HERANÇA  FATAL

 

 

 PARTE  4

 

 

         O  dia estava quente. Andaram pelas ruas de mãos dadas, sem se importarem com as outras pessoas, escolhendo um lugar para comer. Michelle pediu a Grahan que escolhesse o restaurante, já que iria pagar.  Grahan escolheu um restaurante italiano bem simpático, com uma decoração alegre, com mesas forradas com toalhas vermelhas e paredes de tijolos aparentes. Se sentaram em um canto e Michelle olhou em volta, sorrindo. O restaurante estava quase cheio e a música italiana que tocava nas caixas estrategicamente colocadas nos cantos do salão se confundia com o falatório dos frequentadores.

 

         Grahan fitou Michelle em expectativa.

 

         -Gostou daqui? Não é um restaurante classe A como deve estar acostumada a frequentar, mas queria que conhecesse comigo um ambiente diferente dos que sempre vai. Sempre que venho a New York, como aqui.

 

         Michelle pousou a mão sobre a sua, apertando-a carinhosamente, indiferente aos outros frequentadores, fitando-a com um olhar apaixonado.

 

         -Adorei o lugar, amor. É bem alegre e cheio de vida. E estando com você, todo lugar é maravilhoso. Estou apaixonada e   estou nas nuvens.

 

         Grahan sorriu, enlevada.

 

         -Eu também estou apaixonada, Michelle. Mas gostaria de saber, aprecia comida italiana? Eu devia ter perguntado antes...

 

         -Oh, quem não aprecia uma boa massa? Quando estive na Itália, adorava ir às cantinas comer lazanha. Pena que engorda muito. Mas uma vez ou outra, não prejudica minha silhueta.

 

         Grahan sorriu com malícia.

 

         -Devo dizer que sua silhueta é perfeita... como tudo em você.

 

         Michelle enrubesceu. Nesse momento, a garçonete veio atendê-las e elas escolheram  espagueti al capo, salada e uma garrafa de vinho tinto. A garçonete afastou-se para ir providenciar o pedido e Michelle olhou para Grahan com admiração.

 

         -Você é tão linda e sexy, Grahan... não me canso de olhá-la. Oh, como estou feliz! Está ouvindo a música?

 

         -Sim. Pena que não sei o idioma  italiano.

 

         -Eu traduzo para você: "amor, não parta jamais... porque a amo muito...eu não sabia o que era amar... até conhecer você" - Cantarolou Michelle.

 

         -Oh, que frases românticas... - Comentou Grahan, sorrindo e apertando a mão de Michelle  - Então, sabe o idioma italiano?

 

         -Sei. E também francês e alemão.

 

         -Oh, estou com uma mulher cultíssima...isso é estimulante, para uma escritora. O que gosta de ler, Michelle?

 

         -Biografias de pessoas famosas, romances históricos... e agora, seus romances. Gostaria de ler seus livros.

 

         -Quando quiser, querida. Deve haver algum nas livrarias.

 

         Comeram entre sorrisos e olhares apaixonados. Grahan comeu com apetite a excelente massa, mas sem deixar de notar a classe de Michelle. Em seus menores gestos ela mostrava o seu refinamento. Grahan estava perdidamente apaixonada, sua vida havia mudado como um passe de mágica por aquela mulher maravilhosa.Ela agora era a coisa mais importante em sua vida, tudo o mais perdera a importância: seu trabalho, sua casa, tudo era menos importante que estar com Michelle. Nunca havia amado alguém à esse ponto. Era impressionante a intensidade do que sentia.

 

         Acabaram de comer, Grahan pagou a conta e saíram. Passaram diante de um cinema e Grahan perguntou se Michelle gostaria de ir ver o filme com ela. Michelle a fitou confusa.

 

         -Nunca entrei em um cinema. Minha mãe achava melhor alugar filmes para a família assistir em uma sala de projeção em nossa casa. E com o surgimento do   DVD, preferimos continuar a ver filmes em casa. Temos um home theatre com capacidade para cinquenta pessoas assistirem os lançamentos dos filmes de maior bilheteria, com direito a pipoca e refrigerante.

 

         Grahan a fitou admirada.

 

         -Michelle, está dizendo-me que nunca namorou em um cinema?! Toda garota faz isso!

