Paixão  Proibida

 

 

parte 3

 

         Lá estavam eles abraçados! Myrian sorrindo, nos braços de seu irmão!

 

         O que aconteceria, se ela levantasse e contasse tudo que havia acontecido entre ela e Myrian? Que a bela Myrian havia ido à uma boite de gays e havia terminado com ela em um quarto de hotel, onde havia se entregado com loucura à ela?

 

         Não, não podia fazer isso. Seu pai a amaldiçoaria e a expulsaria de casa. Andreas a odiaria. E Myrian seria capaz de negar tudo com o maior cinismo e acusá-la de louca.

 

         O melhor era aguardar o momento certo para vingar-se dela. Ela devia estar com medo. Se falasse tudo para Andreas, ele não a iria querer mais. Ótimo, tinha uma arma contra ela.

 

         Mas um ponto a deixava intrigada. Myrian sabia quem ela era, quando a conheceu na boite. Sabia que era Adrian, a irmã de Andreas. Por que então tinha ido com ela para o hotel, sabendo que no dia seguinte se encontrariam ali? Qual era o objetivo dela, em ir para a cama com a irmã do futuro noivo? Por mais que pensasse, não encontrava explicação.

 

         Olhou para Agnes. Ela era uma garota linda, só que muito nova. Devia ter no máximo uns dezesseis anos. Quase uma criança. Não serviria para a sua vingança, o que era uma pena. Porque seria o máximo, conquistar a irmã daquela mulher dissimulada, falsa! Ela iria ficar furiosa! Ela não amava Andreas, porque se o amasse, não teria ido para a cama  com a irmã dele.

 

         Estava pensando em um plano para vingar-se dela, quando Agnes a olhou e chamou, servindo-se na mesa do bufê:

 

         -Adrian, não vai comer nada? Venha, prove ao menos os canapés! Estão uma delícia!

 

         Adrian ergueu-se e se aproximou da mesa, parando ao lado de Agnes, que a fitava sorrindo.

 

         -Vou seguir a sua recomendação.

 

         -Muito bem, pensei que estivesse de dieta!

 

         Adrian a fitou com atenção. Ela tinha covinhas nos cantos da boca quando sorria, como Myrian. O olhar não era nada ingênuo. Tinha nas mãos um prato, que enchia de iguarias.

 

         -Puxa, você gosta mesmo de comer – Comentou Adrian, sorrindo.

 

         Ela a fitou nos olhos, com um olhar maroto.

 

         -Os prazeres da vida são para serem apreciados! Não deixo de prová-los – Disse, baixinho.

 

         Adrian pegou um prato e a fitou com malícia.

 

         -Prova todos os prazeres?

 

         -Todos! – Afirmou, fitando-a nos olhos.

 

         Adrian riu e olhou de soslaio para Myrian. Ela se servia  há alguns passos depois delas, e estava imóvel com a concha de creme rosê na mão, como se estivesse atenta ao diálogo dela com Agnes. Resolveu provocá-la. Olhou-a com um sorriso e perguntou:

 

         -E você,Myrian? Também prova todos os prazeres da vida?

 

         Ela voltou o rosto e a fitou, com um olhar indecifrável. Respondeu séria, com voz calma:

 

         -Depende do prazer.

 

         -Depende? – Repetiu, olhando-a com cinismo e atrevimento – Não acho que pense assim. Penso que você é dessas pessoas que desejam provar de tudo, realizar experiências excitantes, mesmo que depois se arrependa e fuja.

 

         Myrian empalideceu. Voltou-se de costas para Adrian, e foi para a mesa, sentando-se ao lado de Andreas.

 

         Agnes deu uma risadinha, olhando para Adrian.

 

         -Você brincou com a pessoa errada, Adrian! Myrian não tem o menor senso de humor! Só pensa em arqueologia, em múmias e objetos de escavações! Vive viajando atrás de quinquilharias em escavações e em conferências sobre coisas velhas! É  uma chata, metida a intelectual!

 

         Adrian a fitou surpresa.

 

         -Myrian é arqueóloga?!

 

         Agnes sorriu, fitando-a nos olhos.

 

         -Por que a surpresa? É algo tão diferente assim? Eu acho uma coisa idiota! Ela é uma arqueóloga e agora foi contratada pelo Louvre para restaurar umas velharias quebradas! Não vai apreciar a conversa dela, só fala nessas coisas!

 

         Adrian conteve-se. Não queria que Agnes percebesse o seu interesse por Myrian. Mas estava surpresa em saber que ela era uma arqueóloga. Era uma profissão que admirava muito. Sabia que quem a exercia o fazia por idealismo. Howard Carter havia esgotado os achados importantes, com a descoberta do túmulo de Tutankamon. Aos arqueólogos modernos só restara o sonho e a perseverança, com achados menos importantes.

 

         -Vejo que você não tem uma opinião muito lisonjeira de sua irmã – Disse para Agnes – E você? Gosta de fazer o quê?

 

         -Viver a vida – Respondeu Agnes, sorrindo – E aproveitá-la ao máximo.

 

         E afastou-se com o prato. Adrian voltou-se para o bufê. Não estava com muita fome, mas não ia demonstrar isso para Myrian. Iria comer, beber, rir, para mostrar que estava bem e não se importava com a presença dela.

