GUERREIRAS   ESPACIAIS

 

 

Parte 5

 

 

        Uma música suave encheu o espaço do salão, vinda dos cantos das paredes. Sentada no confortável sofá, Marla quase caiu adormecida, esperando a Pantera Negra, quando duas mulheres entraram por uma porta lateral, vestidas com roupas transparentes, deixando-a entrever os corpos bem feitos. Eram ambas louras e bonitas. Elas se aproximaram de Marla, que as olhava surpresa e curiosa. Elas se inclinaram diante de Marla, num cumprimento.

        -Estamos aqui para serví-la, querida hóspede - Elas falaram, ao mesmo tempo - Em tudo que desejar.

        Marla sorriu, admirada.

        -Oh, sim? Obrigada. Então, podem providenciar uma bebida para mim? Estou com sede.

        Elas sorriram.

        -Naturalmente, querida hóspede. O que deseja beber? - Perguntou uma delas.

        -Um suco de frutas, se tiver.

        Uma das louras saiu, indo atender seu pedido. A outra sentou aos pés de Marla, pousando as mãos em suas coxas. Olhou-a sorridente.

        -Se quer prazer, estou aqui para isso, querida hóspede.

        Marla sorriu, divertida com a proposta.

        -É mesmo? Que interessante... faz isso também para a Pantera Negra?

        Ela a fitou inexpressivamente.

        -Agradamos aos hóspedes dessa casa.

        -E a Pantera Negra? Não agradam?

        -Ela nunca pediu isso. Quer ter prazer? Posso dar todo o prazer que quiser.

        Marla sorriu com ironia. Ela, como a outra loura, era uma cyborg. Conhecia bem aquele olhar sem emoção, já havia lidado com vários tipos de cyborgs em suas viagens. Elas eram de uma série quase perfeita, tinham pele humana, conseguiam enganar muitas pessoas menos observadoras. Suas expressões eram naturais como os humanos, assim como seus movimentos. Mas faltava o sentimento humano naqueles olhos.

        -A Pantera Negra as mandou servir-me desse modo?

        -Ela ordenou que fizéssemos tudo que você desejasse, querida hóspede.

        A outra loura voltou com uma jarra de suco e uma taça de fino cristal. Serviu Marla, que tomou o suco de maçã com prazer.

        -Suco de fruta natural! Até havia esquecido o sabor! - Disse, acabando a taça.

        A loura aos seus pés alisou suas coxas. Marla a fitou com vontade de rir. A Pantera Negra estava tentando lhe pregar uma peça. Mas não ia funcionar.

        -Então, você quer dar-me prazer? - Perguntou à loura.

        -Sim. - Respondeu a cyborg.

        -Então, fique pulando, para eu ver.

        A cyborg ergueu-se e começou a pular. Marla deu uma risada. A outra a fitava, aguardando ordens. 

        -E você... vejamos... fique marchando em volta do salão. - Ordenou Marla, mal contendo seu riso.

        A cyborg começou a marchar em círculos. Marla deu uma gargalhada, vendo as mulheres cumprindo suas ordens sem um piscar de olhos.

        Nesse momento, a Pantera Negra entrou no salão e parou surpresa, ao ver as mulheres naquelas atividades. Viu Marla rindo e entendeu.

        -Parem o que estão fazendo e saiam! - Ordenou com voz clara e imperiosa.

        As cyborgs saíram rapidamente, obedecendo. A Pantera aproximou-se de Marla, que ainda ria. Fitou-a com um meio sorriso.

        -Tem muito senso de humor, capitã.

        Marla a fitou, parando de rir. A Pantera Negra estava agora com uma roupa de malha azul marinho, colante ao corpo esbelto e bem feito. Havia substituido o capacete por uma máscara negra de fino couro, que cobria sua cabeça até a metade do rosto, como a outra. Ela estava atraente e Marla sentiu o delicioso perfume que ela exalava, quando ela sentou ao seu lado. Voltou-se, fitando-a sorrindo.

        -Suas cyborgs são muito divertidas.

        A Pantera sorriu.

        -Você é muito esperta. É a primeira pessoa que conheço que não as confundiu com um ser humano.

