A Burton Corporation ficava em um suntuoso edifício em
Wall Street, em um dos trechos mais nobres. O edifício de quarenta andares era
todo de vidro fumê, com o logotipo da empresa no alto, um disco negro com as letras B e C douradas e
entrelaçadas.
Michelle
desceu do táxi com Grahan e sorriu levemente ao vê-la olhando para a luxuosa
entrada com ar impressionado.
-Depois da
minha posse, teremos a limousine da presidência com motorista para buscar-nos
em casa, Grahan . – Comentou.
Grahan a
fitou sorrindo. Michelle havia colocado um blazer rosa salmão, com saia preta,, meias e sapatos
de saltos altíssimos negros. Um par de brincos de ouro completava sua elegância
feminina e envolvente.
Grahan não
ficava atrás, em elegância. Vestida com um “tailleur” cinza –pérola, blusa de
seda branca, meias e sapatos de salto alto negros, tudo comprado nas melhores
lojas de New York, completados por uma maquiagem leve e pequenos brincos de
diamantes, presente de Michelle. Estava parecendo mesmo uma executiva de alta
classe e sentia-se bem naquelas roupas. Correspondia ao que Michelle queria
dela.
-Vamos
? - Perguntou Michelle, esperando-a .
Grahan
olhou-a e assentiu. Entraram no prédio e avançaram pelo sagüão até onde duas recepcionistas uniformizadas
elegantemente de negro, que as receberam com sorrisos cordiais.
-Desejam
falar com quem, senhoritas ?
Michelle
sorriu quase imperceptivelmente.
-Sou Michelle Burton. A diretoria está à minha espera. E esta é Grahan Gladstone, minha assistente.
As
recepcionistas a olharam surpresas e impressionadas. Verem Michelle Burton em
pessoa era um fato raro, mas se recuperaram e chamaram o segurança, que estava
ao lado.
-Acompanhe
as senhoritas Burton e Gladstone até o
elevador privativo, Joey.
O
segurança procurou dar
o melhor sorriso,
fazendo um gesto
para que elas o
seguissem.
-Por favor,
senhoritas. . .
Elas o
seguiram até um conjunto de elevadores. Ele retirou uma chave do bolso e abriu
o último elevador, fazendo uma mesura para que entrassem. Michelle entrou,
seguida de Grahan, e ele acionou o elevador, explicando:
-Este
elevador é privativo da presidência, senhorita Burton. Só pára no andar da
presidência e somente o presidente e eu temos a chave. É para lá que vai, não é
?
-Sim.
Providencie duas chaves, Joey. Uma para mim e outra para minha assistente, a
senhorita Gladstone.
Ele
assentiu, pressuroso. Em menos de um minuto chegaram ao andar e o elevador abriu as portas.
Michelle olhou para o segurança, saindo de elevador.
-Que andar é
esse ?
-O
quadragésimo.
-Obrigada.
Um homem
magro de cabelos
grisalhos, vestido com
um impecável terno
escuro, estava no hall esperando-as e estendeu a mão para Michelle com
um sorriso cordial, mas seus olhos demonstravam seu mal-estar.
-Seja
bem-vinda, Michelle ! Minha secretária
avisou-me de sua chegada e fiz
questão de vir recebê-la pessoalmente !
Michelle
apertou a mão dele e voltou-se para Grahan, que se conservava alguns passos atrás.
-Henry, esta
é Grahan Gladstone. Grahan, apresento-lhe Henry Parson, o presidente da Burton
Corporation.
Ele estendeu
a mão para Grahan com um sorriso frio.
-Muito
prazer, senhorita. Conheço-a pela tv, por ocasião da libertação de Michelle.
Grahan
sorriu para ele, apertando a mão gelada.
-Igualmente,
Parson.
Ele olhou
para o relógio de pulso.
-Bem, faltam
quinze minutos para
começar a reunião.
Querem aguardar em meu gabinete ?
-Não, Henry
– Disse Michelle – Viemos mais cedo para conhecer as instalações desse andar.
Ainda não as conheço. Sua secretária pode nos mostrar tudo ?
Ele sorriu
forçadamente.
-Lógico. . .
venham, sigam-me.
Ele abriu
uma porta de vidro fumê onde se lia em letras douradas: RECEPÇÃO.
