Rica e Famosa

 

 

Parte  6 – Conclusão

 

 

 

                        A limousine parou diante do hotel em que Karla estava hospedada e elas desceram sem contratempos. Já era madrugada e essas horas nenhum fã ou “papparazzi”  teria disposição de ficar ali de tocaia por uma incerta chegada da estrela.Seus seguranças já as esperavam, atentos.

 

            Karla  se dirigiu para o elevador reservado para pessoas vips, seguida por Renee.  O cabineiro já estava à postos e o elevador partiu logo que elas entraram, com dois seguranças.

 

            Renee olhou para Karla tentando não deixar transparecer seu desejo, mas falhando redondamente. Karla percebeu o desejo brilhando naquelas pupilas verdes e sorriu deliciada, pensando que logo a teria nos braços, toda nua. Olhou em seguida para o painel que mostrava os andares  percorridos, impaciente. Respirou aliviada quando o elevador parou e elas saíram já no hall privativo do andar da suite presidencial. Dois seguranças foram vistoriar os aposentos antes dela entrar.

 

            -Isso é necessário? – Perguntou Renee, impaciente para ficar com Karla à sós.

 

            Karla sorriu maliciosamente.

 

            -Certamente. Você não pode imaginar quantas vezes eles encontraram fãs escondidos atrás de cortinas, em armários, esperando por mim. Isso sem contar os “papparazzis”, que subornam os empregados dos hotéis para facilitar sua entrada nos aposentos e conseguir uma foto minha nua ou com alguém.

 

            -Oh... isso deve ser estressante, para você.

 

            Karla deu uma curta risada.

 

            -No começo eu ficava apavorada, mas agora acho divertido. Principalmente se quem me espera escondida é uma bela mulher.

 

            Renee ia fazer uma observação sarcástica, quando os seguranças voltaram.

 

            -Está tudo limpo, senhorita Wings – disse um deles- Se precisar de alguma coisa, estamos no apartamento ao lado.

 

            -Boa noite, rapazes – Disse Karla, fechando a porta atrás deles. Ela voltou-se para Renee e sorriu sedutoramente e disse ronroneando:

 

            -Finalmente sós! Você quer tomar alguma bebida, Renee? Uma taça de champanhe?- Perguntou, aproximando-se com um andar flexível como uma gata. Ela pareceu aos olhos de Renee uma pantera estudando sua presa para atacar. E Renee seria a presa mais disposta para ser devorada.

 

            Karla a tomou nos braços, fitando-a nos olhos. Renee sentiu-se perdida naqueles olhos azuis, à proximidade perturbadora daquele rosto belíssimo, do corpo alto e sensual. Mal podia respirar, sentindo emoções fortes e desconhecidas tomando seu corpo e sua alma.

 

            -Karla... tome-me toda, por favor... – Ouviu sua própria voz dizer, trêmula.

 

            Karla  inclinou sua cabeça, aproximando seus lábios.

 

            -Eu gosto disso... – sussurrou ela – uma vítima bem disposta...

 

            E os lábios cheios e vermelhos se esmagaram contra os de Renee, em um beijo exigente, sensual, sedento.

 

            Renee rodeou o pescoço dela com os braços, sentindo arrepios sacudindo seu corpo, uma pulsação em seu sexo que a enlouquecia. E entregou-se sem restrições ao poderoso sentimento que a fazia esquecer tudo o mais além daquela mulher que a beijava, espremendo o corpo contra o seu que palpitava de desejo.

 

            Entre beijos se despiram e se contemplaram nuas. O olhar de Karla percorreu o corpo de curvas harmoniosas de Renee, os seios firmes, o estômago de musculatura delineada, as coxas e pernas fortes, o púbis de pêlos alourados. Karla respirou fundo, assimilando toda aquela vista deliciosa, sentindo uma emoção forte dominá-la.

 

            -Renee... você é linda... – sussurrou, emocionada.

 

            Renee fitou o corpo perfeito, o rosto belo com uma expressão de desejo, e sentiu   desejo  de devorá-lo com beijos, sentir com suas mãos e boca cada centímetro daquela pele dourada.

 

            -E você é uma deusa, Karla... – Declarou, quase sem voz.

            Karla sorriu sedutoramente e estendeu a mão pegando a sua e caminhando para o dormitório. Parou à beira da imensa cama e pegou Renee pela cintura,  puxando o corpo contra o seu delicadamente.