        -Não sou muito esperta, sou observadora. Por que as enviou para mim com a ordem de fazer tudo que eu desejasse? Queria ver se sou observadora, ou queria ver-me  ser enganada?

        -Nem uma coisa, nem outra. Queria ver se você aceitaria a oferta sexual delas.

        Marla a olhou franzindo o cenho.

        -Por que queria testar-me? Com que finalidade?

        -Queria ver se é facilmente levada a fazer sexo. Se é promíscua.

        Marla a encarou séria.

        -Não sou promíscua. Em Worldsea é normal uma mulher solteira frequentar o Centro Sexual em busca de prazer. Já fui lá algumas vezes, mas só escolho uma mulher se sentir atração por ela e depois de gostar de seus modos. E isso é muito raro. Muitas vezes saí de lá sem escolher alguém, porque nenhuma agradou-me. Mas, por que interessa à você saber se sou ou não promíscua?

        Ela ignorou sua pergunta e perguntou:

        -Faz muito tempo que não vai lá?

        -Não. Fui lá na noite anterior à viagem para Marte.

        -E ficou com alguém?

        -Sim.

        -Então, essa mulher a atraiu muito.

        Marla resolveu ser sincera.

        -Sim. Eu... apaixonei-me por ela. Mas depois  ela decepcionou-me.

-Decepcionou-a, como?

Marla desviou o olhar daqueles olhos atentos.

-Ela apenas usou-me. Não foi sincera. Desculpe-me, mas não quero continuar falando sobre isso.

-Entendo. Bem, então, está querendo esquecê-la. Lamento, Marla. Você é uma bela mulher. Estou surpresa que alguém não retribuiu seu sentimento. Você é um prêmio para quem a conquistar.

Marla a encarou maliciosamente. Aquela mulher a atraía muito. Estava surpresa com sua reação à proximidade dela. Não era comum ela ser volúvel. Mas ela a atraía tanto quanto Jana a atraíra.

-Você também é uma bela mulher, Pantera. O que dá para perceber, mostra isso.

Ela sorriu .

-Marla... sente -se atraída por mim?

Marla a fitou pensativamente.

-Daria uma resposta segura se pudesse ver seu rosto todo.

A Pantera desviou o olhar.

-Isso é impossível. Pelo menos, por algum tempo. Somente depois que eu puder confiar em você inteiramente.

-Entendo, mal me conhece.

A Pantera tornou a buscar seu olhar. Fitou-a séria, com um olhar onde se via uma certa tristeza.

-Marla, assim que a vi, senti-me atraída instantâneamente. E a cada momento, sinto-me mais atraída. Mesmo sabendo que você está apaixonada por outra.

Marla sentiu uma profunda emoção à essa confissão. Impulsivamente, a abraçou. A Pantera estremeceu e não se afastou. Ao contrário, encostou-se em seu corpo tremendo. Marla a fitou bem de perto, dizendo com voz rouca de emoção:

-Pantera... sinto-me muito atraída por você. E isso deixa-me surpresa, porque não pensei que tão cedo eu fosse me interessar por outra mulher, depois da decepção que tive.

Ela a abraçou também, erguendo o rosto, com sua boca entreaberta.

-Beije-me, Marla... estou desejando isso desde que a vi.

Marla não hesitou. Esmagou os lábios nos dela, sentindo a maciez, o calor daquela boca deliciosa, sentindo-a abandonar-se no beijo, depois começar a sugar sua boca com avidez, a língua procurar a sua e acariciar, as mãos suaves apertando seu rosto, o corpo espremendo-se contra o seu.

Marla pousou a mão em um seio palpitante, apertando-o levemente, cheia de desejo. Ela gemeu contra sua boca, estremecendo de prazer, mas afastou-se ofegando. Os olhos dela estavam acesos de desejo.

-Não, não posso...

-Por que não? -Perguntou Marla beijando-a excitada no queixo, na boca, querendo que ela cedesse. Marla estava excitadíssima, seu centro entre as pernas chegava a doer de desejo.

Ela a afastou firmemente pelos ombros, fitando-a nos olhos. Ela parecia amedrontada.

-Não! Ainda, não!

