PAIXÃO PROIBIDA

 

 

PARTE  4

 

         Quando Adrian acordou no dia seguinte, já passavam das onze horas da manhã. Levantou-se da cama e constatou que se sentia perfeitamente bem, sem enjoos ou tonturas. Estava faminta e ligou o interfone para a copa e pediu desjejum reforçado no quarto.

 

         A copeira trouxe a bandeja e a cumprimentou sorridente.

 

         -Bom dia, senhorita Adrian! Felizmente, já está bem! Preparamos tudo que gosta.

 

         Adrian sorriu para a copeira, sentando-se na cama para ela colocar a bandeja em seu colo.

 

         -Obrigada, Gerda. Não jantei e estou faminta.

 

         Ela colocou a bandeja em seu colo e Adrian atacou os ovos mexidos e as torradas, acompanhadas de suco de laranja. Olhou para a criada, que a olhava sorridente.

 

         -As nossas visitas estão em casa, ou saíram?

 

         -A família da namorada de seu irmão está no terraço, tomando o desjejum. Também acordaram tarde.

 

         -Ah... elas saíram ontem à noite?

 

         -Não. Ficaram jogando bridge até tarde da noite. Só a menina Agnes ficou em seu quarto, ouvindo música. Mas a senhorita Myrian veio duas vezes em seu quarto, ver se a senhorita estava bem.

 

         Adrian olhou para a copeira surpresa. Seu coração disparou.

 

         -Verdade? Quem lhe contou isso?

 

         -A camareira. A senhorita Myrian estava muito preocupada e chegou a ajeitar seus travesseiros. Ela parece ser uma moça muito dedicada, senhorita Adrian.

 

         -É mesmo... pode ir, Gerda. E obrigada.

 

         A criada saiu e Adrian ficou pensativa. Por essa não esperava. Myrian vir ao seu quarto, ver se estava bem. Ela era mesmo uma pessoa imprevisível, como Andreas dissera. Será que a queria um pouco? Que nada! Devia ter feito isso para se mostrar dedicada aos olhos de Andreas. Ela era muito esperta! Acabou de comer e levantou-se. Tomou um banho prolongado, enxugou-se e escolheu sua roupa. Optou por uma blusa de lã branca bem folgada, de gola roulê, e calça de veludo negro, aconpanhada por botas de salto alto da mesma cor. Passou apenas um baton de cor suave, perfumou-se e desceu.

 

         Estavam todos no salão de estar, conversando. Quando entrou, todos a olharam, mas seu olhar fixou-se em Myrian. E teve sua recompensa. Ela a olhava com franca admiração. Mais que isso, ela parecia fascinada!

 

         Mas ela também estava linda, com um vestido de lã azul escuro com decote discreto, mas curto, mostrando as pernas sensacionais em meias de nylon negras.

 

         Agnes meteu-se na frente de Myrian, olhando-a com censura e Adrian entendeu. Ela queria que seu olhar fosse para ela.

 

         Avançou e dirigiu-se para uma poltrona, cumprimentando a todos:

 

         -Bom dia! Vejo que a família está toda reunida!

 

         -Bom dia, Adrian! – Respondeu madame Olga, sorridente – Que bom tornar a vê-la bem!

 

         Adrian sentou e cruzou as pernas, olhando para madame Olga.

 

         -Desculpem o transtorno que causei. Eu não esperava causar tanta confusão.

 

         -Não há o que desculpar, Adrian – Disse madame Olga – O que importa é que está bem.

 

         O velho Ernest a fitou com reprovação.

 

         -Vê se não repete mais essa loucura. Você nos deixou apavorados!

 

         Andreas interveio, conciliador:

 

         -Adrian não vai mais beber assim, papai. Ela prometeu-me, não foi, Adrian?

 

         Ela o fitou com ar cínico.

 

         -Bem, não pretendo. Mas já estou bem, não se preocupem.

 

         Agnes sentou ao seu lado e sorriu-lhe. Estava também linda, com um vestido em decote V, curto, com belas pernas à mostra. Parecia uma princesinha. Que engano!

 

         -Que bom que está bem, Adrian! Ontem aqui estava tão chato, sem você! – Disse, baixinho.

 

         Adrian a fitou e respondeu em tom formal:

 

         -Obrigada, Agnes.

