A  Sensual  Virna

 

PARTE  3

 

 

Capítulo 5

 

        Virna recuperou-se rapidamente e sorriu para Paola.

 

         -Que mau humor, Paola! Apenas vim apressar sua amiga para o café da manhã, a mesa já está posta. Bem, vou deixá-las, já vi que estão prontas. Não demorem. Lorenzo  e o amigo já estão chegando, ele ligou minutos atrás.

 

         E dizendo isso, saiu do quarto com seu andar sensual, com o suave balanço de suas cadeiras.

 

         Alex recuperou seu sangue frio, apanhando meias e  um par de botas no armário, sentando na cama para calçá-las. Olhou para Paola com ar inocente. Ela  a fitava com as mãos na cintura, enraivecida.

 

         -Eu pensei que havia combinado com você nos encontrarmos no salão de refeições! – Comentou Alex, sem fitá-la, calçando as meias.

 

         -Eu vim ver porque estava demorando tanto! – Disse Paola, em tom exaltado – E o que vi foi Virna aqui sozinha com você, vendo-a vestir-se! E quando entrei, vocês estavam se fitando muito compenetradas e se assustaram com minha chegada! Por que tiveram essa reação? O que estava acontecendo?

 

         Alex parou de calçar a meia e a fitou friamente.

 

         -Abaixe a voz! E antes de externar suas idéias loucas, pense antes! O que está pensando, sua mãe gosta é de homem! Que inferno, se vai começar a me aborrecer com seus ciúmes, vou embora agora!

 

         Como esperava, suas palavras fizeram o humor de Paola esfriar rapidamente. Ela respirou fundo e sorriu com esforço.

 

         -Está bem, querida, não vamos brigar... acabe de aprontar-se e vamos ao encontro deles.

 

         Alex acabou de calçar as botas, penteou os cabelos e perfumou-se. Olhou para Paola, que aguardava pacientemente.

 

         -Vamos.

 

         Desceram para o andar térreo.Elas foram informadas pela governanta que Virna havia mandado servir o desjejum no terraço e se dirigiram para lá. O dia estava esplêndido, com um sol primaveril e uma brisa fresca soprando. O terraço dava para jardim e havia uma grande mesa de ferro esmaltado de branco onde Virna e seus convidados estavam conversando.

 

         Alex os fitou atentamente. Um era de cabelos grisalhos, alto e magro, com  um rosto de beleza máscula, vestido em um elegante terno marron e camisa de malha  creme com gola roulê. Aparentava ser um  quarentão. O outro era bem mais jovem, um rapaz de no máximo vinte e dois anos, de cabelos castanhos anelados, traços finos, que faria a alegria de qualquer mocinha romântica. Estava com camisa de algodão branca, sueter de lã verde musgo e calça escura, também muito elegante.

 

         Eles as viram aproximar-se e se ergueram educadamente, enquanto Virna dizia com um breve sorriso:

 

1.    Antonio, eis minha filha Paola e sua amiga Alexandra.

2.     

         Alex adiantou-se, estendendo a mão para o rapaz.

 

         -Muito prazer, Antonio. Sou Alexandra, mas pode tratar-me por Alex.

 

         Ele sorriu para ela, cheio de charme, apertando sua mão.

 

         -Muito prazer, Alex. Estou encantado.

 

         Alex retirou a mão e voltou-se para Lorenzo.

 

         -Olá, Lorenzo. Também é  um prazer conhecê-lo.

 

         Ele inclinou-se, pegando a mão de Alex entre as suas e dizendo galantemente:

 

         -O prazer é todo meu, Alex. É sempre um prazer conhecer as amigas de Virna e Paola.

 

          Alex voltou-se, vendo Antonio pegar a mão de Paola e levá-la aos lábios, fitando-a com ar de conquistador e dizer:

 

         -Estou encantado, Paola. É mais bela do que eu pensava .

 

         Paola riu, fitando o rosto do rapaz.

 

         -Obrigada, você também não é de se jogar fora.

 

         -Elas são duas belas “ragazzas”, signora Del Fosco – Disse Antonio, sorridente.

 

Ele tinha cara de bebê, era um garoto metido a  conquistador, pensou Alex, com vontade de rir. Sentou-se na cadeira que Lorenzo puxou para ela e Antonio imitou o amigo, ajudando Paola a sentar. Lorenzo a fitou sorrindo, sentando-se ao lado de Virna, que tinha um irônico sorriso no rosto, fitando Paola.

 

-Virna esqueceu de dizer-me que havia mais uma bela jovem desacompanhada. Poderia ter trazido mais um amigo para fazer companhia à você, Alex.

 

Alex o fitou com um sorriso irônico.

 

-Fez bem em não trazer. Já sou comprometida.

 

Virna a encarou com um sorriso sarcástico.

 

-É mesmo, Alex? Por que não o trouxe também à minha casa, para o fim de semana? Aposto que está cheia de saudades dele.

 

Alex a fitou, sabendo que Virna não acreditava nem um pouco que tinha um namorado. Maldição, odiava fingir uma coisa que não era!

 

-Não faltará oportunidade, signora Del Fosco – Respondeu, fazendo questão de tratá-la com formalidade. Maldita mulher, estava se divertindo à suas custas!

 

-Oh, sem dúvida... – Disse ela, continuando sorrindo com sarcasmo, mas mudando de assunto, voltando-se para Lorenzo e conversando sobre o trabalho dele.

 

Alex serviu-se de suco de laranja e torradas com patê, fitando Paola disfarçadamente. Ela sorria para o que Antonio lhe dizia, inclinado para ela, fitando-a de bem perto. Ainda bem que estava seguindo suas recomendações, pensou sem nenhum ciúme. Olhou para Virna. Ela sorria, com Lorenzo falando em seu ouvido.Ela riu e ele afastou-se, fitando-a sorridente. Virna pegou um  morango na fruteira  e colocou na boca de Lorenzo, que sorriu deliciado.

