Rica e Famosa
Parte 4
Renee estava sentindo-se frustrada consigo mesma. Havia dado instruções à equipe para a filmagem no dia seguinte e saído. Precisava pensar com calma sobre o ocorrido. Pegou seu BMW na garagem do hotel e saiu sem destino. A imagem de Karla sussurrando aquelas palavras em seu ouvido fez seu corpo estremecer com uma inegável reação de desejo.
Tenho que encarar a realidade - Pensou Renee, tentando ser racional sobre suas novas sensações - Estou atraída físicamente por Karla Wings. Não posso negar isso a mim mesma. E ela me deseja. Então, temos aí uma atração mútua, mas isso não significa nada mais para Karla que uma noite de prazer com uma nova conquista. Ela apenas usa suas conquistas para seu prazer e as descarta. E eu estou comprometida com meu noivo, que é um ótimo partido, um homem culto, inteligente, cavalheiro, atraente, o tipo perfeito para mim. Mesmo que eu não alcance o orgasmo com ele, Phil é cheio de qualidades para ser o marido perfeito. Então, que faço?
Aos poucos, um sorriso brotou em seus lábios. Ela acelerou, excitada.
Karla sempre havia usado as pessoas, não era verdade? Pois agora seria a vez dela ser usada. Karla merecia isso. Karla sabia que ela era noiva e queria destruir sua relação com Phil, mas não conseguiria. Dessa vez, ela havia encontrado uma mulher mais esperta que ela.
**************************
A limousine parou diante do hotel e Karla esperou os seguranças saltarem do carro que seguia a limousine e abrirem a porta para ela, olhando em volta. Ela desceu do carro e foi rodeada pelos seguranças. Havia um grupo de repórteres na porta do hotel, mas os seguranças os afastaram sem muita delicadeza e Karla entrou no hotel sem dificuldade. Ela foi conduzida para o elevador privativo de celebridades e em pouco tempo estava em segurança na suite presidencial, sozinha.
Karla pegou seu celular e ligou para sua agente. No primeiro toque, Elaine Hatts atendeu com voz preocupada.
-Alô, quem é?
-Sou eu, Elaine - Disse Karla, jogando-se no sofá de couro - Renee Custon terminou as filmagens de hoje e vim para o hotel. Onde você está? Eu a procurei antes de sair, mas não a encontrei.
-Eu estava no terraço do hotel tomando um drinque com o gerente. Não a vi sair.
-Ah, tratando de negócios, ou de prazer? - Riu Karla.
-Negócios, Karla - Respondeu a agente cansadamente - Eu estava pedindo mais segurança para você. Aquele monte de repórteres na entrada do hotel quando chegamos foi uma falha de segurança. O gerente devia ter armado um esquema para você entrar sem problemas. É nesses momentos que existe o perigo de um atentado.
-Hummm... sei, mas liguei para avisar que vou sair para me divertir um pouco. Não espere pela minha volta, vou chegar tarde.
-Karla, por Deus! Você vai ter filmagem amanhã! Tem que ir dormir cedo!
-Não se preocupe, estarei à postos amanhã!
-Karla, você não pode...
-Bye, Elaine!
Karla desligou o celular e foi para o banheiro. Tomou uma ducha rápida e vestiu uma blusa de seda creme, calças jeans desbotadas e botas. A tarde estava começando a esfriar e ela pegou um casaco de camurça marron e jogou displicentemente sobre os ombros. Perfumou-se com seu perfume favorito, Obssession, prendeu os cabelos em um rabo de cavalo e colocou lentes de contato marrons . Pronto. Ninguém a reconheceria assim.
Ela avisou seus seguranças de sua saída e saiu.
Foi fácil sair do hotel sem ser notada. Os seguranças a conduziram para uma saída lateral de empregados e ela logo se viu na rua. Karla dispensou os seguranças e pegou um táxi que desembarcava um passageiro. Ela deu o endereço e quase sorriu do olhar surpreso do homem.
-Tem certeza que quer ir nesse lugar, senhorita? - Perguntou o motorista.
