AQUELA VEZ NA GRÉCIA

LETH  CROSS

 

  parte  2

 

 

 

        O homem olhou para Karen com um sorriso, dando os primeiros passos. Ele dançava bem.

 

        -Meu nome  é Alexis Palamidis  e sou o dono desse local. Espero que esteja gostando daqui. Como é seu nome? – Declarou, com ar importante.

 

        Karen sorriu para ele. Era presunçoso, mas um homem atraente.

 

        -Karen Adams, Alexis. Estou adorando a Grécia. E seu inglês é impecável. Mas como sabia que eu era americana, quando nos dirigiu a palavra?

 

        -Depois de anos lidando com turistas, é fácil descobrir a nacionalidade deles só em um olhar. Mas devo dizer que você é uma americana fora de série.

 

        Karen riu.

 

        -Sou? Por quê?

 

        -É a americana mais linda que já vi pessoalmente. Por isso não resisti e vim pedir para dançar comigo.

 

        -É muito gentil e mentiroso, Alexis! Não sou tão bonita assim!

 

        Ele a fitou ardentemente e a apertou contra si.

 

        -Não, estou sendo sincero. Você é linda, Karen. Já estou escravo de sua beleza.

 

        -E Dafne Kortakis? Não a acha linda, também? – Perguntou, curiosa em saber o que Alexis Palamidis achava de Dafne. Se ela atraía ele como atraía à ela própria.

 

        -Dafne Kortakis é muito linda também, mas você é o meu tipo. Prefiro as louras – Ele respondeu, sorrindo.

 

        -Não a acha atraente?

 

        Ele olhou para Dafne, que os observava muito séria. Tornou a olhar para Karen.

 

        -Ela é muito atraente, mas de uma beleza animal, selvagem. Eu a compararia à uma pantera, e você, à uma adorável coelhinha. Prefiro as coelhinhas, são mais confiáveis. Dafne Kortakis é um tipo de mulher que domina um homem, e não gosto de ser dominado.

 

        Karen tornou a rir.

 

        -Não sei se devo me sentir insultada ou elogiada, por ser comparada à uma coelhinha. A não ser que seja uma das coelhinhas da Playboy.

 

        -Você é bem mais interessante que uma coelhinha da Playboy. Fale-me sobre você. Está hospedada em que hotel?

 

        -No Electra Palace Hotel Athens – Disse impulsivamente e se arrependeu imediatamente. Agora ele sabia onde encontrá-la. Estava decepcionada com o belo grego, que tinha uma conversa nada brilhante. Compará-la com uma coelhinha era muita pobreza de espírito.

 

        -Está hospedada junto com Dafne Kortakis?

 

        -No mesmo hotel, mas em apartamentos separados. Por quê? – Perguntou, olhando-o suspeitosamente.

 

        Alexis sorriu, percebendo sua desconfiança.

 

        -Não se preocupe, não sou nenhum marginal. É que gostaria de convidá-la para jantar, mas sem Dafne Kortakis. Posso buscá-la amanhã para jantarmos fora?

 

        Karen o fitou indecisa. Havia prometido a Dafne ir com ela para Mykonos no dia seguinte. Mas  desde quando trocava a companhia de um belo homem por uma mulher? Mesmo sendo tão atraente como Dafne? O mais sensato era combater aquela atração pela grega. E nada melhor que aquele belo grego.

 

        -Está bem... – Concordou, insegura de sua decisão. Ele sorriu, apertando-a pela cintura contra o seu corpo. Era um homem musculoso, com cheiro de lavanda cara. Ele segredou em seu ouvido, fazendo-a sentir seu hálito quente:

 

        -Mal posso esperar até amanhã, linda Karen... 

 

        Karen olhou para Dafne. Ela os observava muito séria, bebendo seu ouzo. Preocupou-se. Aquele olhar estava parecendo irado, ou era impressão sua? Afastou-se de Alexis e o fitou preocupada.