 

         -Vamos brindar à saúde de Adrian! – Propôs o velho Ernest, sorridente.

 

         -Para isso, quero uma taça de champanhe – Disse Adrian, sorrindo para o pai.

 

         Ele franziu o cenho, negando:

 

         -Não está em condições de beber ainda. Acompanhe o brinde com um copo de suco.

 

         Adrian ergueu-se e foi ao bar. Serviu-se de uma água mineral e ergueu o copo, com ar irônico.

         -Pronto, não é isso que quer que eu beba?

 

         -Seria o ideal! – Respondeu Ernest, erguendo seu copo de suco – À sua saúde, minha filha.

 

         Adrian olhou para Myrian. Ela a olhava com um olhar impenetrável, mas ergueu o copo e brindou à sua saúde.

 

         -Adrian, olhe para mim.

 

         Adrian voltou o rosto. Agnes lhe segredara com um sorriso contrafeito.

 

         -O que é, Agnes? – Perguntou, sentando-se ao lado dela.

 

         -Notou que me arrumei para você?

 

         Adrian olhou em volta. Seu pai conversava com madame Olga. Andreas falava com Myrian. Tornou a olhar para Agnes, que a olhava em expectativa.

 

         -É mesmo? Estou comovida com sua intenção! – Disse , com ironia.

 

         -Como está irônica, Adrian! É verdade. Mas quando você chegou, só teve olhos para Myrian !

        

         -Ora, vocês duas são lindas... tenho que dividir minha atenção – Disse, com cinismo.

 

         Ela a olhou séria.

 

         -Está com raiva de mim, ainda?

 

         -Raiva de você? Por quê?

 

         -Não finja que não entende ! Raiva porque eu não quis prosseguir, depois do strip-tease !

 

         -Ah, já esqueci daquilo !

 

         -Esqueceu ? Então, não deu importância ?

 

         -E era para dar ?

 

         Agnes pareceu decepcionada. Olhou-a fazendo beicinho.

 

         -Oh, Adrian ... e eu pensei em você a noite toda...

 

         -É mesmo ? Pois devia ter pensado em meu irmão !

 

         Ela empalideceu.

 

         -Por que diz isso ?

 

         -Não imagina ?

 

         -Oh, ele contou ?

 

         Adrian sorriu com ironia.

 

         -O que acha ? Eu e meu irmão não temos segredo .

 

         Agnes pareceu desconsertada. Baixou os olhos.

 

         -Não fique envergonhada. Ele gostou e eu também, quando nos provocou.

 

         Ela tornou a erguer os olhos, fixando-os nos seus.

 

         -Confesso que estava querendo brincar com você, como fiz com Andreas. Mas agora já decidi quem eu quero. Quero você, Adrian.

 

         -Garota, resta saber se eu a quero também.

 

         Ela a fitou surpresa.

 

         -Não me quer mais?!

 

         -Por que esse espanto ?  Se julga tão irresistível assim ?

 

         -Não... não é isso... mas pensei que me desejasse...

 

         -Pois se enganou. O que senti por você foi coisa de momento. O que é compreensível, com você me provocando daquela forma.

 

         Ela a fitou nos olhos e falou em tom decidido:

 

         -Eu quero você. E não vou desistir !

 

         -Problema seu – Disse, erguendo-se. Aproximou-se de Andreas e Myrian. Ela enrubesceu, ao vê-la aproximar-se.

 

         -Andreas, dê um pouco de atenção a Agnes, enquanto conheço Myrian melhor – Disse, com displicência.

 

         Andreas sorriu, satisfeito. Ergueu-se do sofá e disse , com ar divertido :

 

         -Não sei se Agnes vai apreciar minha companhia, mas vou tentar distraí-la, Adrian. Converse com Myrian, tenho certeza que vocês têm muita coisa em comum.

 

         Andreas afastou-se e Adrian sentou ao lado de Myrian. Ela a fitou com intenso rubor. Adrian a fitou com um sorriso irônico.

 

         -Temos muito mais em comum do que Andreas pode imaginar, não é, Morgana ?

 

         Ela deviou o olhar do seu.

 

         -Meu nome é Myrian, Adrian.

