Paixão  Proibida

LETH CROSS

 

parte 2

 

         A limousine negra corria pela estrada com destino a Paris, suavemente. O dia estava frio, mas o aquecedor do confortável veículo tornava o ambiente em seu interior, ameno.

 

         Atrás do chofer, Andreas ia ao lado de Myrian, segurando a mão dela, olhando-a disfarçadamente. No banco diante dele iam a mãe de Myrian, Olga, e a irmã  Agnes.

 

         Myrian parecia pensativa e tensa. A mão dela na sua estava imóvel, sem demonstrar que o contato da sua provocava qualquer reação nela.

 

         Havia chegado à casa dela pontualmente às oito horas, como havia combinado,  para buscá-las. Mas Myrian estava ausente, só chegara uma hora depois, dizendo que dormira na casa de uma amiga. Em meia hora havia se aprontado e então puderam partir.

 

         Andreas tinha vontade de perguntar à ela quem era a amiga com quem passara a noite, sabendo que teria no dia seguinte que acordar cedo para ir à casa dele. A desculpa lhe parecera falsa, mas não tinha coragem para reclamar. Ele conseguira prendê-la justamente por dar à ela liberdade, ela já dissera que nunca antes tivera uma relação por muito tempo por causa das cobranças e imposições. Era muito independente para ser controlada em seus passos. E ele era uma excessão. Deixava-a à vontade para fazer o que bem quisesse.

 

         Andreas pensou o quanto era duro esconder seu ciúme e insegurança. Sempre fôra acostumado a ser bajulado por suas conquistas, que o perseguiam com telefonemas e visitas. Mas Myrian não fazia nada disso. Ele quem tinha de procurá-la, telefonar, esconder o ciúme que sentia dela. Myrian o havia conquistado por ser diferente das outras mulheres. Ela era sensual e quente numa cama, mas não vivia bombardeando-o com declarações de amor. Fora da cama, era uma mulher até seca, sem nenhuma frase de amor. Mas isso o atraía nela. Myrian não estava louca para conquistá-lo e levá-lo para o altar. Ele quem desejava isso com ansiedade, para tê-la para si.

 

         Havia conhecido Myrian em uma partida de tênis. Ele a olhara e se apaixonara instantâneamente. Mas ela não havia se  interessado logo por ele. Tinha insistido muito para sair com ela. Mandava flores, telefonava, cercava-a na porta de casa, até ela concordar em sair com ele.

 

         Na primeira vez que haviam ido para a cama, ficara louco de paixão. E confessara à ela o seu amor, dizendo que a queria para sempre.

 

         Sentia que ela não gostava dele a com a  mesma intensidade, era muito reservada em carinhos fora da cama. Mas ela o aceitava, e isso era o suficiente para ele, por enquanto. Amava-a e tinha certeza que com o tempo, ela o amaria.

 

         Sua vida até então fôra cheia de mulheres, sabia que era um dos melhores partidos e podia conquistar quem quisesse. Bonito, atraente e rico, de uma famìlia tradicional. Sempre usara as mulheres, era divertido e gostoso, cada vez que saía, conquistar uma mulher diferente. Mas logo as deixava. Eram todas interessadas em fisgá-lo para marido, mas ele era esperto. Não deixava a relação se aprofundar. Somente com Myrian mudara de idéia. Ela não fazia nenhum esforço para agradá-lo e envolvê-lo. Admirava-a por isso.

 

         Olhou para a mãe de Myrian. Era ainda uma bela mulher, nos seus cinquenta anos. Myrian havia puxado os traços de beleza dela. Ela admirava a paisagem, distraída. Mas Agnes o olhava atentamente, com um olhar malicioso. Ele sorriu para ela.

 

         -Falta pouco para chegarmos.

 

         Ela sorriu também.

 

         Agnes tinha dezoito anos, era uma garota com um rosto angelical, muito bonita. Olhos azuis, grandes e translúcidos, lábios vermelhos sem nenhuma pintura, uma pele acetinada e cabelos louros e cacheados. O corpo esguio e mignon, ao contrário de Myrian, que era alta e longilínea.

 

         Andreas a achava encantadora, mas somente isso. Todo seu interesse estava dirigido à Myrian, aquela mulher linda e charmosa.

 

         Agnes olhou para Andreas com interesse. Achava-o lindo, parecia um artista de cinema. Ele parecia-se com Brad Pitt.

 

         -E sua irmã, Andreas? – Perguntou, para puxar conversa – Ela não quis vir com você?

