HERANÇA FATAL

 

    

PARTE 2

 

 

 

Grahan acordou com uma claridade em  seu  rosto.  Abriu  os  olhos  e  viu  Maureen com a cabeça apoiada na mão, fitando-a pensativa. Ela lhe sorriu suavemente.

 

-Bom dia. Estava observando-a dormir - Disse, baixinho - Você fica com uma expressão de tanta ppaz!

 

Grahan riu, achando graça. Olhou para a janela do quarto. Era de lá que vinha a claridade. As cortinas estavam afastadas, deixando entrar a luz do sol. Maureen acompanhou o seu olhar e explicou:

 

-Tomei a liberdade de abrir a cortina. O dia está lindo, nem parece que choveu ontem.

 

Grahan sentou-se na cama, bocejando, com a mão tapando a boca. Notou que Maureen não tirava os olhos dela, sentada na beira da cama. Grahan a fitou sorrindo, achando-a linda, com as maçãs do rosto coradas.

 

-Bom dia, Maureen. Fez muito bem. Que horas são?

 

Ela pegou seu relógio de pulso sobre a mesinha de cabeceira e olhou-o.

 

-Quase nove horas.

 

Grahan ergueu-se, saindo da cama, depois de calçar seus chinelos.

 

-Oh, dormi muito! E você? Acordou há muito tempo?

 

-Acordei cedo - Disse Maureen, alegremente - Já tomei banho e preparei o café da manhã!

 

Grahan a fitou sorrindo.

 

-É mesmo? Então, vou tomar um banho rápido e descer.

 

Observou que Maureen continuava com o pijama, com um avental por cima. Estava encantadora, com as belas pernas de fora e os cabelos luzindo à luz do sol.

 

-Pode usar as minhas roupas - avisou - tenho muitas aqui, vim para cá com a intenção de ficar muito tempo.Também tenho muitas calcinhas novas, ainda na embalagem. Pode escolher algumas, estão nas gavetas do armário.

 

Maureen sorriu docemente.

 

-Obrigada, Grahan. Você é mesmo muito legal.

 

Grahan sorriu, divertida, erguendo as sombracelhas.

 

-Até certo ponto  -Advertiu, rindo  -Tenho minhas manias.

 

Maureen a fitou curiosa.

 

-É mesmo? Quais?

 

-Sou perfeccionista, metódica. Fico insuportável quando alguém faz alguma coisa para mim. Dou palpite em tudo.

 

Maureen fez uma expressão desolada.

 

-Oh! Ai de mim! O meu café da manhã será criticado!

 

-Veremos... mas tenho o palpite que vou gostar de sua comida.

 

Maureen dirigiu-se para a porta, avisando:

 

-Vou colocar a mesa. Não demore.

 

Grahan foi para o banheiro e tomou um banho quente, enxugou-se e voltou ao quarto enrolada na toalha. Escolheu roupas frescas. Uma blusa branca de algodão e calça jeans. Colocou tênis e desceu para a cozinha.

 

Enquanto tomara banho, Maureen havia trocado o pijama por uma blusa de malha azul e uma calça branca, que Grahan havia trazido. Tinha dobrado a bainha da calça, mas a blusa folgada lhe caía muito bem. Voltou-se ao ouví-la chegar, sorrindo alegremente, acabando de encher uma jarra com suco de laranja.

 

-Sente-se! Vai provar a minha comida!

 

Grahan aproximou-se e sentou à mesa, rindo.

 

-Mas, o que é isso? Parecem pratos para uma festa, com arranjo e tudo mais!

 

Havia torradas dispostas simétricamente em um prato, hamburgueres enfeitados com mostarda e catchup em círculos, molho tártaro enfeitado com um ramo de hortelã, e um omelete dourado, decorado com rodelas finas de tomate com uma azeitona em cada.

Maureen a fitou com receio.

 

-Não gostou?

 

Grahan sorriu para ela, com um sorriso divertido.

 

-Está brincando? Eu amei tudo isso! Um prato assim dá mais apetite!

 

Maureen riu, radiante. Colocou a jarra de suco na mesa e sentou diante de Grahan.

 

-Então, vamos comer! Vamos ver se passo no teste!

 

Ela serviu Grahan, cortando o omelete e colocando em seu prato. Encheu um copo de suco e estendeu para ela.

 

-Coma. Espero que o sabor esteja à altura da aparência.

 

-Você também, coma. Eu me sirvo do resto.

