A  GAROTA  DA  MOTO

 

PARTE  12

 

  O avi�o procedente de New Orleans pousou suavemente no aeroporto de Amarillo e come�ou a correr pela pista, diminuindo a velocidade gradativamente.

 

         Shane olhava pela janela sentindo uma grande emo��o ao ver novamente sua terra e estar de volta em casa. Ao seu lado Diane a observava, tentando advinhar o que se passava em sua cabe�a.

 

         Shane havia telefonado para a irm� para avisar de sua chegada e que estava levando uma amiga para hospedar na fazenda. Mas soube pelo empregado que Sean n�o estava ali, havia viajado para Amarillo logo depois do enterro de seu pai.

 

         Shane havia desligado chocada com a not�cia. Havia chorado a noite inteira,  se culpando, dizendo que era uma p�ssima filha e irm�, por n�o estar presente nessa hora triste. Diane havia antecipado as passagens para o dia seguinte,  com a inesperada not�cia. E agora Shane parecia conformada. Havia sido convencida por Diane que ela n�o tinha culpa de estar longe. Seu pai estava doente h� anos, como ia advinhar que ele ia morrer naquele m�s?

 

         Shane  estava agora pensativa. A morte de seu pai iria mudar a vida de Sean. Mesmo com uma enfermeira, ela dedicava muito tempo ao seu pai, quando n�o estava cuidando dos neg�cios. Ela agora teria mais tempo para dedicar-se � ela mesma. Talvez  voltasse a viver, e n�o vegetar, naquela casa triste. Sean devia vender a mans�o de Dallas e viver na fazenda de Amarillo, ela amava a vida campestre.

 

         Sua rela��o com Sean tamb�m ia mudar. Estava farta de viver escondendo da irm� sua verdadeira personalidade, deixando-a pensar o pior. Tinha que mostar � ela quem era verdadeiramente, mesmo que isso chocasse Sean. N�o mostraria isso com palavras, mas com atitudes. E estava come�ando, levando Diane para ela conhecer. Se a rea��o de Sean fosse forte, iriam para um hotel.

 

         Diane tocou sua m�o e Shane voltou-se, sorrindo. Diane estava tensa e Shane a entendia. Ela ia conhecer sua irm� e al�m disso, estar hospedada na mesma casa. Apertou a m�o dela, tentando transmitir confian�a. Mas na realidade, estava com medo da rea��o da irm�, quando a visse. Ela ia acus�-la de irrespons�vel, ego�sta e louca, com toda raz�o. N�o estava presente quando mais a irm� precisou dela.

 

         O avi�o parou no terminal e os passageiros come�aram a sair, se dirigindo para  o setor das bagagens. Shane pegou as malas e as colocou em um carrinho, se dirigindo com Diane para a sa�da. Minutos depois, elas estavam dentro de um t�xi rumo � fazenda.

 

         Shane notou a tens�o de Diane e a distraiu durante a pequena viagem falando sobre as atra��es da cidade. Amarillo era uma cidade com museu, zool�gico, teatro e outras atra��es, mesmo sendo uma cidade de economia predominantemente agr�cola.

 

         Uma hora depois chegaram � fazenda. Shane havia mostrado as terras e o gado com evidente orgulho e Diane estava impressionada com a imensid�o da fazenda. N�o sabia que a fam�lia de Shane era t�o rica.

 

         O t�xi parou diante da casa e elas desceram. Shane retirou a bagagem do carro ajudada pelo motorista, enquanto Diane olhava para a casa, impressionada. Era uma imponente mans�o rural.

 

         Seu olhar caiu sobre a mulher que as olhava da varanda. N�o podia v�-la direito na sombra, mas parecia alta e imponente.

 

         Shane pagou ao motorista  e pegou as duas malas, passando por Diane e falando:

 

         -Venha, vamos sair desse sol quente.

 

         Subiram os degraus e Shane parou quando viu a irm� fitando-as . Ela colocou as malas no ch�o e sorriu para a irm� timidamente, esperando as inevit�veis censuras.

 

         Mas surpreendentemente Sean se aproximou e pousando as m�os nos ombros de Shane, a encarou com evidente emo��o.

 

         -Shane! � t�o bom ter voc� de volta! � Disse Sean, com voz emotiva � Agora somos s� n�s duas, Shane, nosso pai se foi!

 

         E Sean a abra�ou tr�mula, com l�grimas nos olhos. Shane ficou uns instantes r�gida com a surpresa. H� muitos anos, desde a morte de sua m�e, Sean n�o havia mostrado qualquer gesto de afei��o por ningu�m. E agora recebia aquele abra�o inesperado! Mas Shane entendeu o gesto de Sean. Aquele abra�o significava o perd�o �s suas faltas, um divisor de �guas em seu relacionamento, com Sean sendo mais amiga e irm�. E Shane a abra�ou tamb�m, emocionada.

 

         Por cima do ombro de Shane, Sean olhou para a mulher que havia chegado com a irm� com curiosidade. Quem seria ela? Era uma bela mulher, mais madura que Morgan, elegant�ssima no blazer e cal�a de linho creme e blusa de seda de tom ocre. Os belos olhos azuis a fitavam espantados.

