PARTE 10
No dia seguinte, quando estava
trabalhando, teve uma surpresa. O
telefone de linha direta do escritório tocou por volta de onze horas.
Atendeu apressada, pensando ser April. Mas foi uma voz masculina quem lhe falou
com cordialidade:
-Bom dia,
senhorita Gladstone.
-Bom dia, com
quem falo? – Respondeu Grahan, franzindo o cenho.
-Antony
Burton. Estou à par de sua resposta à minha reivindicação, mas não fiquei com
raiva da recusa. Eu entendo a sua mágoa com a minha família. Sei que a tratamos
mal e fomos até injustos em julgá-la. Mas é que estávamos cheios de prevenções,
que não se confirmaram. Se Michelle gostava de você, tínhamos que entender isso
e não nos meter na vida dela. Mas isso é passado. Reconheço que está fazendo
uma boa gestão na Burton Corporation e queria que nos visse como pessoas
amigas, que querem consertar um julgamento precipitado. Afinal, temos uma
empresa em comum.
Grahan não
acreditou em uma só palavra dele. Mas deixou-o falar. Ele estava lhe oferecendo
uma chance e ia pegá-la.
-Fico muito
satisfeita que pense assim, Antony. Já esqueci o que houve e entendi a posição
de vocês. Quanto ao empréstimo, podemos conversar sobre isso.
-Esqueça isso,
não quero mais tocar nesse assunto. Já consegui o dinheiro em um banco. Ouça:
está convidada a passar um fim de semana comigo e minha mulher em Newport.
Temos uma casa lá e será uma satisfação recebê-la. Pode ir nesse fim de semana ?
Aquilo era
demais. Tinha que pensar. E não se mostrar por demais ansiosa para fazer
amizade com ele. Antony Burton podia desconfiar de sua pronta aceitação. O
peixe estava mordendo a isca, mas ainda não podia puxá-la.
-Infelizmente,
esse final de semana já tenho compromisso, Antony. Mas quando tiver um final de
semana livre, falarei com você.
-Oh, que pena.
. . mas sei que não faltará oportunidade de
nos conhecermos melhor. Sabe o telefone de minha residência, não é ?
Ligue para April, quando quiser marcar sua visita. É que eu não tenho parado
muito em casa, resolvendo negócios.
-Tudo bem,
Antony. Ligarei para ela.
-Ótimo ! Tenha
um bom dia de trabalho, Grahan.
Ele desligou e
Grahan ficou pensativa. Antony Burton não a enganava. Devia estar em um beco
sem saída e estava tentando essa
cartada. Ótimo. Quanto mais pressionado,
mais rápido ele iria abrir o jogo.
O telefone
tornou a tocar, quinze minutos depois. Grahan o atendeu, saindo de suas cismas.
-Alô.
-Grahan, é
April.
Grahan sorriu,
contente. Até que enfim, algo de bom naquele dia !
-April, que
surpresa agradável !
Ela riu.
-Gostou ? Que
bom ! Pensei que ia interrompê-la em alguma coisa importante. Quer almoçar comigo
?
-Seria ótimo.
Onde ?
-Conhece o JG
Melon, na Amsterdam Avenue ?
-Sim. Dizem
que a comida de lá é ótima, mas nunca fui. Só passei na porta, uma vez.
-Ah, então vai
provar o melhor filé com batatas grelhadas !
-Tudo bem. A
que horas ?
-São onze e
vinte. Estou saindo. A primeira que chegar, espera.
-Ok. Até logo.
Grahan
desligou e correu até o banheiro. Vistoriou sua roupa. Estava bem, de blazer e
calça azul-marinho, com blusa branca de seda. O cabelo estava penteado, o baton
permanecia.
Saiu apressada.
June e Helen a
olharam curiosas. Era a primeira vez que saia para almoçar. Comia sempre na
empresa.
-June, vou
sair e talvez não volte hoje – avisou, saindo.
Grahan pegou
um táxi na calçada. Sabia como era difícil estacionar perto daquele restaurante
e não queria perder tempo. Em vinte minutos estava diante do restaurante. Pagou
ao motorista e entrou.
Era cedo e
havia pouca gente. O maitre a levou até uma mesa no canto e Grahan explicou que
estava aguardando uma pessoa, para fazer os pedidos. Pediu um martini.
Estava nervosa
e ansiosa. Seria sua carência falando mais alto que a lembrança de Michelle?
Mas reconheceu que April deixaria qualquer um assim, esperando-a . Era um
mulherão, fina, belíssima. Afinal, ainda sabia apreciar uma bela mulher.
