Nunca Ame Uma

ASSASSINA

 

 

PARTE 4

 

 

        Dale Benson saiu de casa ansiosa e com os nervos à flor da pele.Aquele fim de semana fora um inferno. Imaginava Jessie com Lana. Havia ouvido elas combinarem um encontro. Para que Lana queria encontrar-se com  Jessie ? Essa pergunta a havia martirizado os dois dias que ficara em casa. Mal comera, mal dormira. E ainda estava envergonhada pelo que fizera. Aquele momento em que se descontrolara e se aconchegara a Jessie, era uma lembrança que a emocionava e envergonhava. O que estaria Jessie pensando dela ? Como encará-la, depois do que fizera ? O que fazer agora ? Evitá-la ? Não, não conseguiria. Então, como agir ?

 

        Essas perguntas  martelavam em sua cabeça, dirigindo seu carro.

 

        Chegou ao escritório e foi para sua sala. Estava tremendo de nervosismo. Não conseguia trabalhar. Ficou ali imóvel, olhando para o tampo da mesa.

 

        Depois de um longo tempo, ergueu-se decidida. Ia enfrentar Jessie logo, não adiantava ficar ali remoendo. Daria uma desculpa, diria que estava com um problema e que aquilo não se repetiria. Pensou em mil desculpas, enquanto se dirigia para a biblioteca, mas achando todas esfarrapadas. O que sabia de Jessie, para achar que ela teria gostado daquele gesto seu ? Talvez a atração que sentia fosse somente de sua parte e ela podia estar chocada.

 

        Abriu a porta, trêmula.

 

        Jessie estava entregando uma pasta a Judy. O olhar dela se fixou em seu rosto, indecifrável.

 

        -Bom dia – Cumprimentou, esforçando-se para parecer natural.

 

        Judy sorriu para ela.

 

        -Bom dia Dale ! Sempre em atividade, não é? Como foi de fim de semana ?

 

        -Bem, obrigada.

 

        Olhou para Jessie, que a fitava em silêncio.

 

        -Preciso fazer uma consulta nos arquivos.

 

        -À vontade, senhorita. Precisa de ajuda ? – Respondeu Jessie , séria.

 

        -Não, eu sei onde está o que preciso – Disse, dirigindo-se para os arquivos. Abriu uma gaveta, pensando se devia pedir à Judy para deixá-la à sós com Jessie. Não. O melhor era esperar ela sair.

 

        Ouviu Judy agradecer a Jessie e sair. Ouviu a porta ser fechada. Voltou o rosto e viu Jessie fechando-a com o trinco. Ela voltou-se e se aproximou com uma expressão impenetrável. Dale ficou imóvel, olhando-a.

 

        -Por que fechou a porta com trinco ? – Perguntou com voz tensa, quando ela parou diante de si.

 

        Jessie sorriu. Dale olhou-a, achando o sorriso lindo.

 

        -Acho que precisamos conversar sem intromissões.

 

        Dale começou a tremer, nervosa. Olhou-a enrubescida e pareceu ver naqueles olhos um divertimento em ver seu embaraço.

 

        -Sim, tem razão... naquela sexta-feira eu... procedi de uma forma meio louca com você... e queria que não me levasse à mal... – gaguejou, sem fitá-la.

 

        -Meio louca ? Por que acha isso?

 

        A voz de Jessie soou suave. Dale prendeu a respiração e encheu-se de coragem para erguer o rosto e fitá-la. Jessie sorria, os olhos pareciam perfurar os seus, invadindo-a à procura de uma verdade.

 

        -Eu... descontrolei-me...

 

        -Descontrolou-se ? Por que ?

 

        Dale respirou fundo. O que dizer ? Tremia de nervosismo, ante o olhar inquiridor de Jessie.

 

        -Oh, não sei ! Ando muito tensa...

 

        -Hum, entendo... vejo que está nervosa. Suas mãos estão tremendo. Mas só quero saber uma coisa: Por que fez aquilo ?

 

        Dale olhou-a, vermelha de vergonha.

 

        -Não sei...

 

        O olhar de Jessie fixou-se no seu, magnético, dominador. Agora estava séria.

 

        -Não sabe, ou tem medo de dizer o que sente ?

 

        Dale baixou os olhos, fechando o arquivo. Deus, tinha vontade de fugir, para não olhar mais para aquele rosto que a atraía como um imã, para não cometer nova loucura, sentindo aquela atração poderosa.

 

        Fez menção de afastar-se, mas Jessie a segurou pelo braço.

 

        -Espere, não vá... quero falar o que sinto...

 

        Dale parou, emocionada com aquela voz suave, com o toque daquela mão quente e macia. Ergueu o rosto e a fitou tremendo, com medo nos olhos verdes.

 

        -Jessie... o que quer dizer-me ?

