A  Sensual  Virna

 

PARTE  2

 

 

 

 

        Paola chorava e Alex andava de um lado para o outro, gesticulando irritada e criticando o comportamento da amante durante o jantar. O choro da garota não a comovia, com a raiva que sentia. Olhava-a com os olhos brilhando de raiva e falava com entonação dura:

 

         -É isso! Você é uma imbecil! Só faltou falar para sua mãe que está apaixonada por mim e não quer ter um namorado por Capítulo 3esse motivo! Desde que chegamos à sala de estar, já começou a fazer idiotices, lançando-me olhares ciumentos e ficando de mau humor sem motivo! Até um imbecil perceberia, pela sua conduta, o que há entre nós! E sua mãe é uma mulher inteligente, astuta, e percebeu tudo! Tive de ouvir ela jogar em minha cara a suspeita dela! Por sua causa! 

 

         Paola a fitou entre lágrimas.

 

         -Ela provocou-me, Alex! O que queria que eu dissesse? Que estava ansiosa para conhecer o rapaz que ela queria apresentar-me? 

 

         -Ela estava testando-a porque já havia percebido o seu comportamento ciumento! E você confirmou as suspeitas dela, sua idiota! – Disse entredentes, com raiva.

 

         Paola parou de chorar subitamente, percebendo que isso não comovia Alex. Falou com voz irritada:

 

         -Pois bem, se ela suspeita que somos amantes, que se dane! Por que está tão transtornada? Nós não precisamos da aprovação de minha mãe para nos amarmos! Por que não quer que ela suspeite de nós? Está interessada nela?

 

         Alex rilhou os dentes, fitando-a furiosa. Apontou para ela, dizendo com tom acusador:

 

         -Você é mesmo uma idiota! Não pensa nas consequências! Paola, você ainda é considerada menor de idade, pelas leis italianas! Eu posso responder a um processo por sedução de menor e ser extraditada! Eu não sou italiana, lembra-se? Tenho dupla nacionalidade, mas apenas alemã e americana, pelos meus pais. Vim para a Itália como estudante de arte, mas ainda não posso adquirir cidadania italiana.

 

         Paola a fitou com receio nos olhos.

 

         -Oh! Eu não havia pensado nisso, amore.

 

         Alex respirou fundo, fitando-a com desânimo e irritação, com as mãos na cintura.

 

         -Claro que não pensou. Você só pensa idiotices! Não percebe que esse ciúme vai acabar com o que existe entre nós? Por Deus, Paola, você sente até ciúme de mim com sua mãe! Acha que estou interessada nela! Saiba que já tive mulheres tão lindas como sua mãe! Mas aprendi que beleza não é tudo, atração é algo muito mais subjetivo. Ah, estou cheia disso tudo! Você é uma garota boba, ciumenta, neurótica! E não tenho porque aturar seus problemas com sua mãe! Nossa relação não está dando certo, é melhor terminá-la!

 

         Paola ergueu-se da cama e se jogou nos braços de Alex, dizendo desesperada, com lágrimas nos olhos:

 

         -Não, Alex! Não me deixe! Eu faço tudo que você quiser, amanhã falarei com minha mãe, serei um doce para ela! Mas não me deixe, eu não suportaria! Por favor!

 

         Alex tentou empurrá-la, ainda irritada, mas Paola grudou-se ao seu corpo, os braços rodeando seu pescoço. Os olhos implorando, a voz trêmula:

 

         -Alex, eu a amo! Por favor, Alex!

 

         -Largue-me, Paola...

 

         Paola começou a distribuir beijos pelo seu rosto, espremendo o corpo contra o de Alex.

 

         -Eu sou sua, Alex... toda sua... e provo isso sempre... possua-me agora... como quiser... amore... oh, beije-me, Alex...

 

         Mais uma vez, Alex foi vencida pela paixão que brilhava naqueles belos olhos, uma paixão que lhe era oferecida desesperadamente por aquela garota tão perdida  quanto ardente. Paola era uma garota bonita, e se oferecendo apaixonadamente era algo que somente um ser muito frio repudiaria.E Alex era uma mulher quente, para resistir à aquele ataque.

