A MULHER DO
CHEFÃO
PARTE 5
Giancarlo Gianini olhou
para o capanga com um olhar frio. Ele acabara de lhe relatar algo muito grave,
que envolvia sua segurança e seus negócios.
Uma mulher e dois homens
estavam há dois dias rondando as imediações da casa, em um carro. O veículo
parava às vezes na esquina e os ocupantes olhavam para a casa atentamente. Os
capangas de Giancarlo já haviam
seguido o carro e viram seus ocupantes conversando em um bar,
baixinho, com expressões graves. Pareciam conspirar. Haviam seguido esses
homens e descobriram que eles estavam hospedados em um hotel próximo, do qual
saíam para encontrar com uma mulher.
Gianini era esperto. Não
era à toa que era o chefão da Máfia de Chicago. Precisava ser muito esperto
para isso e saber farejar o perigo quando ele se apresentava.
-Eu
sabia que a morte de Joe era parte de uma trama para derrubar-me ! – Disse,
colérico – Chuck, não perca tempo ! Capture esses três, vivos ou mortos ! Mas
quero ao menos um vivo, para contar o que estavam pretendendo ! Hoje mesmo,
agora !
O
capanga sorriu com satisfação cruel.
-Pode
deixar, chefe. Vou resolver isso agora mesmo.
O
capanga saiu e Gianini acendeu um charuto, pensativo. As coisas estavam se
complicando. Tinha de agir rápido, antes que fosse tarde. Não podia facilitar
com ninguém. E aquela puta da Helen Stanfield também, não podia facilitar com
ela. Alguma coisa lhe dizia que ela tinha algo a ver com isso tudo. Não
engolira aquela estória. Parecia mais um plano para ter acesso à sua casa. E a
morte de Joe continuava sem solução. Pois agora, descobriria tudo. Ia apertar Helen
Stanfield, para ela confessar tudo. Não iria mais esperar ela dar outro passo
em falso.
Eles
iriam ver quem era Giancarlo Gianini !Chamou outro capanga pelo interfone:
Gino, seu fiel mordomo. Ele entrou sorrindo servilmente.
Chuck
era um homem que gostava do seu ofício. Aprimorara-se nele com o passar dos
anos e na penitenciária estadual, onde cumprira
pena de dez anos. Cada vítima que torturava e eliminava, marcava um traço na
coronha de seu revólver, como os velhos bandidos do oeste. Os traços já
totalizavam dezenove. Estava ansioso para completar o vigésimo traço. Homem ou
mulher, não importava. Sentia volúpia em torturar uma pessoa. Ouví-la pedir
misericórdia, gritar, chorar. Sentia-se poderoso nessa hora, dono do destino da
pessoa. Quando matava, finalmente, quase gozava. Era muito melhor isso que
trepar com uma mulher, pensava.
E agora sentia-se excitado, sabendo que iria ter nas mãos
três vidas humanas. Estava louco para praticar suas torturas. Bob e Frank iriam
ajudá-lo na tarefa, mas ele chefiaria.
Saíram em dois carros e acharam suas vítimas facilmente. O
carro estava estacionado um quarteirão à frente, com os três dentro. Como
combinado, um carro parou na frente e o outro ao lado, saindo todos já
atirando. Mas o Ford preto deu ré e saiu à toda velocidade, escapando.
E
uma perseguição perigosa iniciou. Bob dirigia e Chuck gritava, tentando atingir
o carro que corria loucamente.
-Ande,
Bob ! Corra mais ! Temos que pegar esses desgraçados, ou Gianini vai nos
esfolar!
O carro dirigiu-se para uma estrada deserta. Bob acelerou ao
máximo e alcançou o carro em uma curva perigosa. Chuck apontou a arma
cuidadosamente e atingiu o motoriata. O carro desgovernou-se, saiu da estrada e
capotou espetacularmente, por um declive. Parou lá embaixo, com as rodas para
cima.
Chuck, Bob e Frank pararam os carros e desceram correndo a
ladeira. Chegaram ao lado do carro e olharam para o seu interior. Os dois
homens estavam mortos, todos ensangüentados, mas a mulher tentava sair por uma
janela, apavorada, com algumas escoriações.
Chuck riu,
apontando a arma para ela.
-Vejam,
rapazes ! O passarinho tentando sair da gaiola ! Peguem a mocinha, ela vai ter
tratamento especial !
Frank e Bob puxaram a moça pelos braços e a trouxeram para o
lado de fora do carro. Ela estava toda machucada, com os braços cheios de
equimoses, o rosto sujo da terra da estrada, mas não estava com ferimentos
sérios. Debatia-se segura por Frank e Bob, querendo escapar.
Chuck sorriu, satisfeito. Pelo menos, sobrara uma vítima para
torturar.
-Que
gracinha ! – Disse, com deboche – Não resista, belezinha. . . você vai fazer
uma visita à casa que você tanto olhava. . . vai ser muito bem tratada, palavra
de Chuck !
E
eles levaram Melaine, metendo-a dentro do carro e retornando para a casa de
Gianini.