 

         -Não eu. Fui criada muito presa, Grahan. Minha mãe tinha medo dos filhos serem seqüestrados, andando pelas ruas. E veja só o resultado... não adiantou nada esse cuidado. Fui seqüestrada no portão de minha casa.

 

         -Realmente. Que tal agora fazer algo que nunca fez? Vamos?

 

         Michelle sorriu, enfiando o braço no seu.

 

         -Vamos!

 

         Grahan comprou as entradas e entraram no cinema. Guiou Michelle pela mão até  o salão de exibição, onde um thriller  de filme estava sendo exibido. Se sentaram na última fileira de poltronas, onde havia poucas pessoas. O thriller mostrava cenas ousadas de sexo entre os artistas principais.

 

         Michelle apertou sua mão, respirando fundo. Grahan encostou a perna direita na dela, olhando disfarçadamente em volta. Ninguém prestava atenção à elas, olhando as cenas de sexo.

 

         Grahan subiu com a mão alisando o seio esquerdo de Michelle. Ela respirou fundo e a fitou com um olhar excitado. Continuou, sentindo o biquinho do seio ficar duro sob a roupa. Desceu a mão, acariciando vagarosamente. Sentiu o tremor de Michelle. Pousou a mão sobre a coxa dela e desceu mais, alisando o joelho macio. A mão de Michelle apertou sua coxa. Olharam-se e Grahan aproximou o rosto, roçando  os lábios no rosto de Michelle, descendo para o pescoço macio e quente, enquanto sua mão atingia a calcinha. Sentiu o tecido molhado, denunciando a excitação de Michelle. Com as pontas dos dedos, alisou o sexo através da calcinha. Michelle apertou sua mão com as coxas,, mas logo as separou novamente, para facilitar sua carícia atrevida. Grahan alisou mais. Michelle debruçou-se para ela, falando baixinho e ofegante:

 

         -Grahan. . . está me deixando louca. . . não agüento mais. . .

 

         -Quer ser minha agora? – Perguntou Grahan, no ouvido dela.

 

         -Sim. . . oh, sim. . . – ofegou ela, apertando sua mão com as coxas.

 

         -Então, venha. . .

 

         Ergueu-se e puxou-a pela mão. Levou-a até o banheiro do cinema. Não havia ninguém lá. Michelle agarrou-a, puxando-a contra ela, louca de desejo. Grudou a boca na sua, sugando-a vorazmente,apertando-se contra Grahan, com o corpo em fogo.

 

         Grahan encostou-a contra a porta do banheiro, suspendendo a saia de Michelle, empolgada pela lubricidade que ela demonstrava. Ela cruzou uma das pernas em suas coxas, puxando-a ainda mais contra o corpo, a boca sugando,  puxando   sua língua, quase mordendo-a. Grahan abaixou a calcinha dela, enfiando os dedos práticos em dar prazer. Ela gemeu contra seus lábios, levando as mãos à blusa e desabotoando-a, abrindo-a, levantando o soutien de rendas e pegando os seios nas.mãos, oferecendo-os aos lábios de Grahan, que passou a língua nos bicos enrigecidos, sugou-os, sentindo-a movimentar-se febrilmente contra seus dedos, ofegando e  a apertando nos braços.

 

         -Grahan. . . meu Deus, que delícia. . . que loucura. . . chupe mais. . . amor. . .

 

         Ela mexia-se cada vez mais rápido. Grahan sentiu que ela estava quase  no auge.

 

         A porta foi empurrada por alguém tentando entrar.

 

         Michelle cambaleou,com o empurrão na porta. Grahan afastou-se assustada. Michelle a fitava sem ação, ofegando, vermelha e com olhar mortiço.

 

         -Abotoe a blusa, rápido ! – Segredou Grahan, subindo a calcinha dela e baixando a saia.

 

         Michelle baixou o soutien, sentindo a porta ser empurrada novamente. Escorou-a com o corpo, ajudada por Grahan, abotoando a blusa nervosamente. Grahan a ajudou. Afastaram-se da porta com Michelle ainda metendo a blusa no cós da saia. Uma mulher gorda entrou , olhando-as com mau humor.

 

         -Que descaramento, ficarem se esfregando na porta do banheiro !

 

         Grahan pegou Michelle pelo braço e olhou para a mulher com raiva.