 

Maureen encheu um copo de suco para ela e cortou um pedaço de omelete. Grahan provou o omelete. Estava macio, com um sabor excelente. Olhou para Maureen, que a fitava em expectativa.

 

-Humm... muito bom... há muito tempo não comia um omelete tão saboroso...está aprovada. Onde aprendeu a cozinhar tão bem?

 

Maureen sorriu, com o prazer brilhando em seus olhos, com o elogio.

 

-Tive aulas de culinária em um curso. Gostou mesmo? Esse omelete é feito à francesa, com creme de leite e queijo ralado.

 

-Está excelente. Meus parabéns.

 

Comeram com apetite. Grahan se excedeu, comendo de tudo com verdadeiro prazer. Os hamburgures estavam deliciosos, acompanhados com o molho tártaro e as torradas douradas e crocantes. E o café, do jeito que gostava, nem muito forte, nem muito fraco.

 

-Ah, Grahan... - Suspirou Maureen - Estou tão feliz! Sinto-me tão bem, aqui com você... está também gostando de minha companhia?

 

Grahan sorriu, bem humorada.

 

-Claro que sim! Principalmente, depois desse café da manhã!!

 

Maureen fez uma careta para ela, fingindo estar zangada.

 

-Machista! Quer dizer que só gostou de minha companhia porque sirvo para cozinhar?

 

-Oh, não... - Riu Grahan - Você é uma companhia relaxante!

 

Maureen sorriu. Grahan a olhou pensativamente. Sentiria muito quando ela fosse embora. Maureen a cada momento a encantava ainda mais. Acabaram de comer e Grahan lavou a louça. Maureen ajudou, enxugando. Acabaram a tarefa e foram para a sala. Grahan sentia o olhar disfarçado de Maureen sobre si e ficava intrigada e nervosa. Por que ela a olhava tanto? Não  se atrevia a maliciar esses olhares.

 

-Vamos ver o noticiário? – Disse, ligando a tv -  Na  CNN sempre tem notícias atuais.

 

Maureen sentou-se numa poltrona, encolhendo as pernas sob o corpo.

 

-Vamos.Também gosto de ver as notícias.

 

Grahan sentou-se em outra poltrona e sintonizou no canal. O apresentador do tele-jornal falava sobre as eleições para o senado. Depois, a notícia seguinte foi sobre um desastre de um avião bimotor no Texas. E então, o apresentador noticiou:

 

-Agora, vamos à notícia do sequestro de Michelle Burton.

 

Maureen falou com voz tensa:

 

-Grahan, mude de canal. Estou cheia de ver notícias violentas.

 

Grahan a olhou surpresa.

 

-Não gosta de noticiário? Espere um pouco... só vou ver essa notícia.

 

Voltou a fitar a tv. Um repórter estava diante de uma mansão imponente. Ele

explicou:

 

-Há mais de uma semana, saindo dessa casa, Michelle Burton foi sequestrada por dois homens e até hoje não se sabe de seu paradeiro. Os familiares não querem falar com a imprensa e pediram à polícia para não interferir no caso, para facilitar as negociações com os sequestradores. Na tela da tv apareceu o rosto de uma mulher em close, enquanto  o repórter continuava:

 

-O sequestro de Michelle Burton vazou para a imprensa devido ao depoimento de um empregado, que presenciou o sequestro. Michelle Burton é a herdeira principal da Burton Corporation e sua fortuna é avaliada em  dez bilhões de   dólares.

 

Grahan olhava, estática, atônita. O rosto de Michelle Burton era o mesmo de Maureen!

 

A foto mudou para outra, com Michelle Burton numa piscina. Nem duas irmãs gêmeas seriam tão idênticas. O mesmo olhar, o mesmo sorriso, as mesmas  feições. Grahan olhava as imagens petrificada. À custo conseguiu desviar a vista da tv para Maureen ao seu lado. Ela olhava para a tv com os lábios trêmulos, pálida, com ar de culpa. E se Grahan tinha alguma dúvida se elas eram a mesma pessoa, essa se desfez quando Maureen a fitou com visível temor. Ela era Michelle Burton,  não havia dúvidas!

 

A notícia mudou para um tiroteio entre palestinos e judeus. Mas Grahan nem via mais a tv. Seus olhos olhavam para a moça ao seu lado com raiva. A raiva de ter sido enganada. Ergueu-se e se plantou diante dela, furiosa, com as mãos na cintura. Ela a fitou com receio e ar de culpa, encolhendo-se no sofá.