 

Alex sentiu raiva, vendo aquilo.Virna era uma galinha! Momentos antes, ela a comia com os olhos. Agora, derretia-se para o seu amante. Era uma mulher inconseqüente em seus atos, volúvel, infiel! O melhor era esquecer aqueles olhares no quarto e dedicar sua atenção à Paola.

 

Virna a fitou com um sorriso e Alex virou o rosto, fitando Paola. Antonio se debruçava para ela, fitando os seios da garota, marcados pelo top colante branco.Ele falava em voz baixa e Paola sorria com visível esforço, recuando o rosto.

 

Alex teve raiva daquele garoto pretencioso, metido a conquistador barato. Teve vontade de salvar Paola do assédio dele, mas como faria isso sem ser grosseira?

 

Lorenzo salvou a situação, minutos depois, levantando-se e pegando Virna pela mão.

 

-Virna e eu vamos dar um passeio por aí – Declarou, sorrindo – Vocês três, que são jovens, ficarão à vontade para se conhecerem melhor.

 

          Os olhos de Virna se encontraram com os de Alex. Foi um olhar intenso, que confundiu Alex. O que Virna pretendia, afinal? Enlouquecê-la? Ou estava querendo confirmar suas suspeitas sobre ela?

 

         Eles se afastaram, com Virna abraçando a cintura de Lorenzo e ele rodeando seus ombros com o braço.

 

         -Que casal lindo, não acha, Paola? – Perguntou Antonio, olhando-os.

 

         -Vejo que você acredita muito em aparências, Antonio – Disse Paola, em tom debochado.

 

         Antonio a fitou confuso.

 

         -Porque diz isso? Eles não se dão bem?

 

         Paola ergueu-se, sorrindo. Olhou para Alex.

 

         -Deixe para lá... vamos para a sala  de estar, ouvir música?

 

         Alex e Antonio se ergueram também. Ele sorriu, excitado.

 

         -Vamos! Coloque uma música bem romântica, quero dançar com você.

 

         -Vão vocês dois – Disse Alex – Vou dar uma volta por aí.

 

         Paola a fitou com decepção.

 

         -Alex, vai nos deixar? Ah, não! Vai ficar com a gente! Venha! – Disse, puxando-a pela mão.

 

         Antonio riu.

 

         -Paola, está com medo de ficar sozinha comigo? Eu sou um cavalheiro!

 

         -Não é isso, é que desejo a companhia de Alex .

 

         Alex resolveu ceder, antes que Paola dissesse alguma incoveniência:

 

         -Tudo bem...só não queria atrapalhar o namoro de vocês.

 

         Paola a fitou de cenho franzido.

 

         -Alex, não estamos namorando, acabei de conhecer Antonio!De onde tirou essa idéia?

 

         Antonio sorriu com malícia, pousando as mãos nos ombros de Paola e fitando Alex.

 

         -Paola ainda está resistindo, Alex. Mas sou paciente. Quando ela dançar comigo, não vai resistir mais, sou ótimo dançarino.

 

         Alex sorriu com ironia.

 

         -Bem, então quero testemunhar isso. Veremos se você consegue conquistá-la numa dança. Vamos.

 

         Forma para a sala de estar. Paola escolheu um cd do filme Moulin Rouge e colocou a música Because We Can, com seu som estridente. Antonio a fitou decepcionado.

 

         -Ei, essa música é muito rápida, para se dançar juntos!

 

         Paola riu, sacudindo-se no ritmo da música.

 

         -Mas é o que gosto de dançar! Vamos, dance também, não fique aí parado!

 

Alex sentou no sofá, olhando-os com um sorriso. Paola estava se saindo bem. Antonio logo desestiria  de tentar dançar com ela.

 

         Antonio começou a dançar sem muito entusiasmo e Paola piscou para Alex. Ela ia manter o conquistador bem distante.

 

         Antonio, três músicas depois, se jogou no sofá, suado e ofegante.

 

         -Per la Madonna, essa ragazza parece elétrica, não pára! Alex, per favore, convença Paola a dançar comigo uma música mais lenta!

 

         Alex riu, piscando para Paola, que fitava Antonio com ar divertido.

 

         -Eu? Convença-a você! Não quer conquistá-la? 

 

         Ele passou a mão pelos cabelos molhados de suor.

 

         -Estou morto de sede e calor. Poderiam me arranjar algo para beber?

 

         Paola o fitou com um largo sorriso.

 

         -Boa idéia! Espere aqui!

 

         Ela foi buscar a bebida e Alex sorriu, vendo o rapaz se abanar com uma revista.

 

         -É, meu caro Antonio...assim não vai conquistar Paola. Ela gosta de homens fortes, resistentes. E você está se mostrando um garotinho fraco, que não agüenta acompanhá-la em umas músicas! – Disse, com um sorriso sarcástico.

 

         Ele a fitou com o cenho franzido.

 

         -Você acha? Que devo fazer, então?

 

         -Seja mais adulto, tope o que ela propor.

 

         -Tutto bene, vou fazer o que diz.

 

         Momentos depois, Paola voltou com uma bandeja com dois copos de suco de laranja,   um copo de uísque com gelo e uma garrafa de Buchana’s. Ela serviu um copo de suco para Alex, e o de uísque para Antonio. Ele a fitou de cenho franzido.

 

         -Está me servindo uísque à essa hora da manhã? Prefiro o suco.

 

         Paola pegou o copo de suco restante e tomou um gole, sentando ao lado de Alex. Olhou para Antonio com desafio no olhar.

 

         -O suco é para nós, as mulheres. O uísque é para você. Ora, Antonio! Não é macho o suficiente para tomar uma bebida alcoólica? O último namorado que tive beberia isso rindo e pediria mais. Mostre-me que não é um garotinho brincando de ser homem grande!

 

         Ele ficou vermelho com a dúvida dela. Pegou o copo, fitando-a .

 

         -Muito bem. Se você tem dúvidas que sou um homem adulto, vou provar que está errada. Se seu ex-namorado bebia uísque, eu posso fazer isso também!

