A
Sensual Virna
PARTE 7
Capítulo
12
Uma mão pousou em seu ombro. Alex
voltou-se como um autômato. Nada mais a assustaria. Era Sofia, que a fitou com
gravidade, falando em seu ouvido:
-Venha,
Alex. Vamos sair daqui.
Alex
seguiu Sofia sem reação. A cena a deixara primeiro chocada, incrédula, depois
com ódio e nojo. E finalmente, sentindo uma profunda decepção, enojada em ver
Paola se entregando à Antonio. A náusea se intensificou. Colocou a mão na boca
e Sofia percebeu o que sentia e a conduziu rapidamente ao lavabo perto do
salão. Ela correu até o reservado e vomitou no vaso sanitário todo o champanhe
que havia consumido. Sofia trouxe uma toalha de papel e lhe estendeu, fitando-a
preocupada.
Alex passou a toalha na boca e recostou na
parede.
-Espere
aqui, Alex. Vou buscar uma água mineral para você – Disse Sofia, saindo do
lavabo.
Alex ficou
ali imóvel, pensando no que havia visto. Como podia Paola ter feito isso com
ela? Traí-la tão despudoradamente?
A verdade
a atingiu como um balde de água fria: Ela a traiu do mesmo jeito que você a
traiu, hipócrita! Se Paola era uma puta, ela não era melhor!
Não era
igual! Ela estava apaixonada por Virna,
Paola mal conhecia Antonio!
Mas
quando foi para a cama com Virna, também
mal a conhecia – Veio o pensamento, combatendo sua desculpa.
Sofia
tornou a entrar,com uma garrafa de água mineral na mão. Entregou para ela,
ainda fitando-a preocupada.
-Tome, vai
sentir-se melhor...
Alex foi
até o lavatório e tomou um longo gole da
água e fez um bochecho, lavando a boca. Depois, tomou o resto da garrafa. Lavou
as mãos e fitou Sofia sombriamente.
-Já estou
bem. Acho que bebi demais e com aquela cena nojenta que vi... – Disse, com voz
trêmula – Como pude achar que Paola era uma garota ingênua ? Ela é uma
traidora!
Sofia
cruzou os braços, se recostando na parede.
-Alex, eu
tenho uma parcela de culpa por Paola ter agido assim. Paola ficou muito magoada
com as coisas que você disse para ela e começou a chorar. Eu sugeri que ela
provocasse ciúmes em você, que reagisse. Ela apenas fez o que sugeri.
Alex fitou
Sofia surpresa.
-Paola lhe
falou de nossa relação?!
-Não,
Alex, eu percebi. Só uma idiota não perceberia o ciúme dela por você. Ela
apenas confirmou. Estava muito abatida e perguntou o que devia fazer. Ela só
fez isso com Antonio para meter ciúmes em você.
Alex deu
uma risada amarga.
-Para
meter ciúmes em mim?! Essa é boa! Ir para o terraço e entregar-se à Antonio é
para fazer-me ciúmes? O que pensa que sou, Sofia, uma idiota? Meter ciúmes é
apenas fingir interesse por alguém, é insinuar algo que não será concretizado,
na frente da pessoa a quem se quer provocar. O que Paola fez foi uma nojenta
traição! Eu estou enojada! Só não fiz um escândalo porque não sou uma pessoa
baixa! E respeito a casa de Virna!
-Acalme-se,
Alex! Está quase gritando! Ela está é
se vingando de você!
Alex a
encarou com os olhos brilhando de raiva.
-Se vingar
de quê? Do que eu falei? É verdade! Ela só faltou chamar Virna de cadela no
cio! Não justifique o ato de Paola, ela apenas quis trepar com Antonio!
-Alex! Não
seja injusta, você a está traindo com Virna! Acha que tem moral para condenar
Paola, uma garota desorientada? – Disse Sofia, com reprovação.
Alex ficou
rubra de vergonha. A verdade lhe foi jogada como uma bofetada. Baixou os olhos,
incapaz de fitar Sofia, analizando as palavras dela. Realmente, ela também
tinha sua culpa. Mas nunca dissera à Paola que a amava! Já tentara terminar com
ela muitas vezes, Paola quem não aceitava! E agora, fizera aquela traição!
Respirou
fundo, tentando acalmar-se e pensar com sensatez.
-Está
bem... então, ela e eu estamos quites. Você tem razão, Sofia. Não posso
condená-la. Mas também não tenho mais motivo para continuar uma relação com
ela, por pena de ferí-la. Paola mostrou que não é tão frágil como eu pensei, ela
vai superar nossa separação. Nada como um novo amor para esquecer o antigo, não
dizem isso? Antonio vai fazê-la esquecer-me. Paola não é o que eu pensava, é
apenas outra mulher que sabe também enganar.
-Dio mio!
Você, Alex, é uma Casanova de saias! As mulheres correm perigo à sua volta!
Conquistou até Virna, uma heterossexual convicta! Graças a Dio, não gosto de
mulher! Nunca me envolvi nisso!
Alex a
fitou desafiadoramente, recuperando um pouco de seu amor próprio e
auto-confiança, feridos pelo ato de Paola.
-Não se
envolveu porque não gosta mesmo, ou por falta de oportunidade?
Sofia
sorriu para Alex sedutoramente.
-Bem...
talvez, porque não tinha encontrado alguém que mexesse com meus hormônios...
Alex a
encarou confusa.
-Não
tinha? Então, encontrou?
Sofia se
aproximou dela e passou os braços ao redor de seu pescoço. Alex a fitou
surpresa.
-Sabe que
você despertou minha curiosidade? Por
que Virna está apaixonada por você, Alex? O que você tem que deixa as mulheres
loucas? Nunca vi Virna assim como está! E Paola! Ela também só gostava de
homens, até conhecer você!
Alex
tentou se desvencilhar, sem ser grosseira. Só faltava isso! Sofia, a melhor
amiga de Virna, jogando charme para cima dela! Maldição, Virna estava com
Lorenzo, Paola com Antonio, e ela ? Com uma mulher querendo matar sua
curiosidade?
-Sofia...
pare com isso. Minha vida já está complicada demais – Disse, fitando-a séria.
-Quero
apenas um beijo... quero ver o que sinto beijando uma mulher... – Disse Sofia, fitando-a
sedutoramente, seu hálito quente batendo em seu rosto.
Alex a
fitou pensativamente. Ali estava uma mulher bonita, elegante, charmosa, que
estava se insinuando para ela beijá-la. Em um passado recente, não hesitaria em
cair na tentação. Mas agora, só conseguia sentir interesse, paixão, por Virna.
Ninguém mais a interessava.
Sofia
interpretou seu silêncio mal. Pensou que Alex havia concordado e esmagou os
lábios nos dela, em um beijo impetuoso.
-O QUE É
ISSO?!
Sofia
soltou Alex, e ambas se voltaram assustadas com aquela pergunta jogada em um
tom furioso. Virna as olhava com os olhos luzindo de cólera, vermelha, com os
punhos cerrados, como se quizesse esmurrá-las.
Alex a
fitou sentindo uma satisfação enorme em perceber o ciúme naquele olhar. Sentiu-se
compensada da sua angústia de vê-la com Lorenzo no salão. Esqueceu de Paola, de sua traição, apenas
fitando aquele rosto de beleza clássica.
E nesse momento reconheceu que estava louca de amor por aquela mulher
fascinante. Fingindo uma calma que não sentia, pegou um papel toalha e passou
na boca manchada de baton. Já Sofia olhava para Virna com ar culpado.
-E então?
– Perguntou Virna entredentes, fitando Alex furiosa – Estou esperando uma
explicação!
-Virna, a
culpa é toda minha... – Disse Sofia, com voz trêmula - Eu apenas...
-Saia,
Sofia – Cortou Alex, se recuperando – Eu vou explicar tudo à Virna.
Sofia não
esperou outra sujestão. Saiu rápida, de olhos baixos, como um cão com o rabo
entre as pernas.
Virna
avançou e esbofeteou Alex com força. Alex cambaleou e a encarou de um jeito que
enfureceu Virna mais. Ela a pegou pelos pulsos, sacudindo-a por eles, o rosto
contraído fitando-a de perto.
