HERANÇA FATAL

 

 

Parte 6

 

 

Helen olhou para June, que lia uma revista no intervalo do excelente almoço que o garçon as servira também, uma grata surpresa da nova presidente. Olhou para o seu relógio e constatou que já passavam das duas da tarde.

 

-Puxa ! Elas estão almoçando há mais de uma hora e meia ! Será que ainda não acabaram de comer ? – Perguntou à June, com olhar ansioso.

 

-Não sei, Helen – respondeu June, continuando a ler.

 

-Não seria bom perguntar se podemos mandar tirar o carrinho de comida?

 

June parou de ler e a olhou franzindo o cenho.

 

-Não, Helen. Devem estar conversando. Deixe que elas nos avisarão.

 

-Mas, June... preciso avisar que já retiramos os objetos da sala de Mike Parson ! Grahan Gladstone talvez queira ocupá-la hoje mesmo!

 

June a fitou irritada.

 

-Como você é inconveniente, Helen ! Deixe-as em paz !.Será que ainda não aprendeu que uma boa secretária tem de ser discreta e só aparecer quando é chamada ? Assim, não vai ser muito tempo a secretária da senhorita Gladstone, ouça o que estou dizendo !

 

Helen olhou-a ofendida.

 

-Está bem, dona sabe-tudo ! Só quis ser eficiente !

 

June a fitou sorrindo subitamente, com simpatia.

 

-Eu entendo o que sente, Helen. . . elas são muito melhores que aquele velho ranzinza, que nos dava ordens como se fôssemos suas criadinhas. São gentis e generosas, esse almoço vai fazer-me economizar dez dólares diários, além do bom aumento que Michelle Burton nos deu, que caiu do céu. Sabe que estou juntando dinheiro para comprar o carro de meus sonhos, Helen... mas não é assim que deve mostrar sua satisfação e gratidão. Seja eficiente no seu trabalho e dedicada apenas fazendo o que a mandarem fazer com prazer. Ouça o que digo.

 

        -Ok. . . tem razão. . .

 

June voltou a ler e Helen mergulhou em seus pensamentos. Reconheceu que June tinha razão. Estava surpresa consigo mesma. Por que aquela ansiedade em ver Grahan Gladstone novamente ? E aquela emoção que sentira, em ter sido escolhida por Grahan para sua secretária ? Se Michelle Burton a tivesse escolhido para ser a sua secretária, ao invés de June, não teria ficado tão feliz. Sentia-se premiada em ser secretária de Grahan, aquela mulher tão impressionante.

 

        Grahan Gladstone. Um nome que combinava com ela. Um nome forte, como a impressão de força que ela transmitia.      Quando a vira entrar, havia ficado imóvel, fascinada, pensando que nunca havia visto uma mulher que mostrasse na aparência sua personalidade forte, que fosse tão sensual e atraente. Aqueles olhos azuis, que olhavam tudo com desafio, com um misterioso ar de malícia, aquela boca carnuda, de lábios polpudos e vermelhos, o porte imponente da alta estatura bem distribuída em curvas sinuosas, a voz rouca, tudo a deixava fascinada  e atraída por aquela mulher. Ela era fascinante. Michelle Burton era linda, mas não possuía aos seus olhos a magia de Grahan.

 

        Helen pensou em sua vida amorosa, à procura da causa daqueles sentimentos. Uma lembrança que a fez recuar vários anos, até a sua adolescência. Um acontecimento esquecido no fundo da memória.

 

        Melanie Paltrow. Sua amiga de ginásio. Era, como ela, uma das garotas mais bonitas do colégio. Morena de olhos azuis, uma pele sedosa e um belo corpo. Andavam sempre juntas, iam às festas com os namorados, estudavam uma na casa da outra. Tudo muito natural, até aquela noite que o namorado de Melanie terminou o namoro com ela, depois de uma briga.

 

        Melanie fôra para a casa dela chorar as mágoas e Helen havia apanhado uma garrafa de uísque do pai e levado para o quarto. Haviam bebido muito. Embriagadas, caíram na cama e Helen abraçara a amiga, procurando consolá-la. Melanie a abraçara também e a beijara impulsivamente na boca. Helen havia se surpreendido, mas gostara do beijo e não a afastou.

 

        E Melanie começara a se despir, dizendo que ia vingar-se de Bud, mesmo que fosse com uma mulher. E Helen, pela primeira vez, teve um corpo nu de mulher nos braços. Uma experiência louca, ela sendo possuída e possuindo, despertando para um prazer que nunca pensara poder sentir com tanta intensidade, nem quando seu namorado a possuía.

