PAIXÃO  PROIBIDA

 

 

PARTE  6

 

         Três dias se passaram. Adrian sentia-se bem com a companhia de Laureen, mas não esquecia Myrian.Principalmente durante a noite, quando ia dormir e ficava pensando nela.

 

         Laureen era uma mulher atraente, e com ótimo senso de humor, mas Adrian não tinha coragem de tomar uma atitude para levá-la para a cama. Ela estava envolvida com um homem e talvez não recebesse bem uma cantada sua e poderia ir embora, deixando-a sozinha. Era melhor conter seu instinto e ter uma companhia agradável como ela.

 

         Elas esquiavam, conversavam ao pé da lareira, bebendo e ouvindo música. Jogavam gamão ou falavam sobre suas vidas, contemplando a vastidão da natureza lá fora. Mas na hora de dormir, cada uma ia para seu quarto e Adrian dormia sozinha, sentindo-se muito só e pensando em Myrian.

 

         No quarto dia, resolveram ir até a aldeia. Colocaram roupas apropriadas para o frio intenso e Adrian tirou da garagem o carro com os pneus adaptados para andar na neve.

 

         O dia estava com céu azul, a neve estava concentrada nas montanhas e dava para dirigir sem riscos.

 

         Chegaram à aldeia e Adrian propôs irem até um restaurante que era muito frequentado pelos turistas. Laureen concordou.

 

         O restaurante era um chalé com amplo terraço e com uma bela vista, cheio de cadeiras e mesas. Elas se sentaram em uma e pediram o cardápio, escolhendo um fondue borgnone, acompanhado de um excelente  vinho bordeaux.

 

         Laureen a fitou sorridente, por detrás dos óculos escuros que protegiam seus olhos da claridade da neve.

 

         -Sabe, sinto-me tão bem com você, Adrian ! Esses dias estão sendo maravilhosos, para mim.

 

         Adrian sorriu maliciosamente, tomando um gole do vinho.

 

         -Já esqueceu do seu produtor ?

 

         Ela a fitou surpresa.

 

         -Sabe que nem tenho lembrado dele ? Parece que estou anestesiada ! Acho que é a distância, não sei... e você ? Ainda pensa em Myrian com frequência ?

 

         Adrian ia responder, quando ouviu uma voz jovial em suas costas:

 

         -Adrian ! Não é possível !

 

         Adrian voltou-se e viu três garotas que haviam acabado de chegar. Reconheceu   duas logo, menos a terceira. Eram suas amigas Anne e Gisele. Ergueu-se e as abraçou, surpresa e feliz com o encontro.

 

         -Anne ! Gisele! Que surpresa !

 

         Elas a fitaram rindo. A terceira ficou olhando para  Adrian com óbvia admiração.

 

         -Que safada !  - Disse Anne - Veio para cá e nem nos avisou !

 

         -Eu não sabia que estavam aqui !

 

         Adrian foi apresentada a Noelle. Ela era uma lourinha bonita e lhe sorriu com simpatia.

 

         -Anne e Gisele falaram muito em você. Estava mesmo querendo conhecê-la.

 

         Adrian sorriu, fazendo um gesto indicando as cadeiras.

 

         -É mesmo ? Venham, sentem-se conosco ! Quero apresentar-lhes Laureen, uma nova amiga que conheci no avião.

 

         Elas cumprimentaram Laureen, que as olhou com um sorriso polido. Sentaram-se e começaram a conversar sobre onde tinham estado. Estavam em Gstaad há uma semana e iam toda noite para as boites.

 

         Anne inclinou-se e perguntou no ouvido de Adrian:

 

         -Essa Laureen é sua nova conquista ?

 

         Adrian a fitou, falando baixinho :

 

         -Não. Ela não é gay, como nós. Mas pode falar abertamente com ela, que Laureen sabe de mim.

 

         -Ah ! Então, pode ficar com Noelle ! Ela está sozinha e louca para arranjar uma mulher ! – Sussurrou Anne.

 

         -Depois falamos  nisso. Vamos fazer os pedidos? Estou faminta.