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Já entardecia. Depois de tanto amor, Jean e Carla haviam adormecido. Quando Carla acordou, sacudida levemente por Jean, já a viu vestida. Olhou-a confusa, ainda meio adormecida. Jean a fitava com um olhar preocupado.
-O que foi ? –
Perguntou, assustada.
-Temos
quer ir embora. Já estamos ausentes há várias horas, Carla. Não quero que seu
marido desconfie de nós.
Carla fez uma expressão de nojo.
-Meu
marido ! Não me lembre disso, por favor, quando estiver comigo ! Odeio pensar que sou mulher daquele homem !
Jean
acariciou o rosto dela, olhando-a ternamente.
-Está
bem, meu anjo. Mas vista-se. Não podemos nos demorar mais.
Carla sentou na cama e puxou-a em um abraço, pousando o rosto
no seu.
-Oh,
meu amor. . . queria tanto ficar mais com você. . . é tão bom! Com você,
sinto-me tão bem, tão em paz com a vida!
-Futuramente
teremos muito tempo para nós, querida. É só ter paciência e confiar em mim. Eu
a amo, não esqueça – Disse Jean, beijando seus cabelos carinhosamente.
Carla afastou-se, fitando-a tristonha.
-Você não está
sendo realista, meu amor. Não vejo saída para nós.
-Daremos um jeito. Por favor, vista-se. Não posso ficar muito
tempo vendo-a nua, porque vou acabar fraquejando e a jogando em cima dessa cama
para mais momentos de amor.
Carla riu e
ergueu-se, em sua nudez esplêndida.
-Seria
maravilhoso, mas também sei que nosso tempo já se esgotou. Vou vestir-me.
Vestiu-se sob
o olhar de admiração de Jean. Penteou os cabelos com uma escova que tirou da
bolsa, retocou o baton dos lábios sensuais e olhou para Jean.
-Estou pronta.
Vamos.
Saíram
do motel e Carla rumou para casa. De vez em quando, olhava para Jean,
observando-a. Sentia-se apaixonada, ela a conquistara completamente com seus
beijos deliciosos, seus carinhos arrebatadores, sua beleza e sua personalidade
envolvente, forte e otimista. Sentia-se segura e feliz ao lado dela,
emocionava-se lembrando as palavras de amor que ela sussurrara em seu ouvido
nos momentos de amor e paixão. Ela era agora a pessoa mais importante de sua vida,
que lhe trouxera alegria, amor e
otimismo, mostrando-lhe que ainda podia ser feliz.
Mas agora
ela parecia distante, mergulhada em seus próprios pensamentos. Será que estava
arrependida de ter-se envolvido com ela ?
-Helen. . . – Chamou, baixinho.
Ela
deixou de olhar para a frente e a fitou, parecendo sair de um mundo distante.
-O que é ?
-Em que está
pensando ? Está tão ausente !
Jean sorriu,
acariciando seu rosto.
-Não estou
ausente, e sim pensando em como estou apaixonada.
-Verdade ? Não
está arrependida por ter iniciado algo comigo? Pode ter pensado melhor e ter
avaliado o risco que ocorrerá.
Ela a fitou
surpresa.
-Arrependida
?! Carla, eu a amo! – Disse, calorosamente.
Carla pousou a
mão sobre a dela e a apertou, amocionada.
-Oh, Helen. .
. se soubesse como fico, quando diz isso. . .
Jean sorriu,
olhando-a de soslaio.
-Como fica ?
-Mais
apaixonada. . . com vontade de ser sua. . .
Jean suspirou.
Naquela noite iria embora, levando Gianini. Só depois de algum tempo poderia
voltar a ver Carla.
-Carla,
poderemos até nos separar por dias, mas ninguém nos separará definitivamente.
Nem mesmo Gianini.
-Estou
com medo, Helen. Giancarlo, quando descobrir que nos amamos, irá nos matar.
-Isso não
acontecerá. Confie em mim, meu anjo.
Carla deu um
pálido sorriso.
-Eu
confio, amor.Mas tenho medo. Giancarlo é um homem violento, vingativo. E vai
querer vingar-se de nós.
-Ele não
saberá de nada. E mesmo que saiba, já será tarde demais para ele.
-O que quer dizer com isso ?
Jean sorriu
friamente, um sorriso que Carla ainda não vira nela.
-É
um palpite meu. Gianini não vai durar muito em sua carreira de crimes.
-Por que diz
isso ? Sabe de algo que eu não sei ?
-Não. Mas acho
isso.
Carla a olhou em silêncio. Helen era tão misteriosa ! Aquele
destemor a intrigava. Já havia visto homens tremerem diante de Giancarlo,
homens duros e vivenciados no crime. Então, por que Helen não tinha medo dele ?
Parecia ter trunfos nas mãos contra ele, e não sabia quais poderiam ser.
Calou-se,
não querendo parecer pessimista.
Minutos
depois, chegaram. O vigia, depois de identificá-las, abriu o portão e o Porsche
penetrou na alameda, avançando e parando em frente a casa.