 

        -Vou voltar para a mesa. Dafne deve estar se sentindo . Nos veremos amanhã, Alexis.

 

        Ele pegou sua mão e a beijou, fitando-a.

 

        -Amanhã, às oito da noite, estarei esperando-a na recepção do hotel. Não esqueça, bela Karen.

 

        -Não esquecerei.

 

        Dafne a viu aproximar-se. Armou um sorriso artificial na boca, mas seus olhos emitiam lampejos sinistros. Era o ciúme inacreditável que sentia de Karen azedando seu bom humor. E tinha que disfarçá-lo, porque não tinha nenhum direito de sentir isso por ela.

 

        Karen  sentou diante de Dafne, fitando-a com um sorriso.

 

        -Aqui estou de novo. Alexis Palamidis é um excelente dançarino e muito atraente. Ele convidou-me para jantar com ele amanhã. Sei que havia combinado ir a Mykonos com você, mas... você me entende, não? Eu estou...

 

        -Não precisa se justificar, Karen – Cortou Dafne bruscamente, com um sorriso irônico. Não conseguia esconder sua decepção – Eu entendo. Você está atraída por ele e prefere ir jantar com ele. Simples.

 

        Karen a fitou preocupada. Os belos  e expressivos olhos de Dafne diziam o que ela não falava com os lábios. Ela estava zangada e magoada com seus novos planos, deixando-a de lado. Arrependeu-se de sua atitude. Não queria magoar Dafne, nem deixá-la zangada com ela. Percebeu que se importava, pela primeira vez na vida, com os sentimentos de outra pessoa, além de seus parentes.

 

        -Está com raiva de mim, Dafne? Não pensei que se importasse por eu mudar meus planos...

 

        Dafne a encarou erguendo as perfeitas sobrancelhas.

 

        -Raiva de você? De onde tirou essa idéia? Absolutamente!Você tem o direito de fazer o que preferir!

 

        -Mas você não gostou de ter ficado aqui sozinha, quando fui dançar...

 

        Dafne deu uma risada curta e a fitou com ironia.

 

        -Karen, não sou nenhuma menininha desprotegida, pode dançar quando quiser! Veja, Alexis Palamidis continua olhando para você. Por que não vai dançar com ele?

 

        Karen olhou aquele rosto belo e atraente. E percebeu que não queria ir ficar com Alexis Palamidis, mas sim com a bela grega. Não adiantava querer evitar o que sentia, era mais forte que a razão. Não estava lutando contra aquela atração por questões morais, tinha vários amigos gays, homens e mulheres. Nunca havia tido sexo com uma mulher simplesmente porque nunca se sentira interessada por uma, mas Dafne estava sendo uma exceção. O que a amedrontava era o fato de estar sentindo pela bela grega um sentimento  que nunca havia sentido por nenhum amante. Era, além de uma forte atração, uma profundo prazer em ouví-la falar, olhar aquele rosto, perder-se nos olhos azuis, estar na sua companhia. E o desejo de acariciar aquele rosto, beijar aqueles lábios sensuais...

       

        -E então? – Perguntou Dafne.

 

        Karen a fitou saindo de sua contemplação muda.

 

        -Então, o quê?

 

        -Vai dançar com Alexis Palamidis ou jantar comigo?

 

        -Claro que vou jantar com você, Dafne.

 

        -Então, podemos pedir? Já fez sua escolha?

 

        -Escolha para mim. Tenho certeza que escolherá melhor que eu.

 

        Dafne sorriu amargamente.

 

        -Não sei se sempre escolho o melhor. Vou tentar.

 

        Karen a fitou atenta.

 

        -Essa frase tem um sentido muito além do óbvio. O que não soube escolher, Dafne?

 

        Dafne a fitou com os incríveis olhos azuis. O olhar agora estava impenetrável.

 

        -Todos nós às vezes fazemos escolhas erradas. Eu fiz algumas.

 

        -No campo profissional ou sentimental?

