PRIMA DONNA

 

PARTE 6

 

 

        A última apresentação da ópera La Traviata encerrou-se com grande sucesso de crítica e público, no Metropolitan Opera House. A crítica era unânime em dizer que Gina Verlaine estava no apogeu de sua carreira, fazendo uma Violetta Valèry irretocável, com alta carga dramática e virtuosismo vocal.

 

         O público havia acorrido ao teatro com grande entusiasmo, as bilheterias esgotaram as entradas e os cambistas venderam entradas a preços extorsivos, lotando o teatro em todas as apresentações , que terminavam com aplausos delirantes. Os jornais estampavam nas colunas especializadas a foto de Gina  com fartos elogios.

 

“Ela conseguiu ser mais perfeita Violetta que Callas e Kiri te Kanawa”, disse o New York Times. O Herald chegou a dizer que “o fascínio  e beleza que a soprano emprestava à personagem lhe dava um fulgor que nenhuma outra conseguira, só encontrando uma intérprete com fascínio  similar em  Greta Garbo, com quem Gina Verlaine se assemelhava em sua vida pessoal, também envolvida em mistério como da antiga diva do cinema.

 

         Faziam reservas à performance do tenor, ofuscado pelo brilho da soprano. E terminavam  elogiando a direção da orquestra pelo maestro Vonsky, brilhante como sempre.

 

         Petrouska, com o jornal nas mãos, olhava enlevada para a foto de Gina, sentindo um orgulho secreto por ter   aquela mulher tão desejada e admirada. Tinha mesmo muita sorte, pensou.

 

         Estavam vivendo um tórrido romance há quinze dias. E haviam sido quinze dias de sexo e amor delirantes, com ela se entregando à Gina totalmente, satisfazendo cada desejo da bela mulher, por mais escabroso que fosse.A descoberta dos prazeres do sexo com a mulher que amava intensamente fazia Petrouska ficar nas nuvens.

 

Como Gina combinara, nos dias de apresentação da ópera, Petrouska a esperava depois do espetáculo na casa  que ela alugara em Statten Island. Para o pai, dizia que saía com Douglas e iria chegar tarde. Seu pai gostava do rapaz e estava envolvido em convites para festas e entrevistas, então sua atenção estava desviada dela e a deixava ter essa liberdade. O ruim era Petrouska ter que madrugar chegando no hotel, antes do pai acordar. Nos dias que não havia apresentação, Petrouska saía do hotel depois do café da manhã e passava o dia com Gina, sabendo que o pai estava envolvido com amigos planejando novos projetos.

 

 Seu pai estava sendo enganado, mas Petrouska fazia isso sem nenhum remorso. Não podia dizer à ele que estava encontrando-se com Gina, pois ele iria achar estranho essa súbita amizade, e seu pai poderia querer usá-la para se aproximar de Gina.

 

E Douglas? Na verdade, depois dele ficar dias enviando flores para ela e ligar sem ser atendido, desistira  .

 

Petrouska não se importava mais com nada que não fossem as horas que passava com Gina. E agora queria ter sua independência para amar livremente. E já estava se preparando para isso. Agora que a ópera encerrara sua apresentação, iria desligar-se da orquestra e de seu pai. Pretendia ir com Gina para Paris, onde a soprano tinha residência fixa. Começaria sua vida como pintora e viveriam juntas, desfrutando do amor que as unia. Estava muito apaixonada por Gina e essa perspectiva de vida com ela a enchia de felicidade.

 

 Ah, o primeiro amor! Tudo parece perfeito, em nuvens cor de rosa, a pessoa amada sem defeitos... o primeiro amor é mágico, intenso, extremo, impetuoso, ingênuo... e Petrouska não era exceção. Ela sentia tudo isso com Gina, que agora era o centro de sua vida.

 

Olhou para seu relógio de pulso. Seu pai estava demorando a acordar. Queria resolver aquela situação logo para ir ao encontro de Gina. Já havia mandado descer sua bagagem, agora era só falar com seu pai e ir embora. Deixara para falar com ele na última hora, por que sabia que ele iria fazer tudo para impedir sua decisão. 

 

 Finalmente ele apareceu na sala, com seu robe de seda azul escuro, barbeado e os cabelos ainda úmidos pelo banho. Ele a fitou surpreso, ao vê-la completamente vestida e com a capa  de chuva ao lado.

 

-Já de pé?! Isso é inédito, às sete da manhã! E vai sair? – Disse ele.

 

Ela o encarou calmamente, de braços cruzados. Mas por dentro, tremia.Era um passo que ia dar que iria mudar sua vida.

