GUERREIRAS ESPACIAIS
ESCRITO POR LETH
CROSS
Parte 1
Disclaime: Esta é uma história Alt-Uber. Os
personagens se assemelham `a uma dupla
conhecida pertencente a Renaissance /MCA, mas não
se infrige direitos autorais, por ser
uma
história com personagens e texto de minha autoria sem visar lucro monetário.
Aviso:
Esta história descreve explicitamente o amor e sexo entre
pessoas do mesmo sexo.
Se
isso vai contra o que pensa, ou você tem idade abaixo de 18 anos, NÃO A LEIA.
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Prólogo
Ano 2500. Depois de uma guerra nuclear, o clima do
planeta Terra alterou-se de forma completa. Com a verticalização do eixo da
Terra, com conseqüente inundações provocadas por maremotos, a geografia da
Terra ficou limitada a uma grande nação, WORLDSEA, composta por apenas dois
terços do seu antigo território conhecido por Estados Unidos da América, e por
dois quartos da antiga América do Sul.
Esse novo país
multirracial, para lidar com a deficiência de água potável para a população,
com sua tecnologia desenvolvida criou imensas plataformas espaciais como ponto
de pesquisa e busca do precioso líquido em outros planetas do sistema solar. E
em Marte encontrou a fonte dessa busca, em suas calotas polares.
Duas colônias foram
criadas em Marte, cada uma perto das calotas polares, para os empregados que
faziam a extração e transporte dos
blocos de gelo para o planeta Terra. Mas com o passar dos anos, os empregados
formaram famílias e o nascimento de pessoas em Marte se expandiu. Essa geração se tornou nacionalista e contra
a extração dos imensos blocos de gelo, dizendo que essa extração acabaria com a
vida existente nas colônias. As calotas polares iriam ser extintas com a
extração e as duas grandes cidades que nasceram da colonização pereceriam.
O governo da cidade de
Polux se mantinha favorável à extração. Mas o governo da cidade de Castor se
negava a permitir a continuidade da extração, se rebelando contra o Governo
Central de Worldsea. O governante rebelde de Castor decretou a cidade
independente do Governo Central de Worldsea e o desafio foi respondido com
intensos ataques do exército de Worldsea. O governante rebelde morreu em um
desses ataques, mas sua irmã tomou o seu lugar na luta. Excelente estrategista,
obteve várias vitórias nas batalhas e passou a ser idolatrada com o codinome
Pantera Negra.
É nesse ponto da luta que
começa nossa história.
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A nave Alpha V pousou na
plataforma espacial da Cidade Azul, emitindo um silvo agudo produzido por seus
motores movidos a energia nuclear.
Marla Flash, a capitã da
nave, olhou para o piloto Soogh e sorriu. Ela estava feliz pelo término da
missão. Depois de sua viagem a Marte, no meio de uma guerra, havia conseguido
chegar à Terra com sua preciosa carga de milhares de toneladas de gelo,
intacta. Agora, só queria descansar da tensa viagem e passar o merecido mês de
descanso em sua casa, na Cidade Verde. Mas antes de seu sonhado descanso, teria
que apresentar-se ao comando, para entregar o relatório da missão.
Na tela da nave apareceu a
recepcionista do espaçoporto, dando as informações usuais para as naves que
chegavam:
-Bem-vindos à Cidade Azul.
São precisamente cinco horas e dois minutos. A temperatura de nossa cidade é de
vinte graus centígrados e a umidade relativa do ar é de quarenta por cento.
Para seu conforto e bem-estar, nossa cidade dispõe de três mil moradias e dois
mil alojamentos, dotados de todas as
instalações modernas: câmara para banho revitalizante, câmara de dormir, câmara alimentar com mais de
cinquenta tipos de alimentos preparados, tv holográfica e piscina térmica, tudo
com música ambiental. Também contamos com um Centro Cultural e um Centro Sexual
para o seu lazer. O Centro Cultural dispõe de teatros, cinemas, salas de
concertos musicais, museus e bibliotecas. O Centro Sexual proporciona encontros
de pessoas hetero, homo e bissexuais para a prática de diversas modalidades de
sexo, atendendo o gosto individual, além de dispor de uma Unidade Reprodutora,
com coleta de clones para a reprodução humana. Desejamos aos visitantes da
Cidade Azul uma feliz estadia.
