Tarde  Demais  para  Esquecer

 

LETH  CROSS

 

PARTE  3

 

 

        Devlin olhou para a paisagem lá fora através das vidraças. Havia chovido a noite inteira e a paisagem estava coberta de uma névoa que tornava o dia mais triste ainda. As árvores estavam sem folhagem, com seus galhos erguidos como braços fantasmagóricos pedindo clemência ao céu.

 

        Depois que ela havia desmaiado no funeral de seu pai, Devlin havia sido encaminhada para casa, onde um médico chamado por Brice havia constatado apenas estresse e alimentação deficiente. Devlin estava refugiada no quarto há dois dias, deprimida com a morte de seu pai e com receio de encarar Elise. Só admitia em seu quarto seu amigo, Victoria e Bertha, que trazia suas refeições. Apesar da insistência de Brice e Vicky para que deixasse o quarto, Devlin se negava, alegando que não queria encontrar com sua madrasta.

 

        Bateram na porta. Ela foi atender e deparou com Brice sorrindo com as mãos nos ombros de Vicky, que segurava uma bandeja com um desjejum reforçado nas mãos pequenas.

 

        -Bom dia, tia Devlin! – Disse ela, alegremente.

 

        -Olá, Brice. Bom dia, Vicky.   Que é isso? Bertha empregou você para entregar o desjejum? – Perguntou Devlin, se inclinando para tomar a pesada bandeja das mãos da menina. Vicky recuou, impedindo a ação.

 

        -Não, eu vou levar para a cama!

 

        -Ok, ok! Pode entrar, mas tenha cuidado para a bandeja não cair! – Concordou Devlin, sorrindo e se afastando para eles entrarem.

        -Eu disse para ela que eu mesmo ia chamá-la para o desjejum, mas essa criança é persistente! – Disse Brice, rindo -  Ela fez questão de lhe trazer o seu desjejum, ela mesma!

 

        -Tudo bem, Brice – Disse Devlin sorrindo, observando a garota e cruzando os braços, recostando-se na porta. Vicky foi até a cama e depositou a bandeja cuidadosamente e a fitou com seriedade no rostinho.

 

        -Coma tudo! Mamãe disse que você desmaiou durante o enterro de meu avô porque não estava comendo direito!

 

        -Oh, ela disse isso? – Perguntou Devlin, sentando na cama e pegando a bandeja e colocando sobre as coxas.

 

        -Sim. E eu não quero que fique doente, tia Devlin, porque gosto de você!

 

        Devlin encarou a garota, comovida, vendo aqueles olhos cheios de afeto.

 

        -Eu também gosto de você, Vicky.

 

        O rostinho da menina se iluminou com um sorriso radioso.

 

        -Verdade? Gosta mesmo de mim?

 

        Devlin pigarreou, tentando desfazer o nó na garganta que a vontade de chorar provocou.

 

        -Verdade, Vicky. Já vi que você é uma boa menina, educada e preocupada com as pessoas. É fácil gostar de você, Vicky.

 

        -Oh, bem que eu disse à minha mãe que ela estava enganada! Que você ia gostar de mim! – Disse a garota, entusiasmada.

 

        -Oh, sua mãe estava enganada em quê, Vicky? – Perguntou Devlin, olhando atenta para Vicky.

 

        Vicky colocou a mão na boca, enrubescendo e baixando os olhos, visivelmente embaraçada.

 

        -Oh, ela... bem... oh, não posso falar...

 

        -Pode falar, Vicky. Não vou ficar zangada.

 

        Ela ergueu os olhos, hesitante. Olhou para Brice, que sorriu sem interferir, e fitou Devlin novamente.

 

        -Verdade? Promete?

 

        -Prometo. Fale.

 

        Ela falou, fitando as mãos:

 

        -Bem... mamãe disse que você não ia gostar de mim. Que não ligava para mim, porque nunca veio em um aniversário meu, nem mandou um cartão ou telefonou.