 

         Ele sorriu com ar divertido.

 

         -Ah, não a chamei. Adrian detesta acordar cedo e à essa hora deve estar dormindo. Sempre sai às sextas-feiras e volta muito tarde. Mas você ainda vai conhecê-la.

 

         -Já a conheço por fotos em revistas e pela tv. Acho ela muito bonita. Espero que seja simpática também.

 

         -Bem, isso depende do humor dela no dia. Tem dias que está acessível, de bom humor. E tem outros que está uma megera! – Disse, rindo.

 

         -Oh! Espero que esteja em um bom dia!

 

         -Não se preocupe. Adrian, acima de tudo, é uma pessoa educada. Só mostra seu mau humor com quem tem intimidade.

 

         -Vocês se dão bem?

 

         -Sim, gosto muito de minha irmã e sei que ela gosta de mim. Nós sempre fomos muito unidos. Ela é um pouco misteriosa às vezes, mas nos damos bem.

 

         Myrian olhou para Agnes com reprovação.

 

         -Agnes, pare de ficar perguntando sobre a vida de Adrian! Não tem outro assunto além de querer saber da vida alheia?

 

         Agnes a fitou com insolência.

 

         -Oh, a grande dama acha tudo reprovável em mim! Que inveja tenho de você, Andreas! Eu e minha irmã não nos suportamos! E tudo por culpa dela, que se julga superior à mim!

 

         A mãe de Agnes interveio, com tom reprovador:

 

         -Agnes, deixe sua irmã em paz! Será que vocês não podem ficar uma hora juntas, sem ter uma discussão?

 

         Agnes olhou para a mãe, com ar desafiador.

 

         -Não viu que foi ela quem começou? Ah, mas você sempre dá razão a Myrian ! Ela sempre está certa  e eu  errada!

 

         A mãe de Agnes a fitou com severidade.

 

         -Sabe que isso não é verdade! Mas, como posso aprovar as suas provocações à Myrian? Ela é uma moça sensata e trabalhadora, enquanto você deixa os estudos de lado e só quer saber de rock e boates! Você não tem um pingo de juízo e quer que eu aprove seu comportamento!

 

         -Mãe, deixe-a resmungar, não lhe dê ouvidos! – Disse Myrian, olhando para a irmã com frieza – Ela quer é isso, monopolizar as atenções!

 

         -Tem razão, Myrian... vamos encerrar essa discussão agora. Agnes, cale a boca e seja mais educada ! Andreas deve estar constrangido com sua falta de finesse !

 

         Andreas sorriu, conciliador.

 

         -Tudo bem, senhora Olga... já conheço Agnes bem e sei que no fundo, ela é uma boa menina.

 

         Boa menina! Agnes o olhou com raiva, mas calou-se. Aquele idiota só tinha olhos para a irmã! Como todas as pessoas ! Não suportava se sentir inferior a Myrian, mas isso acontecia. E ela revoltava-se com isso. Um dia, eles iriam ver! Seria mais atraente que ela, mais sedutora! Iria conquistar um homem dez vezes mais bonito e rico que Andreas!

 

         Em menos de quinze minutos, chegaram à mansão dos Von Thissen e Ernest Blazen Von Thissen veio recebê-los em pessoa.

 

         Ernest era um homem alto, magro e de severos olhos cinzentos sob as sobrancelhas hirsutas. Mas quando sorria, aquele ar de severidade se diluía em uma pessoa simpática e cordial. Foi apresentado por Andreas às mulheres e sorriu largamente.

 

         -É um prazer enorme, recebê-las em minha casa! Fiquem à vontade, considerem essa casa como se fosse a sua! Seja bem-vinda, madame!

 

         -Obrigada, senhor Thissen – Respondeu Olga, apertando a mão dele.

 

         Ernest olhou para Myrian e a abraçou afetuosamente.

 

         -Então, essa é a garota! Andreas, devo dizer que escolheu muito bem ! Além de linda, vê-se logo que tem classe!

 

         Myrian sorriu.

 

         -Obrigado, senhor Thissen.

 

         Agnes olhou em volta, com curiosidade.

 

         -E Adrian? Onde está?

 

         Ernest sorriu contrafeito.

 

         -Adrian é uma preguiçosa, ainda está dormindo. Vocês a conhecerão na hora do almoço.

 

         Olhou para Myrian curioso. Ela parecia extremamente tensa.

 

         Olga Polinska desviou sua atenção, comentando a beleza do lugar. Ele sorriu orgulhosamente.