Estava na
metade do martini quando a viu entrar. April a viu e aproximou-se com um
sorriso luminoso. Grahan ficou imóvel, olhando-a .
April vestia
uma blusa decotada verde-água, com os dois lados transpassados na cintura fina,
se abotoando por trás. Uma saia curta negra, de tecido maleável, deixava à
mostra as coxas e pernas perfeitas e douradas, um tom raro em New York. Os
cabelos soltos caíam em fios louríssimos, quase brancos, pelas espáduas bem
delineadas. Ela era uma mulher linda e sabia disso, mostrando orgulho no queixo
erguido e olhos claros.
Ela parou
diante de Grahan e a fitou nos olhos.
-Não vai
convidar-me para sentar ?
Grahan sorriu,
fazendo um gesto com a mão.
-Sente-se.
Você aturdiu-me, com sua chegada – Disse, sem pensar.
Ela riu e
sentou diante de Grahan, olhando-a nos olhos.
-Você é muito
gentil, Grahan. Acho que isso foi um elogio, não ?
Grahan
procurou conter seu entusiasmo. Não queria assustá-la.
-É, foi um
elogio. É um prazer revê-la, April. Gostaria de beber o quê ?
-Acompanho-a
no martini.
Grahan chamou
o garçon. Pediu mais um martini.Olhou para April. Ela a olhava atentamente,
como que analisando-a .
-E como foi
ontem ? – Perguntou Grahan – Antony Burton ficou muito aborrecido com a minha
recusa ao empréstimo ?
Ela sorriu,
acendendo um cigarro.
-Ficou
furioso. Acho que ele vai insistir.
-Já insistiu,
não sabe ? Telefonou-me hoje, pouco antes de
você. E convidou-me para passar o fim de semana com vocês em Newport.
Ela franziu o
cenho, olhando-a surpresa .
-Ele havia
dito ontem, quando cheguei em casa e contei que você havia recusado o
empréstimo, que você acabaria cedendo se eu me tornasse sua amiga. Achei até
graça, mas não o levei à sério. Meu Deus ! Tony deve estar muito desesperado,
para chegar ao ponto de telefonar para você e convidá-la para ir em nossa casa.
-Ele não a
consultou antes de fazer o convite que me fez ?
-Não. Tony
sempre decide coisas sem consultar-me. E você aceitou o convite ?
-Dei uma
desculpa. Não sei se devo aceitar um convite desses. Tenho que pensar – mentiu,
sem arriscar-se a dizer as suas verdadeiras intenções.
April era linda e
desejável, mas era a mulher de Antony Burton. Será que ficaria contra o marido,
à favor dela ? Não acreditava nisso. Tinha que fazer o jogo dela, para ver até
onde ela iria.
Ela a fitou
com ar preocupado.
-A decisão é
sua, Grahan. Não quero meter-me nisso mais do que fiz.
-Uma coisa
está me intrigando, April.
-O quê ?
-Se ele possui
uma casa em Newport, por que não a vende para conseguir o dinheiro ? Deve ser
uma casa que vale essa quantia.
-A casa de
Newport é minha, assim como o barco que temos lá. Herdei de meu pai.
-Ah !... Mas
April, ele está devendo três milhões de dólares só em dívidas de jogo? É uma
quantia muito alta, para se perder desse modo.
Ela tomou um
gole do martini que o garçon depositou em frente à ela.
-Não, ontem
ele contou-me que a dívida de jogo é apenas uma delas. Dois milhões de dólares
foi perdido em um mal negócio que fez. Comprou ações de uma empresa que foi à
falência e perdeu dois milhões. E ficou ainda devendo esse dinheiro ao banco
que emprestou o dinheiro para a compra das ações. Se não pagar, o banco
executará a dívida e perderá as ações da Burton Corporation. Por isso não está
conseguindo novo empréstimo nos bancos. Só a Burton Corporation poderá
salvá-lo, emprestando o dinheiro.
Grahan olhou-a
agradecida. As informações de April eram preciosíssimas ! Agora sabia a causa do
desespero de Antony Burton.
-Obrigada pela
confiança em contar-me tudo isso, April.
Ela sorriu,
fitando-a nos olhos.
-Quem mandou
ele ser ambicioso demais. . . quis ter mais do que já tinha e se deu mal.
-April. . .
não se preocupa com isso ? Ele é seu marido ! Se ele se der mal, sobrará para
você.
-Não, é bom
que ele tenha uma lição. Nos casamos com separação de bens, mas Tony já torrou
bastante dinheiro meu no jogo. Ele pedia e eu dava, até saber para o que era.