 

-Bom dia, pai, preciso conversar com você .

 

-Conversar? Deve ser algo muito importante, para tirá-la da cama tão cedo!

 

-E é, pai. Lembra-se do que combinamos? Assim que a ópera encerrasse suas apresentações, eu me desligaria da orquestra para dedicar-me à vida que quero realmente.

 

-Bem, podemos conversar sobre isso com calma, vamos primeiro tomar o desjejum...

 

-Não estou com tempo para isso, pai. Hoje mesmo vou viajar para Paris, vou viver lá na casa de uma amiga, para estudar pintura e trabalhar. 

 

Ele a fitou com incredulidade.

 

-Vai para Paris?! Assim, de repente? Enlouqueceu?!

 

Petrouska respirou fundo, preparando-se para uma discussão.

 

-Não é uma decisão repentina. Foi planejada.Não disse nada ao senhor porque estava muito absolvido pela regência de La Traviata. Não iria ter serenidade para entender minha decisão.

 

Ele deu um soco na mesa, fitando-a irado. [LC1] 

 

-Não aprovo isso! Como pôde tomar uma decisão como essa sem consultar-me?!

 

-Estou cansada de ter minha vida dirigida por você, pai!Sou agora uma pessoa adulta e sei o que é melhor para mim! Ouça, não estou pedindo permissão, estou comunicando! Se não concorda comigo, paciência! Vou hoje para Paris e de hoje em diante, vou seguir minha vida como eu achar melhor. Vou fazer o que sempre quis, estudar e ser uma pintora.

 

Ele a fitou vermelho de raiva.

 

-Se fizer isso, não vou querer ver seu rosto nunca mais diante de mim! Vou esquecer que tinha uma filha!

 

Petrouka se ergueu e pegou sua capa. Fitou o pai calmamente.

 

-Lamento, pai. Lamento muito. Mas não vou mudar minha decisão por  causa de suas ameaças. Adeus, então.

 

          -Vá, filha ingrata! E depois não volte, quando se der mal! Será tarde!  - Gritou ele, apontando a porta.

 

         Ela o encarou em silêncio e saiu, batendo a porta atrás dela. Na recepção, fez questão de pagar sua conta. Tomou um táxi e foi para a casa de Gina.

 

         Estava triste com a forma com que havia se separado do pai.Mas já esperava que ele recebesse mal a sua decisão. O grande maestro não admitiria que alguém o contrariasse, muito menos sua filha.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              

         Gina abriu a porta, fitando-a ansiosa. Afastou-se  e Petrouska entrou, depositando as duas malas no chão.

 

         -E então? – Perguntou, voltando-se depois de fechar a porta – Como foi a conversa, Petrouska? Ele aceitou sua decisão?

 

         Petrouska sorriu fracamente.

 

         -Ele ficou furioso, como eu esperava. Disse que não me aceitará de volta, quando eu me der mal.

 

         Gina avançou e a tomou nos braços apertadamente.

 

         -Oh, querida...não queria que fosse assim. Vonsky é tão autoritário e duro!

 

         Petrouska se apertou contra o corpo dela, sentindo a deliciosa fragrância da colônia que ela usava.

 

         -Não tem importância.O que importa é que vamos ficar juntas, meu amor – Disse Petrouska, afastando-se para fitá-la.

 

         Gina acariciou seu rosto, fitando-a amorosamente.

 

         -Eu sei que você está triste, Petrouska. Não adianta disfarçar, sei que apesar de tudo, você ama seu pai. Mas quero que saiba que sempre estarei ao seu lado, incentivando-a a prosseguir na vida que escolheu. Talvez com o tempo, Vonsky volte atrás do que disse.

 

         -Não acho, conheço-o bem. Meu pai nunca volta atrás de uma decisão tomada. Mas tenho que superar isso, Gina. Eu amo meu pai, mas não agüento mais ficar sob seu tacão. Eu preciso ter liberdade para viver a vida do jeito que quero. E eu quero viver perto de você, Gina.

         Gina tomou seu rosto entre as mãos, fitando seus olhos.

 

         -Eu a quero tanto, Petrouska... desejo-a, amo-a... sei que está triste por causa de seu pai e entendo, mas não posso negar que estou feliz por você estar aqui comigo...e quero muito fazer amor com você. Você quer também, Petrouska? Quer ser minha agora?

