PAIXÃO PROIBIDA
PARTE 7
Quando chegaram, a mansão dos Polinska já estava cheia de
gente. Olga Polinska veio recebê-los com o marido, que já havia regressado da
missão diplomática. Era um homem alto e magro, com vastos cabelos grisalhos e olhos
azuis. Agnes se parecia com ele.
Foram
apresentados e trocaram cumprimentos cordiais.Enquanto seu pai falava com o
casal, Adrian olhou em volta, disfarçando sua ansiedade. E viu Myrian
aproximando-se com Andreas, de mãos dadas.
Ela estava
belíssima. De vestido branco com pedrarias, os louríssimos cabelos soltos,
espargia beleza e classe.
Adrian colocou
no rosto uma expresão indiferente, mas seu coração começou a bater agitado. Ela
a olhava nos olhos fixamente, parecendo querer ler o que sentia em seu rosto.
Parou diante de Adrian e do pai, estendendo o rosto para Ernest beijá-lo, à
moda francesa.
-Que prazer,
recebê-los em nossa casa... – Disse, suavemente, olhando para o pai de Adrian –
Como está, senhor Von Thissen ?
O pai de
Adrian sorriu largamente, fitando-a.
-Estou muito
feliz ! Meu filho escolheu muito bem a mulher que será sua esposa !
-Obrigada,
senhor.
Voltou-se para
Adrian, que a fitava séria. O sorriso continuou inalterado, mas os olhos a
fitaram com uma quase imperceptível insegurança.
-Como vai,
Adrian ?
Adrian
sentiu-a beijando suas faces rapidamente. Ela afastou-se, olhando-a, mas sem
fitar os seus olhos.
-Soube que
passou uns dias em Gstaad. Gostou ?
Adrian
respondeu sem sorrir, formalmente:
-Adorei. Meus parabéns,
Myrian. Escolheu a pessoa certa.
Ela
enrubesceu. Entendeu a indireta. Olhou para Andreas, que a fitava enlevado.
-Vamos até o
terraço, querido ? Está um pouco abafado aqui.
-Vamos, meu
anjo.
Afastaram-se
abraçados. Adrian os olhou, sentindo uma raiva surda. Myrian era uma atriz !
Como representava bem o papel de apaixonada ! Ah, que vontade de desmascarar
aquela farsa ! Gritar para todos que ela fôra sua !
-Alô... até
que enfim eu a vejo novamente !
Adrian
voltou-se. Agnes a fitava sorrindo, muito bonita em um vestido negro, decotado
e curto.
Adrian olhou
em volta. Seu pai conversava com os pais de Myrian e ninguém prestava atenção a
elas.Tornou a olhar para Agnes. Ela a pegou pelo braço e a conduziu para o
canto do salão.
-Preciso falar
com você – Disse, parando à sua frente e a fitando com um olhar sombrio.
Adrian a fitou
friamente.
-O que quer
falar comigo ?
Ela a encarou
com um olhar acusador.
-Você fugiu
para Gstaad para evitar-me, ou à Myrian ?
-Não fugi de
ninguém. Simplesmente, quis ir para lá.
-Não minta,
Adrian ! – Disse Agnes, com impaciência – Você
está evitando-me. Não sou idiota, percebi isso. Não telefonou para mim
uma vez sequer. Foi para Gstaad e não avisou nada.
Adrian a fitou
com indiferença.
-Se acha isso,
por que insiste em falar comigo ?
Ela a fitou
magoada.
-Então, estou
certa ? Não quer mais nada comigo ?
-Acho melhor.
Eu a avisei que não teríamos nada sério. Não quero envolver-me com ninguém.
-Adrian... nem
quer ter ao menos sexo comigo ? Sou-lhe completamente indiferente ?
Adrian a
encarou duramente. Estava sofrendo muito para se importar com o sofrimento
alheio.
-É isso mesmo.
Procure outra pessoa para satisfazer suas fantasias sexuais, Agnes.
-Não são
somente fantasias sexuais, Adrian ! Eu gosto de você ! –Contestou ela, com os
olhos cheios de lágrimas.
