hora, cara mia. Te amo.
Virna
desligou. Tirou a roupa respingada de sangue e vestiu um conjunto cinza de saia
e blazer e blusa creme. Mas não se maquiou. O que adiantava, com aquele rosto e
nariz inchados?
Ligou para
seu advogado.Conversou demoradamente com ele, dando instruções sobre a compra
de um apartamento e a liberação de uma pensão mensal para Paola, até que ela
completasse vinte e um anos e recebesse sua parte na herança do pai. Tudo
documentado, para que mais tarde Paola não alegasse que ela não havia
dispendido aquele dinheiro como adiantamento da herança. Com Paola, tinha de
previnir-se sem deixar brechas que ela pudesse usar contra ela.
Finalmente,
desligou. O telefone tocou logo em seguida. Atendeu, ansiosa. Dessa vez, era
Alex.
-Virna!
Por que até agora não ligou para mim? Estou tentando falar com você há mais de meia hora! Com quem estava falando
tanto tempo? – Perguntou, nervosa.
Virna
sorriu. Falar com Alex a deixava menos tensa.
-Estava
falando com o meu advogado, amore.
-Já
conversou com Paola sobre nós?
-Bem,
tivemos uma conversa bem difícil, como pode imaginar.
-Ímagino,
por isso estou nervosa. E qual foi a reação dela?
-Você
estava certa, Alex. Ela se descontrolou e agrediu-me. Estou horrível, amore
mio.
-O quê?!
Ela a agrediu? Vou já para aí! – Quase gritou Alex, nervosa.
-Não, não
venha! Lorenzo virá aqui dentro de poucos minutos e...
-Mais um
motivo para eu ir aí! Até logo!
E Alex
desligou. Virna ficou olhando para o telefone com o cenho franzido. Alex era
louca! E se Paola a visse chegar? Iria fazer o maior escândalo, com o ódio que
estava! E Lorenzo iria presenciar tudo e saber o que estava acontecendo.
Maledizione, queria livrar-se dele com calma, não com um escândalo.
Discou
para o telefone da casa de Alex. A empregada atendeu e disse que Alex havia
acabado de sair. Ligou para o celular dela. A mensagem informou que estava
desligado. Virna desligou seu celular, contrariada. Errara em falar à Alex sobre
a agressão de Paola. Ela ficara nervosa e agora vinha em sua casa em um péssimo
momento.
Giovana
veio avisá-la que Lorenzo havia chegado. Virna desceu para recebê-lo, nervosa e
preocupada.
Ele estava
esperando-a na sala de estar. Sorriu ao vê-la chegar, mas logo o sorriso
morreu, ao observar seu rosto.
-Virna! O
que foi isso em seu rosto? – Perguntou, abraçando-a consternado.
Não dava
para contar a mesma mentira que dissera
à Giovana. Desvencilhou-se dele e sentou no sofá.
-Foi
Paola. Nós tivemos uma discussão e ela agrediu-me.
Ele a
fitou surpreso.
-Sua filha
a agrediu desse modo?!
-Lorenzo,
você sabe que Paola e eu nunca nos demos bem.
-Mas ela
nunca a tinha agredido antes! O que provocou essa agressão absurda?
Virna deu
a desculpa que já preparara:
-Paola
quer ir morar fora daqui e eu não concordei. Ela insultou-me, eu a insultei e
deu nisso. Mas agora vou liberar ela para ir viver em Roma. Nossa convivência
se tornou insuportável.
Lorenzo a
fitou ternamente, e a beijou no rosto.
-Pobre
amore mio! Sua filha é mesmo um problema sério!
Virna
desvencilhou-se disfarçadamente dele, ficando de pé. Era curioso como agora o
contato dele a incomodava. O desejo que sentia por ele havia morrido
completamente. Agora, só desejava Alex.
-Vou deixar
Paola ir morar em Roma, já conversei com meu advogado acertando os detalhes.
Ela irá viver como quer.
-Vai
deixar ela viver sozinha em Roma? Virna, Paola tem apenas dezoito anos!
Ela o
fitou calmamente, de braços cruzados.
-Por que
não? Muitas amigas dela vivem lá estudando, ela vai ter companhia. Isso será
melhor para nós duas. Ela me odeia e isso torna nossa convivência impossível. E
por falar nela, o que você tem para contar-me sobre ela? O que Antonio falou?
Lorenzo a
fitou com gravidade.