 

         Sua raiva foi substituída pelo desejo e caíram na cama em um beijo faminto. Paola despiu-a entre beijos e se despiu também. Os corpos nus se juntaram e se amaram com furor. Os beijos de Alex eram brutos, os de Paola desesperados.  As unhas de Paola arranhavam, as  mãos de Alex apertavam e penetravam no corpo que se sacudia em gozos  múltiplos. O orgasmo   atingiu  Alex como uma onda, seus sexos molhados  e encaixados  se apertando em  um ritmo frenético.

 

         Alex saiu de cima de Paola, deitando ao lado dela respirando pesadamente. Paola voltou-se e a abraçou, colocando o braço e a perna sobre ela. Beijou-a no pescoço, dizendo com satisfação:

 

         -Foi tão bom, Alex...por mim, ficava o dia inteiro na cama com você, fazendo amor...só nós duas sozinhas, fazendo amor o dia inteiro, já pensou?

 

         Alex voltou o rosto, fitando-a gravemente. 

 

         -É somente isso que nos prende uma à outra, Paola: sexo – Disse, com voz sem emoção.

 

         Paola a fitou com olhar apaixonado.

 

         -Não, Alex. De minha parte, não. Eu a amo. Por isso fico desesperada quando quer terminar comigo.

 

         -Isso não é amor, é carência. Você precisa estar com alguém que lhe dê atenção e sexo.

 

         -Alex, quando vai acreditar em meu amor por você? Não sei mais o que fazer para isso!

 

         Alex sorriu e a beijou levemente na testa.

 

         -Um dia você vai perceber que estou certa.Mas, deixe isso para lá.Estou pensando que o melhor é eu ir embora para minha casa.Sua mãe desconfia de nós e só falta nos surpreender assim, para ter certeza. Agora mesmo, estamos nos arriscando. Já pensou se ela bate na porta agora?

 

         Paola sorriu, alisando seu rosto.

 

         -Ela nunca fará isso, amore. Conheço minha mãe. Ouça, amanhã , quando Lorenzo trouxer um amigo, eu vou até flertar com ele, para tirar as suspeitas de minha mãe. Se você for embora, estará demonstrando que foi desmascarada e ficou com medo dela. Temos de agir ao contrário do que ela espera de nós.

 

         Alex sorriu para Paola.

 

         -Está ficando esperta, garota. Tem razão. Vamos mostrar à ela que está errada em suas suspeitas. Quando ela apresentá-la ao rapaz, aja como qualquer mocinha normal, mostre-se interessada. Não custa nada fazer isso.

 

         -Oh, amore! Como não custa nada? Eu a amo e só tenho olhos para você! Vai ser duro fingir um interesse que não terei!

 

         Alex a fitou franzindo a testa e falou em tom duro:

 

         -Ouça, Paola! Não vá voltar atrás do que planejou, ou eu vou embora e não vou querer mais nada com você! Não quero passar mais por constrangimentos, não tenho necessidade disso!

 

         Paola a olhou humildemente.Sabia que Alex estava falando sério.

 

         -Não voltarei atrás... farei tudo que quiser.

 

         -E sem cenas de ciúmes!

 

         -Tutto benne, amore...

 

         Ela se aconchegou ao corpo de Alex. Logo adormeceram, cansadas pelo ato sexual.

 

))))))((((((

 

 

          Paola acordou cedo. A expectativa que teria de fingir para sua mãe e se mostrar interessada pelo rapaz que lhe seria apresentado mexia com seus nervos. Sentou na cama  e olhou para Alex, que dormia ao seu lado. No sono, parecia tão ingênua e desprotegida...mas sabia que era uma impressão falsa. Alex era forte, segura de si, acostumada a ser bajulada pelas mulheres que conquistava.

        

         Lembrou o dia em que a havia conhecido.Ela havia mentido para sua mãe. Alex não estudava com ela. Alex já era formada em Artes Plásticas há mais de três anos.

 

         Havia conhecido Alex em uma festa, na casa de um escultor milionário, que gostava de patrocinar festas malucas em sua “villa”, nas quais iam todo tipo de gente estranha.