 

         -Vá para o diabo, sua grosseira ! Aposto que queria estar no lugar de uma de nós !

 

         E saiu com Michelle, que a fitou envergonhada.

 

         -Que vergonha, Grahan ! Ela percebeu o que estávamos fazendo !

 

         Grahan a fitou com ar indiferente.

 

         -Ela devia ser mais educada e ficar calada ! Dane-se ela !

 

         -Oh, amor. . . eu estava quase no final. . . Vamos para casa. . . não estou agüentando mais. . .

 

         Grahan sorriu, levando-a para a saída do cinema.

 

         -Eu também estou excitadíssima, querida. . . vamos. . .

 

         Na calçada, pegaram um táxi que passava. Fizeram a viagem em silêncio, Michelle apertando sua mão convulsivamente. Ela ofegava, olhandp-a com a paixão luzindo nos belos olhos.

 

         Chegaram. Grahan pagou a corrida e Michelle puxou-a pela mão, impaciente. Subiram no elevador com o cabineiro olhando-as curioso, percebendo o nervosismo das duas.

 

         Desceram no andar. Michelle abriu a porta nervosamente. Entraram e Grahan fechou-a, com Michelle agarrada às suas costas. Voltou-se e Michelle a puxou contra o corpo, com uma expressão alucinante de desejo louco.

 

         -Depressa. . . depressa. . . – Gemeu, mordiscando seus lábios, lambendo seu queixo, sugando-o, puxando-a para o tapete.

 

         Grahan puxou o fecho da saia de Michelle e desceu-a com um puxão. Desceu a calcinha, impaciente, também louca de desejo. Michelle arrebentou  os  botões  da  blusa,  arrancando-a

do corpo e jogando no chão. Arrancou o soutien, sendo puxada para o chão por Grahan, que esmagou os lábios nos seus, sugando e sendo sugados.

 

 Michelle abriu o fecho de sua calça e enfiou a mão, alisando o sexo em fogo de Grahan. Remexia-se sob seu corpo, empurrando-se contra ela. Grahan desceu na louca procura. Ela precisava sentir o sabor de Michelle, sugar o mais delicioso néctar de uma flor carnívora. O cheiro de Michelle ! Como era embriagador, suave e afrodisíaco ! Era tão delicioso sentí-la presa em suas mãos, o corpo tremendo, sacudindo-se, contorcendo na febre do desejo ! Sugou-a, passando a língua no pontinho duro e em febre, fazendo-a gemer e mexer o corpo à procura do prazer máximo.

 

         Michelle gozando ! As mãos em seus cabelos, nos ombros, as coxas maravilhosas apertando sua cabeça, prendendo-a no orgasmo que sacudia seu corpo com frenesi, a voz rouca gritando sua paixão! Era alucinante, fascinante !

 

         -Grahan ! Vou morrer na sua boca ! Amor !  Amor!

 

         E Michelle depois ficou imóvel, com os olhos fechados, numa expressão de suprema felicidade.

 

         Grahan aproveitou para despir-se rapidamente. O desejo a dominava. E para saciá-lo, deitou-se sobre ela, espremendo-se com movimentos ritmados. Michelle abraçou-a toda, com braços e pernas, remexendo-se alucinadamente, apertando-a contra si. Suas bocas se encontraram famintas, as salivas se trocando em um beijo violento. Sexo contra sexo, os movimentos frenéticos tentando matar o desejo que as enlouquecia.

 

         Grahan atingiu o êxtase, trincando os dentes para não gritar. Mas não parou. Michelle rolou com ela no chão, colocando-se por cima, esfregando-se alucinada, fitando-a com loucura.

 

         Durante horas ficaram se possuindo, até se esgotarem.

 

 

))))))((((((

 

 

         O táxi parou diante da imponente mansão dos Burtons e Michelle desceu com Grahan.

 

         Grahan olhou impressionada para a mansão. Era belíssima, em estilo neoclássico, com imponentes colunas reluzindo ao sol da tarde, rodeada por um bem cuidado jardim com plantas ornamentais, árvores e estátuas de ninfas do mais puro mármore. Um repucho no centro do jardim dava o toque final, com suas águas jorrando sobre um trio de estátuas em trajes gregos, dançando. Grahan conhecia o suficiente de arte grega para saber que as estátuas representavam As Três Graças.

