A Sensual
Virna
PARTE 5
Capítulo
7
Virna
chegou em casa e se dirigiu direto para o banheiro, tomando um banho de ducha, sentindo-se cansada, mas feliz.
Havia conseguido o que desejava! Alex não havia resistido à sua sedução e a
tinha possuído como sonhara tantas vezes! Alex havia vibrado em seus braços,
havia perdido a cabeça, de tanto prazer.
E
ela própria? Havia vibrado também, tivera inúmeros orgasmos e havia sentido um
prazer que nunca havia sentido antes com tanta intensidade.Alex era maravilhosa
numa cama...e tinha um poder de atração incrível. O simples toque do corpo dela
no seu a enlouquecia de desejo.
Quase
havia encontrado Paola na portaria. Havia acabado de entrar no táxi quando viu
Paola chegar e entrar no edifício. Era muito perigoso ir ao apartamento de
Alex. Se voltassem a se encontrar, teria de ser ali em sua casa ou em um
motel... não, em um motel, não. Era uma figura muito conhecida, para se expor a
ir encontrar uma mulher em motel. Em sua casa seria mais seguro, mesmo com
Paola morando ali. Paola pouco ficava em casa, porque detestava estar com ela.
Só vivia na casa de Alex ou na casa das amigas de faculdade. Ali, poderia
encontrar com Alex com menos perigo .
Sorriu
da ironia da situação, mas logo um pensamento a fez perder a euforia que
sentia: Alex iria querer ter sexo com ela outra vez? A dúvida se instalou em sua mente, abalando
sua autoconfiança. Maledizione! E se Alex não a quisesse mais? Ah, não se
conformaria em não ter Alex mais! Havia pensado que depois de realizar seu
desejo com Alex aquele desejo fosse sumir, mas enganara-se! Agora que havia
provado aquele tipo de amor com Alex, agora que possuía lembranças daqueles
momentos de paixão, o seu desejo por Alex havia aumentado assustadoramente.
Bastava pensar nela para sentir seu sexo molhado de excitação. E algo que não
sentira por ninguém antes: saudade . E o desejo intenso de sentir outra vez
aquelas carícias arrebatadoras, aquela boca macia e quente colada à sua ou
dizendo coisas excitantes . Aquelas mãos cariciosas em seu corpo, aquele corpo se movendo contra
o seu, aqueles gemidos excitantes, o cheiro de Alex...
-Oh,
Dio! – Gemeu, exasperada. Parecia uma adolescente apaixonada!
Enxugou-se
e vestiu uma camisola de seda negra. Pediu pelo interfone uma refeição leve no
quarto, apenas um suco e uma fatia de souflê de legumes. Após comer, escovou os
dentes e deitou-se cansada.
Estava
adormecida quando sentiu um corpo contra o seu. Acordou sobressaltada e viu
Lorenzo deitado ao seu lado, completamente nu, fitando-a sorrindo.
-Lorenzo!
O que está fazendo aqui?!
Ele
alargou o sorriso, fitando-a divertido.
-Esqueceu
que convidou-me para vir jantar com você
hoje? Eu cheguei e sua governanta disse
que você já estava recolhida no quarto. Achei que isso fosse uma forma de
dizer-me que o jantar seria na cama, e aqui estou. Giovana quis vir avisá-la de
minha chegada, mas eu a dispensei dizendo que eu mesmo viria fazer isso.
Virna
lembrou do convite que fizera à ele, dias atrás. Lorenzo iria passar uma semana
em Londres e ela o convidou para o jantar quando voltasse. Como pudera
esquecer?! Isso lhe mostrava o que Alex estava fazendo com sua cabeça! O seu
encontro com Alex a havia feito esquecer o seu compromisso com Lorenzo!
Fitou-o
com um sorriso forçado, não querendo admitir o esquecimento. Era melhor
concordar com a idéia boba dele, que inventar desculpas.
-Oh,
querido, ainda bem que percebeu a minha intenção. Vou pedir a Giovana que traga
uma boa refeição para nós...
Ele
puxou as cobertas, metendo-se embaixo delas e a abraçando.
-Depois
pensaremos nisso, querida... nesse momento, o que mais quero é você. Estava cheio
de saudade. Veja como já estou, só em encostar em você...
Ele
pegou a mão de Virna, levando-a ao pênis já ereto. Virna sentiu uma estranha
sensação de nojo ao tocar o membro duro e isso a surpreendeu. Nunca havia
sentido isso ao tocar no sexo de um homem! Sempre sentira-se excitada! Alex
havia mesmo mexido com sua cabeça!
Ele
a beijou ardorosamente na boca e Virna não pôde evitar de comparar com o beijo
de Alex. Ah, que diferença daqueles lábios macios, da pele lisa, do cheiro da
pele! O beijo de Alex era muito mais gostoso.
Mas
Lorenzo estava muito excitado para prestar atenção à falta de reação do corpo
de Virna. Ele desconhecia sua nova experiência e prosseguiu excitado.
Acariciou-a com as mãos grandes e montou sobre ela, puxando a camisola para
cima. Percebeu que ela estava sem calcinha e gemeu deliciado, alisando suas
coxas. Mais alguns carinhos impacientes e ele a penetrou com ímpeto, cheio de
desejo.
Virna
sentia o membro duro mover-se em seu interior, sem sentir o menor prazer.
Felizmente ao pensar em Alex, havia ficado úmida, senão sentiria dor. Ficou
quieta, abraçando-o frouxamente, pensando como o homem era diferente de uma
mulher em seu prazer. Para eles, o principal era a penetração, satisfazer seu
prazer mais imediatista.Uma mulher era bem mais sutil em seu prazer, mais
preocupada com sua parceira, não precisava de penetração para ter um orgasmo.
Ele
ergueu o rosto, fitando-a intrigado com sua falta de reação.Normalmente, ela
estaria gemendo e apertando-o nos braços, o corpo movendo alucinado. Mas ela
não queria fingir um prazer que não sentia.
