GUERREIRAS   ESPACIAIS

 

Parte  2

 

 

 

        A câmara de prazer era decorada totalmente na cor branca, com paredes formando um círculo, de um material  que emitia uma suave luz leitosa, de cor rosada. No centro da câmara, havia uma imensa cama redonda, forrada com peles sintéticas e com um painel na cabeceira cheio de botões. Em um canto, uma prateleira cheia de instrumentos para  proporcionar prazer sexual. O teto da câmara era todo espelhado, para o casal ter uma visão do que estariam praticando. Tudo transpirava limpeza e luxo, com o chão forrado por um grosso e felpudo tapete branco e imaculado. No outro extremo da câmara, uma banheira circular com águas cristalinas e suavemente perfumadas aguardava .

        Sob o olhar curioso de Jana,  Marla inclinou-se e apertou um botão no painel. A cama começou a ondular suavemente. Marla olhou para Jana, informando:

        -Para quem não gosta de muito esforço, a cama faz movimentos.

        Jana sorriu, parecendo divertida com a informação.

        -Você gosta disso? - Perguntou.

        -Só uso esse ou qualquer outro recurso se minha parceira quiser.Ah, existem outras coisas...veja.

        Apertou outro botão e no teto espelhado começou a aparecer cenas de sexo entre duas mulheres. Marla tornou a apertar o botão e as cenas sumiram. O teto começou a emitir uma luz que ia do azul ao rosa, numa mudança gradativa e suave.

        -Ah, isso eu gostei - disse Jana, sorrindo - deixe assim.

        -Espere... tem algo que gosto - avisou Marla. Ela apertou outro botão e uma música suave, com ruídos de pássaros e cachoeira começou a se ouvir. Marla olhou para Jana.

        -Gostou disso?

        -Sim. Só não gostei das coisas estranhas, como o movimento da cama e as cenas de sexo. Não preciso desse tipo de estímulo.

        Marla deu uma curta risada, tentando disfarçar seu nervosismo. Era a primeira vez que ficava nervosa diante de uma mulher com quem ia fazer sexo.

        -Eu também não gosto desses estímulos. Mas tem gente que gosta.

        Jana a fitou nos olhos, séria.

        -Você vem sempre aqui?

        Marla aproximou-se dela lentamente.

        -Raramente. Viajo muito e onde vou em missões, não há nada disso.

        Marla parou diante de Jana e fitou-a nos olhos. Sentiu uma forte emoção dominá-la e suavemente pousou as mãos nos ombros dela, sentindo-a estremecer com o toque. Sua voz soou cheia de emoção:

        -Você é linda, Jana...e quero tê-la sem nenhum artifício.

        Jana  deu um passo e abraçou-a pela cintura, fitando-a nos olhos.

        -Marla... é tudo tão estranho... quando a vi, senti uma estranho laço com você. É como se eu a tivesse conhecido antes e reconhecesse alguém que perdi. E tudo que desejo é estar em seus braços, agora... beije-me, Marla... quero sentir sua boca na minha.

        Marla inclinou-se e a beijou suavemente. Sentiu a língua dela vir ao encontro da sua, acariciando, sugando-a carinhosamente. E ela estremeceu de emoção. Aquele beijo era o mais emocionante que havia até então recebido.E sentia a emoção de Jana, era como se houvesse um canal entre seus corações para transmitir suas emoções.

        A boca macia, quente, tinha sabor de fruta madura. Sugou a saliva dela, sentindo as mãos macias deslisarem pelo seu rosto, arrepiando-a. Apertou-a contra seu corpo e sentiu Jana abandonar-se à aquele abraço, espremendo-se mais ainda.

        Afastaram-se para respirar e se fitaram profundamente nos olhos. Marla podia ver naqueles olhos verdes a paixão que a dominava.

        -Oh, Marla! - Ofegou Jana, acariciando seu rosto - Como eu a desejo!

        Marla apertou-a contra si.

        -Jana, você enfeitiçou-me... quero-a como nunca quis alguém. É algo tão mágico...sentir isso por quem conheço menos de uma hora!

        Jana a fitou nos lábios, respirando profundamente.