 

         Michelle postou-se ao seu lado e sorriu de sua contemplação,mas Grahan sabia que ela estava nervosa e tensa. Ia enfrentar a família, três dias depois de ter voltado. Ela havia adiado essa visita, até que Grahan a convencera que precisava ir comunicar à mãe sua independência. Se pretendia proclamar sua liberdade, devia começar pela família.

 

         Grahan achava melhor não participar desse episódio, por não ser da família e ainda mais, ser uma estranha para eles. Sabia que não seria bem recebida. Mas Michelle havia pedido que a acompanhasse com tanta insistência, que concordara à contragosto, apenas para dar o apoio que Michelle precisava, com sua presença.

 

         Grahan ainda a fitou indecisa.

 

         -Tem certeza que a minha presença vai ajudá-la ?

 

         -Sim, Grahan . . . com você, sinto-me mais confiante.

 

         -Está bem . . . então, vamos enfrentar as feras.

 

         Subiram os degraus e Michelle tocou a campainha da casa. Logo depois o mordomo uniformizado a abriu, olhando para Michelle com um sorriso artificial.

 

         -É um prazer vê-la novamente, miss Burton – disse, afastando-se para elas passarem.

 

         -Onde está minha mãe, Ben ?

 

         -Em seu quarto. Os outros parentes seus não estão, miss.

 

         Michelle suspirou.

 

         -Melhor assim. Vá avisá-la que cheguei, Ben.

 

         Michelle avançou pelo vasto vestíbulo, seguida por Grahan. Alcançou o salão principal e subiu as escadas que davam para o segundo pavimento. Chegaram a um corredor com várias portas, decorado com quadros renascentistas. Michelle abriu uma das portas e entraram em um quarto luxuoso, todo decorado em tom azul. Michelle dirigiu-se para uma escrivaninha de mogno e abriu-a . Sorriu, aliviada.

 

         -Que alívio ! Minhas chaves continuam aqui !

 

         -Que chaves são essas, Michelle ? – Perguntou Grahan, curiosa.

 

         -Do meu apartamanto, dos meus armários e de minha mesa.

 

         Foi até uma mesa perto da janela e abriu uma gaveta com uma das chaves. Retirou vários cartões de crédito, uma pasta de documentos e um envelope. Depois, com outra chave, abriu uma das portas dos armários embutidos e afastou alguns casacos de pele. Um cofre apareceu e ela girou o segredo com habilidade, abrindo-o.  Retirou um cofre de madrepérola do interior, uma pasta de couro e cinco maços de notas de cem dólares. Olhou para Grahan.

 

         -Minhas jóias, meus documentos da herança e cinco mil dólares para despesas pessoais. Grahan, apanhe uma maleta naquela terceira porta, por favor.

 

         Grahan abriu a porta indicada, onde várias malas se enfileiravam. Apanhou uma de couro marron, levando para Michelle. Ela colocou tudo que retirara da mesa e do cofre, fechando-a. Olhou para Grahan..

 

         -Agora podemos descer para  falar com minha mãe.

 

         -E suas roupas ?

 

         -Mandarei buscar depois. Já tenho muitas no apartamento, como viu.

 

         A porta do quarto abriu e uma mulher entrou. Magra, elegante,cabelos louros em um penteado rebuscado, olhos azuis. Uma mulher de meia idade, mas ainda atraente. Mas o seu olhar frio, a boca com um traço de orgulho, fez Grahan antipatizar instantaneamente com ela.

 

         A mulher olhou para Michelle com um sorriso contrafeito, ignorando a presença de Grahan.

 

         -Nem acreditei quando Ben disse que você estava aqui, minha querida. Você nos deixou preocupados quando não quis vir direto para casa, mas vejo que já tomou juízo.

 

         Michelle indicou Grahan com um gesto, olhando para a mãe  desafiadoramente.

 

         -Mamãe, esta é Grahan Gladstone. Graham, essa é minha mãe, Martha.

 

         A mulher olhou para Grahan friamente, fazendo um gesto quase imperceptível com a cabeça. Tornou a olhar para Michelle.

 

         -Por que está com essa mala na mão ? Não está mesmo pensando em ir morar fora daqui, não é ?

 

         Michelle suspirou.