-Bene, vou
direto ao assunto, sem rodeios: Paola entregou-se à Antonio, na noite do
jantar. Eles dormiram em um motel.
-Isso já
sei.
-Bene,
Antonio está apaixonado por ela. Mas Paola disse para ele que ela não o ama,
que apenas quis vingar-se de uma pessoa que a deixou. Antonio insistiu muito em
saber quem é essa pessoa, mas ela não revelou quem é. Ela fez amor com ele no
motel, mas depois que revelou o que sentia, chorou até adormecer nos braços
dele. Paola está passando por um momento difícil, Virna. Não a deixe ir para
Roma assim. Irá cometer alguma loucura, do jeito que sua cabeça está.
Virna
encarou-o mais calma. Paola não dissera nada demais.
-Deixe que
eu resolvo meus problemas com Paola, Lorenzo. Antonio contou mais alguma coisa?
-Não muito
mais. Ele disse que Paola não o quer mais. Ela disse que não o ama e para ele
não a procurar mais. Antonio está muito triste com isso. Como às vezes a vida é
complicada! Paola ama um rapaz que não a quer. Antonio a quer, mas ela não o
quer.Como o amor é complicado!
Virna o
fitou em silêncio, concordando com ele. Realmente, com tantos homens para ela e
Paola amarem, foram gostar da mesma mulher!
Lorenzo
ergueu-se e rodeou sua cintura com os braços, abraçando-a.
-Ainda bem
que tudo está bem entre nós, caríssima... – Disse ele, beijando-a no rosto
carinhosamente.
Govana
entrou na sala, anunciando a chegada de
Alex. Virna olhou para a governanta nervosamente.
-Traga-a
até aqui, Giovana.
Ela tentou
se desvencilhar de Lorenzo, mas ele apenas soltou um braço, continuando
rodeando sua cintura.
Alex
entrou na sala. Linda, toda de negro. Blusa de gola alta de malha, casaco e calça justa de couro e botas. Parou ao vê-la com Lorenzo e Virna
notou o olhar dela relampejar de ciúme, a ligeira contração do rosto. Virna
disfarçou o seu constrangimento e estendeu as mãos para ela, sorrindo.
-Como vai,
Alex? Que surpresa agradável, vê-la aqui!
Alex
segurou suas mãos, apertando-as. Olhou para seu rosto chocada.
-Virna!
Seu rosto! – Disse, consternada.
Virna
parou de sorrir, fitando-a com tristeza.
-Estou
horrível, não é? Discuti com Paola e ela perdeu a cabeça.
Lorenzo
soltou Virna e estendeu a mão para Alex.
-Come stai, Alex? Você devia dar uns conselhos para
sua amiga Paola.
Alex
soltou a mão de Virna e apertou a mão de Lorenzo. O ciúme a dilacerava, vendo-o
rodeando os ombros de Virna com seu braço. Continha-se à custo para não
demonstrar o que sentia.
-Talvez
faça isso, Lorenzo. Como vai você?
Lorenzo
sorriu, fitando Virna.
-Molto
bene.Só lamento minha rainha estar assim. Paola exagerou, dessa vez. Mas,
sentemos.
Virna e
Lorenzo sentaram em um sofá e Alex numa poltrona diante deles. Virna percebeu o
olhar de Alex para as mãos dela entrelaçadas com as de Lorenzo e engoliu em
seco, nervosa. O que podia fazer? Já o afastara duas vezes e agora, se fizesse
isso outra vez, ele iria ficar desconfiado.Maledizione, não tivera tempo de
terminar com ele antes de Alex chegar, e agora não podia fazer isso na frente
de Alex. Lorenzo merecia alguma consideração.
-E então,
Alex? Está animada para sua vernissage? – Perguntou ele, gentilmente.
Alex
sorriu sem vontade. Ver aquela cena, de Virna de dedos entrelaçados com Lorenzo
diante dela, a estava deixando furiosa. Por que tinha de aturar aquilo? Virna
já devia ter terminado com aquele homem! Ela quem devia estar ao lado de Virna! Por que Virna continuava
com ele, se havia se declarado apaixonada por ela? Seria mentira? A dúvida se
instalou em sua mente.
-Estou
providenciando os detalhes, Lorenzo. Virna prometeu-me uma lista de convidados.
Virna, já fez a lista?
Virna a
fitou enrubescida. A cobrança de Alex a embaraçou.