 

         -Ah, não diga ! Morgana é então um nome de guerra, não ? Sabe, admiro sua atuação ! Convence qualquer um ! Devia ser atriz e não arqueóloga ! Ganharia o Oscar! Mas a máscara caiu, Myrian ! Agora a vejo com realismo e sei do que é capaz ! Você é uma dissimulada, enganando Andreas e escondendo o que gosta nas noites, em ambientes que Andreas nunca sonharia em encontrá-la. E é capaz de dizer mil mentiras para enganar alguém.

 

         Ela a fitou nos olhos. Um olhar brilhante, não sabia se de raiva ou de lágrimas. Suspirou e disse, baixinho:

 

         -Você quem começou com mentiras. Deu-me um nome falso, disse que era uma executiva, querendo enganar-me. Mas não conseguiu, Adrian. Porque assim que  eu a vi, já sabia quem era.

 

         -Ah, quer reverter a situação ! Daqui a pouco, vai dizer que é uma vítima inocente de uma lésbica que a seduziu ! Ora, Myrian ! O que esperava ? Que eu revelasse minha verdadeira identidade para uma estranha, naquela boate ? O que fiz foi natural, naquela circunstância !

 

         -Não, você queria somente usar-me ! E conseguiu, do que se queixa ?

 

         -Seja mais honesta ! Eu não tenho compromisso com ninguém, mas você está enganando meu irmão ! Só não entendo uma coisa : Se sabia quem eu era, por que aceitou trepar comigo? Não sabia que iríamos nos encontrar depois, que eu a reconheceria e poderia contar nossa aventura para o meu irmão ?

 

         Ela a fitou com olhar sombrio.

 

         -Eu tinha consciência disso tudo. Mas eu queria você. E coloquei minha relação com Andreas em risco, porque queria ir para a cama com você.

 

         Adrian a fitou atordoada. Não sabia mais o que pensar.

 

         -Qual é então seu jogo, Myrian? Diga, o que pretende ?

 

         Ela abaixou a cabeça, fugindo do seu olhar inquiridor.

 

         -Só posso dizer que a desejo, Adrian . A hora que quiser, eu serei sua.

 

         -Você é louca ! Se não ama Andreas, por que está com ele, iludindo-o ? Por que não assume o que realmente é ?

 

         Ela a fitou nos olhos com determinação.

 

         -Eu vou casar com Andreas. Mas quero ter você sempre.

 

         Adrian a fitou com desprezo, à idéia que lhe veio :

 

         -Quer casar com Andreas pelo dinheiro que ele vai herdar de meu pai ? É isso ? Quer casar com ele por dinheiro ?

 

         Ela sacudiu a cabeça,  negando:

 

         -Não estou interessada na fortuna de sua família, fique ciente disso. Meu pai é um homem rico e tenho mais dinheiro do que preciso. A questão não é essa.

 

         -Então, é o quê ? Por que quer casar-se com ele, se não o ama ?

 

         -Você nunca entenderia. Talvez um dia eu possa explicar.

 

         Adrian a fitou com descrença.

 

         -Não acredito em nada que diz ! Você quis é ter uma experiência com uma mulher, e como eu estava ali, não teve nenhum escrúpulo em usar-me ! Então, gostou da experiência e quer repetir ! Mas o seu objetivo, acima de tudo , é fisgar um marido rico ! Você é uma mulher fria e calculista, Myrian ! Mas naõ vai usar-me mais ! Não sou objeto de prazer de mulheres que querem provar coisas proibidas e se escondem atrás de um casamento de conveniência ! Mulheres como você me dão nojo !

 

         Ela a fitou com mágoa no olhar.

 

         -Adrian, você me odeia tanto assim ?

 

         -Odiá-la ? Nem sei se você merece o meu ódio !

 

         Ergueu-se e a fitou com desprezo.

 

         -Fique tranquila, que não vou falar nada a Andreas. Não por sua causa, mas por mim. Não quero que ele saiba que eu trepei com a mulher que ele julga maravilhosa. Ele poderia até odiar-me.

 

         Afastou-se com um andar imponente, com o queixo erguido. Avisou que ia dar uma volta de carro e Agnes levantou-se do sofà em que estava com Andreas e a fitou.

 

         -Posso ir com você, Adrian ?