 

-Muito bem! - Disse Grahan, sentindo-se usada e enganada - Conseguiu enganar-me muito bem, Michelle Burton! Não sabia que a minha hóspede era tão importante e mentirosa! É divertido representar, mudar de identidade, mentir,  enganar?

 

Ela ergueu os olhos em súplica, tremendo.

 

-Eu ia lhe contar! Mas tinha de conhecê-la melhor, antes! Tinha de adquirir confiança em você! E já estava começando, mas a notícia veio antes do que eu  esperava!

 

-Mentira, você não ia me falar nada, estava se divertindo às minhas custas! Uma vítima de sequestro! Onde estão seus sequestradores? Ah, todo mundo vai pensar que eu a raptei! Você meteu-me numa confusão, está usando-me! - Gritou Grahan, irada.

 

-Deixe-me explicar! - Gritou a moça, com os olhos cheios de lágrimas.

 

Grahan deu um soco no sofá, inclinando-se e a fitando de perto, nos olhos, com raiva.

 

-Comece, então! Mas fale a verdade! Já mentiu demais!

 

Michelle Burton começou a falar, com voz trêmula, olhando para o chão:

 

-No dia em que fui raptada, estava saindo com meu carro para ir ao cabelereiro.Quando os portões de minha residência se abriram e eu avancei, um carro parou diante do meu. Foi tudo muito rápido. Dois homens saltaram do carro com meias no rosto, empunhando armas. Abriram a porta do meu carro e tiraram-me à força, arrastando-me. Fui empurrada para dentro do outro carro e eles arrancaram em alta velocidade.

 

 O homem ao meu lado apertou um lenço em meu nariz com algo que me fez desmaiar. Acordei horas depois em um quarto estranho, parecia ser uma casa abandonada. Era muito sujo e só havia um colchão no chão, um vaso e um lavatório. A única janela estava toda pregada com tábuas.

 

Fiquei ali durante dias, os raptores nunca apareciam. Só passavam comida por uma

abertura embaixo da porta. Eu chorava, gritava, mas não adiantava. Eu estava desesperada, ali presa, sem comunicação com alguém, naquele quarto imundo e escuro, esperando o pior.

 

 Então, numa noite, a porta abriu e um dos raptores entrou. Ele parecia drogado e queria estuprar-me. Agarrou-me e eu lutei com ele. Em desespero, notei durante a luta que ele tinha na cintura uma faca, em uma bainha de couro. Tirei-a dele e o esfaqueei. Ele deu um grito e caiu no chão.

 

Aproveitei e saí correndo pela porta, que ficara aberta. Desci dois lances de escadas e vi que a casa ficava no meio do mato, perto de um pântano. Com medo do segundo homem vir no meu encalço, embrenhei-me no pântano e andei no meio da   lama por horas, por isso fiquei toda suja de lama.

 

Alcancei uma estrada mas fui andando pela margem dela, no meio do mato, com medo de ser encontrada pelo segundo homem. Andei o dia todo, escondendo-me no mato dos carros que passavam, com medo que fosse um deles. Desorientada, peguei um atalho que foi sair naquela estrada onde você encontrou-me.

 

               Eu já estava no final de minhas forças, sem comer ou beber nada. E então, o temporal desabou. Fiquei apavorada, temendo ser atingida por um raio, ou ser arrastada pela torrente que descia das montanhas. Decidi que devia pedir ajuda a qualquer carro que passasse. Só me lembro que vi a luz dos faróis de um carro e acenei, já sem me importar com quem pudesse ser. Era você, que encontrou-me.

 

Grahan a olhava já sem qualquer raiva. Estava comovida pelo sofrimento que ela havia passado. Agora dava razão ao medo que ela sentia, a entendia.

 

               -Agora eu a entendo, Michelle. Mas, por que me mentiu? Sabia que eu não lhe faria nenhum mal. Não sou uma malfeitora.

 

Michelle a encarou. Seus olhos estavam úmidos e sombrios.

 

-Você era uma estranha. Como lhe contar o meu problema? Você poderia não acreditar em mim e mandar-me embora. Ou acreditar, ficar com medo, não querer se envolver e também mandar-me embora. A única opção minha foi mentir. Mas pretendia lhe contar tudo, assim que você me conhecesse melhor.

 

Grahan a fitou gravemente.

 

-Eu ainda sou uma estranha para você. Mal me conhece.

