A MULHER DO CHEFÃO
PARTE 6
Jean olhou para Gianini entre com surpresa e ódio. O miserável já sabia quem era! Melanie havia falado! Mas não podia condená-la. Devia ter sido muito torturada para revelar isso.
-Não vai dizer nada? – Perguntou
ele, aproximando-se.
-Vou:
que você é um porco imundo – Disse
calmamente, escondendo seu medo e o encarando nos olhos.
Gianini
ficou rubro de raiva. Deu um pontapé nela. Jean encolheu-se antes, pois
esperava um revide ao insulto. O golpe a atingiu apenas na perna. Sentiu dor,
mas mordeu os lábios para não gritar.
-Cadela!
Quando Chuck começar, você vai ver quem será imundo! Chuck, diga a ela o que
planejamos!
Chuck
adiantou-se, sorrindo com crueldade.
-Sabe
o que vamos fazer com você? Primeiro, vamos tirar a sua roupa. . . possuí-la de todos os modos
possíveis. . . e depois, vamos jogar água em seu corpo e vamos lhe dar uns
choques elétricos. . . sabia que o corpo molhado aumenta a intensidade dos
choques?
Jean o fitou, vendo que estava lidando com um sádico. Mas não iria demonstrar medo. Sabia que um sádico tinha prazer com o medo e o sofrimento da vítima. Iria negar esse prazer a ele, mesmo que lhe custasse a vida.
-E
sabe o que vamos fazer depois? Vamos
estrangulá-la. Aos poucos. . . vou retalhar seu rosto todo e jogá-la no
lago Michigan. . . servirá de comida para os peixes!
Ele riu, como
se aquilo fosse engraçado.
-Vocês não vão
fazer nada disso, seus canalhas!
A voz ecoou no
quarto alta e revoltada.Todos olharam para a porta.
Carla Gianini
havia entrado. No rosto, uma expressão determinada. Nas mãos, uma pistola
apontada para o marido.
Chuck tentou
sacar a arma. Carla viu e gritou, em tom decidido:
-Pare! Todos imóveis, ou eu atiro!
Gianini
olhou para a mulher, boquiaberto. Chuck ficou imóvel, lendo nos olhos dela que
a ameaça seria cumprida.
-Carla! O que
significa isso? – Perguntou Gianini, pasmo com a atitude de Carla.
-Significa
que estou cheia de seus crimes, Gianini! – Disse ela, seca – Não quero ser
cúmplice de assassinatos até dentro de casa! Mande seus capangas soltarem a
moça!
-Carla,
ela enganou você! O nome dela é Jean York, filha de um inimigo meu que matei!
Ela queria vingar-se da morte do pai! – Argumentou Gianini, nervosamente.
-Folgo
em saber que ela agia por um bom motivo, um motivo justo! Ande, Giancarlo!
Mande soltar a moça, ou atiro em você! Não estou blefando!
Gianini
a olhou nos olhos. Aquela mulher sempre o olhara com temor, mas agora parecia
um tigre pronto para dar o bote. Ela não o temia mais. E ela ia fazer o que
dizia, viu isso nos olhos dela.
-Chuck, solte Jean York – Ordenou, com voz contida.
A
contragosto, Chuck aproximou-se de Jean e abaixou-se, desatando os nós que
prendiam as mãos dela. Jean ergueu-se com dificuldade, esfregando os pulsos
esfolados, olhando para Chuck, atenta aos movimentos dele.
-Dê-me sua
arma, seu assassino – Disse, com voz fria.
-Não dou arma nenhuma, sua cadela – Rosnou ele.
Jean
ergueu o joelho com força e acertou-o entre as pernas. Chuck deu um grito e
caiu no chão de joelhos. Frank mexeu-se, mas Carla gritou, atenta:
-Pare, Frank! Nem mais um passo!
Ele imobilizou-se, olhando-a com ódio.
Jean
meteu a mão no casaco de Chuck e pegou a pistola, empunhando-a . Afastou-se
dele e foi para perto de Carla, olhando-a com gratidão.
-Obrigada,
Carla.
Carla não
desviou o olhar de Frank e Gianini, que as fitavam com ódio.
-Vamos embora,
Helen. . . – Disse Carla – Isto é, Jean.
Jean olhou para Gianini com um olhar frio.
-Não, Carla.
Não vou sair daqui sem punir esses assassinos. É uma dívida que tenho com meu
pai, Melanie, Davison e Miles. Está vendo Melanie ali, morta por eles? Era uma
moça cheia de vida, uma companheira fiel. E eles a mataram friamente, sem que
ela pudesse defender-se.
-Tudo bem,
Jean. Esperarei.
Jean encarou
Gianini.
-O que fez com
os corpos de meus dois colegas?
Ele a fitou com ódio.
-Estão no
fundo do lago Michigan. E juro que você vai juntar-se a eles, mais cedo ou mais
tarde. Não pense que poderá ficar livre de mim! Vou caçá-la sem tréguas!
-Você ainda não percebeu que a situação se inverteu, Gianini? Você agora é meu prisioneiro! – Disse, com frieza. Voltou-se para Carla, dizendo:
-Controle Gianini. Vou cuidar desses dois.
Chuck, que ainda estava de joelhos com as mãos no sexo, olhou-a com medo. Era um covarde, desarmado. Frank a fitava com ódio, com as mãos erguidas.
-Frank,
amarre esse covarde. Sem truques. Jogue sua arma no chão. Pegue-a com o
indicador e o polegar, devagar.
Frank fez o que ela ordenou. Jogou a arma no chão.
-Chute-a para
cá.
Frank
chutou. A arma deslisou até os pés de Jean. Ela abaixou-se, pegando-a, sem
deixar de olhá-lo. Guardou-a no bolso do casaco.
-Agora amarre esse miserável.
Chuck
rosnou em protesto, mas Frank o amarrou
firmemente na cama, ao lado do corpo de Melanie.
-Agora volte
aqui.
Frank
aproximou-se. Parou a poucos passos dela. Jean o encarou com frieza.
-Você
é um assassino frio e covarde, Frank. Pelas mortes de Davison e Miles, eu o
condeno à morte.
Atirou duas vezes no peito dele. Frank caiu para trás, morto. O olhar de Jean se voltou para Gianini à tempo. Ele já ensaiava um movimento na direção de Carla, que olhava para o corpo de Frank, chocada. Atirou no braço dele. Gianini rodopiou e caiu sentado, com um grito de agonia.
-Fique quieto,
seu verme! – Gritou Jean – Qualquer outro movimento, eu o matarei!
Ele a fitou
com ódio e medo, apertando o braço ferido.
-Carla, vigie-o . Não tire os olhos dele.
Voltou
para perto de Chuck. Ele a olhou com pavor. Jean abaixou-se, fitando-o como se
olhasse para uma coisa nojenta.
-Seu
sádico nojento – Disse, entredentes – Aqui acaba sua carreira de crimes. Tenho
certeza que foi você quem matou Melanie. E ela foi sua última vítima. O que
pretendia fazer comigo vai ser só um desejo, que vai morrer com você.