 

         Adrian a encarou indecisa. Mas não podia recusar, seria muito grosseira. E Myrian ficaria com raiva, o que queria.

 

         -Pode , Agnes. Mas vou agora.

 

         Ela sorriu e adiantou-se.

 

         -Então , vamos.

 

         Madame Olga sorriu para a filha, satisfeita.

 

         -Muito bem, Agnes. Vejo que ficou amiga de Adrian e acho que não poderia ter escolhido amiga melhor.

 

         Adrian olhou para Myrian. Ela olhava para Agnes com um olhar gelado, de censura. Devia estar avaliando as intenções da irmã. Gostou disso. Queria  provocá-la e sua arma era Agnes. Tornou a olhar para Agnes e sorriu.

 

         -Agnes é uma garota muito simpática – Declarou.

 

         Saíram as duas. Agnes a fitou com um sorriso radiante.

 

         -Você não vai se arrepender de sair comigo, Adrian.

 

         Adrian a fitou avaliadoramente, descendo as escadarias da mansão. Ora, por que não ? Ela estava ali se oferecendo, era uma garota linda. Myrian não merecia que tivesse algum escrúpulo em andar com a irmã dela. Pelo contrário, isso era pouco, pelo que ela estava fazendo com Andreas e ela.

 

         Chegaram ao carro e entraram. Adrian deu partida e Agnes a fitou curiosa.

 

         -Onde vamos, Adrian ?

 

         -Não tenho programa. Apenas estava cansada de ficar em casa.

 

         -Vamos até Valois ? Conheço um hotelzinho bem simpático à beira do lago. Podemos parar lá e desfrutar umas horas de lazer.

 

         Adrian a olhou de soslaio, maliciosamente.

 

         -Um hotelzinho ... suas intenções são muito óbvias, Agnes.

 

         Ela a fitou com um sorriso.

 

         -A decisão é sua. Se não quer ir, tudo bem.

 

         -Bem, vamos conhecer esse hotel.

 

         Adrian acelerou, transpondo os portões da mansão.

 

         Agnes subitamente pegou sua cabeça entre as mãos e a beijou ardentemente na boca. Adrian mal pôde corresponder, com os olhos na estrada. Ela afastou-se e a fitou sorrindo.

 

         -Gostou do beijo ?

 

         Adrian a olhou brevemente.

 

         -Não deu para apreciar. Não é uma boa idéia beijar quem está dirigindo. Mas acho que beija muito bem, Agnes.

 

         -Isso é só uma pequena amostra. Depois, você vai apreciar mais. Estava louca para fazer isso.

 

         Agnes pegou um CD no console e colocou-o no disk-player. O som da voz de Alanis Morrisete encheu o carro.

 

         -O tipo da música que gosto ! Você tem muito em comum comigo, Adrian ! – Disse, balançando os ombros no ritmo da música.

 

         Adrian a fitou de soslaio.

 

         -Será?...

 

         -Claro ! Adorei a decoração de seu quarto, os discos, os filmes. E você não tem preconceitos de sexo, como eu também não tenho.

 

         -Temos coisas em comum até certo ponto... não me interesso por duas pessoas ao mesmo tempo como você. E não gosto de homem.

 

         -Ora, Adrian ! Sou bissexual e assumo isso ! Quanto ao seu irmão, já o descartei de minha mente. Ele é um idiota e ainda mais, indiscreto. Foi muito cafajeste em contar uma simples brincadeira que fiz com ele ! Detesto homens assim !

 

         -Brincadeira ? Você o provocou no limite máximo, apalpando-o ! Costuma brincar assim com os homens ?

 

         -Não, o que pensa de mim ? Que sou uma puta ? Foi um impulso que tive. Queria provocá-lo e depois negar, para desmoronar aquela pose de galã dele. Mostrar que uma mulher o rejeitaria no momento mais excitante, depois dele estar excitadíssimo. Só que não deu tempo para isso.

 

         -E comigo, queria desmoronar o quê ? Você fez a mesma coisa comigo !

 

         -Ah, com você foi outra a intenção... queria descobrir se a minha suspeita era fundada. Notei como olhava para a minha irmã e fiquei desconfiada. Uma mulher normal não olha para outra como você a olhava. Provoquei-a e você se revelou. E gostei do que descobri em você.

