HERANÇA FATAL

  

 

PARTE 3

 

 

 

 

           Elas foram atendidas por um investigador grandalhão e gordo, careca e com vivos olhos azuis, de nome Phil Scott. Ele recebeu-as com certo desinteresse, que logo foi mudado quando Michelle contou quem era.

 

           -Michelle Burton? A herdeira sequestrada em New York, que está em todos os noticiários?! – Perguntou ele, atônito, abrindo a boca espremida entre as bochechas rosadas.

 

           Michelle confirmou com um aceno e os olhos dele correram para Grahan, sentada ao lado de Michelle.

 

           -E ela? Quem é?

 

           -Grahan Gladstone – Respondeu Michelle pacientemente – Ela ajudou-me depois que consegui fugir do cárcere.

 

           Scott fez um gesto com as mãos para ela parar.

 

           -Um momento! Conte-me tudo desde o início, com detalhes!

 

           Michelle recomeçou a contar os fatos, dessa vez detalhadamente, desde quando havia sido raptada até ser encontrada por Grahan.

 

           Scott a fitou pensativamente, quando acabou o relato.

 

           -Por que não se apresentou aqui ontem, logo na manhã seguinte após ser encontrada?

 

           -Estava exausta e traumatizada. Precisei recuperar antes meu controle emocional e físico, que estavam abalados.

 

           -Humm, entendo... a senhorita então conseguiu esfaquear um dos seqüestradores...

 

           -Sim, eu o feri e fugi – Confirmou Michelle, sem medo – Mas não sei se ele morreu  em consequência do ferimento após minha fuga.

 

           Scott remexeu-se na cadeira, apoiando o queixo na mão.

 

           -Bem, para início de tudo, seu seqüestro não ocorreu em nossa jurisdição. Tenho que comunicar os fatos à polícia de New York. Mas o seu encarceramento e fuga dos seqüestradores aconteceu aqui. Essa parte nos diz respeito. Vamos começar investigando todas as áreas próximas de onde você foi encontrada. E peço sua colaboração para isso. Talvez você reconheça o local em que ficou aprisionada e poderemos recolher pistas dos seqüestradores. E você, senhorita Gladstone, pode nos levar ao local que ela foi encontrada.

 

           -Sr. Scott, eu pretendo viajar para New York hoje ainda  - Informou Michelle.

 

           -Não tomarei mais que umas três horas de vocês – Disse Scott, pegando o telefone – Também vou mandar investigar os hospitais e consultórios médicos da região, para saber se alguém ferido por objeto cortante foi atendido. Vamos vasculhar todas as pistas prováveis.

 

           Scott discou para a polícia de New York, cheio de importância. Comunicou ter encontrado Michelle Burton e ela estava sã e salva em seu gabinete. Deu seu nome e jurisdição e desligou sorrindo. Era evidente que esse caso o excitava. Naquella cidadezinha não devia acontecer casos daquela dimensão.

 

           -A polícia de New York vai enviar um helicóptero para resgatá-la, senhorita Burton. Mas antes que cheguem, a senhorita Gladstone vai mostrar-me o local onde a encontrou e vamos tentar localizar o local que ficou prisioneira, com sua ajuda – Disse Scott, erguendo-se – Vamos, não podemos perder tempo.

 

           Grahan e Michelle saíram com Scott e dois policiais, no carro da polícia. Em menos de quinze minutos chegaram ao local que Grahan havia recolhido Michelle. Desceram do carro e Scott olhou em volta, pensativo. Olhou depois para Michelle.

 

           -Você disse que andou durante horas para chegar aqui, não?

 

           -Sim. Fugi à noite. Andei a madrugada toda e o dia inteiro. Só fui encontrada por Grahan ao cair da noite.

 

           -Humm... vamos pensar... você andando mais ou menos três quilômetros por hora, em vinte horas andaria sessenta quilômetros. Nessa distância daqui, existe um pântano próximo de algumas casas abandonadas em ruínas. Você disse que andou em um lugar com lama. Tenho a suspeita que você esteve presa em uma dessas casas. Vamos até lá. Talvez você possa reconhecer o lugar e a casa.

 

           Ele olhou para Grahan.

 

           -Senhorita Gladstone, está liberada. Agora apenas  a senhorita Burton poderá nos prestar alguma informação do lugar que ficou aprisionada.

 

           Michelle olhou para Scott com determinação.

 

           -Grahan irá comigo. Nós nos tornamos amigas e sua companhia é importante para mim, no meio de tantas pessoas estranhas. Sem ela, não irei.