 

        -Oh. Ela disse a verdade, nunca me comuniquei com vocês, mas eu pensei que se eu tentasse qualquer contato, não seria bem recebido – Disse Devlin, sentindo-se mal em saber o que Elise dissera à filha. Ela devia odiá-la, para falar isso para a filha.

 

        -Oh, tia Devlin, eu quero tanto que você seja amiga de minha mãe e de mim!

 

        Devlin encarou o rostinho com os olhos cheios de afeto e seu coração se encheu de afeto também por aquela garotinha que parecia tanto com Elise.

 

        -Nós já somos amigas, Vicky, eu e você... agora sua mãe, é ela quem vai decidir isso.

 

        -Oh! Eu vou falar com ela agora!

 

        Devlin segurou a garota pelo braço, olhando para Brice, que ouvia tudo com um sorriso divertido, de braços cruzados.

 

        -Ei, calma! Não fale nada! Se ela não tem ódio de mim, ela virá falar comigo sem nenhuma pressão de alguém!Prometa que não contará à ela nossa conversa, Vicky!

 

        Vicky a fitou pensativa e sorriu.

 

        -Está bem. Mas em troca, você tem que ir comigo e Brice passear no no zoológico! Eu adoro ver os ursos polares!Eles são tão bonitos!

 

        -Tudo bem, Vicky. Então, vá colocar um casaco bem quente e botas, porque está frio. Eu vou me vestir e a encontro no salão principal.

 

        Vicky apontou o dedo para ela com ar grave.

 

        -Tá bom, mas primeiro coma! Promete que vai comer?

 

        -Bem... já que você insiste... está bem – Disse Devlin, pegando a xícara de café, ajeitando a bandeja.

 

        Vicky saiu e Devlin tomou um gole do café, fitando Brice.

 

        -Elise deixou ela vir trazer o desjejum para mim?

 

        -Devlin, acho que você está exagerando, pensando que Elise a odeia. Quando você desmaiou na igreja, eu vi o ar de preocupação dela. E ela veio logo perguntar como você estava, após você ser atendida por um médico. Agora, coma! Quero ver você se alimentar direito, ou vou contar a Vicky.

 

        Devlin fez uma careta para o amigo, mas começou a comer, mordiscando uma torrada com geléia. Sem mais comentários, ela tomou todo o café, comeu as torradas e os ovos mexidos. Limpou os lábios com o guardanapo e se ergueu, entregando a bandeja ao amigo, que olhava-a vigilante.

 

        -Pronto. Agora saia, que vou vestir-me. Somos amigos, mas gosto de ter minha privacidade.

 

        -Espero você com Vicky no salão- Disse ele, se retirando.

 

        -Ok.

 

        Ela fechou a porta e foi para o closet escolher uma roupa. Já havia tomado banho e estava apenas de pijama de seda negra e robe, pois não havia planejado sair do quarto. Mas agora estava mais tranqüila com relação à Elise. Ela não parecia estar com ódio dela, como havia temido. Ia sair daquele quarto e ver como ela se comportaria diante de sua presença. Talvez pudessem ao menos se falarem sem o ressentimento que temia ver naqueles olhos.

 

        Vestiu-se com blusa de lã de gola alta, casaco azul escuro e calça preta, completando com botas de cano longo. Perfumou-se, se fitou no espelho e saiu, procurando se mostrar uma pessoa confiante, e não uma mulher que se sentia amedrontada de encarar a mulher que fazia parte de seu passado, a quem amara muito e magoara tanto.

 

        Começou a descer a escadaria que levava ao pavimento térreo e parou , tomada pela emoção.

 

        Elise estava perto da porta de entrada, conversando com Brice, juntamente com Vicky e o noivo dela.  Ela a viu na escada e a fitou  com um olhar indecifrável. Já Vicky sorriu alegremente, já vestida com seu casaco branco com capuz, calcas compridas e botas.