Marla parou e a fitou.

-Por que? Por que não quer revelar seu rosto para mim? - Perguntou, ofegante.

Ela assentiu, perturbada. Seu olhar agora era angustiado.

-Não fique aborrecida, Marla... eu desejo isso tanto quanto você.Mas ainda não é chegada a hora... por favor, saiba esperar.

Marla respirou profundamente, tentando acalmar-se, e a soltou.

-Tudo bem. Não quero forçá-la a nada.

Ela passou a mão em seu rosto, fitando-a aliviada.

-Obrigada por entender, Marla. Você é tão atraente, que quase perdi a cabeça. Não a trouxe aqui para seduzí-la, se pensa isso. Apenas não resisti ao desejo de beijá-la.

Marla tentou abraçá-la novamente e beijá-la, mas ela a afastou e colocou um dedo em seus lábios, sorrindo maliciosamente.

-Não, querida capitã...se recomeçarmos, não vou resistir mais. Estou em meu limite de negar.

Marla sorriu, fitando-a calorosamente.

-É incrível como você me faz sentir, Pantera. Estou surpresa comigo mesma.

Ela a encarou séria.

-Nunca sentiu isso? Nem pela mulher que conheceu no Centro Sexual?

Marla a fitou com o cenho franzido.

-Não quero falar sobre isso.

Ela a segurou pelos ombros, fitando-a nos olhos.

-Mas eu quero uma resposta, Marla. Fale. Não pense que vou ficar com raiva. Quero apenas a verdade.

-Pois bem: eu senti isso que sinto por você com ela também. Os beijos dela me emocionaram como os seus. Você me transmite a mesma sensação. Não se ofenda, quis ser franca.Estou muito confusa, Pantera. Eu a desejo ardentemente... e não consigo esquecer aquela mulher, mesmo sabendo que ela não merece o meu amor. E isso é terrível para mim, sentir-me dividida. É a primeira vez que me sinto assim, sempre soube o que desejava sem nenhuma dúvida.

A Pantera Negra a fitou com ar grave.

-É isso que desejo, Marla. A sinceridade. Mesmo que doa. Vivo em meio de perigos e traições e para confiar em alguém,tenho que saber que essa pessoa é sincera. Quando puder abrir seu coração totalmente para mim,não haverá mais segredos entre nós.

Marla a fitou sentindo cada palavra. Ela tinha razão, como podia querer que ela fosse sua, revelando-se, se ela própria não podia ser totalmente sincera, contando o plano do governo de Worldsea? Ambas tinham um compromisso com os destinos de seu país e cidade, que devia ser mais importante que os seus sentimentos pessoais.

Tomou a mão dela e a beijou, fitando-a nos olhos.

-Fala como uma verdadeira mulher, Pantera. Tem razão, os sentimentos podem esperar.

Ela sorriu suavemente, desprendendo a mão.

-Vamos jantar, capitã. Deve estar com fome .

Marla a seguiu. Em um salão anexo havia uma mesa posta. Marla notou que havia somente frutas, pães, queijo e duas jarras de suco. Sentaram-se em almofadas que se moldavam ao corpo suavemente.

-Não como carne, a única fonte de proteína que consumo são ovos na massa dos pães e leite. Isso a satisfará? - Perguntou a Pantera, servindo-se de um copo de suco.

-Para mim, está ótimo - Disse Marla, pegando um cacho de uva, colhida das estufas artificiais de Marte -  Em Worldsea, a população é predominantemente vegetariana. Poucos ainda se alimentam de carne, que é a causa de muitas doenças.

-Aqui em Castor, toda a população é quase vegetariana. Quando a colônia iniciou, há um século, ainda se comia carne, trazida de seu país. Mas o povo adaptou-se, não há espaço na cidade para se criar muito animal. Só criamos poucas cabras para produzir leite. É a fonte mais comum de proteína.

A Pantera pegou um morango e o mordeu delicadamente. Olhou para Marla e perguntou bruscamente:

-Marla, você lutaria ao lado de meu povo contra seu país?

Marla a fitou angustiada.