Ela se recostou no banco, fitando-o com ar determinado.
-Claro! Conheço bem o lugar! Vamos indo!
-Okay, senhorita.
O local era um conhecido clube de gays com clientes selecionados e só permitia a entrada de sócios ou seus convidados. Em uma de suas numerosas estadias em LA, Karla havia conhecido o clube e se tornara sócia. Era um lugar divertido, onde se podia passar horas agradáveis na piscina tomando drinks, lanchando ou jantando no restaurante, dançando na buate ou fazendo sexo em um dos discretos quartos dotados de todo conforto e luxo para seus seletos sócios.
O táxi a deixou diante da porta do clube e Karla foi admitida digitando seu código em um pequeno painel ao lado da porta, que se abriu automaticamente. Ela entrou e foi saudada por dois seguranças vestidos com ternos impecáveis. Ela respondeu ao cumprimento e se dirigiu para uma mesa de recepção, onde uma recepcionista a recebeu com um cordial sorriso.
-Boa tarde, senhorita! É um prazer tê-la conosco! Por favor, digite sua senha do nosso cartão.
Karla digitou sua senha e a recepcionista consultou o monitor do terminal, que a informou que a sócia nominada Wolf tinha crédito sem limite, o que significava que ela era sócia nível A. O sorriso da recepcionista se acentuou, olhando para a sócia que a fitava com um sorriso divertido.
-Tudo certo, senhorita Wolf - Disse, entregando um cartão eletrônico do clube a Karla, com o qual ela faria as despesas - Espero que passe horas agradáveis em nosso clube.
Karla sorriu para a bonita recepcionista, pegando o cartão.
-Assim espero. Até logo.
Karla foi para o restaurante, que era situado em um luxuriante terraço coberto com vista para a cidade. O maitre veio recebê-la com um sorriso e a conduziu para uma mesa e fez sinal para a garçonete. A moça veio atendê-la e Karla fez seu pedido, escolhendo como bebida um vinho branco. Ela olhou em volta. Havia algumas pessoas no restaurante, mas ainda era cedo para o jantar e por isso estava quase vazio.
Ela estava terminando de comer quando seu olhar caiu em duas louras que conversavam e bebiam numa mesa próxima. Elas eram bem atraentes, vestidas com elegância. Uma delas a fitou e sorriu. Karla sorriu maliciosamente, pensando se as louras eram amantes ou amigas. Ergueu sua taça em um cumprimento e a loura sorriu mais abertamente. A outra, que estava quase de costas para Karla, olhou sobre o ombro para ver quem sua amiga sorria. Karla reconheceu a loura. Era uma cantora que havia estourado recentemente com um sucesso. Ela não devia ter mais que vinte e um anos.
Ela aparentemente aprovou o que via, porque também sorriu para Karla .
Karla não pensou duas vezes. Levantou e foi até a mesa delas, inclinando-se e apoiando as mãos no encosto da cadeira diante delas. Com um sorriso insinuante, ronroneou:
-Aceitam tomar uma taça de champanhe em minha mesa?
As duas louras riram, olhando-a de cima à baixo. A cantora a fitou nos olhos com um sorriso malicioso. Ela tinha um rostinho de boneca, com olhos negros. O macacão vermelho de seda que usava se apegava em suas curvas sensualmente.
-Hummm...nós vamos para a buate do clube. Se quiser nos acompanhar, tudo bem - Disse a cantora - Meu nome é Jean e essa é minha amiga Sandy.
-Meu nome é Melissa - Disse Karla, mentindo seu nome como a cantora fizera- Aceito o convite, quem poderia resistir ao convite de duas louras lindas como vocês?
Elas duas riram. A cantora se ergueu e a fitou com evidente interesse.
-Uau, você é bem alta! Gosto disso. Uma mulher mais alta que eu faz-me sentir dominada.
-Você nem tem idéia de como gosto de dominar, baby - Ronroneou Karla.
A buate estava quase vazia, devido à hora. Mas o DJ estava à postos, colocando músicas dançantes.