Tenho uma fortuna considerável em investimentos sólidos, mas não darei nem mais
um tostão meu para ele. Meu pai tinha razão. Sempre achou que Tony era um
playboy inútil, que só tinha à seu favor ter nascido em berço de ouro. E eu só
me dei conta disso com o passar dos anos. Acho que não me divorciei antes para
não ter que admitir que meu pai tinha razão. Mas acho agora isso inevitável.
Ultimamente, devido ao problema financeiro, Tony anda insuportável. Uma pilha
de nervos. Estou cansada de ouví-lo xingar e gritar de raiva.
Sorriu
subitamente, olhando para Grahan com atenção.
-Mas vamos
deixar de falar de coisas desagradáveis. Sabe que adorei conversar com você,
ontem ? Estava ansiosa para voltar a vê-la.
Grahan sorriu
também, olhando para aquele rosto belíssimo. Era fácil se mostrar interessada,
perto de uma mulher assim como ela .
-Não creio que
estivesse mais que eu, April.
-Finalmente,
conheci alguém interessante, com quem posso conversar coisas menos superficiais.
Grahan a fitou
com um sorriso, discorrendo os olhos pelos seus seios, que fez April enrubescer.
-Vamos pedir o
almoço ? – Perguntou Grahan, sorrindo.
Ela sorriu
encantadoramente.
-Vamos.
Recomendo o filé com batatas grelhadas, é delicioso.
-Tudo bem, vou
seguir sua recomendação. E vinho tinto Bordeaux, naturalmente.
Fizeram os
pedidos. Grahan olhava para April disfarçadamente, observando cada traço do
rosto, cada detalhe. Era tão linda quanto Michelle. Tinha a mesma classe. Será
que ela conseguiria tirar Michelle de seu pensamento ?
Ela a encarou com um sorriso malicioso.
-Por que me
olha tanto, Grahan ?
Grahan não se
desconsertou. Sorriu atrevidamente.
-Preciso dizer
?
-Sim. . .
estou curiosa.
-Porque você é
linda. É delicioso olhar para uma bela mulher.
Ela a encarou,
deixando de sorrir. Os olhos se encheram de calor.
-Você também é
linda, Grahan. Uma beleza diferente, você transmite uma vitalidade... animal.
Seus olhos parecem falar em coisas proibidas, em coisas. . . que excitam uma
mulher.
Ela falou de
um fôlego só, como se quisesse expulsar de dentro de si o que a sufocava.
Grahan sorriu
maliciosamente, seus olhos se estreitaram,
lançando lampejos por entre os cílios espessos.
-Fico
envaidecida com um elogio desses, April.
April baixou
os olhos , parecendo não agüentar o seu olhar.
-Eu. . . acho
que estou me excedendo. . . desculpe-me.
-Não há nada a
desculpar. Gostei de ouvir isso, April.
A comida
chegou. Grahan provou o filé e deu razão a ela. Era mesmo delicioso. April a observava
espectante.
-Gostou ?
-Excelente,
April. Você tem bom gosto.
Ela sorriu com
certa malícia.
-Tenho, sim.
Não só em comida.
Provaram o
vinho. Delicioso, de uma excelente safra.
Grahan
concentrou-se na comida, pois estava faminta. Mas notava os olhares de April
sobre si.
-Grahan. . .
que vai fazer, quando acabar de almoçar ?
Grahan
encolheu os ombros, fazendo um gesto evasivo.
-Não sei. . .
talvez, voltar para a empresa. Por quê ?
-Não quer dar
uma volta de carro comigo ? O dia está tão lindo, e você vai se enfiar no
escritório ? Faça uma coisa diferente da sua rotina !
Grahan sorriu.
-Tem razão.
Minha vida está muito rotineira. Vamos dar a volta de carro.
April sorriu,
olhando-a com olhos brilhantes.
Comeram mais
um pouco, esvaziaram as taças de vinho e Grahan chamou o garçon. Só haviam
comido a metade dos pratos, numa disfarçada ansiedade de saírem. Grahan pagou a
conta e ergueu-se, seguida por April. Dirigiram-se para a saída.
-Está de
carro, Grahan ? Meu BMW está perto daqui.
-Não. Vim de
táxi.
-Ótimo !
Iremos passear no meu – Disse, passando o braço no seu. Grahan sentiu o seio
macio dela contra seu braço e teve um arrepio.
-É melhor. O
seu carro é bem mais confortável que o meu, que é um simples Lexus.
April riu,
olhando-a .
-Ora, Grahan !
Pode comprar dez carros iguais ao meu !
Grahan sorriu.
-Eu sei.Mas, é
uma coisa engraçada que acontece comigo. Não sinto que a fortuna que herdei
seja realmente minha. Não me sinto bem em gastá-la. Ainda não comprei um
alfinete sequer com o dinheiro da herança que Michelle deixou-me. Estou em um
apartamento alugado, e meu carro comprei com outro dinheiro.