A tela apagou e Marla
apertou um botão em sua poltrona. O cinto de segurança retraiu, liberando-a.
Ela ergueu-se e o piloto a imitou.
Formavam um par de vivo
contraste. Soogh era baixo, atarracado e de feições grosseiras.O cabelo
espetado, a boca larga, lhe dava um ar rude, mesmo no uniforme de oficial. Mas
sob essa aparência, Marla sabia que ele possuía um coração de ouro.
Já a capitã Marla Flash
era alta, com seis pés de altura, dona de um corpo escultural, e o uniforme
negro e justo acentuava as curvas harmoniosas e as pernas longas, parcialmente
cobertas com botas negras de cano longo. Os cabelos negros e longos emolduravam
um rosto exótico, de maçãs altas e queixo forte, onde um par de olhos
incrivelmente azuis se destacava. Era uma mulher bela e atraente, com seu porte
imponente e orgulhoso, consciente de sua beleza.
Ela ejetou um pequeno
disco prateado do painel da nave, de seis centímetros de circunferência, e o
colocou num pequeno estojo. Depois o colocou no bolso interno do uniforme. Acionou
um botão no painel e falou, com voz grave e aveludada:
-Nave despressurizada. A
tripulação está liberada para desembarcar.
Marla, como sempre, foi a
última a sair, acompanhada por Soogh.
Na sua mão, uma pequena
mala com seus pertences pessoais. Olharam em volta, observando a pista de pouso
com várias naves de carga. A cúpula que protegia a cidade dava um brilho difuso
à luz do sol que se punha no horizonte. Somente o espaçoporto tinha uma
abertura na cúpula, que se abria e fechava após a entrada e saída de naves,
devido a poluição atmosférica exterior.
-Marla, quer ir jantar
comigo e minha mulher? - Perguntou Soogh, caminhando ao seu lado em direção à
área de transporte - Ela está aniversariando hoje e pretendo levá-la para
jantar com alguns amigos. Já conversei com ela no telecom e ela está esperando
eu chegar.
Marla sorriu para ele com
seus dentes brancos e perfeitos.
-Essa é a vantagem de você
morar na Cidade Azul. Quando chega de uma missão, já está em casa. Eu não,
tenho que viajar para minha cidade. Agradeço o convite, mas não sei se poderei
ir. Ainda tenho que entregar o relatório da viagem ao nosso comando e não sei
se serei liberada logo.
Soogh sorriu, fitando-a
com malícia.
-O jantar terá muita gente
interessante. Você está solitária, por que não vai? Poderá conhecer alguém que
a interesse.
Marla continuou a
caminhar, deixando de sorrir.
-Não quero ligar-me a
alguém tão cedo, Soogh. Prefiro satisfazer minhas necessidades físicas no
Centro Sexual. Lá, as pessoas sabem que somente o que as une por algumas horas
é o desejo. Depois, se separam sem complicações.
Soogh a fitou com pesar.
Era evidente que ela ainda não se havia recuperado da perda de Della, a mulher com quem ela havia se
casado e vivido durante dez anos. Haviam se amado muito, até a morte de Della
em um acidente numa missão espacial. Já faziam três anos que Della havia
falecido, e Marla não havia se ligado a mais ninguém.
Caminharam em silêncio até
o ponto dos autodirigíveis. Ali, cada um iria para um diverso lugar. Soogh ainda
insistiu:
-Marla, volto a insistir.
O jantar será no setor dez, número vinte. Poderá ir quando for liberada pelo
comando, ficaremos lá até altas horas da madrugada.
-Vou pensar, Soogh. De
qualquer forma, obrigada pelo convite.
Bateu no ombro dele amistosamente
e se separaram. Soogh entrou em um autodirigível rumo à sua casa e Marla
dirigiu-se para outro que chegava à plataforma. Entrou no veículo de forma
cilíndrica prateado e colocou a mão em um sensor diante da poltrona, falando:
-Capitã Marla Flash.
Destino, Comando da Space Mission.
Uma voz gravada saiu de
uma abertura no painel:
-Acesso permitido. Aguarde
sinal da partida.
