A
Sensual Virna
LETH CROSS
PARTE 1
Capítulo 1
Firenze, Itália. Cair da tarde.
No quarto em penumbra, só se ouvia
sussurros ardentes, gemidos de prazer e as respirações ofegantes, na
aproximação do êxtase.
Os corpos unidos se moviam cada vez com
mais frenesi, até que estremeceram em convulsões espasmódicas, no auge do
prazer. Um grito abafado vibrou no ar que estava tomado pelo aroma de um suave
perfume mesclado ao cheiro de sexo:
-Alex! Oh, Alex!!!
Os corpos se imobilizaram, no
relaxamento que vem depois do êxtase. Um dos corpos estendeu a mão e acendeu a
luz do abajur. A luz rosada iluminou os corpos, os corpos nus de duas mulheres.
Uma era loura, de cabelos cortados na
altura da nuca em um corte moderno, com algumas mechas longas caindo
displicentemente em sua testa, realçando o rosto de traços marcantes. Com seus
vinte e seis anos, parecia ter menos. Os olhos verdes-mar pareciam duas gemas
translúcitas, encimados por sobrancelhas de desenho perfeito, o nariz delicado
e os lábios polpudos e rosados, sem nenhuma pintura, o queixo com uma encantadora covinha, faziam
dela uma bela mulher, na qual se destacavam os belos olhos, expressivos e
magnetizantes. O corpo era de estatura mediana, com curvas harmoniosas e
dourado de sol.
A
outra era morena, de cabelos castanhos longos e anelados, com um rosto bem
jovem. O nariz meio arrebitado, os olhos
amendoados e castanhos bem claros, a pele branca e aveludada, compunham um
rosto ingênuo e delicado, de acordo com o corpo esguio de seus dezoito anos.
A loura olhou para a morena, que a
fitava embevecida.
-Não gostei de fazer sexo no escuro.
Prefiro ver com quem estou – Disse, com voz cansada.
Paola riu, curvando-se sobre ela e a
beijando levemente nos lábios.
-Gostei porque me fez lembrar de anos
atrás, quando eu fazia sexo com meu primeiro namorado, escondido. Era no
escuro. Achei bom. Aliás, sexo com você é sempre bom.
Alex a fitou com curiosidade.
-Quantos anos tinha você, quando perdeu sua
virgindade?
-Treze. E Luigi tinha dezesseis.
-Treze?! Era quase uma criança, Paola!
Que loucura!
Paola riu.
-E daí? Foi bom...até eu descobrir que
com as mulheres era melhor! Vamos fazer outra vez?
Alex sentou-se, fitando-a com um
sorriso.
-É melhor nos vestirmos. Sua mãe pode
chegar a qualquer hora, Paola.
-Ora, ela só vai chegar depois das dez!
Venha, vamos nos amar mais uma vez, Alex... – Pediu Paola, puxando Alex pelo
braço.
Alex sacudiu a cabeça negativamente,
fitando-a.
-Não. Chega. Estamos nessa cama há mais
de três horas, fazendo sexo. Será melhor eu ir para o quarto que você mandou a
governanta preparar para mim. Já pensou se sua mãe chega antes do que espera, e
nos encontra aqui, desse jeito? É melhor ter cuidado.
A fisionomia de Paola fechou à menção do
nome da mãe.
-Ela não devia importar-se, porque ela
não se importa comigo de verdade! Ela só quer é mostrar-me que pode mandar em
mim!
Alex a encarou com incredulidade.
-Acho que está sendo rigorosa demais em julgar
os atos de sua mãe, Paola. Ela deve apenas cuidar sobre você, que confunde com perseguição.
Paola a fitou indignada.
-Não acredita em mim?! Você nem a
conhece, como pode defendê-la? Ela é exatamente como eu falei: egoísta,
mandona, arrogante, insuportável!
-Ainda acho que está exagerando. Você
está em uma idade difícil, que é comum desentendimentos com os pais. Lembra de
quando a conheci? Você andava com uma turma de motoqueiros que faziam arruaças
e consumiam drogas. Eu quem consegui que se afastasse disso. Você é uma garota
problemática, Paola!
Os olhos de Paola luziram de raiva.
-Por culpa de minha mãe! Ela e eu nunca
falamos a mesma língua. É uma mulher arrogante demais, que quer dirigir minha
vida, escolher meus amigos, indicar meus namorados...mas isso tudo não é porque
se importa comigo, mas porque ela quer mandar em todos que a cercam! Quando eu
era pequena, ela nunca teve tempo para mim, envolvida com seus amantes! Oh,
Alex, tem hora que tenho vontade de ofendê-la e
esbofetear aquele rosto orgulhoso!
Ela não gosta de mim, só quer infernizar a minha vida!
As últimas palavras foram ditas com um
soluço. Alex a abraçou e a fez pousar a cabeça em seu ombro, dizendo
suavemente:
-Não diga isso, Paola...ela é sua mãe!
Acredito mais é que haja uma falta de entendimento entre vocês, Você não aceita
sua mãe como ela é, nem ela a entende. Deveriam conversar, trocar idéias, para
chegarem à um acordo.
Paola afastou-se, fitando-a revoltada.
-Trocar idéias?! Oh, você não a conhece!
Ela não tem paciência nem tempo para conversas sérias. E mesmo que tivesse, sei
que seria perda de tempo tentar dialogar com ela! A grande Virna del Fosco acha
que está sempre certa e gosta de dominar a todos. Troca de amantes como quem
troca de roupa. Agora, por exemplo, está envolvida com um novo amante.
-Um novo amante? Quem?
-Lorenzo Spartini. Um rico industrial.