April a olhou
incrédula.
-Grahan, é
incrível ! Não acha que está sendo escrupulosa demais ? Michelle lhe legou tudo
espontâneamente ! Em seu lugar, já teria comprado um mundo de coisas !
-Acho que
ainda estou em estado de choque, com essa herança. Não estava preparada para
recebê-la.
-Ora, Grahan !
Que bobagem ! Você é incrível, mesmo !
Chegaram até
onde o carro dela estava estacionado. April entrou e abriu a porta para Grahan,
que sentou ao lado dela, no luxuoso banco de couro vermelho. O BMW era novo, o modelo conversível mais
moderno.
April deu a
partida e movimentou o volante hidráulico com habilidade, fazendo uma volta
convergindo para a estrada. Em pouco tempo, o carro desenvolvia alta velocidade.
-Vamos até
Long Island ? – Perguntou April.
-É um pouco
longe. Que tal New Jersey ?
-Tudo bem.
April imprimiu
mais velocidade ao carro, cujos comandos eram quase todos eletrônicos. Grahan
olhava o belo painel, impressionada com o número de botões e luzes. Não pôde
evitar a pergunta:
-Esse carro é
seu, ou de Antony Burton ?
April riu,
olhando-a rapidamente.
-Meu. Comprado
com o meu dinheiro. Não o venderia para ajudar meu marido, se quer saber.
-Desculpe-me.
. .
-Está
desculpada.
April colocou
um cd para tocar. A música encheu o espaço do carro, uma música linda.
Grahan achou-a
familiar. Prestou atenção. Aquela música. . .
A lembrança
veio como uma pancada em seu coração. Era a música que ouvira com Michelle no
restaurante italiano que haviam ido no primeiro dia que passaram juntas em New
York. A saudade veio dolorosa e fechou os olhos. Parecia ver Michelle
traduzindo a letra, sorrindo e olhando para ela.
Começou a
sofrer como nos primeiros dias da morte dela. Era uma dor profunda, que fez
lágrimas incontidas deslizarem pelas suas faces.
April olhou
para ela e viu-a chorando em silêncio.
-Grahan ! –
Chamou, surpresa – Está chorando ! O que foi ?
Grahan virou o
rosto para a janela , para que ela não o visse. Não conseguia parar de chorar.
-Grahan ! Fale
! Está sentindo alguma coisa ?
A voz de April
soou nervosa. Grahan voltou o rosto para ela.
-É essa
música. . . – disse, com voz trêmula.
April tirou o
cd, olhando-a intrigada. Não podia parar, pois haviam pegado uma freeway e
passavam pelo túnel sem acostamento.
-Grahan ,
nunca pensei que iria vê-la chorar por uma música ! Parece ser tão forte ! Por
que chora ouvindo essa música ? Ela lhe traz recordações tristes ?
-Sim, lembro
de Michelle. . . – confessou, envergonhada – ela traduziu essa música para mim.
-Oh ! Entendo.
. .
April dirigiu
um longo trecho em silêncio. Grahan passou as mãos nos olhos, enxugando as
lágrimas, com raiva de si mesma por haver demonstrado seu sentimento para April.
-Desculpe-me.
. . – disse, finalmente – foi de extremo mau gosto eu chorar aqui com você. Foi
uma recordação que passou.
April sorriu,
com uma ponta de ironia.
-Não tem nada
demais. Simplesmente, você ainda a ama.
Grahan
fitou-a. April parecia aborrecida. Sacudiu a cabeça, continuando em voz neutra:
-É, reconheço
que Michelle era uma mulher linda, especial. Pena que não chegamos a nos tornar
amigas. Ela era muito fechada. Para mim, foi a maior surpresa saber do caso de
vocês. Ela parecia tão convencional !
-Por favor,
vamos mudar de assunto. Não viemos passear para falar de Michelle.
April diminuiu
a velocidade do carro e parou . Haviam saído do tunel e agora havia um
acostamento. Voltou-se para Grahan com um olhar decidido.
-Por que não
falar ? Coloque seus fantasmas para fora, Grahan ! Chore, grite, mas coloque
isso para fora !
-Não quero,
April ! Vamos mudar de assunto!
-Não ! Fale em
Michelle! – Gritou, pegando-a pelos ombros – Bote-a para fora ! Vamos ! Ela já
morreu ! Está morta , ouviu ? Tire-a de dentro de si, ou não poderá ser feliz
novamente !
-Cale-se –
Gemeu Grahan, soluçando – Não quero ouvir você dizer isso! ! Michelle ainda
está viva, para mim !
