A  Sensual  Virna

 

PARTE  4

 

 

Capítulo 6

 

         Alex estava abraçada ao corpo macio e perfumado, que estava de costas para ela. Sentia aquele perfume inconfundível, o perfume que amava naquela mulher, que se misturava ao próprio cheiro dela.

 

         Sentiu uma onda de alegria e amor encher seu coração. Estava com a mulher amada nos braços e isso era o mais deleitável sentimento.Mas também estava com muita sede. Uma sede enlouquecedora que a fez desvencilhar-se do corpo amado e levantar para ir ao banheiro para beber água. Na penumbra do quarto, foi com passos lentos ao banheiro. Encostou a porta e acendeu a luz. Olhou-se no espelho sobre o lavatório e contemplou seu rosto bem mais jovem. Abriu a torneira e encheu a mão com água, levando-a à boca e bebendo ávidamente.

 

         Subitamente, ouviu gemidos no quarto. Fechou a torneira, aguçando os ouvidos. O ruído dos gemidos se repetiu. Gemidos aumentando de intensidade, mostrando que a pessoa estava prestes a ter um orgasmo.

 

         -Ariadne! – Gemeu Alex, sentindo o coração se contrair de angústia. Abriu a porta com um safanão, correndo para o quarto. Com olhos arregalados, contemplou a cena. Dois corpos se movimentavam freneticamente no ato sexual. A cena queimou nos olhos de Alex, as pernas da mulher erguidas e escancaradas, com o homem entre elas movendo o traseiro rapidamente para cima e para baixo, as costas largas abraçadas pela mulher que gemia alto. Ele deu a última estocada, apertando-se contra a mulher, que gritou alto.

 

         -Ariadne! – Gritou Alex, desesperada.

 

         O homem saltou de cima da mulher, fitando Alex com um sorriso triunfante. Não procurou esconder a nudez, com seu sexo à mostra. E a mulher surgiu, se sentando apoiando nos cotovelos. Seu rosto de beleza angelical se transformou em uma expressão sensual. Ela encarou Alex, que os fitava chocada e sorriu, dizendo com voz   cheia de malícia:

 

         -Ele deu-me o que você não podia, Alex...

 

        E ela gargalhou, abraçando o homem . O som da gargalhada feriu os ouvidos de Alex, fazendo-a  gritar de revolta e dor. Seu grito ecoou pelo quarto em penumbra.

 

         -Nããããoooo!!!!!!!!

 

         -Alex! Alex! Acorde!

 

Alex sentou abruptamente na cama, abrindo os olhos, a respiração ofegante. Viu Paola a fitando assustada e respirou aliviada, percebendo que tudo não passara de um sonho. Mas o sonho conseguiu abalar sua  autoconfiança, sua paz. Aquele sonho a remeteu há anos atrás, quando era uma adolescente. Abraçou Paola fortemente, sentindo uma indescritível necessidade de encontrar consolo em uma pessoa que não a repelisse, que a desejasse. Sentia-se como a ingênua Alexandra de anos atrás, quando ainda acreditava no amor.

 

-Oh, Paola! Estava tendo um pesadelo!

 

Paola retribuiu o abraço, apertando-se contra ela.

 

-Eu percebi isso, Alex. O que estava sonhando? Fale... fará bem à você.

 

Alex afastou-se um pouco e a fitou nos olhos. E viu ali preocupação e amor. Nesse momento, suas defesas caíram. Nunca havia contado a ninguém, além de sua avó, a sua profunda desilusão. Mas naquele momento, com as imagens do pesadelo ainda frescas em sua memória, sentiu-se frágil, carente de atenção e carinho, querendo partilhar sua decepção, o porquê de sua prevenção contra deixar seu coração ser novamente entregue à alguém. Declarou com voz baixa:

 

-Paola... preciso desabafar mesmo com alguém meus sentimentos. Estou cansada de tentar ser uma pessoa fria, que só pensa com a razão. De não ser com- preendida. Eu vou contar à você o que sinto, o que me fez fechar-me ao  amor.

 

-Oh, amore! Parla me ... sou toda ouvidos...

 

Alex colocou a cabeça no ombro de Paola, que a abraçou carinhosamente. E no conforto daquele corpo junto ao seu, começou a falar com olhar perdido.

 

)))(((

 

Ela contou sobre sua adolescência. Orfã de pai e mãe, que haviam falecido em um desastre de carro, morava com sua avó. Também morava com elas seu primo Bruno, filho de pais separados, que viviam viajando, desfrutando dos prazeres da vida sem querer cuidar do filho.

 

Entre ela e Bruno havia uma velada rivalidade. Ele herdara os mesmos defeitos dos pais, não gostando de estudar e apenas apreciando equitação e gastar dinheiro em futilidades. Alex, ao contrário, tirava notas altas em todas as matérias e pintava e desenhava com talento. Devido a esses fatos, era clara a preferência da avó por ela e isso fazia Bruno detestá-la.

 

Bruno era seis anos mais velho que ela. E aos vinte e um anos  ele estava começando a viciar em jogo. Andava na companhia de jogadores que iam para cassinos em Montecarlo e frequentava corridas de cavalos. E um dos amigos dele era Gustav Henner, um velho amigo de seu pai.

 

Gustav Henner era um homem de seus quarenta e cinco anos, um homem que também apreciava “la douce vita”, sem fazer nada de produtivo, além de jogar fortunas nos cassinos e corridas de cavalos. E uma tarde ele anunciou à avó que Gustav viria jantar com eles, trazendo sua filha Ariadne, que havia acabado de chegar da Inglaterra, onde havia concluído seus estudos.