 

            Renee estremeceu quando seus corpos nus se tocaram. A maciez da pele de uma mulher, o cheiro, era tão diferente de um homem! Era delicioso sentir os seios de Karla, as coxas lisas, o púbis de pêlos sedosos. Karla enfiou uma coxa entre as suas e Renee estremeceu, sentindo o sexo molhado da cantora em sua coxa. Karla beijou-a, movendo o corpo sinuosamente, a coxa deslizando no sexo de Renee, que mostrou o quanto ela estava excitada.

 

            -Tão molhada... – sussurrou Karla em seu ouvido, desprendendo a boca da sua- Diga, você está assim por mim? Você quer ser minha?

 

            -Oh, sim... – gemeu Renee, mordiscando e sugando o ombro largo – Pegue-me...eu quero ser sua agora...

 

            Karla sentou na beira da cama e puxou Renee pela cintura, beijando os biquinhos de seus seios, passando a língua cariciosamente, as mãos descendo pelo corpo em carícias suaves. Renee colocou as mãos na cabeça de Karla, apertando o rosto dela entre seus seios, gemendo de prazer. Aquele contato era maravilhoso.

 

            Karla distribuiu beijos, lambidas e suaves mordidas nos seios de biquinhos já endurecidos, mostrando a excitação de Renee. E Karla ousou mais. Sua mão direita desceu alizando as coxas e se introduziu entre elas, acariciando com as pontas dos dedos o sexo profusamente umidecido. Renee gemeu quando dois dedos avançaram até sua abertura, enquanto o polegar girava cariciosamente em seu botão de prazer, que já estava inchado e pulsando por atenção.

 

            -Oh, não agüento mais! – Gemeu Renee, apertando-se contra a mão de Karla.

            Karla afastou o rosto dos seios de Renee, olhando-a com os olhos semicerrados, em um olhar cheio de luxúria.

 

            -Paciência, querida... mal começamos...

 

            Paciência? Renee não podia ser paciente. Finalmente, pela primeira vez em sua vida, ia conseguir ter um orgasmo com um parceiro sexual! E estava ansiosa para provar essa emoção que sempre havia sido negada à ela.

 

            Renee começou a se mexer contra a mão de Karla, fechando os olhos e atirando a cabeça para trás, gemendo alto. Karla conformou-se com a pressa de Renee e puxou-a para seu colo, fazendo-a sentar em suas coxas com as pernas abertas. Renee rodeou a cintura de Karla com as pernas, apertando-a contra si, movendo-se contra a mão de Karla, que agora se aprofundou em seu sexo. Os dois dedos a penetraram e começaram a se mover no ritmo dela, enquanto Karla sugava seus seios, beijava, mordiscava.

 

            Renee se sentiu como que sacudindo na crista de uma imensa onda, no prazer que sacudiu seu corpo, e então despencar em um abismo de sensações.Ela gritou o nome de Karla, em um êxtase alucinante, que a deixou sem respiração.

 

            Quando se recuperou, estava deitada em cima de Karla, que havia deitado atravessada na cama, abraçando-a pela cintura. Ela a fitou com um olhar malicioso, sorrindo.

 

            -Você está se sentindo bem? – Karla perguntou, com voz sexy.

 

            Renee acariciou o rosto dela, fitando-a apaixonadamente.

 

            -Estou sentindo-me divinamente maravilhosa – Disse, emocionada – Karla, durante anos, até hoje, eu pensava que era uma mulher frígida. Nunca conseguia ter um orgasmo com um parceiro. E hoje você mostrou-me que não sou frígida, apenas não estava fazendo sexo com a pessoa certa.

 

            Karla a fitou gravemente.

 

            -Não está preocupada em descobrir que só tem prazer com uma mulher? Que isso mostra que é uma lésbica?

 

            Renee a beijou na boca com entusiasmo. Depois separou o rosto para fitá-la.

 

            -Karla, isso no meio artístico que vivo é banal. E o importante é que eu seja feliz, ajustada em minha vida sentimental.

 

            -Oh, fico feliz em ouvir isso, minha querida. Porque agora eu quero a minha parte, sem pressa, como você.

 

            -Eu vou fazer tudo para você ter prazer, Karla. É só você ensinar-me.

 

            Karla riu, abraçando-a.

 

            -Oh, Deus, criei um monstro de luxúria!

 

            Elas se beijaram apaixonadamente e dessa vez, Renee tomou a iniciativa, acariciando os seios de Karla. E guiada pelas mãos de Karla, por instruções ditas por uma voz sensualíssima, Renee foi dando prazer à cantora, encantando-se com a reação dela às suas carícias. Karla mexia o corpo sensualmente, os olhos fechados, soltando gemidos profundos com cada carícia de Renee. Seu corpo se arqueou rigidamente, quando ela atingiu o êxtase, dando um profundo gemido, vindo ao encontro do corpo de Renee. E então desabou na cama, respirando entrecortadamente.