 

        Dafne apoiou os cotovelos na mesa, entrelaçando os dedos. Um gesto fora da etiqueta, mas bem próprio dela, que desprezava convenções.

 

        -No sentimental.

 

        -Então, já teve uma decepção sentimental, Dafne?

 

        -E quem não a teve? Faz parte da vida.

 

        Karen apoiou o queixo na mão, observando-a.

 

        -Tem razão... também tive a minha, há poucos dias atrás.

 

        Dafne a encarou interessada.

 

        -Verdade? E quer contar-me como foi?

 

        -Estava com um homem que me usou e traiu. E ainda por cima, insultou-me!

 

        Os olhos de Dafne mostraram sua incredulidade.

 

        -Não é possível! Um homem fez isso com você?! É... incrível!

 

        -Incrível, por quê?

 

        -Bem... você é uma mulher... muito bonita e especial...

 

        Karen sorriu timidamente.

 

        -Você acha isso de mim?

 

        Dafne a fitou intensamente.

 

        -Acho, Karen. E esse homem que fez isso com você é um idiota, por não perceber isso. Você o amava?

 

        Karen baixou os olhos, fitando as mãos.

 

        -Não. Nunca amei alguém. Meus relacionamentos sempre se basearam apenas em sexo, somente.

 

        -Oh...então, não sabe o que é amar, entregar-se de um modo que só quem ama faz, sentir prazer de corpo e alma. Então você não conhece a verdadeira paixão, que faz seu corpo inflamar-se apenas com um toque da pessoa amada. Não sabe o que está perdendo, Karen.

 

        Foi a vez de Karen sentir um profundo ciúme de Dafne, ao ouví-la dizer aquelas palavras com tanto calor, os olhos lampejando à cada palavra. Odiou pensar que Dafne já sentira aquilo tudo por uma mulher.

       

        -Já amou alguém assim, Dafne?

 

        O olhar de Dafne se tornou perdido, ausente. Ela suspirou.

 

        -Sim... muito tempo atrás...

 

        -E quem foi essa pessoa tão especial? Por que não está com ela?

 

        Dafne a fitou nos olhos.

 

        -Deixe para lá... vamos escolher os pratos.

 

        A um gesto de Dafne, o garçon se aproximou. Dafne escolheu os pratos e mais uma garrafa de vinho branco gelado, produzido em Santorini.

 

        Karen a fitou em silêncio, pensativa. Alexis tinha razão. Dafne devia ser um vulcão de paixões. Como seria numa cama? Pelo que dissera sobre paixão, devia amar como uma sacerdotisa do amor, uma deusa pagã. Devia enlouquecer de desejo um homem... ou uma mulher.

 

        O humor de Dafne pareceu voltar. Contou vários fatos pitorescos, falou sobre os costumes gregos e sobre as ilhas gregas, encantando Liz com sua narrativa vivaz. Acabaram de jantar e Dafne a fitou subitamente séria, depois que olhou seu relógio de pulso.

 

        -Bem, tenho que ir agora. Já passa de meia noite e tenho que acordar cedo para ir a Mykonos. Se quiser ficar com Alexis Palamidis, tudo bem. Irei sozinha.

 

        Karen percebeu, surpresa, que havia esquecido de Alexis. Olhou para Dafne com um sorriso, protestando:

 

        -Dafne! Acha que vou fazer isso com você?

 

        Dafne  a fitou com sua máscara de tranquilidade.

 

        -Eu vou entender.

 

        -Dafne, eu vim com você e vou voltar com você. Alexis pode esperar.

 

        Dafne sorriu, descontraindo.

 

        -Então vou pedir a conta.

 

        Dafne pediu a conta ao garçon. Ele informou que Alexis Palamidis mandara dizer que a despesa era uma cortesia da casa e não precisavam pagar. Dafne deu uma expensiva gorgeta ao garçon, de cara fechada. Odiava ter que ficar devendo a Alexis essa cortesia. Mas se não aceitasse, seria estranho. Olhou para Karen, erguendo-se.