-Virna...
você está bem? – Perguntou ele, preocupado.
Ela
o encarou na penumbra do quarto e o empurrou delicadamente, mas com firmeza.
Ele a fitou surpreso.
-Estou
muito cansada, Lorenzo, não quero ter sexo agora. Desculpe-me, mas não estou
com vontade.
Lorenzo
saiu de cima dela, preocupado e constrangido.
-Oh...
sinto muito, Virna... não quis tê-la contra sua vontade. Por que não falou
antes que não queria?
-Você
agiu mais rápido.
-Oh...
desculpe-me... – Disse ele, levantando-se.
-Onde
vai?
Ele
sorriu forçadamente, o pênis ainda ereto.
-Vou
ao banheiro. Já volto em minutos.
Virna
assentiu, sabendo bem o que ele ia fazer lá. E sentiu novamente asco pensando
em Lorenzo se masturbando no banheiro. Dio, o que estava acontecendo com ela?
Onde estava o prazer que sentia em ver um homem gozar, mostrando seu prazer por
ela?
Cobriu-se
e fechou os olhos, voltando-se de lado. Minutos depois sentiu Lorenzo deitar ao
seu lado. Ele a chamou baixinho e quando não respondeu, ele a beijou no rosto e
passou o braço sobre sua cintura, abraçando-a .Virna teve vontade de empurrar o
braço dele, mas dominou-se. Isso já seria demais. Procurou dormir. A lembrança
de Alex com ela na cama permaneceu em
sua mente até mergulhar em um sono profundo.
))))))((((((
Na
escuridão de seu quarto, Alex tentava dormir. Paola, ao seu lado, aconchegada
em seus braços, já estava profundamente adormecida.
Alex
suspirou. Que noite! Nunca havia fingido tanto em sua vida. Tinha saído com
Paola para jantar em seu restaurante
predileto e logo que voltaram, Paola se insinuou para ter sexo com ela. Alex
havia fingido estar com enjoo, mas depois de Paola fazer um chá e dá-lo em sua
boca, isso fez Alex sentir-se uma canalha. E para diminuir o seu remorso, havia
tido sexo com Paola. Não havia sentido nada além de pena e remorso e isso a
surpreendeu e preocupou. Onde estava o desejo que sentia pela bela garota? Bem,
devia ser porque estava cansada da tarde de sexo com Virna...
Idiota!
– Pensou de si mesma – Está enganando a si mesma! Não adianta, encare a
realidade! Você não conseguiu excitar-se com Paola porque está louca por Virna!
Aquela mulher virou sua cabeça, conseguiu penetrar na couraça que ergueu em
volta de seu coração! E agora está com medo do que sente, do que pode
acontecer!
Tinha
de libertar-se daquela atração perigosa. O pior que poderia lhe acontecer era
envolver-se com aquela mulher sem sentimentos. E Paola poderia ajudá-la nisso.
Mas, seria justo? Não seria melhor
terminar com Paola, para que ela pudesse encontrar alguém que a amasse
realmente, como merecia? Mas ela iria
sofrer com a separação.
Os
pensamentos se atropelavam em sua mente até que conseguiu dormir.
Ela
foi acordada por Paola para tomar o café da manhã. Alex protestou quando viu a
bandeja com suco de laranja, torradas, ovos mexidos, geléia e queijo.
-Paola! Não vou conseguir
comer tudo isso!
Paola
a fitou com as mãos na cintura.
-Vai
comer tudo, ouviu? Ontem se alimentou fora de hora, por isso passou mal! Quero
ver você bem disposta!
Alex
comeu a metade de tudo e afastou a bandeja, erguendo-se da cama.
-Chega,
assim vou passar mal de tanto comer! Paola, não vai à faculdade hoje?
-Não,
hoje vou ficar com você. Não tenho nenhuma aula importante hoje...só irei para
casa à noite. Já faz três dias que estou dormindo aqui e não quero que Virna me
chame a atenção.
Alex
a fitou gravemente. Paola havia sem saber atrapalhado sua ida ao encontro de Virna.
Talvez fosse um sinal do destino. Era melhor assim.
-Por
que está me olhando assim, Alex?
-Assim
como?
-Esquisita.
-Oh...
apenas estou pensando que vou passar a noite sozinha.
Paola
riu, beijando-a no rosto.
-É
bom para você sentir saudades de mim e valorizar minha companhia.
-Vou
aproveitar para visitar minha amiga Rafaella. Não a vejo há bastante tempo.
Paola
deixou de sorrir.
-Por
que vai sair? É assim que gosta de mim? Parece feliz em ficar livre de mim para
sair!
-Paola,
não comece! É que não quero ficar sozinha. Por que não fica comigo?
-Amore,
preciso ir em casa! Esqueci de trazer um livro que preciso estudar para a
prova.
-Está
bem, vou lá com você.
Paola
a fitou surpresa.
-Ir
lá em casa? Mas você disse que não iria mais lá! Que detestou Virna!
-Não
vou entrar, vou esperá-la dentro do meu carro.
-Não.
Virna vai ver seu carro e vai saber que estou dormindo com você. E eu falei
para ela que estou dormindo na casa de Giulia. Que não tenho visto você
porque você viajou para Roma.
Alex
a fitou em silêncio. Pobre Paola! Pensando que estava enganando Virna!
-Por
que está me olhando assim?
-Porque
você é metida a esperta. Acha que conseguiu enganar a Virna? Ela é uma mulher
astuciosa.
-Eu
a convenci que não vejo mais você. Ela nem toca mais em seu nome.
-Bem,
que decidiu, então?
-Eu
vou lá depois do almoço, pego o livro, fico um pouco lá para fazer presença e
depois volto para cá. Você me espera aqui. Está bom assim?
-Tudo
bem.
Paola
sorriu vitoriosa.
-Ótimo!
Então, vou fazer uma lazanha para nosso almoço. Amore, sei que adora esse
prato.
Alex
sorriu, dirigindo-se para o banheiro.
-Sua
lazanha é ótima, Paola. Já estou com água na boca.