-Sua
vagabunda! – Jogou Virna, com a voz embargada, os olhos frios como gelo – Você
é uma cadela! Não pode ver uma mulher,
que dá em cima! Eu odeio você! Odeio!
-Virna!
Não tive culpa! Ela beijou-me sem eu esperar! – Disse, encarando-a com a paixão
impressa em seus olhos – Será que não percebe que não consigo me interessar por
ninguém desde que a conheci? Eu estou louca por você, Virna!
Virna viu
o fogo em seu olhar e parou de sacudí-la, fitando-a indecisa.
-Não minta
para mim, sua mentirosa!
-Virna,
por favor, solte minhas mãos... porque eu quero abraçá-la, acariciar esse rosto
lindo... Virna, eu a desejo tanto... como pode pensar que estou interessada em
Sofia? Ela não chega aos seus pés!
Virna
soltou-a, acalmada pelas palavras de Alex. Viu naqueles olhos a paixão
brilhando e a fitou com o cenho franzido.
-Por que
Sofia a beijou?
-Por uma
idiotice. Ela queria satisfazer uma curiosidade, como seria beijar uma mulher.
Os olhos
de Virna a fitaram com um brilho de ira.
-Que
desculpa idiota é essa? Eu sei que Sofia não é uma santa, mas ela não é
acostumada a beijar mulheres por curiosidade! E ela não sabia que você gosta de
mulher, para fazer isso!
-Virna!
Ouça! Ela sabe de mim e Paola, e sabe de
mim e você! Ela percebeu tudo! E Paola queixou-se de mim com ela, e por
sujestão de Sofia, resolveu me provocar ciúmes! Só que a provocação dela foi
longe demais! Eu a vi lá no terraço com Antonio, trepando!
Virna a
encarou atônita.
-O que
está me dizendo? Não é possível! Não minta, Alex!
Alex
encarou Virna com gravidade.
-Eu vi,
ninguém me disse! Sofia também viu. Ela quem me tirou dali, eu estava imóvel,
sem reação, como uma idiota! Ela trouxe-me para cá.
Virna leu
em seus olhos a verdade. Olhou-a atordoada.
-Paola fez
isso? Estou perplexa! Ela surpreendeu-me! Nunca pensei que ela pudesse traí-la,
Alex.
Alex fez um
ar de desprezo.
-Aquela
carinha ingênua esconde uma galinha, Virna. Eu devia ter imaginado. Quando a
conheci, ela andava com uma turma da pesada. Mas achei que era apenas uma
garota desorientada! Mas, quer saber o que penso disso que aconteceu hoje? Acho
ótimo! Ela deu-me um bom motivo para
deixá-la!
O olhar de
Virna se estreitou, fitando-a com ciúme.
-E você se
sentiu livre para sair beijando outras mulheres, não? Na minha casa! Debaixo de
meu nariz! Ah, eu mato você, Alex!
Ela tentou
esbofeteá-la novamente, mas Alex a abraçou com força e a encostou na parede,
espremendo-se contra ela e a fitando apaixonadamente.
-Virna, eu
a desejo! Só quero você! – Disse, em tom apaixonado. E a beijou com força, não
resistindo mais à emoção de ver Virna
tão transtornada de ciúmes. Beijou-a com uma paixão intensa, quase
mordendo-a. As mãos apertaram os seios de Virna, desceram pelo corpo, numa
carícia arrebatada.
Virna
parou de resistir, cedendo ao desejo que a dominou. Pegou Alex pelos cabelos,
enfiando a língua em sua boca, sugando, acariciando arrebatadoramente.
Desprendeu a boca e a fitou com os olhos luzindo como duas tochas de fogo.
-Alex, meu
demônio delicioso...quero você...quero você me tocando, me apertando em seus
braços... oh Alex, Alex... – Disse, fora
de si, beijando-a pelo rosto, no pescoço, no queixo.
Alex
estava perdendo a cabeça quando ouviu vozes se aproximando. Se afastou de Virna
precipitadamente e ela a fitou surpresa, mas logo entendeu a causa do seu
afastamento e se enfiou no reservado, fechando a porta. Logo depois, Sofia
entrou com uma mulher, que olhou em volta.
-Oh, bem
que você disse que minha irmã não estava aqui. Vou procurá-la no terraço - Disse a mulher – Mas já que vim aqui, vou
retocar a maquiagem.
A mulher
pegou o baton na carteira prateada e retocou os lábios. Alex se recostou na
parede, fingindo esperar o reservado desocupar. Sofia a fitou sorrateiramente,
sorriu e saiu com a mulher. Alex entendeu. Ela viera acompanhando a mulher,
falando alto, para Virna e ela não serem surpreendidas pela mulher numa
situação embaraçosa.
Alex falou
para Virna, através da porta:
-Pode
sair. Elas já foram.
Virna
abriu a porta e saiu do reservado, sorrindo divertida.
-Viu o que
fez, seu demônio? Provocou-me e quase fomos surpreendidas agarradas, começando
a fazer amor! Vou sair... e amanhã vai explicar-me direitinho porque você e
Sofia estavam se beijando!
Virna saiu
e Alex suspirou, se fitando no espelho. Sua boca estava toda manchada pelo
baton de Virna. Limpou com o papel
toalha, pensando se a mulher havia reparado nisso. Saiu do lavabo e viu Sofia
perto, a aguardando com olhar preocupado. Ela se aproximou e perguntou com voz
receosa:
-Virna
está com raiva de mim?
-Não creio,
Sofia – Sorriu Alex – Na verdade, ela achou que fui eu quem a beijei. Mas não está com raiva. Ela
está mais abalada por saber o que Paola me fez.
-Oh, grazie, Dio! Não quero
perder a amizade de Virna! Não sei o que me deu, em querer beijar você, Alex!
Não sou lésbica! Foi uma curiosidade idiota!
Alex riu
da cara arrependida de Sofia. Ergueu as sobrancelhas com ar divertido.
-Cuidado,
hein! Sua curiosidade pode levá-la a passar por situações desagradáveis! Não é
toda mulher gay que é provocada como fui e se conforma depois com uma desculpa
de mulher arrependida! Felizmente para você, estou apaixonada por Virna e
somente ela me interessa.
Sofia a
fitou envergonhada.
-Desculpe-me,
Alex. Fui uma idiota. Mas prometo que não vou perturbá-la mais. Você tem um
caso com Virna e como amiga dela, tenho que respeitar isso.Aliás, você também
está com Paola! Que mulher complicada!
Alex parou
de sorrir, encarando Sofia com o cenho franzido.
-Estava
com Paola! Estava! – Disse, com o dedo em riste para Sofia – Amanhã eu vou
resolver essa situação insustentável! Paola, para mim, já é passado!
-Bem,
espero que tudo saia bem para você! Sabe que Paola não vai aceitar ser
dispensada passivamente. Ela tem um temperamento difícil, você sabe...
-Bem, não
é nada que eu não possa manejar...
Sofia a
fitou gravemente.
-Espero
que sim, Alex. Venha, vou apresentar você aos meus amigos.
Sofia
avançou com Alex para o salão. Lá estava Virna com Lorenzo, conversando em uma roda
de convidados. E lá estava em outro canto Paola sentada em um sofá, com Antonio
ao seu lado, de mãos dadas. Alex virou o rosto, enojada. Teve vontade de ir
embora, mas não podia permitir Paola estragar com o motivo que a trouxera ali.
Assim, juntou-se com Sofia aos amigos dela.
Finalmente,
o jantar foi servido. Os convidados se sentaram diante da imensa mesa
do século XVI com castiçais de
prata, finíssima porcelana de Sèvres e talheres de prata, complementando com
taças de cristal com o brazão dos Del Fosco.Os garçons começaram a servir o
prato de entrada: Salmão ao vinho
branco, grelhado, com maçã .
Os lugares
na mesa estavam demarcados com cartões e Alex viu-se sentada à esquerda, e Lorenzo, à direita de Virna. Paola ao lado
de Lorenzo, com Antonio. Sofia ao lado de Alex. Estava claro que aquela
arrumação havia sido feita à última hora, mas Alex se alegrou pela preocupação
de Virna ter evitado de ela sentar ao lado de Paola.Com a raiva que estava
de Paola, não daria certo.