Jean e Sandy foram para uma mesa no canto e Karla as seguiu.
-Vocês desejam beber o quê? - Perguntou Karla, com as mãos na cintura.
-Uma coca-cola está bem para mim - Disse Sandy.
-Um martini - Disse Jean.
Karla foi buscar as bebidas no balcão. Quando voltou, Sandy e Jean se beijavam na boca ardentemente. Karla depositou as bebidas sobre a mesa e as fitou com o cenho franzido.
-Acho que estou sobrando aqui. É melhor eu deixá-las à sós -Declarou.
Jean interrompeu o beijo e a puxou pela mão, fazendo-a sentar ao seu lado no banco acolchoado.
-Oh, não, tenho planos para você também...
E Jean a puxou com a mão por trás de sua cabeça, beijando-a faminta na boca. Karla correspondeu depois de se refazer da surpresa. Jean tinha uma boca gostosa de se beijar. E ela foi bem receptiva à sua carícia ousada , quando alisou os seios dela.
Vários beijos e carícias ousadas depois, Jean se separou ofegante e puxou Karla pela mão, erguendo-se.
-Vamos dançar.
Karla olhou para Sandy, receosa dela estar aborrecida por ter sido deixada de lado por Jean. Estendeu a mão para ela.
-Venha também.
Sandy sorriu e ergueu-se, acompanhando as duas. Na pista de dança, Karla começou a mexer sensualmente o corpo na batida da bateria e do baixo, que estrondava nas caixas acústicas.
Jean e Sandy as fitaram mesmerizadas. O corpo de Karla parecia haver se tornado um outro instrumento musical, sem perder uma batida da música, movendo as cadeiras, estremecendo os ombros, fazendo gestos com as mãos, os olhos semi-cerrados com uma expressão sensual, um meio sorriso convidativo nos lábios vermelhos. O corpo perfeito movia-se com tanta sensualidade e graça que elas sentiram desejo de ter aquele corpo nas mãos, tocando-o em todos os lugares.
Elas sabiam dançar muito bem, mas a sensualidade de Karla as faziam pensar que eram crianças dançando em um baile infantil, em comparação à sensualíssima mulher.
As duas louras se fitaram e assentiram. Uma se postou diante de Karla, a outra atrás. Elas aproximaram os corpos, quase tocando no de Karla. Jean deslizou as mãos pelos seios de Karla, acariciantes. Sandy pousou as mãos nas nádegas redondas e duras de Karla, sentindo os músculos se contraindo ao seu toque. Desceu para as coxas fortes e engoliu em sêco, excitada.
Karla ergueu os braços, deixando-se acariciar pelas duas mulheres. Isso era delicioso. Era disso que precisava. Renee Custon que fosse para o inferno!
Ela puxou Jean pelos ombros e a beijou sedenta. Jean estremeceu de desejo e retribuiu ao beijo com ardor, esfregando-se no corpo de Karla. Sandy não quis ficar de fora e mordiscou o lóbulo da orelha de Karla, depois passando a língua cariciosamente. Suas mãos se espalmaram nos seios de Karla, bolinando os bicos sobre a roupa e espremendo o corpo contra as nádegas deliciosas, movendo-se no ritmo da música.
Karla estava sendo o recheio de um sensual sanduíche de mulheres. Isso a estava deixando louca, mas ali não era o local adequado para dar vazão ao seu desejo. Com dificuldade, separou a boca da outra que não queria se desprender e fitou o rosto transtornado de desejo de Jean.
-Que tal irmos para um local mais privado? - Ronroneou Karla, com sua voz rouca- Aqui estamos muito expostas, para o que desejo fazer.
Jean sorriu maliciosamente, lambendo os lábios, fitando sua boca.
-E o que você deseja fazer? - Perguntou, alisando o queixo forte de Karla com o polegar.
Karla rodeou as cinturas das duas louras com os braços e falou sem nenhuma sutileza:
-Um delicioso "menàge à Trois". Prometo que vocês vão gostar.
As duas louras riram e Jean se grudou ao corpo de Karla.