Alex
tomou um banho, vestiu-se e foi para seu estúdio. Estava pintando uma coleção
de quadros para sua exposição que aconteceria dentro de quinze dias. O gerente
da galeria já havia confirmado o dia e hora da vernissage e já havia
mandado imprimir os convites. Alex estava terminando o último quadro que
iria expor com mais vinte, todos em estilo impressionista.
Ela
ligou para seu marchand. Ele avisou que os convites já estavam prontos e que
ela devia enviar para ele sua lista de convidados da vernissage, para serem
enviados. Alex prometeu que aprontaria a lista dentro de no máximo três dias. E
que só faltava um quadro ser terminado, os outros já estavam sendo colocados em
molduras numa oficina especializada.
Alex
estava ansiosa com a exposição de seus quadros. Ia lançar-se no mercado de
artes plásticas, depois de adiar esse acontecimento várias vezes, por
insegurança. O seu marchand havia assinado um contrato com a pestigiosa Galeria
Da Vinci, para sua primeira exposição. Iria passar pelo crivo dos críticos de
arte e isso seria sua prova de fogo. Eles tinham o poder de fazer dela um
sucesso, ou um fracasso.
Paola
veio chamá-la para almoçar. Alex elogiou a lazanha e ela ficou radiante. Alex
ajudou-a a lavar a louça e depois Paola saiu para sua casa. Alex ficou sozinha
e olhou para o relógio na parede, imaginando se Virna a estava esperando.Era
quase uma hora da tarde. Virna iria ter uma decepção ao ver Paola chegar, e não
ela. Deveria ligar, dizendo que não iria? Não. Era melhor não falar com ela.
Virna só iria complicar sua vida, era melhor evitá-la.
Meia
hora se passou. Alex estava sentada em sua prancheta, concentrada em fazer a
lista de seus convidados, quando o telefone tocou ao lado. Atendeu-o olhando
para sua lista, aborrecida com a interrupção.
-Alô.
-Alex...
Alex
reconheceu imediatamente aquela voz rouca e aveludada. Mas fingiu desconhecer,
com seu coração disparando:
-Quem
está falando?
-Virna,
Alex...estou em casa, mas você não veio...
Alex
ouviu um gemido. Uma respiração ofegante. Ficou intrigada e perguntou:
-Virna,
o que tem? Estou ouvindo coisas estranhas...
-Alex!...
estou em minha cama... ohh, Dio!
-Virna!
O que tem? – Perguntou, com o coração oprimido. Virna estava passando mal?
Ou...
-O
que está fazendo, Virna?
-Estou
nua... me masturbando... pensando em você, Alex...
Alex
emudeceu, sem voz. Aquela resposta a atordoou. Sentiu uma onda de excitação
dominá-la. Aquela voz sexy!
-Oh,
Alex... estou louca de tesão... por que não veio? Queria tanto ser sua...
-Virna...sua
louca... – Balbuciou, com voz trêmula.
-Isso...
xingue-me...estou... quase... gozando...
-Virna!
Você é uma tarada...
-E
você... é um demônio, Alex... deixar-me assim...ohhh, minha mão... é como se
fosse a sua...nos meus seios... nas minhas coxas... no meu sexo...ãããhhhhhhh!
Alex!... Estoouuuuuuu... aahhhhhhh!!!!
Alex
ouviu o telefone cair no chão. A ligação foi interrompida. Ela ergueu-se, os
nervos tensos, a excitação fazendo seu sexo latejar.
-Virna!
Virna! Oh, sua sacana! Putana!
Alex
pousou o telefone no pedestal, cheia de frustração. Não adiantara ter tentado
evitá-la. Virna era diabólica e sabia como provocá-la. Agora estava ali,
excitadíssima, imaginando ela na cama se masturbando! Era inútil lutar contra o
que sentia, Virna havia se apoderado de seus pensamentos e o desejo que sentia
era muito forte para poder resistir. Ela sabia como provocá-la, era um poço de
lascívia. Certo ou errado, a queria mais uma vez. Mas depois, não a procuraria
mais.
E
Alex fechou os olhos à realidade: ela já estava perdida na teia de Virna.
Bastara um telefonema de Virna para mudar sua decisão de não vê-la mais.
Capítulo 8
No dia
seguinte, Paola foi para a faculdade. Ela avisou à Alex que iria depois para a
casa de sua amiga Giulia, conversar sobre um trabalho em grupo que estavam
fazendo. Só voltaria ao anoitecer.
Alex,
após ver pela janela o carro de Paola sair, Ligou para Virna.Alex quase não
havia dormido, de ansiedade. Estava louca para ver Virna novamente. Para
desculpar a si própria, pensou que seria apenas mais essa vez. Não queria
pensar se era certo ou errado, se ia mais uma vez trair Paola, se era uma
imprudência. Só mais uma vez...só uma...
A
governanta Giovana atendeu e depois de esperar ansiosa, a voz inconfundível de
Virna chegou aos seus ouvidos ansiosa:
-Alex!
Que agradável surpresa!
-Virna...
gostaria de vê-la hoje... é possível?
-Claro,
Alex... quer vir agora? Estou só.
-Estarei
aí em uma hora.
-Estarei
aguardando-a, Alex. Ciao.
Desligaram.
Alex foi para o banheiro e tomou uma ducha, enxugou-se e foi para o quarto.
Escolheu sua roupa cuidadosamente.Sabia que Virna apreciava uma mulher bem
vestida. Vestiu uma blusa de seda negra, blazer cinza, calça em tom mais escuro
e botas negras de salto alto. Perfumou-se, penteou os cabelos e saiu, depois de
se olhar criticamente no espelho.
O
dia estava frio e chuvoso. Dirigiu com cuidado pelas ruas até alcançar a
“piazza” que Virna morava. Por precaução, estacionou numa esquina distante da
“villa” Del Fosco e caminhou até o portão à pé. Apertou o botão de chamada e
falou com Giovana. A governanta abriu o portão eletrônico e ela subiu as
escadas quase correndo, ansiosa. Giovana lhe abriu a porta da residência
sorrindo e avisou:
-Bom
giorno, signorina. A signora Del Fosco a espera em seus aposentos. Queira
acompanhar-me, per favore.