 

        O olhar de Jessie estava ardente, sensual. Dale o fitou deslumbrada, sentindo um arrepio.

 

        -Que  adorei  o  que  fez. E  queria  muito que  aquele momento   se repetisse – Disse Jessie.

 

        -A ...dorou ?!

 

        -Sim, adorei. E você ? Está arrependida ?

 

        -Jessie !

 

        Ficaram se fitando, mudas. Dale sentiu-se dominada por uma forte emoção. A vergonha, as hesitações sumiram. Agora só tinha um desejo: que Jessie a beijasse.

 

        Jessie leu naqueles olhos a paixão, a ansiedade. Não precisava perguntar mais nada. Deu dois passos e seus corpos se tocaram.

 

        Dale deu um gemido baixo e se lançou em seus braços, rodeando seu pescoço, a boca entreaberta à espera do beijo, os olhos semi-cerrados.

 

        Jessie abraçou-a, apertando-a contra si e a boca desceu, esmagando os lábios de Dale, num beijo impetuoso e apaixonado.

 

        A língua de Dale veio ao encontro da sua, faminta, sugando, acariciando, as mãos puxando sua cabeça, o corpo tremendo, espremendo-se num desejo louco. Ela parecia querer engolí-la naquele beijo apaixonado, ardente e exigente.

 

        Deslizou as mãos pelo corpo de Dale, surpresa e deliciada com a paixão louca que ela demonstrava naquele beijo. Ela agora mordiscava seus lábios, passou a ponta da língua neles, desceu para o queixo, sugando-o, o pescoço, fora de si. As mãos a apertavam, numa carícia violenta.

 

        Jessie afastou o rosto, com esforço. Dale a fitou com os olhos brilhantes, o rosto transtornado por uma paixão louca.

 

        -Jessie... Jessie... – ofegou – Eu a quero...eu a amo... beije-me... toma-me... agora... agora...

 

        -Calma, Dale... agora, não...

 

        -Agora... agora, sim... por favor...

 

        Tornou a beijá-la empolgada, o corpo espremendo-se, louca de desejo. Jessie percebeu que Dale não podia parar. Ela estava louca para ter o desejo aplacado e isso a excitou tremendamente. Ela a contagiava com aquela paixão louca, surpreendente.

 

        As mãos de Jessie levantaram a saia de Dale. Alisou as coxas macias, apertou as nádegas redondas, sentindo-a estremecer e arrepiar-se.

 

        Empurrou-a para a mesa, sem deixar de beijá-la. Forçou Dale a deitar e suas bocas se separaram. Dale a fitou ofegando, o rosto vermelho de exitação.

 

        Jessie puxou a calcinha dela, tirando-a e jogando sobre a mesa. Abriu as pernas de Dale, erguendo-as e rodeou as coxas com os braços, olhando para o sexo de pêlos bem aparados. Ajoelhou-se e tomou-o na boca, invadindo-a com a língua enrigecida.

 

        Dale deu um grito abafado, cruzando as pernas em suas costas, o corpo arqueando-se para cima. A língua prática de Jessie percorreu-a toda, voltou ao ponto entumecido e começou a sugá-lo, sentindo o cheiro suave do sexo de Dale exitá-la mais ainda.

 

        Dale começou a mexer-se, alucinada, mordendo o punho para não gritar.

 

        Jessie meteu os dedos, sentindo-a toda molhada, a vagina estreita e macia contraindo-se de prazer. Possuiu-a sentindo-a delirar, atingindo o orgasmo várias vezes em curtos espaços de tempo, gemendo baixinho, as mãos apertando sua cabeça, o corpo com tremores fortes de um gozo intenso.

 

        -Jessie... amor... meu amor... como faz bem... como sabe deixar-me louca! – Gemia ela – Mais... mais...

 

        Jessie finalmente afastou-se, depois de mais um êxtase de Dale, que a sacudiu toda. Dale sentou-se na mesa e a enlaçou pela cintura, beijando-a profundamente. Jessie afastou-se, sorrindo.

 

        -Agora, chega. Aqui é muito perigoso.

 

        Dale pousou a cabeça em seu peito, mais calma. Ergueu o rosto e a olhou com a felicidade impressa nos olhos verdes, com um resto de desejo.

        -Oh, querida... é tão maravilhoso sentir você possuindo-me... queria que esse momento não acabasse.

 

        Jessie acariciou-a nos cabelos, sorrindo.

 

        -Será bem melhor em um lugar que não haja perigo. Não fiz tudo que desejava.

 

        Dale riu, feliz. Toda sua angústia e nervosismo haviam passado. Sentia-se leve e solta, como se tivesse rebentado grilhões que a prendiam. De certa forma, fora isso que acontecera.

 

        -Eu a amo. Não posso mais lutar contra isso – Declarou com voz trêmula.