 

         Adrian pediu mais uma bebida e elas escolheram seus pratos. O almoço transcorreu entre risadas e comentários bem humorados de todas. Noelle lançava olhares sedutores para Adrian, que sorria divertida, mas sem corresponder.Noelle não a atraía. Era uma garota bonita, mas bobinha e infantil. De garotinhas, bastava ter andado com Agnes.

 

         Anne perguntou se podiam ir até sua casa. Adrian concordou, olhando para Laureen. Ela não parecia à vontade entre elas. Estava séria e mal participava da conversa, só respondendo quando lhe perguntavam alguma coisa. Adrian a olhou analisadoramente. O que estava havendo com ela ? Laureen era tão simpática, mas ali , entre suas amigas, estava reservada e fria. Será que não gostara delas ? Mas, todas eram simpáticas e educadas ! Ou será que na realidade era preconceituosa e não se sentia bem no meio de garotas homossexuais ? Pois iria tirar isso à limpo.

 

         Acabaram a refeição e Adrian pagou toda a conta, como sempre. Foram para os carros e seguiram para a casa de Adrian. Noelle foi em seu carro, sentada atrás, olhando-a com olhares sedutores.Laureen não disse nada durante o trajeto.

 

         Quando chegaram, Adrian colocou música na aparelhagem de som e as garotas se sentaram nos sofás, cada uma se servindo de bebida no bar. Laureen sentou em uma poltrona e acendeu um cigarro, olhando para Adrian séria.

 

         Noelle aproximou-se de Adrian e convidou, com um olhar sedutor:

 

         -Venha dançar comigo, Adrian.

 

         Adrian enlaçou a cintura dela e começaram a dançar. A garota colou-se em seu corpo, olhando-a com desejo.

 

         -Você é linda, Adrian. Eu a olhei e fiquei apaixonada.

 

         Adrian sorriu com ironia.

 

         -Não exagere, garota.

 

         -Não estou exagerando. Estou louca por você, e posso provar.

 

         -É mesmo ? Como ?

 

         Sem Adrian esperar, ela puxou seu rosto com as mãos e grudou a boca na sua. Adrian ficou imóvel, sentindo o beijo ávido, de olhos abertos. Olhou para Laureen. Ela as olhava com uma expressão fechada, mordendo os lábios. Ergueu-se e saiu da sala.

 

         Adrian afastou a garota, com um sorriso irônico.

 

         -Calma, garota. Antes de fazer isso, tinha de saber se eu queria também.

 

         Ela a fitou desajeitada.

 

         -Oh... desculpe-me, pensei que quisesse também...

 

         -Tudo bem, não estou aborrecida com isso. Mas agora vou ao meu quarto trocar de roupa. Fique à vontade.

 

         Adrian retirou-se do living e foi atrás de Laureen. Subiu as escadas para o segundo pavimento  e foi até o quarto dela, batendo na porta. Momentos depois ela abriu, olhando-a séria.

 

         -O que é, Adrian ?

 

         -Quero falar com você. Posso entrar ?

 

         -Claro... – Disse, afastando-se.

 

         Adrian entrou no quarto e voltou-se, olhando-a nos olhos.

 

         -Você está tão esquisita, Laureen ! O que está havendo ?

 

         Ela deu alguns passos, olhando-a de braços cruzados.

 

         -Não é nada. Impressão sua.

 

         -Impressão ? Laureen, eu a conheço o suficiente para ter percebido que você não gostou de minhas amigas. Por quê ? Será porque elas são homossexuais, como eu ? Você disse que não era preconceituosa, mas parece que não é verdade.

 

         Laureen a encarou com gravidade.

 

         -É isso que acha ? Como você está enganada, Adrian ! Apenas não gostei de Noelle. Ela é uma garota ridícula, dando em cima de você !

 

         Adrian a olhou surpresa. Laureen estava com ciúmes dela ! Como não havia percebido isso antes ?

 

         Ela sorriu tristemente, desviando o olhar do seu.

 

         -Mas não tenho nada com isso. Sou mesmo uma idiota.

 

         -Idiota ? Por que, Laureen ?

 

         -Em toda minha vida, demoro a perceber coisas em mim mesma que são óbvias. E hoje, comprovei isso.

 

         -Comprovou ? O quê ?