Carla
desceu do carro e olhou para Helen.
-Até
amanhã, Helen. Espere-me na quadra de tênis às nove horas, para jogarmos uma
partida.
-Tudo bem, Carla. Vou guardar o carro na garagem. Depois vou subir e tomar um banho.
Carla
foi para o seu quarto e quando chegou, tirou a roupa e foi tomar banho. Tomou-o
sorrindo, lembrando os momentos que passara com Helen.
Giancarlo
entrou no quarto quando ela estava começando a vestir-se.
Carla
o fitou contrariada. A última pessoa que queria ver era o marido.
Giancarlo
olhou-a com um sorriso sarcástico.
-E
então ? Sua segurança deixou escapar algum dado que a incrimine?
Carla
vestiu a calcinha rapidamente, incomodada pelo olhar que percorreu seu corpo.
-Não, Giancarlo. Ela estava até descontraída, falando de seu
trabalho com entusiasmo. Está adorando trabalhar aqui – Mentiu, pegando o
soutien para vestir.
-Hum.
. . ela pode enganar a você, mas não a mim . Mas brevemente eu vou
desmascará-la.
Carla vestiu o soutien e olhou para o marido com irritação.
-Por
que essa implicância com Helen, Giancarlo ? Ela é uma ótima pessoa, educada, e
não fez nada de errado para merecer sua desconfiança.
Ele
sorriu com ironia, percorrendo seu corpo com os olhos cheios de desejo.
-Você se deixa enganar por aparências, não eu. Bem, deixe isso pra lá. Eu vou resolver isso.
Aproximou-se
e pegou-a pelos ombros, descendo as mãos para os seios.
-Tire o soutien e a calcinha. Quero você agora.
Carla o
encarou com frieza.
-Não estou
disposta, Giancarlo. Estou cansada, andei muito hoje.
Ele a fitou
friamente, desabotoando a calça.
-Cansada
de quê? Leva uma boa vida, não faz nada e tem tudo que quer. E não quer
satisfazer o meu desejo?
Ela deu um
passo atrás.
-É
isso, Giancarlo. Você só pensa em seu desejo. O que eu sinto não tem nenhuma importância
para você! – Ela disse, com revolta.
Ele aproximou-se novamente e a pegou pelos ombros, irritado,
empurrando-a para a cama.
-Deixe de sentimentalismo barato ! Muita mulher gostaria de estar em seu lugar! Com muito menos, eu
posso ter mulheres lindas, ansiosas para trepar comigo! E você vive como uma
rainha às minhas custas! E agora, tem que retribuir!
Ele a jogou sobre a cama e caiu por cima dela, rindo do
esforço que ela fazia para empurrá-lo.
-Quer
resistir? Pior para você! Vou pegá-la à força!
-Pare, Giancarlo! – Gritou Carla, tentando empurrá-lo – Não
quero! Respeite isso!
-Deixe de
dramas, sua puta!
E ele deu um puxão em sua calcinha, rasgando-a .
A
porta do quarto abriu-se precipitadamente e Jean entrou, com sua arma na mão,
estacando ao ver Gianini sobre Carla. Ele voltou-se, furioso.
-Quem, diabos,
a mandou entrar? – Berrou.
Jean o olhou
com olhar frio.
-Desculpe-me... – Disse, com voz fria – 0uvi gritos da senhora Gianini e como sou sua
guarda-costas, vim ver o que estava havendo.
-Saia daqui, com os demônios! Estou trepando com minha mulher, não vê, idiota?
Jean hesitou, ao ver o olhar desesperado de Carla.
-Saia!
– Gritou Gianini, erguendo-se vermelho de raiva com a intromissão.
Jean mordeu os lábios. Tinha que sair, ou estragaria tudo.
Não podia perder a cabeça por ciúmes de Carla. Percebera o desespero dela, mas
não podia fazer nada. Ele era o marido dela.
-Peço
desculpas pela intromissão – Disse, recuando e fechando a porta.
Gianini ficou
olhando para a porta, irado. Carla aproveitou para pular da cama e pegar um
robe, vestindo-o.
-Essa cadela idiota! – Rosnou ele, voltando-se para Carla que
o fitava em expectativa- Onde já se viu, invadir o quarto e um casal que está
trepando! E você, vá para o diabo, sua
estátua de gelo ! Perdi a vontade, mas vou sair e trepar com uma mulher melhor
do que você, está ouvindo? Uma mulher quente, que topa tudo que eu quiser, sem
suas frescuras!
Abotoou a
calça e saiu, batendo a porta.
Carla suspirou
de alívio. Helen a salvara.
Em seu quarto, Jean tentou desligar-se do que poderia estar
acontecendo no quarto de Carla, ligando para Melaine. Só havia falado com ela
no dia anterior e queria saber se estava preparada para lhe dar cobertura no
rapto.
Digitou
o número dela várias vêzes, mas não obteve resposta. Digitou os números de Davison e Miles. Nada.