-Não
me mate! – Implorou ele, apavorado – Só cumpri ordens de Gianini! Ele que
planejou tudo!
-
Covarde! Suas vítimas não tiveram sua misericórdia!
E agora quer que eu tenha?
-
Deu um soco no estômago dele. Ele se dobrou, gemendo.
-Isso
é por Melanie! – Ofegou Jean, irada – Eu gostaria de ser sádica como você, para
fazer-lhe tudo que pretendia fazer comigo! Mas não sou. Sinto náuseas em pensar
em suas maldades! Por isso, vai ter uma morte rápida. Um tiro certeiro.
Encostou o cano da arma na cabeça dele, mas não atirou logo. Queria que ele sentisse o medo que Melanie devia ter sentido, vendo a aproximação da morte.Chuck começou a soluçar.
Jean apertou o gatilho. O assassino caiu para trás, morto. Ela ergueu-se, olhando-o com nojo.
-Um canalha a
menos no mundo – Comentou.
Olhou para Gianini. Ele tremia de medo, vendo-a aproximar-se. Seu rosto demonstrava pavor.
-Jean
York! Não me mate! Eu lhe dou muito dinheiro! – Implorou ele – Tenho dois
milhões de dólares aqui em casa, em meu cofre! É todo seu! Pode levar tudo, mas
deixe-me viver!
Jean
olhou para Carla. Ela tremia de nervosismo. Aquelas mortes deviam tê-la
abalado, por presenciá-las.
-Guarde a
arma, Carla. Agora eu cuido dele.
Carla a fitou
suplicante.
-Chega de
mortes, Jean! Vamos sair daqui!
Jean sorriu
friamente.
-E deixar o
principal assassino impune? Carla, o meu objetivo principal é acabar com esse
miserável, que matou o meu pai! Para ele, reservei minha vingança maior!
-O que
pretende fazer?
-Vou levá-lo comigo. Vou extrair dele uma confissão completa de seus crimes e de quem é ligado à ele, tudo que desmantele a rede de crimes que ele comanda. Depois, eu o executarei.
-Jean, isso é uma loucura! Não temos onde prendê-lo!
-Engano
seu – Declarou, fitando Gianini com um sorriso feroz – Tenho uma cabana às margens do lago Michigan,
preparada para receber esse canalha! Eu vim para essa casa já com o plano de
raptá-lo, e vou fazer isso.
-Jean, por favor, desista disso!
-Não,
Carla. Sinto muito contrariá-la, mas ele vai comigo. Cubra-o com a arma, enquanto
eu o amarro.
Carla apontou a arma para Gianini, mas não era necessário. Ele gemia imóvel, segurando o braço que sangrava. Jean apanhou o cordão de nylon que fôra usado para amarrá-la e amarrou Gianini firmemente, com as mãos para trás. Puxou-o com força para cima, para ele levantar-se, fazendo-o gritar de dor.
-Levante-se!
Vamos embora, seu cachorro!
Ele
a fitou apavorado. Gianini, sem os seus homens para escudá-lo, era um covarde
como Chuck.
-O
que vai fazer comigo? Jean, eu posso fazer de você uma mulher rica! Pense no
dinheiro que falei! Posso dá-lo a você! Você poderá ir morar fora do país e
levar uma vida maravilhosa! – Disse ele, com voz implorando.
Jean o
empurrou para a porta, com o cano da arma nas costas.
-Nem todo o
dinheiro do mundo me faria desistir do que pretendo fazer, seu desgraçado!
Vamos!
Carla
informou, com voz trêmula:
-Meu carro
está diante da casa. Já havia preparado a fuga, antes de entrar no quarto.
-Muito bem, Carla. Vamos.
Saíram
do quarto, com Gianini na frente e Jean atrás, empurrando-o com a arma e o
segurando nas mãos amarradas. Carla por último, olhando para os lados, atenta.
Estava tudo em
silêncio. O cadáver de Gino já havia sido retirado do corredor.
Jean comentou
baixinho, para Carla:
-Não estou
gostando desse silêncio. Quantos capangas ficam em casa?
-Dentro de
casa, Frank e Chuck. Do lado de fora, quatro – Informou Carla, nervosamente.
-Hum... vamos sair com Gianini na frente, servindo de escudo. Se atirarem, ele será alvejado.
Atravessaram
o hall iluminado. Carla abriu a porta da saída e afastou-se, para Gianini
passar com Jean. Ela empurrou Gianini para fora e saíram.
O
carro estava parado diante da porta, como Carla dissera. Era só descer os
degraus e entrar nele. Carla olhou em volta e desceu os degraus correndo. Abriu
a porta do carro e entrou, ligando o motor. Jean empurrou Gianini, que havia
parado, ofegante. Mas ele tropeçou e caiu no chão.
E então, o tiroteio começou.
Vários disparos
partiram de ambos os lados do jardim, por trás das sebes.
Gianini
rolou pelo chão, enquanto Jean se abaixava para não ser atingida. Ela o olhou com raiva e frustração, mas ele
estava fora do alcance de suas mãos. E
os tiros passavam perto dela, expondo-a a ser atingida.
Carla gritou
apavorada, chamando-a:
-Jean! Venha, ou vai levar um tiro!
Jean
hesitou, mas percebeu que se insistisse em levar Gianini, poderia ser atingida.
Tinha que fugir sem ele. Correu abaixada e pulou dentro do carro, pela porta que Carla já abrira. Ela
arrancou em alta velocidade, com os
pneus cantando.
Quatro
homens saíram de seus esconderijos e continuaram atirando no carro, que avançou
para o portão de entrada sob o fogo dos tiros.
Carla
acionou um controle remoto e o portão começou a abrir, vagarosamente. Ela
avançou em alta velocidade e o carro bateu com as laterais nas partes que se
abriam, arrancando-as. Os pneus cantaram no asfalto, quando fez a curva para
pegar a estrada. Ela continuou correndo em alta velocidade, afastando-se em
direção à auto-estrada.
-Para onde
vamos, Jean? – Perguntou Carla, nervosa.
Jean a fitou com um olhar sombrio.
-Para
Milwalkee, onde há a cabana que eu pretendia levar Gianini. Maldição, ele estava
em minhas mãos e o perdi!
Carla a fitou
de relance, surpresa.
-Milwalkee?!
Você falou perto de Gianini nesse lugar! Ele vai procurá-la lá!
-É isso mesmo
que quero. Ele vai caçar-me lá e eu estarei esperando-o .
-Está
louca! Ele vai nos matar! Ainda tem vários homens perigosos e cruéis, que nos
caçarão armados até os dentes!
-Não tenho medo deles!
-Não tem medo! Você, com toda sua coragem, caiu nas mãos de Gianini e quase foi assassinada!