-Hummm, uma proposta irrecusável. Mas vamos ficar mais um pouco, acabamos de chegar.
Foram sentar. Cada uma sentou de um lado de Karla e pousaram suas mãos nas coxas da cantora, acariciando. Karla respirou fundo e tomou um longo gole de cerveja.
Essas duas garotas iam esgotá-la, mas tudo bem. Uma a beijou no pescoço, enquanto a outra sugava sua boca , as mãos acariciando seu corpo cada vez mais ousadamente. Karla fechou os olhos, sentindo uma pulsação entre as pernas rogando por mais contato.
*******************
Karla despertou sobressaltada, olhando em volta confusa, até se localizar. Ela viu as duas louras deitadas em cada lado, completamente nuas, numa pose largada. O cheiro de sexo pairava no ar.
Karla gemeu. Sua cabeça estava explodindo de dor. Maldição, por que havia concordado em beber vinho entre os seios das duas mulheres? E tomar uísque na boca de Jean? Oh, mas havia sido tão bom... aquelas duas louras eram cheias de fogo e haviam atacado seu corpo como se fossem duas panteras famintas. Karla havia comandado as duas, fazendo -as lhe darem prazer simultâneamente e do jeito que quis. Depois havia incitado as duas a fazer sexo diante de seu olhar, enquanto se masturbava. Achava a coisa mais linda duas mulheres fazendo sexo, isso a excitava tremendamente.
Karla olhou para seu relógio de pulso sobre a mesinha de cabeceira. Oito horas da manhã! Já devia estar nas filmagens!
A sua responsabilidade profissional veio com toda força. Ergueu-se com um pulo e correu para o banheiro. Tomou uma ducha rápida e voltou para o quarto, catando suas roupas jogadas pelo chão. Vestiu-se rapidamente. Estava calçando as botas quando Jean abriu os olhos e a fitou sonolentamente.
-Por que tanta pressa? Volte para a cama...
Karla a fitou com um sorriso malicioso.
-Não posso. Tenho que trabalhar.
Jean arregalou os olhos, surpresa.
-Hei! Seus olhos mudaram de cor! Estão azuis!
Karla gemeu, lembrando que havia tirado as lentes para dormir e agora não sabia onde havia colocado. Jean a fitou atentamente.
-Esses olhos... eu já os vi antes... oh, Deus! Agora a reconheci! Você é Karla Wings!
Karla sorriu maliciosamente.
-E você é na verdade Barbara Spritt, não Jean!
Barbara Spritt colocou as mãos no rosto, fitando-a rindo.
-Oh, reconheceu-me também?
-Desde quando nos apresentamos, baby.
Karla acabou de calçar as botas e ergueu-se.
-Bem, tenho que ir. Tenho uma filmagem para fazer, já devia estar lá.
-Está filmando o quê?
-Um clip para uma nova música minha.
-Posso levá-la até o local da filmagem. Vim para cá na minha moto.
Karla a fitou indecisa.
-Não posso esperar, estou atrasada. Vou pegar um táxi.
Barbara deu um pulo da cama. Karla fitou o belo corpo nu.
-Em um momento me visto! Dê-me cinco minutos!
Realmente, em precisos cinco minutos Barbara estava vestida. Ela olhou para Sandy, que dormia à sono solto.
-Vamos deixá-la aí, dormindo. Eu levarei você ao local da filmagem e voltarei para buscá-la. Vamos.
****************************
Renee olhou mais uma vez para o relógio de pulso e respirou fundo, impaciente e preocupada. Já eram 8:30 da manhã e Karla Wings não havia se apresentado para as filmagens. Já havia ligado várias vezes para o celular dela, mas ele estava desligado.
Elaine Hatts a fitou com um sorriso constrangido.
-Ela deve estar à caminho. Não deve demorar mais - Disse, sem convicção.
Renee sorriu sarcásticamente.
-Hum, com certeza, Hatts.