 

         Diane estava espantada com a semelhan�a das duas irm�s. Era como se contemplasse Shane alguns anos � frente. Uma Shane mais calma e madura.

 

         Shane afastou-se e encarou a irm� com timidez.

 

         -Eu soube ontem, quando liguei para nossa casa em Dallas. E fiquei arrasada por n�o estar ali ao seu lado quando precisava de um apoio moral. Eu sinto muito, Sean � Declarou, com voz tr�mula, contendo-se para n�o chorar.

 

         Sean sorriu levemente, percebendo a emo��o da irm�.

 

         -Voc� n�o podia advinhar o que havia acontecido.

 

         -Mas se eu tivesse avisado voc� onde eu estava, voc� poderia ter se comunicado comigo.

 

         -Shhh... � Disse Sean, pousando um dedo nos l�bios da irm� � N�o adianta ficar se culpando, Shane. J� passou. O que importa � n�s procurarmos ser mais amigas e abertas uma com a outra.

 

         Shane a fitou boquiaberta. Depois, impulsivamente, abra�ou a irm� com for�a, erguendo-a do ch�o, com ela rindo.

 

         -Agora que percebi que irm� maravilhosa eu tenho! � Disse Shane, pousando-a no ch�o, rindo tamb�m. Pegou Diane pela m�o e a puxou, dizendo para Sean:

 

         -Sean, esta � Diane Davies, eu a conheci em New Orleans dois meses atr�s. Ela � uma agente do FBI e feriu-se numa miss�o. Eu a convidei ent�o para recuperar-se aqui na fazenda.

 

         Sean olhou para a mo�a, estendendo a m�o com um sorriso. Diane Davies era desse tipo de mulher que escolhe sua conquista, o olhar dela e sua pose mostrava seu temperamento dominador. Pobre Morgan, tinha agora uma rival fort�ssima.

 

         -Muito prazer, senhorita Davies. Seja bem-vinda � nossa casa, vou mandar os criados prepararem um dos quartos de h�spede para voc�.

 

         -N�o precisa fazer isso. Diane vai ficar no meu quarto � Disse Shane, com voz firme.

 

         Sean olhou para a irm�. Era evidente que Shane com aquela atitude estava dizendo que Diane era mais que uma simples amiga. Afinal, haviam tr�s quartos de h�spedes e a cama do quarto de Shane era de casal. Ela podia se mostrar contra esse arranjo ou concordar sem protestar. Notou o olhar desafiante de Shane, esperando oposi��o � sua id�ia. Mas Sean simplesmente encolheu os ombros, concordando:

 

-Como preferirem.

 

Sabia o que  havia entre  elas.  Para  qu�  tornar  as  coisas mais     dif�ceis? Tinha que aceitar a irm� como era. E o primeiro passo para isso era aceitar sua decis�o sem discutir.

 

Diane sorriu, se descontraindo.

 

-� um prazer conhec�-la finalmente, Sean � Disse Diane.

 

Sean sorriu e voltou-se para a irm�.

 

-Que tal voc�s subirem e tomarem um banho refrescante, enquanto Maria apronta um lanche para n�s?

 

Shane apanhou as malas no ch�o e sorriu para a irm�.

 

-Boa id�ia, Sean! Se continuar assim, vai ganhar um pr�mio de melhor irm� do ano! � Disse, brincando.

 

Sean a encarou subitamente s�ria.

 

-Shane, preciso falar com voc� � s�s.Poderia descer antes de Diane, depois do banho?

 

Shane a encarou apreensiva, vendo a express�o da irm�.

 

-Claro. Vou tomar um banho e descer em seguida.

 

Shane subiu com Diane, abriu a porta do seu quarto e fez uma mesura para ela entrar. Diane passou por ela, olhando em volta, admirando o aposento espa�oso e bem decorado. Shane abriu a janela, deixando a brisa fresca entrar.

 

-O quarto tem ar condicionado e aquecedor, mas agora prefiro renovar o ar, este quarto est� h� muito tempo fechado.

 

-Shane, � impressionante a semelhan�a de Sean com voc� � Comentou Diane, sentando numa poltrona de couro � Por que n�o me contou que eram t�o parecidas fisicamente?

 

Shane a fitou com ar divertido.

 

-Queria que tivesse uma surpresa. Agora, j� sabe. Na minha falta, pode tentar consolar-se com Sean .

 

-Palha�a! � Disse Diane enrubescendo, dando um tapa no traseiro de Shane, que riu.

 

-Bem, vou tomar meu banho e depois vou descer. Sean est� esperando-me � Disse Shane, dirigindo-se para o banheiro anexo ao quarto. Diane a seguiu e parou na porta, recostando-se, observando-a se despir.

 

-Sabe que n�o me canso de olhar para voc�? � Disse, vendo os seios perfeitos de Shane surgirem.

 

Shane a fitou com mal�cia.

 

-Sei... voc� me devora com os olhos.

 

-Humm... posso tomar banho junto com voc�?

 

-Oh, n�o! � Riu Shane, empurrando-a para fora do banheiro � Sei  muito bem o que pretende tomando banho junto comigo, acaba sempre da mesma forma. D� o fora!

