Renee já havia acionado a produção para providenciar o transporte da equipe de filmagem, os equipamentos, cabelereiro, maquiador,figurantes e tudo o mais. Agora só faltava confirmar com Karla Wings sua chegada à locação.
Digitou o número do telefone e esperou, sentindo seu coração disparar. Maldição, por que se sentia tão ansiosa?
No segundo toque, a conhecida voz de contralto respondeu sonolenta:
-Alô...
Renee sorriu sem notar.
-Karla Wings? Aqui é Renee Custon.
A voz de Karla soou agora totalmente desperta.
-Olá, Renee, a que devo esse prazer?
Renee sentiu que ruborizava.
-Bem, chamei para avisá-la que estamos indo para a primeira locação da filmagem do clip. Sua agente, a srta. Hatts, já a avisou sobre isso, não? Terá de estar no hotel dentro de duas horas.
-Oh, sim... está marcado para eu estar lá às oito horas, não?
-Exato. Telefonei para confirmar...desculpe-me se a despertei, mas...
-Não se desculpe - cortou Karla com voz suave - Foi agradável ser despertada por você. Já vou levantar-me. Não se preocupe, estarei lá pontualmente.
Agora, Renee sentiu seu sangue agitar por todo o corpo. Confundida com sua reação às palavras de Karla, ela se despediu.
-Ahh... nos veremos então no hotel. Até mais tarde, Karla. Bye.
-Bye, Renee.
Renee desligou e respirou fundo. Idiota! - Pensou - Como pode sentir-se assim apenas por falar com Karla no telefone? Nunca se sentira assim, falando com Evin! Parecia uma dessas fãs adolescentes, com uma paixonite pelo seu ídolo!
Assustada com seus sentimentos, ela lembrou da noite anterior com Evin. Ele havia feito tudo para ela atingir o orgasmo, mas ela não havia conseguido. Até que usara o recurso de sempre, fingindo ter um. Era tão fácil enganar um homem nisso! Alguns gemidos, respirar agitadamente, tremer as pernas, e os homens achavam que haviam feito a sua parceira ter um orgasmo. Renee sempre sentia-se culpada por fingir, mas era a solução para não ver Evin magoado por ela não atingir o êxtase com ele. Renee já tivera dois homens em sua vida antes de Evin. As duas relações haviam terminado pelo mesmo motivo: sua frigidez. Ela havia até feito algumas seções de terapia com um psicólogo. Havia abandonado as consultas quando ele havia perguntado se ela se sentia atraída pelo mesmo sexo. Ela, uma lésbica?! Ele era louco! Nunca se sentira atraída por uma mulher! Se sentira insultada com a hipótese que ele havia insinuado.
Quando havia conhecido Evin, resolvera partir para o fingimento do prazer. Não queria fracassar sua relação devido ao sexo. Evin era um homem que tinha tudo que considerava bom para ela: charmoso, fino, inteligente, de uma família tradicional, e a amava. Havia se conformado em não ter prazer no sexo. Ela devia ser uma dessas mulheres frígidas, mas não ia deixar isso novamente provocar o fracasso de sua relação. E a solução era o fingimento. Isso conservava o amor de Evin e era o bastante.
E agora, contra tudo que pensava, estava sentindo coisas por Karla que nunca sentira por alguém. Parecia, pela primeira vez, que seu corpo despertava de um longo sono de inatividade sexual, e seu despertar era faminto, como que querendo recuperar o tempo perdido. Pela primeira vez, só em pensar em alguém, seu corpo reacionava, fazendo-a sentir uma palpitação de desejo entre as pernas.
Renee respirou fundo. Bem, é reconfortante saber que não sou uma mulher frígida, afinal de tudo - pensou - mas também é preocupante perceber que somente uma mulher me provoca essas reações. Isso quer dizer que sou uma lésbica? Não, não pode ser! Eu estou é influenciada pelo olhar de desejo que vi nos olhos dela. Claro, uma mulher que tem uma auréola de sexo em volta, que possui uma vida sexual tão intensa, levou-me a pensar em coisas proibidas...sim, não é nada mais que isso...
Reconfortada com sua auto-análise, Renee sorriu quando a campainha na porta tocou, anunciando a chegada do seu assistente, que veio apanhá-la para ir para a locação.
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Karla chegou ao hotel acompanhada por Elaine e seus seguranças. Seu cenho se franziu quando viu a multidão em frente ao hotel. Olhou para Elaine com olhar aborrecido.
-Como essa gente soube que eu iria chegar aqui?
Elaine a fitou preocupada. Sabia que o humor de Karla breve estaria azedo com a surpresa.