 

        -Tia Devlin! Estou pronta, podemos ir! – Gritou ela, alegremente.

 

        Devlin continuou a descer as escadas, sorrindo para a garota. E forçada pelas regras da educação, deu um polido bom dia, mesmo percebendo o olhar frio do noivo de Elise e a reserva dela :

 

        -Bom dia para todos. Vejo que está animada para o passeio, Vicky.

 

        Elise respondeu com a mesma polidez fria:

 

        -Bom dia.Vejo que já está recuperada, Devlin.

 

        Há quanto tempo não ouvia seu nome dito por aquela voz! Devlin respondeu sem fitá-la, tentando esconder seu sentimento:

 

        -Sim, já estou bem.

 

        Vicky segurou sua mão, fitando-a com evidente afeição.

 

-Tia Devlin, vai ser o primeiro passeio que faço com você!

 

        -Tenha cuidado, Vicky – Disse Elise, com voz baixa.

 

        -Já que ninguém nos apresenta, eu vou me apresentar – Disse o noivo de Elise, estendendo a mão para Devlin – Dennis Campbell. Sou o noivo de Elise.

 

        Devlin o olhou com mais atenção. Era um homem elegante, em seu terno impecável escuro, cabelos negros, olhos azuis, o rosto bem barbeado, com um bigode cuidadosamente aparado sobre a boca de lábios finos. Um homem evidentemente elegante, mas nada simpático. Ela fitou aqueles olhos frios, ouviu o tom agressivo e entendeu. Aquele não era um gesto amigável, e sim de um homem ciumento proclamando a quem Elise pertencia. Ele sabia o que houvera entre elas no passado.E estava mostrando a quem ela pertencia agora.

 

        Ela não apertou a mão dele, fitando-o com um olhar duro, o corpo se empertigando agressivamente.

 

        -Está demarcando território, senhor Campbell, como um cão? Devo dizer que não me assusta nem um pouco.

 

        Ele deu um sorriso sarcástico.

 

        -Não, estava apenas me anunciando. Agora sabe quem sou.

 

        -Vamos parar com essa conversa ridícula! – Disse Elise, vermelha de embaraço e raiva – Venha, Dennis!

         

        Ela o puxou pela mão, se afastando com ele.

 

        Vicky sacudiu a mão de Devlin, pedindo atenção. Devlin a fitou, desviando o olhar do casal que se afastava. Vicky estava bem séria.

 

        -Vamos, tia Devlin. Não ligue para o que  mister Campbell diz. Ele é um chato.

 

        Devlin sorriu para a garotinha.

 

        -Sim, vamos. Não vou ligar para esse sujeito.Vamos, Brice.

 

cd

 

 

        Elise foi com o noivo para a biblioteca e fechou a porta, fitando-o com desgosto, cruzando os braços .

 

        -Dennis, por que teve que fazer aquilo?

 

        Ele a fitou surpreso, se servindo de uísque  de uma das garrafas que se enfileiravam no pequeno bar no canto da sala.

 

        -Fazer o quê?

 

        -Provocar uma cena desagradável. Posso não gostar de Devlin, mas sei que ela está passando maus momentos e não havia necessidade de ser tão acintoso.

 

        Ele tomou um longo trago do uísque escocês e se aproximou dela, parando à um passo.

 

        -Eu apenas me apresentei. Ela quem começou, dizendo que eu estava demarcando território como um cão.

 

        -E não estava ? – Perguntou Elise, fitando-o com olhar crítico – Você se apresentou como se estivesse colocando uma placa de “propriedade  particular” em meu peito! Devlin não é idiota e percebeu!

 

        Ele sorriu, imperturbável.

 

        -Ela entendeu a mensagem. Não me arrependo do que fiz, ela deve saber que você não está mais disponível para os desejos pervertidos dela.