 

Diane a fitou de cara amarrada.

 

-Voc� n�o gosta do que fazemos?

 

-Adoro, mas minha irm� me espera. � noite, podemos pensar nisso.

 

E com essa promessa, Shane fechou a porta. Diane se jogou na cama espa�osa, abra�ando um travesseiro, sorrindo.

 

-Mais tarde voc� n�o escapa, minha bela Shane...

 

 

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         Shane encontrou Sean na biblioteca, de p� ao lado da janela, olhando para fora pensativa, de bra�os cruzados. Ela a viu entrar e pediu:

 

-Feche a porta, Shane.

 

Shane passou o trinco na porta e sorriu, intrigada.

 

-Que ar de mist�rio! O que h�? A conversa � sobre a nossa heran�a? Devo dizer que voc� pode ficar com o que quiser, s� quero uma pens�o mensal para meus gastos.

 

Sean a encarou gravemente.

 

-N�o Shane, n�o � sobre nossa heran�a. � sobre Morgan.

 

Shane fitou-a assustada, empalidecendo.

 

-Morgan?! Voc� a conhece?!

 

-Ela esteve aqui h� uma semana, Shane. Ela est� desesperada sem not�cias suas e veio aqui perguntar-me se eu sabia do seu paradeiro.

 

Shane baixou os olhos envergonhada, incapaz de fitar os olhos de Sean. Temia ver o desprezo neles.

 

-Oh!... Ela... ela falou sobre n�s?

 

-Sim, ela contou-me tudo. A paix�o por voc�, o casamento, a fuga para New Orleans, a separa��o, o div�rcio dela.

 

Shane a fitou at�nita. N�o viu condena��o nos olhos de Sean, somente preocupa��o.

 

-Morgan se divorciou de Jonnathan?!

 

-O processo est� quase no fim. Ela vive sozinha, os av�s e amigos se afastaram dela, quando souberam que ela trocou Jonnathan por voc�. Ela est� t�o deprimida pela solid�o, que a convidei para passar alguns dias aqui na fazenda.

 

-Voc� o qu�?! � Gritou Shane, apavorada .

 

-Eu a convidei para passar alguns dias aqui na fazenda � Repetiu Sean, fitando-a gravemente � Ela comoveu-me, Shane! � uma boa garota e ama voc� de verdade. Ela precisa de apoio. Ela vai chegar hoje �s seis horas da tarde e quando ver voc� com Diane, nem posso imaginar o que vai acontecer.

 

-Morgan aqui, hoje? � Gemeu Shane, nervos�ssima � Meu Deus! Sean, se ela descobrir que estou com Diane, ela vai ficar uma fera! Eu conhe�o o temperamento dela!Sean, o que vamos fazer? N�o posso sair daqui �s pressas, Diane vai perceber que algo est� errado. E n�o tenho coragem de falar � Diane que estou com medo de Morgan. Ela vai achar que sou uma covarde!

 

-Shane, n�o tenho nenhuma experi�ncia em rela��es amorosas, mas a raz�o diz que o melhor � sempre falar a verdade. Diane vai entender seu receio. Fale com ela o problema.

 

Shane come�ou a andar pela biblioteca com ar pensativo.Depois respirou fundo e olhou para a irm� com ar decidido.

 

-Voc� tem raz�o. Diane � uma mulher mais amadurecida e muito mais compreensiva que Morgan. Vou falar com ela. Encontraremos uma solu��o.

 

-Shane, voc� n�o quer magoar Morgan, ou voc� a ama e n�o quer que ela saiba que voc� est� com Diane?

 

Shane a encarou por uns momentos em sil�ncio. Depois, respondeu baixinho:

 

-J� n�o sei mais o que sinto. Pensei que odiava Morgan, por pensar que ela estava com Jonnathan. Mas agora... sabendo que est� separada dele, que est� sofrendo por minha causa...oh, Sean, eu acho... eu acho que ainda a amo. Mas tamb�m n�o quero magoar Diane. Ela � uma mulher maravilhosa, Sean! Oh Deus, que situa��o!

 

-V� falar com ela, Shane. Talvez encontrem uma solu��o para o problema.

 

Shane assentiu e saiu. Subiu as escadas e entrou no quarto que compartilhava com Diane. Ela olhava um programa de tv j� completamente vestida, com os cabelos ainda molhados pelo banho. Shane admirou o corpo esguio de cal�as jeans e blusa de malha branca. Diane tinha um corpo lindo. Mas n�o a amava. Maldi��o! Por que n�o a amava como ela merecia?

 

-Que cara preocupada! � Comentou Diane, fitando-a � O que Sean disse, que a fez ficar t�o perturbada?

 

Shane fitou-a indecisa. Devia contar a verdade? Sentou ao lado dela e respirou fundo.

 

-Sean deu-me uma not�cia muito preocupante. Morgan esteve aqui h� uma semana atr�s,  tentando saber not�cias minhas. Ela separou-se de Jonnathan e est� completamente s�.

 

Diane empalideceu e mordeu o l�bio inferior. Fitou-a especulativamente.