 

         -Então, por que depois bancou a ingênua e empurrou-me ?

 

         -Não queria entregar-me tão fácil. Não era o momento. Gosto do jogo do amor, provocar, negar , isso aumenta o desejo.

 

         Adrian não pôde deixar de rir.

 

         -Agnes, você é diabólica ! Mas desconfio que acha que tive alguma coisa com Myrian e quer apenas mostrar a ela que conseguirá conquistar-me, para magoá-la. Não é isso ?

 

         -Até poderia ser, mas não é. Estou atraída demais por você, Adrian. Quero ir para a cama com você.

 

         -Então, tirou da cabeça a suspeita idiota que tive algo com Myrian ?

 

         -Ah, isso não ! Tenho certeza que vocês tiveram algo antes de se conhecerem em sua casa. Você a olha com ódio e ela fica transtornada. Quando você passou mal, ela ficou abalada, toda nervosa. E fica vigiando-me, quando saí do seu quarto ontem, ela veio perguntar-me o que eu tinha feito com você. Estava furiosa, fora de si. O ciúme dela é evidente demais. Não sou idiota ! Confesse, Adrian. Vocês já se conheciam, não é ?

 

         Adrian a ouvia com o coração disparado. Myrian ficara preocupada com ela, sentia ciúmes ! Será que a queria, mesmo estando com Andreas ? Bem, ela já havia dito que queria ser sua amante. Que a desejava e não ia negar-se a ter sexo com ela. Mas isso era muito pouco. Queria Myrian somente para ela, reconhecia isso agora. Queria que ela deixasse Andreas e ficasse somente com ela, que confessasse que a amava. Mas isso era improvável de Myrian fazer. Só se a provocasse, forçasse Myrian a tomar uma atitude. E Agnes era a pessoa ideal para isso. Se ela a amasse, teria uma reação ao vê-la com a irmã.

 

         -Não vai responder, Adrian ?

 

         Adrian olhou para Agnes.

 

         -Você não desiste, não é ? Não tenho nada a dizer.

 

         -Tudo bem, mas tenho certeza que vocês tiveram algo antes de ontem. Já se conheciam. Conheço minha irmã. Ela nunca agiu como está agindo. Toda nervosa, irritada ao ver-me com você, agressiva ! Ela está apaixonada por você, Adrian.

 

         -Vamos mudar de assunto ? Não estrague nosso passeio, Agnes. E antes de qualquer coisa, quero dizer que não podemos pensar em nada mais que uma aventura. Podemos ir para uma cama, mas sem nenhum compromisso. Você não me deverá  nada, nem eu à você, concorda ?

 

         Agnes a fitou e sorriu.

 

         -Quem falou em compromisso ? Odeio compromissos ! Só o prazer nos unirá, sem cobranças. E quando uma de nós não quiser mais, cada uma vai para seu lado sem dramas.

 

         -Ótimo! Você é uma garota esperta !

 

 

))))))((((((

 

 

         Chegaram a Valois em menos de uma hora. Adrian desceu do carro e olhou em volta, apreciando a paisagem. Realmente o hotel era bem simpático, tipo um chalé, cercado por um belo jardim e ao lado de um lago onde nadavam uma família de cisnes.

 

         Agnes a puxou pela mão.

 

         -Vamos entrar. Eles têm um bom restaurante.

 

         Adrian entrou com Agnes e gostou do ambiente. O restaurante estava apenas com umas cinco pessoas e foi fácil se instalarem em uma mesa perto da janela, que tinha vista para o lago.

 

         Agnes sentou diante de Adrian, olhando-a maliciosamente.

 

         -Se quiser subir logo para o quarto, não me oporei.

 

         Adrian sorriu para ela.

 

         -Calma, vamos antes beber e comer alguma coisa.

 

         Um garçon veio atendê-las e Adrian pediu uma garrafa de vinho bordeaux e o menu.

 

         Agnes a fitava atentamente e disse:

 

         -Cada vez eu a acho mais linda, Adrian. Olho para você e não percebo um defeito no rosto ou no corpo. Myrian tem razão em estar apaixonada.

 

         Adrian a encarou franzindo o cenho.

 

         -Por que insiste em achar que tenho alguma coisa com Myrian ? Já disse que está enganada.