 

         Aproximou-se da mesa em que todos estavam. Myrian a olhou disfarçadamente, comendo ao lado de Andreas. Mas Agnes a chamou sorridente:

 

         -Adrian, sente-se ao meu lado!

 

         Adrian sorriu e sentou ao lado dela. Agnes comia com apetite as iguarias. Adrian evitou olhar para Myrian, que conversava com Andreas aparentemente concentrada. Seu pai conversava com a mãe delas.

 

         Agnes a olhou de soslaio e sorriu, sem deixar de comer.

 

         -Tem um perfil perfeito, Adrian. É muito bonita, gostei de você. É um tesão de mulher! – Sussurrou.

 

         Adrian enrubesceu, fitando-a surpresa. Agnes falou de um jeito que a fez sentir que o elogio escondia algo muito maior que um simples elogio sem malícia. Será que aquela menininha tinha experiência com mulheres? Mas respondeu naturalmente:

 

         -Obrigada, Agnes. Você também é muito bonita.

 

         -Eu sei. Mas sou mais do que Myrian, ou ela me supera?

 

         Adrian a olhou com ar divertido.

 

         -Você faz concorrência com sua irmã? Não dá para comparar, Agnes. São tipos diferentes – Disfarçou.

 

         -Ah, não seja mentirosa! Ela é loura como eu, somos do mesmo tipo! Fale. Sua opinião é muito importante para mim.

 

         -Por quê?

 

         -Porque você é uma mulher muito atraente, Adrian.

 

         Adrian a fitou confusa. Agnes, com aquele rostinho angelical, estava se revelando uma garota perigosa.

 

         -Acha mesmo? Obrigada, Agnes. Mas continuo achando você muito diferente de Myrian.

 

         -Claro, ela é uma mulher fria e eu sou quente. Nisso reside nossa diferença fundamental.

 

         Adrian serviu-se de champanhe. Sua garganta ficou repentinamente seca. Aquela diabinha a estava deixando nervosa.

 

         Agnes deu uma risadinha.

 

         -Não fique nervosa, Adrian... sou assim com todo mundo. Sempre digo o que penso. Sabe, você também parece ser uma mulher quente como eu. Acertei?

 

         Adrian a encarou. Ela a fitava com um sorriso malicioso, que mostrava suas intenções.

 

         -Está querendo embaraçar-me? – Perguntou, fitando-a nos olhos – Não vai conseguir, garotinha...

 

         Agnes  fez uma careta e a olhou amuada, fazendo biquinho.

 

         -Não sou garotinha! Talvez saiba mais que você sobre sexo!

 

         Adrian a fitou com superioridade, incrédula.

 

         -Ah, duvido! Ouça, sou uma mulher adulta e você mal saiu das fraldas!

 

         -Não acredita? Então, leve-me para conhecer seu quarto!

 

         Adrian sorriu. Agnes a estava divertindo.

 

         -Para quê quer conhecer o meu quarto?

 

         -Quero mostrar à você uma coisa... e também tenho curiosidade. Acho que um quarto retrata bem a personalidade de quem o habita. Isso me ajudaria a conhecê-la melhor.

 

         -E por que quer conhecer-me melhor?

 

         -Vamos ser parentes em breve. Não acha que seria bom conhecê-la melhor?

 

         Adrian a fitou interessada.

 

         -Por que diz isso? Andreas está apenas namorando sua irmã! Ele já namorou tantas, antes!

 

         -Ora, Adrian! Então não sabe que eles estão namorando sério? Andreas está apaixonado por Myrian!

 

         -Ah, isso é suposição sua...

 

         -Não desconverse, vamos ao seu quarto.

 

         Adrian a fitou pensativa. Onde aquela garota queria chegar? Pois iria pagar para ver.

 

         -Tudo bem, quando quiser – Concordou.

 

         Ela a fitou alegremente.

 

         -Que legal... vamos assim que eu terminar o lanche, está bem?

 

         -Ok.

 

         Agnes concentrou-se na comida e Adrian tomou um gole de champanhe, olhando para Myrian. Ela as olhava com uma expressão de contrariedade. Notando que Adrian a olhava, voltou o rosto para Andreas.

 

         Adrian regozijou-se intimamente. Ela estava preocupada com sua conversa com Agnes. Ótimo! Pois iria preocupá-la bastante. Daria total atenção a Agnes.

 

         Agnes acabou de comer e ergueu-se, olhando para Adrian com satisfação.

 

         -Vamos, Adrian?

 

         A mãe de Agnes as olhou curiosa.

 

         -Vão onde, minha filha?

 

         Agnes olhou para a mãe com um sorriso angelical.

 

         -Adrian convidou-me para conhecer seu quarto. Já nos tornamos amigas, mamãe.

 

         Madame Olga sorriu, agradavelmente surpresa. Olhou para Adrian sorridente.

 

         -Mas que ótimo, fico muito satisfeita com isso! Mas, não vai chamar Myrian para ir com vocês também?

 

         Adrian olhou para Myrian. Ela olhava para a irmã com um olhar gélido, muito séria. Era evidente que estava aborrecida com a novidade.

 

         Mas antes que ela respondesse, Agnes pegou Adrian pelo braço.