-Tutto
bene, Giovana.
Alex
subiu as escadas seguindo a governanta e percorreu o luxuoso corredor. Giovana
parou diante de uma porta, girou a maçaneta e a abriu, fazendo um gesto para
Alex entrar.
Depois
de ligeira hesitação, Alex entrou e a porta foi fechada atrás dela. Alex olhou
em volta, mal reparando na decoração suntuosa. Onde estava Virna?
Ela
surgiu de trás de um biombo pintado com ninfas em um belo jardim, vestida com
uma camisola de rendas negras, deixando entrever na trama das rendas o corpo
belíssimo. Os cabelos negros estavam soltos e ela lhe sorriu sedutoramente com
as mãos na cintura, os belos olhos azuis com uma expressão felina.
-Olá...vejo
que é pontual...
Alex
sorriu e aproximou-se dela. Mas quando chegou à um passo, Virna estendeu as mãos e a segurou pelos
ombros, mantendo-a afastada.
-Não,
não vai ter-me tão fácil como pensa...sabe que você ontem deixou-me
esperando-a, igual à uma idiota? – Disse, em tom frio.
Alex
se surpreendeu com a atitude dela, mas a fitou com desejo.
-Não
vim ontem porque não pude, Virna. Como deve ter visto, Paola veio para sua
casa.
-Conversa!
Você podia ter me telefonado e marcado outro lugar. Mas nem se deu ao trabalho
de telefonar-me!
-Eu
não podia sair. Paola ia voltar em pouco tempo! – Ainda argumentou Alex, já
começando a irritar-se. Virna estava querendo brigar por uma bobagem!
Virna
a fitou com desafio.
-Você
é dominada por Paola? Não pode sair sem ela? Ah, você não é a mulher atrevida e
corajosa que imaginei...é uma covarde, medíocre! Vive colada nas saias de
Paola, como uma imbecil! – Jogou Virna, com desdém.
O
sangue de Alex ferveu. Nunca alguém a insultara assim, e tão gratuitamente.
Seus olhos lampejaram. Nem Virna del Fosco podia fazer isso com ela sem levar o
revide.
-Veja
como fala comigo! – Advertiu, alterando a voz – Não sou nada disso e não admito
que me insulte!
Virna
deu uma risada debochada.
-Não
é nada disso? Como não é?! É, sim! Não passa de uma garotinha insegura e
dominada, que nem um cão amestrado! Só faz o que Paola permite, como uma
ridícula garotinha idiota!
Alex
descontrolou-se. Ergueu a mão e esbofeteou Virna com força. Ela cambaleou e
caiu sobre um sofá, fitando-a com os olhos acesos como duas tochas, sem parecer nem um pouco amedrontada em ver
Alex se inclinar sobre ela, as pernas abertas numa pose agressiva, fitando-a
irada.
-Você
é mesmo uma puta, Virna! – Gritou, entredentes – Não sei onde estava com a
cabeça, quando decidi vir aqui!
-Puta
é você, sua cínica! Traiu sua amante comigo!
Alex,
furiosa com a acusação, deu outra bofetada nela. Virna estendeu a mão e agarrou
seus cabelos, puxando-a para a frente. Alex desequilibrou-se e caiu por cima
dela. Virna continuou segurando-a pelos cabelos e puxou seu rosto para o dela.
Seus olhos se encontraram, os de Alex irados, os de Virna semi-cerrados pelo
desejo, suas bocas bem próximas. Dava para Alex sentir o hálito delicioso de
Virna e o perfume de seu corpo.
-Quero
você assim... furiosa...beije-me, Alex! Estou cheia de tesão... – Declarou, com
voz sensual.
Alex
fitou-a aturdida. Entendeu então subitamente a intenção de Virna. Ela a
provocara deliberadamente para fazê-la ficar com raiva! Para que a possuísse
como gostava! Parte de seu furor diminuiu com a descoberta, mas sua raiva ainda
era grande para passar como um passe de mágica.
-Maldita
mulher! – Disse, entredentes – Você é louca!
Virna
soltou seus cabelos e entreabriu os lábios, dizendo entre suspiros:
-Possua-me...
faça-me sua...
-Louca...
– Sussurrou Alex, já subjugada pelo fascínio de Virna. Ficou fitando-a
encantada, estática.
Virna
abriu o decote da camisola com as mãos, expondo os seios perfeitos. Fitou Alex
sensualmente, com as narinas fremendo, os olhos semi-cerrados cheios de desejo,
os lábios entreabertos desprendendo suspiros, os bastos cabelos espalhados no
sofá. Era uma visão tentadora.
-Veja...
são todos seus...
Alex
não resistiu mais. A boca desceu para esmagar aqueles lábios vermelhos, o corpo
apertando-se contra o dela, as mãos pousando nos seios macios. Apertou-os,
beliscou os biquinhos duros, desgrudou a boca da outra e desceu-a para os
seios, sugando-os sôfregamente.
Virna
gemeu, alucinada. Apertou sua cabeça ainda mais contra os seios, os dedos
enterrados em seus cabelos.
Alex
desceu pelo corpo em chupões, mas quando tentou alcançar o sexo, Virna a puxou
para cima pelos cabelos, ate seus rostos se nivelarem. Ela arquejava.
-Não...
agora, não... quero tudo bem devagar... quero sentí-la excitar-se até o limite
máximo...
Alex
procurou dominar-se, apesar do enorme desejo de possuí-la logo completamente.
-Então,
levante-se... – Disse Alex, se erguendo e a ajudando a levantar, puxando-a pela
mão – Tire a roupa e vá para a cama.