 

           Scott a fitou surpreso, mas sorriu afável.

 

           -Não tem problema, senhorita Burton.Como quiser.

 

           Voltaram para o carro. Michelle sentou ao lado de Grahan e ela  apertou sua mão confortadoramente.

 

           Passaram mais de duas horas percorrendo as imediações do pântano à procura do local onde Michelle havia ficado prisioneira. Ela olhou diversas casas, negando que fosse uma delas a que havia ficado.Já estavam desistindo quando viram uma casa meio encoberta pelos arbustos, afastada da estrada. Michelle a fitou sentindo seu coração acelerar.

 

           -É essa casa! – Gritou, excitada – Foi aqui que fiquei presa! Reconheceria essa casa entre mil! Aquela árvore retorcida na frente, as janelas do segundo andar pregadas com tábuas!

 

           Grahan olhou, emocionada. Era um pequeno sobrado com as paredes sujas e grafitadas, em ruínas. Scott parou o carro e desceram. Seguiram pelo mato rasteiro e chegaram diante da entrada. Scott empurroua porta, que estava apenas encostada. Subiram por uma escada em mau estado e chegaram em um pequeno hall com duas portas. Uma estava escancarada, mostrando um quartinho sujo como o resto da casa, com um vaso sanitário e um lavatório no canto, além de um colchão jogado no chão. Michelle falou agitadamente:

 

           -Foi nesse quarto que fiquei! Vejam o colchão! Eu dormia nele!

 

           Scott adiantou-se e viu manchas de sangue no chão. Aquele detalhe comprovava o depoimento de Michelle. Recuou, dizendo:

 

           -Vamos sair, para não estragar o trabalho da perícia. Esse quarto vai ser periciado, como toda a casa, à procura de pistas. Daqui partirão nossas investigações.

 

           Ele olhou para Michelle.

 

           -Está liberada, senhorita Burton. Já nos ajudou bastante. Vamos voltar à delegacia. A polícia de New York já deve estar lá esperando-a . Peço que continue a colaborar com nossa jurisdição.Se surgir alguma pista ou fato novo que ajude a identificar os seqüestradores, nos telefone.Aqui está meu cartão.

 

           Michelle pegou o cartão, concordando:

 

           -Sem dúvida, mister Scott. Se precisar de mim, tem meu telefone e endereço no depoimento que prestei.

 

           Qando chegaram à delegacia, uma multidão de repórteres   estavam esperando a rica herdeira seqüestrada e agora libertada. Quando o carro estacionou e Michelle desceu, todos correram ao seu encontro com câmeras, microfones e flash das máquinas fotográficas, gritando perguntas, formando uma confusão.

 

           Scott abraçou Michelle protetoramente, ao ver seu medo, e foi afastando os repórteres com cotoveladas. Os dois policiais também tentaram afastá-los, empurrando-os.

 

           Mas as pessoas insistiam, estendendo os microfones para Michelle, gritando perguntas. Ela se encolheu e estendeu a mão para Grahan, amedrontada. Grahan acercou-se com dificuldade e segurou a mão que ela lhe estendia, caminhando sob empurrões. Conseguiram entrar na delegacia e os policiais fecharam as portas, sob as ordens de Scott, que berrava irritado:

 

           -Com mil demônios! Quem avisou à imprensa do aparecimento de Michelle Burton?

 

           -A notícia vazou para a mídia em New York, chefe – Disse um policial – As rádios e tvs já estão noticiando há uma hora!

 

           -Imbecis! – Berrou Scott, ofegante – Estão querendo aparecer, como se fossem eles quem localizaram Michelle Burton!

 

           Dois homens vestidos com capas de chuva sobre os ternos se aproximaram de Scott, fitando-o secamente.

 

           -Sou o inspetor Paul Weever e esse é o detetive Tom Hooper. Somos de New York e viemos buscar Michelle Burton. Devo dizer que a notícia vazou para a mídia porque havia um repórter na delegacia, que ouviu um policial requisitar um helicóptero para buscar a senhorita Burton. Não foi uma indiscrição intencional.

 

           Scott enrubesceu, os fitando desajeitado.

 

           -Ok... Michelle Burton aí está, rapazes – Disse, indicando Michelle com a mão – É toda de vocês. Já fiz minha parte.

 

           Eles se aproximaram de Michelle e se apresentaram, dizendo depois com gentileza:

 

           -Viemos buscá-la, senhorita Burton. Temos um helicóptero à nossa espera para levá-la para New York.

 

           Michelle os fitou com desânimo.