 

         E assim dizendo, levou o copo à boca e tomou um grande gole.

 

         Quando Virna e Lorenzo voltaram do passeio, Antonio estava completamente bêbado, dormindo recostado no sofá e Alex e Paola vendo um filme na tv, compenetradas.

 

         Lorenzo olhou para Antonio, estupefato.

 

         -O que houve com Antonio? – Perguntou, inclinando-se para o rapaz, olhando-o de perto.

 

         Foi Paola quem respondeu, dando uma curta risada:

 

         -Ele quis mostrar que era um homem maduro  e excedeu-se na bebida, Lorenzo. Antonio bebeu três copos de uísque!

 

         Lorenzo a encarou boquiaberto.

 

         -Três copos de uísque?!  Ele nunca bebeu uísque antes! A bebida mais forte que bebeu até hoje, segundo ele me disse, foi uma cerveja! Ele é filho de meu sócio, um bom rapaz! Não fuma nem é de beber bebidas fortes!

 

         Paola sorriu divertida.

 

         -É mesmo? Pois hoje ele fez vários brindes, bebendo até cair adormecido!

 

         Virna fitou Paola aborrecida. Ela devia ter estimulado o rapaz para beber, conhecia-a bem. Paola era uma sonsa! Mas calou-se, estavam com visitas.

 

         Alex despediu-se pouco depois, alegando que tinha que ir para casa estudar, pois teria uma prova na manhã seguinte. Foi embora apressada, dizendo que depois viria apanhar suas roupas, sob os protestos velados de Paola.

 

         E o final da semana terminou com Lorenzo tendo que levar Antonio para um médico, vomitando e gemendo que estava morrendo de enjoo.

 

 

))))((((

 

 

         Vários dias se passaram, depois daquele fim de semana.

 

         Virna estava lendo um livro no terraço quando viu Paola abrir o porta-malas do seu carro e colocar uma mala nele, fechando-o e se sentando ao volante do Porsche  conversível prateado.

 

         Virna deixou o livro de lado e debruçou-se no parapeito do muro e chamou com autoridade:

 

         -Paola!

 

         Paola imobilizou-se e olhou para cima, vendo Virna.

 

         -O que quer comigo? – Perguntou com impaciência.

 

         -Então vai viajar e não me diz nada?

 

         Paola respirou fundo.

 

         -Não vou viajar, apenas estou levando as roupas que Alex deixou aqui em casa, de volta para ela.

 

         -Por que ela mesma não veio buscá-las?

 

         Paola revirou os olhos, irritada.

 

         -Ela está muito ocupada.

 

         -Ela mora longe daqui?

 

         -Do outro lado da cidade. Vou dormir na casa dela, estamos fazendo um projeto juntas. Ciao.

 

         -Ah... tutto bene.

 

         Paola arrancou com o carro  e se foi. Virna tornou a sentar-se, pensativa.

         Elas não conseguiam enganá-la. Tinha certeza que eram amantes. Paola nem havia perguntado por Antonio depois que se conheceram, mesmo ele tendo saído passando mal. Qualquer mocinha no lugar dela teria ficado interessada no belo rapaz. Mas Paola, não. E quase  não parava em casa, sempre com um pretexto para ir dormir na casa de Alex. Devia estar apaixonada por ela.

 

         Virna suspirou, com olhar perdido.

 

         Alex, Alex, Alex. Maledizione! Ela não saía de sua cabeça, desde aquele maldito final de semana! Não conseguia evitar isso. Alex era tão atraente, tinha um corpo lindo, perfeito para o amor. E aqueles olhos verdes...

 

         Sentiu um arrepio ao lembrar dela nua no quarto. Que seios, que coxas, aquela barriga definida, musculosa...Maledizione, estava morrendo de vontade de ter aquela mulher na cama! Era inútil negar, ela a estava deixando maluca! Chegara ao ponto de se masturbar pensando nela. O seu caso com Lorenzo já a estava entendiando. Fizera sexo com ele no dia que Alex havia ido embora de sua casa, tentando apagar aquela atração forte que Alex lhe transmitia, mas não adiantara. Continuava a pensar nela com desejo crescente. Tinha de ter aquela mulher na cama pelo menos uma vez. Talvez então a sua ânsia acabasse.

 

         É claro que estava assustada com o que sentia, nunca alguém provocara nela aquele desejo intenso, aqueles sentimentos tempestuosos que temia analisar. Ela, uma mulher que nunca se deixara envolver sentimentalmente por ninguém, estar assim por uma mulher! Era uma lésbica? Não, tinha prazer com os homens! Então, devia ser bissexual. Sim, era isso.

 

         Ergueu-se e foi para seu quarto. Tirou a roupa, olhando-se no espelho. Seu corpo era belo.Seios eretos, de um bom tamanho, com mamilos de uma tonalidade rosa escuro, o ventre chato, definido pela ginástica que praticava todas as manhãs, as coxas fortes e longas, as pernas perfeitas. Voltou-se de costas para o espelho e olhou-se por cima do ombro. Costas bem delineadas, afinando-se na cintura e desabrochando em quadris arredondados, com nádegas perfeitas. Tudo isso coberto por uma pele sem nenhuma mácula, acetinada, na tonalidade de alabastro.

 

         Alex iria achá-la bela, nua, pensou, sem nenhuma modéstia. Iria gostar de passar as mãos pelo seu corpo macio como seda. Iria adorar beijar seus seios, descer a boca pelo seu corpo... 

 

         Passou as mãos pelos seios, descendo pela cintura até as coxas, excitando-se. Deitou na cama, passando a mão pelo púbis coberto com sedosos pêlos negros cuidadosamente aparados, pensando em Alex. Fechou os olhos e ergueu um joelho, apoiando o    na cama, abrindo a coxa para facilitar a sua manipulação no sexo.

 

         Com Alex faria para possuir uma mulher? Começaria pelos seios?