 

        -Dennis... estou profundamente arrependida de ter contado à você sobre minha relação com Devlin. Eu pensei que você fosse ser mais discreto e não fazer provocações desnecessárias. Eu não a amo mais, faz tanto tempo que o que eu sentia por ela acabou!

 

        -O que você sentia acabou, minha querida, mas o que ela sentia acabou? Tenho minhas dúvidas...

 

        -Dennis, não seja bobo! Devlin já teve dezenas de mulheres depois que nos separamos! Eu soube por uma amiga, Devlin não faz esforço para esconder! Ela é uma conquistadora inveterada, usa as mulheres e as descarta!

 

        -Espero que você esteja certa, boneca, porque se não tiver, eu coloco aquela pervertida no lugar dela.

 

        Elise olhou para o noivo com o cenho franzido.Essa faceta do noivo ainda não conhecia. Ele geralmente era um homem afável, de bom  gosto, elegante, com uma  conversa interessante, falando sobre os lugares que conhecia, as pessoas interessantes que eram seus amigos.Mas agora estava mostrando uma faceta que ela não esperava: um homem preconceituoso e provocador.

 

        -Dennis, não sabia que era preconceituoso. Se ela é pervertida, também sou. Eu a amei.

 

        -Mas você se redimiu, se apaixonando por mim. Ela, não. Continua com sua tara por mulheres. Boneca, não sou preconceituoso, me dou bem com esse tipo de gente, mas com ela é diferente, ela está de olho na minha mulher!

 

         -Dennis, vamos parar com isso! – Disse Elise, sentindo a raiva dominá-la -  Não estou gostando nada dessa faceta de sua personalidade, que eu não conhecia! Jamais vou ligar minha vida à de um homem preconceituoso, odeio qualquer preconceito! 

 

        Ele a fitou surpreso e viu que havia errado em colocar o que sentia para fora. Elise tinha que continuar achando-o um homem encantador, porque ela era o seu futuro. Ele havia se arruinado em dívidas de jogo e ela era a rica viúva que o permitiria continuar com sua boa vida. Assim, largou o copo de lado e a tomou entre os braços, falando em tom propositalmente apaixonado e inseguro:

 

        -Desculpe, querida. Tudo que falei foi por ciúme, eu a amo demais e não quero perdê-la. Não sou preconceituoso, tenho vários amigos gays, foi a minha insegurança quem me fez falar essas coisas. Amo-a e não quero perdê-la.

 

        Elise o fitou mais calma.

 

        -Não sei porque esse medo, não confia quando digo que gosto de você? Eu não amo mais Devlin! Eu sinto apenas indiferença por ela! Não tem que se preocupar!Já disse isso várias vezes, Dennis!

 

        Ele a beijou apaixonadamente. Elise procurou corresponder igualmente. Mas em seu íntimo, lá no fundo do seu ser, ela tentava desesperadamente convencer a si própria de suas palavras. Não queria sofrer mais. Devlin havia destruído sua felicidade uma vez e não iria repetir o erro, se deixando encantar pela presença dela. Mas, Deus, estava sendo tão difícil! Ela estava mais linda que nunca, os anos só haviam aumentado sua beleza e charme...

    

         Sentiu o sexo duro de Dennis contra sua coxa.Um agudo sentimento de repulsa a fez interromper o beijo  e se afastar dele.

 

        -Se comporte, isso não é hora para sexo... – Disse, sorrindo forçadamente.

 

        Ele sorriu, acariciando seu rosto.

 

        -Você me deixa louco, Elise. É por isso que quero casar-me logo com você. Quero ter você todos os dias em minha cama. Porque não marcamos a maldita data?

 

        Ela desviou o olhar, olhando para a paisagem através das vidraças.

 

        -Já disse que temos que esperar um pouco. O meu sogro morreu e não seria oportuno um casamento logo após o funeral.

 

        -Está bem, querida. Vou esperar.