 

         Ela a encarou e disse , com simplicidade:

 

         -Que não amo Bill. Fiquei envolvida pelo charme dele, pelo talento. Confundi o homem com o artista. Por isso, não me decidia a aceitá-lo definitivamente. Confundi admiração com amor.

 

         Adrian a olhou de viés, cruzando os braços.

 

         -Que bela conclusão ! E como chegou a ela ?

 

         -Por muitas coisas. Não estou sentindo falta dele. Não o lembro com saudade. E algo que nem suspeitava poder sentir um dia...

 

         -O quê ?

 

         Ela a fitou com tristeza.

 

         -Adrian, estou apaixonada por você.

 

         Adrian sentiu seu coração disparar. Ficou olhando-a imóvel, surpresa. Ela sentou na cama e afundou as mãos nos cabelos, curvando-se para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos.

 

         -Parece loucura, não é ? – Disse, fitando o chão – eu, Laureen Lancer, uma mulher com trinta anos, descobrir que estou gostando de uma mulher, depois de tantos anos envolvida com homens ! Mas descobri isso aos poucos, Adrian. Quando a conheci, senti uma atração forte por você, quando abraçou-me no avião. Mas eu não reconheci isso, achando que era algo absurdo demais. Mas nesses três dias, essa atração só está aumentando. Eu contive várias vezes o desejo de estender a mão e pegar na sua, acariciar seu rosto, beijá-la. E quando essa garota, Noelle, juntou-se a nós na mesa e ficou fitando-a “ dando bola “, eu fiquei furiosa, cheia de ciúmes de você. E quando ela a beijou há pouco no living, tive vontade de agredí-la.

 

         Adrian a ouvia com uma sensação de incredulidade. Laureen parecia tão inatingível, por gostar de um homem, que ela havia desistido de conquistá-la. Mas ali estava ela dizendo aquelas coisas !

 

         Sentou na cama ao lado dela e a fez erguer o rosto, com a mão sob o queixo dela. Ela a fitou com os belos olhos dourados.

 

         -Laureen, estou surpresa. Por que não abriu-se antes comigo, sabendo o que sou ?

 

         -Porque sei que não tenho nenhuma chance com você. Está apaixonada por Myrian e só deseja ser minha amiga. Estou confessando o que sinto porque vou embora hoje. Não foi uma boa idéia ter vindo para sua casa.

 

         -Por que, Laureen ?

 

         -Porque vou embora com uma grande frustração. Você não me quer senão para ser sua amiga e desabafar seus problemas com Myrian.

 

         Adrian a segurou pelos ombros, fazendo-a voltar-se de frente para ela. Olhou-a nos olhos.

 

         -Você está enganada. Desde que a vi, pensei que você seria uma mulher que poderia fazer-me esquecer de Myrian. Pensei em conquistá-la, mas desisti quando você contou-me que tinha um caso com um homem. Achei que gostava dele e tentei vê-la como uma amiga.

 

         Ela a olhou com os olhos luzindo.

 

         -É verdade, Adrian ?

 

         -Sim. Você me atrai muito, Laureen.

 

         Ela a fitou ansiosamente.

 

         -Então... então eu poderia tê-la ao menos uma vez ?

 

         Como resposta, Adrian a tomou nos braços e a beijou ardentemente. Ela abandonou-se ao beijo, apertando-se contra seu corpo e as mãos subindo e acariciando seu rosto, nervosas e arrebatadas. Adrian a fez deitar na cama, continuando a beijá-la e sentiu o corpo de Laureen tremer de desejo, os braços rodeando seu pescoço, apertando.

 

         Adrian separou a boca para olhá-la e viu nos olhos dela o desejo que a dominava.

 

         -Adrian... eu a quero... – Sussurrou.

 

         Adrian a fitou também com desejo, dizendo:

 

         -Laureen, sem promessas... mas com muita emoção...

 

         -Eu quero você agora... o que virá depois, não importa.

 

         Entre beijos ardentes, as duas se despiram e juntaram os corpos em febre. E Adrian encantou-se com o modo de Laureen amar.

 

         Ela era terna e ardente na hora do amor. Entregava-se completamente às carícias de Adrian, gemendo e movendo o corpo escultural numa espécie de dança do desejo, dizendo frases ardentes. Insinuava coisas que enlouqueciam Adrian, fazendo-a chegar aos limites para dar prazer aquela mulher ardente, que parecia insaciável.