 

 -Vamos indo?

 

Karen a fitou de cenho franzido.

 

-Não vai agradecer Alexis a gentileza?

 

-Não.

 

Karen  a fitou atenta. Notou a mudança de humor de Dafne. Ela parecia aborrecida... será que estava com ciúmes de Alexis? Será que ela gostava dele?

 

Se dirigiram para a saída. Alexis acenou para elas, sorrindo, e Dafne acenou em retorno, sorrindo forçadamente. Karen acenou para ele sorrindo e saíram. Havia vários táxis esperando passageiros diante do restaurante e elas tomaram um deles. Dafne deu o endereço ao motorista em idioma grego e Karen sentou ao lado dela e perguntou suavemente:

 

-Você gosta de Alexis, Dafne?

 

Dafne voltou o rosto, fitando-a surpresa. Deu uma risada curta.

 

-De onde tirou essa idéia?

 

-Bem, notei que você não gostou de eu ter dançado com ele, nem dele ter feito a gentileza de não cobrar a conta. Dafne, se gosta dele, não o encontrarei mais. Alexis não significa para mim mais que um flerte. Sairei de seu caminho sem lamentar.

 

Dafne deu uma risada, fitando-a divertida. Era engraçado. Ela interessadíssima em Karen, e ela pensando que estava com ciúmes de Alexis!

 

-Você  está  completamente  errada, Karen! Não estou  interessada  em Alexis– Disse, desviando o olhar daqueles olhos inquisitivos, olhando para a frente – Apenas não gosto de homens metidos a conquistador. Alexis é do tipo que deve se julgar irresistível. Ainda mais agora, que conseguiu interessar você.

 

        Karen calou-se, ficando pensativa. Se Dafne não estava com ciúmes de Alexis, então por que se mostrava tão mau humorada por ela ter dançado e flertado com o grego?

 

        A realização da nova possibilidade caiu sobre ela como um clarão na escuridão: Dafne então estava com ciúmes dela!

 

        Fitou Dafne,  procurando não demonstrar o que passava por sua mente. Deus, seria isso? Aquela mulher tão bela e atraente, com uma   personalidade fascinante, estaria atraída por ela? Dafne era uma lésbica? Ou talvez, uma bissexual?

 

        Maldição, não achava que resistiria se Dafne a seduzisse. Ela era muito atraente e bela para ser repudiada. Para o inferno seus medos e hesitações! Queria Dafne também. Queria aquela mulher de qualquer jeito, admitiu sem mais subterfúgios. Tinha que encarar a realidade. 

 

        -Chegamos, Karen.

 

        A voz de Dafne despertou-a de seus perturbadores pensamentos. Ela já havia pago o motorista e a fitava com a mão na maçaneta da porta do carro. Karen saltou apressada  e as duas se dirigiram para a entrada do hotel. Pegaram suas chaves na portaria e quando se dirigiram para o elevador, Karen falou em um impulso:

 

        -É tão cedo ainda, Dafne . Não quer ir em meu apartamento tomar um drink?

 

        Dafne a fitou indecisa.

 

        -Não está com sono?

 

        -Não. Você está?

 

        Dafne sorriu, apertando o botão de chamada do elevador.

 

        -Bem, amanhã cedo vou para Mykonos. Por falar nisso, ainda pensa em ir comigo?

 

        Karen retribuiu o sorriso, fitando-a nos olhos. Dafne tinha um par de olhos magníficos e sentiu-se perdida neles. Nesse momento, esqueceu de Alexis, esqueceu de seus planos, tudo subitamente pareceu menos importante que estar perto de Dafne.

 

        -Podemos falar sobre isso em meu apartamento. Aceita meu convite?

 

        Dafne respirou fundo, perdida naqueles olhos verdes.

 

        -Bem... também estou sem sono, ainda. Vou aceitar seu drink, Karen.