 

        No dia seguinte, nem sabia como encarar Melanie. Ela foi embora e Helen ficou pensando nela, com o coração batendo forte. Mas ela não a procurou mais, talvez envergonhada e arrependida da loucura. No colégio, começou a  evitá-la. E Helen, ferida em seu orgulho, também a ignorou e continuou sua vida, saindo com outros rapazes, até que a esqueceu. Mas durante muito tempo, sentiu saudades de Melanie e daquela noite. Com o passar dos anos, aquele acontecimento havia sido esquecido, mas agora, que se lembrava, encontrava resposta para a razão de não ter se casado, tendo tido várias oportunidades. Aquele acontecimento a marcara, seu subconsciente ficara à espera de outra experiência igual. E agora, Grahan a despertava para isso.

 

        Sentiu medo. Não queria magoar-se outra vez. Grahan nem devia imaginar que ela pensava assim. E uma mulher como ela devia ter um amante apaixonado, ou vários.

 

        O interfone tocou. June atendeu.

 

        -Pois não, senhorita Burton.

 

        Desligou e  olhou para ela.

 

        -Pode mandar o garçon recolher o carrinho. E a senhorita Gadstone pediu água gelada. Pode providenciar ?

 

        Helen ergueu-se, procurando não demonstrar sua satisfação. Ia ver Grahan Gladstone !

 

        -Claro, June. Sou a secretária dela.

 

        -Ótimo. E eu vou levar a carta de demissão de Mike Parson e o memorando de nosso aumento para a senhorita Burton assinar.

 

        June apanhou os papéis e entrou no gabinete. Helen foi à cozinha e avisou o garçon para ir retirar o carrinho do almoço. Pegou uma garrafa de água mineral, dois copos e colocou numa bandeja. O garçon a fitou surpreso.

 

        -Ei, esse serviço é meu, garota.

 

        Ela o encarou.

 

        -Não. Água e café, eu sirvo à senhorita Gladstone. Sou a secretária dela, esqueceu ?

 

        Ele sorriu.

 

        -Tudo bem. Melhor para mim.

 

        -A senhorita Gladstone vai ocupar a sala que era de Mike Parson, talvez à partir de hoje. Quando eu pedir água ou café, leve até a minha sala e eu levarei para ela.

 

        -Ok, secretária nota dez.

 

        Helen apanhou a bandeja e foi com o garçon até o gabinete. June ia saindo e segurou a porta para eles entrarem.

 

        Grahan estava sentada ao lado de Michelle , olhando para uma lista. Ergueu os olhos ao vê-los entrar e Helen sentiu um arrepio na espinha.

 

        Michelle sorriu para o garçon, dizendo:

 

        -Diga ao chef que adoramos o almoço, James.

 

        -Direi, senhorita Burton. Ele vai ficar feliz.

 

        James pegou o carrinho e saiu, ajudado por Helen, que abriu a porta para ele, equilibrando a bandeja apenas numa mão. Grahan a olhou e sorriu, achando graça.

 

        -Epa ! Cuidado, Helen. . . pode colocar a bandeja em cima da mesa.

 

        -Não querem que eu sirva ? – Perguntou, sorrindo. Aquele sorriso de Grahan havia sido  como um raio de sol, aquecendo seu coração.

 

        -Se não se incomoda, sim.

 

        Helen destampou a garrafa, despejou a água nos copos, olhando-as disfarçadamente.

 

        Michelle Burton estava inclinada para Grahan, olhando a lista com ela. Mas Helen notou a mão dela descansando no ombro de Grahan, alisá-lo furtivamente. Grahan imediatamente olhou para o rosto de Michelle e em seguida para Helen, que desviou a vista rapidamente, fingindo ajeitar os copos na bandeja.

 

        Helen aproximou-se delas com a bandeja. Inclinou-se. Grahan apanhou um copo e a fitou nos olhos, agradecendo com um sorriso.

 

        -Obrigada, Helen.

 

        Michelle apanhou o outro copo, olhando para Grahan. Helen captou naqueles olhos um inequívoco ciúme e seu coração disparou. Não era possível ! Michelle Burton e Grahan ! Não, devia estar maliciando demais !

 

        Elas beberam a água e depositaram os copos na bandeja. Helen olhou para Grahan, informando gentilmente:

 

        -A sala que Mike Parson ocupava já está vazia, senhorita Gladstone.

 

        -Obrigada pela informação, Helen. Pode ir. Depois a senhorita Gladstone irá lá – Disse Michelle, com voz fria.

 

        Helen assentiu e saiu, fechando a porta.