 

        Jessie afastou-se e olhou para a porta, preocupada.

 

        -Depois conversaremos. Agora, não dá.

 

        Dale ergueu-se da mesa. Apanhou sua calcinha e a vestiu. Olhou para Jessie, que a fitava sorrindo.

 

        -Quero que se encontre comigo no final do expediente. Espere-me na porta do edifício, que a apanharei de carro. É um Porsche vermelho.

 

        -Não, será melhor esperá-la na outra quadra. Em frente ao MacDonald, sabe onde é ?

 

        -Sei . Então, até às cinco e dez, amor.

 

        Beijaram-se mais uma vez e Dale saiu, depois de um último olhar de paixão.

 

        Jessie foi ao banheiro e lavou o rosto e as mãos. Voltou para a biblioteca e sentou-se à mesa, pensativa.

 

        Dale Benson era uma mulher e tanto. Se antes pensara em usá-la para enciumar Lana, esse motivo morrera ao tê-la em seus braços. Ela era tão sincera e transparente ! Podia ler nos olhos dela que estava apaixonada. E era uma garota sensual, quente, gostosa de possuir. Com ela, tiraria Lana da cabeça.

        Pensou nos tórridos momentos que tiveram e sorriu.

 

 

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        Dale estava nas nuvens. Jessie a queria ! Havia possuído ela com paixão ! Como estava feliz !

 

        Estava perdidamente apaixonada. Queria Jessie agora com mais intensidade. Queria novamente sentir aqueles beijos deliciosos, aquelas mãos em seu corpo, ver aqueles olhos, o rosto lindo cheio de desejo. Ao inferno os preconceitos, a moral, o mundo ! Ninguém iria separá-las. Nem seu pai. Mal a havia deixado e já estava com saudades. Iria ficar contando as horas para encontrá-la.

 

        O almoço com o pai transcorreu monótono. Disfarçadamente, olhava o relógio de pulso. Uma hora da tarde ! Como o tempo estava demorando a passar !

 

        O almoço acabou e voltou à sua sala. Tentou trabalhar. Não conseguiu. Só lembrava dos momentos ardentes que passara com Jessie. Daquela boca gostosa. Do olhar fascinante.

 

        Às duas da tarde, não resistiu mais. Voltou à biblioteca. Jessie anotava em um livro de registro e a olhou com um sorriso de boas vindas.

 

        -Que boa surpresa ! Estava pensando em você – Disse.

 

        Dale sorriu luminosamente e aproximou-se, debruçando sobre a mesa.

 

        -Verdade Jessie ? – Perguntou, emocionada.

 

        Jessie a fitou com malícia.

 

        -Verdade. Nem sei como estou conseguindo trabalhar.

 

        Dale espalmou as mãos no rosto dela e beijou-a na boca, num beijo profundo e apaixonado. Jessie recuou, olhando-a com receio.

 

        -Dale ! Cuidado, a porta está destrancada ! Já pensou se entrar alguém e nos ver assim ?

 

        Dale sorriu, ficando ereta.

 

        -Direi que sou louca por você e ninguém tem nada com isso !

 

        Jessie fez um ar incrédulo.

 

        -Diria isso ao seu pai ?

 

        -A todos ! – Afirmou, com ênfase.

 

        Jessie sorriu.

 

        -Garota decidida... gosto disso. Mas, sejamos prudentes. Volte para sua sala, antes que eu perca a cabeça e a jogue outra vez em cima dessa mesa.

 

        Dale a fitou com um olhar apaixonado.

 

        -Seria maravilhoso... Não sabe como desejo isso. Estou louca para ser sua outra vez.

 

        Jessie a fitou com calor, debruçando-se sobre a mesa.

 

        -Não deseja mais do que eu. Você contagiou-me com seu fogo. E quero tê-la em um lugar sossegado, onde possa possuí-la como tenho vontade. Quero tê-la toda nua, sem medo de alguém nos surpreender.

 

        -Jessie ! Não fale assim, ou vou despir-me aqui e exigir que faça comigo mil loucuras !

 

        Jessie riu. Mas olhou-a com ar dominador.

 

        -Vá... é muito mais prudente... mais tarde, descontaremos.

 

        Dale fez uma cara amuada, mas em seguida sorriu.

 

        -Tem razão... eu estou mesmo fora de mim, é preciso que você me dê um pouco de orientação... até logo, amor...

 

        Dale saiu e Jessie sorriu sozinha.

 

        -Dale Benson, vou deixá-la esgotada ! – disse baixinho.

 

        Finalmente, cinco horas da tarde. Jessie apanhou seu casaco, colocou-o e saiu. Bateu o seu ponto, despediu-se de Judy e pegou o elevador.