Ele está apaixonado. Mais um que ela devorará e abandonará quando cansar. Foi
com ele que ela viajou para Paris, numa estadia de duas semanas. Coitado, deve
estar pensando que ela o ama também, mas o mais provável é que ela deve estar
cheia dele, os casos dela não duram mais que seis meses! E ele já está
completando esse tempo fatídico com ela.
Alex desvencilhou-se de Paola e se
ergueu da cama, fitando-a.
-Muito bem. Vou conhecer sua mãe e
tirarei minhas conclusões. Mas agora vou
tomar um banho e vestir-me. Não quero que sua mãe nos surpreenda aqui,
nuas.
Paola ergueu-se também, com ar
aborrecido.
-Está bem, vamos nos aprontar para esperá-la.
Quando estiver pronta, encontre-se comigo em meu estúdio.
Alex colocou suas roupas rapidamente e
saiu do quarto. Atravessou o vasto corredor da mansão, ou “villa”, como os
italianos chamam seus antigos e luxuosos
casarões com séculos de idade, moradas de famílias da antiga nobreza. E a
“villa” dos Del Fosco era suntuosa, construída com o mais precioso mármore
Carrara, recheado de peças de arte de mais de seis séculos e com amplos jardins
e fontes. Quadros renascentistas de
Rafael, Michelangelo e Leonardo da Vinci conviviam nas paredes de seus
salões.
O quarto que lhe havia sido destinado
era duas portas depois do de Paola, com o mesmo luxo do outro. Dirigiu-se para
o banheiro e despiu-se. Felizmente os arquitetos haviam modernizado os banheiros com novas instalações hidráulicas, banheiras, lavatórios, vasos e duchas. E ela
pôde desfrutar de um longo banho na banheira com hidromassagem, enquanto sua
mente divagava.
Não sentia a mínima vontade de conhecer
a mãe de Paola. Sabia do clima que havia entre mãe e filha e não queria
envolver-se em discussões familiares. Mas Paola insistira tanto, que havia
cedido.
Paola achava que Alex
sendo apresentada à sua mãe, seria mais fácil ela dormir na casa de
Alex. Poderiam ter maior liberdade para ficarem
juntas. Poderiam até viajar, pois Virna
Del Fosco conhecendo Alex, saberia que a filha estava em boa companhia. Afinal.
Alex era uma mulher inteligente, culta, de boa família, educada e com uma
personalidade que encantava a todos.
Alex sorriu com ar divertido. Nunca precisara tentar
ser bem vista pelos pais de suas ex. Mas Paola conseguira tocá-la com seu ar
ingênuo e desprotegido. Não estava apaixonada, mas Paola tocara seu coração por ter percebido que ela era uma garota
confusa, super-carente e problemática, que precisava desesperadamente de afeto
e atenção. Havia tentado fazê-la um pouco feliz, conseguira fazê-la deixar as
más companhias que a estavam conduzindo para o fundo do poço, mas já estava
cansada de ouvir Paola reclamar da mãe e seu ciúme excessivo. Percebia que não
podia fazer muito mais por ela .Mas Alex
tinha receio de terminar com a garota e
ela fazer uma loucura, carente e frágil como estava, mas esse receio estava
cada vez pesando menos no adiamento de
sua decisão. O que ainda a prendia mesmo à Paola era seu temperamento
ardente numa cama e sua beleza. Então, ia deixando o tempo correr, até se
interessar por outra. Aí, terminaria sem mais protelação.
Aprendera, por experiência própria, que não devia
entregar-se totalmente a alguém, por mais apaixonada que a mulher
parecesse.Ariadne havia sido uma dura lição que a marcara.
Em sua mente, vieram as recordações de sua
adolescência, recordações que até hoje a machucavam: Ariadne se entregando à
ela apaixonadamente, jurando que a amaria por toda vida. E ela, na ingenuidade
de seus quinze anos, acreditando, mergulhada numa paixão intensa, louca. E a
desilusão, um ano depois.
Havia sofrido muito e jurara a si mesma nunca mais
ter algo com uma mulher. Mas essa decisão foi por terra meses depois.
Infelizmente, era sua preferência sexual. As mulheres a atraíam tanto quanto se
desinteressava pelos homens. Então, continuara a seguir com sua vida com elas,
mas agora não deixava ninguém penetrar em seu coração. Usava as mulheres, como
um dia fôra usada.
))))))((((((
Virna Del Fosco desceu do Mercedes com elegância, com
o motorista uniformizado segurando a porta do carro numa pose quase militar,
todo empertigado.
Ela olhou para o jardim bem cuidado da “villa”, com
sua fonte com ninfas segurando vasos, de onde jorrava a água cristalina, os
arbustos bem podados, o gramado impecável, e para a mansão imponente com suas
colunas em estilo dórico de mármore e a escadaria que levava à entrada
principal, ladeada de leões em bronze. Sorriu com orgulho, aconchegando a gola
do casaco de arminho contra o pescoço.
Via-se logo, pela sua aparência, que era uma mulher
requintada, mostrando sua linhagem nobre pelo olhar arrogante, o queixo erguido
orgulhosamente, o porte majestoso e o caríssimo casaco de peles.
Os cabelos negríssimos, com reflexos azulados,
estavam presos em um coque clássico, mostrando a nuca alva e os ouvidos
delicados. Os olhos azuis, de um azul de céu de verão, pareciam capazes de perder
quem os fitassem mais demoradamente. Os lábios vermelhos e carnudos pareciam
duas orquídeas carnívoras que devorariam de desejo quem tivesse o prazer de os
provar.O nariz reto e aristocrático fazia harmonia com o rosto angular, de
contorno perfeito. Era uma mulher belíssima e atraente, fina e elegante. E ela
sabia disso, sem nenhuma modéstia.