No meio do
jantar, Virna se ergueu e falou sorrindo, com uma taça na mão:
-Amigos,
quero aproveitar a oportunidade de fazer um brinde à uma amiga e talentosa
pintora que breve vai se lançar no mercado das artes, mostrando seu trabalho na
Galeria Da Vinci. Peço que prestigiem sua vernissage com sua presença, para
conhecer o seu trabalho. Os convites breve chegarão às suas mãos, mas estou
antecipando o evento para que fiquem atentos à essa nova artista: Alexandra
Birtrich. Proponho um brinde à ela – Disse, indicando Alex com a mão, em um
gesto eloqüente.
-Ao sucesso de Alexandra! – Virna brindou,
erguendo a taça. Todos os convidados, com exceção à Paola, brindaram. Alex se
ergueu e agradeceu a todos, logo voltando a sentar. Odiava ser o centro das
atenções.
Quando o
jantar terminou, uma hora depois, Alex se ergueu e se aproximou de Virna para
se despedir. Ela tinha visto Paola sair com Antonio e isso a aliviou. Não iria
encontrar ela em casa, quando chegasse. É claro que ela ia para um motel com
Antonio, completar o que haviam iniciado ali.
Virna a
pegou pelo braço e disse à Lorenzo, que conversava com um amigo dela:
-Lorenzo,
já volto. Vou acompanhar Alex até seu carro.
Ele
assentiu e apertou a mão de Alex, sorrindo e dizendo:
-Buona
notte, Alex. Foi um prazer rever você. Estarei em sua vernissage.
Alex
apertou a mão dele, sorrido com esforço, com ciúme de Virna.
-Obrigada,
Lorenzo. Até breve.
Elas
saíram e Alex fitou Virna com ar sombrio.
-Lorenzo
vai dormir com você, não é, Virna? – Perguntou, com voz baixa.
Virna a
encarou com um olhar preocupado.
-O que
posso fazer, Alex? Ele estranharia se eu o mandasse embora sem um bom motivo.
-É isso,
Lorenzo tem todos os direitos, não é? Ele é o amante oficial, com quem você não
se envergonha de ser comprometida! – Disse Alex, com amargo sarcasmo.
Virna a
encarou com tristeza.
-Por
favor, Alex, não briguemos mais. Essa noite já houve bastante confusão. O que
vai fazer, em relação à Paola? Vai mesmo terminar com ela?
Alex a
encarou.
-O que
acha, que sou uma idiota? Não viu ela saindo com Antonio? Ela deve ter ido para
um motel com ele. Mas amanhã vou resolver essa situação.
-Alex, vá
com calma... Paola é temperamental, estressada...telefone para mim se houver
algum problema. Poderá vir aqui amanhã?
-Pretendo
vir. Mas vamos ver o que acontecerá amanhã, quando eu conversar com Paola.
Provavelmente ela virá para sua casa, e eu não poderei vir aqui.Quando ela sair
de minha casa, telefonarei para você. Mas agora, posso pedir uma coisa?
Os olhos
de Virna se fixaram nos seus com calor.
-Peça,
Alex. Apesar do seu beijo em Sofia, vou atendê-la, porque não negaria um pedido
seu.
Alex parou
ao lado do seu carro e fitou Virna nos olhos.
-Não durma
com Lorenzo. Não se dê à ele.Guarde-se para mim – Pediu, com humildade.
Virna
sorriu. Olhou para cima. Lorenzo as observava, do terraço, fumando um cigarro.
-Alex...
queria beijá-la agora, nessa boca deliciosa, mas não posso, Lorenzo nos observa
– Disse, inclinando-se e beijando Alex no rosto, rapidamente.
Alex abriu
a porta do carro e entrou. Ligou o motor e olhou para Virna, que a observava em
silêncio.
-Até
amanhã, Virna.
-Até
amanhã, Alex. Dirija com cuidado.
Alex
engrenou a marcha e saiu da villa em marcha lenta. Ultrapassou os portões e
imprimiu velocidade no carro.
-Que
noite! – Suspirou.
))))))((((((
Alex dormiu mal. A tortura de pensar se
Virna havia atendido ao seu pedido ou não. Será que havia resistido ao desejo
de Lorenzo? Tinha suas dúvidas. Paola também passou por sua mente torturada.Ela
era mais uma prova que não devia confiar em uma mulher. A traição dela fôra
baixa. Se tivesse uma atração por Antonio, até entenderia. Mas havia sido uma
traição fria, calculada, apenas para se vingar dela com aquele idiota.
Acordou
cedo, depois de uma noite insone na maior parte do tempo. Olhou para o relógio.
Sete horas. Virna devia estar dormindo. Os convidados deviam ter se retirado
tarde. Isso, sem contar de ela ter tido sexo com Lorenzo.
Levantou,
tomou um banho, vestiu-se e foi para o estúdio. Olhou pensativamente para os
três quadros de Paola. As três faces da inocência! Que ironia! Deviam se chamar
era as três faces da traição! Mas não podia colocar aquele título, que ficaria
em desacordo com as imagens representadas. Iria permanecer com o título
escolhido antes e os colocaria à venda. Não os queria mais em sua casa.
Saiu e
fechou a porta do estúdio. Estava sem inspiração para pintar. Foi para a
cozinha. A empregada lhe sorriu, preparando o café da manhã.
-Bon
giorno, signorina Alexandra! Acordou cedo hoje! O café está quase pronto!
-Bon
giorno, Rosetta. Vou querer apenas um copo de suco de laranja.
-Ah, isso
já está pronto! Um momento...
A moça
serviu o suco e Alex o tomou de uma só vez . Ela depositou o copo na bancada da
pia.
-Devo
servir a signorina Paola no quarto?
Alex a
fitou, estacando sua ida para a sala de estar.
-Ela já
chegou?
-Sim,
quando a signorina estava no estúdio.
-Oh...não,
não a sirva no quarto, Rosetta. Vou conversar com ela e não quero ser
interrompida, entendeu?
-Tutto
bene, signorina.
Alex se
dirigiu para seu quarto. Era estranho, não estava sofrendo . Só estava sentindo
a expectativa desagradável de quem vai cumprir um compromisso aborrecido. Nem
raiva, nem ódio. Só desprezo.
Paola
estava sentada na cama de cabeça baixa. Ao vê-la entrar, ergueu o rosto e a
encarou. Parecia abatida e seus olhos estavam vermelhos, mas isso não comoveu
Alex nem um pouco. Notou que ela ainda vestia a roupa da noite anterior. Devia
ter chegado direto do motel onde dormira com Antonio.
-Alex...
preciso conversar com você – Disse, com voz baixa.
Alex
cruzou os braços e a encarou friamente.
-Muito
bem. Fale!
Os olhos
de Paola se encheram de lágrimas.
-Ontem
você magoou-me muito com suas palavras...percebi que você não gosta mais de
mim. E sei de quem é a culpa: Virna! Você ficou furiosa porque eu falei mal
dela! Eu falei tudo aquilo de propósito, para ver sua reação! E você reagiu
além do que eu esperava! Ficou com ódio de mim porque falei mal dela! Confesse
que está interessada nela, Alex! – Terminou, em tom acusador.
Alex a
fitou se contendo para não jogar logo na cara dela a acusação de traição.
Queria ver até onde Paola iria em seu papel de vítima.
-Quer dizer
que a culpa é de Virna, por você ter falado aquelas coisas? E que eu estou
interessada nela? É o que acha? E já que pensa isso, o que pretende fazer?
Paola
baixou os olhos.
-Eu...
fiquei com muita raiva de você... mas...passou... eu...eu... resolvi...nos dar
outra chance...me entender com você...
-Ah!...
Então, você se arrependeu do que fez e veio consertar o seu ato?
Ela ergueu
os olhos, a fitando com receio.
-Eu...não
sei do que está falando... não fiz nada demais, apenas saí com Antonio e
passamos a noite conversando em um bar...
Alex riu,
seu olhar endurecendo. Sua voz soou cheia de sarcasmo:
-Oh, a
doce e inocente Paola... você é uma vítima de Virna, tudo que acontece com você
é culpa dela, não é? Muito bem...então, diga-me, foi culpa de Virna você ter se
entregado à Antonio no terraço, ontem à noite?