-Ainda
não, Alex. Mas vou fazer hoje mesmo, prometo.
Alex
ergueu-se, tomando uma decisão.Não ia ficar ali vendo Virna ao lado do amante,
como uma idiota. Se ela fazia isso, ela iria pagar na mesma moeda.
-Virna,
vou conversar com Paola. Ela me parece estar totalmente desorientada, e
concordo com Lorenzo, ela precisa de uns conselhos – Declarou, esforçando-se
para sua voz não soar com a raiva que sentia.
Virna a
fitou visivelmente chocada com sua intenção.
-Não faça
isso, Alex. Não é um momento adequado para isso. Paola está muito nervosa e não
vai recebê-la bem – Disse, sentindo o ciúme mordê-la. O que Alex pretendia, com
aquela atitude? Vingar-se dela, por estar de mãos dadas com Lorenzo? Não podia
fazer nada, quanto à isso. Tinha que conversar com ele antes de repelir seus
gestos de afeto.
-Pois eu
acho que é o momento adequado.Ela precisa de alguém que a oriente – Rebateu
Alex.
-Também
acho uma boa idéia você ir falar com ela, Alex – Disse Lorenzo – Talvez você
consiga colocar um pouco de bom senso naquela cabecinha dura.
Alex
sorriu para Virna com ironia.
-Viu,
Lorenzo concorda comigo.Com licença.
E dizendo
isso, Alex subiu para os quartos no segundo pavimento. Virna ficou olhando-a
afastar-se com o ciúme sufocando-a . Não era justo. Ela não merecia isso. Até
apanhara de Paola por causa de Alex! E lá ia ela falar com Paola! Alex ia reatar com Paola!
Lorenzo a
abraçou pelos ombros, falando para tranquilizá-la:
-Não se
preocupe, caríssima. Alex me parece ser uma pessoa madura, de bom senso. Ela
vai dar bons conselhos à sua filha.
Virna se
desvencilhou dele e o fitou com olhos tempestuosos.
-Não seja
ingênuo, Lorenzo! Isso não vai dar certo! Conheço Paola! E por falar nisso,
também preciso falar algo importante para você!
)))))(((((
Alex subiu
as escadas e atravessou o corredor, parando diante do quarto de Paola. Tentou
girar a maçaneta, mas a porta estava fechada à chave. Bateu na porta, esperando
pacientemente.
-Não estou
para ninguém! – Paola gritou lá de dentro.
-Paola,
abra! Quero falar com você! – Disse Alex, em voz alta.
Depois de
alguns momentos, Alex ouviu a chave girar na fechadura e a porta abriu um
pouco, com Paola a fitando com a fisionomia fechada.
-Você,
aqui?! O que quer, veio vingar-se porque agredi sua amante? – Jogou, com voz
cheia de ódio.
Alex a
fitou com uma calma que não sentia.Intimamente, estava com receio da reação daquela
garota temperamental.
-Posso
entrar? Não vim aqui brigar com você, mas apenas conversar.
Ela a
fitou desconfiada, mas recuou para ela entrar, abrindo a porta completamente.
Ela fechou a porta quando Alex entrou e a fitou com o cenho franzido.
-O que tem
ainda para me dizer, Alex? Está tudo tão claro!
Alex parou
diante dela, fitando-a nos olhos com tristeza.
-Por que
todo esse ódio, Paola? Será que não restou ao menos um pouco de amizade por
mim, de você, quem dizia amar-me?
Os olhos
de Paola brilharam de ódio.
-Amizade?!
Não seja cínica! Como posso sentir isso por uma traidora como você?!
-Você
também me traiu. Estamos quites. E nem por isso eu a odeio.Sei, fui fria e
radical na forma como terminei com você, mas estava magoada e decepcionada com
sua atitude. Mas pensei melhor e acho que podemos ser amigas...
-Não
estamos quites! Sua traição foi completamente diferente da minha! Você está
apaixonada por Virna, eu não amo Antonio! Eu agi por desespero e ciúme, você
traiu-me premeditadamete! – Jogou Paola, com revolta.
-Paola, eu
não premeditei nada. Aconteceu de repente.
-Oh, eu
sei! Tem razão, você não premeditou, e sim Virna! Ela quem foi em seu
apartamento oferecer-se! Ela confessou isso para mim! Oh, como a odeio! Que
nojo sinto dela!