Um silvo se ouviu segundos
depois e o veículo fechou a porta e disparou em velocidade crescente sobre um
trilho, teleguiado por um computador da central de tráfego terrestre. Em menos
de cinco minutos começou a desacelerar, até parar em seu destino, numa
plataforma diante de um edifício em formato de cúpula, sem janelas, com apenas
uma porta de entrada. A porta do veículo deslizou, abrindo, e Marla desceu e se
dirigiu para a porta de entrada da construção, guardada por dois soldados
armados. Marla se identificou na tela sensora que fazia a leitura de retinas e
entrou no edifício.
O tubo elevatório a
conduziu até o quinto andar, onde desceu e foi recebida por um cyborg ( ser
artificial produzido em série), que a identificou com um leitor de retina
portátil. Depois ele a olhou com seu olhar sem expressão, avisando:
-Acesso permitido.
Marla avançou por um
corredor e parou diante de uma porta de blindagem espelhada. Ela sabia que a
pessoa do outro lado podia vê-la, mas ela não podia ver quem estava lá dentro.
Resignadamente, perfilou-se e declarou:
-Capitã Marla Flash
apresentando-se. Código ZZ60002.
A porta abriu, deslizando
para o lado e Marla avançou. A sala era enorme, com uma parede toda tomada por
uma tela eletrônica, mostrando um mapa de Worldsea com vários pontos piscando,
assinalando naves que pousavam e partiam. Sentados em volta de uma mesa de
tampo metálico, estavam dois homens e uma mulher, que a fitaram.
Marla aproximou-se e parou
à cinco passos da mesa, perfilando-se e levando o punho fechado ao peito, na
saudação militar.
-Capitã Marla Flash
apresentando-se para entregar o relatório da missão - Ela informou, formalmente.
A mulher atrás da mesa
sorriu. Era uma mulher magra, de traços aristocráticos e cabelos grisalhos, a
comandante France. Marla tinha contato com ela apenas no início e final de cada
missão, mas sabia que ela era dura e exigente com seus comandados. Os dois
outros homens Marla não conhecia. Mas era evidente que eram generais do alto
comando, pelo uniforme com cinco estrelas.
-Capitã Flash, estes são
os generais Thor e Blandy - a comandante France informou.
Marla os fitou. Eles a olhavam
com um frio olhar avaliador.
O general Thor era magro,
alto, com a cabeça completamente raspada, frios olhos azuis em um rosto de
expressão orgulhosa. Marla conhecia a fama dele como homem truculento e áspero,
temido pelos seus subordinados.
O general Brandy era mais
diplomata. Persuasivo em suas ponderações, era o homem de confiança do
presidente, que o escalava sempre para missões de alto nível. Havia sido ele
quem executara a famosa missão dos primeiros contatos com os venusianos,
coroada de pleno êxito.
Ele finalmente sorriu,
olhando para Marla.
-Aproxime-se, capitã. E
pode ficar à vontade.
Marla deu dois passos,
abandonando a rigidez militar.
O general Blandy deu uma volta em torno de Marla, fitando-a
atentamente e depois olhou para a comandante France.
-Tem razão, comandante
France. A capitã parece ser a figura ideal para a missão.
A comandante France sorriu
com satisfação.
-Como eu disse antes,
quando a vissem, concordariam comigo.
Marla os ouvia em
silêncio, intrigada. Figura ideal para a missão?Por que era importante a sua
aparência? Mas não externou sua dúvida, aguardando.
O general Brandy olhou
para o general Thor.
-O que acha,Thor? Concorda
comigo?
O general Thor olhou para
Marla com um olhar atento e frio.
-Concordo. É adequada. Já
vi o currículo dela. É experiente e a aparência corresponde com o que
desejamos.
O general Brandy tornou a
olhar para Marla.
-Então, está aprovada.
Capitã, quero que preste o juramento de fidelidade militar, antes de saber
sobre a missão que a espera.
Marla o encarou com
curiosidade. O juramento de fidelidade militar só era realizado diante de um
general quando a missão era ultra-secreta.
Ele pegou o código militar
e o colocou diante de Marla. Ela pousou a mão direita sobre o livro,
perfilou-se e declarou com voz solene:
-Juro com o penhor de
minha vida honrar o código militar e seguir fielmente o que ele determina, para
o bem de Worldsea.
O general a fitou
gravemente.