 

Alex não suportava Gustav Henner, mas cedeu em comparecer ao jantar depois de muita insistência de sua avó, que gostava de seguir as boas maneiras sociais.

 

Alex era uma jovem reservada e detestava reuniões sociais. Gostava mais de ficar em casa ouvindo música, pintando ou lendo. Por possuir uma cultura acima da média das moças de sua idade, elas a discriminavam por inveja ou sentimento de inferioridade, chamando-a de presunçosa e antipática.

 

Ela não se incomodava com isso.Desprezava aquelas garotas que só falavam sobre namorados, roupas e festas. Não tinha nada em comum com elas. E também o sexo oposto não a atraía.Achava os rapazes que tentavam namorá-la sem atrativos e boçais. Não gostava de seus modos brutos, suas risadas altas, seus olhares atrevidos.

 

Por tudo isso, desceu para o jantar extremamente aborrecida. Pensou irritada que sua avó criticava o comportamento de Bruno, mas sempre cedia aos desejos dele. E agora ia ter que  aturar o detestável Gustav Henner e sua filha. Em sinal de protesto, apenas vestiu calças jeans desbotadas e uma camiseta preta de malha.

 

Desceu as escadarias e primeiro viu Gustav e Bruno conversando ao lado do sofá com taças de vinho nas mãos. E então viu a moça sentada, olhando-a descer as escadas. E o mundo pareceu parar.

 

A moça era uma loura belíssima, vestida com elegância despojada numa saia e blusa de linho branco, destacando sua pele dourada e os profundos olhos verdes.Um rosto de anjo e corpo de deusa.

 

Alex se apaixonou fulminantemente. Foi com olhar aturdido que se aproximou e foi apresentada à ela, pelo pai. Ariadne. Um nome grego, da lenda de Teseu e o Minotauro. Na lenda, Ariadne ajuda Teseu a entrar e sair do  labirinto  onde está o Minotauro, com um fio de tecer. Depois de matar a fera, ele segue o fio de volta para a saída. Mas essa Ariadne simplesmente a havia feito perder todas suas prevenções e se encantar com a beleza dela, presa em sua teia de sedução.

 

Conversaram sobre vários assuntos, sentadas em um canto, ignorando e descobriram que gostavam das mesmas coisas. No final da noite, Alex já havia levado Ariadne ao seu estúdio para conhecer seus quadros e tinham combinado irem à uma exposição de arte.

 

Naquela noite, Alex foi deitar pensando em Ariadne, o quanto era linda, inteligente, adorável. E nos dias seguintes, seu encanto se aprofundou. Ariadne e ela tinham tudo em comum. Bem, quase tudo, porque Ariadne  gostava de vestir-se com roupas caras, maquiar-se, ir a cabeleleiros famosos e usar joias caras. Tinha vinte anos e não aprovava o vício do pai em jogos, mas não externava essa desaprovação. Se tornaram inseparáveis e dois meses depois, o inevitável aconteceu.

 

Estavam no estúdio de Alex, conversando sentadas no chão atapetado, ao som de velhas músicas românticas que Ariadne havia trazido de sua casa. Ela colocou um cd para tocar e fitou Alex com um sorriso sedutor.

 

-Ouça essa música de Gigliotta Cinquetti. É linda. Eu a ouvia muito quando estava fora da Itália. Chama-se Dio, Come ti Amo.

 

A música dominou o ambiente:

 

Nell cielo pasa nole nuvole,

Che vano versi il mare...

Lembrano fazzoletti bianchi

Che salutano il nostro amore...

Dio, come ti amo!

Non nè possibile...

Havere tue le braccio

Tanta felicitá

Baciare le tu labbro,

Che adorano diventto!

Noi due innamoratti

Come nessuno al mondo...

 

Ariadne levantou e puxou Alex pela mão, dizendo baixinho:

 

-Venha dançar comigo.

 

 Alex ergueu-se e seus corpos se encontraram quando  começaram a dançar como se já fizessem isso várias vezes.

 

Dio, come ti amo,

Me veda piangere...

En tutta la mia vita,

No ho provato mai

Un bene cosi caro,

Un bene cosi vero!

Chi puó fermare fiume,

Che vano versi il mare...

Le rondini nell cielo,

Che vano versi il sole,

Chi puó cambiare l’amore,

L’amore mio per te...

Dio, come ti amo...

 

Elas se fitaram, quase não movendo os corpos no ritmo lento da música. E quase inconscientemente, seus lábios se encontraram em um beijo à princípio tímido, depois profundo e apaixonado. E esse beijo foi a ignição da paixão que as assaltou.  Entre beijos, se despiram, se acariciaram, se amaram. E Alex entregou-se de corpo e alma à sua primeira paixão. Depois do sexo, ficaram abraçadas, trocando ternos carinhos. E Alex estava radiante com a descoberta que Ariadne a amava também.

 

)))(((

 

Alex parou de falar. Paola pacientemente esperou, mas quando o silêncio perdurou, ela inclinou o rosto, procurando o olhar dela. Os olhos de Alex estavam cheios de dor.

 

-Alex! O que há? Está sentindo alguma dor? – Perguntou, preocupada.

 

Alex desvencilhou-se de seu abraço e se sentou ereta, evitando fitá-la.

 

-Não, Paola. Estou bem. – Disse, com voz controlada – Apenas as lembranças ainda me machucam.