 

           -Sou obrigada a ir com vocês? Como uma prisioneira? Já estou farta de estar em contato com a polícia!

 

           O inspetor Weever sorriu.

 

           -Não é obrigada, mas isso a poupará tempo. A senhorita não deve estar com meios de viajar, pois deve estar sem documentos e dinheiro, não?

 

           Michelle o encarou com um sorriso irônico.

 

           -Mister Weever, com um telefonema posso mandar um helicóptero de minhas empresas buscar-me em pouco tempo.

 

           -Senhorita Burton, não acredito que que viemos aqui à toa. Que vai menosprezar nosso esforço. Além disso, se nos der logo seu depoimento, ficará livre de nós.

 

           Grahan interferiu, vendo o ar indeciso de Michelle:

 

           -Vamos logo com eles, Michelle. Vamos acabar logo com isso tudo. Eles já estão aqui e o seu pedido de transporte irá demorar mais uma hora.

 

           -Acha melhor, Grahan? Terei que ir direto para a delegacia prestar depoimento.

 

           -Acho melhor mesmo assim, Michelle. Você ficará logo livre da polícia.

 

           -Quem é ela, senhorita Burton? – Perguntou o inspetor, curioso.

 

           Michelle o fitou friamente.

 

           -Ela é Grahan Gladstone. Foi quem encontrou-me perdida na estrada, quando fugi do cárcere. Sem ela, talvez não estivesse ainda viva. Ela vai comigo para New York. Se não concordarem em levá-la também, não irei com vocês.

 

           -Não tem nenhum problema, senhorita Burton. Vamos indo?

 

 

))))))((((((

 

           Chegaram em New York já anoitecendo. Foram direto para a delegacia, onde o advogado da família Burton já a aguardava. Na presença dele, Michelle relatou todos os acontecimentos referentes ao seqüestro.

 

           Grahan foi deixada numa sala anexa, esperando, depois de dar seu depoimento. Ela estava irritada e cansada.O dia havia sido desgastante e tumultuado. Estava ansiosa para ficar à sós com Michelle, longe daquela confusão. Suspirou aliviada quando a viu sair da sala, escudada pelo advogado que a segurava possessivamente pelo braço. Ergueu-se da poltrona e Michelle  aproximou-se com um sorriso cansado.

 

           -Vamos embora, Grahan. Estou finalmente liberada.Ah, este é Donald, o advogado de minha mãe. Ela o enviou para assessorar-me.

 

           Grahan apertou a mão do homem, que sorriu formalmente. Ele tinha um olhar orgulhoso, vestido com um terno que parecia ser caríssimo.Era alto, magro e completamente careca, com frios olhos azuis.

 

           -Muito prazer, senhorita Gladstone. Sua ajuda à senhorita Burton foi muito importante – Declarou, com voz sem emoção.

 

           -Obrigada – Disse Grahan, percebendo o olhar frio dele. Retribuiu com outro igual.

 

           -Vamos sair pelos fundos da delegacia – Continuou ele, indicando uma porta – Pois aí na frente deve estar cheio de repórteres. Um carro nos espera nos fundos.

 

           Saíram pelos fundos e chegaram em um pátio, onde uma Mercedes negra estava estacionada. O chofer desceu ao vê-los chegar e abriu a porta. Michelle entrou seguida pelo advogado, restando o banco da frente para Grahan.

 

           -Bem-vinda à sua casa, senhorita Burton – Disse o chofer, sorrindo fitando-a pelo retrovisor – Estamos felizes em vê-la bem.

 

           -Obrigada, James – Disse Michelle, sorrindo – Escute, quero que me deixe no meu apartamento na Quinta Avenida.

 

           Donald a fitou chocado.

 

           -Não vai para a casa de sua mãe?! Ela a está aguardando! Eu prometi que a levaria para lá tão logo fosse liberada do depoimento!

 

           Michelle fitou o advogado com determinação.

 

           -Fez mal em prometer algo que não podia cumprir, Donald. Não lhe prometi nada. Quero ficar em um lugar que me sinta bem e minha casa nesse momento não é. Você já fez o seu trabalho. Está livre para ir onde quiser.

 

           Donald pareceu aborrecido, mas não a contestou. Volltou-se para o chofer, dizendo com ar de superioridade:

 

           -Deixe-me na Park Avenue, diante de meu escritório. Vou pegar meu carro e ir à casa da Senhora Burton. Preciso informá-la dos acontecimentos.

 

           Voltou-se para Michelle e indicou Grahan com o queixo.