 

-Não, Grahan. Eu agora acho que a conheço bem.

 

-Engano seu. E outra coisa: sua família deve estar desesperada, sem notícias suas. Por que não vai logo ao encontro deles? Por que queria ficar aqui vários dias?

 

-Grahan, você não os conhece! Não menti quando falei neles, mas não contei que são pessoas frias e egoístas, sem nenhum calor humano. Meu pai nomeou-me em testamento sua herdeira principal, porque sabia disso. E meu irmão não se conforma com esse fato. Minha mãe é uma fraca, dominada por um homem vinte anos mais novo que ela, que só sabe gastar dinheiro. E a mulher de meu irmão só pensa em seus prazeres. Minha vida naquela casa é um inferno. Cada um fechado em seus próprios prazeres. Não tenho vontade de voltar para lá.

 

-Michelle, você esfaqueou um homem. E se ele morreu? Você tem de ir à polícia depor os fatos. Não pode ficar aqui, finfindo que não aconteceu nada.

 

-Dê-me tempo para enfrentar isso tudo, Grahan! Por favor! Sinto-me tão bem aqui com você! Só uns dias! Preciso recuperar-me do que passei!

 

Grahan a fitou pensativa. Michelle Burton. Uma mulher riquíssima, herdeira de um império industrial. Será que conseguiria tratá-la como antes? Falou o que sentia:

 

-Sua riqueza intimida-me. Você não é mais Maureen Smith. É Michelle Burton, e isso muda tudo. Não sei mais como tratá-la.

 

Ela ergueu-se e a encarou, olhando-a nos olhos. Grahan viu a sinceridade neles.

 

-Grahan, você é a primeira pessoa que tratou-me com carinho e atenção sem saber que sou rica. Isso é muito importante para mim. Por favor, continue me tratando como antes. Esqueça que sou Michelle Burton. Agora que estou apreciando a simplicidade da vida, não me discrimine. Estou adorando tudo aqui. Já conheço o mundo, mas os jantares em ambientes de luxo, as festas em Paris, as temporadas de esqui em Gstaad, os fins de semana em Palm Spring, nada se compara ao que estou vivendo agora. Porque aqui estou sendo mais feliz que nesses lugares.

 

Grahan a olhou séria, sentindo uma doce emoção à aquelas palavras. Via nos olhos de Michelle sua sinceridade e emoção. Sorriu.

 

-Está bem. Mas não posso mais chamá-la de Maureen. Eu sei agora que você é Michelle. Mas vou esforçar-me para tratá-la como antes. E devo dizer que você também não me conhece como acha. Eu também tenho os meus segredos.

 

Ela a fitou firme nos olhos.

 

-Eu sei o seu segredo, Grahan. Eu percebi. Nem foi por causa daquele quadro. Foi o seu olhar.

 

Grahan não desviou a vista. Ficou fitando-a em silêncio, sem receio ou vergonha. Sentia que naquele olhar Michelle entendia e não reprovava seu modo de ser. Era a hora da verdade, sem culpa ou dissimulação.

 

O olhar ela se tornou terno.

 

-Gosto de você, Grahan. Sinto que em você eu posso confiar. Nunca conheci alguém antes em que depositasse o mínimo de confiança. Quando se em dinheiro, as pessoas se aproximam com interesse. Nos bajulam, mas sabemos que por trás de tudo há o interesse. Os homens são lindos, sofisticados e nos chamam de princesa, mas no fundo estão de olho em nosso dinheiro. É muito triste isso.

 

Grahan a encarou emocionada. Estava entendendo Michelle. Era uma pessoa só, perdida, sem ter em quem confiar. Porque seu mundo era dominado pela ambição do poder do dinheiro.

 

-Eu a entendo, Michelle. Para descontrair, depois dessas revelações, vamos dar um passeio por aí? Está um dia lindo e é um crime ficarmos aqui dentro - Propôs, para agradá-la.

 

Michelle sorriu. Pegou-a pela mão.

 

-Vamos.

 

Saíram. O sol estava quente. Grahan mostrou a Michelle o resto do rancho. As macieiras carregadas, o pessegueiro, os pés de morangos silvestres. Um casal de tordos se aninhava no ninho que descobriram na macieira, com seus biquinhos famintos abertos. Cisnes selvagens nadavam no lago próximo da casa, com seus filhotes. Era primavera e a natureza se enchia de vida.

