Rica e Famosa
parte 5
A limousine parou diante do edifício onde Renee morava pontualmente às 20:00 horas. O motorista aguardou, enquanto Karla discava seu celular. Renee atendeu no primeiro toque, com voz nervosa.
-Alô.
Karla sorriu, dizendo com voz sedutora:
-Acabei de chegar, Renee. Quer que eu vá aí em seu apartamento buscá-la?
-Oh, não, eu já vou descer, espere aí mesmo, ok? - Renee disse, apressadamente.
-Tudo bem. Estou aguardando.
Renee desligou o celular e se olhou mais uma vez no espelho do hall. Estava tudo direito. A maquiagem, o cabelo preso, o vestido de seda azul, as sandálias prateadas... então, por que se sentia tão insegura?
Ela saiu e tomou o elevador. Suas mãos tremiam. Sabia que aquele jantar seria sobre qualquer coisa, menos sobre discutir negócios. E havia aceitado! Mas como poderia ter recusado um convite daquela mulher? Renee havia caído pelo charme e beleza da cantora e o desejo de ter Karla nos braços era forte demais para resistir.Queria conhecer Karla intimamente e depois... o que faria depois do desejo saciado? Continuaria com sua vida, como Karla continuaria com suas conquistas. Estava consciente disso. Não iria entregar seu coração à Karla, apenas seu corpo, por uma só vez.
No andar térreo saiu do elevador e caminhou para a saída. Abriu a porta com seu cartão magnético e viu a limousine negra parada diante da portaria. O motorista saiu da limousine e abriu a porta traseira. Karla desceu e a olhou com um sorriso sedutor.
Renee engoliu em sêco, olhando para Karla Wings. Ela estava estonteante em um conjunto Armani de blazer e calça negros.Os cabelos soltos nos ombros brilhando como seda negra, emoldurando aquele rosto belo e atraente.
Karla estendeu as mãos, tomando as suas entre as dela. Levou ambas aos lábios, beijando-as suavemente e a fitando nos olhos.
-Você está estonteantemente linda, Renee - Disse, com sua voz de contralto quente e sexy .
Renee sorriu fracamente, sentindo o tato das mãos macias e quentes. Um arrepio percorreu seu corpo, em reação.
-Você também está muito bem nessa roupa, Karla...
O sorriso de Karla ampliou. Seus olhos brilharam como diamantes.
-Acha? Então, valeu à pena produzir-me para você. Venha, vamos sair daqui.
Renee entrou na limousine, seguida por Karla, que sentou ao seu lado com um sorriso de satisfação. O motorista fechou a porta e logo depois ele deu partida ao veículo.
Renee olhou para Karla, que a fitava como que presa de um encanto.
-Onde vamos?
-Ao Spago. Já reservei a mesa, gosta de lá?
Renee sorriu aprovadoramente.
-O restaurante das celebridades...já estive lá algumas vezes, com agentes de cantores discutindo negócios.
Karla sorriu maliciosamente, fitando-a nos olhos.
-Quer uma taça de champanhe? Ou vinho branco?
-Por enquanto não, estou com estômago vazio. No restaurante, ok?
-Tudo bem... sabe, Renee, eu menti para você. Esse não é um jantar de negócio.
-Oh, não?
Karla pousou a mão sobre a sua, que estava em seu regaço.
-Não... esse jantar é para conhecê-la melhor.
Renee a fitou com malícia.
-Conhecer-me melhor? Fisicamente, ou intelectualmente?
Karla a fitou erguendo as sombracelhas perfeitas. Ela abriu o frigobar da limousine e retirou uma garrafa de champanhe e uma flute. Com habilidade, abriu o champanhe e encheu o flute.Tomou um gole pensativamente, antes de responder, sorrindo:
-Das duas formas seria interessante, sem dúvida. Mas se eu tiver que escolher, prefiro a primeira. E você? Como prefere que eu a conheça?
Renee sorriu maliciosamente.
-Vou responder isso depois do jantar. Agora, prefiro conhecer seu lado intelectual.
Karla fez uma expressão impessoal, como se estivesse dando uma entrevista e falou em tom decorado:
-Bem, vejamos: Nasci em Oklahoma, aos quinze anos fui para Nashville, a terra da música country. Comecei cantando em danceterias, até tornar-me famosa . Agora que tenho dinheiro, posso ler meus autores favoritos, ouvir minhas músicas favoritas , comer em bons restaurantes, vestir o que gosto e ter quem eu quero.
Renee a fitou sem voz. Karla a fitou e começou a rir. Renee a seguiu pouco depois, percebendo que ela havia falado aquelas coisas para ver sua reação.
- Você é impossível, Karla! - Disse Renee, ainda rindo.
-Mas você achou por um momento que eu estava falando sério, não?
-Sim, você foi bem convincente. Agora, fale sério. Fale-me sobre você.
Karla a fitou nos olhos, sorrindo.
-Ok, mas depois você vai contar-me tudo sobre sua vida.