 

           -E a senhorita Gladstone, onde ficará?

 

           -Isso não é de sua conta, Donald, mas vou responder. A senhorita Gladstone ficará hospedada em meu apartamento – Informou, em um tom que não admitia contestação.

 

           O advogado a olhou surpreso, mas calou-se. Grahan notou o olhar de desaprovação dele e teve vontade de fazer uma careta para ele. Bastardo prepotente! Devia achá-la indigna de ficar com Michelle!

 

           Não trocaram mais nenhuma palavra até chegar ao local pedido por ele. Donald despediu-se com um frio boa noite e se foi. Michelle pediu a Grahan para sentar com ela e respirou fundo quando se afastaram dali.

 

           -Grahan, sinto muito pelas atitudes grosseiras desse imbecil – Disse ela, pegando sua mão – Fiquei quieta porque não queria começar uma briga. Ele é o criadinho de recados de minha mãe. Conta tudo que descobre sobre mim para ela, é um fofoqueiro! Ganha uma fortuna para não fazer nada na empresa, a não ser espionar.

 

           -Então ele é pago com seu dinheiro, já que é a herdeira principal das empresas...

 

           -Mais ou menos isso, Grahan.

 

           -Por que não assume a administração de seus negócios, Michelle? Se quiser, eu posso ajudá-la. Atualmente sou escritora, mas sou formada em administração e já trabalhei numa grande firma e sei como funciona os negócios. Não iria querer ganhar nada, apenas penso em ajudá-la a ser mais independente.

 

           Michelle a fitou sorrindo docemente.

 

           -Ao seu lado, sinto-me outra, Grahan, disposta a qualquer desafio. E você tem razão. Tenho que deixar meu medo de lado e lutar pelo que é meu. O atual presidente da Burton Corporation foi indicado por minha mãe, que achava-me incapaz de gerir as empresas. Vou aceitar sua ajuda. Vou afastar o atual presidente, assumir os negócios e escolher meus auxiliares.

 

           Grahan sorriu animada.

 

           -Muito bem, garota! Estarei ao seu lado, ajudando-a no que puder!

 

           Minutos depois a Mercedes parou diante de um edifício luxuoso na Quinta Avenida. Michelle desceu com Grahan, que pegou sua pequena mala e se dirigiram para a portaria. O porteiro veio recebê-la com um sorriso cordial.

 

           -Senhorita Burton! Que satisfação, vê-la novamente! As tvs não param de noticiar a sua libertação! Seja bem-vinda!

 

           -Obrigada, Joe. Ouça, estou com um pequeno problema. Vim da polícia para cá e estou sem a chave do meu apartamento. Pode arranjar um chaveiro para abrí-lo?

 

           -Claro, senhorita. Temos pessoal para esse tipo de emergência. Vou chamar eles.

 

           O pessoal da emergência foi acionado e em meia hora foi aberta a porta principal do apartamento com uma chave-mestra e trocado o segredo, com novas chaves. Michelle agradeceu, prometendo deixar uma recompensa na portaria no dia seguinte. Os empregados recusaram sorridentes, alegando que apenas haviam feito seu trabalho, encantados pela beleza e simpatia de Michelle. Se foram e ela e Grahan entraram e acenderam a luz do hall, fechando a porta.

 

           Grahan olhou em volta com curiosidade. O hall de entrada já era luxuoso, mas o living era simplesmente espetacular. Todo decorado em preto e branco, com arrojadas   peças de arte em aço e móveis Chippendale. Um grosso tapete imaculadamente branco forrava todo chão. Nas paredes, quadros que valiam verdadeiras fortunas. Pablo Picasso, Salvador Dali e Pollock conviviam nas paredes. As luzes indiretas criavam um ambiente acolhedor.

 

           Michelle pegou-a pela mão, sorridente.

 

           -Gostou daqui, amor? Foi tudo escolhido por mim. Diverti-me em decorar esse apartamento. É onde me sinto à vontade, mas não ficava muito aqui porque me sentia um pouco solitária. Só vinha para cá quando brigava com minha mãe. Nunca trouxe alguém aqui, você é a primeira.

 

           Grahan a fitou impressionada.

 

           -Obrigada pela distinção. Puxa! Agora que estou avaliando o que é ser rico! Quer dizer, eu já tinha visto casas assim em revistas, mas estar em uma, é totalmente diferente!

 

           Michelle riu, abraçando-a.

 

           -Mas você ainda não viu nada, amor! Precisa ver a sala de projeção de filmes, a sala de música e a sala de jogos, são as minhas favoritas. É claro que adoro também a piscina .