 

Grahan colheu algumas maçãs e morangos, ajudada por Michelle, que fez questão de subir na árvore, dizendo que queria reviver um raro momento de sua infância. Ria, achando deliciosa a renovada experiência.

 

Voltaram para casa. Grahan preparou uma torta de maçã, ajudada por Michelle. Colocou-a no forno e foram para a sala. Grahan abriu uma garrafa de vinho e ficaram conversando e ouvindo música. E Michelle demonstrou a sua cultura privilegiada. Entendia de música, de literatura, de cinema, de teatro... era uma conversa estimulante, que fez a admiração de Grahan crescer por ela.

 

Em um certo momento, Michelle a fitou de um jeito que a emocionou, pelo prazer que via naqueles belos olhos.

 

-Grahan, este está sendo o dia mais feliz de minha vida. E devo isso a você. Nunca mais vou ser a mesma. Eu conheci um modo de vida mais simples e caloroso ao qual não vou mais prescindir, nem que seja em minhas férias anuais.

 

-Fico feliz com isso, Michelle. Mas, diga-me: onde aprendeu a cozinhar? Estoucuriosa, porque imagino que não faz isso em sua casa, sendo rica como é.

 

-Em um colégio na Suiça. Lá, ensinam tudo que acham útil à uma moça. Mas nunca pude antes praticar meus conhecimentos. Só aqui. Em casa, sou servida por cinco empregados. Não movo um dedo. Sinto uma sensação de inutilidade, por não fazer nada.

 

-E os negócios que herdou do seu pai?

 

-Entreguei a um administrador. Minha mãe convenceu-me de que eu não saberia administrar os negócios.

 

-Por que não tenta? O que sua mãe pensa pode não ser verdade. Você pode aprender. Sei que é inteligente e não fará bobagens.

 

Michelle lhe sorriu docemente.

 

-Grahan, você me dá a sensação de que eu posso conseguir isso. Nunca alguém acreditou em mim. Oh, por que não a conheci antes! Bendito sequestro, que me trouxe até você!

 

Grahan a fitou nos olhos. Viu tanta coisa neles, que ficou confusa.

 

-O que vê em mim, Michelle? Parece que está se tornando muito dependente de minhas idéias. Isso não é bom para você. Não sou a dona da verdade. Não sei se posso ajudá-la em seus problemas.

 

-Grahan... eu já a considero uma pessoa importante em minha vida. Não sei a dimensão disso, mas você vai dar-me essa dimensão.Mas sei que eu a quero sempre comigo.

 

-Michelle... isso é impossível. Vivemos em mundos diferentes. Tenho minha própria vida.

 

-Por que é impossível? Você poderia trabalhar comigo. Ser minha assessora. Pagarei o que quiser. Acho que vou assumir os meus negócios. Mas quero você ao meu lado. Você me dá auto-confiança.

 

-Michelle, seja realista. Quando voltar para o seu mundo, vai esquecer que eu existo.

 

Ela debrucou-se para Grahan, olhando-a com um olhar arrebatado, que a surpreendeu e emocionou .

 

-Jamais farei isso! Já disse que você é muito importante para mim! Não acredita?

 

Grahan não se conteve mais. Olhou-a nos olhos e perguntou:

 

-O que sente por mim, Michelle? Admiração? Quer que eu seja uma muleta para suas inseguranças?

 

Michelle a fitou magoada.

 

-É isso que acha que quero de você?

 

-Eu... não sei o que pensar. O que quer que eu seja para você? Quer que eu fique sempre ao seu lado... mas só ficaria de uma forma, Michelle.

 

Ela aproximou-se mais. Fitou-a de muito perto. Seus rostos quase se tocando.

 

-Diga-me qual é a forma, Grahan... - Disse, com voz suave.

 

Grahan estendeu as mãos e espalmou-as no rosto dela. Olhou-a profundamente nos olhos. Ela semicerrou os olhos, suspirando. Grahan percebeu que ela sabia o que ia acontecer e não ia recuar. Parecia ansiosa para a concretização do ato. E então, Grahan avançou e beijou-a na boca, suavemente. Afastou-se. Ela continuava fitando-a, com aquele olhar que era um convite.Então, Michelle ergueu as mãos e alisou seu rosto, seus cabelos, fitando-a emocionada. E as mãos puxaram sua cabeça para o encontro das bocas, em um beijo ardente. A língua aveludada de Michelle tocou a sua, acariciou-a e depois a sugou sensualmente.

