GUERREIRAS   ESPACIAIS

 

Parte 3

 

 

 

         Marla acordou mais devido ao seu relógio biológico,  acostumado com suas poucas horas de sono. Ela semiergueu-se sobressaltada, olhando para o seu relógio-transmissor de pulso, sobre o painel da cama. Nove e meia da manhã !    Deu um pulo da cama e olhou em volta. Jana já havia ido, ou estava na câmara de banho? Correu até a câmara e a abriu. Vazia. Ela já se fôra,   realmente. Mas não podia pensar nela agora. Tinha que estar na plataforma da nave Titã às dez horas e tinha pouco tempo disponível.

        Tomou um banho apressada, enxugou-se e se vestiu, sentindo-se revitalizada. Saiu apressada.

        A caminho do Centro de Lançamentos Espaciais foi pensando em Jana. Estava apaixonada por ela, mas tinha de tentar tirá-la da cabeça. Ela era uma hetaira, e isso significava que só seria livre com a morte de seu dono. Sabia muito bem que o governo de Worldsea condenava a posse de hetairas, mas era um combate à essa ilegalidade hipócrita, porque muitos homens do próprio governo possuiam hetairas. E para denunciar esses homens, o cidadão teria que provar que a mulher  em poder do dono  havia sido comprada no mercado negro. Isso era quase impossível. As próprias hetairas negavam o fato, por medo das represálias do dono ou porque gostavam da vida de luxo que levavam.

        Ela e Jana não tinham futuro, por mais que se amassem.

        Essa conclusão a deixou triste, fazendo-a ficar deprimida. Maldição! Como estava sua vida! Além de ser obrigada a fazer um trabalho sujo, estava apaixonada por uma mulher que nunca seria sua!

        Lembrou das palavras de Jana, quando estava imersa em um topor invencível. Ela havia dito que o destino voltaria a reuní-las, que não a esqueceria. Palavras consoladoras, mas sem fundamento. Nunca mais a veria!...

        O veículo parou no seu destino. Depois de identificar-se no leitor de retina, foi admitida no Centro de Lançamento  e dirigiu-se para a plataforma onde estava a nave Titã.

        A nave podia ser vista à centenas de metros de distância. Era um modelo mais novo que a nave Alfa V e com recursos maiores. Marla havia pilotado uma delas anos atrás, antes de ser promovida a capitã. Aquele modelo de nave era destinado a transportar tropas e armamentos, ao contrário da Alfa V, que era uma nave-cargueiro. Sua forma tubular, com asas delta, brilhava à luz do sol que penetrava pela cúpula transparente do Centro de Lançamento.

        O general Thor, já disfarçado em um uniforme de coronel, estava na rampa de entrada dos oficiais, observando a tropa de cyborgs entrar na nave. Marla aproximou-se e o cumprimentou, juntando os pés numa pose rígida e levando o punho direito ao peito, na saudação militar obrigatória.

        -Capitã Marla Flash se apresentando para a missão, coronel Blue - Disse, formalmente.

        Ele levou o punho ao peito, respondendo:

        -Apresentação efetivada e aceita.

        Marla desfez a pose e olhou para os cyborgs. Eram todos de uma mesma série, louros, altos e fortes. Vestiam o uniforme  marrom de campanha.

        -O restante da tripulação já embarcou - Disse o coronel, olhando-a - Vamos embarcar, quero que os conheça.

        Marla o seguiu, entrando na nave. Dirigiram-se para a sala de conferências. Entraram e encontraram a equipe especializada sentada em volta de uma mesa em forma de U, aguardando o comandante.

        O coronel Blue parou diante do centro da mesa, olhando seus subordinados com arrogância. O burburinho de conversa cessou e ele começou a falar, com Marla ao seu lado:

        -Senhores! Sou o coronel Blue e vou comandar essa nave com destino à Marte para reforçar nossas defesas na cidade de Polux. Nenhum de vocês me conhece, então eu devo dizer que sou um homem que não tolera nenhuma resistência às minhas ordens. Sejam leais e confiem em mim, obedeçam as minhas ordens sem discutir, porque cada ato meu foi determinado pelo alto comando militar! A traição ou deserção será punida com a morte, pelos poderes que me foram conferidos!