Adrian a olhou
com frieza.
-Não venha com
dramas, Agnes ! Há muita gente por aí que deve estar ansiosa para dar uma
trepada com você ! Deixe-me em em paz! – Disse brutalmente, para decepcioná-la de vez.
E afastou-se,
deixando-a ali, sem olhar para trás. Reuniu-se à um grupo de amigos, que a
saudaram com alegria. Eram amigos dela e de Andreas e já haviam saído juntos
várias vezes no iate da família.
Adrian bebeu
três taças de champanhe, conversando com eles. Eram pessoas divertidas, o que
precisava para animar-se e expulsar sua tristeza inútil.
Myrian surgiu
no salão, dirigindo-se em sua direção. Estava agora sem Andreas, mas Adrian virou
o rosto, ignorando-a . Tomou um susto quando ela parou ao seu lado e pegou sua
mão, puxando-a e sorrindo para os outros.
-Vou raptar
Adrian uns instantes – Disse, em tom de brincadeira.
Puxou-a pela
mão, afastando-a deles. Conduziu-a pelo salão lotado de convidados, apertando
sua mão, até o toalete e trancou a porta com o trinco, voltando-se para Adrian.
Adrian a
fitava surpresa e em silêncio. Nunca esperaria aquela atitude dela. Myrian
tinha fogo no olhar, mas também, raiva.
-Você estava
com quem, em Gstaad ? – Jogou, em tom de acusação.
Adrian ergueu
o queixo, fitando-a com arrogância. Então, ela achava que lhe devia
explicações, depois de tudo ?
-O que tem com
isso ? – Perguntou, com voz fria – Não tenho que lhe dar nenhuma satisfação de
meus atos ! Acaso você consultou-me, para ficar noiva ?
Ela respirou
fundo, mordendo os lábios. Olhou-a pensativa e pareceu reconhecer sua
insensatez, pois sorriu, mais calma.
-Tudo bem,
Adrian, pode fazer de sua vida o que bem entender... mas... – hesitou,
calando-se.
-... mas... –
repetiu Adrian, fitando-a atenta.
Ela baixou os
olhos.
-Mas... é
que... – gaguejou – senti sua falta...
Adrian
emocionou-se. Ela sentira sua falta ! Estava confessando isso ! Então, ela a
queria também !
Aproximou-se e
a fitou bem de perto, tremendo. Myrian a fitou nos olhos. Deu um passo,
jogando-se em seus braços, rodeando seu pescoço, apertando-se contra seu corpo
e procurando sua boca com a dela, tremendo , em febre.
-Adrian... beije-me
! – Implorou, com voz tensa.
Adriana a
abraçou com força, beijando-a delirantemente, sentindo-a abandonar-se no beijo,
as mãos trêmulas agarrá-la, a boca sorver a sua com sofreguidão. Não conseguia
resistir. Ela era o que mais queria e agora estava em seus braços, dando-se
loucamente !
Ela afastou-se
e a fitou com paixão, erguendo o vestido com as mãos, descobrindo as coxas
maravilhosas. Estava de meia-calça e a desceu com a calcinha, ofegando.
Encostou-se no lavatório, fitando-a com tal paixão que Adrian sentiu um forte
arrepio percorrê-la.
-Venha...
coloque a boca... não agüento mais...
Adrian
ajoelhou-se. Pegou-a pelos quadris e passou a língua levemente, sentindo-a
tremer. Começou a sugar e ela começou a mexer-se sensualmente, suspirando e
gemendo.
Adrian apertou
a boca, metendo os dedos, louca de desejo. Myrian mordia o pulso, para não
gritar.
Ela estremeceu
violentamente, atingindo o orgasmo em menos de cinco minutos. Puxou Adrian
pelos cabelos e quando teve o rosto dela diante do seu, esmagou a boca sôfrega
naqueles lábios com o cheiro do amor. As mãos puxaram as alças do vestido de
Adrian e o desceram, expondo os seios duros à sua boca faminta que os atacou.