 

Grahan sentiu ondas de choque por seu corpo. Abraçou-a apertadamente, sentindo uma emoção violenta, ao sentir o cheiro de Michelle, o sabor de sua boca, a suavidade de sua pele. Sentiu Michelle estremecer em seus braços, sentiu-a apertando-se contra seu corpo, o suspiro que deu, suas respirações se confundindo. Era a suprema delícia, beijá-la. Separaram as bocas, sem fôlego, ofegantes. Michelle agora a olhava com um olhar cheio de desejo.

 

-Grahan... - Disse, com voz rouca pela emoção - nunca senti algo assim com um beijo... estou surpresa, sentindo mil coisas... beije-me outra vez...

 

Grahan beijou-a. Os lábios de Michelle queimavam, apertados contra os seus. Ela tremia em seus braços. Grahan perdeu a cabeça. Queria Michelle desesperadamente, com uma urgência que nunca sentira. Sua mão desceu e apertou suavemente o seio duro. Michelle gemeu contra sua boca, apertando-a mais contra o corpo. Grahan desuniu os lábios e beijou o pescoço macio dela, aspirando o cheiro delicioso, enquanto Michelle arquejava, enterrando os dedos em seus cabelos.

 

 Grahan tentou introduzir a mão entre os corpos, para alisar o seio dela diretamente, mas não conseguiu. Ela percebeu sua dificuldade e afastou-se um pouco, para deixá-la prosseguir.E então Grahan conseguiu alcançar o seio quente, que estava sem sutian. Apertou-o suavemente, passou a palma da mão pelo biquinho, que já estava duro de excitação. Pegou-o entre as pontas dos dedos, bolinando com habilidade.Michelle deu um gemido curto e apertou sua cabeça contra o peito . Ela tornou a beijá-la na boca, com um ímpeto que demonstrava o quanto estava ansiosa para entregar-se.

 

Grahan afastou-se e pegou na barra da blusa, levantando-a. Michelle ergueu os braços para ela acabar de tirar a peça e logo Grahan pôde contemplar os seios maravilhosos, de bicos rosados. O olhar de Michelle estava mortiço, fitando-a com inequívoca paixão. Ofegava, com os lábios entreabertos, o rosto corado. Ela estendeu as mãos e começou a desabotoar sua blusa, olhando-a nos olhos.E uma foi despindo a outra, como um ritual.

 

Grahan prendeu a respiração ao ver Michelle nua, em sua total beleza, pronta para o amor.Era linda, fascinante. E o olhar dela percorrendo seu corpo, com uma expressão de paixão, a deixou mais excitada ainda. Grahan deu um passo para ela. Michelle deu outro passo. As mãos de Grahan subiram para os seios, alizando-os, apertando suavemente. Michelle fechou os olhos, suspirando de prazer. Gemeu baixinho quando sentiu a boca de Grahan em seus seios, passando a língua, mordiscando, sugando-os com carinho. Ela abraçou-a, beijando seus cabelos.

 

Grahan puxou-a para o sofá, beijando-a ardentemente. Michelle deitou, fitando-a nos olhos, e estremeceu quando Grahan uniu seu corpo ao dela, movendo-se sinuosamente. Michelle abraçou-a, empolgada.

 

-Grahan!...você está deixando-me louca...

 

-Michelle... você me fascina... eu a quero toda...

 

-Meu amor... estou apaixonada por você...

 

Intercalavam as frases entre beijos. Michelle mexia-se sob seu corpo, sentindo o contato do sexo de Grahan contra o seu. As suas mãos acariciavam as costas de Grahan, os ombros, os seios, ansiosas. Grahan desceu sua boca pelo corpo todo dela, dando beijos e chupões suaves, até alcançar o sexo. Então, separou as coxas com as mãos, abraçando-as, e tomou o sexo dela em sua boca quente.

 

Michelle deu um gemido longo, tal a sensação que sentiu. Começou a mover-se sensualmente, gemendo de prazer.A boca de Grahan fazia coisas deliciosas, estava enlouquecendo-a. E liberou então toda sua sensualidade, dizendo frases ardentes, instingando, enlouquecendo Grahan com a sua lubricidade.Era o despertar total de sua sexualidade, até então contida pela falta de um verdadeiro amor.

 

E logo um orgasmo intenso sacudiu seu corpo, fazendo-a gritar, extravazando seu prazer:

 

-Grahan! Meu amor! Sou sua, sua, sua!