Ela fitou o motorista e falou com voz aveludada, mas
fria:
-Vicenti, mande um dos criados levar minhas malas
para o meu quarto.
-Perfeitamente, “signora” Del Fosco.
Ela voltou-se e subiu as escadarias com passos
resolutos. Apertou a campainha da porta principal e em pouco tempo uma mulher
de cabelos brancos e rosto gorducho abriu a porta, sorrindo polidamente.
-Buona sera, signora Del Fosco – Saudou, afastando-se
para Virna entrar. Ela avançou, entrando com um leve sorriso condescendente.
-Buona sera, Giovana. Está tudo bem por aqui? Alguma
novidade, na minha ausência? – Perguntou, retirando as luvas negras de couro.
A governanta a fitou hesitante.
-Bene...há, sim, signora.
Virna a encarou surpresa.
-Há novidade? Qual?
-Bene... la signorina Paola...ela trouxe uma ragazza
para cá.Está hospedada aqui há uma semana.
As feições de Virna se fecharam, mostrando profundo
aborrecimento.
-Uma hóspede? Per la Madonna! Não posso ausentar-me,
que Paola faz das suas! Quem é essa moça?
-Não sei, signora Del Fosco...ela não a apresentou.
Só sei que se chama Alex, é como eu ouço a signorina Paola chamá-la.
-Ah, essa menina só me traz aborrecimentos! Eu,
quando viajei, recomendei à ela que não trouxesse ninguém para minha casa, em
minha ausência! E ela desobedeceu-me, mais uma vez! – Reclamou Virna,
afastando-se.
Ela cruzou o luxuoso hall de entrada e subiu a
escadaria que levava ao segundo pavimento, pronta para ter uma uma discussão
com a filha e expulsar de sua casa a intrusa.
Lembrou-se da última vez que ela trouxera uma amiga
para casa, sem consultá-la. Uma garota
sem modos, com o cabelo pintado de azul, com os braços cheios de tatuagem, com
roupas bizarras. Havia surpreendido a garota fumando maconha e a expulsara de
sua casa e deixara Paola sem a mesada do mês. Mas parecia que ela não havia
aprendido a lição!
Irrompeu no estúdio dela já com as palavras de
recriminação na boca.
-Paola, quantas vezes preciso dizer...
Mas a cena que viu a fez calar-se.
Paola estava inclinada sobre a prancheta de desenho,
desenhando numa folha de papel vegetal com uma caneta. Ao seu lado, uma moça
loura, que apontava algo no desenho, parecendo orientá-la.Elas ergueram os
rostos quando Virna entrou.
Fitando a companhia de Paola, as palavras que estavam
prestes a saírem pelos seus lábios morreram.
A loura era uma moça bem vestida, com um elegante
conjunto de blazer e calça verde-musgo e blusa de seda creme.Percebeu logo que
aquela moça não era sem classe como as habituais amigas de Paola.E aqueles
olhos... um olhar direto e desafiador,
em um rosto de traços marcantes e belos. Os belos olhos percorreram Virna de
cima à baixo, retornando depois a fixar-se em seu rosto.
Virna a fitou, tentando não demonstrar o quanto
aquele olhar a fazia sentir-se desnuda e perturbada sob aquele olhar direto e
atrevido.
Paola sorriu com desdém, quebrando o silêncio,
indicando-a com um gesto displicente:
-Oh, aí está la
mamma mia , Alex! A condessa Virna Del Fosco, descendente de uma família
de vinte gerações! Virna, essa é Alex, uma amiga que estuda comigo!
Virna sorriu contrafeita, sentindo a ironia da filha.
Alex adiantou-se e estendeu a mão, sem deixar de fitá-la nos olhos. As mãos se
encontraram num aperto e Virna sentiu um calafrio percorrê-la.
-Muito prazer, signora Del Fosco – Disse Alex, com
uma voz suave como veludo.
-Igualmente, Alex. Seu nome é esse mesmo, ou é
diminutivo de Alexandra? – Perguntou Virna, recuperando-se.
Alex sorriu, um sorriso luminoso que a tornava mais
atraente. Os olhos se estreitaram, lançando fagulhas de luz entre os cílios
dourados e espessos. Alex soltou sua mão e declarou:
-Meu nome é Alexandra Birtrich Hurt, mas gosto que me
chamem apenas de Alex.
-Birtrich? Pertence à família dos Birtrich,
produtores de vinho no Vale do Reno, na Alemanha?
-Minha mãe era dessa família, signora Del Fosco. Mas
meu pai era inglês. Herbert Colen Hurt, embaixador na Alemanha. Lá que ele
conheceu minha mãe e se casaram, na década de 80.
Virna sorriu, encantada. A filha de um embaixador! E
descendente de uma ilustre família alemã! Paola estava aprendendo a escolher
suas amigas!
-Conheci Bruno Birtrich em Zurique, em um leilão de
arte. Ficamos amigos.
-Bruno é meu tio. Um dos filhos de meu avô Haus.
Minha mãe era irmã dele, mas já é falecida, assim como meu pai.
-Oh... sinto muito. Mas, de qualquer forma, é um
prazer ter uma Birtrich hospedada em minha casa – Declarou Virna, sorridente.
-Obrigada, signora Del Fosco.
> Paola interveio, com ar cínico:
-Virna dá muita importância a nomes e tradições,
Alex. Ela está encantada em saber que você é de família importante!
Virna olhou para Paola com irritação.