Paola
empalideceu, fitando-a assustada. Mas reagiu:
-Tenho
certeza que foi Virna quem lhe contou isso! Mas é mentira dela!
Alex
perdeu a paciência. Pegou-a pelos ombros e a sacudiu, gritando:
-Eu pensei
que você fosse assumir o que fez! Mas você é muito mais dissimulada do que eu
pensei! Fui eu quem viu tudo, Paola! Eu vi você trepando com Antonio no
terraço! E quase vomitei de nojo! Quer que conte os detalhes? Você segurando o
pau dele ? Você levantando o vestido...
-Pare!
Pare, por Deus! – Gemeu Paola, escondendo o rosto nas mãos.
-Ah, agora
está com vergonha? Não se preocupe. Não vi até o fim. Saí dali com ânsia de
vômito – Disse Alex, soltando-a e recuando.
Paola
começou a soluçar. Isso irritou Alex ainda mais. Ela usava o choro como arma
para comover. Mas nunca mais cairia na encenação dela.
-Não devia
chorar, Paola! Devia estar contente! Arranjou um namorado e passou a noite
fazendo amor com ele! – Disse, com sarcasmo.
Paola
tirou as mãos do rosto e a encarou entre lágrimas.
-Alex, eu
estava louca de despeito e ciúmes! Eu a amo, quero ficar com você! Ter tido
sexo com Antonio foi um erro! Perdoe-me, Alex! Faço o que quiser, mas fique
comigo!
Os olhos
de Alex brilharam de raiva.
-Por que
esse teatro todo? Não seria mais digno você pegar suas coisas e ir embora de
minha vida, seguir o seu caminho? Suas palavras de desculpas não me comovem
mais! Assuma as consequências de seus atos, Paola!
-Como você
é fria! - Soluçou Paola – Alex, não entende? Eu estava revoltada com suas
palavras! Queria vingar-me, estava de cabeça quente! Se não estivesse com
Antonio, teria feito alguma loucura! Passei a noite no motel chorando, e ele
procurando acalmar-me! Antonio é um rapaz muito bom, mas não o amo!
-Chega de
justificar a sua traição! Eu não quero
continuar com você, Paola, aceite isso! Eu não posso ficar com uma mulher em
quem eu não confio mais, que traiu-me! E também eu não a amo, eu já havia dito à você inúmeras vezes que nossa relação não tinha futuro.Mas você
preferiu insistir, remar contra a corrente, e agora se afogou em sua própria
onda!
Paola
ergueu-se e tentou abraçá-la, mas Alex recuou, dizendo entredentes:
-Não toque
mais em mim! Você escolheu isso, quando resolveu trair-me com Antonio.
Agora, não há mais retorno. Pegue suas
coisas e vá embora, Paola. Eu vou para meu estúdio e vou lhe dar duas horas
para pegar suas coisas e sair. Após esse tempo, não quero ver você aqui ou achar nada seu em minha casa.
-Alex...
você me odeia tanto assim? – Perguntou Paola, com os olhos cheios de lágrimas.
Alex a
encarou. Agora que havia desabafado, só sentia um grande vazio.Paola agora lhe
parecia uma estranha. A Paola que pensara conhecer, não existia mais.
-Ódio é
uma palavra muito pesada. Estou é magoada, decepcionada com você. Mas não a odeio, nem a amo. Esse foi nosso erro.
Insistir em uma relação sem amor verdadeiro. É um tipo de relação frágil, que
não resiste às tentações. Espero que encontre alguém que a faça feliz, Paola.
Porque eu não sou essa pessoa.
Ela saiu e
fechou a porta atrás de si.
Foi até a
cozinha e falou com Rosetta, que descascava batatas:
-A
signorina Paola vai voltar para sua casa. Quando sair, peça as chaves do
apartamento.Eu vou para o meu estúdio. Deixe pronto o almoço e pode ir embora
mais cedo.
-Si,
signorina Alexandra.
Alex foi
para o estúdio e se jogou no sofá, fechando os olhos. Lágrimas escaparam de
seus olhos. E ali sozinha, sem testemunhas, chorou. Chorou sua decepção, seus
medos, suas perdas. Ariadne, Paola... tão diferentes e tão iguais. E Virna? Ela
a surpreenderia também? Ali no silêncio do seu refúgio foi se acalmando e
acabou adormecendo, vencida pelo cansaço emocional.
Acordou
com o seu telefone celular tocando. Pegou-o no bolso do casaco e atendeu. A voz
aflita de Virna chegou aos seus ouvidos:
-Alex,
está em casa? Estou preocupadíssima! Paola ainda não voltou para casa!
Alex olhou
para seu relógio de pulso.
-Ela já
deve estar chegando aí, Virna. Faz quase duas horas que falei com ela.
-Falou com
ela? Pessoalmente, ou por telefone?
-Pessoalmente.
Ela chegou quando eu estava no estúdio. Minha empregada me avisou que ela havia
chegado e fui falar com ela.
-E como
foi a conversa? Falaram civilizadamente, ou Paola se descontrolou?
A voz de
Virna estava cheia de ansiedade. Alex contou todo o diálogo que tivera com
Paola. Ouviu Virna suspirar.
-Estou com
medo que ela faça alguma bobagem, Alex.
-Bem,
vamos aguardar. Me ligue quando ela chegar. Se der para você vir para cá,
venha, Virna.
-Vou
aguardar a chegada dela e ver o que posso fazer. Ciao, Alex.
Virna
desligou e Alex ficou pensativa, fitando o teto. Levantou quando ouviu baterem
na porta.
-Entre! –
Gritou.
Rosetta
entrou, já sem o seu uniforme.
-Signorina
Alexandra, a signorina Paola já saiu há meia hora e eu a ajudei a levar as
malas até o carro dela. Ela entregou-me
as chaves. Aqui estão.
Alex
estendeu a mão e Rosetta lhe entregou o chaveiro com as chaves.
-O almoço
já está pronto na estufa. Posso ir agora? – Perguntou a empregada.
-Sim,
obrigada, Rosetta.
A empregada se foi e Alex foi para seu quarto.
Inspecionou o closet na parte destinada à Paola e viu que Paola havia levado
tudo que pertencia à ela. Sentiu alívio e também tristeza. Mais uma mulher que
saía de sua vida, depois de terem partilhado tantos momentos juntas. Um
rompimento que não deixava margem à uma amizade, porque havia sido um
rompimento com ressentimentos e traição.
Ela foi
para a sala de estar e deitou em um sofá. Se Virna chegasse, ela ouviria a
campainha. Cenas do passado dela com Paola se desenrolavam em sua mente até que
adormeceu novamente.
Acordou
com a campainha da porta tocando, quebrando o silêncio que reinava no apartamento.Se
ergueu com o coração disparado e foi atender.Abriu a porta. Virna a olhou com
um vinco de preocupação na testa. Linda como sempre, com um conjunto negro de
saia e blazer.
Alex
afastou-se e ela entrou. Abraçaram-se apertadamente, colando os lábios em um
beijo profundo. Virna se afastou e a fitou com gravidade.
-Paola
chegou em casa e refugiou-se em seu quarto. Trancou-se lá e não quer falar com
ninguém. Mandei Giovana perguntar à ela se queria almoçar e ela gritou que a
deixasse em paz. O que disse à ela, Alex?
Alex a
pegou pela mão e avançaram para um sofá, onde se sentaram. Alex contou tudo que
se passou. Virna a ouviu sem apartes, o rosto tenso. Ao fim do relato, ela
falou:
-Então,
ela percebeu seu interesse sobre mim...não sei como isso vai acabar, Alex...não
sei qual será a reação dela quando souber de nós. De uma coisa, tenho certeza:
não será uma reação calma.
-Tem medo
da reação de Paola, Virna?
-Alex, ela
é minha filha. Por mais que ela me deteste, e nós não nos dermos bem, sou
responsável por ela. Confesso que Paola sempre foi um peso para mim. Ela
adorava o pai, e me detestava. Tudo que eu pedia à ela para fazer, ela fazia o
oposto. E sei que meu falecido marido foi o culpado disso. Ele a colocava
contra mim. Ele dizia para ela que eu não a amava.
Alex a
fitou indignada.