 

         A mão esquerda alisou o seio e brincou com o mamilo, com o polegar e o dedo índice beliscando suavemente.

 

         E a boca de Alex? Desceria pelo seu corpo em beijos apaixonados?

 

         Desceu a mão pela cintura, pela coxa, em carícia.

 

         E ela então alcançaria seu sexo e o sugaria e invadiria com sua língua quente, sugando, bebendo seu gozo? E as mãos? A acariciariam, apertariam, depois os dedos de Alex a penetrariam com força, fazendo-a gritar de prazer?

 

         A mão direita de Virna  alisava o pequeno ponto de prazer, em movimentos frenéticos. Deslizaram para sua abertura e penetraram na vagina quente e molhada, fazendo-a arfar de prazer, de olhos fechados.Sua fantasia era poderosa, via o rosto de Alex sobre o seu, fitando-a com desejo.

 

         -Alex... – gemeu – possua-me toda...

 

         Movimentou o corpo, simulando estar sob o corpo de Alex. O prazer a enlouquecia. Alex dominava seu pensamento. Ela a beijava, a penetrava com os dedos, apertava-se contra ela, em movimentos frenéticos. Sua mão se movia em movimentos bruscos, os dedos entrando e saindo da gruta em fogo.

 

         O orgasmo sacudiu o corpo de Virna numa convulsão de prazer intenso, fazendo-a gritar, sentindo-se arremessada nas alturas da sensação:

 

         -Aleeexxxxx!!!!! Ããããhhhhhhhhhh!!!!!

 

         Ela ficou ali imóvel por vários minutos, a respiração entrecortada, o corpo palpitando, sem forças. Quando a calma voltou ao seu corpo, abriu os olhos, frustrada. Não adiantava. Havia sido tudo uma ilusão. Não podia continuar assim. Queria Alex de verdade, não somente em sua fantasia. Sentir realmente ela possuindo-a, cheia de desejo. Que fosse apenas uma vez. Paola não precisaria saber. Tinha certeza que Alex não resistiria, se chegasse à ela se oferecendo. Sabia de seu poder de sedução. Tinha que traçar um plano de ação para conseguir o que desejava. E sem demora.

 

         Um sorriso surgiu em seus lábios sensuais quando pensou como conseguir o que queria.

 

         Foi fácil. No dia seguinte, quando Paola estava tomando banho, entrou no quarto dela e achou logo o celular na mochila que Paola usava. Ligou-o e procurou o nome Alex, que era o primeito na lista. Copiou rapidamente em seu próprio celular o telefone e endereço de Alex, desligou o telefone de Paola, guardou-o novamente na mochila e saiu do quarto sem nenhuma dificuldade.

 

)))(((

 

         Alex pintava aparentemente concentrada no que fazia, mas seu pensamento estava perturbado pela Lembrança de Virna.

 

         Aquela mulher era belíssima, mas tudo era apenas aparência.Ela era orgulhosa, egocêntrica, sem sentimentos.Quem se apaixonasse por ela iria se dar mal.  Lorenzo devia estar com os dias contados, ela já devia estar enjoada dele.

 

         Tinha certeza que ela sabia de sua verdadeira relação com Paola. E mesmo assim, entrara em seu quarto e a ficara olhando de um jeito inequívoco, que conhecia bem nas mulheres que a desejavam.

 

         Virna Del Fosco a desejava. E não sabia como agir. Era amante da filha dela, Paola jamais a perdoaria, se a traísse com a mãe. Paola não merecia essa decepção.

 

         Mas... Paola não precisava saber. Poderia ter sexo com Virna apenas uma vez, para matar seu desejo. E depois não a iria querer mais. Seria uma bela lição para Virna, uma mulher usá-la como ela gostava de usar os homens. Um golpe no orgulho dela.

 

         Sorriu com a solução que pensou. Mataria aquele desejo insano que a atormentava desde que conhecera a bela mulher e sairia incólume, sem se machucar. E não precisaria procurá-la. Ela viria ao seu encontro. Sabia que ela também estava atraída e mulheres como Virna sempre satisfaziam seus desejos.

 

         Pensou novamente em Paola. Sentia um grande carinho por ela, mas não a amava. Paola era uma garota inexperiente, que quase se viciara em drogas, por más companhias. Ela era de certo modo, ingênua. Uma pessoa fácil de ser enganada e dominada, pela carência afetiva que tinha. Aquele sentimento impetuoso que Paola  sentia  por ela a comovia e a impedia de deixá-la. Não teria remorso em abandonar uma mulher experiente, mas Paola não criara ainda a couraça protetora que as decepções   criavam nas pessoas. Não queria fazê-la sofrer uma decepção tão cedo, como a que sofrera.

 

         Paola chegou, interrompendo seus pensamentos. Aceitou o beijo que ela lhe deu, mas continuou a pintar. Ela sentou na poltrona ao lado, fitando-a . Alex se voltou para ela, mexendo a tinta na paleta com a espátula.  

 

         -Como foi a aula, tudo bem?

 

         -Sim. Entreguei o projeto e agora é só esperar as notas. Com a ajuda que me deu, acredito que vou tirar um dez.

 

         -Ótimo. E em sua casa, tudo tranqüilo?

 

         Paola fez uma careta.

 

         -Vai de mal a pior. Virna anda me lançando uns olhares desconfiados e fez perguntas onde você mora. Ela está mesmo desconfiada de nós. E quase não nos falamos.

 

         -Humm... por que não tenta melhorar sua relação com Virna, Paola?

 

         A fisionomia de Paola se fechou.

 

         -Não estou interessada nisso. Não vale à pena esquentar minha cabeça com Virna. Estou bem sem falar muito com ela.

 

         -Paola, ela é sua mãe!

 

         Paola a encarou com os olhos brilhando de raiva.

 

         -Não a considero como tal! Ela nunca ligou muito para mim! Deixava-me com a babá e ia para festas, viagens, sempre me considerou um peso! Agora que fiquei adulta, quer controlar-me!Ela é quase  uma estranha, para mim!