 

         -Ah, não! Ela que fique com o namorado! Myrian vai encher os ouvidos de Adrian com sua conversa sobre arqueologia! É uma chata!

 

         -Agnes! Não fale assim de sua irmã! – Repreendeu madame Olga, deixando de sorrir.

 

         Agnes puxou Adrian pelo braço, ignorando o protesto da mãe.

 

         -Vamos, Adrian.

 

         Adrian a acompanhou, sentindo o olhar de Myrian em suas costas. Ótimo, ela devia estar furiosa com Agnes pela exclusão. Isso era muito bom, ela sentir-se excluída! Olhou para Agnes, já subindo as escadas com um sorriso.

 

         -Já vi que você é uma pestinha, Agnes. Sua irmã não deve ter gostado do que disse.

 

         Ela a fitou, fazendo biquinho com a boca.

 

         -Acha? Ora, sou apenas franca! Ela que se dane, se não gostou!

 

         -Estou enganada, ou existe uma rivalidade entre você e sua irmã?

 

         Agnes a olhou sorrindo.

 

         -Dá para perceber, não é? Existe, sim. Para meus pais, Myrian sempre foi a melhor. A mais inteligente, a mais estudiosa, a mais sensata, a mais não sei o quê... mas quando posso, eu mostro à ela que sei conquistar a simpatia das pessoas mais do que ela. Não fico com aquele ar de princesa, eu me comunico.

 

         Adrian riu.

 

         -Não há dúvidas quanto à isso! Então, deve ter uma porção de amigos, não é?

 

         Agnes a encarou repentinamente séria.

 

         -Não.

 

         -Não?!

 

         -É isso que ouviu. No meio em que vivo, as pessoas são muito conservadoras. Eu as assusto com as minhas atitudes. Ah, eu queria tanto ser uma artista de cinema!

 

         Adrian não pôde evitar o sorriso.

 

         -Por que, Agnes?

 

         -Acho que os atores são pessoas de mente mais aberta. E vivem como querem.

 

         -isso não depende da profissão... tem muitos que são reprimidos.

 

         -São livres, sim! A não ser que as revistas que leio digam mentiras. Leio as revistas de cinema e fico encantada com o estilo de vida deles. Sabe, adoro os cantores de funk, se pudesse, seria uma cantora de funk!

 

         Adrian riu, achando graça. Ela era uma adolescente como muitas outras, que estavam ainda à procura de seu caminho. Chegou à porta de seu quarto. Abriu-a e fez um gesto para Agnes entrar, dizendo:

 

         -Mate a sua curiosidade.

 

         Agnes passou por ela e Adrian entrou, fechando a porta. Ela girou nos calcanhares, olhando em volta, curiosa.

 

         Viu a enorme cama forrada de peles no centro do quarto, o home theatre diante dela com o telão de um metro, com vídeo e dvd. Ao lado, uma mesa com computador, impressora e  scaner. Nas paredes laterais, os posters de Madonna, Melissa Ethredge e Shania Twain, junto com uma guitarra. Atrás da cama,  um quadro de Salvador Dali.     Num canto, a escultura de aço em tamanho natural de duas mulheres abraçadas. No outro, uma poltrona  de couro branco  e um frigobar. O tapete grosso negro combinava com as paredes brancas. Um rack de acrílico negro e aço sustentava uma aparelhagem de som moderníssima.

 

         -Chocante! – Exclamou ela, entusiasmada – Exatamente como pensei que seria o seu quarto!

 

         De braços cruzados, Adrian a fitou com um olhar cínico, inclinando a cabeça de lado.

 

         -Como pensou que seria?

 

         -Moderno, com esse clima excitante!

 

         Ela foi até o rack e olhou os cds enfileirados, soltando exclamações de entusiasmo.

 

         -Puxa! Que coleção! E esse cd! Adorei o filme!

 

         -Que filme?

 

         -Nove Semanas e Meia de Amor! Kim Bassinger faz um striptease sensacional!  Eu assisti na tv à cabo a semana passada! Coloque-o! – Disse, estendendo o cd.

 

         -Agora?

 

         -Agora! Vai me conhecer melhor, Adrian!

 

         Adrian sorriu. Agnes parecia uma criança numa loja de brinquedos. Pegou o cd e colocou-o no aparelho, selecionando a faixa da música, que já conhecia. A música explodiu nas quatro caixas de som de trezentos watts. Agnes a fitou com receio.

 

         -Não vai incomodar as pessoas, nesse volume? – Gritou, para se fazer ouvir.

 

         -O quarto é à prova de som. Para não perturbar meu pai – Gritou Adrian, sorrindo.

 

         Agnes riu. Fez uma pose provocante, imitando a personagem do filme. Adrian sentou na poltrona, olhando.

 

         Agnes estava de saia justa e curta e uma blusa de lycra. Ela olhou-a nos olhos, com um olhar felino, numa mudança de expressão que atordoou Adrian.

 

         Ela levantou as mãos aos botões da blusa, num requebro sensual e começou a desabotoar a peça.

 

         Adrian riu, disfarçando o que sentiu. Um arrepio a percorreu, pensando que aquela garota era nitroglicerina pura!