 

        Na rua, caminhou até a quadra seguinte e parou diante do Mac Donalds. As ruas estavam cheias de gente que saíam do trabalho. Ficou olhando-as, imaginando se alguém estaria vivendo um caso como o seu. Era pouco provável.

 

        Esperou vinte minutos e começou a ficar impaciente. Dale não dissera que estava ansiosa ? Então ? Por que estava demorando tanto ?

 

        Um Porsche vermelho parou no meio-fio. Dale acenou para ela, no volante.

 

        Jessie jogou o cigarro que fumava e abriu a porta do carro, entrando. Bateu a porta e voltou-se para ela com certa irritação na voz.

 

        -É assim que estava ansiosa para me ver ?

 

        Dale a olhou com ar magoado.

 

        -Desculpe, Jessie. É que meu pai queria que eu o acompanhasse até um jantar com clientes. Prendeu-me, tentando convencer-me. Tive que inventar que tinha marcado com um amigo jantar em outro lugar.

 

        -Está bem, aceito a explicação. Onde vamos ?

 

        Dale puxou sua mão e olhou-a profundamente nos olhos.

 

        -Não duvide de mim, Jessie. Isso me magoa. Estou tão envolvida, tão apaixonada por você ! Não percebe ?

 

        Jessie apertou a mão dela, arrependida de seu mau humor.

 

        -Eu sei, Dale...desculpe-me... fiquei nervosa com a espera... estava ansiosa para vê-la.

 

        Dale sorriu meigamente.

 

        -Se falar mais alguma coisa olhando-me com esses olhos, vou beijá-la aqui mesmo.

 

        Deu partida no carro, que afastou-se velozmente.

 

        -Tenho uma boa idéia. Que tal irmos até minha casa, onde passo alguns fins de semana ? – Perguntou Dale, olhando-a rapidamente.

 

        -É muito longe daqui ?

 

        -Em menos de uma hora estaremos lá.

 

        -Ok. Vamos.

 

        Dale acelerou mais. Logo pegou uma free-way e Jessie admirou-se de como ela corria. Externou seu pensamento e Dale olhou-a rindo.

 

        -Tem medo ?

 

        -A essa altura da vida, não tenho medo de nada.

 

        -Seria bom morrer com você ao meu lado. Não a deixaria para ninguém.

 

        -Que idéia, Dale ! Nem fale isso !

 

        -É verdade ! Sou muito ciumenta do que é meu.

 

        -Eu não sou sua, Dale. Ainda...

 

        Dale a olhou de soslaio. Sorriu.

 

        -Mas será. Vou conquistá-la.

 

        -Não duvido...

 

        -É bom não duvidar.

 

        Ela pegou novamente a sua mão. Acariciou-a . Jessie sentiu um arrepio.

        -Desde a primeira vez que a vi, você me conquistou, Jessie. Você não sabe o que eu passei esses dias. Cheguei a achar que estava enlouquecendo. Você não saía de minha mente. Não notou como eu inventava desculpas para ir até  biblioteca, só para vê-la ?

 

        Jessie sorriu.

 

        -E eu, idiota, achei que você estava vigiando-me, a mando de seu pai.

 

        Dale a olhou surpresa.

 

        -Eu, vigiá-la ?! Oh, Jessie ! Que falta de percepção de sua parte ! Eu louca, apaixonada, e você pensar isso !

 

        -É, fui uma trouxa. Mas jamais iria pensar que uma mulher como você estava interessada em mim.

 

        -Jessie ! Como se menospreza ! Você é um tesão, Jessie ! Imagino quantas mulheres teve na prisão !

 

        -Realmente, tive muitas. Mas nenhuma como você.

 

        -Como eu, como assim ?

 

        -Com sua classe,  inteligente, belíssima ...

 

        -Então, agora que tem, aproveite bastante... estou disponível aos seus desejos, minha conquistadora...

 

        Jessie riu. Dale era encantadora. Perto dela, sentia-se leve e descontraída. Seria fácil amá-la.

 

        Dale contou que só tivera relações sexuais uma vez. Um colega de colégio que a levara à uma festa e na volta a forçara a ter relações, numa estrada deserta, dentro do carro. Ela não dissera nada ao pai, com medo e vergonha. E não deixara mais nenhum rapaz aproximar-se muito dela. Jessie era sua primeira paixão.

 

        Jessie acariciou-a no rosto, emocionada com a revelação.

        Uma hora depois, Dale estacionou o carro diante de uma casa de construção rústica, numa colina. Elas saltaram e Dale pegou sua mão, conduzindo-a para o interior da casa.

 

        Jessie mal olhou para a decoração rústica em madeira e couro cru, porque Dale jogou-se em seus braços, mal a porta fechou, e beijou-a sofregamente.

 

        Jessie sentiu uma forte emoção sacudir seu corpo.