Adrian gemeu
baixinho, apertando-a com as mãos. Fechou os olhos, sentindo Myrian descer,
baixar sua calcinha e tomar seu sexo na boca, sorvendo-a toda.
Adrian
moveu-se sensualmente, enterrando as mãos nos cabelos dela. Em pouco tempo
também gozou, trincando os dentes, de olhos fechados, estremecendo em
contrações.
Ela ergueu-se
e contemplou o rosto de Adrian com a expressão do êxtase. Adrian abriu os olhos
e surpreendeu-se em ver no rosto de Myrian uma expressão de enlevo, fitando-a .
Mas ela viu-se surpreendida e afastou-se, voltando-se de costas.
Adrian
estendeu os braços e a puxou para si, abraçando-a pelas costas. Myrian
encostou-se em seu corpo, suspirando. Adrian aspirou o perfume dela, sentindo-a
estremecer.
-Você vai
mesmo casar com Andreas, Myrian ?
Depois de uma
breve hesitação, ela respondeu:
-Vou.
-Por quê ? Não
sabe que eu a quero somente para mim ?
Ela afastou-se
e se voltou, fitando-a . O olhar agora estava calmo e frio.
-Já sabe que
não pode ser. Você não me ama, Adrian.
Adrian a fitou
indignada. Viu a dúvida nos olhos dela.
-Myrian, eu a amo
! Como pode dizer isso ?
Ela sorriu,
fitando-a.
-Você ama
todas as mulheres bonitas que cruzam o seu caminho. Sei que não estava em
Gstaad sozinha. Um dia liguei para lá e perguntei à criada quem estava com
você. Ela contou-me que você estava com uma mulher muito famosa, uma americana
de nome Laureen. Sei quem é. Laureen Lancer.
Adrian a fitou
surpresa.
-Você fez isso
? Sim, é verdade. Mas eu não deixei de pensar em você, Myrian. Usei uma mulher
para tentar esquecê-la, mas foi inútil.
Ela sorriu com
incredulidade, afastando-se.
-Não minta,
Adrian. Você a teve porque é volúvel.
-Por que não
acredita em meu amor, Myrian ?
-Por que a
conheço.
-Não, não me
conhece ! Se me conhecesse bem, não teria dúvidas ! Eu a amo e desejo-a só para
mim. Não fique noiva, Myrian !
Ela não
respondeu. Começou a recompor-se. As meias estavam desfiadas e ela as jogou na
lixeira. Vestiu a calcinha, lavou o rosto. Olhou-se no espelho com expressão
aborrecida.
-Tenho de retocar
a maquiagem e colocar outras meias. Vou ter que ir ao meu quarto. Pode sair,
Adrian.
Adrian a fitou
com raiva, recompondo-se.
-Já se
satisfez, não é ? Agora, não precisa mais de mim ! Não vai dar-me mais atenção
!
Ela a fitou
calmamente.
-Não podemos
ficar aqui muito tempo, alguém pode querer entrar. Mas amanhã posso encontrar
com você. Procure em seu quarto um envelope pardo em uma gaveta de sua
escrivaninha. Eu o coloquei lá há uns três dias atrás. Contém um chaveiro e o
endereço de um lugar. Encontre-se amanhã à tarde comigo lá. Estarei
esperando-a.
Adrian a fitou
surpresa. Ela sorriu e saiu.
Adrian acabou
de recompor a roupa e lavou o rosto e as mãos. Olhou-se no espelho. Sua
maquiagem fôra bem leve e não dava para notar a diferença. Ajeitou os cabelos
com as mãos e voltou ao salão.
Agnes havia se
eclipsado. Suspirou de alívio. Sentou em um canto, com uma taça de champanhe,
olhando em volta. Myrian dissera que havia um envelope em sua escrivaninha com
um chaveiro e um endereço. Estava ansiosa para vê-lo.
Ela voltou ao
salão quinze minutos depois. Olhou-a com a sombra de um sorriso nos lábios
novamente pintados, mas não aproximou-se mais, postando-se ao lado de Andreas.
Ele a abraçava, falando animadamente. Beijava-a no rosto e Adrian tinha ânsias
de aproximar-se e separá-los. Como Myrian a fazia sofrer !