 

         -Mas goste você ou não, ela é sua mãe, vocês vivem na mesma casa! Disso você não pode fugir!

 

         Paola ergueu-se e a abraçou por trás, colando-se ao seu corpo.

 

         -Não vamos perder nosso tempo falando de minha mãe... – Disse, passando a língua no lóbulo da orelha de Alex – deixe essa pintura de lado e vamos nos amar...

 

         Alex sorriu, sentindo o corpo de Paola esfregando-se no dela. Voltou-se de frente e a beijou. Alex fechou os olhos e pensou em Virna. Pensou naquele rosto belo com traços de paixão, naquela boca sensual e aprofundou o beijo. Foram para o quarto e Alex possuiu Paola fantasiando que ela era Virna. E isso funcionou até que abriu os olhos e enxergou a realidade. Mas Paola já estava exausta e ambas se entregaram à um sono profundo.

 

)))(((

 

         Quando elas acordaram, já era noite. Alex olhou para o relógio digital na mesinha de cabeceira e constatou que já passava das oito horas. Ela sentou-se na cama e acendeu o abajur. Paola colocou o braço sobre os olhos.

 

         -Já vai levantar, Alex?

 

         Alex a encarou.

 

         -Sim, vou tomar um banho. E você, não vai para casa? Já passa das oito horas.

 

         -Eu avisei que iria dormir fora – Declarou Paola, bocejando.

 

         Alex ergueu as sobrancelhas.

 

         -Você tem dormido aqui quase todos os dias. Depois, não quer que Virna fique desconfiada de nós!

 

         -Eu?! Pois ela que se dane! Alex, ela já deve estar cansada de saber o que há entre eu e você!

 

         -Bem, Rosana convidou-me para ir à uma  festa com ela. E você não gosta dela. Então, é melhor você não ir.

 

         Os olhos de Paola brilharam de raiva.

 

         -Aquela puta que adora também apresentar mulheres à você para fazerem orgias juntas? Quando ela a convidou para irem à festa? Ah, eu sabia! Você não queria que eu viesse para cá hoje, porque pretendia cair na farra!

 

         Alex   fitou Paola,  indignada com as palavras dela.

 

         -Em primeiro lugar, eu sou amiga de Rosana há anos e ela é uma grande amiga, não companheira de farras, muito menos uma puta! Segundo, eu sempre saí com ela e se você não gosta dela, problema seu! Não vou deixar de sair com ela porque você não a aprova! Você não gosta dela porque é insegura e ciumenta ao extremo, suspeitando de todos que me cercam! Terceiro, não preciso esconder o que faço, porque você não manda em mim!

 

         Paola  fitou Alex com receio. Percebeu que tinha ultrapassado os limites, xingando a amiga de Alex e a acusando. Tudo por causa de seus ciúmes, sua insegurança, sua obssessão por Alex. Tinha que mais uma vez engolir o seu orgulho e voltar atrás de suas palavras.

 

         -Por favor, deixe-me ir com você, Alex – Pediu, em tom humilde.

 

         Alex a fitou enraivecida.

 

         -Não, você não gosta de Rosana, por que quer sair com ela? Vá para casa!

 

         -Por favor, Alex! –Pediu, com os olhos cheios de lágrimas – Eu vou ser simpática com ela, não vou reclamar de nada, apenas quero estar com você!

 

         Alex olhou para as lágrimas nos olhos de Paola e mais uma vez cedeu:

 

         -Está bem, mas se provocar minha amiga ou aborrecer-me com seu mau humor, eu a levarei para sua casa e voltarei sozinha para a festa!

 

         Paola sorriu aliviada.

 

         -Tutto bene, não vou discutir mais. Vou ser um doce para você e Rosana, Alex.

 

         -Então vamos tomar uma ducha e nos aprontar, marquei com Rosana pegá-la em casa às nove horas.

 

         Tomaram banho e se vestiram. Paola, vestida com um top e saia  curta de couro negros, mostrando partes do corpo bem feito, fitou Alex, remoendo seu ciúme em silêncio. Alex havia colocado blusa de malha colante negra, calça jeans desbotada e casaco de couro marron, na mesma tonalidade das botas. Aquele era o uniforme de conquistadora de Alex, pensou. Viu-a perfumar-se com o Eternity de Calvin Klein e mordeu o lábio inferior, engolindo um comentário sarcástico.

 

 

))))((((

 

          Alex estacionou diante do edifício onde Rosana morava. Ela já aguardava na portaria e veio correndo ao ver seu carro.Rosana era uma jovem da idade de Alex, com belos olhos azuis e cabelos ruivos. Ela olhou para Paola com um sorriso frio, entrando no carro no banco traseiro. .

 

         -Paola... – Cumprimentou.

 

         Paola sorriu forçadamente.

 

         -Oi, Rosana, como vai?

 

         -Bem, obrigada.

 

         Rosana debruçou-se e beijou Alex no rosto, sorrindo abertamente.

 

         -Alex, há quanto tempo! Estava com saudades!

 

         -Eu também, Rosana! Como está, ainda namorando Flávia?

 

         Rosana riu.

 

         -Oh, Alex, você não me vê há muito tempo mesmo! Eu e Flávia terminamos há mais de um mês!

 

         -Oh! Precisamos mesmo colocar nossos assuntos em dia! – Riu Alex.

 

         “-Cadela! – Pensou Paola, com raiva de Rosana – Ela quem bota coisas na cabeça de Alex, para ter outras mulheres!”

 

         Chegaram à festa em menos de quinze minutos. O apartamento triplex estava lotado de gente. O som explodia nas caixas em cada canto do salão imenso, com pessoas dançando animadamente. A frequência predominante era de mulheres.

 

         Um rapaz de cabelos pintados de rosa e azul veio correndo e abraçou Alex espalhafatosamente.

 

         -Alex, queridíssima! Que prazer tornar a vê-la! Finalmente apareceu!

 

         Alex abraçou o rapaz, sorridente.