 

            Renee a fitou com encantamento. Como ela era linda, com aquela expressão de êxtase na face! E o cheiro do seu corpo, era excitante , fazia-a ficar louca. Estava apaixonada, havia caído sob o fascínio de Karla. Todas suas intenções de não se envolver com ela além de sexo haviam ido para o espaço. Como podia resistir à aquela mulher fascinante? Assustada, percebeu que estava disposta a fazer o que Karla exigisse como condição para ficar com ela. De repente, seu noivado com Evin não significava nada, diante do que estava sentindo por Karla. O problema era saber se Karla se sentia da mesma forma sobre ela.

 

            Karla a puxou contra seu próprio corpo, beijando-a profundamente. E continuaram se amando através da madrugada até que caíram em um sono profundo, exaustas, com os corpos interligados.

 

            O telefone começou a tocar insistentemente às sete da manhã. Karla  gemeu e o atendeu, ainda tonta de sono. Era o serviço do hotel, despertando-a na hora que havia pedido. Agradeceu e desligou, sentando na cama.

 

            Renee a olhou, espreguiçando-se. Havia dormido nua e as cobertas deslizaram, mostrando seus seios perfeitos.

 

            -Já está na hora de levantar? – Perguntou, bocejando.Ela sentou na cama, pegando seu sutian jogado sobre a mesinha de cabeceira e vestindo-o. Evitou os olhos de Karla, com medo que ela visse o quanto estava apaixonada neles.

 

            -Sim, temos que continuar gravando o clipe, esqueceu?

 

            -Oh... sim, claro...

 

            Karla levantou da cama, olhando para as vidraças que mostravam o tempo lá fora. A chuva havia passado e o sol brilhava. Olhou para Renee. Ela parecia constrangida, como se estivesse arrependida da noite que tiveram. Estava evitando seu olhar. O medo de ser repudiada e o seu orgulho fizeram Karla dizer com voz de pouco caso:

 

            -Ei, não fique constrangida pelo que houve... vamos esquecer essa noite e trabalhar como profissionais que somos, ok? Vamos continuar as nossas vidas. Eu e você somos duas pessoas adultas e podemos lidar com isso.

 

            Renee a fitou, procurando esconder sua profunda decepção. Karla não a queria mais. Para ela, apenas havia sido outra mulher em sua cama.

            -Ok. Vamos esquecer essa noite e fazer nosso trabalho – Disse, com voz neutra.

 

            E assim fizeram, até o trabalho ser terminado, uma semana depois. Se falavam apenas profissionalmente, evitando contatos pessoais. Com o clip pronto, Karla deixou a cidade e sua vida continuou como se nada tivesse acontecido.

 

            Mas dentro de cada uma delas, o sofrimento por um amor sufocado continuou martirizando .

 

 

*******************************************************************        

 

                       Elaine Hatts entrou no apartamento do hotel e foi direto para o quarto. Abriu a porta e se viu diante de uma cena que a fez fazer uma careta de desgosto. Nua na cama, Karla estava adormecida entre duas mulheres.

 

            Ela avançou e sacudiu as duas mulheres sem muita paciência. Elas acordaram assustadas.

 

            -Vistam-se e saiam! – Elaine disse entre dentes.

 

            As mulheres não discutiram, vendo o olhar de raiva daquela mulher bem vestida. Se levantaram, pegaram suas roupas espalhadas no chão e correram para o banheiro para se vestir.

 

            Elaine olhou para Karla. Devia estar em um sono de embriaguês. Uma garrafa de uísque estava sobre a mesinha de cabeceira, quase vazia.

 

            Ela esperou as mulheres saírem, para tentar acordar Karla. Quando elas se foram, Elaine sacudiu Karla pelos ombros.

 

            -Karla, acorde!

 

            Karla despertou assustada, se sentando e olhando em volta.

 

            -O quê? Onde estou?

 

            Viu Elaine e a fitou com o cenho franzido.

 

            -Elaine? Onde estou? O que está fazendo aqui?

 

            Elaine a fitou com reprovação.

            -Você está em um motel de terceira categoria, onde dormiu com duas mulheres que conheceu em uma danceteria gay. Ainda bem que seu segurança me ligou. Karla, não vê como isso é perigoso?

 

            Karla se sentou na cama, fitando-a petulantemente.