 

-Oh. E... o que aconteceu depois que vocês tiveram essa... cena de amor?

 

Alex passou a  mão  pelos cabelos, ainda sem fitá-la.

 

-Eu mergulhei de cabeça nessa relação. Apaixonada, acreditando no amor de Ariadne. Vivi um sonho de amor durante três meses, quando tudo virou um pesadelo.

 

-O que houve? – Perguntou Paola, engulindo seu ciúme.

 

Alex a fitou. E seus olhos estavam secos, sem sentimento, sem vida.

 

-Ela trocou-me por Bruno. O pai dela havia perdido uma fortuna no jogo e estava à beira da falência. Eu os peguei juntos fazendo sexo na biblioteca, de madrugada. Ariadne estava dormindo comigo naquela noite e saiu sorrateiramente da cama altas horas, pensando que eu estava dormindo.  Eu pensei que ela tinha ido beber água, mas quando demorou, resolvi descer à procura dela.

 

-Dio mio, Alex! Ma che putana!

 

-Sim. A mulher que eu amava loucamente, era uma puta, Paola. Eu os surpreendi com ela fazendo sexo anal com Bruno. Ela gemia dizendo que ele quem a fazia gozar de verdade! – Declarou Alex, com revolta na voz – E quando me viu parada na porta, chocada, riu e continuou a dar-se à Bruno!  Ele viu-me também e sorriu com triunfo. Continuou a possuir Ariadne com mais entusiasmo. Eu quem saí dali correndo, sem agüentar ver mais aquela cena.

 

Paola a fitou boquiaberta.

 

-E... o que houve depois?

 

Alex baixou os olhos.

 

-Eu me tranquei no quarto, arrasada. Bruno veio na manhã seguinte pegar as roupas dela. Eu não abri a porta e ele a arrombou , entrando no quarto. Eu levantei e o agredi e a confusão se formou. Minha avó chegou e eu contei aos gritos para ela o que havia acontecido na biblioteca. Minha avó foi de uma calma impressionante. Ela entregou a Bruno as roupas de Ariadne e disse à ele que ela devia sair de nossa casa imediatamente e não voltar mais.

 

-Oh, Alex! – Disse Paola, impressionada – E Ariadne? Não a viu mais?

 

-Não. Um mês depois,  ela se casou com Bruno e foram morar em Munique. Eu caí em profunda apatia e minha avó me levou para Paris. Fui completar meu estudo médio no Sacre Coeur. Terminei o curso médio e minha avó trouxe-me para a Itália, onde ingressei na universidade de Florença para o estudo de Artes Plásticas. Minha avó morreu quando eu tinha vinte e dois anos e me fixei aqui em Florença. Eu estava sentindo-me como uma árvore ôca, Paola. De pé, vivendo, mas com meu interior vazio. O sofrimento foi substituído por uma couraça de indiferença. E passei a olhar as mulheres apenas como objetos de prazer, sem envolvimento sentimental. Ariadne fez isso comigo, Paola. Matou minha capacidade de amar alguém.

 

-Alex! Você não pode julgar todas as mulheres por Ariadne! Eu a amo, Alex! E estarei ao seu lado enquanto você quiser! Agora eu a entendo melhor. Você tem medo de amar!

 

Alex a fitou com um sorriso de gratidão.Pobre Paola! Se soubesse como se sentia atraída pela mãe dela... mas não, não podia deixar essa atração crescer! Tinha que lutar contra! Não queria sofrer mais! Virna era como Ariadne! Uma puta! Gostava de homens, mas queria também ter prazer com mulheres, e a havia escolhido para experimento! Pois iria resistir! Não iria cair na tentação!

 

Agarrou-se à Paola como se estivesse se agarrando à uma tábua de salvação. Fizeram sexo e Alex possuiu Paola e foi possuída com loucura. Depois, dormiram uma nos braços da outra, saciadas.

 

))))))((((((

 

Quando Alex acordou, olhou para o relógio de cabeceira e se espantou com a hora tardia. Dez horas da manhã! Como havia dormido!

 

Viu um bilhete espetado no travesseiro ao seu lado e o pegou, lendo:

 

“Amore, depois da faculdade vou passar

em minha casa para apanhar roupas limpas

e devo voltar às seis da tarde.

Um beijo de sua Paola”

 

Alex amassou o papel, jogando-o dobre  a mesinha.Levantou e foi para o banheiro.  Escovou os dentes e tomou um banho prolongado de ducha. Enxugou-se e vestiu seu roupão, dirigindo-se para a cozinha. Aquele dia era da folga da empregada e teria de virar-se sozinha. Abriu a geladeira e olhou indecisa o que comer. Acabou escolhendo morangos e leite. Fez um suco no processador e tomou um copo com satisfação. Adorava frutas. Creditava sua aveludada pele à elas.

 

Ia tomar o segundo copo quando a campainha da porta tocou. Pousou o copo na mesa da copa amarrou o cinto do roupão branco, dirigindo-se para a entrada principal do duplex. A campainha tornou a tocar insistentemente.

 

-Um  momento, per favore! – Gritou, irritada. Quem seria que estava tocando a campainha assim? Olhou pelo olho mágico da porta, para ver quem era.

 

Virna Del Fosco!

 

Recuou, olhando para a porta com o coração aos saltos. Como ela havia descoberto seu endereço? O que desejava? Idiota, é claro que imaginava o que ela queria. E teve medo. A hora da verdade estava chegando. A tentação estava ali, batendo à sua porta.  Teria forças para resistir à Virna? Não sabia.