-É uma decisão difícil. Eu seria uma traidora de meu país. Entenda, pessoalmente acho sua causa justa, e ajudaria se eu fosse marciana, como você. Mas eu nasci em Worldsea. Devo lealdade ao meu país.

-Capitã, entendo seu dilema. Mas já deve saber que se voltar para seu país, será julgada sumariamente e condenada. Por que não se junta a nós? Eu a nomearei coronel,  depois de nossa vitória.

-O que pensa conseguir lutando contra o governo de Worldsea?

-A paz e nossa liberdade - Ela disse, sem hesitação - Não pretendo tomar nada de seu país. QQuero apenas que o governo de Worldsea respeite a nossa independência. Que não continuemos como sua colônia, que ele dilapida sem nada em troca. O seu país extrai de nossa cidade ferro, gelo e outros metais preciosos, como platina e ouro. Em troca, apenas nos vende armas absoletas e cereais. Pretendo que seu país pague pela extração de nossas riquezas  usando um comércio justo. É claro que a extração de gelo da calota polar está fora de ser negociada.

-E como pretende vencer essa luta?

-Worldsea tem a cidade de Pólux como aliada. Eles continuam dando acesso às extrações e servem como base para os ataques de Worldsea. Se derrubarmos o governo de Pólux e o substituir por um governo que pense como nós, Worldsea não poderá continuar nos atacando e dilapidando nossas riquezas. Será forçada a negociar.

-É um bom plano - Marla disse, pensativamente - Pantera, prometo pensar sobre sua proposta. Dê-me um tempo.Agora sei que não pretende entrar em guerra contra o meu país, e sim contra Pólux.

-Muito bem, darei a você dois dias para pensar. Não podemos esperar muito. Worldsea já sabe do desvio da Titã e vai reagir.

Marla sentiu-se culpada por não revelar o plano de seu governo. Mas não podia fazer isso. Antes de aliar-se à Pantera Negra, tinha de tentar convencer o general Thor a desistir do plano. E isso seria quase impossível.

-Capitã, qual a quantidade de armas que o coronel Blue tem a bordo?

-Ele não falou a você?

-Digamos que desejo uma confirmação.

-Pelos dados do computador de bordo, cinco mil armas.

-Qual o poder dessas armas?

-São armas modernas, Pantera. X4000. Produzem o raio da morte. Elas foram projetadas para apenas eliminar seres vivos, não produzem explosões, danificando construções. Elas matam instantâneamente, atingindo qualquer parte do corpo. A pessoa atingida morre eletrocutada.

A Pantera empalideceu.

-Uma arma típica de conquistador. Não destrói as cidades que toma. E não deixa feridos, somente mortos - ela comentou, com aversão - Que arma diabólica!

Marla encolheu os ombros.

-Pelo menos, não destroi a população civil, como outras guerras que aconteceram, com explosões atômicas. É uma arma para ser usada numa batalha. É uma arma silenciosa, então para uma invasão, é perfeita. O inimigo demora a perceber que foi atacado.

-Essa arma já foi usada antes?

-Sim. Em uma revolta de presos, na Cidade Cinza, em Worldsea.Mas também trouxemos mil armas de raio paralizante. Ela apenas paraliza a pessoa por duas horas, sem afetar sua saúde.

-Oh, essa eu conheço. Tenho uma. Se pudesse, a usaria nas batalhas, para preservar as vidas.Mas sei que a sua carga é limitada a cinco emissões de raio. Lamento isso. A maioria dos soldados do governo de Pólux saõ apenas patriotas, que cumprem ordens.Se pudesse poupá-los, seria o ideal. Você sabe manejar essa arma do raio da morte?    

-Claro, todos oficiais de naves devem saber. Vejo que é muito humana, Pantera Negra, pensando nas vidas dos soldados inimigos. Mas o raio paralizante seria impraticável, na batalha. Em duas horas, eles estariam prontos para lutar novamente.

Ela suspirou, olhando-a tristonha.

-Sei disso... bem, o jeito é usar o raio da morte. Você poderia ensinar-me a manejá-la? Depois eu  ensinarei aos meus soldados.

-Sim, amanhã poderemos fazer isso.