))))))((((((
Adrian chegou
em casa e correu para o seu quarto.
Rebuscou as gavetas de sua escrivaninha e encontrou o envelope na penúltima do
lado direito. Abriu-o e tirou o conteúdo.
O chaveiro era
de ouro, representando uma ninfa em um fino trabalho de ourivessaria. O cartão
anexo tinha o endereço em letras de forma. Um flat na Rive Gouache.
Sorriu ,
feliz. Ela havia alugado um lugar para se encontrarem ! Devia querê-la um
pouco, para fazer isso. Deitou e adormeceu com o cartão na mão, beijando-o .
No dia
seguinte, acordou por volta das dez horas. Perguntou por Andreas aos criados e
eles responderam que ele não havia dormido em casa.
Estava desconfiada
que ele tinha dormido com Myrian e o quarto dele com a cama feita confirmou
suas suspeitas. Mordeu os lábios, com a dor do ciúme a corroendo.
Estava no
salão, vigiando da janela, quando o viu chegar. Ele estacionou o carro e
entrou, sorridente. Ainda estava de smoocking e com a barba por fazer. Ele a
viu e a olhou sorridente.
-Já de pé,
maninha ? E então ? Gostou da festa ?
Ela sorriu
para ele com esforço. O ciúme a atormentava.
-Gostei, mas
saí cedo. Estava cansada.
-Também estou
cansado. Dormi pouco.
Ela sorriu com
malícia proposital.
-Entendo...
dormiu com Myrian, não foi ?
Ele riu,
fitando-a .
-O que acha ?
Ela riu, com
vontade de chorar de raiva.
-Ela é boa de
cama ?
Ele sorriu.
Estava habituado a contar a ela o desempenho de suas conquistas na cama e riam
muito nessas ocasiões. Mas agora ele falou embaraçado:
-Dela não
posso falar, Adrian. Myrian vai ser minha mulher.
-Ora, que tem
isso demais ? É só uma curiosidade minha. Não vou contar a ninguém, nós temos essa
intimidade.
Ele sorriu.
-É, a você
posso contar. Ela é sensacional !
-É mesmo ?
Como assim ?
-Myrian é fogo
puro. Só posso dizer isso. E ela ontem estava demais! Comemoramos nosso noivado divinamente.
Adrian sentia
como se um punhal se cravasse em seu coração.
-Ah, é ? E ela
faz tudo que pode com você ?
Andreas deu
uma risada.
-Adrian ! Está
querendo saber demais ! Tchau, vou subir, tomar uma ducha e cair na cama
!Depois conversarei com você.
Ele subiu as
escadas correndo. Adrian apertou os punhos com raiva e desespero. Oh, Deus !
Agora imaginava Myrian na cama com Andreas, fazendo mil coisas ! Que ciúmes
sentia, que desespero ! Ela mal saíra de seus braços e fora deitar com seu
irmão ! Era uma puta ! Pois ela iria ver ! Iria ao encontro dela e levaria o
que ela gostava ! Tinha aqueles objetos para usar em mulheres bissexuais e
Myrian era uma delas.
Foi até seu
quarto e rebuscou no fundo do closet, dentro de uma valise. Lá estava, um novo,
ainda na embalagem. Com tudo completo. Colocou-o na bolsa e foi tomar um banho.
Estava se
vestindo quando o telefone tocou. Olhou-o de cenho franzido. Quem seria ?
Atendeu no
terceiro toque.
-Alô.
-Adrian ?
-Ela mesma.
Quem é ?
-Agnes.
Preciso falar com você. É urgente.
Adrian respirou
fundo. A última pessoa com quem queria falar era ela.
-Não tenho
tempo agora. Vou sair – Disse, friamente.
-É muito
importante, Adrian. Descobri uma coisa de Myrian que vai surpreendê-la.
O coração de
Adrian disparou.
-Sobre Myrian
? Fale !
-Não posso
falar. Você tem que ver. Venha até minha casa agora, estou aguardando-a .