Preocupou-se. Eles deviam estar próximos dali e se não atendiam, algo de grave
havia acontecido. Será que Gianini os tinha descoberto? Mas se isso tivesse acontecido, ele já a teria
pegado também. Tinha que agir aquela
noite, com ou sem ajuda deles. Não podia esperar mais. Mas agora tinha que descansar,
para à noite estar bem desperta.
Descansar...como
podia fazer isso, se estava imaginando o
que estaria acontecendo no quarto de Carla? Deus, estava com aquela cena na
cabeça! Carla subjulgada por Gianini, quase nua, o olhar pedindo ajuda, uma
ajuda que não pôde dar para não estragar seus planos. Maldito Gianini!
Ficou
andando no quarto de um lado para o outro, pensando o que fazer. Ainda bem que
tinha sua arma de reserva, uma Magnun, que substituíra a outra. Quando todos
estivessem dormindo, iria pegar Gianini.
Tomou
um banho para se acalmar e vestiu-se, colocando a arma no cós da calça, nas
costas. Cobriu-a com o casaco. Tinha que descer para jantar e não facilitaria,
indo sem arma.
Bateram
na porta. Jean ergueu-se e aproximou-se, perguntando alto:
-Quem
é?
-Carla.
Carla!
Jean abriu a porta com rapidez e viu-se diante de Carla. Belíssima, com os
cabelos soltos, com uma camisola de rendas negras, com uma bandeja nas mãos.
-Helen,
trouxe comida para você. Não almoçou e deve estar com fome.
Jean
afastou-se para ela passar e fechou a porta, olhando-a preocupada.
-Carla,
que imprudência, vir aqui! – Disse, baixinho – E se o seu marido ver ?
Ela
colocou a bandeja sobre a mesinha e caiu em seus braços, rodeando seu pescoço.
O olhar estava ansioso.
-Não
agüentei mais ficar naquele quarto, sozinha, com você tão perto. Oh, Helen,
estou apaixonada por você, só quero
ficar junto de você. . .
-E
Gianini, Carla? Onde está?
-Ele
saiu furioso, depois que você nos deixou. Ele ia possuir-me à força, Helen!
Graças a Deus você entrou. Ele perdeu a vontade e disse que ia trepar com outra
mulher mais quente que eu - Completou, com ironia.
Os
olhos de Jean brilharam de raiva.
-Miserável!
Ele ia possuí-la contra a sua vontade? É mesmo um canalha! E eu pensei... Parou, hesitante.
-...que
eu estava também querendo? Helen, não suporto mais que Giancarlo me toque, há
muito tempo! Como pode pensar isso de mim ? Eu a amo, ainda duvida?
Jean
a apertou nos braços, colando o rosto ao dela.
-Carla!
Eu acredito em seu amor, mas o ciúme nos faz enxergar coisas onde não há.
Desculpe-me. E eu estava aqui imaginando o que estava havendo. Não pude fazer
nada quando entrei em seu quarto, mas fiquei chocada em ver aquela cena! Oh,
não suporto imaginar você sendo possuída por Gianini! Nem por qualquer outra
pessoa!
-Nem
eu suportaria, meu bem. . . eu só quero você! Beije-me. Possua-me.
Suas
bocas se esmagaram, sôfregas. Jean esqueceu seus planos, sua profissão, sua
vingança, nos braços de Carla, que colava-se ao seu corpo com um desejo
contagiante, alisando os seus cabelos, seu rosto, seu pescoço. O perfume
delicioso do corpo dela embriagava Jean de desejo.
Despiram-se
entre beijos ardentes, olhando fascinadas os corpos em sua total nudez.
Deitaram na cama agarradas.
-Carla,
meu amor, como você é linda! – Sussurrou Jean, admirando o corpo belíssimo sob
o seu, apoiada nas mãos.
-E
você é fascinante, Helen. . . esses olhos verdes têm o poder de deixar-me
louca, quando me olham.
Carla
puxou seu rosto para baixo, fazendo as bocas se encontrarem em um beijo
faminto.
Começaram
a se amar com paixão. Suas bocas se sugavam, as mãos prodigalizavam carícias
pelos corpos em febre, que se moviam unidos como que em uma dança. Jean perdia
a razão , ao olhar aquele rosto com a expressão do êxtase, ao ouvir os gemidos
e palavras ardentes da mulher amada , que se dava com total loucura. Ela a
fazia ir aos limites do prazer, com sua sensualidade extrema, transportando-a
para um mundo distante da realidade cruel e suja em que estava metida.
Jean
beijou, lambeu e sugou aquele corpo divinamente perfeito que se contorcia de
prazer, possuiu e foi possuída por uma mulher faminta de amor, que a beijava
como se fosse o último beijo de sua vida, com uma sensualidade que a atordoava.
Ela separou suas coxas com a impaciência da paixão e a sugou, também usando
seus dedos cariciosos e Jean viu-se arremessada em um orgasmo que a transportou
ao paraíso.
Mas
depois, a realidade tomou o seu lugar. Jean olhou para o relógio de cabeceira e
sentou-se na cama, bruscamente. Carla, que alisava seus cabelos olhando-a com
amor, fitou-a assustada.