-Agora, está sob juramento
e deverá guardar segredo de tudo que souber aqui. Pode falar, general Thor.
O general Thor cruzou os
braços, numa pose arrogante. Olhou para Marla e começou a falar, com voz
pausada e fria:
-Você sabe que vive com um
alto padrão de vida, como todos cidadãos de primeira categoria, capitã. Tem
todas suas necessidades atendidas, como crédito para viver em uma bela casa
equipada com todo conforto, comida de primeira e acesso a todos os
divertimentos do Centro Cultural e do Centro Sexual. E além disso, disfruta do
bem mais precioso: água pura, vinda das calotas polares de Marte. Como sabe, os
cidadãos de segunda categoria, que inclue os criminosos e rebeldes, não possuem
o seu padrão de vida. Eles moram na Cidade Cinza, sem a cúpula de proteção,
respirando o ar poluído e bebendo água reciclada. Sua alimentação é inferior à
nossa, não possuem centro cultural ou sexual para lazer.
Marla o fitou em silêncio,
pensando onde ele queria chegar com esse rodeio. Ele continuou, depois de uma
pausa:
-Você sabe também que
apesar de sermos uma potência tecnológica, temos o nosso pé de Aquiles. A nossa
fraqueza é a escassez de água potável, água sem poluição para nossa
sobrevivência, que é importada de Marte. E sabe que a cidade de Castor se
rebelou contra a extração de gelo da calota polar do norte, originando uma revolução
que culminou com a decretação de independência pelo governante nomeado por nós,
que nos traiu. Mas nós reagimos e atacamos a cidade, para dominar a rebelião. O
governador traidor morreu durante o ataque, mas sua irmã assumiu sua causa e
agora ela é a chefe da rebelião da cidade de Castor.
Marla suspirou,
encarando-o.
-Sei de todos esses fatos
como todo cidadão de Worldsea, senhor.
O general sorriu com ar
diabólico, erguendo o dedo indicador.
-Ah, mas você não sabe que
a rebelde Kyra, de codinome Pantera Negra, é uma homossexual.
Marla o fitou sem se
abalar. O que era um estigma centenas de anos atrás, era hoje aceito como
normal. Muitas tradições do passado haviam sido abolidas: a religião, o
casamento só entre uma mulher e um homem, a reprodução com a cópula do macho e
da fêmea. A liberdade da preferência sexual agora era uma realidade,
reconhecida por lei. Ninguém mais escondia ou se envergonhava de ser
homossexual, sendo aceito pela sociedade tanto quanto um heterossexual.
-Esse fato é um dado
importante para o plano que concebemos - continuou o general - ela é uma líder
perigosa dos rebeldes. Eles a idolatram como sua libertadora. Somente com sua
eliminação conseguiremos quebrar o espírito de luta dos rebeldes. E é aí que
você entra.
Marla o fitou franzindo o
cenho.
-Como?
-Vamos iniciar uma missão
chamada Operação Estrela. Temos espiões infiltrados no meio dos homens que a
Pantera Negra comanda. E eles a convenceram que existem dissidentes em Worldsea
favoráveis à causa dela. Contaram a ela que um coronel dissidente vai raptar
uma nave de carga militar com um grande carregamento de armas. E que vai
desembarcar em Castor, para ajudar os rebeldes. Ela naturalmente está
desconfiada dessa ajuda, mas como precisa de armas para a luta, aceitou a
oferta.
Marla o fitou com secreta
impaciência.
-E que papel vou
desempenhar nesse plano, senhor?
Ele sorriu cruelmente.
-Essa nave seguirá amanhã
para Marte. Você como capitã, eu disfarçado em coronel. É claro que ela vai nos
receber com reservas. É aí que você entra. Conquiste a confiança dela com seu
charme. Convença ela de nossa amizade. Uma mulher apaixonada é como um barco à
deriva querendo ser governado. Você e eu nos infiltraremos no movimento e
prepararemos uma armadilha para ela e seus seguidores.