E Karla falou sobre as coisas que gostava e Renee se surpreendeu pela semelhança de coisas que ambas apreciavam. Karla não era uma cantora de rock sem nada na cabeça, como pensava. Ela gostava de ler bons autores, tinha um gosto eclético em música e gostava de cinema, esquiar, velejar e equitação. Tinha um rancho em Montana, onde passava dois meses por ano, no verão.
A chegada no restaurante foi atipicamente tranquila. Renee logo descobriu o motivo, falado por Karla: nessa noite estava acontecendo uma festa de inauguração da casa de Silvester Stalone e a maioria da mídia havia se deslocado para lá, para registrar a chegada dos astros.
O maitre as colocou numa mesa discreta, como Karla havia pedido.Ele trouxe uma garrafa de Don Perignon em um balde de prata e se afastou discretamente, deixando as duas mulheres escolhendo seus pratos no menu.
Renee olhou para Karla, que enchia duas flutes com champanhe.
-O que vai escolher, Karla?
-Lagosta ao Thermidor. E você?
-É uma boa escolha. Vou pedir o mesmo - Disse ela, pousando o menu na mesa.
Karla estendeu uma flute para Renee. Ergueu a sua.
-Que essa seja uma noite inesquecível - brindou.
Renee sorriu, erguendo sua flute e tomando um gole.
-Aposto que já fez esse brinde mais de mil vezes, para uma mulher.
Karla franziu o cenho.
-Por incrível que pareça, nunca fiz. Até então, nenhuma mulher que saiu comigo e foi acabar a noite em minha cama, não valeu esse brinde.
-E por que não? - Perguntou Renee, desacreditando.
Karla a encarou séria.
-Eram mulheres vazias, sem nada além de um belo rosto e um belo corpo.
-E por que acha que sou diferente delas?
-Ah, você é, sem dúvida! Renee, vivo nesse meio do showbusiness há bastante tempo para saber o motivo que leva quase todas as mulheres a cair pelo meu charme.
-E o que seria?
-A curiosidade de saber como Karla Wings é na cama. O orgulho de dizer que me seduziu. O interesse pelos presentes que dou. A esperança de ser ajudada por mim para conseguir ser conhecida e ter oportunidade no meio. Tudo interesse, percebeu?
-Então, acha que apenas esses motivos atraem uma mulher para você? - Renee perguntou, incrédula - Karla, já se olhou em um espelho recentemente?
Karla a fitou de um modo enigmático.
-Está querendo dizer que sou atraente? Oh, eu sei que sou, mas muitas mulheres são e nenhuma vive cercada em todo lugar que vai por homens e mulheres loucos para ter uma boa f**, como eu.
Renee a fitou pensativamente.
-Pode ser... mas acho que está exagerando.
Karla a fitou com desafio.
-Acha que estou exagerando? E se eu provar que não?
-Como?!
Karla olhou em volta. A frequência menos que média, naquela noite. Perto dali, uma bela loura jantava com um belo rapaz, ambos bem vestidos.
-Vê aquele casal? Conhece algum dos dois?
Renee os fitou, curiosa.
-Não. Quem são eles?
-Artistas desconhecidos, esperando uma chance. Eles ocasionalmente frequentam um ambiente em que sabem que estão os grandes nomes do showbusiness e fazem qualquer coisa para serem admitidos no meio das celebridades.
-Oh, Karla! Será? Eles parecem namorados, um casal tão distinto! Eu sei desses tipos oportunistas, mas eles não parecem!
Karla sorriu afetadamente. O casal já havia percebido os olhares das duas mulheres e falavam baixo um com o outro.
-Você vai ver ter a prova do que eu disse.
O maitre veio anotar os pedidos. Karla o encarou com um sorriso malicioso.
-Duas lagostas ao Thermidor e maionese. E diga ao casal ali que a despesa deles é por minha conta, quando acabarem de jantar - Disse, indicando o casal com o queixo.
O maitre sorriu maliciosamente, já conhecendo como terminaria aquele oferecimento.
-Tudo bem, miss Wings. Direi quando acabarem de jantar.
Quando o maitre se afastou, Renee perguntou à Karla, curiosa:
-Por que ele só deve falar ao casal após eles jantarem?
-Porque eles viriam logo agradecer-me e tentar serem convidados para algo mais, e quero jantar sem perturbação, apenas eu e você.
E assim foi. Elas jantaram a deliciosa comida entre taças de champanhe e Renee teve que admitir que Karla sabia encantar uma pessoa, quando queria. Sua conversa era agradável, os sorrisos sedutores e os olhares cheio de promessas. Quando acabaram de comer, Renee viu o maitre ir à mesa do casal e falar discretamente com o rapaz, que logo olhou para elas e falou no ouvido da loura agitadamente. Não custou mais que dois minutos para eles se levantarem e se aproximarem da mesa das duas mulheres com sorrisos de orelha à orelha.