 

         -Por que eu tenho certeza disso.

 

         Adrian a fitou nos olhos.

 

         -Você odeia sua irmã ?

 

         -Eu? Não, apenas tenho raiva de ser comparada com ela por meus pais e saber que eles a acham melhor do que eu.

 

         -Vocês se dão bem ? Acho que não.

 

         -Myrian é imprevisível. Tem dias que está um amor, compra algum presente para mim, conversa descontraída... mas tem dias que ela está uma megera. Reclama que estou colocando música alto demais, me repreende por não estudar, diz que sou uma parasita e a briga se forma. Acho que ela é uma neurótica. Às vezes se tranca no quarto e fica lá escrevendo durante horas e depois chora. Eu a observo pelo buraco da fechadura da porta.

 

         Adrian riu.

 

         -Você é uma bisbilhoteira, Agnes ! Graças a Deus eu não tenho uma irmã como você.

 

         -Andreas não se mete em sua vida ?

 

         -Não. E nem tem tempo para isso, envolvido com as mulheres. Agora que está com Myrian, deve ficar mais em casa.

 

         Agnes fez uma expressão intrigada.

 

         -O que Myrian tem, que prende tanto os homens, Adrian ? Ela é bonita, mas existem mil mulheres lindas por aí sem a sorte dela.

 

         -Myrian é uma mulher especial, Agnes. Ela é misteriosa, linda, com um olhar que magnetiza as pessoas – Disse, sem pensar muito – É uma dessas raras mulheres que deixam um homem ou mulher loucos para tê-la.

 

         -Ah! E você se sente assim, não é ? Ela a fisgou !

 

         Adrian a fitou pestanejando.

 

         -Não, eu não falei em relação à mim.

 

         -Conversa ! Você falou sobre ela com o maior enlevo !

 

         O vinho chegou, fazendo-as interromper a discussão. O garçon as serviu e deixou o menu sobre a mesa. Adrian tomou um gole do vinho e olhou para Agnes conciliadora.

 

         -Mas você também tem seus encantos, Agnes.

 

         Ela sorriu, mudando de expressão.

 

         -Acha mesmo ? E quais são os meus encantos ?

 

         -Gosto de sua franqueza, de sua alegria de viver. Ninguém consegue ficar triste ao seu lado. Você é muito divertida, com seu temperamento agitado.

 

         Ela a fitou decepcionada, fazendo uma careta.

 

         -Só isso ?! Pensei que fosse dizer que sou linda, que sente desejo por mim ! E você só diz essas coisinhas !

 

         -Ah, linda você já sabe que é ! Por que vou repetir o óbvio, Agnes ?

 

         Ela sorriu, lisonjeada.

 

         -Até que enfim, um elogio que aprecio !

 

         Tomaram o vinho e escolheram a comida. Adrian não estava com muita fome, pois havia comido um farto desjejum. Mas acompanhou Agnes em uma carne assada de carneiro com molho de amêndoas e batatas soutê. Já Agnes comeu com um apetite surpreendente.

 

         Ela acabou e cruzou os talheres, fitando-a.

 

         -Vamos agora alugar um quarto ?

 

         Adrian a fitou pensativa.

 

         -Não sei ... estou pensando se é uma boa idéia ir para a cama com você. Agnes. você é meio louca, pode comentar...

 

         Agnes ficou vermelha de raiva.

 

         -Está inventando desculpas para não trepar comigo ? Olha, não vou implorar por isso!  Vamos embora agora !

 

         Levantou-se e saiu. Adrian ergueu-se e chamou o garçon, apressada. Pagou a conta e não esperou o troco, saindo em passadas largas.

 

         Agnes estava à beira do lago, olhando para a água com os braços cruzados e uma expressão fechada. Adrian aproximou-se e a tocou no ombro.

 

         -Por que teve aquela reação tão infantil ? Eu só estava ponderando, antes de ser tarde demais.

 

         Ela a fitou com mágoa no olhar.

 

         -Chega de desculpas, Adrian. Vamos embora.

 

         Entraram no carro e Adrian deu partida. Agnes olhava para fora, de braços cruzados.

Adrian fez  o retorno e olhou para Agnes. Ela continuava calada, olhando pela janela. Adrian andou um bom tempo em silêncio e resolveu parar no acostamento. Ali a estrada era deserta e ninguém as incomodaria.

