Doce Vampira
Leth cross
Parte
2
6
de junho, 22:30 horas
Angelina ficou imersa
naquele encantamento, vendo a mulher alta e misteriosa caminhar até o balcão e
pedir uma bebida.
Theodora
pediu um Blood Mary e tomou um longo gole, voltando-se e olhando para a
lourinha que a observava. Em seus lábios surgiu um sorriso afetado. Aquela
lourinha estava sob seu encanto. E era surpreendente também aquela garota a
atrair tanto. Afinal, ela não era seu tipo! Sempre gostara de mulheres altas
como ela, de seios fartos, bem sensuais. E aquela lourinha...parecia ingênua
demais para seu gosto.
Maldição,
Theodora, deixe de ser idiota! Já devia saber que essas mulheres com carinha de
ingênua é que são as mais safadas! – pensou, fitando a lourinha da cabeça aos
pés. Ela não era alta, mas que corpo curvilíneo! O top de couro deixava à
mostra o abdômen musculoso, a saia
curta de couro mostrava as coxas fortes e pernas apetitosas. E o rosto...
aqueles olhos claros, brilhando, no rosto de traços delicados...hummm...
Theodora
sorriu com malícia, os olhos cravados na lourinha.
-Oh,
minha pombinha... – Sussurrou – O lobo mau vai devorar você...de todas as
maneiras...
Uma
nova música começou a tocar. Scandalous, com Miss Teeq. Theodora confiantemente
se aproximou da lourinha com a mão estendida, um sorriso sensual nos lábios e
um convite nos olhos azuis.
So, so, so, Scandalous…
You know you wanna sing with us
Tha’s why you know you should be scared of us
Straight talk sex appeal
One touch gives me chills and we ain’t
even close yet
Rough neck all around
Inking all over town
Show me how you get down
Cos we ain’t even close yet
Angelina ergueu-se, colocando sua mão naquela mão de
dedos longos e elegantes, fascinada por aqueles olhos azuis que brilhavam na
luz negra. Não podia resistir à aquele olhar, aquele rosto tão belo. E quando
sua mão foi envolvida pela outra bem maior, ela sentiu como que uma corrente
percorrer seu corpo. E se deixou ser envolvida nos braços da estranha, que a
puxou contra seu corpo pela cintura, e a outra mão segurando a sua com
possessividade.
Angelina
sentiu uma intensa onda de desejo, com a coxa da bela estranha atrevidamente
insinuada entre as suas, apertando contra seu sexo. Abraçou o pescoço da
estranha, sentindo um cheiro exótico, de almíscar misturado com couro de fina
qualidade, e algo mais indefinível, talvez o cheiro da pele da estranha, um
cheiro deliciosamente embriagador.
Elas
se moveram em perfeita sincronia, ao som do rap com uma batida sensual. Seus
corpos se tocando sensualmente, no ritmo da música, como um só. Olhos nos
olhos, até que Angel pousou a cabeça no ombro da morena, com a sensação que
pertencia à aquele lugar, que pousara a cabeça ali inúmeras vezes.
Theodora
aspirou o cheiro dos cabelos da lourinha, fechando os olhos. Delícia pura! Um
cheiro de fêmea, de limpeza, de um suave perfume. Enfim, um conjunto de cheiros
que formavam o cheiro da mulher
encantadora.
Contrário
aos seus costumes, pela primeira vez quis saber o nome da mulher que tinha nos
braços, que não evitava o contato de seu corpo, pelo contrário, se entregava em
seus braços confiantemente, a cabeça encostada no seu peito.
-Olhe
para mim.
A voz
não soou como um pedido, mas sim como um comando. Angelina quis revoltar-se,
não atender, mas como negar uma ordem daquela voz profunda e aveludada, que
fazia arrepios em seu ouvido?
Assim,
ergueu o rosto e fitou os fascinantes olhos que a olhavam atentos.A morena sorriu,
mostrando alvos e perfeitos dentes, que luziram como pérolas. Ficaram se
fitando imóveis, a música acabou e entrou outra . Os casais dançavam em volta
delas, mas elas os ignorava, como se estivessem sozinhas.
Theodora
a puxou para um canto do salão pela mão e a fitou com admiração.
-Linda...
– Disse Theodora, sinceramente – Um rosto angelical.
Angel
riu, achando graça.
-Angelical?