 

-Continue. Sean sabe o que houve entre voc�s duas?

 

-Sim, Morgan contou tudo. O pior � que Sean ficou comovida com o sofrimento dela e a convidou para passar uns dias aqui na fazenda. Ela vai chegar hoje, �s seis da tarde.

 

Diane cruzou os bra�os e a encarou nos olhos.

 

-E da�?

 

Shane a fitou nervosamente, erguendo-se abruptamente.

 

-E da�?! Morgan vai ficar furiosa quando souber que n�s duas temos um caso!

 

-Oh... e o que sugere que fa�amos? � Perguntou Diane, com voz suave, controlando-se.

 

Shane a fitou hesitante.

 

-Podemos ir para um hotel na cidade. Ou podemos fingir que somos apenas amigas...voc� dormiria em um quarto de h�spede, enquanto ela estivesse aqui... o que acha? � Perguntou Shane, insegura.

 

Diane falou com os olhos luzindo de raiva:

 

-O que acho? Acho que voc� est� muito preocupada com o que Morgan vai pensar de nos ver juntas! O que h�, Shane? A velha paix�o voltou a domin�-la, agora que sabe que Morgan separou-se de Jonnathan e est� dispon�vel na pra�a?

 

Shane a fitou surpresa. Ela n�o conhecia aquele lado de Diane. O sarcasmo ferino, o ci�me. E nem Diane sentira ci�mes antes por algu�m. Mas agora a inseguran�a de Shane e o receio do que Morgan ia pensar dela fez Diane provar esse sentimento e n�o sabia lidar com ele. Assim, agarrou Shane pela gola da blusa, encarando-a com olhar furioso.

 

-Se voc� � uma covarde e n�o sabe encarar essa situa��o, o problema � seu! Eu n�o vou disfar�ar nada, nem ir para um hotel! O que pensa que tenho nas veias, Shane? �gua? Se quer livrar-se de mim para ficar com Morgan, seja mulher bastante para dizer-me a verdade e eu sairei do seu caminho!

 

Shane irritou-se e se ofendeu com as duras palavras de Sean. Ficou vermelha de raiva e a encarou agressivamente, empurrando-a.

 

-Pare com isso! Ser� que n�o encontro nem um pouco de compreens�o em voc�? Apenas n�o quero magoar Morgan mais do que ela j� est�!

 

-Oh, muito comovente! Shane, Morgan n�o � uma menininha ing�nua! � uma mulher, e n�o � a primeira, nem ser� a �ltima que sofre uma decep��o amorosa! Ela n�o vai morrer por causa disso! Vamos, confesse que ainda ama Morgan!N�o sou idiota, Shane! N�o tente enganar-me!

 

-Voc� quer enlouquecer-me! � Gritou Shane, nervosa e tremendo � Quer saber de uma coisa? Eu vou sair! Longe daqui estarei em paz! Que se danem, voc� e Morgan!

 

-Shane! Volte aqui! � Gritou Diane, com tom imperativo, vendo Shane dirigir-se para a porta.

 

Shane parou com a m�o na ma�aneta, fitando-a com raiva.

 

-N�o! Voc� conseguiu irritar-me! Preciso de tempo para acalmar-me! Bye!

 

E ela saiu, batendo a porta. Desceu as escadas e Sean a fitou surpresa, de p� ao lado da escadaria.

 

-Vai sair?!

 

Shane a fitou, dirigindo-se � passos largos para a porta principal.

 

-Vou! E s� pretendo voltar bem tarde, n�o me espere para o jantar!

 

-Shane! Vai deixar Diane sozinha? Ela acabou de chegar, mal me conhece...

 

Shane saiu sem responder. Minutos depois Sean a viu sair na moto em disparada, pela janela do living. Havia ouvido os gritos de Shane e Diane. Elas haviam brigado. N�o ia intrometer-se, isso n�o era de sua conta.

 

No quarto, Diane mordia o l�bio inferior para n�o chorar sua decep��o. Shane ainda amava Morgan e estava toda preocupada com o que ela poderia sentir em saber sobre elas! E era t�o covarde que n�o assumia o que sentia! Oh, havia pensado que Shane era sincera, consciente do que desejava, e agora descobria havia se enganado.

 

-Covarde! � Disse Diane, entredentes, sentindo-se uma idiota por ter achado que Shane podia apaixonar-se por ela, mesmo sabendo que ela e Morgan tinham um caso mal resolvido. Pois ela ia mostrar � Shane que n�o era uma dessas mulheres que ela havia conquistado e depois descartado como lixo. Iria dar o troco, ela ia ver!

 

 

XXXXXXXXXXXXXXX

 

 

Morgan chegou pontualmente na hora marcada, dessa vez em um BMW negro. Sean foi receb�-la com um sorriso, vendo como Morgan estava feliz com o convite. E lamentou que logo aquela alegria ia ser substitu�da por decep��o e dor.

 

Ela estava com cal�a branca e um top de malha verde-�gua, al�m de um chap�u de cowboy cinza.Sean n�o p�de deixar de pensar que Shane tinha muita sorte com as mulheres.