Elas estavam diante do hotel em que haviam filmado no dia anterior. Haviam isolado a área para filmar a saída da Ferrari vermelha com Karla. Depois iriam filmar ela numa freeway ao pôr do sol.Para isso, Karla teria que vestir roupas arrojadas de couro negro, ser maquiada e penteada. E onde estava ela?
O ruído de uma moto veio aos seus ouvidos, irritando-a ainda mais. Odiava o ruído de motos, eram tão barulhentas! E quem andava nelas geralmente eram homens exibicionistas e machistas, pensou irritada. Se Karla fosse homem, seria como um deles.
A moto aproximou-se e foi parada por um policial que ajudava a desviar o trânsito diante do hotel. Renee viu as duas mulheres na moto.A que estava de carona desceu e falou com o policial. Ele sorriu de orelha a orelha e assentiu. A mulher voltou a montar na moto e o veículo cruzou a barreira e se aproximou, parando diante do hotel, bem perto de Renee, que observava tudo de braços cruzados.Ela já sabia quem era a mulher, pelo corpo alto, perfeito e imponente. Quando ela tirou o capacete revelando o rosto, sua suspeita se confirmou. Era Karla, que passou uma mão nos cabelos, ajeitando-os, olhando para Renee com um sorriso cínico.
-Bem, acho que cheguei na hora, não? -Declarou mais que perguntou.
Renee não disse nada. Estava contendo sua raiva e ciúme em ver Karla chegar tarde para as filmagens e ainda acompanhada de uma bela garota. A sua vontade era esbofeteá-la, e a intensidade de seus sentimentos a assustou. Não devia se sentir assim. Karla não era nada dela, apenas uma cliente. Ela era noiva, não era uma lésbica, por Deus!
A garota tirou o capacete e Renee a reconheceu. Era Barbara Spritt, uma nova cantora que estava fazendo muito sucesso entre os adolescentes. Ela mesma não devia ter mais que vinte e um anos. Karla não tinha vergonha?
-Karla, tenho que voltar agora - Disse a garota, sem descer da moto - Aqui está o meu cartão com meu endereço e telefone pessoal. Ligue para mim, para repetirmos a noitada, ok?
Karla pegou o cartão com um sorriso malicioso. Se inclinou e deu um beijo no rosto da garota e afastou-se, piscando um ôlho para a cantora.
-Pode contar com isso, baby.
A garota sorriu e engrenou a marcha da moto, se afastando. Logo sumiu na estrada. Karla então voltou-se para Renee com um sorriso cínico, como se não tivesse acontecido nada entre elas no dia anterior.
-Vamos ao trabalho!
Elaine Hatts aproximou-se de Karla com um olhar reprovador.
-Karla, o que houve? Você desligou seu telefone, impossibilitando qualquer comunicação com você! Nem pude dormir direito, preocupada! Ouça, você pode fazer a loucura que quiser, mas poupe sua amiga! E se tivesse acontecido algo de mal com você?
Karla fitou a amiga e agente com um sorriso divertido.
-Elaine, não sou nenhuma criança! Sei cuidar-me! Vamos, não seja dramática! Só fui divertir-me um pouco. Da próxima vez, vou levar você junto, ok?
Elaine riu nervosamente.
-Jamais, Karla! Definitivamente, não temos o mesmo gosto!
-Você não sabe o que está perdendo - Disse Karla, olhando para Renee.
A produtora e diretora afastou-se, ruborizada.
************************
A filmagem diante do hotel foi realizada em clima tenso. Karla havia notado o mal humor de Renee e estava agora com receio de falar com ela algo além do estritamente necessário. Maldição, não devia ter chegado atrasada! Não devia ter vindo com Barbara Spritt! Havia chutado para o alto suas chances com Renee! Idiota!
-Corta! - Gritou Renee, pela quarta vez, aproximando-se de Karla, que saiu do carro com o cenho franzido. Ela estava de tirar a respiração, naquelas calças colantes de couro negro e top curto, mostando boa parte dos seus seios perfeitos e o estômago de músculos definidos. Mas Renee só via em sua mente Karla beijando Barbara Spritt.