 

         Petrouska sentiu um arrepio de prazer correr pelo seu corpo, ao ouvir aquela voz rouca, sexy, sussurrando, perguntando. Fitou-a, admirando aqueles olhos magníficos, a boca perto da sua, e não resistiu. Rodeou o pescoço dela com os braços e beijou-a avidamente, querendo que Gina a possuísse, que a deixasse possuí-la, numa entrega louca.

 

         Gina sentiu a entrega de Petrouska no beijo que trocavam, no corpo se espremendo contra o seu. E o desejo a fez ficar impaciente para ter aquela garota deliciosa.

 

         Com gestos bruscos e impacientes, sem deixar de beijar Petrouska, abriu o fecho da calça dela, colocou os polegares no cós da calça e a desceu, juntamente com a calcinha, até o meio das coxas. Um braço rodeou a cintura de Petrouska, o outro desceu a mão acariciando o ventre da garota lentamente com as pontas dos dedos, brincou com os cabelos alourados do púbis e dois dedos  penetraram na vulva quente e molhada de excitação.

 

         Petrouska gemeu dentro de sua boca e abriu ligeiramente as pernas. Gina afastou a boca e a fitou com olhar cheio de desejo.

 

         -Abra mais as pernas, Pet... – Sussurrou, os dedos tocando o clitóris de Petrouska – Oh, como você já está molhada... é assim que eu a quero...

 

 

         Gina empurrou Petrouska para cima de uma poltrona e falou com voz autoritária:

 

         -Sente aí... com as  pernas bem abertas... e se masturbe para eu ver.

 

         Petrouska enrubesceu intensamente ao pedido, mas já havia percebido que Gina adorava comandar o ato sexual mais que se entregar, e gostava que ela a obedecesse sem protestar. Assim, procurando dominar sua vergonha, sentou na poltrona e abriu as pernas, levando a mão ao sexo, começando a tocar-se.

 

         Gina a fitou com um olhar libidinoso, passando a língua pelos lábios, começando a se despir, fitando fixamente sua mão se movendo no sexo.

 

         -Hummm... que delícia ver você fazer isso, Pet...abra bem o sexo com a outra mão...isso... boline seu clitóris devagar...

 

         Petrouska soltou um gemido, obedecendo a Gina, excitadíssima, vendo a bela mulher ficar completamente nua. Ela tinha o corpo de uma deusa.

 

         Gina se aproximou e parou diante dela, fitando-a com fome no olhar. Colocou um pé no sofá, aproximando seu sexo do rosto de Petrouska. Enterrou as mãos em seus cabelos, puxando o rosto contra seu sexo, até a boca de Petrouska estar à um centímetro dele.

 

         -Chupe-me toda, Pet...eu quero gozar em sua boca assim, com você se masturbando...

 

         Petrouska não esperou segunda ordem. Aquele sexo com cheiro de desejo ali perto de sua boca a estava enlouquecendo.Tomou o sexo de Gina em sua boca, sugando-o com força, enquanto  com sua mão se masturbava freneticamente.  

 

         Gina gemeu alto, apertando o sexo contra sua boca, se movendo sensualmente.

 

         -Oh, que boca, Pet! Deliciosa... como você sabe usar essa língua...

 

         Ela aumentou aos poucos a velocidade de seus quadris e sua respiração se tornou ofegante. Quando ela atingiu o orgasmo, apertou-se contra a boca de Petrouska, fechando os olhos e dando um grito abafado, jogando a cabeça para trás.

 

         Petrouska aumentou a velocidade de seus dedos no sexo, e em pouco tempo seu corpo se contraiu em um intenso orgasmo, fazendo-a apertar a boca contra o sexo de Gina, sugando-a com loucura.

 

         Afastou a boca, fitando Gina, que desabou ajoelhada no chão, ofegando. Ela abriu lentamente os olhos, fitando Petrouska com um sorriso malicioso.

 

         -Foi sensacional, Pet... – suspirou – Mas agora quero você na minha cama...prontinha para ser minha.

 

         Se ergueu com pernas instáveis e puxou Petrouska pela mão.

 

         -Venha...agora vou  devorar você, chapeuzinho vermelho...

 

         Petrouska riu, se erguendo.

 

         -Com um lobo mau como você, toda chapeuzinho vermelho faz o que o lobo quer.

 

         Gina riu, passando o braço pela cintura de Petrouska e foram para o quarto.

 

lllllllllllllllllllllllllllllllllllllllll

 

                  Três horas depois, Petrouka afastou-se de Gina, a boca inchada de beijos, o corpo suado e cansado de uma intensa maratona sexual.

 

         -Chega... – Ofegou – Não agüento mais,  estou exausta, suada, precisando de um banho e descansar...