-O
que foi?
Jean
a fitou.
-Carla,
é melhor voltar para o seu quarto. São sete horas. Gianini pode voltar e vai
ficar furioso se descobrir que você está aqui comigo. Não podemos facilitar.
Ela
sentou-se também e apertou o corpo contra o seu.
-Oh,
que pena. . . é tão bom ficar juntinho de você. . . Gianini só vai chegar
amanhã. Ele foi matar seu desejo com outra – Completou, com ironia.
-Carla, por favor. . .
Carla
afastou-se, com olhar triste.
-Está
bem. . . tem razão. . . estou transtornada pela paixão e não estou sendo
sensata.
Ela
levantou. Vestiu a calcinha e a camisola. Olhou para Jean com ar apaixonado.
-Vai
encontrar-se comigo amanhã, para jogarmos tênis ?
Jean
olhou-a, pensando que amanhã estaria longe e sentiu-se triste. Ela iria sofrer
e imaginar que a tinha abandonado. Mas tinha que fazer o que se propusera.
Sorriu e tentou disfarçar sua tristeza, dizendo:
-Estará
mesmo disposta para jogar? Ainda tem energia?
Ela
sorriu levemente.
-Claro.
. . o amor me dá mais energia. Por quê? Está cansada, por esses momentos de
amor?
Jean
abraçou-a, olhando-a nos olhos.
-Não,
querida. Se pudesse, repetiria tudo que fizemos agora. Mas não seria prudente.
Vejo-a amanhã.
-Não
esqueça de comer a comida que trouxe.
Carla
beijou-a rapidamente e afastou-se, abrindo a porta. Sorriu e saiu, fechando-a
silenciosamente.
Jean
suspirou. Agora, o dever. Não havia dado a busca no escritório de Gianini por causa
de Carla. Trocara o dever por momentos de amor. Isso a aborrecia. Era a
primeira vez que seus sentimentos interferiam em uma missão sua, atrapalhando-a
.Mas agora ia agir.
Ligou
novamente para Melaine. Nada. O telefone não respondia. Ligou para Davison e
Miles. Nada. A mensagem era sempre que o telefone estava desligado.
Desligou
o aparelho, trêmula. Se Melaine não respondia até agora, é que a haviam pegado.
Ela não deixaria de estar na escuta, sem um motivo grave. E Davison e Miler
também.
Vestiu-se
rapidamente, pegou sua arma e saiu do quarto, escondendo a arma sob o blusão.
Desceu as escadas e pelas vidraças do salão, viu o carro de Gianini diante da
casa. Ele havia chegado, ou nem siquer havia saído?
Resolveu
revistar os quartos da casa. Se Melaine estivesse prisioneira em algum deles,
descobriria. Começaria com os da ala dos criados.
Dirigiu-se
para o corredor perto das escadas. Tirou a arma da cintura e tentou abrir a
primeira porta. Estava fechada. Pegou no bolso do casaco sua gazua e a
introduziu na fechadura, girando-a.
-Ora
essa, a nossa querida colega está fazendo uma coisa muito errada !
Jean
voltou-se rápida e viu Gino com uma arma na mão, apontando para ela, com um
olhar malígno.
Jean
não pensou duas vezes. Atirou nele, acertando-o no rosto. Gino caiu para trás,
como um boneco descojuntado, morto.
O
disparo fez surgir dois homens, saídos de uma das portas. Um deles gritou:
-Jogue
a arma fora, ou atiramos!
Jean
atirou, jogando-se no chão e rolando para dentro do quarto. Uma saraivada de
tiros acompanhou o seu gesto. Ela olhou em volta, olhando por onde escapar. Mas
ouviu uma voz gritar:
-Se
fugir, matamos a moça agora! Ela está em nosso poder! Renda-se, ou vamos
matá-la!
Jean
hesitou, escondida atrás da porta.
-Vocês
estão blefando! – Gritou – Não há mulher nenhuma com vocês!
-Há,
sim! Nós a pegamos hoje! E os dois homens! Renda-se! Jogue a arma para fora do
quarto e saia!
Melaine!
Eles haviam pegado Melaine! Não podia abandoná-la à própria sorte, com aqueles
animais! Devia isso à ela!
Derrotada,
fez o que eles ordenaram. Jogou a arma e saiu, de braços erguidos. Os dois
homens a olharam com um ar de vitória, apontando suas armas.
-Nem
um movimento, ou a mataremos! – Gritou um deles.
Jean
respirou fundo. Estava perdida. Gianini iria vingar-se dela, pela morte de Joe
e Gino. Mas não podia fugir e deixar Melaine ali, para ser morta. Seria uma
covardia que não se perdoaria nunca.
Um
dos homens pegou a arma no chão, enquanto o outro a vigiava. Então, avançaram e
a pegaram pelos braços, puxando-a aos solavancos para dentro do quarto que
saíram. Jean viu-se empurrada para dentro, observando que ali havia três
pessoas: Gianini, um dos capangas e Melaine!