-Por que
ele fazia isso, jogar a filha contra a mãe?
Virna
pareceu hesitar. Mas só por um momento. Encarou Alex nos olhos com decisão.
-Alex.
Para você entender melhor o que se passa entre mim e Paola, essa falta de amor,
eu tenho que lhe revelar muitas coisas que nunca disse a ninguém. E para isso,
vou confiar em você como nunca fiz a alguém.
Alex
percebeu que Virna ia lhe revelar algo grave, e disse emocionada:
-Pode
confiar em mim, Virna. Nunca trairei sua confiança no que vai revelar-me, mesmo
que nos separemos um dia.
-Pois bem.
Vou lhe contar o início de tudo. Eu fui filha única do Conde e condessa Del
Fosco. Minha mãe tinha a saúde bem frágil e depois de meu nascimento, piorou e
ficou numa cama. Fui criada por uma severa governanta e meu pai, que incutiu em
minha cabeça que eu era superior porque era nobre. E cresci achando
isso.Frequentei os melhores colégios, aprendi Inglês e francês, adquiri cultura
geral.
E aos
dezessete anos, quando ia para a faculdade fazer o curso de engenharia, meu pai
estava à beira da falência. Nobre, mas falido. E então, eu vi que meu sangue
nobre sem dinheiro não servia para nada. Íamos perder tudo.
Foi quando meu pai foi procurado por Enzo
Morandi, um homem de seus quarenta e cinco anos, um arrogante industrial que
achava que podia comprar tudo, até as pessoas. Eu já o conhecia das festas que
ele oferecia em sua villa. Meu pai sempre comparecia e às vezes me levava,
dizendo que eu tinha de aprender a me relacionar com pessoas importantes.
Eu nunca
fui com a cara dele, que me fitava como um lobo faminto e era bem mais velho
que eu. E então, imagine como me senti quando meu pai disse que ele havia
pedido a minha mão em casamento! E explicou-me que Enzo, como presente de
casamento, pagaria todas as suas dívidas e ainda engordaria sua conta bancária
numa soma altíssima.
-Em outras
palavras, seu pai a estava vendendo – Observou Alex, irada.
Virna a
olhou com tristeza.
-Exato. Eu
chorei muito, mas meu pai convenceu-me que eu estava fazendo um ato heroico,
salvando o nome dos Del Fosco da ruína. E casei-me com Enzo. Nossa lua de mel
foi um martírio, ele possuiu-me sem a menor preparação, estava bêbado. E nos
dias seguintes, começou a dizer que eu devia obedecê-lo em tudo. Proibiu-me de
fazer meu curso de engenharia, dizendo que uma esposa devia ficar em casa,
cuidando dos filhos.
E então,
eu engravidei, com dois meses de casada. Ele ficou cheio de orgulho, falou para
todos os amigos, dizendo que finalmente ia ter um herdeiro. E eu descobri
porque ele havia se casado: Para ter um herdeiro. Ele queria uma mulher apenas
como reprodutora.
Alex a
fitou abismada.
-Ele disse
isso à você?!
-Sim, em
uma briga. Eu não queria fazer sexo oral com ele, e Enzo ficou furioso.
Disse-me que mulheres mais lindas que eu já haviam feito isso para ele, que eu
era uma mulher fria, que só possuía beleza. Que ainda bem que havia se casado
comigo apenas para ter um herdeiro.
-E você, o
que fez?
-Eu perdi
o controle e o agredi com uma bofetada. Ele ficou mais irado ainda e deu-me um
soco no ventre. Eu desmaiei e quando voltei a mim, estava na cama com um médico
ao lado. E então soube que havia perdido a criança.
-Meu Deus!
Seu marido provocou o seu aborto! – Disse Alex, enojada.
Virna a
encarou e disse quase em um sussurro:
-Sim.... e
eu passei a odiá-lo. Mas Enzo não se conformou com a perda da criança. Ainda
mais quando fiz exames em Roma e os médicos disseram que eu não podia ter mais
filhos. O aborto que sofri não foi tratado adequadamente e me tornou estéril.
Ele disse-me que não iria passar pela vergonha de dizer aos amigos que não
havia mais herdeiro dele para nascer. Que ia ter um filho de qualquer maneira.
E sem eu saber, ele engravidou uma criada . E anunciou que íamos passar uma
temporada em Roma. Eu concordei, pois estava cansada de ficar naquela casa
enorme sozinha. Em Roma, poderia me distrair. Ficamos lá um ano. Ele mal me
procurava para sexo, ao qual eu me submetia sem nenhum prazer. A minha única
alegria era andar nas ruas, visitar museus e fazer compras.
E foi quando uma noite ele disse que tinha
algo a me mostrar.E ele levou-me à uma casa numa rua distante de nossa casa e bateu na porta. Uma mulher
jovem e bonita a abriu e me fitou com um sorriso sardônico. Entramos e Enzo
cochichou algo para ela e a moça saiu da sala. Ela voltou com uma recém nascida
no colo. E Enzo então disse-me que aquela criança era filha dele com aquela
moça. Eu fiquei sem voz com o susto. E ele continuou dizendo que a tinha
registrado como sua filha e minha. Já que eu não podia ter mais filhos, a
criada gerara uma herdeira para ele. E para que sua filha não fosse uma
bastarda, filha de uma criada, eu seria sua mãe oficial.
-E essa
criança era Paola – Alex concluiu, atônita.
-Sim –
confirmou Virna, com olhar sombrio – Eu tentei me revoltar, dizendo que iria
desmascarar aquela farsa, mas Enzo ameaçou-me. Disse que possuía todos os
recibos das dívidas de meu pai. E cobraria todos, deixando-o na miséria. E que
meu casamento com ele teria sido em vão, porque ele se divorciaria de mim sem
dar-me nada mais que uma pensão modesta.
-E você se
submeteu à chantagem e continuou com a farsa montada – Disse Alex.
-O que me
restava? Depois de ter me submetido ao desejo dele, de ter renunciado aos meus
sonhos, tudo ter sido inútil?Sair daquele casamento da mesma forma que entrei?
Não. Como dizem, fiz uma trégua estratégica em nossa guerra particular.
Concordei com a farsa e continuei casada. Voltamos para Florença e Enzo
apresentou a todos nossa filha Paola. A criada ganhou uma bela soma de dinheiro
e sumiu. E eu fiquei com uma filha que não era minha, fruto de uma traição de
Enzo, para criar. Eu era bem jovem, Alex. E não sentia a mínima afeição pela
filha de Enzo. Eu sei que a criança não tinha culpa de nada, mas eu estava
revoltada por aquela maternidade imposta por uma farsa. Eu não queria me
afeiçoar à filha de Enzo e a deixei nas mãos da
babá. Enzo notava isso e vivia brigando comigo. Tínhamos muitas brigas e
ele deixou de ter sexo comigo. Arranjou várias amantes. E eu arranjei um amante de minha idade, para satisfazer
meu lado sexual. Mas sem envolver-me sentimentalmente. Eu comecei a pensar que
amor era um sentimento que não existia, era tudo invenção de romancistas. Amor
na verdade era simplesmente atração sexual.
-E Enzo
não percebeu nada? – Perguntou Alex.
-Ele devia
imaginar. Sabia que eu não o amava, que ia acabar me separando dele, já
que brigávamos muito. Ele queria ter-me
totalmente passiva sob seu jugo, mas eu não me dobrava. E então, ele começou
seu jogo, jogando Paola contra mim, dizendo que eu não gostava dela.
Paola, ainda bem pequena, insuflada por Enzo, me provocava todo dia, me
xingando de bruxa e fazendo coisas que me irritavam, como colocar sal no meu
café, esvaziar meus vidros de perfume no vaso, colocar sapos em meu
quarto, ficar cantando alto quando eu
lia na biblioteca...
Alex não pôde deixar de rir.
-Virna!
Isso são coisas de criança! Por que não a ensinou que isso era errado?
-Alex, eu
fui criada com muita severidade, tinha que comportar-me como uma adulta aos
sete anos! Como podia ter entendido que Paola era apenas uma criança mimada
pelo pai e insuflada a ver em mim uma bruxa? Eu gritava com ela, dizendo que
não a suportava! Mas então eu não agüentei mais e disse a Enzo que queria o
divórcio. Ele concordou rindo, dizendo
que eu iria me arrepender e que o procuraria de joelhos. Mas dois dias depois,
ele morreu de um enfarte fulminante.