A Pantera ergueu-se. Havia apenas comido um pedaço de pão, alguns morangos e um copo de suco, enquanto conversava.

-Devo ir agora. Meus oficiais aguardam-me na sala de conferências.Amanhã receberá a visita da bióloga Jana e do coronel. Naquela porta há uma câmara de dormir e de banho. Pode usá-las - Ela disse, indicando as portas - Descanse bem, capitã.

E ela se foi, com seu andar sensual.

 

*********************************

 

Marla acordou com o suave zumbido do despertador. Abriu os olhos e sentou-se na cama, espreguiçando-se. Dormira muito bem e estava descansada. A câmara de dormir era muito confortável, havia dormido ao som de ondas do mar e com luz azul. Saiu da câmara e nua como estava, foi para a câmara de banho e relaxou em uma piscina oval que caberia duas pessoas folgadas. Enxugou-se no esterilizador e vestiu um roupão branco que encontrou na câmara e saiu.

Uma cyborgh entrou no salão, trazendo uma roupa dobrada, que lhe estendeu informando:

-Minha ama mandou essa roupa para você vestir, querida hóspede. E a hóspede Jana aguarda ser recebida.

Marla a fitou surpresa.

-Jana quer falar comigo? Onde ela está?

-Aguardando na entrada do salão de descanso.

Marla tentou acalmar sua ansiedade. Seus sentimentos estavam tão confusos. Não sabia se sentia raiva por Jana ou amor. E a Pantera Negra havia tornado seus sentimentos mais confusos ainda. Mas tinha que abafar esses sentimentos e ser objetiva. Jana era uma subordinada sua. Tinha que recebê-la, para ter conhecimento do que havia acontecido desde que ela havia sido levada da nave.

-Faça-a entrar - ordenou, tentando manter uma postura profissional.

A cyborgh colocou a roupa sobre um aparador e foi abrir a porta. E Jana entrou, fitando-a com um olhar impenetrável. Marla observou que ela estava vestindo uma bata azul que ia até seus pés e parecia bem.

Ela aproximou-se e a fitou com seus belos olhos verdes.

-Está sendo bem tratada, capitã?

Marla notou uma sutil ironia na pergunta.

-Não posso queixar-me - disse, séria - e vejo que você também está sendo muito bem tratada. E o coronel Blue, onde está?

-Ele está conversando com a Pantera Negra. Ela nos contou que você estava preocupada comigo e o coronel, e fui mandada para tranquilizá-la sobre nós. O que achou da Pantera Negra?

Marla a fitou com frieza.

-Como mulher e líder, é uma pessoa maravilhosa, em todos os aspectos: inteligente, humana, idealista, sincera e muito bela. Ao contrário de certas pessoas, que só possuem beleza exterior. Por dentro são dissimuladas e mentirosas.

Jana enrubesceu violentamente, sentindo que aquelas palavras eram para ela. Encarou Marla com um olhar tristonho.

-E o seu defeito é julgar as pessoas muito precipitadamente, sem conhecê-las direito.

Marla a fitou com um olhar magoado.

-Jana, acho que já a conheço bem demais.

-O que quer dizer?

O olhar mudou para raiva.

-Ainda pergunta! É muito cínica, Jana! Quer que eu refresque sua memória? Pois bem: mentiu-me fazendo-me crer que era uma hetaira, e não a mulher do general Thor. Fazia já parte da tripulação da nave Titã e escondeu-me isso. Enganou-me, dizendo que me amava, tentando arrancar informações sobre minha missão. Por que fez tudo isso? Vamos, coloque as cartas na mesa!  É claro que você sabe da nossa missão, você é casada com o general Thor, sabe a verdadeira identidade dele. E Noelle deve saber também, afinal, ela compareceu ao seu casamento! Qual é o verdadeiro jogo, que não sei?

Jana a encarou com os olhos cheios de mágoa.

-Você pensa o pior de mim porque não confia em mim, não acredita em meu amor por você. Eu disse que era uma hetaira? Não, você quem supôs!

-E você não desmentiu.

-Achei melhor não revelar minha situação real. Você se assustaria de estar indo para a cama com a mulher do seu superior na missão. E eu também estou sob juramento militar, não podia revelar nada. Eu apaixonei-me por você realmente, eu não menti quando disse que estava apaixonada por você.