 

        Grahan olhou para Michelle com o cenho franzido.

 

        -Acho que Helen viu você alisando meu ombro.

 

        Michelle a fitou com um olhar avaliador.

 

        -E o que tem isso  demais ? Um gesto afetuoso e natural, que duas amigas fazem uma com a outra.

 

        -Por favor, Michelle, não me acarecie nem fique me olhando como fez, quando alguém estiver presente. Não quero perder a moral aqui, onde trabalhamos.

 

        Michelle ergueu-se, com um olhar frio.

 

        -Quer que eu a trate como uma estranha ? Está bem. Pode ir ocupar sua sala no outro lado corredor. É bem distante de mim e Helen não verá mais nada – Michelle disse, com um tom sarcástico.

 

        Grahan também ergueu-se, fitando-a em silêncio. Colocou os papéis em cima da mesa e saiu. June anotava algo numa agenda e Helen digitava. Ela parou, fitando-a atenta.

 

        -A sala  de Mike Parson já está vazia, não é, Helen ? – Perguntou Grahan,com voz fria – Então, vou ocupá-la agora. Venha comigo.

 

        Helen levantou-se  e avançou com Grahan para a outra porta. Abriu-a e percorreram o corredor até a sala. Helen  olhou para Grahan curiosa. Ela parecia aborrecida. Seu olhar estava frio e sombrio.

 

        Na sala , Grahan olhou em volta, girando nos calcanhares. Olhou para a mesa que ficara e em seguida, para Helen.

 

        -Uma mesa e uma cadeira...  é tudo o que tem para essa sala ?

 

        -Posso pedir móveis ao almoxarifado, senhorita. Mas preciso que me dê uma autorização para isso. E não seria melhor a senhorita ver o catálogo de móveis, para escolhê-los ?

 

        Grahan respirou fundo, impaciente.

 

        -Senhorita, não tenho tempo para esses detalhes. Tomei posse hoje, e tenho coisas importantíssimas a fazer. Escolha os móveis, creio que tem noção do que vou precisar e bom gosto suficiente para a decoração.

 

        -Tudo bem, senhorita.

 

        -Aqui há comunicação com a sala de Michelle Burton ?

 

        -Não. Mike dispensava isso.

 

        -Quem era a secretária dele ?

 

        -Mike não tinha secretária. Também, para quê ?

 

        Grahan franziu o cenho, irritada.

 

        -Que sujeitinho ! E para que servem aqueles telefones ?

 

        -São duas linhas diretas para fora da empresa.

 

        -Diabos ! Não posso ficar aqui e você há quase cem metros de distância, sem comunicação com a presidência e sem móveis. Teremos que providenciar várias coisas, até eu poder ficar aqui.

 

        Pela porta aberta, ouviram passos precipitados. Helen e Grahan olharam para a porta. Michelle entrou intempestivamente, com uma expressão desesperada. Olhou para Grahan com um olhar suplicante, mas conteve-se quando viu que Helen a observava.

 

        Helen olhou para Grahan. Ela olhava para Michelle com um olhar frio, muito séria.

 

        -Deixe-nos a sós, Helen – Disse, com voz contida.

 

        -Com licença – Disse Helen, saindo e fechando a porta.

 

 Michelle correu para Grahan e a rodeou pelo pescoço com os braços, fitando-a arrependida.

 

        -Perdoe-me, amor. . . fui tão idiota, tão fria. . . Nõ fique com raiva de mim, por favor. . . é que fiquei com ciúmes.

 

        Grahan desvencilhou-se, fitando-a com frieza.

 

        -Assim não poderei trabalhar aqui. Você é tão infantil, tão insegura, Michelle. . . ficou com ciúmes de quê ?

 

-         -        Precisava sorrir para ela, gracejar e agradecer fitando-a nos olhos ?

-         -         

        -Eu , gracejei com Helen ?! Está sonhando ! E como quer que eu a trate ? Como se ela fosse uma criadinha, com ignorância ? Só porque você fica com ciúmes de um simples sorriso de agradecimento ?

 

        -Não é somente por isso ! Por que a escolheu para sua secretária ? June é muito mais competente, nota-se logo !

 

        -Juntamente por isso. Quis que a melhor ficasse com você,  pois a presidente tem que ter a melhor ! Não sabia que com isso você iria ficar com bobagens na cabeça !

 

        Michelle tornou a abraçá-la, olhando-a suplicante.

 

        -Perdão, amor. Tem razão. Sou mesmo uma idiota. Não vou mais fazer isso. Pode olhar, sorrir para Helen ou June, que não vou ligar.