 

Ficou um minuto imóvel, pensando se a atendia ou não. Mas ouviu a voz dela, impaciente:

 

-Alex! Sei que está aí, ouvi sua voz! Abra!

 

Aquela deliciosa voz aveludada de contralto... bem, não tinha alternativa. Ela havia ouvido seu grito pedindo para esperar. Agora seria uma estupidez fingir que não estava. Passou as mãos pelos cabelos molhados em um gesto nervoso e abriu a porta.

 

Virna, elegantíssima em um casaco de peles, fitou-a com um sorriso contrafeito. E Alex se sentiu presa à aqueles olhos muito azuis, que a fitavam como uma pantera avaliando sua presa.

 

-Não queria receber-me?

 

Alex afastou-se para ela passar, desviando o olhar.

 

-Não é isso. Estava sem roupa, acabei de tomar banho – Mentiu.

 

Ela entrou, passando por Alex deixando-a sentir o seu delicioso perfume.Alex fechou a porta e voltou-se para ela, com as mãos enfiadas nos bolsos para ela não perceber o seu tremor. Virna olhou em torno e a encarou com aqueles belos olhos provocantes, sorrindo levemente.

 

-Possui um belo apartamento, Alex. Muito bem decorado.

 

-Obrigada. Mas, como soube do meu endereço? Paola o deu à você?

 

Ela continuou sorrindo, sem responder. Abriu o casaco, tirando-o e o colocando sobre o encosto de um  sofá. Estava com um vestido negro que mostrava as belas pernas com meias de nylon e scarpins negros de saltos altíssimos.

 

Alex deu dois passos para ela, voltando a perguntar:

 

-Como soube meu endereço?

 

Virna a encarou com um olhar felino. Entre elas havia uma inegável eletricidade que as faziam tremer.

 

-Quando se deseja algo realmente, se consegue de uma forma ou de outra – Respondeu Virna calmamente, sentando-se no sofá e cruzando as pernas com classe. Era uma mulher de beleza clássica.

 

-E o que você deseja de mim?

 

Virva fitou Alex sem responder, os olhos a percorrendo sem disfarce.

 

-Vi quando Paola saiu. Ela foi para a faculdade, não?

 

-Você anda nos espionando?

 

-Tenho todo o direito. Ela é minha filha – Replicou Virna, calmamente.

 

Alex sorriu com sarcasmo.

 

-Duvido que você tenha algum sentimento marternal por Paola.

 

Um brilho de cinismo coloriu os belos olhos de Virna.

 

-Ela não me deixa sentir isso. Mas esforço-me. E tenho sido muito compreensiva e benevolente com vocês. Tenho certeza que são amantes. Eu poderia impedir isso, mas sou compreeensiva. E posso continuar a ser, isso só depende de você.

 

Alex cruzou os braços, fitando-a de cenho franzido.

 

-Eu sabia que você continuava desconfiando de nós, mesmo depois de suas desculpas. E agora finalmente está colocando as cartas na mesa. Muito bem, onde quer chegar? O que deseja de mim?

 

Virna sorriu, e seus dentes perfeitos luziram magnificamente.

 

-Não vai oferecer-me uma bebida? Faz parte de receber bem as visitas.

 

Alex respirou fundo. Virna parecia um gato brincando com o rato, antes de cansar e devorá-lo. Muito bem, faria o jogo dela, para ver até onde ia. 

 

-O que gostaria de beber? Um suco, um café?

 

Virna ergueu as sobrancelhas perfeitas.

 

-Tem champanhe em casa?

 

-Champanhe ?! Pela manhã?

 

-E o que tem isso de errado? – Sorriu Virna – Uma boa bebida cai bem a qualquer hora. Não mereço um champanhe?

 

Alex calou. Foi apanhar uma garrafa na copa. Sempre deixava uma garrafa na geladeira. Apanhou duas taças no armário, lavou-as  e voltou à sala. Virna continuava sentada e lhe sorriu.

 

-Você é rápida.

 

Alex abriu a garrafa com habilidade. A rolha voou longe, com um estampido. Encheu as taças e entregou uma à Virna. Seus dedos se tocaram e se fitaram nos olhos. Virna ergueu sua taça e brindou:

 

-A nós duas !

 

Tomou um gole e ergueu as sobrancelas.

 

-Não vai beber também?

 

Alex cruzou os braços, depois de depositar a taça sobre a mesa de centro.

 

-Não, acabei de tomar uma vitamina. Virna, vamos deixar de lado os subterfúgios? Gostaria de saber o que deseja de mim, com essa visita inesperada.

 

         Virna tomou outro gole, sem deixar de fitá-la.

 

         -Tenho uma proposta a lhe fazer.

 

         -Uma proposta?! Qual?

 

         Subitamente, nos olhos de Virna brilhou a chama do desejo. Era como se sua máscara de dama tivesse caído, mostrando a verdadeira mulher que era, uma mulher quente, um vulcão de luxúria prestes a explodir. Sua voz saiu carregada de desejo, fazendo Alex a fitar aturdida:

 

         -Eu quero você, Alex. Apenas uma vez, na cama. Depois, poderá ficar com Paola tranquila. Não a procurarei mais.

 

         Virna se ergueu e se aproximou de Alex, parando à dois passos dela, fitando-a sensualmente na boca, nos olhos.

 

         -Morro de vontade de ser sua, Alex. A qualquer preço.Que seja apenas uma vez, mas quero matar esse desejo que me atormenta.