        -Aproveitemos esses momentos, Marla. O tempo é tão precioso...

        Beijaram-se com alucinação. Marla sentia-se como mergulhada em uma onda de desejo e amor. Sem pensar, pegou Jana nos braços, erguendo-a e carregando-a até a cama, onde a depositou delicadamente. Ela a fitou arfando de desejo, à espera.

        Marla sentou na beira da cama e começou a despí-la, olhando encantada cada pedaço do corpo emergir da roupa. Os seios eretos com auréolas rosadas, o ventre firme e delineado, as coxas e pernas fortes de um tom rosado.

        Quando acabou de despí-la, a fitou tonta de emoção. Jana estava enrubescida, fitando-a com um ligeiro sorriso nos lábios.

        -Você também... dispa-se. Quero tê-la nua em meus braços - Disse ela, com voz doce.

        Marla levantou-se  e começou a despir-se, olhando para Jana. Seus olhos comunicavam todas as emoções e Marla apressou-se para ter o corpo de Jana junto ao seu. Completamente nua, viu os olhos de Jana percorrer o seu corpo cheios de desejo e encantamento.

        -Você é magnífica, Marla... - ela sussurrou - é a mais linda mulher que já vi.

        Marla se inclinou e Jana a recolheu em seus braços, a boca procurando a sua. Os lábios de ambas se fundiram em um beijo apaixonado.

        E Jana entregou-se com loucura. Movia as cadeiras espremendo-se contra o corpo de Marla, gemendo e puxando-a com as mãos contra o corpo em fogo. Marla a acariciava com uma paixão que a fazia tremer. O cheiro de Jana, o toque sedoso de sua pele, a maciez , a quentura, o som dos gemidos, o movimento do corpo, tudo a fazia ficar louca de desejo. Os corpos unidos, os sexos encaixados, as bocas fundidas em beijos famintos.

        Rolaram pela cama, trocando ardentes carícias. Marla sugou os seios de bicos duros de desejo, descendo as mãos pelo corpo de Jana em carícias. Quando seus dedos sentiram como ela estava molhada de prazer, foi assaltada pela necessidade urgente de sentir em sua boca o sumo do prazer de Jana. Desceu pelo corpo dela distribuindo beijos e suaves mordidas, pegou as pernas dela e colocou em seus ombros.  Jana gemeu alto seu nome.

        Marla inclinou a cabeça e respirou o cheiro do despertar de Jana, sentindo o erótico cheiro inebriar seus sentidos. Sua boca então desceu, a língua quente percorrendo o sexo de Jana, fazendo-a gritar. Ela tomou sua cabeça entre as mãos macias, movendo o corpo sensualmente.

        -Marla! Oh, você me enlouqueceu...sim, sim, assim mesmo, querida!

        Marla penetrou-a com dois dedos, sentindo-a apertá-los com as contrações de sua vagina quente. Moveu-os ritmicamente, ouvindo-a gemer e acompanhar seu movimento com as cadeiras.

        E logo um orgasmo sacudiu o corpo de Jana, fazendo-a gritar de prazer.

        Marla arrastou-se para cima e Jana cruzou as pernas em seu corpo, fitando-a com olhar apaixonado.

        -Marla, estou apaixonada por você. Eu sei que parece loucura, mas é verdade.

        Marla a fitou emocionada, sem voz. Como ela era linda, depois do prazer!

        Jana a beijou, abraçando-a. Ela rolou na cama e se colocou sobre Marla, montada em suas coxas. Fitou-a com um sorriso sensual.

        -Agora, eu quero ter você, Marla. Quero que sinta tanto prazer quanto me deu - Declarou, inclinando-se para a frente e beijando Marla profundamente. As mãos se espalmaram nos seios de Marla, acariciando os bicos com os dedos. Marla ofegou, sentindo seu desejo chegar quase ao auge. As mãos de Jana desceram pelo seu corpo em carícias, enquanto colocava uma das coxas entre as pernas de Marla, sentindo a sua umidade. Marla a fitou nos olhos, ansiosa.

        -Jana... não posso agüentar muito...

        Jana sorriu maliciosamente, fitando seus olhos.