-Karla, você está entrando numa Ferrari último modêlo, indo para um passeio ao pôr do sol! - Disse Renee, impacientemente, gesticulando com as mãos - E não indo para um enterro, como sua expressão está mostrando!
O olhar de Karla cintilou perigosamente.
-Já estou cansada de repetir essa cena! - Rebateu ela, em tom duro - Maldição! É apenas uma cena rápida, eu entrando no carro! O que pensa que estamos fazendo, um filme de arte?
Renee colocou as mãos na cintura e a fitou desafiadoramente.
-Não é um filme de arte, mas é um clip que eu estou produzindo! Tenho uma reputação à zelar, Karla Wings! Se você não se importa com a sua, é problema seu! Se está cansada por causa da noite passada em orgia com uma garota, não tenho culpa!
-Hei! Não admito que se meta em minha vida particular! - Protestou Karla, irritando-se.
-Você deu-me o direito, desde que ela interfere no trabalho que estou fazendo!
-Não sou uma empregada sua, Renee Custon! Sou uma cliente! E estou pagando uma fortuna para a produção desse clip!
-Que será reembolsado pela gravadora! Eu levo meu trabalho à sério, Karla Wings! Mas você não, só pensa em comer garotas que podiam ser sua filha!
Karla avançou, seu rosto quase encostando no de Renee, numa expressão furiosa.
-Eu só tenho trinta anos! - Rosnou - Barbara tem vinte e um! Não tenho idadde para ser mâe dela! E sou muito responsável!
-Não é! Deixou-nos hoje aqui esperando, eu preocupada pensando que alguma coisa de mal havia acontecido! E você chega com aquela piranha motorizada, dando beijinho e combinando outro encontro! - Gritou Renee, enraivecida.
Elas congelaram, se fitando nos olhos, bem de perto.
Renee, apavorada pelas palavras que havia proferido sem pensar. Karla, pelo que viu naqueles olhos verdes e pelo que ouviu ela dizer. Renee estava com ciúmes dela!
Um sorriso se formou nos lábios de Karla. Renee baixou os olhos, enrubescendo como uma adolescente embaraçada.
-Bem... é melhor interromper as filmagens por hoje... - Disse Renee com voz incerta, sem fitar Karla.
Karla colocou o dedo índice sob o queixo de Renee, erguendo-o. Fitou o olhar inseguro de Renee com um sorriso torcido e uma sombracelha erguida.
-Oh não, agora sou eu quem desejo fazer a maldita filmagem. Vamos fazer um trato? Vou filmar sem queixas e você vai sair comigo à noite, para conversarmos sobre as próximas filmagens.
Renee sorriu fracamente, admirando de perto aqueles belíssimos olhos azuis.
-Uh...eu... está bem...
O sorriso de Karla ampliou-se, mostrando os alvos dentes.
-Ótimo! Vou pegá-la em casa às oito horas. Esteja pronta me esperando.
-Sabe onde resido?
Karla passou a ponta do dedo pelo seu rosto, travessamente.
-Sempre sei o que é importante para mim.
Ela afastou-se e se voltou sorrindo, erguendo o dedo apontando para Renee.
-Ah, uma coisa, Renee... não leve seu noivo. É um jantar à dois.
Renee enrubesceu, assentindo.
-Oh, Deus me ajude... - Sussurrou, vendo Karla dirigir-se para a Ferrari.
A filmagem transcorreu maravilhosamente bem, daí em diante. Renee estava nervosa pelo compromisso assumido, mas possuída por uma alegria que não sentia há muito tempo. Olhava para Karla fazendo a cena e suspirava. Karla era tão linda! Não era à toa que as mulheres se deixavam conquistar por ela. Oh, Deus, e ela também havia caído pelo charme da cantora!
Karla olhava para Renee e internamente sorria. Aquela carinha angelical, aquele corpo delicioso seria seu, nem que fosse por uma noite! E com um pouco de sorte, isso iria acontecer essa noite!
lllllllllllllllllllllllll
Continua na parte 5
Feedback para: [email protected]