 

         Parou o carro ao lado de uma árvore, desligou o motor  e voltou-se para Agnes, que continuava olhando pela janela, sem fitá-la.

 

         -Agnes, olhe para mim.

 

         Ela não se voltou e Adrian a pegou pelos ombros,forçando-a a voltar-se. Ela a fitou. Os olhos estavam cheios de lágrimas. Adrian a puxou para si e ela veio, pousando a cabeça em seu ombro.

 

         -Agnes, não estava arranjando desculpas. É que tenho medo de você depois ficar cobrando-me uma situação que não estou preparada para assumir.

 

         Ela ergueu os olhos e a fitou bem de perto.

 

         -Não pense assim, Adrian... eu juro que não vou cobrar nada a você... só quero que me toque...

 

         E ela esmagou sua boca na  de Adrian, a língua avançando e sugando, em um beijo sensual. Pegou a mão de Adrian e a apertou contra o seio, suspirando.

 

         Adrian sentiu o desejo dominá-la. Segurou o seio de Agnes na mão e sugou a língua dela também, no beijo ardente que trocavam. Mas afastou-se e a fitou nos olhos.

 

         -Agnes, não devemos...

 

         Ela ignorou suas palavras, pegando sua mão e a colocando entre as pernas. Com a outra, apertou o sexo de Adrian e alisou a coxa sobre a calça.

 

         -Adrian... estou louca para me dar à você... não resista...

 

         Adrian tentou libertar a mão, mas Agnes a prendeu com as coxas e a puxou pelo pescoço para mais um beijo sensual. Ela   pousou a mão sobre a coxa de Agnes e a alisou devagar. Adrian estremeceu.Tocou o sexo de Agnes por cma da calcinha.

 

         -Ohhh... – Gemeu Agnes, ofegando – Mais, Adrian...

 

         Adrian deslizou a mão para dentro da calcinha. Agnes abriu as pernas. Seus dedos burilaram o sexo, suavemente.Agnes já estava totalmente molhada de excitação.

 

         -Adrian ... – Disse Agnes, mexendo-se contra sua mão – Não pare ...

 

         Adrian prosseguiu, sentindo-a ficar cada vez mais excitada. Agnes movia-se contra seus dedos, ofegando. O movimento foi se intensificando, com ela gemendo de olhos fechados. Estava à beira do orgasmo. Adrian parou e retirou  a mão.

 

         Ela abriu os olhos e a fitou surpresa.

 

         -Por que parou ? Continue ! Estou quase gozando !

 

         Adrian sorriu com malícia, negando:

 

         -Não.

 

         -Adrian ... essa interrupção está deixando-me doida ... continue ... faça-me gozar ... não agüento mais ...

 

         -Não. Isso é para você aprender.Viu como é desagradável ter o prazer interrompido ?

 

         Agnes a fitou incrédula, percebendo o motivo da negação de Adrian em satisfazê-la.

 

         -Adrian ! Você está vingando-se  de mim ! Por que eu não quis continuar, no seu quarto!

 

         Adrian riu.

 

         -É, você tem que sentir na pele o que faz com as pessoas. Viu como é ruim ?

 

         -Ah, sua cretina ! Você vai me pagar por essa ! – Disse ela, sorrindo sem se abalar – Pois então eu mesma vou acabar com isso! Olhe, Adrian... veja como faço...

 

         Adrian duvidou que Agnes iria fazer o que disse e a fitou surpresa quando Agnes ergueu a saia e deslisou a calcinha pelas pernas.

        

         Agnes abriu o sexo com a mão esquerda  e com a outra, começou a masturbar-se. As pernas erguidas, com os pés apoiados no painel do carro, os dedos movendo-se cada vez mais rápido. Ela fechou os olhos e começou a gemer, movendo o corpo.

         Adrian sentiu sua excitação aumentar com a excitante cena,  mas conseguiu dominar-se, ficando imóvel. Agnes abriu os olhos e a fitou com uma expressão alucinada, quase no auge.

 

         -Venha ... depressa ! Pegue-me ! Beije-me! – Disse, com voz transtornada.