 

           Grahan arregalou os olhos.

 

           -Você tem uma piscina aqui, no apartamento? Mas... aqui não é a cobertura!

 

           Michelle tornou a rir do espanto de Grahan.

 

           -O apartamento é um triplex, Grahan... a piscina fica no terceiro andar. É numa área interna, fechada com vidros temperados, aquecida. Pode-se tomar banho nela mesmo no inverno, é muito interessante tomar banho nela vendo a neve cair lá fora. Agora você vai desfrutar disso tudo comigo, porque tudo isso agora é seu também.

 

           Grahan fitou-a carinhosamente, alisando o belo rosto erguido para o seu.

 

           -Isso não me impressiona. Não estou interessada no que tem, eu só quero você.

 

           -Mas eu sou sua, meu amor... toda sua, sabe disso.

 

           -Prove, então. Sabe quantas horas estamos sem nos beijar? Quase dez horas!

 

           Michelle olhou para sua boca, espremendo-se contra ela.

 

           -Então, o que está esperando?

 

           Grahan beijou-a ardorosamente. Michelle retribuiu com a mesma intensidade, estremecendo em seus braços. Alisou as costas de Grahan, enquanto suas bocas se sugavam. Depois afastou-se e a fitou com aquele adorável ar excitado.

 

           -Que tal tomarmos um banho na banheira de hidromassagem, para relaxar?

 

           Grahan percebeu as intenções de Michelle e sorriu.

 

           -É uma excelente idéia, querida. Um banho nos revigorará.

 

           Ela afastou-se, pegando-a pela mão.

 

           -Venha, amor.

 

           Grahan a seguiu pelo apartamento imenso, olhando tudo impressionada. Michelle a levou até um banheiro enorme, com uma parede de vidro fumê que dava para um jardim de inverno com plantas ornamentais. O chão do  banheiro era todo em granito azul cobalto e as paredes espelhadas. A grande bancada com lavatório era em mármore branco, com vários frascos de sais para banho. No centro do piso, a banheira de hidromassagem. Grahan calculou que naquela banheira podia  caber folgado cinco pessoas.

 

           Michelle abriu as torneiras da banheira e olhando Grahan nos olhos, começou a despir-se. Tirou a blusa de lã, o tênis, as meias. A calça de malha e a calcinha seguiram, deixando-a finalmente completamente nua, sob o olhar de admiração  e desejo de Grahan, que a observava imóvel.

 

           -Não vai despir-se, Grahan? – Perguntou Michelle, entrando na banheira, fitando-a maliciosamente.

 

           Grahan sorriu e começou a tirar a roupa, dizendo com um sorriso:

 

           -Eu estava hipnotizada, vendo uma deusa despir-se para o banho.

 

           Michelle riu, sentando na bancada da banheira. Ligou o sistema e a água começou a se movimentar, borbulhando.

 

           -Venha logo, amor...sua deusa está com muita falta de seus carinhos.

 

           Grahan acabou de despir-se e entrou na banheira, sentindo a água tépida envolver seu corpo. Michelle a rodeou com os braços, buscando sua boca com ansiedade. Seus corpos molhados se juntaram.

 

            Grahan pegou-a pelos ombros e apertou-a contra seu corpo.Deslisou a mão pelo corpo dela, sugando aquela boca deliciosa. Michelle acariciou sua nuca com as pontas dos dedos, sugando também sua boca, mordiscando os lábios, gemendo baixinho.

 

           Grahan afastou a boca, para fitar Michelle, fascinada.Michelle a fitou trêmula de excitação, o desejo impresso nos olhos, os lábios entreabertos, as mãos nos seios de Grahan, apertando suavemente.

 

           -Michelle... – Sussurrou Grahan, com voz rouca de emoção – Amo-a tanto...

 

           -Não mais do que eu à você, meu amor... possua-me, Grahan... depressa...

 

           Grahan tornou a beijá-la, as mãos descendo pelo corpo dela, práticas em dar prazer. De frente uma para a outra, suas pernas se entrecruzavam . Michelle subiu para cima das coxas de Grahan, sentando-se de pernas abertas, facilitando a carícia da mão dela. A água agitava-se ainda mais com seus movimentos loucos. Com a boca colada à de Grahan, sugando-a com loucura, Michelle acelerou seus movimentos, então seu corpo se tornou rígido e ela lançou a cabeça para trás, gemendo alto no orgasmo final.