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Melanie estava nua e com várias
esquimoses pelo corpo, amarrada aos pés de uma cama de ferro.
Ela a olhou com um
olhar desesperado, os cabelos molhados
de suor, o nariz sangrando.
Gianini olhou-a com ódio, de pé no meio do quarto, fumando um charuto.
-Ah, só podia
ser ela! Bem que eu desconfiava dessa vaca! Bom trabalho, rapazes! E o Gino,
onde está?
-Ela o matou,
chefe! –Disse um dos homens – Mas nós a pegamos.
-Desgraçada! –
Rosnou ele, aproximando-se.
Esbofeteou
Jean várias vezes, com raiva. Ela , segura pelos homens, não
pôde reagir. Aguentou os golpes
sem gritar, mas sentindo a cabeça explodir de dor pelas pancadas. Ficou tonta,
a cabeça pendeu, com o sangue escorrendo pelo nariz.
Gianini
puxou seus cabelos, erguendo sua cabeça. Ela o olhou nos olhos, um olhar frio e
inexpressivo.
-Não
grita? Eu quero ver você gritar, sua vaca! Implorar pela vida, sua vagabunda!
Matou dois dos meus melhores homens, você vai pagar caro! Frank! Chuck! Amarrem
essa mulher!
Chuck
riu. Arrastou Jean para perto da cama e pegou uma corda de nylon que Frank lhe
estendeu. Amarrou-a pelos pulsos na cama, ao lado de Melanie.
Melanie
olhou para Jean com olhar desesperado, mas não disse nada. Jean entendeu. Não
podiam demonstrar que se conheciam.
Gianini
postou-se diante delas, sorrindo friamente.
-Essa
mulher é dura, mais vai falar. E sei como desmascará-la. Frank, vá chamar minha
mulher.
-Não
é preciso Giancarlo.
Ele
voltou-se e viu Carla na porta, observando-os. Ela avançou e viu Melanie e Jean
amarradas e seu olhar mostrou surpresa e horror.
-Giancarlo!
O que é isso? Por que Helen está aí, amarrada? E quem é essa outra mulher, nua
e com marcas de espancamento? Ouvi tiros e desci para ver o que estava
ocorrendo, e vi Gino no corredor, morto. Avancei e vi você aqui.
Gianini
indicou Jean no chão, com um gesto.
-O
que aconteceu é que a sua segurança matou Gino! E tenho certeza que foi ela
quem matou Joe! – Disse, com voz dura.
Carla
olhou para Jean, incrédula.
-Não
posso crer nisso! Por que ela mataria Gino?
-Pois
trate de acreditar! Olhe bem para aquela mulher ao lado! Veja se a reconhece!
Mandei chamá-la para isso.
Carla
tremia. Ver Helen ali amarrada, à mercê daqueles homens cruéis, a angustiava e
a fazia temer pela vida dela. Mas tinha de demonstrar o contrário. Esconder o
que sentia e ganhar a confiança de Giancarlo e dos homens, para tentar ajudá-la. Abaixou-se e
olhou para a mulher atentamente. Aquele rosto não lhe era estranho. Lembrou da
mulher que tentou roubá-la. Mas a outra era ruiva, essa tinha cabelos
castanhos. Sacudiu a cabeça negativamente.
-Não
a reconheço. Nunca a vi antes.
-Não,
mesmo? E com essa peruca ruiva? – Perguntou Gianini, estendendo uma peruca –
Estava com ela quando a pegamos.
Carla
empalideceu. Aquela peruca era a peça que faltava para o reconhecimento. Pegou
a peruca da mão de Giancarlo e colocou na mulher. Reconheceu-a
instantâneamente. Era a ladra , que tentara assaltá-la! Olhou para Gianini.
-Agora,
a reconheço. É a ladra que tentou assaltar-me.
Giancarlo
riu, vitorioso.
-Ah,
eu sabia! As coisas começam a tomar sentido! Carla, saiba que essa mulher não é
uma ladra, mas uma policial!
Carla
o fitou assombrada.
-Uma
policial?! Como sabe?
-Nós
a pegamos vigiando a casa, com dois homens em um carro. Olhamos seus
documentos. É Melanie Still, do departamento de polícia de Chicago. E os homens
também eram policiais. Morreram em um desastre, quando os perseguimos, mas ela
sobreviveu e a trouxemos para cá.
Jean,
ao ouvir aquilo, empalideceu. Haviam descoberto também Davison e Miles! E eles
tinham morrido! Isso significava que não podia contar com eles para salvá-las!
Carla
olhou para Jean. Ela baixou os olhos, com uma expressão de culpa. Parecia
envergonhada ao seu olhar indagador. Em sua mente, uma suspeita terrível
nasceu.
-Está
entendendo a trama, Carla? – Perguntou Gianini, sorrindo.
Ela
o fitou, percebendo onde ele queria chegar. E a verdade a amedrontava e
decepcionava.
-Você
quer dizer então que aquela tentativa de assalto à mim foi uma farsa? Um plano
para se infriltarem em nossa casa? Que Helen fingiu ajudar-me?