        Marla o fitou atônita. Aquilo não era uma apresentação, e sim uma ameaça que exigia uma obediência cega! Nunca havia presenciado uma apresentação tão ameaçadora, e podia ver a reação da equipe, que fitava o coronel com incredulidade e temor.

        Mas ele tomou fôlego e continuou:

        -Quero que cada um faça sua tarefa bem feita. E tenham certeza que estarão sob o comando de um verdadeiro patriota, que só quer o melhor para Worldsea.

        Marla sentiu-se mal com a prepotência daquele homem. Para controlar a raiva que estava sentindo com o discurso dele, ficou olhando para o símbolo de Worldsea, na parede oposta. Era um globo, com duas figuras estilizadas de uma mulher e um homem, abraçados sob a proteção de uma estrela. Os dois representavam o amor e o prazer sob a luz da inteligência, representada pela estrela. Os cidadãos homossexuais achavam o símbolo discriminatório e havia um movimento para mudá-lo, mas o governo alegava que o casal hetero prevalecia porque era o tipo de amor que gerava a vida.

        Seria mesmo, à essa altura do desenvolvimento tecnológico? - Pensou Marla, com ironia - Em Worldsea, os nascimentos eram comandados pelos geneticistas. Os filhos eram gerados à partir de uma célula extraída do homem ou da mulher, que o Centro da Vida desenvolvia em máquinas geradoras semelhantes ao útero da mulher. Os laboratórios do Centro da Vida controlavam o DNA do feto, eliminando defeitos genéticos ou genes de doenças. Quando a criança nascia, era levada para uma colônia de crescimento, onde o Estado a mantinha até a idade de vinte anos.A mãe ou o pai biológico podia visitá-la quando quisessem, mas a educação da criança era realizada pelo Estado. Achavam que assim elas cresceriam sem influências diferentes de personalidades e meio, sendo mais fácil integrá-las na sociedade, com um mesmo padrão de educação.

        Realmente, todas eram integradas à sociedade sem desigualdades, já com um futuro garantido. Mas para Marla e muitas pessoas, esse sistema de educação tornava a criança sem afeto e despreparada para uma relação amorosa duradoura. Por isso o casamento era agora um simples contrato que podia ser rompido por ambas as partes sem nenhuma dificuldade.

        Mas se Marla externasse sua opinião, iriam chamá-la de louca e subversiva. A maioria das mulheres achavam a maior conquista do sexo, se libertarem da gravidez e criação dos filhos. Os homens sentiam-se também aliviados da responsabilidade de educar um filho. Agora, o sexo era só para o prazer, sem  consequências. Por manipulação genética, as mulheres não ovulavam mais. Só tinham um filho por clonagem celular. Então, um filho era a cópia física fiel do pai ou da mãe.

        Marla acalmou-se com sua abstração e então olhou para a equipe que ouvia o coronel Blue discursando. Ah! Soogh estava ali, também! Havia sido convocado! Os outros homens, não conhecia. As duas mulheres...

        Seus olhos encontraram um par de olhos verdes que a fitavam atentos. Marla empalideceu, levando um choque.

        Jana estava ali! Olhou-a incrédula. Mesmo no uniforme da Space Mission, reconheceu a mulher com quem dormira na noite anterior.Marla sentiu a cabeça girar, olhando-a. Jana, uma funcionária da Space Mission?!  Como, se era uma hetaira? Nenhuma hetaira trabalhava! O governo só dava trabalho a quem havia sido criado em sua Colônia de  Educação! Uma hetaira não tinha registro de cidadã!

        Jana a fitava com olhar temeroso. Com certeza, com medo de sua reação. Ela sabia que havia sido reconhecida.

        O coronel interrompeu seus pensamentos, voltando-se para ela e dizendo:

        -Capitã, agora vou apresentá-la à equipe.

        Ele tornou a dirigir-se aos seus ouvintes:

        -Esta é a capitã Marla Flash. Ela será a minha intermediária entre vocês.Qualquer problema rotineiro, dirijam-se a ela. Os mais importantes, ela me trará e eu resolverei. Agora, vou chamá-los pelo nome e função. Levantem-se quando forem chamados.