 

         Ela gozou gritando seu nome, a cabeça jogada para trás, o corpo sacudindo-se espasmódicamente. Adrian deitou sobre ela, movendo-se frenética e em pouco tempo também sentiu o prazer sacudir seu corpo em contrações.

 

         Depois, quedou-se ao lado dela, ofegando. Laureen beijou-a profundamente e a olhou no rosto, dizendo emocionada:

 

         -Como é delicioso amar você, Adrian... ah, o que eu estava perdendo !

 

         Adrian sorriu, acariciando-a nos seios duros. Os biquinhos enrijeceram, ao toque de suas mãos.

 

         -Você também é muito gostosa, Laureen... uma das melhores mulheres que já tive...

 

         Ela a encarou, séria.

 

         -A outra foi Myrian, não é ?

 

         Adrian franziu o cenho, aborrecida com a lembrança dela.

 

         -É um péssimo momento para lembrar dela, não acha ?

 

         Laureen suspirou, pousando a cabeça em seu ombro.

 

         -Tem razão, querida... desculpe-me...

 

         -Tudo bem. Mas  peço  que  não  toque mais  no nome dela  perto  de  mim, ok ? Quero esquecer que Myrian existe.

 

         -Está bem...

 

         Adrian a abraçou e pouco depois recomeçaram. Laureen entregava-se com tanta paixão, que Adrian se contagiava.

 

))))))((((((

 

         Foram dias de muita paixão. Adrian estava como que anestesiada pela bela Laureen. Fizeram da cama seu local preferido, da qual saíam somente para comer, tomar banho e outras necessidades.

 

         Adrian procurava desesperadamente esquecer a sua paixão por Myrian nos braços de Laureen. Mas ela continuava em sua mente, dominando seus pensamentos mais íntimos, quando Laureen dormia ao seu lado. Adrian então chorava silenciosamente e olhava para Laureen, como um náufrago olha para uma tábua de salvação. Ela estava à cada dia mais apaixonada e Adrian esforçava-se para sentir a mesma coisa. Mas era inútil. A lembrança de Myrian persistia, fazendo-a sofrer. Mas continuava lutando contra esse amor que a consumia, que fatalmente terminaria mal. E possuía Laureen vezes sem conta, procurando esquecer no prazer a dor da saudade.

 

         No décimo dia, estava com Laureen na cama, quando telefone tocou insistentemente ao lado.

 

         Adrian interrompeu o beijo que dava e olhou para o aparelho intrigada. Quem seria ? Era raro receber telefonemas ali.

 

         Pegou o aparelho e levou ao ouvido, sob o olhar atento de Laureen.

 

         -Alô...

 

         A voz de seu pai chegou até ela como uma ducha fria:

 

         -Adrian ! Quando vai resolver voltar para casa ?

 

         -Não sei... estou aqui há pouco tempo e não pretendo voltar tão cedo.

 

         -Ah, não ! Vai ter que voltar até amanhã ! Não leu os jornais ? Andreas e Myrian vão ficar noivos amanhã ! Deverá estar aqui para a festa !

 

         Uma bomba não produziria um efeito tão arrasador em Adrian como aquela notícia. Ficou pálida e imóvel.

 

         -E então , Adrian ? Vai vir ou não ? Andreas vai ficar muito ,magoado se você não estiver presente. Você é a única irmã que tem e sabe como ele gosta de você – Continuou o pai de Adrian – Se não vier, já sabe... terá a mesada cortada.

 

         -Está bem, eu vou – Disse, num fio de voz.

 

         Desligou o telefone e olhou para Laureen, tentando não demonstrar sua tristeza.

 

         -Tenho que voltar para casa.

 

         Laureen sentou-se na cama, olhando-a ansiosa.

 

         -O que houve ? Quem foi que ligou ?

 

         -Meu pai. Ele quer que eu compareça à festa de noivado de meu irmão, que será amanhã.

 

         Laureen a olhou atenta.

 

         -Então, Myrian resolveu ficar noiva de seu irmão... o que está sentindo, Adrian ?

 

         Adrian a fitou tentando não mostrar o quanto a notícia a abalara.