Nunca me disseram isso. Acaso sabe meu nome, e está fazendo um trocadilho sem
muita imaginação?
Theodora
a fitou confusa.
-Trocadilho?
Por que acha que estou fazendo isso? Como é seu nome?
-Meu
nome é Angelina, mas pode chamar-me por Angel.
Theodora
ergueu as sobrancelhas, admirada e divertida.
-Oh,
estou surpresa, não sabia seu nome! Mas acho perfeito. Bem de acordo com você.
Angel
tornou a rir.
-Não
se engane com aparências. Não sou nada angelical. Tem muitas mulheres que até
dizem que sou... uma diabinha.
-Adoro
diabinhas também. Mas para mim você pende mais para anjo. E aliás, meu nome é
Theodora.
-Theodora...um
nome forte, personalíssimo, como você. É grego, não?
-Sim...mas,
porque não saímos daqui para nos conhecermos melhor? Ir a um lugar mais
tranqüilo, tomar um drink e conversar... – Disse Theodora impulsivamente, e se
interrompeu, pensando alarmada: o que estou fazendo?! Eu, Theodora Kymadakis,
convidando uma mulher para sair e conversar! Nunca fiz isso! Eu simplesmente as
tomo e uso! Essa mocinha tem algum encantamento? É uma bruxa?
Angel
a fitou atenta, fitando aqueles olhos fascinantes, percebendo que Theodora
estava perturbada com algum pensamento. Mal a conhecia, mas pela primeira vez
na vida, sentia que estava totalmente apaixonada, que não podia negar nada à
aquela mulher. Isso era inédito, mas era algo que não tinha forças para lutar
contra. Ela, Angelina Reynolds, que não ficava com uma mulher mais que uma
semana, porque não conseguiam prender seu coração, estava ali à mercê de uma
completa estranha! E teve medo dela se arrepender da proposta e ir embora.
Então, respondeu ansiosa:
-Sim,
podemos ir...
-Você
tem certeza? – Perguntou Theodora, arrependida do seu impulso, mas também não
querendo decepcionar aquela mocinha – Afinal, mal me conhece...
-Sempre
tive certeza do que queria, Theodora. E
sei que quero conhecer você melhor – Disse Angel, com olhar determinado.
Oh...
a garota não era a bonequinha bobinha que pensava...por trás daquele rostinho
ingênuo se escondia uma mulher de personalidade, que sabia o que queria – Pensou
Theodora, encantada. E contra suas regras, tomou a atitude que sua condição não
permitia, procurar conhecer melhor uma pessoa que não era como ela:
-Vamos
indo então – Disse, pegando a mão de Angel e se dirigindo para a porta do
clube.
Na rua, Theodora parou, indecisa. Onde
levar Angel? Para o seu refúgio, no
famoso edifício Dakota, perto do Central Park? Ou para um hotel? Decidiu para o
seu refúgio. Seus servos estariam dormindo e não perceberiam elas chegarem.
Angel
notou a hesitação dela e perguntou curiosa, segurando-a pelo braço:
-O que
foi? Parece indecisa...
Theodora
a fitou sorrindo.
-É que
estava pensando onde poderia levá-la.
Angel
sorriu, fitando-a nos olhos.
-Conheço
vários hotéis que recebem bem duas mulheres e não fazem perguntas.
Theodora
ergueu as sobrancelhas, com ar divertido.
-Oh,
pelo que vejo essa carinha de anjo é só aparência...
-Ei,
não sou promíscua, se está pensando isso – Protestou Angel, fitando-a franzindo
o cenho – Só vou para a cama com uma mulher depois que a conheço melhor. Meus
casos podem não durar, mas não vou para a cama sem conhecer com quem estou.
Theodora
tomou seu rosto entre as mãos e a fitou sorrindo.
-Tudo
bem, Angel. Nada disso tem importância. Eu vou levá-la para minha
casa.Tem algum problema?
-Com
você eu vou a qualquer lugar, Theodora... – Declarou Angel, olhando a bela
morena com olhos apaixonados.
Ah,
pombinha, se você soubesse! O lobo mau está em pele de cordeiro! – Pensou
Theodora, quase lambendo os lábios.
-Então vamos indo. Você veio de carro?
-Não,
vim de táxi.Essa área é difícil de achar estacionamento.
-Ótimo,
eu estou com o meu, acompanhe-me...