-E você
ficou livre e rica.
-É
verdade. O destino deve ter achado que eu já havia sofrido o bastante nas mãos
daquele canalha. Paola estava com nove anos. Eu a internei em um colégio, pois
não agüentava mais sua rebeldia comigo. E fui viver minha vida. Assumi os
negócios de Enzo, viajei pela Europa à negócios e conheci muitos homens
interessantes. Voltei para Florença e trouxe Paola para morar comigo,
finalmente me conscientizando que ela não passava de uma garota sozinha, como
eu havia sido. Tentei me aproximar dela, mas o dano já estava feito. Ela me
odiava. E nesses anos, eu tentei várias vezes
nos tornarmos amigas. Desisti, depois de várias rejeições. Passei a
encará-la quase como uma inimiga. E agora, somos rivais!
A voz de
Virna tremeu e ela fitou Alex com os olhos cheios de lágrimas.
-Aí está toda
a estória, Alex. Não sou uma mãe desnaturada. Nunca fui mãe. Eu e Paola estamos
ligadas apenas por um documento que diz que sou sua mãe.
-Oh,
Virna! Eu sabia que havia algo estranho em sua relação com Paola! Quando Sofia
contou-me que você nunca ligou para ela, que a teve apenas para seu marido não
se divorciar de você, sabia que havia algo mais por trás dissso!
Virna
ergueu as sobrancelhas.
-Sofia
contou isso para você? Grande amiga, Sofia! Fez-me parecer um monstro de
insensibilidade, não? Ela não sabe da verdadeira estória. Você é a primeira
pessoa que contei.
-Virna,
jamais pensaria isso de você. E nem quero julgá-la. Quem sou eu, para julgar
alguém! Eu também cometo meus erros, Virna. Eu traí Paola – Disse,
envergonhada, baixando a cabeça – E precisou Sofia mostrar-me que eu havia
feito a mesma coisa que ela... o mal de todo ser humano é apenas reparar no
erro alheio, esquecendo os seus. E fiz isso.
Virna a
tocou gentilmente sob o queixo com os dedos e ergueu seu rosto. Os belos olhos
fitaram os seus tristes e graves.
-Somos
todos passíveis de erros, Alex. Eu errei em querer você, em tê-la procurado
para a seduzir. Eu achei que seria apenas uma vez, que ninguém sairia ferido.
Mas foi um erro de cálculo.Eu não imaginei que iria me prender à você. E com
isso, destruí sua relação com Paola.
-Sabe que
não é verdade, Virna – Protestou Alex – A minha relação com Paola estava fadada
ao fracasso, porque eu nunca a amei e já estava farta dos ciúmes dela. Paola é
uma garota temperamental e problemática. Se você não tivesse surgido em minha
vida, teria surgido outra mulher. Você apenas apressou o desfecho.
-O que
sente por mim, Alex? Atração, só?
Alex fitou
Virna com receio.
-Não sei
se posso abrir-me com você sem que me diga também o que sente por mim.
Virna
sorriu luminosamente, fitando-a nos olhos.
-Mas você
já sabe! Você enfeitiçou-me!
-Enfeiticei?
Até que ponto? – Perguntou, ansiosa.
Virna
semi-cerrou os olhos, pegando seu rosto entre as mãos de dedos longos e macios.
-Esse rosto,
esses olhos me enlouqueceram. Sabe o que fiz ontem? Mandei Lorenzo embora! Um
homem que muitas mulheres desejam! Ele saiu furioso, por que falei que não
queria dormir com ele! Preferi dormir sozinha, pensando em você, querendo me
preservar para hoje. Porque agora somente você consegue aplacar esse desejo que
sinto, Alex. Que me faz ficar arquitetando meios de você possuir-me. Sabe o que
imaginei? Você possuindo-me amarrada na cama.Eu totalmente submissa aos seus
desejos, Alex...você fará isso? Realizará esse desejo meu?
Alex ficou
fitando-a fascinada, sentindo calafrios à cada palavra de Virna. Ela dominava o
seu corpo, seus pensamentos, sua vontade. Sentia-se escravizada por aquela
mulher linda, que comandava seus desejos com um olhar. Estava irremediavelmente
apaixonada por Virna, louca de amor.
Abraçou-a
e a puxou contra seu corpo, beijando-a alucinada. E Virna a acariciou com as
mãos, sugando sua boca com loucura.
Alex não
quis esperar, alucinada de desejo. O desejo que refreara desde a noite anterior,
vendo Virna com Lorenzo. Desceu as mãos pela saia de Virna e a ergueu,
descobrindo as coxas esculturais vestidas com meias e ligas.Virna era dessas
mulheres que sabiamente não havia adotado meia-calça, desprezando a
sensualidade das meias com ligas, bem mais sedutoras. Ela as usava e Alex ajoelhou diante dela e desatou as
presilhas e beijou as pernas longas e
fortes, enquanto descia as meias. Olhou para cima e seus olhos encontraram os
de Virna, cheios de desejo. Alex tirou os sapatos negros de salto agulha e
acariciou os pés bem tratados. Sem deixar de fitar os olhos de Virna, deslizou
as mãos para cima e colocou os dedos na borda da calcinha de renda negra e a
desceu lentamente pernas abaixo, até retirá-la completamente. Desceu os olhos
para o sexo de Virna, olhando com desejo
os pêlos bem aparados. O cheiro
suave de sua excitação fez Alex
estremecer e avançar com a boca faminta, passando a língua em sua longitude e
depois a sugando e lambendo, ouvindo Virna gemer alto.
Virna
recostou a cabeça no sofá e abriu as
pernas completamente, sem pudor, cruzando nas suas costas, os olhos
fechados, a voz carregada de volúpia,
ronroneando:
-Aperte
mais a boca...assim... morda devagar... sugue-me toda...oh, Alex... enfie os
dedos...ahhhhh...Alex...Alex...minha...
Alex
obedecia tudo, excitando-se com o cheiro, com o sabor de Virna, sentindo aquele
líquido morno molhar suas faces.Ela mexia-se contra sua boca, as mãos se
enfiando entre os seus cabelos,mantendo sua cabeça pressionada contra seu sexo
em fogo, dando pequenos gritos de prazer, a respiração entrecortada. Ela
começou a tremer se aproximando do orgasmo e Alex apertou mais a boca, os dedos
a penetrando ritmicamente, e ela arqueou o corpo todo para cima, convulsionando
no orgasmo, gritando:
-Alex!
Alex! Minha Alex!
Ela caiu
para trás, respirando profundamente, e Alex ergueu o rosto, fitando-a
fascinada. Virna, de olhos fechados, respirava com os sensuais lábios
entreabertos, deixando entrever os dentes que luziam como pérolas, a cabeça
inclinada para o lado. Ela era a verdadeira expressão do êxtase, da paixão. Que
rosto belo, sensualíssimo!
Ela abriu
os olhos lentamente e sorriu ao se ver observada. Puxou Alex pelos cabelos e
quando o rosto de Alex nivelou com o seu, beijou-a ardentemente, abraçando-a
com um carinho que surpreendeu Alex. Alex afastou-se e levantou, puxando-a pela
mão.
-Venha,
Virna... vamos para o meu quarto.
Foram para
o quarto abraçadas. Chegando lá, se despiram ao lado da cama, entre beijos e
carícias. Completamente nuas, se fitaram com desejo. Virna estendeu a mão,
acariciando o seio de Alex, que recuou rindo.
-Ainda é minha vez. Deite-se na cama, Virna...-
Disse Alex, com voz imperativa.
Virna
sorriu, entendendo sua intenção. Deitou-se de costas no meio da cama e Alex foi
ao closet e apanhou quatro echarpes de seda. Em uma gaveta, pegou uma máscara
contra luz, dessas usadas em avião e também aquele brinquedo sexual, ainda na
embalagem. Raramente usava acessórios sexuais, só quando suas parceiras pediam.
Virna era a primeira mulher com quem tinha o desejo de usar um dildo, como as
americanas o chamavam. Envolveu o objeto nas echarpes e voltou ao quarto. Virna
a fitou em expectativa. Alex sorriu, parando ao lado da cama.