 

           -Grahan! Oh, amor! Grahan! Amo-a, amo-a! – Gritou, apertando-se contra a mão de Grahan e depois caindo contra ela, com a respiração entrecortada.

 

           Mas Grahan queria muito mais. Afastou-a e ergueu-se, puxando Michelle pelas mãos, saindo da banheira. Michelle entendeu sua intenção ao ver o desejo em seus olhos. Foram para o quarto de mãos dadas, que era anexo ao banheiro.Era um quarto enorme, decorado com requinte, mas Grahan apenas notou a cama grande, forrada com cetim negro e com almofadas na cor lilás.

 

           Michelle deitou-se na cama, mesmo estando molhada, puxando Grahan sobre seu corpo. Grahan apertou-se contra ela, esmagando seus lábios nos outros que esperavam, as mãos cobrindo-a de carícias arrebatadas, despertando novamente o desejo naquele corpo belo.

 

           Michelle gemia de olhos fechados, as mãos apertando as dobras da colcha, dizendo frases ardentes, mexendo o corpo abrasado de desejo, pedindo coisas que Grahan atendia com extremo prazer. Grahan agora sugava os seios firmes e belos, com Michelle apertando sua cabeça contra o peito, com suas mãos trêmulas.

 

           -Sugue mais, amor... com mais força... assim... oh, sim! – Gemia Michelle, as pernas agora rodeando a cintura de Grahan.

 

           Grahan momentos depois ergueu a cabeça, fitando Michelle nos olhos. Sentia que estava próxima do êxtase e apressou os movimentos dos quadris, sendo imitada por Michelle. Se fitavam com o prazer estampado nas faces, os corpos unidos em movimentos frenéticos. E quando Grahan penetrou Michelle com os dedos, o orgasmo as dominou  como uma onda, lançando-as em um mundo que era somente delas. Nele não havia preconceitos, proibições ou pecado, ditados por uma sociedade hipócrita. Só havia elas e o amor que as unia. Um amor proibido, mas forte para desafiar a todos.

 

           Com o desejo  ora aplacado, elas ficaram abraçadas trocando ternos carinhos, olhando-se com enlevo, até finalmente caírem em um sono profundo.     

          

))))))((((((

 

 

           O ruído do telefone acordou Michelle, tocando ao seu lado, sobre a mesinha de cabeceira. Ainda meio adormecida, ela estendeu a mão automaticamente, pegando-o e levando ao ouvido. A voz do outro lado acabou de despertá-la, ferindo seu ouvido com seu tom alto e irritado:

 

           -Michelle! Por que não veio para casa?

 

           Michelle franziu o cenho, aborrecida.

 

           -Mamãe...eu estava dormindo! Passei dias muito  difíceis, como sabe! Preciso descansar! E aí eu não conseguiria!

 

           -Estou muito decepcionada com você! – Continuou a mulher, irritada – Não veio para casa e está aí com uma estranha, uma pessoa que nem conhece direito! O que está havendo com você?

 

           Michelle olhou para Grahan. Ela havia despertado e a olhava espectante.

 

           -Essa pessoa a quem você chama de estranha, ajudou-me em uma hora crítica e deu-me a maior atenção, sem saber quem eu era!

 

           -Eu sei disso, Donald contou-me. Acho muito justo você estar agradecida e dar à essa mulher uma boa quantia de gratificação. Mas, trazê-la com você e levá-la para seu apartamento! Isso é demais!

 

           Michelle perdeu a paciência e disse com voz dura:

 

           -Você pensa que tudo se resolve com dinheiro, não é? Gratidão, amizade, amor! Por isso comprou o seu marido! Mas não sou como você! Tenho sentimentos, sabe o que é isso?

 

           -Michelle! Venha para casa imediatamente, estamos à sua espera! Chega de agir com insensatez!

 

           -Não irei, vou continuar aqui! Não sou mais aquela garotinha idiota que era totalmente dominada por você! Sou uma adulta, posso fazer de minha vida o que quiser! E pretendo ficar aqui definitivamente! Amanhã irei aí, sim! Mas apenas para apanhar minhas coisas! Tchau,  mãe! – Disse, batendo o telefone com raiva no gancho. Sentou na cama, apoiando o queixo nos joelhos unidos, respirando fundo.

 

           Grahan sentou-se também, pousando a mão suavemente no seu ombro, fitando-a com um sorriso.

 

           -Minha gata brava, olhe para mim.

 

           Michelle voltou o rosto para Grahan, os olhos faiscantes, o rosto vermelho.

 

           -Não vou admitir que alguém tente nos separar! – Disse, com voz trêmula – Nem mesmo minha mãe!