 

        Pegaram o elevador e subiram em silêncio. Karen abriu a porta do apartamento e entraram. Dafne avançou com Karen para o living,  olhando em volta, enquanto ela foi até o frigo bar.

 

        -Hummm... temos cerveja, ouzo, champanhe e água mineral. O que prefere?

 

        -Pode ser água. Já bebi bastante por essa noite.

 

        Karen pegou uma garrafa de água e dois copos.  Aproximou-se e o olhar de Dafne percorreu o seu corpo, incapaz de evitar. Karen percebeu e sorriu sedutoramente, sentindo uma intensa satisfação. Não havia se enganado em sua suposição. Aquele olhar era a prova disso.

 

        Ela entregou um dos copos a Dafne, colocando água até a metade. Encheu seu próprio copo e sentou no sofá ao lado da grega, sob as pernas encolhidas. A saia subiu, revelando as coxas fortes e douradas.

 

        Dafne desviou o olhar, tomando um longo gole de água para molhar sua garganta subitamente seca. Oh, Deus! Que pernas! Que vontade louca de tocá-las! Sua atração por Karen estava sufocando-a!

 

        Karen a fitou intensamente  e colocou o copo de lado, sobre a mesinha de centro.

 

        -Dafne... sou uma mulher que quando deseja algo, não faz jogos para conseguir o que quer. Sempre sou muito direta e franca. O que acha disso?

 

        Dafne fitou aquele rosto belo, fitando-a de perto, e um arrepio correu pelo seu corpo. Aqueles lábios eram absolutamente tentadores, vermelhos e carnudos.

 

        -Acho que é um bom modo de conseguir o que quer, Karen.

 

        -Mesmo? E continuaria achando isso  bom se eu dissesse que estou interessada em uma mulher, que estou extremamente atraída por ela?

 

        -Bem... isso não mudaria o que penso de você – Disse Dafne, com o coração dando saltos no  peito, sem deixar de fitá-la.

 

        Karen sorriu com sua resposta e se aproximou mais o rosto.

 

        -Fale-me de você, Dafne. Tem alguém em sua vida?

 

        Dafne engoliu em seco. O rosto da  bela loura estava há apenas dois palmos do seu. Podia ver as íris dos olhos dela rodeadas de pigmentação dourada, esmaecendo no verde-mar das pupilas magníficas. Com esforço coordenou seu pensamento para responder:

 

        -Não tenho ninguém.

 

        -E ... está interessada em alguém?

 

        Dafne não se controlou mais, falando com voz rouca de emoção:

 

        -Sim, Karen... em você.

 

        No momento seguinte, Karen estava nos braços de Dafne, beijando-a apaixonadamente. Suas bocas coladas, lábios se roçando, línguas se acariciando, se sugando, numa emoção inesperada, que as fizeram estremecer. Trocaram beijos quentes, sensuais, suas mãos buscando o corpo uma da outra em carícias.

 

        Dafne afastou-se, com a respiração ofegante. Tomou o rosto de Karen entre as mãos, falando emocionada:

 

        -Eu a desejo muito, Karen, tanto que tenho medo.

 

        Karen a fitou com desejo, ofegando também. Sua mão acariciou os cabelos de Dafne, descendo pelas costas.

 

        -Dafne... nunca estive com uma mulher. Nunca me interessei por uma. E confesso que essa poderosa atração que passei a sentir por você  é assustadora, algo que tentei ignorar, mas não consegui. Mas já percebi que é um sentimento muito intenso, que nunca senti por alguém. Eu quero ser sua, Dafne. Mas não posso prometer nada à você. Por que não sei se o que estou sentindo vai além de desejo.

 

        Dafne a encarou com um olhar que fez Karen estremecer de desejo.

 

        -Não prometa nada, então – Disse Dafne, com voz alterada pelo desejo – Não sabemos o que virá amanhã. Então, vivamos agora essa emoção que nos joga uma nos braços da outra. Amanhã pensaremos sobre o que aconteceu e teremos mais discernimento para avaliar o que sentimos.