 

         -Tudo isso pertence à nossa família há seis gerações, madame. É  toda decorada com peças legítimas do século dezessete. Mas, e seu marido? Não pôde vir?

 

         -Vladmir está em uma missão diplomática em Viena. Não tem data marcada para voltar, mas está ansioso para conhecê-lo.

 

         -Ah, um diplomata! Dê-lhe minhas congratulações, quando chegar. Tem uma linda família. Mas venham, os criados vão levá-las até os quartos onde se hospedarão. Depois de instaladas, espero-as para um lanche no terraço.

 

         Ernest fez um gesto para o mordomo, que aguardava com três criados com as malas. Ele pediu às mulheres que os acompanhassem e elas os seguiram. Andreas olhou para o pai.

 

         -Vou acordar Adrian.

 

         -Isso, essa menina está medindo forças comigo! Não vou eu mesmo acordá-la, porque não quero discussão logo pela manhã.

 

         Andreas subiu as escadas que levavam ao segundo pavimento da mansão agilmente. Bateu na porta do quarto de Adrian. Ela não respondeu. Então, girou a maçaneta e entrou.

 

         Adrian estava deitada na cama, ainda com a roupa que havia saído na noite anterior, com o rosto enfiado no travesseiro. Andreas aproximou-se sorrindo. Debruçou-se para ela.

 

         -Ei, Adrian! Já chegamos e a família de Myrian está querendo conhecê-la ! Que tal levantar agora?

 

         Ela abriu os olhos e voltou-se para ele. Os olhos estavam secos, mas tinham uma expressão de tristeza que ele nunca vira nela.

 

         -Será que não tenho o direito de ficar sozinha? – Perguntou, com voz apagada.

 

         Andreas sentou na beira da cama, olhando-a surpreso e preocupado.

 

         -Adrian, que tristeza é essa?  Nunca a vi assim! O que houve ?

 

         Ela desviou o olhar, dizendo com voz triste:

 

         -Não houve nada.

 

         -Como, nada? Abra-se comigo, Adrian! Se alguém a magoou, vou quebrar a cara desse cafajeste!

 

         Ela a fitou com um sorriso forçado.

 

         -Não é caso para isso.

 

         -Conte-me o que aconteceu! Pode confiar em mim, Adrian!

 

         Ela o encarou. Viu no olhar de Andreas o afeto e a preocupação. Mas não podia falar que estava sofrendo por uma mulher. Ergueu-se da cama, sentando-se.

 

         -Decepcionei-me com uma pessoa.

 

         -Um namorado seu?

 

         -Mais ou menos.

 

         -Por que não desabafa, se abrindo comigo, Adrian? Não vou criticá-la, nem contar ao nosso pai, se é isso que pensa.

 

         Ela ficou de pé e o olhou com gratidão.

 

         -Eu sei, Andreas. Mas não quero falar. Isso vai passar.

 

         -Oh, Adrian! Não se deixe abater por um desengano, você é jovem, linda e deve ter um monte de admiradores querendo uma oportunidade para conquistá-la. Reaja!

 

         Ela o encarou.

 

         -É tem razão... vou reagir, ninguém merece que eu sofra.Vou combater o que sinto.

 

         -Isso, Adrian! Tome um bom banho, vista-se e venha se juntar à nós no terraço. Myrian e Agnes estão ansiosas para conhecê-la. Você vai distrair sua cabeça.

 

         -Está bem, Andreas. Espere-me lá.

 

         Ele saiu e Adrian foi para o banheiro. Andreas tinha razão. Não adiantava ficar ali sofrendo. Tinha de reagir. E o ódio a ajudaria a esquecer aquela mulher fria.

 

         Tomou um banho prolongado, enxugou-se e se olhou no espelho.

 

         Adrian era alta e esguia. O corpo, de curvas firmes e bem delineado pela prática de natação e tênis, era forte e atraente. Os ombros largos, a cintura fina, alargando-se nos quadris arredondados, as coxas e pernas longas e bem torneadas, os braços bem feitos, tudo era coroado por um rosto de linhas marcantes e belo. Os cabelos negríssimos e curtos em um corte moderno, as sobrancelhas naturais arqueadas nas pontas, os malares altos como de uma modelo, os traços aristocráticos, os lábios cheios e sensuais, os impressionantes olhos azuis, tudo reunia a beleza herdada da falecida mãe.