 

         Ela despiu a blusa lentamente, dando passos de dança. Acabou de tirá-la e a girou no ar, jogando-a para o lado. Os seios pequenos e eretos ficaram cobertos apenas pelo fino tecido do soutien de renda branca. Tirou-o também, voltando-se de costas para Adrian. Voltou-se e o jogou sobre ela, que o pegou rindo.

 

         Agnes abriu o fecho da saia, olhando para Adrian com um olhar malicioso. Adrian engoliu em seco. Ela sabia provocar!

 

         Ela desceu a saia, remexendo os quadris provocantemente. Passou a língua rosada pelos lábios e acabou de tirar a saia, jogando-a para o lado. Adrian olhou para os seios de biquinhos rosados, a cintura fina, as costas bem feitas. Ela tinha um corpo lindo!

 

         Somente de calcinha de rendas, ela começou a dançar, fazendo poses provocantes. Adrian apertava as mãos na borda da poltrona, sentindo o desejo tomar conta de seu corpo com aquela cena excitante. Não ria mais. Seu olhar discorria pelo corpo de Agnes e se continha para não se levantar e pegá-la.

 

         No meio da música Agnes aproximou-se de Adrian e apoiou as mãos no encosto da poltrona, os seios quase esfregando no rosto de Adrian, remexendo os quadris e soltando suspiros, olhando para sua boca.

 

         Adrian fitou aqueles seios pequenos, de biquinhos rosados já enrigecidos de frio ou desejo. Aquilo era demais! Ela perdeu o controle e segurou os seios em concha, apertando-os suavemente.

 

         Agnes riu e a empurrou, recuando fora de seu alcance. Sob o olhar perturbado de Adrian, começou a vestir o sutian, com um sorriso malicioso. Adrian ergueu-se e estendeu as mãos para pegá-la, mas ela tornou a recuar, rindo.

 

         -Não! Controle-se, Adrian! Nunca viu uma mulher de seios de fora antes?

 

         Adrian a encarou com raiva. Seria uma característica da família dela, provocar e depois negar e fugir?

 

         -Não quer que eu a toque?

 

         -Não. O show acabou.

 

         -Por que então provocou-me?

 

         Agnes a fitou com falsa ingenuidade.

 

         -Eu provoquei você? Não foi minha intenção. Apenas quis imitar a personagem do filme. Não tem nada demais.

 

         Adrian colocou as mãos na cintura, fitando-a furiosa.

 

         -Apenas imitou?! A personagem do filme não ficou quase roçando os seios no rosto do ator, como você fez! E não venha me dizer que não sabia que estava provocando-me!

 

         Agnes a fitou parecendo amedrontada.

 

         -Desculpe-me! Mas como eu iria advinhar que você ficaria excitada com uma mulher?

 

         Adrian teve vontade de dar umas boas palmadas naquela garota mentirosa.

 

         -Não banque a ingênua comigo, Agnes! Você é uma garota sonsa! Pode ser uma garota nova, mas já deve ter mais experiência numa cama que uma piranha!

 

         Agnes arregalou os olhos, forçando indignação.

 

         -Oh! Como pode pensar isso de mim? Saiba que sou virgem!

 

         Adrian riu à essa declaração.

 

         -Garota, acha que sou trouxa? Virgem! Você e sua irmã são iguais, adoram enganar as pessoas!

 

         Agnes a fitou com surpresa. Adrian percebeu que havia falado demais, mas agora não podia anular o que havia escapado.

 

         -Por que diz isso, Adrian? Já conhecia minha irmã antes de hoje?

 

         Adrian sacudiu a cabeça negativamente, arrependida de seu desabafo.

 

         -Não, nunca a vi antes. Nem sei porque falei isso. Acho que foi porque a achei misteriosa.

 

         Agnes a fitou com o cenho franzido.

 

         -Hummm... Myrian vem muito a Paris. Diz que vem participar de conferências, mas tenho minhas dúvidas que apenas faz isso. Agora que foi contratada pelo Louvre, ela tem saído muito mais. Vocês podem ter se conhecido antes de hoje!

 

         -Se fosse o caso, por que eu esconderia isso? O que  teria demais? Ela é a namorada de meu irmão! Você é muito maldosa, Agnes!

 

         -Ah, eu ficaria desconfiada de vocês, se soubesse que já se conheciam! Myrian é muito sonsa e você é uma conquistadora! Desde que botei meus olhos sobre você, percebi que é gay! Você olha para uma mulher como se estivesse desnudando-a! Tem um olhar muito expressivo, sabia? E você confirmou minha suspeita quando fiz o strip-tease. Você ficou excitada e me comia com os olhos! Até que não resistiu e tocou meus seios.

 

         Adrian a fitou com irritação.

 

         -Ouça, garota intrometida, eu nunca vi sua irmã antes, satisfeita? E não gostei de saber que fez o strip-tease para testar-me! Se sou gay ou não, não é de sua conta! Dê o fora do meu quarto!

 

         Agnes fez biquinho com os lábios e acariciou seu rosto, fitando-a com ar arrependido.

 

         -Oh, Adrian... não fique com raiva de mim... não vou contar a ninguém o que descobri de você, nem o que se passou aqui. Eu gostei tanto de você... quem sabe se mais tarde eu concordo em continuar o show e deixo você tocar-me? Só preciso pensar sobre isso um pouco.