Marla o fitou
decepcionada. Estavam convocando-a para uma missão suja, uma traição! Não
conhecia a Pantera Negra, mas secretamente simpatizava com a causa dela. Ela
queria preservar um bem imprescindível para a vida da cidade de Castor. E sabia
que ela havia nascido na cidade, então era mais marciana que uma cidadã de
Worldsea. Não podia ser considerada uma traidora do governo de Worldsea. A
Pantera Negra estava apenas lutando pelo bem maior de seu povo. E agora, ela
iria trair uma mulher que lutava por uma causa justa! Era revoltante o que o
governo de Worldsea pretendia. E não podia recusar! Estava sob juramento
militar, e se não concordasse com a missão, seria julgada sumariamente pela
côrte marcial como traidora. E isso significava uma condenação certa, com
desterro para a Cidade Cinza, para viver entre criminosos miseravelmente, ou
até a morte.
-Senhor, ninguém garante
que a Pantera Negra vai ser conquistada por mim. O que os senhores consideram
uma escolha adequada para o plano pode não ser do gosto da Pantera Negra - Disse Marla, tentando fazê-los desistir de
sua escolha.
O general Thor sorriu
maliciosamente.
-Isso é uma hipótese
remota, capitã. Você é o tipo dela. Toda população de Castor sabe que ela gosta
de mulheres morenas, atléticas e de personalidade forte. Você é a escolhida
para essa missão, capitã. Agora, um detalhe importante: ninguém na tripulação
deverá saber minha verdadeira identidade. Serei apenas o coronel Blue.E para a
tripulação, apenas estaremos transportando uma carga de armas para a cidade de Polux, fiel ao nosso governo.
Quando desviarmos a rota para Castor, diremos à tripulação que tivemos de fazer
um pouso forçado por problemas técnicos. Depois, diremos que fomos coagidos a
ajudar a rebelde. Quem se revoltar, será preso, sob alegação de desrespeito a
ordem superior.
-A tripulação será a
usual? -Marla perguntou, derrotada.
-Sim. Um biólogo, um
médico, um geólogo, um engenheiro, piloto e capitão, além de meu comando. Os
soldados serão cyborgs. São mais adequados para viagens longas: não consomem
alimento e não ficam doentes ou cansados, como soldados humanos.
O general Brandy então
completou:
-Capitã, quando cumprir a
missão, será promovida a coronel, como prêmio pela sua missão. Amanhã, às dez
horas da manhã, esteja na plataforma 104, de onde partirá a nave-cargueiro
Titan. Apresente-se ao general... isto é, ao coronel Blue.
-Sim, senhor.
Ele sorriu.
-Está liberada, capitã.
Pode ir.
Marla retirou do bolso o
relatório e o entregou à comandante France.Fez sua saudação militar e saiu.
Marla estava decepcionada e revoltada pelo papel
que iria fazer.Nunca antes fizera algo como isso! Era uma missão indigna,
conquistar e trair uma mulher que só pensava no melhor para sua cidade natal.
Estava também decepcionada
com o presidente de Worldsea. O povo não sabia, mas nos círculos militares e
científicos corria a notícia que haviam descoberto uma alternativa para a
extração de gelo em Marte. Havia um imenso lençol de água subterrânea em Marte,
equivalente a um terço dos mares que haviam na Terra. O presidente não havia
divulgado a notícia porque queria continuar a guerra contra a cidade de Castor.
Ele queria mostrar à cidade rebelde que Worldsea não podia ser desafiada e
aceitar a perda de sua colônia, mostrando fraqueza.
Era tudo um jogo político do presidente, sem se
importar com as vidas que seriam perdidas.
Ela tomou o autodirigível e rumou para seu
alojamento, no setor militar.
O alojamento tinha câmara de sono, de banho,de
alimentação e uma pequena sala com música ambiental e tv holográfica. O
essencial para uma oficial como ela.
Marla tomou um banho de ducha e depois passou pelo
esterilizador, que secou seu corpo e eliminou qualquer bactéria na pele . Após
estar completamente seca, escolheu em um painel a essência que usava. Uma nuvem
de perfume envolveu seu corpo. Saiu da câmara e vestiu um uniforme limpo que
tirou de sua mala. Calçou as botas, escovou seus cabelos e saiu.
Detestava os alojamentos. Eram frios e impessoais.
Depois de dois meses viajando, lidando com cyborgs, queria ver gente. Resolveu
ir ao Centro Sexual. Precisava de uma mulher para acabar sua abstinência sexual
de dois meses.
********
O Centro Sexual tinha três entradas numeradas.