Virna
sorriu e tirou a camisola, ficando nua. Alex fitou o belíssimo corpo com o
coração disparado. Nunca se cansaria de olhar aquele corpo . Virna jogou-se na
enorme cama forrada de peles . Era uma cama suntuosa, com colunas de bronze
retorcido, de estilo medieval. Alex achou que aquela cama combinava com Virna,
que tinha uma beleza clássica e parecia uma personagem daquela época, em que as
mulheres tinham uma aura de mistério.
Alex
começou a tirar sua própria roupa lentamente, olhando para Virna, excitando-se
mais ainda com aquele olhar que a percorria faminto.
-Não
fique aí parada...-Disse Alex, com voz rouca – Faça poses excitantes para eu
ver... eu fico louca em ver uma bela mulher dar prazer a si mesma...
Virna
sorriu maliciosamente e sentou na cama ajoelhada, as coxas afastadas. Deslizou
as mãos pelos seios, desceu lentamente pelo ventre chato e pousou nas coxas
fortes e longas, alisando-as. Desceu para o sexo, movimentando a mão
lentamente, deixando escapar suspiros.
Alex
lembrou que Paola havia feito a mesma coisa para ela. Mas que diferença de
Virna! Paola não a fitara com aquele olhar sensualíssimo, nem possuía aquela
beleza intoxicante, que a fazia querer devorar Virna com beijos.
Nua,
aproximou-se de Virna. Sentou ao lado dela e começou a alizar o seio dela,
pousando os lábios no pescoço macio, beijando-o . Virna estremeceu e voltou-se
para ela, abraçando-a .
-Beije-me,
Alex... estou louca... faça-me gozar
como nunca...
Suas
bocas se esmagaram e a loucura começou.
Virna
esfregava-se em seu corpo com loucura, fora de si, gemendo. E Alex
contagiava-se daquela loucura, lambendo, beijando e sugando aquele corpo
maravilhoso, fazendo tudo que sabia para dar prazer à uma mulher. Cavalgou-a
por trás, com ela gemendo e mexendo as nádegas brancas e redondas, colocou-a
diante do imenso espelho do quarto,ela na sua frente, olhando suas imagens
refletidas, suas mãos alizando os seios, descendo pelo corpo dela e os dedos se
introduzindo no sexo, suas mãos sendo guiadas pelas de Virna, que encostada no
seu corpo, a cabeça inclinada para trás, mexia-se sensualmente contra seu sexo
em fogo. Sentou-a depois na cama e ajoelhou-se, sugando Virna enquanto olhava
as coxas maravilhosas se contraindo de prazer, com Virna apoiada nas mãos,
gemendo. Finalmente, deitou-a na cama e deitou sobre ela, sexo contra sexo,
olhos nos olhos, até o orgasmo as atingir como uma onda.
Depois,
deitadas lado a lado, os corpos suados, imóveis, naquele doce relaxamento após
o ato sexual.
Virna
ergueu a cabeça e fitou Alex. Gotinhas de suor porejavam no rosto dela. Virna
inclinou a cabeça e passou a língua suavemente, como uma gata, lambendo o suor.
Alex riu da inusitada carícia e também lambeu a orelha de Virna, mordiscou o
lóbulo delicado e ouviu-a gemer baixinho. Recuou e a fitou. Virna lhe sorriu
docemente.
-Pare...senão,
terá que recomeçar agora... você tem o poder de deixar-me excitada com um simples
olhar – Disse, alizando seu rosto lentamente com as pontas dos dedos.
Alex
a fitou atentamente. Virna era mesmo muito bela. Mais que Paola. Com seu corpo
de mulher já totalmente maduro, as
curvas sensuais, os seios perfeitos, ventre, coxas, o rosto sensual de uma
mulher que sabia usar sua sedução. Paola era uma garota, Virna uma mulher em
sua plenitude. Sentiu vontade de saber se ela a queria além de desejo sexual.
-Virna,
o que sente por mim?
Virna
a fitou surpresa, mas logo sorriu maliciosamente.
-Preciso
falar? Não vê?
-Quero
saber exatamente o que sente. É só atração sexual? Quando descobriu o que
sentia?
Virna
ficou séria e respondeu:
-Desde
que a vi. Seu olhar mexeu comigo. Quando apertou a minha mão, ao sermos
apresentadas, fiquei excitada. E isso preocupou-me. Mais tarde, durante o
jantar, comecei a suspeitar de sua relação com Paola. Os olhares ciumentos dela
eram evidentes. E minha atração por você cresceu. Quando fui ao seu quarto no
dia seguinte e a vi nua, fiquei tonta. Você fascinou-me. Se me pegasse ali, eu
não resistiria. Se Paola não tivesse chegado, não sei como conseguiria sair sem
demonstrar o que sentia.
Alex
a ouviu sentindo uma grande emoção pelas palavras dela. Mas procurou não
demonstrar, falando com voz calma:
-Eu
percebi que você estava atraída por mim. E me senti atraída também. Mas você
esfriou-me ao se derreter por Lorenzo na minha frente, no café da manhã.
Virna
sorriu, fitando-a nos olhos.
-Verdade?
Ah, se eu soubesse que você estava sentindo
o mesmo, teria despachado Lorenzo e dado um jeito de ficar com você à sós...
Alex
não sorriu. As palavras de Virna a fizeram se irritar, por pensar que ela
somente a desejava para sexo. Lorenzo era mais importante, para Virna.
-Você
ama Lorenzo, Virna?
Virna
voltou-se, apoiando a cabeça na mão esquerda.
-Não
amo Lorenzo, mas temos um relacionamento há algum tempo. Ele é um cavalheiro,
um homem atraente e riquíssimo. Gosto dele.
Alex
a fitou decepcionada com as palavras dela.
-Um
homem riquíssimo! Você dá tanta importância a dinheiro!
Virna
a fitou calmamente.
-Uma
Del Fosco não deve andar com um caça-fortunas, um homem indigno de nosso nome.
Alex
a fitou com um sorriso sarcástico.
-Como
dá importância também ao seu nome!
-Claro
que dou. Orgulho-me dele.