Theodora
a conduziu até uma Mercedes negra
estacionada no outro lado da rua e abriu a porta traseira para Angel
entrar, fazendo um floreio com a mão.
-Entre,
bela Angel.
Angel
entrou e sentou, observando que havia um motorista uniformizado ao
volante.Theodora fechou a porta e deu a volta, se sentando ao lado de Angel.Deu
uma ordem curta para o motorista e o carro saiu com seu potente motor
ronroneando suavemente.
Angel estranhou o motorista não ter aberto a porta
para elas, nem dizer um boa noite, mas se Theodora não se importava, não era
ela quem iria ligar. Olhou para o perfil de Theodora, fascinada. Aquela mulher
tinha um fascínio que a deixava surpresa consigo mesma. Nunca ninguém a
impressionara tanto...
Sorriu.
A quem estava tentando enganar? Estava mais que fascinada, estava louca por
aquela mulher sexy que mal conhecia. Se Theodora quisesse, se entregaria à ela
ali mesmo, sem se importar com o motorista .Era tão louco o que sentia! Sempre
fizera um jogo com suas conquistas,
para depois se entregar. Com Theodora, se sentia impotente para fazer isso.
Theodora
a fitou, voltando o rosto, com um sorriso predatório. Angel tomou o rosto dela
entre as mãos e puxou-o para baixo,
suas bocas se esmagando em um beijo ardente, cheio de paixão.
Theodora emitiu um som primal, como uma
pantera, sugando a boca de Angel, suas línguas se alisando, as mãos vindo para
sua cintura , levantando-a do banco
como se fosse uma boneca de algodão e a pousando em sua coxa. A mão foi para o
seio de Angel, bolinando o bico sobre o top de couro, com dedos práticos.
Angel
gemeu dentro da boca de Theodora, apertando-se mais contra ela. A mão de
Theodora desceu e alisou suas coxas, insinuando-se entre elas, a ponta dos
dedos tocando a calcinha já úmida da excitação de Angel.
Theodora
soltou um baixo grunhido, enfiando os dedos longos dentro da calcinha e tocando
o clitóris molhado. Angel se contorceu em seu colo, puxando a cabeça de
Theodora para mais contato de sua boca, sentindo os dedos da morena bolinar seu
clitóris com um jeito maravilhoso, deixando-a louca.
-Oooohhh!
– Gemeu, afastando a boca, abrindo mais as pernas. – Mais! Com mais força,
enfie, enfie!
Theodora
conteve-se, fitando Angelina com um sorriso sensual.
-Agora
não, minha coisinha gostosa... uma boa refeição deve ser degustada aos
poucos... ainda é cedo...
Angel
a fitou com a respiração opressa.
-Refeição?Degustada?
Oh, não brinque comigo, Theo! Estou louca por você e não posso esperar mais! Eu
vou explodir, se não me fizer gozar logo!
Angel puxou o seio de dentro do top e o
ofereceu à boca de Theodora.
-Venha,
chupe ele todo, Theo...
Theodora
passou a ponta da língua pelos lábios, fitando o seio firme e de biquinho
rosado.
-Hummmm...
eles são naturais, ou você colocou implantes de silicone?
Angel
a fitou ofendida. Tornou a colocar o seio dentro do top.
-Que
pergunta idiota! Claro que são naturais! Não preciso me encher de silicone, se
acaso suspeita disso!
Theodora
sorriu, acariciando a abertura de Angel lentamente.Enfiou dois dedos
lentamente, sentindo os músculos vaginais de Angel se contraírem em volta
deles, a vagina macia, molhada, quente.
Angel
fechou os olhos, apertando-se contra os dedos de Theodora, começando a mover os
quadris para se impalar ainda mais .
-Oohhh!
Mais! Mais, Theo! – Gemeu Angel.
Theodora
enfiou mais um, depois mais outro, elastecendo-a ao máximo, o polegar no
clitóris massageando, enquanto empurrou com força. Angel aumentou a velocidade
de seus quadris, sentindo aqueles dedos longos se mexendo em seu interior,
levando-a à completa loucura. Pouco se importando se o estranho motorista a
estava vendo pelo espelho retrovisor, o que sentia a despia de qualquer outro
sentimento que não aquela necessidade de ser possuída por Theodora.