 

        Correspondeu ao beijo com intensidade, apertando-a nos braços. A urgência do desejo de Dale a excitava tremendamente.

 

        Dale gemeu, mordiscando sua boca. As mãos deslizaram pelo seu rosto, pelas costas, ansiosas e trêmulas.

 

        Ela beijou seu rosto apaixonadamente, murmurando:

 

        -Amo-a ... amo-a ... Jessie... meu amor...

 

        Jessie, com dificuldade, meteu a mão entre os corpos espremidos e tentou desabotoar a blusa de Dale. Não conseguiu, ela apertava-se contra seu corpo alucinada de desejo. Impedida de despi-la, conformou-se em apertar os seios por cima do tecido de seda.

 

        Dale começou a mover o corpo, esfregando-se contra sua coxa, sorvendo sua boca entre gemidos.

 

        Jessie segurou-a pela cintura, acompanhando os movimentos frenéticos de Dale.

 

        Ela estremeceu violentamente e quase a mordeu, no orgasmo louco, retesando-se contra sua coxa. Em seguida, o corpo relaxou contra o seu.

 

        Ela afastou a boca e a olhou com um ar de felicidade.

 

        -Oh, amor... não podia esperar mais...

 

        Jessie sorriu, acariciando-a no rosto.

 

        -Está apenas começando, Dale ... e eu vou querer a minha parte agora...

 

        -Estou à sua disposição, meu amor...

 

        -Primeiro, vamos tomar um banho... estamos suadas. Onde é o banheiro ?

 

        -Lá em cima. Venha...

 

        Dale a conduziu até o segundo pavimento e abriu uma porta. Era um banheiro enorme, com uma Jacuzzi e ducha.

 

        Dale pousou o queixo em seu ombro, abraçando-a pela cintura, por trás.

 

        -Então, amor ? – Perguntou – Vamos ao banho ?

 

        Jessie voltou-se para ela e começou a despí-la lentamente, deliciando-se em olhar as partes do corpo que surgia. Dale a olhava com nova paixão, mas agora continha-se.

 

        Nua completamente, ficou parada, sentindo o olhar de admiração de Jessie provocar nela uma satisfação infinita.

 

        Jessie a olhava com desejo, admirando os seios pequenos e eretos, a cintura fina, a curva delicada dos quadris arredondados, as coxas longas, as pernas bem torneadas. Era um corpo delicado e belo, que a atraía fortemente.

 

        Dale deu dois passos e estendeu as mãos, começando a desabotoar a blusa de Jessie.

 

        Jessie ficou quieta, deixando-a despí-la.

 

        Os seios pequenos e  eretos apareceram e Dale suspirou, olhando-os.

 

        Ela prosseguiu. Desabotoou sua calça comprida e desceu-a, admirando as coxas, as pernas bem feitas de Jessie. Restou a calcinha preta. Dale abaixou-a e engoliu em seco quando olhou para o púbis de cabelos negros. Teve vontade de beijá-lo, sentindo o suave cheiro do sexo, mas se conteve.

 

        Jessie a pegou pela mão e entraram debaixo da ducha. Ligou-a e abraçou Dale. Beijaram-se profundamente, Dale arrepiando-se com o toque suave de Jessie em seus seios, nos quadris, nas coxas.

 

        Jessie afastou-se e a ensaboou com suavidade. Passou a mão ensaboada no sexo de Dale, que estremeceu de prazer.

 

        -Ensaboe-me também... – disse Jessie, acariciando seus seios com as palmas das mãos.

 

        Dale a ensaboou, achando delicioso o ritual.

 

        Jessie colocou uma das coxas entre as pernas de Dale e mexeu-se insinuantemente, abraçando-a pela cintura. Dale estremeceu, sentindo o sexo ensaboado dela contra sua coxa. Acompanhou os movimentos, sentindo sua excitação aumentar. Jessie a olhava nos olhos, sua expressão maliciosa mudando para puro desejo.

 

        Dale começou a movimentar-se com mais energia, sentindo o gozo chegar.

 

        Mas Jessie afastou-se e abriu a ducha, que fechara para elas se ensaboarem.

 

        A água jorrou sobre elas, fazendo-as prender a respiração. Jessie deixou a água tirar todo o sabonete, sorrindo da expressão de ansiedade de Dale. Então, fechou a ducha e a puxou contra si. Suas bocas se esmagaram. A mão de Jessie tocou o sexo de Dale, acariciou o pontinho, sentindo-a gemer em sua boca.

 

        Dale a puxou do box e a guiou para o quarto. Molhadas mesmo, puxou-a para cima da cama forrada de peles, abraçando-a em um longo beijo.