 

           -A guerra já começou, não? – Disse Grahan, deixando de sorrir – E por minha causa.

 

           Michelle caiu em seus braços, apertando-a contra o corpo que tremia. Grahan a abraçou, fazendo-a pousar a cabeça em seu ombro, alisando os cabelos macios e perfumados.

 

           -Estarei sempre ao seu lado, Michelle. Vou ajudá-la a libertar-se dessa dependência que querem que você viva.

 

           -Michelle afastou a cabeça, para fitá-la com amor nos belos olhos.

 

           -Você é minha força, Grahan. Por favor, nunca, nunca me deixe!

 

           -Eu nunca a deixarei, querida... eu a amo muito!

 

           -Oh, Grahan...meu amor...

 

           Seus lábios se juntaram em um beijo ardente. Michelle empurrou-a para trás, deitando sobre ela, apertando-se arrebatada. Rolaram pela cama entre beijos e carinhos. E Grahan foi possuída por uma mulher que agora já conhecia os segredos daquele modo de amar e ansiava para tê-la também de todos modos possíveis.

 

           Michelle a viu atingir o orgasmo em seus braços e gemer seu nome, enlouquecida. E louca de desejo, Michelle pediu para ser possuída também, implorando com aqueles fascinantes olhos azul-mediterrâneo que encantavam Grahan, estimulando-a a fazer loucuras naquele corpo maravilhoso. E Michelle teve seu prazer, gritando em delírio:

 

           -Grahan! Querida! Amor!

 

           -Michelle! Oh, minha Michelle! – Respondeu Grahan, sentindo uma intensa emoção vendo a mulher amada no auge do prazer.

 

           Ficaram abraçadas, trocando ternos carinhos e beijos. Olhavam-se e não resistiam, seus lábios se procuravam incansáveis.

 

           A fome as despertou daquele enlevo. O estômago de Grahan doía, há muito tempo sem alimento. Falou com Michelle e constataram que não se alimentavam desde a manhã anterior. Michelle começou a rir quando Grahan disse que não agüentava mais tanta fome.

 

           -Oh, como sou distraída! Pobre amor, nem pensei em comida, envolvida em tanta paixão! Eu deveria ter encomendado um jantar! O apartamento está fechado há mais de seis meses e os empregados estão na casa de minha mãe, não há nada para comer. Amanhã vou dar um jeito nisso. Vou trazer dois empregados e mandá-los fazer compras e abastecerem o freezer com tudo. E agora vou encomendar um almoço caprichado no melhor restaurante de New York!

 

           Grahan riu, abraçando-a.

 

           -Não precisa chamar empregados, Michelle. Nós podemos fazer as compras . E agora, acho melhor nós sairmos para comer. Gostaria de andar um pouco, respirar ar fresco. E você precisa de roupas. Sei que suas roupas estão na casa de sua mãe. Estou com meu talão de cheques e meu cartão de crédito. Sei que meu dinheiro  perto de sua fortuna não é grande coisa, mas posso comprar algumas peças de roupas para você e pagar nosso almoço.

 

           Michelle fitou-a com um sorriso divertido.

 

           -O amoço eu aceito, mas tenho roupas aqui. Venha ver.

 

           Ela ergueu-se e colocou um robe de seda que estava numa poltrona ao lado da cama. Grahan vestiu o seu que havia trazido e a seguiu, curiosa. Michelle abriu a porta do closet enorme, com todo espaço tomado por centenas de roupas. Mais de cem pares de sapatos  estavam enfileirados, novos e brilhantes.

 

           -Veja. Muitos nem cheguei a usar – Disse Michelle, apontando-os.

 

           As roupas estavam separadas por tipos. Havia uma longa fileira de saias, outra de blusas, outra de calças compridas e outra de vestidos.

 

           -Desse lado, estão as roupas esportivas e casuais – Disse Michelle – E do outro lado, as para ocasiões   formais. Quer vê-las?

 

           Grahan olhava todas aquelas roupas impressionada. Viu os casacos de mink, as bolsas, os cintos. Apenas a visão daquelas roupas mostrava o alto estilo de vida de Michelle, a sua fortuna era bem maior que Grahan pensava. Sentiu o quanto seu dinheiro era insignificante, comparado ao dela.Olhou para Michelle, vermelha de humilhação.

 

           -Não preciso olhar mais, já vi o bastante – Disse, abatida – E estou envergonhada de ter oferecido para comprar umas peças de roupas para você. Todo meu salário do mês não daria para comprar uma só peça de roupa da mesma categoria dessas.