 

-Ol�, Sean! Viu, cheguei ainda � tempo para o jantar!

 

-Ol�, Morgan! Espero que aprecie a comida, mandei Maria fazer salada e medalh�es de fil� ao molho de champignon.

 

-Oh, vou adorar isso!

 

Sean olhou para o empregado que transportava a mala de Morgan.

 

-Pepe, leve a mala da senhorita Morgan para o quarto azul, o �ltimo do corredor, � esquerda.

 

O empregado saiu para cumprir a ordem e Morgan acompanhou Sean at� o living, olhando em volta com admira��o a decora��o moderna e alegre, com pe�as de arte mexicana.O ch�o era de cer�mica marron e as paredes de cor creme, com m�veis confort�veis de madeira r�stica e couro cru. Enormes quadros de cores vibrantes davam o toque final.

 

-Essa casa � t�o acolhedora! � Comentou Morgan, sentando-se numa poltrona � Foi voc� quem decorou?

 

Sean sentou em outra poltrona ao lado dela, Cruzando as pernas longas. Estava com blusa preta de malha e cal�a comprida cinza. S�bria e elegante.

 

-A decora��o da casa foi toda feita por Shane. Ela tinha mais tempo dispon�vel para isso que eu. E gostei do resultado, � bem alegre. Uma casa precisa retratar alegria, n�o acha?

 

-Sem d�vida.

 

-Aceita um drinque antes do jantar? Temos vinho tinto, cerveja, martini, u�sque...

 

-Aceito um martini, obrigada.

 

Sean foi ao bar no canto da sala e preparou dois martinis com gelo e cereja. Entregou uma ta�a � Morgan e ergueu a sua em um brinde.

 

-Ao in�cio de uma bela amizade entre n�s � Disse.

 

-Oh... obrigada, Sean. Desejo isso tamb�m.

 

Sean tomou um gole do martini e a fitou gravemente.

 

-Morgan... tenho not�cias sobre Shane.

 

Morgan a fitou com os olhos subitamente brilhando de esperan�a e excita��o.

 

-Not�cias de Shane? Oh, finalmente, meu Deus! Fale, Sean! Onde ela est�? Ela est� bem?  Ela est� sozinha?

 

-Calma, Morgan! Vou responder � todas suas perguntas, mas d�-me tempo! Shane voltou para casa hoje.

 

Morgan ergueu-se agitada.

 

-Ela est� aqui?!

 

-Ela chegou hoje pela manh�, mas saiu.

 

-Saiu? Ela sabia que eu vinha aqui e saiu? Ela est� evitando ver-me? -  Perguntou Morgan, com decep��o na voz e rosto.

 

Sean hesitou. Qual seria a rea��o de Morgan ao saber de Diane? Mas tinha que contar. Maldi��o, Shane havia sa�do de cena e a deixara com a dif�cil tarefa de contar a verdade � Morgan. N�o podia adiar isso, Diane estava l� em cima no quarto e podia descer a qualquer momento. Tinha que preparar Morgan para esse encontro. Havia batido na porta do quarto de Shane v�rias vezes chamando Diane para descer e comer um lanche. Ela nem ao menos havia respondido.

 

-Bem, n�o posso dizer se ela est� evitando v�-la, Morgan. Mas posso afirmar que ela brigou com a amiga que veio com ela e saiu dizendo que vai voltar tarde.

 

O olhar de Morgan se congelou.

 

-Amiga? Quem?

 

-Diane Davis. Uma agente do FBI. Shane a conheceu em New Orleans, h� dois meses.

 

Uma express�o de entendimento cruzou o olhar de Morgan, logo substitu�do por dor.

 

-Kim! A agente do FBI que meu av� mandou atr�s de mim, que me convenceu a voltar para casa! Oh, Shane est� com ela! Conquistou-a tamb�m! E eu esperando por not�cias dela, sozinha! Oh, Sean! N�o posso ag�entar mais esse fato! O que vou fazer de minha vida? Eu amo Shane, amo-a de um jeito que tenho certeza, nunca mais amarei algu�m! E ela esqueceu-me!

 

Morgan come�ou a solu�ar. Sean a ficou olhando penalizada, sem saber o que dizer. Maldi��o! Shane devia estar ali, para falar com Morgan!

 

Subitamente Morgan parou de chorar e enxugou os olhos com a costa da m�o. Seu olhar agora estava revoltado.

 

-Ela saiu porque est� com medo de encarar-me! Mas vai ter que enfrentar isso! Se voc� n�o fizer obje��o, vou ficar e esperar ela chegar! Quero ver o que ela vai dizer-me! Eu preciso desabafar com ela minha decep��o, Sean!

 

-Morgan, eu a convidei e mantenho o convite! Tamb�m acho que voc�s precisam conversar, mas como pessoas civilizadas.

 

Morgan a fitou entristecida.

 

-Fique tranq�ila, Sean. A educa��o que recebi me impede de fazer cenas rid�culas. Onde est� Kim, ou melhor, Diane? Tamb�m saiu, para evitar ver-me?

 

-N�o, est� trancada no quarto de Shane desde cedo, j� a chamei diversas vezes para comer e beber alguma coisa, mas ela n�o responde. Voc� se importaria de esperar um pouco aqui, enquanto vou l� cham�-la mais uma �ltima vez?