 

         -Marco! Como vai, querido? Onde está Vittoro?

 

         -Oh, acabamos! Ih, tenho tanta novidade! E você, Rosana, como sempre, belíssima!

 

         Paola fitou o rapaz irritada. Outro que trazia sempre recados para Alex de outras mulheres. Mas sorriu quando Alex a indicou com um gesto da mão.

 

         -Marco, lembra de Paola?

 

         Ele a olhou da cabeça aos pés.

 

         -Olá, caríssima! Então você conseguiu prender Alex por esse tempo todo? Meus parabéns! Mas agora você vai deixar eu roubar sua companhia por uns momentos, tenho tanta coisa para contar à ela!

 

         E sem esperar resposta, ele se afastou arrastando Alex   pelo braço. Rosana riu e foi cumprimentar uma amiga, deixando Paola só.

 

         Paola os olhou indecisa se os seguia ou não. Refletiu e achou melhor deixar Alex à vontade com o amigo. Alex não era do tipo que admitia ser vigiada e não queria provocar a ira dela. Aborrecida, sentou em um sofá no canto do salão, olhando em volta com ar entendiado.

 

         Aquela festa parecia o paraíso dos homossexuais, pensou. Só se via homens dançando com homens e mulheres com mulheres.Era engraçado, mas não se sentia como um deles. Sempre gostara de homens, antes de conhecer Alex. E não se sentia integrada ao meio.

 

         -Posso sentar ao seu lado?

 

         Paola voltou o rosto e ergueu a vista. Uma mulher em roupa toda negra , magra e alta, de cabelos ruivos e curtos,  e olhos castanhos, a fitava sorrindo. Era bonita, mas algo naqueles olhos fez Paola achá-la antipática e inquietante.

 

         -O sofá não é exclusivo para mim – Respondeu secamente.

 

         O sorriso da mulher morreu e ela a fitou com a testa franzida.

 

         -Se estou incomodando-a, vou retirar-me.

 

         Paola percebeu sua indelicadeza e sorriu, desculpando-se:

 

         -Desculpe-me, não estou em um bom dia. Pode sentar-se, não está me incomodando.

 

         O sorriso da mulher voltou. Sentou ao lado dela, cruzando as pernas longas.

 

         -Vi quando chegou com Alex – Disse, sem preâmbulos – Você é a garota atual dela?

 

         Paola a fitou franzindo o cenho.

 

         -Sou a garota de Alex. Por que usou esse termo, “atual”?

 

         A ruiva sorriu com malícia.

 

         -Desculpe o termo, mas em relação às mulheres de  Alex, tenho de usar esse termo. Sou Karina, um ex-caso dela.

 

         Paola fitou a mulher com mais atenção. Uma ex de Alex! Era a primeira vez que conhecia uma mulher do passado amoroso dela. Karina, à despeito da camisa e calça negras e botas, era uma mulher feminina, elegante, atraente.  Devia ter uns trinta e cinco anos. Alex gostava de mulheres mais velhas que ela?

 

         Karina notou seu olhar avaliador e falou com rancor:

 

         -Cuidado, garota. Alex não ama ninguém a não ser ela mesma. Ela deu-me um chute após dois meses de relacionamento. Quase enlouqueci.Alex atiçava os meus ciúmes, tinha prazer nisso. Ela é uma sádica. Quando cansou-se de atormentar-me, abandonou-me sem nenhum motivo ou justificativa.

 

         -Por que está dizendo-me tudo isso? – Perguntou Paola, sentindo um frio percorrer seu corpo.

 

         -Por que vi logo que é uma garota inexperiente. Quis avisá-la para abrir os olhos sobre Alex, para não sofrer o que sofri.

 

         -Ouça, agradeço sua preocupação, mas não acho que seu caso sirva de exemplo para mim. Cada relação é diferente, não dá para comparar. Eu e você somos muito diferentes, aposto.

 

         -Mas Alex é a mesma. E ela não vai mudar – Declarou Karina, com voz dura – Você vai ver isso, com o tempo.Eu não fui a primeira mulher que ela fez isso e você não será a última. Ouça, nada como o tempo. Se ela fizer o mesmo com você, procure-me. Eu terei muito prazer em ajudá-la a se vingar dela. Aqui está o meu cartão.

 

         Karina colocou um cartão na mão de Paola e a fitou nos olhos.

 

         -Você é tão jovem! Como Alex é irresponsável!

 

         Paola fitou aqueles olhos cheios de ódio e sentiu-se mal. Aquela mulher ali falando coisas horríveis sobre Alex a amedrontou. Será que ela estava certa? Será que Alex iria fazer o mesmo com ela? Seria esse o destino de sua relação?

 

         Paola ergueu-se tremendo.

 

         -Chega! Você quer envenenar-me contra Alex!

 

         Karina a fitou nos olhos com um olhar cheio de pena.

 

         -Não, eu apenas quis prevení-la. Pense no que lhe falei. E procure-me se acontecer o que previ.

 

         Paola afastou-se dali apressada, esbarrando nas pessoas que dançavam. Apertou o cartão na mão. Ele parecia queimar. Colocou-o no bolso da saia de couro e saiu pelo salão procurando Alex desesperadamente. Precisava vê-la. Afastar aquele medo que Karina havia incutido nela: que Alex a abandonaria friamente.

 

         Lá estava ela, conversando com Marco no terraço. Correu para ela com os olhos cheios de lágrimas.

 

         -Alex! Alex!

 

         Alex voltou-se, fitando-a surpresa.Paola jogou-se nos braços dela, apertando a cabeça contra seu ombro, tremendo. Alex a abraçou, perguntando preocupada:

 

         -O que houve, Paola? Por que está tão transtornada?

 

         Paola soluçou, sem responder. Alex ergueu seu rosto com a mão, fazendo-a fitá-la. Paola a fitou entre lágrimas.

 

         -Fale, Paola! – Disse, nervosa – O que houve?