        -Oh, não, minha deusa... quero que você demore a atingir o êxtase...

        E Jana a torturou, evitando tocar no ponto que a faria atingir o auge do prazer. Ela acariciou seu corpo todo com as mãos e boca, sugando, mordiscando, lambendo, até que se compadeceu de Marla e colocou uma coxa entre suas pernas, deitando-se sobre ela. Marla a abraçou frenética e apertou aquela coxa deliciosa entre as suas, movendo-se desesperada. O orgasmo sacudiu o seu corpo, fazendo-a gritar, apertando Jana nos braços, convulsivamente, perdendo a noção de tudo além do intenso êxtase que a submergiu. Caiu sobre a cama, respirando ruidosamente.

        De olhos fechados, sentiu Jana deitar-se ao seu lado e a mão acariciar seu rosto, afastando os cabelos. Uma coxa pousou sobre as suas.

        Depois que sua respiração normalizou, abriu os olhos. Jana a fitava com enlevo, admirando seu rosto. Ela passou o dedo indicador delicadamente pelo seu perfil.

        -Você é tão linda, Marla... - sussurrou ela, fitando-a nos olhos.

        Marla sorriu levemente.

        -Você já disse isso antes. E devo dizer que você é que é belíssima... acho que estou apaixonada...

        Jana sorriu radiante.

        -Você tem certeza disso?

        -Sim. Se eu acreditasse em feitiço, como alguns de nossos antepassados, acreditaria que você me enfeitiçou. Mas como não acredito em coisas tão antigas, o que posso achar é que encontrei a mulher de minha vida.

        Jana acariciou seu rosto com um olhar grave.

        -É maravilhoso amar você, Marla. Eu apaixonei-me só em vê-la. Mas infelizmente, tão cedo não poderemos desfrutar desse amor.

        Marla a fitou com tristeza.

        -Você está sendo otimista. Eu creio que nunca mais. Estou partindo para um trabalho e não sei quando regressarei à Worldsea. E você não é livre para esperar-me.

        Jana a fitou nos olhos, como que querendo ler seus pensamentos mais secretos.

        -Um trabalho? Onde, Marla? O que vai fazer?

        -Não posso dizer, Jana. Fiz um juramento militar de silêncio e fidelidade.

        -É tão secreto assim?

        -Sim. Não posso falar mais nada sobre isso. Desculpe-me...

        Jana continuou fitando-a atenta, com uma expressão grave. Acariciou seu rosto.

        -Você não parece feliz com esse trabalho - Disse, com convicção - Esse trabalho que vai fazer não a agrada, não é?

        Por um momento, Marla a fitou deixando sua angústia vir à tona, em seu olhar. Mas se recuperou e sorriu, suspirando.

        -Você é muito perspicaz. Sim, é um trabalho que não gostaria de fazer. Mas sou obrigada.

        -Não concorda com ele?

        -Não.

        -Por quê?

        Marla a encarou. Não podia falar mais nada. Estava apaixonada, mas não devia misturar seu trabalho com amor.

        -Jana, já disse que não posso falar sobre isso.

        Jana a abraçou carinhosamente, pousando a cabeça em seu ombro.

        -Não precisa falar mais nada. Eu a entendo. E vejo em seus olhos a sua inteireza de caráter, sua lealdade. A traição é uma coisa repugnante, para você.

        Marla afastou-se para fitá-la amedrontada. Como ela podia ter desnudado sua personalidade com um simples olhar? Como podia acertar tanto sobre o que sentia? Tentou levar na brincadeira, disfarçando suas apreensões:

        -Jana, acaso é mesmo uma feiticeira, para ler em meus olhos minha personalidade? Estou começando a acreditar em feitiço...ai de mim, estou presa a um encantamento!

        Jana sorriu e tornou a aproximar-se, juntando o corpo ao seu.

        -Se eu tivesse algum poder, não a deixaria partir.

        -Estou brincando, minha deusa... vamos esquecer esse assunto e aproveitar nossos momentos - Disse, beijando-a levemente nos lábios. Jana a fitou com paixão.