-Tudo
bem, tudo bem... então, Lorenzo é o homem ideal para você, não? Vai casar-se
com ele? – Perguntou Alex, sentindo um súbito e doloroso ciúme.
Virna
riu debochadamente.
-Casar
com Lorenzo?! Que é isso, Alex! Nunca mais quero casar-me! Sou agora uma mulher
independente. Só quero amantes para satisfazer o meu lado sexual! Jamais
envolver-me demais!
Alex
a fitou com uma ponta de despeito. Ela não havia se declarado apaixonada por
ela, como as outras mulheres sempre faziam, após terem sexo com ela. Procurou
falar sem demonstrar o que sentia:
-Então,
só fica com um amante para satisfazer seu lado sexual? E agora?
Ela
a fitou erguendo as sobrancelhas.
-Agora,
o quê?
-Eu
satisfaço seu lado sexual?
Virna
sorriu, acariciando seu rosto.
-Ainda
duvida disso? Já não demonstrei bastante?
-Então,
por que vai continuar com Lorenzo?
-Ora,
Alex! Ele é um homem interessante e está
apaixonado por mim! Por falar nisso, e você com Paola? Por que está com ela?
Alex
desviou o olhar.
-É
uma situação diferente da sua...
-Diferente
em quê? Também não a usa para matar seus desejos? Não venha me dizer que ama
Paola, à essas alturas!
-Não
é somente por sexo que estou com ela. Paola me ama e não quero magoá-la, acho-a
tão perdida e frágil! Mas você não ama Lorenzo e ele é um homem vivido, uma
decepção não iria abalá-lo tanto. Por que não termina com ele, se eu satisfaço
seu lado sexual?
Virna
a encarou rindo, sentando-se na cama.
-Ah,
você quer que eu fique sozinha, e você com Paola e comigo! Quando tiver um
tempo livre de sua frágil garotinha, vem procurar-me! Mas, e minha vida, como
ficaria, Alex? Dependendo de sua vontade de encontrar-me? Não! Quero ter um
homem por perto para dar-me atenção, dedicar-se à minha companhia...
-...e
fazer sexo com você! – Completou Alex, em tom de acusação.
Virna
riu mais, fitando-a com ar divertido.
-Exatamente
como você e Paola! – Jogou, com deboche.
Alex
ficou calada, fitando-a com olhar aborrecido. Virna parou de rir e a abraçou
com força, debruçando-se sobre ela.
-Não
sei o que fazer, Alex. Você está ligada à Paola e eu à Lorenzo. Sinto uma
atração fortíssima por você, como nunca senti por alguém. Mas vamos deixar as
coisas como estão. Com o tempo, veremos o que fazer.
Alex
a fitou com sentimentos contraditórios agitando seu íntimo. Pensava que devia
deixar Virna, não prolongar aquela relação que prometia trazer-lhe confusão.
Devia era dedicar-se à Paola, que a amava e era somente sua. Virna não a amava,
estava apenas satisfazendo “seu lado sexual”, como dissera. Então, porque
estava cheia de ciúmes dela com Lorenzo, querendo-a só para si? Por que a
fitava com fascinação, querendo colar seus lábios naqueles lábios sensuais e
esquecer do resto do mundo?
Beijou-a,
sem poder resistir mais em olhar para aquele rosto belíssimo sem beijá-lo. E
Virna correspondeu com a mesma intensidade, apertando-se contra seu corpo e a
abraçando. E mais uma vez, tudo recomeçou. Era impressionante como o desejo as
dominava, nem parecia que já haviam
feito amor várias vezes.Virna delirava, ela perdia a razão. Tinham de
possuir-se várias vezes para satisfazerem a fome uma da outra.
Duas
horas depois, esgotadas, deitadas com seus corpos entrelaçados, olhavam-se
ainda sentindo aquela atração poderosa que as jogava uma nos braços da outra.
Virna desvencilhou-se dela lentamente e sentou na cama, passando as mãos nos
cabelos. Alex a fitou em muda admiração.
Deus,
eu não posso parar de olhar para Virna? – Pensou, desgostosa com sua fraqueza.
Virna
a fitou com um sorriso malicioso.
-Vamos
tomar m banho? Acho que estamos precisando.
Alex
sentou-se também.
-Vamos.Estamos
suadas e cansadas. Um bom banho nos revigorará.
Virna
saiu da cama e estendeu a mão para Alex.
-Venha,
Alex.
Virna
conduziu-a até o luxuoso banheiro, o piso em mármore branca e a imensa bancada em granito vermelho. Havia uma enorme Jacuzzi
no centro do piso, em formato ovalado. Virna a indicou com um gesto
displicente.
-Prefere
a banheira ou a ducha?
-A
ducha. A banheira demorará a encher e estou com calor.
Virna
deu uma risada curta, abrindo a porta do espaçoso box.
-Calor?
Estamos no inverno, Alex! Lá fora deve estar a menos de cinco graus!
-Então,
ou o sistema de calefação de sua casa está à todo vapor, ou é você quem está
fazendo minha temperatura subir – Sorriu Alex, entrando na ducha com Virna. Ela
abriu as torneiras e a água caiu sobre elas em jatos fortes.
Virna
abraçou-a, colando o corpo no seu. Os corpos se encaixaram como se tivessem
sido feitos um para o outro. Com a água morna caindo sobre elas, Alex a beijou,
descendo depois a boca para os seios,
sugando-os, passando a língua pelos biquinhos já enrigecidos. Virna suspirou e
alizou suas costas com as mãos ensaboadas. Alex fez o mesmo e começou a
ensaboar o corpo de Virna, depois de fechar as torneiras. E não demorou as mãos
dela descer pelas coxas, tocando o sexo. Virna beijou-a ardentemente e começou
a esfregar o corpo ensaboado no seu, movendo-se sensualmente.
Alex
introduziu uma das coxas entre as de Virna e a empurrou contra a parede do
box, apertando--se contra ela, freneticamente. Virna a apertava pela
cintura, as mãos desceram e se firmaram em seus glúteos, firmemente.Seus
movimentos se intensificaram e ela atingiu o êxtase, gemendo alto.