-Belas desculpas, tenente. Mas não me convencem. Eu sinto que essa missão não é apenas o que me foi revelado. O coronel não quis reagir quando a nave foi abordada . E por que os soldados da Pantera Negra escolheram você como refém, e não eu, a capitã da nave? Seria o normal, não acha? Por que você é importante para eles? Por ser mulher do "coronel"?  Não acredito nessa hipótese.

Jana fechou os olhos por um momento e depois os abriu, fitando-a entristecida.

-Marla, eu não posso responder à todas suas perguntas. Eu sinto muito, o que posso dizer é que confie em mim. Confie em meu amor por você. Logo você saberá as respostas para suas perguntas. Eu prometo isso.

Marla a encarou com dúvidas.

-Está pedindo-me muito, Jana.

Inadvertidamente, ela a abraçou, passando os braços pelo seu pescoço e espremendo o corpo contra o seu. Marla, contra sua vontade, sentiu suas defesas caírem por terra, ao fitar aqueles olhos cheios de paixão.

-Você não me quer mais, Marla? Esqueceu aqueles momentos de amor? Esqueceu como nos entregamos uma à outra, sem reservas, como vibramos naqueles momentos maravilhosos? Eu não amo o general, eu amo você!

Marla mergulhou seus olhos naquele olhar cheio de fogo e capitulou. Ela amava aquela mulher, tinha certeza agora, acima da mágoa e suspeitas. Não tinha forças para resistir à aquele olhar, que a embriagava de desejo e amor.

Colocou as mãos na face dela, olhando-a com paixão.

-Jana! - Disse, com a voz rouca de desejo - Não adianta  eu tentar tirá-la da minha mente, porque eu a amo... não posso fugir dessa verdade...

Os olhos de Jana a fitaram com tanto amor, que suas dúvidas foram eliminadas.

-Marla... eu quero ser sua... agora.

A voz vibrava de paixão.

Marla a beijou, sedenta, ávida. E a boca de Jana fundiu-se à sua em um beijo enlouquecedor. As línguas se buscando, se acariciando, se sugando, os lábios macios se roçando, as mãos acariciando os corpos que se espremiam e estremeciam numa paixão que dominava todos os sentidos.

Marla separou a boca e olhou em volta, ansiosa. Fazer amor ali no salão era perigoso, a Pantera podia entrar a qualquer momento. A câmara de dormir tinha paredes de um material transparente. O único lugar mais reservado era a câmara de banho. Puxou Jana pela mão, dirigindo-se para lá em passos largos. Entraram, Marla fechou a porta deslizante e tomou Jana entre os braços, beijando-a ardentemente.

As mãos de Jana a despiram do roupão, beijando-a no queixo, no pescoço, mordiscando seu lóbulo da orelha. Marla também a despiu, desafivelando o cinto da bata e a abrindo. Ela estava nua por baixo da bata e Marla contemplou os seios eretos, o estômago musculoso, os quadris redondos e as coxas fortes e bem torneadas, com o triângulo dourado entre elas.

Jana encostou-a na parede da câmara e ajoelhou-se, tomando as coxas longas de Marla nas mãos, separando-as ansiosamente. Com louca ansiedade, tomou o sexo de Marla na boca, sugando-o ávida.

Marla gemeu, apoiando-se na parede, suas mãos na cabeça de Jana. Fechou os olhos, sentindo a língua de Jana elevar su desejo à uma altura que a enlouquecia de prazer. E quando o polegar de Jana trabalhou em seu ponto mais sensível, ela foi arremessada em um êxtase intenso, gritando o nome dela.

Marla resvalou para baixo, com suas pernas trôpegas. Jana a abraçou e sorriu.

-Vamos para a água, amor... - ela sussurrou.

Marla deslisou para a piscina oval de águas cristalinas, embutida no piso, junto com Jana. Grudaram-se em um forte abraço, suas pernas entrelaçadas, os sexos se tocando. Jana abriu as pernas e circundou a cintura de Marla, arqueando-se para trás, fechando os olhos. Marla a encostou na borda da piscina e curvou-se, tomando os lábios dela em um beijo, movendo-se sensualmente. Sua boca baixou para o pescoço, os seios de biquinhos duros, passando a língua cariciosamente, mordiscando, até sugar ávida.