-Paola, chega de ironias. Se você não dá importância às
tradições de sua família, deixe que eu o faça!
Paola riu e puxou Alex pelo braço.
-Tutto bene,
signora Del Fosco... Alex e eu estamos
muito ocupadas em nosso projeto. Conversaremos no jantar. Agora, nos dê
licença...
Virna olhou para Paola com ar mortificado.
-Está insinuando que devo retirar-me? Que estou
atrapalhando vocês?
Paola a encarou com um sorriso frio.
-Sim. Estamos ocupadas. Mais tarde terá oportunidade
de encher Alex de perguntas.
Virna respirou fundo e olhou para Alex, que a
observava em silêncio, com um olhar avaliador.
-Está vendo, Alex? Essa é a recepção que tenho de
minha filha, depois de estar ausente por duas semanas! Mas tudo bem. Vou
deixá-las, já percebi que sou “persona non grata” para Paola!
E dizendo isso, retirou-se, seguida pelo olhar de
Alex até ela fechar a porta atrás de si. Alex então olhou para Paola, que a
fitava com um brilho de ciúme no olhar.
-Ela tem razão. Você a magoou, pedindo que se
retirasse. Ela chegou de uma viagem de vários dias e você a recebeu friamente.
Os olhos de Paola brilharam de raiva.
-Oh, mal a conheceu e já está do lado dela? Vi como a
olhou, Alex. Reconheço que infelizmente
Virna é diabolicamente bela, é fácil alguém envolver-se com ela. Mas se você
fizer isso, arranco seu olhos, Alex!
Alex deu uma risada e fitou Paola com arrogância.
-Eu, envolver-me com sua mãe?! Você não me conhece
direito, Paola!Sua mãe é uma mulher realmente bela, mas isso não me
impressiona! Já tive mulheres tão lindas quanto ela, e não me apaixonei! Eu
jamais iria ter algo com uma mulher tão esnobe como sua mãe. E prefiro garotas,
ela deve ter mais de trinta anos, não?
Paola ignorou
a pergunta, abraçando-a e a fitando insegura.
-Alex, você me ama? Nunca disse isso para mim! Se
dissesse, eu não seria tão insegura com você.
Alex sorriu, fitando-a nos olhos.
-Eu gosto de você. Não é o bastante? Amor é uma coisa
abstrata para mim. Prefiro a paixão, que é concreta. Amor é um nome romântico
para o desejo, que acaba.
-Você diz isso porque não sente amor por mim... –
Disse Paola, com tristeza – Eu sinto amor...eu o sinto muito forte, quando olho
para você... oh, Alex, não sei o que farei se você não me quiser mais! Eu a amo
tanto!
Paola beijou Alex
ardentemente, empurrando a língua entre os lábios macios e quentes de
Alex, sugando sua boca. Sem largá-la, puxou-a para o sofá no canto do estúdio,
desesperada para sentir Alex mais intimamente. Alex desvencilhou-se dela e foi
até a porta, passando o trinco. Voltou para perto de Paola, que a fitava
ofegante de desejo. Parou há dois passos dela. Dizendo com voz rouca:
-Tire a calcinha e masturbe-se para eu ver. Depois a
possuirei.
Obediente, Paola ergueu a minisaia e desceu a
calcinha pelas coxas, até tirá-la completamente. Sentada no sofá, levou as mãos
ao sexo.
Alex puxou a banqueta e sentou-se nela, cruzando os
braços e a fitando com desejo.
-Abra mais as coxas... quero ver bem...
Paola abriu as coxas completamente, uma das mãos
abriu o sexo e a outra o percorreu com as pontas dos dedos, cariciosamente.
Alex contemplou o pequeno clitóris rosado e engoliu em seco.
-Você já está toda molhada, Paola...isso é para mim?
Diga...
Paola a fitou com desejo, os lábios entreabertos,
suspirando.
-Alex... veja como sou sua... veja... oh, amore!
Alex deslizou da banqueta e ajoelhou-se diante dela,
fitando aquelas mãos delicadas, de dedos longos e brancos manipulando o sexo
molhado. Sua excitação crescia a cada momento, com aquela visão erótica.
-Meta os dedos... quero ver eles mergulhando dentro de
seu sexo...
Paola parou de manipular seu clitóris e dois dedos
penetraram em sua estreita abertura, fazendo-a gemer. Começou a movê-los
lentamente para dentro e pra fora.
-Isso, Paola... devagar... mova os quadris... –
Ordenou Alex, começando a despir-se, olhando a cena. Paola fez o que ordenou e
começou a respirar entrecortadamente. Alex apressou-se e logo estava
completamente despida. Ela segurou os quadris de Paola e falou com voz opressa:
-Tire as mãos... agora sou eu quem vai dar prazer à
você. Peça. Diga que quer isso.
Paola ergueu os quadris para cima, implorando com os
olhos.
-Possua-me, Alex...por favor...não agüento mais...
-O que quer que eu faça? Fale, ou não farei nada... –
Disse Alex, percorrendo as coxas macias de Paola com as mãos, apertando.
-Me sugue toda, Alex... penetre-me fundo...venha...
depressa...
Alex não resistiu mais. Aqueles belos olhos
implorando, o cheiro do sexo de Paola, a visão do corpo se arqueando em
súplica... caiu sobre ela, atacando seus seios com as mãos, com a boca, sexo
contra sexo, à procura do auge do
prazer.
Paola cruzou as pernas atrás de suas coxas
e estremeceu violentamente, mordendo os lábios para não gritar. Depois,
caiu para trás, arquejando , na gloriosa sensação do êxtase.