Theodora
sentia a excitação da garota a alcançar em ondas e logo se sentiu também
excitadíssima.Baixou a vista para as coxas fortes, sua mão se movendo no sexo
em fogo, e soltou um grunhido gutural.
-Chegamos,
minha ama – disse o motorista, com voz baixa.
Theodora
continuou a empurrar seus dedos, sentindo os primeiros tremores do êxtase de
Angel. E a garota então estremeceu violentamente e a beijou com loucura, mordendo
sua boca, no estertor do orgasmo. Theodora sentiu o dente de Angelina em seu
lábio inferior. Empurrou-a, jogando-a
sobre o banco, levando a mão ao lábio.
-Não
devia ter feito isso, menina! – Disse com voz dura, com o coração aos saltos.
Angel
a fitou com evidente receio e arrependimento.
-Oh!
Desculpe-me! Eu...descontrolei-me...nem percebi o que fazia!
Theodora
abriu a porta e desceu do carro em um salto, transtornada. A lourinha a havia
mordido! Se apenas uma gota do seu sangue havia sido engolida por ela, a garota
estava contaminada! Iria se tornar uma vampira!Maldição!
Parou,
surpresa consigo mesma. Já havia mordido tantas mulheres! E nunca se importara
se elas haviam se tornado vampiras, porque estava se importando agora?
-Está
bem... – Rosnou, se inclinando e estendendo a mão para Angel – Venha, desça do carro.
Angel
aceitou a mão e saiu do carro, só então notando que haviam entrado na área de
estacionamento do edifício Dakota. Olhou para Theodora com admiração.
-Você
mora aqui?
-Sim.
Vamos entrar.
-Oh,
esse edifício me fascina! Sempre quis entrar aí, era onde morava John Lennon e
onde filmaram o filme O Bebê de Rosemary, um cult de Roman Polansky!
Theodora
a fitou sorrindo, pegando-a pela mão.
-Já
ouvi falar nisso. Foi o que me atraiu em morar aqui, gosto de ambientes que
possuem uma história.Venha.
E as
duas entraram no edifício, de mãos dadas. O segurança a fitou com um sorriso
polido em seu posto, mas intimamente pensando que daria um braço para poder ter
uma daquelas mulheres. Eram dois tipos diferentes, mas ambas lindas e com
corpos que deviam ser uma gostosura.
Angel
olhava o hall de entrada com ar curioso, em estilo art deco.Era impressionante
os arcos do teto, a iluminação com lustres antigos, o chão de granito polido em
tons escuros.
Pegaram
o elevador e Theodora apertou o botão da cobertura. O velho elevador começou a
subir lentamente.Angel abraçou a cintura de Theodora, pousando a cabeça em seu
ombro, suspirando. Theodora inclinou a cabeça, fitando-a e aspirando o cheiro
dos cabelos louros com deleite.
-Estou
louca por você, Theodora...
Theodora
sorriu, passando o braço pelos ombros dela e apertando-a contra o corpo.
-Logo
vai poder me mostrar isso, pombinha...isto é, Angel...sem ninguém além de eu e
você.
-É
mesmo? Você mora aqui sozinha?Não tem ninguém mais?
-Ah,
eu tenho cinco criados. Meu apartamento é um triplex, então dá muito trabalho
para conservar tudo limpo e arrumado.Mas estamos indo direto para a cobertura,
então ninguém nos perturbará.
-Não
sabia que esse edifício antigo possuía triplex.
-Esse
prédio é grande, mas foi projetado com muitos cômodos pequenos.Muitos
compradores resolveram ampliar esses cômodos derrubando as paredes e fazendo de
três, um só. E também compraram apartamentos próximos, transformando em duplex
ou triplex. Eu fiz isso e transformei três apartamentos em um só.
-Já li
algo sobre isso. John Lennon fez isso também e chegou a anexar mais um
apartamento só para guardar os seus casacos de peles e dos de Yoko Ono!
Chegaram
ao último andar. Elas saíram do elevador e acessaram um vestíbulo forrado com
um grosso tapete vermelho e paredes com papel em tom azul da prússia. Ladeando a entrada, duas górgonas de pedra,
semelhantes às da antiga catedral de Notre Dame, em Paris.