 

Grahan subiu pelo corpo palpitante, olhando-a cheia de desejo. Beijou-a na boca, esfregando-se contra ela sensualmente, sentindo os braços e pernas de Michelle enlaçando seu corpo.E o orgasmo veio rápido, sacudindo-a em uma onda de prazer intenso, com Michelle apertando-a contra si.

 

Deitou ao lado dela, ofegando. Michelle debruçou-se para ela, beijando-a na boca, com um resto de desejo. Afastou-se e a fitou apaixonadamente.

 

-Nunca  me deixe, amor. Eu a amo! Pela primeira vez, amo alguém. É uma sensação maravilhosa ter você para amar, Grahan - Disse ela, com voz cheia de emoção.

 

Grahan sorriu para ela, fitando-a ternamente.

 

-Nunca a deixarei, meu amor. Também a amo. Foi amor à primeira vista. Você fascinou-me. Adoro tudo em você...seu olhar, seu sorriso, sua voz, seu corpo, seu riso... e como faz amor. Você conquistou-me completamente, só em vê-la.

 

-E você conquistou-me com seu olhar, esses olhos magnéticos, o seu sorriso, a sua atenção... você é muito atraente, Grahan. Eu a olhava querendo descobrir o que mais me atraía tanto.E cada vez, descobria mais coisas. E ficava confusa pelo que sentia. Quando vi aquele quadro, tudo se esclareceu em minha mente. Eu queria você daquela forma como as mulheres estavam. E fiquei louca para ter você. Mas como demorou para revelar-se!

 

Grahan riu, fitando-a surpresa.

 

-Demorei?! Mas, nos conhecemos ontem! Acho que as coisas estão acontecendo depressa demais!

 

Ela a fitou nos olhos, na boca.

 

-Não. Perdemos a noite de ontem. Mas confesso que gostei de ver você conter-se. Foi tão sexy sentir você tão próxima... eu a provoquei, não? Quando me viu trocar a roupa na sua frente, notei como ficou.. E depois, juntas na cama. Você estava morrendo de vontade de ter-me, não?

 

Grahan a fitou surpresa, rindo.

 

-Oh, sua safada! Então, fez tudo aquilo de propósito! Se eu soubesse que estava provocando-me deliberadamente, você ia ver!

 

Ela sorriu, a boca perto da sua.

 

-Ver o quê? Mostre-me...

 

Grahan, em um movimento rápido, deitou sobre ela, beijando-a sofregamente. Ela a abraçou, correspondendo com paixão. E recomeçaram. Michelle foi possuída agora com mais ímpeto, Grahan a colocando em várias posições excitantes, fazendo-a gritar de prazer. E revelou-se uma mulher fogosa, disposta a tudo para satisfazer-se. Aquele corpo belíssimo se mexendo, aquele rosto lindo com a expressão do prazer, era algo que levava Grahan ao auge da luxúria.

 

Depois foram para o quarto e prosseguiram, insaciáveis. Estavam completamente apaixonadas uma pela outra e não se cansavam de amar. Michelle a fitava com aqueles olhos azul-mediterrâneo e Grahan não resistia, beijava-a apaixonadamente. Somente de madrugada caíram em um sono profundo. A manhã já estava avançada quando Grahan acordou e olhou para Michelle dormindo ao seu lado. Ela dormia com uma expressão de contentamento, os cabelos refulgentes formando um halo em sua cabeça, os seios aparecendo, com a coberta descida até a cintura.

 

Grahan sentou-se na cama e a fitou, sentindo uma onda de emoção e felicidade. Michelle a amava! Havia sido sua! E ela a amava também, estava perdida de amor por aquela mulher maravilhosa. Deus, poderia ter acontecido algo melhor em sua vida? Ela era o tipo da mulher que sempre desejara ter. Não pela fortuna dela, amava-a sem interesse, se descobrira apaixonada sem saber quem ela era na realidade. Amava-a pelo que ela era como pessoa: linda, inteligente, culta, fina, deliciosa, meiga, sensualíssima, uma mulher especial. Estava nas nuvens, mal acreditando que a tinha para si.

 

Michelle estendeu a mão para onde estivera. Não a encontrou e abriu os olhos e  vendo-a sentada contemplando-a,   sorriu.

 

-Já vai levantar, amor?

 

Grahan acariciou o rosto dela com as pontas dos dedos.

 

-Sim. Estou precisando de um banho.

 

-Posso tomá-lo com você?

 

Grahan sorriu, pegando-a pela mão.