-Abra as
pernas e coloque os braços para trás, segurando as barras da cama.
Virna a
atendeu e Alex pegou as echarpes e amarrou os braços e pernas de Virna nas
barras da cabeceira e pés da cama.
-Agora
feche os olhos e só os abra quando eu mandar.
Virna
fechou os olhos, sem perguntas.
Alex desembalou o dildo de silicone de cor
rosa e abriu a gaveta da mesinha de cabeceira, colocando-o ali, para usar no
momento próprício. Sentou na beira da cama e se inclinou para Virna, falando
baixinho:
-Pode
abrir os olhos...
Virna os
abriu rapidamente, fitando-a . Ela agora parecia nervosa. Alex riu, divertida.
-Está
arrependida do seu desejo de ser possuída assim, amarrada? Agora é tarde...vai
ser minha assim...indefesa. Vou usá-la como quiser...
O rosto de
Virna mostrou um pouco de medo e Alex a tranquilizou, fitando-a séria e
dizendo:
-Virna,
prometo que não vou fazer nada para machucá-la, nem forçar o que não quiser.
Basta dizer não, e eu pararei o que estiver fazendo. Entendeu?
Ela
assentiu e Alex sorriu. Ela inclinou-se e beijou o canto da boca de Virna
provocadoramente, mas recuou quando ela virou o rosto para colar os lábios nos
seus.
-Nada
disso... eu quem decido se a beijo ou não...vou fazer somente o que quero...vou
deixá-la louca, Virna...
E Alex começou
a doce tortura. Curvada sobre ela, foi distribuindo beijos e chupões pelo corpo
de Virna, que se contorcia de prazer. Mordiscou os lóbulos das orelhas
delicadas, desceu pelo pescoço dando vários beijos e parou nos seios perfeitos,
passando a ponta da língua, mordiscando, sugando os biquinhos duros de
excitação. Uma mão desceu
acariciando o ventre delineado e tocou o
sexo com a ponta dos dedos, passando-os levemente no pequeno clitóris molhado
de excitação. Bolinou-o com prática, fazendo Virna tremer e pedir em um gemido:
-Alex,
faça de uma vez! Penetre-me, faça-me gozar!
Alex tirou
a mão, beijando o ventre dela. Ergueu o rosto, sorrindo.
-Agora
não... mal comecei, Virna...tenha paciência...
Ela se
posicionou entre as pernas de Virna e se inclinou, trazendo um seio para a boca
faminta de Virna, que lambeu o biquinho endurecido de Alex. Mas ela afastou-se até Virna não poder alcançá-lo mais. Alex a fitou,
acariciando os próprios seios, sorrindo sedutoramente.
-Alex–
implorou Virna – Deixe-me beijar seus seios lindos... por favor...
-Oh, não,
Virna... você quem está à minha disposição...
Alex
desceu sobre o corpo dela e lambeu as coxas, beijou o púbis, passou a ponta da
língua pelo clitóris endurecido e se afastou. Colocou dois dedos na abertura em
fogo de Virna, que empurrou-se contra os dedos, tentando impalar-se neles. Alex
tirou os dedos, ajoelhando-se . Virna gemeu de frustração.
Alex
sentou sobre uma das coxas de Virna e começou a esfregar o seu sexo na coxa dela, molhando-a com sua excitação.
Virna ergueu a cabeça, olhando para baixo, fitando o sexo de Alex com um olhar
faminto, passando a ponta da língua nos lábios secos.
-Veja,
Virna...isso é todo seu...quer sugá-lo? Quer?
Virna
arquejava, louca de desejo. Alex subiu até seu sexo ficar sobre a boca de
Virna, ajoelhada de pernas abertas, se apoiando na cabeceira da cama. Abaixou
lentamente, permitindo Virna tomar em sua boca seu sexo e sugá-lo
ávidamente.Alex apertava, recuava, gemendo, depois se entregava à aquela boca
quente que a sugava com deliciosa fome. Alex moveu o corpo gemendo e atingiu o
êxtase, se imobilizando na forte sensação, fechando os olhos. Se afastou e
deitou ao lado dela, respirando entrecortadamente. Fitou-a respirando fundo.
-Oh,
Virna... você é maravilhosa...que boca deliciosa...
Virna a
fitou com o rosto transtornado de desejo.
-Alex, por
favor... possua-me...possua-me agora! Não agüento mais!
-Espere,
Virna... – Disse, erguendo-se e abrindo a gaveta da mesinha. Retirou a máscara
e fitou Virna nos olhos.
-Vou
vendar seus olhos, Virna. Você confia em mim?
Virna
assentiu. Ela confiava em Alex. Alex colocou a máscara em seus olhos
cuidadosamente e em seguida retirou o
brinquedo sexual da embalagem. Colocou os prendedores de couro e por último a
camisinha lubrificada. Com cuidado colocou-se entre as pernas de Virna e pegou
o brinquedo, esfregando-o suavemente no clitóris dela. Virna estremeceu,
surpresa.
-Aleeeexxxx!!!!
– Ela gemeu, o corpo se arqueando para cima.
Alex
dirigiu o pênis artificial para a entrada da vagina de Virna, movendo-se sinuosamente, sem a
penetrar, beijando-a no rosto, nos olhos, do queixo. Sua voz saiu rouca,
sedutora:
-Deixe,
Virna... eu quero possuir você assim... eu quero possuí-la de todos os jeitos
possíveis...
-Oh,
Alex... toma-me...eu sou sua... toda sua... – Sussurrou Virna, movendo os
quadris ao encontro dela.
Alex
arrancou a máscara dos olhos de Virna e empurrou-se contra ela, penetrando-a,
abraçando-a com força, os lábios colados no ouvido de Virna, sussurrando:
-Sinta...
pense que sou eu dentro de você... invadindo-a com o meu desejo...
-Oh,
Alex... sim... eu sinto isso... é como se fosse seu ... oh, estou louca! –
Gemeu Virna, erguendo os quadris para Alex poder invadir mais fundo, a fantasia
tomando sua mente, fazendo-a delirar.
Alex
estava louca, submersa no desejo, na fantasia fantástica de estar dentro de
Virna, e a cada movimento de seus quadris, ela sentia Virna estremecer, quando
era penetrada naquele vai e vem louco.Seus corpos se moviam juntos, em uma perfeita
sincronia, Virna soltando gemidos que a excitavam cada vez mais. Aos poucos,
seus movimentos se tornaram mais poderosos e Virna se movia frenética, gemendo,
apertando-se contra Alex mais rápida, com mais pressão.
-Oh, Alex!
Estou louca! Sou sua, Alex! Sua! Dio! Vou gozar, Alex!
E Virna
estremeceu violentamente, na convulsão do orgasmo, junto com Alex, que se apertou contra ela com força,
gemendo alto, fora de si.
-Virnaa!!!!Oh,
Virna! Eu a amo! Amo! –Sussurrou, quase sem voz.
Alex ficou
alguns instantes imóvel sobre Virna, recuperando-se, depois se separou
lentamente, saindo de dentro dela. Com gestos lentos, desprendeu o dildo e o
jogou no chão. Fitou Virna e levou um susto. Ela parecia desmaiada. Os olhos
fechados, somente o peito subia e descia, demonstrando vida. Ergueu-se e
desatou os braços e pernas e segurou o rosto dela entre as mãos, nervosamente.
-Virna!
Fale comigo, por Deus!
Virna
abriu os olhos lentamente, suspirando.
-Hããã...Alex...
por que está nervosa?... Não sabe que fui às nuvens e voltei?
Alex
passou a mão pelo rosto de Virna,
aliviada.
-Que susto
me deu, Virna! Pensei... que a tivesse machucado...e havia desmaiado de dor.
Diga-me... – Pediu, fitando-a com carinho – Eu a machuquei?
Virna
sorriu, abraçando-a fortemente, fitando-a com um carinho que surpreendeu Alex.
-Não,
amore... é que fiquei fora de mim...você levou-me à completa loucura...e saí do
ar por uns instantes. Mas você não me machucou, amore... – Disse Virna,
acariciando seu rosto.