 

         Paola, naquele tempo, andava com uma turma muito louca, de cinco motoqueiros acompanhados de suas namoradas. Todos filhos de pais ricos, com mesadas altíssimas, que fingiam estudar, mas que  na verdade só viviam em farras, consumindo drogas, bebendo e aprontando confusão. Ela era namorada de um deles, Vittoro, viciado em cocaína. Ela ocasionalmente também cheirava, mas ainda não estava viciada. Tinha medo de ficar viciada, mas no meio deles, era difícil não participar de seus vícios.

 

         Vittoro conhecia o escultor  e todos foram à festa. Chegaram à “villa” por volta das dez da noite e foram recebidos pelo escultor, que já estava visivelmente bêbado  e os cumprimentou com estardalhaço:

 

         -Buona notte, ragazzos e ragazzas! Vão entrando! A festa precisa de gente como vocês, para ficar animada!

 

         Eles entraram no salão cheio de gente, que bebia, dançava ou tentava conversar ao som alto da música que um conjunto tocava em um palco armado em um canto. Era uma música funk com batida pesada.

 

         A turma foi logo dançar, cada um com uma garrafa de cerveja na mão. Vittoro   pegou uma garrafa  com o garçon que servia bebidas perto do bufet e sorriu para Paola.

 

         -Vamos para um canto dar uma cheirada? 

 

         -Hoje não, Vittoro.Quero ficar sóbria – Recusou Paola.

 

         -Ah, então, desgruda. Vou viajar sozinho – Disse ele, se afastando.

 

         Paola olhou em volta, indecisa. Seu olhar foi atraído por uma loura toda em couro negro, com um quepe na cabeça, de pé perto da janela, com um copo na mão.

 

         Seus olhares se cruzaram. Paola a fitou curiosa. Era um tipo exótico. De blusão e calça de couro que modelava o seu corpo mostrando suas curvas sensuais, as botas negras de salto alto, ela chamava a atenção mesmo no meio de tanta gente vestida com espalhafato. Os olhos verdes a olhavam atrevidamente e a seguiram quando Paola dirigiu-se para um garçon  e serviu-se de  um copo de coca-cola.

 

         -Paola! Você, por aqui?

 

         Paola voltou-se e viu uma garota aproximando-se dela com ar surpreso. Reconheceu-a. Era uma colega da faculdade. Parecia tão conservadora na faculdade, mas ali estava, numa festa maluca.

 

         -Bianca! Também estou surpresa!

 

         Bianca riu e pegou-a pela mão.

 

         -Gosto de misturar-me com gente interessante. Sabe que estudo Literatura e pretendo ser uma escritora. E um escritor, como dizia Tennesse Willians, precisa misturar-se com pessoas de todos os tipos.

 

         -Hum humm... por falar em tipos, veja aquela moça – Disse, indicando a loura com o queixo – Você sabe quem é ela? É uma figura tão exótica!

 

         Bianca olhou para a loura e tornou a olhar para Paola com um sorriso irônico.

 

         -Conheço, sim. Seu nome é Alex. Cuidado com ela, Paola. Ela gosta de mulher e quem se liga à ela está perdida.

 

         Aquela declaração mexeu com Paola. Aquela loura tão atraente, uma lésbica? Incrível! Queria conhecê-la.

 

         -Porque disse que quem se liga nela está perdida?

 

         Bianca a encarou séria.

 

         -Está interessada nela? Já avisei. Alex conquista, usa e descarta a mulher quando perde o interesse. Isso em no máximo duas semanas. Teve uma que até tentou  suicidar-se, quando foi abandonada. Ela é diabólica. Dizem que tem um poder de atração inresistível. Quando cisma com alguém, consegue conquistar com a maior facilidade. Graças a Deus não sou o tipo dela.

 

         -Por que dá graças à Deus?

 

         -Porque se ela cismasse comigo, não sei se resistiria. Ela é muito bela e inteligente.. Bem, até logo, Paola. Vou procurar meu namorado, que está por aí.

 

         Bianca afastou-se e Paola olhou para Alex. Ela estava agora de costas, olhando para fora. A calça de couro modelava o traseiro arredondado e firme, as coxas fortes e pernas bem torneadas. Era dona de um corpo espetacular.Seu desejo de conhecê-la se aguçou. Mas, como fazer, para isso? Não podia chegar perto dela e  simplesmente dizer que queria conhecê-la porque se sentira atraída.