 

         Adrian acabou rindo. Era impossível ficar com raiva de Agnes. Ela sabia manejar o humor das pessoas.

 

         -Está bem, garota safada... agora, vá se reunir ao pessoal. Já demorou muito aqui. Preciso ficar só.

 

         Agnes sorriu docemente, continuando a vestir-se. Quando acabou, saiu jogando um beijo com a mão.

 

         Adrian desligou o som e sentou na cama, pensativa.

 

         Então, Myrian vinha muito a Paris... devia aprontar, nessas vindas. E dizia que vinha para conferências! Dissimulada, fingida! Agnes pelo menos era mais honesta com as pessoas. Mostrava o que sentia e falava o que pensava, mesmo com seus jogos bobos. Era louquinha, mas isso era próprio da idade.

 

         Já Myrian, com aquela máscara de intelectual e séria, enganava as pessoas, usava-as e depois fugia. Covarde! Não tinha coragem de assumir o que era! Vivia de aparências! Pobre Andreas, estava envolvido com uma mulher que o traía!

 

         Ergueu-se, deprimida. Foi até a estante e pegou uma garrafa de uísque. Colocou no copo uma dose dupla e tomou-o puro, querendo se embriagar, apagar, não pensar e sentir mais nada. Estava sofrendo em pensar em Myrian com Andreas. Os beijos e carinhos que deviam ser dela, estavam sendo dados ao seu irmão, e não podia fazer nada contra isso.

 

         Várias doses depois, Adrian caiu sobre a cama completamente tonta. Sua mente mergulhou na escuridão bem-vinda, que não a fazia sofrer mais.

 

 

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         Agnes dirigiu-se para o quarto que lhe fôra destinado e entrou. Suas feições se contraíram ao topar com Myrian sentada numa poltrona, de braços cruzados e com uma expressão fechada, fitando-a. Agnes fechou a porta com fôrça e a fitou irritada, dizendo impacientemente:

 

         -Não é possível! Será que você não vai deixar-me em paz nem em meu quarto?! O que quer aqui?

 

         Myrian ergueu-se e se aproximou da irmã com olhar furioso. Parou diante dela e falou entredentes, encarando-a bem de perto, ameaçadoramente:

 

         -Você não pode sossegar, não é? O que foi fazer no quarto de Adrian, sua oferecida?

 

         Agnes a encarou sem medo, erguendo as sobrancelhas em um olhar irônico.

 

         -Nada demais! O que eu faria demais em um quarto com uma mulher?

 

         -Não banque a ingênua, Agnes! Sei muito bem que para você tanto faz que seja um homem ou uma mulher, você ataca todos! O que fizeram? Fale! – Rosnou Myrian, sacudindo-a rudemente pelos ombros. Agnes desvencilhou-se enraivecida.

 

         -Largue-me! Pensa que manda em mim? Não tenho que lhe dar satisfações de meus atos!

 

         Myrian a fitou vermelha de raiva.

 

         -Sua cadela no cio, o que fez com Adrian no quarto?

 

         Agnes colocou as mãos na cintura, fitando-a com um sorriso cínico.

 

         -Quer mesmo saber?  Pois bem, eu fiz um strip-tease para ela ver! E Adrian adorou, eu bem que suspeitei que ela era gay! O modo dela olhar para você a traiu! E o strip-tease confirmou o que suspeitei! Oh, eu vou me divertir muito com isso!

 

         Myrian se descontrolou e esbofeteou a irmã. Agnes cambaleou, fitando-a assustada, com a mão no rosto.

 

         -Está louca? – Gritou.

 

         -A louca é você, sua cadela! – Disse Myrian, com tom cortante – Não respeita ninguém, nem a casa de uma família que nos recebeu tão bem! Vadia!

 

         Agnes a fitou com suspeitas.

 

         -Você está muito nervosa! Por quê? Está com ciúmes de Adrian? – Perguntou, com ironia – Apaixonou-se por ela à primeira vista?

 

         Myrian empaldeceu, fitando-a com olhos arregalados.

 

         -Você é louca! Que imaginação fértil!

 

         Agnes riu.

 

         -Você está muito transtornada, cara irmã! E Adrian disse uma coisa que me fez achar que vocês já se conheciam antes de hoje!

 

         -O ... o que ela disse? – Gaguejou Myrian, começando a tremer de nervosismo.

 

         -Ah! Está com medo do que ela falou, não é?

 

         Myrian respirou fundo, tentando acalmar-se.

 

         -Não estou com medo, não devo nada a ela! Mas quero saber o que ela falo de mim! Fale, ou vou rebentar sua cara! – Ameaçou, aproximando-se de Agnes, que recuou.

 

         -Calma! Ela só falou que eu gosto de enganar as pessoas, como você! E esse comentário só tem sentido se ela já a conhecia antes de hoje! Vamos, Myrian... conte a verdade... onde a conheceu? Quando foi, em que circunstância? E o que houve entre vocês? Notei como ela ficou pálida quando a viu! E você parecia estar com medo do olhar dela! Não adianta disfarçar, vocês não me enganam!