-Ele
não teria me pegado se Melanie não estivesse lá, aprisionada. Só entreguei-me
por que eles ameaçaram matá-la. Ah! Quando penso que o tive nas mãos e não o
matei! É que eu queria fazer isso só depois de fazê-lo assinar uma confissão.
Mas agora, vou matá-lo mesmo sem isso. Só sossegarei quando ver Gianini morto!
-Jean,
pense bem ! Por que insistir nessa vingança? Você vai arriscar-se muito e
poderá perder a vida!
Jean a fitou com um sorriso sarcástico.
-E
você acha que ele vai nos deixar em paz, depois do que houve? Ele vai nos caçar
até o inferno! É melhor esperá-lo preparada
e acabar logo com tudo isso! E agora, não é somente meu pai que tenho
que vingar. Ele mandou matar Melanie! Carla, ela, além de ser uma companheira
de trabalho, vivia comigo há três anos. Eu não a amava mais, mas tinha muito
carinho por ela. Era uma mulher leal, jovem e cheia de vida. E aquele
desgraçado acabou com a vida dela, brutalmente. Não , não posso esquecer de
Gianini e viver como se nada tivesse acontecido.
Carla calou-se, reconhecendo que Jean tinha razão. Elas agora eram fugitivas de Giancarlo. Não adiantava ir à policia denunciá-lo, sem provas. Ele iria dar fim aos corpos e negar tudo, como fizera com a morte de outras pessoas. E ele tentaria vingar-se dela, por tê-lo traído. Era a mulher dele e havia ajudado Jean a fugir.
O carro correu
longo tempo sem que falassem nada. Carla pensando na decisão que havia tomado
em sua vida, Jean nos últimos acontecimentos.
Jean pensava que devia o fato de estar viva à Carla. Em como ela fôra corajosa e amiga, mesmo sabendo que fôra enganada.
Isso
aumentou sua admiração por ela. Amava-a cada vez mais. Ela era a uma mulher que
havia jogado a vida que levava para o alto, para ajudá-la. Tudo sem ter o que esperar
dela. Sabia também que ela estava magoada com suas mentiras. E não sabia o que
dizer, como fazê-la entender que o seu amor era verdadeiro, em meio à tanta
mentira.
Carla
pensava na virada que dera em sua vida. Jogara tudo no lixo para salvar aquela
mulher ao seu lado. Uma mulher que a enganara, até o nome era falso. Jean York. Helen Stanfield não existia. Talvez,
nem o amor que ela dizia sentir por ela. E havia se apaixonado por uma mentira!
Deus, estava louca por ela, mesmo sabendo que tinha sido usada! Não queria se
sentir assim, mas era um sentimento muito forte, para poder anular de uma hora
para outra. Queria jogar tudo que pensava daquela farsa, em palavras que
agredissem Jean, mas se continha. O momento não era propício.
Foi Jean quem
quebrou o silêncio:
-Tem um cigarro aí ?
Carla
respondeu sem olhá-la:
-No
porta-luvas.
Jean
abriu o porta-luvas e pegou o maço de Eve. Colocou um nos lábios e apanhou o
acendedor no painel. Acendeu o cigarro e deu uma tragada.
-Quer um
também?
-Não. Apenas
dê-me uma tragada do seu.
Jean colocou o
cigarro nos lábios carnudos de Carla. Ela puxou a fumaça e Jean retirou-o.
-Carla. . . – disse, hesitante – quero agradecer-lhe. Você salvou minha vida. Nunca vou esquecer isso.
-Fiz
o que minha consciência mandou – Respondeu,
friamente – Não podia deixar uma pessoa morrer assassinada, sem fazer
nada.
Jean a
encarou. Carla dirigia olhando para a frente, sem fitá-la. O belo perfil estava
tenso.
-Somente por
isso? Por uma questão de consciência ?
-Deveria ser
por algo mais, Jean? – Perguntou, dando ênfase ao nome dela.
Jean
enrubesceu.
-Sei que devo
à você muitas explicações. E vou dá-las.
-Há
necessidade ? Está tudo tão claro !
-Não, não está
! Eu realmente menti, mas não podia ser de outro modo. Havia meu dever a
cumprir, os meus planos envolvendo meus colegas.
-Eu
fiz parte de
seu plano, não? – Disse, olhando-a
rapidamente, com olhar magoado – Aquele assalto da ruiva à
mim foi simulado, um plano para
aproximar-se de mim e usar-me para seus objetivos.
Jean pousou a
mão sobre a dela. Carla puxou a mão, dizendo com a voz revoltada:
-Não me toque!
Não queira dominar-me com seus carinhos falsos!
Jean a fitou abatida e magoada com a rejeição.
-Carla. . . tem toda razão em estar magoada comigo, eu entendo como se sente. Mas quero explicar tudo entre nós.
-Então fale,
Jean. Vou ouví-la, mas não sei se você conseguirá justificar o que fez comigo.
Jean
começou a falar. Falou sobre seu pai, como o amava, como ele era idealista.
Como Giancarlo Gianini o executou, o ódio que passou a devotar a ele, sua sede
de vingança. E da tarefa que seu
superior destinou ao seu grupo, vindo de encontro ao seu plano de raptar
Gianini e fazê-lo confessar seus crimes,
para depois executá-lo. De Melanie, que era sua amante, mas acima de tudo, uma
colega de trabalho fiel e dedicada. Do plano que criara para abordá-la. E
concluiu:
-Então, você introduziu-me em sua casa. Eu fazia uma idéia completamente diferente de você. Que era uma mulher sem escrúpulos, só pensando na boa vida que um gangster lhe proporcionava. Mas então a conheci melhor. Vi que havia formado uma idéia irreal de você. Que na verdade, você era mais uma vítima daquele miserável, uma mulher solitária e perdida, com medo de separar-se dele por causa das ameaças que ele fez. E passei a admirá-la, Carla. Você foi tão simples, simpática e amiga, que cativou-me. E a atração que sentia por você, transformou-se em amor, em paixão, quando a tive em meus braços naquela boite.
Carla
diminuiu a velocidade do carro e parou no acostamento da estrada. Voltou-se
para ela, perturbada.
-Então, por que não abriu-se comigo, Jean ? Você teve essa chance. Mas preferiu continuar enganando-me.
-Você
já estava muito assustada com a morte de Joe, não quis perturbá-la mais. Eu
tinha uma missão a cumprir, que envolvia a segurança de outras pessoas. Não
queria também metê-la em meus problemas, para a sua e a minha segurança. Mas
pretendia revelar tudo a você, quando a missão terminasse.
Carla a fitou
com visível dúvida.
-Sua missão
ainda não terminou. Você ainda não capturou Giancarlo. Talvez ainda esteja
querendo usar-me, mentindo.
O olhar de
Jean nublou-se de decepção.
-Não confia
mais em mim, não é? Eu sei que mereço isso. Só posso dizer que o que sinto por
você é verdadeiro. Eu a amo, Carla.
Carla ficou
fitando-a em silêncio. Depois, suspirou, ligando o carro e dando partida.