Theodora
fez uma mesura, abrindo a porta de mogno com entalhes e dois anjos . E o som
alto de uma música explodiu em seus ouvidos:
Cause this is thriller, thriller night,
And no one’s gonna save you from the beast about to
strike
You know it’s thriller, thriller night,
You’re fighting for you life inside a killer ,
Thriller
tonight…
O rosto de
Theodora se contraiu de surpresa e raiva.
-Michael Jackson novamente!
– Rosnou, empurrando a porta,
que se abriu
completamente – Maldição!!!!
Ela entrou e Angel a seguiu, curiosa. Elas desceram as escadas
correndo para o pavimento inferior . E
a cena diante dos seus olhos fez Angel parar surpresa, não acreditando no que
via:
No
meio de um imenso salão decorado com móveis antigos de cor escura, extremamente
luxuoso, cinco estranhas pessoas dançavam imitando a coreografia do famoso
videoclip Thriller, cantada e dançada por Michael Jackson há mais de vinte anos
atrás. Eles se moviam em perfeita sincronia, com suas roupas escuras, cabelos
desgrenhados e profundas olheiras no rosto pálido.
-PAREM
COM ISSO, FILHOS DE UMA BACANTE!!!! – Berrou Theodora, com o rosto transtornado
de raiva.
As
cinco pessoas pararam de dançar imediatamente e olharam com evidente temor para
Theodora, que desceu as escadas com passos furiosos e se colocou diante deles
com as mãos na cintura, as pernas afastadas, numa pose ameaçadora.
-E
PAREM ESSA MALDITA MÚSICA!!!! – Gritou Theodora.
Uma
moça alta e magra, de cavernosos olhos e lábios com um baton vermelho cor de
sangue correu e baixou completamente o som do player sobre um aparador e olhou
para Theodora com receio. Seus cabelos ruivos caíam pelos ombros magros,
parecendo precisar de uma boa lavagem e escovada há meses.
Angel
observava a cena com curiosidade. Aquelas pessoas pareciam crianças pilhadas em
uma travessura, todas encolhidas ao olhar de Theodora.Teve pena deles. Estavam
apenas se divertindo, imitando o clip de Michael Jackson. E estavam perfeitos!
As roupas, a maquiagem que os faziam parecer zumbis, a dança...
Ela encarou Theodora
e falou com voz sedutora, alisando o rosto da alta mulher:
-Oh,
eles estavam dançando tão bem, Theo! Como pode ficar aborrecida com a
performance deles? Eles são o máximo! A maquiagem está perfeita, as roupas, a
coreografia... eles são admiráveis artistas, Theo!
Os cinco se
entreolharam admirados.
-Hã?
Maquiagem? Nossas roupas? Artistas? – sussurrou um deles.
-Quem são
eles, Theo? – Perguntou Angel, fitando os dançarinos.
Theodora rodou
os olhos.
-Angel, deixa
eu resolver esse problema? Eles são meus servos e me devem obediência! Eu os
proibi de dançar essa música ridícula! E eles continuam!
Angel a fitou
com reprovação.
-Servos?!
Theodora, está pensando que possui um feudo e eles são seus servos?!Acorde,
Theodora! Estamos no século 21! Terceiro milênio! Não estamos na idade média,
nem em algum país feudal! Estamos em New York, na América! Que tem demais eles
dançarem para se divertirem?
-Mas,
Angel! Eles devem obediência a mim, não podem fazer coisas que não aprovo
quando estou ausente! – Gemeu Theodora, gesticulando para enfatizar seu
argumento.
Os
servos fitaram Theodora incrédulos. A poderosa Theodora justificando-se com uma
pessoa, ao invés de pegá-la pela garganta e sacudi-la como um cão raivoso?!
Suas cabeças se juntaram, para confabularem:
-Nossa
mestre está dominada! – Sussurrou um dos criados, muito magro, com olheiras
roxas, pálido e os cabelos negros espetados.
-Ela
está é abjetamente caída por essa lourinha – Disse a ruiva, cheia de inveja.
-A
lourinha impediu que nossa mestre nos agredisse – Sussurrou outro, fascinado.
Era troncudo, careca e com um terno apertado e curto.
-Mas
a lourinha pensa que estamos maquiados! Ela não sabe que somos assim mesmo! – Sussurrou
outro mais, um homem de queixo e nariz proeminente, os ralos cabelos
eriçados, com um olho de vidro azul e o
outro verdadeiro castanho.