Alex deitou ao lado dela, beijando-a no rosto,
pensando que ela agora descansaria. Mas Paola ergueu-se e desceu pelo corpo de
Alex, tomando o sexo na boca e a sugando alucinadamente.
Alex gemeu, sentindo prazer e dor. Paola prosseguia incansável,
sugando-a toda.Alex a puxou pelos cabelos e Paola subiu pelo seu corpo
distribuindo beijos e chupões, falando fora de si:
-Alex... amore... t’amo..tu sei la mia vita...
Alex a abraçou e girou o corpo, ficando por cima
dela. Beijou-a ardorosamente na boca, esfregando-se alucinadamente nas coxas
macias, apertando-a nos braços.
-Paola... beije-me... aperte-me... –Sussurrou, entre
suspiros.
Paola a abraçou apertadamente, o corpo estremeceu
convulsivamente em outro orgasmo, dando pequenos gritos. Alex a voltou de
costas e começou a roçar no traseiro firme de Paola, desesperada de desejo.
Paola moveu-se sensualmente e Alex gemeu alto, apertando-se com força contra
Paola, sentindo o orgasmo a engolfar como uma onda.
Paola sorriu.
Ela sabia como alimentar o desejo de Alex. E criava diversas posições
excitantes, sabendo que era a sua arma para conservar o interesse sexual dela,
já que era sexo que a prendia. Mas tinha esperança de um dia Alex começar a
amá-la.
)))))(((((
Capítulo 2
Virna tirou a roupa e entrou na banheira cheia de
água quente, perfumada pelos sais aromáticos que um químico criara
exclusivamente para ela. Era um perfume relaxante e ela o aspirou e sentou,
procurando uma posição confortável. Mas sabia que o que a incomodava estava
dentro de sua mente, e para isso, não tinha jeito.
Paola era
uma menina rebelde e debochada, que a provocava nas mínimas palavras que
trocavam. Não conseguia entendê-la ! Dava-lhe tudo que queria, jóias, roupas,
dinheiro, e só recebia em troca rebeldia e falta de consideração ! E ela sabia
porque não se davam bem: não era a mãe verdadeira de Paola. Ela havia sido
forçada a reconhecer Paola como filha e havia prometido não revelar a verdade
para a menina até que ela completasse a
maioridade. E devido à esse juramento, tinha que calar-se e agüentar a
convivência com a rebelde garota. Elas não tinham jeito: possuíam temperamentos
opostos e nunca concordavam com algo, faltava pouco para se detestarem.
E agora,
desobedecendo-a mais uma vez, Paola
trouxera outra estranha para casa, sem avisá-la. Felizmente, essa nova amiga
tinha berço, era de uma família tradicional da Alemanha. Não era uma das
roqueiras loucas que Paola costumava andar. Mas, mesmo assim, ela era tão
estranha ! Tinha um olhar intrigante, gostava de ser chamada de Alex, um nome
masculino. Bem, pelo menos estudava arquitetura com Paola, isso queria dizer
que era uma pessoa com certa responsabilidade.
Mas, e o
modo dela olhar? Um olhar insistente e atrevido, um olhar que desnudava, pouco
comum para uma mulher olhar para a outra. E o pior é que aquele olhar lhe
causara uma reação inesperada e inconcebível. Ficara excitada quando ela a
olhara daquele modo e quando ela apertara sua mão , havia sentido um calafrio!
Como
pudera lhe acontecer isso ? Nunca se sentira atraída por uma mulher. Sabia de
existência do homossexualismo masculino e feminino. Certa vez, em uma festa,
havia sido “cantada” por uma francesa, e a olhara com tanto desprezo que a
mulher ficara envergonhada e lhe pedira desculpas. Mas, e se Alex a “cantasse”,
iria ter a mesma reação ? Não podia afirmar que sim. Ela a excitara com um
simples aperto de mão, coisa que nunca acontecera à ela nem com um homem !
Estava se desconhecendo. Ou, de repente, estava descobrindo coisas dela mesma que nem suspeitava ter ?
Ora,
estava impressionada com uma coisa que não se repetiria mais ! Devia esquecer aquela reação maluca e pensar
em Lorenzo, que era um amante gostoso
numa cama.
Ela era uma
mulher quente, super
feminina, desejada por muitos
homens ! Todos que desejava, caíam pelo seu charme. Ela era a condessa Virna Del Fosco, uma mulher de
alta estirpe, para se deixar envolver por uma lésbica. Rica, bela e
inteligente, com o poder de conquistar o homem que cismasse ! Lorenzo já estava
em suas mãos, com apenas poucos meses de relacionamento. Era riquíssimo e um
belo homem.
Ele tiraria aquelas cismas bobas. Não o amava, mas
isso era o que sempre acontecia com ela. Os homens a amavam e isso bastava. Era
melhor para seu ego. A satisfação de sua vaidade era maior assim. Como os
homens eram tolos ! A possuiam uma vez e
já julgavam que eram seus donos, achavam que a tinham conquistado
completamente.
Mas ela nunca
se envolvia além de sexo. Sexo puro, a satisfação do seu fogo interior, isso
lhe bastava. Quando enfastiava do amante, o despachava friamente, sem dor ou
remorso. Isso é que era ser superior, esperta. Nada de sentimentalismos piegas.
Amor era para os idiotas sentirem e sofrerem.
Cantarolando,
esfregou a esponja no corpo, sentindo a tepidez da água relaxá-la. Após o
banho, escolheu sua roupa. Um “tailleur” azul da prússia. Sua pele clara
contratava bem com essa cor. Vestiu as meias negras de nylon, perfumou-se,
prendeu os cabelos lustrosos, maquiou-se discretamente e se olhou no espelho,
depois de calçar os sapatos negros de salto alto. Perfeito, estava linda e
elegante.