 

         Myrian suspirou, aliviada. Adrian não havia falado nada que a desmascarasse. Olhou para a irmã, mais calma.

 

         -Você tem a mente muito fértil, Agnes. Eu conheci Adrian aqui, hoje. Não sou responsável pelas bobagens que vocês dizem.

 

         Agnes riu, incrédula da afirmação da irmã.

 

         -Eu conheço você bem, Myrian! Não adianta disfarçar! Oh, a sensata Myrian, a queridinha da mamãe, cheia de falsa moral, andou por aí e conheceu Adrian não se sabe onde! Em que a enganou? Isso eu queria saber!

 

         Myrian dirigiu-se para a porta do quarto e olhou para a irmã com a mão na maçaneta, um olhar cheio de ira.

 

         -Vá para o inferno, sua louca! Não vou ficar aqui ouvindo besteiras de uma garota idiota!

 

         -Ir para o inferno? – Repetiu Agnes, sorrindo com malícia – Não, querida irmã... eu vou ir para a cama com Adrian... e você, que fique morrendo de inveja, sua sonsa!

 

         Myrian saiu e bateu a porta com raiva.

 

         Agnes ficou parada, sorrindo. Havia algo no ar, entre Myrian e Adrian. E iria descobrir o quê. Iria conquistar Adrian, sabendo que com isso iria despertar a ira dela. Ah, iria divertir-se muito!

 

 

)))))(((((

 

 

         Myrian saiu do quarto nervosa e irritada. Tinha vontade de estrangular Agnes e Adrian! Duas cadelas, era isso que elas eram! Ah, mas ia vingar-se disso! Adrian havia adorado ver Agnes fazer um strip-tease? Pois iria fazer pior!

 

         Andreas havia acabado de tomar um banho e escolhia suas roupas no closet, quando ouviu passos no quarto. Vestiu a cueca e foi ver quem estava lá, curioso. E viu Myrian sentada em sua cama, com olhar sombrio. Ela o olhou aproximar-se com uma expressão séria.

 

         -Myrian! O que foi? Por que está com essa cara mau humorada?

 

         Ela olhou para o corpo forte e bronzeado de sol com um olhar avaliador.

 

         -É por causa de Agnes, que mais uma vez aborreceu-me. Venha cá...

 

         Ele a fitou preocupado, sentando ao lado dela.

 

         -A porta do quarto está destrancada. Se alguém entrar, será constrangedor...

 

         Ela sorriu, puxando-o pelo pescoço e o fitando nos olhos.

 

         -Bobagem, quem iria entrar em seu quarto sem bater? Eu quero você agora, Andreas.

 

         E ela o beijou ardentemente, deixando-o surpreso e encantado. Era a primeira vez que ela tomava iniciativa para terem sexo. Myrian levou a mão ao seu sexo, acariciando-o .  Ela interrompeu o beijo e sussurrou em seu ouvido:

 

         -Gosta disso?

 

         -Muito... você está me deixando louco...

 

         Myrian tirou o sexo de Andreas para fora. Ergueu-se e fitando-o sensualmente, tirou a calcinha de renda negra e levantou a saia, montando nas coxas dele. Pegou o sexo já ereto e desceu o corpo, fazendo-o penetrá-la . Com as mãos cruzadas em seu pescoço, ela começou a mover os quadris sensualmente. Andreas a segurou pela cintura e moveu seus quadris para cima, louco de desejo.

 

         Myrian o fitou nos olhos. Ele era o irmão de Adrian. Eles tinham os mesmos olhos. Com um pouco de imaginação, podia pensar que estava fitando os olhos de Adrian.

 

         A fantasia a dominou. O desejo cresceu e movimentou-se à procura do prazer. Andreas agora arremetia com força, penetrando-a louco de prazer. Ele não queria que aquele momento terminasse. Ele dentro de Myrian! Como era macia e quente!

 

         O clímax do prazer sacudiu seus corpos em movimentos espasmódicos. Myrian caiu sobre Andreas, respirando pesadamente. Mas logo saiu de cima dele e se levantou da cama. Vestiu a calcinha e o fitou calmamente.

 

         -Vou para meu quarto tomar um banho.

 

         -Myrian, fique mais um pouco aqui comigo... quero beijar seu corpo todo, fazer aquilo que você tanto gosta...

 

         Ela sorriu afastando-se para a porta.

 

         -Não quero que me faça sexo oral agora, Andreas. Preciso ir. Minha mãe pode procurar-me ou sua irmã entrar aqui...

 

         Ele a fitou decepcionado.

 

         -Antes, isso não a incomodou. Por que não fica mais um pouco?

 

         Ela parou com a mão na maçaneta, fitando-o maliciosamente.

 

         -Já não fizemos o que desejávamos? Então, até mais tarde, garanhão...

 

         E ela saiu, deixando Andreas insatisfeito. Era sempre assim. Ela não cedia em nada, tudo tinha que ser quando e como ela queria. E depois sempre o deixava querendo mais. Sentia o domínio de Myrian sobre ele. Era a primeira mulher que o dominava, que o fazia sentir-se escravo dos desejos dela.