 

         -Estou, sim. Vim apanhar algumas coisas minhas e avisá-la que pretendo viver minha vida longe daqui. E penso em assumir a direção das empresas.

 

         A mulher a fitou atônita. A decepção a fez empalidecer.

 

         -Michelle ! O seqüestro que sofreu a fez perder o juízo ? Vai deixar sua família sem motivo algum ? E quer cometer a loucura de dirigir nossas empresas, sem nenhuma experiência?

 

         -Mãe, tenho os meus motivos para sair daqui. E quanto às empresas, vou cercar-me de gente que poderá ajudar-me a gerí-las.

 

         -Você está louca! Está fora de si! Pense melhor, antes de cometer essas loucuras!

 

         Michelle sorriu com sarcasmo. Mas Grahan percebeu que ela tremia de tensão.

 

         -Sou uma mulher adulta e independente. Tenho o direito de fazer o que quiser de minha vida, e não quero mais viver aqui. E também tenho o direito de querer gerir meus negócios.

 

         A mãe de Michelle olhou para Grahan com desprezo.

 

         -Você está muito mudada, desde que conheceu essa mulher ! O que está havendo ? Ela está enfiando essas bobagens em sua cabeça ? Essa estranha, que você levou para seu apartamento só porque lhe deu uma pequena ajuda? Quem é essa mulher? Ninguém sabe ! Você está se misturando com pessoas que mal poderiam se relacionar com os nossos criados!

 

         Grahan sentiu o rosto queimar, com o insulto. Conteve-se à custo, para não esbofeteá-la e dizer o que pensava dela.

 

         Michelle ficou vermelha. Olhou para a mãe, indignada.

 

         -Não admito que você fale essas coisas de Grahan ! – Gritou, descontrolada – Ela é muito mais digna e amiga que todos vocês juntos! Grahan é quem não deve se relacionar com pessoas do tipo de vocês, egoístas e interesseiras!

 

         A mulher olhou para Michelle, furiosa.

 

         -Amiga, essa oportunista? Como se atreve a dizer isso de nós? Você está cega! Essa mulher está aproveitando-se de você !

 

         Michelle puxou Grahan pelo braço.

 

         -Vamos, Grahan! Pensei que pudesse dialogar com minha mãe civilizadamente, mas ela só diz idiotices! Isso me dá náuseas!

 

         A mãe de Michelle se interpôs entre elas e a porta do quarto.

 

         -Não sairá daqui, tem que escutar-me ! Não deixe essa vagabunda afastá-la de nós, Michelle !

 

         Grahan perdeu a paciência. Pegou a mãe de Michelle pelos ombros e a afastou para o lado, rudemente. A mulher a fitou furiosa.

 

         -Oh, sua atrevida ! Vadia ! – Gritou.

 

         Grahan passou por ela, seguida por Michelle. Avançou pelo corredor e desceu as escadas quase correndo, com a mãe de Michelle gritando atrás, possessa de raiva:

 

         -Vá, Michelle ! Vá mesmo embora daqui ! Você não é mais minha filha ! Uma Burton não andaria com gente do tipo que você se meteu ! Essa vagabunda, exploradora !

 

         Michelle olhou para trás com os olhos luzindo de raiva.

 

         -Vá para o inferno ! Sossegue, nunca mais pisarei nessa casa !

 

         O mordomo, de pé ao lado da porta, as olhava imperturbável. Michelle o fitou com os olhos ainda fulgurantes de raiva:

 

         -Bem, mande o motorista trazer meu carro até a frente da casa. Agora !

 

         -Pois não, miss Burton – Disse, afastando-se.

 

         Michelle respirou fundo e avançou para o vestíbulo, com Grahan ao seu lado. Abriu a porta de saída e saiu. Olhou para Grahan com ar consternado.

 

         -Grahan, peço mil desculpas pelos insultos de minha mãe. Você não merecia ser tratada tão mal. Mamãe foi muito pior do que eu esperava, sinto muito mesmo, nem sei o que dizer.

 

         Grahan sorriu, tentando acalmá-la. Michelle tremia.

 

         -Eu esperava por algo assim. Por isso não queria vir. Mas foi bom ter vindo. Sei agora avaliar tudo que nos espera e sei o que sua família pensa de mim.

 

         Ela a fitou amedrontada.