Saiu do
quarto e desceu para a sala de estar. Estava vazia. Paola e a amiga ainda não
haviam descido para aguardar o jantar. Olhou para o relógio de parede de arte
do século XVI. Sete e meia. Elas já deviam estar esperando-a ! Como sempre, o
jantar seria servido às oito, nem um minuto
a mais!
Levemente
irritada, sacudiu a campainha de prata.
Giovana
apontou na porta, solícita.
-Si,
signora. . .
-Giovana,
vá chamar Paola e a amiga dela! – Ordenou– diga que estou aguardando - as aqui.
A
governanta assentiu e retirou-se. Virna aproximou-se da estante de som e
colocou um cd para tocar baixinho. Victoria de
Los Angeles começou a cantar a ária da ópera La Traviata, Sempre Libera,
de Verdi. Era sua ópera favorita, especialmente aquela ária. Sentou em uma
poltrona de veludo, apreciando a música.
Minutos
depois, ouviu passos se aproximando. Logo Paola surgiu com a amiga e Virna as
olhou satisfeita.
Paola
finalmente não estava com aquelas detestáveis calças jeans. Tinha colocado um
vestido de tom verde musgo, de bom gosto. Se maquiara levemente, o que era um
progresso em sua aparência habitualmente desleixada.
Alex estava
de blazer cinza, blusa de lã vermelha e calças compridas do mesmo tecido do
blazer. De botas de couro negro, estava elegante e sóbria.Mas o rosto sem
nenhuma pintura, os olhos atrevidos olhando-a da cabeça aos pés.
-Buona
notte, signora Del Fosco – Disse, parando diante de Virna, sorrindo levemente.
-Buona
notte, Alex – Disse Virna, indicando o sofá diante dela – Sente-se, aprecie um
pouco de boa música antes de irmos jantar.
Ela
sentou-se e Paola ao lado dela, franzindo a testa.
-Virna,
vai nos obrigar a ouvir ópera ? – Perguntou, com tom de aborrecimento.
Alex
olhou para Paola com reprovação.
-Eu
gosto, Paola. Sua mãe tem muito bom gosto.
Virna a
fitou descrente, achando que Alex apenas estava querendo mostrar-se gentil.
-Gosta
mesmo de ópera, Alex ? – Perguntou, olhando avaliadoramente para ela,
reconhecendo que ela era dona de um rosto de beleza especial. Não era uma
beleza de boneca, mas de uma mulher de personalidade, com algo misterioso. Uma
beleza enigmática. Os olhos magnéticos pousaram nos seus, diretos e atrevidos.
-Gosto.
-Quais
óperas aprecia ?
Alex
sorriu, parecendo notar sua descrença.
-As
minhas óperas prediletas são as de Verdi. Essa ária, “Sempre Libera”, da ópera
La Traviata, é uma das que mais aprecio. Gosto também das árias “La
Donna é Mobile “ e “Caro Nome” da ópera
Rigoletto, mas também gosto das óperas
dos outros compositores, como Bizet,
Mascagni, Puccini, Wagner...
-Não
gosta de Mozart ? Adoro Don Giovanni. A ária Mio Tesoro é uma preciosidade.
-Claro
que sim. Ele era um gênio, e essa ópera tem
árias belíssimas.
Paola
ergueu-se, com ar aborrecido.
-Já que
vão ficar falando de ópera, vou pedir uma bebida para mim. Alex, quer beber o
quê ? Sugiro um vinho tinto chianti.
Alex a
fitou com reprovação. Ela havia ignorado a mãe na consulta da bebida.
- Bem,
pode ser vinho tinto, Paola.
Paola
tocou a campainha. Giovana chegou e Paola pediu uma garrafa de vinho tinto chianti. Alex olhou para Virna e perguntou,
educadamente, já que Paola não o fez:
-Vai nos
acompanhar no vinho tinto, senhora Del Fosco?
-Não,
Alex. Giovana, traga um champanhe para
mim – Disse Virna, para a governanta. Olhou para Alex, agradecendo :
-Obrigada
pela delicadeza, Alex. Paola não tem sua educação.
Alex sorriu
desajeitada, fitando Paola.
-Ela só é
uma garota rebelde, devido à sua pouca idade.
Virna a
fitou com olhar avaliador.
-Mas você
não deve ser muito mais velha que Paola, e não parece ser uma pessoa rebelde e mal criada.
Alex riu,
enquanto Paola mordia os lábios, contendo uma resposta ofensiva.
-Ah, eu
já passei dessa fase de rebeldia ! Tenho vinte e seis anos, senhora Del Fosco.
Virna a
fitou admirada. Vinte e seis anos ! Ela aparentava bem menos, uma idade mais compatível
com Paola, que tinha dezoito. Mas, vinte e seis. . . quase dez anos mais velha
que a filha, uma mulher feita. O que teria em comum com Paola, que era uma
adolescente ? Só os estudos ? Era muito
pouco. As pessoas escolhem os amigos por afinidades. E Paola detestava
ópera, a pintura a atraía pouco, cinema lhe era indiferente, teatro a
entediava. . . sabia que ela só gostava de natação, de dançar em discotecas e
esquiar durante as férias nos Alpes. O que teria em comum com Alex? Ela parecia
ser uma moça culta.
O vinho e
o champanhe chegaram e foram servidos. Alex ergueu a taça e brindou:
-Ao nosso
conhecimento !
Virna
sorriu com a cortesia dela. A conversa prosseguiu entre elas, com Paola limitando-se a
beber com ar entediado.