Agnes
desligou. Adrian olhou para o relógio de pulso, indecisa. Ainda era cedo. Em
quarenta minutos chegaria na casa de Agnes. Tinha bastante tempo. Depois de saber o que Agnes descobrira sobre
Myrian, seguiria para o flat.
Acabou de
vestir-se, pegou sua bolsa e saiu. Pegou o carro e saiu em alta velocidade.
Esperava que Agnes não estivesse enganando-a com um pretexto falso para ir
procurá-la. Se fosse isso, iria ficar furiosa.
Chegou em
cinquenta minutos. Agnes estava na janela esperando-a e veio recebê-la na
entrada da residência.
Adrian a olhou
curiosa. Agnes estava agitada e com um olhar excitado.
-Entre, Adrian
! Venha comigo !
Puxou-a pela
mão, subindo as escadas para o pavimento superior. Adrian a olhou curiosa.
-O que tem
para mostrar-me ? Não está inventando coisas ?
Ela a fitou
contraindo os lábios.
-Não estou
inventando nada. Você ontem foi muito fria comigo, mas sei que fez aquilo porque
devia estar furiosa com o noivado de Myrian. Mas quero mostrar à você que
Myrian não é o que pensa. Ela é uma dissimulada !
Ela abriu uma
porta no segundo pavimento, olhando-a .
-Esse quarto é
de Myrian. Há muito tempo eu não vinha nele, depois que começamos a brigar. Mas
ontem eu entrei e fiz uma descoberta. Venha.
Adrian a
fitou, hesitando.
-Myrian não
vai gostar de saber que nós invadimos o quarto dela em sua ausência. Onde ela
está ?
-Ela saiu
cedo, depois de Andreas. Eles dormiram juntos aqui ! Fique tranqüila, só eu
estou em casa. Meus pais saíram. Entre logo !
Adrian entrou.
Olhou em volta. Um quarto decorado com conforto e simplicidade, com um toque
feminino. Olhou para Agnes, que aproximou-se de uma bela escrivaninha em estilo
Luiz XV e forçou uma das gavetas com uma espátula.
-Agnes ! Está
arrombando o móvel de sua irmã ! – Advertiu, achando o ato ridículo.
Agnes a fitou,
acabando de abrir a gaveta.
-Dane-se ela !
Eu já abri ontem, descobri onde ela guardava a chave. Mas hoje não encontrei a
chave no lugar em que estava, acho que ela a levou. Mas não importa, agora vou apanhar o que achei e
mostrar à você. Quero que veja como Myrian gosta de enganar as pessoas.
Ela retirou da
gaveta um diário e uma caixa de madeira finamente trabalhada. Adrian notou que
a fechadura da caixa estava arrombada.
-Agnes, Myrian
vai ficar furiosa com você, quando ver o que fez !
-Não importa,
terá valido à pena ! Venha, sente-se na cama. Há muito a ser visto.
-Foi para isso
que chamou-me ? Para ver o diário de Myrian ? Não é certo isso, Agnes !
-Mas o diário
fala em você! Você vai saber o que Myrian acha de você! Como ela é dissimulada
!
Vencida pela
curiosidade, Adrian sentou na cama. Agnes colocou em suas mãos um monte de
fotografias e recortes de jornais e revistas, que estavam dentro da caixa.
Adrian olhou para a primeira fotografia e surpreendeu-se. Era uma foto sua, um
pouco recente, em uma festa. Abaixo da foto, que estava colada em uma folha de
papel, havia a data, escrita à mão com letra caprichada. Abaixo, um comentário:
“ Foto
tirada na recepção anual dos Grimaldi. Adrian está deslumbrante, em um vestido
Versace .”
Confusa Adrian
colocou-a de lado e olhou a segunda foto. Ela estava de biquini, numa praia, olhando
para o lado e sorrindo, com as mãos na cintura. Adrian lembrou-se do lugar.
Aquela foto havia sido tirada em Portofino, dois anos atrás. E fazia parte de
uma reportagem de uma revista de fofocas, nada lisonjeira. Um trecho do texto
estava grifado:
“Adrian é a
ovelha negra da família Von Thissen. Suas loucuras dão o que falar e seu pai
está a beira de um colapso nervoso pelas diabruras da inquieta filha.”