Alex
a amparou nos braços e a seguiu pouco depois, sendo amparada por Virna.
Olharam-se sorrindo fracamente, as pernas bambas. Virna tornou a abrir as
torneiras.
-Agora,
o banho mesmo. Estou morta, no fim.
-Eu
também... você me esgota, Virna. Não sobra nada.
Virna
sorriu com malícia, esfregando os cabelos com os dedos, o rosto voltado para
cima, recebendo a água.
-E
Paola? Como fica?
-Bem...
naquele dia, eu tive que inventar que estava passando mal. Hoje, não sei o que
direi.
Virna
riu, fitando-a.
-Isso
aconteceu comigo também. Não consegui nada com Lorenzo.
Alex
a fitou surpresa.
-Quando?!
Ele esteve aqui quando?
Virna
fechou a torneira, encarando-a sorrindo.
-Naquele
mesmo dia, quando saí de sua casa. Eu esqueci que o havia convidado para
jantar. Fui dormir cedo e ele chegou. Foi engraçado e embaraçoso. Eu estava
dormindo e ele meteu-se na cama comigo. Foi um desastre! Um cadáver teria sido
mais quente que eu! – Contou, rindo.
Alex
sentiu um ciúme louco, imaginando-a sendo possuída por Lorenzo. Teve ânsias de
esbofeteá-la, mas controlou-se à custo. E para ferí-la, para fazê-la sentir a
mesma coisa, disse também rindo:
-É
mesmo? Então, sou mais forte que você! De madrugada, consegui possuir Paola e
tive um intenso prazer.
Virna
a encarou deixando de rir. Alex viu aqueles olhos de cristal brilharem, mas não
podia saber se era de ciúme ou ira. Mas logo ela se recompoz e sorriu
novamente, rebatendo:
-É
mesmo? Que ótimo, arranjei uma parceira que não vai deixar-me na mão!
Alex
irritou-se com aquela resposta cínica. Mas não disse mais nada, por que sabia
que se deixasse Virna perceber seu súbito ciúme, ela provavelmente iria achar
que a tinha nas mãos. E por que estava sentindo ciúmes de Virna? Não a amava,
nem pretendia nada além de sexo com ela. Seu “affaire” com Virna não tinha
futuro. Ela gostava de homens e tinha um amante. Tinha que se mostrar superior e
indiferente aos atos e palavras de Virna, sem dar importância. Então, apenas sorriu .
Se
enxugaram e voltaram ao quarto. Virna a fitou com um sorriso sensual, jogando a
toalha sobre uma poltrona, mostrando sua nudez com naturalidade.
-Acho
que por hoje chega de fazer amor, não? Você tem de deixar um pouco para Paola.
Alex
sorriu, fingindo não perceber a ironia dela.
-Hoje
não sobrou nada para ela, Virna... – Respondeu – Paola que se satisfaça
sozinha.
Virna
escolheu sua roupa, enquanto Alex se vestia. Uma saia justa negra e uma blusa
de seda branca, de mangas compridas. Naquelas roupas simples, estava elegantíssima. Ela era uma
dessas mulheres que valorizam as roupas que vestem. Uma perfeita dama,
esbanjando classe e charme. Perfumou-se, prendeu os cabelos e passou baton nos
lábios. Alex a observava com admiração. Virna estava linda e desejável.
Virna
aproximou-se dela e estendeu a mão.
-Venha.
Vamos para a sala de estar ouvir música. E vou pedir à Giovana para preparar um
lanche para nós. Acredito que esteja com fome, não, Alex?
Alex
sorriu, deixando a mão de Virna tomar a sua.
-Realmente,
estou faminta. Um lanche será bem-vindo.
Desceram
para a sala. Alex olhou em volta. Um ambiente decorado com conservador requinte. O mundo de Virna. Só
que em matéria de sexo ela não era nem um pouco conservadora.
Sentou
em um sofá que ela indicou e Virna foi encomendar o lanche. Ela voltou logo
depois, sorridente.
-Pronto,
Giovana vai nos servir o lanche em pouco tempo. Vou colocar uma música para
ouvirmos.
Ela
colocou um cd no aparelho de som depois de uma rápida seleção e sentou ao seu
lado, cruzando as longas pernas. A voz de Mafalda Minnozzi encheu o ambiente, cantando Parole. Alex a
fitou surpresa.
-Não
colocou uma ópera?!
-Não,
o momento pede uma música romântica. Ópera a gente tem que concentrar-se para
ouvir, e eu quero apenas me concentrar em você, Alex – Declarou, pegando a mão
de Alex e entrelaçando os dedos nos dela.
Alex
a fitou emocionada com aquela inesperada declaração. A fria Virna querendo
ouvir música romântica? Falando aquelas palavras que demonstravam sentimentos
além de sexuais?
Virna
a fitou pensativamente.
-O
que faz na vida, Alex? Estive na faculdade de Paola e soube que não há nenhuma
estudante de nome Alexandra Birtrich
Hurt na relação de alunos na classe de Paola,
nem nas demais. A secretária disse que seu nome não está em nenhuma
lista de alunos.
Alex
a fitou admirada.
-Já
descobriu isso também? Bem que eu disse à Paola que você é astuciosa! E estou
comprovando isso agora. Você está certa, não estudo na faculdade. Eu conheci
Paola em uma festa na casa de um amigo.
-Ah!
E conquistou-a com um olhar, imagino... mas fale-me sobre sua vida, Alex. Não quero
falar sobre você e Paola, agora.
-Tudo
bem. Formei-me em Artes Plásticas na Universidade de Florença. Sou pintora e
estou prestes a inaugurar minha primeira exposição. Irei me lançar no mercado
das artes dentro de quinze dias. Paola quem inventou essa estória para você,
que estudamos juntas.
Virna
a encarou agradavelmente surpresa.
-Uma
pintora! Uma artista! Alex, que surpresa agradável! Qual é o seu estilo?