Jana gemeu alto, apertando-a nos braços. Marla afastouse e a pegou pela cintura, alçando-a na borda da  piscina, com as pernas pendidas dentro da água. Era uma visão belíssima, que a encantou. Em pé diante dela, dentro da piscina, olhou o corpo perfeito com gotículas de água, com os cabelos dourados espalhados pelo chão, o rosto com uma expressão de desejo, os seios deliciosos, o ventre chato, as coxas fortes, o sexo dourado.

Marla estendeu as mãos e alisou os seios com seus dedos, desceu pelo corpo que se arrepiava com seu toque e parou nas coxas. Pegou-a pelas pernas e  as colocou em seus ombros, inclinando o rosto. Respirou o cheiro dela, aquele cheiro suave, então pousou a boca no sexo, passando a língua cariciosamente.

-Marla! - Gritou Jana, movendo os quadris ao seu encontro - Amo-a, querida! Toma-me toda, sou toda sua!

Marla pressionou a boca, invadindo-a com dois dedos, sentindo-se enlouquecer ao sentir a umidade interna dela, a quentura, a maciez. Moveu os dedos ritmicamente, aspirando o prazer de Jana, que se movia contra seus dedos, gemendo.

O ritmo dos quadris se apressou, as pernas de Jana tremeram e ela atingiu o orgasmo gemendo alto.

Marla a olhou encantada, imóvel. Ela abriu os olhos e a fitou, erguendo a cabeça. Seu olhar era pura paixão.

-Mais, Marla... não pare... preciso sentir mais de você...

Marla recomeçou tudo, com nova paixão. Em pouco tempo, viu-a ter novo êxtase, estremecendo de prazer. Marla estava novamente em fogo. Saiu da piscina e deitou sobre ela, apoiando-se nas mãos. Jana a puxou para baixo, beijando-a ardentemente. Suas pernas a envolveram, mexendo os quadris frenética. Com seus sexos encaixados, Marla movia-se em compasso com os quadris de Jana, até ser arremessada em um êxtase intenso, que a submergiu como uma onda, trincando os dentes para não gritar.

Jana a beijou na boca, puxando sua cabeça com mãos cariciosas. Marla deitou ao lado dela, esperando sua respiração normalizar.

Jana voltou-se para ela, apoiando-se em seu cotovelo. Seu olhar era apaixonado.

-Amo-a tanto, Marla! Nunca duvide disso. Em toda minha vida, nunca amei assim.

Marla ergueu o braço e alisou o rosto dela, fitando-a amorosamente.

-Quero tanto acreditar nisso, Jana... eu a amo também.

Então, lembrou que também havia desejado a Pantera Negra. Isso a arrasou. Como podia estar falando que amava Jana, se havia desejado outra mulher? Oh, deuses do universo, sentia-se como uma traidora!

Naõ queria enganar Jana. Seu caráter abominava a traição. Tinha que contar à ela a verdade.

-Jana... tenho uma confissão para fazer à você.

Jana a fitou sorrindo.

-Que olhar cheio de gravidade, amor! O que é?

Marla se sentou. Fitou-a com culpa nos olhos.

-Eu beijei a Pantera Negra. Senti uma forte atração por ela e quis possuí-la.  Só não fiz isso porque ela não quis.

Jana ficou olhando-a séria,  em silêncio. Marla esperou a explosão de acusações, que não veio. Olhou-a enervada pelo seu silêncio.

- Não percebe? Não fui leal a você! - Disse ásperamente, pela emoção da culpa.

Jana suspirou, sentando-se também. Encarou-a com olhar grave, mas calmo.

-Isso não muda o que sinto por você, Marla. A Pantera é uma bela mulher. É uma fraqueza compreensível. Ainda mais que você estava com raiva de mim, por saber que eu estou casada com o general Thor. Não posso condená-la por isso.

Marla a fitou apertando os lábios.

-Você terminaria seu casamento com ele para ficar comigo?