 

         Adrian aproximou-se e a beijou na boca, um beijo cheio de desejo, a mão no seio de Agnes, espremendo. O corpo de Agnes se sacudiu em convulsões espasmódicas, o corpo se arqueando para cima, a boca grudada na sua, sorvendo-a com fome, no auge do êxtase.

         Ela então caiu sobre o banco, os olhos fechados, respirando entrecortadamente. Adrian a fitou pensando se havia agido certo, cedendo à loucura daquela garota. Mas, quem resistiria à uma tentação como aquela? Agnes era um demônio de tentação!

        

         Agnes abriu os olhos e a fitou com ar de satisfação.

 

         -Foi tão bom... – Sussurrou – Mas ainda quero muito mais de você, Adrian ... gostou do que viu?

 

         Adrian deu um sorriso forçado.

 

         -Foi muito excitante ver você, Agnes.

 

         -Eu quero você me possuindo, Adrian ... com você, não me importaria de perder minha virgindade...

 

         Adrian a fitou incrédula.

 

         -Quer fazer-me acreditar que você é virgem, depois de tudo que fez?!

 

         Agnes a fitou ofendida.

         -Está duvidando de mim? Por que eu iria mentir para você? Não é um noivo, ou pretendente minha, para eu enganá-la!Quer constatar? Eu deixo você ver!

 

         -Não precisa fazer isso, Agnes – Disse Adrian, embaraçada – Mas você há de convir que é difícil acreditar que você é virgem, tendo tentado meu irmão apalpando-o e ... bem, ter se masturbado na minha presença...

 

         Agnes a encarou com desafio.

 

         -Você é muito convencional! Encara o sexo com muitos tabus! Precisa encarar o sexo com mais naturalidade, Adrian! Estamos no terceiro milênio!

        

         -Mas ... você fez-me pensar que já havia andado com homens. Como pode ainda ter conservado a virgindade ? Só se você ... bem ...

 

         Ela a fitou sorrindo maliciosamente.

 

         -Sei o que está pensando. Não, não pratico sexo anal com os homens. Faço outra coisa. Quer saber ? É bem picante.

 

         -Quero, se não se importa.

 

         -Pois bem : eu amarro os homens na cama. Mãos atadas no recosto da cama, sabe como é ? Como no filme Instinto Selvagem, com Sharon Stone?

 

         -Sei. Bem sado-masoquista. E eles deixavam você fazer isso?

 

         Agnes riu.

 

         -Você nem imagina como os homens adoram uma mulher que os domine numa cama, isso os excita. Então, eu os amarro e prometo levá-los à loucura. Aliso-os, apalpo, deixo-os sugar meus seios e o sexo. Depois os masturbo. E eles não resistem. Gozam e depois dizem que nunca sentiram tanto prazer. E eu gosto assim, com um homem. Adoro tê-los em minhas mãos, eu comandando tudo.

 

         -E com mulheres ? Já esteve com uma?

 

         -Ah, apenas com duas colegas de colégio. Apaixonaram-se por mim e fiquei com as duas.

 

         -Cada vez com uma, lógico...

 

         -Não, nós três íamos para cama juntas. Era uma loucura. Eu no meio e elas de cada lado. Era muito bom. Só acabou quando descobriram e nos expulsaram do colégio. Depois, não conheci mais nenhuma. Só você.

 

         -Agnes ! Que experiência tem, com essa idade !  - Comentou, admirada.

 

         Ela riu, abraçando-a .

 

         -Eu sou assim. E gosto. Não tenho nenhum preconceito e encaro tudo com naturalidade.

 

         Adrian a beijou, mas desvencilhou-se e olhou para o relógio de pulso.

 

         -Temos que voltar. Já passa das três da tarde. Sua mãe deve estar preocupada com nossa demora- Disse, ligando o carro.

 

         Agnes a fitou com malícia.

 

         -Está bem, mas você e eu ainda vamos ter bons momentos de sexo, Adrian. E vou mostrar à você como sei dar prazer.

 

         Adrian riu, voltando à estrada. Não pretendia ter nada mais com Agnes, mas não iria falar isso à ela. Agnes era a irmã de Myrian. E isso era bastante para não se envolver com ela.

 

         -Você é um diabinho, Agnes! Não sei como sua mãe a agüenta!

 

          

         continua na parte 5

        

 

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