 

         Alex sentiu uma onda de excitação percorrer seu corpo. Mas dominou a vontade quase irresistível de tomá-la nos braços e devorar aqueles lábios vermelhos em um beijo louco. Havia Paola entre elas.

 

         -Virna... percebe o que está dizendo? Eu sou amante de sua filha! Ela me ama, Virna. E você quer ser minha!

 

         Virna nem sequer pestanejou.

 

         -Eu sei disso, Alex. E também sei o que quero. Esse é o preço para você continuar com ela. Senão, eu a processarei por seduzir Paola.

 

         Alex riu. Não porque duvidasse que Virna cumpriria a ameaça, mas do grotesco daquela proposta imoral. Nunca alguém a ameaçara para fazer sexo, nem mesmo Karina, uma mulher desequilibrada! Mas a orgulhosa condessa Virna Del Fosco, descendente de vinte gerações de nobres, lhe propunha uma coisa digna de uma reles chantagista imoral!

 

         Virna a fitou surpresa, franzindo o cenho, colocando as mãos na cintura.

 

         -De quê está rindo?

 

         Alex a fitou com deboche, sem parar de rir.

 

         -Ainda pergunta? Estou rindo de sua proposta, de você! A grande Virna Del Fosco rebaixar-se à uma proposta desse tipo! Ou você é louca, ou está tão apaixonada por mim que perdeu todo o senso do ridículo e veio fazer-me uma proposta digna de uma puta!

 

         Virna ruborizou violentamente. Ergueu a mão e esbofeteou Alex com força, que cambalelou com o golpe.

 

         Alex a fitou surpresa e furiosa, alisando o rosto que ardia.

 

         -Como se atreve a agredir-me em minha casa? Saia daqui agora!

 

         Virna a fitou com as narinas frementes, os olhos luzindo em uma chama perigosa, as mãos trêmulas. Ela avançou e agarrou-a brutalmente pelos cabelos, os dedos nervosos se enredando neles e a boca sensual se esmagou na sua. Alex tentou cerrar os dentes, ainda furiosa, mas a lingua velutínea invadiu sua boca, acariciando, sugando arrebatadoramente, o corpo macio, quente e perfumado se espremendo contra o seu.

 

         Alex sentiu uma excitação louca com aquele beijo voraz, que mostrava o quanto Virna a estava desejando. E sem poder resistir, começou a retribuir, com um desejo crescente também assaltando seu corpo. Maldita, deliciosa Virna! – Pensou, em meio ao beijo. Ela beijava mil vezes melhor que Paola...

 

         O pensamento em Paola a fez empurrar Virna. Ela recuou, os olhos a fitando como duas tochas de desejo, respirando entrecortadamente. Parecia fora de si.

 

         -Não me repudie, Alex... – Sussurrou – Eu a desejo tanto... perdi a cabeça... não sei o que fazer mais para ter você...

 

         Alex a fitou nos olhos, com medo. Virna era uma conquistadora que usava as pessoas. Ela a usaria e a mastigaria fora como lixo. Por que ia permitir ela fazer isso? Mas... ela podia fazer o mesmo... e não se machucar.

 

  Tomou-a pela mão, fitando-a com um sorriso súbito.

 

         -Okay. Você me quer numa cama... eu também a quero. Vamos resolver isso. Venha.

 

         Alex se dirigiu para o quarto, puxando Virna pela mão. Chegou lá e voltou-se para ela, soltando sua mão.

 

         -Tire a roupa, Virna. Você vai ter o que quer. Não devido à sua ridícula ameaça, mas porque quero isso também.

 

         Virna   voltou-se de costas e a fitou sobre o ombro.

 

         -Ajude-me. Desça o fecho do vestido.

 

         Sua voz havia se tornado um sussurro sensual e Alex foi cumprir o pedido com prazer. Pegou o fecho e o desceu, ao mesmo tempo aspirando o cheiro tentador do corpo de Virna. Sem poder resistir, inclinou-se e beijou a espádua branca e macia como seda que foi revelada quando o fecho do vestido abriu. Virna gemeu baixinho e levou a mão direita atrás, apertando o corpo de Alex contra o seu, ao mesmo tempo que movia os quadris sinuosamente contra o sexo de Alex.

 

         Alex sentiu seu sexo se umidecer com aquele gesto provocador de Virna. E não se controlou mais. As mãos subiram para os seios de Virna e os apertou, cheia de desejo.

 

         Virna deu uma risada curta e voltou-se de frente para ela.

 

         -Espere, Alex... logo estarei toda nua para você...

 

         Alex recuou, deixando-a livre para se despir. Virna, sempre a fitando com um meio sorriso sensual, baixou o vestido pelas pernas até ele cair no chão atapetado. Seu corpo surgiu em um conjunto de calça e sutian de rendas negras, um corpo que deixou Alex de boca seca. Belo, perfeito, tentador.

 

         Virna, em gestos lentos, retirou o sutian e o jogou para o lado, mostrando os seios perfeitos, os biquinhos já duros de excitação. Ela levou as mãos à calcinha e a desceu pelas coxas longas, deixando-a cair e as chutando para o lado. Alex contemplou aquela mulher em toda sua gloriosa nudez e engoliu em seco. Virna parecia uma deusa, com aquele corpo divino, aquele rosto perfeito.

 

         Virna colocou as mãos na cintura e a fitou erguendo as sobrancelhas.

 

         -Não vai tirar a roupa? Quero-a também toda nua, Alex...