 

-N�o, estou interessada em falar com Kim.

 

-Kim? � Repetiu Sean, intrigada.

 

-Era o codinome que ela usava quando a conheci. � claro que o nome verdadeiro � Diane, como Shane a apresentou � voc�.

 

-Oh... espere aqui. Pode ligar a tv, se quiser.

 

Sean foi at� a porta do quarto de Shane e bateu uma, duas, tr�s vezes. Ela n�o respondeu e Sean perdeu a paci�ncia. Usou a c�pia da chave para abrir, o que havia evitado at� o momento.Girou a ma�aneta e a porta abriu.

 

O quarto estava escuro, com a l�mpada central desligada. Somente a pouca claridade da lua permitia que Sean visse o corpo de Diane adormecido na cama. Ela havia tirado a roupa e estava apenas de calcinha e sutian. Sean admirou o corpo escultural, enquanto se   aproximou e se inclinou,  chamando-a:

 

-Diane! Acorde!

 

Ela n�o se moveu. Sean tocou no bra�o dela, tornando a chamar:

 

-Diane! Acorde! J� s�o mais de seis horas da tarde!

 

Diane gemeu e abriu os olhos. Viu a silhueta de Sean inclinada para ela  e na escurid�o confundiu-a com Shane.Estendeu as m�os para ela e a puxou para si. Sean desequilibrou-se e caiu sobre ela.

 

-Shane, voc� voltou... � A voz rouca de Diane sussurrou no ouvido de Sean, o h�lito quente fazendo-a tremer � beije-me, quero ser sua!

 

Sean sentiu uma forte sensa��o percorrer seu corpo, ao ouvir aquele pedido sensual. E quando Diane a apertou pela cintura contra o corpo, Sean n�o p�de evitar um gemido de prazer que escapou de sua boca. O corpo de Diane era quente, macio e perfumado. Era delicioso estar nos bra�os dela.

 

N�o percebendo o seu erro, Diane puxou a cabe�a de  Sean com uma das m�os para baixo e suas bocas se encontraram, com Diane mordiscando e lambendo o l�bio inferior de Sean, depois penetrando na boca com sua l�ngua sugando, acariciando com fome de sexo.

 

Sean sentia ondas de frio e calor percorrerem seu corpo, com aquelas car�cias. Estava cada vez mais excitada, e a emo��o de sentir pela primeira vez um corpo de mulher pressionado no seu a fez quase ter um orgasmo. Estava adorando tudo aquilo, mas o pensamento de que Diane a estava confundindo com a irm� a fez brecar aquelas efus�es e afastar-se bruscamente.

 

-Voc� n�o me quer mais, Shane? � Gemeu Diane, soltando-a.

 

Sean ergueu-se agitada, falando com a respira��o acelerada:

 

-N�o sou Shane, sou Sean!

 

-Sean?!

 

Sean foi at� o comutador e o ligou. A luz mostou a Diane seu engano. Ela enrubesceu intensamente e a fitou confusa.

 

-Sean! O que est� fazendo aqu�?

 

-Vim cham�-la para jantar. Voc� dormiu a tarde inteira. J� � noite � Respondeu Sean, tentando soar natural. Seu cora��o batia furiosamente, com ela ainda sentindo os l�bios de Diane nos seus.

 

-Oh...eu tomei dois comprimidos para dor de cabe�a e apaguei.Obrigada por acordar-me para jantar, estou faminta. Vou tomar uma ducha r�pida e descer � Diane falou sem encarar Sean. Estava envergonhada por t�-la confundido com Shane e a ter beijado.

 

-Diane... preciso avis�-la de uma coisa.

 

-O qu�? Que Morgan j� chegou? Eu j� sei disso, foi por esse motivo que Shane saiu, aquela covarde!

 

Sean a fitou embara�ada.

 

-Shane n�o tem culpa, fui eu quem a convidou.

 

-Certo, mas n�o gostei dela ter sugerido n�s irmos para um hotel ou tentar disfar�ar nossa rela��o! Shane n�o quer assumir sua liga��o comigo diante de Morgan!

 

-Bem, vou descer. N�s a esperaremos no living � Avisou Sean, saindo e fechando a porta. Ela afastou-se alguns passos e parou antes de descer as escadas. Estava tremendo. E a causa disso era aquele beijo que Diane havia dado � ela por engano. Quando era adolescente, havia sido beijada por um colega que estudava  com ela no mesmo col�gio. E havia sido t�o sem gra�a... mas o beijo de Diane era apaixonado, macio, quente, delicioso! E o corpo dela, junto ao seu! Divino...

 

Agora entendia porque Shane gostava de mulher. E Diane era uma mulher muito especial. Achava Morgan uma bela garota, mas Diane era uma mulher mais experiente, que sabia o que queria. Pena que ela queria Shane...

 

Censurando seus pensamentos, desceu as escadas.

 

llllllllllllllllllllllllllllllllllllll

 

-Boa noite!