 

         Viu uma mulher ruiva chegar perto de Alex e falar algo. Alex sorriu e Paola pensou que nunca tinha visto um sorriso tão lindo. Elas começaram a conversar animadamente e Paola continuou observando-a disfarçadamente. Alex tinha um perfil perfeito. Sua postura ereta, o gesto das mãos, como era charmosa. Estava fascinada por Alex.

 

         Ela afastou-se com a mulher para outro lado do salão e Paola perdeu-a de vista. Impaciente e irritada, Paola olhou para sua turma. Eles continuavam dançando. Vittoro estava sentado em um canto, no chão, com olhar perdido. Devia estar viajando, sob o efeito da droga.

 

         Bebeu sua bebida de uma só vez e resolveu ir ao banheiro. Atravessou o salão, procurando Alex com o olhar. Não a viu. Perguntou à um garçon onde era o toalete e ele informou indicando um corredor. Ela dirigiu-se para lá e achou duas portas, uma  com o desenho de uma mulher e outra  com o desenho de um homem . Abriu a das mulheres e entrou.

 

O banheiro era grande, com três lavatórios e três reservados. Um grande espelho de cristal com moldura dourada era suspenso na parede dos lavatórios. Paola lavou as mãos se olhando no espelho, verificando se seu baton continuava direito. E viu a porta do banheiro abrir e Alex entrar.

 

Paola imobilizou-se, sentindo seu coração disparar.

 

Alex avançou com passos lentos e parou ao seu lado, lavando as mãos, aparentemente ignorando-a . Paola a fitou pelo espelho. Era mais linda de perto. O rosto era perfeito e os olhos pareciam duas joias translúcitas.

 

Seus olhos se encontraram através do espelho e Paola enrubesceu, ao notar que estava também sendo observada.

 

Alex foi até o porta-toalhas e enxugou as mãos. Quando terminou, ao invés de se retirar, recostou ao lado cruzando os braços, fitando Paola fixamente.

 

Paola sentiu as pernas tremerem. Lavou as mãos e aproximou-se do porta-toalhas com passos inseguros., sabendo que teria que ficar bem próxima de Alex para enxugar as mãos.

 

Hesitante, com as mãos tremendo, a fitou, estendendo as mãos para a toalha. Alex permanecia imóvel,seu olhar percorrendo seu corpo sem disfarce. Paola enxugou as mãos bem perto dela, sentindo o perfume delicioso que emanava de Alex. Quase se encostavam, tão próximas estavam.

 

A mão de Alex se estendeu e pegou sua mão. Paola estremeceu e a encarou. Aqueles olhos pareciam magnéticos, fitando-a de perto.

 

Alex a puxou contra seu corpo e Paola perdeu o equilíbrio, apoiando-se nela para não cair. Sentiu um calafrio percorrê-la, quando seus corpos se tocaram. Alex rodeou seu  corpo com os braços e desceu a boca sobre seus lábios trêmulos, esmagando-os. Era um beijo intenso e possessivo, louco, arrebatador. Suas línguas se tocaram e se sugaram, suas respirações se misturando.

 

Paola sentiu uma forte emoção e rodeou o pescoço de Alex com os braços. Seu corpo tremia, sentindo o outro contra o seu, se apertando. Gemeu dentro da boca de Alex, quando sentiu a mão direita dela acariciar seu seio. A mão desceu pela cintura, pela saia e a levantou, acariciando a coxa. E atrevidamente, se insinuou para dentro da calcinha, tocando seu sexo com a ponta dos dedos. A excitação de Paola era evidente, molhando os dedos de Alex.

 

Alex afastou a boca e a fitou nos olhos. Sorriu. Retirou a mão da calcinha e desvencilhou-se do abraço de Paola.

 

Paola a fitava sem voz, a respiração opressa, pensando se estava tendo uma alucinação. Tudo acontecera tão rápido, tão louco!

 

Alex voltou-se e se retirou tranquilamente, sem olhar para trás. Paola ficou ali imóvel, ainda sentindo os lábios quentes de Alex sobre os seus. A maciez daquele corpo, o perfume delicioso, tudo a deixara tonta. Aquele beijo parecia irreal.Nem haviam se apresentado, nem haviam trocado uma palavra, e se haviam beijado com arrebatamento! Ah, queria mais, muito mais! Ela a enlouquecera, a havia conquistado apenas com um olhar.