 

        -Já prometeu antes que não ia ter essas atitudes, e em pouco tempo fez a mesma coisa !

 

        -Não vou duvidar mais de você. Por favor, Grahan, acredite em mim!

 

        -Mesmo ? – Disse, fitando-a nos olhos – Da próxima vez, vou embora ! Isso é irritante, você ter essas dúvidas bobas de mim.

 

        -Não terei mais ! Oh, Grahan ! É que eu a amo tanto, que tenho ciúmes de tudo ! Mas vou controlar isso, prometo !

 

        Grahan a abraçou. Beijou a boca que se oferecia. Michelle correspondeu com ardor, alisando seu rosto, apertando-se contra seu corpo. Grahan afastou-a . O calor voltou aos seus olhos.

 

        -Vamos trabalhar. Chega de romance no trabalho.

 

        Michelle sorriu docemente, acariciando seu rosto.

 

        -Está bem, amor. E a sala? O que vai precisar ?

 

        -Está faltando móveis, comunicação com seu gabinete e com as secretárias,um computador. . . e a minha secretária não pode ficar naquela sala, é muito distante. Teremos que mandar fazer uma divisão nessa sala para ela ficar .

 

        Michelle não discordou. Sorriu-lhe.

 

        -Então, não vai poder ocupá-la tão cedo. Vamos para a minha sala.

 

        Grahan seguiu-a .Passaram pelas secretárias e Michelle deu instruções à June para providenciar tudo que Grahan precisasse para ter uma sala confortável e funcional. Grahan aparteou, explicando que já dera essa incubência à Helen. Michelle a ouviu atenta e assentiu, voltando-se para Helen, dizendo:

 

        -Muito bem, tem uma tarefa de sua chefe. Cumpra-a com muito zelo e presteza, que Grahan é muito exigente, ok ?

 

        Grahan riu, olhando para Michelle com bom humor.

 

        -Não assuste minha secretária, Michelle. . . a garota vai ficar nervosa.

 

        Michelle sorriu e a puxou pela mão.

 

        -Venha. Ao trabalho !

 

        Elas entraram no gabinete e fecharam a porta.

 

        Helen ficou olhando  para a porta, pensativa. As coisas se ajustavam em sua cabeça. Grahan saíra do gabinete furiosa, com um mau humor visível. Michelle viera atrás dela, com um olhar desesperado. Grahan a recebera friamente . Ficara com ela à sós e voltavam de bom humor, fitando-se quase amorosamente.

 

        Estava claro. Haviam brigado, Michelle fora atrás fazer as pazes e agora tudo voltara à paz. E o motivo provável da briga havia sido ciúmes de Michelle. Tinha quase certeza absoluta. Michelle Burton e Grahan Gladstone eram amantes. A certeza absoluta era uma questão de tempo.

 

        Isso a entristeceu e alegrou, ao mesmo tempo. Ter a suspeita que Grahan era homossexual tornava possível o sonho de conquistá-la, com o tempo. Mas, saber que ela tinha uma amante do quilate de Michelle Burton, tornava as suas chances quase nulas. Michelle Burton era linda, inteligente, culta e dona de uma fortuna imensa. Grahan não seria louca de trocá-la por uma simples secretária obscura, que não tinha nada a lhe oferecer, a não ser amor.

 

        Oh !, como gostaria de estar no lugar de Michelle Burton !

 

 

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Um mês se passou. Henry Parson desculpou-se com Michelle, explicando que colocara Mike na empresa para ver se ele largava as más companhias com que andava metido. Imaginava que com ele perto, conseguiria controlá-lo. Mas reconhecia que essa idéia fôra inútil. Ele estava pior, usando a empresa como escudo para suas loucuras. Se Michelle quisesse, ele a reembolsaria das despesas que o filho fizera com o dinheiro da firma, além de apresentar seu pedido de demissão.

 

        A decisão de Michelle foi conciliadora e humana, fazendo Grahan perceber como ela era admirável: não só perdoou os atos de Parson, como o manteve no cargo de diretor da subsidiária, comovida com o problema do pai desesperado. Mas também demonstrou firmeza, ao demitir um assessor que era improdutivo e displicente em seu trabalho, mesmo tendo sido indicado para o cargo pelo seu irmão.

 

Ela tomara essas decisões sem a interferência de Grahan, que dissera não querer interferir em suas decisões. Estava ali para ajudá-la a verificar as falhas existentes na empresa, mas as decisões deveriam ser dela.