Michelle e
Grahan entraram e se viram em uma luxuosa sala , com quadros abstratos, toda
atapetada e com várias poltronas de couro negro e uma mesa, onde uma
recepcionista já os aguardava em pé. Henry nem a olhou, dizendo impessoalmente:
-Aqui é a
recepção, onde qualquer pessoa que queira falar com o presidente deve
anunciar-se.
Michelle
sorriu para a recepcionista, que a olhava com um sorriso cordial.
-Como se chama
, senhorita ?
-Marge,
senhorita Burton – Respondeu, respeitosamente.
-Muito
prazer, Marge.
Olhou para
Henry, que as olhava contrafeito.
-Continuemos,
Henry.
Ele
atravessou a sala e abriu uma porta, anunciando:
-A sala das
secretárias.
Entraram. Em
uma sala também bem decorada, duas moças impecavelmente vestidas os olharam,
sentadas atrás de duas mesas. Elas digitavam em dois computadores, mas se
ergueram interrompendo o trabalho.
-Minhas
secretárias, June e Helen – Disse Henry, agora mais pessoal – Senhoritas, estas
são Michelle Burton e Grahan Gladstone.
Michelle
aproximou-se e estendeu a mão. Elas a apertaram com certo constrangimento, mas
sorriram cordialmente.
-Muito
prazer, garotas – Disse Michelle.
-June é a principal
e Helen a sua auxiliar – Informou Henry, com voz fria.
Michelle
voltou-se para ele displicentemente.
-Pode
deixar-nos com suas secretárias, Henry. Quero dar umas palavrinhas com elas.
Pode ir ver se todos já chegaram, enquanto isso ?
Ele a olhou
contrariado, mas assentiu e saiu da sala.
Michelle
olhou para June e Helen, que se conservavam de pé como que aguardando uma ordem.
-Uma de
vocês poderia mostrar-nos as instalações do andar ? Quero saber como estão
distribuídas as salas.
Grahan olhou
para June. Era alta e esguia, os cabelos presos em um coque, maçãs do rosto
salientes, olhos negros. Era mais atraente que bonita. Parecia ser uma
secretária discreta e competente, à primeira vista.
Helen era
loura, de olhos azuis. Tinha traços delicados e um corpo bem proporcionado.
Olhava-a com evidente curiosidade, talvez imaginando quem era Grahan Gladstone.
Era mais bonita que June, mas não parecia ter a forte personalidade da outra.
June olhou
para Helen, adiantando-se.
-Vou mostrar
as salas, Helen – Disse – Por favor, atenda aos telefones enquanto faço isso,
está bem ?
Virou-se
para Michelle com um sorriso cordial.
-Acompanhe-me,
por favor.
Abriu uma
porta do outro lado da sala.
-Este é o
gabinete da presidência. Possui esta entrada e outra direto para o hall da
recepção. Entrem, por favor.
Michelle e
Grahan passaram por ela e entraram. O gabinete era enorme, todo decorado com
requinte. Todo em tom cinza, com poltronas de couro vermelho, uma mesa de
ébano, quadros valiosos e uma estante decorativa de mogno.
Michelle
aproximou-se da mesa. A cadeira acolchoada de couro vermelho era confortável e
luxuosa.
June
informou, com voz impessoal:
-O telefone
possui três linhas diretas e uma ligada ao computador com linha na internet. E
esse computador tem um programa que comanda as portas do gabinete, abre o bar
embutido, liga a música ambiente em cincos estações programadas e o dvd e tv.
Basta ligar o computador e clicar no
ícone de cada função – Explicou, olhando
para Michelle com um ar de eficiência e
segurança.
-Quer que
faça uma demostração ?
-Agora não,
June. Depois, vou aceitar.
Ela assentiu
e prosseguiu, abrindo uma porta.
-Aqui há um
banheiro completo e sauna, além de um pequeno aposento para descanso.
Michelle
olhou para Grahan e foi olhar. Era um banheiro luxuoso, com a banheira de
hidromassagem, ducha, uma câmara para sauna comportando até três pessoas e um
quarto com uma cama de casal, um pequeno armário embutido e frigobar.
Saíram e
June ainda informou:
-Temos
também uma cozinha com “chefs” se revezando em dois turnos, preparando pratos
para o presidente e eventuais convidados. Isso torna as reuniões de emergência
menos desgastantes e economisa o tempo que seria gasto para se ir jantar fora.
Levou-as até
a cozinha moderníssima, onde um homem preparava camarões flambados em vinho
branco. Michelle o cumprimentou e saíram.