 

         Paola respondeu entre soluços:

 

         -Aquela mulher... Karina...ela... disse-me coisas horríveis de você!

 

         Uma contração passou pelo rosto de Alex. Olhou para o amigo, passando o braço pelo ombro de Paola protetoramente.

 

         -Por favor, Marco, deixe-nos à sós.

 

         -Claro, Alex. Ciao.

 

         Marco afastou-se e Alex fitou Paola, segurando-a pelos ombros.

 

         -Paola, você está tremendo!... O que aquela mulher disse à você?

 

         -Oh, Alex...abrace-me e não fale nada...

 

         Alex a abraçou e a deixou chorar. Quando os soluços pararam, ela ergueu o rosto de Paola suavemente com a mão, beijando sua testa. Paola a fitou e Alex sorriu.

 

         -Está melhor? Pode falar agora?

 

         Paola assentiu, dizendo com voz trêmula:

 

         -Eu estava sentada em um sofá e ela sentou ao meu lado. Disse-me que tinha visto eu chegar com você e falou que ela era uma ex  sua. Que você gostava de atiçar os ciúmes dela e a abandonou quando se cansou de brincar com ela. Insinuou que você vai deixar-me também, porque você é uma sádica e não gosta de ninguém. Oh, Alex... você vai fazer o mesmo comigo?

 

         Os olhos de Alex lampejaram.

 

         -Aquela cadela...o que mais disse?

 

         -Ela... deu-me um cartão para eu procurá-la. Disse que me ajudaria se um dia eu quiser vingar-me de você, se eu for também abandonada.

 

         Alex a fitou com olhar reprovador.

 

         -Então, você aceitou o cartão dela, depois de tudo que ela disse de mim?! Francamente, Paola! Estou decepcionada com você!

 

         -Eu o joguei fora na hora, Alex! – Mentiu, amedrontada. Os olhos de Alex brilhavam de raiva.

 

         -Por favor, não fique com raiva de mim! – Pediu.

 

         Alex respirou fundo, procurando acalmar-se. Sorriu para Paola.

 

         -Não, Paola. Mas devo dizer que você é uma garota ingênua. Acreditou naquela mulher, sem conhecê-la. Karina é louca. Não sabia que ela viria aqui hoje. Sei que ela tenta envenenar as pessoas contra mim. Não costumo falar de minhas ex, mas ela merece: abandonei Karina porque não aguentava mais vê-la drogada, ou imaginando que eu a traía com minha a empregada ou com minhas amigas. Ela crriava confusão com qualquer mulher que me olhasse na rua! Karina é quem vivia atormentando-me com seus ciúmes idiotas. É uma paranóica, vive suspeitando de todos que a cercam.

 

         -Oh Alex, eu sabia que você não é como ela disse!

 

         Alex fitou-a com ironia.

 

         -Sei, não acreditou e ficou toda transtornada, chorando!

 

         -Alex, prometa-me que nunca me deixará ou trairá! – Pediu Paola, ignorando o comentário de Alex, abraçando-a e apertando-se contra seu corpo.

 

         Alex ergueu seu rosto com os dedos sob seu queixo e a encarou séria.

 

         -Não posso prometer isso, Paola. Acredito que todo ser humano é capaz de trair,  por que a traição é uma fraqueza humana. Tudo é uma questão de circunstância. Se  a relação de duas pessoas não está bem, mas elas não enfrentam essa realidade e permanecem juntas, elas estão fragilizadas e não resistirão à uma pessoa que as atraia sexualmente.E eu não posso dizer que vou desejá-la para sempre, Paola. Uma relação amorosa é um contínuo risco, tanto meu quanto seu.Pode surgir alguém na sua   vida pela qual  você se apaixonará. E você não pensará  se eu vou sofrer ou não. Quando a paixão ou o amor nos domina, ficamos egoístas.

 

         -Oh Alex, não fale assim! Eu a amo!

 

         -Você é tão jovem, Paola! Sei que não serei a única paixão de sua vida. Outras virão. E você então vai dar-me razão.

 

         -Não quero saber do futuro! O meu presente é que importa! Vamos para casa, Alex!  Não quero mais ficar nesta festa!

 

         Alex a encarou friamente.

 

         -Ir para casa? Não. Primeiro, vou dar uma lição àquela cadela. Estou farta de saber que ela vive falando mal de mim!

 

         -Amore, não vale à pena... vamos embora!

 

         -Não! Paola, só peço que seja compreensiva e não condene meu método de ação. Tenha em mente que tudo que eu fizer é parte do plano de dar uma lição em Karina.

 

         Paola percebeu que seria inútil tentar dissuadir Alex de sua decisão.

 

         -O que vai fazer, Alex?

 

         Alex sorriu friamente.

 

         -Observe.

 

         Ela afastou-se, avançando para o salão. Paola seguiu-a, parando alguns passos atrás quando viu Alex avançar para Karina, que conversava com uma mulher, sentada no mesmo sofá em que estivera com ela.

 

         Alex aproximou-se com as mãos nos bolsos do casaco. Parou diante de Karina. Ela ergueu os olhos para ver quem chegara e se plantara diante dela e empalideceu quando viu Alex fitando-a fixamente.

 

         Alex estendeu uma mão para ela, fitando-a com um sorriso estranho nos lábios.

 

         -Venha dançar comigo, Karina!

 

         Karina hesitou, com medo. Será que a garota já havia contado à Alex a conversa que tiveram? Duvidou, fitando Alex. Ela parecia bem calma. Não resistiu. Como diziam, o ódio e o amor andam paralelos.E ela reconheceu que no fundo, ainda era louca por Alex . Ergueu-se e ela a tomou nos braços.

 

         Laura Pausini cantava La Solitude, uma música que fez Karina suspirar .

 

         -Alex... por que quis dançar comigo? Desde que terminou comigo, me ignora quando nos encontramos – Perguntou, apertando-se contra Alex.

 

         Alex a apertou também. Seu rosto estava ilegível.

 

         -Tive vontade de lembrar os velhos tempos.