 

            -Eu sou uma adulta, não preciso de nenhuma babá! E as garotas são caso uma da outra, eu só fiquei vendo elas transando!

 

            -Sei, você é uma garota apenas curiosa, não? Karla, pelo amor de Deus! Você está agindo cada vez pior! Isso é por causa de Renee Custon?

 

            Karla a fitou com os olhos arregalados.

 

            -Por que diz isso?

 

            -Karla, eu a conheço há anos! E vi como mudou desde que conheceu Renee Custon. E os seguranças me contaram que você levou-a para um jantar numa limousine e depois a levou para seu hotel. O que houve? Renee Custon não a quis? Depois dessa noite, vocês começaram a se tratar com excessiva cerimônia, na gravação do clip.

 

            Karla ficou vermelha. Ela ergueu-se.

 

            -Vou despedir todos seguranças. São uns fofoqueiros indiscretos.

 

            -Calma, você sabe que eles amam você, Karla. Eu perguntei e eles me contaram, porque sabem que quero seu bem. Agora, diga-me o que houve.

 

            Karla fitou a amiga. Mais que sua agente, ela era a sua única amiga, em quem confiava tudo. Deixou seu orgulho de lado e falou, com voz sofrida:

 

            -Ela não me quer, Elaine. Ela vai se casar com Evin Phills, ela teve sexo comigo, adorou, mas prefere a segurança de um tradicional casamento.

 

            -Oh, eu sabia que Renee Custon tinha tudo a ver com seu comportamento! Eu vi como você olhava para ela, só um idiota não percebia que você estava apaixonada! E você está enganada. Renee não é mais noiva de Evin Phills.

 

            Karla olhou para Elaine surpresa.

 

            -O que está dizendo?

 

            -O que ouviu, sua boba! Evin Phills está namorando agora a tenista Patricia Hills, todo mundo sabe disso! Não lê mais as revistas?

 

            Karla fitou Elaine nos olhos.

 

            -Bem, isso não muda muita coisa. Se ela me quisesse, teria me contado seu desligamento de Evin.

 

            E Karla foi para o banheiro tomar um banho, fechando a porta atrás de si.

 

 

 

 

DOIS MESES DEPOIS...

 

 

            Depois daquela noite com Karla, Renee havia tentado prosseguir com sua vida anterior. Mas não conseguia. Karla não saía de sua cabeça, não podia nem pensar em ser tocada por Evin. Ela terminou com ele, mesmo com Evin pedindo para ela reconsiderar. Continuaram amigos, felizmente. Evin tinha uma cabeça boa e achou logo uma substituta, com seu charme e  nome tradicional. Mas Renee continuou sozinha, mesmo  sabendo que Karla continuava com suas conquistas, levando cada noite uma mulher diferente para a cama. Sua agente Elaine Hatts havia se tornado sua amiga durante a gravação do clip  e contava tudo a ela,   preocupada com o comportamento destrutivo de Karla.

 

            Naquela noite de outono, Renee havia ido deitar cedo. Estava sem sono e lia um livro quando o interfone tocou e Renee atendeu. A voz inesquecível chegou aos seus ouvidos trêmula e hesitante:

 

            -Renee... sou eu, Karla... posso subir, ou você está acompanhada?

 

            -Karla! É mesmo você? Oh, pode subir! Estou sozinha! – Disse, com o coração aos saltos. O que traria Karla em sua casa, depois de tanto tempo sem se comunicarem? Não ousou ter muita esperança.

 

            -Estou indo, então.Abra a portaria.

 

            Renee apertou o botão abrindo a porta do edifício e correu ao espelho, passando uma escova apressadamente nos cabelos, colocando um robe sobre a camisola. Estava tremendo de ansiedade.

 

            Minutos depois, a campainha da porta tocou e Renee foi abrir. Karla a fitou com um sorriso tímido, vestida com uma capa de chuva branca sobre a roupa.

 

            -Olá... desculpe tirá-la da cama nessa noite chuvosa... – Disse Karla.

 

            Renee afastou-se para ela entrar. Estava tremendo de nervosismo.

 

            -Não tem problema, ia mesmo levantar para fazer um café – mentiu, não querendo parecer tão ansiosa como estava. Fechou a porta e olhou para Karla, que a fitava em silêncio.

 

            -Dê-me a capa, vou pendurar no cabide. Está respingada de chuva.

 

            Karla tirou a capa, entregando à Renee. Estava vestida com uma blusa de lã azul marinho e calça jeans desbotada. Renee pendurou a capa e a fitou com um ligeiro sorriso.