 

         Aquelas palavras pareceram despertá-la de seu encantamento. Aquela bela mulher estava ali para ser sua. E para usá-la para matar seu desejo.Muito bem. Aja, Alex. Use-a também, como será usada, pensou, com uma súbita raiva.

 

         Tirou o roupão com gestos bruscos e jogou-o para o lado. Viu o olhar faminto de Virna percorrer seu corpo e avançou, pegando-a pelos ombros e a jogando sobre a cama, deitando sobre ela. O contato de seus corpos nus as estremeceram, mas Alex controlou sua emoção e a segurou pelos pulsos, apertando-os contra a cama, o rosto nivelado ao dela, e disse com a voz rouca de desejo:

 

         -Você é uma puta, Virna... e vou possuí-la como tal.

 

         Virna pareceu excitar-se com as palavras de  Alex. Empurrou o sexo em fogo contra o corpo dela, oferecendo-se com voz sensualíssima:

 

         -Xingue... pode xingar-me...sou tudo que você quiser...sou uma puta que você vai usar todinha...

 

         Alex esmagou a boca contra aqueles lábios sensuais, em um beijo violento. Virna estremeceu e tentou soltar as mãos presas pelas de Alex, que se firmavam em seus pulsos, mas não conseguiu. Alex não deixou, mordiscando aquela boca deliciosa. Virna retribuiu passando a ponta da língua pelos lábios de Alex, até que suas bocas se juntaram em um beijo devorador.

 

         Alex desgrudou da boca que não queria separar-se para nova fonte de prazer: os belos seios, brancos, redondos, de biquinhos eretos e rosados. Beijou cada um, lambeu com a ponta da língua, mordiscou-os levemente e depois os sugou sofregamente, com Virna apertando sua cabeça contra eles, dando curtos gritos de prazer:

 

         -Oh, Dio! Alex! Que delícia! Mais! Mais!

 

         Alex soltou os pulsos dela e a voltou de costas. Deitou novamente sobre ela, mordiscando a nuca alva, sentindo o delicioso cheiro de Virna, esfregando seu sexo molhado naquelas nádegas macias, a mão direita por baixo do corpo dela se introduzindo no sexo em fogo, invadindo com os dedos a vagina quente, com força.

 

         Virna mexia-se contra sua mão com movimentos frenéticos, dando gemidos altos, estava fora de si.

 

         -Alex! Mais profundo! Assim! Assim! Ohh! Dio! 

 

         Ela estremeceu convulsivamente e gritou, atingindo o êxtase. Alex afastou-se e a voltou de frente, fitando-a no rosto. Virna a fitou com os olhos semi-cerrados, o rosto transformado numa máscara de paixão. Como era bela após o êxtase!

 

         -Você já gozou, sua puta? – Disse, quase carinhosamente – Quer mais? Eu posso fazê-la sentir muito mais, Virna...

 

         Virna sorriu, fitando-a nos olhos.

 

         -Quero muito mais, Alex... possua-me de todos os jeitos...anda... mostre-me como faz uma mulher gozar mais...

 

         Alex sorriu, sentindo um arrepio à aquelas palavras.

 

         -Sua sem-vergonha...abra as pernas...

 

         Virna abriu as pernas, louca de desejo. Era maravilhoso, pensou. Com uma mulher, o ato não acabava após o gozo. E ela queria mais. Alex a estava enlouquecendo outra vez.

 

         Alex pegou suas pernas e as colocou sobre os ombros, passando a língua cariciosamente pelas coxas aveludadas, pelas virilhas. O cheiro suave da excitação de Virna a excitou também e não resistiu, tomou o sexo dela em sua boca, passando a ponta da língua no pequeno clitóris, descendo, invadindo-a .

 

         Virna movia o corpo alucinadamente, apertando o sexo contra a boca de Alex, falando frases ardentes de desejo. E quando seu corpo começou a estremecer no prenúncio do orgasmo,  Alex afastou a boca e subiu, fitando-a nos olhos.

 

         -Agora também quero ter meu prazer, Virna...  – Declarou, se deitando ao lado e pegando Virna pelos cabelos, levando seu rosto ao seu sexo.

 

         Virna fitou o sexo de Alex diante de seu rosto. Os pêlos louros bem aparados, o cheiro suave, o clitóris delicado .Aquela visão a excitou tremendamente e sem hesitar, o tomou na boca, abraçando as coxas fortes de Alex. Ela começou a mover sensualmente contra sua boca e Virna descobriu surpresa que estava adorando fazer aquele ato que jamais havia pensado fazer numa mulher. Era tão bom sentir Alex em sua boca! Aquele cheiro suave de mulher excitada a enlouquecia mais. Ergueu os olhos, fitando o rosto de Alex.

 

         Alex gemia de olhos fechados, com uma expressão de intenso prazer. Seus movimentos se intensificaram, a mão apertando seu rosto contra o sexo em fogo.

 

         Virna a sugou com sua boca quente, sentindo Alex começar a tremer, a respiração acelerando, a mão apertando sua cabeça, até que se convulsionou cerrando os dentes, o sexo se apertando contra sua boca.

 

         -Virna! Oh, Virna! – Gritou, no orgasmo.

 

         Ela se imobilizou, respirando entrecortadamente. Virna subiu pelo corpo e a fitou nos olhos, implorando com voz rouca de desejo:

 

         -Não pare, Alex...estou louca de desejo... dê-me prazer...

 

         Alex abriu os olhos e sorriu para ela.

 

         -Não se preocupe... estou apenas começando, Virna...