Virna começou
a sentir uma verdadeira admiração por Alex, que à cada pergunta sua, revelava
uma cultura vasta. Falaram sobre pintura, teatro, cinema, música moderna,
literatura, e em tudo Alex revelava um bom gosto surpreendente. Virna a olhava
surpresa, seus olhos analisando aquela mulher segura do que desejava,
inteligente e agradável. Os melhores gestos tomava nota, achando-a encantadora
no jeito de exprimir-se, no modo de
sorrir, na pose descontraída, os gestos que fazia. Inconscientemente, sentia um
prazer agudo em estar ali a ouvindo e vendo . A personalidade envolvente de Alex
estava intoxicando-a, sem que percebesse isso. Estava fascinada.
Mas sua
percepção sensível captou o desconforto de Paola em vê-las conversando tão bem.
Captou os olhares que ela dirigia para Alex, deixando transparecer neles um
ciúme inconcebível. Os apartes mal humorados eram reveladores. Alex a olhava
com reprovação, mas continuava a conversar, como se não estivesse de acordo com
a atitude de Paola.
Virna
prestou atenção em Paola, olhando-a pensativa. Qual o motivo daquele ciúme?
Paola nunca tivera ciúmes das amigas. Sempre trouxera amigas para casa, que
passavam o fim de semana ali e não se importava se elas procuravam se mostrar
simpáticas à ela. Os namorados também frequentavam a casa e Paola nunca
manifestara ciúmes deles com ela. Por que esse sentimento agora ?
A
governanta avisou que o jantar estava na mesa. Levantaram-se e se dirigiram
para o salão de refeições.Ao passar, Virna acidentalmente esbarrou em uma
estátua de bronze e desequilibrou-se. Alex vinha atrás e segurou-a pelos
ombros. Virna sentiu suas costas se encostarem nos seios macios de Alex e um
arrepio percorreu-a pela espinha. Virou-se, se desculpando num murmúrio, vendo
o rosto de Alex bem próximo do seu.
Os olhos a fitaram de um jeito que a fez ter um novo
arrepio. Sentiu naquele breve instante o perfume suave que ela usava, a
quentura do corpo, e desejou que aquele contato se prolongasse mais.
Mas Alex
retirou as mãos e deu um passo atrás. Virna prosseguiu, com os pensamentos
tumultuados, surpresa e em pânico pelo que sentira.
Estava
ficando louca ?Estava se sentindo atraída, tendo arrepios pelo contato
ocasional com uma mulher ! Como podia sentir por Alex coisas que só deveria
sentir por um homem, assim mesmo, só estando muito apaixonada ? Sentir coisas que nunca sentira por alguém?
Sentaram-se
à mesa. Virna na cabeceira, Paola e Alex em cada lado. A copeira serviu a sopa
de aspargos com queijo, acompanhada de pãezinhos quentes.
Virna
observou Paola. Ela olhava para Alex fixamente, com o cenho franzido. Olhou
para Alex. Ela sorria para Paola, parecendo despreocupada com o seu mau humor.
Os olhos de Alex correram para Virna, e ao sentir-se observada, seu sorriso se
ampliou.
-Quantos anos
tem, Virna ? Posso chamá-la assim ?
Virna
sorriu.
-Tenho
trinta e cinco anos – Mentiu. Na verdade, tinha apenas vinte e nove anos.
Mentia sua idade para ela ter idade compatível como mãe de Paola – Sim, pode
tratar-me por Virna, acho melhor.
Alex
encarou-a, admirada.
-É tão
jovem para ser mãe de Paola ! Eu me
perguntava, quando a vi, como podia ser
mãe dela. Parece bem mais jovem que a idade que tem.
-Obrigada,
Alex – Agradeceu, intimamente exultante com o elogio - Eu tive Paola bem jovem.
Paola
interrompeu, com voz fria :
-Minha
mãe vai acabar acreditando em seu elogio, Alex !
Alex a
fitou deixando de sorrir.
-Falei
com sinceridade o que penso. Ela pode acreditar.
Virna
fingiu não ouvir o comentário de Paola. Atirou sua dúvida, de supetão:
-Por
falar em idade, o que vocês têm em comum, para serem amigas ? Parece-me uma
amizade de pessoas muito diferentes. Paola não tem a sua cultura e nem gosta de
nada que você aprecia, Alex. Que afinidade possuem, para serem amigas?
Paola susteve
a colher de sopa à um palmo da boca. Olhou para a mãe atordoada.
Virna
olhou para Alex, a quem dirigira a pergunta. Ela pareceu pensar, tomou um gole
de vinho e a fitou com os olhos magnetizantes, parecendo insegura na resposta:
-Não sei.
. . talvez simpatia. . . estudamos
juntas.
Virna
sorriu, vendo que tocara em um ponto seensível delas.
-Você é
muito diferente de Paola.O que as
aproximou além dos estudos ? Uma amizade nasce de afinidades.
Alex
sorriu, como que aceitando o desafio de sua pergunta.
-Tem
razão, Virna. Mas tenho algumas afinidadades com Paola.
-Tem
mesmo ? Quais ?
Paola
interveio, com voz exaltada, olhando para Virna com agressividade:
-Que
importa, Virna ? Gosto de Alex, ela gosta de mim e ponto final !
Virna
sorriu, olhando para Paola. Aquela explosão de agressividade era a defesa de
algo que ela não queria expor. Como se tivesse sido tocada em algo íntimo e
oculto. A suspeita estava se formando em sua cabeça. Uma suspeita que explicava
todo comportamento de Paola. Pois agora iria em frente, testando-a .