 

            -Venha, vamos até a cozinha. Também aceita um café, ou prefere chá?

 

            -Café está ótimo, obrigada.

 

            Karla a seguiu e recostou na parede, observando Renee preparar o café.

 

            -Pensei que estava com alguém...

 

            Renee a fitou, colocando pó na cafeteira.

 

            -Com alguém?Não. Não tenho me envolvido com ninguém, desde que terminei meu noivado.

 

            -Bem, eu soube que vocês estavam separados por Elaine.

 

            Renee a encarou, procurando não mostrar sua tristeza.

 

            -Terminei com ele um dia após aquela noite que eu e você... dormimos juntas.

 

            -Oh... não sabia desse detalhe... por que fez isso?

 

            -Saber porque  fiz isso mudaria alguma coisa que você pensa, Karla?

 

            Karla hesitou, mas avançou e pousou as mãos trêmulas em seus ombros, fitando-a nos olhos intensamente.

 

            -Oh, Renee! Isso muda tudo! Lembra-se do dia seguinte que dormimos juntas? Eu disse que era melhor esquecermos essa noite e terminar nosso trabalho. Eu fui fria e covarde, porque estava assustada pelo que sentia por você. Tive medo de ser repudiada por você.

 

            -E eu também tive medo de ser totalmente sincera com você por questão de orgulho e medo de ser motivo de riso seu.

 

            Karla fitou-a admirada.

 

            -Motivo de riso meu? Nunca, Renee! Como podia pensar isso?

 

            Renee baixou os olhos.

 

            -Bem, podia achar engraçado uma mulher de vinte e nove anos, noiva e executiva de uma empresa, apaixonada como uma colegial, descobrindo sua sexualidade com uma conquistadora.

 

            -E eu pensei que se eu mostrasse como me sentia, você iria rir de mim, por ter me apaixonado por uma mulher noiva, que só queria ter uma experiência diferente! E levei para a cama um monte de mulheres, tentando esquecer você. Até que hoje tomei uma decisão. Tinha que falar à você tudo que sentia. Mesmo arriscando-me a ser repudiada. E vim. Estava diante do seu prédio há mais de uma hora, na chuva, criando coragem para chamá-la.

 

            Elas se fitaram em silêncio por uns momentos. Então caíram nos braços uma da outra, rindo.

 

            -Nós somos duas idiotas! – Declarou Renee, rindo, acariciando o rosto de Karla.

 

            Karla tomou seu rosto entre as mãos, fitando-a com carinho.

 

            -Shhhhh... discordo, nós somos duas felizardas! É tão difícil um amor como o que sinto por você! Pela primeira vez, uma pessoa é mais importante para mim que minha carreira, dinheiro, fama...eu a amo, Renee Custon!

 

            -E eu a amo, Karla! Acha que conseguirá ser fiel à mim, com tantas mulheres dando em cima de você? Eu não admito traição!

 

            -Amor, depois de você, as outras mulheres são todas iguais, chatas e sem graça!

 

            -Hummm... vou esforçar-me para acreditar...

 

            -Minha querida ciumenta... beije-me, não posso ficar olhando muito tempo para você sem beijá-la.

 

            E seus lábios se encontraram, selando um amor que iria florescer através dos anos.

 

 

EPÍLOGO

           

           

Karla subiu ao palco para receber o seu Grammy de Melhor Cantora, na festa anual. Ela estava  deslumbrante  em  um  top  curto  e  calça         de couro negros, que modelavam seu corpo perfeito.

 

            Ela recebeu o prêmio das mãos de Shakira  e olhou para as câmaras de tv com um sorriso vitorioso.

 

            -Quero dizer que devo esse prêmio aos meus fãs, minha equipe de apoio, e principalmente à uma pessoa maravilhosa, que mudou meu modo de encarar a vida. Essa pessoa fez-me conhecer o verdadeiro amor. E com essa pessoa ao meu lado, estou construindo uma vida de amor e felicidade.

 

            Ela ergueu o troféu e gritou:

 

            -Dedico esse prêmio à você, meu amor! Logo estarei com você para comemorar!

 

            Em casa, olhando a festa pela tv, Renee sorria emocionada. Uma gripe a havia forçado a permanecer em casa, mas logo Karla estaria ali com ela. Pela primeira vez na vida, era completamente feliz, por ter o amor daquela mulher fascinante.

 

            Olhou para a mesa posta. Flores, champanhe, luz de velas. Um cenário perfeito para um perfeito amor.

 

 

Fim

 

 

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