 

         Sentou na cama e deslizou para o tapete, puxando o corpo de Virna para a beira da cama pelas coxas. Ajoelhou-se e colocou as pernas dela em seus ombros, começando a sugá-la, enfiando os dedos na vagina molhada.

 

         Virna ficou louca de prazer. Começou a mover-se alucinada, empurrando-se contra a boca de Alex, gemendo. E o orgasmo chegou logo, intenso, fazendo-a gritar descontrolada. Alex girou seu corpo, colocando-a de bruços, e cavalgou-a, segurando-a pela cintura, dizendo com a voz transtornada pelo desejo:

 

         -Seja toda minha... de todos os modos possíveis...dê-se toda, Virna...toda!

 

         Virna remexia os quadris, empurrando-se contra o sexo de Alex, gemendo de prazer. Foram para o tapete e rolaram nele em diversas posições excitantes e acabaram em cima de uma poltrona, onde Virna cavalgou a coxa de Alex, que havia se sentado no descanso de braço, fitando-a com intenso prazer no olhar. Virna gozou sugando a boca de Alex e caiu na poltrona, suada e esgotada. Estavam há mais de duas horas entregues ao prazer do sexo.

 

         Alex se ergueu, pegando-a pela mão, sorrindo.

 

         -Vamos para a cama. Quero você lá.

 

         Virna a fitou admirada.

 

         -Não está cansada?

 

         -Não. Venha.

 

         Virna mal se deitou na cama e Alex deitou-se sobre ela espremendo-se, beijando-a ardentemente. As coxas se insinuaram entre as suas e os sexos se espremeram. Virna a abraçou e sentiu os movimentos frenéticos de Alex, movendo-se para a frente e para trás, seus clitóris se roçando. Ela logo atingiu o orgasmo, recurvando o tórax para trás, fitando-a com os dentes cerrados, como que para não gritar.

 

         Ela deitou ao lado e Virna a fitou admirada. Alex tinha um fogo que nunca vira em alguém. E era uma mulher exímia na arte de dar prazer, com a vantagem sobre os homens de não ter apenas um gôzo. O sexo com uma mulher era como um moto contínuo, sem ter que esperar uma nova ereção. E muito mais suave, mesmo em qualquer situação, pensou encantada. Era uma troca mais equilibrada, sem a força dominante de um homem.

 

         O cansaço as venceu e adormeceram com os corpos entrelaçados.

 

)))))))(((((((

 

         Alex acordou sobressaltada.Já escurecia. O relógio digital de cabeceira marcava seis e meia. Sacudiu Virna nervosamente. Ela acordou fitando-a assustada.

 

         -O que foi?

 

         -Paola vai chegar a qualquer momento! Tem que sair agora!

 

         Virna ergueu a metade do corpo, apoiando os cotovelos na cama. Mesmo nervosa, Alex não pôde deixar de admirar os belos seios descobertos.

 

         -Tenho que sair agora? Então, não posso nem tomar um banho? Meu corpo está exalando sexo!

 

         Alex a fitou nervosa, pulando da cama.

 

         -Não temos muito tempo, Virna! Vista-se logo, por favor! Paola tem a chave da porta!

 

         Virna a fitou com um sorriso irônico, espreguiçando-se como uma gata.

 

         -Como tem medo de Paola! Já estou levantando!

 

         Alex a fitou séria.

 

         -Não é medo de Paola. Apenas não quero ser surpreendida na cama com a mãe de minha amante! Levante-se e se vista, Virna! Temos pouco tempo!

 

Virna levantou-se sorrindo tranquilamente. O belo corpo flexível parecia de um felino. Comentou, bem humorada:

 

         -Dio, estou toda dolorida! Não é para menos, nossos jogos sexuais foram deliciosamente intensos e violentos!

 

         Alex a encarou com uma suspeita e fez a pergunta:

 

         -Você é um pouco masoquista, não é, Virna?

 

         Ela sorriu maliciosamente.

 

         -Não sabia disso, até hoje. Os homens costumam tratar-me na cama como se eu fosse uma rainha. Adorei seus xingamentos, suas imposições...isso me excitou muito.

 

         Alex não pôde evitar de rir. Olhou-a com ar divertido.

 

         -Não costumo agir assim, Virna. É que você enlouqueceu-me.

 

         Virna colocou as mãos na cintura, fitando-a com sensualidade.

 

         -Não foi uma deliciosa loucura?

 

         Alex ficou séria.

 

         -Concordo, mas agora vista-se – Disse Alex, colocando o roupão.

 

         -Tutto bene, também não quero que Paola nos surpreenda.

 

         Virna pegou suasroupas no chão e começou a vestir-se. Alex olhou-a, pensando o quanto Virna era linda e sensual. Numa cama, era insuperável. Não havia nada que se negasse a fazer.

 

         Virna se sentou na cama, calçando os sapatos. Fitou-a com seu olhar sensual.

 

         -Gostou de fazer amor comigo? Não foi mal, não?

 

         Alex sorriu, colocando as mãos nos bolsos do roupão.

 

         -Não, não foi mal... na verdade, confesso que foi sensacional, Virna.Você é muito gostosa.

 

         Ela sorriu, erguendo-se da cama.

 

         -Oh, finalmente um elogio... se quiser repetir a dose, telefone-me.Ou vá à minha casa. Estarei sozinha em casa, amanhã à tarde.

 

         -Não sei... vou pensar nisso, Virna.

 

         Ela a fitou nos olhos, passando as mãos nos cabelos.