 

Saiu do banheiro e atravessou o salão, procurando-a com o olhar. Lá estava ela, conversando animadamente com uma mulher. Paola passou por perto delas e a fitou, mas Alex a ignorou completamente.

 

Paola sentou em um sofá, nervosa. O que Alex pretendera, com aquele beijo? Mostrar que podia dominar quem a interessasse? E depois disso, ignorar a pessoa?

 

O garçon chegou oferecendo bebidas. Paola pegou uma taça de champanhe e a bebeu sem deixar de olhar para Alex, sentindo um ciúme absurdo ao vê-la conversar e rir com a outra mulher, tão desligada de sua presença. Nem parecia que a tinha beijado com tanta paixão!

 

Começou a tocar uma música com uma batida sensual e dançante. Alex começou a dançar com a amiga. Dançava sensualmente, remexendo os quadris, erguendo os braços, como uma dançarina de striptease.Seus olhos se encontraram com os de Paola e ela sorriu.Um sorriso sexy, convidativo.

 

Os homens começaram a aplaudir e formaram uma roda em volta dela. Ela sorriu e parou de dançar, se dirigindo para o bufet sob os protestos dos homens.

 

Bianca apareceu do lado de Paola, fitando Alex com despeito.

 

-Você viu? Ela gosta de provocar os homens também, para depois rir deles! Essa mulher é diabólica, Paola!

 

Paola a fitou sorrindo.

 

-Diabólica ou não, quero ser apresentada à ela. Faz isso para mim?

 

-Ah, ela já a envenenou também... – Disse com malícia – mas é melhor não provar da maçã proibida, Paola...ela não se prende a ninguém.

 

-Bianca, não sou idiota. Só estou curiosa, apresente-me, vai!

 

-Está bem. Depois, não lamente. Venha.

 

Aproximaram-se de Alex, que bebia uma taça de champanhe olhando em volta.Ela as fitou sorrindo.

 

-Como está, Alex? – Disse Bianca, sorrindo – Quero apresentar Paola à você.

 

Alex sorriu para Paola.

 

-Então, seu nome é Paola... um lindo nome.

 

-Obrigada...

 

Bianca sorriu, despedindo-se:

 

-Bem, já cumpri minha missão. Tchau!

 

E afastou-se, procurando o namorado. Paola olhou para Alex, sem saber o que dizer. Ela lhe sorriu com malícia, dizendo:

 

-Por que pediu à Bianca para ser apresentada à mim? Nós já nos apresentamos no banheiro. E muito mais intimamente.

 

Paola enrubesceu profundamente, fitando-a envergonhada. Alex percebeu seu embaraço e a fitou nos olhos atrevidamente.

 

-Não é verdade?

 

-Bem... foi uma apresentação muito estranha...

 

-Não gostou de minha forma de apresentar-me?

 

Paola a encarou. Resolveu ser também atrevida. Podia jogar o jogo dela.

 

-Gostei tanto que pedi à Bianca para vir falar com você.

 

Alex deu uma risada, fitando-a com ar divertido.

 

-Oh, adoro garotas decididas... e então? Vamos indo?

 

-Ir para onde? – Perguntou Paola, confusa.

 

-Para meu apartamento. Essa festa está muito chata.

 

Paola a fitou sorridente e emocionada.

 

-Vamos! Espere aqui, vou despedir-me de meus amigos.

 

Alex deixou de sorrir. Pegou-a pela mão.

 

-Aquela turma louca que chegou com você? Não é preciso. Eles estão tão loucos que nem lembram de sua existência.

 

Alex a levou até uma Ferrari vermelha estacionada diante da “villa” e foram embora.

 

Assim havia começado o relacionamento delas. Paola havia se apaixonado perdidamente, havia abandonado sua turma e seu namorado, passando a viver para amar Alex. Mas Alex dizia que não se apaixonava por ninguém. Que Paola não alimentasse a idéia que a relação delas duraria anos, elas podiam terminar a qualquer hora. E isso tornava Paola insegura, ciumenta e neurótica.