 

Sean e Morgan se voltaram. Diane acabara de entrar no living e fitava Morgan com desafio. Sean a olhou de cima � baixo, achando-a a mulher mais desej�vel do mundo, naquela  cal�a  de couro negro e blusa de seda azul escuro. Prendera os cabelos em um coque, mostrando o pesco�o macio e forte.

 

-Boa noite, Kim! � Disse Morgan, com ironia � Ou devo cham�-la Diane? A �ltima vez que a vi voc� se chamava Kim e parecia ser uma boa pessoa, agora coloco isso em d�vida.

 

Diane aproximou-se e encarou Morgan nos olhos, um olhar felino e direto.

 

-Acho que precisamos esclarecer algumas coisas, Morgan. Shane saiu, mas eu n�o tenho medo da verdade.

 

-N�o precisa dizer nada, Diane. Sean j� contou-me tudo. Sei que voc� agora � a nova amante de Shane. Mas tenha certeza que n�o ser� por muito tempo. Ela vai chut�-la, como fez comigo.

 

Diane sentou diante de Morgan . Sean as fitou tensa.

 

-Vou mandar servirem o jantar � Disse, erguendo-se � Comportem-se, garotas. Voltarei logo.

 

Ela saiu e Diane serviu-se de um copo de suco de laranja gelado que havia em uma jarra na mesinha de centro  e o tomou de uma vez. Encarou Morgan.

 

-Sabe, Morgan... a vida � um eterno jogo. Uns perdem, outros ganham. Voc� teve sua vit�ria, conquistou Shane. Mas depois teve que afastar-se e Shane n�o aceitou essa separa��o e terminou com voc�. Eu ent�o resolvi arriscar-me e entrar no jogo, tentar conquistar Shane. Joguei e perdi. Se voc� ama verdadeiramente Shane, v� � luta para reconquist�-la.

 

Morgan a encarou surpresa.

 

-Por que diz que jogou e perdeu?

 

-Porque hoje eu comprovei que Shane n�o me ama. E se ela n�o me ama depois de dois meses morando junto comigo, nunca me amar� como desejo ser amada. Estou desistindo dela, Morgan.

 

Morgan a fitou com suspeita.

 

-Por que est� desistindo t�o f�cil? Voc� tamb�m n�o a ama, se n�o quer lutar para ter o amor dela.

 

-�, talvez eu tenha confundido paix�o com amor. Mas eu sei que o motivo maior � que eu me valorizo, Morgan. E n�o sou masoquista para amar quem n�o me ama. Eu tenho o direito de ser feliz. E percebi que jamais serei feliz com uma mulher que n�o me assume diante da ex.

 

Morgan a fitou com admira��o, impressionada.

 

-Uau! Voc� � durona, Diane! Eu gostaria de ter o temperamento de pensar assim com a raz�o predominando, mas sou o oposto de voc�. Sou guiada pelas minhas emo��es.

 

-� s� voc� se amar, Morgan. E afastar-se do que a faz sofrer.

 

-� f�cil dizer, mas colocar em pr�tica...

 

-Estou colocando em pr�tica hoje. Meu caso com Shane acabou.

 

Sean entrou, anunciando:

 

-O jantar j� est� na mesa, venham.

 

Diane e Morgan seguiram Sean at� uma  confort�vel  sala  onde a grande mesa oval j� estava posta com o jantar. Sean sentou-se entre elas e disse com preocupa��o:

 

-Espero que consigamos jantar em um clima amig�vel.

 

         -Acho que somos todas mulheres crescidas e com educa��o � Disse Diane.

 

         Sean, procurando quebrar o clima tenso, conduziu a conversa para assuntos da fazenda, falando sobre a cria��o de gado e dos lugares onde elas poderiam passear.

 

         Diane ent�o falou sobre sua inf�ncia numa fazenda em Arkansa, at� sair  de l� para ir para a universidade . Sean a ouviu com prazer, olhando encantada como Diane se expressava com facilidade, com a bela voz rouca. Ela era uma mulher linda, atraente e inteligente. Como era poss�vel que Shane n�o a amasse?

 

         Morgan notou o olhar de Sean para Diane. E teve vontade de rir. A bela Sean, afinal de contas, n�o era assexuada como Shane pensava... Oh, seria muito divertido se Sean e Diane se apaixonassem! Seriam um par perfeito! E Diane realmente desistiria de Shane. Hummm... pois ia ajudar isso acontecer!

 

         Colocou a m�o diante da boca, simulando sono, bocejando.

 

         -Bem, acho que vou dormir, estou exausta da viagem que fiz hoje. Voc�s podem continuar conversando � Declarou, com voz inocente.

 

         Sean a fitou admirada.

 

         -N�o vai esperar Shane chegar?!

 

         Morgan sorriu, levantando-se da mesa.

 

         -N�o, n�o sei a hora que ela vai chegar e estou com sono. Falarei com ela amanh�. Boa noite.

 

         -N�o quer que eu mostre a voc� seu quarto? � Ainda perguntou Sean.

 

         -N�o, sei onde �. �ltimo do corredor, � esquerda, n�o �?

 

         -Exato... bem, boa noite, Morgan.

 

         Morgan saiu da sala e Sean e Diane se fitaram.