Marla sabia que a entrada 1 era para pessoas heterossexuais, a entrada 2 para
bissexuais e a entrada 3 para homossexuais. Ela dirigiu-se para a entrada 3 e
um casal de cyborgs a recebeu, atrás de um painel.
-Código? - Perguntou a cyborg feminina.
-ZZ60002 - Respondeu Marla.
A ciborgh digitou o número. Depois fitou-a com um
sorriso artificial.
-Acesso permitido. Mesa número 200.
Marla entrou no centro. Um corredor a levou a um
vastíssimo salão iluminado por uma coloração rosada. Ali haviam mais de mil
mesas, cada uma com um painel e duas poltronas. Inúmeros homens e mulheres
estavam sentados nelas, bebendo Rizan, uma bebida afrodisíaca, pesquisando no
painel à procura de uma companhia. Quem já havia encontrado a sua, conversava
com a escolhida. Se a vontade fosse mútua, iriam para uma câmara particular
para ter sexo.
Marla sentou diante da mesa designada e ligou o
painel. Logo uma cyborg veio atendê-la, trazendo uma garrafa de Rizan e duas
taças.
-Bem-vinda, querida - Disse a cyborgh, com uma voz
sem emoção.
Marla a olhou. A cyborg
era como as outras de sua série, loura e bonita, mas com o sorriso automático e
olhar sem expressão, que caracterizava os cyborgs. Ela afastou-se depois de
servir a bebida.
Marla tomou um gole da
deliciosa bebida gelada. Tinha um sabor semelhante ao champanhe, mas não
continha álcool.
O painel emitiu um zumbido
de chamada. Marla apertou o botão receptor e na tela surgiu o rosto de uma
mulher morena.
-Você interessou-me,
número 200. Estou na mesa 130.
Marla analizou aquele
rosto. Era bonito, mas muito masculino para seu gosto.
-Negativo - respondeu
Marla.
A mulher fez uma expressão
decepcionada e a imagem saiu do painel.
Marla acionou o rastreador
de procura. Vários rostos com o números das mesas correspondentes foram aparecendo no painel. Marla ficou
olhando, bebericando sua bebida. Até então, nenhum a interessou.
"Estou ficando muito
exigente" - Pensou.
Uma nova chamada zumbiu.
Marla apertou o receptor e um rosto apareceu na tela, substituindo o outro que
olhava.
Marla interessou-se. A
mulher era linda! Encantada, ouviu-a dizer:
-Estou na mesa 120. Você
interessou-me.
A voz soava suave e doce.
Marla ficou imóvel, admirando os belos olhos verdes, o rosto de feições
delicadas, emoldurados por longos cabelos louros. Aqueles olhos verdes como
esmeraldas a deixaram sem voz.
A mulher franziu o cenho,
decepcionada por sua falta de resposta.
-Não a interessei, não é?
Não gostou de minha apararência.Tudo bem.
Ela saiu da tela antes que
Marla pudesse dizer alguma coisa. Marla ergueu-se precipitadamente, afobada.
Não podia perder aquela mulher! Talvez nunca mais a visse ali! Com passadas
largas de ansiedade, foi à procura da mesa 120.
Ela viu a mulher se
levantando da mesa e dirigir-se para a saída. Correu e a alcançou, pousando a
mão em seu ombro. Ela voltou-se com um olhar indignado, que suavisou quando viu
quem era. Ficaram se fitando por uns momentos, em silêncio. Marla sentia-se
como presa a um encantamento, olhando aqueles olhos lindos.
Finalmente encontrou voz
para dizer:
-Vim procurá-la. Você
entendeu mal o meu silêncio.
Um sorriso adorável curvou
aqueles lábios vermelhos e cheios.
-Realmente? E o que eu
deveria deduzir, com seu silêncio?
Marla sorriu.
-Que eu estava
impressionada por você. Por favor, quer acompanhar-me até minha mesa?
Ela a fitou sorrindo.
-Bem... acho que a minha
já foi ocupada. Eu a liberei encerrando o painel.
-Então, aceite meu
convite. Por favor?
-Está bem. Vamos.
Disfarçadamente, Marla a
observou caminhando ao seu lado.Ela era mais linda pessoalmente.Era bem mais
baixa que ela própria, mas o corpo era bem feito, com curvas harmoniosas.