-Paola,
Virna é um ser humano sujeito a fraquezas e erros, como eu e você! Nós todas
erramos, Paola! Pense nisso e enxergue que Virna não é esse monstro que você
quer acreditar que ela seja! Tente vê-la apenas como uma mulher que tem
defeitos, mas também qualidades, como todo ser humano!
-Não a
defenda! Você eu ainda posso entender, Alex, sempre foi volúvel e não resiste à
uma bela mulher. Mas Virna! Nem homossexual ela é! Foi proposital o que ela
fez, para ferir-me, mostrar que é irresistível! Por vaidade! Espere só, Alex!
Ela vai lhe dar um chute, como dá em todos os amantes que tem! E eu vou rir
muito!
-Você está
enganada, Paola! Virna apenas não pôde lutar contra a atração que sente por
mim! O desejo nos faz cometer loucuras... Virna me ama!
-Chega! – Gritou
Paola, colocando as mãos nos ouvidos – Só faltava isso! Você vir aqui em meu
quarto defender Virna! Vocês são iguais! Uma merece a outra! Malditas putanas!
Alex a
segurou pelos ombros, fitando-a com os olhos cheios de lágrimas. Aquelas
palavras cheias de ódio a feriram profundamente.
-Paola,
não seja tão cruel! Tire esse ódio de seu coração! Eu estava com muita raiva de você, mas
passou. Na verdade, tenho um carinho
enorme por você e quero que seja feliz.Você é tão jovem! Como eu era, quando
Ariadne me traiu. Com o tempo, você vai superar isso tudo, como eu superei.
Você vai se apaixonar novamente por alguém e então vai até rir ao lembrar dessa
fase que está passando.
Paola caiu
em seus braços soluçando. Alex a abraçou com carinho, beijando-a na testa. O
desespero dela a comovia, sabia que ela estava sofrendo a perda, a decepção.Era
uma garota tão carente de afeto! Deixou-a chorar em seus braços, pensando que
aquele desabafo faria bem à ela.
-Oh, Alex!
Ainda a amo! – Soluçou Paola.
-Você irá
superar isso, Paola, como eu superei.
-Mas estou
infeliz, Alex! Como vou conseguir viver sem você, até esquecer? Oh, eu queria
morrer!
-Não pense
assim, Paola! Isso passará, vai ver. E se quiser, serei sua amiga.
-Virna não
vai deixar! Alex, ajude-me!
-Como
posso ajudá-la?
-Não me
abandone! Fique comigo!
-Paola, eu
não...
A porta do
quarto abriu com estrépido e Virna entrou. Os olhos luzindo de ciúme, o corpo
numa pose agressiva, como uma pantera pronta para atacar. Ao ver Alex e Paola
abraçadas, sorriu ferozmente, os olhos se enchendo de ira.
-Oh, que
cena romântica! – Disse, com desdém – Pena não ter uma câmera à mão, para
eternizá-la!
Alex
desprendeu-se de Paola, olhando para Virna com o cenho franzido.
-O que está
pensando, Virna? Não estamos fazendo nada demais!
Virna
avançou para Alex, fitando-a agressivamente bem de perto, os punhos fechados.
-Sua
vagabunda! O que quer? Ficar com nós duas? – Perguntou, com voz sibilante.
-Está
louca, Virna? – Protestou Alex, enraivecendo com o insulto – Está dizendo um
monte de idiotices! Não admito...
Virna
esbofeteou-a sem poder se conter mais. O ciúme que sentia a deixava fora de si.
Já não estava se importando com Lorenzo ou ninguém, se percebessem o que
sentia!
-Você não
vai me enganar, Alex! – Gritou, vendo Alex cambalear e levar a mão ao rosto,
espantada.
Paola
abraçou Alex e fitou Virna com ódio.
-Viu,
Alex? Essa é a mulher que você estava defendendo! Esse demônio, essa putana!
Saia do meu quarto, antes que eu a bote para fora daqui à pontapés!
Virna
olhou para Paola com fúria luzindo em seu olhar.
-Pois
venha fazer isso! Agora vou revidar cada agressão que você me fizer, sua
dissimulada! E afaste-se de Alex, que ela é minha! Minha! Não adianta querer
envolvê-la de novo, Alex agora é minha! – Gritou Virna.
-Dissimulada
é você, sua vagabunda! – Gritou Paola.
-Parem com
isso!- Gritou Alex, perplexa – Que baixaria! Se continuarem, eu vou embora!
Virna a
fitou com os olhos brilhando de ira.