Ao lado do
comentário, Myrian escrevera :
“ Repórter
mentiroso ! Adrian é a pessoa mais maravilhosa
do mundo !”
E sobre a
foto, escrevera outro comentário :
“ Linda !
Que corpo divino !”
Adrian
espalhou as fotos na cama. Em cada uma, um comentário caloroso evidenciava mais
que uma admiração, mas uma verdadeira paixão e idolatria ! Fotos de cinco anos
atrás, recortes de jornais com pequenas notas com seu nome, reportagens, tudo
guardado e registrado com datas.
Adrian olhou
para Agnes confusa.
-Tem certeza
que foi Myrian quem fez essa coleção de recortes ?
-Claro que sim
! Ela fez esse arquivo durante anos ! Por isso eu sempre pegava revistas para
ler e estava quase sempre toda recortada
!
-Não
entendo... isso é coisa de adolescente, ou de alguém muito apaixonado. Será que
ela gosta tanto de mim assim ?
-Ainda tem dúvidas
? Para acabar com elas, leia o diário dela !
Entregou o
diário a Adrian. Ela abriu na primeira página e leu, curiosa e ansiosa. Em
letras caprichadas, leu a data do início:
21 de
novembro de 1998.
Há cinco anos
atrás ! Continuou a ler, assombrada :
“ Ainda me
lembro a primeira vez que vi uma foto sua. Foi na revista Vanity Fair. Você
estava em um jogo de tênis, em Montecarlo. Bati os olhos sobre o seu rosto
lindo, seu sorriso, e apaixonei-me instantâneamente. Foi amor à primeira vista.
Olhei para o seu corpo perfeito, a pose atrevida, os olhos magnéticos, e
desejei ter você em meus braços . E agora, dias depois, você não sai de meu
pensamento. E você nem sabe que existo! Ah, como isso me torna infeliz, desejar
um amor impossível!”
Adrian
suspirou. Era incrível ! Se não lesse, não acreditaria. Aquela data era de
cinco anos atrás ! Então, desde aquele tempo Myrian sentia-se assim por ela ?
Continuou a
ler, empolgada. Agnes debruçou-se sobre seu ombro e também começou a ler, junto
com ela.
22 de dezembro,1998
“Hoje, ao
passar por uma banca de revistas, vi uma com você na capa ! Ah, se soubesse
como fiquei eufórica ! Notícias sobre você ! Comprei a revista e entrei em uma
lanchonete, para ler logo. Fui até a página indicada e meu coração exultou.
Você estava linda, numa fotografia colorida, de página inteira, de biquini !
Fiquei muito tempo olhando cada detalhe de seu rosto e corpo, reparando como é
perfeita. Mas ao ler a reportagem, fiquei indignada. O repórter só falava mal
de você ! Fiquei furiosa, vendo quantas mentiras ele fala de você, meu amor!
Queria matá-lo, se pudesse ! “
15 de janeiro,1999
“Você outra
vez numa revista ! Que surpresa maravilhosa ! Dessa vez, não estava na capa. Só
uma pequena fotografia com uma nota pequena. Você numa boite da moda. Estava
conversando com uma mulher e notei que
ela era bonita. Ah, fiquei morrendo de ciúmes ! Queria estar no lugar dela,
recebendo o olhar desses olhos maravilhosos. E fui dormir triste. Será que você
ama alguém ? Quem será o felizardo ? Ah, não posso fazer nada, quanto à isso.
Vivo tão distante de você, aqui em Viena ! Mas soube que meu pai vai ser
transferido para Paris, brevemente. E eu talvez tenha a chance de conhecê-la um
dia, quem sabe ?”
Adrian estava
perturbadíssima, lendo aquelas confissões. Mas eram de cinco anos atrás. Queria
ler coisas mais recentes. Folheou o diário, avançando até as últimas páginas.