 

         -Quer desistir de ficar comigo ? Acha que será muito duro enfrentá-los ?

 

         Grahan a olhou com um olhar que Michelle ainda não tinha visto. Um olhar cortante como aço.

 

         -Eu, desistir ? Você não me conhece, Michelle ! Sou uma pessoa determinada, as dificuldades são para serem vencidas ! Depois que sua mãe disse-me essas coisas, estou determinada a provar à ela e aos outros que não sou uma mulher fraca, que eles terão que me engolir goela abaixo !

 

         Michelle a fitou impressionada. Sorriu, mais confiante.

 

         -Grahan, perto de você não tenho medo de nada. Você transmite energia e coragem. Com você ao meu lado, vou enfrentar todos que sempre conseguiram intimidar-me.

 

         Grahan sorriu. Seu olhar se abrandou.

 

         -Conte comigo, garota.

 

         Um Mercedes branco, dirigido pelo motorista, parou diante da porta. O homem desceu e entregou as chaves a Michelle.

 

         -Obrigada, Thomas. Os documentos estão no carro ?

 

         -Sim, miss Burton. No porta-luvas.

 

         -Vamos, Grahan.

 

         Michelle entrou no carro, seguida por Grahan. Colocou a maleta no banco traseiro e arrancou, saindo pela alameda que conduzia à rua. Grahan a olhou. As mãos de Michelle estavam contraídas no volante, denunciando seu nervosismo.

 

         -Calma, Michelle. Já passou. Não fique assim nervosa – Aconselhou, comovida.

 

         Ela sorriu, olhando-a de soslaio.

 

         -Sei de uma coisa que irá descontrair-me completamente.

 

         Grahan riu.

 

         -Se depender de mim, não se preocupe.

 

         Michelle ficou séria. Estava tentando gracejar para desfazer o clima ruim que a mãe criara, mas Grahan sabia que ela estava muito magoada com as palavras duras da mãe, cheias de rancor.

 

         Ela ficou calada o resto do trajeto e Grahan respeitou o silêncio dela. Deixou-a à vontade com os seus pensamentos. Somente quando chegaram no apartamento, Grahan voltou a falar, vendo-a colocar a maleta dentro de um armário.

 

         -Não seria melhor guardar essas coisas em um cofre ?

 

         Ela aproximou-se e abraçou Grahan. Seus olhos estavam cheios de lágrimas.

 

         -Oh, Grahan ! Agora só tenho você ! Prometa que nunca vai deixar-me, prometa. . . – Disse, com voz trêmula.

 

         Grahan sentiu a sensação de fragilidade e insegurança dela. Olhou-a nos olhos com ternura.

 

         -Prometo, meu amor. . .

 

         Beijou-a carinhosamente, apertando-a nos braços. Sentia o tremor dela, seu nervosismo e tristeza. Michelle agora parecia uma criança que fora magoada por um castigo injusto e cruel. Sentiu vontade de dizer que a entendia, que queria protegê-la de pessoas que a ferissem, mas achou melhor apenas acariciá-la. Puxou-a para a cama em um abraço, sem deixar de beijá-la. Alisou os cabelos macios, distribuindo cálidos beijos pelo rosto.

 

         Michelle, de olhos fechados, entregou-se aos seus carinhos. Grahan a beijou no pescoço e ela estremeceu, abrindo os olhos e a fitando  sorrindo. Disse baixinho:

 

         -É tão bom amar você, Grahan. . . como você é carinhosa e entende o que preciso. . .

 

         Grahan a fitou apaixonadamente.

 

         -Eu a amo. E só quero vê-la feliz.

 

         -Eu também a amo. Tanto, tanto. . .

 

         Michelle esmagou a boca na sua. A língua moveu-se, procurando a outra, acariciando, sugando. Seu corpo espremeu-se contra o de Grahan, agora tremendo de desejo. Afastou a boca, dizendo com voz rouca:

 

         -Faça-me esquecer tudo, Grahan. . . possua-me. . .

 

         Grahan sentiu o desejo dominá-la, ao ouvir aquele doce pedido. Despiu-se lentamente e despiu-a, beijando cada parte do corpo que aparecia. Entregaram-se ao amor com uma paixão mesclada a um sentimento mais poderoso, que as lançava uma nos braços da outra com uma emoção nunca antes provada com outras pessoas.