 

         Gina riu, voltando-se para ela e apoiando o rosto na mão.

 

         -Pet, até parece que você quem é a mais velha de nós duas...eu estou pronta ainda para mais.

 

         -Oh, meu  Deus! Você não é normal! – Gemeu Petrouska, fitando-a e abraçando o travesseiro – Eu estou esgotada! E você diz que está pronta para mais?

 

         Gina deu uma gargalhada, se erguendo da cama. Puxou Petrouska pela mão.

 

         -Calma, Pet! Venha, vamos tomar um banho... lembre-se que vamos viajar hoje para Paris. Vamos só tomar banho, ok?

 

         -Tudo bem – Disse Pertouka, a seguindo.

 

         O banho se tornou uma orgia sexual. Gina sabia provocar o desejo de Petrouska e  a despeito do cansaço, ela não podia negar nada ao seu amor, porque também a desejava com todo seu ser.

 

         Duas horas depois, deitadas na cama com Petrouska nos braços de Gina, conversavam entre troca de beijos. Gina a fitou apaixonadamente.

 

         -Pet... sabe, vou chamá-la sempre assim... se sou a primeira a chamá-la desse diminutivo do seu nome.

 

         Petrouska sorriu, fitando-a nos olhos.

 

         -Adoro esse diminutivo de meu nome, Gina.Não, nunca alguém me chamou assim. Meu pai foi muito formal em minha educação, para chamar-me de diminutivos de meu nome. E nunca tive amigos que tivessem essa intimidade comigo.

 

Gina a fitou surpresa.

 

-Não tem amigas? Nem uma?

 

-Não. Sempre vivi controlada por meu pai e ele achava que amigos iriam me distrair de meus objetivos, como a música erudita.

 

-Oh!... Pobre Pet...Que vida! Eu não agüentaria um dia sequer! Sou muito independente, para aturar ser controlada. Meus pais me davam completa liberdade.

 

-Como era sua vida antes de ser famosa, Gina? Conte-me, estou curiosa.

 

Gina a fitou com um  de seus famosos sorrisos  enigmáticos.

 

-Quer saber de minha vida para conhecer-me melhor? Não tem nada demais. Tive uma infância normal.

 

-Deve ter fatos interessantes. Como descobriu que gostava de mulher?

 

Os olhos de Gina ficaram sombrios. O sorriso morreu.

 

-Um dia contarei.

 

-Conte-me agora!

 

Gina olhou para o relógio de cabeceira.

 

-Está chegando a hora de ir para o aeroporto. Precisamos nos vestir.

 

Os olhos de Petrouska a fitaram com mágoa.

 

-Você não confia em mim.Por isso não quer contar-me sua vida.

 

Gina a fitou  com ar aborrecido.

 

-Não diga tolices, Petrouska.Se não confiasse em você, jamais teria revelado o que sou.

 

-Mas então, por que não me diz nada sobre você?

 

Gina ergueu-se da cama e a fitou com as mãos na cintura, o cenho franzido. Petrouska não pôde deixar de admirar o corpo esguio de curvas harmoniosas, a pele perfeita, acetinada, os seios firmes de auréolas rosa-mauve, as coxas fortes e longas.

 

-Vamos nos vestir, Petrouska. Está se tornando irritante, com essa insistência.

 

Petrouska ergueu-se sem olhá-la. Estava magoada pelas palavras de Gina e a atitude, ignorando suas perguntas como se ela fosse indigna de saber coisas de sua vida particular, colocando uma barreira entre elas.

 

Gina a fitou em silêncio e aproximou-se, tomando seu rosto entre as mãos, fazendo-a fitá-la nos olhos.

 

-Pet, minha criança! Não percebe que estou apaixonada por você? Não duvide de meu amor, Pet!Para tudo, há um momento próprio.Não quero falar hoje, mas isso não quer dizer que nunca lhe contarei minha vida.Saiba esperar.

 

Petrouska viu naqueles olhos uma paixão tão evidente, que se acalmou e a abraçou emocionada.

 

-Tudo bem, Gina. Vou esperar. Tem razão, há tempo para isso.

 

Beijaram-se ardentemente e foram se vestir para a viagem. Uma hora depois, seguiram para o aeroporto. Gina conseguiu embarcar sem ser reconhecida e uma hora depois, ela já estavam voando rumo à Paris, com Petrouska sentindo-se extremamente feliz. Iria viver com a mulher que amava. Havia felicidade maior?

 

        

 

         Continua na parte 7

        

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