 

         Pensou nas mulheres que tivera antes dela. Eram tão fáceis de manejar, tão iguais, fazendo tudo que ele queria, para agradá-lo! Myrian, não. Ela se entregava à ele dentro de seus termos, sempre deixava a sensação que não a possuíra verdadeiramente. Myrian era um enigma. Misteriosa, fechada, mais de agir do que falar. Era um constante desafio para ele, mostrando que ele era apenas um homem, e não o prêmio precioso que as outras queriam.

 

         Voltou ao banheiro e tomou um banho rápido. Vestiu-se olhando para o relógio. Já eram quase oito da noite, logo seria servido o jantar.

 

         Pensou em Adrian. Ela havia sumido, depois que havia levado Agnes ao seu quarto. Havia notado um certo mal estar dela com Myrian. Será que ela não havia simpatizado com sua namorada? Queria que elas se tornassem amigas, pois pretendia casar-se com Myrian e viver ali com ela. A mansão era enorme e havia vivido ali desde que havia nascido. Precisava aproximá-las.

 

         Resolveu ir chamá-la no quarto. Quando ficou pronto, foi até o quarto dela e bateu na porta. Nenhuma resposta. Insistiu. Nada. Impaciente, girou a maçaneta e empurrou a porta e entrou.

 

         As luzes estavam acesas e Adrian dormia caída na cama, completamente vestida. Nem havia tirado as botas.

 

         Aproximou-se, estranhando a irmã estar dormindo assim, e tão cedo. E viu a garrafa de uísque sobre a mesinha de cabeceira, quase vazia. Adrian havia bebido tudo aquilo? Sentou na beira da cama e a sacudiu levemente pelo ombro.

 

         -Adrian... acorde!

 

         Ela não teve nenhuma reação. Sacudiu-a com mais força. Nada. Deu tapinhas no rosto dela, foi ao banheiro e trouxe uma toalha molhada e passou em seu rosto, sem resultado. Nervoso, ligou para o celular de seu pai. Ele atendeu de mau humor:

 

         -Quem é? Estou ocupado!

 

         -Pai, é Andreas! Chame um médico, urgente! Adrian está passando mal!

 

         -O quê?! O que ela tem?

 

         -Está desmaiada, na cama!

 

         Foi uma confusão geral na casa. O velho Ernest berrava, perguntando aos criados por que o maldito médico demorava tanto para socorrer sua filhinha. Andreas andava de um lado para o outro, roendo as unhas. Os criados andavam às tontas, procurando fazer alguma coisa para ajudar, mas só conseguiam murmurar que a filha do patrão estava mal. Madame Olga tentava acalmar o velho com uma xícara de chá e Myrian torcia as mãos com ar desesperado. Agnes olhava todos com um ar divertido.

 

         -Minha filhinha, minha Adrian! – Berrava o velho, com olhar agoniado, dando socos nas paredes – Onde está esse maldito médico? Ah, se ela morrer, ele vai conhecer minha ira! Andreas! Telefone para ele novamente, apressando-o! Eu não tenho cabeça para isso!

 

         -Papai, liguei há dois minutos atrás! Ele está vindo, já está há cinco quarteirões daqui!

 

         Agnes olhou para Myrian com um sorriso cínico. No rosto agoniado de Myrian estava a prova que suas suspeitas eram verdadeiras. O seu olhar desesperado mostrava muito mais que a preocupação por uma futura cunhada que mal conhecia. Ela tinha u interesse oculto por Adrian, por mais que negasse. Elas já se conheciam antes.

 

         Finalmente o médico chegou. Ernest e Andreas o conduziram imediatamente para o quarto de Adrian. Agnes se aproximou de Myrian com um sorriso divertido e disse baixinho:

 

         -Controle-se! O médico vai dar um jeito nela. Deve ter desmaiado de tanto beber.

 

         Myrian a encarou aflita, sem poder disfarçar sua preocupação.

 

         -E se ela entrou em coma alcoólico? Isso pode acontecer e é perigoso! Já soube de casos de pessoas que morreram assim!

 

         -Que nada! Adrian precisaria de muito mais bebida para isso! Vocês são muito dramáticos, fazem um dramalhão que parece uma ópera italiana! Cuidado, ou todos perceberão que você está apaixonada por Adrian!

 

         -Oh, deixe-me em paz, sua idiota! – Gritou Myrian, descontrolando-se – Como pode ser tão insensível? Adrian está correndo risco de vida e você está aí falando besteiras!

 

         -Meninas! – Interveio madame Olga – Vê se ao menos numa situação dessa ficam quietas, sem brigar!

 

         Agnes sorriu angelicalmente para a mãe.

 

         -Está bem, mamãe. Vou ficar calada. Myrian quem está nervosa.

 

         Meia hora depois o médico desceu, acompanhado do pai de Adrian, que agora estava calmo.

 

         -E então, monsieur Ernest? – Perguntou madame Olga, ansiosa.

 

         O pai de Adrian sorriu aliviado.

 

         -Ela já voltou a si. O médico simplesmente aplicou uma injeção de glicose na veia dela. Agora ela precisa de repouso. Adrian não agüenta bebidas fortes e ela hoje abusou. Tomou meia garrafa de uísque. Mas já está bem, graças a Deus. Andreas pediu-me para falar com ela em particular e os deixei conversando.

 

         Agnes olhou para Myrian. Ela sorria, aliviada.