-Aí vem eles - sussurrou Karla - apenas observe.
O rapaz se inclinou, estendendo a mão para Karla, com um sorriso alvar.
-Miss Wings, permita que eu me apresente. Sou Kurt Calloway.
Karla apertou a mão dele brevemente, sorrindo.
-Muito prazer, Kurt. E quem é sua bela acompanhante?
-Oh, essa é minha amiga Maggie Barnes.
Maggie estendeu a mão para Karla, sorridente. Karla a sacudiu e soltou, fazendo um gesto indicando Renee.
-Apresento à vocês Renee Custon.
Renee sorriu para eles, sem estender a mão. Viu o olhar deles em Karla, o interesse brilhando, e não gostou disso nem um pouco. Karla estava certa. Eram uns oportunistas.
-Senhorita Wings, viemos agradecer a grande gentileza de ter pago a nossa despesa - Disse Kurt, jogando um olhar cheio de charme para Karla - Mas estamos curiosos pelo que motivou esse gesto.
Karla o fitou com um sorriso cínico.
-Oh, nada demais, apenas quis homenagear um casal tão bonito como vocês .
-Estou lisongeado, mas Maggie e eu somos apenas amigos - Apressou-se o rapaz a responder - Eu sou livre de qualquer compromisso.
-Oh, então vocês vieram aqui para desfrutar do local, mas estão abertos à uma noite divertida na companhia de alguém? - Perguntou Karla, sorrindo maliciosamente.
Kurt e Maggie se olharam e riram. Ele se voltou para Karla com seu olhar de conquistador.
-Estamos abertos ao que a noite pode nos oferecer de divertido. E duas mulheres lindas como vocês nos interessam como parceiras.
-Sinto informar à você que não gosto de homem, garanhão. Mas sua amiga Maggie é interessante...
Maggie sorriu de orelha à orelha, excitada. Estendeu a mão e pousou sobre a de Karla.
-Nunca estive com uma mulher, mas poderia fazer uma excessão para você, Karla... você é muito atraente...
Karla riu e puxou sua mão, quebrando o contato.
-Obrigada pela oferta, mas já estou com a companhia que desejo. Sugiro que continuem tentando, quem sabe se conseguem uma agradável companhia de fim de noite aqui?
Karla chamou o maitre e pediu a conta. Pagou com seu cartão prateado e se levantou, olhando para Renee, ignorando o casal.
-Vamos?
Renee ergueu-se e olhou para o casal com um ligeiro sorriso.
-Boa noite.
Eles responderam com rostos desapontados e elas saíram. A limousine esperava na porta e elas entraram no veículo. Karla olhou para Renee com espectativa.
-Onde gostaria de terminar a noite?
Renee olhou para Karla pensativamente. Ela estava sendo delicada, deixando-a tomar a decisão. Renee sabia o que desejava agora, principalmente depois de ter visto Karla recusar uma noite de sexo com uma mulher bastante atraente por sua causa. Seu olhar pousou no de Karla e disse sem hesitação:
-Eu desejo ter uma noite com você, Karla. Sem compromisso ou promessas. Pretendo casar-me com Evin e sei que você não se prende a ninguém. Então, podemos ter uma noite de prazer e depois continuarmos nossas vidas sem remorsos ou estarmos feridas. Aceita esses termos?
Karla olhou para Renee com admiração. Ela era a primeira mulher que estava sendo honesta com ela. Não estava adulando-a com elogios, fazendo falsas promessas ou escondendo o que sentia. Mas também sentiu uma incômoda decepção pela franqueza de Renee. Ela não sentia nada mais que desejo por ela. Isso a incomodava mais que queria admitir.
Por que isso a incomodava? Não ia ter o que queria, uma noite de sexo com ela?
Karla sorriu com esse pensamento e rodeou o corpo de Renee com os braços, puxando-a contra seu corpo. Renee a fitou com evidente desejo e isso a excitou.
-Uma oferta como essa é inrecusável, Renee. Eu vou aceitá-la e sei que você não vai se arrepender.A satisfação é garantida - Ela ronroneou, com um olhar sedutor.
E seus lábios se juntaram em um beijo lento, sensual, instigando mais ainda a forte sensação que já percorria seus corpos.
Renee perdeu-se naquele beijo. Era muito mais do que havia imaginado. O que sentia com os macios lábios de Karla contra os seus era muito mais emocionante do que sonhava. Beijando seu noivo não provocava nela aquele desejo de entregar-se, aquele arrepio percorrendo seu corpo, nascendo entre suas pernas, fazendo-a estremecer com um desejo que nunca imaginara sentir, uma emoção que fazia seu coração disparar.
Oh, Deus! - Pensou ela, sugando a língua de Karla, que invadiu sua boca cariciosamente - Estou sentindo coisas que nunca senti! Finalmente, posso sentir o desejo tomando meu corpo!
lllllllllllllllllllllllllllllll
Continua na parte 6
Feedback para: [email protected]