-Eu queria
acreditar muito em você, Jean. Mas ainda tenho as minhas dúvidas. Você abalou
minha confiança em você e terá de
reconquistá-la, se puder.
-Oh, Carla. .
. eu provarei, com o tempo que não estou
mentindo mais- Disse, com tristeza.
Ficaram em
silêncio. Depois de certo tempo, Carla a fitou de soslaio.
-Está toda
ensangüentada, Jean. Está sentindo alguma dor ? Eles a espancaram, não ?
Jean passou a
mão pelo rosto. Sentiu o sangue seco, que havia escorrido do seu nariz. Seu
casaco estava respingado do sangue que caíra nele.
-Levei um
chute na perna e um soco no meu estômago
. Isso, sem contar as bofetadas que levei de Gianini e você. Mas, estou viva,
isso que importa.
O olhar de
Carla amenizou-se, lembrando das bofetadas que dera nela, ao descobrir que ela a
enganara. Pobre Jean, devia estar toda machucada.
-Quer passar numa farmácia para tomar uma injeção anestésica, para as dores ? Fazer uns curativos ?
-Não.
Iríamos chamar a atenção. Na cabana perto do lago tem medicamentos. Preparei
tudo para ficar lá por uns dias com Gianini.
-Eu tenho aí
atrás uma valise com roupas e dinheiro. Quando desci para libertá-la, já havia
planejado fugir com você.
Jean a fitou emocionada. Ela havia planejado fugir com ela, mesmo sabendo que fôra enganada ! Ela devia amá-la muito, para tomar essa decisão. Desafiar Gianini, quem temia ! Arriscar a própria vida, enfrentando aqueles homens perigosos !
Falou com a voz embargada de emoção:
-Carla,
você é maravilhosa. . . não a mereço. Mas vou tentar merecê-la, se me der outra
chance.
Carla ficou calada. Gostaria tanto de acreditar em Jean ! Mas tinha medo de ter outra decepção.
Caíram
novamente em silêncio. Somente quando estavam em Milwlkee, Jean falou para
orientá-la a chegar à cabana.
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A cabana ficava bem próxima ao lago, em uma área pouco habitada. A noite já havia chegado e Carla pouco pôde ver da paisagem, a não ser a estrada de terra que levava à cabana, iluminada pelos faróis do carro.
Ela parou diante
da casa e manteve os faróis acesos, à pedido de Jean, para iluminar a porta,
para que pudesse enxergar a fechadura. Jean abriu a porta, acendeu a luz da
sala e a chamou para entrar. Carla pegou sua valise, apagou os faróis do carro
e fechou-o . Dirigiu-se para a cabana e entrou, olhando em volta. Era uma
cabana rústica, mobiliada toscamente por uma mesa, duas cadeiras e um aparador.
Um tapete de pele de vaca, no meio da sala, era o único luxo ali, além da
pequena lareira.
Jean apanhou um lampião de gás em um canto e o acendeu, explicando:
-A
luz elétrica é muito clara. O lampião
produz claridade apenas suficiente para podermos enxergar,
sendo regulado no mínimo. Na obscuridade, seremos um alvo mais difícil.
Carla a fitou
preocupada.
-Acha que
Gianini virá para cá hoje?
Jean a olhou,
dirigindo-se para a cozinha.
-Acho pouco
provável. Além de ter precisado buscar socorro médico para o braço ferido, eles
têm que sumir com o corpo de Melanie, que é uma prova contra eles. Mas não vou
facilitar.
Carla
entrou na cozinha. Era pequena, apenas com uma pia e um armário de parede. O
fogão ficava em um canto. Jean foi até uma pilha de madeira cortada e pegou
algumas, levando para a sala.. Colocou-as na lareira, arrumando-as para
acender. O frio noturno estava se intensificando.
-Há água
corrente aqui? – Perguntou Carla, duvidando disso.
Jean
voltou-se, agachada. Seu rosto estava sem expressão.
-Tenho que
ligar a bomba do poço. Espere eu acender a lareira, que vou cuidar disso.
Carla
cruzou os braços contra o peito, sentindo frio. Estava ainda tensa pelos
momentos que passara naquele dia. E faminta. Não havia jantado e já eram mais
de oito horas da noite.
Carla pousou os olhos na porta que dava para o único quarto da cabana. Empurrou-a e olhou para dentro. A luz do lampião dava para iluminar o ambiente. Era um quarto pequeno, com apenas uma cama estreita. A janela estava pregada com tábuas.
Carla advinhou
para o que serviria aquele cômodo. Para encarcerar Gianini, se Jean tivesse
obtido sucesso no plano de raptá-lo.
Fechou
a porta, olhando para Jean. Ela tentava acender a lareira, concentrada. Foi
para a cozinha e abriu o armário. Ali haviam vários alimentos enlatados, uma garrafa de uísque de boa qualidade, outra
de conhaque. Pratos novos e três panelas ainda com a etiqueta. Jean havia
cuidado de todos o detalhes. Abriu a outra porta. Três dúzias
de ovos, três pacotes de pão de
forma, batatas e bacon . Bem, morrer de fome, não iriam.
Voltou
à sala. Jean conseguira acender a lareira e agora estendia as mãos em direção
às chamas, para esquentá-las. Olhou-a atenta.
-Pronto, não passaremos muito frio. Agora vou ligar a bomba d’água.
-Notei que no
armário há mantimentos. Quer que eu faça algo para comermos?
Jean sorriu.
-Sabe
cozinhar?
-Claro que
sei! Antes de casar com Giancarlo, eu morava só e fazia a minha comida.
-Ótimo. . .
então, pode fazer o que quiser, para comermos. Vou ligar a bomba.
Jean
foi para fora da casa. Carla dirigiu-se para a cozinha e escolheu ingredientes
para uma sopa e começou a prepará-la.
Lá
fora, Jean ligou a bomba e esquadrinhou os arredores com olhos atentos. Nenhum
movimento na estrada. Voltou para o interior da cabana. O frio estava cortante
lá fora.
Carla abria
uma lata de ervilha e a olhou criticamente.
-Está precisando de um bom banho, Jean. Está toda suja de sangue. Tire essa roupa ensangüentada e troque por outras limpas.
-Não tenho
outra roupa.
-Eu trouxe
algumas roupas. Pode usar, não me importo.
-Está bem. Vou
tomar um banho. Há toalhas novas no banheiro.
Jean
acendeu outro lampião e levou-o para o banheiro. Colocou-o sobre o lavatório e
abriu o pequeno armário. Constatou que Melanie havia guardado tudo que
precisava para higiene ali: pasta de dentes, sabonetes, desodorantes e até
absorventes. Melanie que havia se encarregado dessas compras e Jean a lembrou
com tristeza. Pobre Melanie! Não a amava havia um bom tempo, mas reconhecia que
ela era uma companheira fiel. E muito carinhosa quando estava de bom humor. Ela
não merecia ter aquele fim brutal. Mas ela havia sido vingada. Matara o
assassino dela. Não tinha dúvidas que fôra Chuck o autor da execução. Aquele
canalha tinha sede de sangue. Agora só faltava Gianini pagar.