 

         -Viu como eu estava certa? Não foi nada demais.

 

         -Desculpem todo esse transtorno – Disse Ernest – Agora quem vai beber sou eu, para relaxar. Acompanham-me em uma garrafa de champanhe?

 

         Todas concordaram, acompanhando o velho para a sala de estar.

 

 

)))))(((((

 

 

         Andreas fitou a irmã com ar preocupado. Ela o olhou com expressão abatida e desviou os olhos, envergonhada de ter causado tanta preocupação com sua atitude idiota.

 

         -Que susto nos deu, Adrian – Disse ele, suavemente – O que a levou a beber tanto? Nunca fez isso antes, sempre bebeu moderadamente!

 

         Ela o fitou com tristeza.

 

         -Problemas sentimentais meus.

 

         -Adrian, quem é o canalha que a está fazendo sofrer? Eu o conheço?

 

         Ela o fitou embaraçada. Se ele soubesse!

 

         -Não, não o conhece. Por favor, não quero falar nisso. Fale-me de você. Está mesmo gostando de Myrian, ou ela é apenas outra que conquistou e vai deixar quando enjoar? Por que não é a primeira vez que traz uma namorada aqui.

 

         Ele a fitou sério. E sem ele dizer nada, Adrian percebeu que Andreas estava apaixonado. Nunca vira aquele olhar nele, antes.

 

         -Estou apaixonado por Myrian, Adrian. Dessa vez é sério. Você se esqueceu que eu nunca trouxe a família de minhas namoradas aqui, antes.

 

         -Tem certeza que essa moça é a mulher certa para você? Conhece-a bem?

 

         -Não, não a conheço bem. E acho que nunca a conhecerei completamente. Myrian é misteriosa e imprevisível. E isso me fascina, Adrian. Ela não é como as outras, que me adulavam porque sou um bom partido. Com ela  sinto-me natural, sou apenas um homem comum. E desde que a conheci, nenhuma mais me interessa.

 

         -Oh, Andreas... espero que não se decepcione... Acho Myrian muito... estranha.

 

         Ele a fitou curioso.

 

         -Por que diz isso? Você mal a conhece!

 

         -Intuição feminina...

 

         -Adrian, eu gostaria que se desse bem com Myrian. Eu a amo e pretendo morar aqui quando nos casarmos. Por que essa prevenção? O que não gostou nela? Reconheço que Myrian é muito fechada, mas quando a conhecer melhor, vai ver como ela é maravilhosa.

 

         Adrian o fitou, quase revelando o que havia acontecido entre elas. Mas se conteve. Andreas estava tão apaixonado que não iria acreditar nela. Iria achar que estava inventando coisas porque não gostara dela. Pois ele que descobrisse por si mesmo quem era Myrian. Sorriu.

 

         -Tudo bem, vou dar uma chance à ela. Vou procurar conhecê-la melhor. E Agnes? O que acha dela?

 

         Andreas riu.

 

         -Agnes é bem louquinha, completamente diferente de Myrian. Não é nada inocente, com aquela carinha de anjo. Ela tentou conquistar-me, logo que conheci Myrian.

 

         Adrian o fitou surpresa.

 

         -É mesmo? Como foi isso?

 

         -Foi na primeira vez que fui à casa de veraneio delas, em Nice. Fiquei hospedado lá no final de semana. Acordei cedo e fui dar um mergulho na piscina. Agnes apareceu minutos depois e a safada despiu-se completamente e entrou na piscina. Aproximou-se de mim e disse que eu era muito atraente. Apalpou-me e pegou minha mão e a colocou em seu seio. Eu fiquei parado, fitando-a constrangido com o seu atrevimento. Ela é muito bonita, mas eu já estava muito envolvido por Myrian e não queria confusão. Afastei-me dela e a critiquei pelo seu comportamento, tentando trair  a irmã. Ela ficou furiosa. Gritou que eu era puritano e frouxo. E nesse momento, Myrian chegou. Viu-a nua na piscina e começaram a trocar insultos. A mãe chegou atraída pelos gritos e as fez parar a briga. Desde esse dia, Agnes trata-me com fria polidez, o que prefiro.

 

         -Que garota safada! – Admirou-se Adrian – Acho que elas se odeiam ou têm uma grande rivalidade. Conversei com Agnes e percebi isso. Ela deve adorar tentar tomar os namorados da irmã, para provar que é mais atraente e bela. Agnes parece ter um grande complexo de inferioridade em relação à irmã e isso provoca seu antagonismo.

 

         Andreas encolheu os ombros.

 

         -Pode ser, mas comigo ela já precebeu que é inútil tentar. Eu amo Myrian e não estragaria a minha relação com ela por uma louquinha como Agnes, nem por qualquer outra mulher.

 

         -Espero que não se decepcione, Andreas. Agora, deixe-me só. Preciso descansar. Estou morrendo de sono.

 

         -É o efeito da injeção que tomou. Descanse. Amanhã conhecerá Myrian melhor. Boa noite, Adrian.

 

         -Boa noite, Andreas.

 

         Ele apagou a luz e saiu . Adrian fechou os olhos, tentando expulsar a imagem de Myrian de sua mente.

 

 

        

Continua na parte 4

 06/2003

 

 

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