 

        Jessie desprendeu-se e beijou os seios arrepiados, sugou-os, sentindo Dale tremer e gemer alto. Desceu, distribuindo carícias, até encontrar o sexo. Dale abriu as pernas, impaciente por sentir aquela boca quente. Jessie tomou-a na boca, passando a língua cariciosa, percebendo o quanto a enlouquecia com aquilo. Dale arqueava o corpo de encontro à sua boca, espremendo-se entre gemidos e frases ardentes:

 

        -Jessie... querida ! Sugue mais ... com mais força... assim... vou ficar louca... me possua toda... faça tudo comigo... eu quero tudo, amor...

 

        E Dale gozou gritando de prazer, as mãos apertando-a frenéticas.

 

        Jessie então subiu pelo corpo dela, que se quedara imóvel, e olhou para o rosto onde a expressão do êxtase se estampava. Pousou a cabeça no ombro dela e começou a mexer-se, à procura de seu próprio prazer. Dale a abraçou, sentindo uma louca emoção, ao sentir o corpo de Jesie movimentando-se cada vez mais frenético, o sexo contra o seu, a boca suspirando em seu ouvido, as mãos apertando-a .

 

        -Dale...! Dale...! –Gritou Jessie, estremecendo, arqueando-se contra ela, apertando-se no instante final.

 

        Dale a apertou contra si, beijando-a no rosto, no queixo, sentindo uma felicidade imensa em ter nos braços o corpo amado no instante supremo do ato de amor.

 

        Elas ficaram ali abraçadas, sentindo a calma voltar aos corpos suados.

 

        Dale suspirou de contentamento, abraçando-a . Olhou-a nos olhos, embevecida.

 

        -Jessie, amo-a tanto... quero-a para mim. Não há mais ninguém em sua vida ?

 

        -Ninguém, sabe muito bem disso – Sorriu Jessie.

 

        -E Lana ? Ouvi vocês combinando que iriam a um lugar. Isso deixou-me intrigada. O que ela queria com você ?

 

        Jessie olhou-a séria.

 

        -Não quero falar sobre isso.

 

        -Por que ? O que houve ?

 

        -Lana Kincayd quis usar-me em uma pesquisa que está fazendo sobre ex-presidiárias. Disse que é um trabalho para sua tese de doutorado em sociologia.

 

        -E convidou-a para sair com ela ?

 

        -Para ir à casa dela .

 

        -E você foi ? – o ciúme se manifestou na voz de Dale.

 

        -Fui. Mas demorei pouco tempo lá. Lana chocou-me logo ao me revelar que minha mãe estava morta há vários anos. Eu não sabia disso.

 

        -Oh! Sinto muito por você, amor...

 

        -Não tive condições de fazer nenhuma entrevista – concluiu, omitindo o motivo maior que a levou a retirar-se.

 

        -Lana deve estar interessada em você... não acredito no motivo que deu para convidá-la a ir na casa dela.

 

        Jesie sentou-se na cama e a olhou agressivamente.

 

        -Não quero mais falar em Lana Kincayd ! Ela, interessada em mim ? Você não a conhece ! Lana é dessas mulheres calculistas, que só visam o seu bem estar, seus interesses !

 

        Dale a olhou surpresa.

 

        -Jessie ! O que Lana fez ou disse, que a deixou com tanta raiva dela ?

 

        Jessie percebeu que havia errado em externar sua mágoa de Lana. Mas agora, não dava para consertar.Abraçou Dale, olhando-a séria.

 

        -Por favor, Dale ! Não quero falar mais de Lana ! Só posso lhe dizer que ela  é uma pessoa que não quero ter nenhum contato.

 

        -Está bem, Jessie... acho isso estranho, mas não vou insistir. Falemos então sobre nós. O que sente por mim ?

 

        -Não sei ao certo... tudo aconteceu tão depressa !

 

        Dale a olhou magoada.

 

        -Não sabe ? Não sente nem um pouquinho de amor por mim ? Nada ?!

 

        -Dale, não falei que não sinto nada. Apenas ainda não sei avaliar, sei que você me atrai muito, foi delicioso fazer sexo com você... mas quanto ao resto... só o tempo dirá...

 

        -Oh, Jessie... gostaria tanto de ouví-la dizer que me ama... eu sei que a amo... muito...

 

        -Então esqueça o resto... não estou aqui com você ? Vamos nos amar, Dale... o que importa são esses momentos que estamos juntas...

 

        -Me ame, Jessie... me possua... – disse, apertando-a nos braços.

 

        Beijaram-se cheias de paixão. O desejo as dominou mais uma vez.

 

        Dale entregou-se com nova paixão. Beijava-a com loucura, entregando-se como nenhuma mulher até então se entregara a Jessie. Acumulava-a de mil carinhos, gemendo seu nome, dando gritos de um prazer intenso.

 

        Jessie a olhava inebriada e não resistiu quando ela disse entre beijos:

 

        -Se soubesse o quanto a adoro, Jessie ! Amo-a !