 

         Sabia que era bela e atraente e tirava partido disso em suas conquistas.Mas com Morgana, tudo aquilo havia falhado! Isso a deixava insegura e deprimida. O que adiantava ser bela e atraente, se não havia conseguido conquistar o amor de Morgana?

 

         Vestiu calças compridas e blazer azul escuro, blusa branca de seda e calçou botas negras de salto alto.Perfumou-se com Eternity de Calvin Klein e passou um baton discreto. Olhou-se no espelho. Com óculos de sol, seus olhos inchados de chorar não apareciam.

 

         Maldição! Estava arrasada e tinha de ser simpática e agradável para a família da namorada de Andreas!

 

         Suspirou conformada. Já que tinha uma tarefa a cumprir, o melhor era não adiar mais. Tinha que contentar seu pai . Depois, cairia fora.

 

         Saiu do quarto e desceu as escadas, dirigindo-se para o terraço. O dia estava frio, mas com céu azul e um tímido sol, típico de um dia primaveril. Ela entrou no terraço e viu Andreas e seu pai sentados em cadeiras de vime, conversando. Ambos vestiam ternos e os criados já estavam à postos ao lado de uma mesa com frutas, queijos, delicados canapés de diversos tipos, caviar e croquetes . Garrafas de champanhe Don Perignon já estavam em baldes de prata prontas para serem servidas.

 

         -Bom dia para vocês – Disse Adrian, avançando.

 

         O pai de Adrian a olhou e sorriu satisfeito.

 

         -Bom dia! Finalmente saiu do quarto e veio juntar-se à nós! Muito bem. Nossas convidadas não demoram a descer, já mandei o mordomo chamá-las.

 

         Adrian pegou uma taça de champanhe na mesa e um dos criados se apressou a enchê-la. Seu pai a fitou com reprovação.

 

         -Vai beber de estômago vazio? Coma ao menos alguns canapés! Sei que você gosta!

 

         Adrian se sentou numa das cadeiras da mesa e fitou o pai com ar aborrecido.

 

         -Pai, não sou uma criança! Deixa que eu sei o que é melhor para mim!

 

         -Sabe nada! Não tem um pingo de juízo! Eu acho que devia...

 

         -Obrigado por ter ficado em casa, Adrian – Interrompeu Andreas, sorrindo para a irmã com gratidão – Eu sei que você sacrificou o seu fim de semana, mas foi por uma boa causa. A família de Myrian vai adorar conhecê-la. Vão ficar impressionadas com sua cultura e beleza.

 

         Adrian o fitou desanimada.

 

         -Não estou interessada em impressionar a família de sua nova namorada, Andreas, nem à ela . Sabe que estou aqui porque fui forçada pelo meu pai a comparecer à essa reunião idiota.

 

         O velho a fitou com o cenho franzido.

 

         -Não pode atender um pedido meu uma vez, sem reclamar? Leva uma vida de contos de fada, com dinheiro à vontade  para gastar, tem tudo que quer, e fica aí reclamando porque fez uma pequena vontade minha!

 

         Adrian ia retrucar quando ouviu vozes e passos se aproximando. Calou-se e voltou o rosto para a entrada do terraço, para ver as convidadas. Momentos depois elas entraram, conversando entre elas.

 

         O olhar de Adrian pousou em  Myrian e paralizou no rosto dela, com uma expressão de assombro . Ela ficou pálida e suas mãos começaram a tremer. O choque que sentiu a fez ficar tonta. Não, não era possível!

 

         Myrian a fitou com rosto tenso e logo baixou os olhos, enrubescendo. Agnes  percebeu o olhar de Adrian para a irmã e  a fitou com curiosidade. Viu que Myrian estava visivelmente constrangida e a suspeita se instalou em sua mente. Por que a irmã de Andreas olhava para Myrian como se estivesse vendo um fantasma? Por que Myrian estava constrangida, evitando olhar para Adrian? Ela era uma pessoa segura de si, sem timidez. Ali havia algo.

         A mãe de Myrian a salvou daquele momento, adiantando-se com um sorriso, seguida por Agnes, que fitava Adrian com curiosidade e admiração.

 

         -Oh, vejo que sua irmã está presente, Andreas! – Comentou, sorrindo para Adrian – Finalmente podemos conhecê-la pessoalmente! É uma linda jovem!

 

         Andreas se adiantou, pegando Adrian pela mão e a fazendo se erguer.

 

         -Adrian, apresento-lhe minha futura sogra, Olga Polinska e sua filha Agnes. E ali, a mulher que roubou meu coração, Myrian.