 

A auditoria havia começado e as reuniões para analisar a estrutura e funcionamento das diretorias, com suas falhas e acertos, sucediam-se quase todos os dias, cansativas. Michelle tinha de estar à par de cada mudança sugerida para dinamizar ainda mais a atuação da Burton Corpotation no mercado.

 

        O gabinete de Grahan ficou pronto e ela instalou-se nele, com Helen na sala contígua. Mas pouco permanecia na sala, já que Michelle a solicitava nas reuniões que fazia, querendo que desse sua opinião sobre o que lhe apresentavam. Mal tinham tempo para almoçar, com tanto trabalho. Quando chegavam em casa, tomavam um banho, jantavam e se recolhiam.

 

            Grahan  brincava,  dizendo  que  nunca  havia  trabalhado   tanto.  Mas  nunca deixavam de fazer amor, várias vezes por noite. A paixão aumentava, com o passar dos dias, em vez de diminuir. Grahan sentia-se cada vez mais apaixonada. Michelle, então , a deixava enlevada com o seu amor extremo, sua paixão sem limites. Na cama, Michelle a esgotava com sua fome de sexo, ela queria cada vez mais, e suas noites eram agitadas, com Michelle dando-se com loucura. Não havia mais nada que duas mulheres apaixonadas pudessem fazer, que elas não tivessem feito.

 

       Nos finais de semana, preferiam ficar em casa, sem nenhum compromisso, apenas uma com a outra. Ouviam música, dançavam, Michelle cozinhava altos pratos franceses, gracejavam uma com a outra, como duas crianças felizes. Michelle tinha um senso de humor acentuado e divertia Grahan com suas brincadeiras, coisas que fazem duas pessoas apaixonadas rirem até sem motivo, porque são felizes.

 

       Naquele sábado, acordaram tarde. Michelle acordou antes e olhou para Grahan, deitada ao seu lado.

 

       Completamente nua, dormia de bruços, o rosto virado para o lado. Contemplou as costas bem delineadas, os braços longos e bem torneados, os ombros largos se estreitando na cintura fina, os quadris arredondados, as coxas e pernas longas e fortes. Ela era uma mulher com um corpo sensacional, e era toda sua. Totalmente, tinha certeza. Não deixava sobrar nada para ninguém, esgotava nela todos os desejos. Amava-a, desejava-a tanto ! Era tão forte o que sentia, que chegava a doer. Tinha medo de perdê-la. Ela era a coisa mais importante em sua vida.

 

       Seu olhar se entristeceu, passando a mão pelos quadris macios. Grahan mexeu-se, ainda dormindo. Debruçou-se e beijou-a na nuca cheia de penugens. Ela voltou-se , abrindo os olhos, com ar sonolento. Sorriu ao vê-la debruçada, fitando-a .

 

       -Meu Deus ! – gemeu – já está acordada ? Que horas são ?

 

       -Quase nove, amor. Acorde. . . o sono afasta-me de você.

 

       -Ohhhh... mas que mulher elétrica ! - Tornou a gemer – Não cansa nunca ! Sabe que hora fomos dormir?

 

       -Não lembro. . .

 

       -Três da  madrugada ! Estou morrendo de sono !

 

       Michelle riu. Sacudiu-a pelos ombros.

 

       -Não, não vai dormir. Eu também dormi na mesma hora que você e estou aqui, acordada.

 

       Grahan espreguiçou-se, olhando-a com conformação.

 

       -Tudo bem, tudo bem. . . vou tomar uns fortificantes e afrodisíacos para agüentar a sua disposição, sua ninfomaníaca !

 

       Michelle olhou-a com falsa mágoa.

 

       -Oh ! É isso que acha de mim ?

 

       -Sim ! – Riu Grahan – Nunca vi uma mulher assim ! Esgota qualquer um !

 

       -Você gosta ! Pensa que não sei ? Você fica louca com a minha luxúria, Grahan Gladstone !

 

       -Está bem, reconheço ! Somos duas ninfomaníacas ! – Declarou Grahan, rindo e a puxando para si. Beijou-a no rosto e quando Michelle tentou beijá-la na boca, girou o corpo e ergueu-se com um salto, rindo do olhar surpreso de Michelle.

 

       -Enganei-a ! Pensou que eu ia ficar com você aí ? Vou é tomar um banho !

 

       Correu para o banheiro, com Michelle no seu encalço. Entrou no box e fechou a porta, rindo das tentativas dela  em tentar abrí-la. Depois de uns instantes, abriu a porta e a puxou para dentro do box em um abraço, abriu as torneiras e a água jorrou sobre elas, Michelle dando gritinhos e rindo. Beijou-a debaixo da água morna e Michelle correspondeu ardentemente. Afastou-a, sorrindo.