-Agora só
falta a sala de reuniões. Onde a diretoria está à sua espera, senhorita Burton.
Michelle olhou para June com ar decidido.
-Pois então,
abra-a, June.
June abriu a
porta e Michelle entrou. Grahan não a acompanhou,mas ela voltou e pegou-a pela
mão, puxando-a . Grahan entrou
desajeitada, sabendo o
quanto era irregular sua presença ali.
Na enorme
sala, sentados diante de uma imensa mesa, vinte homens as olharam entrar. Henry
Parson ergueu-se e as olhou com seu sorriso frio.
-Senhores,
eis Michelle Burton !
Aproximou-se
e a tomou pelo braço com ar protetor.
-Venha, vou
apresentá-la aos diretores.
Michelle
desvencilou-se da mão dele. Avançou e foi apertando a mão de cada um, enquanto
Henry lhe dizia o nome de cada.Quando acabaram, Henry indicou uma cadeira ao
lado dele.
-Queira
sentar-se, Michelle. É um prazer presidir essa reunião ao seu lado.
Michelle
olhou-o friamente.
-Miss
Burton, Henry Parson – corrigiu ela , seca.
Ele
empalideceu. Sentou-se, agastado.
Michelle ficou em pé. Como Grahan estava, em
um canto da sala, olhando-a com admiração e aprovação.
Ergueu a
voz, que soou clara:
-Senhores !
Convoquei essa reunião para comunicar que destituí meu procurador e hoje,
considerando que possuo setenta por cento das ações da Burton Corporation,
estou assumindo a presidência e controle das empresas !
Todos a
olharam atônitos. Depois do choque da notícia, começou a se formar um
burburinho de comentários.
Michelle
olhou para Grahan. Ela sorriu e fez um gesto para que esperasse.
Um dos
diretores ergueu a mão, Michelle olhou-o e sorriu, indicando-o com um gesto.
-Nosso
diretor de finanças quer falar. Vamos ouví-lo ! O burburinho cessou. Todos
olharam para o homem. Ele olhou para Michelle com ar divertido, como se ela
fosse uma criança que repentinamente irrompera numa reunião de adultos.
-Senhorita
Burton – falou, com sarcasmo – Não está sendo um pouco precipitada ? Sabemos
que não possui a menor experiência em dirigir qualquer empresa, ainda mais uma
empresa desse porte.
Ela o olhou
duramente.
-Realmente,
não tenho, senhor. Mas meu pai não tinha também nenhuma, quando meu avô morreu
e lhe legou as ações. E meu pai triplicou o tamanho das empresas,
consolidando-as. Isso porque era inteligente e corajoso.
O homem
sorriu.
-Mas as
empresas eram menores. E seu pai era um homem. . . empreendedor.
Michelle
entendeu. Estava insinuando que ele era, além de mulher, não tinha capacidade
de iniciativa.
Sorriu
friamente, com um olhar felino.
-Minha capacidade
vai ser avaliada
com o tempo.
E posso ser mulher, mas tenho coragem suficiente
para propor o seguinte: quem não
quiser se enquadrar em minhas
diretrizes, apresente em vinte e quatro horas seu pedido de demissão. Começando
a contar de agora.
Um silêncio
sepulcral caiu na sala.
Michelle
olhou para aqueles homens imóveis, que a olhavam incrédulos. Deixou-os
digerirem a ameaça e voltou a sorrir.
-Mas se
quiserem colaborar comigo, aguardo o relatório de cada um sobre suas
respectivas diretorias, com problemas e sugestões, no prazo de três dias, a
contar de hoje. É só, senhores.
Os homens
começaram a se levantar. Henry Parson a olhou abatido.
-Antes de
ser presidente da empresa, era engenheiro químico da Chemical Burton. Vou
apresentar-lhe minha demissão também desse cargo.
Michelle o
olhou com um sorriso.
-Não foi
nada pessoal contra você, Henry. Apenas quero assumir meus negócios. Se
interessar a você, vou lhe dar o cargo de diretor dessa subsidiária. Sei que é
competente e agradeço o tempo que ficou
na presidência da Burton Corporation. Tem, como os outros, vinte e quatro horas
para pensar.
-Vou pensar
– disse, juntando seu resto de orgulho – Agora vou esvaziar as minhas gavetas
para que possa instalar-se no gabinete.