 

         Madame Olga beijou Adrian nas faces, no cumprimento francês. Adrian pestanejou e saiu de seu estado de mudo assombro. Sorriu e retribuiu o cumprimento de Agnes, que também a beijou no rosto.

 

         Agnes a fitou com franca admiração, sorridente.

 

         -Adorei finalmente conhecê-la, Adrian! Você é muito mais bonita pessoalmente! Espero que sejamos amigas!

 

         Adrian readquiriu seu controle e respondeu  polidamente:

 

         -Você também é muito bonita, Agnes. E é claro que podemos ser amigas.

 

         Myrian adiantou-se, estendendo a mão, fitando Adrian com um sorriso trêmulo. O olhar implorava para Adrian calar-se. Adrian a fitou e apertou a mão estendida, quase perdendo seu controle emocional. Seus pensamentos se chocavam em sua cabeça.

 

         -Muito prazer, Adrian. Andreas sempre me fala sobre você e estava curiosa para conhecê-la – Disse Myrian, com voz trêmula.

 

Myrian era uma sósia perfeita de Morgana! Não, idiota! Era ela mesma! Não era uma sósia! A mesma voz, o mesmo sotaque, o mesmo olhar, o mesmo sorriso! Morgana era na verdade Myrian ! A namorada de Andreas! Ela a havia enganado até no nome!

Soltou a mão dela, lembrando que todos as olhavam. Não podia fazer o que tinha vontade: esbofetear Myrian e gritar tudo que pensava dela. Só complicaria sua vida com isso. Seu pai a expulsaria de casa. Ela ter tido sexo com a namorada de seu adorado filho? Ela, uma lésbica? Myrian ter traído Andreas com a irmã dele?

 

Ninguém acreditaria nela. Seu pai iria achar que estava inventando tudo para estragar o namoro do irmão. Andreas iria achar que ela estava brincando. Não, era melhor calar-se.

 

Voltou a sentar-se.Suas pernas tremiam. Agnes sentou ao seu lado e sorriu-lhe.

 

-Você está   diferente das fotos que vi. Você cortou os cabelos, não?

 

Adrian forçou um sorriso.

 

-Realmente, cortei os cabelos há poucos dias, eu os usava na altura  dos ombros. Mudei muito?

 

-Bastante!

 

-Para melhor ou pior?

 

-Para melhor! Parece uma garota de minha idade!

 

-Não exagere. Sei que tenho bem mais         idade que você.

 

-Quantos anos tem?

 

-Vinte e oito anos.

 

-Dez anos mais que eu, mas não parece!

 

Adrian sorriu. Aos poucos, estava recuperando sua calma. Mas doía profundamente ver Myrian abraçada com seu irmão. Oh, como Myrian podia ser tão cruel?

 

))))))))((((((((

 

         Andreas olhou atentamente para Myrian e perguntou baixinho:

         -Está tão calada! O que há, Myrian?

 

         Ela o fitou com um sorriso forçado.

 

         -Nada demais. Estava tensa por conhecer sua família, mas já passou.

 

         Andreas a fitou preocupado.

 

         -Tem certeza que é apenas isso? Gostou de meu pai e minha irmã?

 

         -Claro, seu pai é muito amável e sua irmã simples e simpática...

 

         Andreas riu.

 

         -Adrian, simpática? Oh, essa é a mentira do século!

 

         Ernest os interrompeu, indicando a mesa do bufet.

 

         -Mademoiselles e madame, sirvam-se no bufet! Tenho certeza que vão adorar essas iguarias. Garçons, sirvam o champanhe! Vamos brindar ao  casal de pombinhos! 

 

         Adrian não saiu de seu lugar. Estava mais calma agora, mas o choque ainda fazia seu corpo trêmulo e as pernas fracas.

 

         Eles brindaram à Andreas e Myrian, mas Adrian não se moveu, olhando-os com um olhar sombrio. A sua vontade era desmscarar a namorada de seu irmão, xingá-la dos piores nomes que conhecia, expulsá-la da casa que morava. Mas a razão não lhe permitia fazer isso. Tinha que aguardar o momento certo para vingar-se de Myrian, por ter arrasado seu coração. Tinha que ser paciente. E então Myrian iria se arrepender de tê-la enganado e desprezado.

 

         Seus olhares se encontraram. O de Myrian com receio. Os de Adrian com velado ódio. Adrian queria vingança. E para isso, não mediria meios.

 

 

 

continua na parte 3

 

 

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