Gianini
sorriu friamente, encarando-a .
-Muito
bem, Carla! Está mostrando que é inteligente e entendeu rápido. A sua segurança
é uma policial, sem dúvida.
Carla
olhou para Helen com a decepção impressa nos olhos. Ela a enganara! Usara-a
para se aproximar de Giancarlo, traíra a confiança que depositara nela, para proveito próprio! E ainda mais, a usara
sexualmente, para adquirir sua confiança total, tentando saber particularidades
de Giancarlo! Mentira que a amava, tudo fazia parte de um jogo!
Helen
a olhava com uma expressão de culpa. Não precisava perguntar nada. Estava tudo
muito claro. Carla sentiu e decepção transformar-se em raiva surda. Inclinou-se
e esbofeteou Helen duas vezes, sentindo a dor da decepção e uma vontade de
ferí-la, para que sofresse como estava sofrendo. Helen não gritou. Apenas
inclinou a cabeça, fugindo do seu olhar furioso.
-Helen
Stanfield! – Disse Carla, com amargura, erguendo-se – Deve ser um nome falso,
como ela! Oh, eu a odeio! Fingida, miserável!
Gianini riu, satisfeito com a reação da mulher.
-Não
se preocupe, Carla. Ela vai pagar tudo que fez. E vai dizer o nome verdadeiro, o que pretendia aqui, vai
vomitar tudo que sabe, garanto. Você vai ser vingada.
Carla
o fitou séria. Mesmo em seu furor, algo no fundo do seu ser revoltava em ver
Helen ali indefesa, nas mãos daqueles homens cruéis. Sabia o que iriam fazer
com elas. Iriam torturá-las e depois matá-las. Não queria isso. A morte de
Helen, não.
-O
que vai fazer agora, Gianini? – Perguntou, para confirmar sua suspeita.
-Deixe
comigo, beleza. Volte para seu quarto. A não ser que queira assistir uma seção
de como fazer ela dar o serviço.
-Não
gosto de violência! – Disse, enojada.
-Então
saia, minha querida. Mais tarde, pode vir ver o que fizemos com sua
ex-segurança. Vai gostar de vê-la,
depois do trato que vamos dar nela – Riu
Gianini.
Carla
olhou mais uma vez para Jean e saiu. Gianini fechou a porta e olhou para as
duas mulheres, com um sorriso sádico.
-Muito
bem, estamos fazendo progressos. Já sabemos que são policiais e agiam juntas.
Uma é Melanie Still. E você, louraça? Como se chama?
Jean
não respondeu. Continuou imóvel, com o rosto inclinado. Gianini pegou-a pelos
cabelos e puxou-os, obrigando Jean a olhar para ele.
-Responda!
– Gritou ele.
Ela
o fitou friamente e cuspiu no rosto dele.
Gianini
ficou vermelho de raiva. Recuou, tirando um lenço do bolso e limpando o rosto
com ele, olhando-a com ódio.
-Chuck!
Dê umas porradas nessa vagabunda! – Ordenou.
Chuck
aproximou-se sorridente.
-É
prá já, chefe!
Ele
abaixou-se e deu um violento soco no estômago de Jean. Ela não pôde evitar o
grito de dor. Ele deu outro e Jean gemeu, sentindo a vista escurecer. Desmaiou.
Gianini
olhou para ela aborrecido.
-Chuck,
você devia ter batido com menos força, para ela não desmaiar! Agora, não vai
sentir mais nada!
-Desculpe,
chefe. É que estava louco para dar uma porrada nessa cadela!
-Bem,
então vamos perguntar a Melanie. . . ela pode responder. Melanie, como é o nome
da loura?
Melanie
o fitou calada.
Gianini
fez gesto impaciente para Chuck. Ele aproximou-se de Melanie e tirou um canivete
do bolso. Aproximou-o do rosto dela,
sorrindo.
Se
não responder, vou rasgar sua boquinha até a orelha. Vou contar até três. Um...
dois...
Os
olhos de Melanie se encheram de pavor. Chuck sabia que a mutilação era o que
mais apavorava uma mulher. Melanie começou a chorar histericamente.
-Eu
falo! Eu falo! O nome dela é Jean ! Jean York!
Gianini
olhou para Jean surpreso.
-York?
É parente de Peter York, o inspetor?
Melanie
assentiu, ainda chorando.
Gianini
riu.
-Ora,
ora! Que grau de parentesco ela tem com o inspetor?
Melanie
hesitou. Chuck aproximou o canivete do rosto dela e Melanie falou, entre
soluços:
-Filha!
Gianini
gargalhou. Isso era divertido, interessante!
-A
filha de York, aquele filho da puta! Naturalmente, quer vingar a morte do pai! Ah, ah, ah! Chuck ! Isso merece um tratamento
especial para ela! Temos que pensar nisso! Vamos interromper a seção. Estou com
fome, quero tratar dessa mulher com calma, depois que estiver alimentado e
descansado. Temos que planejar algo especial.
Chuk
o fitou decepcionado. Queria torturar Jean logo.