 

         Foi um ato lento, cheio de carícias, de palavras de amor.Quando atingiram um êxtase simultâneo, sentiram que o que as unia era mais forte que tudo que tentasse impedir aquele amor.

 

         Grahan permaneceu abraçada à ela, com a cabeça de Michelle em seu peito. Ela passou a mão pelo seu corpo, numa satisfação muda de tocar o corpo que havia lhe dado tanto prazer. Suspirou e ergueu a cabeça, fitando-a . Os olhos ainda estavam mortiços, embriagados pelo êxtase.

 

         -Foi tão bom, Grahan. . . você sabe mesmo como satisfazer uma mulher. Emocional e fisicamente.

 

         Passou os lábios pelo seu rosto. Sorriu-lhe.

 

         -Amanhã vamos começar a agir. Vou convocar uma reunião da diretoria para assumir o meu cargo  de presidente das empresas. Você será minha assistente. Quero-a sempre perto de mim.

 

         -Michelle, prefiro orientá-la sem ocupar nenhum cargo nas empresas. Não sei se serei uma boa assistente.

 

          Michelle a fitou com surpresa.

 

         -Está sendo infantil, Grahan. Você vai trabalhar duro, não poderá dedicar-se a outra coisa, então é justo que receba pelo seu trabalho, que será importante. É inteligente e de confiança. Isso que importa. Quero uma assessoria em que possa confiar. Quanto a entender dos negócios, você é inteligente e aprenderá rápido.

 

         -Vão pensar que sou uma protegida sua, o que será verdade, e não me respeitarão.

 

         -Isso você terá de enfrentar. Não disse que gosta de desafios ? Pois  você  terá  de  impor-se com seu trabalho. Quando provar sua competência, terão de reconhecer isso.

 

         Grahan fitou-a admirada. Michelle era esperta e tocara exatamente no ponto que a faria aceitar. Provar que podia vencer aquele desafio à sua inteligência, mostrar à mãe dela e aos adversários que surgiriam que seria capaz de fazer um bom trabalho.

 

         -Você confia tanto em mim, Michelle. . . – capitulou – Obrigada pela confiança. Vou fazer tudo para corresponder a isso. Está bem, aceito o cargo.

 

         Michelle sorriu, vitoriosa.

 

         -Isso ! Você conseguirá ser uma assistente capaz, Grahan. Tenho certeza disso.

 

         Pegou o telefone e discou um número. Quando atenderam, falou em tom seco:

 

         -Quero falar com Henry Parson. Michelle Burton.

 

         Olhou para Grahan, explicando:

 

         -É o presidente designado pelo meu procurador.

 

         Michelle aguardou um pouco mais e ouviu a voz surpresa do homem:

 

         -Michelle Burton ! Que surpresa agradável ! Como está, depois de tudo que houve, menina ?

 

         Michelle sorriu com frieza.

 

         -Esta menina está avisando-o para convocar para amanhã às nove horas uma reunião extraordinária da diretoria, para tratarmos de um assunto de extrema urgência.

 

         Michelle sentiu a surpresa dele. Ficou calada, esperando-o voltar a falar.

 

         -Oh. . . – disse ele, por fim – Seu procurador está à par disso ?

 

         -Amanhã não haverá mais procurador, Parson. Até amanhã.

 

Desligou e sorriu para Grahan, que a fitava com admiração.

 

         -Ele ficou pasmo. Chamou-me de menina e teve a surpresa de ver que  a menina se tornou uma mulher.

 

         -Há quantos anos você passou essa procuração, Michelle ?

 

         -Há cinco anos, quando herdei as ações. Eu tinha vinte e um anos. A procuração é renovável a cada ano, mas posso suspendê-la a qualquer momento. É o que vou fazer agora.

 

         Tornou a ligar. Chamou Herbert Malcon, um advogado que havia servido ao seu pai. Conversou com ele longamente e quando desligou, olhou para Grahan com um sorriso satisfeito.

 

         -Pronto. Herbert vai cuidar disso hoje mesmo. Amanhã o procurador receberá a sua destituição. Ele vai cair das nuvens. Prepare-se, Grahan. Agora que a guerra vai começar.

  

 

 

 

Continua na parte 5

 

 

 

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