 

-Claro, meu anjo. Venha...

 

Michelle ergueu-se e a acompanhou. Tomaram um banho entre beijos e abraços. Grahan sentiu a excitação dela e a possuiu na banheira, sentindo que Michelle a prendia mais ainda com a sua sensualidade. Ela excitava-se com um simples beijo e demonstrava isso sem pudor. Seu olhar e seus gestos diziam tudo. O grito de prazer de Michelle ecoou pelo banheiro, sendo penetrada pelos dedos práticos de Grahan, enquanto se movia freneticamente sobre as coxas dela, montada. Debruçou-se para a frente, apoiando-se no ombro de Grahan, ofegando.

 

-Grahan... - Disse, com voz suave - Você é tão gostosa... adoro seu corpo forte, faz-me sentir tão pequena...

 

Grahan beijou os cabelos dela, abraçando-a. As pernas de Michelle agora envolviam sua cintura. Ela ergueu a cabeça e a fitou nos olhos.

 

-Sabe que não me canso de fazer amor com você?

 

Grahan sorriu, beijando-a na ponta do nariz.

 

-Eu também não, querida... mas agora precisamos nos alimentar para ter mais energia...

 

Michelle riu e afastou-se, saindo de cima dela.

 

-Tem razão. Vamos acabar nosso banho e ir comer.

 

Depois do café da manhã, conversaram sobre o que deveriam fazer. Grahan convenceu Michelle a se apresentar à polícia o quanto antes. Depois de muita hesitação, ela concordou, com a condição de que Grahan não a deixasse um momento siquer. Iriam à polícia e depois seguiriam para New York e não se separariam mais, nem por um dia.

 

-Tenho um apartamento na Quinta Avenida - Disse Michelle - Você poderá ficar lá comigo. Não quero voltar para casa.

 

-Por que, Michelle?

 

Ela desviou o olhar, parecendo tensa.

 

-Tenho uma suspeita sobre quem ordenou meu sequestro. E não vou para a boca do lobo.

 

Grahan a fitou surpresa.

 

-Você suspeita de alguém? E essa pessoa vive em sua casa?

 

Ela a fitou com ar preocupado.

 

-Acho que sim, Grahan. Suspeito do meu padastro. Ele gasta muito dinheiro. A parte da herança que coube à minha mãe está se esgotando.

 

-E o seu irmão?

 

-Meu irmão? Não sei... bem, ele também gasta muito. Mas ele é meu irmão, meu sangue. Meu padastro, não.

 

-E sua mãe? Está fora de suspeita?

 

Michelle a fitou escandalizada.

 

-Grahan! É minha mãe! Pode ter inúmeros defeitos, mas é minha mãe! Não posso conceber isso!

 

-Tudo bem, Michelle, desculpe-me. Vai externar sua suspeita para a polícia?

 

-Não. Seria uma acusação grave, sem provas. Mas vou contratar um detetive particular para investigar tudo.

 

-Michelle, por favor, tenha cuidado - Disse Grahan, abraçando-a - Temo por você. Não sabemos quem a raptou, mas sabemos que alguém quer prejudicá-la, de olho em seu dinheiro. E essa pessoa não mede consequências para isso.

 

Ela a fitou amorosamente.

 

-Terei cuidado, amor. E você quer correr esse risco comigo? Porque estando comigo, também correrá perigo.

 

Grahan a fitou com amor nos olhos.

 

-Valerá à pena, porque eu a amo.

 

Michelle sorriu docemente.

 

-É tão bom ouvir isso, querida... Porque preciso de você. Só você conseguirá dar-me forças para enfrentar tudo. E será a única pessoa em quem confiarei.

 

-Estarei sempre ao seu lado, querida. Agora, vou arrumar minha mala. Iremos para a polícia e depois seguiremos direto para New York.Porque se a imprensa descobrir que está nessa cidade, aqui logo se transformará em um circo, com você como atração principal.

 

Grahan fez a mala, pegando suas melhores roupas. Fechou a casa toda e telefonou chamando um táxi, preferindo deixar o seu carro no rancho. Em New York não seria prático utilizar aquele carro grande, com dificuldade para estacionar nas ruas. Deram uma última olhada para a casa e entraram no táxi, rumando para a sede da polícia local.

 

 

 

Continua na parte 3

 

 Feedback: [email protected]

 

 

 

Leth     Home    Uber

 

 

 

 

 

Hosted by www.Geocities.ws

1