-Mesmo
assim, a lourinha parece estar do nosso lado – cochichou o último, um anão
gordinho – é importante tê-la como nossa aliada!
-PAREM
DE COCHICHAR COMO MATRONAS FOFOQUEIRAS!!!! – Gritou Theodora, enraivecida,
apontando a porta – E sumam daqui, depois eu vou ter uma conversa com vocês!
-Ah,
não, Theo! – Disse Angel, se colocando entre a alta mulher e seus servos, com
as mãos na cintura – Eles são uns artistas e estavam fazendo uma performance
perfeita! Não pode impedi-los de fazer algo tão lindo!
Theodora
a fitou incrédula.
-Fazer
algo tão lindo?! Acha a coreografia de Thriller uma coisa linda?!
-Claro
que sim, paixão! E vou fazer parte dessa dança, você não vai ficar brava
comigo, não? Sempre desejei dançar isso! – Declarou Angel, acariciando o rosto
de Theodora.
Theodora
sentiu-se derreter com a carícia. Quase babou.Era espantoso como aquela lourinha
estava dominando-a, e em tão pouco tempo! O que será que ela tinha, será
que o líquido de seu orgasmo continha um feitiço? Estava a cada momento
desejando-a mais, só pensava em possuir aquela mulher de todas as formas
possíveis.
-Uh...pode
dançar...mas só um pouco, que tenho planos para nós em meu quarto – Concordou,
pegando a mão de Angel e a beijando.
Angel
sorriu vitoriosa e se voltou para os criados, que a fitavam com sorrisos
estranhos.
-Vamos
lá, pessoal! Som na caixa! Coloquem a música!Vamos dançar!
A
ruiva correu até o player e aumentou o volume. A música estrondou no ambiente e
eles começaram a dançar. Angel se colocou ao lado do careca, que era o melhor
dançarino, e começou a sacudir o corpo no ritmo da música, e imitando os passos
do clip famoso.
De braços
cruzados, Theodora observava Angel com atenção. A lourinha tinha jeito para a
coisa, estava acompanhando a coreografia muito bem!Pena que ela estava dançando
aquela música que odiava, porque achava
que mostrava uma aberração que não era verdade, como zumbis que saíam de
túmulos.Achava o clip uma palhaçada, mas seus criados adoravam dançá-lo, para
seu desgosto.
Angel
dançava com prazer, sacudindo o corpo, dando passadas, movendo os braços em
poses grotescas. E subitamente, começou a sentir um fogo interno queimar seu
corpo. O que era aquilo? A sensação aumentou, ela parou de dançar e colocou a
mão na garganta. Tentou pedir ajuda, mas caiu para a frente, sendo sua queda
aparada por Theodora, que já tinha percebido o mal-estar dela e pulou como um
gato para socorrê-la.
Theodora
a segurou nos braços e a transportou até um sofá, depositando-a com cuidado. Se
voltou para os criados que haviam parado de dançar e as olhavam expectantes.
-Parem
essa música ! – Gritou, fitando-os com olhar ameaçador.
Ela
se voltou para Angel, se ajoelhando ao
lado dela. Angel estava desmaiada, respirando com dificuldade, os olhos
fechados, pálida e suando profusamente. Já conhecia aqueles sintomas. Maldição!
Angel estava contaminada!
Para
maior certeza, abriu um olho dela com o polegar, erguendo a pálpebra. A íris
estava dilatada, a pupila com um fulgor avermelhado. Outro indício. Abriu os
lábios dela com os dedos e fitou atentamente os dentes dela. Os caninos estavam
um pouco pontudos, outro indício decisivo para seu diagnóstico.
Os criados haviam se aproximado silenciosamente e observavam a cena, cheios de curiosidade. E viram tudo.
Theodora
acariciou o rosto pálido de Angel. Um profundo gemido saiu de sua boca,
vibrante de culpa:
-Maldição!!!!
Por que me mordeu, Angel? Por que teve de fazer isso? Por que engoliu meu
sangue? Agora está contaminada! Maldição! Maldição!
Os
criados se entreolharam. A lourinha estava contaminada! Agora, o processo era
irreversível, ela iria entrar em coma, depois em estado cataléptico, e
finalmente, acordar como uma vampira, no espaço de sete dias! A não ser que
Theodora interrompesse o processo fincando uma estaca no coração da moça,
matando-a antes da completa mutação.
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