 

       -Vamos tomar banho, garota – Disse, pegando o sabonete – Depois tomaremos um bom desjejum, para  repor nossas energias. . . e depois, aí sim, poderemos pensar em algo mais excitante. . .

 

       Michelle a fitou sorridente.

 

       -Oh, já esqueceu o que combinamos ?

 

       Grahan a fitou, ensaboando-se.

 

       -Combinamos o quê ? Não me lembro.

 

       -Grahan ! Não é possível ! Combinamos ir hoje para o seu rancho, desde o início da semana !

 

       Grahan franziu o cenho.

 

       -Não lembro disso. Mas se combinei, agora não adianta mais. Já é tarde e levaríamos muito tempo para chegar lá.

 

       -Ah, demoraria muito se fôssemos de carro, mas acontesse que reservei um helicóptero da Burton Corporation para vir nos apanhar aqui e levar até o rancho !

 

       Grahan a fitou surpresa.

 

       -Um helicóptero ? E onde pousará ?

 

       -Querida, ainda não contei que este edifício possui um heliporto ? O piloto nos apanhará com a maior facilidade.

 

       -Não sabia. . . mas, quer mesmo ir ? Amanhã teremos que estar de volta.

 

       -Quero ! Adoro aquele lugar, foi lá que nosso amor iniciou. E amanhã o helicóptero nos apanhará de volta.

 

       -Está bem. . . já que quer tanto. . .

 

       -O helicóptero nos apanhará às dez horas. Vamos levar pouca roupa.

 

       -Ok.

 

       O helicóptero chegou pontualmente ao heliporto do edifício. Michelle e Grahan já o aguardavam e quando ele pousou, elas correram inclinadas, devido ao forte vento que as hélices faziam. Embarcaram com a ajuda do co-piloto, que as instalou nos bancos traseiros. O piloto sorriu para elas, voltando-se para trás.

 

       -Bom dia, senhoritas. Sou o piloto Fletcher e esse grandalhão que as ajudou a subir é o segundo piloto, Gallagher.

 

       Michelle sorriu para eles.

 

       -Muito prazer, rapazes. Eu e minha amiga vamos para Big Valley, nas montanhas Aroundack.

 

       -Sei onde é. Há local para pousar lá ?

 

       -Existe uma clareira em meu rancho que pode servir para pouso – Informou Grahan, gritando para sua voz ser ouvida, com o ronco do motor do helicóptero aumentando para decolar.

 

       O aparelho decolou, tomando o rumo leste. A viagem foi rápida e tranqüila. O dia estava claro, com o céu sem nuvens e o aparelho voava tranqüilo. Michelle apontava para Grahan os pontos pricipais da cidade e Grahan começou a gostar de fazer essa viagem.

 

       Uma hora depois, o helicóptero pousou no rancho de Grahan. Michelle assinou um papel e o piloto despediu-se, prometendo voltar no dia seguinte às nove horas. O aparelho levantou voo e sumiu por trás de uma elevação rochosa. Grahan pegou a valise e olhou para Michelle.

 

       -O poder do dinheiro. . . se viéssemos de carro, ainda estaríamos no meio do caminho.

 

       Michelle a fitou com um sorriso que Grahan achou triste.

 

       -É , Grahan. . . o poder do dinheiro. . . um poder perigoso e traiçoeiro, como disse uma vez. – Disse, gravemente. Mas logo sorriu, pegando-a pelo braço.

 

       -Vamos entrar. Estou ansiosa para rever tudo.

 

       Grahan abarçou-a pela cintura, com a mão livre, caminhando ao lado dela.

 

       -Você surpreendeu-me. Não pensei que quisesse mais vir aqui, nesse rancho tão simples.

 

       -Boba ! É o melhor lugar do mundo ! O nosso ninho de amor. Aqui não sou aquela mulher cheia de responsabilidades, sou somente uma mulher comum, que a ama muito.

 

       Grahan subiu as escadas, tirou a chave do bolso e abriu a porta. Entraram. Grahan jogou a valise no chão e abraçou Michelle.

 

       -Pronto ! De volta ao ninho !

 

       Michelle abraçou-a pelo pescoço, sorrindo.

 

       -Nossa lua-de-mel, amor ! Vai ter que carregar-me para o quarto ! Agora quero ver se você é forte mesmo !

 

       -Ah, duvida ! Você vai ver !

 

       Pegou-a por baixo das coxas e pelas costas, erguendo-a nos braços. Michelle gritou, rindo assustada.