-Não sei, Karla. Mas aposto que a notícia vazou por algum empregado do hotel. A equipe de Renee Custon não iria fazer isso, eles sabem que aglomeração atrapalha o seu serviço.
-Maldição! Aposto que a imprensa está aí! Vão encher-me com perguntas idiotas!
Quando elas desceram do BMW, vários "paparazzi" correram ao encontro delas, tentando se acercar de Karla com microfones e câmeras nas mãos. Os seguranças começaram a agir, formando um círculo em volta de Karla, afastando os repórteres com empurrões.
-Como está sua vida sexual, Karla?
-Karla, seu romance com Patrick Cool é sério?
-Pretende casar-se com Patrick?
-O que que tem a dizer sobre o processo que Patrick está respondendo?
-Você não se importa de saber que seu novo amor é um criminoso?
As perguntas vinham de todo lado. Contrariamente ao que sempre fazia nessa situação, Karla parou e respondeu ao repórter mais próximo, irritada:
-Não tenho nada com Patrick Cool, nem sou siquer amiga dele! Meu romance com ele não passa de boato! - Declarou, com voz irritada.
-Mas, e a foto que tiraram abraçados? - Inquiriu outro repórter.
-Eu simplesmente estava na festa do Grammy próxima à ele. Um fotógrafo pediu que tirássemos uma foto juntos e ele abraçou-me. Isso foi tudo - Respondeu ela, avançando para a porta do hotel.
As perguntas continuaram, mas ela não respondeu mais. Foi com alívio que entrou no hotel e seus seguranças fizeram uma barreira na porta, impedindo a entrada dos repórteres.
Karla olhou para Elaine, furiosa.
-Onde está o gerente? Quero que ele descubra quem avisou à imprensa de minha chegada!
-Calma, Karla, não deixe isso tirar seu bom humor! - Disse Elaine, nervosa - Lembre-se que tem um dia de trabalho pela frente!
-Que se dane a filmagem! Quero saber quem avisou a imprensa! Esse filho da ...
-Bom dia, senhorita Wings! É uma honra tê-la em nosso hotel!
Karla voltou-se para quem a saudava. Seu olhar furioso fez o sorriso do gerente do hotel congelar.
- Você é o gerente? - Perguntou Karla, em tom acusador.
O homem a fitou agora com um sorriso forçado.
-Sim...sou Hugh Maller, e tenho o prazer...
-Corte essa merda, Hugh! - Disse Karla, com frieza - Eu quero saber quem avisou a imprensa que eu viria aqui filmar!
Ele empalideceu, deixando de sorrir.
-Senhorita, eu não tenho a mínima idéia...
Ela aproximou-se dele e colocou o dedo indicador em seu peito, agressivamente, fitando-o com um olhar de aço.
-Então você não sabe o que se passa com seus subordinados? Eu exijo que você descubra quem vazou a informação para a imprensa e puna essa pessoa!
O homem engoliu em sêco.
-Vou fazer o possível, senhorita Wings.
-Apenas o possível não é o bastante! Faça o impossível!
Foi nesse momento que Renee se aproximou de Karla. Ela estava aguardando a chegada da cantora na recepção do hotel sentada numa poltrona, quando viu Karla chegar agitada. Havia hesitado em se aproximar, percebendo o humor da cantora, mas quando viu que ela estava despejando sua raiva no infeliz gerente, resolveu intervir, antes que as coisas se complicassem. Tinham um trabalho a fazer e para isso, tinha que tentar acalmar a temperamental mulher.
Ela colocou uma mão no ombro de Karla. A cantora voltou-se agressivamente, irritada com a intrusão. Seu olhar faiscava de cólera. Mas Renee sorriu docemente, como se estivesse interrompendo uma saudável conversa.
-Olá, Karla. Você é mesmo pontual, chegou na hora.
Karla olhou para Renee e sentiu sua cólera se esvair por encanto. Deus, ela estava linda, mesmo vestida com simplicidade. Uma blusa de seda branca, uma jaqueta de camurça marron sem mangas, calças jeans e botas de cano curto marrons. O lenço verde no pescoço era o detalhe da elegância despojada, combinando com seus olhos.
Karla a havia olhado da cabeça aos pés sem disfarce, sentindo seu cérebro congelar ao fitar aqueles olhos muito verdes.
-Uh, olá... - Disse Karla, sorrindo - Então, cheguei na hora certa, não é?/span>
-Sim, e eu já vou raptá-la para o décimo andar, onde a equipe está aguardando - Disse Renee, passando o braço no seu, levando-a em direção aos elevadores.