-Antes você
vai ter que escolher, Alex! Definitivamente! Ou eu, ou ela!
-Virna!
Pare com isso, já disse! Que coisa ridícula! – Gritou Alex, com raiva.
-Você não
presta, Alex! - Gritou Virna, fora de si
– Quer fazer um jogo duplo para ficar com as duas! Mas não vou admitir isso!
Alex a
fitou magoada com aquela acusação. E nesse momento, Lorenzo chegou, com ar
assustado.
-Vocês
perderam a cabeça! – Disse ele, com energia – Que confusão ridícula! Lá da sala
dava para ouvir os gritos de vocês! Virna, pense em sua reputação! Tenha calma!
Virna o
fitou com descaso.
-Não se
meta, Lorenzo! Isso é entre mim e Alex!
Alex a
fitou pálida, com profunda decepção.
-Então, é
isso que sou para você, Virna? Uma pessoa que não presta? Uma vagabunda?
Virna a
encarou com receio, percebendo que havia exagerado com seu ciúme irracional.
-Alex...
eu... – Começou, hesitante.
-Não
precisa desculpar-se! Pra mim, chega! – Gritou Alex, passando por ela e saindo
do quarto em passadas furiosas. Ela
desceu as escadas correndo, ouvindo a voz de Virna chamá-la. Não parou. Passou
por Giovana, que a fitou espantada, e saiu da casa. Pegou seu carro e saiu em
alta velocidade.
Então, era
aquilo que Virna pensava dela! Que seria tão baixa à ponto de ficar com ela e
Paola, enganando-a! Não acreditava em seu amor! Para ela, não passava de uma
vagabunda! Uma mulher sem nenhum escrúpulo!
Estava
profundamente magoada com Virna. Ela não acreditava em seu amor, duvidava de sua
sinceridade. Insultara-a sem razão, a esbofeteara! Ela, quem estava com
Lorenzo!
Ela
começou a chorar, dirigindo. O que iria
fazer de sua vida? Como conseguiria essquecer Virna? Ela amava aquela mulher diabólica!
-Oh, Deus!
– Gemeu – Por que eu fui gostar de Virna?
)))))(((((
Alex resolveu não
voltar para casa. Ir para lá como estava se sentindo, ficar sozinha, enquanto
Virna estava acompanhada por Lorenzo, que provavelmente iria dormir com ela?
Não!
Lembrou
de sua amiga, Flávia.Não a via desde que se envolvera com Paola. Ela era uma
moça agradável e divertida, iria tirá-la de sua tristeza. Gostava muito de
Flávia, mas Paola a havia afastado com seus olhares ciumentos e mau humor
quando as via juntas e Flávia havia
decidido se manter afastada de Alex enquanto ela estivesse com a ciumenta
garota.
Alex
parou sob a luz de um poste e discou o seu telefone celular. Flávia
atendeu e quando Alex se identificou,
ela falou com alegria:
-Alex!
Que bela surpresa! Come stai, amici?
-Flávia,
queria muito ver você. Não quer sair comigo? Poderíamos ir à um restaurante,
jantar e conversar.
-Você
está só?
-Sim.
Não estou mais com Paola, se é isso que quer saber.
Flávia
notou a tristeza na voz de Alex e falou com sinceridade:
-Estou
com saudades de você, amiga. E é claro que aceito seu convite! Você está onde,
em casa?
-Não,
estou em meu carro, à uns dez minutos de sua residência. Que tal eu passar aí e
pegá-la?
-Eu
já estou pronta, acabei de chegar da rua. Vou pegar minha bolsa e esperar você
na portaria do prédio.Você apenas busine, está bem?
-Tudo
bem, Flávia. Ciao.
Alex
ligou o carro e dirigiu-se para a rua de Flávia. Quando chegou, ela já estava
na portaria. Viu seu carro e veio ao seu encontro, sorridente . Alex a fitou
com um sorriso saudoso. Flávia era uma de suas raras amigas, do tempo da
faculdade que estudavam. Ela havia se formado em biologia marinha, e vivia com
uma advogada. Cabelos negros anelados e olhos castanhos claros, era muito bonita e simpática.
Ela
entrou no carro e deu um abraço apertado em Alex.
-Olá,
Alex! Como vai sua vida? – Disse afastando-se e a fitando sorrindo. Alex
retribuiu o sorriso, respondendo:
-Um
caos, Flávia. E você, como está com Luccia?