        Ele começou chamando o engenheiro Briston. O homem levantou e fez um aceno com a cabeça para Marla.

        Em seguida, foi a vez do chefe dos mecânicos de manutenção, Delton.

        Marla mal ouvia o coronel, com o olhar fixo em Jana. Depois da apresentação do piloto Soogh, o coronel anunciou:

        -Jana Green, geóloga.

        Ela levantou-se como os outros, inclinou ligeiramente a cabeça numa saudação e olhou para Marla com um olhar enigmático.

        -Noelle Sky, médica geneticista espacial.

        A morena ergueu-se e olhou para Marla com um olhar insinuante. Inclinou-se sorrindo e voltou a sentar-se.

O coronel prosseguiu, mas Marla estava ainda em estado de choque. Mil dúvidas vieram à sua cabeça. Por que Jana havia mentido, dizendo que era uma hetaira? Por que a escolhera no Centro Sexual? Seria mesmo por atração, ou por um motivo oculto, como espionar? Por que não havia revelado que também trabalhava na Space Mission? E por que fizera aquelas perguntas sobre o seu trabalho? Estava testando sua discrição ?

        Uma suspeita a dominou: talvez Jana fosse uma espiã. Entregara-se à ela dizendo estar apaixonada, mas na verdade tentando arrancar informações. Mas, para quem estava espionando?

        A reunião acabou e todos se levantaram para sair da sala. Jana a fitou de soslaio e saiu com a médica Noelle.

        Marla dirigiu-se para a cabine de comando  da nave. Achou melhor não procurar Jana para uma explicação. Era melhor ignorá-la, para o seu bem e o dela. Não iria revelar a ninguém que já a conhecia. Mas ficaria atenta aos movimentos dela. A decepção a fazia contrair os maxilares, rilhando os dentes de raiva. Jana a havia enganado! Havia mentido descaradamente, dizendo ser uma hetaira e que a amava! Era tudo um jogo para ganhar sua confiança e saber detalhes sobre a missão!

        Soogh já estava sentado diante do painel de comando e a fitou sorrindo, quando chegou.

        -Tornamos a nos encontrar mais rápido que esperávamos, capitã! E em outra nave! - Disse ele, olhando-a sentar na poltrona ao seu lado.

        Marla o fitou com o cenho franzido.

        -Quem o convocou, Soogh?

        -A comandante France. Disse que o piloto que trabalha para o coronel Blue está doente. Quando voltei da festa, encontrei na porta da minha casa um oficial que foi buscar-me. Mal tive tempo de despedir de minha mulher! Marla, que está havendo? Eles nunca fizeram isso, convocar um piloto que acabou de voltar de uma missão!

        Marla suspirou. Nem a Soogh podia falar sobre a missão.Suspeitou que haviam convocado Soogh porque o piloto da Titã poderia reconhecer o general e descobrir sua verdadeira identidade.

        -Gostaria de saber, Soogh - Mentiu, sentindo-se mal com isso. Conhecia Soogh há mais de dez anos e eram amigos. Nunca havia mentido à ele. Maldita missão!

        Soogh a fitou preocupado.

        -E por que você foi convocada para a Titã? Isso também é incomum, um capitão ser deslocado de uma nave-cargueiro para uma nave de transporte de tropas, sem um motivo forte.

        Marla o encarou séria.

        -Soogh, se não quer complicação, cumpra sua função sem discutir, como eu. O coronel Blue quer assim.

        Ele gemeu, revirando os olhos.

        -Esse coronel é um déspota! Viu como ele falou com a equipe? Parecia um ditador, só faltou o chicote na mão!

        Marla não disse nada. Soogh a fitou cheio de dúvidas.

        -Marla, acho que sabe mais sobre essa missão que o resto da equipe. Não pode falar? É isso? Exigiram o juramento militar?

        Marla ficou olhando-o em silêncio. Finalmente, voltou-se para o painel à sua frente.

        -Chega de perguntas, Soogh. Apenas faça o que tem de fazer.