 

        Karen enterrou os dedos atrás da nuca de Dafne e a puxou para um beijo ardente.Foi um beijo que fez seu corpo estremecer de desejo, sentindo os lábios macios de Dafne sugando os seus, roçando, se esmagando, a ponta da língua acariciando o lábio superior, depois empurrando, pedidindo entrada na boca de Karen, que se entreabriu sedenta, não só permitindo a entrada, mas também sugando, acariciando.

 

        Inconscientemente, Karen começou a apertar seu sexo na coxa forte de Dafne, em movimentos dos quadris, sentindo seu desejo crescer a cada investida, seu sexo palpitando.

 

        As mãos de Dafne desceram do rosto de Karen para os seios dela, acariciantes. Os dedos apertando os bicos suavemente, a boca agora mordiscando o lóbulo da orelha de Karen, descendo pelo pescoço em beijos que mais excitavam Karen.

 

        Dafne afastou-se um pouco, fitando Karen com os olhos semicerrados. Karen respirava entrecortadamente, os olhos cheios de desejo.

 

         -Dispa-se, Karen...quero ver você nua...admirar cada curva desse corpo... – Pediu, com voz rouca de desejo.

 

        -Sim... – Concordou Karen, ofegante – Mas você também... dispa-se...

 

        Dafne sorriu, levando as mãos aos botões da blusa.

 

 Elas se despiram entre beijos, descobrindo seus corpos uma para a outra, ansiosas para uma entrega total. Karen afastou-se um pouco para  olhar o corpo de Dafne.   Era impressionante o que sentia ao olhar o belo corpo dela. Já vira suas amigas nuas diversas vezes, mas isso nunca a excitara, mesmo os achando belos. Mas Dafne tinha um poder de atração sobre ela que a fazia se encantar e se excitar com as curvas daquele corpo felino, de musculatura definida, mas extremamente feminino, com seios de bom tamanho com auréolas rosa-mauve, eretos e firmes, o sexo de pêlos aparados, as coxas longas e fortes. E aquele rosto! Era a máscara da paixão.

 

        Os olhos de Dafne também a fitavam, fazendo-a ter um arrepio de desejo.

 

        Dafne a puxou para ela  pelos quadris, e a boca esmagou a de Karen em um beijo arrebatador. Karen estremeceu ao contato do corpo nu contra o seu , a boca quente e macia sugando a sua com ímpeto sedento. Retribuiu com igual ardor, sentindo uma louca emoção.

 

        As mãos de Dafne começaram a explorar seu corpo. Karen afastou-se, fitando-a arquejando, dominando com esforço a vontade de se entregar à ela ali mesmo no sofá. Pegou-a pela mão.

 

        -Venha. Vamos para a cama.

 

        Dafne  sorriu e apertou sua mão. Foram para o quarto se fitando e quando chegaram lá, Karen deitou na cama  e a puxou pela mão, ansiosa.

 

        -Venha, Dafne... me possua...quero ser sua como nunca fui de alguém...

 

        Dafne deitou ao lado dela e a beijou profundamente, as mãos acariciando cada curva de seu corpo. A boca desceu pelo pescoço, ombros, seios, lambendo, sugando, mordiscando, com loucura.

 

        Karen abriu as pernas, numa entrega total. E gritou de prazer ao sentir a língua atrevida percorrer seu sexo, tocar seu clitóris e descer, invadindo-a , insaciavelmente. Karen começou a mover os quadris ao encontro daquela boca faminta, uma mão  enfiada  nos cabelos de Dafne, apertando mais ainda a cabeça contra seu sexo, dando gemidos alucinantes de prazer. Sentiu os dedos dela penetrando-a e gemeu alto, movendo-se frenética.

 

        Karen nunca havia sentido tanto prazer, tanta emoção, em ser possuída. Era um prazer tão grande, que a fazia perder a razão. E gozou arqueando-se toda, gritando o nome de Dafne  em delírio.