Tirou o casaco, colocando a pistola sobre o outro lado do lavatório. Sua blusa e o casaco estavam inutilizados pelas manchas de sangue que escorrera de seu nariz. Mesmo que os lavasse, as manchas permaneceriam. Jogou-os no saco de lixo.
Tirou
o resto da roupa e olhou-se atentamente. Estava com um aspecto lamentável
devido às pancadas de Chuck e Gianini.
Gemeu quando tocou no rosto. Os pulsos
estavam esfolados pelas cordas que a haviam prendido e a perna tinha uma marca roxa do pontapé de
Gianini. E para completar, seu nariz estava um pouco inchado, sujo de sangue
seco e havia hematomas no rosto, das bofetadas que levara. Estava horrível!
Maldito Gianini! Maldito Chuck!
Tomou
um banho frio, lavando os cabelos vigorosamente e o corpo. Quando acabou,
estava gelada. Enxugou-se, lavou sua calcinha e pendurou-a em um prego na
parede para secar. Enrolou-se na toalha e foi até a cozinha. Um cheiro gostoso
de sopa penetrou em suas narinas e sentiu fome. Carla cortava rodelas de pão e
olhou-a com um sorriso.
-Está
tremendo! Aqui não há água quente, não é?
-Não. . .
Respondeu Jean, batendo o queixo de frio – Pode arrumar-me as roupas ?
-Claro, venha
– Disse, largando sua tarefa e adiantando-se para a sala.
Carla
passou por Jean e ela sentiu seu perfume suave. Quase a abraçou, mas
conteve-se. Na sala, Carla abriu sua valise e tirou uma blusa de lã azul escuro
e uma calça de malha da mesma côr. Estendeu-lhe, olhando-a séria.
-Vão ficar um
pouco grandes, mas dá para usar. Quer uma calcinha? Trouxe várias novas.
Jean sorriu,
apanhando a roupa.
-É uma mulher
previnida. . . quero, sim.
Carla lhe deu uma calcinha preta e escolheu outra
de renda branca para ela própria. Apanhou uma blusa de malha grossa preta, uma calça jeans e avisou:
-Vou tomar um
banho também. Vigie a sopa para mim.
-Ok, Carla.
Carla foi para o banheiro e Jean vestiu a calcinha. Era bem cavada e sexy. Imaginou, sorrindo, que ela devia ficar bem melhor em Carla, pois não se sentia nem um pouco sexy. Colocou a blusa e a calça, constatando que estavam grandes nela, mas podia usá-las enrolando as mangas da blusa e dobrando as pernas da calça na bainha.
-Ainda bem que está na moda roupas folgadas. . . – Pensou sorrindo, calçando as meias e o tênis.
Lembrou
da pistola no banheiro. Que descuido seu ! Se Gianini aparecesse naquele
momento, estava desarmada, impedida de defender-se.
Foi
até a porta do banheiro e empurrou-a. Não estava fechada, apenas encostada.
Entrou e Carla deu um grito de susto, preparando-se para entrar no box do
chuveiro, nua.
Jean parou, não conseguindo evitar olhar o corpo belíssimo. As costas bem delineadas, a cintura fina, o divino traseiro, as pernas longas e fortes.
Ela voltou o
rosto, fitando-a com um olhar indagador e sério.
-O que quer
aqui ? – Perguntou, com voz fria.
Jean apontou a
arma sobre o lavatório, desajeitada.
-Desculpe, não
quis assustá-la. Vim apanhar a arma que esqueci aqui. Quero tê-la sempre à mão.
Carla
assentiu com a cabeça, olhando-a em silêncio. Jean apanhou a arma e saiu,
fechando a porta.
Foi para a cozinha com o coração pulsando desordenado, pensando na cena que vira. Carla estava tão linda nua, para tomar banho ! Era mesmo belíssima. Ah, como a desejava, amava ! Não sabia como se conter mais, diante da indiferença dela aos seus sentimentos. E a culpa era sua ! Tinha que reconquistar a confiança perdida e o amor que ela sentia e estava substituído por uma grande mágoa.
A sopa estava no ponto e apagou o fogo. Lavou dois pratos, apanhou as colheres e guardanapos de papel. Arranjou a mesa da sala como pôde, completando com as fatias de pão que Carla cortara.
Ela veio para a sala, linda com os cabelos molhados, a blusa preta constratando com a pele clara e aveludada. A calça caía em seu corpo como uma luva, moldando os quadris redondos e coxas sensacionais.
-Está
pronta a comida? – Carla perguntou, sorrindo – Estou morrendo de fome. O frio
está feroz, uma sopa cairá bem.
-Sim. Venha, sente-se – Chamou, com indisfarçável admiração no olhar.
Carla
sentou numa cadeira diante dela e Jean serviu a sopa, sob o olhar pensativo
dela. Comeram em silêncio. Jean notou que Carla estava pensativa e deixou-a à
vontade com seus pensamentos. Terminaram e Carla levou os pratos para a
cozinha, lavando-os e enxugando. Jean apanhou a arma e olhou o tambor. Só
haviam três balas. A munição para ela ficara na casa de Gianini. Mas ainda
havia a arma que Carla trouxera, e os dois fuzis que havia trazido antes.
-Carla, onde
está sua arma ? – Perguntou, indo até a cozinha.
Ela voltou-se,
fitando-a .Acabara sua tarefa e enxugava as mãos.
-No carro.
Acha que vamos precisar dela ?
-Tenho dois
fuzis aí, guardados. Mas você não sabe atirar com eles. É bom que fique com sua
arma próxima à você. Vamos apanhá-la.
-Agora ? Está
tão frio lá fora. . .
-Sim, agora. Por favor.
Carla
foi até a sala e apanhou as chaves do carro sobre o aparador. Jean deixou a
porta aberta para iluminar lá fora e seguiu Carla até o carro. Acendeu seu
isqueiro para iluminar a fechadura da porta do carro. Carla abriu-a e tateou o
chão do lado do motorista. Logo achou a arma e a pegou, batendo a porta do
carro. Retornaram à casa.
Carla
tropeçou no degrau e Jean segurou-a pelos ombros. Ela desvencilhou-se e correu
para dentro.
Jean a
alcançou na sala. Ela tremia, olhando para o fogo da lareira de braços
cruzados, o rosto tenso.
-Carla, por
que esse medo todo de eu tocá-la? – Perguntou Jean, sem poder evitar.
Ela a fitou,
os olhos azuis luzindo à luz das chamas.
-Medo ? Não é
medo, Jean. Apenas não quero que me toque mais.
Jean a olhou
com a paixão impressa em seus olhos e em sua voz :
-Carla,
não posso conformar-me em vê-la tão distante, tão fria comigo. Por que eu a amo
e sei que me ama também. Por favor, dê-me uma chance para mostrar à você o
quanto eu a amo. . . – Pediu, com voz trêmula de emoção.