Estava vestida com uma túnica semelhante às antigas gregas do milênio 1, uma
moda que as mulheres haviam adotado em
locais de lazer.
Chegaram à sua mesa e
Marla sentou em sua poltrona e a mulher
sentou na outra, ao lado da sua.
-Meu nome é Marla. E o
seu?
-Jana.
Marla serviu uma taça de
rizan para ela. Jana a pegou com a mão trêmula, demonstrando que estava
nervosa. Marla a encarou com admiração, tomando um gole de sua taça.
-Está nervosa, Jana? Por
que? Nunca esteve aqui antes?
Ela a encarou com um meio
sorriso.
-Bem... realmente, nunca
estive aqui antes.
Marla a contemplou
atentamente.
-Entendo... você é uma heterossexual.
Veio aqui para ter uma experiência. E agora, deve estar com medo de realizá-la.
Ela a fitou nos olhos,
séria.
-Isso não a aborrece?
Marla sorriu.
-Por que me aborreceria?
Você é linda e escolheu-me entre tantas outras. Não precisa ter medo. Sairá
dessa experiência sem nenhum dano, se quiser continuar.
Jana enrubesceu. Há muito
tempo Marla não via isso em uma mulher. Achou-a adorável.
-Eu... não sei como
proceder nessa situação - sussurrou Jana.
-Apenas relaxe. Prove o
rizan.
-Que bebida é essa?
Marla a fitou surpresa.
-No setor hetero não a
servem?
Jana a fitou embaraçada.
-Não sei.
-Não sabe?! Jana, qualquer
mulher jovem solteira vem ao Centro
Sexual para ter sexo. Você quer dizer que nunca veio ao Centro nem na parte dos
heterossexuais?
Ela a fitou nervosamente.
-Não...
-Você é casada? Ou com
compromisso?
-Eu... bem... não.
Marla franziu o cenho. Se
ela não era casada e não tinha compromisso com alguém, por que não vinha ao
Centro Sexual?
A resposta veio em sua
mente como um raio. Ela era uma hetaira! Pertencia a algum homem poderoso de
Worldsea! Uma hetaira era criada para pertencer a um homem . Ele pagava um alto
valor no mercado negro para a compra de uma mulher virgem, intocada por
qualquer pessoa. Esse mercado era fora da lei, o governo o combatia
incessantemente, mas ele sobrevivia. As hetairas eram produzidas através de
clonagem e geradas em úteros artificiais, em um lugar desconhecido pelo
governo. Nasciam e eram criadas até os dezessete anos, quando eram vendidas.
Para se ter uma hetaira, era preciso ter muito poder, para não ser questionada
a sua posse.
-Jana, você é uma hetaira!
- Disse Marla, chocada.
Ela a fitou com o cenho
franzido.
-Isso faria alguma
diferença no que pretendemos fazer ?
-Claro
que faz! Percebe o que está fazendo? Se
o seu dono souber que esteve aqui, vai ficar furioso. Ele não perdoará sua
traição e você poderá ter um castigo terrível! E depois, ele vai caçar quem
esteve com você.
Jana a fitou
imperturbável. Sua voz era desafiante:
-Está com medo? Eu não
estou.
-Não é medo. É bom senso.
Não quero envolver-me em uma loucura.
Jana ergueu-se,
depositando a taça na mesa. Fitou-a com ar superior e frio.
-Eu pensei que você fosse
uma mulher corajosa, nesse uniforme da Space Mission. Mas enganei-me. A menos
que ache que eu não valho o risco.
Marla ergueu-se também,
seus olhos azuis cintilando com o desafio e o insulto.
-Está insinuando que sou
uma covarde?
Jana a encarou com
desafio.
-Não está com medo das
consequências de ficar comigo esta noite?
Marla ficou fitando-a, com
as mãos na cintura. Acabou dando uma risada baixa.
-Muito bem, aceito o
desafio. Você vale o risco.
Jana sorriu, os olhos
enchendo-se de calor. O nariz pequeno enrugou, adoravelmente. Marla a tomou
pela mão e sentiu-a tremer.
-Vamos para a câmara de
prazer?
-O que é isso?
-Você verá. Não vai tomar
o rizan? É um afrodisíaco.
-Não preciso disso. Vamos.
*****************************
Continua
na parte 2
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