 

        Dafne subiu pelo corpo relaxado. Karen estava de olhos fechados, respirando entrecortadamente, os braços para cima, caídos dos lados de sua cabeça. Era uma visão sedutora e seu desejo se intensificou. Ela riu e sussurrou:

 

-         Ainda é cedo para dormir, bela Karen...

-                                      

        Dafne beijou-a na boca, infiltrando uma coxa  entre as de Karen, movendo-se sinuosamente. Sua excitação molhou a coxa de Liz, que abriu os olhos e a fitou com um olhar de desejo. Dafne afastou o rosto e sorriu para ela, apoiando-se nos braços.

 

        -Eu quero você, Karen... assim... -me prazer... – Dafne sussurrou, com voz rouca.

 

        Karen ergueu uma perna, cruzando-a na cintura de Dafne. Começou a mover o corpo sensualmente, enlouquecendo ao sentir o sexo molhado de Dafne contra o seu. E os gemidos de Dafne eram música em seus ouvidos. Karen sentia o corpo macio, quente, perfumado, liso, contra o seu. Era tão diferente de um homem! Amou aquela suavidade. E uma vontade a dominou.

 

        Deslizou para baixo, louca de ansiedade. Separou as coxas de Dafne com impaciência, tomando o sexo dela na boca, avidamente.

 

        Dafne gemeu alto e isso excitou Karen ainda mais. Sugou-a toda, sentindo Dafne se contorcer, apertar-se contra sua boca, estremecer, gemendo, até que arqueou-se para trás, estremecendo fortemente, gritando seu êxtase.

 

        Mas não pararam. Karen não queria parar e Dafne enlouquecia com a lubricidade daquela mulher linda, que parecia estar tendo seu primeiro prazer na vida. Karen era um vulcão em erupção. Gemia, apertava-a com pernas e braços, beijava-a com loucura, agora sem nenhum receio invadindo-a também com os dedos, a boca sugando incansável.

 

        -Dafne! Amor!– Gritou, fora de si, em mais um orgasmo.

 

        Dafne a possuiu também com loucura  até que adormeceram de cansaço, os corpos entrelaçados.

 

))))))((((((

 

 

        Passava das dez quando Dafne acordou. Olhou para Karen, que tinha uma perna sobre suas coxas, o braço sobre sua cintura, dormindo placidamente. Sorriu e debruçou-se para ela, contemplando-a embevecida. Era inútil negar, estava completamente apaixonada por ela.

 

        -Karen...

 

        Nada.

 

        -Karen... precisa acordar... temos que ir a Mykonos...

 

        Nada, ainda.

 

        Dafne  a fitou indecisa. Tinha que ir. Havia alugado um helicóptero para levá-la a Mykonos e ele pousaria  dentro de quinze minutos no heliporto  do hotel. Ela tinha que pegar uma pequena bagagem para levar, em seu apartamento, e não podia esperar mais Karen acordar.Ela estava evidentemente cansada da noite intensa que tiveram. Talvez fosse mais razoável deixá-la dormindo e ir à Mykonos sozinha. Deixaria um recado para ela na portaria e à noite já estaria de volta.

 

        Afastou-se cuidadosamente, tirando o braço e perna dela de seu corpo e levantou-se. Karen continuou adormecida.

 

        Dafne foi para a sala e pegou suas roupas espalhadas no chão. Vestiu-as e saiu, fechando a porta .

 

LLLLLLLLLLLLLLLLLL

 

        Alexis Palamidis era um homem que não suportava perder. Nada. Principalmente uma mulher que o interessava. E era um homem vivido, bem informado. Já havia lido em uma revista uma entrevista de Dafne Kortakis.E ela não escondia para ninguém que era lésbica.Havia declarado que sua vida sexual era aberta, porque não se envergonhava do que era. E ela podia se dar ao luxo de não ter receio de externar sua preferência sexual porque era uma pintora famosa, rica, que não dependia de ninguém. Quem comprava suas obras caríssimas eram pessoas de classe A, que podiam dispender duzentos mil dólares por um quadro dela, e era uma classe que não tinha os mesmos preconceitos que as outras menos favorecidas.