-Só vou
ocupá-lo amanhã. Hoje, poderei ficar em outro local.
-Não é
preciso. Tenho pouca coisa minha no gabinete. Dê-me quinze minutos.
-Ok, Henry.
Pense em minha proposta.
Estendeu a mão para
ele. Henry apertou-a sem rancor, sorrindo levemente. Michelle não esqueceu que
seu pai lhe dizia que ele era um ótimo administrador na Chemical Burton.
-Boa sorte
no cargo , miss Burton.
Ele saiu. Michelle olhou em volta. Todos haviam saído. Só Grahan continuava em um canto, olhando-a sorrindo, de braços cruzados.
-Venha para
cá – chamou suavemente, sentando-se em uma das cadeiras – Que achou de minha
atuação, Grahan ?
Grahan
aproximou-se e sentou ao lado dela, olhando-a com admiração.
-Foi melhor
do que eu esperava, Michelle. Você foi segura e conseguiu abalá-los. Já viram que
não vão poder criar-lhe embaraços e terão que respeitá-la.
-Obrigada,
mas o mérito é seu. Orientou-me em como agir em cada reação deles.
-Era uma
reação esperada, Michelle. Você, com essa cara de mocinha desprotegida, chegar
dizendo que ia tomar as rédeas da Burton Corporation, foi demais para eles.
Michelle riu.
-Estou
gostando do jogo, Grahan. É uma sensação fascinante, sentir aqueles homens
todos acatarem as minhas decisões.
Grahan a
encarou séria.
-O poder é
fascinante. Mas também é perigoso, não se esqueça. Você vai ter que provar sua
competência e vencer os desafios e armadilhas que surgirão. Notou que seu irmão
não compareceu à reunião, apesar de ser um dos diretores ?
Michelle a
fitou, deixando de sorrir. Uma sombra passou pelos seus olhos.
-Notei. E
sei que ele fez isso como um protesto pela minha decisão de presidir a empresa.
Mas com sua ajuda, vou mostrar à ele e à minha mãe que posso gerir meus
negócios.
-Claro que
sim, Michelle. Agora, vamos ter muito trabalho. Primeiro vamos examinar a lista
das pessoas que compõem a diretoria, examinar suas gestões e indentificar os
diretores nomeados por sua mãe. Será preciso para isso contratar uma firma
idônea para que faça uma auditoria. Trabalharemos em conjunto com eles.
-Concordo. E
as secretárias ? Serão confiáveis, ou estarão contra nós, deixando vazar
informações aos nossos possíveis inimigos ? Sabe bem que elas têm acesso a
documentos importantíssimos.
-Vamos
examinar as fichas delas. Não podemos exagerar e as despedir sem que mereçam..
Não devemos nos deixar dominar por uma paranóia, achando que todos conspiram
contra nós.
Michelle
olhou-a com súbita malícia.
-Sei, está
com receio de ser injusta com elas. São tão bonitas, não é ? E por falar nisso,
o que sentiu ao vê-las ?
Grahan a
encarou, erguendo as sombrancelhas.
-Achei que
são finas e elegantes. A competência delas, provarão com o tempo. E suas fichas
funcionais nos darão boas informações sobre a experiência delas.
-Hum. . .
não se sentiu atraída por elas ?
Grahan a
olhou com ar surpreso e aborrecido.
-Michelle,
vim para cá somente com a intenção de ajudá-la. Estou apenas interessada nisso.
Não sou uma tarada sexual, que não pode ver uma mulher bonita sem ter más
intenções. Se você pensa isso de mim, se não acredita que a amo e só você me
interessa, não tenho nada a fazer aqui.
Michelle
olhou-a em silêncio, sentindo cada palavra. Aqueles olhos azuis a olhavam com mágoa e ofendidos.
-Desculpe,
Grahan. . . – falou, com humildade – Estou sendo uma idiota. Prometo que não
vou mais fazer esse tipo de pergunta. Confio em seu amor.
Grahan
sorriu. Apertou sua mão e ergueu-se.
-Vamos ver
se o gabinete está disponível ? Também precisamos achar uma mesa para mim.
Michelle
olhou-a sorrindo.
-Você pode
ficar provisóriamente em meu gabinete.
-Só nos
primeiros dias. Senão, quando tudo se aquietar, nós não trabalharemos mais –
disse, com malícia.
Voltaram ao
gabinete. Parson já havia saído. Michelle abriu as gavetas da mesa e verificou
que estavam vazias.