-E
a outra, chefe?
Gianini
olhou para Melanie friamente.
-Mate-a.
Já falou tudo que nos interessa. Faça isso logo, Chuck. Estou com fome.
Chuck
sorriu. Viu o pavor nos olhos de Melanie. Isso o deliciou. Pegou sua pistola e
encostou na testa dela. Melanie começou a debater-se, desesperada. Ele apertou
o gatilho e ela caiu para trás, com os olhos vítreos na expressão da morte.
Chuck ergueu-se, sorrindo.
-Vamos,
chefe. Trabalho concluído.
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Em
seu quarto, Carla andava de um lado para o outro, torturada pelos seus
pensamentos e sentimentos.
A
raiva da decepção que sentira por Helen agora era substituída por uma profunda
angústia. Que ela a enganara e usara,
era um fato irrefutável. Mas, estava nas mãos daqueles homens, sendo
torturada e correndo risco de vida! E ela ali, sem fazer nada! Cada minuto
passado diminuía as chances de Helen sobreviver. Ela não agüentaria por muito tempo as torturas.
Helen!
O nome dela não devia ser esse! Uma policial...! Bem que achara ela muito fria
e corajosa! É que estava acostumada a lidar com bandidos, a matar, convivia com
o perigo e a morte! E agora, fôra apanhada! Ia morrer! Não, não queria isso!
Tinha que fazer alguma coisa, não podia deixar duas pessoas morrerem sob sua
impassividade! Mas se fizesse algo para ajudá-las, Gianini não a perdoaria.
Teria que fugir dali, abandonar tudo! Será que Helen valia essa decisão?
Sua
cabeça estava em tumulto, pensando o que decidir.
Então,
ela ouviu um tiro. Isso a fez estremecer de angústia. Quem havia sido o alvo
desse tiro? Helen, ou a colega dela? Deus, não podia ficar passiva sabendo que
na mesma casa estava ocorrendo um crime!
Tomou
a decisão. Iria seguir o que o seu coração dizia. Não podia continuar naquela
inércia.
Trocou
sua roupa rapidamente, tirando o vestido e colocando calça comprida de malha,
blusa e um casaco de couro. Foi até o closet e apanhou uma valise, colocando
algumas peças de roupa. Foi até sua escrivaninha e abriu uma gaveta e apanhou
seu talão de cheques, dois mil dólares em dinheiro, que guardava para pequenas
despesas. Colocou no bolso do casaco. Foi até o cofre e retirou suas jóias,
colocando-as na valise. E o mais importante, uma pistola calibre 32, que
Giancarlo lhe dera, para sua defesa pessoal. Nunca a usara, tinha pavor de arma
de fogo, mas surgira a ocasião.
Verificou
o tambor. Estava carregada.
Pegou
a valise e saiu do quarto com a pistola na mão, depois de olhar em volta, numa
despedida. Ali nunca fôra feliz. Aquela riqueza toda, o luxo, tudo aquilo não a
prendia. Agora ia arriscar tudo , até sua vida, mas ia sem lamentar.
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Jean
voltou a si e olhou em volta, estranhando o silêncio do lugar. Seus olhos
avistaram o corpo de Melanie ao seu lado e quase gritou, quando viu o rosto com
aquela expressão inconfundível da morte, os olhos abertos sem vida, com o
buraco de bala na testa.
Começou
a chorar, desesperada. Melanie, sua companheira de combate ao crime e sua
mulher por três anos, morta! E não pudera fazer nada! O maldito Gianini a
matara friamente e covardemente, sem lhe dar chance de defesa! Maldito,
miserável! Ah, se pudesse pegá-lo! Ela o mataria aos poucos, com prazer! Mas. .
. estava ali também nas mãos dele. Sabia que sua morte era só uma questão de
tempo. Ele iria matá-la também, não tinha nenhuma dúvida.
Pensou
em Carla. Ela agora devia estar odiando-a! Descobrira seu jogo, devia estar
pensando que tudo fôra fingimento seu. Se ao menos tivesse a chance de dizer à ela que não a enganara em
tudo, que realmente a amava! Ah, Carla, como lamentava tê-la conhecido daquela
forma!
Parou
de chorar. Não adiantava ficar chorando. Tinha que tentar sobreviver. Olhou para as mãos
amarradas na cama. Cada uma delas de um lado, com os braços abertos. Não podia
alcançá-las com os dentes. Deu vários puxões, mas só serviu para as cordas
machucarem seus pulsos ainda mais. Parou, cansada. Seu estômago doía pelas
pancadas. Aquele maldito Chuck!
Uma
raiva impotente a dominou. Sacudiu-se mais, até cansar. Então parou, o
desespero a tomando por saber que aquilo era inútil.
No silêncio, ouviu uma chave girar na fechadura da porta.
Olhou para ela, o coração gelando. Chegara sua hora!
Gianini
entrou, acompanhado de Chuck e Frank. Ao vê-la desperta, riu.
-Ah,
a senhorita York já está acordada! Como
vai, Jean York? Como se sente, diante do homem que matou seu pai?
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