-Ela está
morta, Grahan ! Morta ! – Gritou April, sacudindo-a pelos ombros com força. Grahan
se desvencilhou e escondeu o rosto entre as mãos, começando a chorar
incontrolavelmente. Chorou muito, durante muito tempo. April ficou em silêncio,
deixando-a chorar.
Quando se
sentiu vazia e aliviada, Grahan parou de
chorar. April lhe ofereceu lenços de papel e ela enxugou as lágrimas e assoou o
nariz, envergonhada. Jogou os lenços pela janela aberta, fitando April,
desajeitada.Ela a fitava com um olhar impenetrável, séria.
-Obrigada,
April. . . foi muito paciente com minha crise – Agradeceu, com voz baixa.
-Sente-se
melhor ?
A voz soou
suave.
-Sim. Eu
precisava desse desabafo.
-Eu sei. Você
é humana, Grahan. Tem esse direito.
Grahan a fitou
agradecida.
-Você é muito
compreensiva. . . é muito mais que uma mulher bonita.
Ela sorriu,
fitando-a divertida.
-É mesmo ? O
que sou mais ?
-É. . .
maravilhosa, humana. . .
April riu,
sacudindo a cabeça negativamente.
-Não sou nada
disso ! Apenas apliquei a técnica que meu psicanalista utiliza em mim!
Grahan olhou-a
surpresa.
-O quê???
-Isso mesmo !
Fiz análise e meu psicanalista gritava para mim : “Ponha seus fantasmas para
fora, April ! Faça de conta que Tony morreu ! Está morto ! E o esquecerá !
Grite, xingue ele!” E isso funcionou comigo ! Então, deve funcionar em você !
Grahan começou
a rir. April também. Riram alto, na solidão da estrada, até cansarem.April
ligou o carro e olhou-a sorridente.
-E lá vamos nós !
O carro
arrancou velozmente.
April dessa
vez colocou um cd de rock e olhou-a de soslaio, sorrindo.
-Não vá me
dizer que Alanis Morissette também a lembra alguém, heim ?
Grahan tornou
a rir, olhando-a .
-Não!...April,
você é demais ! Adoro esse senso de humor seu ! Com você, não dá para se ficar
triste! – Disse, com sinceridade.
-Só isso ? Oh,
que decepção ! – Rebateu ela, em tom jocoso.
Grahan
continuou a rir.
Chegaram
próximo a Nova Jersey em meia hora. April olhou para uma lanchonete na beira da
estrada e fitou-a .
-Vamos tomar
um drink ?
-Numa
lanchonete ?
Ela entrou no
acostamento e parou diante da lanchonete.
-Vamos ver se
eles têm uma garrafa de martini.
Desceram do
carro e entraram na lanchonete. Os poucos frequentadores as olharam com
admiração. Duas mulheres lindas chamam a atenção, ainda mais bem vestidas.
O barman as
olhou sorridente, quando se dirigiram a ele.
-O que
desejam, garotas ?
April o
encarou com um sorriso divertido.
-Meu querido,
queremos uma garrafa de martini. Tem aí ?
Ele pareceu ir
nas nuvens, ao ouví-la chamá-lo assim.
-Infelizmente,
não vendemos bebida alcoólica aqui, beleza.Mas,vou dar um jeito... espere aqui.
Ele
desapareceu por uma porta. Voltou minutos depois, com uma garrafa embrulhada e
lhe passou sorrateiramente, dizendo baixinho:
-Guardo para
clientes especiais. São oito dólares, beleza.
April pegou o
pacote, olhando-o nos olhos.
-Obrigada,
garotão. Fique com o trôco – disse, dando uma nota de dez dólares a ele.
Saíram da
lanchonete e entraram no carro, rindo. April tirou a garrafa do saco e
mostrou-a a Grahan.
-Viu, martini
legítimo ! Sei conseguir as coisas !
-Claro. . .
chamando aquele homem de querido e garotão, ele lhe daria até a lanchonete toda
! – Disse Grahan, rindo.
April ligou o
carro e pegou novamente a estrada. Em um trecho arborizado, saiu repentinamente
da estrada e avançou por entre as
árvores, parando o carro em um campo deserto, em meio a umas árvores frondosas.
Da estrada ninguém as veria ali.
Grahan olhou
para April, surpresa.
-Por que
paramos aqui ?
April fitou-a
com ar divertido.
-Senso de
aventura. Abra a garrafa.
Grahan torceu
a tampa e abriu-a . April tirou a garrafa de sua mão e tomou logo um gole.
Estendeu para ela.