 

       -Grahan ! Coloque-me no chão ! Eu estava brincando !

 

       -Não ! Quem mandou duvidar ? Pois agora vou levá-la até o quarto !

 

       Subiu com ela as escadas que levavam ao segundo pavimento, abriu a porta com o pé e entrou, jogando-a na cama e caindo ao lado dela, fitando-a rindo.

 

       -Uffff ! Você me matou ! Como é pesada !

 

       -Mentirosa ! Só peso cinquenta quilos !

 

       -Só ???! Não é possível ! Já deve estar passando de seu peso em alguns quilinhos ! – Troçou, querendo provocá-la.

 

       -Quer ver ? Não tenho uma grama a mais !

 

       -Ah, mostre ! Duvido, quero ver !

 

        Michelle ergueu-se de um pulo. Começou a dar passos de dança, imitando uma stripper. Levantou a blusa de malha lentamente e tirou-a, girando-a no ar, cantarolando. Fez uma pose provocante, piscou o olho, começando a tirar a calça comprida, rebolando os quadris. Desceu-a pelas pernas esculturais e jogou-a para o lado com a ponta do pé. Virou de costas e desabotoou o soutien, rebolando o traseiro belíssimo.

 

       Grahan agora a olhava sem rir, hipnotizada. Ela a estava excitando tremendamente, com aquela sensualidade felina.

 

       Michelle voltou-se de frente e começou  a descer a calcinha, sorrindo sensualmente. Cantarolando acabou de tirá-la, jogando-a para o lado. Ergueu o braço, com a outra mão na cintura, fazendo uma pose “sexy”.

 

       -Final do show, meu amor. . . e então?

 

       Grahan estendeu as mãos, olhando-a com desejo.

 

       -Adorei o show, e quero demonstrar isso... venha cá...

 

       -Não. . .

 

       -Venha. . .

 

       -Não estou com vontade. . . sei o que quer. . . – disse, fitando Grahan com malícia.

 

       -Não quer ? Nem um pouquinho ? Você não está com vontade?

 

       -Não. Você está ?

 

       -Demais. . . Mas você não quer. . .

 

       Michelle riu e jogou-se na cama, ao lado dela.

 

       -Mudei de idéia. Vou querer.

 

       Grahan a abraçou, beijando-a apaixonadamente. Ela correspondeu com igual ardor. Grahan afastou-se, para fitá-la com paixão.

 

       -Michelle. . . adoro você. . . amo-a tanto. . . seja minha. . .

 

       -Grahan ! .Oh, meu amor, eu a desejo tanto, nunca vou negar-me a ser sua. . .

 

       Grahan despiu-se ansiosamente e a possuiu com amor e paixão, tudo mesclado em cada gesto, em cada beijo. Viu Michelle delirar em seus braços, gemer sua paixão, gritar seu amor, no auge do prazer.

 

       -Meu amor ! Grahan, toda minha!  Querida ! Amor !

 

       Depois, abraçadas, fizeram planos para o futuro. Quando a empresa estivesse como Michelle queria, depois da auditoria, viajariam. Um cruzeiro pela Europa, uma temporada nos Alpes suíços. Michelle conhecia tudo e queria voltar a ver aqueles lugares com Grahan.

 

       Ela a olhou com amor, dizendo:

 

       -Com você, tudo terá  novo sabor, Grahan. Sempre fiz essas viagens com pessoas  que não me diziam muito. Com você, será maravilhoso.

 

       -Fez essa viagens com amantes seus ?

 

       Michelle percebeu o ciúme de Grahan. Beijou-a longamente e depois a fitou com amor.

 

       -Eram homens medíocres e interesseiros, amor. Descobria isso em pouco tempo.

 

       -Em quanto tempo ?

 

       -Menos de um mês.

 

       O olhar de Grahan estava sombrio. Pela primeira vez, sentia o sabor amargo do ciúme.

 

       -Quantos ? Quantos amantes você teve ? – Perguntou, com voz ansiosa.

 

       -Por que essa pergunta agora, amor ? – Disse Michelle, fitando-a surpresa.

 

       -Quero saber.

 

       -Isso é importante ? – Perguntou, acariciando-a no rosto.

 

       -Para mim, é. Quero avaliar sua experiência com os homens.

 

       -Não vai ficar com raiva ?

 

       -Não. Conte-me.

 

       -Tive uns oito amantes, ou um pouco mais. Nunca contei.

 

       Grahan arregalou os olhos, surpresa.

 

       -Mais de oito ?! Tudo isso ???