Ela virou o
rosto, evitando seu olhar. Voltou-se de costas para ela.
-Estou muito
magoada, Jean. Preciso pensar se devo voltar a confiar em você. Não quero
machucar-me mais do que já me machuquei.
Jean parou atrás dela, olhando-a apaixonadamente.
-Não
deixe essa mágoa acabar com o nosso amor, Carla. Eu sei que errei com você, mas
eu não podia abrir-me com você, entenda isso ! Eu a amo, estou aqui pedindo
para você dar-me outra chance. . . e nunca mais você
terá motivos para duvidar desse amor que sinto.
Jean pousou as
mãos nos ombros dela, suavemente.
-Carla... não se negue mais. . . Eu sei que você também me quer. . . que também sente esta atração irresistível, que nos leva a desejar estar nos braços uma da outra. . . Oh, Carla ! Não estrague tudo por uma mágoa !
Carla
tremia, sentindo o toque suave das mãos de Jean. Queria resistir, mas todo o
seu ser clamava por ela, e aquela voz blandiciosa em seu ouvido a emocionava.
Talvez aquele momento nunca mais se repetisse. Tinham tão pouco tempo ! Logo
Gianini chegaria com sua sede de vingança e elas não poderiam mais pensar em
amor, mas somente em sobrevivência.
Jean
encostou-se em seu corpo. Ela também tremia.
-Carla. . . eu
a amo. . . acredite em mim. . . por favor!
Carla
voltou-se de frente para ela, derrotada por aquela voz, aquele contato. Deu
vazão às suas emoções contidas e abraçou-a fortemente, rodeando o pescoço dela
com os braços, a boca encontrando a outra em um beijo ardente, cheio de paixão.
Jean também apertou-a contra seu corpo, tremendo de emoção, sentindo aquela boca macia sugando-a sofregamente, na explosão da paixão enlouquecedora. O beijo prolongou-se, suas mãos acariciavam os corpos unidos, espremidos um contra o outro.
Finalmente
desuniram os lábios e se fitaram. Carla leu nos olhos de Jean o amor que ela
sentia e suas dúvidas terminaram.
-Jean ! Jean. .
. meu Deus, como a amo ! – Sussurrou.
-Carla, meu
amor. . . sou louca por você. . . é a mulher de minha vida ! Eu a amo, adoro !
Tornaram
a se beijar. Deslizaram para o tapete diante da lareira. As mãos de Carla a
acariciavam no rosto, nos cabelos, desceram para as costas, apertando-a
impacientes. Jean alisava seus seios, os quadris, as coxas, embriagada de amor
e paixão.
Se despiram devagar, entre beijos ardentes. Carla deitou no chão e a olhou ofegando, o belo rosto iluminado pelas chamas.
Ajoelhada, Jean contemplou a beleza daquele corpo perfeito, onde a luz das chamas brincava. Ela era belíssima, mas o seu amor não residia apenas nisso. Amava Carla também por ser a mulher corajosa e leal que demonstrara ser, seu caráter íntegro, sua generosidade no amor, sua paixão e carinho.
Ela a puxou e Jean deitou-se, sentindo uma profunda emoção quando seus corpos se uniram para o amor.
E Jean entregou-se aos carinhos arrebatados da mulher que amava, com um enlevo que ninguém antes a fizera sentir.
Beijou-a
pelo corpo todo, garvando na mente cada reação que Carla sentia, os movimentos
ora suaves, lentos, ora frenéticos. Os gemidos, as frases ardentes, os beijos
sensuais, a expressão transtornada pelo prazer, tudo aquilo fazendo-a enlouquecer também. Estava com a mulher amada
nos braços , ela se dando com loucura, insinuando carinhos, também
acariciando-a de todos os modos possíveis, isso era o auge da felicidade, uma
emoção que a fazia esquecer tudo mais.
Carla
em seu orgasmo final ! O rosto dominado pelo êxtase, os olhos semi-cerrados, a
boca entreaberta gemendo seu nome, o corpo arqueando-se ao encontro do seu em
tremores espasmódicos, as mãos apertando-a . Jean sentiu o orgasmo chegar em
seu corpo e sua voz rouca sussurrou palavras loucas, apertando-se contra Carla
em estremecimentos de prazer.
A
calma dos corpos, depois do prazer. Pernas entrelaçadas, mãos acariciantes,
beijos suaves, olhos se fitando com enlevo. Duas mulheres apaixonadas,
eaquecidas do mundo lá fora.
Carla sorriu docemente, acariciando o rosto de Jean.
-Como
você sabe dar prazer à uma mulher, meu amor. . . onde aprendeu isso tão bem ? –
Perguntou baixinho.
Jean sorriu,
fitando-a com olhar divertido.
-Por aí, na
escola da vida. . .
-Já teve
muitas mulheres em sua vida ?
Jean viu o
ciúme naqueles olhos azuis. Emocionou-se.
-Não. Não sou
promíscua, se quer saber. E você ? Antes de Gianini, teve muitos homens ?
Carla bejou-a suavemente nos lábios. Fitou-a, debruçando-se para ela, apoiada em um cotovelo.
-Não.
Sempre fui muito “cantada”, mas era muito tímida. Tive minha primeira
experiência sexual com um namorado do colégio, aos dezesseis anos. Ele e eu
éramos inexperientes e não foi grande coisa. Depois, casei-me com um colega de
faculdade. Ele era ciumento e possessivo. Brigávamos muito. O casamento durou
dois anos. Divorciei-me e não queria mais saber de casamento. Comecei a
trabalhar como secretária numa grande firma. Meu chefe “cantou-me” durante
muito tempo, até eu sair com ele. Era um homem bonitão e gentil. Fiquei com ele
três anos, até que decidi romper porque ele
era casado. Saí do emprego e fui trabalhar em uma firma de importação. O
serviço era tedioso. À noite, eu saia com amigos, não gostava de ficar em casa
sozinha.
Fez uma pausa
e continuou, com voz sem expressão:
-Fui com os amigos em um clube noturno, do qual Gianini era dono. Ele me viu dançando e ficou interessadíssimo. Não lhe dei muita atenção e isso pareceu provocá-lo. Fez amizade com uma amiga minha e sentou em nossa mesa. Mandou servir champanha para todos e chamou-me para dançar. Mostrou-se educado e gentil. Fiquei deslumbrada por aquele homem rico e atraente estar interessado em mim.
Jean sorriu
com ironia.
-A velha
estória do interesse pelo dinheiro – Comentou.
Carla assentiu
, séria.
-Sim,
não vou negar. Eu era uma idiota, Jean. Achava que o dinheiro bastava para ser
feliz. E Gianini deslumbrou-me com seu alto estilo de vida. Os presentes caros,
a limousine, os jantares em restaurantes de luxo. . . e todo lugar que ele me
levava, era tratado como um rei. Confesso que isso impressionáva-me muito.