 

 

 

Capítulo  4

 

Paola suspirou e ergueu-se da cama. As recordações dos primeiros dias da relação delas eram doces, mas a realidade atual era amarga. Alex já se queixara que estava cansada de conviver com seus problemas com a mãe, brigavam pelos menores motivos e só faziam sexo por sua iniciativa. Quantas vezes Alex dizia que era melhor elas terminarem! Tinha que implorar, humilhar-se, para ela desistir da decisão.

 

E tivera a péssima idéia de apresentá-la à sua mãe, para que Alex pudesse frequentar sua casa e evitar as reclamações de Virna que ela não parava em casa, sempre na companhia daquela “turma de vagabundos”, como Virna se referia aos seus amigos. Agora, sua mãe estava desconfiada dela com Alex e isso não prenunciava nada bom. E Alex e ela já haviam discutido por isso.

 

Alex abriu os olhos e a viu em pé, fitando-a pensativamente. Sentou-se, bocejando.

 

-O que está fazendo aí em pé, Paola?

 

-Pensando.

 

Alex franziu o cenho.

 

-Pensando em quê?

 

-Que vou ter que fingir uma coisa que não sinto para agradar à minha mãe.

 

Alex ignorou o comentário, se sentando na cama. Paola estava querendo fazer papel de vítima mais uma vez, mas ela não estava disposta a aturar isso.

 

-Que horas são, Paola?

 

Paola olhou para seu relógio de pulso.

 

-Nove e meia, Alex.

 

Alex saltou da cama, agilmente, fitando-a aborrecida.

 

-Por que não acordou-me? Sua mãe pode nos surpreender aqui! Parece até que você deseja isso, não toma nenhum cuidado!

 

-Calma, Alex! Conheço os hábitos dela! Virna acorda sempre depois das dez horas. E faz um ritual imenso para tomar banho e vestir a roupa.

 

Alex começou a vestir suas roupas agilmente.

 

-Pode ser, mas ela também poderia quebrar esse hábito para nos vigiar, não acha? Não podemos facilitar. Vou para meu quarto agora, tomar um banho e trocar de roupa.

 

-Está bem! Encontre-se comigo no salão de refeições, daqui há quarenta minutos, para tomarmos o desjejum juntas – Disse Paola, sorrindo.

 

Alex assentiu e saiu apressada. Dirigiu-se em passos rápidos para o quarto de hóspede onde estava instalada, distante duas portas depois do de Paola. Entrou e foi direto para o banheiro. Despiu-se e entrou no box, abrindo as torneiras. A água morna caiu sobre ela, relaxando-a. Ensaboou-se e lavou os cabelos com champú, deixando a água cair sobre seu corpo.

 

Fechou as torneiras dez minutos depois e enxugou-se, esfregando a toalha nos cabelos vigorosamente. Saiu do banheiro nua e dirigiu-se para o armário embutido, onde estavam suas roupas. Abriu a gaveta de roupas íntimas.

 

A porta do quarto abriu e Virna Del Fosco entrou, com ar de quem está procurando algo.

 

Alex voltou-se e a encarou surpresa. Não procurou esconder sua nudez. Virna a olhou e disse, com expressão surpresa:

 

-Oh! Desculpe-me!

 

Alex colocou as mãos na cintura, fitando-a com arrogância.

 

-O que deseja, senhora Del Fosco? Veio verificar se Paola dormiu comigo?

 

Os olhos de Virna percorreram seu corpo sem disfarce.

 

-Não é nada disso. Vim apenas pedir desculpas pelo que disse ontem sobre você e Paola. Eu fiquei irritada com o comportamento dela e fiz aquela  acusação sem pensar. Não acho realmente o que disse.

 

Alex sorriu com ironia. Ela não a convencia nem um pouco.Estava era contemporizando, para armar o flagrante . Mas iria fazer o jogo dela e fingir acreditar em sua desculpa.

 

-Tudo bem. Já esqueci o incidente.

 

Virna não tirava os olhos de seu corpo. Parecia hipnotizada pela sua nudez.

 

-Está bem instalada aqui? Acho esse quarto muito frio.

 

-O quarto é ótimo, obrigada.