        -Maldição, é o que me resta fazer! Ainda bem que você está aqui.  Senão, estaria completamente perdido!

        Ela o fitou nos olhos.

        -Obrigada pela confiança, Soogh. Vamos iniciar a contagem regressiva, para decolar. Ligue os motores.

        Soogh suspirou e apertou quatro botões. Os motores da nave, alimentados por energia nuclear, começaram com seu zumbido característico. Marla ligou a tela à sua frente. Começou a programar a viagem para Marte. Sabia que o coronel Blue iria desviar o vôo para a cidade de Castor, mas programou o vôo para Polux. Soogh não podia saber do plano do coronel. Quando chegasse a hora, o coronel modificaria a rota.

        Na tela começou a aparecer as informações sobre o seu destino: distância, latitude, longitude, altitude, tempo de viagem, hora sideral de chegada, etc.

        Marla acabou a programação e olhou para Soogh.

        -Cheque os instrumentos, Soogh.

        -Ok, capitã.

        Soogh checou os instrumentos que obedeciam ao computador de bordo. Tudo ok, sem falhas.

        -Feito, capitã.

        -Feche as portas e inicie a pressurização da nave.

        Soogh seguiu o comando. Com as portas fechadas, a nave iniciou sua pressurização.

        O coronel Blue entrou na cabine. Olhou para Marla.

        -Capitã, pode pedir autorização para decolar.

        Marla fez comunicação com o comando de tráfego aéreo.

        -Nave Titã com destino a Marte pede autorização para decolagem.

        Uma voz metálica veio em resposta, pelo comunicador:

        -Confirmar código de vôo.

        Marla consultou a tela do computador.

        -Código SM000555M.

        -Decolagem permitida. Iniciar contagem regressiva - Respondeu o comando de tráfego.

        Marla olhou para Soogh.

        -Iniciar contagem regressiva.

        Soogh acionou a contagem regressiva no seu painel. Marla  ligou o microfone e avisou:

        -Aqui fala a capitã Flash. Foi iniciada a contagem regressiva para decolagem da Titã. A tripulação deve se acomodar em suas poltronas e colocar o cinto protetor, que só deve ser tirado quando estivermos em órbita. Decolaremos em dez minutos.

        Na tela do computador, os milésimos de segundos corriam vertiginosamente.

        Dez minutos depois, a nave Titã ergueu-se do solo e decolou verticalmente, saindo pela abertura da cúpula do Centro de Lançamento Espacial. Em questão de minutos, alcançou a estratosfera terrestre e manobrou, embicando em direção ao planeta Marte. E a sua velocidade foi sendo acelerada até quase alcançar a velocidade da luz.

        Marla se soltou de seu cinto de segurança e ordenou, aliviada da enorme pressão da subida da nave:

        -Ligar o piloto automático, Soogh.

        -Piloto automático ligado, Capitã. Agora, podemos deixar o computador central fazer seu trabalho e descançar um pouco. Que tal irmos lanchar?

        Marla ia responder, quando o coronel Blue entrou na cabine.

        -Acompanhe-me, capitã. Quero que se integre com sua equipe de missão.

        Marla ergueu-se. A sugestão dele como sempre soava como uma ordem. Iria ter que inevitavelmente falar com Jana. Muito bem, vamos logo acabar com isso, pensou.

        Saíram da cabine e foram para o setor geral de descanso da tripulação. Os tripulantes descansavam da decolagem conversando, tomando copos de suco. Logo iriam começar suas tarefas.

        Jana estava sentada conversando com Noelle. Ela ao ver sua entrada, ficou fitando-a com certo embaraço.Levada pelo coronel Blue, Marla trocou cumprimentos com as pessoas da equipe e fez perguntas sobre suas atividades e experiência, em uma apresentação mais pessoal.

        Chegou a vez de Jana e Noelle. Marla aproximou-se com o coronel Blue, tentando colocar no rosto uma expressão profissional. Jana e Noelle se ergueram das poltronas.

        -Capitã, a geóloga Jana e a médica geneticista Noelle irão trabalhar sob sua  supervisão direta . Jana tem muito conhecimento da topografia marciana e é uma das melhores geólogas da cidade de Polux. Noelle tem experiência em projetos de cyborgs e ampla experiência em clonagem. São duas aquisições novas e brilhantes à Space Mission.