Michelle
sentou-se na cadeira e apertou o interfone. June atendeu.
-June e
Helen, venham até aqui, por favor.
Michelle
desligou e olhou para Grahan, que se sentou em uma poltrona.
-Escolha sua
secretária – disse, impessoalmente – duas , para mim, é muito.
June e Helen
entraram e não demonstraram surpresa em ver Michelle sentada na mesa da
presidência. Deviam ter sido avisadas por Henry.
-Pois não,
senhorita Burton. . . – disse June, permanecendo de pé, junto com Helen.
-Sente-se –
disse Michelle, indicando as poltronas.
June e Helen
se sentaram com elegância discreta.
Michelle
sorriu-lhes.
-Já estão à
par da mudança na presidência, não ?
Ela
assentiram.
-Bem, não
conheço o trabaljho de vocês. Mas se forem competentes como penso serem, e
principalmente, leais,vão permanecer nos cargos. Gostaria de ver as suas fichas
funcionais.
June
ergueu-se e foi até um arquivo na sala. Apanhou uma pasta e estendeu para
Michelle.
-Nossas
fichas funcionais estão aí, senhorita Burton.
Michelle
abriu a pasta. Tirou duas fichas com curriculum
vitae anexos. Passou a vista rapidamente e olhou para Grahan.
-Dê uma
olhada, Grahan.
Grahan
ergueu-se e apanhou as fichas. Leu atentamente, sem pressa, sentando-se ao lado
de Michelle.
June Asting.
Vinte e oito anos, divorciada, formada em administração de empresas pela
Universidade de New York. Trabalhou em três firmas conceituadas, como
secretária, até ser admitida na Burton Corporation, como secretária do chefe do
departamento de recursos humanos. Sua ascensão dentro da firma fora gradual,
por mérito. Tinha cinco anos na empresa.
Helen
Wacker. Vinte e seis anos, solteira, formada em ciências contábeis, pela
Universidade de Boston. Havia sido admitida na empresa há três anos, indicada
por agência de emprego , para o cargo de assistente administrativo. Foi
promovida por indicação do chefe da contablidade, depois de ser testada com
outras candidatas ao cargo de secretária.
Grahan ergueu-se
e devolveu as fichas a Michelle.
-Como deve
ter visto, estão no cargo por mérito profissional, Michelle. Têm um bom
currículo e formação adequada aos cargos que ocupam. Mas a decisão é sua.
Michelle
sorriu. Guardou as fichas na pasta e olhou para as moças, que permaneciam
expectantes. Notou que as mãos delas estavam apertadas, denunciando o
nervosismo da aprovação ou não dela.
-Vão
continuar nos cargos, senhoritas. Mas uma de vocês vai ser a secretária de
Grahan, que é minha assistente. Grahan, quem escolhe ?
-Helen –
Respondeu Grahan, sem hesitar.
Michelle
olhou para a moça e anunciou:
-Helen, à
partir de agora é a secretária de Grahan, mas não perderá sua comissão de
secretária da presidência. Qual é o seu salário?
-Oitocentos
dólares semanais.
-E o seu,
June?
-Mil dólares
semanais.
-Muito bem.
Vocês duas terão um acréscimo de dois mil dólares no salário mensal. June, faça
um memorando para o DP com esse ajuste e traga-o para eu assinar. E quero
também a relação de todos os membros da diretoria com seus dados completos,
para hoje. Pode retirar-se para fazer o que pedi.
June
assentiu e saiu, com uma expressão de satisfação. Helen permaneceu, impassível.
Michelle a fitou sorrindo.
-Devo dizer
que para nós, você é tão importante quanto June. Se Grahan tivesse escolhido
June, você seria minha secretária. Não se sinta prejudicada com a escolha,
porque Grahan é o meu braço direito. O que ela decidir em seu favor, não me
oporei. Grahan, agora a palavra é sua.
Grahan
sorriu para Helen e ergueu-se, parando diante dela.
-Apenas vou
exigir de você lealdade e dedicação. Nos primeiros dias vou trabalhar nessa
sala com a senhorita Burton, até ser providenciada uma sala para mim. Sabe se
há alguma disponível, que não esteja sendo usada?
-Sim. Neste
mesmo andar – sorriu Helen – A sala do assistente de mister Parson . Mas ele
nos havia orientado antes de vocês chegarem para não mostrar essa sala à vocês.