-Prove, é
muito melhor aqui que no restaurante.
Grahan tomou
um pequeno gole. Olhou para April.
-Não acho boa
idéia ficarmos bebendo muito. Você ainda vai dirigir.
April sorriu,
tirando a garrafa da mão de Grahan e a colocando no banco de trás.
-Tem toda
razão, Grahan. Vamos nos divertir de um modo melhor – Disse, apertando um botão
entre os bancos. Os bancos do carro tiveram seus recostos inclinados para trás,
ficando quase na horizontal. Grahan olhou surpresa para April. Ela passou por
cima do console e sentou nas coxas de Grahan, de frente, com os joelhos
dobrados em cada lado do banco. A saia subiu, desnudando as coxas grossas e
douradas. Pousou as mãos nos ombros de Grahan, apoiando-se, e a fitou nos
olhos, na boca.
-Desde que a
vi, estou querendo fazer isso – disse baixinho, inclinando-se para a frente e
esmagando os lábios no de Grahan, em um beijo cheio de ação.A língua penetrou
na boca de Grahan, acariciante, exigente, sugando sensualmente a outra.
As duas estremeceram
juntas. Grahan sentia os seios dela apertados contra os seus, quentes e macios.
As mãos apertando sua cabeça, os dedos se enterrando em seus cabelos.
Enlaçou o
corpo de April, apertando-a contra si, os lábios também sugando, os dentes
mordiscando. Diabos, era apenas humana! E com a fome de afeição que estava,
April lhe parecia um manjar caído do céu.
April gemeu, apertando seu rosto
entre as mãos. Afastou-se o suficiente para olhá-la nos olhos, dizendo
empolgada:
-Grahan, que
boca gostosa ! E sua pele, é tão macia ! Nunca pensei que o beijo de uma mulher
fosse tão gostoso !
Grahan subiu
as mãos para os seios. Tocou-os levemente, fazendo-a suspirar. Deslizou para as
costas, puxando os botões que desabotoavam a blusa, impaciente. Abriu o transpasse
e os seios de April se desnudaram, empinados e cheios, de bicos rosados. April
pegou-os com as mãos e levou um à boca de Grahan, olhando-a ardentemente.
-Tome. . .
sugue-os. . .
Grahan tomou o
biquinho entre os lábios, sugando-o, lambendo, mordiscando levemente. Desceu as
mãos para as coxas, alisando, apertando, dirigiu-se para a calcinha e
introduziu a mão dentro, alisando o sexo que já estava molhado, evidenciando a
excitação dela.
April ofegava
e mexia os quadris alucinada, os olhos semi-cerrados olhando-a com um desejo
louco. As mãos passeavam entre seu rosto e costas, nervosas e ávidas.
-Grahan. . . –
Gemeu – Mais. . . mais. . . oh, que bom !
Ela esmagou a
boca contra a sua e começou a tremer, demonstrando que estava chegando ao auge.
Contraiu-se e apertou-se contra a mão de Grahan, afastando a boca e inclinando
a cabeça para trás, gemendo alto. Em seguida, caiu sobre Grahan, respirando
entrecortadamente.
Ela afastou-se
depois de algum tempo e voltou para o seu banco. Apertou novamente o botão e os
recostos voltaram à posição normal. Olhou para Grahan e sorriu.
-É uma delícia
beijar você, Grahan.
Grahan sorriu.
April acendeu um cigarro e a fitou com malícia.
-E você ? Não
vai ter o seu prazer ?
Grahan sorriu,
ohando-a nos seios.
-Na posição
que estava, não consegui. Sou uma mulher grande, April. Preciso de espaço.
-Está com
vontade ?
-Estou, claro.
A sua já passou ?
April sorriu,
tragando o cigarro.
-Não,
aumentou. Nunca fiz amor em um carro. Quis ter essa experiência com você. Foi
bom, mas como aperitivo. Quero tê-la nua, Grahan. Você agindo sobre mim. Quer
ir à um hotel ?
-Vamos voltar
para New York. Vamos para o meu
apartamento. Lá ficaremos à vontade.
Ela a fitou
maliciosamente.
-Agüenta
esperar até chegarmos lá ?
-Vou tentar.
Valerá à pena – disse Grahan, sorrindo.
April virou-se
de costas para ela.
-Abotoe a
minha blusa.
Grahan
obedeceu e April se recompôs. Ligou o carro, jogando o cigarro fora, e fez a conversão
para voltar. Pegou novamente a estrada e imprimiu velocidade, alcançando
oitenta milhas por hora. Grahan a fitou sorrindo, sem querer demonstrar seu
medo. Ela dirigia como uma louca !
-Está com
pressa, April ?