 

        E ele havia percebido os olhares ciumentos de Dafne quando estava dançando com Karen.E como ela havia saído de seu restaurante, com uma expressão de mau humor porque ele não cobrara a despesa. Não precisava ser um gênio para perceber que Dafne Kortakis estava com ciúmes da bela Karen.

 

        Ele sorriu com ar superior.

 

        -Maldita lésbica, você não vai levar a melhor sobre mim! – Disse baixinho, apertando os punhos.

 

        Ele queria Karen, ou melhor, Elizabeth Singles. Ele a havia reconhecido, já vira ela em muitas revistas, na tv, para ser enganado por ela. Ainda mais com a classe que ela exalava. Ele ia conquistar aquela mulher, e a primeira coisa para isso  era tirar Dafne Kortakis de seu caminho.

 

        Ele chegou cedo ao hotel que Elizabeth Singles estava hospedada. E como um cara esperto que era, se dirigiu para a recepção e sorriu para a recepcionista, jogando charme.

 

        -Olá, minha princesa...

 

        A moça sorriu para o homem bem vestido e parecido com Antonio Banderas.

 

        -Olá, em que posso ajudá-lo?

 

         Dez minutos depois ele saiu do hotel com menos  cem euros, mas com o recado de Dafne Kortakis no bolso do paletó. Ele riu, acenando para um taxi. Dinheiro e uma boa conversa faziam milagres!

 

         Dentro do taxi, ele abriu o envelope e leu novamente:

 

         Karen

Essa foi a melhor noite de minha vida. Mas infelizmente tenho que ir à Mykonos, tentei acordar você, mas não consegui. Entendi seu cansaço, minha linda. Quando eu voltar, até o fim do dia, quero ir jantar com você. Espere-me.

                          Dafne 

 

        Ele deu uma risada abafada.  Ela ia ter uma bela surpresa!

 

        Dali, ele foi para seu escritório e chamou um empregado seu, que mantinha na folha de pagamento do seu caixa 2. Tulio era o homem ideal para o que pretendia. Obedecia sem perguntar nada e era eficiente no que fazia.

 

        O homem não demorou mais que meia hora. Era baixo, mas forte, com um rosto comum, um olhar inocente de simples lavrador. Isso que o tornava perigoso. Ninguém, fitando-o, suspeitaria que ele era um homem que já havia matado diversas pessoas, um matador profissional.

 

        -Aqui estou, patrão – Disse o homem, sentando-se diante de Alexis – Tem um serviço para mim?

 

        Alexis sorriu.

 

        -Sim. Mas dessa vez, não é para fazer serviço completo. Eu apenas quero que uma mulher que viajou  hoje para Mykonos não possa voltar até eu ligar para você e dizer que pode liberar a mulher, entendeu?

 

        -Entendi, patrão. Quem é ela?

 

        -Ninguém muito importante, mas eu preciso dela fora de circulação por um tempo. Eu tirei uma foto dela com uma amiga ontem, no meu restaurante, com meu celular. Elas nem perceberam. Veja. Ela é a morena. O nome dela é Dafne Kortakis.

 

        Alexis estendeu o celular para o outro homem, já com a foto em destaque. Tulio assobiou. Duas mulheres, uma loura e uma morena, conversavam numa mesa.

 

        -Caramba, ela  é linda! A loura é bonita, mas a morena é mais !

 

        -Não se engane com a aparência dela, Tulio. Ela é uma lésbica. É melhor apenas fazer o trabalho e não se impressionar com a beleza dela, entendeu?

 

        -Claro, patrão...

 

        -Vá o mais rápido possível para Mykonos e faça o que quero. Como vai retê-la em Mykonos, é problema seu.

 

        -Deixa comigo, patrão! 

       

 

Continua na parte 3

 

 

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