 

       -Em toda minha vida, Grahan ! Tenho vinte e nove anos ! Lembre-se que meus romances duravam pouco ! E você ? Quantas mulheres teve ? – Perguntou, olhando-a curiosa .

 

       Grahan a fitou pensativa, rindo subitamente.

 

       -Hummm. . . vejamos . . . comecei cedo nessa vida . . . ah, umas vinte !

 

       Foi a vez de Michelle admirar-se. Ela a fitou boquiaberta.

 

       -Vinte?!

 

       Grahan a fitou, rindo.

 

       -Acha muito ? Não acho ! Tive dois casos sérios, o resto foi conquistas passageiras, sem maiores consequências.

 

       -Meu Deus ! Estou com uma Don Juan de saias ! Ah ! Bem vi que você tinha experiência vasta de cama ! Nunca conheci uma pessoa que soubesse fazer tudo que você faz !

 

       -Isso é um elogio, ou uma acusação ?

 

       Michelle apertou-se contra ela.

 

       -Claro que é um elogio, amor. Adoro a sua experiência.

 

       -Pois então, vou mostrar mais uma vez minha experiência...

 

       Fizeram amor mais uma vez. Grahan possuiu Michelle com uma paixão renovada, querendo que fosse para ela a melhor de todos os amantes que tivera. Uma, duas, três vezes Michelle atingiu o orgasmo, até Grahan ter seu próprio prazer, olhando-a nos olhos, excitando-se com aquele olhar mortiço pelo êxtase.

 

       Deitou ao lado dela, suada e exausta. Michelle acariciou o seu rosto, fitando-a com tenura.

 

       -Meu amor. . . está cansadíssima, não é ? – Perguntou Michelle.

 

       -Hum, hum . . . vamos dormir um pouco.

 

       -Está começando a esfriar e escurecer. Não seria  bom  apanhar lenha para a lareira ? As noites aqui são frias.

 

       -Hum. . . depois. . . – Disse Grahan,  sonolenta.

 

       Michelle ergueu-se.

 

       -Eu vou apanhar. Fique descansando, amor.

 

       Grahan, já quase dormindo, viu-a colocar a roupa e o tênis. Teve um pouco de remorso por deixá-la ir lá fora  sozinha apanhar a lenha , mas estava realmente cansada.

 

       Ela a olhou da porta e jogou um beijo com a mão. Saiu.

 

       Grahan cochilou. Depois de um tempo que não pôde avaliar,virou-se na cama e olhou para a janela. Já estava escuro.      Onde estava Michelle ? Sentou-se na cama, bocejando. Tudo estava silencioso.

 

       -Michelle! – Chamou – Michelle!

 

       Nenhuma resposta. Estranhou aquilo. A casa era pequena e Michelle a ouviria se estivesse dentro. O que estaria fazendo lá fora, no escuro ?

 

       Sentou-se na cama e vestiu-se, intrigada. Será que Michelle queria lhe pregar uma peça ? Acendeu a luz e desceu as escadas correndo. Acendeu a luz da sala e da cozinha. Olhou os cômodos e constatou que Michelle não estava em nenhum.

 

       -Michelle! – Gritou, sentindo um súbito medo oprimir seu peito. Abriu a porta da cozinha e correu para o depósito de lenha. A luz da cozinha iluminava o caminho o suficiente. Parou de repente, soltando um grito.

 

       Havia um vulto caído há dez passos à frente. Reconheceu Michelle. Correu e caiu de joelhos diante dela, olhando-a apavorada. Innstitivamente, estendeu a mão para ela, tocando-a e gemendo:

 

       -Michelle. . . meu Deus ! Michelle !

 

       Um desespero lancinante dominou-a. Michelle estava caída de lado, em uma pose largada, os olhos abertos sem expressão, a boca entreaberta. O tiro que havia recebido atingira o meio de sua testa, produzindo um buraco negro e redondo. O seu corpo ainda estava quente, quando Grahan tocou no rosto dela, quase louca de dor.

 

       -Michelle. . . – Tornou a gemer, curvada sobre o corpo da única mulher que amara com loucura,  sentindo os soluços sacudirem seu corpo. Estava em estado de choque e sua mente recusava-se a aceitar que Michelle estava ali, morta.

 

       Quanto tempo ficou ali, soluçando? Um minuto, uma  hora ? Nunca saberia. Só lembraria que mais tarde ergueu-se chorando e em passos incertos correu para o telefone, para chamar a polícia.

 

 

Continua na parte 7

 

 

Pessoal, agora possuo uma comunidade em que poderão ter notícias do andamento de fics, fazer seus comentários sobre elas, trocar idéias, etc. Participem! O endereço é:

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