Alex
sorriu enlevada e ansiosa.
-Amore? É
a primeira vez que me chama assim! É verdade? Você me ama, ou foi apenas uma
expressão?
Virna a
fitou nos olhos com um olhar inequivocamente emocionado, séria. Sua voz saiu
carregada de emoção:
-Se amar é
morrer de saudade, ter sempre uma pessoa no pensamento, se amar é só considerar
a vida maravilhosa ao lado dessa pessoa, estou amando você, Alex...pela
primeira vez, sinto esse sentimento que sempre achei exagerado e irreal. Sim,
eu a amo...
-Virna!
Oh, Virna! Sinto o mesmo...e não tenho nenhuma dúvida, porque já amei há muitos
anos atrás. Eu a amo também...muito.
Virna a
fitou nos olhos e a beijou. Foi um beijo cheio de carinho, o primeiro entre
elas sem ser motivado por desejo sexual.Ela afastou-se e a olhou cismativa,
alisando seu rosto.
-Como o
destino é insidioso, não acha, Alex? Eu sempre preservei meus sentimentos,
achando que tudo se resumia à desejo sexual...e seduzi você pensando que seria
apenas uma aventura de uma única vez...e aqui estou, dominada pelo meu amor por
você, fazendo-me reavaliar tudo que acreditava ser certo. É uma coisa que
assusta-me e ao mesmo tempo, deixa-me
encantada...nunca alguém completou-me como você me completa, Alex. E não quero
mais ninguém entre nós. Agora que terminou com Paola, vou acabar tudo com
Lorenzo, porque quero ser somente sua e espero que seja somente minha também.
Fitou Alex
com um sorriso surpreso.
-Viu só?
Aqui estou eu, falando sobre a posse de uma pessoa, algo que sempre fui contra!
Estou desconhecendo-me! Você mudou minha cabeça, Alex!
Alex
sorriu, fitando-a encantada.
-Quem ama
tem esse sentimento de posse, porque quer a pessoa amada somente para si. E tem
ciúmes da pessoa amada. Quem diz que não tem, está mentindo.
-É isso,
Alex! Eu tenho ciúmes de você! Nem quero pensar que possa olhar para outra
mulher com desejo.
-Eu também
a amo e a quero somente para mim, Virna.Não sabe como tenho sofrido em imaginar
você com Lorenzo. Virna, eu tive uma grande desilusão em minha adolescência que
me fez desacreditar no amor. Isso afetou minhas relações amorosas até
recentemente, me impedindo de apaixonar-me. Nem Paola conseguiu que eu deixasse
minhas defesas caírem, dizendo que me amava. E então, você conseguiu isso em
pouco tempo. Eu a deixei penetrar em meu coração. E então, Paola traiu-me com
Antonio. Isso me assustou, Virna. Mais uma vez fui traída por uma mulher que
dizia amar-me. Como posso, com essa nova experiência, confiar no amor de
alguém? Como posso confiar que você não vai trair-me com Lorenzo?
Virna a
fitou com amor nos olhos e disse séria,
com voz contida:
-Alex,
imagino como deve estar com medo de amar. Eu sei, porque também estou com medo.
Minha família sempre ensinou-me que o que era valioso era nosso nome nobre,
poder e dinheiro. Fui criada sem amor. Casei sem amor. Passei a achar o amor um
sentimento bobo, que nos tornava vulneráveis e idiotas. E acomodei-me com essa
idéia, deixar-me ser amada, sem amar. Fazia bem para o meu ego. E então surgiu
você, revolucionando meus sentimentos. Isso me assusta, mas estou aprendendo a
conviver com esse sentimento. E peço que não me compare com Paola ou outras
anteriores, Alex. Cada pessoa tem um modo de agir, de sentir. E peço que confie
em mim. Sem confiança mútua, o que há entre nós não tem futuro.
-Vou
tentar, Virna. Porque a amo e quero que dê certo entre nós. Sabe que temos de
ter coragem para enfrentar as pessoas.
Já estou cansada de mentir e fingir, não é de meu feitio esconder o que desejo.
-Eu sei, meu amor... mas isso tudo vai ser resolvido.
Beije-me, Alex...agora eu quem quero possuí-la. Seja também minha
completamente...
Se
beijaram apaixonadamente e recomeçaram a amar. Aquele amor e paixão era como um
delicioso vício. Virna amava sem restrições e Alex enlouquecia nos braços
daquela mulher sensualíssima.
Depois do
ato, adormeceram abraçadas. Quando Alex acordou, já estava escuro. Olhou para o
relógio digital de cabeceira e verificou que já passava das sete horas. Sentou
na cama e olhou para Virna adormecida e seu olhar se encheu de amor. Como a
amava! Como era linda, adormecida! A pele alva e perfeita, o corpo divino, o
rosto de traços perfeitos, os cabelos lustrosos espalhados pelo travesseiro,
parecia uma deusa adormecida.
Debruçou e
beijou-a no rosto. Ela acordou, abrindo os olhos e a fitando com um sorriso.
-Venha
cá... fique pertinho de mim... – Disse, baixinho.
-Gostaria
muito disso, Virna... mas já é bem tarde...
Virna
olhou para o relógio e franziu o cenho.
-Per la
Madonna! – Disse, sentando-se – Como as horas passaram depressa!
Alex a fitou
gravemente.
-Sim, e
você precisa ir, ver como Paola está. Ela pode fazer alguma loucura, sozinha em
casa. Pelo menos nesses próximos dias, você tem que se manter à par do que ela
está fazendo. O ideal seria ela procurar uma psicóloga para ajudá-la.
Virna se
ergueu da cama desanimada, mostrando a beleza do seu corpo inteiro.
-Sim,
acabou o prazer e agora vem aí os problemas... oh, quando poderei dormir com
você tranqüila, sem pensar no tempo e problemas?
-Brevemente,
amor. Agora eu estou livre. Falta você tomar suas decisões.
Virna a
fitou sombriamente.
-É, você
está livre, já resolveu sua parte. Mas eu, não...mas de uma coisa? Também vou
resolver minha vida. Também estou cansada de mentir e enganar. Chegou a hora da
verdade. Vou ter uma conversa definitiva com Paola. Já adiei isso por muito
tempo e agora não posso mais.
-Virna,
acha que é o momento adequado? Ela já está arrasada com o término de nossa
relação!
-Mais um
motivo para eu esclarecer tudo. Será pior se ela descobrir. A revolta será maior.
Eu falando, será menos chocante. E se vamos consolidar nossa relação, ela vai
perceber.
-Não
sei...temo a reação dela. Ela vai ficar furiosa. Eu gostaria de estar presente,
ela pode agredir você.
-Alex, não
acho bom você ir lá em casa comigo. Isso é um problema meu. Eu vou saber
manejar.
-Virna!...
– Começou Alex, preocupada. Virna colocou dois dedos nos lábios dela, fazendo-a
calar.
-Shhhh...
deixe comigo. Sou a favor de um tratamento de choque, Alex. Ela já está
desconfiada mesmo...tendo certeza que a perdeu, terá um bom motivo para
esquecê-la.É melhor que ficar iludida, com esperança de você voltar atrás de
sua decisão. A pior coisa é a ilusão, Alex, que nos impede de seguir nosso
caminho. Paola está numa encruzilhada, sem saber que caminho seguir: o de uma
espera inútil ou o de seguir à procura de um novo amor.
-Ainda
acho temerário você falar sozinha com ela...
-Eu acho
melhor. Apesar de tudo, ela é de minha responsabilidade. Afinal, oficialmente,
sou mãe dela.
E Virna
tomou um banho rápido, se vestiu e se foi, prometendo ligar para dar notícias.
Alex ficou ali com os nervos tensos,cheia de preocupação, temendo por Virna.
Tinha certeza que Paola iria receber a verdade com revolta.E não duvidava que
ela se tornasse agressiva ao ponto de agredir Virna. Mas não podia impedir
Virna de falar, nem de impor sua presença na casa dela. O que podia fazer era
ficar aguardando, com o coração oprimido, rezando para que nada de grave
acontecesse entre elas.
-Oh, meu
Deus!... – Sussurrou, para a sala vazia – Faça com que Paola controle seu
gênio... que não agrida à Virna...
Continua na parte 8
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