Grahan e
Michelle a fitaram surpresas.
-Ele pediu
isso a vocês? – Perguntou Michelle, franzindo o cenho – Por que ?
Helen sorriu
maliciosamente.
-Bem... é
melhor que vejam. Podem acompanhar-me?
-Claro! –
Disse Michelle, erguendo-se – Vamos agora!
Helen abriu
a porta do gabinete e elas a seguiram. Passaram por June, que digitava no
computador. Grahan percebeu o olhar divertido que ela e Helen trocaram.
-Voltamos
logo, June – Disse Michelle.
Ela
atravessou o corredor e no final Helen abriu uma porta sem placa indicativa,
parando ao lado e fazendo um gesto com a mão para que entrassem.
Michelle
entrou, seguida por Grahan. Era uma sala enorme, com paredes negras e forrada
por um felpudo tapete vermelho. Um sofá de couro negro enorme estava diante de
um rack com uma tv com tela de plasma de 50 polegadas, vídeo e dvd ligados
à caixas de home theatre. Em uma das
prateleiras, diversos dvd’s e fitas de vídeo. Um frigobar completava o ambiente
que logicamente não era destinado ao trabalho.
Graham
aproximou-se e pegou alguns dvd’s e fitas, olhando as capas. Tudo era de filmes
pornô. Olhou para Michelle, que também olhava as capas boquiaberta. Não pôde
conter o riso.
Michelle
abriu o figobar e viu as garrafas de champanhe Don Perignon e de vodca russa.
Ela voltou-se para Helen, que se mantinha séria com evidente esforço.
-Quem usa
essa sala, Helen?
-O filho de
Parson, Mike. Ele é um jovem de vinte e dois anos.
-Quero falar
com ele agora! Vá chamá- lo!
O rosto de Michelle estava vermelho de indignação. À custo continha sua raiva.
-Bem, isso será difícil, srta. Burton. Ele está no Hawaí.
Michelle ergueu as sobrancelhas.
-No Hawaí?! Ele está de férias?
-Não... ele está em uma viagem de negócios, pela Burton Corporation.
Michelle fitou Grahan, que ria da resposta de Helen. Ela voltou a fitar Helen com uma expressão zangada.
-Mande alguém retirar ainda hoje todos esses objetos daqui. As fitas e dvd’s devem ser queimados. O resto deve ser doado para uma instituição de caridade. Parson ainda se encontra na empresa?
-Não, ele já saiu com seus objetos pessoais. Disse que voltaria amanhã para falar com a senhorita.
-Quando ele chegar, mande-o vir falar comigo
imediatamente.
Michelle saiu da sala acompanhada por Grahan, com passadas decididas. Entrou na sala das secretárias e dirigiu-se para June:
-June, digite uma carta de demissão para Mike Parson, com data de hoje. E expeça uma cópia por fax para onde ele se encontra, comunicando a demissão e proibindo qualquer despesa à partir de hoje, em nome da empresa.
-Pois não, srta. Burton. Farei isso agora.
Michelle entrou no gabinete com Grahan e fechou a porta. Grahan sentou em uma poltrona, rindo. Michelle a fitou aborrecida.
-O patifezinho usava uma sala da empresa como sala de diversão! – Disse, com raiva – Imagino o que ele fazia ali. Devia até trazer mulheres para as farras. E ainda teve o desplante de ir para o Hawaí às custas da empresa! É claro que Parson acobertava esse procedimento! Ele orientou as secretárias para esconder a sala de nós! Vou despedí-lo também!
Grahan parou de rir e a fitou séria.
-Calma, Michelle. Não se precipite. Vamos ver o que o velho tem a dizer sobre isso. Dê sempre às pessoas uma chance de defesa, para não ser injusta.
-Tudo bem, mas sabe o que acho? Que isso é um indício que a administração da empresa está de rédeas frouxas. Assim como o filho de Parson, muita gente deve estar em cargos decorativos, com altos salários! Isso precisa ser investigado!
-Sem dúvida, Michelle. Vamos investigar tudo com uma auditoria. Gente como esse rapaz é um parasita sugando a empresa.
-Mas a demissão do filho de Parson está de pé. Essa decisão é irrevogável.
-Concordo com você. Parson merece um crédito, pelo seu passado, mas seu filho não tem desculpa por usar as instalações da empresa como área de lazer sexual.