Procurou as do ano em curso e parou numa data :
12 de junho,1999
“Finalmente, estamos em Paris! E em uma partida de tênis,
conheci Andreas Von Thissen. Mal pude acreditar em minha sorte ! Ele se
interessou por mim , mas fui propositalmente fria. Se ele achasse que eu era
uma conquista fácil, eu seria mais uma entre tantas. Vou fazer um jogo. E
através dele, chegarei até você, meu amor.”
25 de junho,1999
“Meu jogo deu certo. Andreas está louco por mim. Depois de
cinco dias sendo assediada por ele, saímos. Ele foi extremamente cavalheiro e
só beijou-me. Somente depois de uma semana saindo juntos, fui para cama com
ele. E não senti absolutamente nada. Eu queria era você, Adrian. Mas eu fingi
sentir prazer. Se eu fosse uma mulher fria na cama, não o prenderia. Nunca
fingi tanto em minha vida !”
30 de junho, 1999
“Hoje, pedi que ele me falasse sobre sua família. E ele
contou-me coisas sobre você. Fiquei sabendo como é na intimidade, das coisas
que gosta. Mas uma coisa despertou-me a atenção: ele disse-me que você é muito
fechada, que não sabe nada de sua vida sentimental. Qual será o seu mistério ?
A suspeita faz-me ficar eufórica e sonhadora. “
15 de julho,1999
“Hoje ele levou-me em sua casa.Que decepção, você não estava
! E eu estava tão ansiosa para conhecê-la pessoalmente ! Aproveitei que ele foi
tomar banho e fui até o seu quarto. Entrei, olhei o lugar em que vive. Olhei
suas roupas no closet e não resisti. Cherei-as, sentindo o seu perfume. Que
cheiro maravilhoso ! No bolso de um casaco, achei uma agenda esquecida. Olhei-a
. Como tem nome de mulher ! E numa das folhas, achei o endereço de uma boite.
Copiei o nome e endereço. Vou descobrir onde você vai divertir-se.”
27 de julho,1999
“Ontem tomei coragem e fui à boite. Entrei nervosa, com medo
de ter uma decepção. Eu sabia que você estava em Paris, pois no dia seguinte
iríamos nos conhecer em sua casa. Mas eu queria conhecê-la fora de seu ambiente
familiar. E essa era a última oportunidade. Conhecendo-a sem você saber quem eu
era, a faria revelar-se e eu teria mais chance de conquistá-la, se minhas
suspeitas estivesem certas. Eu já havia pesquisado e sabia que aquela boite era
frequentada por homossexuais. Se você a frequentava, devia ser gay também. Mas,
e se você não se sentisse atraída por mim ? E se estivese acompanhada ? Ah,
quantas dúvidas em minha cabeça !
Eu cheguei
e sentei, olhando em volta para ver se a encontrava. E o garçon veio trazer-me
um recado de uma mulher. Não me interesei, mas pensei melhor e achei que seria
interessante conhecer uma frequentadora do lugar, que podia até conhecê-la.
Consenti que a pessoa viesse à minha mesa tomar um drink. E então, você veio
até à mim ! Eu a reconheci e tive de fazer um grande esforço para dominar a
minha emoção e ser natural. Finalmente, você estava ali, à minha frente, em
carne e osso !
O meu plano
se formou enquanto conversava com você. Eu queria mostrar-me interessante,
diferente. E não queria que você soubesse logo quem eu era. Eu lhe dei meu nome
errado, você também. Era um jogo, cada uma escondendo a verdade da outra. E
prossegui no jogo, mais não podia conter-me. Fui para um hotel com você. Você
me teve e eu quase fiquei louca. Mas depois refreei o que sentia e fui fria com
você, porque não queria mostrar-me tão apaixonada. Senti que você, como
Andreas, só daria valor à uma conquista difícil e tracei essa estratégia para
conquistá-la. Fugi quando dormia, mas sabendo que a iria ver de novo, na sua
casa.
P.S. Estou
escrevendo essa página no quarto de
hóspede
da casa de Adrian, antes de descer
para conhecê-la
oficialmente.”