 

         -Bem, o convite está feito. Agora vou à sala pegar minha bolsa para retocar a maquiagem.

 

         Alex a seguiu até a sala. Ela pegou a bolsa no sofá, tirou um baton e pintou os lábios que estavam sem nenhuma pintura. Prendeu os cabelos em um coque, vestiu seu casaco e fitou Alex.

 

         -Estou pronta. Leve-me ao menos até o elevador.

 

         Alex abriu a porta do apartamento e no hall de entrada apertou o botão de chamada do elevador. O luxuoso prédio era de um apartamento por andar e o elevador chegou logo. Alex abriu a porta do elevador e ela entrou, fitando-a com os olhos semi-cerrados.

 

         -Ciao, Alex. Estou levando seu cheiro em meu corpo e em minha boca.

 

         A porta fechou e o elevador começou a descer.

 

         Alex fechou a porta do apartamento apressada, pegou a garrafa de champanhe e as taças e as levou para a cozinha. Jogou a garrafa na lixeira e lavou as taças, guardando-as. Correu para o quarto e puxou a colcha e o lençol da cama, tirou as fronhas dos travesseiros e levou tudo para a máquina de lavar.Toda a roupa de cama estava impregnada com o perfume de Virna. Voltou ao quarto e colocou novo lençol e colcha, assim como novas fronhas nos travesseiros. Estava acabando de ajeitar os travesseiros quando ouviu a porta da entrada abrir-se e Paola chamar seu nome.

 

         Correu para o banheiro anexo ao quarto, tirou o roupão e entrou sob a ducha, abrindo as torneiras nervosamente. A água caiu sobre ela como um choque.

 

         -Alex! Alex, onde está? – Chamou Paola.

 

         -Estou aqui no banheiro! – Gritou Alex, ensaboando-se.

 

         Paola entrou no banheiro. Entreabriu a porta do box e a fitou sorridente.

 

         -Olá, amore. Estava com saudade. Tome logo esse banho, que quero beijá-la.

 

         Alex sorriu para ela, toda ensaboada.

 

         -Vou apressar-me.

 

         Paola sorriu e saiu do banheiro. Alex suspirou aliviada. Por um triz! Se Virna tivesse demorado mais oito minutos, Paola a encontraria no apartamento ou na entrada do prédio. E teria havido um escândalo, porque ela conhecia bem o gênio de Paola.

 

         Sentiu remorso. Paola não merecia aquela traição. Ela a amava, tinha certeza. E ela? Se amasse Paola, teria resistido à Virna. Ou não? Ah, seus sentimentos eram tão complexos!

 

         E Virna, o que estaria sentindo, depois dessa tarde? Não devia iludir-se. Virna apenas havia desejado uma experiência nova em sexo, havia gostado e estava disposta a repetir a dose. Tudo não passara de sexo. Não haviam trocado uma palavra que expressasse algum sentimento mais profundo. Havia sido um sexo puro, animal. E Virna não demonstrara sentir nenhuma culpa, era mesmo muito fria! Traíra a própria filha!

 

        Alex sentiu uma profunda tristeza dominá-la. Ela também era uma traidora. Traíra Paola. Com uma mulher que não a amava nem um pouco.

 

         Oh, maldita Virna! Ela a enlouquecera! E não sabia se podia resistir se Virna viesse novamente à sua procura.

 

         Enxugou-se e colocou outro roupão. Foi para o quarto. Paola estava sentada na cama, pensativa. Ergueu os olhos ao vê-la chegar e perguntou, com voz intrigada:

 

         -Alex, por que trocou as roupas de cama? Nunca fez isso! A empregada quem faz tudo!

 

         Alex pensou rápido e a mentira saiu com naturalidade:

 

        -Derramei suco nas cobertas e na fronha. Estava deitada lendo e esbarrei no copo quando fui pegar um livro na mesinha de cabeceira. Como hoje é folga da empregada, fiz a troca.

 

         -Ah...

 

         Paola ergueu-se e a abraçou, fitando-a apaixonadamente.

 

         -Sentiu saudades de mim? Eu fiquei o tempo todo pensando em você. As aulas estavam tão chatas! Só a prova de história da arte valeu a minha ida à faculdade.

 

         -Claro que senti sua falta, meu anjo... – Disse, com culpa.

 

         Paola a fitou surpresa e sorridente.

 

         -Meu anjo? Nunca me chamou assim! Fale outra vez!

 

        Alex sorriu, pensando que aquela expressão era uma forma de compensar sua culpa pela traição. E disse, com  o remorso a corroendo:

 

         -Meu anjo... minha doce Paola.

 

         Paola beijou-a empolgada. Alex retribuiu, mas afastou-se em seguida.

 

         -Vamos sair para almoçar? Ainda não almocei.

 

         Paola a fitou decepcionada. Quase sempre, quando chegava da faculdade, faziam amor. Mas Virna havia esgotado Alex. Não agüentaria fazer sexo novamente, pelo menos até a hora de dormir.

 

         -Não almoçou?! E o que fez o dia todo?

 

        -Como disse, estava lendo um livro – Disse, dirigindo-se para o closet.

 

         -Dio, deve ter sido um livro interessantíssimo, para fazê-la esquecer de almoçar! – Comentou Paola, seguindo-a.

 

         Alex enrubesceu e abriu uma gaveta no closet, escolhendo uma calcinha preta. Quantas mentiras teria de dizer, para esconder sua traição? Maledizione!

 

 

Continua na parte 5

 

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