Karla não reagiu contra isso, acompanhando-a com um sorriso tonto no rosto.
Elaine finalmente reagiu da surpresa e as seguiu. Se não tivesse visto com seus próprios olhos, não acreditaria. Conhecia Karla muito bem para saber que quando ela estava furiosa, era melhor se afastar dela e esperar a raiva passar. Normalmente, se alguém a interrompesse como Renee Custon fizera, ela não hesitaria em dirigir sua raiva para quem a interrompesse. E ficaria mais enraivecida ainda. Mas Renee Custon havia interrompido-a em um momento de profunda raiva, que despejava na vítima mais próxima, e Karla havia mudado instantâneamente de humor, substituindo sua expressão enraivecida por uma outra de uma dócil garotinha encantada com a visão de um presente! Era incrível! Estava desconhecendo sua amiga! E sentiu até inveja de Renee Custon, que havia realizado esse prodígio.
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Karla chegou ao set da filmagem e olhou em volta. Renee explicou que estavam na suite presidencial do hotel e havia um quarto extra só para Karla trocar de roupa e descansar entre as tomadas de cenas. A equipe técnica já estava à postos, em volta de uma grande cama com lençois de cetim azul claro.
-Veja o storyboard - disse Renee,apontando os desenhos- na cena inicial, você desperta na cama, levanta-se e vai para o banheiro.
Karla colocou as mãos na cintura, sorrindo maliciosamente para Renee.
-Estarei vestindo o que costumo vestir para dormir, ou usarei algo que planejaram?
Renee a fitou confusa.
-O que costuma vestir?
Karla sorriu maliciosamente, debruçando-se para Renee e fitando-a nos olhos. Com a boca perto do ouvido de Renee, sussurrou:
-Nada. É tão bom sentir o cetim dos lençois contra minha pele nua... e se estou acompanhada, melhor ainda.
Renee sentiu um tremor ao sentir a respiração de Karla em seu ouvido e um palpitar entre suas pernas . Recuou ruborizando-se até a raiz dos cabelos, fitando Karla, que sorria satisfeita em ver sua reação. Renee tentou minimizar o efeito das palavras de Karla, sorrindo forçadamente e continuando a falar.
-Você poderá escolher entre três camisolas que trouxemos. Venha, vou apresentá-la ao maquiador e cabeleleiro.
Renee conduziu Karla aos dois homens que a olhavam sorridentes.
-Karla, apresento-lhe Samy, o seu maquiador, e Ray, seu cabeleleiro, durante a produção do clip.
-Oohh, meu Deus, Karla!Sou seu fã desde seu primeiro sucesso!Estou tão emocionado em conhecê-la! - Disse Samy, estendendo a mão com um trejeito afetado. Ele era alto e louro, abertamente gay nas roupas e modos, com aquela voz afeminada e trejeitos. Karla sabia que ele era um excelente maquiador, já havia recebido um Oscar por seu trabalho em um filme.
Karla riu e pegou a mão dele levando aos lábios como se ele fosse uma dama, fingindo beijá-la.
-Olá, Samy... creio que vamos nos dar bem.
-Com certeza, querida!
Ela voltou-se para Ray, um moreno com sorriso alvar, com os cabelos presos em um coque. Percebia-se que ele também era gay, mas bem mais discreto que Samy. Karla apertou a mão dele.
-Oi, Ray...
-É um prazer conhecê-la, Karla... também sou fã de seu trabalho.
Renee a apresentou à figurinista, Nancy. Era uma mulher de cabelos à Chanel, magra e alta, de uns quarenta anos.Ela lhe sorriu com simpatia, sacudindo sua mão.
Renee olhou para Karla e disse com um sorriso:
-Vou deixá-la com Nancy para vestir sua roupa para a filmagem. Tenho que discutir detalhes com o iluminador. Quando estiver pronta, mande avisar, ok?
Karla concordou e seguiu a equipe que ia aprontá-la até um quarto luxuoso, com uma ampla vista da cidade. Havia uma mesa com frutas, queijo e biscoitos. Karla leu o cartão de boas vindas do gerente do hotel com indiferença. Já estava acostumada com isso.
-Há champanhe, sucos e refrigerantes no frigobar - avisou Nancy - Quer alguma coisa?
Karla se sentou numa cadeira alta que a aguardava no centro do quarto.
-Não, vamos começar com minha maquiagem. Quero bem suave.
Renee havia terminado de checar os detalhes da tomada da cena com o fotógrafo e o iluminador. Então, a figurinista veio chamá-la.