O interfone tocou, com June avisando que o almoço estava pronto e se elas gostariam que fosse logo servido. Michelle concordou e minutos depois um garçon entrou com um carrinho com bandejas, pratos e talheres, taças e um balde com bebida. Ele sorriu para elas.
-Bom dia, senhoritas. Sou James. Todos os dias vou serví-las. O nosso “chef” de plantão pediu que mandassem uma lista de seus pratos preferidos.
Michelle retribuiu o sorriso ao simpático garçon uniformizado.
-Bom dia, James. Só que de hoje em diante, você servirá a mesma comida também para nossas secretárias. Avise à elas. Caso elas não queiram o serviço em um determinado dia, peçam que avisem pela manhã. Não será uma obrigação almoçar na empresa, mas sim uma opção. A lista mandaremos amanhã, hoje estamos muito ocupadas.
-OK, senhorita. Posso servir?
-Não, deixe que nós mesmas nos servimos. Pode ir, James.
-Ok. Por favor, avisem à srta. June quando deverei retirar o carrinho.
O garçon saiu e fechou a porta. Michelle ergueu-se e foi até o carrinho, levantando as tampas das bandejas, sorrindo com prazer.
-Humm... camarões empanados, souflè de legumes, torta de morango para sobremesa e vinho branco alemão...um almoço caprichado. As garotas vão gostar desse serviço oferecido.
Grahan sorriu, aproximando-se . Abraçou Michelle por trás, pressionando-se contra o traseiro firme e redondo, os lábios beijando o pescoço macio.
-Você é uma boa chefe. Aumentou o salário delas e agora, vai dar à elas almoço classe A . Assim, elas vão amar serem nossas secretárias.
Michelle estremeceu e encostou-se em seu corpo, inclinando a cabeça para trás.
-Acertou, amor. Estou usando a psicologia administrativa: um funcionário satisfeito produz mais e é mais dedicado. Mas agora, vamos nos concentrar em nós... é tão bom ter você assim, perto de mim...
Grahan beijou-a levemente no rosto, as mãos alisando seus seios. Michelle voltou-se em seus braços, ficando de frente, olhando-a apaixonadamente.
-Sabe há quanto tempo quero lhe dar um beijo? Desde que saímos de casa.
Grahan a apertou contra seu corpo, olhando para os lábios sensuais.
-Vamos ver se o baton não sai mesmo – Disse, com voz rouca.
Ela desceu o rosto e esmagou os lábios naquela boca entreaberta, que tanto a atraía. Suas línguas se tocaram e se acariciaram, sugando, em um beijo sensual. O beijo se prolongou até que se afastaram sem fôlego. Michelle ofegava, a paixão brilhando nos olhos verdes. O baton continuava intacto. Michelle sorriu e começou a dar beijos rápidos em seu queixo, pescoço, dizendo baixinho:
-Humm... é tão bom beijar você... mais gostoso que qualquer comida...
Grahan sorriu, afastando-a delicadamente.
-Acredito em você, mas estou faminta e quero comer comida, meu anjo.
Michelle sorriu também, soltando-a.
-Está bem... escapou, por enquanto... mas eu provei que o baton não sai.
Grahan riu, pegando um prato.
-Sem dúvida, esse baton resiste bem... mas vamos comer, Michelle.
Almoçaram com apetite a comida. O “chef” era mesmo um excelente cozinheiro. Quando acabaram, ficaram bebendo o vinho gelado entre carinhos. Michelle excitou-se e chamou-a para ir até o quarto de descanso. Grahan fingiu que não estava muito interessada com a idéia só para ouví-la insistir com aquela voz sedutora. Mas acompanhou-a e entraram no quarto e fecharam a porta. Michelle olhou para a cama, forrada com uma colcha de peles. Afastou-a e descobriu lençois finos de cetim. Ouviu Grahan rir e voltou-se para ela. Grahan tirava o blazer com cuidado.
-Por que riu?
-Estou imaginando o velho Parson aqui fazendo sexo com uma mulher. Quarto de descanso! A mim não engana! Acho mesmo é que ele transava com uma das secretárias! Ou com as duas... – Brincou Grahan, para descontrair Michelle.
Michelle riu também, desabotoando seu blazer.