29 de julho,1999
“ Agora, já em minha casa, relembro de você e sinto uma
enorme emoção e também mágoa. Você traiu-me com minha irmã ! Ah, como isso me feriu ! Como estou sofrendo
!
Mas sei que
você fez isso por vingança. Você está com ódio de mim, sente-se enganada. Oh,
Adrian, se soubese o que realmente sinto ! Eu a amo alucinadamente, mas tenho
que esconder esse sentimento de você e prosseguir com o meu jogo, porque é a
forma mais segura para consersar o seu interesse por mim. Se eu me declarasse
apaixonada, seria apenas mais uma conquista sua. Tenho que ser diferente,
especial. Você é tão volúvel ! Depois, diz que me ama. Não acredito. Você
apenas quer a minha capitulação, para depois desprezar-me. Enquanto achar que
não conseguiu conquistar-me definitivamente, ficará interessada, pois eu
represento um desafio para o seu ego.
E eu tenho que juntar
os pedaços de meu amor ferido e fingir que sua traição não afetou-me. Fiz sexo
com Andreas como uma vingança contra você. Confesso que com o tempo, comecei a
ter prazer com ele. Mas é um prazer puramente físico, sem outra emoção. Eu vejo
Andreas como uma extensão de você. Ele tem coisas que se parecem com você: o
mesmo sorriso, o modo de olhar. Muitas vezes, quando ele me possui, fecho os
olhos e penso que é você que está me tendo. E fico realmente excitadíssima, eu
o surpreendo com meu fogo. Ah, se ele soubesse que é você que me inspira essa reação ! “
30 de julho , 1999
“Eu lhe telefonei, sem resistir mais à saudade, e você foi
comigo até aquele escritório, onde fizemos amor. Eu entreguei-me loucamente,
mas escondi de você meus sentimentos. Sei que minha aparente indiferença a
atrai. Sou um desafio para você. E você ficou magoada quando falei que Andreas
é a minha segurança ! Você não entende, Adrian. Andreas é a minha segurança no
caso de você enjoar de mim. Assim, se eu estiver casada com ele, mesmo que você
não me queira mais, eu continuarei convivendo com você, mesmo que seja somente
para olhá-la. Porque eu não saberia mais viver sem você por perto. “
31 de julho, 1999
Você foi para longe de mim ! Eu não esperava por isso !
Pensei que depois que nos revemos, você estivesse mais ligada à mim, mas tive
essa decepção. Estou louca de ciúmes e saudade, pensando com quem foi para
Gstaad. Então, telefonei e soube que você estava com Laureen Lancer ! Eu a
conheço pela tv, é uma rival temível ! Estou insegura, desesperada ao pensar
que você pode apaixonar-se por ela e não me querer mais. Tenho que fazer algo
para chamar sua atenção. E já sei o que vou fazer. Vou aceitar o pedido de
Andreas e ficar noiva dele. Isso a trará de volta. Você não me ama, mas é
orgulhosa e não quer perder para ninguém. Tentará tirar-me de Andreas. Ah,
Adrian ! Meu amor adorado ! Venha de volta para mim ! Não agüento mais sua
ausência, estou desesperada ! “
11 de agosto, 1999
“Como previ, você chegou. Li em seu olhar a raiva, o orgulho
ferido. E eu estava louca para ter você! Não resisti e a carreguei para o
banheiro. E fui sua. Tive-a também, louca de amor. Mas refreei mais uma vez
meus sentimentos e mostrei-me fria depois. Eu tenho que atiçar o seu desejo por
mim. Negar, entregar-me e tornar a negar. É duro fazer esse jogo com você, eu
que a amo alucinadamente. E é assim que eu a tenho presa à mim. E vou fazer
tudo que posso para você conservar-se interessada em mim, porque não posso
pensar em ficar sem os seus carinhos.Eu a amo tanto, Adrian! Você jamais saberá
o quanto a quero, o quanto desejaria dizer isso fitando esse rosto que amo.”
As anotações
terminavam ali. Adrian ergueu os olhos do diário com um fulgor de
incredulidade. Então, o procedimento de Myrian era um jogo!
Continua na parte 8
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