-Carla , Gianini é bem tratado por todos que o servem por medo ! Ele é o chefão da máfia em Chicago!
-Agora
sei disso. Mas naquele tempo, achava o máximo. Estava empolgada. Um homem rico
e importante, interessado em mim, uma simples secretária. E as noites se
sucederam com idas ao teatro, jantares, presentes caros. E ele sempre atencioso
e gentil. Quando pediu-me em casamento, não pensei duas vezes. Estava
deslumbrada por aquela vida glamurosa.
Jean agora a ouvia em silêncio. Carla falava sem emoção, com o olhar perdido. Voltou-se para ela com os olhos azuis cheios de gravidade.
-Você
está entendendo ? Eu era uma boba, só pensava na vida maravilhosa que iria levar,
com luxo e um homem importante.
-Você sabia
que ele era ligado ao crime organizado?
Carla
assentiu, com olhar sombrio.
-Sim.
Meus amigos disseram-me que ele era o chefão da máfia. Mas isso não significava muito para mim. Eu
achava que um mafioso era uma figura folclórica, como nos filmes. Achava até
fascinante ! Eu não estava consciente que isso representava assassinatos e
outras coisas abjetas. Quando seu pai foi assassinado por Giancarlo, foi que
despertei. Vi que não era somente uma guerra entre gangster. Havia mortes de
pessoas de bem.
Jean sentou-se, olhando-a vivamente.
-Você viu
Giancarlo matar meu pai ?
-Não, Jean. Eu ouvi ele comentar isso com um homem. Ia entrando no escritório dele e o ouvi dizendo que ele mesmo fizera questão de dar o tiro fatal em York. Fiquei com medo e saí. Acho que ele não me viu. Agora, se quiser, posso testemunhar isso contra ele.
Jean
ficou olhando-a . Viu a sinceridade impressa naqueles olhos. Tornou a deitar e
a abraçou.
-Não , meu anjo. Não quero envolvê-la nisso mais. É muito perigoso. O importante é eu saber que foi ele mesmo o assassino de meu pai. Ele vai pagar isso.
-Meu amor. . .
tenho medo. Giancarlo vai nos matar !
Jean a olhou
com determinação no olhar.
-Não
vai não, Carla. Agora, estou previnida. Confie em mim. Eu vou pegá-lo, dessa
vez ele não vai escapar.
Ela a fitou angustiada, apertando-se contra seu corpo.
-Quero viver para amar você, Jean. Desfrutar desse amor que é a melhor coisa em minha vida. Viver junto de você, acordar ao seu lado. . . será tão bom, querida !
-Nos
vamos viver nosso amor, meu anjo. E só haverá você em minha vida. Não tenha
medo, tudo terminará bem.
Beijaram-se
com paixão. O desejo as dominou novamente. Jean mais uma vez sentiu-se
transportada à um mundo só delas, em que só havia amor e paixão. Possuiu-a
alucinadamente, arrancando gritos de prazer daquela mulher que se entregava com
loucura.
Jean
acordou sobressaltada, sentando-se no tapete. Carla, ao seu lado, abriu os
olhos assustada, olhando-a com temor.
-O que foi ? –
Sussurrou.
Jean pegou a arma ao lado e ergueu-se. Foi até a janela da sala e olhou para fora, por entre as frestas das táboas que havia pregado. Não viu nada de anormal, mas isso não a tranqüilizou. Voltou-se para Carla, que a fitava em expectativa, sentada.
-O dia já
amanheceu. Temos que ficar alertas – Declarou, apanhando suas roupas no chão e
começando a vestí-las.
Carla pegou o
seu relógio de pulso no chão e o olhou. Tornou a olhar para Jean.
-São apenas
seis horas da manhã! Acha que eles poderiam chegar tão cedo ?
Jean sorriu da
ingenuidade de Carla.
-Meu amor, eles não têm hora marcada ! Essa noite achei improvável eles virem, pelos motivos que lhe falei. Mas hoje, eles virão logo que puderem. Gianini deve estar furioso conosco e ansioso para se vingar do que fizemos com ele.
Carla pôs-se
de pé agilmente e começou a vestir-se também , nervosamente.
Jean riu e aproximou-se
dela já vestida, alisando-a no rosto e dizendo com suavidade:
-Calma,
querida. Temos que manter a calma e nos preparar para recebê-los.
Carla a fitou nervosa.
-Somente
nós duas contra um monte de homens armados até os dentes, Jean ? Não vamos
conseguir enfrentá-los !
Jean sorriu friamente.
-É
justamente isso que quero que pensem, que seremos presas fáceis. Aí que ele se
enganará.
-Por que ele
se enganará ? O que vai fazer, Jean ?
-Você vai ver.
Venha ver a surpresa que tenho para Giancarlo e seus homens.
Carla seguiu-a
curiosa, para a cozinha.
Jean abriu a
porta de uma despensa e começou a retirar várias coisas , explicando :
-Fios
para rastilho de pólvora, dois galões de gasolina, dois barris de pólvora,
dinamites, dois fuzis e bastante munição. Tudo que preciso para preparar uma
recepção para aquele miserável.
Carla olhou para aquele material e as armas sem entender .
-Os fuzis, sei que vai usá-los. Mas, e o restante, o que vai fazer com isso ?
-Armadilhas,
minha querida. E você vai ajudar-me. Vamos começar logo o serviço.
E
começaram a tarefa. Jean , ajudada por Carla, fêz um rastro de pólvora em volta
da casa e ligou ao rastro um fio com rastilho, que ia até umas pedras perto do
lago. Na estrada que conduzia à cabana,
cavou vários buracos e os encheu com pólvora,
unindo-os com rastilhos também
terminando atrás das pedras do outro lado da cabana. O terreno ficou todo minado
e Jean explicou para Carla:
-Aqui
será o local onde os aguardaremos. Eu de um lado e você do outro. Acenderemos
os rabichos da pólvora e atiraremos, quando chegarem próximos da cabana. Isso,
se conseguirem passar pelas armadilhas que preparamos.
Carla a
encarou, pessimista.
-E se não tivermos sucesso ?
Jean sorriu,
de bom humor.
-Aí,
fugiremos nadando. Não quero esperá-los dentro da cabana, que ficaríamos
acuadas. Em um local livre, eles terão que nos alcançar e descobrir onde
estamos.
Pegou as
dinamites e fêz cartuchos em blocos de três . Olhou para Carla.
-Isso eu vou
manejar. E você vai aprender a atirar com o fuzil.
Carla a fitou
amendrontada.
-Eu ?! Nunca
atirei com uma pistola, imagine com um fuzil !
-É mais fácil do que você pensa. Venha, vou ensinar a você. Só precisa conhecer o funcionamento da arma. E saber segurá-la.