        Jana inclinou a cabeça quase imperceptivelmente, em um cumprimento. Já Noelle, estendeu a mão, sorrindo sedutoramente. Marla a apertou, fitando-a séria. O que menos queria era envolver-se com alguém tão cedo,depois de sua decepção com Jana.

        -Estamos ansiosas para iniciar nosso trabalho junto com você, capitã - Disse Noelle, sorrindo e a fitando nos olhos.

        O coronel olhou para Marla.

        -Bem, agora que já terminei de introduzí-la a todos da equipe mais intimamente, vou descansar um pouco.Você me acompanha, Jana? -Perguntou, olhando para Jana.

        Jana enrubesceu visivelmente embaraçada. Olhou para o coronel com ar perturbado.

        -Ah... sim, vamos...

        Ela se retirou com o coronel, sob o olhar de Marla e Noelle.

        Marla estava agora confusa. O coronel ia descansar e havia chamado Jana para acompanhá-lo? Que inferno estava se passando?

        -Eles fazem um par estranho, não acha?

        Marla voltou-se para Noelle, que havia feito o comentário.

        -Está se referindo ao coronel Blue e Jana?

        Noelle sorriu maliciosamente, fitando-a.

        -Claro, quem mais? Não acho que o tipo de Jana é adequado para o coronel. Ela é muito ingênua e o coronel deve ser desses homens que gostam de uma mulher mais experiente e sensual.

        Marla a fitou com incredulidade e raiva.

        -Que está insinuando? Que eles são amantes?

        Noelle a fitou divertida.

        -Não me diga que não sabe que eles são casados!

        Marla sentiu que o sangue abandonava sua face.

        -Casados?! Jana e o coronel?!

        -Sim, à alguns meses. Eu fui ao casamento deles.

        Marla de repente sentiu-se nauseada.

        -Que há, capitã? Está tão pálida!

        Com esforço, Marla respondeu, em voz baixa:

        -Nada importante. Deve ser reação à decolagem. Com licença...

        E Marla afastou-se, saindo do salão rapidamente com suas passadas largas. Ela se dirigiu para seu quarto, querendo ficar sozinha. Entrou e se jogou numa poltrona, arquejando. A vontade que sentia de chorar a sufocava, mas não cedeu à esse desejo, revoltada. Jana não merecia uma lágrima siquer dela! Como ela era cínica, mentirosa, trapaceira! Mulher do Coronel Blue! Não, do general Thor, um homem arrogante e truculento! E ele devia ser pelo menos uns vinte anos mais velho que ela! Havia sido uma união por amor? Que nada! Do jeito que Jana havia vibrado em seus braços, era claro que o general não a satisfazia sexualmente! Ela havia se casado com ele porque ele era um homem poderoso!

        Mordeu os lábios, pensando que nesse momento o general devia estar com Jana em seus braços, em seu quarto. Um ciúme avassalador a dominou. Ela deu um soco na poltrona, irada. Estava com ciúmes daquela mulher fingida! Ela, que sempre considerara o ciúme um sentimento primitivo, na sociedade atual . Como podia sentir-se assim por uma mulher como Jana? Nem por Della, que considerava o grande amor de sua vida, sentira isso. Essa vontade quase irracional de ir à procura do casal e separá-los à força, tomar Jana do odioso general e gritar em sua face a sua traição.

        Ela respirou várias vezes fundo, tentando se acalmar. Jana não valia esse desespero que sentia, pensou. Ela é uma mulher desprezível.Calma, Marla, você é uma mulher vivida, já devia estar acostumada com essas coisas. Não perca a cabeça. Você tem uma missão a cumprir. Mesmo que não concorde, é sua missão. Focalize nisso. Esqueça Jana, não vale à pena sentir qualquer coisa por ela.

        Aos poucos, acalmou-se. Quando saiu de seu quarto, armou-se de uma expressão tão tranqüila, que ninguém diria que o seu coração havia sofrido um duro golpe.

 

 

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Continua na parte 4

 

       

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