Jana a fitou nos olhos com sinceridade.

-Quando tudo isso acabar, sim.

-Isso o quê? A missão?

-Pode dizer que seja isso.

Marla suspirou com frustação.

-Aí está. Você me pede que confie em seu amor, mas tem segredos que não quer dizer-me.

Ela a fitou desafiantemente.

-Você também tem seus segredos.

-Não, eu falo a você todos meus sentimentos.

-Eu também. O que deseja saber, é sobre o que eu faço nessa missão. E isso não posso dizer, nem você.

Marla teve que concordar. Ela também não podia contar a Jana que sua missão era conquistar e trair a Pantera Negra. Não sabia se ela estava à par desse plano e concordava com ele. Suspirou.

-Sim, também não posso falar à você sobre minha missão. Mas de meus sentimentos, posso. E não quero mentir quanto à isso. Eu me senti atraída pela Pantera, mas sei que amo você. Isso me confunde muito, mas eu não quero trair você, agora que sei que nos amamos.

-Quando ver a Pantera Negra novamente, vai ceder à sua atração por ela?

Marla a fitou com determinação.

-Não! Mesmo que sinta qualquer coisa, eu dominarei minha vontade. Não quero perdê-la, Jana. Sei que a amo. Eu me sinto envergonhada de minha fraqueza. Estou surpresa comigo mesma, eu nunca fui assim, insegura de meus sentimentos. Perdoe minha fraqueza, Jana, eu amo você.

Jana colocou dois dedos em seus lábios, fitando-a carinhosamente.

-Não se envergonhe, nem se sinta culpada. Continuo confiando em seu amor por mim. Ninguém conseguirá nos separar, Marla. Quando tudo acabar, eu serei somente sua.

Marla a fitou com gratidão e admiração.

-Você é maravilhosa, Jana. Tão compreensiva...prometo que não vou tocar mais na Pantera, nem que ela queira.

-Você a admira, não?

Marla baixou os olhos, constrangida.

-Confesso que sim. É uma mulher admirável. Desculpe-me Jana, mas não posso mentir para você.

Jana sorriu.

-Eu entendo. Também concordo com você. Ela luta por uma causa justa.

Marla ergueu-se. Jana olhou para o corpo de estátua  perfeito, o rosto belo e carismático, pensando como amava essa mulher.

-Devemos nos vestir e sair daqui. A Pantera ou o seu marido podem chegar a qualquer momento - Disse Marla, séria.

Jana também ergueu-se, aceitando a mão de Marla para ajudá-la.

-Tem razão. O desejo nos tirou a prudência. Marla saiu da câmara e pegou a roupa limpa. Era um macacão azul marinho com um pequeno escudo dourado com a cara de uma pantera negra. Marla entendeu a intenção da Pantera. Vestindo aquele uniforme, era identificada como uma aliada dela. Deixou o macacão onde estava e vestiu seu uniforme da Space Mission.

Jana a fitou atentamente.

-Devo ir-me, meu amor. Já demorei muito. O coronel não pode desconfiar de nós.

Um pensamento encheu Marla de ciúme.

-Você  está hospedada junto com o general no mesmo quarto?

Jana enrubesceu, fitando-a.

-Não. A Pantera Negra nos acomodou em quartos separados.

-Mas isso não impedirá o general de procurá-la à noite, se sentir desejo de tê-la.

Jana desviou o olhar, dizendo:

-Não, ele está totalmente ligado nessa missão. Ele está sempre conversando com os oficiais da Pantera. Amanhã ele vai mostrar as armas à Pantera e aos oficiais.

Marla respirou aliviada. Pelo menos, não ficaria sozinha com a Pantera. Despediram-se com um beijo profundo e Jana se foi.

Marla ficou ali, enervada pela inércia. Por que o general Thor não mandava chamá-la? Por que ele não a colocava à par dos seus planos? Estava claro que ele não se importava com a sua presença na missão. O general seguiria o plano original, ou havia mudado de lado?

 

Continua na parte 6

 

 

Feedback para: [email protected].br

 

 

 

Leth       Uber      Home

 

 

Hosted by www.Geocities.ws

1