-Tudo
bem, fique tranqüila, não estou contestando a sua amizade com Alex – Disse, com
sarcasmo – Nem os seus namorados.
Paola a
fitou confusa.
-Que quer
dizer com isso ?
-Lembra-se
de Giulio ?
-Giulio ?
-Paola,
já esqueceu de Giulio ? O seu antigo namorado ?
-Ah!. . .
O que tem ele ?
-Lembra-se
que fui contra seu namoro com ele ? E você estava apaixonadíssima e culpou-me por
ele ter terminado o namoro, dizendo que não agüentava a pressão que eu fazia
para terminar com ele ?
Paola
enrubesceu, olhando para Alex. Olhou para Virna com o cenho franzido.
-Lembro.
E daí ?
-Vou
redimir-me e convidá-lo para passar um final de semana aqui em casa. Eu o
encontrei na rua um dia desses e ele pareceu-me ainda bem interessado em você.
Acho que fui muito rigorosa com ele. É um rapaz educado.
Paola
olhou para Alex. Ela sorria, parecendo achar tudo aquilo muito engraçado. Olhou
para a mãe e explodiu :
-Mas que
idéia idiota é essa ? – Perguntou, furiosa.
Virna
fitou-a com ar inocente.
-Não
gostou da idéia ? – Perguntou, com fingida surpresa.
-Claro
que não ! Faz meses que não o vejo ! Não tenho nada a falar com ele !
-Mas você
disse que era apaixonada por ele !
-Disse
bem : Era ! Não sou ,mais ! Acabou !
-Oh, e
quem o substituiu nesse coração volúvel ? – Riu Virna, fitando-a com as
sobrancelhas erguidas.
-Ora ! Ninguém.
. . estou... sem namorado. . . – Gaguejou, atrapalhada.
-Coitadinha.
. . – Disse Virna, com fingida lástima – Mas isso tem um jeito. Lorenzo virá
amanhã com um amigo. É jovem, tem vinte
e três anos, de uma familia importante. Você vai conhecê-lo. Aposto que
vai gostar dele.
Paola
encarou Virna como uma onça fustigada.
-Não
quero conhecer ninguém ! Se eu quiser um namorado, eu mesma arranjo ! Não se
meta em minha vida !
Virna
olhou para Alex. Ela bebia tranqüilamente o vinho, parecendo indiferente à
cena. Mas o seu rosto agora estava
sério, os olhos sombrios.
-O que
acha disso, Alex ? Viu como sou incompreendida por minha filha ? Não estou
arranjando namorado para ela, apenas quero apresentá-la à um rapaz ! E ela
reage desse modo agressivo, como se a estivesse insultando !
Alex
fitou-a séria.
-Desculpe-me,
Virna, mas não devo emitir opinião sobre coisas que não me dizem respeito.
Paola
ergueu-se, furiosa. Olhou para Virna com raiva.
-Conseguiu
tirar meu apetite !
E
retirou-se com passadas furiosas.
Alex
olhou para Virna com gravidade.
-Sou
forçada a meter-me em um assunto familiar, por ser amiga de Paola. Virna, por
que a provocou com esses comentários sobre a vida amorosa dela ?
Virna a
fitou tranqüilamente, sorvendo a taça de champanhe.
-Ora, não
é natural uma mãe preocupar-se com a felicidade da filha ?
-Não deu
essa impressão, desculpe-me dizer. Você a estava provocando deliberadamente. Já
percebeu que Paola é uma garota carente de afeto, e por isso é revoltada ? Se você
mostrasse amor por ela, Paola seria uma pessoa doce. Falta diálogo entre vocês.
Os olhos
de Virna brilharam de raiva. Falou com
frieza:
-Alex,
achei-a uma pessoa agradável, simpática, mas isso não lhe dá o direito de
meter-se no relacionamento meu e de minha filha ! Paola tem tudo que quer,
nunca neguei nada à ela, se não sabe disso. Mas ela também tem deveres para
comigo ! Tem que mostrar-se no mínimo agradecida pela boa vida que leva e ter
consideração por mim ! Não me culpe pelo que Paola é : uma rebelde malcriada !
Alex
ergueu-se, encarando-a .
-Você é
uma mulher culta, mas não enxerga um palmo diante de seu nariz, em questão de
relações humanas. Paola precisa é de amor, Virna ! E isso você não dá nem um
pouco.
Virna a
fitou nos olhos, um olhar cheio de suspeita.
-Acho que
você é muito mais do que uma simples amiga de
Paola, Alex. Não sou idiota. Conheço minha filha muito bem, para não
perceber o que se passa com ela. Estou até sendo muito compreensiva, em ficar
calada, sem recriminá-la.
Alex
empalideceu. Não a desmentiu , nem afirmou o que ela disse. Apenas falou, com
voz contida:
-Com
licença. Vou falar com Paola.
E
retirou-se em passos largos.
Virna
ficou olhando-a sair, com os olhos acesos. Agora, tinha certeza de sua suspeita.
Alex era amante de Paola !
Franziu o
cenho, com o sentimento que a assaltou: queria estar no lugar de Paola. Alex
mexia com sua libido, conscientizou-se
que sentia uma enorme atração por ela . Mas isso a deixou revoltada consigo
mesma. Diabos, aquele sentimento não era apropriado à ela, sentir atração por
uma mulher ! Maldita Alex, por que surgira em seu caminho ? Só para
desestruturar sua personalidade ? Tinha que vencer aquele sentimento ridículo !
Graças a Deus, Lorenzo chegaria no dia seguinte. Iria dar-se à ele como nunca,
para matar aquela atração perniciosa .
Tomou
outro gole de vinho, com uma expressão preocupada.
Continua na parte 2
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