-Impressionismo.
Comecei pintando paisagens, mas na minha fase atual, estou pintando nus.
Giovana
chegou com um carrinho com bandejas e
uma garrafa de champanhe em um balde de prata. Colocou-o diante delas e Virna a
dispensou, dizendo que ela mesma serviria. A governanta se retirou e Virna
pegou a garrafa já aberta e encheu as taças, estendendo uma para Alex.
-Temos
pãeszinhos de queijo, canapés de caviar, croquetes de carne e musse de
chocolate. O que prefere?
Alex
sorriu.
-Um
pouco de tudo, estou faminta.Nosso...exercício me deu fome.
Virna
sorriu também, fitando-a .
-Também
estou faminta. Vou serví-la, Alex.
A
perfeita anfitriã, servindo-a com delicadeza, comendo com uma classe
inimitável. Alex comeu sem deixar de fitá-la com admiração. Acabaram de comer,
acompanhado pela excelente champanhe Don Perignon, e Virna a fitou pensativa,
passando o guardanapo delicadamente nos cantos dos lábios.
-Estava
pensando, Alex. Tenho muito conhecimento com pessoas importantes,
colecionadores de arte, críticos, empresários...Se você quiser, posso
convidá-los para sua vernissage. Nenhum deles recusaria um convite meu. E esse
tipo de gente é que dá status à uma vernissage. A imprensa comparece e noticia
o evento.
Alex
a fitou entusiasmada. Virna estava lhe oferecendo algo que era muito importante
para sua exposição.
-Só
posso dizer que ficarei muito grata por essa preciosa ajuda, Virna. Mas como
vou explicar essa ajuda à Paola, se ela pensa que só nos falamos naquele fim de
semana?
-Posso
dar um jeito nisso – Disse Virna, com confiança – Podemos simular um encontro
casual em um restaurante, você com Paola e eu chegando depois. Você me falaria
sobre a exposição e eu ofereceria a ajuda . Tudo com Paola presente e ela não
desconfiaria de nada.
Ela
viu a hesitação de Alex e franziu o cenho.
-Bem,
isso se você quiser. Aceita o plano para a ajuda?
Alex
tomou a mão dela na sua, apertando-a agradecida.
-Aceito, Virna. E agradeço sua
confiança em mim, já que nem viu ainda meu trabalho.
Virna
sorriu e ergueu-se, puxando-a pela mão.
-Venha
dançar comigo. Quero ver se dança bem.
Alex
ergueu-se também e tomou-a nos braços. Virna encostou o rosto no seu e o
perfume suave dela penetrou nas narinas de Alex, que fechou os olhos, dando os
primeiros passos.
Não
estava preparada para a forte emoção que sentiu ao ter o corpo de Virna contra
o seu dançando. Pela primeira vez estavam abraçadas sem o desejo sexual
dominando seus sentimentos, e podia sentir algo mais profundo que mero desejo. Uma doce emoção, que a fazia desejar ficar abraçada
à Virna para sempre. Deus, o que estava sentindo? Que emoção era aquela? Só
havia sentido isso muitos anos atrás... com Ariadne.
-Você dança muito bem... – Sussurrou
Virna, em seu ouvido, o hálito quente a acariciando – Mais uma qualidade que descobri
em você. E saber que é uma artista... você é cheia de surpresas, Alex...
-Gostaria de um dia poder pintar
você, Virna... captar em uma tela sua beleza sensual...
-Quando
quiser, Alex...
Aquela
voz profunda, macia como veludo... Alex afastou-se para fitá-la, fascinada.
-Você
é linda, Virna... diabolicamente linda...
-Alex!
– Riu Virna – Pare, está deixando-me encabulada! Vamos falar de nosso
plano...amanhã vou almoçar no Il Verrocchio, na Via Della Massa
... sabe onde é?
-Sim,
já estive lá. A que horas irá?
-Às treze horas. Você deve chegar
antes com Paola. Eu chego depois, as vejo e vou até a mesa de vocês. Receba-me
bem, ouviu? Por que sei que Paola vai receber-me como se tivesse visto o diabo!
Alex
não se controlou mais e aproximou seus lábios dos sensuais lábios de Virna. Se
beijaram profundamente, parando de dançar. A mão de Alex foi para o seio de
Virna, mas ela segurou seu pulso, afastando a boca e a fitando com um sorriso
sensual, os olhos semi-cerrados.
-É
melhor ir agora, Alex. Já começou a anoitecer.
Alex afastou-se e fitou seu
relógio de pulso, surpresa. Já eram quase seis horas da tarde! Paola já devia
ter chegado há muito tempo. Mas, o que importava isso? Podia ficar mais um pouco com Virna. Ela
tinha razão, devia ser mais independente de Paola.
-Paola
que espere – Disse, sem querer deixar Virna.
Virna
a fitou séria.
-Vamos
agir com sensatez, Alex. Deve ir agora. Não convém despertar suspeitas em
Paola.
Alex
encarou Virna, chocada. Pela primeira vez uma mulher a dispensava. Sempre havia
sido o contrário. Ela quem sempre dispensava as mulheres, depois do sexo. Mas
Virna tinha razão. Já era tarde e não devia prolongar sua estada ali.
-Ok, Virna, vou embora.
Virna
sorriu e a conduziu até a porta principal, de mãos dadas. Ali, a fitou com um
sorriso sedutor.
-Não
esqueça nosso encontro amanhã.
-Não
esquecerei. Buona notte, Virna.
Virna
deu um beijo rápido em seu rosto e soltou sua mão, recuando.
-Buona
notte, Alex. Dirija com cuidado.
Alex
desceu a escadaria da villa e saiu pelo portão. Voltou-se para trás e viu Virna
a observando. Acenou e afastou-se pela rua até seu carro.
Estava com medo do que sentia. Não
estava podendo mais negar à si mesma que estava apaixonada pela fascinante
Virna. Estava metida numa belíssima complicação!
Continua na parte 6
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