 

Os olhos de Virna subiram para seu rosto e sorriu. Não fez menção de retirar-se.Os olhos muito azuis fitaram os seus.

 

Alex voltou-se e apanhou uma calcinha na gaveta. Inclinou-se e vestiu-a, voltando o rosto para fitar Virna. O que ela desejava ali, conversando com ela nua? Mesmo que não tivesse malícia, era uma violação à sua privacidade. Não tinha nenhuma intimidade com ela, para isso.

 

-Estou incomodando-a? – Perguntou Virna, fitando-a nos olhos com uma expressão inlegível.

 

Alex sorriu com sarcasmo.

 

-O que acha? Estou me vestindo!

 

Virna olhou para a cama. Estava toda arrumada, evidenciando que Alex não havia dormido ali. Olhou para Alex novamente, com ar impenetrável. Seu rosto não denunciava sua descoberta, mas Alex imaginou o que ela estava pensando.Virna Del Fosco não era tola.

 

-Bem, vou deixá-la à vontade – Disse Virna, voltando-se para a porta.

 

-Espere.

 

Virna parou e ficou olhando Alex aproximar-se, com ar impenetrável. Alex sorriu com ironia, parando diante dela com as mãos na cintura, numa pose desafiante.

 

-Você pensa que descobriu o que queria, não é?

 

Virna a encarou com ar inocente.

 

-Descobri o que queria? Não sei do que está falando.

 

-Sabe, sim. Suas suspeitas foram confirmadas? Acho que não. Eu não dormi aqui porque realmente esse quarto é muito frio. Pedi à Paola para dormir com ela. Ficamos conversando até tarde e depois dormimos. Satisfeita?

 

Os olhos de Virna mostraram uma expressão magoada, o que surpreendeu Alex. Achava que Virna era bela e fria como uma estátua.

 

-Por que essa animosidade contra mim, Alex? Ontem conversamos tão bem, temos gostos em comum... e já não me desculpei por minha suspeita? O que deseja mais?

 

-Eu tenho dúvidas de sua sinceridade.

 

-Está sendo injusta, Alex...

 

Alex não replicou. Aqueles olhos belíssimos fitando-a de perto, aquela expressão de quem está pedindo algo proibido, a tocaram mais do que ousava admitir.

 

Os olhos de Virna desceram para seus seios. Alex se deu conta que estava praticamente nua e se Paola entrasse e as visse assim se fitando, provocaria a maior confusão. Voltou-se e se dirigiu para outra porta do armário. Abriu-a e escolheu uma blusa de algodão branca, de mangas compridas  e a vestiu.

 

Virna olhava atenta seus menores gestos. Alex então teve a consciência que Virna estava atraída por ela. Aqueles olhares traíam o que ela estava sentindo, por mais que procurasse disfarçar.

 

Alex sorriu intimamente, divertida. A fria Virna, que se desfazia dos amantes descartáveis como se fossem lixo, atraída por ela? Ah, Virna! Não seria mais uma vítima de seus encantos, podia ter certeza!

 

Sob o olhar dela, vestiu uma calça comprida de lã cinza, com riscos brancos, uma jaqueta do mesmo tecido e voltou-se para pegar meias em outra porta. Seu olhar encontrou com o de Virna e ela sorriu. Dessa vez, foi Alex quem percorreu o corpo de Virna de cima à baixo, sem procurar disfarçar. O conjunto de calça e casaco de tecido branco se moldava em seu corpo divinamente. Virna era uma bela mulher, linda e desejável. E prestando mais atenção, com um corpo espetacular. Se não fosse a mãe de Paola... se não gostasse de homens...

 

Ela também a comia com os olhos, só um idiota não perceberia.

 

A porta do quarto estava aberta. E Paola entrou, sorrindo. Um sorriso que foi substituído por uma expressão carregada de raiva, quando viu a mãe diante de Alex.

 

-O que está havendo aqui?! – Perguntou, em tom duro e alto.

 

Alex a fitou assustada, sentindo-se pêga em flagrante delito, contemplando o corpo de Virna sem o  menor disfarce.

 

Virna voltou-se enrubescida, olhando para Paola com ar culpado. Maldição! Paola a pegara em flagrante, admirando com desejo sua amante!

 

)))(((

 

Continua na parte 3

 

 

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