 

         -Como posso estar sentindo-me ? Surpresa...

 

         Ela a segurou pelos ombros, fitando-a nos olhos.

 

         -Você está abalada com a notícia. Não tente disfarçar, Adrian. Ouça, sabe que estou apaixonada por você. Mas vou deixá-la à vontade para fazer sua escolha. Vou voltar para a América e vou esperar uma atitude sua. Se não me telefonar em até dez dias, saberei que não valerá à pena eu continuar esperando que você fique comigo. E tentarei esquecer esses dias aqui.

 

         Adrian a fitou, lamentando a separação. Ela lhe dera nesses dias forças para não ir rastejar-se para Myrian, aceitando as migalhas que ela dava. Mas agora estaria novamente só em sua luta. Laureen ia voltar para a América e Adrian sabia que a distância iria acabar com a paixão que as ligava.

 

         Adrian a abraçou e pousou a cabeça no ombro dela, que afagou seus cabelos ternamente.

 

         -Por que não vem comigo para Paris ? – Pediu.

 

         -Não adiantaria, Adrian. Essa luta você tem que vencer sozinha. Eu lá com você só tornaria sua cabeça mais confusa. É bom afastar-me, você terá uma dimensão do quanto gosta de mim. Teria que amar-me muito, para ir viver comigo na América. E sabe o que penso ? Você não me ama e não largaria sua vida em Paris para acompanhar-me. Esses dias foram maravilhosos, mas sei que não irão repetir-se. Eu trabalho na América, tenho minha vida lá. E você tem a sua vida em Paris. Tenho que aceitar a realidade e pensar que foi um lindo sonho que acabou.

 

         Adrian ergueu o rosto, fitando-a . Como Laureen era madura e ponderada ! Como era forte, para encarar a realidade de frente e não se desesperar ! Admirou-a ainda mais.

 

         -Laureen... se está certa no que pensa, se não vamos nos ver mais, quero que saiba que nunca a esquecerei. Você é uma mulher maravilhosa, só não a amo porque a conheci no momento errado de minha vida. Mas sei que seria a mulher ideal para mim. Porque não espera eu decidir minha vida ?

 

         Ela a encarou com um sorriso triste.

 

         -Quer iludir-me ? Basta olhar para você, nesse momento, para saber que  já a perdi. Aliás, não a perdi, porque nunca a tive inteiramente. Mas vou esperar dez dias. Talvez aconteça um milagre e você descubra que não quer mais a noiva de seu irmão.

 

         Beijaram-se com carinho, com a sensação de perda as torturando. Adrian a possuiu lentamente, com um carinho infinito, pensando que era a última vez que a tinha. E Laureen entregou-se como nunca.

 

         Mas a realidade as venceu, depois. Ambas compraram suas passagens e foram para o aeroporto de Zurique de táxi. Mal se falavam, cada uma mergulhada em seus pensamentos.

 

         No aeroporto, separaram-se depois de um longo abraço, sem palavras, apenas se fitando com tristeza. Adrian ficou olhando Laureen dirigiu-se para o embarque até sumir no corredor. E então, voltou-se e foi para o ponto de embarque de seu vôo.

 

                         

))))))((((((

 

 

         Adrian desembarcou em Paris cinco horas da tarde. Pegou um táxi e rumou para sua casa, nos Champs Elisés.

 

         Sentia-se pior do que quando fôra para Gstaad. Porque quando havia ido, tinha a ilusão que se conhecesse alguém interessante lá, esqueceria Myrian. Mas agora voltava desiludida. Conhecera uma mulher especial como Laureen e não adiantara nada. Myrian estava mais forte que nunca dentro de sua mente e coração.  E ela ia ficar noiva ! O que queria dizer que sua ausência não a demovera de sua intenção, não se importava com ela. Estava derrotada, com o orgulho no chão. Teria de aceitar as imposições e regras de Myrian, para tê-la ao menos algumas vezes. E continuar sofrendo, vendo-a com Andreas.

 

         Chorou silenciosamente dentro do táxi. E pensou em Laureen, achando que ela talvez estivesse chorando também. Oh, como a vida era complicada ! Seria tão fácil ser feliz com Laureen ! Mas ali estava, chorando por uma mulher que não a amava.