-Karla está indecisa sobre a camisola. Pediu para você ir ajudá-la a escolher qual ela deve vestir.
Renee olhou para a figurinista, que a fitava com certa malícia. No meio artístico, a fama de Karla era bem conhecida.
-Oh... tudo bem... já volto em um instante, Jim - Disse ao diretor de fotografia, enquanto se afastava. Foi até o quarto que Karla estava, empurrou a porta e entrou, parando com o coração dando um salto no peito com a visão.
Karla estava vestida apenas com uma tanga preta, deixando metade das nádegas firmes, redondas, douradas, à mostra, além das costas, braços e pernas com musculatura definida, coberta por uma pele aveludada, cor de pêssego maduro. Era um corpo perfeito e atraente, que fez Renee fitá-lo com a garganta subitamente seca, já que a humidade de seu corpo havia se deslocado para outro lugar.
Karla estava de costas para a porta e voltou-se quando ela entrou. Seus olhos estavam semi-cerrados e seus lábios com um sorriso provocante, numa expressão sensualíssima, com as mãos na cintura, numa pose relaxada. Os seios eram perfeitos, de tamanho médio, eretos, dourados, com auréolas e biquinhos rosados. Renee os olhou sentindo sua boca abrir de admiração, pensando que estava vendo uma deusa. Uma valquíria morena saída das lendas teutônicas.
-Reneeee... - ela disse docemente, com uma expressão maliciosa, percebendo seu olhar atontado - pode ajudar-me ?
-Oh... sem dúvida! - Disse Renee aproximando-se, lutando para não olhar mais para o corpo exposto acintosamente - O que posso fazer por você?
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Karla riu e a fitou nos olhos com malícia.
-Muita coisa, doçura, mas por enquanto, ajude-me a escolher a camisola. O que acha? Uso a azul ou a negra?
-Oh... acho que ficará bem em qualquer uma delas... - respondeu Renee, mal conseguindo pensar, com aquele magnífico corpo desnudo perto dela. Podia sentir o perfume que ela usava e pensou que ele tinha uma combinação com o cheiro natural do corpo de Karla que o tornava irresistível.
-Vou colocar as duas e você escolhe...
Renee engoliu em sêco. Oh, tinha que controlar-se e não deixar Karla perceber seu olhar cheio de desejo e ...
Espere aí! Que estava se passando com ela?! Karla era uma mulher! Ela também era uma mulher! Por que estava pensando aquelas coisas, olhando para Karla com segundas intenções? Maldição, aquela mulher a estava fazendo sentir coisas que nunca sentira antes por uma mulher!
Cruzou os braços e forçou um olhar de fria avaliação quando Karla colocou a camisola negra, colocando as mãos na cintura e a fitando com um sorriso malicioso, convidativo e sensual.
-O que acha dessa camisola? -Karla perguntou, com voz profunda.
-Eu.. acho perfeita... combina com a cor de sua pele... - sussurrou Renee, com garganta sêca.
-Ah, veja a azul, acho que combina com os meus olhos... - Disse Karla, tirando a camisola negra e pegando a azul, colocando-a e se voltando para Renee, numa pose provocante. Seus olhos brilhavam com malícia.
-A negra fica melhor - Declarou Renee, pigarreando. Deus, aquela mulher era diabólica! - Vamos agora? Já está maquiada e penteada, não?
Karla sorriu sensualmente, tirando a camisola azul.
-Um momento, Renee. Não quer que eu saia por aí nua, não? Eu não me importo em ficar nua diante de você, mas para sua equipe, é completamente diferente.
Renee ficou olhando-a vestir a camisola, procurando olhá-la com a naturalidade que sempre observara uma mulher despida, o que era comum em sua profissão.Inúmeras vezes olhara as modelos trocarem de roupa na sua frente, e nunca se sentira constrangida ou perturbada. Mas olhar Karla quase nua a perturbava de uma maneira inconcebível. Sentia atração, desejo, vontade de tocar aquele corpo magnífico com suas mãos, boca e outras partes mais íntimas.
Karla a fitou sorrindo maliciosamente.
-Vamos?
Oh, Deus me ajude, pensou Renee.
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As primeiras tomadas foram feitas sem problemas. Karla era muito fotogênica e desinibida diante das câmeras, agindo com naturalidade e aceitando a direção de Renee sem discutir. As tomadas de Karla acordando na cama e tomando banho na Jacuzzi foram feitas em cinco horas, o que era muito produtivo para um dia de trabalho. Renee era perfeccionista e cada cena era repetida várias vezes, até ela se dar por satisfeita.