-Parson, com as secretárias?! Não seja maldosa, Grahan! Duvido que ele consiga ainda transar com alguém! Ele deve estar impotente, já tem mais de setenta anos! Mas, deixe a vida sexual de Parson para lá, minha taradinha... tire essa roupa e venha cá, estou impaciente para tê-la nua em meus braços... você está tão “sexy” com essa roupa...mas fica mais ainda sem ela.
Grahan tornou a rir, colocando as mãos na cintura.
-Ah, a taradinha sou eu, não é? Mas você quem teve a idéia de vir para o quarto fazer amor, em pleno expediente! Isso é muito irregular, minha querida!
-Somente hoje, Grahan... – Disse Michelle, com adorável ar malicioso – Precisamos relaxar, hoje ficamos muito tensas na expectativa de enfrentar a diretoria.
-Tem razão, meu anjo... então, dispa-se também...
Elas se despiram se fitando com desejo. Nuas, se abraçaram e Grahan a puxou para a cama, sentando-a em suas coxas fortes. Michelle enterrou o rosto em seus seios, respirando o doce aroma de seu corpo, as mãos enterradas em seus cabelos, enquanto Grahan alisava seu corpo com as mãos trêmulas de desejo. Michelle mordiscou seu pescoço suavemente, sussurrando:
-Você tem um corpo tão forte, Grahan... tão bonito... sinto-me sumir nele...
Grahan ergueu seu rosto com a mão e a beijou profundamente, abraçando-a pela cintura. A sua mão desceu para o sexo em fogo de Michelle, sentindo-a deliciosamente molhada.
Michelle gemeu, abrindo as pernas e montando na coxa de Grahan, esfregando-se lentamente, molhando-a com seu desejo. Rodeou a cabeça de Grahan com as mãos, beijando-a delirantemente na boca, o corpo tremendo.
Grahan deitou, puxando-a contra seu corpo. Michele continuou montada sobre sua coxa, movendo-se lentamente, beijando-a . As mãos de Grahan foram para os seios dela, manipulando os biquinhos já endurecidos. Michelle afastou o rosto, fitando-a com um olhar apaixonado.
-Grahan! – Exclamou, com os dentes trincados – Você me deixa louca!
-Eu a amo, Michelle... seja minha... totalmente...
-Eu já sou toda sua, amor... veja como me faz ficar... estou toda molhada para você...
A voz rouca de desejo de Michelle a excitava tremendamente. E aquele rosto se transformando, dominado pela paixão, era aumentava o desejo de Grahan.
-Penetre-me, Grahan... – Gemeu Michelle, intensificando seus movimentos de vai-e-vem na coxa de Grahan – Estou quase ... oh, Grahan!
Grahan desceu a mão direita numa carícia até o sexo em fogo de Michelle. Ela impalou-se em seus dedos, movendo-se agora frenética, respirando em curtos haustos, de olhos fechados.
-Mexa mais...assim... – Disse Grahan, também excitadíssima. Sua voz gutural, com o desejo.
Michelle movia-se agora alucinada. Ela inclinou-se para a frente, com as mãos se apoiando nos ombros de Grahan, que a segurou pelo quadril com a mão esquerda. Michelle começou a estremecer, falando frases desconexas, fora de si:
-Amor... delícia... amo... oh, não agüento mais!
Ela se contraiu rigidamente, os dentes cerrados, as mãos apertando os ombros de Grahan, que sentiu os músculos vaginais de Michelle se contraindo em torno de seus dedos. Era o êxtase da mulher amada e Grahan sentiu-se arremessada numa onda de prazer, atingindo também o orgasmo em tremores violentos. Michelle desabou sobre ela e tentou deitar ao lado, mas Grahan a abraçou, beijando a testa suada.
-Não amor... fique aqui, pertinho de mim – Disse, carinhosamente.
Michelle enterrou o rosto em seu pescoço, respirando fundo, dizendo com voz cheia de emoção:
-Grahan... amo-a cada vez mais...
-Eu também a amo muito, minha Michelle...
-Então, deixe-me agora ter você... seja toda minha...
Suas bocas se grudaram em um beijo ardente e recomeçaram. Não importava onde estavam, o trabalho que as esperava, nada era mais importante que se amarem. Ah, o amor! Como nos faz cometer loucuras! Quando se ama, tudo o mais perde importância diante do poderoso sentimento de entrega ao ser amado. E Michelle e Grahan estavam apaixonadíssimas. A idéia de que algo poderia separá-las era impensável. O seu amor seria mais forte que todos os obstáculos.
Continua na parte 6
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