 

         -Ela est� agindo estranho... ser� que se entendiou com minha conversa sobre a fazenda? � Comentou Sean.

 

         Diane sorriu.

 

         -Ah, n�o se preocupe... Morgan � assim mesmo, ela muda de humor muito r�pido. Isso � pr�prio da sua idade.Eu sou muito mais madura que ela.

 

         Sean riu.

 

         -Fala como se fosse uma velha! Voc� deve ter poucos anos a mais que Morgan!

 

         -Bem, ela entrou na faixa dos vinte e eu estou saindo. � uma boa diferen�a. Shane � mais velha que Morgan quatro anos, mas acho ela mais madura que sua idade.

 

         -Diane, sei que n�o deveria intrometer-me, mas o que vai fazer, quando Shane chegar? Voc�s brigaram por causa de Morgan e a conviv�ncia de voc�s tr�s vai ser dif�cil.

 

         Diane a encarou.

 

         -Est� querendo que eu v� embora?

 

         -Oh, n�o! Absolutamente! Eu apenas ia sugerir que voc� dormisse em outro quarto, at� voc� e Shane fazerem as pazes. Ela pode chegar de madrugada e sei que ela chegar� embriagada. Voc�s ir�o discutir e acabar�o brigando. N�o seria melhor esperar ela ficar s�bria?

 

         Diane fitou Sean nos olhos.

 

         -Sean, eu n�o vou fazer as pazes com Shane. Pelo menos, como voc� pensa. Eu estou desistindo dela. J� falei com Morgan.

 

         Sean arregalou os olhos, surpresa.

 

         -Voc� vai desistir de Shane?! Mas... voc� n�o a ama?

 

         Diane sorriu amargamente.

 

         -Eu estava apaixonada, o que � diferente de amar. Com o tempo, eu at� poderia vir a amar Shane, mas ela estragou tudo. N�o posso ficar com uma mulher que ainda gosta da ex. Sou muito possessiva do que � meu, Sean. E ficar com Shane seria estar com uma mulher com sentimentos divididos, e n�o admito isso. Prefiro sofrer agora e afastar-me, que iludir-me e sofrer mais tarde.

 

         Sean sentiu uma s�bita tristeza em pensar que n�o iria mais ver Diane. Deus, a �nica pessoa que havia tocado seu cora��o, ia embora e nunca mais ia v�-la! N�o! N�o deixaria isso acontecer!

 

         -O que foi, Sean? De repente est� parecendo t�o triste!

 

         Sean a fitou sem poder disfar�ar sua tristeza.

 

         -Estou triste porque vai embora e nunca mais a verei � Confessou.

 

         Diane a encarou surpresa. Depois, sorriu suavemente.

 

         -Voc� n�o quer que eu me v�? � Perguntou suavemente.

 

         Sean baixou os olhos, envergonhada.

 

         -N�o.

 

         -Ent�o, n�o irei. Acho a sua sugest�o muito boa, colocar-me em outro quarto. Tem algum dispon�vel para hoje?

 

         -Sim, vou mandar Maria pegar suas coisas para colocar l�.

 

         -N�o, eu mesma posso fazer isso. Apenas mostre-me o quarto.

 

         Se ergueram e foram para o quarto de Shane. Diane recolheu suas roupas usadas e sapatos, colocando numa sacola de couro e pegou sua mala. Com a ajuda de Sean, levou tudo para um quarto do lado, t�o confort�vel quanto o de Shane.

 

         -Ainda � cedo para dormir, n�o quer sentar-se na varanda e conversar um pouco? � Perguntou Sean � Podemos tomar vinho, ou ent�o voc� provar as margaritas que Maria faz.

 

         Diane sorriu com entusiasmo.

 

         -Outra grande id�ia. Voc� � uma mulher de grandes id�ias, Sean! Shane deveria aprender muitas coisas com voc�.

 

         Sean enrubesceu intensamente. Diane estava flertando com ela!

 

         Ficaram na varanda at� tarde da noite, conversando sobre v�rios assuntos. Diane aos poucos foi caindo sob o encanto de Sean. Uma mulher amadurecida como ela e sensata, inteligente, doce. Fisicamente parecida com Shane, mas t�o diferente em sua personalidade! Sean era de temperamento reservado, t�mida, calma, sincera . Uma pessoa que transmitia paz. Uma pessoa por quem seria f�cil de se apaixonar, sem medo de se magoar depois.

 

         Diane foi dormir com um sorriso nos l�bios.

 

         No quarto ao lado, Morgan revirava na cama, sem sono. Como podia dormir se a sua felicidade ia ser decidida dentro de poucas horas, quando Shane voltasse? Diane havia falado que n�o queria ficar mais com Shane porque ela n�o a amava. Isso a deixara com mais medo ainda de Shane n�o a querer. Se ela n�o havia se apaixonado por uma mulher como Diane, como iria querer ela novamente, com quem j� havia terminado uma vez?

 

         -Oh, Deus... � Gemeu � Se ela n�o quiser mais nada comigo, n�o sei o que farei de minha vida!Eu a amo tanto...

 

 Continua na parte 13 

 

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