-Corta! - Disse ela, mais uma vez, olhando para Karla na banheira de espuma - Dessa vez, estava perfeita, Karla.
Karla ergueu-se da banheira, apenas vestida com a parte inferior de um biquini. A assistente de produção lhe estendeu um roupão e Karla o vestiu sobre o corpo ensaboado, sorrindo para Renee. Karla saiu da banheira segurando na mão que Renee estendeu e sentou na borda, enxugando os pés numa toalha que a assistente ofereceu. Descalça, afastou-se ao lado de Renee, que foi até a janela olhar para o tempo lá fora. Parou ao lado dela e perguntou sorrindo:
-Bem, agora vamos ter uma pausa para o almoço, não?
Renee retribuiu o sorriso e olhou para seu relógio de pulso.
-São três horas da tarde. Não vamos ter iluminação natural por tempo suficiente para rodar as outras duas cenas externas, depois de deslocar os equipamentos para o exterior do hotel. Teremos que fazer isso amanhã.
Karla fitou Renee com um sorriso torcido.
-Então, temos o resto da tarde livre. Está convidada a almoçar comigo. Poderemos discutir as cenas do clipe e outras coisas mais agradáveis... - Disse ela, com sua voz baixando a um ronroneo.
Renee percebeu as intenções ocultas no convite. Estava claro no tom de voz de Karla, no olhar sedutor que desceu pelo corpo dela sem disfarce, na sua proximidade excessiva. Karla havia se aproximado de Renee tanto, que seus corpos quase se tocavam. Renee podia sentir o cheiro do corpo de Karla assautando seus sentidos, provocando uma pulsação inequívoca entre suas pernas.
Seu corpo reagia à aquela proximidade, despertando seu desejo com uma intensidade que não sabia poder sentir. Mas seu lado racional se rebelou. Então, era tão simples assim? Karla mal conhecia alguém e na primeira oportunidade jogava seu convite, sem nenhuma sutileza, sem nenhuma preparação, como se as pessoas por quem se interessasse sexualmente não pudessem resistir à oportunidade única de dar prazer à convencida mulher?
Renee colocou a mão no meio do peito de Karla, afastando-a e a fitando com um olhar frio.
-Você está invadindo meu espaço e detesto isso - Disse, friamente - Não misturo negócio com prazer, Karla. E com uma mulher, menos ainda.
Karla sorriu com cinismo, sem se alterar.
-Oh, mas você mistura prazer com negócio, sim. A não ser que não tenha nenhum prazer com seu noivo querido, que é também seu sócio na firma.
Renee sentiu seu rosto queimar. Fitou Karla indignada. Mas não podia se deixar levar pelo seu gênio. Tinha que trabalhar estreitamente com Karla por vários dias e seria um inferno se estivessem brigadas. Engoliu em seco e rebateu:
-Caso não saiba, amo meu noivo e pretendo casar-me com ele, senhorita Wings. Eu e você nos conhecemos há dois dias, numa relação de trabalho.Vamos continuar assim, ok?
Karla a fitou atrevidamente, com um sorriso irônico, as mãos na cintura.
-O que tem amor a ver com meu convite? Estou atraída por você, você também está por mim, podemos ter uma tarde agradável de paixão, depois você volta tranquilamente para os braços de seu noivo.
Renee a fitou enraivecida. O cinismo de Karla a estava fazendo perder sua calma.
-Quem disse que estou atraída por você? - Replicou, em tom ofendido - Pelo que sei, até o momento nunca dei motivo para que achassem que gosto de mulher.!
Karla sorriu entrecerrando seus olhos, sem parar de fitá-la.
-Seus olhos, Renee.
-Meus olhos, o quê?
-Eles revelam o que sente. Vi como olhou-me quando a chamei para ajudar a escolher a camisola. Seu olhar me devorava! Então, não negue o que sente. Seja honesta com você mesma e aceite meu convite. Você não se arrependerá. Terá o seu prazer e seu noivo não precisará saber nada.
A voz de Karla havia baixado a um ronroneo sensual. Ela havia se inclinado e falara tudo no ouvido de Renee, que a ouvira sentindo desencontradas emoções de desejo e raiva.
Karla afastou-se e a fitou sorrindo.
-Então? Aceita meu convite?
Renee a encarou.
-Quer saber de uma coisa? Você é ridícula! - Declarou afastando-se, caminhando para a porta e saindo, batendo-a atrás ruidosamente.
Karla olhou para o pessoal da equipe de filmagem, com ar culpado.
-Ei, eu não disse nada demais!
llllllllllllllllllllllllllll
Continua na parte 4
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