        -Marla, nunca vou esquecer essa noite. E quem sabe se o destino voltará a nos reunir? Acredito em destino. Nada acontece por acaso.

        Marla alisou os cabelos louros, espalhados na cama como um manto de ouro.Fitou-a séria.

        Será isso possível, minha deusa? Não sei. Você tem um dono, uma vida presa à um homem. O que acho sensato é não nos vermos mais. Não quero ser responsável pela sua desgraça. Um homem traído e poderoso poderia acabar com sua vida.

        Ela a fitou com uma dúvida no olhar.

        -Não quer pensar em prosseguir com nosso relacionamento para não prejudicar-me, ou por medo das consequências?

        Marla a fitou ofendida.

        -Para não prejudicá-la, Jana. Não quero dar a você falsas esperanças. Tenho um trabalho a fazer que me impedirá de assumir qualquer outro compromisso. Não posso prometer nada a ninguém.

        Ela sorriu, surpreendendo Marla, que esperava uma explosão de mulher decepcionada.

        -É uma mulher sensata e responsável, Marla. Admiro isso. Pois bem. Vamos esquecer seu trabalho e compromissos agora. Vamos viver nossos momentos preciosos. Só quero saber uma única coisa.

        -O que é, Jana?

        -Está apaixonada mesmo por mim? Se o destino voltar a nos reunir após o seu trabalho acabar, ficaria comigo?

        Marla a fitou nos olhos profundamente, acariciando seu rosto.

        -Estou apaixonada por você, Jana. Se um dia ficasse livre de seu dono e eu já tivesse concluído esse trabalho que vou fazer, eu ficaria com você o resto de minha vida. Mas infelizmente, não vejo futuro para nós.

        Ela colocou o dedo indicador em seus lábios, fitando-a ternamente.

        -Não diga mais nada. É só isso que eu queria saber.

        E os lábios macios dela espremeram-se contra os de Marla, em um beijo profundo e cheio de paixão. Mais uma vez começaram a se amar. Jana era um vulcão de sensualidade e Marla mais uma vez perdeu-se naqueles braços macios.

        Dessa vez, o êxtase foi simultâneo. Marla sentiu-a erguer os quadris, aumentando a pressão do sexo contra o seu, entre tremores intensos. Marla  também apertou-se contra ela, em espasmos de prazer, trincando os dentes para não gritar.

        Se possuíram a noite toda, de todos os modos possíveis, numa entrega total.

        Marla nunca havia  feito sexo a uma mulher como Jana. Ela era em um momento passiva ao extremo, para em outro momento ser a agressora, prodigalizando gozos intensos, que faziam Marla sentir-se em um paraíso de amor e paixão. Agora, ajoelhada entre suas pernas, sorvia ávidamente seu prazer, abraçada às suas coxas, fazendo coisas com a língua que deixavam Marla enlouquecida.

        Os movimentos dos quadris de Marla se tornaram frenéticos, com ela gemendo, as mãos nos cabelos de Jana.

        -Jana... não posso mais... eu vou... ohhhhhh...

        O êxtase cortou sua voz, fazendo-a contrair-se e trincar os dentes. As pernas de Marla fraquejaram e ela caiu na cama transversalmente, deitada com as pernas pendentes. Jana levantou-se do chão e deitou ao seu lado, fitando-a.

        -Eu a amo, Marla. Amo tanto, que meu coração dói.

        Esgotada, Marla mal pôde abrir os olhos para fitá-la, recobrando-se de mais um orgasmo. Agora só via aqueles olhos verdes e a boca vermelha, como duas orquídeas carnívoras. Ouviu a voz dela sussurrando, parecendo de muito longe:

        -Agora devo deixá-la, meu amor... Amo-a, adoro-a... não esqueça disso. Seu amor escravisou-me, não vou esquecê-la. E sei que o destino vai nos reunir novamente. É o que me dá forças para deixá-la agora.

        Marla queria falar, abraçá-la e pedir para não ir. Mas o seu esgotamento a impediu de esboçar um só gesto. Jana a havia esgotado a noite toda. E ficou ali imóvel, numa pose largada, sendo vencida pelo sono.

 

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Continua na parte 3

 

 

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