Jean
pegou os fuzis atrás das pedras, ensinando Carla a usá-los. Explicou onde
ficavam as balas, como mirar , como disparar, fazendo tudo para ela ver e
depois a mandando repetir o que tinha feito. Carla suou de nervosismo, relutou,
mas acabou aprendendo a manejar a arma. Exultou quando disparou em um latão
vazio e o perfurou, numa distância de
dez passos.
Jean sorriu.
-É
um alvo estático, mas está bom. Mesmo que não acerte nenhum homem, os tiros
servirão para distraí-los de onde eu estarei. E eu não vou errar, tenha
certeza.
Voltaram para dentro da cabana. Jean colocou os cartuchos de dinamite em uma mochila que encontrou no canto da cozinha, dizendo :
-A dinamite é um
presentinho que guardarei especialmente para o seu maridinho.
Carla a fitou
com uma expressão zangada.
-Meu maridinho
! Não brinque comigo assim, Jean ! – Protestou, com voz enraivecida.
Jean a fitou
erguendo as sobrancelhas.
-Mas ele não é
seu marido ?
-Não quero
pensar nisso, odeio essa realidade, sabe muito bem disso ! Você quer
torturar-me, lembrando-me disso ?
Jean
abraçou-a, olhando para aqueles olhos azuis onde a mágoa brilhava.
-Desculpe-me,
amor. A verdade é que eu não esqueço desse fato, sinto ódio em saber que ele é
seu marido, que beijou sua boca e a possuiu. É mais um motivo para desejar
matá-lo.
A expressão
dos olhos mudou para surpresa.
-Jean
! Eu a amo, sou louca por você ! Não pense assim, pense que sou sua e
entreguei-me a você de uma forma que nunca me entreguei a ninguém. Nunca
ninguém fêz-me sentir o que sinto quando estou em seus braços.
Jean
sentiu uma doce emoção invadí-la. Beijou-a apaixonadamente, sentindo Carla
abandonar-se ao seu beijo, correspondendo com igual paixão.
Separaram-se
e se fitaram nos olhos. O perigo pairava no ar, precisavam ficar alertas, mas o
desejo de fazerem amor anulou todas as cautelas e medos. Nada era mais
importante que estarem juntas, dando e recebendo amor.
Despiram-se
ansiosas, olhando-se nos olhos de uma forna que não havia necessidade de
palavras.
Carla a abraçou tremendo, os olhos mortiços, a boca entreaberta. Jean apertou-se contra ela , subjulgada por aqueles olhos que pediam amor. Passou os lábios pelo pescoço macio, desceu para os seios eretos e os beijou, mordiscou, lambeu e sugou, sentindo-a inflamar-se, as pernas se cruzarem em seu corpo, prendendo-a contra si. Jean a segurou pela cintura e a guiou para a sala . Carla segurou sua cabeça entre as mãos e a fitou com paixão luzindo no olhar.
-Jean. . . Jean. . . eu a amo tanto...
-Carla, diga que é só minha. . . toda minha. . .
-Sou toda sua,
amor . . . aperte-me mais. . . assim. . .
Jean
a beijou e Carla correspondeu com sofreguidão, a boca quente sugando a sua,
mordiscando os lábios.
Deitaram-se no tapete. Carla remexia-se sob o corpo de Jean, as mãos alisando-a frenéticas. Rolaram no chão e Jean ficou por baixo, com Carla deitada em cima dela. Ela a fitou com os olhos semi-cerrados, numa expressão sensual.
-Agora,
vou possuí-la, Jean... dê-se inteira para mim...
Debruçou-se
e tomou o seio de Jean na boca , segurando-o com carinho. Jean gemeu baixinho,
deixando-a tomar as iniciativas, dessa vez. E Carla a possuiu, empolgada em
fazer em Jean as coisas que ela fazia em seu corpo. Como era bom possuir uma
mulher ! Fazia carícias no corpo que se entregava e enlouquecia de desejo. E
quando Jean atingiu o êxtase, Carla sentiu uma intensa emoção de prazer,
sentindo o corpo amado mexendo-se em convulsões
de prazer, o rosto tomado pela expressão de êxtase, como era excitante !
Olhou-a fascinada. Jean abriu os olhos e disse, com voz rouca:
-Agora quero
você. Toda.
Carla deitou
ao lado dela, olhando-a ansiosa.
-Venha. . .
pegue-me. . . sabe que sou sua, amor...
Jean alisou as coxas macias dela , o sexo, beijando-a pelo rosto todo. Desceu para os seios, o ventre , alcançou o sexo, mordiscando-o com cuidado, sugando suavemente. Penetrou-a depois, sentindo Carla completamente molhada, pronta para ela. Moveu os dedos ritmicamente, sentindo Carla impalando-se neles com gemidos sensuais, movendo-se alucinada. As mãos de Carla a puxaram para cima, quando estava perto do orgasmo. Segurou seu rosto entre as mãos e beijou sua boca, mordiscando-a, enfiando a língua macia, sugando sua saliva como se fosse a mais saborosa bebida, mexendo-se sob seu corpo.
Agora as duas estavam frenéticas. Tremiam , gemiam, sentindo o prazer intensificar-se, até que atingiram o êxtase simultâneamente.
Carla a fitou entre os cílos espessos, sorrindo. Jean havia se deitado ao lado dela, no relaxamento que sobrevém ao prazer.
-Meu
amor, como é delicioso possuir você. . . sabe, não tenho palavras para
descrever o que sinto, possuindo-a . É tão maravilhoso ! Não saberia ficar mais
sem você, meu amor. Você completa-me em tudo que sempre quis em uma pessoa.
Jean sorriu, acariciando seu rosto.
-Nem eu poderia, meu anjo. Nunca tive uma mulher como você. . . assim tão bela, tão maravilhosa, tão especial.
-Bela
é você, querida. . . e é tão gostosa, com essa boca que faz deliciosas
loucuras... Ah, quero possuí-la outra vez... agora ...
Jean riu e
sentou-se , olhando-a com malícia.
-Calma, sua
insaciável ! – Brincou – Agora não é mais possível !
Ela a fitou
ansiosa, com a paixão mesclada no olhar.
-Por que não é
mais possível ?
Jean deixou de
sorrir, fitando-a gravemente.
-Temos que
ficar alertas e nos preparármos para receber Gianini.
O olhar de
Carla nublou. A alegria fugiu do olhar.
-Oh ! Eu estava tão desligada de tudo isso ! Mas , tem razão. Temos uma tarefa a cumprir. Havia esquecido que você é uma policial e tem que vingar-se de Giancarlo.
-Carla,
quando isso tudo acabar, só viveremos uma para a outra. E teremos momentos
melhores que esses. Sem tempo marcado e sem receios – Disse, fitando-a nos
olhos.
Vestiram-se
e foram tomar o café da manhã. Precisavam repor as energias gastas. O tempo
estava se esgotando. Logo Gianini chegaria
com seus homens e teriam de estar preparadas para enfrentá-los. O plano era
simples, mas teriam que contar com a
sorte.
Gianini precisava ser destruído,
para que pudessem viver em paz.
Continua na parte
7 (conclusão)
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