 

         -Oh Alex, não minta para mim! Sei que me odeia!

 

         -E você não me odeia também? Então, sinta como é interessante estar nos braços de quem odeia.

 

         Karina a fitou nos olhos. Eles a fitavam enigmáticos, um sorriso paralizado no rosto.

 

         -Alex... até alguns momentos atrás, pensava que a odiava. Mas agora, em seus braços... não sei mais. Parece um sonho, sentir seu corpo novamente contra o meu...fitar de perto esses olhos perturbadores...

 

         Alex deslizou a mão pelas costas dela, numa carícia.

 

         -Então, aproveite... estou aqui.

 

         Karina pousou a cabeça no ombro de Alex, aspirando o perfume inesquecível.

 

         Paola olhava a cena sentindo um ciúme louco. Sua Alex com aquela mulher nos braços, dançando agarradas! Teve ímpetos de avançar e separá-las com rudeza, mas conteve o seu ciúme. Alex avisara que tudo seria parte de um plano. Mas não sabia onde ela queria chegar, dançando com a inimiga.

 

         Karina estava encantada. A paixão que sentia por Alex estava voltando forte, anulando seu ódio. Queria que ela a beijasse, que a possuisse toda. O desejo crescia naquele contato dos corpos dançando.

 

         A música acabou. Alex a pegou pela mão, fitando-a nos olhos.

 

         -Vamos até o terraço. Lá ficaremos mais à vontade.

 

         -Oh, Alex! Sim, vamos, é tão bom estar com você assim!

 

         Elas seguiram para o terraço. Alex piscou para Paola, quando passou por ela. Paola ficou olhando, indecisa se as seguia ou não. O ciúme prevaleceu. Foi atrás cautelosamente, procurando não ser vista. Escondeu-se atrás de uma estátua e ficou observando.

 

         Alex conduziu Karina até um canto e voltou-se para ela. Karina a fitava com evidente desejo, antegozando os momentos que viriam. Ela não esperou Alex agir. Rodeou o pescoço dela com os braços, apertando-se contra ela, aproximando a boca faminta pelo seu beijo, dizendo com voz gutural:

 

         -Me pegue, Alex. Faça tudo comigo. Me beije, me possua como nunca!

 

         Alex a pegou pelos cabelos, fitando-a bem de perto. Seus olhos a fitaram com súbito desprezo, afastando-ado seu corpo.

 

         -Saiba que não beijo serpentes! – Disse, em tom cortante.

 

         A surpresa apareceu nos olhos de Karina. Ela tentou desvencilhar-se, mas Alex a segurou com força pelos cabelos com as duas mãos.

 

         -Então pensou que eu estava novamente interessada em você, sua vagabunda? Você é uma víbora, mas sei lidar com gente de sua laia! Trouxe-a até aqui para revidar o golpe sujo que me deu, envenenando Paola contra mim! – Disse, com os dentes rilhados. 

        

         E sem que Karina esperasse, Alex soltou  a mão direita dos cabelos dela e a esbofeteou violentamente em ambas as faces. Ela desequilibrou-se e caiu no chão, fitando Alex com os olhos arregalados, levando a mão aos lábios, que sangravam.

 

         Alex a fitou com desprezo, seus olhos parecendo duas pedras de gelo.

 

         -Não se meta mais em minha vida, sua serpente! Senão, da próxima vez será pior minha vingança!

 

         Karina começou a soluçar.

 

         Alex voltou-se para se retirar e viu Paola olhando-as. Sorriu e pegou-a pela mão.

 

         -Vamos, Paola. Agora podemos ir.

 

         Paola a acompanhou, trêmula. Teve medo de Alex. De ter visto ela executar aquela vingança, atraindo Karina até ali, onde pudera agredí-la sem testemunhas. A dúvida se instalou em sua mente. Estaria Karina certa? Alex iria fazer a mesma coisa com ela? Talvez fosse interessante guardar aquele cartão de Karina.

 

         Alex despediu-se dos amigos e foram embora. Rosana preferiu ficar, havia conhecido uma mulher interessante.No carro, Alex sorriu para Paola, fitando-a divertida.

 

         -Está tão calada, Paola! O que há?

 

         -Bem...  eu não conhecia esse lado vingativo seu. É amedrontador.

 

         -Você acabou de conhecer minha outra face, Paola. Não perdoo golpes sujos, traiçoeiros, como o de Karina. Por que ela não tem a coragem de falar o que falou à você em minha cara? É por que ela distorceu a verdade. E um golpe sujo merece ser revidado como eu fiz. Ainda mais envenenando uma garota como você.

 

         -Como eu, em que sentido?

 

         -Ingênua. Inexperiente. Muito ciumenta... mas também com qualidades.

 

         -Oh... e quais são minhas qualidades, Alex?

 

         Alex sorriu, passando a mão em suas coxas, olhando para a frente. O carro corria pela Via Adriano.

 

         -Eu vou mostrar em casa o que aprecio em você, Paola. Você quer ser minha?

 

         -Oh Alex!...Sempre, amore...

 

         Alex colocou um cd para tocar. A música invadiu o espaço, na voz de Gino Morandi, cantando Il Mondo:

        

         Non... esta notte amore,

         Non, non piu, pensare a te…

         Io aperto il occhi per guardare intorno a me…

         Intorno a me girava il mondo come sempre…

         Gira, il mondo gira nell spazio senza fine,

         Con gli amore  appena nati,

         Con gli amore  già finiti,

         Con la gioia, con dolore, de la gente come me...

         Il mondo

         Soltanto adesso io ti guardo

         Nell tu silenzio io me vedo

         Il sono niente accanto a te...

         Il mondo

         Non c’è fermato mai um momento

         La notte segue sempre il giorno,

         E di giorno verrà...

          

         Foi uma noite de paixão, de gritos e sussurros . Alex tentando esquecer nos braços de Paola a crescente atração que a corroía pela bela Virna.

       

       

Continua na parte 4

 

 

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