Ela a olhou
rapidamente.
-Sim. . .
estou louca para ser sua. . .
-Mas se
continuar assim, ou seremos paradas pelos guardas ou sofreremos um acidente.
Ela sorriu com
sarcasmo.
-Está com medo
? Ora , Grahan ! Não me diga que tem medo de velocidade !
A voz de April
soou desafiante e Grahan a olhou, contestando:
-Não estou com
medo.
-Não,mesmo ?
Então, prove.
-Como ?
-Coloque sua
mão em mim. Faça-me ter outro prazer, dirigindo.
Grahan riu.
-Está falando
sério ?
-Estou –
disse, sem olhá-la – Vamos. . . prove que não tem medo. . .
Grahan
hesitou. Na velocidade que o carro estava, ele podia descontrolar-se. Mas não
queria passar por medrosa. Debruçou-se para o lado dela e alisou as coxas dela
lentamente, subindo para a calcinha. April arrepiou-se. Grahan introduziu a mão
dentro da calcinha e começou a boliná-la suavemente, sua boca alcançou os seios
de April por cima da blusa e os mordiscou nos bicos.
April
estremeceu, gemendo baixinho e a fitando transtornada.
-Oh. . . você
está deixando-me louca. . . continue. . . continue. . .
Grahan lambeu
o lóbulo da orelha, mordiscou-o , a mão sempre ativa, procurando o ponto que a
excitava.
April ofegava,
as mãos se contraindo no volante. Ela afastou as coxas o máximo que podia,
naquela posição.
Pelo canto dos
olhos, Grahan viu que o carro estava em um trecho reto, era só April controlar
o volante. Beijou-a no pescoço, no canto da boca, com a mão movendo-se
ritmicamente, sentindo-a começar a
tremer.
-Grahan. . . –
ofegou ela – não posso mais. . . acho que vou gozar. . .
E April
sacudiu-se para a frente e para trás, apertando as coxas, gemendo, prendendo a
mão de Grahan.
Grahan
afastou-se depois, olhando-a sorrindo. April estava com os dentes trincados,
exalando suspiros, os olhos olhando para a frente com expressão embriagada.
-Pronto,
April.Provei que não tenho medo de velocidade.
-Grahan ! Oh,
Deus ! Você é diabólica ! Possuiu-me dirigindo. . . não pensei que tivesse
coragem. . .
-Pois estava
enganada.
-Nunca mais
vou duvidar de você – Disse April, sorrindo.
Ela diminuiu a
velocidade , mais calma e relaxada. Grahan orientou-a no caminho para sua casa
e em quinze minutos chegaram ao apartamento dela.
Quando
entraram, April olhou em volta, apreciando o moderno living. Grahan a olhou,
fechando a porta.
-Quer tomar
alguma coisa ? Um uísque ?
Ela a olhou
com desejo no olhar.
-Não, Grahan.
Quero é ser bebida por você.
Grahan a pegou
pela mão e a levou para o quarto.
Lá,
despiram-se, u,a olhando para a outra, sem uma mútua descoberta. O corpo de
April era belíssimo e Grahan o contemplou com admiração, sentindo o desejo
aumentar.
Ela
aproximou-se e se colou no seu corpo, estremecendo e abraçando-a pelo pescoço,
inclinando a cabeça para trás, para que Grahan a beijasse. Olharam-se nos
olhos, as bocas quase se unindo.
-Faça tudo que
souber fazer para dar prazer à uma mulher, Grahan. . . use-me toda. . .
Grahan desceu
a boca faminta, esmagando com os seus os lábios macios de April.
April era
quente e perfumada. Sua língua penetrou na boca de Grahan, oferecendo a saliva
que Grahan bebeu como se fosse a mais deliciosa bebida. As línguas se tocavam,
acariciantes, os lábios se esfregavam, sôfregos, as mãos acariciavam os corpos
que se espremiam.
-Vire-se. . .
– Disse Grahan, com voz rouca – Quero tê-la de todos os modos possíveis. . .
April
voltou-se de costas, pegando a mão dela e levando ao sexo em fogo. Encostou-se
nela, premindo as nádegas contra seu
sexo. Grahan movimentou-se sinuosamente, roçando o sexo nas nádegas macias,
beijando-a na nuca, passando a língua no pescoço, aprofundando os dedos no sexo
molhado, masturbando-a devagar.
-Oh... – Gemeu
April, empurrando-se para trás – Que
delícia. . . aperte mais. . . isso. . . assim. . .
Grahan
empurrou-a para a cama, sem desgrudar do corpo que estava em fogo. Deitou por
cima dela e April ergueu as pernas, cruzando-as em suas nádegas.