 

        Jessie a olhou nos olhos e viu o amor louco brilhando. E disse, emocionada, sentindo uma intensa  e desconhecida emoção. Seria amor aquela emoção? Sim, devia ser! Nunca alguém a fizera sentir tanta emoção, aquela vontade de beijar e abraçar Dale com ternura. E então falou, emocionada:

 

        -Eu a amo, Dale... amo-a também... tenho certeza agora...

 

        -Meu amor ! Querida... amor !

 

        Atingiram o orgasmo juntas, os lábios grudados em um beijo.

 

        Dale a olhou com ansiedade, acariciando seu rosto.

 

        -É verdade o que disse, querida ? Não foi somente por um instante de arrebatamento ?

 

        Jessie a olhou e teve certeza do que sentia. Dale, sua meiga, fogosa, violenta Dale, uma mulher maravilhosa, era tudo que queria numa mulher. Aquele rosto belo, cheio de amor, o corpo maravilhoso que lhe dera tanto prazer, tudo a cativara.

 

        -É uma descoberta maravilhosa, descobrir que a amo, Dale... por que sei que você merece meu amor. Dale, eu tive muitas mulheres em minha vida... mas nenhuma como você. Elas não eram meigas como você, com esse caráter, esse jeitinho meigo em um momento, mas em outro fogosa, sem medir consequências para satisfazer esse fogo... essa mistura me encanta,Dale... seja sempre assim...

 

        -Oh, meu amor ! Como estou feliz ! Para mim, ouvir isso de você é o maior prêmio de minha vida !

 

        Beijaram-se mais uma vez. Dessa vez foi um beijo somente de carinho e amor, sem o desejo, que havia sido aplacado.

 

        Jessie olhou para Dale, acariciando seu rosto.

 

        -Já sei que esse sentimento vai me trazer muito sofrimento, Dale. Seu pai vai interferir, vai nos separar.

 

        Ela a olhou com determinação.

 

        -Não, amor ! Saberemos agir. Ninguém precisará saber de nosso amor. Construiremos um mundo só nosso. Se você quiser, pode vir morar nessa casa que está fechada. Eu só a utilizava em alguns fins de semana.

 

        -Não, Dale. Será perigoso demais. Seu pai poderá investigar e saber que moro aqui, e como você explicará isso ? É melhor ficarmos como estamos.

 

        -Meu pai, investigar sua vida ?! Que absurdo ! Por que ele faria isso ?

 

        -Saiba que ele responsabilizou  Lana Kincayd por mim, enquanto eu trabalhar para ele. E ela andou investigando minha vida e não duvido que continue fazendo isso.

 

        Dale ficou boquiaberta.

 

        -Ele fez isso ?! Oh, não esperava isso de meu pai ! E Lana, como pôde fazer uma coisa dessas ?! E como  você soube disso?

 

        -A própria Lana contou-me.

 

        -Contou ?! Com que finalidade ?

 

        -Quis justificar-se, alegou que fez isso porque queria conhecer-me melhor para sua tese.

 

        Os olhos de Dale encheram-se de desconfiança.

 

        -Isso é o que ela diz ! Mas acho que ela está interessada demais em você ! Pensa que não percebi como ela a olhava, lá na biblioteca ? Ela tomou um susto quando entrei ! Isso é porque não estava agindo com naturalidade, ela estava com malícia em sua atitude !

 

        Jessie olhou para Dale com nova admiração. Ela não era uma mocinha boba, tirava suas conclusões acertadas. Realmente. Por que Lana se dera a um trabalho cansativo de ir à prisão e visitar a fazenda de sua mãe ? Só para conhecê-la melhor para sua pesquisa ? E se Benson a responsabilizara pelos seus atos, bastava investigar onde morava e como agia no serviço. Sua vida particular não dizia respeito à Benson.

 

        -Não acha que estou certa ?

 

        Dale a olhava especulativamente.

 

        Jessie olhou-a confusa. Não entedia Lana.

 

        -Não sei.

 

        -Está escondendo-me algo do que Lana disse? O que houve lá na casa dela, Jessie ? Por que está com tanta raiva de Lana ?

 

        Dale aguardava as respostas, olhando-a nos olhos.

 

        Jessie desviou o olhar. Não podia contar a Dale o que acontecera entre elas. Não era justo comprometer Lana, apesar de tudo.

 

        -Não houve nada demais. Apenas não gostei da atitude de Lana Kincayd, de investigar minha vida. Ela exorbitou de seu direito. Pensa que é a dona da verdade.

 

        -Vou confiar em você, Jessie. Mas não confio em Lana. Ela não me convence. Sei que ela não gosta de meu pai.

 

        Jessie a olhou, tentando disfarçar seu interesse.

 

        -Por que diz isso ?