 

        Elise cruzou os braços sobre o peito, dando um longo suspiro. Ah, Devlin! Por que não havia ficado longe dali? Por que não ia logo embora? Estava sendo tão difícil ignorar a mulher  havia amado tanto, em sua adolescência! Humm... havia? Estava enganando a si mesma!

       

       

cd

 

Foi uma tarde deliciosa, para Devlin. Victoria era um encanto de criança e haviam se divertido imensamente no zoológico. Seu amigo Brice fazia graças para a menina,que ria .  Haviam visto ao animais que Vicky gostava e ela havia vibrado com o urso polar, o tigre, a pantera negra e os macacos. Para completar, os três foram à lanchonete  do zoo e comeram pizza. Devlin escolheu para beber suco de frutas, Vicky   e Brice refrigerante.

 

Já passavam das duas da tarde quando regressaram para casa. E logo que entraram, Devlin se deparou com Elise e o seu noivo se beijando no salão principal. Devlin empalideceu, vendo aquela cena. Era a primeira vez que via Elise nos braços de alguém, em um beijo. E sentiu uma dor profunda no coração, como se Elise ainda fosse sua e a estivesse traindo.

 

Elise a viu, olhando sobre o ombro de Dennis. Ela empurrou o noivo, que a fitou surpreso e depois seguiu seu olhar e viu Devlin com Vicky e Brice. Seu olhar se estreitou, e ignorou os três, se voltando para Elise e dizendo com voz proposita-damente melosa:

 

-Então, até amanhã, doçura. Venho buscá-la às oito da noite, esteja pronta que o meu amigo gosta de pontualidade.

 

Elise o fitou enrubescida, pouco à vontade sob o olhar gelado de Devlin.

 

-Até amanhã, Dennis.

 

Ele passou por Devlin quase esbarrando nela, enquanto passava a mão pelo rosto de Vicky numa carícia. Ela recuou, fitando-o com desgosto e ele deu uma risadinha.

 

-Cuidado com quem anda, menina.

 

E se afastou, saindo pela porta ainda aberta.

 

Devlin sentiu o sangue ferver com a insinuação, mas conteve-se. Não iria dar ao cafajeste o prazer de ver que ela sentiu o insulto.

 

Vicky olhou para a mãe com reprovação.

 

-Mami, vai sair com mister Campbell amanhã?

 

Elise fitou a filha com o cenho  franzido.

 

-Vou, por que? Ele foi convidado para um jantar e eu vou acompanhá-lo.

 

-Mami, ainda não fez uma semana que meu avô morreu! E vai sair?

 

-Victoria, depois conversaremos sobre isso. Gostou do passeio?

 

O semblante de Vicky se abriu em um sorriso.

 

-Adorei, Mami! Tia Devlin me levou para ver todos os bichos! E depois comemos pizza com coca-cola!E ainda ganhei esse ursinho de pelúccia! – Disse, mostrando o ursinho branco, uma réplica do urso polar que havia no zoo.

 

-Hum. Ótimo. Agora, vá trocar essa roupa com respingos de chuva.

 

-Está bem.Tia Devlin, nos veremos no jantar?

 

Devlin sorriu para a garota.

 

-Sim, Vicky, vou jantar no salão, hoje. Até lá.

 

 Brice pegou Vicky pela mão e se afastou com ela, piscando o olho para Devlin.Ela entendeu e se voltou para Elise, que já se voltava para se retirar.

 

-Elise, posso ter alguns minutos de sua atenção?

 

Ela se voltou e a encarou com expressão neutra.

 

-Deseja falar comigo?

 

-Sim, podemos ir até a biblioteca?

 

-Bem...não sei o que teria que falar comigo, mas está bem.Vamos.

 

E ela se dirigiu para a biblioteca, seguida por Devlin, que sentiu suas mãos tremendo de nervosismo.

 

 

continuará na parte 4

 

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