 

           Michelle abraçou-a, olhando-a nos olhos com seriedade.

 

           -Não mostrei essas roupas para humilhá-la, Grahan. Amo como você é. Só quis mostrar como vivo, qual é o meu estilo de vida, o meu mundo, para que você o conheça e se integre nele. Você agora faz parte de meu mundo e quero que se integre nele de uma forma que ninguém a discrimine pelas roupas, ou o  que seja. Amanã vamos comprar um guarda-roupa completo para você com roupas da mesma categoria dessas. Você vai aceitar isso, não?

 

           Grahan sorriu, acariciando o rosto dela.

 

           -Estou entendendo-a, Michelle. E vou aceitar isso por sua causa. Para você não envergonhar-se de mim. O que tiver que fazer para estar ao seu lado, farei.

 

           O olhar de Michelle encheu-se de preocupação e surpresa.

 

           -Grahan, nunca me envergonharia de você! Apenas quero...

 

           Grahan a interrompeu, colocando a ponta do dedo índice nos lábios dela.

 

           -Shhhh...não vamos discutir, vamos sim tomar um banho e nos vestir  para sair. Estou faminta!

 

           Michelle sorriu.

 

           -Ok, amor.

 

           Tomaram um banho de ducha e se enxugaram entre carinhos. Voltaram ao quarto e Grahan abriu sua mala e escolheu uma blusa de seda cinza pérola, calça comprida azul da prússia de corte clássico, e um blazer branco. Eram as melhores roupas que tinha com ela no rancho, havia usado-as em um jantar que dera para dois amigos.

 

           Michelle a impressionou. Abriu uma gaveta cheia de calcinhas de renda francesa e escolheu uma, fazendo conjunto com o sutian.Colocou meias finas e finalmente um conjunto de saia e blazer cinza, com blusa de seda vermelha. Calçou sapatos de saltos altíssimos, prendeu os cabelos em um gracioso coque e maquiou-se.

 

           Já pronta, Michelle voltou-se para Grahan, que a fitava  boquiaberta. Grahan nunca a tinha visto antes maquiada e com roupas finas. Que transformação! Ela já era linda sem pintura, mas maquiada ficava deslumbrante! Parecia uma top model, ou uma artista de cinema!

 

           Grahan colocou a mão sobre o coração, admirando-a quando ela deu uma volta, rindo de seu olhar atordoado.

 

           -Gostou? Essa é a minha aparência diária, no mundo em que vivo, quando saio de casa.

 

           -Meu Deus! Isso tudo é mesmo meu?

 

           Michelle aproximou-se dela, rebolando provocativa com as mãos nas cadeiras, fitando-a com um sorriso “ sexy”.

 

           -Tudo isso é seu, amor. Mas você também vai ficar assim, uma boa roupa e maquiagem fazem milagres. Por que não passa um pouco de baton?

 

           Grahan a fitou indecisa.

 

           -Acha mesmo necessário?

 

           -Em meu mundo, é. Uma mulher sem maquiagem nunca está com o lay-out completo. É falta de elegância. Mas você tem liberdade para decidir se usa ou não.

 

           Grahan sorriu.

 

           -Tudo bem. Há anos que não me pinto, mas vou fazer isso. Como disse, farei o que for preciso para que você se orgulhe de mim. Dê-me seu baton.

 

           -Tenho dezenas de cores e marcas, Grahan. Venha escolher.

 

           Grahan escolheu uma cor vinho e passou nos lábios. Olhou para Michelle, que deu um gritinho de admiração.

 

           -Uau! Você fica linda de baton, fica uma mulher “sexy”!Vai ser um sucesso, com esses lábios polpudos pintados!Está um tesão, querida! – Disse, entusiasmada.

 

           Grahan riu, abraçando-a.

 

           -É mesmo? Mas quando eu for beijá-la, vou manchá-la de baton!

 

           -Não, amor... Esse baton é especial, um lançamento da Burton Cosméticos. Não mancha. Foi desenvolvido para evitar manchas indesejáveis após beijos. Quer esperimentar?

 

           Grahan tornou a rir, desvencilhando-se dela.

 

           -Não, agora não! Quero é comer! E se beijá-la, não iremos sair tão cedo!

 

           Michelle sorriu, pegando sua bolsa.

 

           -Ok, vamos almoçar, minha faminta. Peço um táxi? Estou sem carro aqui.

 

           -Não, vamos andar um pouco.

 

))))))((((((

 

Continua na parte 4

 

 

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