-Muito
bem, graças à Deus. Ela viajou essa semana para visitar os pais e estou
contando as horas para sua volta.
-Quando
ela chegar, diga que mandei lembranças.
-Pode
deixar. Vamos ao Il Verrocchio, perto da Ponte Vecchio?
-Boa
escolha. Vamos, sim.
Alex
saiu em velocidade moderada . Flávia foi falando sobre seu trabalho como
bióloga e Alex a ouviu interessada. Achava uma profissão belíssima, estudar e
ajudar a fauna marinha em seu habitat.
Chegaram
ao restaurante e sentaram em uma mesa que dava vista para o rio. Alex pediu uma
garrafa de vinho branco e Flávia a fitou com ar pensativo.
-Você
está diferente, Alex. Parece triste... quem conseguiu abalar esse coração
inatacável?
Alex
tomou um gole do vinho e suspirou, fitando a amiga.
-Uma
mulher muito especial, Flávia. Estou apaixonada.
-Mas
isso é muito bom! Finalmente, voltou a entregar seu coração à alguém! Mas, por
que está triste? Ela não corresponde ao que sente?
-Bem...não
sei... vou contar tudo à você.
E
Alex contou tudo à espantada Flávia. Quando terminou, ela colocou a mão no
rosto, fitando-a admirada.
-Per la Madonna, Alex! Mãe
e filha, apaixonadas por você! Alex, tem idéia da encrenca em que se meteu?
-Tenho,
Flávia...mas não posso renunciar à esse amor. Eu amo Virna. E vou lutar para
ficar com ela, mesmo depois dela ter desconfiado de meus sentimentos e ter me
ofendido e agredido.Estou muito magoada com ela, mas sei que não posso
deixá-la. Eu não poderia ficar sem ela.
-Que
caso complicado! Se eu fosse você, caía fora! Mas sei como são essas coisas.
Não adianta dar conselhos, a paixão não nos deixa enxergar a razão.
-Não
é somente paixão, Flávia. Eu amo Virna! Como nunca amei alguém! Sem ela a minha
vida não teria mais alegria. Eu preciso dela para ser feliz.
Flávia
sorriu maliciosamente.
-Por
Dio,que amor louco! Essa tal de Virna Del Fosco deve ser mesmo uma mulher muito
especial, para ter deixado você desse jeito! A fria Alex, que trocava de mulher
como quem troca de roupa, apaixonadíssima!
-Ela
é tudo que eu sempre quis, Flávia. Linda, inteligente, culta, elegante, deliciosa...
-Por
Dio! Ela é tudo isso? Então, entendo porque está tão apaixonada! Mas, o que vai
fazer? Exigir que ela deixe o amante oficial? E se ela não quiser, se estiver
apenas usando você para satisfazer os desejos sexuais, como sempre fez com os
homens?
Alex
a fitou angustiada.
-É
uma hipótese que nem quero pensar! Não sei o que faria.
-Então,
lute para tê-la! Mostre à ela que você tem valor, e que se ela continuar com
esse amante, você arranjará outra mulher! Ninguém dá valor à uma conquista fácil,
Alex, e Virna parece saber que tem você em suas mãos.
-Está
me sugerindo fazer um jogo? Não sei, acho que não conseguiria.
-Tente!
Se ela sentir que você pode deixá-la, aposto que irá mudar, a auto-confiança
dela irá para o espaço!
Conversaram
ainda por muito tempo. Já era mais de uma hora da manhã quando Alex pagou a
conta e saíram.
Flávia
a fitou com preocupação.
-Está
tão triste, Alex! Anime-se! Quer que eu vá dormir em sua casa, para não ficar
sozinha?
Alex
a fitou com gratidão.
-Faria
isso por mim, Flávia? Aceito. Estou realmente precisando de companhia. Se
estiver sem sono como eu, poderemos ver um filme e depois você poderá dormir no
quarto de hóspedes.
-Esplêndido.
Vamos.
Alex
rumou para seu apartamento. Não queria ficar sozinha, torturando-se com a idéia
de Virna dormindo com Lorenzo. Flávia era uma amiga perceptiva, havia percebido
seu estado de espírito e queria animá-la.
Desceram
na garagem subterrânea do edifício e pegaram o elevador. Quando desceram no
hall de entrada do seu apartamento, teve uma surpresa que jamais esperaria ter.
Prendeu a respiração, olhando a cena.
Continua na parte 9
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