 

         O táxi deixou-a em frente à mansão. Os criados, avisados pelo interfone, vieram apanhar as malas. Ela entrou correndo e subiu as escadas, desejando que ninguém a visse chegando. Mas topou com seu pai, que saía do quarto. Ele a fitou com um sorriso satisfeito.

 

         -Já voltou ? Muito bem, chegou à tempo ! A recepção vai ser às nove da noite. Terá tempo para descansar e aprontar-se.

 

         Ela o olhou, disfarçando a tristeza.

 

         -Alguma novidade, além do noivado ?

 

         -Ah, a irmã de Myrian tem ligado todos os dias à sua procura. Andreas, veja só, resolveu trabalhar ! Assumiu a vice-presidência de nossas empresas. Disse que agora a sua vida vai tomar um rumo sério, parece que Myrian conseguiu colocar juízo na cabeça dele ! O garoto está mudado, e devo isso à Myrian !

 

         Adrian o fitou torvamente.

 

         -Bem, pelo menos ela fez algo de bom, em meio a tantos estragos !

 

         -O que disse ?

 

         -Nada... depois coversaremos mais. Estou exausta, vou descansar um pouco.

 

         -Vá, minha filha. Mas esteja pronta às oito. Iremos sair à essa hora.

 

         Adrian entrou em seu quarto e jogou-se na cama, sentindo o peito doer pelo esforço que fazia para não chorar. Não iria chorar por Myrian nunca mais !

 

         -Vagabunda... – disse baixinho – eu a odeio !

 

         Ficou ali deitada, olhando para o teto, imaginando como deveria se comportar quando a visse. Iria mostrar-se indiferente, mostrar à ela que aquele fato não a abalava. Myrian não teria o gostinho de vê-la infeliz com a decisão que tomara.

 

         As horas se arrastaram e ela foi sendo tomada pela ansiedade. Queria olhar o rosto de Myrian, descobrir nele algum traço de saudade, de alegria por vê-la novamente.

 

         Às oito já estava no salão principal, elegantíssima em um vestido negro de Versace, bem penteada e maquiada.

 

         Andreas desceu, elegante em um smooking e a fitou com um ar de felicidade que a fez invejá-lo.

 

         -Ah, minha querida irmã Adrian! Finalmente voltou ! Está linda, aposto que vai conquistar um homem na festa, que cairá pelo seu charme !

 

         Ela sorriu levemente, tentando não mostrar sua infelicidade.

 

         -Está feliz, Andreas ?

 

         Ele a beijou no rosto, sorridente.

 

         -Ainda pergunta ? Finalmente Myrian concordou em ficar noiva de mim ! É um desejo que estou realizando !

 

         -Espero que não desperte desse sonho, Andreas.

 

         Ele a fitou subitamente sério.

 

         -Adrian, não entendo as suas prevenções contra Myrian ! Eu a amo e sei que ela gosta muito de mim. É uma mulher inteligente, culta, de uma excelente família... o que tem contra ela ?

 

         Adrian o fitou hesitando. Devia falar ? Não, ele mesmo teria de descobrir quem era Myrian.

 

         -Tudo bem, Andreas... acho que é ciúme de uma irmã que acha que uma mulher vai afastá-la do irmão – mentiu.

 

         Ele riu.

 

         -Ora, Adrian ! Pelo contrário ! Você vai ganhar uma irmã ! Myrian já falou-me que quer ser muito sua amiga. Ela tem esperanças que quando vier morar conosco, a convivência as aproximará e se darão muito bem.

 

         -Ela pensa isso ? Tudo bem, vamos ver.

 

         -Vou sair agora, Adrian. Papai ainda não está pronto e não vou esperá-lo. Preciso estar na casa de Myrian cedo, para receber com ela os convidados. Você vai depois com o papai, não é ?

 

         -Sim, pode ir, Andreas.

 

         Ele beijou-a no rosto e saiu apressado.

 

         Seu pai apareceu dez minutos depois, afobado. Adrian foi com ele na limousine, ouvindo-o tecer mil planos para o casamento de Andreas. Ficou ouvindo-o contendo-se para não explodir sua raiva. Que noite ! E estava apenas começando !

 

 

 

         Continua na parte  7

        

 

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