 

        -Ela é muito formal com meu pai. Nunca a vi fazer o menor carinho nele. E meu pai é um bobo, faz tudo que ela quer. Um dia, por exemplo, saímos os três para jantar. Lana não gostou do lugar e disse que queria retirar-se. Tentamos mostrar que o lugar era ótimo, mas Lana levantou-se e se retirou sem dizer uma palavra. Papai saiu correndo atrás dela igual  um cachorrinho.

 

        Jessie não pôde evitar o riso, imaginando Benson correndo atrás de Lana.

 

        Dale a olhou com o rosto contraído.

 

        -Você acha graça, não é ?

 

        -Desculpe, mas é engraçado ! Seu pai é tão pomposo, tão orgulhoso, que deve ser engraçado vê-lo assim !

 

        -Você não gosta do meu pai, não é ?

 

        -Nem ele gosta de mim. Estamos quites.

 

        Uma sombra passou pelos olhos de Dale.

 

        -Que situação, a minha ! Ah, gostaria tanto que vocês se dessem bem, mas vejo que há uma barreira a ser transposta ! Se vocês se conhecessem melhor, talves isso acabasse.

 

        Jessie a encarou.

 

        -Não quero aproximação com Benson ! Não pretendo ficar muito tempo trabalhando para seu pai !

 

        -Não ?... E... o que pretende fazer ?

 

        -Lana contou-me que a fazenda de minha mãe está abandonada. Pretendo ir para lá, tentar reativá-la.

 

        -Mas isso exige muito dinheiro, Jessie ! Como vai fazer ?

 

        -Posso tirar um empréstimo. Hipotecar as terras.

 

        -É essa sua ambição ? Acabar os dias em uma fazenda falida ?

 

        Jessie a olhou com ar contrariado.

 

        -Eu tenho coisa melhor ? Acha que trabalhar para seu pai é algo que me dará futuro ? Dale, se não fosse Judy, que arranjou um lugar decente para eu morar, estaria em um hotel cheio de baratas, que é o que posso pagar com o salário que ganho ! O que sei fazer é cuidar de uma fazenda, Dale.

 

        Dale a olhou pensativa.

 

        -Jessie, possuo uma boa soma no banco, em uma poupança. Cem mil dólares. Posso lhe emprestar, sem cobrar juros. Você reformaria a fazenda e quando desse lucro, me pagaria aos poucos.

 

        -Dale, fico comovida por sua idéia – disse, acariciando o rosto dela – Mas não aceito favores. Não. Seria um péssimo negócio para você.

 

        -E se eu entrasse de sócia na fazenda, com você ? Eu entraria com o dinheiro e você com o trabalho. Quando começasse a dar lucro, dividiríamos. Seria um investimento de meu dinheiro.

 

        Jessie sorriu e puxou-a para si. Beijou-a com carinho, sentindo-a abandonar-se no beijo. Afastou-a delicadamente.

 

        -Não Dale. Não quero dinheiro seu. E se não der certo a fazenda ?

 

        Dale sorriu, acariciando-a, olhando-a com meiguice.

 

        -Todo negócio é arriscado. Por que não tentamos ?

 

        -Hum... vou pensar...

 

        -Amanhã poderemos visitar sua fazenda, se não for longe.

 

        Jessie a puxou para si.

 

        -Podemos chegar lá em duas horas, com carro.

 

        -Vamos lá amanhã, então ?

 

        Jessie a olhou indecisa. Queria evitar o envolvimento de Dale em sua vida, além do amor. Não queria aproveitar-se do amor que ela sentia para levá-la a ajudá-la com dinheiro que daria lucro. Conhecia as terras da família. Eram boas para plantio, seu pai é que não tivera ânimo ou bom senso para investir em plantações lucrativas, criações. Só produzia o essencial para subsistência da família.

 

        -E então ? – Sorriu Dale, beijando-a no queixo.

 

        -Está bem. Vamos até lá e depois de ver as terras, você decidirá. Não quero que depois se arrependa.

 

        -Não vou arrepender-me, amor. Estaremos construindo um futuro nosso.

 

        Jessie a olhou com ar divertido.

 

        -Você é muito esperta, Dale... está me prendendo a você de duas maneiras: amorosa e negócios. Mas, será que dará certo, misturar essas coisas ?

 

        -Em nosso caso, dará. Por que a amo e quero o melhor para sua vida – Disse, apertando-se contra ela.

 

        -Dale...

 

        Um beijo calou suas vozes. Jessie sentiu que Dale havia conquistado seu coração em tempo recorde. Lana só ficara em sua mente como um desejo frustrado, como a primeira mulher que a recusara. Por Lana havia sentido apenas desejo, por Dale sentia amor. Um sentimento novo para ela, mudando sua vida.

 

 

continua na parte 5

 

 

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