-Possua-me...
faça loucuras, Grahan... – Gemeu April, movendo os quadris desesperada por mais
contato.
E Grahan
possuiu-a. Inúmeras vezes, vendo como
April se entregava com uma lascívia que não imaginava nela. April gritava,
mordia-a, arranhava com as unhas, pedindo coisas que chocaria uma pessoa que tinha limites numa cama. Mas
Grahan queria era satisfazê-la em tudo e obedecia com entusiasmo, querendo
vê-la exaurir-se em gozos. April despertava seu lado animal, o sexo sem amor,
somente satisfazendo os desejos da carne. Mas precisava de algo assim, para
entorpecê-la de sua vida sem Michelle.
E o êxtase
sacudiu aqueles corpos em febre, provocado pelas muitas loucuras, que
dividiram. Grahan deitou ao lado de
April, esgotada. Mas April também estava exaurida, sentindo a calma voltar ao
seu corpo suado, os olhos fechados e o rosto com traços de êxtase.
Ela abriu os
olhos e a olhou, sorrindo.
-Você
esgotou-me, Grahan. . . – disse, com voz fraca.
Grahan sorriu,
descansando a cabeça no braço dobrado.
-Você é uma
ninfomaníaca, April. Não tenho culpa.
Ela riu e passou a mão pelo corpo de Grahan, numa
carícia ligeira.
-Ah, você
levou-me à mais completa loucura. Sabe. . . nunca senti tanto prazer, com tanta
intensidade. . . é surpreendente. . . sempre achei que o sexo com um homem era
insuperável. E agora vi que não é o membro que é importante. . . você me deu um
prazer que ultrapassou tudo que um homem já proporcionou-me. Desculpe se a
choco com esse comentário, mas é o que estou pensando.
Grahan a
encarou , curiosa.
-Não estou
chocada. O que gostou, numa mulher ?
-Numa mulher
não, em você ! A atração que você transmite, o toque das mãos, seu cheiro, sua
pele, sua boca. . . oh, é tanta coisa. . . beije-me. . .
Grahan beijou-a. Ela retribuiu ardosamente. Olhou-a
nos olhos, acariciando seu rosto.
-Vê, estou
novamente excitada. . . com um simples beijo. Poderia ficar o dia inteiro na
cama com você.
-Mas isso é
impossível, April. Você é a mulher de Antony Burton e não pode ficar
encontrando-se comigo freqüentemente.
-Ora, Grahan,
daremos um jeitinho. . . escute, por que não aceita o convite dele e vai passar
o final de semana conosco ? Pelo menos poderíamos nos ver. E se você fizer
amizade com ele, poderemos nos ver mais facilmente.
Grahan a fitou
com ironia.
-Amizade com
Antony Burton ! Está brincando, ou sendo irônica ! Ele me odeia, April ! Sabe
bem que esse convite é um meio para pedir-me o dinheiro que precisa.
-Que seja esse
o motivo, mas você não é obrigada a ceder. Oh, Grahan. . . faça esse sacrifício
por mim... eu ficaria tão feliz, podendo estar perto de você ! Grahan... estou
apaixonada por você. . .
Grahan a fitou
indecisa. Já havia dito a Antony Burton que tinha compromisso. Mas... podia
dizer que cancelara o compromisso que tinha. Estava mesmo querendo aproximar-se
deles para tentar descobrir alguma pista da morte de Michelle, e April estava facilitando isso. Não podia
perder a chance.
-Está bem.
Amanhã ligarei para ele e direi que vou. Aliás, ele pediu-me que ligasse para
você. Então, diga à ele que liguei, aceitando o convite.
April sorriu
encantadoramente, beijando-a no rosto uma porção de vezes. Olhou-a com um
sorriso feliz.
-Oh, que bom !
Poderei vê-la no final de semana ! Com um pouco de sorte, poderemos até fazer
amor ! A casa é grande e tem muito lugar para isso !
Grahan fitou-a
com certo remorso. Estava usando-a para seus objetivos ocultos. Mas tinha que
fazer isso. Não podia abrir mão de descobrir quem era o assassino de Michelle.
-O que é,
Grahan ? Está olhando-me de um jeito esquisito !
Grahan sorriu,
ocultando o que sentia.
-Nada. Estava
observando como é linda.
Ela sorriu.
-Você quer
outra vez ? Eu quero sempre, Grahan. . .
-Quero, April.
Ela colou o
corpo no seu, abraçando-a e puxando-a para o encontro das bocas.
-Então,
venha... me possua. . . mais. . .Por
Deus, Grahan, já estou pronta para gozar novamente! Você me deixa...
Um beijo
ardente calou-a.